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A HISTÓRIA DOS TEMPLÁRIOS


DE 1307 A 1314

Luiz Guilherme Marques


2017
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INTRODUÇÃO
Tudo que consegui apurar na maioria dos livros e registros
sobre os templários, também chamados de membros da Ordem do
Templo de Salomão [1] e outras denominações semelhantes, me
pareceu meias verdades ou até inverdades facilmente perceptíveis
para quem aprofunda as pesquisas.
O interesse dos adversários ferrenhos dessa extraordinária
instituição sempre foi de passar a imagem de que os templários
[2] foram meros guerreiros, banqueiros mercenários ou até
assaltantes além de praticantes de Magia Negra e
homossexualismo, sendo que, por isso, devem ser neutralizados
de qualquer forma, pois se constituíram em todas as épocas um
grave perigo para a corrente católica, pretensamente para os bons
costumes e até para a preservação da moralidade.
As acusações contra os templários chegaram até à alegação
de prática de homossexualismo e Magia Negra.
Todavia, por vários meios que utilizei para as pesquisas,
verifiquei que, pelo menos no período abordado neste livro, os
templários dignos desse nome (pois os houve também os maus
elementos) foram homens da mais alta qualidade moral, que
pretendiam fundar na Aquitânia (região da França) [3] uma nação
onde implantariam as leis ditadas pela religiosidade mais pura,
haurida das inúmeras correntes de pensamento no que cada uma
tinha de mais elevado.
Não pretendiam o predomínio de nenhuma corrente
especificamente, mas sim o que havia de melhor em cada uma,
inclusive até determinados ensinamentos do próprio Islamismo,
sem contar do Hinduísmo, Budismo, Cristianismo, Judaísmo, das
religiões do Egito antigo, da Grécia de Sócrates e Pitágoras e
assim por diante.
3

As ideias políticas que adotaram eram as da democracia [4]


republicana [5], onde os governantes atenderiam a voz do povo no
que tivesse de mais justo.
Todavia, o então rei da França [6], aliado ao papa [7], cada
um utilizando os argumentos que lhes convinham à má-fé e os
meios materiais desonestos e perversos de que dispunham,
colocaram no calabouço os templários que conseguiram alcançar,
tomaram os bens materiais da instituição e iniciaram um processo
extravagante contra eles, que terminou com a morte de suas
lideranças mais eminentes, sendo uns através das próprias torturas
e outros nas condenações à morte na fogueira ou nas prisões
perpétuas, sem contar os que fugiram antes das prisões, que
tinham sido decretadas secretamente.
Neste livro vou relatar aos prezados leitores o que aconteceu
nesses sete anos de absurdas injustiças contra a Ordem dos
Templários.
O que se sucedeu antes, desde a criação da Ordem [8], bem
como o que ocorreu depois, não são relevantes, ao meu entender,
a ponto de merecer uma obra deste perfil, porque nesses sete anos,
que vão de 1307 a 1314, os templários merecedores desse nome
mostraram ao mundo que o exemplo de Jesus Cristo deve ser
imitado dê no que der.
Esses guerreiros imbatíveis tinham condições de arrasar o
exército francês, bem como qualquer outro exército da época,
mas, através do seu líder mais respeitado, que era Jacques De
Molay [9], foram orientados pelos seus mestres invisíveis de que
a hora era de demonstrar fé em Deus, em Jesus Cristo e em Sua
Divina Mãe acima de tudo, confiando em que aconteceria o que
fosse melhor espiritualmente falando para instrução da
humanidade.
4

Havia uma programação espiritual para que o rei da França


fosse Charles de Valois, mas, por mil ardis perversos, seu irmão
Filipe IV, impediu-o de chegar ao poder.
Se Charles fosse o rei, tudo teria sido diferente,
implantando-se a nova nação, sob o signo da cruz vermelha
colocada sobre o fundo branco.
Mas os templários compreenderam, quando avisados
espiritualmente, que tudo acontece no tempo certo, tanto que
Geoffroy de Gonneville [10], sobrevivente a onze anos de prisão,
disse, em 1318, que a Ordem somente teria condições de colocar
em prática seu ideal daí a seiscentos anos, o que cairia no ano de
1918, mas a verdade é que as condições propícias ainda não
ocorreram nem agora, em 2017, ano em que estamos.
Tudo acontece na hora certa e somente Deus sabe qual é
essa hora.
Em resumo, prezados leitores, este livro os surpreenderá, na
certa, pois aqui encontrarão afirmações nunca vistas, por
exemplo, que estava programado que o rei fosse Charles de
Valois, e não Filipe IV; que a Aquitânia se tornasse um país onde
vivessem os templários, dentro de uma organização sócio-
político-jurídica baseada nos postulados religiosos mais
avançados e que a atitude criticada como “conformista” dos
templários diante dos injustos que os processaram e condenaram
deveria ser aceita como desígnio de Deus.
Boa leitura, na graça do Pai Celestial.
5

ÍNDICE
Capítulo I – A garantia de Charles de Valois como rei da França
em favor da fundação do país dos templários
Capítulo II – A Aquitânia como país
1 – O sistema religioso
2 – O sistema social
3 – O sistema jurídico
Capítulo III – A fé inquebrantável nos desígnios divinos
Capítulo IV – As figuras mais proeminentes desse projeto de
implantação do Reino de Deus na Terra
1 – Jacques De Molay
2 – Geoffroy de Charnay
3 – Gui Dauphin
4 – Geoffroy de Gonneville
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CAPÍTULO I – A GARANTIA DE CHARLES DE VALOIS


COMO REI DA FRANÇA EM FAVOR DA FUNDAÇÃO DO
PAÍS DOS TEMPLÁRIOS

Os registros oficiais sobre esse grande homem (deu para


concluir facilmente), foram deturpados, naturalmente que por
ordem do seu irmão, Filipe IV, um dos mais perversos monarcas
franceses de todos os tempos.
Charles de Valois nasceu em uma família de perversos,
descendente de Luís IX, este último que se pode classificar como
uma verdadeira fábrica de calhordices, a ponto de, pouco tempo
após sua morte, ser canonizado como São Luís, apesar de ter sido
um autêntico hipócrita, que benefícios fez apenas em favor de si
mesmo e malefícios a incontável número de pessoas.
Mas meu objetivo não é contar a história desse verdadeiro
escroque e sim falar sobre os templários.
O pai de Charles de Valois também não foi boa bisca,
tratando-se do degenerado Filipe III.
7

A hereditariedade e o meio familiar onde teve de viver


representava um verdadeiro presídio psicológico para um homem
idealista como ele, mas acontece do lírio ter de florescer no meio
do pântano: são os desígnios divinos.
Charles teve de conviver naquele meio corrupto para
cumprir sua missão, a qual foi abortada, como dito, sobretudo,
pelo irmão, que se fez rei e praticou todas as maldades possíveis,
inclusive assassinando a própria esposa.
Mas, primeiro, vamos ver o que se registrou oficialmente
sobre Charles de Valois, para os prezados leitores compreenderem
como foi difícil a vida desse homem cuja missão era dar as
condições materiais para os templários transformarem a Aquitânia
em um país onde reinassem a Justiça e a Paz, ou seja, uma nação
ideal, como os homens e as mulheres de bem desde a mais remota
antiguidade sonharam para viverem em clima de harmonia e
felicidade aqui na Terra.
Jesus tinha dito: “Meu Reino não é deste mundo”, mas
muitos sonharam que era possível que o fosse e, assim, lutaram
para fazer do mundo um segundo paraíso.
Os templários mais evoluídos, como os daquela geração
liderada por De Molay, eram idealistas e pretendiam fazer do seu
novo país um verdadeiro paraíso no meio das perversidades e
depravações vigorantes naquele século XIV, em plena Idade
Média europeia.
A fama dos templários de meros guerreiros se deveu à
propaganda negativa do rei Filipe IV e do papa Clemente V,
interessados em extinguir a Ordem dos Templários para
apropriarem-se da sua fabulosa riqueza, coisa que conseguiram
em parte, só não alcançando tal intento na íntegra, porque muitos
templários mantiveram a salvo parte das referidas riquezas
8

levando-as para locais seguros ou mantendo em segredo sua


localização e a Ordem continuou existindo em outros pontos do
planeta, com outras denominações.
Em suma, Charles de Valois seria o garantidor da pretensão
dos templários de fundar um país diferente de tudo que já tinha
existido, escolhido como local a região da Aquitânia.
Vejam o que a Wikipédia consigna sobre o nosso
personagem, imputando-lhe uma caricatura ridícula, servindo o
idealista homem de fé apenas para casamentos arranjados,
visando alianças com famílias poderosas, a fim de seu irmão
aumentar sua área de influência cada vez mais.
Alguém poderá indagar: - um homem sem pulso forte como
esse poderia garantir a pretensão dos templários de fundar um
país, perdendo parte do território francês? Será que teria pulso
para enfrentar os nobres franceses descontentes com essa perda de
território? Mas a resposta é simples: - contra um perverso e
pervertido como Filipe IV até os temíveis templários tiveram
sérias dificuldades e foram ludibriados por ele através de
mentiras, promessas não cumpridas e violências as mais cruéis.
Realmente, a missão de Charles de Valois era quase impossível,
pois ganhar de Filipe IV representava uma das duas opções: matá-
lo ou praticar mais chantagens e calhordices do que ele para
chegar ao trono da França e, mais difícil ainda, continuar vivo
para realizar seus planos em favor da Justiça e da Paz.
Lutar contra bandidos exige muita esperteza, força e até
violência e Charles de Valois não se dispôs a sujar as mãos no
sangue do irmão degenerado nem teve meios de lhe neutralizar
as sucessivas armadilhas e cafajestices.
Foi apenas lembrado para fazer filhos e chefiar os exércitos
franceses, correndo sempre o risco de morrer em campos de
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batalha, mas, quando era sua vez de assumir o trono, sempre era
passado para trás.
Consigna a Wikipédia:
“Carlos de Valois (12 de março de 1270 — 16 de
dezembro de 1325) foi filho da França e patriarca da Casa
de Valois. Era o quarto filho de Filipe III de
França e Isabel de Aragão. Em 1284, foi criado conde de
Valois (como Carlos I) por seu pai e, em 1290, recebeu o
título de conde de Anjou de seu casamento com Margarida
de Anjou.
Biografia
Carlos nasceu em 1270 (provavelmente em 12 de março),
no berço da família Capeto. Era o quarto filho do
rei Filipe III da França com sua primeira esposa, Isabel de
Aragão, Carlos foi conde de Valois, d'Alençon, de
Chartres e do Perche; e, por seu primeiro
casamento, conde d'Anjou e do Maine.
Ele foi filho, irmão, cunhado e genro de reis e rainhas
(da França, de Navarra, da Inglaterra e de Nápoles),
assim como, após sua morte, pai de um rei. Contudo,
durante toda sua vida, ele sonhou e planejou ganhar uma
coroa, embora sem sucesso.
Em 1284, o papa Martinho V reconheceu-o como rei de
Aragão (sob vassalagem papal) como neto de Jaime I de
Aragão, em concorrência com seu tio, Pedro III, que, após
conquistar a ilha da Sicília, tornou-se inimigo do papado.
Em 16 de Agosto de 1290, em Corbeil, Essone, Carlos se
casou com Margarida d'Anjou, filha do rei Carlos II de
Nápoles, Sicília e Jerusalém, que era apoiado pelo
Papa. Graças a esta cruzada contra Aragão, impelida por
seu pai, ele pensou que ganharia um reino, mas não
ganhou nada além da ridicularização, ao ser coroado com
um chapéu cardinalício, em 11 de junho de 1284, em Lers,
na Catalunha, o que lhe rendeu o apelido de rei do chapéu.
10

Ele nem se atreveu a usar o selo real feito para a ocasião e


teve que desistir do título, o que fez em junho de 1295. Em
recompensa, seu sogro lhe cedeu os condados d'Anjou e do
Maine, esperando obter a libertação de seus três filhos,
que eram reféns de Afonso III de Aragão.
Sua maior habilidade era como comandante de batalha.
Ele comandou em Flandres com distinção, em 1297. Seu
irmão, Filipe IV, decidiu, bastante precipitadamente, a
partir disto, que seu irmão poderia liderar uma campanha
na Itália.
Carlos então contemplava a coroa imperial e, em 18 de
fevereiro de 1301, casou com Catarina de Courtenay, neta
e herdeira do último imperador latino de
Constantinopla, Balduíno II. Ele precisava da
cumplicidade do Papa, o que obteve ao liderar um exército
para ajudar seu antigo sogro Carlos II de Nápoles. Eleito
vigário pontifical, perdeu-se no enredamento da política
italiana, foi comprometido num massacre em Florença e
em negócios financeiros ilegais, ganhou a Sicília, onde
consolidou sua reputação como saqueador, e voltou para a
França desacreditado, em 1302.
Carlos começou a ambicionar uma coroa novamente
quando o imperador eleito Alberto de Habsburgo morreu,
em 1308. Seu irmão Filipe IV o encorajou nisto, não
desejando arriscar a si mesmo. A candidatura fracassou
com a eleição de Henrique VII.
Em junho de 1308, Carlos casou-se com Matilde de
Châtillon, filha de Guido III de Châtillon, conde de Saint-
Pol, e de Maria da Bretanha. Em 1311, liderou a
delegação real para as conferências em Tournai com
os flamengos; ali enfrentou Enguerrardo de Marigny, que
o eclipsou claramente. Carlos não o perdoou pela afronta
e foi o opositor maior de Marigny após a morte de Filipe
IV.
A morte prematura do filho de Filipe, Luís X, em 1316, deu
a Carlos esperanças de um papel político, mas não pôde
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impedir o irmão de Luís, também chamado Filipe, de


tomar a regência enquanto esperava para se tornar Filipe
V. Com a morte dele, em 1324, ninguém considerou o
conde de Valois como seu sucessor.
Em 1324, Carlos comandou com sucesso o exército de seu
sobrinho Carlos IV, sucessor de Filipe V, em Guyenne.
Carlos morreu aos 55 anos, em Le Perray, Yvelines.
Casamentos e descendência

 Margarida de Anjou (1274-1299), filha de Carlos II de


Nápoles
 Isabel de Valois (1292-1309), casou em 1297 com João III
 Filipe VI, Rei de França (1293-1350); primeiro rei
da Casa de Valois
 Joana de Valois (ca.1294-1353), casou em 1305
com Guilherme III, Conde de Hainaut
 Margarida de Valois (ca.1295-1342), casou em 1310
com Guy I de Châtillon (1290 - 1342), Conde de Châtillon
e Blois.
 Carlos II, Conde de Alençon (1297-1346), morre
na batalha de Crécy, avô de Henrique IV de França.
 Isabel de Valois (1292-1309)
 Catarina de Valois (1299-?), morreu jovem
 Catarina de Courtenay, Imperatriz titular de
Constantinopla (1275-1308)
 João, Conde de Chartres
 Catarina II, Princesa da Acaia, Imperatriz titular de
Constantinopla (1303-1346), casa com Filipe I de Taranto
 Joana de Valois (1304-1363), casou em 1318 com Roberto
III de Artois
 Isabel de Valois (1306-1349), Abadessa
de Fontevrault desde 1342.
 Matilde de Châtillon (1293-1358)
 Maria de Valois (1309-1328), casou em 1324 com Carlos
da Sicília, Duque da Calábria
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 Isabel de Valois (1313-1383), casou com Pedro I, Duque


de Bourbon
 Branca de Valois (1317-1348), casou com Carlos IV,
Imperador do Sacro Império
 Luís de Valois, Conde de Alençon e de Chartres (1318-
1325)
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_de_Valois)
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CAPÍTULO II – A AQUITÂNIA COMO PAÍS

Alguém perguntará sobre o porquê da escolha


da Aquitânia para ser o país dos templários, mas as
razões são muito simples:
1 – tratava-se de uma região de fortes tradições
célticas, o que seria muito importante, uma vez que
o Celtismo sempre foi uma das referências para os
templários. Engana-se quem pensa que os templários
eram adeptos apenas do Catolicismo, pois, na
verdade, eram universalistas e pouca inclinação
tinham para trair suas tradições célticas em favor das
regras absurdas do Vaticano, aliás, foco central da
máfia que utilizava indevida e descaradamente o
nome de Jesus Cristo para tentar dominar o mundo,
como os césares romanos tinham tentado através das
armas, enquanto que o Vaticano usou e abusou do
nome do Cristo, que nunca autorizaria ser utilizado
14

como pretexto para violências e fraudes, que


tornaram o Vaticano a maior fortuna do planeta.
2 – o caminho para o Oceano Atlântico seria um
meio fácil de comunicação com outros povos para
fins culturais e comerciais.
3 - o número de templários da Aquitânia sempre foi
muito significativo e a aceitação popular também
seria outro elemento favorável.
4 – a Aquitânia nunca foi uma região valorizada pelo
governo centrado em Paris, portanto, sua perda não
fazendo grande diferença para os orgulhosos
parisienses.
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1 – O SISTEMA RELIGIOSO
Engana-se redondamente quem acha que os
templários comandados por De Molay eram
submissos aos absurdos impostos pelo Vaticano.
Pelo contrário, seguiam o ideário de Pitágoras e
Sócrates, de Jesus e das crenças do Egito antigo, da
Grécia antiga, da Babilônia etc. etc.
Uma das birras do papa Clemente V contra os
templários daquele tempo foi justamente porque não
restringiam suas crenças e suas práticas ao
Catolicismo.
Aliás, o chamado Cristianismo representou uma
verdadeira deturpação do que Jesus ensinou,
principalmente através da sua exemplificação,
sobretudo nas suas vinte e quatro últimas horas de
vida, que cobriram o período da prisão, julgamento e
morte na cruz.
Naquele curto espaço de tempo Jesus ensinou o
que não tinha sido possível mostrar nos trinta e três
anos de vida que o precederam.
Religião é identificar Deus como Pai e as suas
criaturas como irmãos e irmãos, ligando-se pelos
laços mais puros, dentro da ideologia do “somos
todos um”, conforme frase dos xamanistas.
16

Os católicos criaram o falso mito de que os


templários eram meras “buchas de canhão” como
matadores de islâmicos, a pretexto de defender
Jerusalém, tida pelos fanáticos como “terra santa”,
como se houvesse (coisa absurda) algum lugar mais
“santo” do que outro!
É verdade que houve muitos templários que se
prestaram a esse tipo de papel, de inimigos dos
maometanos, mas De Molay não adotava essa
ideologia separatista.
Jerusalém poderia ser “terra santa” para quem o
quisesse, mas não para ele e seus amigos mais
evoluídos, como Geoffroy de Charnay, Geoffroy de
Gonneville, Gui Dauphin etc. etc.
Guerrear por causa de diferença de maneiras de
crer em Deus é o cúmulo do absurdo e, na verdade,
traduz-se em mero pretexto para matar, tiranizar e,
sobretudo, saquear, como fizeram cristãos e
islâmicos durante as cruzadas e alguns o fazem até
hoje, em pleno século XXI.
O grau de compreensão daquela geração de
templários era diferente das que as antecederam e
das posteriores.
17

Por isso justamente é que agiram De Molay e


seus amigos de forma diferente.
Sua religiosidade não justificava matanças e
arrependeram-se das mortes que tinham causado
anteriormente.
Mas, sobretudo, quando foram presos, tendo
ouvido as orientações dos mestres invisíveis,
submeteram-se ao sacrifício como Jesus tinha
exemplificado.
Confiaram em que Deus mandaria a melhor
resposta e, por isso, não pegaram em armas para se
defenderem e, muito menos, para se vingarem.
Poderiam ter arrasado o exército francês, como
qualquer outro exército, mas preferiram não reagir,
fazendo como Jesus tinha dito a Pedro: -“Embainha
a tua espada, pois quem com ferro fere com ferro
será ferido!”
O rei e o papa abusaram das mentiras, das
promessas não cumpridas e, com isso, foram
matando os templários nas sessões de torturas ou
queimando-os vivos, sem contar as penas perpétuas.
Religião verdadeira é isto: defender-se até certo
ponto, mas, em ocasiões especiais, praticar a total
não violência e foi isso que os templários fizeram.
18

O próprio Jesus tinha falado a De Molay, em


visão espetacular, para não reagir nem permitir que
seus comandados reagissem.
Muita gente não irá acreditar nesta versão,
certamente, mas cada um tem o direito de apresentar
a sua: esta é a minha.
A religiosidade daquela geração de templários
era da mais alta qualificação, como o eram as de
Sócrates, Jesus, Buda, dos cristãos que morreram
nos circos romanos, dos apóstolos martirizados e de
outros idealistas mais recentes, como Gandhi, Luther
King etc.
Mas, voltando ao país que se pretendia fundar, a
religião que vigoraria seria a da convicção de cada
cidadão, sem obrigatoriedade nem prevalência de
nenhuma pela força ou contra a vontade de cada um.
Trata-se, se formos analisar bem, de um absurdo
a instituição de uma religião oficial do Estado, pois
cada um deve poder crer ou deixar de crer no que e
como quiser.
Naquela época, todavia, isso era muito
avançado para caber na cabeça de um homem
comum, ainda mais de gente como o rei e o papa
daquele momento histórico.
19

2 – O SISTEMA SOCIAL
A instituição de castas, separação de pessoas em
classes estanques e coisas desse tipo: tudo isso
representa atraso, espírito antidemocrático e negação
do ideal de democracia e do instituto republicano.
As experiências, sobretudo, da Grécia e da
Roma antigas, no que tiveram de melhor, seriam
modelos a ser seguidos na nova nação, para que não
houvesse reis, imperadores, ditadores e outras
figuras retrógradas de dirigentes autoritários.
De Molay tinha sido eleito grão mestre da
Ordem e queria que seu país adotasse esse meio de
escolha dos dirigentes: as eleições, onde os
escolhidos não adquiririam o direito de comandar
vitaliciamente, mas sim apenas enquanto a maioria
lhes desse apoio.
Assim deve ser, não sendo, todavia, essa
fórmula adotada até hoje, porque, os eleitos julgam-
se no direito de terminar o mandato, mesmo quando
deixem de ser aceitos pelo povo que os elegeu.
O sistema eletivo e representativo adotado na
Ordem dos Templários seria o vigorante no novo
país, apenas que sem distinção de classes como
forma de classificar pessoas como inferiores.
20

O país que surgiria seria um modelo para o


mundo inteiro, mas isso não interessava ao papa e ao
rei da França, respectivamente Clemente V e Filipe
IV, que, ao revés, queriam se apropriar das riquezas
da Ordem e, ao mesmo tempo, impedir que o novo
país surgisse, o que representaria um descrédito para
o autoritarismo de ambas as personalidades
cavernosas e corruptas.
21

3 – O SISTEMA JURÍDICO
Alguns falam que os templários eram homens
de pouca cultura, mas a verdade é que estudavam
tudo que conseguiam quanto às novidades que iam
surgindo, bem como se informavam acerca das
antigas civilizações e seus melhores feitos e
realizações.
O sistema jurídico mais avançado que havia na
época era o Direito Romano, que não era novidade
para os templários mais eruditos, dentre os quais De
Molay.
Alguém perguntará como adquiri tanta certeza
sobre isso, mas respondo que a forma como esse
grande líder procedeu, inclusive conseguindo
controlar a eventual rebeldia dos amigos presos e
suas falas nos interrogatórios, sem contar o último
discurso, diante das autoridades e do povo enquanto
era queimado vivo em praça pública, tudo mostra
que se tratava de um homem de grande cultura,
liderança e inteligência.
A própria organização da Ordem, suas regras de
administração, o sistema bancário por ela inventado
e praticado e outras tantas programações, mostram o
quanto se conhecia de Direito nas intimidades do
22

universo dos templários da época que estamos


abordando.
Uma instituição organizada no mais alto grau de
complexidade e bom funcionamento, como era a
Ordem dos Templários, na certa que contava com
juristas do mais alto nível, que tinham condições de
estabelecer um sistema jurídico e judiciário do
melhor nível no novo país.
23

CAPÍTULO III – A FÉ INQUEBRANTÁVEL NOS


DESÍGNIOS DIVINOS
O contato espiritual estabelecido rotineiramente
entre De Molay e seus orientadores invisíveis lhe
dava a certeza de estar no rumo certo, sendo que4,
em algumas ocasiões, avistou-se diretamente com
Jesus e, na oportunidade a que me referi acima,
linhas atrás, foi o próprio Divino Mestre quem
determinou que ninguém praticasse qualquer revide
ou oposição aos atos injustos, caso quisesse se
manter fiel aos mandamentos de Deus de Amor
Incondicional.
Assim é que De Molay passou essa mensagem
adiante a todos que tinham condições psicológicas
de se submeterem ao que viesse a acontecer.
Dessa maneira separou-se o joio do trigo dentro
da Ordem dos Templários, tendo os de pouca fé
preferido a fuga, enquanto que os crentes na Justiça
e na Proteção Divinas permanecido, no aguardo do
que Deus enviasse como sendo sua Vontade, assim
como tinha sido feito em relação a Jesus.
Quem pensa que os templários se acovardaram
está redondamente enganado, pois, mesmo sofrendo
torturas inimagináveis, mantiveram-se firmes na
certeza de que Deus estava com eles.
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Muitos foram queimados vivos de início, como


forma de intimidação para os demais, outros
morreram durante as sessões de tortura, enquanto
que outros tantos continuaram vivos até 1314, para
serem expostos publicamente, como convinha à
coroa francesa e ao papado, como forma de dizerem
ao povo que quem ousasse enfrenta-los teria fim
idêntico.
O resultado foi o contrário, pois o povo viu que
os templários seguidores de De Molay eram
verdadeiros religiosos e homens de bem.
As palavras de De Molay enquanto o fogo
queimava suas carnes tiveram o condão de mostrar
que estava sendo cometida uma tremenda injustiça
contra pessoas honestas e dignas do maior respeito,
enquanto que a “maldição” que saiu da boca desse
líder dos templários funcionou como um alerta a
todos quanto ao Poder de Deus, tendo isso sido
confirmado com as desgraças que se abateram contra
o papa e vários membros da família real.
A submissão ao martírio e a “maldição”
mostraram a todos que Jesus não é uma estátua no
altar, mas sim um representante de Deus, vivo e
atuante através dos seus emissários, dentre os quais
De Molay e vários dos seus amigos castigados pela
25

maldade dos falsos representantes da religiosidade e


do poder.
Tudo o que aconteceu relembrou a crucificação
de Jesus e os fatos que se sucederam após a
escuridão súbita e surpreendente.
A França nunca mais seria a mesma e nem o
papado, pois Jesus tinha mostrado que não está
apenas no Céu, mas acompanha e consola seus
emissários e repreende seus perseguidores.
A lição ficou na memória dos contemporâneos,
mas os pósteros maliciosos trataram de sepultá-la.
Por isso estou relembrando-a neste pequeno
livro.
26

CAPÍTULO IV – AS FIGURAS MAIS


PROEMINENTES DO PROJETO DE
IMPLANTAÇÃO DO REINO DE DEUS NA
TERRA
Não é minha intenção escrever biografias, mas
sim resumir o que fizeram alguns daqueles homens
de fé e de coragem.
Existem biógrafos desses todos, infelizmente
sem compreensão sobre o verdadeiro contributo que
deram à humanidade, que foi o da fé absoluta em
Deus e na sua Justiça.
Esses biógrafos se preocupam com detalhes que
nada acrescentam ao que é importante e relatam
fatos e dados sem valor algum para mostrar o quanto
a mensagem deixada abalou as estruturas do
Vaticano e do trono francês.
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1 – JACQUES DE MOLAY
Jacques de Molay é homenageado por muita
gente que não entendeu sua vida e sua mensagem,
mas, de qualquer forma, ficou o nome como o de um
herói, que enfrentou a morte numa fogueira e
desafiou os maiores poderes do momento: o rei e o
papa.
Nesse ponto valeu também a lição, para que as
gerações lutem contra as injustiças perpetradas pelos
poderosos, pagando com a própria vida, se assim for
necessário.
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2 – GEOFFROY DE CHARNAY
Os historiadores divergem se foi Charnay quem
morreu ao lado de De Molay, mas tenho para mim
que essa confusão foi provocada pelos próprios
interessados em falsear a verdade, lançando várias
versões diferentes.
Interessava ao papa e ao rei que ninguém tivesse
certeza sobre quem eram os heróis que os
afrontaram na hora da morte na fogueira.
Acho que não foram apenas dois os que
pereceram pela ação do fogo, mas muitos mais e
seus nomes não foram registrados.
Todavia, isso não importa, porque o povo viu a
injustiça ser desmascarada e, depois, a morte dos
carrascos do povo e da religião de fachada.
Geoffroy de Charnay também falou
esclarecendo o povo enquanto suas carnes eram
dilaceradas pelo fogo e era um homem forte nas suas
convicções e respeitado pelos que o conheciam.
Ninguém tinha visto antes tanta firmeza diante
dos homens mais poderosos da França: o rei e o
papa, ambos desafiados publicamente.
29

Os corpos dos condenados ardiam no fogo, mas


suas palavras abalavam as mentes, gerando
arrependimentos e desmoralizando os poderosos sem
caráter.
30

3 – GUI DAUPHIN
Esse foi outro que pereceu queimado em praça
pública, em 1314, junto com De Molay.
Não disse nenhum discurso, porque era discreto
e silencioso por natureza, mas sua credibilidade era
conhecida de todos.
31

4 – GEOFFROY DE GONNEVILLE
Esteve preso de 1307 a 1317, ou seja, por onze
anos, mas conseguiu fugir e prosseguiu, longe da
França incentivando os ideais templários.
32

NOTAS
[1]
“Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de
Salomão (em latim: "Ordo Pauperum Commilitonum
Christi Templique Salominici"), conhecida
como Cavaleiros Templários, Ordem do
Templo (em francês: Ordre du Templeou Templiers) ou
simplesmente como Templários”.
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Templ%C3%A1
rios)
[2]
“Revela a história que a Ordem do Templo passou por
muitas dificuldades e dissidências. Por consequência, hoje
em dia há muitas organizações de gêneros diferentes que
afirmam ser as “Autênticas Ordens do Templo”. Porém,
confirmamos que a “Ordo Supremus Militaris Templi
Hierosolymitani (OSMTH) é uma verdadeira Ordem
Eclesiástica de Cavaleiros Templários, afiliada e nascida
de sua Ordem Templária Mãe, com sede na cidade do
Porto, em Portugal. Identificada pelo uso da mesma cruz
de “barra dupla”, bem como pelo antigo lema da
Ordem. A OSMTH é uma Ordem de Cavaleiros do Templo,
não sendo, portanto, uma Ordem Maçônica e nem a ela é
conectada, a não ser historicamente, como qualquer das
Organizações Templárias dentro da Maçonaria. Muitos
conteúdos sobre os templários foram altamente
romantizados por vários historiadores e escritores ao
longo dos séculos. Atribui-se aos Cavaleiros Templários a
posse de segredos enigmáticos, e acredita-se que isso é
devido à longa natureza histórica da Ordem e à sua
considerável exposição às filosofias religiosas orientais
encontradas no Oriente Médio. Nem a OSMTH nem sua
Ordem Mãe, na Europa, afirmam estar de posse de
33

quaisquer segredos enigmáticos ou poderes de qualquer


tipo. Não há absolutamente nada oculto sobre a OSMTH.
As cerimônias de posse da Ordem (As concessões do título
de Cavalaria) são religiosas, geralmente abertas a
qualquer um que deseje vê-las. As cerimônias são em
grande parte baseadas naquelas dos Templários antigos.
A OSMTH também não tem nenhuma associação com
organizações “Templárias”, originalmente sediadas na
Espanha, se intitulando “A Aliança Federada
Internacional”. Exemplos semelhantes da separação da
Ordem Internacional ocorreram com grupos menores na
Europa e na Grã-Bretanha. A maior parte da liderança de
todas estas outras organizações Templárias foi
originalmente admitida na Ordem pelo Grão-Mestre
Europeu, mas elas escolheram se dividir na dissidência,
por suas próprias razões, e formar suas próprias “Ordens
Templárias”. É opinião geral nos círculos de Cavalaria
que estas Ordens quebraram sua linhagem histórica e,
desta forma, são consideradas como Templários ilegítimos
e “Autointitulados”.
Os membros da OSMTH recebem o título de Cavaleiro (ou
Dama) Templário (a) da maior autoridade templária
mundial, sediada no Porto, em Portugal. Estes títulos de
Cavaleiro (ou Dama) Templário (a) são concedidos pela
mais prestigiada das Ordens Cavalheirescas Eclesiásticas
vindas do período histórico das Cruzadas. O título de
Cavaleiro é altamente seletivo e geralmente é concedido
pelas seguintes razões: 1) Reconhecimento e honra a uma
pessoa por seus traços cristãos e de caridade, filantropia e
melhora da humanidade; 2) Fornecimento de uma
estrutura sem fins lucrativos, por meio da qual um
Cavaleiro ou Dama possa canalizar estes esforços; e 3)
Fornecer um caminho religioso adicional aos membros
para que possam se alinhar com a estrutura monástica
interna leiga, caso queiram. Além disso, a Ordem do
Templo fornece também um caminho único através do qual
34

uma pessoa pode apreciar uma parte da história, peculiar


aos seus interesses.
No aspecto moderno busca-se resgatar os valores morais,
éticos e de uma cidadania virtuosa. Além de outros
importantes valores humanos que hoje estão muito
depreciados, tais como a palavra, que antigamente era
como um título de crédito, o comportamento, exemplos de
bons atos, a cultura, e tudo mais que agrega valor ao ser
humano. Os membros da Ordem Templária devem
priorizar o seu desenvolvimento e cultura pessoal através
da experiência acumulada de seus estudos. Respeito a
todas as religiões e credos. Apoio a entidades
filantrópicas, de assistência aos necessitados e àquelas de
âmbito cultural. Para atender aos seus objetivos, a Ordem
distribui monografias, boletins, revistas e experiências
variadas aos seus membros.”
(http://templarios.org.br/novosite/quem-somos)
[3]
“A Aquitânia (em francês: Aquitaine) foi até 2015
uma região administrativa do centro-oeste de França, e
que hoje integra a região da Nova Aquitânia. É limitada a
oeste pelo Oceano Atlântico e a sul pela Espanha.
Compreende os departamentos
de Dordonha, Gironda, Landes, Lot e Garona e Pirenéus
Atlânticos. Os gentílicos desta região são aquitânico,
aquitano e aquitanense.
História
Provavelmente o primeiro homem que chegou na Aquitânia
foi o homem de Cro-Magnon mais ou menos há 40 mil
anos. No paleolítico superior, os Aquitanos deixaram
vários vestígios entre eles pinturas nas cavernas Lascaux e
um busto chamado Vênus de Brassempouy ou Dama de
Brassempouy. Do período neolítico são achados vestígios
35

humanos pela presença de dólmens (espécies de túmulos) e


pelos menires (monumentos em pedra).
Durante a conquista romana da Gália por Júlio César, a
população que lá residia era chamada de ibérica pelo
imperador romano. Na verdade eram os vascões, prováveis
antepassados dos bascos. Não se sabe ao certo em que
época eles começaram a habitar a região. A Aquitânia foi
conquistada pelos romanos em 56 a.C. por Marco Licínio
Crasso a mando de Júlio César. Sob o Império Romano
faziam parte da Aquitânia o sudoeste da Gália
dos Pirenéus ao vale do rio
Loire incluindo Auvérnia. Saintes e Bordéus foram capitais
da Gália Aquitânia.
Os visigodos chegaram à região em 412-413 vindos
de Provença e da Itália pouco antes do início da Idade
Média. A região foi posteriormente conquistada
pelos Francos e finalmente estruturada como um ducado
independente, Ducado da Aquitânia. Em 671, a Aquitânia
conseguiu sua independência liderada pelo duque Lupe. O
Duque da Aquitânia, Eudes, vence uma batalha contra
os Sarracenos que invadiam a Aquitânia. Entre 742 e 743,
os filhos de Carlos Martel fazem campanhas contra a
Aquitânia.
Em 781, Carlos Magno (rei franco) nomeia seu filho, Luís
I o Piedoso (aos três anos de idade) Rei da Aquitânia. Com
a morte de Carlos Magno, Luís passa seu trono a seu
filho, Pepino. Com a morte de Pepino, Luís nomeou outro
filho (Carlos II, o Calvo) como rei mas com sua morte
surgiu uma guerra pela sucessão do trono entre o filho de
Pepino (Pepino II) e Carlos, o Calvo. A disputa só
terminou em 860.
Em 877, a Aquitânia se dividiu em dois
ducados: Gasconha e Aquitânia. Em 1058, eles se uniram
novamente.
No século XII, a Duquesa Leonor da Aquitânia casou-se
com o rei Luís VII de França com quem teve duas filhas. O
36

casamento foi anulado com a alegação de laços


de consanguinidade, causa frequente quando a nobreza
queria desfazer um casamento, porque Leonor queria se
casar novamente, mas com o rival de Luís VII, o rei
inglês Henrique II. Com a morte de Henrique II, seu
filho Ricardo Coração de Leão assumiu o trono e o título
de Duque de Aquitânia sempre ameaçado pelo seu
irmão, João I de Inglaterra -o João Sem Terra- que não
poupou esforços na tentativa de usurpar o trono enquanto
o irmão lutava contra Saladino na Terceira Cruzada.
Com a morte de Ricardo, atingido por uma flecha numa
batalha sem nenhuma importância, João tornou-se o Rei
da Inglaterra assumindo também o Ducado de Aquitânia,
contra a vontade dos seus opositores, que preferiam seu
sobrinho Artur, filho de seu
irmão Godofredo com Constance de Bretanha.
Um século mais tarde a França e a Inglaterra se
enfrentaram na Guerra dos Cem Anos (1337–1453),
quando o rei inglês Eduardo III (descendente da
Dinastia Plantageneta e do rei Henrique II) reivindicou o
trono de França. Com o fim da guerra, a Aquitânia passou
a fazer parte definitivamente de França.
Geografia
Área: 41 400 km² (7.6 % da superfície total de França).
População: 2 967 000 (4.97% da população total de
França) (2002).
A região é banhada ao oeste pelo Oceano Atlântico (golfo
da Biscaia ou da Gasconha) desde o estuário da Gironda
até à desembocadura do rio Bidasoa (Costa da Prata). Ao
sul, está atravessada pelos Pirenéus que a separa
de Espanha (Aragão, Navarra e País Basco).
As cidades mais importantes da Aquitânia são: Bordéus
(Bordeaux), Pau, Baiona (Bayonne), Agen, Mont-de-
Marsan, Biarritz, Périgueux, Bergerac, Dax e Libourne.
Economia
37

 Agricultura: cultivo de uvas é uma das principais produções


da região.
 Indústrias:
 Petróleo e gás natural são encontrados e produzidos na
região.
 Produção de vinhos: a produção dos famosos vinhos
de Bordéus.
 Aeroespacial
Língua
Fala-se principalmente o francês. Alguns falam a língua
Occitana (de origem românica), Gascão (língua própria
da Aquitânia) e Euskera ou Língua basca.
Aquitanos famosos

 Maurice Ravel (1875-1937), compositor e pianista


 Francis Cabrel (1953-), cantor
 Pascal Obispo (1965-), cantor
 Michel de Montaigne (1533-1592), pensador e político
 Montesquieu (1689-1755), pensador e filósofo
 Papa Clemente V (1264-1314), Papa
 Henrique IV (1553-1610), Rei de França
 D. Jordan
 Leonor da Aquitânia (cerca 1122 - 1 de Abril 1204) foi
Duquesa da Aquitânia e da Gasconha, Condessa
de Poitiers e Rainha consorte de França e Inglaterra.
 São Vicente de Paulo
 Aymeric Laporte (1994-), jogador de futebol”

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquit%C3%A2nia)
[4]
“Democracia é um regime político em que todos os
cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente
ou através de representantes eleitos — na proposta, no
desenvolvimento e na criação de leis, exercendo
o poder da governação através do sufrágio universal. Ela
38

abrange as condições sociais, econômicas e culturais que


permitem o exercício livre e igual da autodeterminação
política.
O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία
(dēmokratía ou "governo do povo"), que foi criado a partir
de δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder")
no século V a.C. para denotar os sistemas políticos então
existentes em cidades-Estados gregas,
principalmente Atenas; o termo é um antônimo para
ἀριστοκρατία (aristokratia ou "regime de
uma aristocracia" como seu nome indica). Embora,
teoricamente, estas definições sejam opostas, na prática, a
distinção entre elas foi obscurecida historicamente. No
sistema político da Atenas Clássica, por exemplo, a cidadania
democrática abrangia apenas homens, filhos de pai e mãe
atenienses, livres e maiores de 21 anos, enquanto
estrangeiros, escravos e mulheres eram grupos excluídos
da participação política. Em praticamente todos os
governos democráticos em toda a história antiga e
moderna, a cidadania democrática valia apenas para uma
elite de pessoas, até que a emancipação completa foi
conquistada para todos os cidadãos adultos na maioria
das democracias modernas através de movimentos
por sufrágio universal durante os séculos XIX e XX.
O sistema democrático contrasta com outras formas de
governo em que o poder é detido por uma pessoa — como
em uma monarquia absoluta — ou em que o poder é
mantido por um pequeno número de indivíduos — como em
uma oligarquia. No entanto, essas oposições, herdadas
da filosofia grega, são agora ambíguas porque os
governos contemporâneos têm misturado elementos
democráticos, oligárquicos e monárquicos em seus
sistemas políticos. Karl Popper definiu a democracia em
contraste com ditadura ou tirania, privilegiando, assim,
oportunidades para as pessoas de controlar seus líderes e
de tirá-los do cargo sem a necessidade de uma revolução.
39

Diversas variantes de democracias existem no mundo, mas


há duas formas básicas, sendo que ambas dizem respeito a
como o corpo inteiro de todos os cidadãos elegíveis
executam a sua vontade. Uma das formas de democracia é
a democracia direta, em que todos os cidadãos elegíveis
têm participação direta e ativa na tomada de decisões do
governo. Na maioria das democracias modernas, todo o
corpo de cidadãos elegíveis permanece com o poder
soberano, mas o poder político é exercido indiretamente
por meio de representantes eleitos, o que é chamado
de democracia representativa. O conceito de democracia
representativa surgiu em grande parte a partir de ideias e
instituições que se desenvolveram durante períodos
históricos como a Idade Média europeia, a Reforma
Protestante, o Iluminismo e as
revoluções Americana e Francesa.
Características

Classificação política dos países de acordo com a pesquisa


da Freedom House em 2016
Livre
Parcialmente livre
Não livre
40

Países em azul são designados "democracias eleitorais"


pela pesquisa Freedom in the World de 2015, elaborada
pela Freedom House.
Não existe consenso sobre a forma correta de definir a
democracia, mas a igualdade, a liberdade e o Estado de
direito foram identificadas como características
importantes desde os tempos antigos. Estes princípios são
refletidos quando todos os cidadãos elegíveis são iguais
perante a lei e têm igual acesso aos processos legislativos.
Por exemplo, em uma democracia representativa, cada
voto tem o mesmo peso, não existem restrições excessivas
sobre quem quer se tornar um representante, além da
liberdade de seus cidadãos elegíveis ser protegida por
direitos legitimados e que são tipicamente protegidos por
uma constituição.
Uma teoria sustenta que a democracia exige três
princípios fundamentais: 1) a soberania reside nos níveis
mais baixos de autoridade; 2) igualdade política e 3)
normas sociais pelas quais os indivíduos e as instituições
só consideram aceitáveis atos que refletem os dois
primeiros princípios citados.
O termo democracia às vezes é usado como uma
abreviação para a democracia liberal, que é uma variante
da democracia representativa e que pode incluir elementos
como o pluralismo político, a igualdade perante a lei,
o direito de petição para reparação de injustiças
sociais; devido processo legal; liberdades civis; direitos
humanos; e elementos da sociedade civil fora do
41

governo. Roger Scruton afirma que a democracia por si só


não pode proporcionar liberdade pessoal e política, a
menos que as instituições da sociedade civil também
estejam presentes.
Em muitos países, como no Reino Unido onde se originou
o Sistema Westminster, o princípio dominante é o
da soberania parlamentar, mantendo a independência
judicial. Nos Estados Unidos, a separação de poderes é
frequentemente citada como um atributo central de um
regime democrático. Na Índia, a maior democracia do
mundo, a soberania parlamentar está sujeita a uma
constituição que inclui o controle judicial.[15] Outros usos
do termo "democracia" incluem o da democracia direta.
Embora o termo "democracia" seja normalmente usado no
contexto de um Estado político, os princípios também são
aplicáveis a organizações privadas.
O regime da maioria absoluta é frequentemente
considerado como uma característica da democracia.
Assim, o sistema democrático permite
que minorias políticas sejam oprimidas pela chamada
"tirania da maioria" quando não há proteções legais dos
direitos individuais ou de grupos. Uma parte essencial de
uma democracia representativa "ideal"
são eleições competitivas que sejam justas tanto no plano
material, quanto processualmente. Além disso, liberdades
como a política, de expressão e de imprensa são
consideradas direitos essenciais que permitem aos
cidadãos elegíveis serem adequadamente informados e
aptos a votar de acordo com seus próprios interesses.
Também tem sido sugerido que uma característica básica
da democracia é a capacidade de todos os eleitores de
participar livre e plenamente na vida de sua
sociedade. Com sua ênfase na noção de contrato social e
da vontade coletiva do todos os eleitores, a democracia
também pode ser caracterizada como uma forma
de coletivismo político, porque ela é definida como uma
forma de governo em que todos os cidadãos elegíveis têm
42

uma palavra a dizer de peso igual nas decisões que afetam


suas vidas.
Enquanto a democracia é muitas vezes equiparada à
forma republicana de governo, o termo república
classicamente abrangeu democracias e
aristocracias. Algumas democracias são monarquias
constitucionais muito antigas, como é o caso de países
como o Reino Unido e o Japão.
História
Origens na antiguidade
O termo "democracia" apareceu pela primeira vez no
antigo pensamento político e filosófico grego na cidade-
estado de Atenas durante a antiguidade
clássica. Liderados por Clístenes, os atenienses
estabeleceram o que é geralmente tido como a primeira
experiência democrática em 508-507 a.C. Clístenes é
referido como "o pai da democracia ateniense".
A democracia ateniense tomou a forma de uma democracia
direta e tinha duas características distintivas: a seleção
aleatória de cidadãos comuns para preencher os poucos
cargos administrativos e judiciais existentes no governo e
uma assembleia legislativa composta por todos os
cidadãos atenienses. Todos os cidadãos elegíveis eram
autorizados a falar e votar na assembleia, que estabelecia
as leis da cidade-estado. No entanto, a cidadania ateniense
excluía mulheres, escravos, estrangeiros
(μέτοικοι, metoikoi), os que não eram proprietários de
terras e os homens com menos de 20 anos de idade. Dos
cerca de 200 a 400 mil habitantes de Atenas na época,
havia entre 30 mil e 60 mil cidadãos. A exclusão de grande
parte da população a partir do que era
considerada cidadania está intimamente relacionada com
a antiga compreensão do termo. Durante a maior parte da
antiguidade, o benefício da cidadania era associado à
obrigação de lutar em guerras.
43

O sistema democrático ateniense não era apenas dirigido


no sentido de que as decisões eram tomadas pelas pessoas
reunidas na assembleia, mas também era mais direto no
sentido de que as pessoas, através de assembleias e
tribunais de justiça, controlavam todo o processo político e
uma grande proporção dos cidadãos estava envolvida
constantemente nos assuntos públicos. Mesmo com os
direitos do indivíduo não sendo garantidos pela
constituição ateniense no sentido moderno (os antigos
gregos não tinham uma palavra para "direitos"), os
atenienses gozavam de liberdades não por conta do
governo, mas por viverem em uma cidade que não estava
sujeita a outro poder e por não serem eles próprios
sujeitos às regras de outra pessoa.
A votação por pontos apareceu em Esparta já em 700 a.C.
A Apela era uma assembleia do povo, realizada uma vez
por mês. Nessa assembleia, os líderes espartanos eram
eleitos e davam seu voto gritando. Todos os cidadãos do
sexo masculino com mais 30 anos de idade podiam
participar. Aristóteles chamava esse sistema de "infantil",
em oposição a algo mais sofisticado, como a utilização de
registros de voto em pedra, como os usados pelos
atenienses. No entanto, em termos, Esparta adotou esse
sistema de votação por causa da sua simplicidade e para
evitar qualquer tipo de viés de votação. Mesmo que
a República Romana tenha contribuído significativamente
com muitos dos aspectos da democracia, apenas uma
minoria dos romanos era considerada cidadãos aptos a
votar nas eleições para os representantes. Os votos dos
poderosos tinham mais peso através de um sistema
de gerrymandering, enquanto políticos de alto gabarito,
incluindo membros do senado, vinham de algumas famílias
ricas e nobres. No entanto, muitas exceções notáveis
ocorreram. Além disso, a República Romana foi o primeiro
governo no mundo ocidental a ter uma república como
um Estado-nação, apesar de não ter muitas características
de uma democracia. Os romanos inventaram o conceito de
44

"clássicos" e muitas obras da Grécia antiga foram


preservadas. Além disso, o modelo romano de governo
inspirou muitos pensadores políticos ao longo dos
séculos e democracias representativas modernas imitam
mais o modelo romano do que os gregos porque era um
Estado em que o poder supremo era realizado pelo povo e
por seus representantes eleitos, e que tinha um líder eleito
ou nomeado. A democracia representativa é uma forma de
democracia em que as pessoas votam em representantes
que, em seguida, votam em iniciativas políticas; enquanto
uma democracia direta é uma forma de democracia em que
as pessoas votam em iniciativas políticas diretamente.
Era contemporânea

Índice de democracia de 2015.


As transições do século XX para a democracia
liberal vieram em sucessivas "ondas" de democracia,
diversas vezes resultantes de guerras,
revoluções, descolonização e por circunstâncias religiosas
e econômicas. A Primeira Guerra Mundial e a subsequente
dissolução dos impérios Otomano e Austro-
Húngaro resultaram na criação de novos Estados-
nação da Europa, a maior parte deles, pelo menos
nominalmente, democráticos.
45

Na década de 1920 a democracia floresceu, mas a Grande


Depressão trouxe desencanto e a maioria dos países da
Europa, América Latina e Ásia e virou-se para
regimes autoritários. O fascismo e outros tipos
46

de ditaduras floresceram na Alemanha nazista, na Itália,


na Espanha e em Portugal, além de regimes não
democráticos terem surgidos nos países bálticos,
nos Balcãs, no Brasil, em Cuba, na China e no Japão,
entre outros.
A Segunda Guerra Mundial trouxe uma reversão definitiva
desta tendência na Europa Ocidental. A democratização
dos setores estadunidense, britânico e francês da
Alemanha ocupada(disputado), da Áustria, da Itália e
do Japão ocupado pelos Aliados serviu de modelo para a
teoria posterior de "mudança de regime". No entanto, a
maior parte da Europa Oriental, incluindo o setor
soviético da Alemanha, caiu sob a influência do bloco
soviético não democrático. A guerra foi seguida pela
descolonização e, novamente, a maioria dos novos estados
independentes tiveram constituições nominalmente
democráticas. A Índia emergiu como a maior democracia
do mundo e continua a sê-lo.
Em 1960, a grande maioria dos Estados-nação tinham,
nominalmente, regimes democráticos, embora a maioria
das populações do mundo ainda vivesse em países que
passaram por eleições fraudulentas e outras formas de
subterfúgios (particularmente em nações comunistas e em
ex-colônias). Uma onda posterior de democratização
trouxe ganhos substanciais para a verdadeira democracia
liberal para muitas nações. Espanha, Portugal (1974) e
várias das ditaduras militares na América do Sul voltaram
a ser um governo civil no final dos anos 1970 e início dos
anos 1980 (Argentina em 1983, Bolívia e Uruguai em
1984, o Brasil em 1985 e o Chile no início de 1990). Isto
foi seguido por nações do Extremo Oriente e do Sul da
Ásia no final da década de 1980.
O mal-estar econômico na década de 1980, juntamente
com o ressentimento da opressão soviética, contribuiu
para o colapso da União Soviética, o consequente fim
da Guerra Fria e a democratização e liberalização dos
antigos países do chamado bloco oriental. A mais bem
47

sucedida das novas democracias eram aqueles geográfica


e culturalmente mais próximas da Europa Ocidental e elas
são agora, em sua maioria, membros ou membros
associados da União Europeia. Alguns pesquisadores
consideram que a Rússia contemporânea não é uma
verdadeira democracia e, em vez disso, se assemelha a
uma forma de ditadura.
A tendência liberal se espalhou para alguns países
da África na década de 1990, sendo o exemplo mais
proeminente a África do Sul. Alguns exemplos recentes de
tentativas de liberalização incluem a
Revolução Indonésia de 1998, a Revolução Bulldozer na
antiga Iugoslávia, a Revolução Rosa na Geórgia,
a Revolução Laranja na Ucrânia, a Revolução dos
Cedros no Líbano, a Revolução das
Tulipas no Quirguistão e da Revolução de
Jasmim na Tunísia (parte da chamada "Primavera Árabe")
De acordo com a organização Freedom House, em 2007,
havia 123 democracias eleitorais (acima das 40
registradas em 1972). De acordo com o Fórum Mundial
sobre a Democracia, as democracias eleitorais agora
representam 120 dos 192 países existentes e constituem
58,2 por cento da população mundial. Ao mesmo tempo, as
democracias liberais, ou seja, os países que Freedom
House considera livre e que respeitam os direitos
humanos fundamentais e o Estado de direito são 85 e
representam 38 por cento da população global.
Em 2010, as Nações Unidas declararam 15 de setembro o
Dia Internacional da Democracia.
Tipos
A democracia tem tomado diferentes formas de governo,
tanto na teoria quanto na prática. Algumas variedades de
democracia proporcionam uma melhor representação e
maior liberdade para seus cidadãos do que outras. No
entanto, se qualquer democracia não está estruturada de
forma a proibir o governo de excluir as pessoas do
48

processo legislativo, ou qualquer agência do governo de


alterar a separação de poderes em seu próprio favor, em
seguida, um ramo do sistema político pode acumular muito
poder e destruir o ambiente democrático.

Países do mundo de acordo com sua forma de governo em


2011
Repúblicas presidencialistas
Repúblicas semipresidencialistas
Repúblicas parlamentaristas
Estados unipartidários
Monarquias constitucionais parlamentares
Monarquias absolutas
Ditaduras militares
Monarquias constitucionais onde o monarca exerce
poder pessoalmente
Repúblicas com um presidente executivo dependente do
parlamento
49

Países que não se encaixam em nenhum dos sistemas


políticos acima

Vários Estados constitucionalmente considerados


repúblicas multipartidárias são amplamente descritos pela
comunidade internacional como países autoritários. Este
mapa apresenta apenas a forma de governo de jure e não o
grau de democracia de facto de cada país.
Direta
Democracia direta refere-se ao sistema onde os cidadãos
decidem diretamente cada assunto por votação.
A democracia direta tornou-se cada vez mais difícil, e
necessariamente se aproxima mais da democracia
representativa, quando o número de cidadãos cresce.
Historicamente, as democracias mais diretas incluem o
encontro municipal de Nova Inglaterra (dentro
dos Estados Unidos), e o antigo sistema político de Atenas.
Nenhum destes se enquadraria bem para uma grande
população (embora a população de Atenas fosse grande, a
maioria da população não era composta de pessoas
consideradas como cidadãs, que, portanto, não tinha
direitos políticos; não os tinham mulheres, escravos e
crianças).
É questionável se já houve algum dia uma democracia
puramente direta de qualquer tamanho considerável. Na
prática, sociedades de qualquer complexidade sempre
precisam de uma especialização de tarefas, inclusive das
administrativas; e, portanto, uma democracia direta
precisa de oficiais eleitos. (Embora alguém possa tentar
manter todas as decisões importantes feitas por voto
direto, com os oficiais meramente implementando essas
decisões). Exemplos de democracia direta que costumavam
eleger Delegados com mandato imperativo, revogável e
temporário podem ser encontrados em sedições e
revoluções de cunho anarquista como a Revolução
50

Espanhola, a Revolução Ucraniana e no levante armado


da EZLN, no estado de Chiapas.
Contemporaneamente o regime que mais se aproxima dos
ideais de uma democracia direta é a democracia
semidireta da Suíça. Uma democracia semidireta é um
regime de democracia em que existe a combinação de
representação política com formas de Democracia
direta (Benevides, 1991, p. 129).
A Democracia semidireta, conforme Bobbio (1987, p. 459),
é uma forma de democracia que possibilita um sistema
mais bem-sucedido de democracia frente às democracias
Representativa e Direta, ao permitir um equilíbrio
operacional entre a representação política e a soberania
popular direta. A prática desta ação equilibrante da
democracia semidireta, segundo Bonavides (2003, p. 275),
limita a “alienação política da vontade popular”, onde “a
soberania está com o povo, e o governo, mediante o qual
essa soberania se comunica ou exerce, pertence ao
elemento popular nas matérias mais importantes da vida
pública”.
Representativa
Em democracias representativas, em contraste, os
cidadãos elegem representantes em intervalos regulares,
que então votam os assuntos em seu favor. Do mesmo
modo, muitas democracias representativas modernas
incorporam alguns elementos da democracia direta,
normalmente referendo.
Nós podemos ver democracias diretas e indiretas como os
tipos ideais, com as democracias reais se aproximando
umas das outras. Algumas entidades políticas modernas,
como a Suíça ou alguns estados norte-americanos, onde é
frequente o uso de referendo iniciada por petição
(chamada referendo por demanda popular) ao invés de
membros da legislatura ou do governo. A última forma,
que é frequentemente conhecida por plebiscito, permite ao
governo escolher se e quando mantiver um referendo, e
51

também como a questão deve ser abordada. Em contraste,


a Alemanha está muito próxima de uma democracia
representativa ideal: na Alemanha os referendos são
proibidos—em parte devido à memória de como Adolf
Hitler usou isso para manipular plebiscitos em favor do
seu governo.
O sistema de eleições que foi usado em alguns
países capitalistas de Estado, chamado centralismo
democrático, pode ser considerado como uma forma
extrema de democracia representativa, onde o povo elegia
representantes locais, que por sua vez elegeram
representantes regionais, que por sua vez elegiam a
assembleia nacional, que finalmente elegia os que iam
governar o país. No entanto, alguns consideram que esses
sistemas não são democráticos na verdade, mesmo que as
pessoas possam votar, já que a grande distância entre o
indivíduo eleitor e o governo permite que se tornasse fácil
manipular o processo. Outros contrapõem, dizendo que a
grande distância entre eleitor e governo é uma
característica comum em sistemas eleitorais desenhados
para nações gigantescas (os Estados Unidos e algumas
potências europeias, só para dar alguns exemplos
considerados inequivocamente democráticos, têm
problemas sérios na democraticidade das suas instituições
de topo), e que o grande problema do sistema soviético e
de outros países comunistas, aquilo que o tornava
verdadeiramente não democrático, era que, em vez de
serem escolhidos pelo povo, os candidatos eram impostos
pelo partido dirigente.
Direito ao Voto
O voto, também chamado de sufrágio censitário, é típico
do Estado liberal (século XIX) e exigia que os seus
titulares atendessem certas exigências tais como
pagamento de imposto direto; proprietário de propriedade
fundiária e usufruir de certa renda.
52

No passado muitos grupos foram excluídos do direito de


voto, em vários níveis. Algumas vezes essa exclusão é uma
política bastante aberta, claramente descrita nas leis
eleitorais; outras vezes não é claramente descrita, mas é
implementada na prática por meios que parecem ter pouco
a ver com a exclusão que está sendo realmente feita (p.ex.,
impostos de voto e requerimentos de alfabetização que
mantinham afro-americanos longe das urnas antes da era
dos direitos civis). E algumas vezes a um grupo era
permitido o voto, mas o sistema eleitoral ou instituições do
governo eram propositadamente planejados para lhes dar
menos influência que outros grupos favorecidos.
Hoje, em muitas democracias, o direito de voto é garantido
sem discriminação de raça, grupo étnico, classe ou sexo.
No entanto, o direito de voto ainda não é universal. É
restrito a pessoas que atingem certa idade, normalmente
18 (embora em alguns lugares possa ser 16—como no
Brasil—ou 21). Somente cidadãos de um país normalmente
podem votar em suas eleições, embora alguns países façam
exceções a cidadãos de outros países com que tenham
laços próximos (p.ex., alguns membros da Comunidade
Britânica e membros da União Europeia).
A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga,
quando o legislador ateniense Sólon fez aprovar uma lei
específica obrigando os cidadãos a escolher um dos
partidos, caso não quisessem perder seus direitos de
cidadãos. A medida foi parte de uma reforma política que
visava conter a radicalização das disputas entre facções
que dividiam a polis. Além de abolir a escravidão por
dívidas e redistribuir a população de acordo com a renda,
criou também uma lei que impedia os cidadãos de se
absterem nas votações da assembleia, sob risco de
perderem seus direitos.
Critérios
Muitas sociedades no passado negaram a pessoas o direito
de votar baseadas no grupo étnico. Exemplo disso é a
53

exclusão de pessoas com ascendência africana das urnas,


na era anterior à dos direitos civis, e na época
do apartheid na África do Sul.
A maioria das sociedades hoje não mantém essa exclusão,
mas algumas ainda o fazem. Por exemplo, Fiji reserva
certo número de cadeiras no Parlamento para cada um dos
principais grupos étnicos; essas exclusões foram adotadas
para barrar a maioria dos indianos em favor dos grupos
étnicos fijianos.
Até o século XIX, muitas democracias ocidentais tinham
propriedades de qualificação nas suas leis eleitorais, o que
significava que apenas pessoas com certo grau de riqueza
podiam votar. Hoje essas leis foram amplamente abolidas.
Outra exclusão que durou muito tempo foi a baseada no
sexo. Todas as democracias proibiam as mulheres de votar
até 1893, quando a Nova Zelândia se tornou o primeiro
país do mundo a dar às mulheres o direito de voto nos
mesmos termos dos homens. No Brasil, pela constituição
de 1822 e suas emendas antes dessa data, permitiu-se o
direito de voto feminino, desde que pertencesse à classe
determinada dos fazendeiros e fosse alfabetizada. Isso
aconteceu devido ao sucesso do movimento feminino pelo
direito de voto, tanto na Nova Zelândia como no Brasil,
sendo que houve participações parlamentares já no Brasil
depois dessa época. Hoje praticamente todos os Estados
permitem que mulheres votem; as únicas exceções são sete
países muçulmanos do Oriente Médio: Arábia
Saudita, Barein, Brunei, Kuwait, Omã, Qatar e Emirados
Árabes Unidos.
O direito de voto normalmente é negado a prisioneiros.
Alguns países também negam o direito a voto para aqueles
condenados por crimes graves, mesmo depois de
libertados. Em alguns casos (p.ex. em muitos estados
dos Estados Unidos) a negação do direito de voto é
automática na condenação de qualquer crime sério; em
outros casos (p.ex. em países da Europa) a negação do
54

direito de voto é uma penalidade adicional que a corte


pode escolher por impor, além da pena do aprisionamento.
Existem países em que os prisioneiros mantêm o direito de
voto (por exemplo, Brasil e Portugal).
Problemas

Os pensadores italianos do século XX Vilfredo


Pareto e Gaetano Mosca(independentemente)
argumentaram que a democracia era ilusória, e servia
apenas para mascarar a realidade da regra de elite. Na
verdade, eles argumentaram que a oligarquia da elite é a
lei inflexível da natureza humana, em grande parte devido
à apatia e divisão das massas (em oposição à unidade, a
iniciativa e a unidade das elites), e que as instituições
democráticas não fariam mais do que mudar o exercício do
poder de opressão à manipulação. Como Louis Brandeis
uma vez profetizou, "Podemos ter democracia ou podemos
ter riqueza concentrada nas mãos de uns poucos, mas não
podemos ter as duas coisas."
Hoje todos os partidos políticos no Canadá são cautelosos
sobre as críticas de alto nível de imigração, porque, como
observou The Globe and Mail, "no início de 1990, o antigo
Partido da Reforma foi marcado como 'racista' por sugerir
que os níveis de imigração deveriam ser reduzidos de
250.000 a 150.000." Como o professor de Economia Don
J. De Cortez destacou: "Em uma democracia liberal como
o Canadá, o seguinte paradoxo persiste. Mesmo que a
maioria dos entrevistados respondendo sim à pergunta:
'Há muitas imigrantes chegando a cada ano?' números de
imigrantes continuam a subir até que um conjunto crítico
de custos econômicos apareçam'".
A ideia de “crise da democracia” vem ganhando
repercussão na Teoria Política Contemporânea. Desde a
década de 1970, autores da vertente partipacionista
associam a legitimidade dos regimes democráticos a
55

fatores que vão além da mera possibilidade de exercício


livre do voto. A demanda, nesse sentido, é por efetiva
atuação na concepção das políticas públicas, o que causa
resistência em agentes representativos receosos de
compartilhar o poder que o design institucional moderno
lhes conferiu..”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia)

[5]
“A República (do latim res publica, "coisa pública") é uma
estrutura política de Estado ou forma de Governo em que,
segundo Cícero, são necessárias três condições
fundamentais para caracterizá-la: um número razoável de
pessoas (multitude); uma comunidade de interesses e de
fins (communio); e um consenso do direito(consensus
iuris). Nasce das três forças reunidas: libertas do
povo, auctoritas do senado e potestas dos magistrados. A
República é vista, mais recentemente, como uma forma
de governo na qual o chefe do Estado é eleito pelo povo ou
seus representantes, tendo a sua chefia uma duração
limitada. A eleição do chefe de Estado, por regra
chamado presidente da república, é normalmente realizada
através do voto livre e secreto. Dependendo do sistema de
governo, o presidente da república pode ou não acumular
o poder executivo permanecendo por quatro anos.
A origem deste sistema político está na Roma antiga, onde
primeiro surgiram instituições como o senado. Nicolau
Maquiavel descreveu o governo e a fundação da república
ideal na sua obra Discursos sobre a primeira década de
Tito Lívio (1512-17). Estes escritos, bem como os de seus
contemporâneos, como Leonardo Bruni, constituem a base
da ideologia que, em ciência política, se designa
por republicanismo. O conceito de república não é isento
de ambiguidades, confundindo-se às vezes
com democracia, às vezes com liberalismo, às vezes
tomado simplesmente no seu sentido etimológico de "bem
comum". Hoje em dia, o termo república refere-se, regra
56

geral, a um sistema de governo cujo poder emana do povo,


ao invés de outra origem, como a hereditariedade ou o
direito divino. Ou seja, é a designação do regime que se
opõe à monarquia.
No entanto, res publica, como sinónimo de administração
do bem público ou dos interesses públicos, foi
frequentemente utilizada pelos escritores romanos para se
referir ao Estado e ao governo, mesmo durante o período
do Império Romano. A palavra república foi, com o mesmo
significado, também frequentemente usada no Reino de
Portugal. D. João II, por exemplo, numa carta ao rei de
França, escreveu: "obrigação é do bom Príncipe e
prudente, não somente galardoar seus vassalos com
honras, cargos e dignidades merecidas, mas castigar com
rigor, severidade e justiça aos que são prejudiciais em
sua república, para que os bons com o exemplo do prémio
sejam melhores e os maus ou com castigo se emendem, ou
com as maldades pereçam".
Um novo conjunto de significados para o
termo república veio, também, da palavra grega πολιτεία
(politeía ou politeia). Cícero, entre outros escritores
latinos, traduziu politeia para res publica que, por sua vez,
os estudiosos do Renascimento passaram a república. Esta,
sendo uma tradução precisa para res publica no seu
significado primitivo, já não o é no atual. Politeia é hoje
geralmente traduzida por "forma de governo" ou "regime".
No entanto, um exemplo da persistência desta tradução
original é o título do grande trabalho de ciência política
de Platão, A República, (Politeia, no original). Antônio
Houaiss regista a entrada da palavra na língua
portuguesa no século XV nas formas res
publica, respublica, ree
publica, repruvica, rrepublica e republica. Na língua
inglesa, a palavra republic foi usada pela primeira vez na
era do Protetorado de Oliver Cromwell, embora common
wealth, tradução mais fiel da latina res publica, seja o
termo mais comum para designar este regime sem
57

monarca. Na concepção moderna de República por Roque


Antônio Carrazza: "República é o tipo de Governo,
fundamentado na igualdade formal das pessoas, em que os
detentores do poder político exercem-no em caráter
eletivo, representativo (via de regra), transitório e com
responsabilidade".
História
Repúblicas clássicas
Há vários estados da Antiguidade clássica que, pelos
parâmetros atuais, podemos considerar repúblicas, como é
o caso das cidades-estados da Grécia Antiga,
como Atenas e Esparta, bem como da própria República
Romana. No entanto, a estrutura e o modo de governo
desses estados eram consideravelmente diferentes dos que
iríamos encontrar bem mais tarde, na Idade Moderna. Há,
inclusive, uma controvérsia entre os estudiosos da matéria
sobre se há ou não um continuum histórico entre as
repúblicas clássica, medieval e moderna. Por um lado,
o historiador J.G.A. Pocock, que tem desempenhado um
papel central neste debate, argumenta que há uma tradição
republicana própria que se estende do mundo clássico até
ao presente. Paul Rahe, pelo contrário, argumenta que as
repúblicas clássicas tinham uma forma de governo com
poucas semelhanças com a de qualquer república
moderna.
Seja como for, parece inegável que a filosofia política das
repúblicas clássicas teve uma influência central no
pensamento republicano ao longo dos séculos seguintes.
Uma série de escritores clássicos discutiram formas de
governo alternativas à monarquia em obras que filósofos e
políticos posteriores —
como Maquiavel, Montesquieu, Adams e Madison —
acabaram por considerar fundacionais sobre a natureza
das repúblicas.
A Política de Aristóteles discutia várias formas de governo.
Uma delas, a politeia, uma forma de governo híbrida, foi
58

considerada por Aristóteles como a forma ideal de


governo. Políbio expandiu muitos desses princípios, mais
uma vez desenvolvendo a ideia de governo misto. A mais
importante obra romana nesta tradição é De res
publica de Cícero.
Com o tempo, as repúblicas clássicas foram conquistadas
por impérios ou tornaram-se, elas próprias, impérios. A
maioria das repúblicas gregas foi anexada ao Império
Macedónio de Alexandre, o Grande. A república romana
expandiu-se, anexando sucessivamente outros estados
do Mediterrâneo, alguns deles repúblicas, como Cartago.
A república romana acabou, ela própria, por se
transformar no Império Romano.
Outras repúblicas antigas
Geralmente considera-se que as repúblicas pré-modernas
foram fenómenos exclusivamente europeus, no entanto
houve estados noutras partes do mundo com formas de
governos similares. São exemplos disso algumas cidades
do Próximo Oriente antigo. Arwad, na atual Síria, tem sido
citada como um dos primeiros exemplos de uma república,
em que são as pessoas que são descritas como soberanas e
não um monarca. A Confederação Israelita, da era
anterior ao Reino de Israel, também tem sido considerada
uma espécie de república. Durante a Idade Média,
várias cidades-estados italianas tinham uma forma de
governo de tipo comunal, chamada signoria. Escritores
coevos, como Giovanni Villani, teorizaram sobre a
natureza destes estados e as diferenças em relação às
monarquias da época, usando termos como libertas
populi para designar o regime destes estados. O renovado
interesse pelas obras da Grécia e da Roma Antigas levou
os escritores no século XV a preferirem uma terminologia
mais clássica. Para descrever os estados não monárquicos,
os escritores quatrocentistas, principalmente Leonardo
Bruni, passaram a adotar a expressão latina res publica.
Na primeira das suas obras, Nicolau Maquiavel dividia os
59

governos em três
tipos: monarquia, aristocracia e democracia. Mas como,
segundo o próprio Maquiavel, é difícil destrinçar entre
uma aristocracia governada por uma determinada elite e
uma democracia governada por um conselho nomeado
pelo povo, no momento em que começou a trabalhar em O
Príncipe, Maquiavel já tinha optado por usar a
palavra república para se referir tanto
a aristocracias como a democracias.
Outra zona do globo onde se tem vindo a dar atenção ao
fenómeno das repúblicas antigas é a Índia. No início
do século XX, uma série de estudiosos indianos,
principalmente K.P. Jayaswal, começou a defender que
vários estados da Índia Antiga tinham formas republicanas
de governo. Como não há constituições ou obras
de filosofia política desse tempo que tenham sobrevivido
até aos nossos dias, as formas de governo têm de ser
deduzidas, a maioria das vezes, dos testemunhos dos textos
religiosos. Estes textos referem que determinados estados
eram Gana sangha, ou seja, baseados em conselhos, em
oposição aos governos monárquicos.
Outra fonte que atesta esta forma de governo são os
relatos gregos da Índia, durante o período de contato que
se seguiu às conquistas de Alexandre. Escritores gregos
como Megástenes e Arriano escreveram que diversos
estados indianos tinham governos republicanos
semelhantes aos da Grécia. A partir de 700 a.C.,
aproximadamente, as repúblicas foram-se desenvolvendo
numa faixa que ia do Vale do Indo, a noroeste, até
à Planície do Ganges, a nordeste. Eram, principalmente,
estados de pequeno porte, embora algumas confederações
de repúblicas parece terem-se formado, cobrindo vastas
áreas, como Vajji, por volta de 600 a.C., que
tinha Vaishali como capital.
Tal como na Grécia, a era republicana chegou ao fim
pelo século IV a.C., com a ascensão de um império
monárquico — o Império Máuria — que conquistou quase
60

todo o subcontinente, pondo fim à autonomia das


repúblicas. Algumas continuaram sendo repúblicas, sob
a suserania máuria, ou regressaram ao sistema
republicano mais tarde, após a queda do império. Madra,
por exemplo, sobreviveu como república até ao século IV
d.C. O fim das repúblicas na Índia acabou por vir, no
entanto, com a ascensão da Dinastia Gupta e a
propagação da filosofia da natureza divina da monarquia,
que lhe esteve associada.
Repúblicas mercantis
As repúblicas reapareceram na Europa no final da Idade
Média, quando uma série de pequenos estados adotaram
sistemas republicanos de governo. Apesar de geralmente
pequenas, eram repúblicas comerciais ricas em que a
classe mercantil adquiriu proeminência social e política. O
historiador dinamarquês Knud Haakonssen refere que,
no Renascimento, a Europa estava dividida entre os
estados controlados pela elite terra tenente — as
monarquias — e os controlados pela elite comercial — as
repúblicas.
Ao longo da Idade Média, um pouco por todas as cidades
da Europa foi crescendo uma abastada classe de
comerciantes que, apesar da sua grande riqueza, não
detinha qualquer poder, totalmente concentrado nas mãos
da nobreza feudal. Por toda a Europa
os burgueses começaram também a reivindicar privilégios
e poder, levando os monarcas a conceder regalias pontuais
a certas localidades, expressas em documentos que
tomaram o nome de royal
charters na Inglaterra; fueros em Castela; cartas de
foral em Portugal; etc.
Nos territórios menos centralizados, como no Sacro
Império Romano-Germânico, 51 das maiores cidades
tornaram-se cidades livres. Ainda que sob o domínio mais
ou menos simbólico do imperador, muitas destas urbes
adotaram formas republicanas de governo local. O mesmo
61

se passou com as cidades comerciais mais importantes


da Suíça que, graças à geografia alpina, tinham ficado de
fora do controlo central. Ao contrário do que ocorreu
em Itália e na Alemanha, na Suíça grande parte das zonas
rurais nunca chegou a ser controlada por senhores
feudais, mas sim por agricultores independentes que
também utilizaram formas comunais de governo. Quando,
no final do século XIII, os Habsburgos tentaram retomar o
controlo da região, tanto os agricultores rurais como os
comerciantes urbanos rebelaram-se, proclamando
a Confederação Helvética. A Suíça mantém a forma
republicana de governo até ao presente.
Durante a Idade Média, a Itália era a zona mais
densamente povoada da Europa e também a que tinha o
governo central mais fraco. Muitas das cidades, por isso,
declararam-se independentes e adotaram formas comunais
de governo. Completamente livres do poder feudal,
as cidades-estados italianas expandiram-se, passando a
controlar também o interior rural. As mais poderosas
destas repúblicas marítimas foram a República de
Veneza e a República de Génova que rivalizavam entre si.
Ambas eram grandes potências comerciais marítimas que
se foram expandindo pelo Mediterrâneo. Foi também em
Itália que primeiro se desenvolveu uma ideologia
advogando a forma republicana de governo. Escritores
como Bartolomeu de Lucca, Brunetto Latini, Marsílio de
Pádua e Leonardo Bruni viram as cidades-estados
medievais como verdadeiras continuadoras do legado
da Grécia e da Roma Antiga.
No entanto, estas repúblicas estavam longe de se poder
comparar às democracias de hoje em dia. Por regra, o
governo das repúblicas medievais assentava num conselho,
constituído por uma elite de patrícios. Em muitos estados
nunca foram realizadas eleições diretas, sendo os lugares
no conselho hereditários ou nomeados pelos membros já
existentes. Nas repúblicas onde foram realizadas eleições,
o direito de votar e de ser eleito estava grandemente
62

condicionado à riqueza da pessoa em questão e à sua


filiação em corporações de ofícios, mesteres ou guildas.
Isto deixou a grande maioria da população sem poder
político, pelo que eram comuns os motins e as revoltas das
classes mais baixas. O final da Idade Média viu mais de
duzentos levantamentos nas cidades do Sacro Império
Romano-Germânico. Revoltas semelhantes ocorreram um
pouco por toda a Europa, como em Florença com a
Revolta dos Ciompi.
Repúblicas protestantes
Enquanto que, para as repúblicas italianas, os escritores
clássicos haviam sido a principal fonte ideológica,
no Norte da Europa, a Reforma Protestante seria utilizada
como a grande justificação para o estabelecimento de
novas repúblicas. A mais importante foi a teologia
calvinista, que se desenvolveu na Confederação Suíça, uma
das maiores e mais poderosas repúblicas medievais. João
Calvino não pediu a abolição da monarquia, mas defendeu
o direito dos fiéis a derrubar os monarcas contrários à
religião. O calvinismo também defendia um
rigoroso igualitarismo e uma oposição à hierarquia. A
defesa da república apareceu nos escritos
dos huguenotes durante as guerras religiosas em França.
O Calvinismo desempenhou um importante papel nas
revoltas republicanas na Grã-Bretanha e na Holanda. Tal
como as cidades-estados de Itália e da Liga Hanseática,
também a Grã-Bretanha e a Holanda eram importantes
centros de comércio, com uma grande classe de
comerciantes prosperando com o comércio com o Novo
Mundo. Grande parte da população destes dois países
também abraçou o calvinismo. A Revolta Holandesa,
começando em 1568, viu a República das Sete Províncias
Unidas dos Países Baixos rejeitar o domínio
da Espanha dos Habsburgos num conflito que durou
até 1648 — a Guerra dos Oitenta Anos.
63

Em 1641, estalou a guerra civil inglesa. Liderada


pelos puritanos e financiada pelos mercadores de Londres,
a revolta triunfou e o rei Carlos I acabou por ser
decapitado. Na Inglaterra, James Harrington, Algernon
Sidney e John Milton foram dos primeiros autores a
defender a rejeição da monarquia e a adoção de uma
forma republicana de governo. A República Inglesa teve
vida curta e a monarquia foi restaurada onze anos depois.
A República Holandesa continuou oficialmente
até 1795 mas, a partir de 1747, o Stadthouder torna-se um
monarca de facto. Os calvinistas foram também dos
primeiros colonizadores das colónias
holandesas e britânicas da América do Norte,
influenciando decisivamente a evolução política desses
territórios.
Repúblicas liberais
No início da Idade Moderna, assistiu-se, na Europa, a
duas evoluções antagónicas. Por um lado, a monarquia
absolutista substituiu a monarquia descentralizada que
havia existido na maior parte da idade média. Por outro,
foi-se desenvolvendo uma forte reação contra o poder
absoluto dos monarcas, levando à criação de uma nova
ideologia conhecida como liberalismo.
No entanto, a maioria destes novos
pensadores iluministas estava mais interessada na
implantação da monarquia constitucional do que da
república. O regime de Cromwell tinha desacreditado o
republicanismo e a maioria dos pensadores entendia que
as repúblicas conduziam à anarquia ou à tirania. Assim,
filósofos como Voltaire, por exemplo, opunham-se ao
absolutismo ao mesmo tempo em que eram fortemente pró-
monárquicos.
Rousseau e Montesquieu elogiaram as repúblicas e
encararam as cidades-estados da Grécia antiga como
modelos. Rousseau descreveu a sua estrutura política ideal
de pequenas comunas autogeridas. Montesquieu escreveu
64

que uma cidade-estado idealmente deveria ser uma


república, mas defendeu que uma monarquia com poderes
limitados seria mais adequada para uma grande nação.
Ambos concordavam que não seria possível governar um
grande estado-nação como a França, com vinte milhões de
pessoas, como uma república.
A revolução americana começou apenas como uma
rejeição da autoridade do parlamento britânico sobre as
colónias. O fracasso do monarca britânico em proteger as
colónias do que consideravam uma violação do seu direito
a um governo representativo, a sumária condenação como
traidores dos que defendiam os seus direitos, agravado
pelo envio do exército como demonstração de autoridade
resultou na percepção generalizada da monarquia
britânica como tirânica. Com a declaração da
independência, os líderes da revolta rejeitaram firmemente
a monarquia e, como tal, abraçaram o republicanismo. Os
líderes da revolução eram bem conhecedores dos escritos
dos pensadores liberais franceses e também da história das
repúblicas clássicas. John Adams tinha até escrito um livro
sobre as repúblicas ao longo da história. Além disso, a
ampla distribuição da obra Common Sense, de Thomas
Paine, de forma sucinta e eloquente propagou junto do
grande público os ideais republicanos e a independência.
A Constituição dos Estados Unidos, ratificada em 1789,
criou uma república federal relativamente forte, em
substituição de uma confederação relativamente fraca,
primeira proposta para um governo nacional através
dos Artigos da Confederação, ratificados em 1783. As
primeiras dez emendas à constituição, chamadas Bill of
rights, consagraram certos direitos naturais fundamentais
para os ideais republicanos, que justificaram a revolução.
Tal como a americana, também a revolução francesa não
era republicana no seu início. Somente após a fuga de
Varennes ter retirado o que restava da pouca simpatia de
que o rei gozava, é que foi declarada a república e Luís
XVI enviado para a guilhotina. O sucesso estrondoso da
65

França nas guerras revolucionárias francesas viu as


repúblicas espalharem-se pela força das armas um pouco
por toda a Europa, à medida que uma série de repúblicas
clientes foi criadas em todo o continente. A ascensão
de Napoleão marcou o final da Primeira República
Francesa e a sua posterior derrota permitiu às monarquias
vitoriosas porem fim a muitas das mais antigas repúblicas
do continente, incluindo Veneza, Génova e a Holanda.
Fora da Europa, outro grupo de repúblicas foi sendo
criado à medida que as Guerras Napoleónicas permitiram
que os estados de América latina ascendessem à
independência. A ideologia liberal teve apenas um impacto
limitado nestas novas repúblicas. O impulso principal foi
da população crioula, descendente dos europeus, em
conflitos com os governadores peninsulares enviados
d'além-mar. A maioria da população na América Latina
era de ascendência ameríndia ou africana, com a qual a
elite crioula tinha pouco interesse em partilhar o poder
através de uma soberania popular alargada. Simon
Bolívar, o principal instigador das revoltas e também um
de seus teóricos mais importantes, simpatizava com os
ideais liberais, mas entendia que, à América Latina,
faltava a coesão social para que esse sistema funcionasse e
defendeu a autocracia, sempre que necessária.

Anúncio da Proclamação da República Irlandesa


66

No México, esta autocracia tomou, por pouco tempo, a


forma de uma monarquia no Primeiro Império Mexicano.
Devido à guerra peninsular, a família real
portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1808.
O Brasil atingiu a independência como
uma monarquia em 7 de setembro de 1822, tendo o império
do Brasil durado até 1889. Nos demais estados, diferentes
formas de república autocrática existiram até sua
liberalização no final do século XX.
A Segunda República Francesa foi criada em 1848 e
a Terceira República Francesa em 1871. A Espanha
inaugurou a sua primeira república, apenas para ver
regressar a monarquia poucos anos depois. No início
do século XX, a França e a Suíça mantinham-se como as
únicas repúblicas na Europa. Antes da primeira guerra
mundial, a república portuguesa, implantada através
da revolução de 5 de outubro de 1910, foi a primeira do
novo século. Isto estimularia o aparecimento de mais
repúblicas no rescaldo da guerra, quando vários dos
maiores impérios europeus entraram em colapso.
O império alemão, o império austro-húngaro, o império
russo e o império otomano foram substituídos por várias
repúblicas. Novos estados tornaram-se independentes e
muitos destes, como a Irlanda, a Polónia, a Finlândia e
a Checoslováquia, escolheram formas republicanas de
governo. Em 1931, a Segunda República
Espanhola terminou numa guerra civil que seria o prelúdio
da segunda guerra mundial.
As ideias republicanas foram se espalhando, especialmente
na Ásia. A partir do final do século XIX, os Estados Unidos
começaram a ter uma influência crescente na Ásia, com
os missionários protestantes a desempenharem um papel
central. Os escritores liberais e republicanos ocidentais
também exerceram influência. Isto, combinado com
o confucionismo, inspirou a filosofia política que há muito
argumentava que a população tinha o direito de rejeitar
um governo injusto que tivesse perdido o mandato do céu.
67

Duas repúblicas de vida breve foram proclamadas


no extremo oriente: a república de Formosa e a Primeira
República das Filipinas. Na China, um forte sentimento
contra a dinastia Qing e uma série de movimentos de
protesto levaram à criação de uma monarquia
constitucional. O líder mais importante deste movimento
foi Sun Yat-sen, cujos Três Princípios do
Povo combinavam ideias americanas, europeias e
chinesas. A república da China acabou por ser
proclamada em 1 de janeiro de 1912.
Repúblicas socialistas e comunistas

Edital da Comuna de Paris.


Entre a década de 1920 e o início da de 90, numerosos
estados adotaram designações como "república
democrática", "república popular" ou "república
socialista": República Popular da Mongólia (1924-
1992), República Popular Federal da Jugoslávia (1946–
1963), República Popular de Angola (1975–
1992), República Popular Democrática do Iémen (1967–
1970), República Democrática Alemã(1949–
1990), República Socialista do Vietname (1976-
atualidade), etc. Tratava-se, por regra, de repúblicas com
formas de governo caraterizadas pela adoção da ideologia
comunista como princípio orientador da ação do estado.
Estas repúblicas podiam ter vários partidos políticos
legais, mas ao Partido Comunista era concedido um papel
privilegiado ou dominante no governo, princípio muitas
vezes definido na própria Constituição, ao ponto de se
confundirem as instituições do estado com as do partido.
68

A grande fonte de inspiração para as repúblicas socialistas


do século XX veio da Comuna de Paris de 1871, quando as
classes sociais mais desfavorecidas tomaram o controle da
capital de França. Karl Marx descreveu a Comuna como o
protótipo do governo revolucionário do futuro "a forma
política, finalmente descoberta, com a qual se realiza a
emancipação económica do trabalho."
Friedrich Engels observou como um dos grandes
ensinamentos a recolher da Comuna, a forma como se
remunerou a todos os funcionários "grandes e pequenos,
apenas o salário que outros operários recebiam. (...) Assim
se fechou a porta, eficazmente, à caça aos cargos e à
ganância da promoção". Nas palavras de Engels, a "classe
operária, para não perder de novo a sua própria
dominação, acabada de conquistar, tinha, por um lado, de
eliminar a velha maquinaria de opressão até aí utilizada
contra si própria, mas, por outro lado, de precaver-se
contra os seus próprios deputados e funcionários, ao
declarar estes, sem qualquer excepção, revogáveis a todo o
momento." Engels defendeu, no entanto, que tal estado
seria temporário, apenas "até que uma geração crescida
em novas, livres condições sociais, se torne capaz de se
desfazer de todo o lixo do Estado".
Essas ideias foram adotadas por Vladimir Lenine,
em 1917 pouco antes da Revolução de Outubro na Rússia e
publicadas em O Estado e a Revolução, um texto
fundamental para muitos marxistas. Com o fracasso da
revolução mundial prevista por Lenine e Trotsky, a Guerra
Civil Russa, e, finalmente, a morte de Lenine, as medidas
de guerra que eram considerados temporárias, como a
requisição forçada de alimentos e a falta de controlo
democrático, tornaram-se permanente e uma ferramenta
de reforço do poder de Estaline.
Ao longo do século XX, a maioria das repúblicas
socialistas e comunistas adotaram economias planificadas.
No entanto, houve algumas exceções: a União
Soviética durante a década de 1920 e a Jugoslávia após
69

a Segunda Guerra Mundial permitiram um mercado


limitado e um grau de autogestão dos trabalhadores;
enquanto a China, o Vietname e o Laos introduziram
profundas reformas económicas após a década de 1980.
No início da década de 1990, a grande maioria destes
países fizeram acompanhar o processo de abertura
económica e política dos seus regimes do abandono destes
qualificativos, passando simplesmente a designarem-se por
"repúblicas". Há, no entanto, estados na atualidade que,
não sendo propriamente marxista-leninistas, usam termos
como "democrática", "popular" e "socialista" nos títulos
oficiais dos países. São exemplos disto
a Argélia (República Argelina Democrática e Popular);
o Bangladesh (República Popular do Bangladesh);
a Líbia (Grande República Socialista Popular Árabe da
Líbia); São Tomé e Príncipe (República Democrática de
São Tomé e Príncipe) e Timor-Leste (República
Democrática de Timor-Leste).
Repúblicas islâmicas
Muitas repúblicas de população
maioritariamente muçulmana quiseram juntar a palavra
"islâmica" à sua designação oficial. O Paquistão, por
exemplo, adotou o título através da Constituição de 1956;
a Mauritânia adotou-o em 28 de novembro de 1958; o Irão após
a Revolução Iraniana de 1979 que derrubou a dinastia
Pahlavi; o Afeganistão após o derrube dos talibãs em
2001.
A filosofia política islâmica tem uma longa tradição de
oposição à monarquia absolutista, expressa,
nomeadamente, na obra do filósofo muçulmano Al-Farabi.
A Xariá, lei islâmica, tinha precedência sobre a vontade do
governante que deveria ser escolhido através de um
conselho, a Ash-Shura. Apesar dos
primeiros califados terem mantido os princípios da eleição
do governante, mais tarde os estados tornaram-se ditaduras
70

ou militares, embora muitos mantivessem uma,


hereditárias
pouco mais do que simbólica, ash-shura consultiva.
No entanto, nenhum desses estados é geralmente referido
como sendo uma república. O termo árabe atual
‫( ججججج جج‬jumhūrīyyat), surgiu no final do século
XIX, decalcando o conceito ocidental de república.
No século XX o republicanismo tornou-se um movimento
importante em grande parte do Médio Oriente, à medida
que as monarquias foram caindo em muitos estados da
região. Alguns, como o Iraque e a Turquia, tornaram-se
repúblicas seculares. Outras nações, como a Indonésia e
o Azerbaijão, começaram também como seculares, mas
seguiram outros caminhos. No Irão, a revolução de
1979 derrubou a monarquia e criou uma república
islâmica baseada nas ideias de democracia islâmica.
O termo república islâmica, no entanto, pode ter
significados diferentes, às vezes até antagónicos. A
república islâmica do Irão, por exemplo, está em contraste
com o estado semissecular da República Islâmica do
Paquistão. Num caso, trata-se de uma república com um
governo teocrático, no qual o código penal do estado
obedece às leis da Xariá. No outro, a designação
"islâmica" parece mais uma alusão à identidade
cultural do país.
O Paquistão foi o primeiro país a adotar o adjetivo
"islâmico" para qualificar o seu estatuto republicano
através da sua constituição de 1956 que, no restante, era
bastante secular. Apesar desta definição, o país não teve
uma religião de estado até 1973, quando uma nova
constituição, mais democrática mas menos secular, foi
aprovada. O Paquistão só usa o nome "República
Islâmica" nos seus passaportes e vistos. Em todos os
documentos oficiais a designação utilizada é simplesmente
"Governo do Paquistão". Apesar disso a atual
Constituição do Paquistão, parte IX, artigo 227 diz
expressamente: "Todas as leis existentes devem ser postas
71

em conformidade com os preceitos do Islão tal como


expressos no Alcorão e na Suna".
Chefe de Estado

Repúblicas presidencialistas Repúblicas


parlamentares
Poder executivo partilhado
entre presidente e parlamento Repúblicas de
partido único
Repúblicas
semipresidencialistas

Estrutura
Nas repúblicas contemporâneas, o chefe de Estado é
geralmente designado por presidente da república ou
simplesmente presidente. O termo deriva do latim præ
sidere ("sentar à frente"), significando liderar, dirigir,
presidir, aplicável à direção de uma cerimónia, de uma
reunião ou de uma organização. Usado na Grã-Bretanha
nessa acessão, o título presidente foi aplicado em 1608 ao
líder da Virgínia e depois estendido a outras das Treze
Colónias inglesas na América do Norte, com a designação
de "Presidente do Conselho". Os Estados Unidos foi a
primeira república a usar este título, mantendo o
significado inicial da palavra: "Presidente do Congresso
Continental", o líder do primeiro parlamento. Quando a
nova Constituição foi escrita o título de "Presidente dos
Estados Unidos" foi atribuído ao responsável pelo poder
executivo.
72

Designa-se por presidencialismo o sistema de governo no


qual o chefe de Estado é também chefe de governo. Num
sistema presidencial completo, o presidente desempenha o
papel político central e detém uma autoridade
considerável. Os Estados Unidos foram o primeiro
exemplo de tal sistema que serviu de base ao modelo
adotado noutros países, como na França e no Brasil.
Noutros estados, a legislatura domina e o papel do
presidente é pouco mais do que cerimonial e apolítico,
como na Alemanha e na Índia. Esses estados
são repúblicas parlamentaristas e funcionam de forma
semelhante às monarquias constitucionais com sistemas
parlamentaristas, onde o poder do monarca é também
extremamente circunscrito. Nos sistemas parlamentares, o
chefe de governo, na maioria das vezes
intitulado primeiro-ministro, exerce o maior poder político
real.
Nos sistemas semipresidencialistas o chefe de governo e o
chefe de Estado compartilham em alguma medida o poder
executivo, participando, ambos, do quotidiano da
administração do Estado. Difere do parlamentarismo por
apresentar um chefe de Estado com prerrogativas que o
tornam muito mais do que uma simples figura protocolar
ou mediador político; difere, também, do presidencialismo
por ter um chefe de governo com alguma medida de
responsabilidade perante o legislativo. Em França, o
presidente define a política externa, em Portugal, o
presidente tem menos poder, tendo poder de vetar leis e
dissolver a Assembleia.
As regras para a nomeação do presidente e do líder do
governo, em algumas repúblicas permitem a nomeação de
um presidente e de um primeiro-ministro com convicções
políticas opostas: na França, quando os membros do
governo e o presidente vêm de fações políticas opostas,
esta situação chama-se coabitação. Em alguns países,
como na Suíça e em San Marino, o chefe de Estado não é
73

uma única pessoa, mas sim um conselho. A República


Romana tinha dois cônsules, nomeados por um ano.
Eleição
Nas democracias constitucionais os presidentes ou
são eleitos diretamente pelo povo ou, indiretamente, por
um parlamento ou conselho.
Nos sistemas presidencialistas e semipresidencialistas o
presidente tanto pode ser eleito diretamente como
indiretamente, caso dos Estados Unidos. Neste país o
presidente é oficialmente eleito por um colégio eleitoral,
escolhido pelos estados através de direto dos eleitores.
Apesar de, na opinião de alguns, a eleição direta conferir
maior legitimidade ao presidente e dar ao cargo muito do
seu poder político, a Constituição dos Estados
Unidos estabelece que a legitimidade do presidente
advenha da ratificação da Constituição por nove
estados. A ideia de que a eleição direta é necessária para a
legitimidade também contradiz o espírito do Grande
Compromisso de 1787, cujo resultado real foi manifestado
na cláusula que garante aos eleitores dos estados menores
uma representação ligeiramente maior do que os grandes
estados na escolha presidencial.
Nos países com um sistema tipicamente parlamentar o
presidente é normalmente eleito pelo parlamento. Estas
eleições indiretas subordinam o presidente ao parlamento,
conferindo-lhe, também, uma legitimidade limitada,
transformando a maioria dos poderes presidenciais em
poderes de reserva que só podem ser exercidos em
circunstâncias excecionais, como acontece na República
da Irlanda.”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica)
[6]
Verdadeiro crápula, Filipe IV é mencionado na Wikipédia
nos seguintes termos:
74

“Filipe IV & I (Fontainebleau, 1268 – Fontainebleau, 29


de novembro de 1314), também chamado de Filipe, o Belo,
foi o Rei da França como Filipe IV de 1285 até sua morte e
também Rei de Navarra como Filipe I de 1284 a 1305 em
virtude de seu casamento com Joana I.
Filipe IV foi um rei polémico, estando na origem da
tentativa de deposição do papa Bonifácio VIII e da
transferência do papado para a cidade de Avinhão, e
criando as condições para, algumas décadas depois da sua
morte, a eclosão da Guerra dos Cem Anos. No seu reinado
suprimiu a Ordem dos Cavaleiros Templários a 13 de
outubro de 1307, facto que provavelmente esteve na
origem da superstição de as sextas-feiras dia 13 serem
dias aziagos.
Há quem pense que o cognome o Belo deve-se a uma sua
extraordinária beleza, segundo relatos contemporâneos.
Também apelidado pelos seus inimigos e admiradores de o
rei de Mármore ou o rei de Ferro, foi notável pela sua
personalidade rígida e severa. Um dos seus mais ferozes
oponentes, o bispo Bernardo Saisset de Pamiers, disse
sobre o rei: «Não é um homem nem uma besta. É uma
estátua».
Subida ao trono
Segundo filho de Filipe III de França com Isabel de
Aragão, Filipe o Belo nasceu no castelo de
Fontainebleau no ano de 1268. Quando o seu irmão mais
velho morreu aos 12 anos de idade em 1276, tornou-se
novo herdeiro do trono. Teve como preceptor Guilherme
d'Ercuis, o capelão do seu pai.
Em 1284-1285 participou da cruzada aragonesa, a
fracassada campanha francesa na Catalunha para depor o
rei Pedro III de Aragão e colocar no seu lugar Carlos de
Valois, o seu irmão mais novo. Com a derrota militar e a
epidemia de disenteria que marcaram o fim desta
campanha e atingiram o rei Filipe III, assumiu a liderança
da hoste.
75

Tentou negociar a passagem da família real através


dos Pirenéus mas recebeu uma recusa do rei aragonês, e
depois sofreu uma pesada derrota na batalha travada a 30
de setembro e 1 de outubro, na qual Pedro massacrou o
exército francês mas poupou a família real. Com a morte
do rei de França em Perpinhã a 5 de outubro, por
disenteria, Filipe subiu ao trono e abandonou a campanha.
Foi coroado a 6 de janeiro de 1286 na catedral de Reims.
Consolidação do poder real
Determinado a fortalecer a monarquia, Filipe confiou,
mais do que qualquer dos seus predecessores, na
burocracia profissional de legalistas. Auxiliado por
ministros como Pierre Flote, Guilherme de
Nogaret e Enguerrardo de Marigny, favoreceu o
desenvolvimento das instituições administrativas e
judiciárias.
Homem solene e silencioso, ao seu povo parecia distante
do governo e, tendo encarregado os seus ministros de
políticas específicas, especialmente as impopulares, foi
chamado de "coruja inútil" pelos seus contemporâneos. Na
verdade o seu reinado marcou a transição da França, de
uma monarquia carismática, passível de perder muito do
seu poder sob um rei incapaz, para um reino burocrático,
na direção da modernidade.
Um ano antes de subir ao trono, a 14 de agosto de 1284, o
Belo casara-se, aos 16 anos de idade, com Joana I de
Navarra, filha de Henrique I de Navarra e Branca de
Artois. O matrimónio conferiu-lhe os títulos de rei de
Navarra e conde de Champagne, como Filipe I, até à
morte da sua esposa a 4 de abril de 1305.
O principal benefício administrativo desta união era que a
herança de Joana em Champagne e Brie, adjacente aos
domínios reais na Île-de-France, foi efetivamente unida às
terras do rei, formando uma ampla área. Durante os
reinados de Joana e dos seus três filhos (1284–1328), estas
terras pertenciam à pessoa do rei.
76

Mas em 1328 já se encontravam tão ligadas aos domínios


reais que o Filipe VI de França (da casa de Valois, não um
herdeiro de Joana) fez uma troca de terras com a herdeira
dessa época, Joana II de Navarra. Estes territórios
permaneceram com a coroa francesa, tendo Joana II
recebido terras no oeste da Normandia em compensação.
O reino de Navarra nos Pirenéus não tinha a mesma
importância para os interesses da época dos monarcas
franceses. Permaneceu em união pessoal de 1284 a 1328,
tendo depois revertido para Joana II de Navarra e para
a casa de Évreux. Outras adições de Filipe aos domínios
reais foi Lião em 1312 e a compra da região
de Quercy (aproximadamente o atual departamento de Lot)
à Inglaterra por três mil libras.
Política externa
Relações com os mongóis
No seguimento da política externa de São Luís, Filipe teve
vários contatos com o Ilcanato mongol no Médio Oriente,
que pretendia obter a cooperação de reinos cristãos para a
luta contra os muçulmanos. Recebeu a embaixada do
monge sino-mongol Rabban Bar Sauma, e um elefante
como presente. Filipe terá respondido com uma positiva à
solicitação.
O rei francês também ofereceu presentes à embaixada e
enviou um dos seus nobres, Gobert de Helleville, para
acompanhá-los até aos domínios mongóis. Este partiu a 2
de fevereiro de 1288, juntou-se a Bar Sauma em Roma e
seguiram para a Pérsia. De Bagdade, Arghun Khan voltou
a escrever em 1289, em reposta a uma carta de Filipe de
1288, reafirmando a cooperação militar, exortando-o a
conquistar o Egito, em troca do qual o mongol oferecer-
lhe-ia Jerusalém..
Ao contrário do seu avô Luís IX de França, Filipe IV não
deu continuidade a estes planos sob a forma de
uma cruzada. No entanto, organizou uma colaboração
77

militar com os mongóis através dos Templários contra


os mamelucos. O plano era coordenar as ações entre
as ordens militares cristãs, o rei e a aristocracia
de Chipre e do Reino Arménio da Cilícia, e os mongóis
do Ilcanato.
“ Se de facto os mongóis, apesar ”
de não ser cristãos, vão lutar
contra os árabes pela captura
de Jerusalém, é especialmente
adequado que nós lutemos [ao
lado destes], e se Deus quiser,
avançar com toda a força.

— Filipe IV de França, Os Monges


de Kublai Khan, Imperador da
China[5].

De 1298 a 1302, o grão-mestre Jacques de Molay esteve


no Próximo Oriente a combater os mamelucos e a
aguardar a ligação com as forças mongóis, o que não
chegou a acontecer[6]. Em Setembro de 1302 os
Templários foram expulsos da sua fortaleza em Arwad e
quando Gazã, o ilcã mongol da Pérsia, morreu em 1304,
acabaram os planos de uma rápida reconquista da Terra
Santa.
Em abril de 1305, o novo governante
mongol Oljeitu enviou cartas para Filipe, o papa, e
para Eduardo I da Inglaterra. Mais uma vez ofereceu uma
aliança militar e as nações europeias prepararam uma
cruzada, mas houve atrasos na preparação e esta acabou
por nunca se realizar. Entretanto o filho de Oljeitu assinou
um tratado em Apelo com os mamelucos em 1322.
Guerra com a Inglaterra
O início de hostilidades com a Inglaterra em 1294 era o
resultado inevitável das monarquias competitivas e
78

expansionistas, despoletado por um secreto pacto franco-


escocês de ajuda mútua contra Eduardo I.
Foram realizadas campanhas inconclusivas pelo controlo
da Gasconha em 1294–1298 e em 1300–1303. Filipe
ocupou a Flandres em 1300 e conquistou a Guyenne, mas
foi obrigado a devolver este último território aos ingleses e
a dar a sua irmã Margarida de França em casamento
ao monarca inglês em 1299.
Há décadas que não ocorria um importante conflito
na Europa, e, entretanto a natureza da guerra tinha
mudado: tornara-se mais profissional, tecnologicamente
mais avançada e muito mais dispendiosa. A procura de
rendimentos para pagar as despesas militares marcou o
reinado de Filipe e a reputação que criou para os seus
contemporâneos.
Segundo os termos do Tratado de Paris de 1303, foi
acordado o casamento de Isabel, filha de Filipe,
com Eduardo, príncipe de Gales e herdeiro de Eduardo I.
A união ocorreu em Bolonha a 25 de janeiro de 1308, e
pretendia selar uma paz. Em algumas décadas levaria a
uma posterior pretensão inglesa ao trono francês e
à Guerra dos Cem Anos.
Invasão do Flandres
Em 11 de julho de 1302, a França sofreu uma derrota de
um exército de 2500 nobres (cavaleiros e escudeiros) e
4.000 soldados de infantaria, enviado para suprimir uma
revolta na Flandres, na batalha das esporas douradas,
perto de Kortrijk.
O Rei de Ferro reagiu energicamente e liderou
pessoalmente uma vitoriosa campanha com a batalha
de Mons-en-Pévèle, na atual região de Nord-Pas-de-
Calais, dois anos depois. Em 1305, obrigou os flamengos a
aceitar um desvantajoso tratado de paz que obrigou a
fortes reparações e penalidades humilhantes, e adicionou
79

as ricas cidades de Lille e Douai, grandes produtoras de


tecidos, ao território real.
Béthune, a primeira cidade a render-se, foi concedida
a Matilde, condessa de Artois. Para garantir a sua
fidelidade, as suas duas filhas, Joana e Branca, casaram-
se com Filipe e Carlos, respectivamente, filhos de Filipe
IV.
Política religiosa
Conflito com o papado
Para financiar estas guerras, Filipe IV viu-se obrigado a
recorrer a várias desvalorizações da moeda entre 1290 e
1309. Como medida de curto prazo, perseguiu os judeus de
modo a tomar os seus bens, prendendo e chegando a
expulsá-los dos territórios franceses em 1306.
Também confiscou os bens dos banqueiros lombardos em
1292 e de abades mais abastados. Para a história ficou a
condenação destas ações e dos seus gastos excessivos
pelos seus inimigos na Igreja Católica, uma vez que os
cronistas deste tempo eram na maioria monges.
Quando lançou alguns impostos sobre o clero, de cerca de
metade do seu rendimento anual, iniciou um conflito com o
papado. A 24 de fevereiro de 1296, o papa
Bonifácio VIII emitiu a epístola decretal Clericis laicos,
proibindo a transferência de qualquer propriedade da
Igreja para a coroa francesa sem o acordo prévio de
Roma, e a incitar uma aberta batalha diplomática contra o
rei.
Envolvido em outros problemas com
os aragoneses da Sicília e a família Colonna, o papa
acabou por ceder, compondo as bulas Romana
mater (fevereiro de 1297) e Etsi de statu (julho de 1297).
Esta última continha uma renúncia formal à defesa dos
bens eclesiásticos contra o arbítrio real da
decretal Clericis laicos. No mesmo ano canonizou o
80

rei Luís IX de França sob o nome de "São Luís da


França", um processo impulsionado por Filipe IV.
Mas em 1300, pela bula Unam Sanctam, Bonifácio
declarou a superioridade do poder espiritual sobre o poder
temporal, e por consequência, a superioridade do papa
sobre os reis, que responderiam perante o líder da Igreja.
Era de facto uma tentativa de instauração de
uma teocracia na Europa ocidental.
Filipe respondeu proibindo a exportação de dinheiro
francês para os Estados Pontifícios e convocou uma
assembleia de bispos, nobres e grandes burgueses
de Paris. Esta seria a precursora dos Estados Gerais que
também surgiriam pela primeira vez no seu reinado, mais
uma medida profissional e organizativa que os seus
ministros introduziram no governo.
O rei saiu vitorioso do encontro, adotando uma política de
independência em relação à Santa Sé e opondo-se ao papa.
Procurou então o apoio de todos os seus súbditos a fim de
legitimar a sua luta. Bonifácio VIII ameaçou-o de
excomunhão e de interdição (o equivalente à excomunhão,
aplicada a um território) sobre o reino da França.
Legalistas franceses falsificaram a bula para torná-la
injuriosa ao poder civil e à França. Com um forte apoio no
seu reino, em 1303 o Belo enviou o seu
conselheiro Guilherme de Nogaret com uma pequena
escolta armada para Roma, com o objetivo de prender o
papa e de levá-lo a julgamento perante um concílio.
Este episódio, conhecido como o atentado de
Anagni tornar-se-ia em um dos grandes escândalos do
reinado de Filipe IV. A sua narrativa popular teve uma
grande importância na reputação de poder e
implacabilidade do "Rei de Ferro", apesar de não ter
estado diretamente envolvido no incidente.
“ ”
A Nogaret juntou-se um inimigo
81

pessoal de Bonifácio, Sciarra


Colonna, membro da nobreza
romana, que lhe indicou que o
papa se refugiara em Anagni.
Encontraram-no só, um homem
de 68 anos de idade, na grande
sala do palácio episcopal,
abandonado pelos seus
partidários. Sentado numa alta
cadeira, com hábitos de
cerimónia, não reagiu à
irrupção dos homens armados.
À aproximação do francês e do
italiano, inclinou ligeiramente a
cabeça e declarou: 'Eis a minha
cabeça, eis a minha tiara:
morrerei, é certo, mas
morrerei papa'. Guilherme de
Nogaret recuou, impressionado,
enquanto Sciarra Colonna, no
seu ódio por Bonifácio VIII,
avançou e lhe deu uma bofetada,
com a mão coberta pela luva de
ferro da armadura. Sob a
violência do golpe, o papa caiu
do trono para o chão.
Pouco depois, a população de
Anagni, envergonhada de ter
abandonado o papa, acorreu ao
palácio e perseguiu a
destacamento francês, mas tarde
demais: a violência a que fora
sujeito perturbara a sanidade
mental de Bonifácio. Morreu no
mês seguinte, sem reconhecer os
seus conhecidos e a recusar
82

a extrema unção.

— Narração do atentado de
Anagni
segundo a tradição popular.

Em 1305, depois da morte, sob suspeitas de


envenenamento, do sucessor do papa Bento XI, o novo
papa Clemente V revelar-se-ia mais cooperante. De
origem francesa, permitiu o estabelecimento pelo rei
francês do papado de Avinhão, em um enclave no sul da
França, e seria uma ajuda preciosa na supressão
da Ordem dos Templários.
Supressão da Ordem dos Templários
Fundada em 1118 com o objetivo de proteger os
peregrinos que se dirigiam a Jerusalém, ao longo de dois
séculos a Ordem dos Templários acumulara grandes
riquezas. O seu poder era tal que tinham apenas o dever de
responder perante o papa.
Com graves problemas de caixa e tendo de recorrer a
empréstimos junto aos templários para custear os negócios
do seu reino, Filipe IV usou a sua influência sobre
Clemente V, sob a sua dependência, para acabar com a
ordem e confiscar todos os seus bens. Para isso pôs em
andamento uma estratégia de descrédito, acusando-os
de heresia, imoralidade, sodomia e diversos outros crimes.
Na sexta-feira, dia 13 de outubro de 1307, centenas de
cavaleiros templários por toda a França foi presos
simultaneamente por agentes de Filipe o Belo e sujeitos a
tortura para confessarem a heresia da própria ordem
religiosa, facto que provavelmente esteve na origem da
superstição de as sextas-feiras dia 13 serem dias aziagos.
Em 1312, o papa francês extinguiu a ordem por uma bula,
retirando a sua proteção e o seu estatuto eclesiástico.
Filipe tomou as consideráveis riquezas dos templários e
acabou com o seu sistema bancário monástico.
83

Os líderes templários foram supliciados. Em 1314, o


último grão-mestre, Jacques de Molay, foi queimado na
fogueira em Paris. De acordo com a lenda, de dentro das
chamas este amaldiçoou o rei Filipe IV e sua
descendência, o papa Clemente V e o ministro Guilherme
de Nogaret, afirmando estes seriam convocados perante o
tribunal de Deus no prazo de um ano. De facto, todos os
três morreram dentro desse prazo.
Posteridade
Morte e legado
Filipe o Belo morreu a 29 de novembro de 1314 devido a
um derrame cerebral, vindo a falecer dias depois de um
segundo ataque, no castelo de Fontainebleau. Segundo os
documentos e os relatórios de embaixadores, chega-se à
conclusão de que tenha sucumbido a uma apoplexia
cerebral em zona não motora, que se manifestou pela
primeira vez enquanto caçava um cervo com sua tropa,
dias antes da recaída mortal.
O seu coração foi transportado para o Mosteiro de Poissy,
assim como a cruz dos Templários, e lá permaneceu até à
noite de 21 de julho de 1695, quando um raio caiu sobre a
igreja do mosteiro e incendiou-a quase completamente,
destruindo a cruz e o coração do rei. A sua sepultura
na Basílica de Saint-Denis, como muitas outras, foi
profanada em 1793, durante a Revolução Francesa.
O seu reinado assinalou o declínio do poder papal, depois
de um período de autoridade absoluta sobre as nações
europeias. O palácio do rei, na Île de la Cité, é atualmente
representado pelas secções remanescentes
da Conciergerie.
O final do seu reinado foi marcado também pelo caso da
Torre de Nesle, quando as suas três noras foram
envolvidas em um escândalo de adultério e crime de lesa-
majestade que marcaria a história da França, com graves
consequências na linha sucessória do trono francês. As
84

repercussões deste caso condicionariam os reinados dos


seus três filhos, no desejo de darem continuidade
à dinastia capetiana.
Nas décadas seguintes seriam sucedidos pelos seus três
filhos varões sobreviventes, um após o outro. A morte do
último, Carlos IV, trouxe a coroa para Filipe VI da casa do
seu irmão Carlos de Valois. Esta sucessão foi contestada
por Eduardo III da Inglaterra, filho da sua filha Isabel, o
que originou a Guerra dos Cem Anos entre as duas nações.
Descendência
Do seu casamento em 14 de agosto de 1284 com Joana I
de Navarra, filha de Henrique I de Navarra e Branca de
Artois, nasceram:

 Luís X de França (Luís I de Navarra), o Teimoso, o


Cabeçudo ou o Turbulento (4 de outubro de 1289 - 5 de
junho de 1316), sucessor dos pais nos tronos de
França e Navarra e no condado de Champagne
 Margarida (c.1290-1294), noiva de Sancho IV de Leão e
Castela em novembro de 1294
 Isabel de França, a Loba de França (1292 - 21 de
novembro de 1358), casada em 1308 com Eduardo II da
Inglaterra
 Filipe V de França (Filipe II de Navarra), o Longo, o
Comprido ou o Caolho (17 de novembro de 1293 - 3 de
janeiro de 1322), conde de Poitou, conde palatino da
Borgonha por casamento com Joana II, Condessa da
Borgonha, e sucessor do irmão Luís nos tronos de França
e Navarra, e no condado de Champagne
 Branca (c.1293 - c.1294)
 Carlos IV de França (Carlos I de Navarra), o Belo (18 de
junho de 1294 - 1 de fevereiro de 1328), conde de la
Marche e sucessor do irmão Filipe tronos de França e
Navarra, e no condado de Champagne
 Roberto (1297-1308)
85

Representações na cultura Filipe o Belo é um dos


principais personagens dos dois primeiros volumes da
série de sete, do romance histórico Os Reis Malditos (em
francês: Les Rois maudits) de Maurice Druon, publicada
entre 1955 e 1977. A série foi adaptada para
a televisão por duas vezes na França, em 1972 e em
2005.”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_IV_de_Fran%C3%A7a)
[7]
“Clemente V, nascido Bertrand de Gouth (perto
de Villandraut, 1264 — Roquemaure, 20 de Abril de 1314)
foi Papa entre Junho de 1305 até à sua morte.
Seu túmulo está na igreja colegiada (que ele havia
construído) em Uzeste, província de Gironde. Foi bispo
de Saint-Bertrand-de-Comminges, antes de se tornar papa.
Foi eleito após um longo conclave realizado em Perugia,
onde se defrontaram os interesses dos cardeais italianos e
franceses. Isso acontece após um pacto selado com o então
rei da França, Filipe, o Belo, no qual o monarca, com seu
poder e influência o ajudou a alcançar esse lugar
principalmente para que retirasse a excomunhão da
família real francesa, colocada pelo Papa Bonifácio VIII.
O seu pontificado ficou marcado por duas coisas: pela
mudança da Santa Sé de Roma para Avinhão em 1309,
justificado pelos tumultos existentes em Itália, e pela
destruição trágica da Ordem dos Cavaleiros
Templários (ordem criada pela própria Igreja Católica),
que defendiam e protegiam os cristãos pela Terra Santa.
Clemente V foi forçado por Felipe a realizar uma
investigação post mortem contra a memória do Papa
Bonifácio VIII, inimigo de Felipe, que forjou
acusações, porém durante o Concílio de Vienne, que se
reuniu em 1311, a ortodoxia e moralidade do papa morto
foi confirmada.”
86

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Clemente_V)
[8]
“A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo
de Salomão (em latim: "Ordo Pauperum Commilitonum
Christi Templique Salominici"), conhecida
como Cavaleiros Templários, Ordem do
Templo (em francês: Ordre du Templeou Templiers) ou
simplesmente como Templários, foi uma ordem
militar de Cavalaria. A organização existiu por cerca de
dois séculos na Idade Média (1118-1312), fundada no
rescaldo da Primeira Cruzada de 1096, com o propósito
original de proteger os cristãos que voltaram a fazer
a peregrinação a Jerusalém após a sua conquista.
Os seus membros fizeram voto de pobreza e castidade para
se tornarem monges, usavam mantos brancos com a
característica cruz vermelha, e o seu símbolo passou a ser
um cavalo montado por dois cavaleiros. Em decorrência do
local onde originalmente se estabeleceram (o monte do
Templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão,
e onde se ergue a atual Mesquita de Al-Aqsa) e do voto de
pobreza e da fé em Cristo denominaram-se "Pobres
Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão".
O sucesso dos Templários esteve vinculado ao das
Cruzadas. Quando a Terra Santa foi perdida, o apoio à
ordem reduziu-se. Rumores acerca da cerimônia de
iniciação secreta dos Templários criaram desconfianças, e
o rei Filipe IV de França - também conhecido como Felipe,
O Belo - profundamente endividado com a ordem, começou
a pressionar o papa Clemente V a tomar medidas contra
eles. Em 1307, muitos dos membros da Ordem em França
foram detidos e queimados publicamente. Em 1312, o papa
Clemente dissolveu a ordem. O súbito desaparecimento da
maior parte da infraestrutura europeia da ordem deu
origem a especulações e lendas, que mantêm o nome dos
templários vivo até aos dias atuais.
87

História

Este artigo é parte de ou relacionados com a


série sobre os Cavaleiros Templários
Ordem dos Templários

 História dos Cavaleiros Templários


 Lendas dos Cavaleiros Templários
 Selo dos Cavaleiros Templários
 Grão-mestres dos Cavaleiros Templários
 Cavaleiros Templários na Inglaterra
 Cavaleiros Templários na Escócia
 Lista de Cavaleiros Templários
 Lista de lugares associados aos Cavaleiros Templários
Associações modernas

 Cavaleiros Templários (maçonaria)


 Ordem Suprema Militar do Templo de Jerusalém

Fundação
A ordem foi fundada após a Primeira Cruzada, por Hugo
de Payens, em 1118, com o apoio de mais 8 cavaleiros,
entre eles André de Montbard, tio de Bernardo de
Claraval, e do rei Balduíno II de Jerusalém, que os
acolheu em seu palácio em uma das esplanadas do
Templo. Nascem assim os Pobres Cavaleiros de Cristo,
que, por se estabelecerem no monte do Templo de
Salomão, vieram a ficar conhecidos como Ordem do
Templo, e por Templário quem dela participava. A
finalidade da Ordem era proteger os peregrinos que se
dirigiam a Jerusalém, mais precisamente o caminho
de Jafa a Cesareia, vítimas de ladrões em todo o percurso
e, já na Terra Santa, dos ataques que
88

os muçulmanos faziam aos reinos cristãos que as Cruzadas


haviam fundado no Oriente.
No outono de 1127, Hugo de Payens e mais 5 cavaleiros se
dirigem à Roma visando solicitar ao papa Honório II o
reconhecimento oficial da Ordem. Nessa visita, conseguem
não só o reconhecimento oficial como o apoio e influência
de Bernardo de Claraval, no Concílio de Troyes em 13 de
janeiro de 1128. Através da bula papal Omine datam
oprimem, emitida em 29 de março de 1139 pelo
papa Inocêncio II, a Ordem foi reconhecida oficialmente
pelo Papado e ganhou isenções e privilégios, dentre os
quais o de que seu líder teria o direito de se comunicar
diretamente com o papa e o direito de construir seus
próprios oratórios e serem enterrados neles.
A ordem tornou-se uma das favoritas da caridade em toda
a cristandade, e cresceu rapidamente tanto em membros
quanto em poder; seus membros estavam entre as mais
qualificadas unidades de combate nas Cruzadas e os
membros não combatentes da ordem geriam uma vasta
infraestrutura econômica, inovando em técnicas
financeiras que constituíam o embrião de um
sistema bancário, e erguendo muitas fortificações por toda
a Europa e a Terra Santa.
Em 14 de outubro de 1229, o papa Gregório IX emitiu
a bula, Ipsa nos cogit pietas, dirigida ao grão-mestre e aos
cavaleiros da Ordem do Templo que os isenta de pagar
o dízimo para as despesas da Terra Santa, atendendo "à
guerra contínua que sustentavam contra os infiéis,
arriscando a vida e a fazenda pela fé e amor de Cristo".
Um contemporâneo (Jacques de Vitry) descreve os
templários como "leões de guerra e cordeiros no lar; rudes
cavaleiros no campo de batalha, monges piedosos na
capela; temidos pelos inimigos de Cristo, a suavidade para
com Seus amigos".
Levando uma forma de vida austera, os templários não
tinham medo de morrer para defender os cristãos que iam
89

a peregrinação à Terra Santa. Como exército, nunca foram


muito numerosos: aproximadamente não passavam de 400
cavaleiros em Jerusalém no auge da Ordem. Mesmo assim,
foram conhecidos como o terror dos muçulmanos.
Quando presos, rechaçavam com desprezo a liberdade
oferecida em troco da apostasia, permanecendo fiéis à fé
cristã.
A Regra Templária
Um cavaleiro templário é verdadeiramente um
cavaleiro destemido e seguro de todos os
lados, para sua alma, é protegida pela
armadura da fé, assim como seu corpo está
protegido pela armadura de aço. Ele é,
portanto, duplamente armado e sem ter a
necessidade de medos de demônios e nem de
homens.

Bernard de Clairvaux, c. 1135, De Laude


Novae Militae—In Praise of the New
Knighthood

A regra dessa ordem religiosa de monges guerreiros


(militar) foi escrita por São Bernardo. A sua divisa foi
extraída do livro dos Salmos: "Non nobis Domine, non
nobis, sed nomini tuo ad gloriam" (Slm. 115:1 - Vulgata
Latina) que significa "Não a nós, Senhor, não a nós, mas
pela Glória de teu nome" (tradução Almeida). A regra
dividia-se em 72 capítulos distribuídos em sete seções: I- A
regra primitiva; II- Os estatutos hierárquicos; III-
Penitências; IV- Vida Monástica; V- Capítulos comuns;
VI- Maiores detalhes de penitências e VII- Recepção na
Ordem.
A regra era bem típica de uma sociedade feudal, entre
algumas regras estavam que a admissão de novos
90

candidatos seria aprovada pelo bispo local, abster-se de


carne às quartas-feiras e algumas curiosas, como dois
cavaleiros deveriam comer do mesmo prato. Oficialmente,
como consta na regra templária, o termo correto para
designar o maior superior hierárquico era Mestre do
Templo e não grão-mestre, como lhe é referido nos dias
atuais.
Para ser admitido como cavaleiro, o postulante deveria ser
cristão, conhecer a regra templária (antes mesmo de ser
admitido), jurar viver em castidade e pobreza e ser
obediente ao mestre do templo. A iniciação se dava com
uma cerimônia religiosa realizada por um dos padres da
ordem.
Primeiras batalhas
Os Templários "estreiam" oficialmente em campo de
batalha no ano de 1129, quando tiveram que intervir em
um ataque ao Rei Balduíno II em sua ida a Damasco. Em
1138, os Templários são derrotados pelos turcos na cidade
de Tecoa, onde nasceu o profeta bíblico Amós, em uma
infrutífera tentativa de tomá-la dos turcos. Outra derrota
se deu na fracassada tentativa de invasão à cidade
de Ascalão, no ano de 1153, quando 14 cavaleiros foram
cercados e mortos pelos turcos.
Em 1166, tropas do rei de Alepo, invadiram uma fortaleza
templária na Transjordânia. Em 1168, o rei Amalrico I de
Jerusalém convocou um exército para invadir o Egito,
contudo os Templários recusaram tal empreitada alegando
que não havia razões para que se procedesse à invasão.
Em 25 de novembro de 1177, os Templários travam, contra
o exército de Saladino, a batalha de
Montgisard (livremente abordada em diversas formas de
arte, como nos filmes Kingdom of Heaven e Arn; no
livro The Leper King, Santo Sepulcro em português, de
Zofia Kossak). A partir de Montigisard, diversas batalhas
ocorrem ano após ano, como o ataque a uma caravana
muçulmana em 1182, a batalha de Tubaniya em 1183, a
91

de Al Karak em 1184, até que aos 4 dias de julho de 1187


ocorre a batalha de Hattin, na qual 30 mil cruzados
enfrentam 60 mil muçulmanos e perdem não só a batalha
como também Jerusalém.
Três décadas mais tarde, em 1219, aproveitando-se do
enfraquecimento dos exércitos de Saladino em vista do
crescimento do exército Mongol, os cruzados conseguem
tomar Damieta, no Egito. Contudo, a falta de união entre
as três grandes ordens dos cruzados (Templários,
Hospitalários e Teutônicos) impossibilitou alianças e as
tropas se retiraram meses depois.
Crescimento da ordem e a perda de sua missão
Com o passar do tempo, a Ordem do Templo ficou
riquíssima e muito poderosa: receberam várias doações de
terras na Europa. Entre algumas doações estão a herança
do rei Afonso I de Aragão que, por não possuir herdeiro do
sexo masculino, deixou todos seus bens às ordens de
cavalaria (Templários, Hospitalários e do Santo Sepulcro)
e a floresta de Cera com o Castelo de Soure, doados pela
Rainha de Portugal, Teresa de Leão, com a condição de
que expulsassem os sarracenos do país.
Além das doações de seculares à ordem, os Templários
também recebiam constantes benesses do Papado:

 1139: Bula Omne datum optimum: a Ordem é oficialmente


reconhecida pela Igreja Católica e lhe dá proteção;
 1144: Bula Milites templi: os cristãos são incentivados a
doar bens à Ordem;
 1145: Bula Milícia Dei: aumenta a autonomia da Ordem
junto à Igreja;
 1198: Bula Dilecti filli nostri: garantia à Ordem a fruição
completa das doações que recebiam.
 1212: Bula Cum dilectis filiis: reafirma a bula Dilecti filli
nostri.
 1229: Bula Ipsa nos cogit pietas: isenta a Ordem do
pagamento do dízimo da defesa da Terra Santa.
92

Mas não só de doações vivia a Ordem, os templários


usavam as propriedades que lhes eram doadas para
plantar trigo, cevada e criar animais. Assim a subsistência
dos cavaleiros se dava com a venda de trigo,
cevada, lã de carneiro, carne de bovinos e queijo feito com
leite dos animais criados nas propriedades templárias.
Também começaram a ser admitidas na ordem, devido à
necessidade de contingente, pessoas que não atendiam aos
critérios que eram levados em conta no início. Logo, o
fervor cristão, a vida austera e a vontade de defender os
cristãos da morte deixaram de ser as motivações principais
dos cavaleiros templários. Nesse diapasão, Bernardo de
Claraval, em seu De laude novæ militiæ, divide a Ordem
em dois grupos: militia, que são os cavaleiros cristãos
comprometidos com as motivações iniciais da ordem,
e malitia, pessoas que buscavam apenas reconhecimento
e status por pertencer à ordem.
A Ordem em Portugal
A Ordem do Templo chegou ao Condado
Portucalense ainda à época de Teresa de Leão, condessa
de Portugal, que lhe fez a doação da vila de Fonte Arcada,
atual concelho de Penafiel, anteriormente a 1126. Em
1127, a condessa fez-lhe a doação do Castelo de Soure, na
linha do rio Mondego, sob o compromisso de colaborar na
conquista de terras aos Muçulmanos. No reinado
de Afonso I de Portugal (1143-1185), a ordem recebeu a
doação do Castelo de Longroiva (1145), na linha do rio
Côa. Pouco depois os cavaleiros da ordem apoiaram o
soberano na conquista de Santarém (1147) ficando sob-
responsabilidade da Ordem a defesa do território entre o
rio Mondego e o rio Tejo, a montante de Santarém. A
partir de 1160, a ordem estabeleceu a sua sede no país
em Tomar. O processo de extinção da ordem no país
iniciou-se com a recepção da bula "Regnans in coelis",
datada de 12 de agosto de 1308, através da qual o
papa Clemente V deu conhecimento aos monarcas cristãos
93

do processo movido contra os seus membros.


Posteriormente, pela bula "Callidi serpentis vigil", datada
de dezembro de 1310, o pontífice decretou a detenção dos
mesmos. Dinis I de Portugal (1279-1325), a partir de 1310
procurou evitar a transferência do património da ordem no
país para a Ordem de São João do Hospital, vindo a obter,
do Papa João XXII a bula "Ad ae exquibus", expedida em
15 de março de 1319, pela qual era aprovada a
constituição da "Ordo Militiae Jesu Christi" (Ordem da
Milícia de Jesus Cristo), à qual foram atribuídos os bens
da extinta ordem no país. A nova ordem, após uma curta
passagem por Castro Marim, veio a sediar-se também em
Tomar.
O Julgamento dos Templários

Não é de supor que a Ordem do Templo tenha


surgido totalmente armada, como Palas-
Atena, da cabeça de Hugo de Payens, ou tenha
sido o fruto de qualquer inteligência humana
individual. A função oficial dos templários,
por eles professada, tinha por certo surgido
das Cruzadas; mas está claro que já existia
uma série de funções especiais que só esta
Ordem poderia realizar. A interação entre a
mais elevada espiritualidade cristã e a mais
elevada espiritualidade islâmica (sufismo)
na Alta Idade Média exigia uma ordem
soberana, acima de reis e bispos, não sujeita à
legislação comum ou mesmo a interditos e
excomunhões, e capaz, quando necessário, de
se pôr de parte em relação a ambas as
civilizações, para agir como mediadora ou
árbitro entre elas.

Angus Macnab, Spain under the Crescent


Moon[35]
94

As derrotas sofridas pela ordem reforçaram a ideia, nos


altos escalões do clero, de que os templários já não
cumpriam sua missão de liberar e proteger os caminhos
para Jerusalém. A principal derrota aconteceu em 1291,
quando os muçulmanos conquistaram São João de Acre, a
última cidade cristã na Terra Santa . Antes de tal ocorrido,
o rei Filipe IV de França havia solicitado sua entrada na
ordem, porém, não foi aceito por se recusar a abdicar de
suas riquezas e poderes, a partir desse momento começou
sua perseguição à Ordem do Templo acusando-os
de heresia.
A ordem de prisão foi redigida em 14 de setembro de 1307
no dia da exaltação da Santa Cruz, e no dia 13 de outubro
de 1307 (uma sexta-feira), todos os cavaleiros que estavam
em território francês são detidos.
Após a tomada de Acre pelos muçulmanos em 1291, os
Templários se estabeleceram no Reino do Chipre, em 1306
depuseram o rei Henrique II e elegeram um cavaleiro
como novo monarca, Amalrico de Tiro. Contudo, Amalrico
foi assassinado e, em 1310, Henrique II voltou ao poder e
expulsou os templários de Chipre, queimando o convento
no qual os cavaleiros haviam se estabelecido.
Com a expulsão de Chipre, a ordem de prisão emitida na
Europa e a Terra Santa tomada pelos muçulmanos, Tiago
de Molay, em sua prisão, apresentara ao papa Clemente V
um novo plano de tomada da Terra Santa. Contudo, já
estava decidido que a função militar não tinha mais razão
de ser e o pontífice tentava, sem sucesso, convencer o rei
Filipe, o Belo, a apenas remodelar a Ordem.
Entre 19 de outubro e 24 de novembro de 1307, 138
prisioneiros templários foram interrogados em Paris. Em
uma carta do papa Clemente V ao rei Filipe, datada de 27
de outubro de 1307, deixa a entender os protestos do
pontífice para com os meios pelos quais os cavaleiros eram
interrogados e as confissões lhe eram arrancadas.
95

Em 22 de novembro de 1307, pela bula Pastoralis


præminentiæ o papa Clemente V recomenda a prisão dos
Templários em outros estados da Europa.
A partir de 1310, a Igreja institui sua própria investigação
sobre a Ordem, na qual chegaram a depor 573 cavaleiros.
Todos em defesa da Ordem e afirmando que as confissões
foram arrancadas no tribunal francês por meios de
tortura. Em 16 de outubro de 1311, o papa Clemente V
abre o Concílio de Vienne afirmando que, com base nos
inquéritos eclesiásticos, bem como nos inquéritos civis,
não havia fato palpável de culpabilidade.
A Ordem do Templo é extinta em 22 de março de 1312,
pela bula Vox clamantis. O papa Clemente V, através
bula Ad providam de 2 de maio de 1312, transfere todos os
bens templários para os Hospitalários, exceto os de
Portugal, de Castela, de Aragão e de Maiorca, os quais
ficariam na posse interina dos monarcas, até o conselho
decidir qual o seu destino.
No adro da Igreja de Notre-Dame, em Paris, fora instalado
um cadafalso, para no dia 18 de março de 1314 anunciar a
sentença de prisão perpétua aos cavaleiros Tiago de
Molay, Hughes de Pairaud, Geoffroy de Charnay e
Geoffroy de Gonneville. Em meio ao anúncio da sentença,
De Molay e Geoffroy de Charnay levantaram-se bradando
sua inocência e a de todos os Templários, que todos os
crimes e geresias a eles atribuídos foram inventados. No
mesmo dia, armou-se uma fogueira próxima ao jardim do
palácio onde foram queimados Tiago de Molay e Geoffroy
de Charnay.
Da sentença do papa Clemente V aos nossos dias
O chamado "Pergaminho de Chinon" ao declarar que
Clemente V pretendia absolver a ordem das acusações de
heresia, e que poderia ter dado eventualmente a absolvição
ao último grão-mestre, Jacques de Molay, e aos demais
cavaleiros, suscitou a reação da monarquia francesa, de
tal forma que obrigou o papa Clemente V a uma discussão
96

ambígua, sancionada em 1312, durante o Concílio de


Vienne, pela bula Vox in excelso, a qual declarava que o
processo não havia comprovado a acusação de heresia,
contudo afirma que, pelo bem da Igreja, a Ordem deveria
ser suprimida ou remodelada.
Após a descoberta nos arquivos do Vaticano, da ata de
Chinon, assinada por quatro cardeais, declarando a
vontade de dar a inocência dos templários, sete séculos
após o processo, o mesmo foi recordado em uma cerimónia
realizada no Vaticano, a 25 de outubro de 2007, na Sala
Vecchia do Sínodo, na presença de monsenhor Raffaele
Farina, arquivista bibliotecário da Santa Igreja Romana,
de monsenhor Sergio Pagano, prefeito do Arquivo Secreto
do Vaticano, de Marco Maiorino, oficial do arquivo, de
Franco Cardini, medievalista, de Valerio Manfred,
arqueólogo e escritor, e da escritora Barbara Frale,
descobridora do pergaminho e autora do livro "Os
templários".
Os cavaleiros templários, enquanto ordem
simultaneamente militar e monástica, ativa e
contemplativa, tinha como missão original levar a Terra
Santa ao controle cristão, mas, como aponta o historiador
brasileiro das religiões Mateus Soares de
[46]
Azevedo durante os séculos XII e XIII os templários
tiveram um importante papel na criação de um clima de
respeito pela erudição e espiritualidade da cultura
islâmica, tanto na Europa como na Terra Santa. Eles
perceberam o terreno comum que havia entre as camadas
mais profundas das civilizações cristã e muçulmana.
Lendas e relíquias
A destruição do arquivo central dos Templários (que
estava na Ilha de Chipre) em 1571 pelos otomanos, tornou-
se o principal motivo da pequena quantidade de
informações disponíveis e da quantidade enorme de lendas
e versões sobre sua história.
97

Os Templários tornaram-se, assim, associados a lendas


sobre segredos e mistérios, e mais rumores foram
adicionados nos romances de ficção populares,
como Ivanhoe, Pêndulo de Foucault, e O Código Da Vinci,
filmes modernos, tais como "A Lenda do Tesouro Perdido"
e Indiana Jones e a Última Cruzada, bem como jogos de
vídeo, como Broken Sword e Assassin's Creed.
Uma das versões faz ligação entre os Templários e uma
das mais influentes e famosas sociedades secretas,
a Maçonaria. Contudo a mesma é fundada apenas em
1717, quatro séculos após o fim dos Templários,
na Inglaterra.
Historiadores acreditam na separação dos templários
quando a perseguição na França foi declarada. Um dos
lugares prováveis para refúgio teria sido a Escócia, onde
apenas dois Templários haviam sido presos e ambos eram
ingleses. Embora os cavaleiros estivessem em território
seguro, sempre havia o medo de serem descobertos e
considerados novamente como traidores. Por isso teriam
se valido de seus conhecimentos da arquitetura sagrada e
assumiram um novo disfarce para fazerem parte da
maçonaria.
A associação dos Templários a sociedades secretas ou
práticas alquímicas ou de bruxaria se deve à lenda de que
era quase uma ordem secreta, totalmente hermética na
qual ninguém de fora tinha acesso, quando, na verdade,
era o oposto, abriam suas igrejas e oratórios aos
moradores locais onde se estabeleciam e acolhiam
peregrinos em suas casas e conventos.
Muitas das lendas dos templários estão relacionadas com
a ocupação precoce pela ordem do Templo em Jerusalém e
da especulação sobre as relíquias que os templários podem
ter encontrado lá, como o Santo Graal ou a Arca da
Aliança. No entanto, nos extensos documentos da
inquisição dos templários nunca houve uma única menção
de qualquer coisa como uma relíquia do Graal, e muito
98

menos a sua posse, por parte dos templários. Na realidade,


a maioria dos estudiosos concorda que a história do Graal
é apenas uma ficção que começou a circular na época
medieval.
O tema das relíquias também surgiu durante
a Inquisição dos templários, pois documentos diversos do
julgamento referem-se à adoração de um ídolo de algum
tipo, referido em alguns casos, um gato, uma cabeça
barbada, ou, em alguns casos, a Baphomet. Essa acusação
de idolatria contra os templários também levou à crença
moderna por alguns de que os templários
praticavam bruxaria. Contudo, segundo historiadores, a
cabeça barbada nada mais era quem um manto com o
rosto de Jesus Cristo.
Ao líder templário, Tiago de Molay, é imputada a maldição
da Sexta-Feira 13, que ao ser queimado na fogueira teria
amaldiçoado a data. Contudo, não há qualquer documento
ou registro de tal maldição, além do que, De Molay, e mais
3 líderes templários, foram queimados no dia 18 de março
de 1314, e não dia 13. Tal crença se origina com a morte
de seus executores no mesmo ano da morte de Molay; do
papa Clemente V em 20 de Abril de 1314 e de Filipe IV de
França em 29 de novembro.
Além de possuir riquezas (ainda hoje procuradas) e uma
enorme quantidade de terras na Europa, a Ordem dos
Templários possuía uma grande esquadra. Os cavaleiros,
além de temidos guerreiros em terra, eram também exímios
navegadores e utilizavam sua frota para deslocamentos e
negócios com várias nações.
Devido ao grande número de membros da ordem, apenas
uma parte dos cavaleiros foram aprisionados (a maioria
francesa). Os cavaleiros de outras nacionalidades não
foram aprisionados e isso hes possibilitou refugiarem-se
em outros países. Segundo alguns historiadores, alguns
cavaleiros foram para Escócia, Suíça, Portugal e até mais
distante, usando seus navios. Muitos deles mudaram seus
99

nomes e se instalaram em países diferentes, para evitar


uma perseguição do rei e da Igreja.
O desaparecimento da esquadra é outro grande mistério.
No dia seguinte ao aprisionamento dos cavaleiros
franceses, toda a esquadra zarpou durante a noite,
desaparecendo sem deixar registros. Por essa mesma data,
o rei português D. Dinis nomeava o primeiro almirante
português de que há memória, apesar de Portugal não ter
armada; por outro lado, D. Dinis evitava entregar os bens
dos templários à Igreja e consegue criar uma nova Ordem
de Cristo com base na Ordem Templária, adotando por
símbolo uma adaptação da cruz orbicular templária,
levantando a dúvida de que planeava apoderar-se da
armada templária para si.
Um dado interessante relativo aos cavaleiros que teriam se
dirigido para a Suíça, é que antes desta época não há
registros de existência do famoso sistema bancário daquele
país, até hoje utilizado e também discutido. Como é sabido,
no auge de sua formação, os cavaleiros da ordem
desenvolveram um sistema de empréstimos, linhas de
crédito, depósitos de riquezas que na sua época já se
assemelhava bastante aos bancos de hoje. É possível que
tenham sido os cavaleiros que se refugiaram na Suíça que
implantaram o sistema bancário no lugar e que até hoje é
a principal atividade do país.”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Templ%C3%A1
rios)
[10]
“Jacques de Molay, por vezes também chamado Tiago de
Molay, (em latim: Iacobus Burgundus;
em francês: Jacques de Molay; [Pronúncia: (ʒak də molɛ)
Jak Demolé]; Molay, 1244 — Paris, 18 de março de 1314)
foi um nobre, militar, cavaleiro e o último grão-
mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários. Nascido
100

em Molay, pertencia a uma família da pequena nobreza


francesa. É hoje o patrono da Ordem DeMolay.

Biografia
Nascido em Molay, comuna francesa atualmente
localizada no departamento de Alto Sona, França, embora
à época o vilarejo pertencesse ao Condado da Borgonha.
Muito pouco se sabe sobre sua infância e adolescência;
aos seus 21 anos de idade, como muitos filhos da
nobreza europeia, de Molay entrou para a Ordem dos
Cavaleiros Templários (organização sancionada
pela Igreja Católica para proteger as estradas
entre Jerusalém e Acre - importante porto no mar
Mediterrâneo).
Nobres de toda a Europa enviavam os filhos para serem
cavaleiros templários, e isso fez com que a Ordem
passasse a ser muito rica e popular em todo o continente
europeu e Oriente Médio.
Em 1298, Jacques de Molay foi nomeado grão-mestre dos
templários (assumiu o cargo após a morte de seu
antecessor, Teobaldo Gaudin), uma posição de poder e
prestígio. Mas passou por uma difícil situação:
as Cruzadas não estavam atingindo seus objetivos.
O anticristianismo sarraceno derrotou as Cruzadas em
batalhas, capturando algumas cidades e portos vitais dos
cavaleiros templários e dos hospitalários (outra ordem de
cavalaria). Restou apenas um único grupo do confronto
contra os sarracenos.
Os templários resolveram, então, se reorganizar e
readquirir sua força. Viajaram para a ilha de Chipre,
esperando que a população se levantasse em apoio à outra
Cruzada. Em vez de apoio público, os cavaleiros atraíram
a atenção dos poderosos senhores feudais, muito deles seus
parentes, pois para se entrar na ordem teria de se
pertencer à nobreza.
101

Em 1305, o rei da França Filipe IV, o Belo (r. 1285–


1314) resolveu obter o controle dos templários para
impedir a ascensão da ordem no poder da Igreja Católica.
O rei era amigo de Jacques de Molay devido ao parentesco
deles; o delfim Carlos, mais tarde Carlos IV (r. 1322–
1328), afilhado de Jacques. Mesmo sendo seu amigo, o rei
de França tentou juntar a ordem dos Templários e a dos
Hospitalários, pois sentiu que as duas formavam uma
grande potência econômica e sabia que a Ordem dos
Templários possuía várias propriedades e outros tipos de
riqueza.
Sem obter o sucesso desejado, de juntar as duas ordens e
se tornar um líder absoluto, o então rei de França armou
um plano para acabar com a Ordem dos Templários.
Chamou o nobre francês Esquino de Floyran com a missão
de denegrir a imagem dos templários e de seu grão-mestre,
e como recompensa receberia terras pertencentes aos
templários logo após derrubá-los. O ano de 1307 marcou o
começo da perseguição aos cavaleiros. Apesar de possuir
um exército com cerca de 15 000 homens, Jacques foi a
França para o funeral de um membro feminino da realeza
francesa e levou consigo alguns cavaleiros. Onde foram
capturados na madrugada de 13 de outubro por Guilherme
de Nogaret, homem de confiança do rei Filipe IV.
Durante sete anos, Jacques de Molay e os cavaleiros
aprisionados na masmorra sofreram torturas e viveram em
condições subumanas. Enquanto isso, Filipe IV gerenciava
as forças do papa Clemente V (1305–1314) para condenar
os templários e suas riquezas e propriedades foram
confiscadas e dadas à proteção do rei. Mesmo após três
julgamentos Jacques continuou sendo leal com seus
amigos e cavaleiros, recusando-se a revelar o local das
riquezas da Ordem e denunciar seus companheiros.
Em 18 de março de 1314, de Molay foi levado à Corte
Especial. Como evidências, a corte dependia de confissões
forjadas, supostamente assinadas pelo grão-mestre.
102

Desmentiu as confissões, sob as leis da época a pena por


desmentir era a morte.
Foi julgado pelo Papa Clemente V, e assim como Jacques
de Molay o cavaleiro Guido de Auvérnia desmentiu sua
confissão e ambos foram condenados. Filipe IV ordenou
que ambos fossem queimados naquele mesmo dia. Durante
sua morte na fogueira intimou aos seus três algozes, a
comparecer diante do tribunal de Deus, amaldiçoando os
descendentes do então rei de França.
Grão-mestrado
Jacques de Molay assume o grão-mestrado da ordem em
1298, não se sabendo, no entanto a data exata da sua
eleição. Eleito em detrimento de outra figura de peso
dentro da ordem, Hugo de Pairaud, sobrinho do visitador
do templo em França.
O inicio do seu mestrado é marcado pela ação a favor de
uma nova cruzada, desenvolvendo uma
campanha diplomática na França, Catalunha, Inglaterra,
nos estados da península Itálica e nos Estados Pontifícios.
Esta campanha visou não só resolver problemas internos
da ordem, problemas locais, como disputas entre a ordem
e bispos, e também pressionar as coroas e a igreja a uma
nova cruzada.
Organizou a partir da ilha de Chipre ataques contra as
costas egípcias e síria para enfraquecer os mamelucos,
providenciando apoio logístico e armado ao Reino
Arménio da Cilícia, e também intentou uma aliança com
o Canato da Pérsia, sem resultados visíveis.
Outro assunto discutido durante o seu mestrado foi a fusão
entre as duas maiores ordens militares, a dos Templários e
a dos Hospitalários. A Ordem do Templo com a perda
de Acre começava a ser questionada quanto à razão da sua
existência. As suas funções de proteger os peregrinos e de
defender a Terra Santa tinham cessado quando se
retiraram para a ilha de Chipre. Em maio de 1307
103

em Poitiers, Jacques de Molay junto do papa Clemente


V apresentou uma defesa contra a fusão e ela não se
realiza.
A prisão e o processo
Dia 13 de outubro de 1307 no reino da França,
os templários foram presos em massa por ordem de Filipe
IV, o rei de França. O grão-mestre Jacques de Molay é
capturado em Paris. Imediatamente após a
prisão, Guilherme de Nogaret proclama publicamente nos
jardins do palácio real em Paris as acusações contra a
ordem.
Esta manobra régia impedira o inquérito pontifício pedido
pelo próprio grão-mestre, o qual interno à Igreja, discreto
e desenvolvido com base no direito canônico, emendaria a
ordem das suas faltas promovendo a sua reforma interna.
A prisão, as torturas, as confissões do grão-mestre (De
Molay nunca confessou as acusações como menciona
anteriormente), criam um conflito diplomático com a Santa
Sé, sendo o papa o único com autoridade para efetuar esta
ação. Depois de uma guerra diplomática face ao processo
instaurado contra a ordem entre Filipe, o Belo e Clemente
V, chegam a um impasse, pois estando o grão-mestre e
o preceptor da Normandia, Godofredo de Charnay sob
custódia dos agentes do rei, estão no entanto protegidos
pela imunidade sancionada pelo papa e absolvidos não
podendo ser considerados heréticos.
Em 1314, o rei pressiona para uma decisão relativa à sorte
dos prisioneiros. Já num estado terminal da sua doença,
com violentas hemorragias internas que o impedem de sair
do leito, Clemente V ordena que uma comissão de bispos
trate da questão. As suas ordens seriam a salvação dos
prisioneiros ficando estes num regime de prisão perpétua
sob custódia apostólica e assegurando ao rei que a temida
recuperação da ordem não será efetuada. Perante a
comissão, Jacques de Molay e Godofredo de Charnay
proclamam a inocência de toda a ordem face às acusações
104

dirigidas a ela, a comissão para o processo e decide


consultar a vontade do papa neste assunto.
Ao ver que o processo estava ficando fora do seu controle
e estando a absolvição da ordem ainda pendente, Filipe IV,
o belo, decide um golpe de mão para que a questão
templária fosse terminada. Ordena o rapto de Jacques de
Molay e de Geoffroy de Charnay, então sob a custódia da
comissão de bispos, e ordena que sejam queimados numa
fogueira na Île de la Cité, pouco depois das vésperas, em
18 de março de 1314.
Com isso Jacques de Molay passou a ser conhecido como
um símbolo de lealdade e companheirismo, pois preferiu
morrer a entregar seus companheiros ou faltar com seu
juramento.
Teatro e cinema
No cinema o ator francês Gerard Depardieu interpretou
De Molay no filme Os Reis Malditos (2005).
No teatro, o ator brasileiro John Vaz interpretou De Molay
no espetáculo Jacques de Molay: O Fim da Ordem do
Templo, em turnê pelo Brasil.”
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_de_Molay)

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