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Universidade do Vale do Itajaí

EMCT – Escola do Mar, Ciência e Tecnologia


Curso de Engenharia de Produção

PCP E SISTEMAS PRODUTIVOS

Acadêmico: Alex Wiedthauper e


Brenda Peixoto.
Orientador: Ademar Bussmann.

Itajaí, novembro de 2018.


1. INTRODUÇÃO

O sistema de Programação e Controle da Produção (PCP), consiste em uma área


da manufatura, onde o objetivo principal dá-se tanto no planejamento quanto no controle
dos recursos do processo produtivo. Este sistema recebe informações sobre estoques,
linha de produtos, vendas previstas, capacidades e modo de produzir. Seu objetivo é
transformar tais informações em ordens de fabricação.

O Planejamento e Controle da Produção (PCP) é um sistema desenvolvido com a


finalidade administrar os recursos humanos e físicos do sistema produtivo. Os planos
visam direcionar a ação, e o controle permite a correção de prováveis desvios. O sistema
de PCP fornece meios de realizar um planejamento coeso e senta as bases para executar
o controle de toda a produção buscando alcançar os objetivos traçados (TUBUNO, 2009).

Dentro da empresa, o PCP contribui com a sincronizando das etapas do processo


produtivo e com o seu monitoramento, aumentando, desse modo, a velocidade do sistema
produtivo. Por sua vez, o PCP deve fornecer informações à força de vendas para que esta
possa prometer prazos viáveis, mínimos e em seguida cumpri-los, garantido que as
operações sejam confiáveis. Por meio do PCP pode-se alcançar a redução de custos, dado
que este facilita a gestão adequada de estoques e compras, minimizando custos
financeiros, eliminando estoques excessivos. Também contribui com a escolha da política
de produção de menor custo total (SLACK et al., 2008).

O PCP busca atender a demanda prevista por meio da utilização eficiente de


recursos escasso, tais como: máquinas, mão de obra e matérias etc. Este sistema visa
coordenar de forma inteligente os recursos de produção, de modo que tudo funcione
suavemente e sem demoras. É importante destacar que, o objetivo do PCP não envolve
somente o planejamento, mas também a programação e o controle do que foi estabelecido.
2. FLUXO DE INFORMAÇÃO E PCP

Para atingir seus objetivos, o PCP administra informações vindas de diversas áreas
do sistema produtivo. Da Engenharia do Produto são necessárias informações contidas
nas listas de materiais e desenhos técnicos (estrutura do produto), da Engenharia do
Processo os roteiros de fabricação com os tempos padrões de atravessamento (lead times),
no Marketing buscam-se as previsões de vendas de longo e médio prazo e pedidos firmes
em carteira, a Manutenção fornece os planos de manutenção, Compras/Suprimentos
informa as entradas e saídas dos materiais em estoques, de Recursos Humanos são
necessários os programas de treinamento, e Finanças fornece o plano de investimentos e
o fluxo de caixa, entre outros relacionamentos. Como desempenha uma função de
coordenação de apoio ao sistema produtivo, o PCP, de forma direta, como as citadas
acima, ou de forma indireta, relaciona-se praticamente com todas as funções deste
sistema.

Imagem 1 (fluxo de informações das atividades do PCP)


O gerenciamento da rotina do trabalho é um método de gestão de responsabilidade
dos colaboradores e busca eficiência organizacional, através da obediência aos padrões
de trabalho, para evitar alterações ou mudanças que possam comprometer os níveis de
qualidade estabelecidos. Para tanto é preciso treinar e educar todos os colaboradores. Esse
método permite estabelecer e uniformizar os fluxos de informações. Através de fluxos de
informação, as organizações podem fornecer aos seus funcionários o conhecimento
relevante sobre a tarefa a ser desempenhada, a modelagem do fluxo de informações é uma
tarefa desafiadora para as organizações, mas que permite aos analistas e gestores
entenderem melhor como organizar e coordenar os processos, eliminar processos
redundantes, minimizar a duplicação de informações e gerenciar o compartilhamento de
informações.

Imagem 2 (fluxo de informações das atividades do PCP)


3. CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS PRODUTIVOS

A eficiência de qualquer sistema produtivo depende do planejamento,


programação e controle de suas atividades. No entanto, alguns sistemas produtivos são
mais difíceis de planejar e controlar do que outros devido à natureza imediata de suas
operações.

Segundo Gaither e Frazier (2002), a função produção é caracterizada por três


papéis:

 Decisões estratégicas: caracterizada como apoio para a estratégia empresarial,


corresponde às decisões sobre produtos, processos e instalações e tem impacto de
longo prazo nas organizações;
 Decisões operacionais: são decisões a respeito de como planejar a produção para
atender a demanda. São necessárias se a produção contínua de bens ou serviços
pretende satisfazer as exigências do mercado e garantir o lucro. Tem impacto em
médio prazo;
 Decisões de controle: são referentes a como planejar e controlar as operações.
Essas decisões privilegiam as atividades diárias dos trabalhadores, a qualidade dos
produtos ou serviços, os custos de produção e gastos com manutenção de
equipamentos. Tem resultados em curto prazo;

A complexidade dessas atividades depende do tipo do sistema produtivo em que o PCP


irá atuar: sistemas contínuos, sistemas em massa, sistema repetitivo em lotes ou sistema
sob encomenda.

3.1.OS SISTEMAS CONTÍNUOS E O PCP

Os sistemas de produção contínuos são empregados quando existe alta


uniformidade na produção e demanda de bens ou serviços, fazendo com que os produtos
e os processos produtivos sejam totalmente interdependentes, favorecendo a sua
automatização. É chamado de contínuo porque não se consegue facilmente identificar e
separar dentro da produção uma unidade do produto das demais que estão sendo feitas.
Imagem 3 (PCP e sistemas contínuos)

Não é possível identificar e separar uma parte da matéria prima das demais, pois
conforme elas são adicionadas no processo elas irão formar novos produtos e não podem
mais serem separadas. É um sistema com alta uniformidade e geralmente bem
automatizado, exigindo mão de obra apenas para condução e manutenção do processo.

3.2.OS SISTEMAS EM MASSA E O PCP

Produção em massa é o termo que designa a produção em larga escala de produtos


padronizados através de linhas de montagem. Este modo de produção foi popularizado
por Henry Ford no início do século 20.
No início do século XX, Ford apresentou ao mundo um sistema de produção que
atenderia a crescente massa consumidora da época, baseado na economia de escala, na
padronização de peças e produtos, na fabricação de grandes lotes de produtos iguais e
simplicidade dos produtos e processos. Tal sistema de produção ficou conhecido como
Sistema de Produção em Massa. o ponto fundamental para a produção em massa não está
na linha de montagem em movimento contínuo, mas na intercambiabilidade das peças,
conseguida por meio da padronização e na facilidade de ajustá-las. Sendo essas inovações
a chave para a criação da linha de montagem móvel. A padronização das peças pode ser
considerada o passo mais importante e fator de alavancagem para o sistema fordista, que
tem como consequência direta o aumento significativo do volume de produção, quando
comparado com o sistema de produção artesanal. Essa padronização de produtos e
ferramentas foi necessária para facilitar o trabalho de montagem e reduzir erros de
fabricação e ajustes.
Os sistemas de produção em massa, à semelhança dos sistemas contínuos, são
aqueles empregados na produção em grande escala de produtos altamente padronizados;
contudo, estes produtos não são passíveis de automatização em processos contínuos,
exigindo participação de mão de obra especializada na transformação do produto. Podem-
se classificar dentro deste sistema as empresas que estão na ponta das cadeias produtivas,
com suas linhas de montagem, como é o caso das montadoras de automóveis,
eletrodomésticos, grandes confecções têxteis, abate e beneficiamento de aves, suínos,
gado etc., e a prestação de serviços em grande escala, como transporte aéreo, editoração
de jornais e revistas etc.

Imagem 4 (PCP e sistemas de produção em massa)

3.3.OS SISTEMAS EM LOTES E O PCP

Este sistema produtivo deve ser relativamente flexível visando atender diferentes
pedidos dos clientes e flutuações da demanda, empregando equipamentos pouco
especializados, geralmente agrupados em centros de trabalho identificados como
departamentos, e mão de obra mais polivalente. Os sistemas repetitivos em lote situam-
se entre os dois extremos, a produção em massa e a produção sob projeto, nos quais a
quantidade solicitada de bens ou serviços é insuficiente para justificar a massificação da
produção e especialização das instalações, porém justifica a produção de lotes
econômicos no sentido de absorver os custos de preparação (setup) do processo.
O foco do PCP nos sistemas repetitivos em lotes está na função de programação
da produção, que busca organizar o sequenciamento das ordens de produção em cada
grupo de recursos do centro de trabalho de forma a reduzir estoques e lead times
produtivos. Esta programação da produção pode ser realizada de forma empurrada
ou de forma puxada.

3.3.1. PROGRAMAÇÃO PUXADA E PROGRAMAÇÃO


EMPURRADA

Na programação empurrada, os lotes de produção são obtidos da inclusão da


demanda dos diferentes produtos acabados no Planejamento-mestre da Produção
(PMP), que gera as necessidades de produtos acabados (PA) no tempo. Cada centro
de trabalho recebe seu conjunto de ordens, que uma vez concluída é "empurrada"
para o centro seguinte, até que ela fique pronta.

A Produção é mais voltada ao estoque, e se origina com base em uma


predeterminação, feita com base no próprio mercado, ou no histórico de vendas
anteriores, seguindo o sistema de lotes, sem ter necessariamente relação com a
demanda dos clientes da empresa, por exemplo, um revendedor tenha uma demanda
por um produto, a fábrica já terá em estoque para fornecer em pronta entrega.

Já na programação puxada, as necessidades de materiais resultantes da aplicação


do MRP são utilizadas como previsão de demanda para o dimensionamento de
estoques que ficam à disposição dos centros de trabalho dentro da fábrica.

Nesta forma de programação, a demanda do cliente é que orienta a quantidade


a ser produzida. A produção puxada surgiu em um momento no qual a qualidade
começou a pautar a compra dos produtos e a demanda deixou de ser infinita, exigindo
a adoção de um modelo de produção mais dinâmico e flexível perante o mercado
competitivo. A produção empurrada é uma técnica de Lean para reduzir desperdícios,
de forma que o produto somente será produzido quando há uma demanda de algum
cliente. Além disso, existe explicitamente, um limite de trabalho em progresso, desta
forma cada processo produtivo “puxa” as unidades produzidas no processo anterior.

Outra diferença do processo de produção puxada para o processo de produção


empurrada, está na forma de trabalho, que ao contrario do processo de produção
empurrada, que faz com que os colaboradores trabalhem em múltiplas funções, a
puxada permite que eles foquem em uma única tarefa por vez.

Tabela 1 (Vantagens e Desvantagens)

Produção Puxada Produção Empurrada

Elimina desperdícios Gera custos de estoque elevados

Dinâmica em relação à demanda Estático em relação à demanda

Sistema de controle simples (Kanban) Requer softwares sofisticados (SAP)

Melhor resultado na fabricação de lotes Melhor resultado na produção


por encomenda repetitiva

Imagem 5 (comparativo produção empurrada x produção puxada)


3.4.OS SISTEMAS SOB ENCOMENDA E O PCP

Sistemas sob Encomenda, tem como finalidade a montagem de um sistema


produtivo voltado para o atendimento de necessidades específicas dos clientes, com
demandas baixas, tendendo para a unidade. O produto tem uma data específica negociada
com o cliente para ser fabricado e, uma vez concluído, o sistema produtivo se volta para
um novo projeto. Os produtos são concebidos em estreita ligação com os clientes, de
modo que suas especificações impõem uma organização dedicada ao projeto, que não
pode ser preparada com antecedência, principalmente com a geração de supermercados
de estoques intermediários para acelerar o lead time produtivo. Eventualmente, a compra
de matérias primas e peças componentes podem ser feitas com antecedência.

Nestes sistemas, exige-se, em termos de critérios na montagem do Plano de


Produção, alta flexibilidade dos recursos produtivos com foco no atendimento de
especificidades dos clientes, normalmente à custa de certa ociosidade enquanto a
demanda por bens ou serviços não ocorrer, gerando custos produtivos mais altos que os
sistemas anteriores.

Para algumas empresas, manter grande quantidade de produtos em estoque é


considerado um problema. Geralmente, esse impasse ocorre com indústrias que fabricam
produtos de grande porte ou que disponibilizam ao cliente a opção de customização da
mercadoria.
A produção sob encomenda é uma solução para esse tipo de problema. Ela tem como
objetivo dar início a fabricação do produto apenas depois de ser encomendado pelo
cliente. Com um bom planejamento essa técnica trará resultados positivos para seu
empreendimento.

Uma grande vantagem da produção sob encomenda, com relação a produção para
estoque, é a possibilidade de fabricar uma maior variedade de produtos. Isso, porque sobra
mais recursos para investir em novas ideias. Nesse caso, é possível colocar em prática
mais rapidamente o aprimoramento de produtos com base em observações das exigências
do mercado consumidor. Já, quando você faz uma produção em massa, são fabricadas
peças iguais e em grande quantidade, o que resulta em uma menor oportunidade de testar
novos produtos. Podemos citar o exemplo das empresas de construção civil, as de
automóveis, onde o cliente compra o seu carro personalizado via internet e outras
4. CONCLUSÃO

Ao realizarmos esta pesquisa, concluímos o quanto são importantes os sistemas


produtivos e a importância em conhecer a fundo o processo produtivo adotado pela
empresa que atuamos, pois, este conhecimento se tornou fundamental, para
competitividade no marcado atual, que a cada dia está mais exigente, além disso, permite
agir diretamente na melhoria do produto, para que tenha melhor adesão ao mercado.
Impacta também na diminuição de custos operacionais, já que adéqua a produção e os
estoques às necessidades.

De forma geral a função do PCP é organizar, padronizar e sistematizar o processo


produtivo. Assim garante que a empresa conseguirá ter uma produção mais segura,
programada, facilitada e com menor custo. Aumenta também sua produtividade pois os
esforços estarão focados de maneira correta.
5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SLACK, N; CHAMBERS, S e JOHNSTON, R. Capítulo 10: Natureza do planejamento


e controle. In: Administração da produção. SLACK, Nigel; CHAMBERS, Stuar;
JOHNSTON, Robert. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2008.

TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção: Teoria e Prática. 2ª edição, São


Paulo: Atlas, 2009.

CIERCO, A. A. et al. Gestão da qualidade. 11. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2011

GAITHER, Norman; FRAZIER, Greg. Administração da produção e operações. 8. ed.


São Paulo: Cengage Learning, 2002.