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Das revoluções à

revolução
de 1715 a 1815
Caracterização

Foi um século de algumas


ambiguidades e indefinições,
caracterizado, por um lado, pela
permanência de instituições e
estruturas políticas (absolutismo
monárquico) e sociais (sociedade de
ordens) que marcaram o Antigo
Regime e, por outro, pelo advento de
uma nova era, assinaladas por
alterações económicas e sociais e
revoluções liberais.
Mudanças
Políticas

Revoluções liberais
Movimentações político-militares que, em
cada país, derrubaram o Absolutismo
monárquico e implantaram a nova ordem
político-social do liberalismo. Ocorreram
a partir do terceiro quartel do século XVIII
prolongando-se até ao fim da primeira
metade do século XIX.
Económicas

Novo dinamismo produtivo;


Comercio colonial;
Oficinas domesticas;
Grandes manufaturas.
Sociais

Crescimento populacional.
Académicas

Desenvolvimento científico-técnico.
No seu conjunto, estes factores:
Crescimento demográfico;
Expansão do comércio colonial;
Maior dinamismo produtivo interno;
Aperfeiçoamento/ invenção científico-técnico.
Conduziriam, no final do século XVIII e a partir da Inglaterra, ao
arranque da Revolução Industrial.
Consequências
Ascensão social e política da burguesia

Este desenvolvimento facilitou a ascensão social e política da


burguesia, cujo dinamismo invadiu todas as actividades.
Em conjunto com a aristocracia política e administrativa, esta classe
formou a elite do Antigo Regime que beneficiou do enriquecimento
geral da época.
Nos seus palacetes citadinos ou nos seus castelos do campo, esta elite
desenvolveu um modo de vida requintado e confortável.
Maior interesse pela educação e
pela cultura

O maior interesse pela educação e


pela cultura entre elas foi,em parte,
consequência da propagação do
pensamento iluminista, dominante no
século XVIII.
Humanistas e racionalistas, os filósofos iluministas
consideravam a Ciência e todo o conhecimento racional
como os motores do Progresso e, por tal, construtores da
Felicidade. Por isso, consideravam que só pela educação seria
possível levar os homens a perceber os erros em que viviam e a
reformar as sociedades segundo leis mais conformes à ordem
natural e à Razão.
O salão
o novo espaço de conforto e
intimidade.
A aristocracia começou a passar
mais tempo nas suas mansões
privadas, que procurou tornar tão
confortáveis como a corte.
A estética da moda privilegiava,
na decoração dos interiores, a
beleza requintada e elegante,
o luxo e a exuberância, a
frivolidade, a sensualidade e o
intimismo.
Assim, nasceu o Rococó que floresceu
em ambientes alegres, de bom
viver, como foram os dos lares
aristocráticos ou burgueses deste período.
Nestas mansões, o centro da vida
social era o salão, faustosamente
decorado e mobilado.
O crescente interesse das elites pelas coisas do espírito tornou usuais
as reuniões que tinham por objectivo o debate por áreas do
saber, a discussão literária, o exercício linguístico e a divulgação das
línguas vivas ou a apresentação de personalidades em voga -
músicos, cantores de ópera, escritores, filósofos e cientistas - à alta
sociedade da época
Deste modo, o salão tornou-
se o centro da vida social,
cultural e artística.

Os salões como centro de


dinamização cultural!
As Luzes
as rupturas culturais e científicas
Luzes: a procura do conhecimento racional
No século XVIII, designou-se por Luzes o conhecimento
racional, o saber esclarecido, o único capaz de tornar claras
(iluminar) todas as coisas.
Aqueles que aplicavam o conhecimento racional eram os
iluministas, homens que ousavam saber, mentes
esclarecidas, expurgando o erro e a superstição em todas as
áreas de actuação humana.
Por isso, esta filosofia de pensamento e conhecimento
denominou-se Iluminismo.
Este valorizava o indivíduo por aquilo que ele possuía de mais
valioso: a sua inteligência ou Razão, único meio fidedigno para
desvendar os segredos do Universo e construir o conhecimento
sobre a Natureza, os homens e as sociedades.
Concebia o conhecimento, as ciências, como o único meio de
libertar o Homem da servidão, dos preconceitos, dos erros e
injustiças
O único caminho através do qual se poderia construir o progresso e o
bem-estar material das populações, conduzindo-as à felicidade ,
considerada como um direito natural de todos os homens e supremo
objectivo da sua existência.
Antecedentes do iluminismo:
O Humanismo dos séculos XV-XVI;
O racionalismo;
O empirismo materialista do surto científico do século XVII;
O pensamento de John Locke (defendeu que, pelo estudo e
experimentação do mundo físico - a Natureza -, chegar-se-ia
à determinação das suas leis - as leis naturais -, consideradas as
únicas verdadeiramente universais).
Os direitos naturais:
Igualdade;
Liberdade.

Foi com base nos direitos


naturais e na moral natural que
o Iluminismo condenou a
tradição.
Religião natural
A crença na Natureza segundo a qual o Bem se identificava com o
prazer e o Mal com a dor. Estas ideias originaram novas posturas
religiosas, como o ateísmo e o deísmo.
Mentalidade burguesa do iluminismo:
Individualismo;
Igualdade;
Liberdade;
Dignificação pessoal pelo trabalho;
Dignificação pessoal pela instrução;
Progresso.
Uma das obras de maior repercussão
foi, sem dúvida, a Enciclopédia, ou
Dicionário Racional das
Ciências, das Artes e dos
Ofícios. (1751)
A obra que começámos e que pensamos acabar tem dois objectivos:
(...) deve expor tanto quanto possível a ordem e o encadeamento dos
conhecimentos humanos; (...) deve conter os princípios gerais básicos e os
detalhes mais essenciais de cada ciência e de cada arte, seja liberal ou
mecânica.
D'Alembert, Discurso Preliminar na Enciclopédia, 1751
Princípios básicos do Iluminismo
O culto à Razão e ao progresso

O instinto, a ambição, a glória vã mudam perpetuamente a


cena do mundo e inundam a terra de sangue, mas, no meio dos
seus destroços, o espírito humano ilumina-se, os costumes
suavizam-se, as nações isoladas aproximam-se (...) e a massa
total do género humano (...) caminha sempre, ainda que a
passos lentos, para uma perfeição maior.
Turgot (1727-1781)
A negação da tradição

É preciso deitar aos pés todas as velhas crenças; ultrapassar as


barreiras que a Razão jamais levantou; permitir às artes e às
ciências uma liberdade que lhes é tão preciosa. [. .. ]
Precisaremos de uma época de racionalistas que não procurem
mais as normas e as leis nos autores passados, mas na
Natureza.
Denis Diderot, A Enciclopédia, 1755