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Campus do Pici /

Universidade Federal
do Ceará

Fortaleza / Ceará

COMPLEXO INDUSTRIAL E PORTUÁRIO DO PECÉM: CONFLITOS


SOCIOAMBIENTAIS E ORGANIZAÇÃO POPULAR

Iara Vanessa Fraga de Santana 1


Erivan Silva Camelo 2
Wanessa Maria Costa Cavalcante Brandão 3

Resumo: O relato seguinte partilha momentos de (re) aproximação de comunidades


impactadas com a ampliação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP)
no município de São Gonçalo do Amarante, Ceará. Anteriormente, (2008)
acompanhávamos e contribuíamos a partir do Grupo de Resistência Ambiental por
Outra (s) Sociabilidade (s) – GRÃOS com o processo de resistência das
comunidades, em especial as indígenas Anacé, à implantação da termoelétrica.
Após dez anos, o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) retoma
um processo de contribuição na organização política das comunidades do entorno
do CIPP, mas desta vez com a termoelétrica e a siderúrgica funcionando a todo
vapor e, a partir de então estamos contribuindo na organização, formação, luta e
resistência. A relação com a Residência Integrada em Saúde facilitou a
reaproximação com a comunidade, e, a visão sobre os vetores, tais como, escassez
hídrica, fumaça das chaminés da Termelétrica e da poeira carregada de pequenas
partículas de ferro da Siderúrgica que caem sobre as casas das famílias.

Palavras-chave: Conflito Socioambiental; Organização Popular; Mineração.

Apresentação

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP compõe uma das


principais ações do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Ceará dos anos de
1995 a 1998, integrando a nível nacional os programas “Brasil em Ação” e “Avança
Brasil”. Abrange áreas dos municípios cearenses de São Gonçalo do Amarante e
Caucaia declaradas de utilidade pública para fins de desapropriação por meio do
Decreto Estadual Nº 28.883/2007 de acordo com a publicação da Assembleia
Legislativa do Estado do Ceará intitulada “Pacto Pelo Pecém: iniciando o diálogo”.
1
Doutoranda em Serviço Social pela Universidade Federal de Pernambuco.
iarafragas@yahoo.com
2
Mestrando em Geografia pela UEVA/Sobral, militante do MAM. erivancs05@gmail.com
3
Assistente Social, Residente na Escola de Saúde Pública do Ceará a partir da ênfase
Saúde da família e Comunidade em São Gonçalo do Amarante (turma IV 2017-2019).
wmccb.servicosocial@gmail.com.br
O CIPP é composto dentre as diversas indústrias de base, de transformação,
pelo terminal portuário, termoelétrica que funciona a carvão mineral e siderúrgica.
Esse foi desenvolvido numa região que outrora era ocupada por comunidade de
pescadores, camponesas e indígenas.
As primeiras populações desterritorializadas foram as pescadoras quando da
construção do Porto do Pecém no início dos anos 2000. Em seguida outras
indústrias foram se instalando na região como a Wobben Windpower Indústria e
Comércio Ltda, fabricante de aerogeradores (turbinas eólicas).
Em 2008 se iniciou o processo de implantação da Termoelétrica que à época
seu principal acionista era o empresário Eike Batista. Foi neste período que o Grupo
de Resistência Ambiental por Outra Sociabilidade (GRÃOS) se aproximou das
comunidades indígenas Anacé através do Núcleo Tramas (Universidade Federal do
Ceará) e da Pastoral do Migrante.
Compúnhamos a Comissão da Terra junto com as comunidades e outras
entidades. Realizávamos trabalho de base para fortalecimento comunitário e
organização política, bem como a produção de documentários e dossiês de
denúncias, assim como articulações com a universidade e como outros povos
indígenas do Estado.
Essa luta de resistência contra a implementação da Termelétrica durou até
parte da comunidade indígena negociar sua terra, seu território com o governo do
Estado, entre os anos de 2011 e 2012. Neste período o GRÃOS se afastou dos
processos organizativos das comunidades. Reaproximamos neste ano de 2018 na
ocasião da inauguração da Reserva Indígena Taba dos Anacé, a primeira do Ceará.
Passados 10 (dez) anos, parte das (os) Anacé foram realocados (as) na reserva.
Mas outras famílias decidiram permanecer na região.
Foi tomando conhecimento disso e de demandas básicas para sobrevivência,
que o MAM passou a caminhar por esses territórios, considerando que o fluxo
minerário do Estado entra e sai pelo CIPP. O MAM nasceu em 2012 a partir da
realidade conflituosa entre mineradoras e territórios camponeses no Estado do Pará,
principalmente depois do “Boom das commodities” 4 em 2008 que acirrou ainda mais
4
O aumento expressivo da extração de minérios no território brasileiro depois de 2008 ficou
conhecido como período de superciclo ou “boom das commodities” que se deu principalmente por
dois motivos: o primeiro, pelo alto consumo mundial de importação de ferro pela China, que no ano
2000 se encontrava no patamar de 150 milhões de toneladas das importações globais e somente o
Brasil exportou para China em 2014 cerca de 152,88 milhões de toneladas de minério de ferro, o que
correspondeu a 52% da exportação brasileira de commodities. o segundo motivo foi a política de
os conflitos entre mineradoras e territórios. Concomitantemente outros Estados e
logo também o Ceará começa a construção do movimento a partir do conflito entre
mineradoras (que querem licença para extrair urânio e fosfato) e territórios
camponeses no município de Santa Quitéria e depois se espalha para outras
regiões. A chegada do MAM no Pecém está pautada pela necessidade da reflexão
sobre a Industria da Mineração (que está ligada a siderurgia e a termelétrica),
fortalecimento do território que desde sempre resiste o processo de avanço do
capital e, conta com o apoio de militantes outrora do GRÃOS e agora contribuindo
ativamente na construção do movimento.
Já a aproximação com a Residência Integrada em Saúde da Escola de Saúde
Pública do Ceará a partir da Ênfase Saúde da Família e Comunidade, ocorreu
através da lotação da equipe multiprofissional (Serviço Social, Psicologia, Nutrição e
Fisioterapia) no ponto de Apoio do Bolso, sendo este, considerado micro área da
Unidade Básica de Saúde de Acende Candeia, onde ocorrem atendimentos apenas
duas vezes na semana, pela mesma equipe de referência. Esta atende as quase
duzentas famílias residentes nas 15 localidades do Município de São Gonçalo do
Amante que o Ponto de Apoio abrange (Bolso Centro, Chaves, Gregório, Camará,
Gereraú, Córrego dos Tocos, Bom Jesus, Madeiro, Padre Holanda, Campo Grande,
Tabuleiro, Lagoa Seca, Girau, São Roque e Oiticicas).
Percebemos através da territorialização, da aproximação com as vivências da
comunidade e dentro dos processos de trabalho, a intensa expropriação da
subjetividade da comunidade, no que diz respeito a sua etnia e origem regional, seu
potencial de organização e de enfrentamento ao grande capital, porém, frente
valorização do seu território/habitação, várias ações de enfrentamento e resistências
tem sido percebidas nas experiências que estão ocorrendo ali.

Desenvolvimento

Neste ano corrente iniciamos reaproximação das comunidades que


permaneceram nos seus territórios. Chegou ao MAM a informação de que a Unidade
Básica de Saúde – UBS de Bolso, estava a dois anos sem água e energia. Em razão

crescimento econômico baseada na reprimarização da economia, que deu ênfase a fortes


investimentos em bens primários, mas do que nos beneficiados e industrializados MAM (2017).
disso procedimentos ambulatoriais e consultas médicas com qualidade não estavam
acontecendo neste posto de saúde.
Em nossa primeira conversa com algumas pessoas da comunidade
questionávamos: Como a UBS estava há dois anos sem água e energia, numa
região que produz energia e que consome milhares de litros de água por dia? As
pessoas, em sua maioria senhoras, nascidas e criadas naquele lugar, ficavam
algumas caladas, como que sem acreditar em tamanha contradição. Outras
demonstravam indignação e listavam em suas falas uma série de tantas outras
contradições trazidas pelo complexo.
A partir de uma articulação com o Escritório Frei Tito de Alencar de Direitos
Humanos – EFTA, vinculado à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará,
conseguimos com uma importante incidência do EFTA que as comunidades
voltassem a ter água e luz no posto de saúde.
No nosso segundo encontro as pessoas trouxeram o problema do trânsito de
caminhões em época de “safra do carvão mineral” quando os navios chegam
carregados no porto. Além da poeira constante nas casas algumas senhoras
relataram os motoristas que lavavam as caçambas nas comunidades ou que
deixavam cair carvão mineral no trajeto.
Estivemos noutra vez dialogando sobre a importância da organização
comunitária e o que mais nos chama atenção é a certeza que aquelas pessoas têm
de que é possível viver em meio àquele complexo. Todas as falas não trazem a
possibilidade de saída do local como fizeram os Anacé e outras comunidades, como
Tapuios, Padre Holanda, Gregórios, etc.
Também conversamos com algumas pessoas do Assentamento Parada que
acolheu pessoas de comunidades atingidas pela siderúrgica e outras indústrias de
base do CIPP, mas permaneceram sofrendo os impactos do complexo. Esse
reassentamento fica a poucos quilômetros de distância da Termoelétrica e sequer
receberam titulação da terra pelo Estado.
Lá os (as) moradores relataram que além da poeira de cor preta que cai
constantemente sobre as casas, existe uma incidência muito grande de doenças
respiratórias e de pele. E, depois da instalação da termelétrica e siderúrgica sentem
sempre no mesmo horário um odor insuportável assemelhado à enxofre. Da
comunidade avistamos o funcionamento da empresa a todo vapor e ao anoitecer
conseguimos visualizar com mais nitidez a quantidade de fumaça emitida.
Esses fatores se somam a desativação da Capela local que era espaço de
culto e socialização da vida comunitária, a privatização e aterramento de lagoas que
significavam espaços de lazer e pesca, a falta de segurança, especialmente para as
mulheres, inclusive, tivemos relatos de estupros coletivos e exploração sexual de
adolescentes. As péssimas condições de iluminação e pavimentação inviabilizam a
mobilidade de pedestres e pessoas com deficiência. Ambos se intensificam com a
falta de transporte coletivo, e, ausência extrema de políticas públicas para infância e
juventudes. Somados à baixa resolutividade e acesso aos serviços de saúde, criam
um contexto caótico e multifacetado a ser enfrentado pela comunidade e
profissionais de saúde que ali atuam.
Para o Estado, o CIPP é a porta de entradas e saída da chamada “riqueza” do
Ceará que paralelamente equilibra a balança comercial, quanto para as
comunidades que ali vivem significa a morte da agricultura familiar, do turismo
comunitário, da pesca artesanal e principalmente para o meio ambiente de forma
geral. Para os movimentos sociais e principalmente nós do MAM, significa a
destruição de 24 mil HA de terra onde viviam varias comunidades tradicionais que
conviviam e tiravam o seu sustento a partir de atividades agrícolas e pesqueiras e,
agora se veem diante de uma grande ameaça por não poderem mais produzir
alimentos em detrimento da invasão e do empobrecimento da terra e
consequentemente da escassez de água devido as empresas estarem sugando a
água do subsolo para atividade industrial.
Apenas para a implantação da termelétrica, foram impactadas diretamente
mais de 700 famílias, sendo que 351 se assumem e são reconhecidas pela FUNAI
como indígenas Anacé que viviam da pesca e da agricultura. Para honrar o pacto
com as empresas o governo do estado comprou uma área de 543 hectares no
município de Caucaia e transformou em uma reserva em tempo relâmpago (a
primeira do Ceará), construiu 163 moradias e removeu parte dos indígenas. Mas
outras famílias, incluindo os indígenas que não quiseram ir para a reserva continuam
engolindo fumaça das chaminés e para completar poeira com pequenas partículas
de ferro que caem sobre suas casas. Isso tem causado o conflito entre as
comunidades e as empresas em relação a quem tem de fato possui o direito de
posse da terra como essencial para continuidade da vida.
A Companhia Siderúrgica do Pecém ocupa um terreno de 297 hectares,
consume 1.500 litros de água por segundo, que seria equivalente a um município de
90 mil pessoas em pleno semiárido, e utiliza 180 MW de potência de energia, (que
em sua maioria é produzida por carvão mineral) ou mais de 14% de toda a potência
fornecida aos estados do Ceará e Pernambuco. Nos últimos meses a prefeitura de
São Gonçalo do Amarante juntamente com as empresas forçaram perfurar 35 poços
que seriam para levar água para a termelétrica, mas a comunidade Parada em
parceria com movimentos sociais montou um acampamento de resistência e
denuncia que se os poços forem cavados secarão as cacimbas que provem água
para todo aquele território, principalmente para o consumo humano. O projeto está
embargado por não ter sequer licenças ambientais. Assim, os conflitos
O território no Sistema Único de Saúde (SUS) é concebido como matriz e
matéria prima de trabalho, especialmente a partir da estruturação da regionalização,
hierarquização e descentralização como diretrizes do sistema. A Estratégia de
Saúde da Família (ESF) pauta que as equipes de referência definam a organização
dos processos de trabalho a partir do território, vinculado a descrição de clientela por
micro áreas. Segundo Oliveira; Furlan (2008) os “olhares” para o conceito de
território impactam nos processos de saúde-doença-intervenção, demandando além
de competência técnica, compromisso ético-político no sentido de intervir de forma
comprometida com a população, nas correlações de forças existentes nos
territórios/serviços.
No contexto das Residências Multiprofissionais em Saúde, faz-se necessário
que a categoria profissional esteja ancorada no desenvolvimento das competências
propostas pelos programas, afirmando uma postura política pedagógica
indissociável na relação entre gestores, profissionais e usuários (as) do SUS. Desse
modo é preciso que o:

[...] trabalho esteja atento às refrações da questão social no âmbito dos


processos saúde/doença e às demandas emergentes no cotidiano
profissional, de forma a potencializar a produção e a garantia da saúde
através da defesa e da ampliação de direitos. Adensar as mediações entre
saúde e questão social, tendo como foco de problematização os
determinantes sociais do processo saúde/doença, consiste num dos
principais eixos do trabalho e da formação dos assistentes sociais nas
Residências (CLOSS, p. 47, 2012).

A memória Anacé se faz presente na sociabilidade Amarantina, pensando


assim, à equipe da residência elaborou o Poema: TERRITÓRIO ANACÉ dando
destaque aos protagonistas históricos e culturais do município:
Da praia ao sertão
Trabalho e diversão
Cidade banhada pelas águas da Taba Anacetaba
Vida e luz entre as sombras do terral e carnaubal
São Gonçalo do Amarante
Terra de luta e política popular
Jangadas ao vento
Na esperança e humildade do dia a dia
Em ares de descanso
Do mirante da Taíba às barragens em luar
Na tarrafa as histórias pra contar, construir junto, 'se
achegar!'
Trabalhadora e trabalhador
Entre forasteiros e áreas portuárias...
Vigilância com resistência de classe e demanda popular
Muita renda trouxe pra cidade
Mas tem sujeira vindoura da poluição
E sexo servindo de exploração
No produto do crescimento, estamos de olho!
No sertão, o crochê é minha renda
Meu saber popular...Artesanato em vida e cor
A cultura em união na busca do nosso valor
A canseira nos olhos e nas costas a dor
Entre as tardes desse sol forte as Artes com amor
Sou agricultora das terras Anacés
Do cultivo de feijão, milho...
No suor, no calor, mas com valor...
Meu sustento, minha saúde, minha família...
Tem farinha de mandioca, castanha e caju, é muita
fartura minha senhora,
São Gonçalo há de valorizar!!!
Couro, coros, cortejos, corrida e pega de bois
Nosso reisado, nossa festa, nossa raiz
Nosso santo é festeiro, é casamenteiro
É cultura presente, viva...!
Em meio a fumaça, me disseram adeus!
Meu povo indígena, não teve adeus
Tem índio sim!
De muitas lutas, somos Anacés...
Nem sempre reconhecidos pela terra
Muitas vezes machucada, nós somos a memória Anacetaba.

(José Edmilson Silva Gomes; Raphaelle Santos Monteiro; Wanessa Maria Costa Cavalcante
Brandão, 2017).

Esses versos descrevem bem as determinações sociais da saúde existentes


no território, tais como, “fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais,
psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de
saúde e seus fatores de risco na população” Buss; Filho (2007). Faz-se necessária a
observância das relações de poder, da organização dos serviços e do modo de vida
da comunidade, para o reconhecimento dos territórios a partir da territorialização
como metodologia de diagnóstico e reconhecimento situacional da Rede de Atenção
à Saúde.
Para Rigotto; Santos (2011) a territorialização é ferramenta primordial na
organização dos processos de trabalho-produção e no reconhecimento da relação
entre saúde-ambiente na Atenção Básica, devendo aquela, ocorrer de forma
permanente e Intersetorial. O intuito não é o mapeamento geográfico das áreas de
abrangência, mas sim, a apreensão da dinâmica social que impacta as relações de
produção da tríade saúde-doença-intervenção. As particularidades da questão
regional do Nordeste, por exemplo, demandam uma atenção especial no que se
refere à territorialização como ferramenta de operacionalização do SUS. Ao
reconhecermos a conformação sócio histórica dessa região a partir da trajetória de
migrações, mendicância e enfrentamento ao Semiárido, percebemos as
singularidades expressas nas formas tradicionais de produção da saúde, assim
como, as determinações do adoecimento dos diversos grupos populacionais.
As intensas mudanças socioambientais na localidade ocasionaram drásticas
modificações na sociabilidade da população tradicional em relação aos modos de
vida das comunidades. Percebemos que a baixa participação popular, a ausência de
pesquisas e de Educação Permanente, fortalece os processos de alienação, os
quais naturalizam o quadro de negação de direitos, frente o potencial
econômico/produtivo do CIPP. Por essa razão faz-se necessária à articulação com
os diversos movimentos sociais, e, comunidade, como forma de construir estratégias
coletivas de enfrentamento a lógica imposta.

Considerações Finais

Uma das maiores fragilidades percebidas a partir da relação


saúde/território/ambiente é a ausência de ações no âmbito da Atenção Básica junto
aos trabalhadores/as das empresas adjacentes e que residem em casas coletivas. E
ainda, existe grande lacuna no que diz respeito aos dados da vigilância em saúde
sobre os fatores de morbimortalidade e acidentes no CIPP. As notificações quando
ocorrem, sofrem influência dos profissionais das empresas no sentido de
descaracterização dos acidentes de trabalho. Sendo esta, uma pauta latente no
cotidiano da comunidade e dos serviços de saúde no município.
Outro desafio a ser enfrentado, está na fragilidade do transporte que leva os
profissionais até as localidades, o mesmo, atende as diversas demandas da UBS de
Acende Candeia, restando poucas oportunidades para visitas em locais de mais
difícil acesso, favorecendo um cenário onde os profissionais não podem desenvolver
suas atribuições, além do que, quando chove o carro não consegue passar, devido
condições de infraestruturas e porte do veículo.
Apesar do cenário, parte da comunidade se mostra disposta a fortalecer a luta
pela justiça socioambiental frente aos desafios postos.

Referências

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BEZERRA, M. das G. V. Do canto das Nambus ao barulho do trem:


Transformações no modo de vida e na saúde na comunidade de Bolso no Complexo
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TELES, G. A; AMORA, Z. B. Os conteúdos da urbanização/metropolização em


São Gonçalo do Amarante/CE: considerações a partir da instalação do Complexo
Industrial e Portuário do Pecém - CIPP.

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