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CAPÍTULO 3

Os solos

O solo, um corpo natural e tridimensional, resulta da ação do


intemperismo sobre as rochas expostas na superfície terrestre, sendo
caracteristicamente formado por frações gasosas, líquidas e sólidas, minerais
e compostos orgânicos, qualidades que podem permitir que aí se desenvolva
vida vegetal. Eventualmente, pode sofrer modificações de ordem antrópica.
Por se tratar de uma superfície morfológica estabilizada, o que é
importante para a agricultura, o solo pode conter restos humanos ou possuir
registros de sua ocupação (artefatos, por exemplo).
Observado em corte (perfil vertical), consiste em horizontes ou camadas
diferentes do material intemperisado (regolito) resultante da desagregação
e/ou decomposição da rocha-mãe que o originou, pois nele ocorreram
acréscimos, subtrações e deslocamentos de materiais, além de
transformações de energia.
Seu limite superior é a atmosfera, enquanto o inferior, não bem
definido, é a rocha-mãe ou materiais inconsolidados (saprolito). Lateralmente,
contata com outros solos, rochas, sedimentos, aterros ou corpos de água.
Solo autóctone é aquele gerado diretamente sobre a rocha-mãe, ou
seja, ele se forma in situ; solo alóctone origina-se em local diferente de onde
se encontra a rocha-fonte dos sedimentos. Independente desse aspecto, o
solo se caracteriza por se constituir em uma sucessão de distintos horizontes
verticais formados por ação intempérica sobre os sedimentos. As diferenças
observadas no perfil são condicionadas pela composição da rocha-mãe e de
suas estruturas (fatores geológicos) e pela ação biótica e climática (fatores
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pedogenéticos). É exigido, portanto, que o depósito sedimentar esteja em


equilíbrio com o ambiente, pois os processos erosivos e deposicionais devem
ser pouco significativos. Ainda que os solos sejam extensos lateralmente, suas
características podem variar em razão da duração do intemperismo, da
variabilidade climática, do tipo de rocha-mãe, da cobertura vegetal e da
topografia.
Quatro são os processos que atuam para a transformação de sedimentos
em solo: (1) a adição na superfície de clastos, matéria orgânica, íons, etc., (2)
a transformação de substâncias no solo, tais como matéria orgânica em
húmus e minerais primários em argilas, íons e óxidos, (3) a transferência
vertical para baixo de materiais no solo, chamada eluviação, entre os quais
compostos húmicos, argilas, íons e óxidos, os quais irão se acumular em um
horizonte inferior designado iluvial (os materiais sólidos e dissolvidos também
podem subir graças à capilaridade da água do lençol freático ou por ação
biológica) e (4) a remoção dos constituintes do solo (íons e óxidos, por
exemplo). Essa remoção pode ser muito intensa, e o material dissolvido pode
ser carreado para a água subterrânea.
Esses quatro processos originam a formação de horizontes diferentes, os
quais constituem o perfil de solo. Os horizontes básicos de um solo completo e
bem desenvolvido são designados pelas letras maiúsculas O, A, E, B e C
reservando-se o R para a rocha-mãe (figura 3.1); solos ricos em matéria
orgânica (Organossolos) são nominados com a letra H. Às letras maiúsculas
podem ser agregados algarismos arábicos, se existirem subdivisões em um
horizonte, ou letras minúsculas, se houver necessidade de realçar alguma
característica particular.
O horizonte O é essencialmente composto por restos vegetais; o A, de
cor escura, é composto por minerais misturados a grande quantidade de
matéria orgânica; já a cor do horizonte E é clara, pois as argilas, siltes e
areias finas são lixiviadas pelas águas de percolação. Os materiais
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provenientes dos horizontes superiores que sofreram lixiviação1 acumulam-se


no horizonte B e, por essa razão, ele tende a apresentar cores avermelhadas
pelo acúmulo de óxidos de ferro. O horizonte C é a rocha-mãe decomposta e
desagregada, que, no caso de solo autóctone, encontra-se inalterada logo
abaixo, recebendo a letra designativa R.
As principais propriedades dos solos que podem ser observadas em
campo são as cores, as texturas e as estruturas. O pH, a mistura mineral, o
conteúdo em matéria orgânica e em carbonato de cálcio e o tipo e a
quantidade de íons - cambiáveis ou não - podem, normalmente, ser
determinadas em laboratório.
A cor, propriedade adquirida durante os processos de formação do solo,
corresponde a uma alteração da cor original dos sedimentos e pode ser
indicativa da composição química ou do conteúdo em matéria orgânica que ele
possui. As cores de cinza-claro a branco podem ser devidas à presença de
CaCO3 ou de uma intensa lixiviação; o preto e o marrom-escuro retratam,
normalmente, alto conteúdo em matéria orgânica; os tons avermelhados
sugerem a presença de óxidos de ferro e os azulados, a de ferro reduzido.
Os solos possuem uma proporção relativa de argila, silte e areia,
denominada textura, que se agregam naturalmente originando os agregados
ou torrões.
A classificação granulométrica dos solos (Tabela 3.1) evidencia a não-
coincidência entre todos os limites de suas frações e aqueles dos clastos que
constituem as rochas sedimentares clásticas (Tabela 2.1).
O conteúdo em areia, silte e argila é utilizado para classificar os solos
em arenosos, siltosos, argilosos ou lamíticos, estes últimos, uma mistura de
areia, silte e argila, mas com predomínio das duas últimas frações (Gráfico
3.1).

1
Processo de retirada de material solúvel por água de percolação.
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O Horizonte de acumulação orgânica

A Horizonte de atividade biótica

Horizonte onde ocorrem processos eluviais (lixiviação de


E argilominerais, óxidos, etc.)

Horizonte onde ocorrem processos iluviais (acumulação


B de argilominerais, óxidos, etc.)

C Saprolito

R Rocha-mãe

Figura 3.1. Perfil ideal de solo autóctone com uma sucinta descrição de horizontes
constitutivos.

Os agregados ou torrões formam a estrutura do solo e podem


separar-se uns dos outros por rachaduras ou planos de fraqueza que
determinam sua classificação em quatro tipos principais: estrutura prismática,
estrutura laminar, estrutura em bloco e estrutura globular. O solo será
considerado maciço (figura 3.2E) quando não apresentar rachaduras.
A estrutura prismática tem os topos e as bases dos prismas achatados
(figura 3.2A); a laminar é aquela constituída por partículas arranjadas ao
longo do plano horizontal (figura 3.2B); a estrutura em bloco mostra-se como
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cubos imperfeitos com lados relativamente planos (figura 3.2C) e, finalmente,


a granular (figura 3.2D), que é composta por torrões com superfícies
irregulares lembrando esferóides.

Tabela 3.1. Classificação granulométrica dos solos brasileiros. Fonte: ABNT (2000).
Granulometria dos solos
Pedra Acima de 60 mm
Pedregulho grosso 60mm a 20 mm
Pedregulho médio 20mm a 6 mm
Pedregulho fino 6mm a 2 mm
Areia grossa 2mm a 0,6 mm
Areia média 0,6mm a 0,2 mm
Areia fina 0,2mm a 0,06 mm
Silte 0,06mm a 0,002 mm
Argila Abaixo de 0,002 mm

A classificação dos solos obedece a alguns parâmetros, tais como


presença ou ausência de horizonte superficial ou subsuperficial, clima,
componentes químicos, matéria orgânica, etc. A Classificação Brasileira de
Solos compreende 14 diferentes Classes de 1º Nível Categórico (ordens):
Alissolos, Argissolos, Cambissolos, Chernossolos, Espodossolos, Gleissolos,
Latossolos, Luvissolos, Neossolos, Nitossolos, Organossolos, Planossolos,
Plintossolos e Vertissolos.
Alissolos (figura 3.3A): são compostos por minerais, apresentam
horizonte B textural2 ou nítico3, possuem alto conteúdo de alumínio extraível.
Caso ocorra horizonte plíntico4, ele não se situa acima do horizonte B nem
coincide com a porção superficial desse horizonte; essas mesmas condições

2
Horizonte mineral subsuperficial areno-argiloso. O conteúdo em argila é maior que o do
horizonte A.
3
Horizonte mineral subsuperficial não hidromórfico argiloso; a argila não provém, na maior
parte, do horizonte A.
4
Horizonte subsuperficial caracterizado pela espessura mínima de 15cm e pela presença de
plintita igual ou acima dos 15% (mistura de argila com pouco carbono orgânico e rica em
ferro ou ferro e alumínio, quartzo e outros materiais).
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são válidas se estiver presente o horizonte glei5, o qual se inicia, porém,


abaixo dos 50cm de profundidade.

Gráfico 3.1. Gráfico


triangular mostrando o
domínio dos diversos
tipos de solo quanto à
granulometria. Fonte:
Lepsch (1976),
modificado.

Argissolos (figura 3.3B): solos formados por minerais, mostrando


horizonte B textural com argila imediatamente abaixo do horizonte A. Se
estiver presente o horizonte plíntico ou o glei, não estarão acima nem serão
coincidentes com a parte superior do horizonte B textural.
Cambissolos (figura 3.3C): correspondem a solos constituídos por
minerais cujo horizonte B incipiente situa-se imediatamente sotoposto ao
horizonte A ou a horizonte hístico6 com espessura não superior a 40cm.
Chernossolos (figura 3.3D): solos formados por minerais com horizonte
A chernozêmico7 ao qual segue horizonte B incipiente8, B textural ou B nítico,

5
Horizonte subsuperficial caracterizado pela espessura mínima de 15cm e pela presença de
ferro reduzido; é fortemente influenciado pelo lençol freático e pela atividade biológica
consumidora de oxigênio.
6
Horizonte superficial de composição orgânica (acúmulo de restos vegetais), que pode estar
sotoposto a horizontes minerais ou a camadas orgânicas mais recentes.
47

todos com alto conteúdo em argila, ou horizonte cálcico9 em coincidência com


o horizonte A chernozêmico e/ou com o horizonte C, separados por um
horizonte B incipiente com espessura inferior a 10cm; ou por contato com a
rocha desde que o horizonte A chernozêmico possua 15% ou mais de CaCO3.

A – Prismática B - Laminar C – Em blocos

Figura 3.2.
Estruturas dos
solos. A. Prismática.
B. Laminar. C. Em
blocos. D. Granular
e E. Maciça (sem
estrutura). Fonte:
modificado de
Waters (1992).
D - Granular E - Maciça

Espodossolos (figura 3.3E): trata-se de solos compostos por minerais,


providos de horizonte B espódico10 sotoposto ao horizonte E ou ao A, situado
dentro de 200cm da superfície; a 400cm de profundidade, se a soma do

7
Horizonte superficial mineral com estrutura de solo bem desenvolvida com cor croma igual
ou inferior a 3, se úmido e a 5, se seco. Apresenta-se saturado (65%) com íon cálcio e/ou
magnésio e possui valores iguais ou superiores a 0,6% de C de origem orgânica.
8
Horizonte subsuperficial sotoposto ao horizonte A com alteração física e química incipiente.
9
Horizonte subsuperficial onde há acumulação de CaCO3 o que se dá no horizonte C podendo
ocorrer no horizonte B ou A.
10
Horizonte mineral subsuperficial onde, por iluviação, se acumula matéria orgânica e
compostos de Al; pode conter também Fe.
48

horizonte A + o horizonte E ultrapassar 200cm de profundidade; o mesmo é


válido se a soma for do horizonte hístico + o horizonte E.
Gleissolos (figura 3.3F): são solos constituídos por minerais com
horizonte glei no seguimento do horizonte A. Gleissolos são também aqueles
com horizonte hístico com espessura inferior a 40cm ou com o horizonte glei
iniciando dentro de 50cm da superfície. São desprovidos de horizonte plíntico
ou horizonte vértico11 sobre o horizonte glei ou coincidente com ele.
Latossolos (figura 3.3G): essa categoria de solo é composta por
minerais e apresenta horizonte B latossólico12 abaixo do horizonte A.
Luvissolos (figura 3.3H): tais solos são constituídos por minerais e argila
com alta saturação por bases e horizonte B textural ou horizonte B nítico
sotopostos a horizonte A fraco13, horizonte A moderado14 ou horizonte A
proeminente15 ou a horizonte E. Caso o horizonte plíntico ou o glei estejam
presentes, não devem coincidir com a porção superficial do horizonte B
textural.
Neossolos (figura 3.3I): esses solos não apresentam o horizonte B por
serem pouco desenvolvidos.
Nitossolos (figura 3.4A): são compostos por minerais e possuem
horizonte B nítico e argila situada abaixo do horizonte A ou nos primeiros
50cm do horizonte B.
Organossolos (figura 3.4B): apresentam horizonte O ou H hístico com
teor de matéria orgânica de aproximadamente 0,2kg/kg de solo e espessura
mínima de 40cm.
11
Horizonte mineral subsuperficial com slickensides (superfícies de fricção), fenômeno devido
à expansão e contração das argilas.
12
Horizonte mineral subsuperficial cujos minerais primários menos resistentes estão quase ou
totalmente decompostos. Apresenta quantidades variáveis de óxidos de ferro e de alumínio
e argilominerais, quartzo e outros minerais mais resistentes.
13
Horizonte mineral superficial fracamente desenvolvido.
14
Horizonte mineral superficial não enquadrável nas demais definições de horizontes
superficiais.
15
Horizonte mineral superficial que difere do horizonte chernozêmico por apresentar
saturação por bases inferior a 65%.
49

Planossolos (figura 3.4C): solos formados por minerais; ao horizonte A


ou ao horizonte E, segue-se o horizonte B plânico16. Se o horizonte plíntico
estiver presente, não se mostra como Plintossolo; se ocorrer o horizonte glei,
este coincide com o horizonte B plânico.
Plintossolos (figura 3.4D): correspondem a solos constituídos por
minerais, apresentando horizonte plíntico ou horizonte litoplíntico17 com cores
claras (avermelhadas, amareladas, acinzentadas, brancas).
Vertissolos (figura 3.4E): são solos compostos por minerais, apresentam
o horizonte vértico e são desprovidos do horizonte textural B, além de
possuírem teor de argila de, no mínimo, 30%; ocorrem fendas verticais
durante a época de estiagem, ausência de material em contato com rocha ou
horizonte petrocálcico18 ou duripã19 nos primeiros 30cm desde a superfície,
ausência do horizonte B acima do horizonte vértico. Quando ocorrentes em
áreas irrigadas, inexistem fendas, e a expansibilidade linear é de 6cm ou
mais.

Paleossolos

Todo solo que vier a ser soterrado constitui um paleossolo (figura 3.5),
um bom indicador de um intervalo de não-deposição. Como o solo apenas se
desenvolve quando o relevo for estável, o paleossolo também é um excelente
marcador temporal de um período de estabilidade.

16
Horizonte subsuperficial com estrutura colunar, prismática, em blocos angulares, às vezes
maciça, de cores acinzentadas.
17
Horizonte subsuperficial endurecida por ferro ou ferro e alumínio, desprovido ou com pouca
ocorrência de carbono orgânico.
18
Horizonte subsuperficial endurecido por carbonatos.
19
Horizonte mineral subsuperficial cimentado por sílica e ainda, não raro, óxidos de ferro e
carbonato de cálcio.
50

Eles podem ser reconhecidos por apresentarem raízes fósseis, acúmulo


de fitólitos20, nódulos de calcário, bioturbação e aumento de matéria orgânica
no horizonte A fóssil. Há, no paleossolo, enriquecimento em umidade por
aproximação com o lençol freático, em compostos como TiO2, Al2O3 e Fe2O3 e
perda em CaO, CaCO3 e P2O5, além da concentração de vanádio e zinco nas
argilas. Suas cores são mais claras que os solos não-soterrados, exceto
naqueles horizontes saturados de água que preservam o carbono orgânico.
Graças à compressão sofrida pelos paleossolos, registra-se neles uma
maior quantidade de artefatos ou de restos humanos quebrados. Esse
potencial será tanto maior quanto mais pronunciada for a diferença de
compressibilidade entre a matriz do sítio e a dos objetos arqueológicos.
O paleossolo pode se tornar reexposto por erosão da cobertura
passando, então, a se denominar paleossolo exumado. Por outro lado,
também existem os paleossolos relictos, ou seja, aqueles que, por razões
diversas, não foram soterrados ou erodidos e, portanto, mantiveram-se
durante o passar do tempo. Caracteristicamente, representam condições
climáticas e biológicas pretéritas diferentes e mais vigorosas do que as atuais,
as quais, por serem mais débeis, são incapazes de modificar ou destruir o
antigo solo, superpondo-se a ele.
A ocorrência de um paleossolo é diagnosticada por meio do
levantamento e do reconhecimento de certas feições em campo e em
laboratório, as quais se encontram relacionadas na Tabela 3.2.
Em razão do soterramento, proximidade do lençol freático,
compactação, etc., dois tipos de paleossolos mostram uma pobre ou
inexistente separação em horizontes: os Paleoprotossolos, que são solos
imaturos, e os Paleovertissolos, que, por efeito de perturbação, não registram

20
Depósitos microscópicos de opala ou oxalato de cálcio formados entre e nas células de
plantas.
51

A A
A
E
B
B
B

C
C

A - Alissolo B – Argissolo C – Cambissolo

A A A

B
E
C
C B

D – Chernossolo E – Espodossolo F – Gleissolo

A
A
A
B
B

C C

G – Latossolo H – Luvissolo I – Neossolo

Figura 3.3. Perfis esquemáticos de alguns solos. A. Alissolo. B. Argissolo. C. Cambissolo.


D. Chernossolo. E. Espodossolo. F. Gleissolo. G. Latossolo. H. Luvissolo. I. Neossolo.
52

horizoneamento algum. Ocorrendo bom horizoneamento, pode-se designar o


paleossolo de Paleogleissolo.

A
A
E
B H B
C

A – Nitossolo B - Organossolo C – Planossolo

A
A

B
B
Figura 3.4. Perfis
esquemáticos de solos. A.
Nitossolo. B. Organossolo.
C. Planossolo. D.
Plintossolo. E. Vertissolo. C

D – Plintossolo E - Vertissolo

É comum denominar-se de Calcissolo o paleossolo que apresenta


horizonte cálcico (carbonato de cálcio) com calcretes21 e caliche22; Gipsolo,
aquele que é rico em sulfato hidratado de cálcio autigênico; Paleoargissolo, o
com alto conteúdo em argila; Paleoespodossolo, se ele possuir alto conteúdo

21
São antigos caliches muito endurecidos.
22
Superfície endurecida que se constitui na superfície de regiões semi-áridas a áridas quentes
por ascensão de água subterrânea rica em carbonato de cálcio. A água evapora, e o
carbonato se deposita nos espaços entre os clastos que formam o solo.
53

Figura 3.5. Paleossolo (seta)


exposto em uma grande
boçoroca às margens da RS
508 trecho Santa Bárbara do
Sul-Palmeira das Missões, km
8. A rocha-mãe (abaixo da
seta) é constituída por
arenitos eólicos, os quais, na
região, ocorrem nas
formações Serra Geral
(intertrápicos), Botucatu e
Sanga do Cabral (Nowatzki et
al. 1999). Foto: Tânia Lindner
Dutra.

Tabela 3.2. Critérios de campo e de laboratório empregados no reconhecimento de


paleossolos. Fonte: Andreis (1981), modificado.
CRITÉRIOS PARA O RECONHECIMENTO DOS PALEOSSOLOS
CRITÉRIOS DE CAMPO
CRITÉRIOS GEOLÓGICOS
Grande extensão areal: pode atingir quilômetros de extensão.
Espessura reduzida: a média varia entre 0,50m a 3m.
Limite superior: é comum que seja bem definido.
Limite inferior: sempre é transicional.
Meia cana: num perfil vertical, o paleossolo é mais erodido que os demais componentes do
perfil.
Cor: marrom-escuro a negro (+ novos); arroxeados (+ velhos).
Estruturas: em bloco (comum em solos paleozóicos), prismática e esferoidal (comuns em
solos quaternários).
Horizontes: horizonte B é o horizonte que pode, normalmente, ser individualizado.
Crostas e concreções químicas.
CRITÉRIOS PALEONTOLÓGICOS
Raízes e troncos: em posição de vida.
Crotovinas: pedotúbulos (vegetais) e escavações de invertebrados e vertebrados
(icnofósseis).
Ninhos: de escarabídeos e vespídeos in situ.
Restos esqueletais e pisadas (icnitos) de vertebrados.
CRITÉRIOS DE LABORATÓRIO
Micromorfologia: estudo de ocos, aspectos pedológico e matriz do paleossolo em seção
delgada.
Propriedades texturais: análise da alteração granulométrica do horizonte B por iluviação dos
clastos de horizontes superiores.
Análise de crostas calcárias: interpretação dos processos de mobilização dos carbonatos.
Composição mineralógica: auxilia na caracterização de paleossolos.
Datação: C14, K/Ar, etc.
54

em matéria orgânica e ferro, e Oxissolo, se ele for formado por extensa


alteração de minerais in situ.
A experiência tem demonstrado que nem sempre é possível
estabelecer uma estreita associação entre os processos responsáveis pela
formação dos solos atuais e aqueles desenvolvidos sobre os antigos solos, pois
as ações naturais inorgânicas e orgânicas desencadeadas sobre o solo, após o
seu soterramento, podem alterá-lo de modo significativo.