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Aula 2 - EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

AULA 2
EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
O Brasil é o primeiro em ranking de empreendedorismo !
(Pesquisa GEM 2014 / Murilo Rodrigues Alves, EXAME.com (2015)

2.1 QUANDO SURGIU

O empreendedorismo no mundo estava em plena ascenção e


burbulhavam as histórias de sucesso por todos os países, uma vez que,
por força do próprio empreendedorismo, alavanca o desenvolvimento,
fortalecendo a economia.

No Brasil não foi diferente, especialmente na


década de 1990, quando os mercados estavam
funcionando de modo distinto, dada a abertura
da economia no país. Abriam-se as portas
para o mundo e os preços estavam sendo
controlados por fornecedores estrangeiros.
Algumas empresas, em diversos setores,
não conseguiam competir como antes – mas
dormiam tranquilamente em berço esplêndido,
ou seja, a concorrência era interna e singela.

Com esse boom no mercado, as empresas,


os gestores, enfim, os brasileiros precisaram
se mexer, movimentar-se. Novos planos de
negócios, novas estratégias foram criadas ou
recriadas. Até mesmo a tão sonhada inovação
teve que despertar e ganhou impulso.

Segundo o IPED (2015), estima-se que em


2009 havia aproximadamente 19 milhões de
brasileiros empreendedores em nosso país,
entre setores e organizações variadas. Assim, No Brasil, o
o que foi obser vado nesse período é que, empreendedorismo surgiu nos
querendo ou não, e muitas das vezes de anos 90 com muita força.
forma inconsciente, o Brasil se viu obrigado a
Fonte: Portal Educação
empreender e inovar.

Resgatando uma fala de Dornelas (2014), o movimento do


empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma nessa década

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de 1990, quando entidades como Sebrae e Softex foram criadas. Antes


disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de
pequenas empresas. Os ambientes político e econômico do país não eram
propícios, e o empreendedor praticamente não encontrava informações
para auxiliá-lo na jornada empreendedora.

O Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário


brasileiro, que busca junto a essa entidade todo suporte de que precisa
para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos
problemas pontuais de seu negócio.

O histórico da entidade Softex pode ser confundido com o histórico do


empreendedorismo no Brasil na década de 1990. A entidade foi criada
com o intuito de levar as empresas de software do país ao mercado
externo, por meio de várias ações que proporcionavam ao empresário de
informática a capacitação em gestão e tecnologia.

Foi com os programas criados, no âmbito da Softex em todo país, junto


a incubadoras de empresas e a universidades/cursos de ciências da
computação/informática, que o tema empreendedorismo começou
a despertar na sociedade brasileira. Até então, palavras como plano
de negócios (business plan) eram praticamente desconhecidas e até
ridicularizadas pelos pequenos empresários.

2.2 A REVOLUÇÃO DO NOVO BRASIL

Segundo Alves (2015), três em cada dez brasileiros adultos entre 18 e 64


anos possuem uma empresa ou estão envolvidos com a criação de um
negócio próprio.

Em dez anos, a taxa total de


empreendedorismo no Brasil aumentou de
23%, em 2004, para 34,5% no ano passado.
Metade desses empreendedores abriu seus
negócios há menos de três anos e meio.

Os dados são da nova pesquisa Global


Entrepreneurship Monitor (GEM, 2014), feita no
Brasil pelo Sebrae e pelo Instituto Brasileiro
de Qualidade e Produtividade (IBQP). O Brasil
participa desse esforço desde 2000, sendo
a pesquisa conduzida pelo IBQP e conta com
o apoio técnico e financeiro do Sebrae. Desde
2011, o Centro de Empreendedorismo e
Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas Fonte: http://www.gemconsortium.org
tornou-se parceiro acadêmico do projeto.

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Segundo o Relatório Executivo Empeendedorismo (GEM, 2014), a


pesquisa apresenta importantes diferenciais em relação a outros estudos
sobre empreendedorismo. O primeiro deles é que o levantamento dos
dados é feito em fontes primárias, com indivíduos e não com empresas.
Assim sendo, as conclusões serão sempre relacionadas aos indivíduos
empreendedores e seus respectivos empreendimentos. O segundo
diferencial é que o GEM utiliza um conceito amplo de empreendedorismo
que visa captar os diversos tipos de empreendedores (formais ou informais),
sejam os da base da pirâmide, envolvidos com empreendimentos muito
simples, ou aqueles envolvidos em empreendimentos mais sofisticados
e de mais alto valor agregado. As diferenciações e reagrupamentos são
feitos a partir das diversas questões levantadas no questionário, as quais
permitem a posterior classificação desses empreendedores conforme
suas características sociais e as características do empreendimento.

Assim, em 2014, a pesquisa atingiu 75% da população global e 90% do


Produto Interno Bruto (PIB) mundial. No Brasil, foram entrevistadas 10 mil
pessoas de 18 a 64 anos das cinco regiões do país.

Na comparação mundial, o Brasil se destaca com a maior taxa de


empreendedorismo, quase oito pontos porcentuais à frente da China, o
segundo colocado, com taxa de 26,7%. O número de empreendedores
entre a população adulta no país é também superior ao dos Estados
Unidos (20%), Reino Unido (17%), Japão (10,5%) e França (8,1%). Entre as
economias em desenvolvimento, a taxa brasileira é superior à da Índia
(10,2%), África do Sul (9,6%) e Rússia (8,6%).

Para o Sebrae (2015), o recorde de empreendedores no Brasil é consequência


do aumento do número de formalizações nos últimos anos e da melhoria
do ambiente legal, com a criação e ampliação do Supersimples - regime
simplificado de cobrança de tributos para empresas com faturamento
anual de até R$ 3,6 milhões.

Por esse regime, pequenas e médias empresas têm a cobrança de oito
impostos federais, estaduais e municipais reunida num só boleto. Para a
maioria dos casos, a carga de impostos é 40% menor do que no regime
tributário convencional.

Ainda de acordo com a pesquisa, ter o próprio negócio é o terceiro maior


sonho do brasileiro, atrás de comprar a casa própria e viajar pelo país. O
número de pessoas que almeja se tornar o seu próprio chefe é de 31%,
praticamente o dobro das que desejam fazer carreira numa empresa (16%).

A pesquisa ainda revela que, de cada 100 brasileiros que começam um


negócio próprio, 71 são motivados por uma oportunidade de negócio e
não pela necessidade. Esse índice, que implica diretamente a qualidade
do empreendedorismo, vem se mantendo estável nos últimos anos.

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Em 2014, a proporção de empreendedores por oportunidade no Brasil foi


de 70,6%. Ou seja, do total de empreendedores brasileiros em 2014, 70,6%
o foram por oportunidade. Essa proporção observada no Brasil em 2014
pode ser considerada tecnicamente igual à proporção de 2013 (71%), como
mostra o Gráfico 1.

Gráfico 1- Evolução da atividade empreendedora segundo a oportunidade


como percental da taxa de empreendedores iniciais

Mais de 70% das micro e médias empresas conseguem sobreviver até


completar o segundo ano. “Não é excepcional, mas é um excelente número”,
avalia Barretto, o presidente do Sebrae. O perfil desse novo empreendedor
é mais jovem, mais feminino, mais negro e mais classe C, de acordo com
Barreto.

Mesmo com a contração da atividade econômica do país, ele acredita ser


possível o segmento da pequena empresa continuar crescendo neste ano.
“O segmento não é uma ilha, mas tem demonstrado força para enfrentar
essas crises, principalmente no comércio e serviços”, afirma.

Como exemplo do vigor dos pequenos negócios, Barretto cita o crescimento


de 7% da arrecadação do Supersimples em 2014, enquanto houve queda
na arrecadação geral, e a geração líquida de 3,5 milhões de empregos
entre 2011 e 2014 - no mesmo período, as grandes e médias empresas
tiveram saldo de 200 mil vagas fechadas.

Quanto à mentalidade empreendedora brasileira, o relatório destacou que,


neste item, foram analisadas as percepções da população entre 18 e 64
anos a respeito do empreendedorismo (Tabela 1), o que permitiu analisar
o grau de disposição dos indivíduos em relação ao tema e o seu potencial
para empreender. O GEM pesquisou o conhecimento sobre o processo
de abertura de novos negócios, oportunidades e capacidades percebidas,
além do medo do fracasso. Foram também levantados os sonhos e
desejos dessas pessoas (Tabela 2), particularmente a vontade de possuir
um negócio próprio. São eles:

Observa-se que, no Brasil, em 2014, 37,7% dos indivíduos afirmaram


conhecer pessoas que abriram um negócio novo nos últimos dois anos.
Esse percentual é maior que em 2012 (33,7%), mas não difere de 2013;

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Quanto à percepção de boas oportunidades para iniciar um novo


negócio nos próximos seis meses, em 2014, 55,5% da população
respondeu positivamente, percentual superior aos de 2012 (50,2%) e de
2013 (50,0%);

50% dos indivíduos afirmaram possuir conhecimento, habilidade e


experiência necessários para começar um novo negócio. Nesse item
houve redução, quando comparado com 2012 (54,0%) e 2013 (52,1%);

O medo do fracasso não impediria 60,9% da população entrevistada


em 2014 de se envolver na criação de um novo negócio, percentual inferior
a 2012 (64,5%), mas superior a 2013 (57,3%); e,

Com relação aos desejos e expectativas da população adulta


brasileira, a Tabela 2 mostra que, em 2014, ter o próprio negócio (31,4%)
apareceu em terceiro lugar no conjunto dos desejos dos brasileiros, depois
da compra da casa própria (41,9%) e de viajar pelo Brasil (32,0%). O mesmo
acontece nos anos anteriores, assim como a supremacia do sonho “ter o
próprio negócio” sobre “fazer carreira numa empresa” (15,8% em 2014).

Tabela 1- Percentual da população segundo a mentalidade – Brasil - 2014


Tabela 2 - Percentual da população segundo o sonho – Brasil - 2014

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Na busca de órgãos de apoio no Brasil, a pesquisa procurou saber também


o percentual dos empreendedores que busca apoio junto aos órgãos como
Senac, Sebrae, Senai, entre outros.

A Tabela 3 mostra que 86,6% dos empreendedores identificados em 2014


não procuraram o auxílio de órgãos de apoio. Esse percentual aumentou em
relação a 2012 (79,6%) e 2013 (84,6%).

Quanto aos órgãos de apoio pesquisados, o Sebrae se destaca, sendo


citado por 10,4% dos entrevistados. Nos anos anteriores, o Sebrae também se
destaca como órgão de apoio. A grande maioria (44%) dos empreendedores
que não buscou um órgão de apoio afirmou que o motivo foi a falta de
necessidade (Tabela 4). Este percentual foi mais alto para os empreendedores
estabelecidos (49,3%) em relação aos empreendedores iniciais (38,9%):
 • 28,9% dos empreendedores iniciais indicaram que a falta de
conhecimento foi a principal causa de não terem buscado um órgão de apoio.
Esse percentual é menor para os empreendedores estabelecidos (23%).
 • 15,4% dos empreendedores iniciais afirmaram que o principal motivo
para não buscarem um órgão de apoio foi a falta de tempo.

Tabela 3 – Percentual da população total de empreendedores


Segundo a busca por órgãos de apoio – Brasil - 2014

Tabela 4 – Distribuição dos empreendedores segundo os motivos que NÃO


os levaram a buscar um órgão de apoio – Brasil - 2014

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Diante desse novo cenário que a pesquisa GEM/2014 nos mostra, nota-
se que o brasileiro tem mudado seu comportamento. De fato, como
observado ainda sobre os “sonhos” dos brasileiros em 2013, a mesma
pesquisa revelou que ter seu próprio negócio ocupava a 3ª posição,
enquanto fazer carreira ocupava a 8ª posição, evidenciando, assim, a
inquietação dos brasileiros para abrir seu próprio negócio (Figura 1).

Figura 1 – Os sonhos dos brasileiros

Fonte: Sebrae, GEM, 2013

2.3 OS PROGRAMAS DE ENSINO EM EMPREENDEDORISMO

Algus autores e estudiosos afirmam que, passados esses anos, final do


século XIX e início do século XX, o Brasil entra numa nova era com potencial
para desenvolver vários programas de ensino de empreendedorismo
compatíveis com os melhores países do mundo.

Segundo Dornelas (2014), ações históricas e algumas mais recentemente


desenvolvidas começam a apontar para essa direção. Seguem alguns
exemplos:

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O programa Softex e o Geração de Novas Empresas de Software,


Informação e Serviços (Genesis) foram criados na década de 1990 e
até há pouco tempo apoiavam atividades de empreendedorismo em
software, estimulando o ensino da disciplina em universidades e a
geração de novas empresas de software (startups). O programa Softex
foi reformulado e continua em atividade. Informações podem ser obtidas
em <www.softex.br>.

O programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, dirigido à


capacitação de mais de 6 milhões de empreendedores em todo o país,
destina-lhes recursos financeiros, totalizando um investimento de R$8
bilhões. Este programa vigorou de 1999 até 2002 e realizou mais de 5
milhões de operações de crédito.

Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas


Empretec e Jovem Empreendedor do Sebrae, que são líderes em procura
por parte dos empreendedores e possuem ótima avaliação.

Os diversos cursos e programas sendo criados nas universidades


brasileiras para o ensino do empreendedorismo. É o caso de Santa
Catarina, com o programa Engenheiro Empreendedor, cujo objetivo é
capacitar alunos de graduação em engenharia de todo o país. Destaca-
se, também, o programa 12 Empreendedorismo Ensino Universitário de
Empreendedorismo, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e
do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), de difusão do empreendedorismo nas
escolas de ensino superior do país, presente em mais de 200 instituições
brasileiras, envolvendo mais de 1.000 professores em 22 estados do
país.

Houve ainda um evento pontual que depois se dissipou, mas que


também contribuiu para a disseminação do empreendedorismo. Trata-se
da explosão do movimento de criação de empresas pontocom no país
nos anos de 1999 e 2000, motivando o surgimento de várias empresas
startup de Internet, desenvolvidas por jovens empreendedores.

Especial destaque deve ser dado ao enorme crescimento do movimento


de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da Associação Nacional
de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias
Avançadas (Anprotec) mostram que, em 2008, mais de 400 incubadoras
de empresas encontravam-se em atividade no país.

Mais recentemente, várias escolas estão apresentando programas


não só de criação de novos negócios, mas também focados em
empreendedorismo social e corporativo. Existem, ainda, programas
específicos sendo criados por escolas de administração de empresas
e de tecnologia para formação de empreendedores, incluindo cursos
de Master of Business Administration (MBA), cursos de curta e média
duração e programas a distância (EaD).

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O crescente movimento das franquias no Brasil também pode ser


considerado um exemplo de desenvolvimento do empreendedorismo
nacional. Segundo a Associação Brasileira de Franchising, em 2007
havia mais de 1.200 redes de franquias constituídas no país, com cerca
de 65.000 unidades franqueadas, o que correspondeu a R$46 bilhões
de faturamento consolidado do setor.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, Murilo Rodrigues. Brasil é o primeiro em ranking de


empreendedorismo. Revista Exame.com. Março/2015. Disponível
em: <http://exame.abril.com.br/pme/noticias/brasil-e-o-primeiro-em-
ranking-de-empreendedorismo>. Acesso em: dez. 2015.

DORNELAS, J. Empreendedorismo Transformando ideias em


negócios. 5. ed. Rio de Janeiro : Empreende / LTC, 2014.

GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. Empreendedorismo no Brasil


- Relatório Executivo 2014. Curitiba: Instituto Brasileiro da Qualidade e
Produtividade, 2014.

IPED. Quando surgiu o empreendedorismo no Brasil. 2015.


Disponível em: <https://www.iped.com.br/materias/gestao-e-lideranca/
empreendedorismo.html>. Acesso em: dez. 2015.

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