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O filme “Mar Adentro”, do ano de 2005, conta a história de Ramón Sampedro, um espanhol

que assim como todos os jovens, também tinha seu espírito aventureiro, que lhe rendeu um
episódio divisor de águas em sua vida. Ramon, ao mergulhar no mar em agosto de 1968, tem o
seu pescoço quebrado por ter pulado em um local raso. A partir daí, fica tetraplégico,
passando a ser dependente de outras pessoas passa tudo, e consequentemente privado da
liberdade de desfrutar as emoções da vida que um dia desfrutara. Na solidão de seu quarto, a
visão da janela é o seu único contato com o mundo lá fora. Deprimido e decidido de suas
ideias, Ramon chega ao ponto de não ver mais um futuro digno pra si, e com grande
prepotência, passa a desejar a eutanásia.

Buscando as formas de conseguir a realização do método, Ramón entra em contato com Júlia,
sua advogada, que o indaga sobre suas decisões e se deparando com um ponto de vista
diferente, Júlia encontra uma situação de peso no caso, visto que se por um lado Ramón
deseja terminar sua vida, por outro seus familiares próximos, especialmente seu irmão José,
não concordam com a decisão de Ramon, e se posicionam explicitamente e juridicamente
contra a eutanásia.

Rosa, uma jornalista entra em contato com Ramon para discutir e saber sobre o porquê da sua
escolha. Ramon tenta demonstrar que o respeito à liberdade de pensamento e escolha de vida
vai ao contrário do que se passa com ele fisicamente, com sua limitação na liberdade de vida.
Rosa continua a não concordar e entende-lo, chegando ao ponto da conversa elevar os ânimos
e Rosa sai do local magoada com a forma que Ramon dialogou.

Tendo seu pedido de eutanásia negado pelo Tribunal de Barcelona, Ramon se mostra
decepcionado com a decisão. A história ganha ares dramáticos a partir daí, principalmente
após a declaração na televisão de Francisco, um padre também tetraplégico, e que revela que
na sua concepção a angústia de Ramón com sua própria vida se dá pela falta de amor e carinho
de sua própria família. Tal declaração leva a um conflito família, principalmente entre Ramón e
seu irmão José.

Após a primeira decepção na decisão jurídica, Ramón decide novamente ir ao júri, desta vez,
no tribunal Coruna, local onde segundo os jornais, seria mais compatível com o pedido dele.
Rosa, já com uma maior intimidade com Ramón, o acompanha na ida, e recebe o pedido de
Ramón, para ajuda-lo a morrer, e ela aceita indiretamente o pedido, dizendo que o ama.

Seu pedido no tribunal de Coruna também foi negado, bastando a Ramón contar com Rosa
para ter o seu fim, após se despedir de seus familiares, ele toma cianureto de potássio, e
finalmente morre.

O filme é uma boa escolha para a discussão da eutanásia. Se por um lado há a angústia da
pessoa privada de viver de forma intensa a vida, e de sua liberdade corporal, do outro, há o
drama familiar moral, de amor e inconformidade para com a decisão de se abster da vida
alguém.