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Tratamento de Esgoto

Doméstico

José Murilo Moura dos Reis


O que é esgoto?
De acordo com a NBR 9648, esgoto
sanitário é o “despejo líquido constituído
de esgotos doméstico e industrial, água
de infiltração e a contribuição pluvial
parasitária”.
Esgoto Doméstico
“Despejo líquido resultante do uso da
água para higiene e necessidades
fisiológicas humanas”. (NBR 9648)
Como e quando se deve tratar o
esgoto sanitário?
Análise das condições locais
– Análise da relação entre carga poluente
lançada e vazão do corpo d’água
– Estudos de Impacto Ambiental (res. CONAMA
001/86)

Tal análise definirá o nível de tratamento


O que fazer nos casos mais
simples?
1. Fossas sépticas (decanto-digestores)

2. Sumidouros, Valas de Infiltração e até mesmo


em rios ou córregos, nesse caso de acordo
com CONAMA 357, art. 24

Obs. Pode-se passar antes da disposição final


por valas de filtração ou por filtros anaeróbios
de fluxo ascendente
Fossas sépticas de câmara única
Tem como função:
– Permitir a sedimentação
– Armazenamento dos sólidos sedimentáveis e
sua digestão, que ocorre em ambiente
anaeróbio
Da decomposição é gerado:
– Gás Natural (CH4 + CO2)
– E em menor quantidade gás sulfídrico (H2S)
Fossas sépticas de câmara única
Vantagens:
– Consumo 0 (zero) de energia elétrica

Cálculo do Volume Total: (NBR 7229/1993)


V = 1000 + N (C.Td+k.Lf)
Onde:
– C = Contribuição de despejos, em l/hab.dia (tab. 1)
– Td = Tempo de detenção, em dias (tab. 2)
– k = Taxa de acumulação de lodo digerido, em dias,
equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco
(tab. 3)
– Lf = Contribuição de lodo fresco, em l/hab.dia (tab. 1)
Fonte: NBR - 7229
Eficiência de uma fossa séptica
Segundo Azevedo Netto e Lothar Hess
(apud Nuvolari, 2003):
– DBO : 40 a 60% de remoção
– DQO : 30 a 60% de remoção
– Sólidos sedimentáveis: 50 a 70% de remoção
– Óleos e Graxas: 70 a 90% de remoção
Exercício 01
Dimensionar a fossa séptica para um
edifício residencial em São Luís, de
padrão médio com 4 pavimentos tipo e 4
aptos por andar. Considere que a fossa
em questão será limpa bianualmente.
Fonte: NBR - 7229
Fonte: NBR - 7229
Exercício 01
a) População contribuinte:
1. Admitindo-se 4 hab./UH, teríamos para o
prédio (4 x 4 x 4) = 64 pessoas.
2. A contribuição diária de esgoto (C) (tab. 1)
para residências de padrão médio é de 130
l/hab.dia e a contribuição de lodo fresco
(tab. 1) é de 1 l/hab.dia
Exercício 01
a) Cálculo do Volume da Fossa séptica
a) Td (tab. 2): Cont. diária = 64 x 130 = 8320
l/dia. Assim, Td = 0,58 dia
b) K (tab. 3): Para 2 anos de intervalo de
limpeza e t> 20, temos k=97
V = 1000 + N (C.Td+k.Lf)
V = 1000 + 64 (130 x 0,58 + 97 x 1)
V = 12.033,6 l, aproximadamente 12 m³
Exercício 02
Calcule as dimensões para essa fossa,
sabendo que a norma estabelece a
profundidade útil mínima e máxima,
conforme tab. 4
Exercício 02
a) Dimensionamento para V=14 m³
1. Profundidade útil entre 1,8 e 2,8.
Adotaremos a profundidade de 2,00 m
(verificado que o lençol permite). E largura
de 1,75 m.
2. Comprimento (L) : Assim 2 x 1,75 x L = 14,
portanto L = 4,00 m
Disposição e/ou tratamento do
efluente das fossas sépticas
a) Fatores a serem levados na seleção técnica e
no local mais adequado para disposição e/ou
tratamento dos efluentes:
1. Permeabilidade do solo
2. Área disponível e relevo do terreno
3. Profundidade do lençol freático
4. Distância das águas superficiais e poços
5. Usos dos corpos receptores a jusante, se for o caso
de lançamento em corpos hídricos.
Disposição e/ou tratamento do
efluente das fossas sépticas
a) Sumidouros:
a) Usado quando a taxa
de permeabilidade
do solo for ≥ 40
l/m².dia
b) Valas de infiltração:
a) Usado quando a taxa
de permeabilidade
do solo se encontrar
entre 20 e 40 l/m².dia
Disposição e/ou tratamento do
efluente das fossas sépticas
a) Valas de Filtração:
a) Usado quando o
destino final do
efluente for um corpo
hídrico e
principalmente quando
a taxa de
permeabilidade do
solo for inferior a 20
l/m².dia. Eficiência na
remoção da DBO de
80 a 98%
Disposição e/ou tratamento do
efluente das fossas sépticas
a) Tratamento em
filtro anaeróbio de
fluxo ascendente
a) Usado quando o
destino final do
efluente for um
corpo hídrico. Mas
apresenta
eficiência menor na
remoção da DBO
de 75 a 95%
Sumidouros
a) Segundo Batalha (apud NUVOLARI
2003) a distância mínima entre os
sumidouros e os poços de água de
abastecimento deve ser de 20 m, e o
fundo do sumidouro deve estar no
mínimo a 3,00 m acima do lençol
freático.
Exercício 03
a) Dimensionar o sumidouro para receber
os efluente finais da fossa séptica do
exercício anterior.
1. Dados: Taxa de permeabilidade do terreno:
110 l/m²
Exercício 03
a) Conforme calculado anteriormente a
Vazão total diária é de 10400 l/dia
b) Assim dividimos a vazão total pela
capacidade de absorção do terreno:
10400 (l/dia) 110 (l/m²) = 94,55 m²
Exercício 03
a) Adotaremos sumidouros circulares de D=1,20
m e profundidade h = 2,00 m.
b) Área de absorção de cada sumidouro = Área
lateral + Área de fundo = 2. π . r . H + π . r²
c) Como o sumidouro deve ser preenchido no
fundo e nas laterais com uma camada de
pedra de 50 cm de espessura, o diâmetro
efetivo é de 2,20 m e a profundidade efetiva é
de 2,50 m.
Exercício 03
a) Portanto, Área de absorção de cada
sumidouro 2. π . 1,10 . 2,50 + π . 1,10² =
21,07 m²
b) Assim seriam necessários 94,55 / 21,07
= 4,49, ou seja, 5 sumidouros com essas
dimensões para o edifício em questão
REFERÊNCIA
NUVOLARI A. (2003) Esgoto Sanitário:
coleta, transporte, tratamento e reuso
agrícola, São Paulo: Edgard Blucher, 520
p.
Obrigado pela atenção!!