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MÁRCIO SOARES BELTRÃO DE LIMA

O ENSINO DO VIOLÃO EM UMA


PROPOSTA TRIANGULAR

MONOGRAFIA

FACULDADE DE MÚSICA CARLOS GOMES

1
SÃO PAULO - 2008
MÁRCIO SOARES BELTRÃO DE LIMA

O ENSINO DO VIOLÃO EM UMA


PROPOSTA TRIANGULAR

Monografia apresentada à banca


examinadora, como exigência
final para a conclusão do curso
PRÁTICAS INSTRUMENTAIS
(VIOLÃO), sob a orientação do
Prof. Dr. Paulo de Tarso.

2
SÃO PAULO - 2008

Banca examinadora

3
A arte não é apenas básico, mas fundamental na
Educação de um pais que se desenvolve. Arte não é
enfeite. Arte é cognição, e profissão, é uma forma
diferente da palavra para interpretar o mundo, a
realidade, o imaginário, e é conteúdo. Como conteúdo,
arte é o melhor do ser humano. Arte é qualidade e
exercita nossa habilidade de julgar e de formular
significados que excedem nossa capacidade de dizer em
palavras. É o limite de nossa consciência excedem o
limite das palavras.

Ana Mae Barbosa

4
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 6

1. UMA VISÃO SOBRE A QUESTÃO DO ENSINO ............................................ 7

2. OS MÉTODOS ATIVOS NO ENSINO DA MUSICALIZAÇÃO ..................... 20

3. MÉTODOS DE VIOLÃO ...................................................................................... 22

4. PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR ............................................ 37

5. PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR PARA O ENSINO DO

VIOLÃO

......................................................................................................................

75

5
6. A PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR NO ENSINO

MULTICULTURAL ..................................................................................................

77

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 82

ANEXOS .................................................................................................................... 85

RONOEL SIMÕES EM ENTREVISTA CONCEDIDA EM SÃO PAULO ........ 86

PARTITURAS ............................................................................................................ 95

CADERNETA DA ESCOLA MUNICIPAL DE ARTE JOÃO PERNAMBUCO 97

BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................... 100

INTRODUÇÃO

O intento primeiro de nossa pesquisa foi a adaptação da proposta metodológica


triangular de Arte-Educação da Professora Doutora Ana Mae Barbosa para o ensino do
violão. É escopo também do presente estudo uma revisão dos conceitos propiciados e
previstos por tal metodologia: a liberdade, a improvisação e a criatividade.
Entretanto, como é de comum a trabalhos acadêmicos, no decorrer de nossos
estudos, descobrimos coincidências envolvendo os 3 eixos da triangulação da
metodologia e outras propostas metodológicas e pedagógicas do ensino. Foi o que
bastou para que começássemos a pesquisar o número três e seus inúmeros – e, por

6
muitas vezes, coincidentes – desdobramentos teóricos, como, por exemplo, a noção
triangular da semiótica peirceana e o tripé educacional apresentado por diversos e
consagrados autores.
Notamos, então, que o número três estava presente em diversos saberes e
sociedades e, justamente por conta disso, fizemos uma aproximação entre as diversas
propostas teórico-pedagógicas, na tentativa de se buscar uma melhor formação para o
aluno – a de um aluno mais consciente no ato de aprender a aprender, de aprender a
fazer, de aprender a conviver e de aprender a ser.
No decorrer de nosso trabalho conhecemos a proposta do Ensino Coletivo
(Cruvel), do ensino holístico do Bem-Estar (Arun), da Sensibilização Musical (Enny
Parejo), e outras mais. E, do embate entre o pensamento Cartesiano e o modo de pensar
Complexo, nosso trabalho encontrou múltiplos caminhos. A opção foi uma proposta
dialética para o ensino do violão e, sempre que possível, sua adaptação aos métodos
ativos de Musicalização para as aulas de instrumento (violão).
Com o objetivo de levar uma maior liberdade ao estudo do violão erudito
(clássico), usamos a releitura da obra de arte como um importante referencial teórico –
dos mais importantes, a saber, porque se escora nas idéias de Ana Mãe, para depois
fazer eco nos ditames de Paulo Freire, em sua Pedagogia da Autonomia.
O que se segue são exemplos de uma pesquisa-ação, que procuram mostrar os
resultados advindos da releitura proposta para artes-visuais no ensino do violão, bem
como princípios filosóficos de um ensino para libertação e transformação social.
1. UMA VISÃO SOBRE A QUESTÃO DO ENSINO

Uma breve abordagem de certas palavras, mais provocadora que explicativa...


Primeiro a palavra “educar” vem de educere, e e-ducere, quer dizer conduzir
algo ou alguém de um lugar para outro, ou, mais profundamente, puxar de dentro para
fora, fazer sair, coisa de parteira, de obstetra...
E como se cada ser humano fosse como uma semente...ele já contem em si tudo
quanto mais adiante, conforme as condições, ira ou não, desabrochar,crescer, florir,
frutificar...

7
Educar, então, seria a arte de fazer desabrochar, de possibilitar, o crescimento, o
desenvolvimento a eclosão de tudo quanto o ser humano já carrega embrionariamente
dentro de si...Tem mais a ver com provocação do que com doutrinação. E não tem nada
a ver com um tipo de pratica que parece mais encher vasilhas, supostamente vazias...
Educar é uma arte, e arte tem a ver, antes de tudo, com disciplina...Não é por
nada que a palavra “arte“ vem da mesma raiz indo-européia, isto e do sânscrito, `rtam,
que as palavras “aritmética”, “ritmo“, e “rito”...Toda arte tem seu metro, suas regras,
seus parâmetros, seu ritual... é coisa de paciência, de cuidado, de capricho, de paixão,
de tesão, supõe dedicação ,consagração, esmero, entrega gratuita e prazerosa de se
próprio a obra que se pretende realizar...
Se isso vale para arte, imagine para educação, a arte de fazer as pessoas
desabrocharem, florirem, frutificarem, brilharem “... gente é pra brilhar... não pra morrer
de fome...” Caetano Veloso.
É claro que o artista precisa sobreviver para da conta de sua arte. E precisa
sobreviver com dignidade. Mas arte é mais prazer do que meio de vida. Segundo
entrevista com o professor Ronoel Simões: “... violão não dá dinheiro...” ,
Portanto, deixar de realizar bem a sua obra porque se é mal remunerado, por
exemplo, não é coisa de artista, de um verdadeiro educador. Aliás, quanto mais se
dedica à sua arte, à sua obra, a aos seus educandos, à uma educação de qualidade, é que
o arte-educador terá condições, se for o caso, de reivindicar uma melhor remuneração.
Se o arte-educador se descuida de sua arte, perde seu valor como artista e seu
direito como profissional.
Mas educar também tem a ver com autoridade. E autoridade também vem do
latim augere, isto é, “crescer”, “aumentar”, que na grafia antiga, mais fiel à raiz latina,
se escrevia augmentar, tanto intransitiva, quanto transitivamente, quer dizer, “crescer”
e “fazer crescer”, fazer aumentar...
Da mesma raiz vem “autor”, em latim, auctor, isto é, alguém que, pela sua arte,
é capaz de fazer surgir alguma coisa, alguém que cria algo novo, alguém que enriquece
a realidade.
“Autoridade” é então a qualidade ou a competência de quem, primeiro, é capaz
de fazer crescer, de enriquecer a realidade, de aumentar a beleza, o belo e a bondade do
mundo, de realizar o novo, de fazer existir o que não existia. Por isso mesmo, num

8
segundo momento, ele mesmo, cresce aos olhos de quem admira sua capacidade de
fazer surgir alguma coisa ou fazer alguém crescer, de fazer surgir o novo, de contribuir
com alguma coisa de novo para o bem da humanidade. O papel da “autoridade”, então,
é fazer os outros crescerem. Outra pretensa expressão de autoridade é a imposição, a
impostura, o abuso de poder, a mistificação, a enganação etc.
Mas os antigos diziam, em latim, que auctoritas est ille qui silet, quer dizer,
autoridade é aquele que silencia, que cala, que pára pra escutar. Parece ser o
primeiro requisito da verdadeira autoridade e do verdadeiro educador: a capacidade de
calar e de escutar. Alguém que só tenha o que dizer, a partir do que escuta, do que
observa; alguém que sinta profundamente as pessoas e os acontecimentos; alguém que
tenha aprendido a ler os rostos, os semblantes, e a se colocar no lugar do outro.
Uma educação “alternativa” – que vem do latim alter, altera, quer dizer, outro,
outra, diferente –, que em nossa proposta significa práticas que se justapõem ao que já
existe, que se colocam ao lado das demais... Jeitos de educar existindo paralelamente a
outros... Atividades educacionais diferentes, novas, modernas, criativas, dinâmicas,
sofisticadas, realizadas ao lado de outras consideradas tradicionais, superadas,
monótonas, caretas, cafonas, por exemplo... Educar a partir do:

1.“olhar atento”Ana Mae, de uma


2.“escuta sensível” Enny Parejo, da
3.“meditação profunda e do bem-estar” Arun.

A arte de suscitar:
1. novas relações entre as pessoas (comunidade planetária) Edgar Morin
2. novas relações com o cosmos, com a terra (tomada de consciência de nossa
terra pátria) Edgar Morin
3. novas relações com o micro e o macro mundo, com o complexo. (cidadania
terrena) Edgar Morin.

Cultura é o resultado do verbo “cultivar”. São todas as formas e expressões do


permanente e universal cultivo da vida. São as respostas que cada grupo humano dá ao

9
desafio de existir. Respostas dos seres interdependentes em relações interpessoais. Desta
forma, teremos três eixos:
1. O passado: a tradição e o legado herdado historicamente.
2. O presente: a continuidade, atualidade, criatividade e mudança.
3. O futuro: a projeção, o sonho permanente de superação.

Assim foi na história das técnicas composicionais do canto gregoriano aos


motetos; do tonalismo ao atonalismo (serialismo); e paralelamente a historia oficial da
Música ocidental a microtonal e a modal em suas historias. A história do passado para o
presente e a projeção para o futuro permeiam nosso componente curricular, mas em
muitos conservatórios não é dada a liberdade da criatividade, principalmente nas aulas
de instrumento, neste sentido é necessário continuar executando o repertorio do alaúde,
da vihuella, do violão moderno, mas também buscar a expansão do repertorio com
experimentalismo com Leo Brouwer, Guerra Peixe, Egberto Gismonti, Marlos Nobre,
Arun (holoMúsica) etc... E nos estudos aprofundados da “releitura da obra de arte”,
proposta metodológica triangular, Ana Mae.

Nesse “cultivar” verificam-se três eixos :


1. A cultura do ter: que tem a ver com a economia e com a ecologia, com
cultivar a terra, produzir bens, partilhar riquezas, cuidar do ambiente, preservar a
natureza, garantir a continuidade da vida.
2. A cultura do poder: que tem a ver com a política, com o exercício da
cidadania, da convivência entre os homens e mulheres na cidade como atores
influenciados e influenciáveis, e que seja asseguradas as melhores condições de vida.
3. A cultura do saber: que tem a ver com informação e formação, com ciência e
sabedoria, com tecnologia e filosofia, com as artes, espiritualidade e mitos, com a
estética que da sabor ao belo na vida.
Três eixos da cultura, para resgatar, dar continuidade e suporte a auto-estima
dos nossos alunos. Buscamos na cultura o anima para nossos trabalhos de educação
Musical através do instrumento.

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Neste sentido, as diretrizes curriculares nacionais, de 1996, elaboraram um
currículo paralelo da cidadania, um currículo interdisciplinar e transdiciplinar, que
transcende os conteúdos a priore estabelecidos, sendo estes:
1. Saúde
2. Sexualidade
3. Vida familiar e social
4. Meio ambiente
5. Trabalho
6. Ciência e tecnologia
7. Cultura
8. Linguagem.

O que pretendo desperta em nossos colegas – professores de violão – é que a


técnica por si só poderá resolver um trecho Musical, uma frase, uma agógica, mas que,
para interpretar Música num instrumento, o aluno deve estar ali como um ser completo,
indissociável, complexo do ter, poder e saber, e que, portanto, ele merece a nossa
atenção e o nosso cuidado, como um todo dentro do contexto social: (1. família, 2.
escola, 3. sociedade/ comunidade).
O ensino da arte, sob o ponto de vista da formação/ preparação do educando
para vida profissional, assim como para a própria vida, requer a construção de
conhecimentos lingüísticos, cognitivos, sociais, criativos, expressivos e
comunicacionais. A arte dialoga com diversas disciplinas como língua portuguesa,
historia, geografia, entre outra, com aportes na sociologia, na antropologia, na filosofia
e na psicologia. Este ensino centra-se na diversidade dos códigos artísticos e culturais e
na interculturalidade, elegendo a pluralidade como principio articulador do
conhecimento a partir das relações entre a teoria e a pratica (práxis), entre o erudito e o
popular, a tradição e o novo, a historia e a contemporaneidade, o local e o universal,
procurando garantir que nosso aluno se aproprie da riqueza desse conhecimento que e a
arte.
Talvez o maior desafio do ensino da arte hoje seja a “releitura“ -metodologia
triangular. Claro que nossos alunos podem fazer a leitura de trabalhos realizados pelos
seus colegas, além das leituras que podem fazer através das mídias, mas o acesso a

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produção historico-social em toda sua diversidade, que possibilita a identificação de
qualidades estéticas, e essencial, e cabe ao professor promover esse acesso, pois assim
ele estará promovendo conhecimento e cidadania.
Na sociedade moderna, a arte torna-se um meio de
preservação e fortalecimento da comunicação pessoas-a-
pessoa e de sublimação da melancolia, do medo e da
desalegria - fenômenos que ocorrem pela manipulação
bitolada das instituições públicas e se tornam fatores hostis à
comunicação. A arte transforma-se em instrumento do
progresso, ou melhor, da transformação, do soerguimento da
personalidade e de estímulo à criatividade.
Como instrumento de libertação, a arte torna-se um meio
indispensável de educação, pelo fato de oferecer uma
contribuição essencial à formação do ambiente humano.
Assim, através de sua integração na sociedade, a arte tornar-
se-á um traço central da sociedade moderna, desde que por
meio desta sua integração, ela vença sua alienação social e
sobreviva à sua crise.1

Com o acesso à arte, poderemos diminuir o fosso existente entre pobres e ricos,
na direção de uma sociedade mais justa e democrática. O social é, pois, base do
humano. Nossa perspectiva filosófica é humanista guiada por concepções comprometida
com a dignidade humana:
1. A justiça social;
2. A ética democrática;
3. A construção da cidadania.

A arte acompanha a humanidade desde os primórdios e, através de sua historia e


contextualização, passamos a conhecer um pouco sobre cada época e suas implicações
filosófica, sociais, ideológicas, etc. Essa viagem no tempo pode começar nos antigos
rituais, passando pelas pinturas rupestres, tragédia grega, o teatro oriental, a opera, os
movimentos modernos, ate as manifestações mais contemporâneas como o teatro -dança
e a performance, entre outras.
A arte contém um sistema próprio de signos, visuais, corporais e sonoros, que se
transformam em símbolos dentro de códigos próprios de cada cultura, época,
movimento, contexto, etc... Além de signos do teatro existem elementos que constituem
a peca de teatro, os personagens, o enredo, o tema, o conflito, o tempo e o espaço.
1
KOELLREUTTER, H.J. Palestra: Sobre a Educação Musical hoje e Quiçá, Amanhã.

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Assim como a Música os elementos que a compõem (melodia, ritmo, harmonia,
densidade, frases, temas, formas...) E esse conteúdo que se ensina em arte, e a partir da
posse desse conhecimento, qualquer pessoa pode utilizá-lo para se comunicar/
expressar, para ler a produção artística da humanidade e compreender e desvelar a
existência de múltiplas culturas e subjetividades. A arte e um laboratório insubstituível
para a invenção, a descoberta, a investigação, o sonho e a realidade, a contestação, o
imaginário, o debate, a resistência, a provocação.
Arte é linguagem, e sistema de representação, e comunicação. Uma linguagem
intertextual, pois articula diversas linguagens, e um mosaico de diversidades, pois no
palco o instrumentista utiliza varias competências e habilidades, além de aspectos
cognitivos e estéticos, pois lidamos com questões inerentes ao desenvolvimento e
formação da memória muscular, coordenação motora fina, sincronismo,
psicomotricidade, além de conhecimentos de estilos e movimentos artísticos. A
linguagem Musical e democrática por excelência, pois reduz os desníveis sociais.
É a partir do domínio da linguagem que passamos a construir sentidos, a da
forma ao pensamento. Construir, descobrir a linguagem e aprender a utilizar os signos
da arte em toda sua expressividade.
Dentro dos novos paradigmas do ensino, temos que estar atentos a nossa
diversidade cultural, para não darmos continuidade a exclusão as etnomusicais, agindo
assim, estaremos colaborando para o fim da segregação cultural, da supremacia da arte
hegemônica européia, que trata outras culturais como inferiores. Pois a
multiculturalidade é a convivência de diversas culturas dentro de um mesmo campo e
compreende as representações de raça, classe e gênero como resultado de lutas sociais,
neste sentido e importante analisar repertórios tecnicamente substituíveis, dando
oportunidade de escolha aos nossos alunos.
Um professor que ensina um instrumento devera estar atento a formação do
aluno completo, complexo, indissociável, isto é , não só para a preparação do artista,
mas também para a preparação de um cidadão critico e consciente e que este seja um
veiculo onde o conhecimento e a aventura do espírito humano se manifeste.
A estética do capitalismo é a estética do individualismo, que propõe o
hedonismo inconsciente de um consumo capitalista desenfreado. E cabe a nos

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educadores provocar nossos alunos para construção de uma sociedade mais justa e
igualitária.

1.1 PENSAMENTO CARTESIANO E MODO DE PENSAR


COMPLEXO: A CRISE DOS PARADIGMAS E SEUS EFEITOS NA
EDUCACAO

Com as mudanças de paradigmas nos sistemas cognitivos, percebemos


mudanças substancias nos métodos2 de ensino. Muitos professores e entidades
educacionais substituíram o método cartesiano3 pelo pensamento complexo.

PENSAMENTO CARTESIANO PENSAMENTO COMPLEXO


Qualitativo Quantitativo
Certezas, leis, determinismos Incertezas, indeterminações
Precisão, ordem Fenômenos aleatórios/ ordem e desordem
Linearidade Não-linearidade
Precisão, disjunção, redução, abstração, Incorpora a imprecisão, a integração e
simplificação. dinâmica entre o todo e as partes.
Educação linear. Educação processual.

1.2 TRÊS EIXOS DAS METODOLOGIAS

Na historia do ensino existem três tipos de metodologias:


1. Escola tradicional: o aluno é visto como um sujeito passivo, que
deveria receber e memorizar os conhecimentos;
2. Escola nova: o aluno começa a ser visto em sua individualidade;

2
Procedimento, técnica ou meio de se fazer alguma coisa, especialmente de acordo com um plano.
Processo organizado, lógico e sistemático de pesquisa, instrução, investigação, apresentação etc. Ordem,
lógica ou sistema que regula uma determinada atividade. Modo de agir; meio, recurso. Qualquer
procedimento técnico, científico. Conjunto de regras e princípios normativos que regulam o ensino ou a
prática de uma arte. Conjunto sistemático de regras e procedimentos que, se respeitados em uma
investigação cognitiva, conduzem-na à verdade.
3
O somatório de operações e disposições preestabelecidas que garantem o conhecimento, tais como a
busca de evidência, o procedimento analítico, a ordenação sistemática que parte do simples para o
complexo, ou a recapitulação exaustiva da totalidade do problema investigado. No pensamento de Edgar
Morin, atitude intelectual que busca a integração das múltiplas ciências e de seus procedimentos
cognitivos heterogêneos, tendo em vista o ideal de um conhecimento eclético e complexo

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3. Escola ativa: segundo Weigel (1988, p. 17), o aluno passa a ser visto
como ser participativo, propiciando um ensino atuante.

Para nos situarmos na historia da educação, usaremos a seguinte tabela,


adaptada a partir de VASCONCELLOS (2002):

1. PERIODO 2. PERIODO 3. PERIODO


COSMOCÊNTRICO TEOCÊNTRICO ANTROPOCÊNTRICO
(do séc. 7 aC. ao séc. 1 aC.) (do séc. 1 dC. ao séc. XVI dC.) (a partir do século XVI)
Séc. 7: Escola de Mileto: Tales 1. Educação voltada para o 1. Separação entre igreja e
de Mileto – Anaximandro – homem, mas direcionada para estado.
Anaxímenes Deus.
2. A liberdade de expressão.
1. Valor Maximo: O uso da 2. Deus como meio e fim de
razão para explicar o toda preocupação do 3. O conhecimento sem a visão
fenomênico-processo racional conhecimento. tutelar do mundo eclesial.
via racionalismo critico.
3. Educação monástica. 4. O homem como centro de
2. Descoberta dos valores Artes liberais: Trivium: toda especulação do
cósmicos tendo como base a Gramática, Retórica, Dialética pensamento.
pesquisa intelectual critica. Quadrivium: Aritmética,
Geometria, Astronomia, 5. Nascimento das Ciências
3. Não conformação com as Música. novas:
explicações místicas do mundo - Biologia;
oriental. Falhas: - Sociologia;
- Ausência do homem na - Psicologia;
4. Primeiro sistema preocupação dos pensadores e - Antropologia;
educacional – A Paidéia – dos educadores; - Pedagogia.
apresentado pelos Sofistas: - Importava apenas o
- O problema da verdade conhecimento teológica; 6. As ciências sociais tornaram-
- A importância do álibi - Exagero ao sistema metafísico; se antropocêntricas:
- Prioridade ao cidadão. - O monasticismo exercia uma - A Política;
pratica eclesiástica cujo - A Economia;
5. Os métodos: Maiêutica, propósito era o contato com - A Educação;
ironia Deus. - A própria religião.

15
6. A lógica

7. A ética

Falhas:
- O homem ausente do
processo;
- A importância única da
especulação, o cosmo.

1.3 TABELA PANORÂMICA SOBRE PROPOSTAS


PEDAGÓGICAS

Esta tabela – elaborada a partir de dados contidos em PIAGET (1990),


LA TAILLE et all. (1992) e RAPPAPORT (1981) – tem como propósito mostrar um
panorama de várias escolas e correntes pedagógicas por nós pesquisadas. Entretanto,
sua função principal é propor uma educação dialética, voltada para formação de
indivíduos mais humanos e conscientes a respeito de si próprios. Além disso, o que se
quer é, também, mostrar como se aplicam tais considerações ao ensino do violão. Em
negrito aparece tudo aquilo que aplicamos em nossas praticas pedagógicas.

SKNNER
Comportamentalista
ESCOLA FILÓSOFO GREGO
Behaviorismo
Tradicional
Instrumentalista
Positivista
 Tipo de ensino
 Ensino centrado no objeto
centrado no
Características programa,disciplinas.
 O conhecimento é uma
gerais:
descoberta e é nova para o
 O aluno executa as
individuo que a faz/ tabula rasa.
tarefas fixadas.
 Produto do conhecimento  Produto do meio/ o que importa é
Homem:
previamente fornecido a produção.
Mundo:  O mundo é externo ao  Há dois lados a experiência o
individuo e este ira levara a um deles.
conhecendo-o através dos  O mundo já é construído e o

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homem é produto do meio.
modelos fixos.
 O meio seleciona.
 Lugar onde se realiza a
 Reproduz a idéia do poder
educação/ restrita na sala de
Escola: dominante.
aula num processo de
 Agencia de controle social
transmissão.
 A ênfase é dada na sala  Tendência comportamental
de aula, na “instrução”.  Não há modelos ou sistema ideal
Ensino-  O aluno é visto como de instrução.
aprendizagem Deposito de conhecimento  O aluno será estimulado
 A aprendizagem é um fim através de elogios, notas, prêmios
em si mesmo  O ensino visa a,”ascensão social
 Relação vertical: O
professor detém o poder e  O professor detém o processo
Professor-alunado decide quanto a  O professor é considerado
metodologia, conteúdo, planejador e o aluno o executante.
avaliação,etc...
 Este tipo de ensino  Ambiente social é o que
emprega-se em qualquer chamamos de cultura.
sociedade e cultura, pois  Cultura é o espaço experimental
Sociedade-cultura este ensino visa a utilizado no estudo do
perpetuação das bases comportamento.
“verdadeiras”, imutáveis da  Cultura social nessa abordagem
classe dominante representa costumes dominantes.
 Resultado direto da experiência
Conhecimento  Bancário
planejada
 Esta ligada a transmissão da
cultura.
 A educação é provinda  A educação devera transmitir
da escola e serve para a conhecimentos e comportamentos
Educação
manutenção dos padrões éticos e sociais.
éticos, morais e sociais.  Serve para a manipulação e
controle social e cultural da
burguesia.(liberalismo)
 Método maieutico, os
 Individualização, especificação
professores pensam que
Metodologia de objetivos, envolvimento dos
provocam pesquisa pessoal
alunos e respeito ao seu ritmo.
do aluno.
 Quantitativa, devolução  Observa o nível atingido por
Avaliação do conhecimento cada aluno relacionada com os
fornecido objetos
 O que não é programado não é
Considerações  Aluno passivo e
desejável
finais reprodutor de ideologias.
 O aluno é visto individualizado.

VIGOTSKI
ESCOLA ROGER PIAGET PAULO FREIRE
Humanista Cognitiva Sócio-cultural
Construtivismo
Características-  Ensino centrado  Ensino é um  Preocupação com
Gerais: no sujeito. processo de a cultura popular, visa

17
 Ênfase nas interação do
a onscientização
relações inter- sujeito com o
social.
pessoais. objeto
 Processo
continuo de
descoberta do Eu  * O homem é o
 O homem e o
 Ser único e somatório do: sócio-
Homem: mundo são
original econômico/ cultural e
interligados
 Auto-critica político.

 *O mundo e o
homem estão
interligados, o
mundo é para o
 O homem é a
homem
 Feito pelo soma das
 *O homem
Mundo: homem e para o percepções
chegara a ser sujeito
homem. individuais mais
através das reflexões
social.
sobre o ambiente
concreto(mundo)
para intervir na
realidade e mudá-la.
 Deve respeitar a  *Questiona a
 Representara
hora que cada verdade
recurso para o
Escola: aluno tem na  *Professor e aluno
desenvolvimento
descoberta do em mutua
de cada aluno.
saber. descoberta
 Centrado na  Aprender é  * Pedagogia do
pessoa (sujeito) assimilar o conhecimento,
Ensino-
 dirigir a pessoa objeto a dialogo dentro do
aprendizagem
a sua própria esquemas mentais contexto social. (auto-
experiência em situação social critica).
 O professor
 O professor é o não oferece
facilitador e deve solução pronta.
 A relação
Professor- conquista a  Os objetos
horizontal não
alunado confiança dos são explorados
importa
alunos e seus pelos alunos e o
interesses professor é um
orientador.
Sociedade-  Proposta de  Desenvolvime  Resulta na ação
cultura sociedade aberta nto do homem
onde os indivíduos  Evolução  O homem cria a
assumem suas  Reconstrução cultura na medida em
responsabilidades. que intera-se nas
 Correlação condições do seu
impessoal contexto de vida,

18
reflete sobre ele e da
respostas aos
desafios que
encontra.
 Se faz através
 Inacabável, de etapas a ser
cada individuo superadas  A partir da
Conhecimento constrói ao  construção conscientização e
decorrer de sua continua do pratica.
historia. individuo com o
meio.
 A educação
não consiste na
transmissão de
 Toda educação
 É ampla e a verdades,
para ser valida deve
partir do próprio demonstrações e
ser precedida de
Educação aluno. modelos.
reflexão sobre o
 Não esta restrita  O aluno
homem e sua vida
as escolas aprende por se
concreta.
só, suas
verdades e as
conquista
 Estratégias
 Trata dos
secundarias.
meios e  Método de
 Não se enfatiza
indivíduos alfabetização por
técnica ou método
Metodologia  Trabalho em Paulo Freire, através
 Uso de estimulo
grupo de situações da vida
 O aluno escolhe
 Sociável em real .
 Há vários tipos
equipe.
de recursos.
 Auto-
avaliação  Avaliação mutua e
Avaliação  Auto- avaliação
 Avaliação permanente
coletiva
 Ênfase no
Considerações sujeito  Busca a auto-  Visa mudanças
finais  Busca o próprio motivação. Sociais.
eu.

Os negritos demonstram que, em momentos diferentes, nós, professores


de violão, precisamos ser tradicionais, comportamentais, humanistas, cognitivos,
construtivistas, dialéticos, ou seja, fenomenológicos4.

4
No pensamento setecentista, é a descrição filosófica dos fenômenos, em sua natureza aparente e ilusória,
manifestados na experiência aos sentidos humanos e à consciência imediata. Para Husserl, é o método
filosófico que se propõe a uma descrição da experiência vivida da consciência, cujas manifestações são
expurgadas de suas características reais ou empíricas e consideradas no plano da generalidade essencial.
Reconhecida como uma das principais correntes filosóficas do século XX, influenciou autores como
Heidegger, Sartre e Merleau-Ponty. É, também, qualquer formulação teórica que busque ressaltar
descritivamente a experiência vivida da subjetividade, em detrimento de princípios, teorias ou valores
preestabelecidos.

19
2. OS MÉTODOS ATIVOS NO ENSINO DA MUSICALIZAÇÃO

O ensino da Música era pautado – e ainda é – em muitas instituições da escola


tradicional. Porém, com estudos elaborados por pedagogos tais quais Jacques Dalcroze,
Carl Orff, Zoltan Kodaly, Suzuki, etc, o ensino da Música foi se tornando mais ativo e a
musicalização infantil passou a se dar por meio de vivências musicais. Entretanto, o
ensino do instrumento propriamente dito continua a ser pautado no desenvolvimento do
talento para salas de concerto. Tome-se a tabela seguinte como explicação comparativa.

20
Dalcroze Kodaly Orff Suzuki
Musicalização Explora todos os modos Desenvolve ouvido Aprendizado pela Aprendizado pela
de aprendizagem: interno; solfejo atividade criativa; imersão e pela
auditivo, sinestésico, relativo; música elemental identificação com
visual. Busca melhor alfabetização (canto, fala, os pais, mestres e
coordenação entre olhos, Musical movimento, ritmo, amigos - papel
ouvidos, mente e corpo. dança) - método preponderante da
Euritmia = bom holístico família
movimento: não há som da família
sem movimento
Aspectos Introduzidos tardiamente; Introduzidos desde Aprender fazendo; Aprender
teóricos/ deve-se deixar a partitura cedo, com leitura e só depois se lê escutando; só
de lado assim que escrita. Solfejo depois se lê
leitura/ escrita aprendemos a peça. relativo. Inicia com
Quem lê não internaliza, grupos (d-r, d-r-m,
pois focaliza apenas o etc.), depois
visual. Solfejo relativo e trabalha a escala
fixo. pentatônica, e só
depois os outros
modos
Execução Qualquer que seja o Privilegia a voz Todo tipo de Visa a boa
instrumento, deve-se cantada; só se vai percussão (palmas, interpretação
interagir com a partitura, ao instrumento pés, tambores) e Musical no
e não apenas reagir; a depois de saber instrumentos Orff; instrumento
repetição mecânica faz cantar. Ênfase na voz falada. (violino), buscando
perder a concentração. É consciência da expressar
preciso haver sempre melodia e da sentimento e
desafio, experimentação, harmonia, coloridos sutis
criação. Pequenas associando sempre desde as primeiras
variações mantêm a o solfejo à peças.
atenção - se a partitura execução. Atenção
diz “forte”, vamos ao ouvido interno.
experimentar vários
níveis de forte. Assim
pode-se ter uma prática
que dá prazer. Uma das
principais tarefas do
professor é ensinar o
aluno a estudar, a criar
bons hábitos para sua
prática diária.
Composição/ Improvisação com Improvisação Improvisação com Variações sobre os
improvisação movimentos corporais, através do solfejo, palavras e rimas temas são
depois com sons (solfejo) desde os primeiros apresentadas
grupos d-r-m como modelos
Repertório Variado, com uso de Folclore húngaro, Rimas, provérbios, Peças clássicas
inicial improvisação (som e em uníssono ou a canções de roda e/ou folclóricas
movimentos) pelo duas e três vozes ou populares,
professor e alunos palavras, danças,
folclore
Estruturação Euritmia - método Sistematizou não criou um Sistematizou os
do método estruturado, com lições material folclórico, método, mas princípios de
detalhadas e exercícios com arranjos bem reuniu vasto aprendizagem da
sugeridos cuidados e material de língua materna e
gradação trabalho adaptou-os à
minuciosa das educação Musical

21
peças; mas não
criou propriamente
um método
pedagógico
Aspectos Manter o interesse Identificação com a Valorização da Motivação e
psicológicos através da criatividade “língua Musical experiência sobre a identificação com
(pro-active attitude) e da nativa” (o folclore intelectualização; os pais,
ludicidade; explorar a simbolizando o trabalho em grupo professores e
gestalt da música; país, a terra, as cooperativo; a colegas (ambiente
organizar e energizar origens); empenho recompensa pelo de aprendizagem
(otimizar) o tempo de em manter vivas e aprendizado é o colaborativa).
prática do aluno, criando valorizadas as próprio prazer do
objetivos específicos - tradições processo de
assim, ao final do estudo, nacionais. aprender.
o aluno se sente tendo
atingido uma meta
Objetivos- integrar o movimento alfabetizar sensibilizar todas desenvolver
chave corporal na vivência Musicalmente toda as crianças para a talentos, formar
Musical e na a população música (criação e músicos
performance, tornando-a húngara e resgatar audição), instrumentistas
mais expressiva. (ou valorizar) a mostrando um excepcionais.
canção folclórica caminho de
do país. conhecimento e
prazer através da
experiência
Musical pessoal.
Palavras-chave Movimento corporal Voz cantada Voz falada Talento /
instrumento

3. MÉTODOS DE VIOLÃO

A seguir, uma outra tabela vai tratar de expor didática e objetivamente os


resultados de uma análise empreendida no decorrer deste estudo acerca dos métodos e
dos manuais (para violão) mais comuns no mercado atual. Entram na lista de obras
analisadas as tradicionais pedagogias, os pragmáticos métodos de cifras, bem como os
livros mais teóricos e elaborados e suas relações com os métodos ativos de ensino.

22
IMAGEM DA NOME E DESCRIÇÃO COMETÁRIOS
CAPA
COMECE A ESTUDAR VIOLÃO PELAS
CORDAS SOLTAS
Vicente Alves Ferreira
Método de violão para principiantes, que
apresenta a postura correta, afinação do Abordagem cartesiana. Você encontrara
instrumento, exercícios de cordas soltas, exercícios do nível elementar e
exercícios gradativos com cordas presas, gradativamente se vai aumentando o grau
pequenas peças para aplicação dos de dificuldade.
tópicos abordados, escalas maiores e
menores, um pequeno sumário de
acordes, noções de cifras e alguns ritmos
básicos.

ESTUDO PROGRAMADO DE VIOLÃO -


VOL. 1
Pedro Cameron
Método de violão destinado ao iniciante
que deseja conhecer os elementos Abordagem cartesiana. Você encontrara
utilizados na construção Musical ou tirar exercícios do nível elementar e
dúvidas quanto ao procedimento técnico a gradativamente se vai aumentando o grau
ser adotado. Pedro Cameron é violonista, de dificuldade.
professor, compositor e autor da obra
"Repentes", vencedora do 1º Concurso
Brasileiro de Composição de Música
Erudita para Piano ou Violão, de 1978,
patrocinado pelo MEC/FUNARTE.

HARMONIA PRÁTICA DA BOSSA-NOVA


MÉTODO PARA VIOLÃO
Carlos Lyra
Carlos Lyra, um dos expoentes da bossa-
nova, expõe todo o seu conhecimento
neste seu mais recente trabalho. A obra
apresenta ensinamentos na parte teórica
(acidentes, enarmonia, tônica e Muitos livros são considerados “métodos”
fundamental, modo e escala) e na parte da embora não o sejam, por apresentarem
prática rítmica (valsa, samba-canção, ensinamentos teóricos, principalmente
toada, samba bossa nova), tudo ilustrado sobre a formação de acordes e harmonia.
num CD que acompanha o método e inclui
17 das famosas composições do autor,
interpretadas pelo próprio Carlos Lyra e
seu violão, entre elas: Canção que morre
no ar, Coisa mais linda, Feio não é bonito,
Influência do jazz, Lobo bobo, Minha
namorada, Primavera, Samba do carioca,
Saudade fez um samba e Se é tarde me
perdoa.

23
RITMOS BRASILEIROS
Este é um método e o primeiro volume que
foi baseado em quase três anos de
colunas mensais escritas pelo músico
André Martins sobre ritmos, harmonia e
standards brasileiros na revista Cover
Guitarra. Amplamente revisado e
atualizado, este material provou ser
atemporal, mostrando excelentes
características didáticas no aprendizado
dos ritmos diversos da música brasileira.
Vale lembrar que este método foi feito
originalmente tendo em mente a
abordagem de um dos assuntos mais
importantes na vida de um guitarrista e/ou
violonista, principalmente se ele for Método que expõe ritmos brasileiros
brasileiro: a função e importância do violão escritos em pentagrama, muito bom para
e da guitarra dentro do escopo da música estudantes de violão clássico, ampliando o
feita no Brasil, com todas as suas criativas conhecimento destes em relação a nossa
variações e vertentes. diversidade cultural.
Estão aqui neste primeiro volume
exercícios e aspectos teóricos de ritmos
como Samba, Bossa-Nova, Baião, Frevo e
Choro, além de analises de melodia e
harmonia características de cada estilo,
tudo embalado com muitos exemplos
Músicais e fotos explicativas.
Tentar cobrir todo o universo Musical de
um país do tamanho do Brasil é, com
certeza, um desafio. É por isso que o autor
aqui resume aspectos importantes e
didaticamente pertinentes, para que o leitor
possa realmente aprender um pouco sobre
os estilos mais importantes da música
brasileira.

SONORIDADE E IMPROVISAÇÃO - VOL. Abordagem cartesiana, que se enquadra


COMPLETO aos moldes dos métodos analisados por
nos, adquiridos em bancas de revistas,
André Martins como por exemplo: violão sem mestre-
manual para iniciantes da
O guitarrista André Martins mostra nesta
editora:Provenzano, Coleção aprenda fácil-
Videoaula a utilização dos modos
curso de violão da editora: Escala,
gregorianos gerados pela escala maior:
Aprenda fácil violão- curso completo em
jônio, dórico, frígio, lídio, mixolídio, eólio e
cinco edições da editora: Artesons. Nestes
lócrio. Com uma abordagem moderna e
métodos como tanto outros que estão `a
diferenciada, cada um destes modos é
venda nas bancas de revistas constam de
apresentado ao longo do braço da guitarra
exercícios teóricos, formação de acordes,
como uma sonoridade completa, sua
pentagrama, acompanhamento, tablatura,
formação tonal e os mais característicos e
técnica, escalas e o desenho do braço do
importantes intervalos que os
violão com indicação para formação de
caracterizam.
acordes e escalas, e algumas Músicas
O guitarrista mostra a criação de frases cifradas.
ressaltando a sonoridade modal, a quebra
do uso de desenhos e “shapes” sempre
enfatizando o uso melódico e Musical.
Exemplos em cadências como II-V-I,

24
acorde dominante alterado, uso de notas
complementares ao som modal (“outside”)
e passagens cromáticas também são
analisados. Finalmente, uma aula que traz
à tona toda a possibilidade Musical dos
modos gregorianos gerados pela escala
maior.
Este DVD contêm as vídeoaulas em VHS
volume 1 e 2, em gravação digital na
íntegra, além de extras e informações
complementares. Acompanha livreto com
partitura e tablatura.

ESCOLHENDO NOTAS E Como tantos outros livros, neste consta de


CONSTRUINDO SOLOS um embasamento teórico sobre formação
de acordes, harmonias e fraseados.
Carlos Rebello
Para se construir melodias, sejam elas
usadas para uma linha de voz ou para um
solo de guitarra, é necessária uma
intimidade com o instrumento, traduzindo
as idéias que estão em sua cabeça para a
música. O conhecimento de harmonia é
fundamental, para que seja mais fácil a
escolha das notas, pois de nada adianta
conhecer todas as escalas, tocá-las na
velocidade da luz e em todas as regiões do
braço de sua guitarra, se você não souber
aplicar a escala certa sobre o acorde certo,
e sobre tudo escolher uma boa nota para
soar de maneira harmoniosa com o
conjunto. Em outras palavras, a técnica é
fundamental, mas sozinha não faz música.
Carlos Rebello mostra em “Escolhendo
Notas e Construindo Solos” um suporte do
lado teórico e técnico, criando o
embasamento necessário para que o
estudante de guitarra possa desenvolver
um vocabulário melódico mais amplo e
Musical. O fraseado e as notas escolhidas
em um solo é algo bastante subjetivo,
como o próprio autor diz que ”essa é a
minha visão do assunto, já que a escolha
das notas é, de certa maneira, bem
pessoal, envolvendo o gosto de cada um”.
Por isso, é importante que o aluno de
guitarra possa estudar os assuntos aqui
abordados e começar a criar um estilo
próprio de criar solos e melodias. Carlos
Rebello é professor de música há onze
anos e colaborador da revista Cover
Guitarra. Estudou composição popular com
Eduardo Gudin, prática de improvisação
com Roberto Sion, harmonia com Giacomo
Bartoloni e desenvolvimento técnico com
Daril Parisi e Alexandre “Hard”. Atua como
free-lancer em trilhas sonoras e lançará

25
um CD de música instrumental com o
grupo Tilt. É coordenador educacional da
Guitar School Academia de Música. Carlos
Rebello tem o apoio de: captadores
Spanich guitarras Tagima Audio Place
Studio

MÉTODO DE VIOLÃO – TÉCNICAS


COLEÇÃO TOQUE DE MESTRE
Autor: Ricardo Giuffrida
Este é o primeiro volume da coleção Toque
de Mestre voltado para o violão - o Coleção da editora hmp composta por 4
instrumento mais popular do Brasil, sem volumes: ritmos brasileiros, violão blues,
dúvida nenhuma. Ninguém melhor que violão pratico e técnicas. Para nos, um dos
Ricardo Giuffrida para estrear a série, com melhores métodos vendidos em bancas de
um volume concebido para ajudar o revista, juntamente com curso de violão em
violonista a ampliar sua técnica. Neste vídeo, método pratico- aprendizagem
volume, o leitor vai encontrar muitas dicas dinâmica composto em 3 volumes
e caminhos interessantes para seu apresentado pelo professor Renato
aperfeiçoamento, como levadas e grooves Candro, da editora Qualidade de vida. este
de música brasileira, ritmos flamencos, método consta de: 1. acordes, 2.
choros e linhas melódicas. Também dedilhados da mão direita e esquerda, 3.
encontrará técnicas básicas e posturas ritmos, 4. técnicas de sincronia das mãos
corretas de ambas as mãos. direita e esquerda e repertorio.
Toque de Mestre Violão traz finalmente um
método moderno, didático e acessível para
todos os amantes do instrumento.
50 páginas.

O VIOLÃO DE 7 CORDAS Excelente para os estudantes carentes do


aprendizado do choro brasileiro e suas
Marco Bertaglia baixarias.
O violão de 7 cordas teve sua origem na
primeira metade deste século. Desde
então, tem se tornado cada vez mais
conhecido no universo Musical,
especialmente na música popular
brasileira. Nas últimas décadas, podemos
notar ainda mais essa sua participação. No
entanto, por incrível que pareça, há uma
carência muito grande de material didático
em relação ao ensino específico do “7
cordas”. Foi exatamente esse o motivo que
nos levou à elaboração da presente obra,
à qual tenta suprir essa enorme lacuna na
área de pedagogia Musical. Para os que
sabem que a teoria é tão importante
quanto a prática, só resta por as mãos à
obra, ou melhor, às cordas.
2 CD’s incluso; 66 tipos de escalas; como
montar acordes; 58 exercícios com baixos;
baixos para finalizações; mais de 600
desenhos de acordes; como definir os
baixos de um trecho Musical; músicas

26
cifradas com baixos na pauta e tablatura.
Livro de 146 páginas, com 2 CD’s,
contendo os fundamentos básicos do
violão de 7 cordas.

O VIOLÃO DE 7 CORDAS - TEORIA E Excelente para os estudantes carentes do


PRÁTICA aprendizado do choro brasileiro e suas
baixarias.
Luiz Otávio Braga

Escrito pelo violonista, compositor e


instrumentista Luiz Otávio Braga, o livro
apresenta um novo método de ensino para
este instrumento, criado pelo próprio autor,
após anos de experiência como professor
e grande vivência com a geração de
violonistas do Choro, à qual o trabalho é
dedicado.

Com uma forma simples e objetiva, este


livro vem mostrar através da técnica do
violão de acompanhamento, os aspectos
fundamentais da escola do choro e do
samba. São apresentadas sugestões para
uso ou não de dedeira, as baixarias,
tipologias, modelos de escalas, o uso da
sétima corda como baixo, escalas de
acordes, exercícios e mais de 24
transcrições baseadas nas gravações de
grandes nomes deste instrumento.

O método apresentado em O Violão de 7


Cordas Teoria e Prática é aplicável
também ao violão comum e outros
instrumentos de harmonia, entre eles piano
e acordeon. Ele é indicado não só para
estudantes como também para
professores, como um material de apoio
para a criação de novas metodologias de
ensino.

Há mais de 20 anos trabalhando também


como docente, Luiz Otávio implementou
em 1984, o ciclo de Oficinas de Choro, na
Uni-Rio, onde até hoje é professor do
Departamento de Educação Musical do
Instituto Villa Lobos. Desde então, ele vem
formando uma ativa geração de músicos
de Choro e em especial violonistas e
violonistas de sete cordas.

Como músico, ele possui um registro de


gravações e concertos ao lado de grandes
nomes da cenário nacional, entre eles
Elizeth Cardoso, Paulo Moura, Altamiro
Carrilho, Nara Leão, Itamara Koorax e
Radamés Gnattali.

27
Com este livro, Luiz Otávio Braga pretende
atender ainda mais a grande quantidade
de alunos que o vem procurando para
cursos de violão popular e para a iniciação
deste instrumento, que já consagrou
nomes como Dino 7 Cordas, Rafael
Rabello e Darly Lousada, entre muitos
outros.

CURSO COMPLETO - COLEÇÃO


APRENDA FÁCIL VIOLÃO
UM MÉTODO SIMPLES DE
APRENDIZAGEM
Material a venda em bancas de revista.
A Editora Escala preparou a Coleção Ao assistir e analisar os dvd’s, não
Aprenda Fácil Violão pensando em você aconselho a compra deste, por não
que quer aprender a tocar de verdade este concorda com a técnica de ataque da mão
instrumento! direita, onde o som soa a toda hora como
Confira tudo sobre acordes, ritmos, pizzicato, comprometendo a qualidade
intervalos, tétrades, inversão, modos de sonora e a Musicalização dos principiantes
escala maior, funções harmônicas, no estudo do instrumento.
cadências e arpejos, além de exercícios
para você aperfeiçoar ainda mais seus
conhecimentos.

PEDAGOGIA DO VIOLÃO
IRMÃOS VITALE Assim como o Método Pratico para Violão-
Caderno auxiliar para professores e alunos Paraguassu, Método pratico para violão-
de violão, contendo gráficos para posições Cacique/ Annibal Augusto Sardinha
de acordes, pentagramas, noções de cifras (Garoto), a Pedagogia do Violão, mostra
e de afinação do instrumento, identificação gráficos do braço do violão para posições
das casas, dedos da mão direita, dedos da de acordes da mesma forma que o método
mão esquerda, tonalidades, sinais mais de Gaspar Sanz (1674), sendo este ultimo
usados no cifrado, acordes maiores e grafado com a mão do executante no
acordes menores, além de uma relação braço do violão,
generosa de acordes ditos dissonantes.

COLEÇÃO TOQUE DE MESTRE Da coleção da editora hmp, este foi o único


MÉTODO DE VIOLÃO manual encontrado nas bancas de revista
com abordem erudita (clássico), o autor
VIOLÃO PRÁTICO Eduardo Castanera aborda a técnica
Baseado em uma didática clara e muito carleveriana.
original, este método do violonista
argentino Eduardo Castañera traz todas as
ferramentas necessárias para que o
estudante de violão possa desenvolver
uma linguagem técnica e Musicalmente
eficiente. Como o próprio nome diz, "Violão
Prático" vem recheado de assuntos
importantes como escalas,arpejos
movimentação e posicionamento das
mãos, postura, técnica independente dos
dedos, ligaduras, exercícios de resistência,
coordenação motora, entre muitos outros
aspectos valiosos. Castañera mostra sua

28
originalidade passo-a-passo, com dezenas
de exercícios complementares e dicas
valiosas. Seja você estudante de violão
iniciante, seja um profissional do
instrumento ou mesmo um apaixonado por
este que é o mais expressivo no Brasil,
"Violão Prático" traz conceitos e dicas
originais e muito importantes na formação
e educação Musical.

CURSO DE VIOLÃO
OBRAS DE GRANDES MESTRES
Nilo Sergio Sanchez
Conheci o professor Nilo no Curso de
Curso completo de violão desenvolvido a Sensibilização Musical da pos -graduação
partir da prática adquirida por Nilo Sergio, na faculdade de Música Carlos
professor da Fundação Liceu Pasteur de Gomes(2008), recomendo este método
São Paulo. A primeira parte do método pela sua apresentação coerente dos
aborda, de maneira equilibrada, elementos princípios abordados, Nilo também é
teóricos para o aprendizado e os colaborador da revista Violão Pro. Onde
exercícios práticos necessários. Na tem uma coluna onde transcreve para o
segunda parte, são apresentadas violão pecas originarias para Alaúde, como
partituras e tablaturas numéricas de também pecas de caráter popular de
melodias de grande mestres eruditos e compositores idôneos da Música popular
populares, tais como: Antonio Rago, Badi brasileira (MPB).
Assad, Edson Lopes, Duofel, Mozart
Bicalho, Paulinho Nogueira, Caetano
Veloso e Toquinho. O violonista Ronoel
Simões apresenta o método.

IMPROVISAÇÃO
PRÁTICAS CRIATIVAS PARA
COMPOSIÇÃO MELÓDICA
Turi Collura
O volume 2 aprofunda o estudo da
construção melódica, tratando dos campos Como tantos outros livros, neste consta de
harmônicos, da correlação escala-acorde, um embasamento teórico sobre formação
dos clichês harmônicos, turnarounds, da de acordes, harmonias e fraseados.
improvisação moderna baseada nas
Estruturas Superiores. Apresenta, enfim,
quatro diferentes técnicas de
improvisação: Técnica Paralela; Derivativa;
Lydian Chromatic e Tom Comum.
ACOMPANHA CD.

29
COLEÇÃO APRENDA FÁCIL VIOLÃO
Método prático com Livro + DVD - Nível
Básico
A Editora Escala lança a Coleção Aprenda
Fácil Violão pensando em você que quer
aprender a tocar de verdade este
instrumento! Este primeiro volume traz
uma série de exercícios para iniciantes
além de outras informações fundamentais
para quem deseja virar um mestre nesta
arte! Comece aprendendo sobre a teoria
Como tantos outros livros, neste consta de
Musical, a história das notas, como afinar o
um embasamento teórico sobre formação
violão, a classificação dos intervalos e tudo
de acordes, harmonias e fraseados.
o que você precisa saber para já começar
a dedilhar e tocar sozinho suas primeiras
músicas!
São três fascículos – nível básico, nível
médio e nível avançado – compostos de
Revista e DVD explicativo com acordes,
ritmos, exercícios e músicas. Ou seja, um
método prático e rápido para você
aprender a tocar e explorar cada vez mais
o seu talento! Adquira esta edição e
comprove!

Almir Chediak tem uma enorme bibliografia


para uso de músicos violonistas que
DICIONÁRIO DE ACORDES CIFRADOS queiram tocar a nossa Música popular
brasileira (MPB). Além deste trabalho
HARMONIA APLICADA À MÚSICA sobre acordes, aconselho para meus
POPULAR alunos os livros: Harmonia e Improvisação
1 e 2, que constam de Músicas
Almir Chediak
harmonizadas e analisadas para violão,
Trata-se do mais completo dicionário de guitarra, baixo e teclado.
acordes para violão existente no mercado Chediak também escreveu uma serie de
nacional. De autoria de Almir Chediak, é songsbooks de compositores diversos,
elaborado com extrema competência, excelente para tocar melodias, acordes e
esclarecendo ao estudante de música para usar como consulta para fazer nossos
assuntos muito importantes sobre a próprios arranjos.
harmonia popular, desde substituição de Ainda aos moldes do Dicionário Cifrado a
acordes até análises harmônicas de mais editora Lumiar editado por Chediak lançou
de 40 canções do que há de melhor no no mercado: Acordes, Arpejos e Escalas
repertório brasileiro. para violão e guitarra de Nelson Faria, o
diferencial deste ultimo e a exposição de
frases prontas a serem usadas em
determinados encadeamentos harmônicos.

30
IMPLEMENTO DE TÉCNICA
VIOLONÍSTICA
Manoel São Marcos
Coletânea de estudos sobre escalas ao
violão, de autoria de São Marcos,
enfocando os seguintes tópicos: escalas Método Cartesiano para construção do
maiores e menores, melódicas em duas e conhecimento no violão.
três oitavas, escala cromática, escalas
com ornamentos, exercícios sobre escalas
em uma só corda, exercícios sobre escalas
maiores em terças, sextas, oitavas,
décimas e exercícios em décimas com
ligados.

INICIAÇÃO AO VIOLÃO POR MÚSICA


Norberto Macedo
Método voltado aos iniciantes de violão, Assim como na analise feita no decorrer
apresentando o seguinte programa: deste trabalho sobre o posicionamento
posição masculina e feminina, como afinar feminino no violão, discordo com este
o violão, exercício de cordas soltas, breve método a respeito deste tópico. Em relação
noção de teoria Musical, exercícios de aos exercícios e repertorio há uma linha de
cordas presas e estudos para principiantes construção de conhecimento Cartesiano,
de autoria de grandes mestres do violão, ou seja, do mais fácil ao mais difícil. Indico
como Matteo Carcassi, Dionísio Aguado, este método.
Napoleon Coste e Antonio Cano, entre
outros.

LIÇÕES PRELIMINARES
Benedicto Moreira
Método de violão destinado a iniciantes,
que apresenta os seguintes pontos:
afinação, exercícios com apoio do dedo
indicador simultâneo com o polegar, Método Cartesiano para construção do
exercícios rítmicos, leituras Músicais, conhecimento no violão.
exercícios em oitavas, escala com pestana
completa, ligaduras simples ascendentes e
descendentes, ligadura a três notas e
quadro geral das notas contidas em todo o
braço do violão.

LIÇÕES PREPARATÓRIAS Método Cartesiano para construção do


conhecimento no violão.
A NOVA TÉCNICA DO VIOLÃO -
ESCOLA DE TÁRREGA
Attilio Bernardini
Elaborado pelo mestre do violão Attilio
Bernardini, este método visa introduzir o
estudo da técnica desse instrumento, a
partir dos seguintes tópicos: escala
cromática na 1ª posição, exercícios em
cordas soltas, em todas as cordas, em
arpejos, sobre pestanas, sobre as terças e
exercícios sobre notas presas, entre

31
outros.

MÉTODO PRÁTICO PARA VIOLÃO -


HODNIK
Cláudio Hodnik
Método prático para iniciantes de violão Muitos métodos são chamados de pratico
contendo noções sobre cifras, afinação, por usar uma abordagem com gráficos do
músicas para aplicação dos acordes e um braço do violão para construção de
sumário de acordes, no qual são acordes
apresentados acordes com sétima, sexta,
sétima e nona, sus 4 e inversões, entre
outras possibilidades.

MÉTODO ÚNICO
POSIÇÕES DOS ACORDES Assim como o Método Pratico para Violão-
Paraguassu, Método pratico para violão-
Patrício Teixeira Cacique/ Annibal Augusto Sardinha
(Garoto), e a Pedagogia do Violão, o
Método prático para violão contendo método único mostra gráficos do braço do
gráficos com as posições dos acordes de violão para posições de acordes da mesma
todas as tonalidades maiores e menores, o forma que o método de Gaspar Sanz
que facilita àqueles que preferem (1674), sendo este grafado com a mão do
acompanhar canções com o auxílio do executante no braço do violão,
ouvido.

MEU VIOLÃO, MEU AMIGO - 1º VOL.


MÉTODO FÁCIL POR CIFRAS
Mário Mascarenhas e Mascarenhas Jr. Assim como na analise feita no decorrer
deste trabalho sobre o posicionamento
Método prático de violão, desenvolvido feminino no violão, discordo com este
pelo mestre Mário Mascarenhas e seu filho método a respeito deste tópico. Em relação
Mário Mascarenhas Júnior. De fácil aos exercícios e repertorio há uma linha de
compreensão, o livro aborda os seguintes construção de conhecimento Cartesiano,
tópicos: posições masculina e feminina, ou seja, do mais fácil ao mais difícil. Indico
braço e mão direitos, como afinar o violão, este método.
dedilhados das mãos esquerda e direita,
sinais convencionais para ritmos, acordes
e cifragem dos acordes.

MEU VIOLÃO, MEU AMIGO - 2º VOL.


MÉTODO FÁCIL POR CIFRAS
Mário Mascarenhas e Mascarenhas Jr. Assim como na analise feita no decorrer
deste trabalho sobre o posicionamento
Método prático de violão, desenvolvido feminino no violão, discordo com este
pelo mestre Mário Mascarenhas e seu filho método a respeito deste tópico. Em relação
Mário Mascarenhas Júnior. Este segundo aos exercícios e repertorio há uma linha de
volume apresenta um pequeno dicionário construção de conhecimento Cartesiano,
de acordes, que passa por todas as ou seja, do mais fácil ao mais difícil. Indico
tonalidades, além de uma pedagogia de este método.
violão, com breve explicação de como
extrair o melhor aproveitamento possível
desse material.

32
MEUS CHORINHOS
MÚSICAS PARA VIOLÃO SOLO COM
CIFRAS
Gastão Weyne
Álbum contendo 19 chorinhos de autoria
de Gastão Weyne, intelectual e amante da Este não é um método de violão, mas é um
música, compostos em homenagem a álbum que contem chorinhos para aqueles
grandes personalidades do choro brasileiro que são apaixonados pela Música
(Canhoto da Paraíba, Antonio Rago, brasileira.
Ronoel Simões, Izaías do Bandolim e
Luizinho Sete Cordas, entre outros). As
composições são muito agradáveis e de
fácil execução. Os arranjos para violão do
álbum poderão ser ouvidos através do CD
que o acompanha.

MINHAS PRIMEIRAS NOTAS AO


VIOLÃO - VOL. 1
Othon Gomes da Rocha Filho
Elaborado em dois volumes pelo professor,
compositor e violonista Othon Gomes, este Este método contem um vasto repertorio
método é um dos mais adotados pelos indispensável para a formação de um
professores de violão do Brasil. Este programa de concerto que contemple o
volume aborda a posição correta de conhecimento historicamente construído
segurar o instrumento, leitura semiográfica, pela humanidade.
primeiros exercícios, exemplos Músicais
de fácil execução e agradável sonoridade,
noções de cifras para acompanhamento e
exemplos de vários ritmos.

MINHAS PRIMEIRAS NOTAS AO


VIOLÃO - VOL. 2
Othon Gomes da Rocha Filho
Este segundo volume do método do Este método contem um vasto repertorio
professor Othon Gomes reúne estudos e indispensável para a formação de um
peças dos grandes mestres do violão programa de concerto que contemple o
clássico, como Fernando Sor, Matteo conhecimento historicamente construído
Carcassi, Mauro Giuliani, Francisco pela humanidade.
Tarrega, Dionízio Aguado e outros. Além
disso, apresenta todas as escalas,
ornamentos e técnicas avançadas como o
trêmulo.

33
NOVO MÉTODO DE VIOLÃO - OP. 59
INCLUINDO 10 ESTUDOS OP. 60 E 5
MÚSICAS FAMOSAS
Matteo Carcassi
Um dos mais completos métodos de violão
clássico mundial, que inclui desde a
postura e afinação até peças de fôlego.
Ampliado com a inclusão dos "10 Estudos Este método contem um vasto repertorio
- Opus 60" do mesmo autor, este "Novo indispensável para a formação de um
Método" de Matteo Carcassi é um programa de concerto que contemple o
importante material de estudo para quem conhecimento historicamente construído
quer chegar a um nível técnico satisfatório pela humanidade.
para tocar grandes obras escritas para o
instrumento. Ao final do método estão
inclusos 5 clássicos do repertório
violonístico: Irma (valsa de A. Bernardini),
Guardame las vacas (Luiz de Narvaez),
Sarabande (transcrição para violão da obra
de Bach), Sonatina (Paganini) e Adelita
(mazurca composta pelo mestre do violão
espanhol Francisco Tarrega).

PRIMEIROS ACORDES AO VIOLÃO


MÉTODO PRÁTICO
Othon Gomes da Rocha Filho
Elaborado pelo professor Othon Gomes,
este método prático de violão visa, Assim como Paulinho Nogueira, este
primeiramente, organizar o estudo das método mostra as cifras e acordes
cifras, de maneira a solucionar o problema correspondentes, bom para aqueles que
das várias nomenclaturas que este sistema querem acompanhar canções.
oferece, estabelecendo um padrão a ser
usado. Nas páginas finais são incluídas
algumas considerações sobre ritmo e
compasso, formação dos tons, intervalos e
formação de acordes.

SOLISTA - NÚMEROS MÁGICOS


SOLOS DE VIOLÃO
José Fonseca
Vários livros e revistas usam o sistema de
Método com sistema de gráficos para se tablatura para a digitação de solos, sistema
aprender solos e acordes de violão. Na advindo da viuhela, segundo Emilio Pujol,
primeira parte, além da afinação, “a mais engenhosa, fácil e cômoda
demonstra como funciona este sistema. Na representação gráfica da Música
segunda, apresenta noções de instrumental do século XVI”.
conhecimento geral sobre cifras e oferece,
em folha à parte, um quadro geral da
extensão do braço do violão por números
mágicos.

ESCOLA MODERNA DO VIOLAO Fundador da cadeira de violão no


Conservatório Dramático e Musical de São
Isaias Savio Paulo, Sávio produziu um método bastante

34
didático, contemplando as necessidades
iniciais do aluno de aprender os
fundamentos do instrumento.
Considerado pelo professor Ronoel
Simões um dos métodos mais
LA ESCUELA DE KLA GUITARRA – fundamentais e interessantes que existem,
OBRA COMPLETA DIVIDIDA EN 7 a obra de Arenas consiste em uma
VOLUMENS progressão didática cartesiana, tendo, por
exemplo, o primeiro volume exercícios
Mario Rodriguez Arenas
básicos de corda solta e o sétimo, por sua
vez, obras mais elaboradas de maior
dificuldade.
CURSO T. K. T. DE VIOLAO Composto por seis volumes, Stelzer
aborda conceitos do violão clássico e
Luis Stelzer
repertorio popular.
Weizmann tem seu trabalho registrado na
Biblioteca Nacional. Nossa pesquisa
MERTODOLOGIA DO ENSINO encontrou três livros: Metodologia do
COLETIVO ensino coletivo – iniciação; Coleção Violão
Orquestral vol. 1 – Metodologia do ensino
Cláudio Weizmann
coletivo e 20 arranjos completos para
orquestra de violões; e Violão orquestral –
iniciante, intermediário e avançado.
INICIAÇÃO AO VIOLÃO VOL.1
Henrique Pinto
A finalidade da elaboração deste método
foi a de parcelar cada problema durante as Henrique Pinto é o único professor
várias etapas da iniciação violonística. A brasileiro que tem seu trabalho organizado
individualização de cada fase irá acentuar com bases técnicas e filosóficas, sendo ele
de uma forma positiva e concreta os o maior expoente, na atualidade, no ensino
primeiros reflexos que são os mais do violão no Brasil.
importantes, pois sobre esta base irá ser
construída toda a evolução instrumental.

ANTOLOGIA VIOLONÍSTICA Este é o único método da atualidade por


nos pesquisados que tem como aspecto
Henrique Pinto um olhar didático e um capitulo dedicado
Grandes obras clássicas para violão, aos fundamento de um método. Há
revisadas e dedilhadas por Henrique Pinto. também uma serie de partituras, todas com
Inclui uma breve história sobre o violão. digitações adequadas para alunos
iniciantes.

35
CURSO PROGRESSIVO DE VIOLÃO Embora o próprio Henrique não considere
Henrique Pinto como um método, este esta organizado
com um repertório de crescente grau de
Para 2º, 3º, e 4º Ano. Estudos de Violão. dificuldade, auxiliando e organizado desta
forma os programas de concertos para os
alunos do curso médio.

VIOLÃO - UM OLHAR PEDAGÓGICO


Henrique Pinto
Este foi o único livro encontrado nesta
Este livreto traz diversos textos mostrando pesquisa – contendo apenas textos, sem
o ponto de vista de Henrique Pinto, partituras e editado em português - que
relacionados a fatores importantes no aborda conteúdos pedagógicos,
estudo de violão, como postura, ouvido, especificamente voltado para o ensino do
relaxamento, memória, além de uma seção instrumento.
onde grandes violonistas da história são
mencionados e comentados.

Assim como o livro de Abel Carlevaro –


TÉCNICA DA MÃO DIREITA ARPEJOS Serie didactica para guitarra, Técnica de la
Henrique Pinto mano derecha -, o livro de Henrique Pinto
é bastante eficiente e minucioso.

Serie de estudos com tonalidades


MATTEU CARCASSI – 25 ESTUDOS
especificas que auxiliam, dessa forma, o
MELODICOS E PROGRESSIVOS OP. 60
estudo de escalas e digitações, servindo
REVISAO E DIGITACAO
de suporte técnico no desenvolvimento do
Henrique Pinto
aprendizado do instrumento.
O EQUILIBRISTA DAS SEIS CORDAS
Silvana Mariani
Esta obra apresenta um método de violão Este e o único método encontrado pela
para crianças, o qual aborda de maneira pesquisa que aborda exercícios de
criativa e original questões técnicas Musicalização apropriados exclusivamente
necessárias para se tornar um violonista. para crianças. Embora Henrique Pinto
Através de jogos e brincadeiras, a criança tenha escrito livro semelhante – Ciranda
vai aprendendo a tocar violão de forma das seis cordas –, somente a autora
lúdica e divertida.O método de violão O consegue desenvolver um método
equilibrista das seis cordas é resultado da realmente didático e infantil ao mesmo
experiência da autora como professora de tempo.
violão para crianças durante muitos anos,
tanto na Suíça como no Brasil.

36
O livro O equilibrista das seis cordas foi o único método adequadamente
“ativo” para a musicalização infantil através do violão. E os livros de Henrique Pinto –
O violão: um olhar pedagógico e Antologia violonística – são os livros mais
fundamentados filosoficamente para a educação através do violão.
Longe de esgotar todos os métodos, manuais e revistas de violão editados no
Brasil, este trabalho visa a uma adaptação dos métodos ativos para o ensino do violão, e
ainda mais, transpor a proposta metodológica triangular de artes plásticas da doutora
Ana Mae Barbosa para o ensino do violão no Brasil.
Segundo Dudeque (1994), “Nuevo modo de cifra para tener la guitarra com
variedad y perfeccion”, de Nicolau Doizi de Valasco, este método, foi a primeira obra
de instrução para guitarra realmente compreensível, que ensinava teoria, encordoamento
e afinação. (DUDEQUE, 1994, p.40)
A guitarra citada é a guitarra de cinco ordens da “Escola Espanhola”.

4. PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR

A proposta triangular foi sistematizada, no Brasil, por Ana Mae Barbosa nos
anos 80/90; embora tenha sido gestada para as artes visuais, ela vem sendo discutida e
reelaborada por arte-educadores das linguagens de teatro, dança e Música. No entanto,
na Música a pesquisa metodológica triangular e avançada na Musicalização infantil com
seus métodos ativos, mas no ensino do instrumento há pouco conhecimento gerado a
partir desta metodologia.

37
Esta abordagem busca articular conteúdos referentes às três ações do processo
de ensino aprendizagem, aqui compreendidas como eixos: a leitura da arte e de outras
manifestações estéticas como o fazer artístico do aluno e a contextualização (histórica,
geográfica, sociais, culturais, psicológicas, antropológicas, entre outras). A
contextualização pode ser estabelecida pelo professor, de acordo com seus
conhecimentos e pode, também, ser uma exigência da obra ou objeto de arte em estudo.

LER

ARTE

FAZER CONTEXTUALIZAR

Sendo um sistema aberto, a proposta triangular não privilegia nenhuma das


ações do processo ensino aprendizagem, nem as hierarquiza, mas enfatiza as conexões e
interseções existentes entre elas. Assim, cada professor a organizara a seu modo,
pensado no contexto de seus alunos e nas necessidades de aprendizagem dos mesmos
em cada ciclo ou nos sistemas de serialização da aprendizagem, conforme a instituição
acadêmica, objetivando que os alunos construam competências em arte.
Philippe Perrenoud é sociólogo e professor da faculdade de psicologia e ciências
da educação da universidade de Genebra, e é ele o expoente em se tratando da teoria das
competências que reza a transposição de conhecimentos para situações de trabalho e
determinado momento pertinente, ou seja construir competências e saber adaptar
conhecimentos adquiridos em momentos diversos.
Por exemplo, muitos dos nossos alunos sabem tocar uma escala maior com
maestria, mas quando ela esta presente em determinado trecho Musical, esta passagem
não se dá de forma adequada tecnicamente isso significa uma não adequação do
conhecimento adquirido para situações diversas, ou seja uma não competência
adquirida.
Segundo Ana Mae Barbosa, em seu trabalho ainda não publicado integração do
currículo: o principal objetivo da arte na escola e levar os indivíduos a se confrontarem

38
com símbolos da realidade e experiências compartilhadas, o que e fundamental para a
compreensão social e do mundo em que vivem. Expressão pessoal e interpretação
pessoal não construtos espontâneos, mas resultado da ativa negociação entre o individuo
e a sociedade, capacidade e necessidade, liberdade e legalidade, particularidade e
universalidade (no prelo).
Conforme o texto citado a educação devera nortear a criatividade, a
multiculturalidade e a dialética entre o mundo interno e externo.
Considerações metodológicas do ensino segundo a abordagem triangular de Ana
Mae Barbosa:
Compreende-se que o objeto de estudo, investigação e leitura da arte são as
obras/ objetos de arte e as manifestações artísticas e culturais nas diferentes linguagens
e contextos.
Segundo Martins, Piosque e Guerra (1998), o professor é um mediador
entre o universo da arte e o aluno. Dessa forma, torna-se incumbência do professor
planejar as situações e promover encontros com artistas e/ ou com a arte que seja
provocadora, instigante e significativa. Para tal, algumas atitudes são consideradas
relevantes, tais como:
Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o conteúdo dos
aprendizes e o conteúdo curricular, tendo clareza do foco que será abordado,
“O currículo padrão, o currículo de transferência é uma forma
mecânica e autoritária de pensar sobre como organizar um
programa, que implica, acima de tudo, numa tremenda falta de
confiança na criatividade dos estudantes e na capacidade dos
professores! Porque, em última análise, quando certos centros
de poder estabelecem o que deve ser feito em classe, sua
maneira autoritária nega o exercício da criatividade entre
professores e estudantes. O centro, acima de tudo, está
comandando e manipulando, à distância, as atividades dos
educadores e dos educandos. Mecanicismo e autoritarismo do
currículo negando a criatividade entre professores e
estudantes.” (FREIRE, 2001, p. 97)

É preciso cuidar da apresentação das obras, com boas reproduções; desafiar


leituras com a mesma profundidade para os trabalhos de artistas e dos aprendizes;
promover o acesso a artistas vivos, contemporâneos, brasileiros, não só pintores,
bailarinos, atores; estar consciente de que a focalizam – ela pode ampliar referencias
para outros trabalhos num sentido mais amplo; promover visitas aos museus e galerias,

39
teatros, salas de concerto-[...] Atividades especialmente provocantes, quando o caráter
de passeio ou vista e transformado em expedição- artística, exploratória, cientifica-
planejada anteriormente com os alunos; um livro uma historia, um conto bem contado,
um vídeo, uma montagem de exposição com boa curadoria, um catalogo ou programas
de espetáculos podem ser também mediadores instigantes; e não se pode esquecer das
esculturas nas praças, os murais nos bancos e os grupos de teatro amador( p. 141 ).
Embora esta postura seja para o professor do ensino fundamental, vale salientar
que o professor de instrumento é um mediador estético e lhe cabem tais procedimentos
pedagógicos.
A partir de uma postura pedagógica inclusiva, chama-se a atenção para
importância dessa mediação com alunos com necessidades especiais, para os quais
poderemos pensar em formas diferenciadas de contato com a arte. Precisamos vivenciar
e descobrir outras e novas estratégias, pois o processo de inclusão tem se ampliado pela
legitimação do direito de acesso a todos, tornando-se mais um desafio e objeto de
estudo no nosso ensinar. Temos por exemplo o violonista e Maestro da Banda Sinfônica
da Cidade do Recife, Nenél Liberalquino, que tem deficiência física e conforme sua
deficiência com a técnica tradicional do violão, jamais poderia tocá-lo, portanto ele
adaptou o instrumento colocando-o na horizontal e desta forma se tornado um grande
instrumentista superando suas dificuldades, mas isso graças a sua família e orientadores
que acreditaram na sua superação e adaptação de barreiras encontradas. Segundo
Birkenshaw-Fleming (1993) é importante evitar os conceitos pré-fixados sobre o que as
crianças ou indivíduos portadores de necessidades especiais podem ou não fazer.
É importante manter a mente aberta e uma atitude de encorajamento para com
os alunos, valorizando sua auto-estima despertando suas competências.

4.1 COMPETÊNCIAS EM MÚSICA

 Perceber e identificar diferentes sons produzidos pelo corpo,


objetos sonoros e instrumentos Musicais nas produções Musicais, eventos sonoros e
sonoridades do cotidiano.

40
 Perceber e reconhecer de forma contextualizada os parâmetros do
som (altura, intensidade, duração, timbre e densidade); os elementos básicos da Música
(melodia, ritmo e harmonia) bem como, os gêneros e estilos nas produções Musicais.
 Comunicar-se, articulando os códigos da linguagem Musical
(parâmetros do som e elementos da Música), o pensamento critico e o senso estético.
 Elaborar e construir brinquedos sonoros e/ou instrumentos
Musicais convencionais e /ou não convencionais, a partir da pesquisa de diversos
materiais , recursos e articulação com os conhecimentos básicos da linguagem.
 Improvisar, interpretar e/ ou compor com objetos sonoros, voz,
corpo e/ ou instrumento Musicais, fazendo uso das descobertas e conhecimentos
construídos, atuando individualmente e / ou participando de conjuntos (grupos)
instrumentais e /ou vocais.
 Agir com autoconfiança, respeito aos outros e cooperação ao
desenvolver a pratica Musical (vocal, corporal e/ou instrumental) individual e
coletivamente.
A partir das competências em Música poderemos explorar o violão com
afinações diferentes, descobrindo timbres e tocando também coletivamente com nossos
alunos, como também usando os recursos da voz para complementar a comunicação
Musical nas aulas de instrumento.
Na seqüência, a exposição dos três eixos da metodologia triangular,
separadoss em conteúdos:

A. Contextualizar: multiculturalidade:
Multiculturalismo na Música;
Música produzida nas diferentes culturas,gêneros,etnias e minorias;
Construção de conceitos:
Multiculturalidade;
Música como linguagem;
Som/ silencio;
Música/ ruído;
Eventos sonoros/ sonoplastia;
Orquestra;

41
Compositor/ intérprete/ regente;
Melodia/ ritmo/ harmonia;
Instrumentos (percussão, sopro, corda);
Gêneros/ estilos/ movimentos (nomenclatura)
Compositores/ intérpretes/ orquestras/ grupos (temporalidades e
culturais diversas);
Locais;
Regionais;
Nacionais;
Latino-americanos;
Internacionais;
Gêneros /estilos/ movimentos (história/ contextos)
Folclórica;
Popular;
Instrumental;
Erudita;
Acústica;
Eletrônica;
Outros...

B. Leitura e produção Musical:


Exploração dos aspectos simbólicos;
Interpretação dos significados emocionais, culturais, ideológicos, e
outros;
Exploração dos aspectos formais: analise
Interpretação da escrita Musical (símbolos convencionais e não
convencionais)

C. Fazer artístico:
Improvisação/ composição Musical:
Produção Musical com o corpo, a voz, objetos, instrumentos.

42
4.2 O DIÁRIO DE CLASSE

Em anexo serão mostradas cadernetas (diário de classe) da escola


municipal de arte João Pernambuco, no Município de Recife, em Pernambuco, onde
poderemos visualizar os conteúdos e competências no ensino especifico do instrumento.
Vale comentar que da referida escola o autor deste estudo é docente.
A práxis5 é a teoria e prática juntos, conectados, mas nos conservatórios
de Música ainda se ensina teoria, percepção e solfejo, dissociados das aulas de
instrumento, em muitos casos o aluno esta estudando na teoria: quiálteras, na percepção
rítmica estudando: colcheias, no solfejo cantando: mínimas e no violão estudando:
cordas soltas em semicolcheias.
Falar da realidade como algo parado, estático,
compartimentado e bem-comportado, quando não falar ou
dissertar sobre algo completamente alheio à experiência
existencial dos educandos vem sendo, realmente, a suprema
inquietação desta educação. A sua irrefreada ânsia. Nela, o
educador aparece como seu indiscutível agente, como o seu
real sujeito, cuja tarefa indeclinável é “encher” os educandos
dos conteúdos de sua narração. Conteúdos que são retalhos da
realidade desconectados da totalidade em que se engendram e
em cuja visão ganhariam significação. A palavra, nestas
dissertações, se esvazia da dimensão concreta que devia ter ou
se transforma em palavra oca, em verbosidade alienada e
alienante. Daí que seja mais som que significação e, assim,
melhor seria não dizê-la. (FREIRE, 2002, p. 57)

Infelizmente foi esta a minha experiência..., Estática, compartimentada, e


para compreender o que significava uma suíte barroca ainda tive que estudar historia da
Música e só depois de muitos anos tive quer costurar esta “colcha de retalhos” juntando
as diversas peças (informações) desconectadas da minha formação acadêmica, pois na
primeira vez que toquei um bourrée, não sabia pronunciar nem sequer a palavra, e o

5
Prática. Ação concreta. Maneira de proceder na prática. Ação de aplicar, usar,
exercitar uma teoria, arte, ciência ou ofício. No aristotelismo, conjunto de atividades
humanas autotélicas, cuja manifestação mais representativa é a política, e caracterizadas
especialmente por sua natureza concreta, em oposição à reflexão teórica. No marxismo,
ação objetiva que, superando e concretizando a crítica social meramente teórica, permite
ao ser humano construir a si mesmo e o seu mundo, de forma livre e autônoma, nos
âmbitos cultural, político e econômico.

43
professor de instrumento só estava preocupado com a parte técnica, afastando dessa
forma a estética barroca da interpretação.

4.3 A IMBRICAÇÃO TEÓRICA DE ANA MAE E PAULO FREIRE

A proposta metodológica triangular visa a conectar os três eixos: ler,


fazer e contextualizar. Para que tal metodologia se realize e necessário que o professor
esteja ciente destes 3 eixos e trabalhe com seu aluno a peça (partitura/ Música), nestas
dimensões e/ou que a instituição de ensino monte um currículo interdisciplinar onde
cada professor de cada disciplina esteja conectado com as aulas de instrumento e canto.
Sendo este projeto um pouco maior e mais ousado, embora que possível, iremos propor
que o professor de instrumento realize as 3 etapas ele mesmo com os seus alunos.
Temos como proposta aproximar a práxis do ensino do violão,
explorando a criatividade e improvisação no repertorio violonístico, ora construído
historicamente e cientificamente em currículos estabelecidos a priori por instituições
acadêmicas. Desta forma, viso que o estudo técnico instrumental e dos processos de
integração Musical se dêem de forma mais consciente dentro do processo proposto pela
pedagogia da autonomia do educador Paulo freire.
Assim, a educação é, simultaneamente, uma determinada teoria do
conhecimento posta em prática, um ato político e um ato estético. Essas três dimensões
estão sempre juntas – momentos simultâneos da teoria e da prática, da arte e da política,
o ato de conhecer a um só tempo criando e recriando, enquanto forma os alunos que
estão conhecendo. (FREIRE, 2001, p. 146)
Vemos na arte contemporânea uma evolução do sentido do que é o
objeto artístico. Depois da revolução semiótica, observamos uma migração do ato de
contemplar para o interagir artístico. Desta forma o objeto de arte transcende seu
objetivo em ser arte por si e o transfere para o acontecer artístico, sendo esse a
experiência pessoal proporcionada ao observador.
Neste caso, ao ensinar, o professor ou a professora re-conhece
o objeto já conhecido. Em outras palavras, refaz a sua
cognoscitividade na cognoscitividade dos educandos. Ensinar é
assim a forma que toma o ato de conhecimento que o(a)

44
professor(a) necessariamente faz na busca de saber o que
ensina para provocar nos alunos seu ato de conhecimento
também. Por isso, ensinar é um ato criador, um ato crítico e
não mecânico. A curiosidade do(a) professor(a) e dos alunos,
em ação, se encontra na base do ensinar-aprender. (FREIRE,
2007, p. 81)

Neste contexto fica cada vez mais tênue a divisão do que e inerente as
artes visuais, cênicas e Músicais. Tento, portanto, aproximar as áreas metodológicas do
ensino das artes visuais aplicando-as ao ensino do violão.
Faz-se necessário uma atualização da qualidade do ensino, para que
este não seja apenas técnico (ou seja, voltado somente para o instrumento), mas que
parta do instrumento e transcenda para um conhecimento:
1. Holístico;
2. Emocional; e
3. Artístico.
Utilizando e modificando, através de uma nova experiência do aprender,
o conhecimento da visão de homem e mundo do aluno. Trata-se então não apenas de
ensinar, mas do ensinar aprendendo e, em ultima instancia, ensinar a aprender.
Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de
ensinar-aprender participamos de uma experiência total,
diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica,
estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos
dadas com a decência e a seriedade. (FREIRE, 1997, p. 26)

Para que tais decência, seriedade e atualização aconteçam, é preciso


munirmo-nos de propostas metodológicas diversas, sendo uma delas a metodológica
triangular onde por exemplo os arte-educadores das artes visuais levam seus alunos a
fruição em museus, introduzem a leitura da obra de arte em sala de aula, ou podem ser
levados a visitar esculturas em parques abertos. Parte-se do principio que cada aluno
tem mecanismos individuais de identificação com a obra de arte.
Outro ponto que faz da educação um momento artístico é
exatamente quando ela é, também, um ato de conhecimento.
Conhecer, para mim é algo de belo! Na medida em que
conhecer é desvendar um objeto, o desvendamento da “vida”
ao objeto, chama-o para a “vida”, e até mesmo lhe confere
uma nova “vida”. Isto é uma tarefa artística, porque nosso
conhecimento tem qualidade de dar vida, criando e animando
os objetos enquanto os estudamos. (FREIRE, 1997, p. 145)

45
Ao se expandir os meios que esta identificação possa ocorrer, a
metodologia expande também o espectro das possibilidades de se despertar em alunos,
com formação e níveis culturais diversificados, seus vínculos criativos pessoais. Aqui a
proposta metodológica triangular de Ana Mae Barbosa se alinha com a proposta da
pedagogia da autonomia do educador Paulo freire.
Aprendemos porque simbolizamos, experienciamos,
pesquisamos, nos envolvemos com nosso fazer e o do outro,
seja criança ou artista. Aprendizagem fazer, do ler, do pensar,
do expressar e comunicar idéias e sentimentos. Nova
alfabetização com outros códigos, instrumentalizando o
sujeito-autor. (FREIRE, 1992, p. 7)

4.4 INDICADORES DE APRECIAÇÃO

Os indicadores de apreciação podem ser em níveis:

1. Estético: introdução ao universo estético em que a obra de arte foi


concebida.
2. Técnico: apresentação dos meios técnicos, da estruturação
composicional, da importância de cada técnica na construção da obra de arte dentro de
determinado conceito estético.
3. Histórico/ sociológico: mostrar o que cada obra de arte representa
dentro do contexto histórico em que foi criada. Qual a importância da obra de Picasso,
Wagner, Debussy, Schoenberg, Brecht para a sociedade em que viviam. Ao se
contextualizar a obra, o objeto de estudo. Oferece-se ao aluno ganchos de identificação
artísticas e propicia-lhe uma possibilidade autocrítica em relação ao mundo em que
vive.
4. Fruição emocional: é influenciada, porém não determinada, pelo
nível de conhecimento do expectador. O que se busca aqui é aumentar as possibilidades
afetivas e artísticas da relação com a obra e, por conseguinte, da experiência do
aprender.

46
Estágios do desenvolvimento estético para a fruição artística:

1. Descritivo, narrativo:
Frases do expectador (leitor):
“- Olha aqueles veleiros grande”.
“- Eu gosto um pouco daquela rocha”.
O leitor fala da obra como se estivesse em movimento, (obra-viva)
O primeiro estágio é o que a obra significa a partir da forma. Cor e tema.
Leitura egocêntrica - considera apenas o seu ponto de vista
Frases do expectador (leitor):
“- O que é isso?“.

2. Construtivo:
Relaciona partes entre o todo, compara a obra com sua visão de mundo.
Frases do expectador (leitor):
“- O que significa isso?”.
“- Como isso e feito?”.
Prestam atenção às propriedades formais:
Frases do expectador(leitor):
“- Estou pensando sobre a textura”
“- Tem um bom colorido”
“- Eestou tentando entender porque o cinza foi colocado ali...”
Seu julgamento e pessoal no que se acredita ser verdade, justo, bom
correto, apropriado, etc...
Obra utilitária igual ao mundo real.
Julga a obra em relação ao mundo físico moral.

3. Classificativo: (emoções evitadas)


Cores, formas, linhas, historia da arte.
Elementos formais, artistas e escolas.
Frases do expectador (leitor):
“- Quem e por quê?”.

47
4. Interpretativo:
Resposta estética individualizada, leitura das informações e memória
carregada de afetos.
Encontro emocional entre a obra e o leitor.
Frases do expectador (leitor):
“- Você pode ouvir seu grito, mesmo sendo isso uma pintura.”
Justificativa que o coletivo entenda.
Frases do expectador (leitor):
“- A textura me lembra o vento.”
Recordações afetivas na interpretação dos símbolos.
Frases do expectador (leitor):
“- É como o silencio da luz do farol durante o dia”.

5. Re-criativo:
Frases do expectador (leitor):
“- Como? O que?”
Tensão, suavidade e dureza das cores.
Visão discerne e seletiva mais emoções e historia
O leitor reflete sobre a obra, sobre si próprio e experiência estética, e o
equilíbrio da cognição com a emoção.
Frases do expectador (leitor):
“- O que, como, por que e quando?”.
A arte é um dos meios de conhecer a si mesmo e o mundo.

Portanto, como mostra esta teoria, o aprender se dá através da


experimentação. A experimentação é enriquecida pelo conhecimento. O conhecimento,
assim enriquecido, deserta a necessidade do aprender, abrindo o caminho para a
introdução das técnicas instrumentais que oferecerão ao alunado uma melhor
performance do que ele vivencia.
A proposta metodológica triangular baseia-se dentro dos 3 eixos de
ensino: (o ler, o fazer e contextualizar) e no enriquecimento dos indicadores de

48
apreciação expostos anteriormente. Todos estes fundamentos teóricos serão utilizados
para a adaptação da metodologia que proponho para o ensino do violão.
Em artes visuais, segundo Ana Mae, o aluno ao estudar miro, por
exemplo: aprende sua estética, estilística, histórica, sociológica e aprecia varias obras do
autor, suas idéias de linhas, traços e sua intencionalidade de desenhar como uma
criança. Depois, dentro de um processo de identificação artístico-criativa, aos moldes de
miro, o aluno cria seu próprio trabalho, despertando assim a criatividade e a
improvisação. É exatamente isso que proponho transpor para o ensino do violão erudito,
estimulando os alunos, sua consciência motora e sua memória muscular, como também
introduzindo o interesse dos mesmos a pesquisar o estilo, época e estética da obra
executada.

Exemplo de releitura

49
Figura 1 - Imagens artísticas, percebidas em simples ímãs de geladeira, adquiridos em feira popular
organizada no Shopping Center 3 (São Paulo-2007).

Leitura das imagens:

Primeiro quadro: O grito, de Munch


No primeiro plano: Representação de um homem sobre uma ponte,
dando um grito de horror. Mãos sobre o rosto, olhos e boca bem abertos.
No final da ponte há o vulto de duais pessoas.
O movimento do rio azul sob a ponte se funde ao movimento do céu
avermelhado.

Segundo quadro: A Gioconda, de Leonardo Da Vinci


Representação de um olhar forte e um sorriso enigmático e embutido,
devido ao levantamento da bochechas.
Colo exposto e cabelos divididos ao meio.
Tons pastéis.
Releitura da imagem:

50
Primeiro quadro: o homem do primeiro plano é substituído por
Hommer Simpson, personagem de um desenho animado, que trabalha numa fábrica de
energia nuclear. A imagem do Simpson cria uma alusão de desastre nuclear, e também a
de um conflito familiar, devido a imagens das irmãs de sua esposa (Marggie) no final da
ponte. As cores do quadro original e o grito fazem esta representação.

Segundo quadro: Frida Khalo, artista conhecida pelas cores fortes em


seus trabalhos. Frida está na mesma posição da pintura de Da Vinci, seu colo esta
coberto por um tecido vermelho, cor forte que representa a sensualidade. A figura
representa a sensualidade sem necessariamente mostra o colo. Cabelos presos e
divididos ao meio como na imagem original. Frida teve uma vida conturbada, portanto
seu olhar é forte e representa toda sua historia.

Nas duas figuras podemos ver um olhar forte querendo dizer algo. Na
Gioconda, podemos especular, imaginar alusões etc. No retrato de Frida, podemos
constatar todo o seu sofrimento e força, devido ao conhecimento de sua bibliografia.
O sorriso também é embutido e enigmático, como também é embutido
todo o seu sofrimento devido a um grade acidente de automóvel.
A posição das mãos é quase a mesma.
Frida usa cores, jóias, maquiagem, coisas proibidas na época de Da
Vinci.

4.5 SIMBOLOGIA DO NÚMERO TRÊS

A proposta metodológica triangular de Ana Mae Barbosa é composta


por 3 partes. E o simbolismo do triângulo remete quase obrigatoriamente ao simbolismo
do número Três. Coincidências ou não, em muitas metodologias por nos pesquisadas
foram encontrados 3 eixos.
Segundo Boécio, que retoma as concepções geométricas de Platão e que
é estudada pelos autores romanos, a primeira superfície é o triângulo, a segunda, o
quadrado, e a terceira, o pentágono. Toda figura, se há linhas que partem do seu centro

51
até os ângulos, podem ser divididas em vários triângulos. O triângulo está na base da
formação da pirâmide.
O triângulo eqüilátero simboliza:
1. A dinvidade,
2. A harmonia,
3. A proporção.
Entre as diferentes figuras geométricas, após o triângulo eqüilátero, vem
o quadrado e o pentágono. O pentágono estrelado torna-se um pentagrama que
simboliza a harmonia universal. As correspondências entre os números e as figuras
geométricas são absolutas.
O Três é um número fundamental universalmente. Exprime uma ordem
intelectual e espiritual, em Deus, no cosmo ou no homem.
O Três, de acordo com os chineses, é um número perfeito (tch`eng), e a
expressão da totalidade, da conclusão.
O Três é o casamento da terra com o céu que gera um filho (o homem) e
completa a trindade.
O Três é a unidade divina, a trindade: Pai, Filho e Espírito santo = Deus,
sendo este um em três pessoas.
O Três para o Budismo representa a jóia tripla, ou triratina (Buda,
Darma e Sanga), traduzida pelos Taoistas para o seu uso como Tao.
O Três também é encontrado no tempo:
1. passado;
2. presente;
3. futuro.
O Três também é a representação do mundo: terra, atmosfera e céu.
O Três faz parte da divindade no hinduismo (trimurti): brama, vixemu
e xiva. Respectivamente correspondendo aos aspectos de produtor, conservador e
transformador.
O Três também são os três reis magos.
O Três é o Cristo: Rei, Sacerdote e Profeta.
O Três é a obra alquímica: o enxofre, o mercúrio e o sal.
O Três também, são os três irmãos do universo:

52
1. Zeus, o céu e a terra;
2. Poseidon, os oceanos;
3. Hades, os infernos.
O símbolo chinês tsi, antigamente representado pelo triângulo, só ou
contendo o tetragrama hebraico, ou ainda o Olho divino, é o símbolo da trindade; é
também um símbolo da grande trindade chinesa.
O Três aparece na antiga religião iraniana:
1. Bom pensamento;
2. Boa palavra;
3. Boa ação.
Esses três Bukht, também são designados os três salvadores;
paralelamente o espírito do mal também é dividido em três:
1. O mal pensamento;
2. A ma palavra;
3. A ma ação.
Uma cerimônia antiga mágico-religiosa consiste em tirar a sorte atirando
três varas de bambu (ou três flechas). Este rito também esta no Islã e nos beduínos
árabes. Quando um nômade árabe hesitava em tomar uma decisão, escolhia três flechas:
1. A primeira: “O meu Senhor me ordena”.
2. A segunda: “O meu Senhor me proíbe”.
3. A terceira não trazia inscrição. Se tirasse essa flecha, voltava a
executar a operação.
O Três também esta no campo ético. São três as coisas que destroem a fé
do homem:
1. A mentira;
2. A imprudência; e
3. O sarcasmo.
Também são três as que levam o homem ao inferno:
1. A calunia;
2. O endurecimento; e
3. O ódio.
Por outro lado, são três as coisas que conduzem o homem à fé:

53
1. O pudor;
2. A cortesia; e
3. O medo do juízo final.
Para a Cabala, o três significa:
1. O princípio atuador, causa ou sujeito da ação;
2. A ação desse sujeito, seu verbo;
3. O Objeto dessa ação seu efeito ou seu resultado.
Esses três são inseparáveis e são reciprocamente necessários uns aos
outros.
Os primeiros Sefirot (números, segundo a cabala) são classificados em
três ternários.
1. O primeiro é de ordem intelectual e corresponde ao pensamento puro
ou ao espírito; inclui o Pai-principio, o Verbo- pensamento criador, a Virgem- Mãe que
concebe, compreende.
2. O Segundo ternário é a ordem moral e relativo ao sentimento e ao
exercício da vontade, ou seja, `a alma; reúne a graça misericordiosa, o julgamento
rigoroso e a beleza sensível.
3. O terceiro ternário e de ordem dinâmica: relaciona-se com a ação
realizadora e, por isso, com o corpo; engloba o principio que dirige o progresso, a
ardem correta da execução, as energias realizadoras do plano.
Os psicanalistas vêem, com Freud, o três como um símbolo sexual. O
triângulo é o símbolo masculino e se este estiver com o vértice para baixo simboliza o
feminino. Nas religiões antigas a tríade era composta pelo Pai, Mãe e Filho, mas este
dogma foi substituído, retirando, assim, desta forma, o elemento feminino da religião
crista, instituindo o monoteísmo. O Islã excluiu também, a Mãe para não ameaça a
crença na unidade de Ala.
O 3 designa, ainda, os níveis de vida humana, nas dimensões:
1. Material;
2. Racional;
3. Espiritual ou Divino.
O 3 designa também, as três fases da evolução mística:
1. Purgativa;

54
2 lIuminativa;
3. Unitiva.
O três também representa a existência:
1. Aparecimento ou nascimento;
2. Evolução ou crescimento;
3. Destruição (Transformação), ou morte.
E, por fim, ainda também, na simbologia geral – Chavalier (2007),
segundo a tradição da astrologia e nas três fases da existência:
1. Evolução, nascimento, aparecimento;
2. Culminação, crescimento, evolução;
3. Involução, morte, destruição (ou transformação).

4.6 TRÊS EIXOS DE DIVERSAS PROPOSTAS PEDAGÓGICAS

Diante do exposto simbólico a respeito do número três e o três da


proposta metodológica triangular, elegemos, além da proposta de Ana Mae, 3 eixos de
ensino em diversas propostas pedagógicas para formação do nosso aluno:

Os 3 eixos da metodologia triangular:


1. O fazer,
2. O ler,
3. O contextualizar .

Os 3 eixos da formação do ser humano (da proposta pedagógica da


Secretaria de Educação da Prefeitura da Cidade do Recife):
1. A educação sob a ótica do direito;
2. A cultura, identidade e vinculo social;
3. A ciência e tecnologia.

Os 3 eixos da formação estética:


1. O campo da arte (tratando da beleza artística,suas leis,categorias,etc)

55
2. O campo da percepção estética da natureza (envolvendo a beleza da
natureza e as relações estéticas homem-natureza)
3. O campo do conteúdo estético das relações sociais (relações
interpessoais)

Os 3 eixos do método Suzuki (o triângulo interpessoal)


1. O aluno e o professor, o aluno e os alunos,
2. O aluno e os pais,
3. Os pais e os professores.

professor

música

aluno pais

Os 3 eixos do método de Musicalização do professor Willems e o triplo


aspecto da natureza humana, em comparação com o som em dois pólos que se
completam: a matéria e o espírito.
VIDA HUMANA
MATERIA: 1.vida fisiológica, 2.vida afetiva, 3. vida mental =
ESPÍRITO
MÚSICA
SOM: 1.elemento rítmico, 2. elemento melódico 3. elemento harmônico
= ARTE

Os 3 eixos da proposta metodológica da doutora Enny Parejo:

56
1. O ouvir: (propicia condições fisiológicas, psicológicas e emocionais
do aluno, levando-os a estados de 1. Relaxamento, 2. Concentração, 3. Percepção e
bem-estar);
2. O expressar-se: (com 1. O corpo, 2. A voz , 3. O instrumento )
desenvolvendo capacidades criativas individuais: 1. Do sentir, 2.do
fazer, 3.do relacionar-se com o outro;
3. O interagir : (o grupo torna-se um organismo, uma teia de relações
delicadas e profundas. A trama emocional tecida pelo grupo e internalizada por cada um
de seus membros e é fundamental para a prática pedagógica)

Os 3 eixos do ensino segundo o livro “O Tao do violão” do musico


Roberto Pinto Pereira (Arun).(abordagem holística para auxiliar as vivencias nas
existências 1.física, 2. Espiritual, 3. Cósmica- o holos grego). O violão holístico.

Os 3 eixos do Tao do violão:


1. O aprendizado do violão,
2. A iniciação Musical e espiritual,
3. O profundo bem-estar.
“Tao” - termo central no Taoísmo – significa originalmente “caminho”.
“O Tao é um total constituído por dois aspectos que, por sua vez,
também são totais, pois substituem inteiramente um ao outro. O
Tao não é a soma deles, mas o regulador de sua alternância”
(Osho-Meditation: The art of Extasy)

A afinação proposta por Arun é chamada de afinação meditativa, sendo


esta, da primeira para sexta corda: RE, RE, LA, RE, LA, RE. este intervalo é o segundo
harmônico a aparecer na serie harmônica, a primeira nota diferente da fundamental a
soar na serie, é o intervalo usado no Música clássica indiana, pelos “surdos” nas escolas
de samba, na Música afro-brasileira. Por sermos criados no sistema tonal, nosso ouvido
esta educado a ouvir a quinta, conscientes ou não do formação harmônica dos acordes.
O violão afinado assim, analogicamente atingimos o som da criação o (OM) ou (AUM),

57
som meditativo, AUM-Representação fonética do símbolo do som original, também
representado como OM.
E por ser um som universal, é de fácil acesso para o iniciante no
desenvolvimento de padrões da habilidades ao iniciante do violão. Sendo de fácil acesso
para a iniciação ao instrumento relatamos a seguir a experiência no ensino do
instrumento no Conservatório do Brooklin Paulista.

4.7 VANTAGENS DA METODOLOGIA

1. auto-sensibilizadora: o aluno logo na primeira aula sente o prazer de


tocar o instrumento.
2. facilitadora: a metodologia ajuda na iniciação Musical, uma vez que o
aluno poderá fazer Música junto ao professor ou a um coletivo no primeiro dia de aula.
3. meditativa: pois o aluno descobrirá seu pulso interno para começar a
tanger as cordas com a mão direita. E começará a brincar apertando os pontos marcados
pelo professor com adesivos na primeira corda, nas respectivas casas: segunda, terceira,
quinta, sétima, nona, décima, décima-segunda. Começando assim a usar a mão
esquerda.

4.8 RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DA PESQUISA-AÇÃO NO


CONSERVATÓRIO DO BROOKLIN PAULISTA (2008)

Os alunos exploraram o violão desenvolvendo varias técnicas da mão


direita e começaram a improvisar apertando nas casas previamente marcadas, juntamos
assim a afinação proposta por Arun e acrescentarmos a escala Dórica, fazendo assim a
alusão a afinação da viola de dez cordas usada no Brasil, criando desta forma uma
sonoridade medieval e Armorial.

Técnicas trabalhadas da mão direita:


1. toque com apoio
2. toque simultâneo do polegar com o indicador/ com o médio/ com o anular.

58
3. Arpejos com P-I-M-A / P-M-I-A/ P-M-A-I/ P-A-M-I/ P-A-I-A/ P-I-A-M.
4. Pestana ,
5. Harmônicos nos pontos indicados,
6. Ponteio- Aperta nas casas marcadas e depois solta a corda,
7. ligados,
8. Sonorização de historias- explorando diversos timbres e sonoridades a
partir de descobertas pesquisadas atravez de experiências próprias,
9. Construção de partituras (códigos) criados pelos próprios alunos.(partitura
de desenhos).

59
Figura 2 - Imagens de alunos do Conservatório do Brooklin, em atividades pedagógicas.

CONSTRUÇÃO DE UMA PARTITURA COM DESENHOS:

1. A bolinha e seu número respectivo no braço do violão.


2. A quantidade de vezes a ser tocada.
3. A indicação se e forte (F) ou fraco (f).
4. Se for rápido, a criança escolherá um desenho representativo (neste trabalho
se escolheu o raio do trovão).

60
5. Se for fraco, a criança também escolherá um desenho (neste caso, se
escolheu a tartaruga).

4.9 SENSIBILIZAÇÃO MUSICAL – PROPOSTA DE ENNY PAREJO:

Figura 3 - Foto da aluna Pitu, em aula particular.

1. Preparação para uma escuta sensível,


2. Sentir o som tocar por todo seu corpo,
3. Relaxar e preparar o ambiente para execução instrumental.

“Há um ponto onde as cordas não estão nem frouxas, nem tensas
- e apenas um mestre pode reconhecer. É fácil tocar algo em um
violão: é difícil trazer o instrumento àquela afinação na qual a
Música nasce naturalmente, nasce sem esforço. Uma pessoa se
torna um mestre, ou um maestro, quando conseguir afinar seu
instrumento. Tocar não é tão difícil: afinar é mais difícil –
porque para afinar é necessário saber onde se situa o equilíbrio
perfeito. Você tem que esta muito alerta, muito sensitivo. Seu
ouvido tem que ser muito, muito sensível. Apenas então você
pode encontrar o ponto médio, de equilíbrio”(Osho)
www.osho.com e www.oshobrasil.com.br

Segundo Dalai Lama, “Osho é um mestre iluminado que está trabalhando


com todas as possibilidades para ajudar a humanidade a superar uma fase difícil no
desenvolvimento da consciência”

61
4.10 A COMPLEXIDADE

Os 3 eixos da teoria da complexidade de Edgar Morin:

1. Dialógico: (associa dois termos complementares e analógicos). ex:


ordem e desordem no universo; ordem e desordem na construção do conhecimento.
Como escreveu Chico Science: ”E eu me organizando posso
desorganizar. Da lama ao caos, do caos à lama.”

Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto

Um galo sozinho não tece a manhã:


ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

62
A linha e o linho
Gilberto Gil

É a sua vida que eu quero bordar na minha


Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto-a-ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a arvore, o ninho da beleza.

2. Recursivo: (os produtos e os efeitos são ao mesmo tempo causas e


produtores daquilo que os produziu). ex: a relação individuo/ sociedade; o aluno no
ambiente escolar; a elaboração de um texto.

Tôm Zé

Tô bem de baixo, pra poder subir

Tô bem de cima, pra poder cair

63
Tô dividindo, pra poder sobrar

Desperdiçando, pra poder faltar

Devagarinho, pra poder caber

Bem de leve, pra não perdoar

Tô estudando, pra saber ignorar

Eu tô aqui comendo, para vomitar

Eu tô te explicando, pra te confundir

Eu tô te confundindo, pra te esclarecer

Tô iluminado, pra poder cegar

Tô ficando cego, pra poder guiar

Suavemente, pra poder rasgar

Olho fechado, pra te ver melhor

Com alegria, pra poder chorar

Desesperado, pra ter paciência

Carinhoso, pra poder ferir

Lentamente, pra não atrasar

Atrás da vida, pra poder morrer

Eu tô me despedindo, pra poder voltar

3. Hologramático.(a parte está no todo; o todo está na parte). Ex: a


genética humana; o individuo e a sociedade; a criança e a família.

Gïta
Raul Seixas e Paulo Coelho

64
Às vezes você me pergunta por que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em mim toda hora me come me cospe e me deixa
Talvez você não entenda mas hoje eu vou lhe mostrar
Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar
Eu sou o medo do fraco a força da imaginação
O blefe do jogador eu sou, eu fui, eu vou
Eu sou o seu sacrifício, a placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro e as juras de maldição
Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta? Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra, do fogo, da água e do ar
Você me tem todo dia mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você, mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado a pesca do pescador
A letra A tem meu nome dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca na sopa e o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego e a cegueira da visão
Mas eu sou o amargo da língua a mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio, o início, o fim e o meio
Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando
Foi justamente num sonho que ele me falou
Às vezes você me pergunta por que eu sou tão calado
Não falo de amor quase nada nem fico sorrindo ao seu lado
Você pensa em mim toda hora me come me cospe e me deixa
Talvez você não entenda mas hoje eu vou lhe mostrar
Eu sou a luz das estrelas, eu sou a cor do luar
Eu sou as coisas da vida, eu sou o medo de amar

65
Eu sou o medo do fraco a força da imaginação
O blefe do jogador eu sou, eu fui, eu vou
Eu sou o seu sacrifício a placa de contra-mão
O sangue no olhar do vampiro e as juras de maldição
Eu sou a vela que acende, eu sou a luz que se apaga
Eu sou a beira do abismo, eu sou o tudo e o nada
Por que você me pergunta? Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra, do fogo, da água e do ar
Você me tem todo dia, mas não sabe se é bom ou ruim
Mas saiba que eu estou em você, mas você não está em mim
Das telhas eu sou o telhado a pesca do pescador
A letra A tem meu nome dos sonhos eu sou o amor
Eu sou a dona de casa nos pegue-pagues do mundo
Eu sou a mão do carrasco sou raso, largo, profundo
Eu sou a mosca na sopa e o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego e a cegueira da visão
Mas eu sou o amargo da língua a mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio, eu sou o início, o fim e o meio...

4.11 O ÓCIO

Os 3 eixos do ócio criativo do sociólogo italiano Domenico De Masi,


autor de “O ócio criativo” (2000), que desenvolveu a tese sobre a importância de
aprender a viver o ócio. Entende que o tempo livre pode converter-se:
1. em violência;
2. em doenças; e
3. em preguiça.

Mas pode transformar-se também em:


1. criatividade;

66
2. arte; e
3. liberdade.

Para De Masi, o ócio é responsável pelo desenvolvimento e gestação de


boas idéias para o indivíduo ser mais feliz e bem sucedido.

4.12 EDUCAR DIALOGICAMENTE

Os três eixos do estilo dialético de debate com base no filosofo grego


Sócrates:
1. perguntas (chegar ao conhecimento através de perguntas);
2. respostas;
3. novas perguntas.

É necessário que os textos sejam em si um desafio e como tal


sejam tomados pelos educandos e pelo educador para que,
dialogicamente, penetrem em sua compreensão. Daí que jamais
devam converter-se em “cantigas de ninar” que, em lugar de
despertar a consciência crítica , a adormecem. (FREIRE, 2007
B, p. 25)

4.13 COMPETÊNCIAS

Os três eixos da abordagem de ensino – aprendizagem por competências


– de Philippe Perrenoud (e a articulação entre elas):
1. psicomotricidade (agir), (saber-fazer);
2. cognitiva (pensar), (saber);
3. afetiva (agir), (saber-ser).

Os três eixos da proposta de ensino do Stephen Kanitz (que é formado


em contabilidade e administração por Harvard), método do observa e pensar:

67
1. pegue uma cadeira de rodas, vá à escola com ela por uma semana e
sinta como é a vida de um deficiente físico no Brasil.
2. Coloque uma venda nos olhos e vivencie o mundo como os cegos o
vivenciam.
3. Escolha um vereador qualquer e observe o que ele faz ao longo de
uma semana de trabalho. Observe quanto ele ganha por tudo o que faz ou não faz.

Se você realmente quiser ter idéias novas, ser criativo, ser inovador e ter
uma opinião independente, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho
certo para começar a pensar.

4.14 SITUAÇÃO-PROBLEMA

A abordagem de ensino aprendizagem por competências, onde os


conhecimentos são utilizados como recurso a serem mobilizados para enfrentar e
resolver problemas, exige do professor o abandono da tradicional exposição de
conhecimentos, seguidos de exercícios de fixação e memorização e a adoção de uma
pratica, em que o aluno e convidado a participar de forma ativa, reflexiva e coletiva na
construção de novas competências, sendo-lhe dada a oportunidade de expor suas idéias,
fazer estimativas e cometer erros, objetivando a compreensão e a posterior
transposição de conhecimento para situações de sua realidade.
Para efetivação de um trabalho se apóia na resolução de situação-
problema, de modo contextualizado, se faz necessário que tais situações sejam
propostas de forma negociada, para que se tornem significativas e mobilizadoras das
ações dos alunos, pois só assim serão sujeitos no processo de construção de
conhecimento.
Dentre os inúmeros significados da noção de competência, definimos
este termo, como Perrenoud :
“Como sendo uma capacidade de agir eficazmente em um
determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas
sem limitar-se a eles, para enfrentar uma situação de melhor
maneira possível, deve-se, via de regra, por em ação e sinergia

68
vários recursos cognitivos complementares, entre os quais
estão o conhecimento” (PERRENOUD, 1999, p. 7).

Proponho um reconhecimento da abordagem do ser por inteiro na


valorização das diferentes habilidades, Por Howard Gardner, psicólogo americano,
professor de cognição e educação, onde segundo ele a mente humana além das
competências tradicionais é composta de sete inteligências: (lógico-matemática,
lingüística, espacial, físico-sinestésica, interpessoal, intrapessoal, Musical) e atualmente
Gardner admite uma oitava inteligência, a naturalista, que seria a capacidade de
reconhecer objetos na natureza, e discute outras inteligências, a existencial ou espiritual
e ate mesmo uma moral-sem, no entanto, adicioná-las as sete originais.

4.15 FUNDAMENTOS TEÓRICOS - “O SER PENSANTE”

Tenho como proposta pedagógica a fundamentação nas teorias de Ana


Mae Barbosa, Paulo Freire, Piaget, Vygotsky, Wallon, Philippe Perrenoud, Gardner,
Edgar Morin, Enny Parejo, Arun, Sócrates, Shinichi Suzuki,etc..., cientistas, professores
e filósofos que consideram o conhecimento fruto da ação humana. E, nesse sentido,
percebemos também a aprendizagem como um processo de construção, cujas
referencias, são as praticas social um processo de aprendizagem organizado de maneira
diferenciada, que favorece a continuidade, a interdisciplinaridade, a integração das
partes com o todo, uma educação reflexiva para formação do “Ser-Pensante”. Ou seja,
critico. Segundo Schafer (1973), somos convidados a ser ouvintes ativos,
desenvolvendo a idéia de “escuta pensante” ou “ouvinte pensante”.

4.16 O TUDO ESTÁ NO TODO

Analisando diversas teorias percebemos um elo de ligação entre elas, por


exemplo: Não seria a mesma coisa?
1.Um aperto de mãos ou a imposição de mãos perante os noivos no
casamento católico e protestante?

69
2.O Reike ou o Passe Espírita?
3.A oração Protestante, O mantra Budista ou a reza católica?
4.A filosofia Seisho-no-ei, Budista, Taoista ou o pensamento positivo da
programação neuro lingüística (pnl) e na filosofia do livro: The Secret (O Segredo) de
Rhonda Byrne da editora ediouro?
5. A prece, a reza ou a oração não estaria focando a mesma coisa? Não
seriam de fato a transmissão de energias positivas?
Na exposição Genômica, realizada no Parque Ibirapuera, no Pavilhão
Engenho Armando de Arruda Pereira, em (2008), percebemos que toda biodiversidade
(humanos, animais, plantas, fauna e flora) tem algum ponto do DNA em comum. É
preciso, portanto, reintegrarmo-nos à natureza e voltarmos à nossa origem etérea.
A ciência fala que o tempo é a deslocação da massa no espaço, a Bíblia
diz que um ano para o homem é mil anos para Deus, sabemos, pois, que cada ano
representa a volta de um planeta ao redor do sol. Entretanto cada planeta leva mais ou
menos tempo para completar este circulo (ciclo) no sistema solar...
E mais: ainda existem galáxias e vias-lácteas desconhecidas. Daí:
Não estariam a ciência e a religião falando da mesma coisa?
Não estariam a religião e a ciência mais próximas do que imaginamos?

“Encontramos-nos no gigantesco cosmos em expansão,


constituído de bilhões de galáxias e de bilhões de estrelas.
Aprendemos que nossa terra era um minúsculo pião que gira
em torno de um astro errante na periferia de pequena galáxia
de subúrbio. As partículas de nossos organismos teriam
aparecido desde os segundos de existência de nosso cosmo há
(talvez?) quinze bilhões de anos; nossos átomos de carbono
formaram-se em um ou vários sois anteriores ao nosso; nossas
moléculas agruparam-se nos primeiros tempos convulsivos da
terra; estas macromoléculas associaram-se em turbilhões dos
quais um, cada vez mais rico em diversidade molecular, se
metamorfoseou em organização de novo tipo, em relação `a
organização estritamente química: uma auto- organização
viva. (MORIN, 2007, p. 49)

“Nos seres vivos, somos um elemento da diáspora cósmica,


algumas migalhas da existência solar, um diminuto broto da
existência terrena”. (MORIN, 2007, p. 49)

70
O problema é que tanto a religião quanto a ciência se fecham em seus
paradigmas. Da mesma forma que a escola tradicional quanto às escolas nova:
construtivistas/ sócio-construtivistas/ etc... Fecha-se em seus procedimentos
metodológicos perdendo assim a dialogicidade e o crescimento, sejam eles espirituais
ou científicos.
O Tao é uma linha de transformação, não tem começo, nem meio e
nem fim, como no pensamento cartesiano. Estamos sempre em processo, assim como
na fisiologia da voz no ato da respiração em um fluxo continuo de troca de gazes.
“Estes sistemas provocam a disjunção entre as humanidades e
as ciências, assim como a separação das ciências em
disciplinas hiperespecializadas, fechadas em si mesmas”.
(MORIN, 2007, p. 40)

“Nestas condições,as mentes formadas pelas disciplinas


perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes
do mesmo modo que para integrá-los em seus conjuntos
naturais. O enfraquecimento da percepção do global conduz ao
enfraquecimento da responsabilidade (cada qual tende a ser
responsável apenas por sua tarefa especializada), assim como
ao enfraquecimento da solidariedade (cada qual não mais
sente os vínculos com seus concidadãos). (MORIN, 2007, p.
41)

4.17 NOSSA PROPOSTA PEDAGÓGICA

O aluno é encarado como um sujeito ativo que cria os seus próprios


instrumentos cognitivos, que o autorizam a:
1. Agir,
2. Compreender, e
3. Organizar e transformar a realidade.
É instigado a reconhecer suas necessidades e possibilidades, atualizá-las
e desenvolvê-las ao ser mobilizado a superar novos desafios lançados pelo professor.
Compreende-se que a integração sociocultural é um processo dialético e
dialógico que permite um movimento constante de recriação e reinterpretarão de
informações, de conceitos e significados. A cultura, como sistema simbólico, promove o
intercambio social do sujeito com a realidade, sendo a linguagem o mediador semiótico

71
desse intercambio que, processando o pensamento generalizante, estrutura e
contextualiza o raciocínio, já que interfere nas relações sociais.
Na educação no século XXI devemos esta voltados para a preparação da
vida:
1. Do gozar a vida,
2. Do usufruir o ser,
3. Do cuidar da saúde e do bem/ estar:
1.físico,
2.psíquico,
3.moral e ético

Considerando essas orientações teorico-metodológicos do campo de


desenvolvimento cognitivo, elegemos três eixos de estruturação pedagógica, que se
apresentam como problematizações e atendem a uma contextualização da vivencia
educativa, a serem abordados de maneira interdisciplinar:
1. A educação sob ótica do direito;
2. Cultura, identidade e vinculo social;
3. Ciência e tecnologia.

São três campos que se preocupam primordialmente com uma


formação cidadã ativa e participativa, e se articulam: na compreensão da
responsabilidade social de cada um quando ao mundo em que vivem; no
reconhecimento, respeito e aceitação das diferenças e dos direitos iguais; em dar
prioridade ao ser humano, estimulando o exercício da fala, da reflexão e da cooperação
em torno de ações e interesses comuns, na construção de veículos sociais que formam
uma rede de solidariedade, confiança, amizade e proximidade; e, partindo desses
valores, em especial o da dádiva, vislumbrar uma relação mais humana com o
conhecimento cientifico, em um domínio mais responsável dos recursos tecnológicos,
que, geralmente, estão presentes imperceptivelmente no cotidiano da população.
Ampliando o conceito de cidadania e desacorrentando-se do sentido
exclusivo de direito do consumidor, podemos elaborar uma identidade de produtor e
sujeito da historia. Nesse caminho de luta contra a desumanização do conhecimento, do

72
trabalho e da convivência social, sugerimos uma proposta pedagógica pautada na
estética das relações sociais, na busca pelo o belo.

Era como se, de repente, rompendo a “cultura do silêncio”,


descobrissem que não apenas podiam falar, mas, também, que
seu discurso crítico sobre o mundo, seu mundo, era uma forma
de refazê-lo. Era como se começassem a perceber que o
desenvolvimento de sua linguagem, dando-se em torno da
análise de sua realidade, terminasse por mostrar-lhes que o
mundo mais bonito a que aspiravam estava sendo anunciado,
de certa forma antecipado, na sua imaginação. E não vai nisto
nenhum idealismo. A imaginação. A conjectura em torno do
mundo diferente do da opressão são tão necessários aos
sujeitos históricos e transformadores da realidade para sua
práxis, quanto necessariamente faz parte do trabalho humano
que o operário tenha antes na cabeça o desenho, “a
conjectura” do que vai fazer. Aí está uma das tarefas da
educação democrática e popular, da Pedagogia da esperança –
a de possibilitar nas classes populares o desenvolvimento de
sua linguagem, jamais pelo blábláblá autoritário e sectário dos
“educadores”, de sua linguagem, que, emergindo da e
voltando-se sobre sua realidade, perfile as conjecturas, os
desenhos, as antecipações do mundo novo. Está aqui uma das
questões centrais da educação popular – a da linguagem como
caminho de invenção da cidadania. (FREIRE, 2007 A, p. 49)

Buscando o desenvolvimento do aluno na sociedade, em reconhecer


a cultura local no processo de construção de identidades, sendo a tradição indispensável
suporte a memória frente os avanços que a sociedade envereda, e contemplando a
diversidade cultural como forma de ampliar as formas de expressão da linguagem, da
estética e dos valores, fomentamos, assim, novas formas de organização curricular,
dessa maneira objetivando uma convivências dialógica entre o repertorio historicamente
elaborado e o cotidiano social em que o aluno esta inserido.
O necessário é que, subordinado, embora, à prática “
bancária”, o educando mantenha vivo em si o gosto da
rebeldia que, aguçando sua curiosidade e estimulando sua
capacidade de arriscar-se, de aventurar-se, de certa forma “o
imuniza” contra o poder apassivador do “ bancarismo”. Nesse
caso, é a força criadora do aprender de que fazem parte a
comparação, a repetição, a constatação, a dúvida rebelde, a
curiosidade não facilmente satisfeita, que supera os efeitos
negativos do falso ensinar. (FREIRE, 1997, p. 28)

73
Faz-se necessário o dialogo à ser aplicado nas escolas de Música, sejam
elas a nível profissionalizante ou na graduação em relação aos repertórios a priori
estabelecidos, ensina-se: a execução violonística, através de técnica instrumental e os
processos da boa interpretação Musical, mas, portanto, o repertorio poderá ser discutido,
avaliado, ate mesmo substituído, seja pelo gosto estético pessoal de cada aluno, ao pela
necessidade momentânea no estudo de certa técnica especifica a ser desenvolvida em
seus padrões de habilidades necessárias em cada etapa do desenvolvimento
instrumental.

4.18 EDUCAÇÃO ESTÉTICA

Vemos, portanto, a necessidade de promovermos uma educação estética,


que trabalhando a sensibilidade e a criatividade acena para um conteúdo essencial ético.
Segundo V.S. Satershikov:
“A educação estética é a forma da capacidade de desfrutar da verdadeira
beleza da vida em toda a sua diversidade e da necessidade de trabalhar para o bem da
sociedade aspirando a um desenvolvimento harmônico de todas as nossas capacidades”.
O entendimento de beleza, dessa forma, revela o conteúdo
transformador de uma concepção de educação verdadeiramente humanista.
Na presente proposta, a estética é reconhecida em seus três campos
construtivos, cujos conteúdos compõem a totalidade da educação estética e encontram-
se assim definidos:
1. O campo da arte, tratando da beleza artística, suas leis, categorias,
etc;
2. O campo da percepção estética da natureza, envolvendo a beleza da
natureza e as relações estéticas homem-natureza; e
3. O campo do conteúdo das relações sócias.
Favorecendo o reconhecimento, a valorização e a produção do belo, não
apenas na arte, mas nas relações dos alunos com a natureza/ meio ambiente em seus
múltiplos aspectos, e dando especial atenção ao âmbito da estética das relações sociais,
campo necessário de observação criadora do aluno em seu contexto social, contribuímos

74
para a elaboração de novos significados e sentidos, para uma linguagem que preserve os
valores da:
1. Solidariedade,
2. Liberdade,
3. Participação e justiça social,
Visando à formação de alunos ativos e participativos com senso estético
e princípios éticos, que repercutem de maneira transformadora e benéfica na
coletividade.
Visando à coletividade e a transformação social o projeto guri, projeto de
inclusão social através da Música, trabalha o ensino coletivo do violão; a metodologia
aplicada no projeto já tem um histórico cientifico catalogado pela pesquisadora Flavia
Maria Cruvinel que e mestre em Música pela escola de artes cênicas da universidade
federal de Goiás (EMAC/UFG), onde também se formou em direito. Desde 1994 atua
como professora de violão e desde 2000 e professora de cordas nas oficinas de Música e
teatro da EMAC/ UFG, local onde foi levada a cabo a pesquisa que resultou no livro:
Educação Musical e transformação social - uma experiência com ensino coletivo de
cordas.
Todos estamos conscientes da gravidade da conjuntura que atravessamos
no nosso sistema social diante a violência e a falta de estética das relações humanas,
onde “homens agridem homens a cada momento” é preciso portanto rever nossos
currículos diante o mal da violência diária em que nos estamos inseridos e dentre uma
teia complexa, ensinar nossos “preciosos conteúdos Músicas”, ainda enclausurados em
sua redoma acadêmica. Ensinar de uma forma contextualizada no sistema sociocultural
em que nossos alunos estão inseridos.

75
5. PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR PARA O ENSINO DO
VIOLÃO

Cada leitor interpretara as imagens devido aos seus conhecimentos prévios. Sem
o domínio gramatical o leigo provavelmente ira fruir a Obra de uma forma diferente de
quem a conhece. Portanto a fruição existira de alguma maneira, de algum nível. O que
proponho para o ensino do vilão é que nosso aluno comece a explorar o instrumento,
sem preocupações gramaticais, e que possa explorar a releitura da Obra sem
necessariamente saber as regras de harmonia e contraponto. Isso não significa a falta de
interesse pelo estudo da composição Musical, muito pelo contrario, a releitura
estimulara nosso aluno a criar, e na necessidade de evoluir nas releituras, o aluno terá
mais interesse no estudo da Música e do instrumento.
Com o intuito de ir além das praticas interpretativas, oriento meus alunos a
construção de uma nova obra dentro da concepção de releitura proposta pela doutora
Ana Mae Barbosa. A releitura se da em mudar algum padrão rítmico, arpejo, harmônico
ou alguma idéia retirada da obra original para desenvolver a “fantasia” da nova obra.
Na obra original de J.S. Bach no bourée da suíte para alaúde BWV 966 “por
exemplo” (peça esta onde a grande maioria dos estudantes de violão estudam sem
conhecimento a priori do que é uma suíte barroca), oriento os alunos a manter o baixo
original e a compor uma nova melodia com mesmo padrão rítmico. Em seguida, em um
novo arranjo, dou a orientação para manter a mesma melodia e modificar o baixo com o
mesmo padrão rítmico. Depois, dentro de um trabalho de releitura da obra, proponho
que se modifique a melodia, e também o seu ritmo, mantendo o mesmo baixo. Numa
terceira etapa modifica-se o baixo por completo e para finalizar se juntam todas as
partes modificadas, dando forma a uma nova obra. Assim trabalho a criatividade e a
pedagogia da autonomia proposta pelo educador Paulo freire. O aluno trabalha com o
professor a criatividade, a improvisação e a criação independente das aulas de harmonia
e composição e de sua compreensão a cerca delas.
Quando jovem, aprendi que a beleza e a criatividade não
podiam viver escravas da devoção à correção gramatical. Essa
compreensão me ensinou que a criatividade precisava de
liberdade. Então, mudei minha pedagogia, como jovem
professor, no sentido da educação criativa. Isto foi um

76
fundamento, também, para que eu soubesse, depois, como a
criatividade na pedagogia está relacionada com a criatividade
na política. Uma pedagogia autoritária,ou um regime político
autoritário, não permite a liberdade necessária à criatividade, e
é preciso criatividade para se aprender. (FREIRE, 1997, p. 31)

Segundo Freire, é preciso liberdade independente ou não do conhecimento


gramatical. Essa liberdade é dada ao nosso aluno na medida em que ele compõe sua
releitura.
Uma outra obra que mostrarei em anexo é o experimento da proposta triangular
no estudo nº 1 de Villa-Lobos, no departamento de Música da Universidade Federal de
Pernambuco, onde fui professor substituto de violão. Nesse estudo mantemos toda a
estrutura do arpejo da mão direita, movimentos paralelos descendentes dos compassos
12 a 23 com uma nota pedal e estuda-se a estrutura da peca, que é composta de fórmula
fixa dividida em 3 partes com padrão ordenado e repetitivo, que nos remete aos ritmos
das escolas de samba embutidos nos ritmos do arpejo. A sucessão de acordes da mão
esquerda fica a livre escolha do aluno, onde ele pesquisa outras tonalidades em forma
prelúdio sem tema aparente. A dinâmica fica orientada pela cadencia harmônica e a
partir do compasso 25 o estudante cria um encadeamento com ligados melódicos e, ao
voltar para os arpejos, cria um encadeamento de acordes com execução de harmônicos
como no final da obra original. Além de fazer uma releitura contextualizando a obra,
o aluno estuda o modernismo a vida e a obra de Maestro Villa-Lobos, fechando assim o
ciclo da proposta triangular: O fazer, O ler e O contextualizar.

77
6. A PROPOSTA METODOLÓGICA TRIANGULAR NO ENSINO
MULTICULTURAL

O fato de o multiculturalismo ser hoje uma realidade dentro dos currículos, é ao


mesmo tempo um avanço, como também uma preocupação. Multiculturalismo enquanto
convivência de diversas culturas. Quando falamos em cultura, não nos referimos`a
cultura livresca ou de formação, mas da cultura como “alma” de uma sociedade, como
formação social e intelectual dos indivíduos. E a multiculturalidade nos coloca diante da
enorme tarefa que é a construção de um currículo escolar, onde as diferentes culturas,
sem destaque ou privilégio para que nenhuma delas, possam ser contempladas.
Mesmo entre os defensores do multiculturalismo, existem divergências
ideológicas. O multiculturalismo conservador; visão muito defendida por europeus e
norte-americanos, tem caráter colonialista, onde as pessoas de outras raças ou etnias são
tratadas como serviçal, escrava, ou como os que “divertem”. Uma multiculturalidade
que privilegia arbitrariamente a cultura euro-ocidental, esmagando as outras culturas, ou
as tratando como inferiores. O cinema norte-americano foi, talvez, o maior difusor dessa
visão. A cultura hegemônica é imposta constantemente, e a imposição de padrões
estéticos, por exemplo, empobrece as populações periféricas, artística, econômica e
intelectualmente.
Segundo Giroux, para os liberais, o multiculturalismo denota um pluralismo
desprovido de contextualização histórica. Quanto `a luta cultural, na qual as condições
fundamentais, envolvendo, raça, classe e gênero podem ser harmonizadas dentro da
estrutura hegemônica.
O multiculturalismo insurgente, que permite uma leitura do mundo a partir das
culturais dominadas, produzindo um novo conhecimento, conseqüentemente uma nova
subjetividade, livre da supostas superioridades, é chamado por Peter MacLaren de
multiculturalismo crítico.
O multiculturalismo crítico, de resistência, compreende a representação de raça,
classe e gênero como resultado de lutas sociais, entendo que deve-se lutar para
transformar as relações sociais, culturais e institucionais.

78
Os parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) avançam quando tocam na questão
da pluralidade cultural, mas ela é colocada como tema transversal, e, para o ensino da
arte ela precisa ser mais que um tema transversal, precisamos ir além da
transversalidade. Da maneira como esta no documento pluralidade e multiculturalidade
são tratados como sinônimos. Em seu livro Tópicos Utópicos Ana Mae Barbosa chama
atenção para que “a pluralidade aditiva vem sendo veementemente criticada por
sociólogos, antropólogos, educadores e arte-educadores. Por abordagem aditiva
entendemos a atitude de apenas adicionar à cultura dominante alguns tópicos relativos a
outras culturais”. (1999).
Esse adicionar muitas vezes se resume aos clichês das culturas, como por
exemplo, o origami japonês, a festa do halloween norte-americana, os ovos de páscoa
ucranianos entre outros.
Além da multiculturalidade, já se utiliza o termo “interculturalidade”, que propõe
uma inter-relação entre culturas. Em arte significa uma inter-relação entre códigos
culturais de diferentes grupos.
A seguir mostraremos um trabalho intercultural realizado em Recife.

FEIRA JAPONESA EM RECIFE (2005)

Figura 4 – Fusão dos tambores de maracatu (alfaias) com os tambores japoneses (taiko).

79
CORAL MULTICULTURAL

Figura 5 – Fusão de vozes e tambores.

ETNOMUSICOLOGIA NA FACULDADE DE HIROSAKY - JAPÃO

Figura 6 – Aulas de shamisen e koto

Os currículos, as escolas, os professores, devem dar ao aluno acesso aos diversos


códigos das diferentes culturas que convivem em nosso país, e não somente os da
cultura dominante, como também, não somente em datas comemorativas como neste
ano do centenário da imigração japonesa no Brasil (2008).
Não podemos perder de vista que o movimento multicultural tem raízes
profundas que ultrapassam qualquer reformulação curricular. A nossa pratica curricular
em ordenar disciplinas é de herança euro-ocidental, portanto esta fora da nossa

80
realidade. Desta forma, nos professores deveremos nos atualizar e buscar currículos
mais adequados a nossa realidade. (currículos de violão de escolas de Música segue-se
em anexo).
Num mundo globalizado as minorias são engolidas pelos grupos culturas
dominantes. Faz-se necessário, que os índios, negros e outras minorias desconstruam a
classificação de inferiores em relação aos grupos dominantes.
E tem sido a arte, sob suas diversas formas de expressão, que tem levado a
multiculturalidade a uma rápida expansão. A forca da Música, como identificação e
reconhecimento de similaridades entre grupos, promovendo um cruzamento cultural,
ampliando a troca e a assimilação de códigos. Podemos citar, como por exemplo, o rap e
a embolada, inter-relacionando duas culturas. O rap é um veiculo de protesto e denuncia
contra a dominação, a arbitrariedade, o preconceito e a descriminação. Mas temos que
esta atentos para que seja uma via de mão dupla.
No nosso pais as minorias, índios, negros e mestiços, formam as camadas mais
pobres da população, e sua arte é considerada de segunda categoria, classificadas como
folclore, arte popular, não acadêmica, portanto, excluída. Se o código erudito sempre foi
negado a maioria da população, fica restrito`a elite dominante, não é motivo para ser
colocada como superior. São diversos códigos que coexistem, e é arte brasileira,
independente de quem a produziu. Se continuamos a dicotomizar a arte brasileira entre
erudita e popular ou folclórica, estaremos contribuindo mais uma vez para colocar a arte
erudita, de herança européia branca como superior, e a dos outros povos como
inferiores. Nos currículos de violão (em anexo). É fácil ver a prioridade do estudo de
repertorio de compositores chamados eruditos em detrimento aos chamados populares.
E porque essa diferença existe? A imagem criada pela elite branca, ajudada
por cientistas sociais, é um dos mais poderosos instrumentos de dominação. O caráter
miscigenador da sociedade brasileira é portanto, pluriétnica. Excluídos da produção
cultural do pais, os negros, índios e mestiços só estão culturalmente assimilados quando
estão revestidos de erudição.
Somos uma diversidade cultural, além das três raças que formaram nossa gênese
étnica, assimilamos culturas de imigrantes de diversos paises, somos ricos de
diversidade cultural, mas infelizmente pobres na desigualdade social e no respeito pela
produção estética das minorias.

81
branco

negro índio

Miscigenação

Já existem projetos de inclusão social dessas minorias, os parâmetros


curriculares nacional (PCN`S). Já inclui a educação indígena com professores índios,
que trabalham a partir de suas referências culturais.

82
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nós, professores de violão, estamos diante de um grande desafio, que é nos


libertamos dos códigos europeus e ampliarmos ao Maximo o leque de possibilidades,
não podemos, diante da contemporaneidade excluir outros códigos artísticos, devemos,
pois, incluir nos nossos planejamentos as diversas formas de fazer e pensar o violão:
a. Como instrumento de Musicalização infantil, explorando diversos timbres,
convencionalmente não utilizados no instrumento.
b. Como instrumento de ressocialização das crianças e jovens em situação de
risco, com projetos de inclusão social, usando a metodologia do ensino
coletivo do instrumento.
c. Como instrumento musicoterapêutico, em tratamentos holísticos, levando as
emoções embutidas para fora do peito.
d. Como instrumento para a meditação e bem-estar profundo.
e. Como instrumento de concerto, para levar aos ouvintes prazer estético.

Vamos trabalhar o violão sem exaltar, sem diminuir nenhum estilo, escola ou
gênero Musical, trabalhar as inúmeras “Músicas” que existem e não só a de código
erudito, mas as multifaces do instrumento como veiculo de comunicação e expressão de
diversas etnias. As escolas européias e todas as outras.
O professor de instrumento (violão) é um facilitador da experiência do aprender
que só poderá ser vivido por quem está experienciando na pratica o instrumento, ou
seja, o próprio aluno.
Nas propostas pedagógicas analisadas vemos que a dialética entre elas é o
melhor caminho para o ensino do instrumento, visto, pois, que em etapas inicias é
necessário certos procedimentos tradicionais, tecnicista e cartesiano. A dialogicidade se
dar na relação aluno-professor, mais é necessário que haja uma certa confiança do aluno
em relação aos exercícios propostos pelo professor, em certos estágios (etapas) do
desenvolvimento técnico e musical, nas etapas inicias fica difícil à aplicação do método
sócio-construtivista, pois se pressupõem que cada professor transfira sua técnica

83
instrumental para seus alunos, desta forma a educação é vista na concepção de Freire
como uma educação Bancaria, onde o aluno é visto como uma esponja ou um banco a
ser depositado informações. Cada professor de violão tem sua técnica na qual acredita
ser a melhor para resolver certas passagens musicais; o aluno iniciante neste estagio é
considerado uma tabula rasa, pois a discussão técnica fica difícil neste nível. Entretanto
a concepção humanista do professor poderá ser aplicada na relação inter-pessoal no
processo ensino-aprendizagem.
Os métodos de violão por nos analisados mostram claramente um processo
cartesiano, onde a dosagem de exercícios se dar paulatinamente do mais fácil ao mais
difícil. Por exemplo: exercícios de cordas soltas, em terças, quartas, quintas, sextas,
oitavas, e pequenas frases com o indicador, médio, anular, e as varias combinações
possíveis para a digitação, com o polegar, polegar e indicador simultâneos, polegar e
médio e polegar e indicador. Tanto na técnica da mão direita quanto no repertorio
expostos nos métodos mostram um cuidado em traçar uma linha de grau de dificuldade
do mais simples ao mais difícil. Este procedimento tradicional se dar em todos os
métodos de violão clássico (erudito), como também os métodos chamados “práticos”,
ou seja, aqueles que tem como propósito o conhecimento da harmonia para formação de
acordes, no ensino do “violão popular”, que serve para o acompanhamento de canções
com arpejos (dedilhados) e batidas de ritmos diversos.
Acreditamos que o método cartesiano é necessário para construção de
conhecimentos no violão, entretanto sendo Dialético, Complexo, Construtivista e Sócio-
construtivista, poderemos usar a Metodologia Triangular para exercitar a criatividade do
aluno tanto na releitura das obras estudadas, Como também nos exercícios propostos. O
aluno poderá criar seus próprios exercícios de cordas soltas, e nas combinações de
digitações diversas. Quanto à técnica de ataque e no formato de unhas é necessário que
o aluno seja um discípulo do seu professor, pois não é possível que o professor ensine
procedimentos que não estão dentro de seu espectro de conhecimentos.
Pelo exposto do relato da experiência do violonista Nenél Liberalquino,
constatamos que a técnica não é uma verdade absoluta e que nos professores deveremos
estar atentos na adaptabilidade da técnica a cada aluno nas suas diferentes
especificidades em relação a cada corpo (físico), tamanho de mão, dedos, etc...Em
contato com o violão.

84
Cada professor tem sua formação com diferentes experiências. Os que tem
Bacharelado em Violão Clássico tem sua técnica pautada na:
“Escola de Tarrega”, mas não teve tempo para organizar todo
o seu material, assim sistematizando seu pensamento
pedagógico. Emilio Pujol, seu aluno mais dedicado é que mais
compreendeu seu sistema, demonstrado em seus livros
“Escuela Razonada de la Guitarra”. (PINTO, 2005, p. 13)

Pautada também na técnica de Segóvia: André Segóvia (Linares 1.893-Madri


1.987), colocou definitivamente o violão no mais alto patamar. (PINTO, 2005, p. 14)

Assim como Pujol, Abel Carlevaro (Uruguai 1.918-2.001), que absorveu toda
sua técnica e acrescentou muitos detalhes construindo o que hoje podemos definir
como “técnica Carlevariana” (PINTO, 2005, p. 14)

Os violonistas flamencos, entre outros, com suas técnicas especificas ficaram de


fora de nossa pesquisa. Mais não significa que o professor atento aos desejos e anseios
de seus alunos não procure matérias adequados e necessários para exploração de
conhecimentos específicos em outras áreas, ou encaminhar este aluno ansioso por uma
técnica especifica para um professor experiente na área desejada.
Por fim, cabe a nos professores, dar aos nossos alunos, subsídios necessários
para formação de uma estética diversa, multicultural, a construída historicamente pela
humanidade, a do nosso pais, a popular ou a chamada folclórica e todas as outras
possíveis de ser pesquisadas e exploradas por nos professores para o ensino do nosso
aluno, para construção de um conhecimento dialético e democrático para formação de
um ser humano mais educado, pois um pais educado significa menos violência, menos
assaltantes, menos marginalizados, menos traficantes, menos malfeitores na nossa
sociedade, desencadeando assim, um mundo mais justo e solidário, na busca do “Belo”
nas relações sociais.

85
ANEXOS

86
RONOEL SIMÕES EM ENTREVISTA CONCEDIDA EM SÃO PAULO
(FEVEREIRO-2008)

Quando o senhor começou a dar aulas de violão?


Quando eu comecei a dar aula de violão, foi em 1953. E, naquele tempo, estava
tudo começando aqui, não tinha quase escola de violão. O método que se usava muito
era o [do Mario Rodriguez] Arenas, com sete volumes e esse método é usado ainda no
mundo todo. Está na 50ª edição, muita gente usa ainda. E o [violonista Andrés] Segóvia,
quando esteve aqui, perguntou para o Mário Cunha – um violonista que tínhamos aqui –
de que método ele precisava. O Mário Cunha disse “o Arenas”. E o Segóvia conhecia o
Arenas e ele achou que estava bom. É um método muito usado no mundo todo. Tem do
volume um ao sete, só que os estudos são mal digitados, a digitação não está boa. Mas a
gente pode fazer uma outra digitação. Agora, eu já usei também outros métodos:
Aguado-Sinopoli, [Júlio] Sagreras – que é uma coleção de método muito bom, de sete
volumes – e, depois, esses outros mais modernos. Usamos também muito [Fernando]
Carulli, [Matteo] Carcassi. Mas depois começou [Isaias] Sávio, o Henrique Pinto e
outros mais também começaram. Mas, naquele tempo, o que se usava mais era o
Arenas, os sete volumes: cada volume, um ano. E custava uma média de 70 reais, 80
reais, cada método. E o aluno, naquele tempo, não achava caro. Comprar um método
por 70 reais dava para estudar um ano. E, antes de terminar um ano, ele já podia
intercalar com uma musiquinha fácil. Hoje eles acham muito caro e reclamam: “70 reais
o método?”. Mas não era caro, não.

Na história do ensino do violão do Brasil, quando começou a ter concertos


no Brasil, veio para cá o Isaias Sávio. O método dele foi muito difundido, ou não?
Foi. Foi bastante difundido, sim. O Sávio chegou aqui em 1942 e o método dele
era bastante difundido, sim.

Foi ele quem introduziu o ensino acadêmico [de violão] no Brasil?


Não. Praticamente ele, não. O Sávio, quando chegou aqui, ele falou para mim:
“Eu fiquei aqui em São Paulo porque eu achei que aqui tinha um ambiente de violão
bom, forte”. Ele gostou do ambiente de violão. Quer dizer: nós já tínhamos um

87
ambiente de violão quando ele chegou. Mas ele ajudou muito a difundir o violão por
aqui. Ele dava muita aula, tinha muitos alunos, era muito dinâmico, gostava de muitos
movimentos. De maneiras que ele trabalhou muito o violão. Antes do Sávio, o ambiente
era mais retraído. Eu comecei a estudar [violão] em 1941. Se fosse um ano depois,
talvez eu ainda tivesse estudado com o Sávio. Ele era muito conhecido e, inclusive, eu
sempre fui muito amigo dele. Mesmo estudando com o [Attilio] Bernardini, outro
professor, eu freqüentava a casa do Sávio. E, nesse ponto, ele era um homem superior:
sabendo que eu estudava com o outro, nunca quis me tirar do outro. Me atendia muito
bem, éramos amigos. Até gravamos umas coisas particulares juntos – eu tocava muito
com ele. Eu ia na casa dele e tocava aqueles “24 duos”, de Carulli, e outras coisas
mais... os duos dele mesmo também. Nós tocávamos muita coisa junto, como passa-
tempo mesmo. Ele fazia muito movimento com o violão, gostava de ensinar bastante. E,
se o aluno não pudesse pagar, ele ensinava até de graça. De maneiras que era um
homem que ajudou muito o violão aqui em São Paulo. Era muito bom. Entendia muito
de violão. Inclusive nós tivemos aqui o Barbosa Lima, a Maria Lívia São Marcos, que
foram os primeiros alunos do Sávio aqui em São Paulo. A primeira foi uma aluna
chamada Julieta Correia Antunes, mas tinha outros. Isso em 1941, 1942.
Agora, os métodos para violão, depois que a gente entende um pouco, todos eles
são bons, depende de saber usar. O Arenas – como eu já disse – é um método muito
bom, mas está mal digitado. Mas o professor, naturalmente, pode fazer uma outra
digitação. Agora, é um método muito usado. Na ocasião que eu dava aula – e isso foi em
1953 – eu tinha um aluno velho que trabalhava com um negócio de cinema e ele
estudava violão comigo. E ele quis uma coisa muito lógica: ele quis os métodos 1 e 2 de
Arenas gravados em cassete. Eu gravei para ele – gravei os dois em duas horas. E tem
até hoje isso: já passei até para CD. Ele queria que eu gravasse os outros mais. Eu falei:
“Escuta, não dá para gravar. Só dá para gravar o um e o dois”. O três já não dava para
gravar, porque os outros já são estudos meio difíceis. O dois mesmo eu gravei lendo da
partitura e está mal tocado. Agora, o três já não deu para gravar.

No curso de bacharelado em violão, pelo menos em Recife, na UFPE, o


aluno é obrigado a estudar os doze estudos de Villa-Lobos. Quais os estudos que o

88
senhor considera indispensáveis para a formação de um violonista? Quais as
técnicas devem ser necessariamente estudadas?
Bom, aí, nesse caso, o Villa-Lobos já é um complemento. Claro que é muito útil,
porque são estudos difíceis. O Leo Brouwer tem aqueles estudos dele, mas já são bem
mais fáceis. Villa-Lobos é mais difícil, mas é muito útil. Agora, já está muito mais
avançado que os outros. Mas que é útil, é útil. Lá em Recife, parece que era o Henrique
Annes quem dava aula, não é?

Não na Universidade. Lá eram Mauro Maibrada e Fernando Azevedo.


Henrique Annes dava aula no Conservatório Pernambucano de Música.
Eu conhecia esses, sim. Eu mantinha contato com eles, eles me telefonavam, nós
nos escrevíamos.

O senhor sabe como foi fundada a Escola de Violão em Recife?


Eles me contaram, na ocasião, que estava o professor espanhol José Carillon. O
irmão dele morava aqui em São Paulo, Mandela Carillon. Então, José Carillon é que
formou muita gente lá em recife.

Henrique Annes estudou com José Carillon?


Parece que sim, mas eu não me lembro muito bem. A cabeça tem horas que
demora para lembrar as coisas. Eu sabia que ele dava aula em Pernambuco, que ele
implantou o violão no conservatório de lá. Era um professor muito competente, tocava
muito bem, conhecia o instrumento. Mas, como eu ia dizendo, os estudos de Villa-
Lobos são muito úteis sim, claro.

Mas a gente pode substituir um estudo de Villa-Lobos por um outro, por


exemplo, de João Pernambuco, de igual nível técnico?
Pode ser, pode também. Pode adaptar outros estudos. Inclusive tem muitos
estudos além desses que eu citei: tem muitos argentinos, como o Micheloni e outros
mais. Eles tinham muitos estudos deles também. Pode-se intercalar outros estudos, mas
o Villa-Lobos é muito avançado, é muito bom. Inclusive aquele estudo sete é uma
dificuldade danada: uns tocam de um jeito, outros tocam de outro. Mas são muito

89
importantes os estudos do Villa-Lobos. Eu usei também esses estudos. Eu não tocava
violão, mas para mostrar para o aluno dava. Agora, eu sempre acompanhei muito esses
estudos. Tem muitos violonistas que gravaram esses estudos. O Edson Lopes, de Tatuí,
tem gravados esses estudos por um professor, por outro. Ele tem feito um trabalho
muito bonito nessas gravações. Eu sempre tive interesse nesses estudos, porque quem
leciona deve ter o interesse de conhecer as coisas e eu tinha o interesse de conhecer a
dificuldade dos estudos. De maneiras que eu estudava tudo aquilo. Aguado-Sinopoli é
um método muito bom, muito adotado na Argentina, juntamente com o Arenas, que
também é argentino. Os primeiros foram editados em Buenos Aires em 1923. Também o
Sagreras e outros mais... Mas, é isso.

O senhor começou a estudar violão com que idade?


Eu nasci em 1919 e eu comecei em 1941: com 22 anos, né? Comecei com 22
anos. Comecei tarde.

E a ensinar, começou com que idade?


A dar aula eu comecei em 1953. De maneiras que foi isso: eu estudei com o
Bernardini de 1941 a 1947. Depois, comecei a dar aula de violão. Dei aula por 31 anos:
de 1951 a 1984. [O entrevistado evidentemente se enganou e confundiu as datas. Sua
primeira afirmação é a correta, a de que teria começado a lecionar em 1953.]

Depois se aposentou?
É. Em 1984 me aposentei. O Dilermando Reis deu aula por 35 anos e eu, por 31
anos. Eu comecei mais velho que ele.

O senhor trabalhava como autônomo?


Sim, como autônomo. E também na Academia Brasileira de Violão, que nós
fundamos, na ocasião. Eu trabalhei lá.
Mas o seu trabalho é muito bonito, muito importante...

Eu tenho interesse em resgatar a história do ensino do violão no Brasil.

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O primeiro [método] que eu conheço é mesmo o Arenas. Inclusive, nós
fundamos a Academia em 1953 e muita gente ia lá pedir o programa de estudos da
Academia. E, como naquele tempo isso não existia, a gente dava o programa.

A Academia [Brasileira de Violão] foi formada por quantos professores e


quem eles eram?
Engraçado: o dono era eu. Eu não era importante, mas eu tinha a mania de
empreender as coisas. Professor mesmo era o Attilio Bernardini – que era o diretor
artístico – depois tinha o Guido Moretti e o Oscar Magalhães Guerra e outros mais.
Depois, no fim, até surgiu o Ademar Petri, que era aluno do Sávio, e deu aula lá
também. O Petri faleceu agora, com 82 anos. Tínhamos uma porção de professores na
época. Esse Oscar Magalhães Guerra era um professor da época que se tornou famoso
porque era muito exigente. Eu dava aula, mas não era tão rigoroso com o aluno. O
Guerra, não. Muitas vezes o aluno ia estudar com ele e chegava tocando a “Marcha
Turca”, de Mozart – naturalmente mal tocada. O Guerra: “Não, não! Nós não podemos
estudar essas coisas. Temos que começar com corda solta.” Ele exigia. Tinha aluno que
achava ruim e parava. Mas muitos aceitavam, para aprender a tirar o som do violão,
para estudar com apoio e semi-apoio. Depois ia entrando nas escalas e tudo o mais.
E eu, como era interessado em assuntos de métodos, eu estudei, a pedido desse
aluno de que eu falei. Eu gravei os volumes um e dois do Arenas. Do volume dois, eu
gravei os 45 estudos, um por um, seguidos, falando e tocando. Como eu já falei, alguns
não saíram bem, porque precisava decorar para tocar. São estudos bonitos, com
melodias bonitas, harmonizações bonitas. Já entram aqueles estudos de Napoleão Coste,
muitos estudos de Aguado, que eram difíceis. Ele tem uns estudos difíceis, porque ele
mistura muito a música com a técnica. Eu tinha uma aluna velha – uma senhora – que
disse: “Esses estudos do Aguado eu não quero. É muito chato”. Eu falei “ta bom”.

O senhor tem alguma história interessante sobre algum aluno seu, que o
senhor queira contar para encerrar a entrevista?
Bom, eu tinha um aluno que começou comigo. Mas, como eu e o Guerra
trabalhávamos juntos, ele depois estudou com o Guerra: é o Carlos Ferreira Pinto Filho.
Ele, outro dia, veio aqui me visitar. Ele é aviador da Varig, viaja para o mundo inteiro de

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avião. Ele não seguiu a carreira de concertista, porque o violão não dá dinheiro, não é?
Ele, como aviador, ganha mais. Tanto que, na mesma ocasião, o Álvaro Pierre – que era
uruguaio, ou argentino – seguiu a carreira de concertista. Mas o Carlinhos não quis
seguir porque ele achou que não dava dinheiro e ele precisava ganhar dinheiro. Mas ele
ainda toca até hoje. Toca para ele, mas toca muito bem. Eu dando aula para ele era como
se fosse o Sávio dando aula para o Barbosa Lima. O Sávio é quem contava que o
Barbosa Lima chegava com aqueles estudos difíceis e ele mesmo fazia o arranjo. Então
o Sávio aprovava tudo. E eu também, com o Carlos Ferreira. Ele chegava tocando
“Conversa de baiana”, de Dilermando Reis, tirado da gravação e bem tocado!

Então o senhor dava liberdade para ele...


É! Justamente. Ele já vinha com aquilo decorado e eu apoiava. De maneiras que
esse é um aluno que foi meu e do Guerra. Mas ele começou mesmo comigo. Até tem um
mineiro aí que me contou: “Escuta, esse Carlinhos começou com você durante uns dois
ou três anos, não foi? É que aqui em Minas tem um ditado que diz que o primeiro pião a
montar em um burro bravo é que tem valor”. [risos]. O primeiro é que tem valor. O
segundo já pega mais manso um pouco.
Agora, o Guerra era muito rigoroso e conhecia muito o violão. Os alunos
gostavam de estudar com ele: Oscar Magalhães Guerra. E o Bernardini também. Aqui
na Academia a gente dava um pouquinho de teoria Musical, bem pouquinho. Solfejo
também. Mas, inclusive, o solfejo de violão, aqui no Brasil, foi sempre muito mal
estudado. Não se estuda solfejo como se deve. Inclusive o [Francisco] Tárrega, quando
passou em Madri, ele quis estudar no conservatório de Madri, mas ele não tinha
dinheiro. Aceitaram ele sem dinheiro, porque ele já estava no terceiro ano de solfejo. Só
que lá o solfejo era cantado, não é como aqui, falado, que não vale nada. Uma vez, um
aluno meu, que se chamava Valdemar, foi estudar com a Sofia de Mello – uma
professora de música que tínhamos na ocasião, muito rigorosa – e ela falou para ele:
“você já fez solfejo”. Ele: “Já”. Aí ele fez aquele solfejo falado – “dó-oooo, ré-eeeee” –
e ela parou: “escuta, com quem você estudou solfejo?”. “Eu estudei com o Simões”.
“Então você liga para o Simões e diz que isso não é solfejo nem aqui nem no inferno”.
[risos]. Eu sabia que não era, mas se ensinava assim. Se fosse ensinar cantado, os
alunos não pegavam. Mas o solfejo tem que ser cantado. O Tárrega foi aceito no

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conservatório de Madri – sem pagar – porque ele solfejava – inclusive de trás para
diante – tudo perfeito. O estudo tem que ser assim. Eu ensinei um pouquinho assim
também, não muito, porque eu também não sabia muito. Teve até uma aluna minha,
uma mocinha, que ia bem no solfejo cantado. Porque o solfejo tem que ser cantado.

Então o senhor acha importante que o aluno, além de tocar, cante e entoe as
notas todas que está estudando?
Tem que entoar. É importante, sim. O aluno, quando vai estudar uma música,
deveria conseguir cantar a música, sem instrumento.

É preciso, então, que o aluno saiba a música primeiro na cabeça?


Isso. O certo tem que ser assim. Tem que primeiro cantar a música. Tanto que,
antigamente, quando tudo era com mais rigor, o aluno antes de começar a estudar o
instrumento, ele começava com a música, para cantar a música antes de pegar no
instrumento. Muitos professores de violão falam que estudaram solfejo, que estudaram
mestrado em regência – que é muito difícil, porque tem que cantar em todas as claves.
Mas a gente vai fazendo o que pode.

A nossa geração – minha e de Fernando, que está aqui – agradece ao senhor


e a toda a sua geração por tudo o que foi deixado para a gente. E eu quero saber
que conselho o senhor daria para que a gente pudesse levar o ensino do violão de
uma forma mais adequada e prazerosa e que se perpetue por outras gerações.
Bom, aí precisa estudar com muito rigor todas as matérias que são necessárias.
Tem que se estudar com muito rigor, procurar tocar direito. A música tem várias
maneiras de ser tocada: tocar de qualquer jeito ou tocar direito. Eu vejo hoje em dia
alguns aí que... por exemplo, o filho do Baden Powell [o violonista Marcel Powell]: ele
gravou um CD – que eu tenho – e ele toca muito mal, viu? Muito mal demais. Aquele
“Odeon”, de [Ernesto] Nazareth, que ele gravou está horrível, muito mal tocado. Então
tudo o que se toca, tem que se tocar direito.
Nos Estados Unidos, tem um rapaz que trabalha em uma escola – não sei o quê
Reis – e ele me mandou uma folha de papel que ele usou lá, falando de mim, como
colecionador de partituras, de disco e então lhe perguntaram: “Esse Simões entende

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alguma coisa de violão?”. Ele respondeu: “Não sei, mas ele dá aula desde 1953”. O
conselho que eu dou é fazer tudo com muita perfeição. O solfejo tem que ser cantado,
tem que ser estudado com muito rigor. Tem que se estudar direito, com muita perfeição.
O negócio é muito sério. Perguntaram para o Segóvia uma vez: “Escuta, o senhor estuda
violão desde menino, não é?” Ele respondeu: “Antes de nascer eu já tocava violão”.
Tem que estudar muito. Tem que estudar o instrumento. Estudar música, ouvir muita
música. A pessoa, antes de estudar uma música, tem que ter essa música no ouvido, tem
que conhecer a música. Tem que estudar tudo com muita perfeição. E o estudo tem sido
muito mal feito. Tem alguns bons, mais rigorosos, claro, como os da ULM
[Universidade Livre de Música], o Everton [Gloeden], o Edelton [Gloeden], o
Henrique Pinto, de Porto Alegre. Mas tem uns que ensinam muito superficialmente.
Precisa de mais rigor.

Talvez seja medo dos professores de que os alunos se afastem...


É. Se o professor é rigoroso, o aluno vai embora. Mas o certo é que o estudo
deveria ser rigoroso. O aluno deveria conhecer também, além do estudo que ele faz,
conhecer um pouco a história da música. Um dia desses teve um camarada que queria
saber se o quarteto de Schubert para violão e orquestra era bonito. Eu falei assim: “É
bonito”. Que é bonito é bonito, mas tem que saber que esse quarteto não é só de
Schubert. Em 1807, existia, em Viena, um quarteto de instrumentos, com um violonista
– que se chamava Wenceslau Matiegka –, um flautista, um violista e um violoncelista.
Esse Matiegka tinha uma peça – Opus 18 – que era para se tocar em três instrumentos,
sem violoncelo. Mas o violoncelista era o filho do [Franz] Schubert e ele pediu para
que o pai escrevesse aquilo, aquele trio, para quatro instrumentos. Então o Schubert
encaixou naquele trio o violoncelo, para que o filho tomasse parte no quarteto. Então
deviam citar o Matiegka como autor do quarteto. A editora, lá de Viena, achou que não
devia citar o Matiegka, porque ele era um professor desconhecido. Puseram só
Schubert. Mas o certo é que não é só Schubert. Tem essas confusões.

É necessário saber a história da música, para contextualizar a sua


apresentação e o seu estudo?

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Precisa conhecer, porque o estudo não tem limite. Eu falava muito com o Sávio:
“tem que conhecer tudo, tem que conhecer o porquê das coisas”. Então o estudo tem
que ser levado com muito rigor.

Eu agradeço ao senhor pela entrevista.


Foi um prazer.

Figura 7 – Professor Ranuel Simões

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