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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS


DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO

ALINE SUÊNIA SILVA SANTOS

FICHAMENTO

Trabalho apresentado a
professora Daisy Mara Moreira
de Oliveira da disciplina Língua
Brasileira de Sinais, Turma T01
da Universidade Federal de
Sergipe

Itabaiana
2018
LIVRO: Honora, Márcia. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais:
desenvolvendo a comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo:
Ciranda Cultural, 2009.
FICHAMENTO: Páginas 19 a 29.

O Surdo na Antiguidade

“Para gregos e romanos, em linhas gerais, o Surdo não era considerado


humano” (p.19), pois a fala era considerada a expressão do pensamento, e o
surdo sem falar, consequência da surdez, logo, sem fala, sem pensamento, não
era humano. Não tinha direito a testamento, à escolarização, a frequentar os
mesmos lugares que os ouvintes e até mesmo casar.
Aristóteles afirmou, certa vez, que o ouvido era o órgão mais importante,
essa afirmação contribuiu para a discriminação com os Surdos. Outro
colaborador com o preconceito era a Igreja. “Na Idade Média, a Igreja Católica
teve papel fundamental na discriminação no que se refere às pessoas com
deficiência, já que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus.
Portanto, os que não se encaixavam neste padrão eram postos a margem”
(p.19). A Igreja Católica tinha grande influência na ideologia da sociedade, mas
não podia prescindir dos que tinham o poder econômico, por isso, para não os
contrariar, dedicou-se a instruir os Surdos.

O Surdo na Idade Moderna

É o período que surgiu os primeiros trabalhos no sentido de educar a


criança surda. Um dos primeiros preceptores “(...) foi o médico, matemático e
astrólogo italiano Gerolamo Cardano (1501-1576), cujo primeiro filho era surdo.
Cardano afirmava que a surdez não impedia os Surdos de receberem instrução
(p.20)”. Outro foi Pedro Ponce de Leon (1510-1584), monge beneditino que fez
voto de silêncio e morava em um mosteiro na Espanha. Ele foi tutor de vários
Surdos contrariando a afirmação de Aristóteles.
O interesse na educação dos Surdos era por causa da tradição de nobres
de se casarem com familiares para não haver divisão de herança. Os
primogênitos Surdos não tinham direito à herança se não aprendessem a falar.
Surgiram outros estudiosos que se dedicaram a educação dos Surdos:
Van Helmont (1614-1699) que propunha a oralização do Surdo por meio do
alfabeto hebraico. Jacob Rodrigues Pereira (1715-1780) propunha a educação
por meio do alfabeto digital especial e manipulava os órgãos da fala dos seus
alunos. Johann Conrad Amman (1669- 1780) que era contra a Língua de Sinais,
o foco do seu trabalho era o oralismo e vários outros ao longo do tempo. O mais
importante foi o abade Charles-Michel de L’Epée (1712-1789) pai dos Surdos
como ficou conhecido, foi o único que defendeu a Língua de Sinais e criou a
primeira escola pública do mundo para os Surdos em Paris, o Instituto Nacional
de Surdos-Mudos.

O Surdo na Idade Contemporânea

No final do século XVIII apareceram alguns trabalhos feitos em


instituições. Um trabalho de destaque foi o de Abbé Sicard (1742-1822)
substituto de L’Epée, foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Surdos-Mudos.
Sicard treinou Jean Massieu (Surdo) o qual se tornou o primeiro professor surdo
do mundo. Com a morte de Sicard, Massieu foi nomeado diretor. No entanto foi
afastado do cargo por disputas de poder envolvendo outros dois estudiosos: Itard
e Gèrando.
Itard iniciou um trabalho com um garoto selvagem que a história rendeu
até filmes. Itard propunha entender as causas da surdez e para isso chegou a
dissecar cadáveres, descargas elétricas em seus ouvidos, usar sanguessugas
para provocar sangramento etc.
Já Gèrando era filosofo administrador, historiador e filantropo. Ganhou a
disputa pelo Instituto Nacional de Surdos-Mudos. “Acreditava na superioridade
do povo europeu e sua intenção era equiparar os selvagens aos europeus”
(p.23). Para ele os selvagens eram os surdos e abominava a Língua de Sinais.
No entanto, antes de morrer, reconheceu a importância da Língua de Sinais.
Nos Estados Unidos a educação dos surdos ocorreu a quase cinquenta
anos depois que a Europa. Thomas Gallaudet foi a Paris conhecer o trabalho de
L’Epée e conheceu Laurent Clerc (1785- 1869) professor surdo da escola. Foram
para os Estados Unidos e Clearc ajudou Gallaudet a criar a primeira escola para
Surdos-Mudos americana.
Edward Gallaudet fundou a primeira faculdade para Surdos, localizada em
Washington. No entanto resolveu viajar para conhecer outros métodos e voltou
de viagem com ideias de oralismo, abandonando a Língua de Sinais.
Outro defensor do oralismo foi Alexander Grahan Bell (1847-1922). Em
Paris ocorreu o I Congresso Internacional de Surdos-Mudos, mas os surdos não
participaram da votação e foi instituído nesse congresso que o melhor método
era o oralismo, sendo abolido definitivamente a Língua de Sinais.

O Surdo do Século XX

Durante os anos 80 a dificuldade e o insucesso com o oralismo foram


evidenciados em todo o mundo. Binet e Simon (psicólogos) concluíram que os
Surdos não conseguiam realizar uma conversação. Os que tinham maior
dificuldade com o oralismo era considerado retardado.
O uso de sinais só voltou a ser utilizado com a manifestação linguística
em 1970. Atualmente, o método mais usado é o Bilinguismo, que usa como
Língua Materna a Língua Brasileira de Sinais e como segunda a Língua
Portuguesa” (p.26).

História da Educação de Surdos no Brasil

A educação dos surdos surgiu no Segundo Império com a chegada do


francês Hernest Huet, ex-aluno surdo do Instituto de Paris, que trouxe o alfabeto
manual e Língua Francesa de Sinais.
Huet criou a primeira escola de surdos o Instituto dos Surdos-Mudos do
Rio de Janeiro, que inicialmente utilizava a Língua de Sinais, mas em 1911
adotou o oralismo puro.
Dr Menezes Vieira que trabalhou no Instituto, para ele, a fala era o único
modo de restituir o surdo na sociedade. Tobias Leite, o quarto diretor do Instituto,
focalizava na importância da profissionalização. Dr. Armando Paiva Lacerda
desenvolveu a Pedagogia Emendativa do Surdo-Mudo que destaca novamente
o oralismo.
Em 1951, assume o cargo de diretora Prof. Ana Rímoli de Faria Dória, a
primeira educadora a ocupar este cargo. E criou o Curso Normal de Formação
de Professores para Surdos, mas a metodologia era toda voltada para o
oralismo.
“ Em 1970, com a visita de Ivete Vasconcelos, educadora de surdos da
Universidade Gallaudet, chegou ao Brasil a filosofia da Comunicação Total e, na
década seguinte, a partir das pesquisas da professora linguista Lucinda Ferreira
Brito sobre a Língua Brasileira de Sinais e da professora Eulalia Fernandes,
sobre a educação dos surdos, o Bilinguismo passou a ser difundido” (p.28).
Outros institutos fizeram parte da educação dos surdos, como o Instituto
Santa Terezinha, Escola Municipal de Educação Especial Helen Keller, Instituto
Educacional São Paulo IESP.
No final do texto é apresentado uma avaliação crítica dos autores que
defendem o método OPORTUNIDADE. Eles veem a importância do oralismo e
da Língua de Sinais e são contrários a privação de estímulos ou privação do uso
da Língua de Sinais. Que devesse oferecer oportunidades para que o Surdo se
desenvolva linguisticamente, pedagogicamente e como cidadãos.