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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

para pessoas
que trabalham
com crianças

Crianças e o
Desmembramento
Familiar

Então, o que é
uma família?

DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO: VOLUME 1

AUTORES Glenn Miles – Consultor em Desenvolvimento Infantil


Paul Stephenson – Especialista em Desenvolvimento Infantil, Tearfund

EDITORA Fiona Anderson – Escritora freelance

P
DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Conteúdo
Prefácio 4

SEÇÃO 1: Introdução 5
O que são famílias? 7

Por que elas se estão desmembrando? 8

O que as Escrituras dizem a respeito das famílias? 9

Qual é a importância do papel dos pais? 12

Quem são as viúvas e os órfãos? 14

E a violência doméstica? 15

Como os pais, as famílias e as crianças podem ser apoiados? 17

SEÇÃO 2: Estrutura para a Boa Prática 21


1 Desenvolvendo relacionamentos 23

2 Responsabilidades dos pais 23

3 Trabalhando em níveis diferentes 24

4 Identificando necessidades e prioridades 24

5 Participação das crianças 25

6 Crianças no contexto 26

7 Defesa de Direitos 27

8 Indicadores sensíveis às necessidades das crianças 30

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SEÇÃO 3: Estudos de Casos 33


Orchard Family Centre, Londres, Reino Unido 36

Family Matters, Luton, Reino Unido 38

Centro Cristiano de Asesoramiento Familiar, República Dominicana 41

Care for the Family, Cardiff, Reino Unido 43

Programa para Órfãos: Inkuru Nziza Church, Kigali, Ruanda 46

Oasis Counselling Centre and Training Institute, Nairobi, Quênia 48

SEÇÃO 4: A Ferramenta de Questionamento Reflexivo 53

SEÇÃO 5: Referências e Recursos 61


O que ler 63

Com quem entrar em contato 66

Como encomendar 68

AGRADECIMENTOS A Tearfund UK gostaria de agradecer à Laing Trust por seu apoio financeiro
generoso para este projeto e às seguintes pessoas por lerem e fazerem comentários
sobre a primeira versão deste trabalho:
Trevor Adams, Family Matters, Reino Unido
Tom Beardshaw, Care for the Family, Reino Unido
Wendy Bray, Care for the Family, Reino Unido
Kate Bristow, Tearfund, Reino Unido
Chrissie Brown, Shaftesbury Society, Reino Unido
David Burnett, All Nations Christian College, Reino Unido
Esly Carvalho, Psicóloga, Equador
David Evans, Tearfund, Reino Unido
Jorge Maldonado, EIRENE/ex-funcionário do Conselho Mundial de Igrejas
Sheila Melot, Tearfund, Reino Unido
Aize O Imouokhome Obayan, Roehampton Institute, Reino Unido
Peter e Barbi Reynolds, Rapport, Reino Unido/Índia
Nita Rogers, Orchard Family Centre, Londres, Reino Unido
Dr. Peter Savage, CECAF, República Dominicana
Keith White, Childcare Network, Reino Unido

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Prefácio
Quais são os princípios da boa prática na área do Desenvolvimento Infantil,
e como eles podem ser implementados? Esta série estabelece os princípios
básicos da Política para Desenvolvimento Infantil da Tearfund, procurando,
então, aplicá-los em diferentes contextos. Aqui, no Volume 1, examinamos
crianças que se encontram no meio do desmembramento familiar.
Recomendamos que esta estrutura seja utilizada juntamente com os
Materiais de Estudo Sobre o Desenvolvimento Infantil da Tearfund (para
obter informações sobre como encomendá-los, consulte a última página).
Este estudo resultou de uma ampla pesquisa de campo e diálogos, tendo sido
revisado por uma variedade de especialistas e profissionais. Os autores
esperam e oram para que você o considere útil e prático e para que ele ajude
a todos que trabalham com crianças a mudarem as vidas delas para melhor.
Glenn Miles e Paul Stephenson
Outubro de 2000

Nota sobre GLENN MILES trabalhou com a Tearfund como Consultor em Desenvolvimento Infantil,
os autores avaliando uma variedade de projetos na Ásia. Ele possui mais de dez anos de experiência
em saúde e bem-estar infantil, com enfoque no sul e no sudeste da Ásia, e tem duas filhas.

PAUL STEPHENSON trabalha, atualmente, como Conselheiro em Desenvolvimento


Infantil. Ele possui sete anos de experiência em desenvolvimento e assistência na América
Latina, na África, na Ásia e na Europa Oriental e trabalhou na área de educação,
desenvolvimento comunitário e avaliação de programas.

Direitos autorais Os materiais de aprendizagem e os estudos de casos da Tearfund podem ser adaptados e
reproduzidos para utilização, desde que sejam distribuídos gratuitamente. Tanto a
Tearfund quanto os autores relevantes devem ser mencionados integralmente nos
materiais.

NOTA Os termos Primeiro e Terceiro Mundo e países desenvolvidos e em desenvolvimento foram usados de maneira
intercambiada por todo o texto, como termos comumente aceitos para países industrializados e países em
desenvolvimento.

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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO
para pessoas
que trabalham
com crianças

SEÇÃO 1
Introdução

Conteúdo
O que são famílias? 7

Por que elas se estão desmembrando? 8

O que as Escrituras dizem a respeito das famílias? 9

Qual é a importância do papel dos pais? 12

Quem são as viúvas e os órfãos? 14

E a violência doméstica? 15

Como os pais, as famílias e as crianças podem ser apoiados? 17

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Introdução
1 O QUE SÃO FAMÍLIAS?
Sou casado e pai de duas meninas, e
vivemos juntos como uma unidade
familiar. É assim que uma família cristã
deve ser? Vivemos no Reino Unido. Os
pais de minha esposa vivem nos Estados
Unidos, e os meus, no Reino Unido. Então, o que é
uma família?
Porém, se vivêssemos juntos como uma
família extensa, seríamos mais como
uma família? E se minha esposa fosse
viúva? Ainda seria uma família? E se ela
fosse divorciada de mim? E se eu e
minha esposa morrêssemos devido ao HIV/AIDS (SIDA) ou num acidente, deixando nossas
duas meninas sozinhas? Se elas fossem adolescentes e vivessem juntas, elas ainda
constituiriam uma família? Quais são as responsabilidades de uma família extensa? Quais
são as responsabilidades da família da igreja?

A visão protestante conservativa é ver a família nuclear, tipicamente com três ou quatro
membros, como o modelo tradicional. Porém, esta visão deve-se mais à cultura do que à
Bíblia, estando longe até mesmo de ser a norma cultural.

Na época da Bíblia, as famílias hebraicas eram agrupadas em casas. Um lar hebraico era
formado por 50 a 100 pessoas. Estas eram, por sua vez, unidas pelo matrimônio, parentesco
e adoção para formar clãs. Vários clãs constituíam uma tribo, e a confederação de tribos
formava Israel. De acordo com este modelo, a família não era somente uma unidade social,
mas também uma unidade econômica e política. Lares inteiros, inclusive as crianças,
trabalhavam juntos na terra. Este é um padrão que possui muita coisa em comum com as
famílias extensas encontradas, hoje em dia, nas áreas rurais do mundo em desenvolvimento.

Neste contexto, o matrimônio era – e é – geralmente arranjado, representando uma aliança


não somente entre os indivíduos, mas entre as famílias. Enquanto os pais amam e se
preocupam em primeiro lugar com o bem-estar de seus filhos, os matrimônios arranjados
podem ser uma união bem-sucedida das dinastias. Eles são, também, um lembrete poderoso
de que as duas famílias estão sendo unidas, e não apenas os dois indivíduos. Isto pode
fortalecer os elos com a comunidade, e os relacionamentos geralmente são reforçados pelos
vínculos econômicos.

Podem surgir problemas com este modelo de matrimônio e vida familiar, se os pais tomarem
decisões por seus filhos sem levar em consideração suas opiniões, talvez escolhendo um
cônjuge simplesmente por motivos financeiros. Quando os dotes não são pagos, considera-
se um direito da família maltratar o cônjuge, resultando, em casos extremos, na queima de
viúvas.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Um outro modelo comum, principalmente em países em desenvolvimento, é o matrimônio


patriarcal, em que os homens possuem o domínio sobre as mulheres e as crianças, as quais
não são consultadas em decisões que as afetam.

No mundo desenvolvido, é a família nuclear, ao invés da família extensa, que é mais típica.
Os outros parentes, muitas vezes, vivem a muitos quilômetros de distância, e os vínculos
Seja qual for o econômicos entre eles são, no máximo, tênues. Neste caso, a família é mais uma unidade de
tipo de família consumo do que de produção, e o matrimônio resulta do romance, ao invés de motivos
que examinemos, financeiros ou políticos.
a família extensa Seja qual for o tipo de família que examinemos, a família extensa do mundo em
do mundo em desenvolvimento, ou a família nuclear do mundo desenvolvido, o aspecto comum a
desenvolvimento, ambos é a tendência cada vez maior para o desmembramento.
ou a família
nucelar do
POR QUE ELAS SE ESTÃO DESMEMBRANDO?
mundo desenvol-
vido, o aspecto De acordo com a análise marxista, as condições econômicas em deterioração e a diminuição
comum aos dois do apoio à assistência social são responsáveis pela destruição da família. Porém, as evidências
é a tendência que relacionam o desmembramento familiar com os fatores econômicos são definitivamente
cada vez maior mistas. Um estudo realizado por Victor Fuchs e Diane Reglis, em 1992, sugere que, quando o
para o desmem- crescimento econômico diminui, os gastos do governo com a assistência social para a família
bramento. aumentam, aliviando, assim, até certo ponto, pelo menos, o impacto econômico nas famílias.

Parece que as mudanças nos valores culturais – o novo individualismo e sua expressão através
do divórcio, nascimentos fora do matrimônio, pais solteiros e a importância atribuída à
carreira – devem ser consideradas da mesma forma que os fatores econômicos. Na sociedade
pós-moderna do Primeiro Mundo, a ênfase é dada às necessidades do indivíduo, ao invés do
grupo. Como resultado, até mesmo o compromisso do matrimônio é considerado pouco
importante. Se um dos cônjuges sente que suas necessidades não estão sendo satisfeitas, sente-
se livre para terminar o relacionamento. O matrimônio não garante mais a segurança para o
casal ou para os filhos. Esta ênfase cada vez maior nos direitos do indivíduo é exemplificado
pela Carta de Direitos Humanos das Nações Unidas. Contudo, ela é, essencialmente, uma
filosofia ocidental, que não se enquadra facilmente com as atitudes em muitos países não
ocidentais, tais como a China, onde a comunidade geralmente precede o indivíduo.

Em países desenvolvidos, muitas das funções econômicas, políticas e sociais antes realizadas
pela família, agora são empreendidas pelo Estado, bancos e escolas. O mundo público e o
mundo particular tornaram-se mais separados, conseqüentemente enfraquecendo os vínculos
socioeconômicos que mantinham as famílias unidas. O lar, antes considerado como o retiro
particular de um mundo público hostil, às vezes, não é visto nem mesmo como tal.

Alguns conservadores acreditam que a própria entrada da mulher na economia salarial levou
ao desmembramento da família. Assim, eles responsabilizam as mulheres. Outros1 acreditam
que a crise familiar resulta do fato de que a dedicação dos homens ao trabalho doméstico e

1 Waite e Goldscheider (1991).

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O avanço aos cuidados com os filhos não acompanhou o progresso da participação crescente das mulheres
constante da na força de trabalho. Assim, eles responsabilizam os homens.
cultura global Sejam quais forem as causas, o avanço constante da cultura global significa que muitas nações
significa que estão, agora, herdando os problemas dos países desenvolvidos.
muitas nações
estão, agora, As situações de conflito e guerra podem ter um efeito devastador na vida familiar. As famílias
podem ser separadas por períodos longos e indefinidos, pode haver perdas de vida e ferimentos,
herdando os
o que contribui para com o stress (veja Diretrizes para Crianças em Risco 6: Crianças em Conflito
problemas dos
e Guerra).
países
desenvolvidos. As ideologias políticas também, às vezes, lutam contra a unidade familiar. No Camboja, por
exemplo, durante a época de Pol Pot, o pote de arroz da família era quebrado como símbolo de
que o novo regime terminaria com a necessidade da família. Tudo seria provido pelo Angkor (o
novo regime).

A migração é uma causa freqüente do desmembramento familiar. Em muitas culturas nos países
em desenvolvimento, é considerada obrigação do filho ou da filha ganhar dinheiro para os pais
que estão envelhecendo. Para isto, pode ser necessário mudar-se para a cidade e mandar parte
do dinheiro para casa. Embora, em muitos casos, as pessoas encontrem empregos legalizados,
outras podem terminar na prostituição, por exemplo. Sua obrigação para com os pais é vista
como mais importante do que a atividade. De qualquer forma, o migrante econômico
encontra-se, geralmente, sozinho, num mundo competitivo, privado da rede de apoio familiar.

Existem muitas explicações para o desmembramento da família, e não há duvida de que há uma
combinação de fatores diferentes em atuação. Como cristãos, também reconhecemos que o
desmembramento familiar é, às vezes, conseqüência de nossas escolhas, de pecados pessoais
assim como coletivos.

O QUE AS ESCRITURAS DIZEM A RESPEITO


DAS FAMÍLIAS?
Qual é a preocupação de Deus com as famílias em cada sociedade? O que Deus gostaria que
promovêssemos ou desaprovássemos, protegêssemos ou desafiássemos na área da vida familiar?
As Escrituras não apresentam uma imagem particularmente cor-de-rosa da família. Há
fratricídio, estupro, incesto, adultério e assassinato, assim como amor e lealdade tanto nos lares
como fora deles.

A família pode ser um relacionamento e uma instituição onde a graça de Deus está presente e
onde as pessoas podem nutrir-se e sentir-se melhor. É um lugar onde elas podem crescer como
pessoas em sua individualidade, em suas relações sociais e em seu relacionamento com Deus.2
No entanto, assim como qualquer relacionamento e instituição, a família pode tornar-se
pervertida pelo pecado, com as pessoas sendo desleais, competindo pelo poder e negligenciando
as responsabilidades. Infelizmente, as Escrituras são, de vez em quando, mal-interpretadas por
algumas igrejas, numa tentativa de justificar este comportamento errado.

2 Barton (1993).

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TRIBON
TRIBO
DE JACÓ
DE DA

mílias PONTO DE
das famada ENCONTRO
cha de PARA JACÓ
Lista

…Tudo bem, Moisés. Já fiz a chamada, e todo


o mundo está presente… para o encontro de famílias…

Como mencionado anteriormente, o Velho Testamento proporciona o modelo da família


extensa. Esta não era apenas uma unidade social, mas também econômica e política. Os
matrimônios eram arranjados, e era pago um preço pela noiva, para selar a aliança
(Gênesis 34:1, I Samuel 18:25, Levítico 27).

No Novo Testamento, vemos o matrimônio como um relacionamento de aliança,


caracterizado pela submissão, respeito e servidão mútua. Tomás de Aquino3 descreveu
como as crianças são criadas, em parte, à imagem de seus pais e, portanto, naturalmente,
pertencem a eles e são valorizadas por eles. Porém, elas também são criadas à imagem de
Deus e pertencem a Ele e são valorizadas por Ele. Na passagem de Efésios 5, ele usa a
analogia entre o amor com sacrifício de Cristo por sua igreja, o qual é resoluto e
inabalável, e o amor de um pai para reforçar o compromisso a longo prazo dos pais e
maridos para com seus filhos e mulheres.

A família no Novo Contudo, a família no Novo Testamento é vista não apenas em termos de parentesco e
matrimônio, mas também como a comunidade de crentes. Paulo descreve a igreja como
Testamento é
uma família. Os encontros da igreja do Novo Testamento eram realizados em lares, onde
vista não apenas
os outros crentes deviam ser recebidos como parentes. As pessoas batizadas, de acordo com
em termos de
Paulo, foram adotadas por Deus (Romanos 8:15–17, Gálatas 3:26–4:6). Seus irmãos são
parentesco e os outros cristãos. Sua herança é a comunidade de crentes (Marcos 10:28–31). Numa
matrimônio, mas cultura em que a família era mais importante do que todos os outros relacionamentos, a
também como a igreja do Novo Testamento devia alcançar os gentios, os feios e até mesmo os inimigos.
comunidade de Clapp sugere que, “Ao contrário do que se acredita, a família é enriquecida, quando é
crentes. descentralizada, vista de acordo com o relativismo e reconhecida como não absoluta.” 4

3 Pope (1994).
4 Clapp (1993).

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A família cristã A família cristã não é, portanto, um porto seguro separado do mundo, mas sim uma
não é um porto testemunha poderosa no mundo. Até mesmo as famílias vulneráveis precisam aprender as
seguro separado responsabilidades e também a alegria de oferecer hospitalidade, ao invés dos temores
do mundo, mas associados com a mentalidade da auto-preservação.
sim uma A importância da comunidade de crentes foi reforçada em várias ocasiões por Jesus
testemunha mesmo. Ele enfatizava seu relacionamento com o Pai celestial (Lucas 2:41–52) como
poderosa no acima do relacionamento com seus pais e descrevia os discípulos como sua ‘mãe e irmãos’,
mundo. acima de sua própria família (Marcos 3:34–35). Mais tarde, ele diz que aqueles que amam
o pai ou a mãe mais do que a ele não são dignos dele (Mateus 10:37). Quando um
discípulo em potencial estava pronto para segui-lo, mas pediu para, primeiro, sepultar seu
pai, a resposta de Jesus foi objetiva e impiedosa (Lucas 9:57–60). Até mesmo ao pé da cruz
(João 19:25–27), Jesus diz a Maria, “Mulher, eis aí o teu filho,” e, para o discípulo que ele
amava, “Eis aí tua mãe.” Estas passagens podem apontar para a nova família de Deus,
precedendo a família biológica.4

Isto não deve denegrir a família. Num mundo em que o pai de muitas crianças pode estar
ausente devido ao divórcio, à guerra ou simplesmente ao excesso de trabalho, devemos
incentivar os homens a tomar a responsabilidade por seus filhos de maneira séria. Foi
sugerido que Deus enviou anjos para garantir que José tomaria a responsabilidade de ser o
pai de Jesus de maneira séria e não abandonasse Maria, como ele poderia ter feito. Tom
Beardshaw, da Care for the Family, sugeriu que Deus, Ele mesmo, “deu-se ao trabalho de
assegurar que o matrimônio de José e Maria não se desfaria, garantindo, assim, que haveria
um pai e uma mãe.” A descoberta do coração paternal de Deus, perfeito e de confiança, ao
contrário de qualquer pai ou mãe humana, pode ser restauradora e libertadora.5
Examinaremos melhor o que isto significa na prática na próxima seção.

INDIVIDUAL
ISM
M LAR O
SE

FAMÍLIAS
COM PAIS
HIV /SIDA SOLTEIROS
S
AID

AUTO-ILHA DE
PRESERVAÇÃO

5 McClung (1985).

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QUAL É A IMPORTÂNCIA DO PAPEL DOS PAIS?


A Families in Focus (1995) (Famílias em Foco), do Population Council, registrou que o
número de lares chefiados por mulheres aumentou consideravelmente em quase todos os
países no mundo, desde a metade dos anos 70. A dissolução conjugal é de 40 a 60 por
cento para as mulheres na faixa dos 40 anos em vários países, inclusive na República
Dominicana, em Gana, na Indonésia e no Senegal. O índice de divórcio foi de 55:100 nos
O índice de Estados Unidos, em 1990, tendo dobrado desde 1970 no Reino Unido, no Canadá, na
divórcios França e na Alemanha. Os nascimentos fora do matrimônio são de 1 por cento no Japão,
dobrou desde 27 por cento no Quênia, 33 por cento no norte da Europa e 70 por cento em Botsuana.
1970 no Reino A visão secular dos anos 60 e 70 nos países do Primeiro Mundo era de que o maior número
Unido, no de divórcios, os nascimentos fora do matrimônio, as famílias adotivas e os pais solteiros não
Canadá, na significavam que a família estivesse em declínio. No entanto, nos anos 80 e 90, as pesquisas
França e na indicaram que o divórcio e a paternidade/maternidade fora do matrimônio possuem
Alemanha. conseqüências negativas tanto para as crianças quanto para as mulheres, e que a estrutura
familiar é importante para o desenvolvimento das crianças.6

Um estudo nos Estados Unidos7 concluiu que as crianças criadas fora das famílias biológicas
com ambos os pais presentes apresentavam duas vezes mais probabilidade de terem um
baixo rendimento escolar, duas vezes mais probabilidade de serem elas próprias pais
solteiros e uma vez e meia mais probabilidade de ficarem desempregadas a longo prazo. Os
resultados não dependeram de raça, educação ou idade.

Além disso, o estudo mostrou que as famílias adotivas não apresentavam nenhuma
vantagem em relação às com pais solteiros; ambas tinham menos êxito na criação dos filhos
do que as famílias biológicas intactas, mesmo que a renda média dos padrastos fosse maior
do que a das famílias intactas. Isto desafia a idéia de que a renda familiar seja mais
importante para o bem-estar da criança do que a estrutura familiar.

A presença dos pais, e, por implicação, a sua ausência, é a “maior variável individual
relacionada com as doenças e acidentes infantis, gravidez e utilização indevida de
substâncias na adolescência, gazeio, problemas e baixo rendimento escolares, abuso infantil,
desemprego, crime juvenil e doenças mentais.” 8 É, portanto, descrita como “a questão
pública mais importante enfrentada pela… sociedade.”

O pai contribui de maneira vital para o bem-estar cognitivo e emocional de seus filhos.9 No
entanto, os estudos sugerem que a tendência individual mais importante nos Estados
Unidos é a ausência cada vez maior do pai em relação aos filhos.10 Quase 30 por cento das
crianças com menos de 18 anos não vivem com o pai, e quase 50 por cento passarão muitos
anos sem que o pai esteja presente no lar.

6 Weitzman (1985) e McLanahan e Sandefur (1994).


7 MacLanahan e Sandefur (1994).
8 Hoghughi (1998).
9 Snarey (1993).
10 Blankenhorn (1995).

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Tenho. Se bem
que faz dez anos,
O pai que deixa a família também não está Você tem
agora, que eu não
os vejo… mais
disposto a contribuir com os custos financeiros uma família? cerveja, por
favor…
da criança. Um estudo no Chile descobriu que
42 por cento dos pais ausentes não contribuíam
financeiramente após o sexto aniversário do
filho.11

Embora exista um consenso razoável sobre a má


paternidade/maternidade, os especialistas
seculares não conseguem concordar com o
oposto, especialmente numa sociedade diversa e
em constante mudança. Os cristãos, por outro
lado, podem obter orientação através das
Escrituras quanto ao papel dos pais e o papel da
Igreja no apoio à família.

A paternidade/maternidade nas Escrituras é apresentada no contexto do matrimônio. Isto


não significa que, no ministério, ignoremos os que são pais fora do matrimônio, mas, sim,
que valorizamos a relação entre a maternidade/paternidade e o matrimônio dentro da
Igreja. A Igreja também precisa atacar o individualismo e encontrar maneiras de evitar que
os homens se deixem levar para longe de suas famílias e da paternidade.

Fortalecer e apoiar os pais é vital. O documento sobre a Política de Desenvolvimento


Infantil da Tearfund enfatiza que se devem incentivar as responsabilidades
paternais/maternais em relação à criança e o desenvolvimento de uma comunidade
Deus, ele
interessada ao redor delas. Esta estrutura foi planejada para ajudar a fortalecer os projetos,
mesmo, confiou cujo propósito principal é fazer exatamente isto. “Deus, ele mesmo, confiou seu próprio
seu próprio Filho Filho à humanidade, como uma criança vulnerável, precisando que aquele Filho fosse
à humanidade, criado por uma família e uma comunidade frágeis, mas capazes, oferecendo simbolicamente
como uma um modelo de confiança e responsabilidade…” 12
criança
vulnerável, No Velho Testamento, embora as crianças estivessem totalmente sujeitas à autoridade do
chefe do lar e fossem consideradas legalmente como sua propriedade, “havia uma
precisando que
preocupação muito maior com a responsabilidade do pai por seus filhos, do que com seus
aquele Filho
direitos sobre eles.” 13 (Deuteronômio 21:18–21, 24:16, 2 Reis 14:5–6) O Shema, a
fosse criado por
confissão de fé hebraica, devia ser incutido nas crianças “ao sentar-se em casa, ao caminhar
uma família e pela estrada, ao deitar-se e ao levantar-se.” A responsabilidade dos pais de ensinar a verdade
uma comunidade sobre Deus e a vida de devoção era vital. Em Provérbios 6:20, as crianças são incentivadas a
frágeis, mas guardar o mandamento do pai e não deixar a lei da mãe. Provérbios 22:6 fala da
capazes. responsabilidade dos pais de criarem um desejo por coisas espirituais nos filhos desde uma
tenra idade. Os homens na Igreja podem e devem oferecer um modelo de atuação para as
crianças. O apadrinhamento é apenas uma maneira em que isto pode ser incentivado.

11 Sachs (1994).
12 Viva Network, Oxford Statement on Children at Risk (1997).
13 Wright (1997).

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No início da igreja, os pais eram incentivados a “criar os filhos na disciplina e admoestação


do Senhor” (Efésios 6:1–4) e os pais eram incentivados a não “irritar seus filhos para que
não perdessem o ânimo” (Colossenses 3:21). Esta instrução segue uma ordem para que os
filhos obedeçam os pais. Como as cartas de Paulo foram escritas para serem lidas em voz
alta para a igreja inteira a que foram enviadas, o fato de que ele se dirigiu aos pais e aos
filhos nelas é muito significativo. Em primeiro lugar, ele pressupõe que as crianças
pertençam à comunidade da igreja e que estarão presentes nas reuniões da igreja, quando
suas cartas forem lidas. Em segundo lugar, ele incentiva as responsabilidades mútuas dos
pais e dos filhos. Este é um desafio à pressuposição comum de que o papel dos pais possuía
uma autoridade sem limites em relação às crianças da família.

Embora o papel dos pais exija sacrifícios, “amar ao próximo como a si mesmo” é a
resposta.14 “O amor como consideração de igual para igual” fornece um equilíbrio entre o
individualismo moderno e a ética mais tradicional do dever e do auto-sacrifício extremos.
Esta compreensão do amor é especialmente importante para as mães e as esposas que
“carregaram desproporcionalmente a responsabilidade de seguir os modelos de auto-
sacrifício do amor cristão.”

QUEM SÃO AS VIÚVAS E OS ÓRFÃOS?


Embora as crianças se possam beneficiar mais numa família com ambos os pais presentes,
isso nem sempre é possível, e tanto o Velho quanto o Novo Testamentos mencionam a
responsabilidade para com os órfãos e os que não têm pai. Ser órfão nos tempos antigos
significava ser privado de apoio, perder a posição legal e tornar-se vulnerável aos que
exploram os fracos. Deus é visto como o defensor dos que não têm pai (Deuteronômio
10:18), e a comunidade na aliança é incentivada a ser misericordiosa da mesma forma
(Êxodo 22:27). O mesmo ocorria no início da Igreja, em que a religião “pura e impecável”
era exemplificada por aqueles que “visitam os órfãos e as viúvas” (Tiago 1:27).

A dificuldade da A dificuldade da Igreja hoje em dia é que há muitas crianças que não se encaixam
Igreja hoje em precisamente na estrutura familiar com ambos os pais presentes. As crianças podem ser
dia é que há separadas de um deles ou de ambos pela guerra, desastre, acidente ou problemas de saúde
de um dos pais. Alguns países possuem maneiras culturalmente adequadas de lidar com os
muitas crianças
órfãos – recebendo-os na família extensa ou num monastério, por exemplo. Em outras
que não se
situações, a perda de vidas pode ser tão grande – como no caso das guerras, desastres ou
encaixam
grande propagação do HIV/AIDS – que a comunidade não consegue lidar com a situação.
precisamente na No caso das crianças no meio da guerra e dos conflitos (Diretrizes para Crianças em Risco
estrutura 6), descobrir o paradeiro dos pais das crianças e vice-versa é vital. Os orfanatos (Diretrizes
familiar com para Crianças em Risco 5) são, às vezes, vistos como a única alternativa.
ambos os pais.
Outras causas das crianças serem criadas por apenas um dos pais são o divórcio, o
abandono, a violência doméstica ou a maternidade de mulheres solteiras. Às vezes, o
trabalho da igreja pode ser preemptivo. Num matrimônio frágil, se a Igreja for capaz de
apoiar e fortalecê-lo, os relacionamentos talvez possam ser restaurados, prevenindo o

14 Browning (1999).

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

divórcio e o desmembramento familiar. Da mesma forma, se os relacionamentos entre


pais/filhos estiverem tensos, o apoio aos pais numa comunidade de amor pode evitar o
abuso infantil e a violência intergeracional.
O problema com os pais
Você sabia que solteiros hoje em dia… é
esta história de Oh, que os pais
pais solteiros está socorro! são tão
acontecendo até jovens…
mesmo na igreja?!

‘A FAMÍLIA DA IGREJA’

Uma igreja com famílias com apenas um dos pais presente precisa compreender como elas
chegaram a esta situação, pois as questões que elas enfrentam variarão de acordo com as
circunstâncias. Pode-se ter que lidar com violência e abuso, viuvez, abandono ou
promiscuidade. Não há soluções simplistas. A igreja precisa, primeiramente, perguntar e
descobrir quais são as necessidades e, então, estar pronta com o apoio adequado. Por
exemplo, os órfãos que vivem em lares chefiados por crianças precisam do amor e do apoio
de adultos. Porém, muitos são capazes e competentes para cuidar de seus irmãos, e não se
deve pressupor que os adultos precisem tomar todas as responsabilidades. É importante,
também, não negligenciar os pais sem companheiras. Em sua maioria viúvos, estes homens
enfrentam as pressões culturais adicionais de sustento material/financeiro e são, geralmente,
excluídos das redes informais de mulheres (uma estratégia vital para se lidar com a situação
para a maioria das mães sem companheiros).15

E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?
Culturas diferentes possuem níveis diferentes de tolerância para a violência doméstica. É
importante que as pessoas que trabalham nesta área estejam cientes das normas culturais e
do que é considerado aceitável. As pessoas provenientes do Primeiro Mundo pressupõem
que todo o mundo geralmente acredite que qualquer tipo de violência seja inaceitável. Usar
uma vara numa criança tornou-se, recentemente, inaceitável em muitos dos países
desenvolvidos (embora a vara fosse comum nas escolas uma geração atrás), porém, pode ser

15 Tom Beardshaw, Care for the Family.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

considerado bastante aceitável em países do Terceiro Mundo. A questão que precisa ser
considerada é ‘Quando é aceitável/inaceitável?’ Se, para os adultos, a pressuposição
comum é que eles não devem ser atacados fisicamente, feridos ou mesmo tocados sem
consentimento, qual é a pressuposição adequada para as crianças?

No Reino Unido, A violência doméstica não deve ser subestimada. Os índices nos países em
em 1989, numa desenvolvimento, não podem ser obtidos facilmente, porém, uma pesquisa realizada por
amostra de 1.007 uma empresa de pesquisa de mercado em 11 cidades do Reino Unido, em 1989,
mulheres constatou que, numa amostra de 1.007 mulheres casadas, 33 por cento disseram ter
casadas, 33 por sofrido violência no matrimônio. Das mulheres divorciadas, 46 por cento haviam sido
ameaçadas e 59 por cento haviam sido surradas pelos maridos.
cento disseram
ter sofrido Mesmo antes de nascerem, as crianças podem ser afetadas pela violência doméstica. Um
violência no estudo descobriu que as mulheres sofrem mais violência durante a gravidez do que em
matrimônio. qualquer outro período, e que a violência dobra o risco de aborto ou parto de natimorto.16
O abuso intencional das crianças no lar causa ferimentos desde hematomas, mordidas e
queimaduras com cigarro, até fraturas e danos neurológicos resultantes de sacudidas
vigorosas, que podem levar à morte. Um reflexo das pressões adicionais enfrentadas pelos
pais solteiros é que as mães solteiras têm maior probabilidade de maltratar fisicamente seus
filhos do que as famílias intactas.

Foi sugerido que o ambiente doméstico violento não ensina e não estimula o aprendizado,
o que, por sua vez, “produz uma criança cuja capacidade de se relacionar com os outros
fica seriamente comprometida.” 17 No entanto, as crianças possuem a capacidade de
mostrar empatia, o que indica sua capacidade de apoiar os outros. Isto mostra a
importância dos irmãos e do apoio dos amigos.

As crianças criadas em famílias violentas, muitas vezes, participarão de relacionamentos


familiares adultos como perpetrador ou vítima (às vezes, chamado de ciclo da violência).18
Um estudo descobriu que os problemas de comportamento sérios são 17 vezes maiores em
meninos de famílias violentas e 10 vezes maiores em meninas.19 No entanto, o exame de
pesquisas diferentes descobriu que o processo não é direto ou certo; 26 por cento das
crianças continuaram bem ajustadas, apesar de sofrerem abuso.20 Um trabalho adicional
indicou que as crianças podem recuperar-se da violência dos pais, desde que a violência
seja eliminada e existam o apoio e as oportunidades apropriadas.

A falta de cuidado ou negligência é um outro tipo de violência, embora indireta. O


cuidado, inclusive a amamentação, o diagnóstico de doenças, o estímulo e o oferecimento
de apoio emocional, é um ingrediente essencial no desenvolvimento infantil. Embora o

16 Andrews e Brown (1988).


17 Oates (1995).
18 Straus, Gelles e Steinmetz (1980).
19 Wolfe (1986).
20 Widom (1989).

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

relacionamento entre a mãe e a criança seja fundamental, o pai, os irmãos e outros


parentes podem ser igualmente importantes em diferentes situações. Os avós, quando
disponíveis, podem oferecer apoio, e isto deve ser incentivado. Em alguns casos, eles são os
responsáveis principais pelo cuidado da criança. A influência das outras crianças também é
importante para o desenvolvimento infantil.

Embora algumas das funções dos pais tenham sido tomadas pelas instituições, tais como as
escolas e os serviços médicos, o papel dos pais, mesmo nas áreas da saúde e da educação,
continua fundamental. Se a sociedade for fatalística, pode ser necessário convencer os pais
da importância dos cuidados com a saúde. Da mesma forma, se a sociedade for, em sua
maioria, analfabeta, os pais podem precisar ser persuadidos da importância da educação e
da alfabetização.

Helen Conway, em seu livro Domestic Violence and the Church (1998), descreve como a
sociedade tende a encarar a violência doméstica como um assunto particular. Ela diz que é
necessária uma reação pública, reconhecendo-se que este é um problema com raízes na
sociedade. É uma questão de pecado e responsabilidade. “Deveria haver uma condenação
pública e uma reação quanto a esta questão. É necessário que se ouça a Igreja condenando
É necessário que a violência doméstica nos púlpitos, nos estudos bíblicos e nas aulas de preparação para o
se ouça a Igreja matrimônio. Sua voz também precisa ser ouvida fora das paredes da igreja. A Igreja precisa
tornar-se ativa no cuidado prático das vítimas da violência doméstica. Ela precisa
condenando a
promover de forma ativa reformas e programas sociais que ajudem a resolver o problema.”
violência
doméstica. As igrejas e os parceiros devem pensar sobre como podem concientizar-se mais quanto à
violência doméstica, que agências existem para lidar com ela, e que proteção as mulheres
possuem dentro de sua sociedade em particular.

COMO OS PAIS, AS FAMÍLIAS E AS CRIANÇAS


PODEM SER APOIADOS?
Abaixo, estão arrolados alguns possíveis projetos, que poderiam ser um prolongamento do
papel da Igreja de cuidar das famílias. A ênfase principal é o fortalecimento dos
relacionamentos entre os pais, filhos e comunidades, ao invés da melhoria do bem-estar
material. Alguns são mais adequados do que outros, dependendo do contexto cultural e
das necessidades.
■ Grupos de crianças pequenas para pais e crianças pequenas se encontrarem. Isto é
importante especialmente nas cidades em países mais desenvolvidos, em que os pais
destas crianças podem sentir-se solitários e isolados.
■ Oferecimento de pessoas que cuidem de crianças por um turno ou instalações para
creches para pais com uma baixa renda, para que eles possam fazer um curso
vocacional ou trabalhar, especialmente em áreas de desemprego ou baixa renda.
Cobrando-se uma pequena taxa, pode-se proporcionar trabalho e um salário para as
próprias pessoas que cuidam das crianças.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

■ Descanso (pausas organizadas) para famílias em que os pais estão mentalmente doentes
ou acham difícil lidar com a situação, ou em que as crianças são emocionalmente
desgastantes ou possuem deficiências físicas ou na aprendizagem. Isto pode consistir de
fins de semanas residenciais para os pais, crianças com deficiências, pessoas que
perderam um ente querido, pessoas com distúrbios alimentares, etc.
■ Oferecimento de clubes e colônias de férias para crianças durante as férias escolares,
enquanto os pais estão trabalhando.
■ Apoio a avós envolvidos no cuidado das crianças.

■ Clubes de empréstimo de brinquedos/livros para oferecer estímulo às crianças de


famílias que não os podem comprar.
■ Eventos de apoio ao matrimônio (por exemplo, sermões, aulas, discussões em grupo,
sessões de casal para casal) para fortalecer os matrimônios, evitar o divórcio e criar um
ambiente melhor para as crianças.
■ Aulas e grupos de discussão para pais, inclusive famílias com pais solteiros, ou só o pai,
especialmente em estágios fundamentais do desenvolvimento:
• Para pais de crianças recém-nascidas e pequenas
• Para pais de crianças na adolescência

■ Uma abordagem cristã de tópicos de interesse fundamentais tais como:

• divórcio e seu efeito sobre as crianças/sustento das crianças


• utilização indevida de drogas/bebidas alcoólicas
• opressão no lar e na escola
• violência doméstica
• como se lidar com o comportamento violento inadequado
• palmadas/surras
• educação sexual, anticoncepção e HIV/AIDS (SIDA)
• rebeldia na adolescência.

Talvez, alguns destes tópicos pudessem ser introduzidos nos sermões da igreja, assim
como em encontros de pequenos grupos, que dão oportunidade às pessoas de se
comunicarem.
■ Aulas pré-matrimoniais e de habilidades para ser pai ou mãe para crianças em idade
escolar e casais de noivos.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

■ Aconselhamento/aulas sobre orçamentos. Sistemas de crédito e poupança. Este


problema tem estado escondido no Primeiro Mundo, porque a anonimidade das igrejas
grandes, muitas vezes, esconde questões tais como dívidas pessoais. Não há espaço para
discutir este tipo de área de interesse. Os grupos nas igrejas estão mudando isto.
■ Centros de encontros informais, tais como um café, onde os pais podem fazer
amizades e obter apoio/conselhos/informações informais com os funcionários do
programa, ajuda para preencher formulários e, mais tarde, se necessário,
aconselhamento e/ou encaminhamento para outros recursos e, talvez, estudos bíblicos
introdutórios.
■ Aulas de alfabetização/matemática para pais com uma alfabetização precária e/ou aulas
de língua para minorias étnicas, para que eles possam, por sua vez, ajudar seus filhos
com as tarefas escolares e diminuir as diferenças entre as gerações.
■ Atividades e passeios familiares.

■ Abrigo para mulheres e crianças que estejam sofrendo violência doméstica.

■ Abrigo para meninas adolescentes grávidas esperando para terem seus bebês, mas que
não podem ficar com suas famílias.
■ Clínicas para planejamento familiar ou sistema de encaminhamento para promover
famílias menores e evitar abortos.

Os tipos de projetos variarão de acordo com as circunstâncias. Por exemplo, no Reino


Unido, as áreas centrais das cidades apresentam um alto nível de desemprego, e muitas
famílias possuem apenas um dos pais e uma rede familiar precária. As famílias nas partes
rurais dos países desenvolvidos podem ter grandes famílias extensas, porém não possuem
informações e apoio em muitas questões. As áreas urbanas nos países em desenvolvimento
podem ter mais aspectos em comum com as cidades dos países desenvolvidos do que com
as áreas rurais do mesmo país.

Os projetos que procuram ajudar as crianças separadas de suas famílias, seja qual for o
motivo, podem querer dar uma olhada em Diretrizes para Crianças em Risco 5, sobre
crianças em orfanatos e alternativas. As crianças em situações de conflito e guerra são
examinadas mais detalhadamente em Diretrizes para Crianças em Risco 6.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO
para pessoas
que trabalham
com crianças

SEÇÃO 2
Estrutura para
a Boa Prática

Conteúdo
Principio 1 Desenvolvendo relacionamentos 23

Principio 2 Responsabilidades dos pais 23

Principio 3 Trabalhando em níveis diferentes 24

Principio 4 Identificando necessidades e prioridades 24

Principio 5 Participação das crianças 25

Principio 6 Crianças no contexto 26

Principio 7 Defesa de direitos 27

Principio 8 Indicadores sensíveis às necessidades da criança 30

Artigos da Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas 31

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Estrutura para a Boa Prática


2 Nesta seção, examinamos como a Estrutura do Desenvolvimento Infantil em
geral pode ser aplicada nos projetos de apoio à família.

PRINCÍPIO 1 DESENVOLVENDO
RELACIONAMENTOS
1.1 Deve-se dar prioridade para o desenvolvimento de
relacionamentos – com a criança, família, comunidade,
organização ou instituição e, também, entre as agências.
■ Como os programas familiares são, geralmente, uma resposta ao rompimento dos
relacionamentos entre os membros da família – seja entre adulto e adulto, ou entre
adulto e criança –, escutar e desenvolver relacionamentos é fundamental. O abuso
infantil, principalmente dentro das famílias, pode distorcer suas percepções do que os
relacionamentos podem ser. Portanto, restaurar o bom relacionamento é essencial em
todos os níveis.
■ Além disso, as igrejas e as organizações cristãs devem desenvolver relacionamentos de
qualidade na prática – tanto interpessoais como com agências externas – e, assim,
demonstrar a prioridade destes.

PRINCÍPIO 2 RESPONSABILIDADE DOS PAIS


2.1 A responsabilidade dos pais em relação às crianças deve ser incentivada,
assim como o desenvolvimento de uma comunidade interessada e adequada
à criança.
■ Sempre que houver um relacionamento com os pais, deve-se procurar
garantir que, se possível, este não se rompa. Quando o relacionamento já estiver
rompido, deve-se procurar restaurá-lo ou encontrar um relacionamento entre adulto e
criança alternativo bom, que proporcione confiança e amor. Isto pode ser possível
através dos avós, tios, ou irmãos mais velhos. Fora da família, um relacionamento de
apoio a longo-prazo com um adulto que cuide da criança pode ajudar. Deve-se procurar
evitar, porém, a troca freqüente das pessoas que cuidam da criança, sempre que possível.
■ Numa comunidade da igreja estável, os líderes devem enfatizar a importância da
responsabilidade desta de satisfazer as necessidades das crianças, dando o exemplo.

“Quando a família é destruída, como e onde devem ser concentradas as energias para a mudança
social, de maneira que sejam eficazes?”
Citação de uma mulher sul-africana em McFayden (1996)

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 3 TRABALHANDO EM NÍVEIS DIFERENTES


Que
nível?
3.1 Deve haver uma conscientização a respeito do nível que o programa
está enfocando, porém sem que se excluam os outros níveis.
• Individual • Mesmo grupo social
• Familiar • Organizacional/Institucional • Comunitário
• Nacional • Políticas/Político • Espiritual

PRINCÍPIO 4 IDENTIFICANDO NECESSIDADES


E PRIORIDADES
4.1 As necessidades das crianças (e dos pais) devem ser
identificadas. Isto inclui escutar as crianças e os pais e
envolvê-los.
■ Escutar os pais de maneira informal e formal (por exemplo,
em pequenos grupos) pode ajudar a revelar suas preocupações
e medos, podendo ser, também, terapêutico. Os pais (principalmente os que possuem
uma renda baixa num ambiente urbano) podem sentir que não possuem apoio e que
não são capazes de lidar com as responsabilidades de pais.
■ Embora a ênfase do programa possa estar nos pais, as necessidades específicas das
crianças também devem ser consideradas.

Por exemplo, embora os pais possam sentir que precisam trabalhar muito e até tarde, para
receberem um salário suficiente para sua família, as necessidades emocionais da criança que está
separada dos pais durante a maior parte do tempo durante quase toda a semana também deve ser
considerada. Da mesma forma, um programa que lide com a violência doméstica contra a mulher
deve levar em consideração os efeitos psicológicos nas crianças que presenciam esta violência.

■ Podem ser realizadas pesquisas com as crianças e os jovens, para descobrir como eles
vêem as necessidades, os problemas e os pontos fortes da família e da comunidade. O
que eles acham que pode e deveria ser feito? Os jovem, em particular, muitas vezes,
pensam que os adultos não os escutam. Desta maneira, eles poderiam dar suas opiniões
a seus pais e outras pessoas responsáveis pela tomada de decisões na comunidade. Isto,
por sua vez, ajudá-los-ia a sentir que estão sendo escutados, aumentando sua auto-
estima.

4.2 Os funcionários devem ter experiência e treinamento na comunicação com as crianças e


seus familiares e no auxílio da facilitação da participação infantil.
■ Tanto os profissionais quanto os não profissionais podem beneficiar-se com os
encontros de treinamento e o treinamento nesta área importante. Os funcionários com
mais experiência também podem atuar como mentores para as pessoas com menos
experiência.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

■ Deve haver, também, um sistema de prestação de contas pessoal e profissional para


qualquer pessoa que esteja envolvida nos projetos familiares ou voltados à criança. Isto
serve tanto para proteger a criança ou a família e o funcionário do programa, quanto
para garantir que o projeto seja sadio e cresça.

4.3 Deve haver uma conscientização dos aspectos espirituais, físicos, mentais, emocionais
e sociais do desenvolvimento infantil (inclusive os aspectos educacionais/vocacionais).
■ O perigo é que pode-se enfocar um aspecto do desenvolvimento infantil à custa dos
outros. Os profissionais da área da saúde devem enfocar os aspectos físicos do
desenvolvimento infantil, enquanto os psicólogos concentram-se nos emocionais, os
assistentes sociais, nos sociais, e os professores da Escola Dominical, nos espirituais. Na
realidade, todos os aspectos devem ser considerados.

PRINCÍPIO 5 PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS


5.1 As capacidades e as necessidades das crianças devem ser
levadas em consideração.
■ Estas devem ser avaliadas, levando-se em consideração o lado
positivo, e não somente o negativo – as capacidades, ao invés
das deficiências ou incapacidades, a capacidade de se recuperar
de mudanças e traumas, assim como a vulnerabilidade. Não deve haver preconceito
baseado em sexo, idade, quem são os pais, etnia, classe social ou casta, religião ou
deficiência.
■ A posição das crianças dentro de sua própria família pode estar baseada no sexo, ordem
de nascimento, quem são os pais e idade, e isto, por sua vez, pode estar relacionado
com as normas culturais. Os pais freqüentemente não tratam os filhos com igualdade.
Todas as crianças e os pais precisam ser apoiados e compreender que possuem o
potencial para mudarem. As crianças e os pais em áreas de baixa renda e/ou de grupos
étnicos minoritários são especialmente sensíveis à discriminação por parte de pessoas
do mesmo grupo social, polícia e até mesmo professores e parentes.

5.2 Os adultos devem colaborar com as crianças, de acordo com sua idade e capacidade,
individualmente e coletivamente, em aspectos que as afetam.
■ Para isto é necessário fazer um retrospecto contínuo com os usuários para ver se o
programa é e continua a ser relevante. Sempre que possível, os pais e as crianças devem
ser incentivados a planejar atividades para o programa, para que estas sejam
apropriadas e relevantes às suas necessidades.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 6 CRIANÇAS NO CONTEXTO


6.1 As crianças devem ser consideradas no contexto social, político e
histórico de sua comunidade.
■ Isto significa que os projetos de apoio à família variarão de acordo
com o contexto. As necessidades das família que vivem em áreas
heterogêneas próximas ao centro das cidades serão muito diferentes
das necessidades das pessoas de uma comunidade rural homogênea.
■ As necessidades de uma família de refugiados ou de famílias desmembradas devido à
guerra ou ao HIV/AIDS (SIDA), em que os lares só contam com a mãe ou são
chefiada por uma criança, também serão diferentes.
■ O período de tempo que os homens (e as mulheres) precisam trabalhar fora do lar, para
sustentarem suas famílias, e o período que conseqüentemente possuem com seus filhos
precisam ser levados em consideração.
■ O papel econômico da mulher e das crianças na comunidade e como elas são
valorizadas e vistas pelos homens também é um fator importante, assim como os
direitos legais e econômicos da mulher no caso de separação ou divórcio.
■ Os diferentes partidos políticos possuem seus próprios programas para o
desenvolvimento e a implementação de políticas que afetam as famílias. A lei e as
políticas atuais, assim como as razões fundamentais por trás delas, devem ser
compreendidas.
■ Os fatores intergeracionais históricos também podem continuar a participar da
disfunção familiar, como, por exemplo, a violência doméstica e a gravidez na
adolescência.

6.2 Os pais, os responsáveis pelo cuidado da criança e as famílias devem ser envolvidos
e influenciados.
■ Este, provavelmente, é o âmago do programa. É essencial envolver as pessoas no
programa, de maneira que elas participem de sua criação, ao invés de impô-lo a elas.
Os pais que passaram por situações com que o programa está procurando lidar, tais
como a violência doméstica, terão maior credibilidade entre outras pessoas que
também sofrem que muitos dos profissionais. Suas opiniões e seu discernimento são
extremamente valiosos.

6.3 A comunidade das crianças deve ser envolvida e influenciada positivamente.


■ Os projetos devem ter cuidado para não serem vistos como se estivessem tirando as
crianças e as famílias para fora de suas comunidades, mas, sim, trabalhando dentro
delas, de maneira que as crianças e as famílias possam, por sua vez, beneficiá-las.

6.4 Devem ser criados vínculos (redes) com outras organizações locais, nacionais e
internacionais, inclusive de outros setores.
■ Deve haver evidência do trabalho com outras igrejas, escolas, serviços de saúde e sociais
e de que o setor voluntário está envolvido no apoio às famílias.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

6.5 O contexto cultural e religioso da criança, da família e da comunidade deve ser levado
em consideração.
■ Isto inclui casta, etnia e crença religiosa. Algumas crenças culturais podem ser prejudiciais,
até mesmo más (como, por exemplo, a mutilação dos genitais femininos), e, nestes casos,
os cristãos terão de desafiá-las. Ao mesmo tempo, outras crenças culturais (como, por
exemplo, o descanso após o nascimento de um bebê) é útil e deve ser incentivado. É
necessário discernimento com as crenças mais difíceis de serem compreendidas.
■ A compreensão do que a família significa varia. Esta não é apenas uma questão de culturas
diferentes – políticos, economistas, teólogos, feministas, todos possuem seus próprios
programas. É importante compreender quem está falando, em nome de quem e por quê. 21
■ É importante compreender os pontos de vista de uma cultura a respeito do matrimônio e
da fertilidade. Por exemplo, em algumas culturas, o matrimônio é realizado, quando as
pessoas ainda são bastante jovens, mas as crianças são mantidas separadas até mais tarde.
Em outras, ele não é visto como totalmente consumado até que nasça uma criança. Isto
pode agravar o stress e o desapontamento da infertilidade.
■ A maneira como as crianças são criadas varia consideravelmente até mesmo dentro da
mesma comunidade. Porém, através de uma observação cuidadosa, podem emergir
padrões.
■ A natureza e o nível da violência doméstica precisam ser avaliados, e devem ser
determinadas estratégias adequadas para quem deve desafiá-la e como.

PRINCÍPIO 7 DEFESA DE DIREITOS


7.1 Deve-se realizar lobby e interceder-se em nome das crianças
e suas família a nível local, nacional ou internacional.
■ As organizações devem identificar as questões fundamentais que
afetam negativamente as famílias e desenvolver estratégias de
defesa de direitos, para influenciar os responsáveis pelas decisões.
Isto pode ocorrer a nível local ou nacional.

7.2 Os funcionários do programa devem estar cientes da importância da Convenção dos


Direitos da Criança das Nações Unidas e de outras questões e convenções de direitos
humanos.
■ Esta é uma área controversa e que precisa ser considerada cuidadosamente. A Tearfund
acredita que a Convenção das Nações Unidas deve ser interpretada de tal forma, que a
orientação e as responsabilidades dos pais recebam prioridade. As crianças devem ter o
direito à escolha, porém a escolha vem acompanhada de responsabilidades, e a participação
completa é algo a que as crianças chegarão um dia. Enquanto ainda são pequenas, elas
precisam de orientação, de preferência dos pais, caso contrário, de um responsável para
ajudá-las a tomar decisões. À medida que crescem, elas precisarão ter mais oportunidades
de fazerem suas próprias escolhas.

21 Barton, S (1993).

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

CONVENÇÃO DOS
DIREITOS DA
Os artigos relevantes são resumidos a seguir (para ver o texto completo relevante, consulte a
CRIANÇA DAS página 31).
NAÇÕES UNIDAS Artigo 3: O Estado oferecerá o cuidado adequado, quando os pais ou outros não o fizerem.
(CDC)
Artigo 5: O dever do Estado é respeitar os direitos e as responsabilidades dos pais e da família
extensa de fornecer a orientação apropriada para as capacidades em desenvolvimento
da criança.

Artigo 9: A criança possui o direito de viver com seus pais, a menos que isto seja considerado
incompatível com os interesses dela.

Artigo 18: Ambos os pais possuem a responsabilidade conjunta de criar seus filhos, e o Estado
deve auxiliá-los nesta tarefa.

Artigo 19: O Estado possui a obrigação de proteger as crianças de todas as formas de maus-tratos
infligidos pelos pais ou outros responsáveis por seu cuidado, assim como realizar
programas preventivos e de tratamento em relação a esta questão.

Artigo 20: O Estado possui a obrigação de oferecer proteção especial para as crianças destituídas
de seu ambiente familiar.

7.3 Os obstáculos que se opõem à defesa de direitos devem ser compreendidos e


enfrentados.
■ O trabalho realizado pelos direitos das crianças cria, inevitavelmente,
descontentamento entre as pessoas cujo poder e controle possam ser afetados. As
reações variam de acordo com o contexto sociopolítico.

UMA QUESTÃO PARA


INTERPRETAÇÃO
Há aqueles que acreditam que a Convenção dos Direitos da Criança (CDC) das Nações Unidas está
errada. Algumas organizações cristãs, tais como a Family Education Trust22, acreditam que os
direitos das crianças, na realidade, tiram o poder dos pais, dando prioridade aos direitos das
crianças, ao invés dos pais. Alguns grupos cristãos preocupados interpretam certos artigos como
destruidores do controle dos pais, permitindo uma intervenção maior do Estado na vida familiar.
Embora haja movimentos nestas áreas, estas teorias, se apresentadas, podem deturpar os direitos
das crianças. No entanto, realmente, existe o perigo das pessoas reinterpretarem e manipularem as
leis, a fim de alcançarem seus próprios objetivos.

Uma leitura cuidadosa destes artigos, e de toda a CDC, revela que há amplas possibilidades de
interpretação. Como ela é implementada depende de como a legislação estatal a nível nacional é
posta em operação. Isto deve ser informado pela sociedade civil, da qual a Igreja é um membro
fundamental. Os grupos cristãos devem ser incentivados a engajarem-se no debate sobre como a
CDC deve ser interpretada e utilizada. Desta forma, as áreas de preocupação podem ser atacadas, e
a convenção poderá realizar todo o seu potencial de beneficiar as vidas das crianças.

22 Family Education Trust, 322 Woodstock Road, Oxford OX2 7NS, Reino Unido, produziu um pequeno livro chamado
The Fight for the Family, o qual descreve seu ponto de vista. ISBN 0 906229 14 6.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

7.4 Deve haver diálogo com os pais e os responsáveis pelo cuidado da criança, para que
eles possam tomar decisões sábias e representar suas famílias.
■ Os pais mais informados, instruídos e apoiados sentem-se mais confiantes ao lidarem
com seus filhos em relação a questões que lhes dizem respeito e com os responsáveis
pelas decisões acima deles, cujas decisões influenciam seus filhos.
■ Os pais que contam com um bom apoio podem sentir-se capazes de realizar lobby com
departamentos governamentais e igrejas, para obterem os serviços de que precisam, ao
invés dos serviços que o governo e as igrejas consideram adequados. Um exemplo pode
ser manter aberto um grupo de mães e crianças pequenas que se reúnem às tardes, que
esteja ameaçado de ser fechado, porque isso se enquadra melhor à programação.

7.5 Deve haver diálogo com as crianças para que, dependendo de sua idade e capacidade,
elas possam tomar decisões sábias e falar por si próprias e pelas outras crianças.
■ Algumas crianças oferecem apoio a seus pais, embora, durante a adolescência em
particular, seja difícil que isto ocorra espontaneamente. É extremamente importante
escutar as crianças sobre como elas vêem os problemas, pois isso pode ajudar tanto os
pais como os gerentes dos programas a identificar as questões.

7.6 Deve haver uma conscientização da base bíblica da defesa de direitos em nome das
crianças e da importância da oração.
■ Veja a Introdução destas Diretrizes e os Materiais de Estudo Sobre o Desenvolvimento
Infantil da Tearfund.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 8 INDICADORES SENSÍVEIS ÀS


NECESSIDADES DA CRIANÇA
8.1 O impacto do trabalho nas crianças e suas famílias deve ser
medido tanto qualitativamente como quantitativamente.

8.2 Os indicadores devem mostrar de que maneira o programa tem impacto nas vidas e no
meio ambiente das crianças e suas famílias, por idade e sexo.
■ Os projetos muitas vezes pressupõem que o trabalho está beneficiando os pais. Porém,
o exame posterior do que foi alcançado é, freqüentemente mínimo. Os casos de sucesso
de famílias individuais possuem algum valor, porém não são suficientes para uma
avaliação completa.

8.3 Os pais, os responsáveis pelo cuidado das crianças e as própria crianças devem ser
envolvidas na avaliação do cuidado e de seu impacto na criança e na família.
■ As pesquisas através de questionários realizadas logo após o término de um curso,
possuem um valor limitado para se avaliar se este teve êxito ou não. As pesquisas
posteriores alguns meses mais tarde devem examinar de que maneira o que foi
aprendido foi posto em prática. Os beneficiários devem procurar ver o que permaneceu
em termos de ferramentas que foram lembradas e utilizadas. As mudanças no
comportamento percebidas pelos próprios participantes são mais valiosas.

8.4 O programa deve refletir e utilizar os resultados dos levantamentos do impacto.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

TEXTO COMPLETO
DOS ARTIGOS No preâmbulo: Os Estados integrantes da presente convenção… convencidos de que a família,
RELEVANTES PARA A como grupo fundamental da sociedade e o ambiente natural para o crescimento e
FAMÍLIA E PARA OS bem-estar de todos os seus membros e, principalmente, das crianças, deve receber
PAIS NA CDC a proteção e a assistência necessárias, para que possa exercer suas
responsabilidades dentro da comunidade, reconhecendo que a criança, para que
tenha um desenvolvimento completo e harmonioso de sua personalidade, deve
crescer em um ambiente familiar, em um clima de felicidade, amor e
compreensão… concordaram sobre o seguinte:

Artigo 3: Os Estados integrantes comprometem-se a assegurar à criança a proteção e o


cuidado necessários para o seu bem-estar, levando em consideração os direitos e
deveres de seus pais, tutores legais ou outros indivíduos legalmente responsáveis
por ela e, para este fim, tomarão as medidas legislativas e administrativas
adequadas.

Artigo 5: Os Estados integrantes respeitarão as responsabilidades, os direitos e os deveres


dos pais ou, quando for o caso, dos membros da família extensa ou da
comunidade, conforme previsto pelos costumes locais, assim como dos tutores
legais ou de outras pessoas legalmente responsáveis pela criança, de oferecer, em
conformidade com as capacidades em desenvolvimento da criança, direcionamento
e orientação adequada no exercício por parte dela dos direitos reconhecidos na
presente Convenção.

Artigo 9: Os Estados integrante assegurarão que a criança não seja separada de seus pais
contra sua vontade, a não ser que as autoridades competentes determinem, em
conformidade com a lei e os procedimentos aplicáveis, que esta separação seja
necessária em um caso específico, tal como num caso que envolva abuso ou
negligência da criança por parte dos pais, ou em que um dos pais viva
separadamente, sendo necessário tomar-se uma decisão a respeito do local de
residência da criança.

Artigo 18: Os Estados integrantes esforçar-se-ão ao máximo para assegurar que seja
reconhecido o princípio de que ambos os pais possuem responsabilidades comuns
pela criação e desenvolvimento da criança. Os pais ou, se for o caso, os tutores
legais, possuem a responsabilidade principal pela criação e desenvolvimento da
criança. O interesse da criança deverá ser sua preocupação básica.

Artigo 19: Os Estados integrantes tomarão todas as medidas legislativas, administrativas,


sociais e educacionais adequadas para proteger a criança de todas as formas de
violência física ou mental, lesão ou abuso, negligência ou tratamento negligente,
maus-tratos ou exploração, inclusive abuso sexual, enquanto ela estiver sob os
cuidados dos pais, de tutores legais ou de quaisquer outras pessoas que possuam
a custódia da criança.

Artigo 20: Uma criança temporária ou permanentemente destituída de seu ambiente familiar,
ou que, em seu interesse, não puder permanecer nesse ambiente, terá direito à
proteção e à assistência especial por parte do Estado.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO
para pessoas
que trabalham
com crianças

SEÇÃO 3
Estudos de Casos

Conteúdo
Orchard Family Centre, Londres, Reino Unido 36

Family Matters, Luton, Reino Unido 38

Centro Cristiano de Asesoramiento Familiar, República Dominicana 41

Care for the Family, Cardiff, Reino Unido 43

Programa para Órfãos: Inkuru Nziza Church, Kigali, Ruanda 46

Oasis Counselling Centre and Training Institute, Nairobi, Quênia 48

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Estudos de Casos
3 Estes estudos de casos cobrem uma variedade de programas envolvidos com o
desmembramento e o apoio familiar. A maioria dos estudos foram escritos pelos
funcionários dos programas e, portanto, possuem uma perspectiva de campo, o que
aumenta a autenticidade. Os programas não são considerados ideais, mas cada um possui
exemplos da boa prática, que contribuem com o processo de aprendizagem.

Ao invés de examinar todos eles, talvez você prefira selecionar os estudos mais semelhantes
aos seus programas e, então, um ou dois que mostrem uma perspectiva diferente. Cada
estudo de caso enfoca dois ou três dos princípios descritos na SEÇÃO 2, com alguma
repetição. As questões para reflexão no final de cada estudo de caso oferece uma
oportunidade para que você pense sobre o seu próprio programa.

Orchard Family Centre, Londres, Reino Unido


Um programa numa área próxima ao centro da cidade baseado na igreja, que começou cuidando de
crianças e desenvolveu um enfoque mais comunitário, que alcançou os pais.

Family Matters, Luton, Reino Unido


Outro programa numa área próxima ao centro da cidade baseado na igreja, mas com um enfoque na
violência doméstica.

Centro Cristiano de Asesoramiento Familiar, República Dominicana


Um centro cristão nacional de treinamento e pesquisa, também envolvido no apoio a famílias
vulneráveis.

Care for the Family, Cardiff, Reino Unido


Um centro cristão nacional de recursos para a defesa de direitos e a educação para igrejas por todo
o Reino Unido.

Programa para Órfãos: Inkuru Nziza Church, Kigali, Ruanda


Um programa numa área profundamente afetada pelo HIV/AIDS (SIDA), assim como pelo genocídio,
em que as famílias (no senso mais amplo da palavra) são apoiadas.

Oasis Counselling Centre and Training Institute, Nairobi, Quênia


Um ministério abrangente de treinamento e aconselhamento para crianças e famílias afetadas pelo
desmembramento familiar e pelos valores tradicionais na África.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

NITA ROGERS,
GERENTE DO
Orchard Family Centre
CENTRO
Londres, Reino Unido

ORGANIZAÇÃO
A Igreja Ichthus, em Peckham e Dulwich, possui uma congregação de mais de 200 pessoas
de variados meios sociais e étnicos. A igreja compromete-se a ensinar sobre Jesus na
comunidade local – a ser a “reconstrutora, reparadora e restauradora de sua comunidade”
(Isaías 58:12). O Orchard Family Centre (OFC) é uma das várias iniciativas comunitárias
de igrejas. O OFC desenvolveu-se a partir de uma creche bem sucedida inicialmente
chamada de 3’N’Away. Ele, agora, abrange uma série de serviços de apoio à família, os
quais incluem uma pré-escola, cursos para pais, inclusive para adolescentes antes de se
tornarem pais, um clube de empréstimo de brinquedos/livros/vídeos e um serviço de
aconselhamento e informações para pais.

CONTEXTO
Peckham, localizada no burgo londrino de Southwark, é uma das áreas mais diversificadas
em termos de cultura do Reino Unido. De acordo com o Plano de Serviços para Crianças
da Prefeitura de Southwark de 1996–9, quase metade das crianças de Southwark vivem
em lares que não possuem uma renda, 40 por cento das crianças são negras ou de grupos
minoritários, 40 por cento vivem em famílias com pais solteiros e 25 por cento vivem em
moradias lotadas. Em 1996, uma em cada dez meninas adolescentes engravidou em
Southwark, de acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas, o nível mais alto da
Europa Ocidental.

Após as famosas perturbações da ordem pública nos conjuntos residenciais no norte de


Peckam no início dos anos 80, a área passou por um amplo programa de restauração
A igreja habitacional. Alguns conjuntos residenciais foram totalmente demolidos, e milhões de
reconheceu a libras esterlinas foram investidas em iniciativas para novas residências. Nos últimos anos, a
necessidade de incidência de crimes nas ruas diminuiu de maneira significativa. A igreja reconheceu a
escutar as necessidade de escutar as pessoas e orar nas questões comunitárias e de alcançar as pessoas
pessoas e orar de maneiras práticas. Das 55 crianças que freqüentaram a pré-escola do Orchard Family
nas questões Centre em 1997–8, 57 por cento eram provenientes do que o governo define como ‘meios
comunitárias e familiares em desvantagem’.
de alcançar as
pessoas de DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA
maneiras
práticas. O centro compromete-se a procurar satisfazer as necessidades da família inteira na
comunidade local. Seu objetivo é fortalecer a vida familiar através de sua provisão
integrada de serviços, assegurando às famílias “um futuro e uma esperança” (Jeremias
29:11). A esperança é que as crianças que começarem a pré-escola, iniciem a educação
convencional com uma vantagem, ao invés das desvantagens relacionadas com pais

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

solteiros, baixa renda, situação habitacional precária, deficiências, pais que não sabem ser
pais e recursos inadequados no lar. A intenção é, também, permitir que os pais
desenvolvam habilidades como tais, rompendo, assim, o ciclo da destituição.

O programa gradualmente passou a pertencer às famílias, as quais começaram a


desenvolver uma comunidade mais interdependente. Elas são incentivadas a envolverem-se
O programa
mais com o centro de muitas maneiras diferentes e em todos os níveis. Os participantes
gradualmente
antigos tornaram-se facilitadores de programas atuais, tais como os cursos para pais,
passou a envolvendo-se, também, no levantamento de recursos. Os pais são incentivados a
pertencer às compartilhar suas habilidades e seu tempo como voluntários nas atividades dos centros.
famílias, as quais Os pais e os filhos são convidados a comentar sobre suas experiências com a provisão de
começaram a serviços.
desenvolver uma
A igreja iniciou o programa após reconhecer a necessidade e tem mantido seu
comunidade mais
envolvimento através da oração, apoio pastoral aos funcionários, apoio financeiro e
interdependente.
fornecimento de voluntários. Com sua ampla base de especialistas congregacionais, ela é
capaz, também, de oferecer treinamento de funcionários em setores variados. Além disso,
ela tem incentivado os cristãos na igreja a levar o papel de padrinho ou madrinha a sério,
para que a criança conte com outros adultos, além dos pais, que orem e se comprometam
com elas. Apesar das famílias possuírem recursos materiais escassos, a missão procura
ajudar outras famílias no exterior, enviando caixas de sapatos com suprimentos para
famílias pobres na Bulgária.

O trabalho em rede com o departamento da educação e o departamento da saúde locais,


juntamente com outras organizações voluntárias de apoio à família e a crianças com
menos de cinco anos evita a repetição dos mesmo serviços e permite que se desenvolva um
bom sistema de encaminhamento. Como o centro familiar é considerado uma organização
profissional pelo governo local, ele tem sido cada vez mais envolvido na consulta sobre as
iniciativas locais.

Questões para ■ Como o Orchard não só causa um impacto nos pais, nos responsáveis pelo cuidado das
reflexão crianças e nas famílias, mas também os envolve no programa? (PRINCÍPIO 6.2)
■ Como o seu programa envolve os pais? Eles são considerados parceiros?
■ Como o Orchard realiza lobby e intercede pelas crianças e junto aos pais?
(PRINCÍPIO 7.1)
■ Como o seu programa realiza lobby em questões que afetam as crianças? Há um
compromisso com a oração pelas crianças individualmente, assim como pelo programa
em geral?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

TREVOR ADAMS,
COORDENADOR
Family Matters
DO PROJETO
Luton, Reino Unido

ORGANIZAÇÃO
A Church of God of Prophecy fundou uma nova igreja num dos principais conjuntos
residenciais municipais em Luton, em 1987. Desde o início, a igreja preocupou-se com as
necessidades físicas e espirituais da comunidade. Um dos membros, com amplo
treinamento e experiência em ministérios juvenis iniciou o Family Matters em 1995, cujo
objetivo era resolver o problema da violência doméstica na cidade de Luton.

Uma pequena subvenção para dar início ao programa foi oferecida pelo governo local, a
fim de treinar três pessoas para realizar um programa de habilidades para a vida. Este foi
seguido de vários cursos de habilidades para a vida, inclusive um esquema de
empoderamento juvenil. Porém, percebeu-se logo que seria necessário treinar uma equipe
de voluntários, a fim de se causar um impacto significativo na comunidade. Em 1997–98,
foram treinadas 18 pessoas como conselheiros pelo Centro de Aconselhamento Manna
House. Voluntários de outras cinco igrejas entraram, então, para a equipe do Family
Matters. O relacionamento entre o programa e a igreja tem sido mantido através de
oração, atividades sociais e de levantamento de recursos, assim como através da utilização
de dons individuais tanto na igreja quanto no projeto. Em 1997, houve uma mudança
neste relacionamento, quando o diretor do Family Matters tornou-se o pastor da igreja. O
programa foi relançado, com base na idéia ‘Vidas Dilaceradas Restauradas’.

CONTEXTO
Luton possui uma população diversificada de 170–180.000 pessoas, com uma grande
comunidade asiática (do leste da África, da Índia, do Paquistão e de Bangladesh) e uma
considerável comunidade afro-caribenha. O programa baseia-se na pressuposição de que a
violência doméstica ocorre entre as barreiras étnicas e de classe e procura alcançar todas
O programa estas comunidades. Os conceitos de família diferem entre as culturas. O Family Matters
baseia-se na utiliza a definição da comissão parlamentar especial do Departamento de Assuntos do
pressuposição de Interior (1995) de violência doméstica como sendo “qualquer forma de abuso físico,
que a violência sexual ou emocional entre pessoas num relacionamento próximo. Pode tomar várias
doméstica ocorre formas, tais como ataque físico, abuso sexual, estupro, ameaça e intimidação, como
entre as barreiras degradação, humilhação mental e verbal e crítica contínua.” O objetivo do programa é
étnicas e de “assegurar que o cliente, seja ele a vítima ou o perpetuador, ou vítima ou perpetuador em
classe. potencial, tenha a oportunidade, de acordo com suas necessidades, de desenvolver as
habilidades sociais para romper o ciclo de violência, reconstruir sua vida, melhorar sua
auto-imagem, com apoio em sua recuperação e auxílio para aumentar sua capacidade de
atuar de forma sadia e não violenta em seus relacionamentos.”

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA


Há uma cooperação ativa com outros grupos relevantes
■ Outras igrejas locais.
■ Luton Domestic Violence Forum (Foro de Violência Doméstica de Luton).
■ Apoio às vítimas.
■ Clínicos gerais (médicos das famílias).
■ A prefeitura, que oferece uma sala e alojamento para o treinamento e aconselhamento.
■ Relate, serviço do governo de aconselhamento sobre relacionamentos para casais
casados.
■ Previdência social.
■ Woman’s Aid, um refúgio para mulheres em crise.
■ Christian Family Care (Cuidado com a Família Cristã), Bedford, que oferece
treinamento para funcionários que trabalham com mulheres refugiadas.

Há um enfoque na prevenção através da defesa de direitos e do ataque às causas


fundamentais
■ Oferecimento de materiais/palestras/seminários/encontros de treinamento educacionais
para indivíduos e grupos sobre violência doméstica (por exemplo, começando com
grupos de igrejas, grupos de homens, grupos de mulheres, grupos de jovens e passando
para escolas, escolas de ensino superior, grupos comunitários e visitantes do
departamento da saúde).

Atividades de intervenção com ênfase nos relacionamentos


■ Aconselhamento individual, auto-encaminhamentos após seminários,
encaminhamentos de clínicos gerais, igrejas.
■ Aprender a relacionar os grupos de apoio e educacionais aos grupos de
acompanhamento posterior.
■ Compreende-se como a violência doméstica afeta a família toda e a necessidade de
alcançá-la inteira. Porém, devido a motivos de segurança da vítima, é necessária muita
sensibilidade.
■ As pessoas precisam desaprender o que aprenderam na infância – ‘Não fale. Não sinta.
Não confie.’, e isto é um obstáculo enorme em potencial para a comunicação.

Contexto: diferenças culturais


■ Compreende-se que as diferentes culturas e os diferentes grupos socioeconômicos
possuem maneiras diferentes de ver a família.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

O FUTURO
■ Que a equipe de aconselhamento aumente o número de voluntários, para aumentar a
capacidade do que podemos oferecer à comunidade.
■ Seminários de um dia para igrejas, agências e governo local.
■ Apresentações para escolas – Luton Churches Educational Trust – sobre a violência
doméstica.
■ Produzir pequenos livros para famílias sobre um membro familiar que foi abusado
sexualmente, etc.
■ Começar o aconselhamento de crianças e adolescentes, quando o conselheiro infantil
tiver terminado o programa de treinamento.
■ Promoção do programa através de um concerto de gospel (canto religioso da
comunidade negra) para caridade.

Questões para ■ Como e por que o Family Matters trabalha em rede com outras organizações locais,
reflexão nacionais e internacionais, inclusive organizações de outros setores? (PRINCÍPIO 6.4)
■ Que tipo de trabalho em rede aumentaria a eficácia de seu programa?
■ Como e por que o Family Matters considera o contexto cultural e religioso da comunidade?
(PRINCÍPIO 6.5)
■ Você está ciente das diferenças culturais dos grupos minoritários étnicos em sua área?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

DR PETER SAVAGE
Centro Cristiano de
Asesoramiento Familiar
República Dominicana

ORGANIZAÇÃO
O Centro Cristiano de Asesoramiento Familiar (CECAF) é uma instituição de dez anos
que pertence à rede da Eirene, encontrada por toda a América Latina. O CECAF é
apoiado por sete denominações na República Dominicana e em Porto Rico e possui uma
junta, a qual é eleita anualmente.

O primeiro programa, Enfoques na Terapia Familiar, trabalha com 1.400 famílias


anualmente, com uma equipe de 13 membros. Todos os membros são cristãos, terapeutas
familiares e membros de afiliações de igrejas variadas. A equipe trabalha com crianças,
adolescentes, casais e famílias e possui um programa de aconselhamento para traumas.

O segundo programa é o Instituto de Relações Humanas, com quatro programas:


■ O Programa de Avaliação Familiar, com um programa de 15 meses e 18 cursos.
Atualmente, 50 cristãos maduros estão seguindo este programa.
■ O programa de mestrado e doutorado para terapeutas familiares com o apoio da
universidade. Atualmente, possui 120 estudantes, na maioria médicos, assistentes
sociais, psicólogos e pastores.
■ Cuidado Pastoral da Igreja do Lar, que é um programa de mestrado para pastores.
Atualmente, 75 pastores estão estudando neste programa de 40 horas, o qual dura dois
anos, com dez encontros de treinamento.
■ Programa de Liderança no Desenvolvimento Rural, o qual enfoca certos tipos de
famílias e sua contribuição com a estrutura social da comunidade.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

CONTEXTO
A República Dominicana possui uma história de 500 anos, desde o massacre dos índios,
seguido do conflito entre os espanhóis e os ingleses, até a quantidade enorme de escravos
trazidos para o país pelos holandeses e portugueses. Todos os escravos foram libertos quase
200 anos atrás, porém a herança emocional continua na forma de atitudes e estruturas
familiares. O país passou por várias invasões e ditadores cruéis. A dor, o ressentimento, a
insegurança e a incerteza são reciclados. O presente está impregnado com o passado.

DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA


Temos um compromisso com os mais pobres entre os pobres e o tipo de família
Levamos quatro
constituída de três gerações de mães que reciclaram a violência – mulheres que sofreram a
anos para
presença de dois ou três homens em suas vidas, deixando-as no meio da violência
aprendermos emocional e física. Cada uma delas tem de um a dois filhos de cada homem. Começamos
com estas 30 trabalhando com 30 famílias em La Victoria e estamos, agora, considerando a
mulheres e suas possibilidade de trabalhar em 25 cidades e povoados na República Dominicana. Levamos
famílias como quatro anos para aprendermos com estas 30 mulheres e suas famílias como desenvolver
desenvolver uma uma abordagem holística de suas necessidades. O trabalho em grupo envolve cuidar das
abordagem crianças, educação corretiva e indústrias domésticas.
holística de suas
Identificamos dez tipos diferentes de famílias nas várias sub-culturas da República
necessidades.
Dominicana. Estamos, agora, realizando estudos aprofundados em cada área do país.
Estamos, também, estudando famílias com membros alcoólatras e trabalhando com o
Instituto da Sexualidade Humana, o qual realizou uma ampla pesquisa sobre a
sexualidade, o HIV/AIDS (SIDA) e a prostituição.

Cada família é estudada utilizando-se árvores genealógicas e examinando-se a maneira


como os membros familiares interagem entre si. A linhagem, então, torna-se mais
importante do que o puro indivíduo. As maldições e as bênçãos descritas em
Deuteronômio são levadas a sério. Quando examinamos a violência familiar, examinamos
a maneira como é mantida na família, muitas vezes, por várias gerações.

Questões para ■ Como o CEFAF considera o contexto social, histórico e político da comunidade das crianças?
reflexão (PRINCÍPIO 6.1)
■ Como o contexto social, histórico e político afeta a maneira como você trabalha?
■ Que tipo de conscientização há dentro do CECAF da base bíblica para seu ministério e
como isto afeta seu trabalho? Como eles utilizam a oração? (PRINCÍPIO 7.2)
■ Sua organização explorou o que a Bíblia diz sobre as crianças e as questões com as quais
você precisa lidar? Como você encontraria tempo para examiná-las em equipe?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

TOM BEARDSHAW
Care for the Family
Cardiff, Reino Unido

ORGANIZAÇÃO
A Care for the Family foi iniciada em 1988 por Rob Parsons, um professor e advogado
graduado. Ela é uma organização nacional que visa fortalecer a vida familiar e ajudar as
pessoas que sofrem devido ao desmembramento familiar. A Care for the Family possui sua
matriz em Cardiff, no País de Gales, com mais de 50 funcionários, e escritórios regionais
no sudeste e no oeste da Inglaterra, na Irlanda do Norte e no País de Gales e especializa-se
na produção de livros, vídeos, seminários e outros recursos de alta qualidade sobre a vida
familiar.

CONTEXTO
A Care for the
As famílias no Reino Unido estão passando por um stress enorme em seus
Family procura
relacionamentos. Seja por pobreza ou excesso de trabalho, infertilidade ou um número
resolver excessivo de filhos, muitas pessoas estão achando difícil desenvolver relacionamentos
situações familiares fortes e estáveis. A Grã-bretanha possui o segundo índice mais alto de divórcios
familiares da Europa, e espera-se que aproximadamente 40 por cento dos primeiros matrimônios
individuais e termine em divórcio. Muitos pais têm dificuldade em lidar com as exigências de seu papel
questões e procuram ajuda de outros pais e organizações como a Care for the Family. Muitas vezes,
culturais mais as imagens culturais populares degradam a vida familiar e subestimam a importância do
gerais através de matrimônio e do papel dos pais. A Care for the Family procura resolver situações
seus recursos, familiares individuais e questões culturais mais gerais através de seus recursos, defesa de
defesa de direitos direitos e trabalho com a mídia.
e trabalho com a
mídia. DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA
A Care for the Family realiza vários tipos de projeto diferentes para suprir uma variedade
de necessidades na vida moderna.

Apoiando e fortalecendo o matrimônio e o papel dos pais

Através de uma variedade de recursos produzidos na forma de livros, fitas cassetes e vídeos,
a Care for the Family incentiva os adultos em seus relacionamentos matrimoniais e em seu
papel de pais. Estes recursos oferecem conselhos práticos em questões como sexo, finanças,
comunicação, manejo de conflitos e stress, incentivando as pessoas a levar a sério seus
compromissos e responsabilidades como pais.

O curso de princípios para pais recentemente produzido, chamado Parentalk, está sendo
utilizado por um grande número de igrejas, centros comunitários, autoridades locais e
outros serviços, a fim de reunir pais para explorarem questões relacionadas com o seu

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

papel. Este trabalho visa promover o desenvolvimento de uma comunidade interessada


entre os pais, equipando-os com as habilidades e o incentivo de que necessitam.

A Care for the Family viaja constantemente pelo Reino Unido com uma série de
seminários, em que os funcionários conversam com grupos de até 2.000 pessoas de uma
só vez sobre princípios para desenvolver relacionamentos familiares sadios.

Oferecendo aconselhamento para quem o necessita


A Care for the Family oferece apoio por telefone e por correspondência para as pessoas
que necessitam de auxílio direto com dificuldades específicas em sua vida familiar. O
serviço é coordenado por um conselheiro cristão altamente treinado, que faz parte do
quadro de pessoal. Procuramos resolver uma variedade enorme de questões, muitas vezes
encaminhando as pessoas que nos procuram a serviços localmente disponíveis em suas
áreas. A Care for the Family também opera uma Linha Telefônica de Apoio Confidencial
para Líderes de Igrejas que precisem falar com alguém sobre dificuldades em sua própria
vida familiar.

Eventos residenciais
A Care for the Family realiza uma série de eventos residenciais anualmente sobre uma
variedade de assuntos. As férias Aventuras para Pais foram criadas para um pai e um filho,
a fim de lhes dar a oportunidade de desenvolver seu relacionamento no contexto de umas
férias com atividades externas. As férias Tire uma Folga são parecidas, mas são subsidiadas
e especificamente criadas para pais sem cônjuges e suas famílias. Pais Interessados são
eventos residenciais em hotéis de curta duração para pais em circunstâncias
especificamente difíceis, em que eles são reunidos com especialistas e outras pessoas em
situações semelhantes. Algumas das questões são deficiências e doenças, famílias adotivas,
crianças com distúrbios alimentares e dificuldades sociais, e perda de um ente querido.

Trabalho em rede e defesa de direitos


A Care for the Family tem promovido redes para vínculos entre cristãos que trabalham em
educação para o matrimônio e para a maternidade/paternidade. Promovendo o
Matrimônio e Promovendo o Papel dos Pais, ambas organizadas pela Care for the Family,
consistem de organizações cristãs menores, que se encontram a intervalos regulares, para
compartilharem e discutirem questões relevantes. A Care for the Family participa de
debates sobre políticas da política nacional e trabalha em conjunto com o departamento
de políticas públicas da organização afim CARE, para assegurar que as questões que
afetam a família sejam constantemente analisadas nos debates políticos. Ela também
participa de debates contínuos sobre o apoio à família existentes entre organizações, igrejas
e comunidades no Reino Unido e promove questões familiares na mídia de maneira ativa.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

O FUTURO
A Care for the Family está trabalhando, a fim de melhorar e expandir sua base de
colaboradores e desenvolver o trabalho de seus representantes regionais em áreas locais. Ela
pretende trabalhar no desenvolvimento de sua capacidade de levar as questões até a mídia
e contribuir com o debate cultural mais amplo sobre o matrimônio e a vida familiar. A
Care for the Family tem trabalhado, também, em vários projetos de ação social inovadores
a respeito de questões, tais como o papel do pai e o papel dos avós, e está procurando
estabelecer uma rede de pais que perderam um ente querido. Em termos gerais, seu
objetivo é expandir seu ministério pelo mundo secular, trazendo os valores e a sabedoria
das tradições cristãs para a vida familiar.

Questões para ■ Como a Care for the Family considera o contexto social, histórico e político da comunidade
reflexão infantil? (PRINCÍPIO 6.1)
■ Como a sua organização considera a comunidade infantil na maneira como lida com as
crianças e as famílias?
■ Qual é a base bíblica do ministério da Care for the Family, e como eles vêem a importância
da oração? (PRINCÍPIO 7.2)
■ Você considerou a base bíblica para seu ministério? Como você pode explorar o que as
Escrituras têm a dizer sobre o papel da família e da criança?

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PETE ANDREWS,
ELIJA KANAMUGIRE
Programa para Órfãos:
Inkuru Nziza Church
Kigali, Ruanda

ORGANIZAÇÃO
A Igreja Inkuru Nziza (Boas Novas) está estabelecida em Ruanda desde 1960. Seu centro
administrativo localiza-se no meio de Kigali. A igreja tem continuado a crescer, com várias
igrejas tanto em Kigali como também fora, nas áreas rurais.

CONTEXTO
O vírus HIV abalou muitas famílias em Ruanda, sendo que 25 por cento dos adultos em
Kigali são HIV+. Isto resultou num alto número de órfãos. A guerra dos últimos anos e,
As crianças especialmente, o genocídio de 1994, aumentou ainda mais o problema.
possuirão um
O objetivo do projeto é preservar a unidade familiar. A filosofia é que as crianças possuirão
senso de
um senso de identidade melhor vivendo com os membros sobreviventes de sua própria família
identidade
ao invés de num orfanato. Assim o projeto procura apoiar a família, suprindo algumas de suas
melhor vivendo necessidades básicas. A família geralmente possui alguém classificado como o responsável, o
com os qual pode ser um dos pais ou dos avós, uma tia, um tio, um irmão ou irmã mais velha ou um
membros tutor temporário sobrevivente.
sobreviventes
de sua própria
família ao invés DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA
de num Um aspecto importante do projeto é o pequeno sistema de patrocínio organizado de maneira
orfanato. privada, em que uma ou mais das crianças são sustentadas através de uma quantia de dinheiro
regular. Como nosso projeto começou como resultado da epidemia da AIDS (SIDA),
estávamos ansiosos por apoiar a saúde das famílias, especialmente as pessoas HIV+. Achamos
que a educação dos órfãos era vital, pois a maioria delas continuaria a viver na cidade e
precisaria, portanto, ser educada adequadamente. Esperava-se que maioria das famílias
continuasse a viver onde quer que estivessem, quando recebidas no projeto. Os funcionários
do projeto incluem assistentes sociais, os quais são responsáveis por cuidar das crianças dentro
do projeto e são viúvas ou tutores temporários.

Comunidades abrigadas

Durante os últimos anos, foi desenvolvido um sistema de comunidades abrigadas, em que as


famílias mais vulneráveis podem viver próximas umas às outras. Foram comprados dois
terrenos dentro das áreas residenciais de Kigali, onde foram construídas casas. O primeiro
terreno, por exemplo, agora, oferece moradia para pais que são HIV+, viúvas devido ao

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

genocídio, lares chefiados por crianças, avós e uma família completa com marido, mulher e
filhos, a qual serve de modelo e supervisora. As casas nestas comunidades são típicas do tipo
encontrado em Kigali, com uma sala de estar e um, dois ou três dormitórios. O banheiro, a
área de serviço e a cozinha são compartilhados por todos os que vivem na comunidade. Foi
construído um muro ao redor da propriedade, para dar uma sensação de segurança. Embora
o propósito da comunidade abrigada seja ajudar as pessoas mais vulneráveis, procurou-se
combinar pessoas vulneráveis com pessoas capazes, de maneira que haja apoio, e que este
possa ser oferecido por uns e recebido por outros.

O FUTURO
O futuro do projeto parece seguro, pois há uma boa base de patrocínio, que ajuda 160 das
350 crianças. Como há crianças de cada uma das 100 famílias no sistema de patrocínio, não
há nenhuma diferença entre as que recebem dinheiro e as que não o recebem, pois o
dinheiro é entregue ao chefe da família. Um dos mais recentes incentivos foi o número de
crianças auxiliadas a continuarem sua educação secundária (cerca de 35), as quais são
financiadas principalmente pelo patrocínio.

Todos os chefes de família são incentivados a trabalhar para receberem um salário, e a


maioria deles faz um pouco de comércio no mercado. Há um excesso de dinheiro
proveniente do patrocínio, assim, cada criança possui uma conta, o que significa que pode
ser dada uma quantia de dinheiro, quando considerado necessário, para fins como a compra
do estoque inicial para venda.

Questões para ■ Como a Igreja das Boas Novas vê a importância de envolver os pais, as famílias, os
reflexão responsáveis pelo cuidado e outras pessoas relevantes e causar um impacto sobre eles no trabalho
com as crianças? (PRINCÍPIO 6.2)
■ Qual é a importância para você de envolver os pais, as famílias e os responsáveis pelo cuidado?
■ De que maneiras as necessidades das crianças são consideradas na Igreja das Boas Novas no
contexto social de sua comunidade? (PRINCÍPIO 6.1)
■ Como o contexto social de sua comunidade afeta a maneira como o seu programa atende às
necessidades das crianças?

FIG 1
CRIANÇAS NUMA
COMUNIDADE
ABRIGADA, KIGALI
Foto: Richard Hanson

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

GLADYS MWITI,
FUNDADORA
Oasis Counselling Centre
and Training Institute
Nairobi, Quênia

ORGANIZAÇÃO
O Oasis Counselling Centre and Training Institute é uma organização de aconselhamento
e treinamento profissional nativa fundada por Gladys e Gershon Mwiti em janeiro de
1990. Gladys é psicóloga de aconselhamento, e seu marido, Gershon, é engenheiro civil,
tendo recebido um chamado para o evangelismo 18 anos atrás. O resto dos funcionários
do Oasis consta de oito pessoas trabalhando tempo integral, uma equipe de treinamento
de até 25 instrutores profissionais de tempo parcial e uma junta de oito pessoas.

CONTEXTO
Embora o Oasis tenha começado como uma pequena organização em Nairobi, no
Quênia, seu trabalho, agora, é apreciado por muitas pessoas em várias partes da África e
As igrejas fora dela. A motivação para este ministério originou-se de uma necessidade enorme no
continente hoje em dia, resultante da separação de comunidades intimamente ligadas. À
deveriam atuar
medida que a família extensa se desintegra e as comunidades se espalham devido à
como
mudança e à urbanização, as estruturas que costumavam manter as pessoas unidas estão
comunidades que
sucumbindo. Resta, então, somente a Igreja como grupo social principal, onde as pessoas
oferecem apoio podem procurar por um lugar a que pertencer. No entanto, muitas igrejas pregam o
não somente aos evangelho, mas não conseguem relacionar a palavra de Deus com a prática na vida diária.
membros, mas, Muitas igrejas, também, não se dão conta de que deveriam atuar como comunidades que
também, a todos oferecem apoio não somente aos membros, mas, também, a todos na localização
na localização geográfica onde estão situadas.
geográfica onde
O Oasis desejou, desde o início do trabalho com a liderança e a comunidade, oferecer
estão situadas.
habilidades para cuidar e aconselhar, especialmente para os mais vulneráveis entre nós – as
crianças e os jovens da África. O Oasis procura preencher esta lacuna com seminários de
treinamento para líderes de igrejas e de comunidades, diretores de escolas, empregadores,
casais casados e pais, conscientizando as pessoas sobre alguns dos desafios sociais
enfrentados por elas. Há, também, convites para visitarem-se escolas, igrejas e
comunidades, e falar-se sobre questões pertinentes. Por exemplo, as associações de pais e
mestres de escolas, muitas vezes, solicitam palestras sobre relacionamentos entre pais e
filhos, motivação da criança, como ajudar as crianças a lidar com o stress dos exames, uso
e abuso de drogas e bebidas alcoólicas, escolha de carreiras para as crianças, etc. As igrejas
solicitam seminários sobre o matrimônio e a família, aposentadoria, manejo e
administração financeira, prevenção, manejo e cuidados do HIV, etc.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

O Sr. e a Sra. Mwiti acreditam que faltam pessoas transformadas na África. Muitas podem
possuir diplomas universitários, mas possuem um vácuo em termos de valores pessoais e
habilidades de relacionamento. Integridade, persistência, auto-sacrifício, autocontrole,
disciplina pessoal, empenho para alcançar a excelência, maturidade individual,
moralidade, interesse pelos outros, coragem para ser diferente, fé, ética no trabalho,
clareza, patriotismo, lealdade, paciência, tolerância, sabedoria e outros valores que não
possuímos em nosso continente não podem ser obtidos nas salas de aulas das
universidades. Eles são uma herança passada de líderes para seguidores, de pais para filhos,
de pastores para ovelhas. Contudo, quando os próprios líderes são tão ignorantes quanto
as pessoas que lideram, de onde virá a salvação?

DEMONSTRANDO A BOA PRÁTICA


Aconselhamento profissional no centro

Os conselheiros profissionais atendem indivíduos (homens, mulheres, jovens e crianças),


casais e famílias – todos com problemas psicológicos, emocionais, de relacionamento e de
comportamento variados. Alguns simplesmente vêm com o desejo de enriquecer suas
vidas, enquanto outros visitam o centro para receber aconselhamento pré-matrimonial.

Aconselhamento/treinamento preventivo

Nossa A abordagem da Sra. Mwiti do aconselhamento na África, desde o início, tem sido a
abordagem do ênfase na prevenção, ao invés do tratamento. Ela está convencida de que muitos são
aconselhamento “destruídos por falta de conhecimento” (Oséias 4:4). Ela acredita que, equipando-se e
ensinando-se as pessoas, é possível impedir-se a desintegração social enfrentada pela África
na África tem
atualmente. Os seminários anuais possuem os seguintes alvos:
sido a ênfase na
prevenção, ao ■ Seminário de Treinamento Regional para Indivíduos que Trabalham com Crianças
invés do em Risco. Infelizmente, percebemos, no início dos anos 90, que muitas pessoas que
tratamento. trabalham com crianças em orfanatos, programas com crianças de rua, lares residenciais
para crianças com AIDS (SIDA) e crianças desacompanhadas em situações de guerras e
conflitos, etc, não possuem nenhum treinamento no cuidado destas crianças. Estamos
procurando preencher esta lacuna.

■ Seminário de Treinamento Regional para Coordenadores de Programas de


Desenvolvimento da Mulher. Nossa preocupação é que muitas organizações na África
tomam emprestado um modelo de desenvolvimento rotulado como Empoderamento da
Mulher. Os projetos patrocinados pelo Ocidente enfatizam que as mulheres devem
controlar as finanças e tomar as decisões nestes projetos. Porém, esta filosofia pode fazer
mais mal do que bem. Todo o trabalho é realizado por mulheres. Elas misturam o
cimento, constroem as unidades de pasto zero, carregam pedras e tábuas, alimentam suas
vacas leiteiras, entregam leite às 3 horas da madrugada e fazem todo o trabalho árduo. Ao
mesmo tempo, estas mesmas mulheres continuam a plantar alimento, juntar lenha e
alimentar suas famílias. Os homens e os filhos não participam.

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Enquanto isto, a maioria dos homens e os filhos passam o dia no mercado local, vadiando
e bebendo. Alguns estão nas cidades, procurando empregos ilusórios. Realmente, quando
o doador vem, ele não procura os homens. Ele se encontra e planeja com as mulheres.
Nesse meio tempo, os matrimônios acabam. A tensão desgasta qualquer paz familiar que
algum dia tenha existido. Os homens, acusados de falta de responsabilidade, tornam-se
ainda mais irresponsáveis. Alguns se tornam violentos, quando o novo poder das mulheres
os ameaça, aumentando sua incapacidade. Num ambiente tão cheio de stress, as crianças
sofrem negligência e abuso.

No Oasis, reunimos os coordenadores destes programas. Escutamos os estudos de casos de


seus projetos e discutimos os efeitos que estes programas estão causando na comunidade.
Ensinamos, então, os papéis equilibrados do homem e da mulher com base nos valores
bíblicos. Transmitimos habilidades de liderança, além de valores matrimoniais e familiares.
Discutimos as necessidades dos jovens e das crianças e como as famílias podem ser
equipadas para satisfazerem estas necessidades. O grupo também examina métodos de
mobilização da comunidade, seu envolvimento no desenvolvimento e na prática da ética
bíblica no trabalho. Finalmente, os participantes planejam como irão incorporar o novo
conhecimento em seus programas de origem, quem será envolvido e como, etc.

Estamos convencidos de que, para que o desenvolvimento na África tome impulso, é


Para que o
necessário que se escutem as pessoas e que haja envolvimento, treinamento e mobilização
desenvolvimento de crianças, jovens, homens e mulheres. Fazê-lo somente com as mulheres desestabiliza
na África tome um equilíbrio já instável, criando um caos ainda maior. Estamos cientes de que várias
impulso, é organizações estão, atualmente, introduzindo o equilíbrio entre os papéis do homem e da
necessário mulher no desenvolvimento, mas é necessário fazer mais do que isso, treinando cada um
que se escutem dos sexos para realizar seu papel e realizá-lo bem.
as pessoas
■ Seminário de Treinamento Regional para Conselheiros Juvenis. 60% da população
e que haja
africana são jovens abaixo dos 25 anos de idade. No entanto, as gerações são, muitas vezes,
envolvimento,
confundidas, pertencendo a dois mundos, quando se afastam de suas raízes culturais, ao
treinamento e
procurarem alcançar uma cultura ocidentalizada indefinida. Os sistemas tribais, que
mobilização de costumavam socializar e ensinar as crianças, são desconhecidos de muitos jovens que são
crianças, jovens, ensinados conforme a educação ocidental. Esta educação proporciona-lhes um
homens e conhecimento acadêmico, mas, muitas vezes, não oferece os valores e as normas que
mulheres. constituem uma personalidade harmoniosa. Muitas igrejas pregam o Evangelho, mas os
pastores não são capazes de planejar programas que equipem os jovens para a vida. A falta
de valores resultante desta deficiência torna os jovens presas fáceis das drogas, das bebidas
alcoólicas, da imoralidade sexual, do crime e das gangues, da gravidez na adolescência, do
aborto, do HIV e da AIDS (SIDA).

Ciente desta necessidade, através de muitos anos de trabalho com jovens, o Oasis treina e
equipa líderes juvenis, pastores, professores, orientadores e conselheiros para planejarem
programas eficazes de aconselhamento e treinamento para jovens. Em setembro de 1998, a
Evangel Publishing House, em Nairobi, publicou o livro da Sra. Mwiti, Moving on
Towards Maturity. Este é um manual, que oferece um programa de treinamento e
aconselhamento completo para jovens, a fim de preparar os conselheiros/trabalhadores
juvenis de maneira sistemática, para que eles possam treinar e equipar adolescentes para

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

que amadureçam (este livro pode ser encomendado através da Evangel Publishing House,
Nairobi).

O conselheiro juvenil deve incentivar o pastor (para ensinar a Doutrina da Igreja), os pais
(para treinarem em termos de expectativas familiares), a comunidade (para oferecer apoio
e a sensação de se pertencer a um lugar para o grupo juvenil), etc. O treinamento é uma
questão da comunidade/igreja/família, com uma graduação por grupo etário no final da
cerimônia, com a participação de todos estes grupos. No final do treinamento do Oasis, o
conselheiro juvenil planeja como incorporará estas idéias no programa existente, ou como
iniciará um novo programa. O envolvimento da comunidade e da igreja oferece uma
sensação de se pertencer a um lugar, especialmente para crianças provenientes de famílias
problemáticas. Dentro do ambiente da igreja e através do conselheiro juvenil, os jovens
carentes encontram adultos que estão preparados para servirem de mentores e pais
espirituais.

Questões para ■ Quais são os aspectos fundamentais do treinamento que o Oasis utiliza para desenvolver as
reflexão habilidades de comunicação com as crianças e suas famílias? (PRINCÍPIO 4.2)
■ Como você se assegura de que seus funcionários sejam treinados e possuam experiência na
comunicação com as crianças?
■ Como o Oasis envolve a comunidade de origem das crianças e causa impacto nela?
(PRINCÍPIO 6.3)
■ Que tipo de relacionamento sua organização possui com a comunidade das crianças e como
ele poderia ser desenvolvido ainda mais?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO
para pessoas
que trabalham
com crianças

SEÇÃO 4
A Ferramenta de
Questionamento
Reflexivo

Conteúdo
Princípio 1 Desenvolvendo relacionamentos 55

Princípio 2 Responsabilidades dos pais 55

Princípio 3 Trabalhando em níveis diferentes 56

Princípio 4 Identificando necessidades e prioridades 56

Princípio 5 Participação das crianças 56

Princípio 6 Crianças no contexto 57

Princípio 7 Defesa de direitos 57

Princípio 8 Indicadores sensíveis às necessidades da criança 58

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

A Ferramenta de
4 Questionamento Reflexivo
Esta Ferramenta de Questionamento Reflexivo pode ser utilizada por
qualquer programa que esteja trabalhando com crianças e o
desmembramento familiar. A ferramenta foi criada para permitir que os
indivíduos e os grupos avaliem seu próprio programa, refletindo sobre os
princípios da boa prática descritos na Estrutura do Desenvolvimento
Infantil.

PRINCÍPIO 1 DESENVOLVENDO
RELACIONAMENTOS
■ Como é dada prioridade para o desenvolvimento de
relacionamentos – com a criança, a família, a
comunidade, a organização ou instituição e entre as
organizações?
■ Como a dinâmica do relacionamento é compreendida e fortalecida:
• entre pais
• entre pais e filhos
• com outros parentes (por exemplo, irmãos, avós)
• dentro da comunidade
• entre organizações?

PRINCÍPIO 2 RESPONSABILIDADES DOS PAIS


■ Como o programa incentiva o desenvolvimento das responsabilidades dos
pais em relação aos filhos e uma comunidade interessada e adequada à
criança?
■ As responsabilidades tanto dos pais quanto dos filhos são levadas em
consideração, assim como as da comunidade local e mais ampla,
especialmente em época de vulnerabilidade?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 3 TRABALHANDO EM NÍVEIS


Que
DIFERENTES nível?
■ Em que nível (níveis) o programa trabalha e como ele
considera os outros níveis?

• Individual • Mesmo grupo social


• Familiar • Organizacional/Institucional • Comunitário
• Nacional • Políticas/Político • Espiritual

PRINCÍPIO 4 IDENTIFICANDO NECESSIDADES


E PRIORIDADES
■ Como as necessidades das crianças (e dos pais) são
identificadas? Como as crianças e os pais foram escutados e
envolvidos?
■ Há uma compreensão da distribuição de recursos (dinheiro,
educação, alimento, trabalho, etc) dentro do lar e seus efeitos sobre a dinâmica da
família? As crianças são envolvidas na pesquisa destas informações?
■ Que experiências e treinamento os funcionários possuem na comunicação com as
crianças e suas famílias e na facilitação da participação das crianças e dos pais?
■ Como o programa procura satisfazer os aspectos espirituais, físicos, mentais,
emocionais e sociais do desenvolvimento da criança (inclusive os aspectos educacionais
e vocacionais)?

PRINCÍPIO 5 PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS


■ Como o programa leva em consideração as capacidades dos
pais e dos responsáveis pelo cuidado das crianças, assim como
as necessidades?
• Capacidade, ao invés da deficiência ou incapacidade
• Capacidade de se recuperar de mudança ou traumas, assim
como a vulnerabilidade
• Inexistência de preconceito com base em sexo, idade, quem são os
pais, ordem de nascimento, etnia, casta ou classe social, religião ou deficiência.
■ Como os adultos escutam e colaboram com as crianças, de acordo com sua idade
e capacidade, de forma individual e coletiva, em aspectos que as afetam?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 6 CRIANÇAS NO CONTEXTO


■ Até que ponto as crianças e os pais são considerados no contexto
social, político e histórico de sua comunidade?
■ Como as mães e os pais, os responsáveis pelo cuidado da criança e as
famílias são envolvidas, e como é causado impacto neles?
■ Como a comunidade da criança é envolvida e como é causado um
impacto positivo nela?
■ De que maneira são desenvolvidos vínculos (trabalho em rede) com outras agências e
organizações locais, nacionais e internacionais, inclusive as de outros setores?
■ Como o contexto cultural e religioso da criança, da família e da comunidade é levado
em consideração?

PRINCÍPIO 7 DEFESA DE DIREITOS


■ De que maneiras o programa realiza lobby com as crianças e
suas família ou em seu nome a nível local, nacional ou
internacional?
■ Os funcionários do programa estão cientes da importância da
Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas e outras
questões e convenções de direitos humanos?
■ Quais são os obstáculos enfrentados pelo trabalho de defesa de direitos? Como estes
podem ser superados?
■ Há diálogo com os pais e os responsáveis pelo cuidado da criança, para que eles possam
tomar decisões sábias e representar os interesses de suas famílias?
■ Há diálogo com as crianças, para que, com base em sua idade e suas capacidades, elas
possam tomar decisões sábias e representar a si mesmas e às outras crianças?
■ Até que ponto os funcionários do programa estão cientes da base bíblica da defesa de
direitos para as crianças e a importância da oração?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

PRINCÍPIO 8 INDICADORES SENSÍVEIS ÀS


NECESSIDADES DAS CRIANÇAS
■ Como o programa mede o impacto de seu trabalho nas
crianças e em suas famílias? Os indicadores medem o impacto
de maneira quantitativa, assim como qualitativa?
■ Estes indicadores mostram de que maneira o programa causa impacto nas vidas e no
meio ambiente das crianças e de suas famílias? As informações são divididas em grupos
por idade e por sexo?
■ Como os pais, os responsáveis pelo cuidado das crianças e as crianças (de acordo com
sua idade e suas capacidades) são envolvidos na avaliação de criança e do cuidado
oferecido?
■ Como o programa reflete e utiliza os resultados da avaliação?

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

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Boa prática DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO
para pessoas
que trabalham
com crianças

SEÇÃO 5
Referências e Recursos

Conteúdo
O que ler 63

Com quem entrar em contato 66

Como encomendar 68

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DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Referências e Recursos
5 Textos
O QUE LER
Browning, D (1999) Christian Ethics and the Family Debate: an overview, artigo da
fundamentais Universidade de Chicago, do International Journal of Practical Theology. Pode ser
encontrado em seu website (veja abaixo)
• Uma visão geral excelente.

Clapp, R (1993) Families at the Crossroads: beyond traditional roles and modern options,
Downers Grove, Intervarsity Press, Illinois, EUA. ISBN 0 8308 1655 0
• Um importante livro sobre a família em constante mudança no mundo mais
desenvolvido.

Conway, HL (1998) Domestic Violence and the Church, Paternoster Press, Cumbria,
Reino Unido. ISBN 0 85364 817 4
• Estuda a reação da Igreja em relação à violência doméstica no Reino Unido.

Hill, C e Curtis, R (1998) Family Matters, Um relatório para o Secretário do Interior,


ministro e membro do parlamento Jack Straw, julho de 1998. Grupo de Proteção à Criança
e à Família dos Lordes e dos Comuns. ISBN 0 9533429 0 5. Publicado por The Centre for
Contemporary Ministry, The Park, Moggerhanger, Bedford, MK44 3RW, Reino Unido.
Tel. +44 (0)1767 641007, Fax: +44 (0)1767 641515, E-mail: ccm@the-park.u-net.com

UNICEF (1997) Children and Violence, Innocenti digest No 2 (podem ser obtidos até
25 exemplares gratuitamente através de Distribuition, International Child Development
Centre, Piazza SS, Annunziata 12, 50122 Firenze, Itália. Tel: +39 55 234 5258,
Fax: +39 55 244 817, E-mail: krigoli@unicef-icdc.it

Wright, CJH (1997) God’s People in God’s Land, capítulo 7, pg. 222 em diante, Paternoster
Press, Cumbria, Reino Unido. ISBN 0 86364 808 5

Outros textos Alsdurf, J e P (1990) Battered into Submission, Highland, Crowborough, E Sussex,
Reino Unido.

Andrews, B e Brown, GW (1988) British Journal of Psychiatry 153:305-312

Barton, SC (1993) Towards a Theology of the Family, Crucible. Board for Social
Respnsibility. Janeiro-março de 1993
• Considerações introdutórias com diferentes perspectivas da tradição da igreja.

Barton, SC (Ed.) (1996) The Family in Theological Perspective, T&T Clark, Edinburgh,
Reino Unido. ISBN 0 567 08522 8
• Uma pesquisa acadêmica das famílias e das crianças no pensamento e na vida cristã.

V O L U M E 1 : C R I A N Ç A S E O D E S M E M B R A M E N T O FA M I L I A R 63
DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Blankenhorn, D (1995) Fatherless America: confronting our most urgent social problem,
Nova York, Basic Books
• Texto fundamental sobre a falta do pai nos países mais desenvolvidos.

Bruce, J, Lloyd, CB e Leonard, A (1995) Families in Focus: new perspectives on mothers,


fathers and children, Nova York, The Population Council, pg. 14–20

Callouste Gulbenkian Foundation (1995) Children & Violence, Relatório da Comissão


sobre Crianças e a Violência, organizada pela Gulbenkian Foundation. Callouste
Gulbenkian Foundation. ISBN 0 903319 75 6
• Relatório baseado em pesquisa sobre crianças e a violência no Reino Unido.

Cockett, M e Tripp, J (1994) The Exeter Family Study: family breakdown and its impact on
children, Family Policy Study Centre. ISBN 0 85989 473 8 (pode ser obtido através de
FPSC – veja abaixo)
• Analisa pesquisas de resultados de crianças que passam por problemas familiares e/ou
vivem com um dos pais sem cônjuje.

Daly, M e Wilson, M (1988) Homicide, Nova York, Aldine de Gruyter, pg. 86–90

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Hoghughi, Masud et al (1998) Working with Sexually Abusive Adolescents, Sage Publishers

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ISBN 2 8254 1133 7

McClung, F (1985) The Father Heart of God, Kingsway Publications, Eastbourne,


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• Um exame evangélico de Deus, o Pai.

McFayden, A (1996) The Abuse of the Family, em Pyper, H S (Ed.), The Christian Family
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• Perspectiva católica sobre a família.

McLanahan, S e Sandefur, G (1994) Growing up with a Single Parent, Cambridge,


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Pyper, HS (Ed.) (1996) The Christian Family – a concept in crisis, baseado numa série de
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• Inclui estudos sobre a família nos tempos bíblicos e a igreja em seus primeiros dias,
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American home, Berkeley, University of California Press

Weitzman, LJ (1985) The Divorce Revolution: the unexpected social and economic
consequences for women and children in America, Nova York, The Free Press

Widom, CS (1989) Psychology Bulletin 106:3–28

Wolfe, DA, Jaffe, P, Wildon, S e Jaffe, P (1986) Child Witness to Violence between Parents:
critical issues in behavioural and social adjustment, Journal of Consulting and Clinical
Psychology, 14 (1) pg. 95–104

Periódicos Child Abuse and Neglect, The International Journal (publicação da ISPCAN – veja abaixo)
ISSN 0145-2134, Pergamon, Elsevier Customer Service Department, PO Box 211,
1001 AE Amsterdam, Holanda. Tel: +31 20 485 3757, Fax: +31 20 485 3432,
E-mail: nlinfo-f@elsevier.nl ou mary.roth@uchse.edu

V O L U M E 1 : C R I A N Ç A S E O D E S M E M B R A M E N T O FA M I L I A R 65
DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Children and Society (publicação da National Children’s Bureau) ISNN 0951 0605, John
Wiley and Sons Ltd, 1 Oldhams Way, Bognor Regis, West Sussex, PO22 9SA,
Reino Unido, Tel: +44 (0)1243 843282, Fax: +44 (0)1243 843232,
Website: http://www.interscience.wiley.com

COM QUEM ENTRAR EM CONTATO


Barnardo’s Child Care Publications, Barnardo’s Trading Estate, Paycocke Road, Basildon,
Essex, SS14 3DR, Reino Unido. Tel: +44 (0)1268 520224, Fax: +44 (0)1268 284804

CARE (Christian Action Research & Education), 53 Romney Street, London,


SW1P 3RF, Reino Unido. Tel: +44 (0)20 7233 0455, Fax: +44 (0)20 7233 0983,
E-mail: mail@care.org.uk, Website: www.care.org.uk
• Oferece recursos sobre questões relacionadas com a família a nível pessoal e de defesa de
direitos com escolas e governo local e central (por exemplo, matrimônio, sexualidade,
papel dos pais).

Care for the Family, PO Box 488, Cardiff, CF1 1RE, Reino Unido.
Tel: +44 (0)29 2081 0800, Fax: +44 (0)29 2081 4089,
E-mail: Care.for.the.Family@dial.pipex.com
• Incentiva os matrimônios, auxilia pessoas que se encontram no meio do
desmembramento familiar e promove o papel dos pais e da vida familiar através de
seminários, livros e vídeos.

Christian Child Care Network, 10 Crescent Road, South Woodford, London, E18 1JB,
Reino Unido. Tel: +44 (0)20 8559 1133
• Procura atuar como ‘um meio de cooperação e desenvolvimento no cuidado cristão
com a criança e a família, um foro para a troca de idéias e uma fonte de apoio’.

Christian Link Association of Single Parents (CLASP), C/o Linden, Shorter Ave,
Shenfield, Essex, CM15 8RE, Reino Unido. Tel: +44 (0)1277 233848
• Incentiva e apoia pais solteiros cristãos (seja qual for o motivo ou a idade). Procura
incentivar a igreja sobre as questões e servir de vínculo para os membros.

Families Worldwide, 75 East Fort Union Blvd, Salt Lake City, UT 84047, EUA.
Tel: +1 801 562 6185, Fax: +1 801 562 6008, E-mail: LevineJA@aol.com,
Website: www.fww.org
• Incentiva e apoia famílias por todo o mundo.

Family Policy Studies Centre, 9 Tavistock Place, London, WDIH 9SN, Reino Unido.
Tel: +44 (0)20 7388 5900, Fax: +44 (0)20 7388 5600, E-mail: fpsc@mailbox.ulcc.ac.uk,
Website: http://www.vois.org.uk/fpsc
• O instituto secular acadêmico líder que analisa a família no Reino Unido.

Fatherhood Project, Website: www.fatherhoodproject.org


• Pesquisa e educação sobre questões relacionadas com o papel do pai.

V O L U M E 1 : C R I A N Ç A S E O D E S M E M B R A M E N T O FA M I L I A R 66
DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

Kings Communications, Meadow View, Startford Drive, Wooburn Green, Bucks,


HP10 0QH, Reino Unido. Tel: +44 (0)1628 523797, Fax: +44 (0)1628 533339
• Serviços de consultoria, cursos de treinamento sobre o abuso infantil, aconselhamento, etc.

International Society for the Prevention of Child Abuse & Neglect (ISPCAN),
200 North Michigan Ave, Suite 500/5th Floor, Chicago, IL 60601, EUA.
Tel: +1 312 578 1401, Fax: +1 312 578 1405, E-mail: ispcan@aol.com,
Website: http://www.ispcan.org
• Sociedade multidisciplinária que abrange serviços médicos, legais e de bem-estar,
educação, organizações terapêuticas ou voluntárias, pessoas que trabalham com pesquisa
e acadêmicos, sociologia, clero e outros, banco de dados especializado para faculdades,
conferências e relatórios.

Maranatha Ministries, c/o Beulah Place, Barra, Cumbria, CA17 4ES, Reino Unido.
Tel: +44 (0)1768 431732
• Trabalha lado a lado com igrejas de todas as denominações, a fim de incentivar e oferecer
materiais para compartilhar os ensinamentos cristãos sobre questões relevantes para pessoas
fora da Igreja (por exemplo, o papel dos pais e relacionamentos).

Movement for Christian Democracy, The Mayflower Centre, Vincent Street, London,
E16 1LZ, Reino Unido. Tel: +44 (0)20 7474 1142, Fax: +44 (0)20 7474 6405,
E-mail: mcdwest@globalnet.co.uk, Website: http://www/mcdpolitics.org
• Explora a família com uma perspectiva política.

National Center for Fathering, PO Box 413888, Kansas City, MO 64141, EUA.
Tel: +1 800 593 DADS, Fax: +1 913 384 4665, Website: www.fathers.com
• Organização de apoio para os pais e para aqueles que os apóiam.

National Children’s Bureau, 8 Wakely Street, London, EC1V 7QE, Reino Unido.
Tel: +44 (0)20 7843 6028/29, Fax: +44 (0) 20 7278 9512,
E-mail: booksales@ncb.org.uk
• Organização secular de pesquisas sobre todos os aspectos infantis e familiares.

National Council on Family Relations, 3989 Central Ave NE, Suite 550, Minneapolis,
MIN 55421, EUA. Tel: +1 612 781 9331, Fax: +1 612 781 9348,
E-mail: ncfr3989@ncfr.com, Website:www.ncfr.com
• Journal of Marriage & Family e Journal of Family Relations.

Positive Parenting Publications, c/o First Floor, 2a South Street, Gosport, Hants,
PO12 1ES, Reino Unido. Tel: +44 (0)1705 528787, Fax: +44 (0)1705 501111,
E-mail: Parenting@athene.co.uk, Website: http://www.athene.co.uk/parenting/
• Produz recursos para a educação dos pais de baixo custo e acessíveis para a população
menos alfabetizada. Criados para líderes de pequenos grupos e líderes cristãos.

Unite Communities for Children and Adolescents, Search Institute, Suite 210,
700 South Trivel Street, Minneapolis, MN 55415, EUA.

V O L U M E 1 : C R I A N Ç A S E O D E S M E M B R A M E N T O FA M I L I A R 67
DIRETRIZES PARA CRIANÇAS EM RISCO

University of Chicago, Divinity School, 1025 East Street 58th Street, Chicago, Illinois,
EUA. Tel: +1 773 9249, Fax: +1 773 7026044, E-mail: jwall@midway.uchicago.edu,
Website: http://www.uchicago.edu/divinity/family/
• Trabalhando num projeto de grande porte (O projeto Religião, Cultura e Família), com
ensaios úteis on-line.

COMO ENCOMENDAR Os Materias de Estudo sobre o


Desenvolvimento Infantil e as Diretrizes para Crianças em Risco
da Tearfund
Os Materiais de Estudo Sobre o Desenvolvimento Infantil é uma introdução para a Estrutura
Geral do Desenvolvimento Infantil da Tearfund, com uma compreensão bíblica desta.

As Diretrizes para Crianças em Risco, mais específicas à esta questão, consiste de seis volumes:
VOLUME 1 Crianças e o Desmembramento Familiar
VOLUME 2 Crianças e a Saúde Comunitária
VOLUME 3 Crianças e a Deficiência
VOLUME 4 Crianças e a Exploração e o Abuso Sexual
VOLUME 5 Crianças em Orfanatos e Alternativas
VOLUME 6 Crianças em Conflito e Guerra

Tanto os Materiais de Estudo Sobre o Desenvolvimento Infantil como os exemplares


individuais selecionados das Diretrizes para Crianças em Risco 1–6 podem ser obtidos
escrevendo-se para a Tearfund. Embora os Materiais de Estudo sejam enviados para todos,
para economizar dinheiro, impressão e custo da postagem, serão enviadas somente as
Diretrizes que forem solicitadas. Podem-se solicitar mais exemplares através da Tearfund, no
endereço abaixo:

The Children at Risk Team,


100 Church Road, Teddington,
Middlesex, TW11 8QE, Reino Unido.
Tel: +44 (0)20 8943 7757, Fax: +44 (0)20 8943 3594
E-mail: roots@tearfund.org

Esperamos que você goste da série Materiais de Estudo Sobre o Desenvolvimento Infantil.
A Tearfund, até agora, já produziu três outros pacotes de materiais de estudo semelhantes
sobre os princípios da boa prática na Defesa de Direitos, HIV/AIDS(SIDA) e Desenvolvi-
mento Comunitário de Saúde, os quais podem ser obtidos através do mesmo endereço.

Se você tiver sugestões sobre informações que, na sua opinião, deveriam ser
incluídas/omitidas e/ou como o pacote poderia ser melhorado, inclusive recursos mais
adequados para a região, por favor, envie-as para o endereço acima.

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