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FUNDAÇÕES PROFUNDAS

Introdução

DEFINIÇÃO:
Fundações Profundas são aquelas cujo mecanismo de ruptura de base não atinge a superfície do
terreno. A NBR 6122 considera fundação profunda aquela cuja base está implantada a mais de
duas vezes sua menor dimensão, e a pelo menos 3 m de profundidade, projetada para transmitir
a carga ao terreno pela base (resistência de ponta), pelo fuste (resistência de atrito lateral) ou
por uma combinação das duas. As fundações profundas dividem-se em três categorias: estacas,
tubulões e caixões.

CLASSIFICAÇÃO DAS FUNDAÇÕES PROFUNDAS

i) ESTACA: elemento estrutural de fundação profunda, esbelto, que colocado no solo por
processo de cravação, prensagem, vibração ou por escavação, ou de forma mista (dois ou mais
processos), têm a finalidade de transmitir cargas ao mesmo, seja pela resistência sob sua
extremidade inferior (ponta), seja pela superfície lateral ao longo do fuste (atrito/adesão lateral).

ii) TUBULÃO: elemento de fundação profunda de forma cilíndrica, em que, pelo menos na
sua fase final de execução, há a descida de operário.

iii) CAIXÃO: elemento de fundação profunda de forma prismática, concretado na superfície e


instalado por escavação interna.

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Estacas

Definição: Elementos estruturais delgados (L>>>D) construídos ou implantados na


superfície do terreno do solo por equipamentos.

Estaca pré-moldada de concreto. Estaca hélice contínua monitorada.

Estacas Pré-moldadas

Definições

- Nega: é a quantidade que a estaca penetra no solo para


dez golpes consecutivos do martelo numa determinada
energia de cravação – Ec
- Energia de cravação – Ec

Ec = w  h
w: peso do martelo
h: altura de queda do martelo.

Cravação de estaca pré-moldada.

Estacas Pré-moldadas
O controle da cravação da estaca pode ser feita pela NEGA.
No Brasil, utilizam-se os seguintes critérios para controle da NEGA:

Fórmula Holandesa – Considera choque inelástico.


Fórmula de Eytelwein – Considera choque inelástico.
Fórmula de Brix – Considera choque perfeitamente elástico.
Fórmula de Vierendel – Considera choque inelástico.
Fórmula de Rankine – Considera choque perfeitamente elástico.

Observação: Sendo a nega apenas um indicador de impenetrabilidade do elemento


estrutural no solo, a melhor utilização para tal critério, consiste no controle de
qualidade e homogeneidade do estaqueamento e não na avaliação da capacidade de
carga das estacas (item 7.2.3.4. NBR 6122:1996).

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ILUSTRAÇÃO DAS OS PRINCIPAIS TIPOS DE FUNDAÇÕES PROFUNDAS.

(a) estaca metálicas; (b) pré-moldadas de concreto vibrado; (c) pré-moldada de concreto
centrifugado; (d) tipo Franki e Strauss; (e) tipo raiz; (f) escavadas; (g) tubulão a céu
aberto, sem revestimento; (h) tubulão, com revestimento de concreto e (i) tubulão, com
revestimento de aço.

Fundação Mista
É aquela formada pela conjugação do elemento estrutural de uma fundação superficial e o
de uma fundação profunda. São exemplos desse tipo de fundação as estacas T, as
estapatas, o radier sobre estacas e o radier sobre tubulões.

Estacas mistas: a) estaca associada à sapata (estaca T); b) estaca abaixo de sapata
(estapata); c) radier sobre estacas; d) radier sobre tubulões.

EXEMPLO - RADIER ESTAQUEADO

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Escolha do Tipo de Fundação
• Vale ressaltar que cada obra tem suas peculiaridades. Portanto, para cada projeto deve
ser feita uma análise de maneira individual.
• A decisão quanto ao tipo de fundação escolher num projeto deve passar pelo
julgamento de importantes parâmetros:

• o menor custo (com qualidade e segurança)


• o menor prazo de execução
• Condições técnicas e financeiras;
• Proximidade e estado de edifícios limítrofes;
• Natureza e característica do sub-solo;
• Magnitude das ações;
• Tipos de fundações existentes e disponíveis no mercado.

Classificação das Estacas


• De acordo com o Material
As estacas podem ser de:
Empregado
(i) Madeira.
(ii) Aço.
(iii) Concreto.
(iv) Mistas.
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Classificação das Estacas


• De acordo com o Material
Empregado
As estacas podem ser de:

(i) Madeira.
(ii) Aço.
(iii) Concreto.
(iv) Mistas.

• De acordo com o Método de Execução


A execução de estacas é uma atividade especializada da Engenharia, e o projetista
precisa conhecer as firmas executoras e seus serviços disponíveis em cada localidade,
para projetar fundações dentro das linhas de trabalho dessas firmas. As estacas
podem ser instaladas no solo empregando-se os seguintes processos:

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A Tabela 6.1 apresenta uma classificação dos tipos mais comuns de estacas, abordando
os efeitos do método executivo no grau deslocamento lateral e vertical do solo provocado
durante sua instalação.

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Problemas de Execução de Fundações


O engenheiro de fundações pode se deparar com problemas durante a fase de execução de
estacas ou outro tipo de fundação, em função das condições topográficas locais.

1 Fundações de Pontes e Viadutos

Um dos primeiros aspectos a considerar na escolha da fundação de uma ponte é a


EROSÃO.
O projetista deverá dispor de informações
sobre:

i) regime do rio (níveis máximos e


mínimos)
ii) velocidades máximas do escoamento
iii) história de comportamento de
fundações de outras pontes nas
proximidades.

http://www.santabarbara.sp.gov.br/v4/noticias/noticias_fotos.php?id=15672
Acesso em 20/10/2011.
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 O engenheiro deve consultar um geólogo de engenharia.
 Estes aspectos freqüentemente impõem a elaboração do projeto em fundações profundas,
uma vez que a solução em fundação superficial é afastada por conta da possibilidade do
solapamento de sua base. Outro aspecto importante a considerar é o tipo de acesso à
ponte (ver Figura 6.3).
 Observe que na Figura 6.3, o primeiro tipo a ponte (a) tem extremos em balanço e o
aterro de acesso tem saia em talude. Ou outro tipo, mostrado no lado direito da figura (b),
é o que adota encontros, nos quais se apóiam as extremidades da ponte. Na ocorrência de
argila mole na região de acessos, as fundações serão naturalmente em estacas, as quais
serão sujeitas ao efeito Tchebotarioff 1, que será mais severo no caso de encontros.
 O método executivo poderá restringir as opções de fundação, em função da
disponibilidade de equipamentos e de mão de obra local. Dessa forma, dispondo-se da
locação dos pilares da ponte, passa-se a estudar, juntamente com a capacidade estrutural
dos elementos de fundação para transmitir os esforços da estrutura ao solo, o processo
executivo de tais elementos. A Figura 4 mostra algumas destas maneiras em função da
situação topográfica local. Quando os pilares estão próximos das margens é possível se
utilizar bate-estacas convencionais sobre plataformas provisórias de madeira (ver
Figura 6.4a) ou bate-estacas que atuam suspensos por lança de guindastes (ver Figura
6.4b). No caso de pilares distantes das margens do rio, a execução das fundações pode
ser executada através de flutuantes (ver Figuras 6.4c,e), conforme o modelo empregado
na construção da ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros – SE, ou plataformas auto-elevatórias
(ver Figura 6.4d). Estes modelos de plataformas também podem ser empregados na
execução de tubulões2.
1 Deformação lateral da estaca causada pelo desenvolvimento de elevadas tensões horizontais do maciço.
2 Os tubulões a ar comprimido continuam sendo a solução de fundação de pontes mais empregada no Brasil. 16

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Tipos de Estacas Quanto ao Material

 1 Estacas de Madeira
 São confeccionadas com troncos de árvores, retilíneos, preparados nas extremidades
(topo e ponta) para a cravação e limpos na superfície lateral (Figura 6.5).
 Em obras permanentes, passam por um processo de tratamento.
 Empregadas no Brasil praticamente para obras provisórias.
 Uso atualmente bastante restrito no país, em razão das questões de natureza ambiental.
Há um forte controle do IBAMA quanto à exploração de madeira no país, embora
permaneça ainda a prática ilegal de comercialização de madeira na região Norte.

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Tipos de Estacas Quanto ao Material

 1 Estacas de Madeira
 Principais vantagens:
 i) duração ilimitada quando submersas
 ii) facilidade de manuseio, corte, preparação para cravação e após a cravação.
 Desvantagem marcante:
 se submetidas a alternância de secura e umidade, se deterioram rapidamente.
 Sobre a deterioração das estacas de madeira, são as seguintes as causas:
 i) apodrecimento pela presença de vegetais, cogumelos ou fungos
 ii) ataque de térmitas ou cupins (menos freqüentemente)
 iii) ataques por brocas marinhas, entre as quais crustáceos e moluscos

 A Tabela 6.3, com dados da mesma norma alemã (DIN 4026), mostra a ordem de
grandeza das cargas admissíveis para servir de orientação na elaboração de projetos,
válida para estacas de madeira com comprimento mínimo de 5m, implantada em
areia compacta ou argila rija ao longo de uma espessura suficiente.

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Bate-estacas de martelo diesel.


Estacas de madeira
Atualmente utiliza-se apenas estacas de eucalipto.

Dimensões: mín = 15 cm.


Lmin = 4 m.

Carga nominal de trabalho – Pe.


Pe = adm  Amédia
Cravação de uma estaca de
adm = tensão admissível da madeira. madeira.

Amédia = área média da seção transversal da estaca ao longo do fuste.

Recomendações para cravação: Sugere-se que o peso do martelo (w) seja duas vezes o
peso da estaca (Pestaca).
w = 2Pestaca

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2 Estacas Metálicas
 São encontradas em diversas formas, desde perfis laminados (ou soldados)
até tubos. Entre os perfis laminados estão os trilhos ferroviários, que são
reutilizados depois de retirados das ferrovias (trilhos usados).
 Os perfis podem ser usados isoladamente ou associados (duplos ou triplos),
conforme mostrado na Figura 6.6.
 Na Tabela 6.4 são apresentados os valores das cargas de serviço para os
perfis laminados mais empregados.

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Estacas de aço – OUTRAS CONFIGURAÇÕES


Tipos: Perfil I; Perfil duplo I; Perfil W; Trilhos ferroviários.

Estacas metálicas.

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 PRINCIPAIS DESVANTAGENS:

 a) No Brasil, o elevado custo;


 b) Os efeitos da corrosão sobre o tempo de vida útil. Sobre este assunto
recomenda-se ler o livro de Velloso e Lopes (2002), páginas 18 a 21.

 OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

a) Estacas metálicas com trecho desenterrado, no ar ou na água, exigem uma


proteção especial. Dessa forma, faz-se a proteção desde a cota de erosão até
o bloco de coroamento, conforme indicado na Figura 6.7;

b) De acordo com a NBR 6122 (1996), no dimensionamento estrutural deverá


ser descontada uma espessura correspondente a 1,5 mm, por face em contato
com o solo. Portanto, esse valor é descontado na área de seção transversal da
estaca, excetuando-se as estacas que dispõem de proteção especial de
eficiência comprovada contra a corrosão.

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Bate-estaca de queda livre.


 ORIENTAÇÕES PARA CRAVAÇÃO DAS
ESTACAS METÁLICAS

Martelo (w)
 No caso de estacas para carga admissível
de até 1000kN (100tf), quando empregado
martelo de queda livre, a relação entre o
peso do martelo e o da estaca deve ser a
sempre maior possível, não se usando
relação menor que 0,5 e martelo com peso h

menor que 10kN (1tf). Por outro lado, no


caso de perfis metálicos, o uso de martelos
de peso elevado pode provocar cravação
excessiva (Velloso e Lopes, 2002). Essa
questão pode ser adequadamente tratada
através dos estudos envolvendo a dinâmica
Bate-estacas de martelo diese.
de estacas.

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Estacas de Concreto
 De todos os materiais de construção, o concreto é o que mais se presta à
confecção de estacas, por causa da sua resistência perante os agentes
agressivos e pela sua estabilidade diante de processos alternados de secagem
e umedecimento. Além disso, com o concreto é possível a execução de
estacas tanto de pequena quanto de grande capacidade de carga. As estacas
de concreto são divididas em duas categorias:
a) pré-moldadas
b) Moldadas no Solo (in loco ou in situ)
 ESTACAS PRÉ-MOLDADAS DE CONCRETO
 São moldadas em canteiro ou em usina e podem ser classificadas,
quanto à forma de confecção em:
 i) concreto vibrado
 ii) concreto centrifugado
 iii) por extrusão
 Quanto à armadura as estacas pré-moldadas podem ser em concreto
armado ou em concreto protendido. Seções transversais e longitudinais
típicas de estacas pré-moldadas são mostradas na Figura 6.8.

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Estaca sendo cortada. Tratamento da cabeço da estaca. Estaca pré-moldada cortada.

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 PRINCIPAIS VANTAGENS
 i) boa qualidade do concreto (pode-se fazer o controle da concretagem)
 ii) os agentes agressivos, encontrados no solo não agem sobre a cura do concreto
 iii) segurança na passagem de camadas de solos muito moles

 PRINCIPAL DESVANTAGEM
 i) dificuldades de adaptação às variações do terreno, visto que se a profundidade em
 que se encontra a camada resistente não for relativamente constante e se a previsão
 de comprimento não for feita cuidadosamente, será enfrentado o problema do corte
 ou da emenda de estacas, ocasionando prejuízos econômicos para a obra.

 MANIPULAÇÃO
 Exigem dimensionamento específico para resistir aos esforços que poderão sofrer por
ação da estrutura (compressão, tração, forças horizontais e momentos), e aos esforços
de manipulação e cravação. Os esforços de manipulação são calculados a partir dos
modos de levantamento (suspensão) para carga, descarga e estocagem e de içamento
para cravação, previstos para a estaca. Portanto, ao se manipular estacas pré-moldadas
são necessários cuidados especiais. A Figura 6.9 mostra os modos de suspensão e
içamento mais comumente empregados.

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SUSPENSÃO:
As estacas deverão ser suspensas, sempre que for utilizado guindaste, em dois pontos
eqüidistantes das extremidades de L/5. O mesmo procedimento é adotado no caso da
estocagem sobre caibros (Figuras 6.9 e 6.10).

IÇAMENTO:
O bate-estacas, por meio de cabo de aço adequado, levantará cada estaca para ser
cravada, dando-se uma laçada bem apertada próximo da extremidade que deverá ser
superior, e a uma distância desta igual a 3L/10 (Figura 6.9). Esta operação deverá ser
cuidadosa.
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ESTOCAGEM

DIMENSÕES E CARGAS ADMISSÍVEIS

Há duas categorias:
i) Estacas pré-moldadas de concreto armado vibrado executadas nos próprios
canteiros de obra, geralmente com seções de 20cm x 20 cm até 40cm x 40 cm
e comprimentos de 4m a 12m

i) As estacas produzidas em usinas (em escala industrial), que normalmente


atingem cargas de trabalho maiores. A Tabela 6.5 apresenta alguns dos tipos
mais comuns de estacas e suas respectivas características.

Na Tabela 6.6 são reproduzidos os valores das cargas admissíveis para estacas pré-
moldadas de acordo com a norma alemã (DIN 4026).

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 CRAVAÇÃO DE ESTACAS pré-moldadas


 Durante o processo de implantação da estaca no solo por processo de percussão, são
geradas tensões na estaca devidas ao impacto do martelo. Essas tensões de cravação
devem ser inferiores à tensão característica do concreto, sendo normalmente
recomendado como limite máximo o valor 0,85fck. Ainda assim, para evitar o
esmagamento da cabeça da estaca, recomenda-se trabalhar com pequenas alturas
de queda do martelo de cravação, geralmente não superiores a 1 metro, bem como o
uso de elementos amortecedores de impacto (capacetes).

 O sistema de cravação  dimensionado para conduzir a estaca até à profundidade


prevista, sem causar danos à peça.
 O uso de martelos mais pesados com alturas de quedas menores é mais eficiente do
que martelos mais leves, com grande altura de queda.
 Não é recomendado o uso de martelos com peso inferior a 15 kN, nem relação peso
do martelo/peso da estaca menor que 0,7, no caso de estacas projetadas para até
1MN de carga admissível.
 Em todo caso, uma análise de cravabilidade da estaca, a partir de simulações
numéricas empregando-se programas de computador específicos (CAPWAP, por
exemplo) pode indicar o peso do martelo adequado à capacidade da estaca
(Danziger, 1991).

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EMENDAS DE ESTACAS pré-moldadas

 Por norma, as estacas pré-moldadas podem ser emendadas, desde que as


seções onde são feitas as emendas possam resistir a todas as solicitações que
nelas ocorram durante o manuseio e a cravação, sem comprometer a
axialidade (linearidade) dos elementos.
 Na maioria das estacas, a emenda é feita soldando-se entre si luvas metálicas
que são incorporadas ao concreto. No caso de estacas submetidas apenas à
compressão, a emenda pode ser por anel ou luva de encaixe. A Figura 6.11
mostra detalhes de emendas usuais para estacas pré-moldadas.

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ESTACAS pré-moldadas DE CONCRETO PROTENDIDO


 Utilizadas para suportar cargas elevadas, com comprimentos longos.
 Possuem as seguintes vantagens:
a) Elevada resistência na compressão, tração, flexão composta, etc.
b) Maior capacidade de manipulação, transporte, levantamento e cravação.
c) Pequena fissuração.
d) Emprego vantajoso de protensão excêntrica a fim de aumentar a resistência à
flexão, quando usadas como estacas-prancha em ensecadeiras e obras de contenção.
e) Emprego efetivo como estacas de defensas para absorver o impacto de navios em
obras portuárias e na proteção de pilares de pontes.

Estacas de Concreto Moldadas no Solo (ou moldadas in loco)


• A qualidade depende fundamentalmente da habilidade, do equipamento disponível e
da competência da equipe executora.
• A maior vantagem desse tipo de estaca sobre as pré-moldadas é a execução da
estaca com o comprimento estritamente necessário, evitando-se o desperdício de
material.
• Capacidade de carga com valores maiores do que as pré-moldadas.
• Variedade muito grande de estacas moldadas no solo.

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Os principais tipos empregados no Brasil são apresentados nos itens seguintes.
Estaca Tipo Broca

 é considerada a estaca mais rudimentar utilizada no Brasil, sendo executada


geralmente com trado manual, e empregada em obras de pequeno porte.
 Seus diâmetros são normalmente entre 20cm e 50cm. Em geral, não são
armadas, utilizandos-se apenas ferros de ligação com os blocos.
 As cargas de trabalho são geralmente baixas.
Estaca Strauss

 Bastante popular, existindo inúmeros construtores que o executam dispondo apenas


de um tripé e um pequeno pilão, sem procurar firmas especializadas.
 As operações envolvidas na execução de uma estaca Strauss iniciam-se pela descida
de um tubo, cujo diâmetro determina o da estaca, geralmente por escavação do solo
no interior do tubo, fazendo-se uso de uma ferramenta chamada piteira. Após atingir-
se a cota desejada, enche-se o tubo com cerca de 0,75m de concreto úmido, o qual é
apiloado à medida que é retirado o tubo, repetindo-se essa operação até que o
concreto atinja a cota de arrasamento (ver Figura 6.12).
 Não é indicada para casos onde o nível d´água se encontre acima da cota de apoio
da sua base.
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OBS: Há uma prática originada no interior do Estado de São Paulo, principalmente em Bauru e São Carlos, onde se utiliza uma
estaca semelhante a Strauss, todavia, sem revestimento. Denominada “estaca apiloada”, essa variante da Strauss é executada com
auxílio de um soquete que produz uma perfuração no terreno, sem a necessidade de contenção das paredes do furo.

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 Esquema Equipamento Strauss

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Estaca Tipo Franki
 É uma das estacas mais difundidas no Brasil, possuindo, inclusive diversas
variantes do modelo original (Standard). A estaca Franki foi originalmente
desenvolvida pelo engenheiro belga Edgard Frankignoul, por volta de 1910
(Velloso e Lopes, 2002).
 Existência da base alargada, o que contribui para conferir à estaca geralmente
uma grande capacidade de carga.
 As operações que envolvem a execução de uma estaca Franki são
apresentadas na Figura 6.13.

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Figura 6.13 – Seqüência executiva da estaca Franki (Standard).


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http://www.geodactha.com.br/obras/kobayashi1.htm
Acesso em 21/10/2011.
Base de uma Franki
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NOTAS TÉCNICAS DE UMA ESTACA FRANKI

 CONTROLE DE EXECUÇÃO:

- Além do controle do concreto, também se faz o controle do encurtamento da armadura. A


operação de apiloamento do concreto provoca pequenas deformações na armadura,
reduzindo o seu comprimento. Uma redução brusca e de grande valor no seu comprimento
indica problemas sérios na concretagem, sendo recomendada sua interrupção.

 MÉTODOS ALTERNATIVOS DE CRAVAÇÃO DO TUBO:

- Sempre que as vibrações ou a compressão do solo forem indesejáveis (risco de


levantamento de estacas próximas), a descida do tubo pode ser feita escavando-se o
terreno previamente, empregando-se para isso trado adequado e mantendo-se a parede
estável com o uso de lama bentonítica, no caso de terrenos arensosos. Também é possível
cravar o tubo com ponta aberta, procedendo-se à limpeza interna com o uso da ferramenta
chamada “piteira”. Esse método só é empregado quando o terreno apresenta uma camada
relativamente impermeável.

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NOTAS TÉCNICAS DE UMA ESTACA FRANKI

 DIÂMETRO DO PILÃO:
- A Tabela 6.7 apresenta os valores mínimos indicados para execução de estacas Franki.

 BASE ALARGADA:
- Na confecção da base alargada, é necessário que os últimos 0,15 m3 de concreto
sejam introduzidos com uma energia mínima de 2,5 MN.m, para as estacas de diâmetro
inferior ou igual a 450 mm e 5 MN.m para as estacas de diâmetro superior a 450 mm.

 ARMADURA:

- Usa-se uma armadura mínima necessária, por motivos de ordem construtiva, mesmo
que as solicitações a que a estaca será submetida não exija qualquer armadura. A
armação básica de uma estaca Franki sugerida pela ABEF (2004) é mostrada na Figura
6.13a, inclusive com detalhes das possíveis emendas.

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 Armaduras - Franki

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Figura 6.13a – Detalhes de armadura padrão para


estaca Franki (ABEF, 2004). 50

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NOTAS TÉCNICAS DE UMA ESTACA FRANKI

 CONCRETAGEM:
- A execução do fuste deve ter um consumo mínimo de 350 kg/m3 de concreto sendo
usados os seguintes procedimentos:
i) o concreto é lançado em pequenas quantidades que são compactadas
sucessivamente, à medida que se retira o tubo e
ii) o tubo é inteiramente enchido de concreto plástico, e em seguida, é retirado com
utilização de procedimentos que garantam a integridade do fuste. O controle tecnológico
do concreto tanto do fuste quanto da base pode ser feito através da ruptura de corpos
de prova (em geral com 15cm de diâmetro por 30cm de altura) coletados a cada 30m3
de concreto.
 CARGA ESTRUTURAL ADMISSÍVEL:
- Na fixação da carga estrutural admissível, não se pode adotar um fck superior a 20MPa
e γc = 1,5. A Tabela 6.8 mostra as principais características das estacas Franki, segundo
o catálogo de Estacas Franki Ltda.

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Estaca Tipo Franki Tubada


 Essa variante da estaca Franki é de grande aplicabilidade em fundações de pontes e
obras marítimas (offshore), sendo, portanto indicada para casos onde a estaca tem uma
parte em água e outra parte em ar. A estaca Franki tubada apresenta a vantagem de
não impor às estruturas de apoio do bate-estaca em obras marítimas (plataformas ou
flutuantes) esforços muito elevados, visto que não há a operação de extração do tubo
de cravação da bucha, pois este passa a fazer parte da estaca. As demais operações são
semelhantes às da Franki Standard, mostradas na Figura 6.13. É usada armadura
geralmente no trecho livre da estaca, no qual o tubo é submetido a um processo
intenso de corrosão.

Estaca Tipo Franki Mista

 É uma associação de fuste premoldado ancorado em uma base alargada, que é principal
característica da estaca Frank;
 São recomendadas nas seguintes situações:
 i) estacas com um trecho acima do N.A. (fundações de pontes, obras marítimas, etc) e
ii) ocorrência de águas excepcionalmente agressivas.
 Ela apresenta a vantagem de reunir a grande capacidade de carga da estaca Franki e a
boa qualidade do concreto usado no elemento premoldado.

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Estaca Tipo Franki com Fuste Vibrado

 A execução dessa variante da estaca Franki obedece à seqüência Standard até


a colocação da armadura. A partir daí, o tubo é completamente preenchido de
concreto plástico, com “slump” entre 8 cm a 12 cm, momento em que é
acoplado ao tubo um aparelho vibrador especial, com vibração unidirecional
(vertical), procedendo-se simultaneamente o arrancamento contínuo do tubo
com o esforço do próprio bate-estaca, conforme representado na Figura 6.15.
 Este processo diminui significativamente as dificuldades de concretagem do
fuste em camadas de argila mole ou muito mole, evitando-se a “fuga” de
concreto e o conseqüente estrangulamento do fuste.

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Estaca Franki com Cravação por Martelo Automático e Fuste Vibrado

 É uma variante do método precedente, sendo que o tubo é cravado pela ação
de um martelo automático. Além disso, a clássica bucha é substituída por uma
chapa de aço, com a qual o tubo é cravado até a profundidade especificada
em projeto. Após essa etapa, coloca-se em operação o pilão de queda livre
que desloca a chapa até então fixada na extremidade inferior do tubo e se
executa a base alargada. Por fim, é colocada a armadura e substitui-se o
martelo pelo vibrador, executando-se o fuste vibrado, conforme mostrado na
Figura 6.16.

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Referências Bibliográficas:
1. ALONSO, U. R. Exercício de Fundações. 9a edição. Edgard
Blucher, 1995.
2. ALONSO, U. R. Dimensionamento de Fundações Profundas. 1a
edição, Edgard Blucher, 1994.
3. Anjos, G. M. – Apostila Fundações – UFPA.
4. HACHICH, W.; FALCONI, F.; FROTA, R.; CARVALHO, C.S.;
NIYAMA, S. Fundações: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Pini,
2003.
5. Soares , J. M. D. Apostila de Fundações. UFSM.

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