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Contratações sustentáveis na

administração pública brasileira: a

experiência do Poder Executivo federal .

Professora: Fernando Bentes


Matéria: Direito Administrativo 2

Aluno: Lucas Veríssimo; Matrícula: 2014330261


Matheus Duarte; Matrícula: 2015330524
Vitor Graçano; Matrícula: 201533061-3

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2016,


O artigo trata da Contratação Pública Sustentável (CPS), uma vez que o
padrão de consumo da sociedade obrigou a busca por uma nova forma de
consumo que esteja de acordo com a preservação do meio ambiente, ao invés
do . Percebeu-se que a administração pública é um dos grandes consumidores
dos bens e serviços, além das empresas privadas e dos indivíduos e, no Brasil,
as compras do governo perfazem 10% do PIB. Desta forma, evidenciou-se a
necessidade de instituir políticas públicas para a redução do impacto ambiental
gerado pelo consumo desenfreado. Assim, no Brasil, este processo ficou
conhecido como contratações públicas sustentáveis. Os países mais
desenvolvidos como Noruega, Inglaterra, Suécia, entre outros, já são
considerados extremamente sustentáveis pois houve uma implementação
efetiva das políticas de preservação ambiental. O Brasil, por sua vez, possui
algumas políticas neste sentido, mas, até o momento do artigo, não haviam
estudos sobre o real impacto da política sustentável brasileira na manutenção
do meio ambiente. Como exemplo, segue abaixo algumas das políticas
aplicadas pelo Brasil, no trecho extraído do artigo:

“...citam-se a publicação da quinta edição da Agenda Ambiental na


Administração Pública A3P, em 2009, na qual foi inserido um eixo temático
específico sobre licitações sustentáveis; a elaboração de um Guia de Compras
Sustentáveis pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG); a
expedição da Instrução Normativa (IN) no 1, de 19 de janeiro de 2010,
dispondo sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de
bens, contratação de serviços ou obras pela administração pública federal
direta, autárquica e fundacional; e a construção, desde 2007, do denominado
Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS), que consiste
em uma política pública alinhada às ações do Processo de Marrakech, visando
fomentar no Brasil a adoção de padrões de produção e consumo sustentáveis”

O texto continua esclarecendo que os órgãos públicos são grandes


consumidores de bens e serviços, demonstrando que na Europa, 19% do PIB
Europeu advêm da aquisição de bens e serviços pela administração pública.
Diante disso, alega a autora que este é um grande indício de que as entidades
públicas podem ser grandes fomentadoras de consumo sustentável,
propiciando um ambiente de inovações tecnológicas que buscam a melhoria
ambiental nos produtos e serviços que chegam ao mercado.

Portanto, as CPSs são “um processo no qual os órgãos governamentais


procuram inserir critérios de sustentabilidade socioambiental nas práticas
voltadas para a aquisição de bens e contratação de serviços”, na qual o órgão
público demonstra a preocupação com a causa ambiental no momento de
contratação dos bens e serviços. Acredita-se que a inserção de critérios
sustentáveis na contratação também podem contribuir para o alcance de metas
estabelecidas em acordos e tratados internacionais.

Princípios da CPS

Os princípios das CPS, de acordo com a Comissão Européia de 2011,


são dois: o princípio da obtenção do melhor valor e do tratamento justo a todos
interessados.
O princípio da obtenção do melhor valor trata, como próprio nome diz,
na melhor transação para a Administração Pública, porém, existem dois tipos
de melhor contratação, o primeiro, denominado ganho-ganho, a Administração
Pública consegue obter tanto a vantagem ambiental, como a vantagem
econômica, ou seja, há a redução dos custos. Já o segundo, denominado
ganho-perda, há a obtenção da proteção ambiental, ao passo que há um
aumento de custo. Neste segundo tipo, tenta-se corrigir alguma política já
praticada pelo órgão público, tornando-se mais dispendioso. É importante
ressaltar o objetivo é o desenvolvimento sustentável, ainda que haja a elevação
dos custos da contratação, sempre levando-se em consideração a qualidade,
eficiência e respeito aos direitos humanos e leis trabalhistas.

Basicamente, O maior pólo de consumo de bens e serviços no Brasil, é ele


mesmo. Isso se deve pelo simples fato do Brasil ser um país exportador de
matérias primas, mas que ao mesmo tempo não possui todos os meios para
fazer sozinho. Logo, Contratar serviços, alugar maquinários ou simplesmente
contratar especialistas gringos vira uma maneira de manter a sua função
primária.
Assim, como um bom consumidor, o Brasil aderiu a política de CPS que foi
“sugerida” no Plano de implementação de Johanesburgo.

Mesmo assim, considerando todas as obrigações adquiridas perante o cenário


nacional, o Brasil depende, inclusive, da implementação de licitações para
reger seus contratos internos e externos. Isso está contigo na Constituição do
Brasil, no inciso XXI do art. 37. Na teoria, as licitações foram feitas como uma
forma de escolher os menos preços com as maiores qualidade, o que
funcionaria se não existissem tantos casos de licitações fraudulentas e de má
fé realizadas no país.

Pode-se dizer que o ato de licitar foi aumentando com a expansão da


globalização. Afinal, fez-se necessário montar meio para proteger o País de
sair prejudicado em favor do capitalismo internacional. Isso, claro, não é uma
política unicamente brasileira, mas internacional, considerando que diversos
Países, como os EUA, também aderirem a essas medidas.

Sendo assim, surgiu o desafio de colocar critérios que busquem a


sustentabilidade dentro das licitações organizadas no Brasil. Isso porque,
historicamente, tem-se uma tradição de escolher sempre os menores valores
para os serviços que são prestados em seus territórios, sem focar muito em
Critérios de Sustentabilidade.

Como esperado, isso se tornou um desafio pela falta de previsão expressa. Ao


mesmo tempo em que a situação do Brasil era alterada, as suas leis
continuavam estagnadas. Isso mudou com a alteração da lei 8.666 de 93 (lei
que regia as licitações), na lei 12.349 de 15 de dezembro de 2010. Em que
foram incorporados parâmetros que se preocupassem mais com a
sustentabilidade das relações estabelecidas dentro do Brasil.

Entretanto. Com a vinda dessas garantias e necessidades, se implantou um


questionando sobre se seria possível manter um tratamento isonômico a todos
os interessados em contratar a administração, com a aplicação dos critérios de
sustentabilidade.

Barcessat, assim como outros juristas entenderam que não tinha fundamento
esse medo em acabar com um tratamento isonômico, afinal, não há que se
falar em violação do princípio da igualdade se as exigências estiverem afinadas
com o objeto e objetivos da licitação, desde que respaldados pelos princípios
prestigiados pelo legislador constitucional.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Vendo a análise que foi adotada pelos órgãos do poder executivo brasileiro,
podem ser constatados diversos meios para se chegar ao resultado
“sustentável”:

Técnicas de pesquisa.

Basicamente, são utilizados todos e quaisquer meios de pesquisa que podem


ser obtidos, especialmente a internet.

Operacionalização da coleta de dados

Como a contagem dos impactos de todos os procedimentos licitatórios


realizados por todos os órgãos se mostra deveras complicado, foi criada uma
amostragem probabilística que avalia o nível de confiança presente nas
licitações realizadas.

Onde:

n=Tamanho da amostra

σ = abscissa da normal padrão (nível de confiança escolhido);


p= % com a qual o fenômeno se verifica;
q= percentagem complementar (100-p);
e=Erro de Amostragem;
N = tamanho da população = número de ministérios

A pesquisa da inclusão de parâmetros de sustentabilidade nas ações


licitatórias foi efetuada considerando os aspectos sociais, econômicos e
ambientais presentes nos procedimentos realizados.

A pesquisa também compreendeu a análise dos mecanismos utilizados pela


administração pública federal para especificação dos produtos sustentáveis
adquiridos e as alternativas para inserção de critérios de sustentabilidade
nessas aquisições, considerando a disponibilidade e a possibilidade de
identificação de produtos "sustentáveis" no mercado.
I. CONCLUSÃO

Nessa perspectiva, torna-se evidente que a Administração Pública


se configura com uma grande consumidora de bens e serviços, sendo certo
que no Brasil as compras governamentais movimentam cerca de 10% (dez por
cento) do PIB brasileiro (MPOG e Iclei, 2009). Portanto, a Administração
Pública pode induzir e promover mudanças tanto no padrão de produção das
empresas fornecedoras, tanto em consumo sustentável de massa.

Verifica-se que as contratações públicas sustentáveis, bem como a


noção de licitação sustentável, possui relevante caráter de Direito Internacional
e Comparado, sendo apontadas como instrumentos de gestão ambiental nos
órgãos governamentais, tendo em vista critérios de sustentabilidade
supostamente adotados nos procedimentos para adquirir bens e serviços
“verdes”.

Nesse sentido, as licitações sustentáveis caracterizam-se como um


meio pelo qual os órgãos governamentais procuram inserir critérios de
sustentabilidade socioambiental nas práticas voltadas para a produção e
consumo de bens ou serviços, tendo em vista a realidade brasileira onde o
Poder Público configura-se um dos maiores compradores individuais de tais
bens e serviços.

No entanto, a prática licitatória do ordenamento jurídico pátrio tem


encontrado obstáculos para atribuir eficácia ao art. 3º da Lei 8.666 de 1993,
uma vez que a cultura do “melhor preço” e “melhor técnica” predominam
quando se fala em critérios de julgamento da licitação. Tal problemática se
agrava, considerando, via de regra, os produtos sustentáveis demandam
maiores quantidades de recursos financeiros, incrementando no preço final
dessa espécie de produto sustentável, muito embora possuam um custo de
reutilização, manutenção e descarte menores, auferindo vantagens a médio ou
longo prazo.

A Instrução Normativa nº. 1 de 2010, do Ministério do Planejamento,


Orçamento e Gestão, estabelece, em seu art. 1º, critérios de sustentabilidade
ambiental para os editais licitatórios elaborados pela Administração Pública
Federal com o fito de contratar serviços e obras, considerando os processos de
extração ou fabricação, utilização e descarte dos produtos e matérias-primas.

Assim, visando obter maior eficácia nas contratações


(supostamente) sustentáveis da Administração Pública, para aquisição de
serviços, elenca o referida ato normativo que o edital contenha critérios
relacionados com a adoção de práticas sustentáveis pela empresa prestadora
de serviços, tais como medidas para evitar desperdício de água tratada, que
forneça aos empregados os equipamentos de segurança que se fizerem
necessários para a execução de serviços, dentre outros critérios. Ainda, os
critérios estabelecidos para a contratação de serviços, que não se classificam
como de engenharia, são de cumprimento obrigatório, enquanto os referentes à
aquisição de bens são facultativos.

Todavia, conforme consignado, o problema da aplicabilidade dos


critérios de sustentabilidade preocupa, sobretudo, o próprio Ministério que
editou a Instrução Normativa nº. 1 de 2010, sistematizando dados sobre as
contratações públicas sustentáveis. Assim, segundo dados do Ministério de
Planejamento, Orçamento e Gestão, entre o período de janeiro de 2010 a
março de 2012, o governo federal realizou apenas 1.490 licitações das quais
obtiveram especificações de itens classificados como sustentáveis, sendo certo
que há apenas um total de 760 produtos classificados como tal no sistema de
controle da Administração Pública.

Nesse mesmo sentido, o Ministério de Planejamento, Orçamento e


Gestão constatou que não existem dados sobre os critérios ambientais para
servir de suporte para as contratações públicas que visam a contratação de
serviços, verificando, por fim, que a maioria dos produtos adquiridos se
resumem em cartuchos de tinta reciclado para impressora, aparelhos de ar
condicionado e papel reciclado, estando praticamente restritas ao Ministério da
Educação.

Torna-se evidente, portanto, que, muito embora haja certa evolução


normativa para estabelecimento de critérios de sustentabilidade para as
contratações públicas, em efeitos práticos, tal hipótese de licitação sustentável
não encontra eficácia nos contratos da Administração Pública, motivo pelo qual
faz-se imprescindível uma mudança na cultura do “melhor preço” e “melhor
técnica”, visando alterar a realidade fática e atingir resultados práticos de
licitações efetivamente sustentáveis.