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CONTAGEM DE DESVIOS/PROBLEMAS DE COESÃO/INCOERÊNCIAS

Recorrentes: mais de 5
Não recorrentes: de 3 a 5 de naturezas diferentes, admitindo-se uma ocorrência de mesma
natureza
Raros: até 3 de naturezas diferentes

1- Norma Padrão
Tipos de desvios
● Desvios gramaticais (regência, concordância, pontuação, colocação pronominal).
● Desvios de convenção escrita (acentuação, ortografia, translineação, hífen etc.)
● Desvios de escolha de registro (informalidade, oralidade etc.)
● Impropriedades vocabulares (Imprecisão vocabular, repetições indevidas e equívoco no uso
de parônimos)

Classificação dos desvios


Desvios gravíssimos:
● Falta de concordância do verbo com o sujeito (com sujeito antes do verbo e próximo a ele);
● Falta de concordância do adjetivo com o substantivo;
● Flexão de verbos impessoais;
● Desvios de pontuação que comprometem o sentido do texto (separação da oração
subordinada da oração principal por ponto final);
● Presença indevida de gírias e xingamentos.

Desvios graves:
● Falta de concordância do verbo com o sujeito (com sujeito depois do verbo ou muito distante
dele);
● Regência nominal e verbal inadequada (ausência ou emprego indevido de preposição);
● Ausência do acento indicativo de crase ou seu uso inadequado;
● Problemas de pontuação que prejudicam o sentido do texto (vírgula de diferenciação entre
orações adjetivas e explicativas);
● Marcas de oralidade conforme as condições da situação de escrita.

Desvios leves:
● Ausência de concordância em passiva sintética;
● Desvios de pontuação que não comprometem o sentido do texto (vírgula após adjunto
adverbial deslocado ou após conjunção em início de período);
● Desvios ortográficos em palavras de grafia complexa;
● Uso incorreto do hífen que não comprometa o sentido do texto;
● Desvios de regência que não comprometam o sentido do texto;
● Desvio de acentuação que não comprometem o sentido do texto.

2- Coesão

Classificação dos desvios:

Problemas de coesão referencial e sequencial (intra e entre parágrafos) gravíssimos:


● Texto caótico.
● Texto sem conectores (frases soltas).

Problemas de coesão referencial e sequencial (intra e entre parágrafos) graves:


● Ausência de diferenciação entre os pronomes demonstrativos ou o seu uso inadequado (Ex:
“Esse século” para referir-se ao século XXI; “Os mesmos” sem acompanhar substantivo para
fazer uma anáfora)
● Uso inadequado dos pronomes relativos:
○ Falha na aplicação da regência verbal ou nominal;
○ Uso inadequado de “cujo” (Ex: “O senhor cujo o nome é João” -> O senhor cujo nome
é João), “onde” (“Foram recolhidos documentos onde ficou evidente a culpa do réu”
-> Foram recolhidos documentos em que ficou evidente a culpa do réu) e “quando”
○ Retomada ambígua de referente (Ex: “Na estação, José avistou o visitante. Ele havia
esperado ansiosamente pelo reencontro”)
○ Construção truncada do período por uso excessivo de “que” (Ex: “O aborto é feito por
muitas mulheres no Brasil, que devem ser amparadas pelo Estado, que não lhes dá a
devida importância, que deveria ser dada pelos hospitais, que poderiam ter
profissionais especializados…”
● Uso inadequado das conjunções, em que uma conjunção é utilizada com valor diferente do
seu (ex: utilizar uma conjunção adversativa no lugar de uma conclusiva);
● Desrespeito ao princípio do paralelismo sintático (Ex: “A diferença entre o IDH dos países
pobres e os países ricos é resultado sobretudo da educação” -> A diferença entre o IDH ​dos
países pobres e ​dos​ países ricos é resultado sobretudo da educação)

Problemas de coesão referencial e sequencial (intra e entre parágrafos) leves:


● Repetição não intencional dos recursos coesivos;
● Uso inadequado das conjunções, em que:
○ um recurso de transição é utilizado de maneira inadequada (ex: “Desse modo,” ou
“Nesse contexto,” quando não há modo nem contexto no período anterior);

3- Coerência

Classificação dos desvios:

Incoerências intratextuais e extratextuais graves​​:


● Contradições e ambiguidades que impactam na argumentação, ou seja, que prejudiquem a
consistência dos argumentos;
● Generalizações indevidas;
● Redundâncias improdutivas, que não revelem clara intenção de ênfase (é preciso questionar
o aluno sobre a intenção) ou que representem uma tautologia (reproduzir a mesma ideia com
outras palavras sem contribuir para a progressão da argumentação);
● Analogias indevidas, como fazer uma comparação entre a educação dos japoneses e a
educação dos brasileiros, desconsiderando por completo o contexto;
● Anacronismo grave (que fundamentem a argumentação), como dizer que Platão tratou de
shopping centers;
● Atribuição de citação indevida (Ex: “Segundo Kant, a felicidade não passa de um clichê
televisivo”).

Incoerências intratextuais e extratextuais leves:


● Problemas pontuais que geram inconsistência no interior de sintagmas, como acontece com o
uso ambíguo dos pronomes possessivos e pessoais;
● Erros de datas históricas por poucos anos;
● Generalizações possíveis, mas não recomendáveis, como dizer numa proposta sobre arte
que todos os brasileiros são contrários à liberdade artística. E os artistas?
● Anacronismo leve (Ex: Falar em “brasileiros” no contexto da América Portuguesa);