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GRUPO I- COMPREENSÃO ORAL

(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=MJbqzugYEGM)
Ouve com atenção o vídeo dos Gato Fedorento sobre a invenção de novas palavras e
indica se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F):

V F
Segundo as primeiras palavras do apresentador, trata-se de um programa
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cultural.
2 O professor Juvenal Barbosa é autor de um dicionário de língua estrangeira.
Com este dicionário, o professor Juvenal pretende introduzir palavras com
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significados específicos.
4 A palavra “mesa” consta da primeira edição do dicionário.
O apresentador não conseguiu convencer o professor a exemplificar palavras
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do seu dicionário.
O professor inventou a palavra “feni” para designar a irritação causada por
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uma peúga enrugada.
Neste dicionário, há uma palavra para exprimir a frustração de não encontrar
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leite no frigorífico.
O apresentador mostra-se absolutamente “rendido” à utilidade deste
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dicionário.
9 O ilustre entrevistado é formado em Linguística.
10 O entrevistador explica o significado de “bernaca”.

GRUPO II-
LEITURA/E
DUCAÇÃO
LITERÁRIA

Lê, com atenção, o texto apresentado. Depois responde,


com clareza, correção e de forma completa, às questões que te são
colocadas.

O PRIMEIRO DIA DE ESCOLA

O primeiro dia da escola. A saca às costas, caminhei ao lado da minha mãe, cheia de
curiosidade e de receios. O Sr. Brand, o professor, distribuía sorrisos animadores aos
meninos, que o fitavam com desconfiança. A barba grisalha e o colarinho
engomado davam-lhe um ar de austeridade, mas os olhos alegres protestavam contra
tal impressão. Começou por nos falar, e doseava serenidade com humor para
afugentar os nossos medos. De todas as escolas por que passei, a de que
verdadeiramente gostei foi a escola primária. Quando o Sr. Brand tomou nota do meu
nome, ninguém se virou para mim com sorrisinhos por soar a judaico, ninguém achou
estranho eu responder “israelita” à pergunta do Sr. Brand quanto à minha religião.
Fora a mãe que me recomendara: “Quando o Sr. Brand te perguntar pela religião, diz-
lhe que és israelita. Soa melhor do que judia.” Eu não concordava, porque achava
“israelita” uma palavra estranha que não pertencia à minha língua e, por isso, corei de
embaraço ao pronunciá-la. E quando o Sr. Brand quis saber a profissão do meu pai,
respondi: “negociante de cavalos”. Coisa natural. Muitos alunos eram filhos de
lavradores e conheciam o meu pai. Não me sentia envergonhada daquilo que eu e o
meu pai éramos, como aconteceria mais tarde, no liceu, quando a minha mãe me
recomendou que às perguntas respondesse, além de “sou israelita”, que o meu pai era
“comerciante”.
Anni Plannecke tinha duas tranças, era meiga, maternal. Deitava-me o braço em
volta dos ombros quando caminhávamos no recreio a comer as fatias de pão. Por
vezes puxava-me o nariz e gracejava: “Narizinho engraçado”. Essa sua maneira de ser
recordava o avô Markus e foi por isso que me afeiçoei a ela. Juntava-se-nos com
frequência Kate, rapariga de feições grosseiras com olhos dum azul demasiado claro
para ser agradável, de cabelo louro prateado. O seu modo de falar, brusco e muito
alto, correspondia ao seu caminhar, masculino e decidido. Enganchando os braços nos
nossos,obrigava-nosaumpassoapressado,aindaqueissonãonosagradasse.
Sentia-me bem em casa de Anni, embora, no dizer de Kate, os Plannecke fossem
novos-ricos e que isso se percebia bem pelo arranjo da casa. A mim, nessa altura, não
me incomodavam as mobílias pesadonas, estampadas de cães e gatos ou de toda essa
bonecada de porcelana: pares amorosos, cupidos de coração dourado, anões de
carapuça, animaizinhos de porte hirto. Kate afirmava que a mãe de Anni nem sequer
sabia falar direito e que não tinha modos convenientes. Talvez assim fosse, mas não
me impedia de gostar da Sra. Plannecke que, apesar dos seus vestidos um tanto
espampanantes, se parecia, até na maneira de falar, com as mulheres dos lavradores a
quem o pai vendia cavalos. Oferecia-nos gulodices, ria-se connosco e nunca se
queixava do barulho que fazíamos. O Sr. Plannecke, todo ele rubicundo, de fatos
impecáveis e gravatas berrantes, era fabricante de fósforos. Ao avistar-me
cumprimentava-me sempre com a mesma frase:
- Olá, faneca, como vai o bom Leo?
Já com a família de Kate as coisas passavam-se de maneira diferente. Pertencia à
alta-roda da cidade, e o Sr. Mustermann era dono da fábrica metalúrgica. Nunca
cheguei a falar com ele, via-o apenas passar, de fato e chapéu escuros e de bengala. Por
vezes Kate convidava-me a ir lá a casa, e se isso não me dava prazer era por as salas
espaçosas, de mobília lustrosa e de retratos solenes, difundirem o mesmo frio que a
Sra. Mustermann, a mulher mais bem vestida da cidade, que parecia um
mármore branco.

Ilse Losa, O mundo em


que vivi.

1. Sublinha, para cada palavra, o sentido adequado.

a) grisalha: acinzentada abundante ruiva


b) rubicundo: redondo corado antipático
c) austeridade: velhice riqueza severidade
d) hirto: sujo imóvel altivo

2. A narradora recorda o primeiro dia de escola.


Que sentimentos deixa transparecer quando se dirige para a escola
acompanhada pela mãe?
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3. Quando os meninos chegavam à escola, eram recebidos à entrada.


Quem os recebia e com que atitude?
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4. Que tipo de professor te parece ser o Sr. Brand?


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TEXTO B

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado, Vai colhendo


Ilusões sucessivas no pomar. Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da ventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga, Diário XIII.

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1. Segundo a tua leitura do poema, podes concluir que, depois de recomeçar,

 deve desistir-se diante dos obstáculos; _____


 deve ficar-se a meio de qualquer trabalho; _____
 deve ir-se até ao fim. _____
2. Este texto apresenta uma estrutura bem diferente do texto anterior.
2.1 A que género literário pertence?
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3. Como encaras este teu recomeço escolar? Quais os projetos


para mais este ano letivo?

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III- GRAMÁTICA

1. “Quando o Sr. Brand te perguntar pela religião, diz-lhe que


és israelita. “
Classifica a oração sublinhada.
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2. “Soa melhor do que judia”.


Escreve esta frase no masculino.
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3. Indica a função sintática dos elementos sublinhados.

a. “Por vezes, Kate convidava-me a ir lá a casa”


b. “O Sr. Mustermann era dono da fábrica metalúrgica.

a.
b.