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09/01/14

MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY CAPÍTULO XXIV-- O INÍCIO DO TRABALHO EM OBERLIN

A VERDADE DO EVANGELHO

MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY

por Charles G. Finney

CAPÍTULO XXIV.

O INÍCIO DO TRABALHO EM OBERLIN

Os alunos do Seminário Lane vieram para Oberlin, e os diretores mandaram erguer tendas, nas quais ficaram alojados, e outros estudantes vinham até nós de todas as direções. Depois que me comprometi a ir, os irmãos de Oberlin escreveram-me, pedindo que eu levasse uma grande tenda, sob a qual realizaria minhas reuniões, já que não havia sala grande o suficiente naquele lugar para acomodar as pessoas. Fiz esse pedido a alguns irmãos conhecidos meus que me disseram para mandar fazer a tenda, pois me forneceriam o dinheiro. Solicitei a tenda, e entregaram-me o dinheiro para pagar por ela. Era uma tenda circular, de cem metros de diâmetro, fornecida com todo o equipamento necessário para erguê-la. No topo do pilar central que sustentava a tenda, ficava uma bandeira, sobre a qual estava escrita em letras garrafais "Santidade ao Senhor" Essa tenda nos foi muito útil. Quando o clima permitia, a tenda era erguida na praça todo domingo, e realizávamos cultos abertos ao público, e muitos de nossos cultos iniciais foram realizados nela. Também era usada até certo ponto, para realizar reuniões prolongadas na região e vizinhança, onde não haviam igrejas grandes o suficiente para a acomodação do povo.

Falei sobre a promessa de Arthur Tappan de sustentar-nos com suas finanças, com toda sua renda, até que estivéssemos além das necessidades financeiras. Mediante a esse acordo com ele, ingressei no trabalho. Então, mais adiante foi feito um acordo entre nós, onde sua oferta não deveria ser conhecida aos diretores, a menos que falhassem em fazer os esforços necessários, como ele desejava não meramente coletar fundos, mas fazer as necessidades e objetivos da instituição conhecidos pelo país a fora. De acordo com esse entendimento, a obra aqui foi levada até onde pôde ser, considerando que estávamos no coração de uma grande floresta e numa localização indesejável, sob muitos aspectos na época.

Acabávamos de começar as obras de construção de nossos edifícios, e já precisávamos de uma grande quantia de dinheiro, quando a grande depressão comercial atingiu o Sr. Tappan, e quase todos os homens que haviam prometido fundos para o sustento dos professores. A depressão atravessou o país, e abalou uma grande massa de homens ricos. Deixou-nos não somente sem nenhum fundo para o sustento do corpo docente, mas também com uma dívida de trinta mil dólares, sem qualquer esperança, que pudéssemos ver, em obter o capital dos amigos

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da faculdade neste país. O Sr. Tappan escreveu-me nessa época, reconhecendo abertamente a promessa que fizera, e expressando a mais profunda angústia por estar quase falido e totalmente incapaz de cumprir sua oferta. Nossas necessidades eram então muito grandes, e aos olhos humanos, a faculdade parecia ser uma derrota.

A grande maioria do povo em Ohio era totalmente oposta a nossa instituição, por causa de seu caráter abolicionista. As cidades ao nosso redor eram hostis a nossa movimentação, e em alguns lugares, ameaças de destruição de nossos prédios foram feitas. Uma legislação democrática estava, enquanto isso, esforçando-se para abraçar alguns de nós, o que lhes permitiria abrogar nosso caráter. Nessa situação havia, é claro, um grande clamor a Deus em meio ao povo.

Enquanto isso, minhas palestras sobre o avivamento circulavam extensivamente na Inglaterra, e sabíamos que o público britânico simpatizaria muito conosco se soubessem de nossos objetivos, nossas esperanças, e nossa condição. Enviamos, portanto um comitê para a Inglaterra, composto pelo Rev. John Keep e o Sr. William Dawes, obtendo para eles cartas de recomendação, e expressões de confiança em nossa empresa, de alguns dos principais abolicionistas do país. Eles foram para a Europa, e apresentaram nossos objetivos e necessidades ao povo britânico, que respondeu generosamente, dando-nos seis mil libras esterlinas. Isso praticamente quitou nossas dívidas.

Nossos amigos, espalhados pelos estados do norte, que eram abolicionistas e simpatizantes dos avivamentos, generosamente ajudaram-nos dentro de suas possibilidades. Mas tivemos que pelejar com a pobreza e muitas provas, ao longo de muitos anos. Algumas vezes não sabíamos, dia após dia, como seríamos sustentados. Mas com a benção de Deus, servimo-nos a nós mesmos, com o melhor que podíamos.

Certa vez, vi que não tinha recurso algum para sustentar minha família durante o inverno. O dia de Ação de Graças chegou, e vimo-nos tão pobres que fui obrigado a vender meu baú de viagens, que usara em minhas obras evangelísticas, para suprir no lugar de uma vaca que eu havia perdido. Levantei-me na manhã daquele dia, e apresentei nossas necessidades diante do Senhor. Concluí dizendo que, se a ajuda não viesse eu entenderia que deveria ser assim, e ficaria completamente satisfeito com qualquer caminho que o Senhor sabiamente seguisse. Saí e fui pregar, e aproveitei minha própria pregação, creio eu, como jamais havia antes. Tive um dia abençoado para minha própria alma, e pude ver que as pessoas gostaram muito.

Depois da reunião, fiquei ainda um tempo entretido na conversa com alguns irmãos, e minha esposa voltou para casa. Quando cheguei ao portão, ela estava de pé com a porta aberta, com uma carta em sua mão. Conforme me aproximei, ela disse sorrindo "A resposta veio, meu querido" e entregou-me a carta, contendo um cheque do Sr. Josiah Chapin de Providence, um cheque de duzentos dólares. Ele estivera aqui no último verão, com sua esposa. Eu não havia

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dito nada sobre minhas necessidades, pois não tinha o hábito de mencioná-las para ninguém. Mas na carta que tinha o cheque, ele dizia que soubera sobre a falência do fundo dos professores, e que eu precisava de ajuda. Contou também que eu poderia esperar por mais, de tempos em tempos. Ele continuou a me enviar seiscentos dólares por ano, por muitos anos, e com esse dinheiro, conseguimos sobreviver.

Eu deveria ter dito que, de acordo com meu arranjo em Nova Iorque, eu passava meus verões em Oberlin, e invernos em Nova Iorque, por dois ou três anos. Tínhamos um abençoado avivamento, sempre que eu voltava para pregar ali. Também tínhamos um avivamento contínuo aqui. Pouquíssimos estudantes ficaram sem se converter na época. Mas em virtude de minha saúde, logo descobri que deveria desistir de um desses campos de trabalho. Mas os interesses relacionados à faculdade pareciam proibir-me totalmente de deixar Oberlin. Pedi, portanto, dispensa de minha igreja em Nova Iorque, e os meses de inverno que deveria passar naquela cidade, comecei a passar em vários lugares, para promover avivamentos religiosos.

As palestras sobre avivamentos religiosos foram pregadas enquanto eu ainda era pastor da igreja Presbiteriana na capela da Rua Chatham. Nos dois invernos seguintes, dei palestras para cristãos no Tabernáculo da Broadway, as quais também foram relatadas pelo Sr. Leavitt e publicadas no Evangelista de Nova Iorque. Essas também foram publicadas em um livro neste país e na Europa. Aqueles sermões para cristãos foram basicamente os resultados de uma pesquisa que se passava dentro de minha própria mente. Quero dizer que o Espírito de Deus mostrava-me muitas coisas, no que diz respeito à questão da santificação, que me levaram a pregar tais sermões específicos para cristãos.

Muitos irmãos consideraram aquelas pregações mais como uma exibição da Lei, do que do Evangelho. Mas eu não as considerava, e não as considero assim. Para mim a Lei e o Evangelho têm apenas uma regra de vida, e qualquer violação do espírito da Lei é também uma violação do espírito do Evangelho. Mas há muito tempo sou convencido, de que as mais altas formas de experiência cristã, são alcançadas somente como um resultado de uma terrível e minuciosa aplicação da Lei de Deus à consciência e ao coração humano. Os resultados de minhas obras até então, mostravam-me de forma mais clara do que nunca, que a grande impiedade dos cristãos, e que os membros mais velhos da igreja, em geral, progrediam muito pouco na graça. Vi que eles sairiam do estado de avivamento, até mesmo antes dos convertidos mais novos. Foi assim no avivamento em que eu me converti. Vi claramente que isso se devia a seus primeiros ensinamentos, ou seja, às visões nas quais foram levados a acreditar quando eram jovens convertidos.

Também fui levado a uma grande insatisfação com minha própria necessidade de estabilidade na fé e no amor. Para ser transparente, e contar a verdade, devo dizer, para o louvor da graça de Deus, que Ele não me permitiu recair, não da mesma forma, que cristãos manifestadamente recaíam. Mas muitas vezes senti-me fraco diante da tentação, e precisei freqüentemente realizar dias de jejum e oração, e gastar muito tempo examinando minha própria vida religiosa, a fim de

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manter aquela comunhão com Deus, e apegar-me à força divina, que me capacitaria a trabalhar com eficiência na promoção de avivamentos religiosos.

Ao contemplar o estado da igreja cristã, como me fora revelado em minhas obras de avivamento, fui levado a questionar sinceramente sobre a possibilidade de haver algo maior e mais durável do que aquilo que a igreja cristã tinha consciência, se não havia promessas e meios apresentados no Evangelho, para o estabelecimento dos cristãos em uma forma mais elevada de vida cristã. Eu sabia algumas coisas sobre a visão de santificação defendida por nossos irmãos metodistas. Mas como a idéia deles de santificação a mim parecia relacionar-se sempre com estados de sensibilidade, eu não podia aceitar seu ensinamento. Contudo, entreguei-me a uma pesquisa minuciosa das Escrituras, e a ler tudo que viesse parar em minhas mãos sobre o assunto, até minha mente estar convencida de que uma forma mais alta e estável de vida cristã era alcançável, e era privilégio de todos os cristãos.

Isso me levou a pregar no Tabernáculo da Broadway, dois sermões sobre a perfeição cristã. Esses sermões estão agora incluídos no livro de palestras pregadas para cristãos. Neles, eu

defini o que é a perfeição cristã, e esforcei-me para mostrar que é algo alcançável nesta vida, e

o sentido no qual pode alcançá-la. Nessa época, a questão da perfeição cristã, no sentido

antônimo do termo, trouxe bastante agitação à New Haven, Albany, e até mesmo na cidade de Nova Iorque. Eu examinei essas opiniões, como foram publicadas no periódico intitulado "O Perfeccionista". Mas não pude aceitá-las. Ainda assim, estava convencido de que a doutrina de santificação nesta vida, e santificação plena, no sentido de que era privilégio do cristão viver sem pecado conhecido, era uma doutrina ensinada pela bíblia, e que abundantes meios eram oferecidos para assegurar que conseguíssemos isso.

No último inverno que passei em Nova Iorque, o Senhor agradou-se em visitar minha alma com

um grande refrigério. Depois de um período de busca de coração, Ele me levou, como já o fez várias vezes, a um lugar maior, dando-me muito daquela divina doçura em minha alma, da qual

o Presidente Edwards fala por experiência própria. Naquele inverno eu tive um quebrantamento

absoluto, tanto que às vezes, por um período considerável, eu não conseguia parar de chorar alto, em vista de meus próprios pecados, e do amor de Deus em Cristo. Momentos como esses, foram freqüentes naquele inverno, e resultaram numa grande renovação de minhas forças espirituais e na ampliação de minhas visões, no que diz respeito aos privilégios dos cristãos e da abundância da graça de Deus.

Sabe-se que minhas visões sobre a questão da santificação têm sido alvo de muitas críticas. Para ser fiel à história, devo dizer algumas coisas que, em outras circunstâncias, deixaria passar em silêncio. A Faculdade Oberlin foi estabelecida pelo Sr. Shipherd, grandemente contra os sentimentos e desejos dos homens mais preocupados em construir a Faculdade da Reserva D'Oeste, em Hudson. O Sr. Shipherd certa vez informou-me que o principal agente financeiro da faculdade, assegurou-lhe que iria fazer tudo que pudesse para derrubar esta faculdade. Logo que souberam, em Hudson, que eu havia recebido um convite de Oberlin, como professor de

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teologia, a diretoria elegeu-me como professor de teologia pastoral e eloqüência sagrada, na Faculdade da Reserva D'Oeste, de forma que eu tinha dois convites ao mesmo tempo. Não me comprometi, por escrito, com nenhuma das duas, mas fui conhecer o território, para então me decidir.

Naquela primavera, a assembléia geral da igreja Presbiteriana reuniu-se em Petesburgo. Quando eu cheguei a Cleveland, fui informado de que dois dos professores de Hudson esperavam por minha chegada naquela cidade, planejando que eu fosse primeiro, a qualquer custo, para Hudson. Mas atrasei-me no Lago Erie por causa de ventos adversos, e os irmãos que esperavam por mim em Cleveland haviam partido para estarem na abertura da assembléia geral, deixando um recado com um irmão, para que me encontrasse quando eu chegasse, e a qualquer custo, levasse-me para Hudson. Mas em Cleveland, encontrei uma carta a minha espera, do Sr. Arthur Tappan, de Nova Iorque. De alguma forma, ele soubera do fato de que muitos esforços estavam sendo feitos para que eu fosse induzido a ir para Hudson, ao invés de Oberlin.

A faculdade em Hudson, na época, tinha seus edifícios e aparatos, reputação e influência, e já estava estabalecida como uma faculdade. Oberlin não tinha nada. Não tinha prédios permanentes, e era composta por uma pequena colônia assentada no meio da mata, e apenas começara a construir suas próprias casas, e a derrubar a imensa floresta, para abrir espaço para uma faculdade. Ela tinha, com certeza, seu alvará, e talvez cem alunos na região, mas tudo ainda tinha que ser feito. Essa carta do irmão Tappan fora escrita para alertar-me para que não supusesse que seria um instrumento em Hudson, para assegurar o que desejávamos fazer em Oberlin.

Deixei minha família em Cleveland, aluguei um cavalo e carroça, e fui para Oberlin, sem ir a Hudson. Pensei que poderia pelo menos ver Oberlin primeiro. Quando cheguei a Elyria, encontrei alguns velhos conhecidos ali, de Nova Iorque. Eles me contaram que a diretoria da Faculdade da Reserva D'Oeste pensava que, se pudesse assegurar minha presença em Hudson, isso pelo menos prejudicaria bastante Oberlin, e que em Hudson havia uma influência tradicionalista forte o suficiente para compelir-me à submissão a suas visões e métodos de ação. Isso estava precisamente de acordo com a informação que eu havia recebido do Sr. Tappan.

Fui para Oberlin e vi que não havia nada que impedisse a construção de uma faculdade, nos princípios que a mim pareciam não apenas se basearem na fundação de todo o sucesso no estabelecimento de uma faculdade aqui no Oeste, mas também em princípios de reforma, tais quais eu sabia que eram guardados nos corações daqueles que se haviam comprometido a apoiar a construção da Faculdade Oberlin. Os irmãos da região eram fervorosamente a favor da construção de uma escola de princípios radicais sobre a reforma. Então, escrevi uma cara para a diretoria de Hudson, recusando seu convite, e mudei-me para Oberlin. Não tive nada de mal a dizer sobre Hudson, e não soube de nada mau sobre eles.

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Depois de um ou dois anos, o grito de perfeccionismo antônimo foi ouvido, e isso trouxe acusações sobre nós. Cartas foram escritas, corpos eclesiásticos foram visitados, e muitos esforços foram feitos para que nossas visões aqui fossem apresentadas como hereges. Tais apresentações foram feitas a corpos eclesiásticos por todo o país, levando muitos deles a

aprovarem resoluções, prevenindo as igrejas contra a influência teológica de Oberlin. Parecia haver uma união geral de influência ministerial contra nós. Aqui, entendíamos muito bem o que começara tudo isso, e como toda essa agitação levantara-se. Mas nada dissemos. Não tivemos controvérsia alguma com aqueles irmãos que, tínhamos consciência, esforçavam-se para gerar um sentimento público tão grande contra nós. Não devo entrar em detalhes, mas cabe dizer que

as armas formadas contra nós, reagiram de forma mais desastrosa contra aqueles que as

geraram, até o ponto de haver uma mudança em quase todos os membros da diretoria e dos professores, em Hudson, e a administração geral da faculdade caiu em outras mãos.

Eu raramente ouvi dizer qualquer coisa em Oberlin, naquela época, contra Hudson, ou em qualquer outra época depois. Travão em nossos próprios negócios, e sentíamos que em respeito à oposição daquele quadrante, nossa força estava em ficarmos quietos em nosso canto, e não seríamos confundidos. Tínhamos confiança de que não era plano de Deus que a oposição prevalecesse. Quero ser distintamente entendido, que não tenho consciência alguma de que qualquer um dos atuais líderes e administradores daquela faculdade, simpatizaram com que foi feito naquela época, ou mesmo que saibam o curso que foi tomado naquela ocasião.

Os ministros, de longe e de perto, levaram sua oposição ao extremo. Naquela época, uma convenção foi chamada para reunir-se em Cleveland, para discutir o assunto da educação no Oeste, e o apoio às faculdades do Oeste. O chamado fora tão comentado que saímos de Oberlin, esperando participar dos procedimentos da convenção. Quando chegamos lá, encontramos o Dr. Beecher, e logo vimos que alguns dos procedimentos caminhavam para que

os irmãos de Oberlin e todos aqueles que com eles simpatizassem, fossem excluídos da

convenção. Então, eu fui proibido de assistir à convenção como membro, mas mesmo assim, participei de muitas de suas sessões. Recordo-me de ter escutado distintamente um dos pastores dos arredores dizerem que ele considerava as influências das doutrinas de Oberlin piores do que as do Catolicismo Romano.

Aquele foi um discurso representativo, e parecia ser sobre o ponto de vista defendido por

aquela instituição, mas de maneira nenhuma, generalizada. Alguns de seus membros, que haviam sido educados em teologia em Oberlin estavam tão relacionados com as igrejas e com a convenção, que foram admitidos como participantes vindos de todas as partes do país. Tais irmãos defenderam grandemente os princípios e práticas de Oberlin, sempre que eram questionadas. O objetivo da convenção era evidentemente encurralar e esmagar-nos, por um sentimento público que nos privaria de todo apoio. Mas deixe-me ser distintamente claro ao dizer que não culpo em nada os membros daquela convenção, talvez apenas alguns deles, pois

eu

sabia que haviam sido levados a isso, e agiam sob uma terrível má compreensão dos fatos.

O

líder daquela convenção era o Dr. Lyman Beecher.

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A política que adotamos foi a de deixar a oposição em paz. Preocupávamo-nos com nossos próprios negócios, e sempre tivemos tantos alunos quanto pudemos. Estávamos sempre ocupados com o trabalho, e sempre muito encorajados em nossos esforços.

Poucos anos depois da reunião dessa convenção, um dos principais pastores que ali estavam, veio passar um ou dois dias em nossa casa. Entre outras coisas, ele me disse "Irmão Finney, Oberlin é para nós uma maravilha admirável. Há muitos anos estou ligado a uma faculdade como um de seus professores. A vida e princípios universitários, e as condições sob as quais as faculdades são erguidas são muito familiares para mim. Sempre pensamos que as faculdades não pudessem existir a menos que fossem protegidas pelo ministério. Sabíamos que jovens prestes a irem para a universidade geralmente consultariam seus pastores para que ajudassem na escolha, e guiar-se-iam por seus julgamentos. Agora," disse ele, "quase todos os pastores uniram-se contra Oberlin. Foram enganados pelo clamor do perfeccionismo antônimo e no que diz respeito à suas visões de reforma. Por isso , os corpos eclesiásticos se uniram de todas as partes, Congregacionais, Presbiterianos, e de todas as denominações. Alertaram suas igrejas contra vocês, desencorajaram todos os jovens a virem para Oberlin, e ainda assim o Senhor os tem levantado. Vocês têm sido sustentados com fundos monetários mais do que qualquer outra faculdade no Oeste, têm tido de longe muito mais alunos, e a benção de Deus tem estado sobre vocês, para que seu sucesso seja maravilhoso. Agora, isso é uma perfeita anomalia na história das faculdades. Os opositores a Oberlin não têm sido apoiados, e Deus está ao seu lado, sustentando-os ao atravessar toda essa oposição, de maneira que quase não a sentiram.".

É difícil agora para as pessoas, idealizar a oposição que enfrentamos, logo que estabelecemos

esta faculdade. Como ilustração, e como um caso representante, relatarei um caso hilário que ocorreu na mesma época desses outros fatos sobre os quais tenho comentado. Tive a oportunidade de ir para Akron, para pregar num domingo. Fui com um cavalo e carroça. No caminho, depois da vila de Medina, observei na estrada diante de mim, uma mulher andando com um pequeno fardo em suas mãos. Conforme me aproximei, percebi que era uma senhora, bem vestida, mas andando com certa dificuldade, creio eu que por causa de sua idade. Quando cheguei até ela parei o cavalo e perguntei-lhe até onde iria à estrada. Ela me disse, e então perguntei se ela não aceitaria uma carona em minha carroça. Ela respondeu "Ó, ficaria muito grata por uma carona, pois ainda tenho uma longa caminhada pela frente". Ajudei-a a subir na carroça e prossegui. Descobri que ela era uma senhora muito inteligente, muito livre e à vontade ao conversar.

Depois de cavalgar por certa distância, ela disse "Poderia saber a quem devo este favor?" Eu disse a ela quem era. Ela então perguntou de onde eu vinha. Disse-lhe que vinha de Oberlin. Essa notícia a chocou. Ela fez um movimento como se afastasse de mim o máximo que pudesse

e olhando seriamente para mim disse "De Oberlin! Ora, nosso pastor disse que preferiria

mandar seu filho para a prisão estadual do que para Oberlin!" É claro que eu sorri e aliviei os temores daquela senhora, se é que tinha algum, e a fiz compreender que não corria perigo algum comigo. Relato isso simplesmente como uma ilustração do espírito que prevalecia por

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todos os lados quando esta faculdade foi estabelecida. Falsas representações e temores abundavam país a fora, por quase todos os cantos dos Estados Unidos.

No entanto, havia um grande número de leigos, e um considerável número de pastores, num geral, em diferentes partes do país. Eles não tinham confiança alguma nessa oposição, que simpatizavam com nossas metas, visões, esforços, e que os apoiaram forte e firmemente. Ao saber, das dificuldades pelas quais passávamos em função dessa oposição, doavam de seu dinheiro e influência para ajudar-nos a prosseguir.

Já comentei sobre o Sr. Chapin, de Providence, sobre como me enviou seiscentos dólares por

ano, durante vários anos, dinheiro que sustentou minha família. Quando já fizera por tanto tempo quanto achava que era seu dever, e de fato, ele o fizera até que dificuldades financeiras fizeram com que essa prática fosse inconveniente, o Sr. Willard Sears, de Boston, assumiu seu lugar, e por vários anos supriu-me com a mesma quantia que o Sr. Chapin enviava anulmente. Enquanto isso, esforços contínuos eram feitos para conseguir o sustento dos outros membros do corpo docente, e pela graça de Deus, superamos a tribulação. Depois de poucos anos, o medo, em certo nível, esvaiu-se.

O Presidente Mahan, Prof. Cowles, Prof. Morgan e eu, lançamos uma publicação sobre o

assunto da santificação. Estabelecemos um periódico, o Evangelista de Oberlin, e mais tarde, O Trimestral de Oberlin, nos quais esclarecíamos ao público, em grande parte, quais eram nossas reais visões. Em 1846, publiquei dois livros sobre Teologia Sistemática, e nessa obra, discuti o assunto de santificação plena, de forma mais ampla. Depois de esta obra ter sido publicada, ela foi revisada por um comitê do Presbitério de Tróia, em Nova Iorque. Então o Dr. Hodge, de Princeton, publicou no Repertório Bíblico, uma extensiva crítica à minha teologia, a partir dos pontos de vista dos tradicionais. Então o Dr. Duffield, da Igreja Presbiteriana Renovada, que morava em Detroit, também fez uma crítica, abertamente do ponto de vista renovado. A essas diferentes revisões, publiquei réplicas, conforme apareciam, e por muitos anos passados, até onde sei, nenhuma disposição tem se mostrado para que nossa ortodoxia seja contestada.

Até aqui, narrei os principais fatos ligados ao estabelecimento e lutas da escola em Oberlin, até onde são de meu conhecimento. E por ser o professor de teologia, a oposição teológica era direcionada, é claro, principalmente para mim, o que me levou, pela necessidade, a falar mais livremente de minhas relações como o todo, algo que em outras circunstâncias eu não teria feito. Mas que eu não seja mal entendido. Não digo que os irmãos que assim se opuseram foram vis em sua oposição. Sem dúvida, a grande maioria deles foi erroneamente levada a isso, e agiram de acordo com suas visões do que era certo, de acordo com seu entendimento.

Devo dizer, pela honra da graça de Deus, que nenhuma oposição que encontramos abalou nosso espírito aqui, ou nos perturbou, a ponto de levar-nos a um espírito de controvérsia ou ressentimentos. Estávamos bem conscientes das dores que haviam sido tomadas para que tais

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mal-entendidos acontecessem, e compreendíamos facilmente como era, que éramos o oposto, em espírito e maneiras, do que éramos acusados.

Durante esses anos de fumaça e poeira, de apreensões e oposições vindas de fora, o Senhor abençoava-nos ricamente aqui dentro. Prosperamos não somente em nossas próprias almas aqui, como uma igreja, mas tínhamos um avivamento contínuo, ou vivíamos no que pode ser devidamente considerado como um estado de avivamento. Nossos alunos convertiam-se às pencas, e o Senhor nos escondia continuamente à sombra de Sua nuvem de misericórdia. Um vendaval de influência divina varria nosso meio de ano em ano, produzindo abundantemente o fruto do Espírito, amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança.

Sempre atribuí nosso sucesso nesta boa obra inteiramente à graça de Deus. Não foi sabedoria ou bondade alguma de nossa parte que alcançou este sucesso. Nada além de uma contínua influência divina, infiltrando-se na comunidade, sustentando-nos sob nossas provações, e mantendo-nos em uma atitude mental que fez-nos capazes de sermos eficientes nas responsabilidades que havíamos assumido. Sentimos sempre que, se o Senhor nos houvesse privado de Seu Espírito, nenhuma circunstância exterior poderia nos dar verdadeira prosperidade.

Mesmo em nosso meio tivemos provas. Assuntos freqüentes de discussão pública surgiram, e algumas vezes passamos dias e até mesmo semanas, discutindo grandes questões de dever e expediência, nas quais absolutamente não concordávamos. Mas nenhuma dessas questões chegou a causar uma divisão entre nós. Nosso princípio sempre foi o de concordar em discordar em nossos julgamentos particulares. Geralmente alcançamos uma concordância substancial em assuntos nos quais discordávamos, e quando víamos que não haveria acordo algum, a minoria submetia-se ao julgamento da maioria e a mera idéia de dividir a igreja por causa de nossas visões diferenciadas jamais foi considerada por nós. Preservamos extensivamente a unidade do Espírito na união da paz, e talvez não haja uma comunidade que exista a tanto tempo, que tenha passado por tantas mudanças e desafios quanto passamos, e que tenha num geral, mantido um espírito maior de harmonia, paciência cristã e amor fraternal.

Quando a questão da santificação plena surgiu pela primeira vez aqui para discussão pública, e quando o assunto atraiu pela primeira vez a atenção da igreja, estávamos no meio de um poderoso avivamento. Quando esse caminhava cheio de esperança, certo dia o Presidente Mahan pregava com um minucioso discurso. Percebi que no desenrolar de sua palestra, deixara um ponto sem ser mencionado, que a mim parecia ser muito importante nesse assunto. Ele sempre me perguntava, ao encerrar seu sermão, se eu tinha algum comentário a fazer, e assim o fez nesta ocasião. Levantei-me e apontei o aspecto que ele omitira. Era a distinção entre o desejo e a vontade. A partir da linha de raciocínio que ele havia apresentado, e pela atitude que percebi em meio à congregação naquele momento, vi, ou achei que tivesse visto, que a apresentação dessa diferença, nesse exato instante, traria muita luz à questão de que eram ou

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não cristãos, se eram pessoas realmente consagradas ou se apenas tinham meros desejos e não vontade de fato de obedecer a Deus.

Quando essa diferença foi esclarecida, naquela exata conexão, recordo-me que o Espírito Santo derramou-se sobre a congregação de forma admirável. Um grande número de pessoas abaixou a cabeça, e alguns gemiam de forma a serem ouvidos por todo o templo. Isso cortou as falsas esperanças de professores por todos os lados. Muitos se levantaram imediatamente, dizendo que até então estavam enganados, e que agora podiam ver. Isso se estendeu de tal forma que me espantei grandemente, e de fato, gerou uma grande surpresa, creio eu, na congregação.

A obra continuou com poder, e velhos professores ganharam novas esperanças, ou converteram-se novamente, e eram tantos que uma mudança muito grande e importante veio sobre toda a comunidade. O Presidente Mahan fora grandemente abençoado, entre outros, com alguns de nossos professores. Ele claramente entrou em uma forma plenamente nova, de experiência cristã, naquela época.

Em uma reunião poucos dias depois disso, um de nossos alunos de teologia se levantou e lançou a pergunta se o evangelho não fornecia aos cristãos, todas as condições de uma estabelecida fé, esperança e amor, se não havia algo melhor e maior do que os cristãos haviam experimentado em geral, em suma, se a santificação não seria inatingível nesta vida, ou seja, a santificação no sentido de que os cristãos teriam uma paz inabalável, e não cairiam em condenação, ou não teriam o sentimento de condenação ou uma consciência de pecado. O Irmão Mahan respondeu imediatamente "Sim". O que aconteceu nessa reunião trouxe a questão da santificação de forma proeminente diante de nós, como uma questão prática. Não tínhamos teorias sobre o assunto, nenhuma filosofia a defender, mas simplesmente considerávamos como uma questão bíblica.

Nesta forma ela existiu entre nós, como uma verdade experimental, a qual não tentava reduzir a uma fórmula teológica, nem sequer tentávamos explicar sua filosofia, até muitos anos mais tarde. Mas a discussão dessa questão nos foi uma grande benção, e também para um grande número de alunos nossos, que hoje se encontram espalhados em várias partes do país, ou fora, como missionários em diferentes partes do mundo.

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