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Segundo Mendes (2009: 170), entende por Política fiscal, a actuacção do governo no que diz

respeito à arrecadação de impostos (as chamadas receitas públicas) e aos gastos públicos. De
um lado, como sabemos, o governo constrói e mantem escolas, estradas, hospitais, paga
funcionários e juros da dívida (pois o governo, em geral, é descontrolado!). De outro lado,
actuando sobre o sistema tributário, ele pode aumentar ou diminuir sua arrecadação, por meio
de impostos e outras taxas. O objectivo básico da política fiscal é conduzir com eficiência a
área administrativa do governo, promovendo o bem-estar da população mediante a realização
de obras de interesse da sociedade e a eficácia na arrecadação tributaria, a fim de fazer frente
à despesas orçamentarias.
Segundo Mendes (2009: 170), Essas políticas devem manter uma estreita ligação com os
objectivos que o governos perseguem, embora muitos desses objectivos sejam conflitantes
entre si. Entre esses objectivos temos: crescimento do PIB, pleno emprego, distribuição da
renda, taxa de inflação pequena e estável, taxa de juros baixas, investimento em expansão e
equilíbrio na balança de pagamentos.
A política orçamental para 2018, continuará assente no objectivo da consolidação fiscal, que
visa assegurar a sustentabilidade orçamental, controlo e redução de riscos fiscais. Para o
alcance deste desiderato, o Governo prosseguirá com a focalização das acções para quatro (4)
vertentes intervenções, nomeadamente:
 Melhoria das fontes de arrecadação de receitas internas;
 Racionalização da despesa pública;
 Reforma do sector empresarial do Estado; e
 Autonomia faseada do fundo de pensões de Funcionários e Agentes do Estado.
Não obstante, o carácter restritivo do Orçamento do Estado para 2018, a afectação de
recursos públicos continuará a priorizar os sectores económicos e sociais, que providenciam
serviços básicos à população (Saúde, Educação, Acção Social, Água, Saneamento e Justiça) e
as áreas, cujo seu potencial criará novas dinâmicas económicas e produtivas e de geração de
rendimentos adicionais (Agricultura, Infraestruturas, Energia, Transportes e Comunicações),
a curto e médio prazos.
Melhoria das Fontes de Arrecadação de Receitas Internas
Para o ano de 2018, a Administração Tributária prosseguirá com as reformas e melhoria dos
procedimentos de cobrança de receita, visando uma maior e mais eficaz mobilização de
receitas internas. Assim, neste âmbito prevê-se a realização das seguintes actividades:
1. Implementar o Código do Imposto sobre Consumo Especifico (ICE), visando a
promoção da saúde publica, protecção ambiental e promoção da industrialização
local;
2. Implementar as Pauta Aduaneira, visando promover a indústria nacional com
destaque pesqueira, gráfica, de cimento, energética e têxtil.
3. Introduzir a taxa de serviços de marcação de combustíveis para melhor controlo da
utilização interna de combustível e das reexportações;
4. Implementar os novos Regimes Específicos de Tributação e Benefícios Fiscais das
Operações Petrolíferas e da Actividade Mineira;
5. Consolidar a medida de selagem de bebidas e tabaco manufacturado, com impacto na
redução dos níveis de desvio e contrabando destes produtos;
6. Simplificar os processos de reembolso do IVA com impacto positivo nas tesourarias
das empresas, principalmente das Médias e Pequenas Empresas;
7. Continuar com o processo de introdução da Venda à Dinheiro Electrónica (Máquinas
Fiscais) – em substituição gradual do tradicional talão de vendas, emitido por
máquinas registadoras.
Racionalização da Despesa Pública
Em 2018, como forma de alcançar e manter um equilíbrio orçamental sustentável, as medidas
de racionalização da despesa pública, centrar-se-ão nas seguintes:
1. Limitação das admissões de novos Funcionários para a administração pública,
privilegiando a mobilidade de quadros;
2. Eliminar o automatismo na atribuição do bónus especial e fixação de uma taxa única
de 50% condicionado a existencia de vaga no quadro de pessoal, cabimento
orçamental e aprovação em concurso para mudança de carreira;
3. Uniformizar a taxa de subsídio de localização para 15% independentemente do nível
académico e da área territórial onde os técnicos estiverem colocados;
4. Introduzir maior rigor na atribuição de subsídio de adaptação, destacando a limitação
para sua atribuição quando a transferência for efectuada entre níveis territórias
distintos, bem como a fixação de prazo de transferência;
5. Racionalizar a aquisição de viaturas protocolares e de alienação; introdução de
subsídio de ínicio de funções retirando desta forma a obrigatoriedade do Estado
adquirir viaturas para cargos de Direcção e de Chefia;
6. Eliminar o subsídio de compensação as gasolineiras com a aplicação integral do
mecanismo de ajustamento de preços de combustíveis; conversão do subsídio ao
transportado em programa de investimento para a aquisição de transportes semi-
colectivos;
7. Conter as rubricas de Bens e Serviços com particular enfoque para os gastos com
arrendamento do imóvel, combustíveis, comunicações e viagens; e
8. Proceder a gestão rigorosa da dívida pública incluindo a sua reestruturação, de modo a
assegurar a sustentabilidade.
Reforma do Sector Empresarial do Estado
1. Implementação da Lei do Sector Empresarial do Estado; e
2. Prosseguimento do processo de reestruturação do sector empresarial do Estado.
Autonomia Faseada do Fundo de Pensões de Funcionários e Agentes do Estado
1. Definição da política de financiamento do Fundo de Pensões, com base nos resultados
dos Estudos Actuariais;
2. Prosseguimento das medidas de racionalização de gastos com pensões.
Os gastos
os gastos do governo compõem-se de despesas correntes e de Investimento. Nas despesas
correntes estão incluídos quatro itens:
 consumo do governo: Pagamento de funcionários e despesas como energia eléctrica e
materiais;
 jTransferências despesas do sector Publico destinadas ao sector privado, sem
contraprestação de serviços ou fornecimento de bens, como, por exemplo, a
assistência e previdência social.
 Juros : Pagamento de juros tanto da dívida interna quanto da externa.
 Subsidios: gastos do governo a fim de que os consumidores adquiram alguns bens e
serviços por preços menores do que se daria no mercado normal, ou para que o
produtor consiga preços maiores, Ou seja, O subsidio tanto pode ser para 0
consumidor como para o produtor.
No caso de Moçambique, há basicamente quatro grandes componentes dos gastos do
governo, que são:

As receitas

Curva de Laffer: alíquota versus arrecadação


os especialistas em ciências sociais e jurídicas têm procurado mostrar que há uma relaçao
entre as alíquotas (taxas) de impostos e o volume total arrecadado pelos governos. Essa
relaçao é conhecida como curva de Laffer, em homenagem ao economista Arthur Laffer por
ter iniciado estudos nessa área. A Figura Abaixo mostra uma clássica relação entre as
alíquotas fiscais em uma economia e a arrecadação tributária do governo. À taxa zero de
alíquota, o governo não arrecada nada. À medida que a alíquota aumenta, a arrecadação
também aumenta, mas há limites, ou seja, existe uma determinada alíquota (tmax) que garante
uma arrecadaçao máxima. Para alíquotas superiores à tmax, a arrecadação passa a decrescer,
Por exemplo, para a alíquota t○, o volume de recursos arrecadados pelo governo será menor
(apenas A○). Acredita-se que a principal razão disso é o estímulo à sonegação e/ou evasao
fiscal e o desestímulo as atividades produtivas, quando as alíquotas são excessivamente
elevada. Judas Tadeu
Nos períodos de inflação elevada, há outro efeito sobre as receitas públicas, conhecido como
efeito Olivera-Tanzi, que ocorre como consequência do fato de haver uma desfasagem entre o
momento da geração do imposto e o de seu efectivo recolhimento. Como há um tempo, que
pode ser de dias ou até meses, a inflação reduz o valor real do imposto a ser arrecadado pelo
governo, embora seu valor nominal permaneça o mesmo, e isso prejudica as finanças
públicas, provocando déficits, cujo conceito será abordado na secção mais a frente.
A carga tributária em Moçambique
Déficit público
Normalmente o conceito déficit está associado à necessidade de financiamento, do sector
público, ou seja, á parte das despesas realizadas que, pela falta de recursos próprios para
financia-lá, necessita de dinheiro público. Diz-se que há déficit público quando os gastos do
governo superam sua arrecadação, o que é muito comum acontecer. Na situação de superávit
das contas públicas, a arrecadação supera o total dos gastos. Há dois conceitos de déficit (ou
superávit) conceito primário e conceito nominal.
Conceito primário
Conceitos nominal
Financiamento do déficit
Chamemos de G os gastos Públicos e de T (de tributos) a receita tributaria. Se a despesa (G)
distribuida entre o consumo governamental e 0 investimento público Superar a receita tributária (T),
tem-se uma situaqão de déficit. Uma das medidas do governo é utilizar a politica fiscal, pelo
aumento de impostos ou corte de gastos, mas se, mesmo assim, o déficit persistir, este deverá ser
financiado fundamentalmente por duas vias de recursos extrafiscais, que são: a emissão de moeda e
o lançamento de títulos públicos.

Emissão de moeda (M) é a situação em que o governo toma emprestado do Banco central. Já
lançamento de títulos públicos (Titulos) caracteriza-se pela decisão do governo de vender títulos da
divida pública ao setor privado (interno e externo).

G-T=M + TÍTULOS.

Essa ”equação” mostra a Ligação que existe entre a politica fiscal (G > T) de déficit público e a
política monetária, que trata da emissão de moeda e da venda de títulos públicos no open market
(mercado aberto), como veremos no próximo capitulo. O ponto importante da politica fiscal é
determinar o efeito dela sobre o restante da economia, em particular o efeito dos gastos do governo
sobre a demanda agregada e desta sobre a produção (oferta) e os preços. para tanto, teremos de
voltar a analisar o modelo keynesiano [ visto em parte no capítulo anterior) de ver a economia como
um todo.

A política Fiscal no modelo Keynesiano


Nesta seção, exploraremos a idéia de Keynes de que os gastos (leia-se demanda agregada, que inclui
também os gastos públicos) determinam o produto interno bruto, Pelo menos em curto prazo. Em
macroeconomia, o curto prazo é definido como o periodo durante o qual os preqos sâo fixos. Até
que os preqos se ajustem, a demanda por bens e serviço de: termina o nivel do PIB. os produtores
ofertarão, em curto prazo, toda a produção que for demandada. Este é o ponto essencial do modelo
keynesiano: em curto prazo, o nivel do PIB é determinado, fundamentalmente, pela demanda
Agregada.

Efeitos da política fiscal sobre a Economia


A política fiscal e a demanda Agregada
A curva da demanda agregada