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Cálculo a Várias Variáveis I (MAT 1162)

P2 – 2018.2

(1) Funções de várias variáveis


𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦) 𝑤 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧)
Função de duas variáveis Função de três variáveis
Gráfico em 3 dimensões Não tem gráfico!

(2) Derivadas Parciais


Avaliação da variação da função em uma das direções. O processo de derivação parcial consiste em
derivar em relação à variável desejada, considerando a outra constante.

⎧𝜕𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑓
{ 𝜕𝑥 𝑥
{
𝑓(𝑥, 𝑦) →

{𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
{ = 𝑓𝑦
⎩ 𝜕𝑦

(3) Vetor Gradiente


Fornece a direção de maior variação da função (crescimento
ou decrescimento) e é formado pelas derivadas parciais. De
maneira genérica, é dado por:
𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑧 = 𝑓(𝑥, 𝑦) → ∇𝑓(𝑥, 𝑦) = ( , )
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑤 = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) → ∇𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = ( , , )
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧

(4) Vetor Normal


Podemos determinar o vetor normal a qualquer ponto
(𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 ) de uma superfície em 𝑅3 a partir das derivadas
parciais da função que a determina.

𝜕𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) 𝜕𝑓(𝑥0 , 𝑦0 )
𝑛⃗ (𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 ) = (− ,− , 1)
𝜕𝑥 𝜕𝑦
(5) Plano tangente e Aproximação Linear
Como já sabemos o vetor normal em um ponto
da superfície, podemos determinar o plano tangente !
"
a ela nesse ponto. Esse plano também é chamado
de aproximação linear do gráfico da função. Para
+
determinar esse plano, vamos escolher um vetor
"#
genérico 𝒗⃗ que liga o ponto 𝑃0 (que desejamos
avaliar) e um ponto qualquer que fique no plano.
"# = (&# , (# , )# )
+ = " − "#
z=f(x,y)
Como o vetor 𝑣⃗ pertence ao plano e o vetor 𝑛⃗ é
normal a ele, sabemos que eles são
perpendiculares, e o produto interno entre
os dois é nulo (zero):

𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑣⃗ ⋅ 𝑛⃗ = 0 → (𝑃 − 𝑃0 ) ⋅ (− , − , 1) = 0 → (𝑥 − 𝑥0 , 𝑦 − 𝑦0 , 𝑧 − 𝑧0 ) ⋅ (− , − , 1) = 0
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦

Reorganizando temos: (essa deve ser a fórmula que está no ser caderno!)
(lembre-se de que 𝑧0 = 𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) e que devemos avaliar as derivadas no ponto)
𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝐿(𝑥,
⏟ 𝑦) = 𝑧 = 𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) + (𝑥 − 𝑥0 ) + (𝑦 − 𝑦0 )
𝜕𝑥 𝜕𝑦
𝑎𝑝𝑟𝑜𝑥𝑖𝑚𝑎çã𝑜
𝑙𝑖𝑛𝑒𝑎𝑟

A reta normal ao ponto 𝑃0 pode ser escrita na forma paramétrica por:

𝜕𝑓 𝜕𝑓
𝑟: (𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 ) + 𝑡 ⋅ (− , − , 1)
𝜕𝑥
⏟⏟⏟⏟⏟ 𝜕𝑦⏟⏟
𝑣𝑒𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑖𝑟𝑒𝑡𝑜𝑟
(6) Pontos críticos
Assim como em funções de uma variável, podemos determinar os pontos críticos (máximos, mínimos
ou sela – vamos classificar somente na P3!) de uma função de duas variáveis. Para isso, devemos
igualar o vetor gradiente a zero:
⎧𝜕𝑓(𝑥, 𝑦) = 0
{ 𝜕𝑥
𝜕𝑓 𝜕𝑓 {
∇𝑓(𝑥, 𝑦) = ( , ) = 0 →
𝜕𝑥 𝜕𝑦 ⎨
{𝜕𝑓(𝑥, 𝑦)
{ =0
⎩ 𝜕𝑦
Observe que temos que resolver um sistema de equações! Observe também que nem sempre
temos apenas pontos críticos, podemos ter uma reta de soluções! O mesmo vale para funções de
três variáveis.

(7) Parametrização de curvas planas


Às vezes, convém escrevermos certas curvas (planas ou espaciais) utilizando outros parâmetros ao
invés das coordenadas cartesianas convencionais. Na verdade, vamos reescrever nossa curva através
de uma função vetorial, isso é, vamos descrever cada ponto ((𝒙, 𝒚)) da nossa curva. Logo, quando
antes tínhamos um ponto dado por 𝑥 e 𝑦, vamos agora ter:
𝑥 = 𝑥(𝑡) e 𝑦 = 𝑦(𝑡)
Para algum intervalo definido de 𝑡. Se eliminarmos (por manipulação) o parâmetro 𝒕,
voltamos a ter a equação cartesiana.
Se uma curva plana é dada por um gráfico de função, temos uma parametrização natural.
Chamamos a variável da função de 𝑡 e a outra de 𝑓(𝑡). De maneira geral, uma parametrização tem
o seguinte formato (análoga para três variáveis):
𝑥 = 𝑥(𝑡)
} 𝛼(𝑡) = (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)), 𝑡⏟
∈ [𝑎, 𝑏]
𝑦 = 𝑦(𝑡)
intervalo de
variação do
parâmetro

Podemos determinar o vetor velocidade (ou vetor tangente) a um ponto da curva apenas
derivando os componentes do vetor posição 𝛼(𝑡):
𝑑
𝛼(𝑡) = (𝑥′(𝑡), 𝑦′(𝑡))
𝑑𝑡
A reta tangente a um dado ponto, portanto é dada por:
𝑟: (𝑥(𝑡0 ), 𝑦(𝑡0 )) + 𝑡 ⋅ (𝑥′(𝑡0 ), 𝑦′(𝑡0 ))

Observe que se 𝑑𝑥
𝑑𝑡
= 0, temos uma reta tangente vertical e se 𝑑𝑦
𝑑𝑡
= 0, temos uma reta tangente
horizontal.
Caso especial:
Parametrização de uma elipse (ou circunferência, quando 𝑎 = 𝑏) com centro em (𝑥0 , 𝑦0 ):
𝑥2 𝑦2 𝑥(𝑡) = 𝑥0 + 𝑎 cos(𝑡)
+ =1 → 𝑡 ∈ [0,2𝜋]
𝑎2 𝑏2 𝑦(𝑡) = 𝑦0 + 𝑏 sin(𝑡)

(8) Parametrização de Curvas Espaciais


Vamos analisar um caso específicas de curvas espaciais interseção
como interseção de duas superfícies. O processo, na
verdade, é um passo a passo:
(1) Encontrar a projeção da curva espacial no plano
𝑥𝑦 (ou outro plano correspondente);

(2) Parametrizar a curva plana encontrada;

(3) Encontrar 𝑧(𝑡) substituindo 𝑥(𝑡) e 𝑦(𝑡) em uma


Projeção
das superfícies. (que vai ser
parametrizada)

Nesse caso de interseção de duas superfícies (dadas por


𝑓(𝑥, 𝑦) e 𝑔(𝑥, 𝑦)), podemos ainda determinar o vetor velocidade
da curva espacial em um ponto 𝑷𝟎 pelo produto vetorial
entre os vetores normais a cada curva no mesmo ponto
(figura ao lado):
𝑖 𝑗 𝑘
∣ ∣
𝜕𝑓 𝜕𝑓

∣− − 1∣
𝛼 (𝑡0 ) = 𝑣⃗ = ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑛1 × 𝑛 ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗2 = ∣ 𝜕𝑥 𝜕𝑦 ∣
∣− 𝜕𝑔 𝜕𝑔
− 1∣
∣ 𝜕𝑥 𝜕𝑦 ∣
(9) Regra da Cadeia
Quando queremos avaliar uma função 𝑓(𝑥, 𝑦) e sabemos a parametrização 𝑥(𝑡) e 𝑦(𝑡), para analisar
a derivada de 𝑓 temos que usar a regra da cadeia. Observe:
𝑆𝑒𝑗𝑎 𝑔(𝑡) = 𝑓(𝛼(𝑡) = 𝑓(𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡))
A derivada 𝑔′(𝑡) é dada por:
𝑑𝑔(𝑡)
𝑔′ (𝑡) = = 𝑓𝑥 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) ⋅ 𝑥′ (𝑡) + 𝑓𝑦 (𝑥(𝑡), 𝑦(𝑡)) ⋅ 𝑦′ (𝑡)
𝑑𝑡
Ou
𝑑𝑔(𝑡) 𝜕𝑓 𝑑𝑥 𝜕𝑓 𝑑𝑦
𝑔′ (𝑡) = = +
𝑑𝑡 𝜕𝑥 𝑑𝑡 𝜕𝑦 𝑑𝑡
(10) Curvas e Superfícies de Nível
Obtemos curvas ou superfícies de nível quando igualamos
uma função de duas e três variáveis a uma constante,
respectivamente. Isso é:

𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑎 → 𝐜𝐮𝐫𝐯𝐚 𝐩𝐥𝐚𝐧𝐚


𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑎 → 𝐬𝐮𝐩𝐞𝐫𝐟í𝐜𝐢𝐞

Observe que podemos definir funções 𝑓(𝑥, 𝑦) diferentes para


uma mesma curva, apenas mudando o valor da constante!

A principal propriedade das curvas e superfícies de nível é que o vetor gradiente


também é normal.
∇𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) = 𝑛(𝑥0 , 𝑦0 )
∇𝑓(𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 ) = 𝑛(𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 )
Logo: ∇𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) ⋅ 𝛼 (𝑡0 ) = 0