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Geotecnia Aplicada ao Planejamento Urbano Ambiental

Movimentos de Massa

Diogo Kuribayashi  |  Gilmara Gonçalves | Larissa Navarro | Laura Rosa |  Miriã Oliveira | Rafael Fontinhas
Introdução
A Serra do Mar faz ligação entre a zona portuária de Santos e a região
metropolitana de São Paulo, é transposta por uma densa rede de ligações
rodoviárias e ferroviárias, oleodutos, gasodutos, linhas de transmissão e possui
instalações industriais e energéticas importantíssimas em seu topo e sopé. A
principal ocupação urbana que atinge essa área é o Parque Industrial de
Cubatão, sua implementação foi responsável pela transformação das condições
ambientais e pela degradação da vegetação, em função da ação dos poluentes
emanados das indústrias, essencialmente durante as décadas de 1970 e 1980.
Clima
As condições climáticas predominantes nas encostas da Serra do Mar
integram as características microclimáticas da Baixada Santista, aquelas
definidas por um clima tropical quente e úmido.

Os maiores índices pluviométricos são registrados nas cotas mais altas


da Serra (médias anuais em torno de 4.000 mm), e os menores, no
sopé da escarpa (médias anuais em torno de 2.500 mm).

A maior precipitação pluviométrica (70%) está concentrada nos meses de


verão (janeiro, fevereiro e março). No inverno (junho, julho e agosto)
ocorrem as menores médias pluviométricas.
Geologia e geotecnia – susceptibilidade a escorregamentos

○ Pluviosidade

Conseqüência problemática: a possibilidade de saturação dos solos superficiais;


● Mais importante que o total de chuvas em um determinado período, ou
mesmo que a intensidade de um episódio isolado de chuva torrencial, é o
histórico pluviométrico acumulado em um determinado número de
dias.
Geologia e geotecnia – susceptibilidade a escorregamentos

A Serra do Mar constitui a região brasileira mais susceptível a escorregamentos


de solos e rochas, a ponto desses fenômenos ocorrem naturalmente, ou seja,
independentemente de ações diretas ou indiretas por parte do homem, sendo
por essas incrivelmente potencializados.

Fenômeno mais recorrente:


○ escorregamento planar (translacional) raso

Fatores que mais contribuem:


○ pluviosidade
○ declividade das encostas.
Geologia e geotecnia – susceptibilidade a escorregamentos

○ Declividade das encostas:

● A declividade das encostas começam a se mostrar mais susceptíveis a


escorregamentos a partir de inclinações em torno de 30° e 35º. E quanto à
forma, os trechos retilíneos, especialmente os do terço superior dos espigões
ou morros isolados, mostram-se nitidamente mais instáveis.
● A declividade na Serra do Mar varia de 20º a 50º, podendo encontrar ate 90º
em paredões rochosos.
Fatores Condicionantes
CLASSIFICAÇÃO DE
MOVIMENTOS DE MASSA

SANTOS, A.r.; SILVA, S.g.; NOUH, J.r..


PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO
SOCIOAMBIENTAL DA SERRA DO MAR:
Serra do Mar: Características Geológicas e
Geotécnicas e Importância Estratégica. Os
Bairros Cota.
Escorregamentos rotacionais profundos

Ocorrem associados à
intervenção humana.

(desmatamentos, escavações do
terreno, sobrecarregamentos do
terreno com aterros, alterações na
drenagem superficial ou profunda, etc);
10 de Março de 1928 - Monte Serrat

Escorregamento de Monte Serrat ocorrido em 1928 no município de


Santos. Foram dois eventos separados por um período de 28 anos. O
primeiro ocorreu em março de 1928, mobilizou um volume em torno de 50
mil m³. Um segundo escorregamento ocorreu em março de 1956,
mobilizando materiais do primeiro escorregamento (Morro do Marapé)
(MACEDO, 2001). Soterramento de muitas casas e várias dependências da
Santa Casa de Misericórdia de Santos
FIGURA 1: Foto de 1906, mostrando o Monte Serrat já quase totalmente desmatado e com evidentes sinais de instabilizações
induzidas pelo homem. Provavelmente instabilizações provocadas pelo desmatamento, por cortes no sopé de taludes para
instalação de edificações e retirada de material para empréstimo. (Foto Arquivo IPT).
FIGURA 2: Foto de 1913, já mostrando os graves sinais de instabilidade na encosta do Monte Serrat que faz fundos com a
Santa Casa, induzidos pelo desmatamento e pelos cortes envolvidos na expansão das instalações da Santa Casa e outros
imovéis locais. (Foto Acervo Maria Cecília França Monteiro da Silva)).
Figura 3: Primeira página do jornal santista A Tribuna, em 11 de março de 1928
Figura 4 - Foto do extenso escorregamento rotacional profundo do Monte Serrat em 10 de março de 1928 atingindo a
parte anterior da Santa Xasa e provocando a morte de cerca de 200 pessoas. Em 1956 um novo escorregamento no local
causou graves danos patrimoniais e humanos.
Figura 5 - Foto do escorregamento do monte serret, 10 de março de 1928
Figuras 6, 7, 8, 9 e 10 - Fotos atuais do Monte Serrat, Santos.
Escorregamento Translacional Raso (planar)
Escorregamento Translacional Raso (planar)
23 e 24 de janeiro de 1985

● Grande quantidade de escorregamentos do tipo translacional raso foi


observada nas principais encostas do vale do rio Moji, principalmente
naquelas com altas declividades;

● Nestes dois dias, em grande parte dos postos foram registrados valores
superiores a 40% do volume total do mês de janeiro. Em outros, esses
valores chegaram a quase 60%.
23 e 24 de janeiro de 1985
Figura 10: Total de
chuva acumulada no
mês de Janeiro de 1985
e somente nos dias 23
e 24 desse mês em
postos da Serra do Mar
Paulista. Em alguns
postos foram
registrados nos dias 23
e 24, valores superiores
a 50% do valor mensal,
como por exemplo,
E3-101 (56,3%) e
E3-038 (59,3%) (Fonte
dos dados: SIGRH).
Parque industrial Cubatão
● Transformação das condições ambientais e degradação da vegetação, em função
da ação dos poluentes emanados das indústrias, essencialmente durante as
décadas de 1970 e 1980;

● O Parque Industrial teve seu início efetivo com a construção da Refinaria


Presidente Artur Bernardes, da Petrobrás, seguida por uma série de indústrias
petroquímicas principalmente nas décadas de 1980 e 1990 ocorreram alguns
eventos de escorregamentos e corridas de detritos generalizado.

● Devido a intensa poluição atmosférica a floresta sofreu um processo acelerado de


diminuição de vitalidade ao longo desse vale.
Figura 11: Inúmeros escorregamentos planares rasos que ocorreram no vale do rio Mogi como
conseqüência do início do fenecimento da floresta por efeito de chuvas ácidas
Figura 12: Enorme faixa desmatada a montante da ferrovia Santos Jundiaí na travessia da Serra do Mar. Erro grave
cometido pelos ingleses ao imaginar que as árvores da floresta tropical poderiam potencializar escorregamentos. Ao
contrário, foi esse desmatamento que induziu o enorme número de escorregamentos com que teve que conviver a ferrovia
desde sua construção.
FIGURA 13: A foto superior mostra a região de Cubatão logo após o evento generalizado ocorrido em janeiro de 1985. Ao
fundo a Serra do Morrão, onde está instalada a estrada de ferro Santos-Jundiaí. No centro da foto, dividindo a Serra do
Morrão das encostas da Serra do Mar, o vale do rio Moji. A foto inferior apresenta um detalhe da anterior em uma das
encostas onde nota-se escorregamentos e corridas de detritos que atingiram parte das estruturas da estrada de ferro
(Fonte: Arquivo IPT).
FIGURA 14: Na foto superior é apresentada uma parte da área atingida por movimentos de massa generalizados na região
de Cubatão, próxima ao Pólo Industrial. Na foto inferior pode-se verificar um detalhe do quadrante superior das inúmeras
cicatrizes dos escorregamentos. Uma considerável parte de detritos oriundo desse tipo de processo atingiu a rede de
drenagem, potencializando a erosão das corridas de detritos (Fonte: Arquivo IPT).
FIGURA 15: Na foto superior é apresentada uma parte da área atingida por movimentos de massa generalizados na
região de Cubatão, próxima ao Pólo Indutrial. Na foto inferior pode-se verificar um detalhe do quadrante superior das
inúmeras cicatrizes dos escorregamentos. Uma considerável parte de detritos oriundo desse tipo de processo atingiu a
rede de drenagem, potencializando a erosão das corridas de detritos (Fonte: Arquivo IPT).
Referências Bibliográficas
SANTOS, Álvaro Rodrigues dos. A Grande barreira da Serra do Mar: da trilha dos Tupiniquis à Rodovia dos
Imigrantes. São Paulo: O Nome da Rosa, 2004.

SANTOS, A.r.; SILVA, S.g.; NOUH, J.r.. PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA SERRA
DO MAR: Serra do Mar: Características Geológicas e Geotécnicas e Importância Estratégica. Os Bairros
Cota.. Abms, São Paulo, v. 1, n. 12, p.1-16, jun. 2009. Disponível em:
<https://www.abms.com.br/links/bibliotecavirtual/cobrae/2009-santos-silva-nouh.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2017.

VIEIRA, Bianca Carvalho. PREVISÃO DE ESCORREGAMENTOS TRANSLACIONAIS RASOS NA SERRA


DO MAR (SP) A PARTIR DE MODELOS MATEMÁTICOS EM BASES FÍSICAS. 2007. Disponível em:
<http://objdig.ufrj.br/16/teses/682048.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2017.

SANTOS DE ANTIGAMENTE: Desabamento do Monte Serrat em 1928. Desabamento do Monte Serrat em


1928. Disponível em: <http://www.novomilenio.inf.br/santos/fotos016.htm>. Acesso em: 25 jun. 2017.