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Quem criou a Psicanálise

Sigismund Schlomo Freud, mais conhecido como Sigmund Freud, nasceu


em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco
(hoje Příbor, República Checa), a 6 de maio de 1856. Foi ele o
médico neurologista criador da psicanálise.
Freud formou-se na Universidade de Viena aos 17 anos. Planeava
estudar direito mas acabou por entrar para a faculdade de medicina, onde os seus
estudos incluíram a filosofia, a fisiologia e a zoologia.
Freud morreu de cancro no palato aos 83 anos de idade. Supõe-se que tenha
morrido de uma dose excessiva de morfina. Freud sentia muitas dores, e segundo a
história que se conta, ele teria dito ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de
morfina para terminar com o seu sofrimento, aplicando assim o método conhecido como
eutanásia.
Sigmund Freud iniciou seus estudos utilizando a técnica da hipnose no tratamento
de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais.

O que é a Psicanálise
A psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana
independente da Psicologia. Tem como origem a Medicina e foi desenvolvido por Freud
como falamos em cima, que propôs este método para a percepção e análise do Homem,
compreendido enquanto sujeito do inconsciente e abrangendo três áreas:

1. Um método de investigação do psiquismo e o seu funcionamento;


2. Um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano;
3. Um método de tratamento caracterizado pela aplicação da técnica da Associação
Livre.

É essencialmente uma teoria da personalidade e um procedimento da psicoterapia.

A psicanálise influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas


das ciências humanas, gerando assim uma base teórica para uma forma de compreensão
da ética, da moralidade e da cultura humana.

De acordo com Sigmund Freud, psicanálise é o nome de (1) um procedimento para


a investigação de processos mentais que são quase inacessíveis por qualquer outro
modo, (2) um método baseado nessa investigação para o tratamento de distúrbios
neuróticos, e (3) uma coleção de informações psicológicas obtidas ao longo dessas
linhas, e que gradualmente se acumulou numa "nova" disciplina científica.
A psicanálise cresceu num campo muitíssimo restrito tendo apenas como único
objetivo, compreender algo da natureza daquilo que era conhecido como doenças
nervosas funcionais com vistas a superar a impotência que até então caracterizara seu
tratamento médico.
Sendo Sigmund Freud um médico com interesse em achar um tratamento efetivo
para pacientes com sintomas neuróticos ou histéricos, ao escutar seus pacientes
acreditava que seus problemas se originaram da não-aceitação cultural ou seja, os seus
desejos eram reprimidos, afastados ao inconsciente. Notou também que muitos desses
desejos se tratavam de fantasias de natureza sexual.
O método básico da psicanálise é o paciente, estando a ser meticulosamente mas
subtilmente analisado, numa postura relaxada, é solicitado a dizer tudo o que lhe vem à
mente, dado o nome de método de associação livre. Desde as suas aspirações, angústias,
sonhos e até mesmo as fantasias são de especial interesse na escuta, como também
todas as experiências vividas são trabalhadas em análise.
Assim, escutando o analisado, o analista tenta manter uma atitude empática de
neutralidade. Uma postura de não-julgamento, visando a criar um ambiente seguro.
Este conceito de inconsciência vai em tudo contradizer o que até então Wilhelm
Wundt defendia ao dizer que a psicologia tinha como objeto a consciência entendida na
perspectiva neurológica, ou seja, opondo-se aos estados de coma e alienação mental.
Concluímos então que, o modelo psicanalítico da mente considera que a atividade
mental é baseada no papel central do inconsciente dinâmico. O contacto com a realidade
teórica da psicanálise põe em evidência uma multiplicidade de abordagens, com
diferentes níveis de abstração, conceituações conflituantes e linguagens distintas.
A principal reviravolta no seio da psicanálise, que conciliou ao mesmo tempo a
inovação e a proposta de um "retorno a Freud" veio com o psicanalista francês Jacques
Lacan.

Os níveis da consciência (modelo topológico da mente)


Segundo a psicanálise, o psiquismo humano está estruturado em três níveis
distintos: o consciente, o inconsciente e o subconsciente. Este sistema é muitas vezes
equiparado a um iceberg(A).

 O consciente
 O pré-consciente
 O inconsciente
Freud não foi o primeiro a propor que parte da vida mental se desenvolve
inconscientemente. Mas foi o primeiro a aprofundar a pesquisa nesse território. Segundo
ele, os desejos e pensamentos humanos produzem muitas vezes conteúdos que são
armazenados no inconsciente.
Este tem uma função importantíssima de estabilização da vida consciente. A sua
investigação levou-o a propor que o inconsciente é ilógico e por isso aberto a
contradições), atemporal e aespacial ou seja, conteúdos pertencentes a épocas ou

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espaços diferentes podem estar próximas. Os sonhos são vistos como
expressão simbólica dos conteúdos inconscientes.
Através desta nova compreensão do conceito inconsciente, torna-se clara a
compreensão da motivação na psicanálise clássica: por serem muito dolorosos para se
tornarem conscientes muitos desejos, sentimentos e motivos são inconscientes.
Mas esse conteúdo inconsciente vai ter uma influência na experiência consciente da
pessoa, quer seja através de atos desprovidos, comportamentos aparentemente
irracionais, emoções inexplicáveis, medo, depressão ou até mesmo sentimentos de
culpa. Assim tudo isto vai influenciar e guiar o comportamento consciente.

A teoria psicanalítica dos transtornos mentais


Classificam-se os distúrbios mentais em 3 grandes tipos básicos:
✓ Primeiro tipo: neuroses
É a existência de tensão excessiva e prolongada, uma necessidade prolongadamente
frustrada, é sinal de que se formo uma neurose na pessoa. A neurose determina uma
modificação, mas não uma desestruturação da personalidade e muito menos de perda de
valores da realidade. Os sintomas neuróticos catalogam-se em certas categorias, como:
a) Histeria
b) Ansiedade
c) Fobias
d) Obsessiva-compulsiva
✓ Segundo tipo: psicoses
O psicótico pode encontrar-se ora em estado de depressão, ora em estado de extrema
euforia e agitação. Em cada momento age de um modo enquanto em outro comporta-se
de maneira totalmente diferente.
Nas psicoses são comuns alucinações e delírios. As Psicoses manifestam-se como:
a) Esquizofrenia
b) Maníaca-depressiva
c) Paranoia.
d) Psicose alcoólica.
✓ Terceiro tipo: psicopatias
Os psicopatas não estruturam determinadas dimensões da personalidade,
verificando-se uma espécie de falha na própria construção. As principais características
das psicopatias são: diminuição ou ausência da consciência moral.
O certo e o errado; o permitido e o proibido não fazem sentido para eles.

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A mente inconsciente desempenhou um papel fundamental em todas as teorias de
Freud, e ele considerou sonhos uma das principais maneiras de dar uma espiada no que
está fora da nossa consciência.

Ensaios de Freud para fundamentar a sua pesquisa


As maiores descobertas e inovações de Freud, foram ao trabalhar com pacientes
histéricas, onde compreendeu que os sintomas dos quais elas sofriam representavam de
forma concreta um significado que era simultaneamente escondido e revelado. Com o
decorrer do tempo ele foi aprendendo que todos os sintomas neuróticos eram
mensageiros que carregavam - ainda que inconscientemente - conteúdos psíquicos
reprimidos. Isto levou-o a desenvolver a sua “cura pela fala”, que revolucionou a
relação entre paciente e terapeuta.

Freud via os seus pacientes seis vezes por semana, ouvindo e respondendo ao que
eles lhe diziam enquanto estavam deitados num sofá. Convidados a falar qualquer coisa
que passasse em suas mentes, os pacientes ofereciam a Freud livre associações que os
levavam de volta a experiências infantis reprimidas, desejos e fantasias que haviam
resultado em conflitos inconscientes; uma vez trazidos à consciência, esses conflitos
poderiam ser analisados e os sintomas, então, dissolvidos.

Este procedimento tornou-se não apenas um método de tratamento potente, mas


também uma ferramenta eficiente para o estudo do psiquismo humano, levando ao
desenvolvimento de uma teoria psicanalítica cada vez mais sofisticada no que diz
respeito á forma como a mente funciona e aos estudos comparativos conjuntos com o
novo campo da neuropsicanálise.

Psicanálise na pintura

Freud, no seu ensaio Escritores Criativos e Devaneio, aponta a função da arte ao


indivíduo. Nele, é diferenciado dois itens do prazer estético:

• Prazer propriamente libidinal: gerado do conteúdo da obra assim que ela nos
permite alcançar nosso objetivo.
• Prazer proporcionado pela forma ou posição da obra: no qual ocorre com a
percepção não como um real objeto, mas como um entretenimento, do qual são
permitidos pensamentos e atos com os quais o indivíduo pode aproveitar sem
auto-censura ou vergonha.

Inclusive, esta negação da censura e desvio da realidade é uma das características


das obras de arte. Sendo o trabalho de arte uma atividade de expressão recheada de
desejos proibidos. O artista transforma impulsos primitivos em formatos simbólicos
e culturais. Assim, ele facilita a expressão de sentimentos reprimidos, tanto para ele
próprio como para seus espectadores.

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O método paranóico-crítico, objeto de análise desta dissertação, surge para Dalí
como método de criação artística capaz de fazê-lo sistematizar todo o seu delírio e de
transformá-lo numa forma de arte. A partir deste método pode-se analisar diferentes
conceitos de desejo de Dalí e suas ressonâncias na teoria psicanalítica.

Essa função de desvio com relação à realidade e à censura é uma característica


das obras de arte. E, considerando que o interesse de Freud pela arte relaciona-se à
leitura dos significados reprimidos e inconscientes, o trabalho artístico é entendido
como uma atividade de expressão sublimada de desejos proibidos. E o artista, nessa
medida, é concebido como um ser talentoso o bastante para transformar os impulsos
primitivos, sexuais e agressivos, em formas simbólicas, isto é, culturais. Como os
sonhos e os jogos de linguagem, o trabalho artístico facilita a expressão, o
reconhecimento e a elaboração de sentimentos reprimidos, tanto para os artistas quanto
para os espectadores que, por sua vez, compartilham com os primeiros a mesma
insatisfação com as renúncias exigidas pela realidade e, por intermédio da obra, a
experiência estética. Assim, o vínculo entre psiquismo e arte pode chegar a ser
concebido de um modo tão direto ou imediato que a singularidade da obra é perdida de
vista, ao mesmo tempo em que o psiquismo passa a ser simplesmente ilustrado pela
obra.

A Persistência da Memória que nos fala sobre a noção da temporalidade e da


memória.

O tempo do quadro A Persistência da Memória não é o tempo real, e sim o tempo


do inconsciente. Sabe-se que Dalí foi influenciado por algumas das teorias da
psicanálise de Freud, segundo o qual "o sonho é a estrada real que conduz
ao inconsciente". A busca de Dalí pelo inconsciente está refletida no quadro pela sua
caricatura que dorme. A temporalidade está em outro plano.

É também uma homenagem ao tempo interior e inconsciente, que tem sua própria
forma de ser contado e que foge à racionalidade.