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Formalidade em excesso (Revista Língua Portuguesa, 01/07/2010, de Sírio Possenti)

Sírio Possenti é doutor em Linguística e Livre docente pela Universidade


Estadual de Campinas – Unicamp/Brasil; professor da graduação e do Programa de
Pós-Graduação em Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp;
líder do grupo de pesquisa Questões de teoria e de análise em análise do discurso
(Unicamp/CNPq); pesquisador do grupo de pesquisa Projeto Integrado em
Neurolingüística: elaboração de banco de dados e de protocolos de avaliação
(Unicamp/CNPq); autor de vários artigos publicados em periódicos nacionais e
internacionais; autor de vários capítulos de livros; autor e co-organizador de vários
livros. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase nas subáreas Teoria e
Análise Lingüística e Análise de Discurso. Temas de pesquisa: semântica global;
discurso, sujeito e sentido; indícios de autoria; discurso e humor; mídia e memória
discursiva; discurso político.
O artigo “Formalidade em excesso” destaca-se pela importância do seu tema.
Afinal, traz à tona a problemática do uso exagerado da norma culta. Suas
explanações são bem pertinentes: elas mostram, por exemplo, que na análise das
construções linguísticas deixamos de considerar os aspectos históricos e sociais que
envolvem a língua, e também alerta para o fato de que ao analisar a derivação da
palavra é necessário observar a sua origem.
Outra questão é abordada pelo autor: as escolas cobram de forma excessiva
dos alunos o domínio do português, deixando de considerar que o mundo se
moderniza a cada dia. No entanto, a escola segue conceitos e paradigmas arcaizante
diante de uma sociedade informal. Isso se assemelha muito àquilo que acontece
quando a escola toma como erro de português as construções que as pessoas cultas,
na prática, não percebem mais como equivocadas.
A argumentação de Possenti é, em vários momentos, suficientes para
convencer o leitor, por exemplo, (…) Ele sustenta a tese de que as escolas seriam
mais justas se cobrassem dos alunos o domínio do português culto de seu tempo.
(…) Nossos alunos e atletas não falam errado por usarem uma linguagem jovial.
Pode-se dizer que o autor chama a atenção para o fato de que há uma grande
resistência para não ocorrer as mudanças que são necessárias. (…) Possenti nos
mostra que muitos não querem mudanças no uso da norma culta da língua, pois
receiam que se percam informações, ou que as construções deixem de ser precisas
ou exatas.
O artigo “Formalidade em excesso” trata-se de uma leitura instigante
recomendável a todos: seja o leitor iniciante ou experiente. Há originalidade na
escrita. A leitura é agradável e a linguagem utilizada é acessível.