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janeiro de 2018

ORÇAMENTO DE ESTADO DE 2018 coeficiente que pode chegar aos 0,90 (já que 0,10
estão automaticamente justificados).
Foi recentemente publicada a Lei do Orçamento
do Estado para 2018 – OE 2018 - (Lei nº114/2017, Dentro dos 0,15 a justificar, os prestadores de
de 28 de dezembro de 2017). Como é hábito, a Lei serviços beneficiam de uma dedução automática
que aprova o Orçamento de Estado para 2018 de 4.104 euros (igual à dos trabalhadores
introduz alterações a vários impostos do sistema dependentes) mas terão que justificar as
fiscal português. Resumidamente, neste restantes despesas e encargos (Mínimo de
Orçamento, na perspetiva fiscal, destacamos as existência).
alterações ao regime simplificado de IRS, as A mesma regra se aplica ao coeficiente de 0,35
mudanças na regularização de créditos (prestações de serviços previstas no 31.º, 1, c)
incobráveis, as isenções automáticas de IMT nas CIRS.
reestruturações e o aumento do imposto de selo
sobre o crédito ao consumo. A lei elenca agora algumas despesas de dedução
aceites, além da dedução de 4104 euros, como
Vejamos com detalhe as alterações aos diferentes despesas com pessoal, rendas de imóveis, 1,5 do
impostos: Valor Patrimonial Tributário de imóveis afetos à
atividade empresarial ou profissional (afetação
que pode condicionar no futuro benefícios como
ALTERAÇÕES AO IRS o do reinvestimento de mais-valias), e “outras
despesas com a aquisição de bens e prestações
REGIME SIMPLIFICADO de serviços relacionadas com a atividade, que
A principal alteração ao CIRS prevista na Lei n.º constem de faturas comunicadas à Autoridade
114/2017, prende-se com o regime simplificado. Tributária e Aduaneira nos termos do Decreto-Lei
A versão final do art.º 31.º do CIRS não é tão n.º 198/2012, de 24 de agosto, ou emitidas no
penalizante para os profissionais liberais e Portal das Finanças, nos termos da alínea a) do n.º
empresários individuais como a que foi tornada 1 do artigo 115.º, designadamente despesas com
pública com o anterior projeto de lei, mas não materiais de consumo corrente, eletricidade,
deixa de implicar um corte com o anterior água, transportes e comunicações, rendas,
paradigma do regime simplificado tal como contencioso, seguros, rendas de locação
estava desenhado no CIRS. financeira, quotizações para ordens e outras
organizações representativas de categorias
O texto que consta da lei apresenta duas profissionais respeitantes ao sujeito passivo,
alterações em relação à proposta: diminuí a deslocações, viagens e estadas do sujeito passivo
percentagem das despesas a justificar (15% e dos seus empregados;”
contra os anteriores 25%) e clarifica o tipo de
despesas dedutíveis. Ainda assim, o novo regime As despesas relativas à habitação do contribuinte
simplificado poderá implicar um aumento dos só poderão ser parcialmente dedutíveis: em 25%.
impostos para contribuintes que aufiram mais do Se relativamente às faturas que constam da al.ª
que 27.360 euros anuais. e) do n.º 13 do art.º 31.º CIRS se reduz o grau de
Acima deste valor o contribuinte que não valide indeterminação, já poderemos ter problemas
despesas será tributado não por 0,75 mas por um com aquelas que respeitem apenas à cláusula
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indeterminada constante da parte inicial: habitacional (art.º 10.º), os dois novos escalões
“despesas com a aquisição de bens e prestações do art.º 68.º e o fim da sobretaxa.
de serviços relacionadas com a atividade”. É
Merece ainda menção a alteração ao art.º 78.º-D
dedutível o café? A compra de revistas e jornais?
(dedução de rendas de membros do agregado
Há depois despesas que são aceites no regime de familiar com menos de 25 anos que se encontrem
contabilidade organizada – como as depreciações deslocados e a estudar) e a autorização
– mas não neste regime simplificado. legislativa, constante do art.º 230.º da LOE 2018,
que prevê alterações ao art.º 78.º-F no sentido de
Uma forma de mitigar a insegurança nos gastos
permitir deduções com car-sharing e bike sharing.
dedutíveis passa pelo pedido de informações
vinculativas, regulado no art.º 68.º da Lei Geral A Lei do OE 2018 prevê a atualização dos
Tributária. escalões do IRS nos seguintes termos:

Outro problema da alteração é o aumento dos Rendimento colectável Taxa (%)


custos de contexto – será necessário pedir mais Até 7.091 14,50%
faturas, guardá-las, verificar se estão De 7.091 a 10.700 23%
comunicadas à AT, identificar no portal das De 10.700 e 20.261 28,50%
finanças as despesas e encargos que titulam
De 20.261 a 25.000 35%
exclusiva ou parcialmente despesas relacionadas
De 25.000 e 36.856 37%
com a atividade, separar as que podem ser
Entre 36.856 e 80.640 45%
dedutíveis em IVA e não em IRS e vice-versa.
Acima de 80.640 48%
Outra importante alteração no regime
simplificado decorre da alínea g) do n.º 1: passam
a ser tributadas em 100% não só as prestações de
serviços dos sócios de sociedades em IRC
transparência fiscal mas também os “recibos
Consideram-se rendimentos sujeitos a IRC os
verdes” passados por sócios a sociedades em que
ganhos resultantes da transmissão onerosa de
detenham a partir de 5% do capital ou em que
partes de capital ou de direitos similares em
direta ou indiretamente, detenham 25% do
sociedades ou outras entidades, quando, em
capital em conjunto com o cônjuge, unido de
qualquer momento durante os 365 dias
facto, ascendente ou descendente.
anteriores, o valor dessas partes de capital ou
direitos resulte, direta ou indiretamente, em mais
de 50 %, de bens imóveis ou direitos reais sobre
Para além destas alterações ao art.º 31 do CIRS, bens imóveis, situados em território português,
destacaríamos o fim da isenção dos vales com exceção dos bens imóveis afetos a uma
educação (mantendo-se a dos vales infância – atividade de natureza agrícola, industrial ou
art.º 2.º-A, n.º 3), as alterações à tributação das comercial que não consista na compra e venda de
mais-valias no caso de afetação de bens do bens imóveis, de acordo com a nova alínea f) do
património particular à atividade empresarial que n.º 1 do artigo 4 do Código do IRC (CIRC).
gere rendimentos da categoria F (como
alojamento local), e posterior reafectação
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A nova alínea c) do n.º 3 do artigo 17º do CIRC estabelecimento estável, o sujeito passivo deve
refere que a contabilidade deve estar organizada adotar critérios de imputação proporcional
com recurso a meios informáticos, obrigando a adequados e devidamente justificados para a
conservar os programas e ficheiros durante 10 repartição dos gastos, perdas ou variações
anos editáveis. patrimoniais negativas que estejam relacionados
quer com operações imputáveis, ou elementos
Foi aditada a alínea s) ao n.º 1 do artigo 23º-A do
patrimoniais afetos, a um estabelecimento
CIRC, onde se prevê que a contribuição
estável, quer com outras operações ou elementos
extraordinária sobre a indústria farmacêutica não
patrimoniais do sujeito passivo.
é dedutível para efeitos de determinação do lucro
tributável. O n.º 6 do artigo 67º do CIRC (limites aos gastos
de financiamento) foi alterado e refere que a
Créditos incobráveis
opção da sociedade dominante mantém-se por
Passa a prever-se no artigo 41º n.º 1 do CIRC que um período mínimo de três anos a contar da data
os créditos incobráveis possam ser considerados em que se inicia a sua aplicação, e passa a ser
gastos ou perdas do período de tributação, ainda automaticamente prorrogável por períodos de
que o respetivo reconhecimento contabilístico já um ano, exceto no caso de renúncia. E o n.º 7
tenha ocorrido em períodos anteriores. E da passou a prever também a comunicação à
alínea b) do mesmo número passa a constar que Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) no caso
os créditos incobráveis podem ser considerados da renúncia. Foi também aditada a alínea g) ao n.º
gastos ou perdas em processo de insolvência, 13 deste artigo, que refere que o resultado antes
quando a mesma for decretada de caráter de depreciações, amortizações, gastos de
limitado ou quando for determinado o financiamento líquidos e impostos é o apurado na
encerramento do processo por insuficiência de contabilidade e corrigido da contribuição
bens, ao abrigo da alínea d) do n.º 1 do artigo extraordinária sobre a indústria farmacêutica.
230º e do artigo 232º do CIRE, ou após a
Derrama estadual
realização do rateio final, do qual resulte o não
pagamento definitivo do crédito (alínea b) do n.º O n.º 1 do artigo 87º-A, relativo à derrama
1 do artigo 41º do CIRC). Veja-se que na lei estadual, foi alterado no terceiro escalão,
anterior se falava no trânsito da senteça de passando a prever que sobre a parte do lucro
verificação e graduação de créditos. A alínea c) tributável superior a 3.500.000 €, a taxa é de 9%
prevê que os créditos incobráveis possam ser em vez de 7%. E quanto à forma de cálculo para
consideradas gastos ou perdas em processo de 2018, quando o lucro tributável for superior a
insolvência ou em processo especial de 3.500.000€, é dividido em três partes: uma igual
revitalização, quando seja proferida sentença de a 6.000.000 € à qual se aplica a taxa de 3%; outra
homologação do plano de insolvência ou do plano igual a 27.500.000 € à qual de aplica a taxa de 5%,
de recuperação que preveja o não pagamento e outra igual ao lucro tributável que exceda
definitivo do crédito. 35.000.000 € à qual se aplica a taxa de 9%.

Foi ainda aditado o n.º 12 ao artigo 54º-A do CIRC, O n.º 21 do artigo 88º do CIRC passa a referir que
que prevê que para efeitos de determinação do não são efetuadas quaisquer deduções ao
lucro tributável imputável a cada montante de tributações autónomas apurado,
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ainda que essas deduções resultem de legislação (como donativos) mantém-se dever de entrega
especial. A Lei do OE para 2018 refere que esta da declaração.
norma tem natureza interpretativa.
Foi aditado o n.º 11 ao artigo 120º no sentido de
Na falta de apresentação da declaração de clarificar os prazos de envio das declarações
rendimentos, prevê agora o artigo 90º do CIRC quando ocorre a dissolução: até ao último dia do
que a liquidação seja efetuada tendo por base o quinto mês seguinte ao da dissolução. E a
maior dos seguintes montantes: a matéria declaração relativa ao período decorrido entre o
coletável determinada, com base nos elementos dia seguinte ao da dissolução e o termo do
de que a administração tributária e aduaneira período de tributação em que esta se verificou, é
disponha, de acordo com as regras do regime enviada até ao último dia do quinto mês seguinte
simplificado, com aplicação do coeficiente de à data do termo do período de tributação.
0,75; a totalidade da matéria coletável do período
de tributação mais próximo que se encontra
determinada; o valor anual da retribuição mínima Regime Especial de Tributação dos Grupos de
garantida. Sociedades
O artigo 92º do CIRC, n.º 2 passa ter uma nova A LOE 2018 prevê ainda no seu artigo 234º uma
alínea h): o incentivo à produção cinematográfica norma transitória no âmbito do CIRC. Deve ser
e audiovisual previsto no artigo 59º-F do EBF. incluído no lucro tributável do grupo,
determinado nos termos do artigo 70.º do Código
Quanto ao pagamento adicional por conta, foi
do IRC, relativo ao primeiro período de tributação
alterado o terceiro escalão (artigo 105º-A do
que se inicie em ou após 1 de janeiro de 2018, um
CIRC), à semelhança da derrama estadual. Assim,
quarto dos resultados internos que tenham sido
sobre a parte do lucro tributável superior a
eliminados ao abrigo do anterior regime de
3.500.000 €, a taxa é de 8,5% em vez de 6,5%. E
tributação pelo lucro consolidado. O n.º 2 afirma
quanto à forma de cálculo para 2018, quando o
que é devido, durante o mês de julho de 2018 ou,
lucro tributável for superior a 3.500.000€, é
nos casos dos n.os 2 e 3 do artigo 8.º do Código
dividido em três partes: uma igual a 6.000.000 €
do IRC, no sétimo mês do primeiro período de
à qual se aplica a taxa de 2,5%; outra igual a
tributação que se inicie após 1 de janeiro de 2018,
27.500.000 € à qual de aplica a taxa de 4,5%, e
um pagamento por conta autónomo, em valor
outra igual ao lucro tributável que exceda
correspondente à aplicação da taxa prevista no
35.000.000 € à qual se aplica a taxa de 8,5%.
n.º 1 do artigo 87.º do Código do IRC sobre o valor
Quanto às obrigações declarativas, o artigo 117º dos resultados internos incluídos no lucro
n.º 6 do CIRC passou a prever que a obrigação e tributável do grupo nos termos do número
envio da declaração periódica de rendimentos anterior, o qual será dedutível ao imposto a pagar
não abrange as entidades que apenas aufiram na liquidação do IRC relativa ao primeiro período
rendimentos não sujeitos a IRC, exceto quanto de tributação que se inicie em ou após 1 de
estejam sujeitas a uma qualquer tributação janeiro de 2018. O n.º 3 do mesmo artigo refere
autónoma. É uma boa notícia para associações e que em caso de cessação ou renúncia à aplicação
cooperativas que só disponham de rendimentos do regime especial de tributação dos grupos de
não sujeitos. Havendo rendimentos isentos sociedades, estabelecido nos artigos 69.º e
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seguintes do Código do IRC, no decorrer do No n.º 5 alínea d) do artigo 14, passou a dizer-se
período previsto no n.º 1, o montante dos que no caso de benefícios fiscais dependentes de
resultados internos referido nesse n.º 1 deve ser reconhecimento da AT, o ato administrativo que
incluído, pela sua totalidade, no último período os concedeu cessa os efeitos quanto às
de tributação em que aquele regime se aplique. E contribuições relativas ao sistema da segurança
o n.º 4 impõe que o contribuinte deve dispor de social, se, no momento em que ocorre a consulta,
informação e documentação que demonstre os a situação contributiva não se encontrar
montantes referidos no n.º 1, que integra o regularizada.
processo de documentação fiscal, nos termos do
O benefício relativo à remuneração
artigo 130.º do Código do IRC.
convencional do capital foi alargado às entregas
BENEFÍCIOS FISCAIS através da conversão de créditos realizadas a
partir de 01-01-2018, e ao recurso aos lucros do
Às reestruturações empresariais ou acordos de próprio exercício no âmbito da constituição de
cooperação é aplicável o benefício de isenção de sociedade ou do aumento do capital social, de
imóveis envolvidos nos processos de acordo com o artigo 41º-A do EBF.
reestruturação, sem necessidade de
requerimento e autorização prévia, salvo os casos Quanto à isenção de IMI, foi aditada a alínea q) ao
previstos no artigo 60º do EBF. artigo 44º do EBF, por forma a abranger os
prédios ou parte de prédios afetos a lojas com
Foi alterado o n.º 1 do artigo 13º do EBF, que veio história, reconhecidos pelo município como
clarificar que os benefícios fiscais dependentes de estabelecimentos de interesse histórico e cultural
reconhecimento não podem ser concedidos ou social local e que integrem o inventário
quando no final do ano civil anterior ao pedido, o nacional dos estabelecimentos e entidades de
sujeito passivo tenha deixado de efetuar o interesse histórico e cultural ou social local, nos
pagamento de qualquer imposto sobre o termos previstos na Lei n.º 42/2017, de 14 de
rendimento, a despesa ou o património, e a junho.
situação se mantenha no termo do prazo para o
exercício do direito de audição no âmbito do O artigo 45º do EBF foi alterado no sentido de
procedimento de concessão do benefício, e abranger na isenção de IMI e do IMT os prédios
quando o sujeito passivo tenha deixado de urbanos ou frações autónomas concluídos há
efetuar o pagamento de contribuições relativas mais de 30 anos ou localizados em áreas de
ao sistema da segurança social, se, no momento reabilitação urbana beneficiam dos incentivos
em que ocorre a consulta, a situação contributiva previstos no presente artigo, desde que
não se encontrar regularizada. E o n.º 2 refere preencham determinados requisitos.
que a situação só é impeditiva do Relativamente ao incentivo fiscal à produção
reconhecimento dos benefícios fiscais se a dívida cinematográfica e audiovisual previsto no artigo
tributária em causa, sendo exigível, não tenha 59º-F, foram aumentadas as percentagens de
sido objeto de reclamação, impugnação ou dedução de 20% para 25% (n.º 1) e de 25% para
oposição e prestada garantia idónea, quando 30% (n.º 3) e a percentagem de majoração de
devida. 25% para 30% (n.º 2).
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O artigo 71º do EBF que prevê incentivos à trabalhadores. Este artigo refere que ficam
reabilitação urbana, isentos de IRS, até ao limite de € 40 000, os
ganhos previstos no n.º 7 da alínea b) do n.º 3 do
Foram ainda aditados ao EBF os artigos 19º-A,
artigo 2.º do Código do IRS auferidos por
43º-B, 43º-C, 59º-G e 59º-H.
trabalhadores de entidades empregadoras
O artigo 19º-A diz respeito a deduções no âmbito relativamente às quais se verifiquem,
de parcerias de títulos de impacto social, e refere cumulativamente, as seguintes condições: a)
que são considerados gastos e perdas do período Sejam qualificadas como micro ou pequena
de tributação, em valor correspondente a 130 % empresa, de acordo com os critérios previstos no
do respetivo total e até ao limite de 8/1000 do anexo ao Decreto -Lei n.º 372/2007, de 6 de
volume de vendas ou de serviços prestados, os novembro, na sua redação atual;
fluxos financeiros prestados por investidores
b) Tenham sido constituídas há menos de seis
sociais no âmbito de parcerias de títulos de
anos;
impacto social, independentemente de serem ou
não objeto de reembolso por não atingimento c) Desenvolvam a sua atividade no âmbito do
das metas contratualizadas. Os títulos de impacto setor da tecnologia, nos termos a definir por
social devem ser entendidos na aceção prevista portaria dos membros do Governo responsáveis
na Resolução do Conselho de Ministros n.º 73 - pelas áreas das finanças e da economia e, bem
A/2014, de 16 de dezembro, alterada e assim, mediante certificação pela Agência
republicada pela Resolução do Conselho de Nacional de Inovação, S. A.
Ministros n.º 157/2017, de 19 de outubro.
Esta isenção vai depender da manutenção, na
O artigo 43.º -B diz respeito a incentivos à esfera do trabalhador, dos direitos subjacentes
recapitalização das empresas, e prevê que o aos títulos geradores dos ganhos isentos por um
sujeito passivo de IRS que realize entradas de período mínimo de dois anos.
capital em dinheiro a favor de uma sociedade na
Esta isenção de IRS não se irá aplicar aos
qual detenha uma participação social e que se
membros dos órgãos sociais e os titulares de
encontre na condição prevista no artigo 35.º do
participações sociais superiores a 5 %.
Código das Sociedades Comerciais, poderá
deduzir até 20 % dessas entradas ao montante O artigo 59.º-G diz respeito à produção
bruto dos lucros colocados à disposição por essa cinematográfica e audiovisual, e prevê que os
sociedade ou, no caso de alienação dessa sujeitos passivos que beneficiem do incentivo à
participação, ao saldo apurado entre as mais - produção cinematográfica e audiovisual, nos
valias e menos -valias realizadas nos termos da termos legalmente estabelecidos, não pagam
alínea b) do n.º 1 do artigo 10.º do Código do IRS. tributação autónoma sobre os encargos que
Esta dedução verificar -se -á no apuramento do suportem com viaturas ligeiras de passageiros,
rendimento tributável relativo ao ano em que viaturas ligeiras de mercadorias referidas na
sejam realizadas as entradas mencionadas e nos alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º do Código do
cinco anos seguintes. Imposto sobre Veículos, motos e motociclos,
destinados a serem utilizados na produção
O artigo 43.º -C cria um incentivo fiscal à
cinematográfica e audiovisual.
aquisição de participações sociais pelos
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Já o artigo 59.º-H refere-se a prédios ou parte de momento da entrada em vigor das normas
prédios afetos a lojas com história, e prevê que, correspondentes constantes do diploma
na determinação do lucro tributável dos sujeitos aprovado nos termos do número anterior.
passivos de IRC que exerçam a título principal
uma atividade comercial, industrial ou agrícola, IVA: Imposto sobre o Valor
bem como na determinação dos rendimentos Acrescentado
empresariais e profissionais não abrangidos pelo
regime simplificado dos sujeitos passivos de IRS, No que diz respeito às alterações no IVA, as
são considerados em 110 % do respetivo medidas com maior relevo prendem-se com a
montante os gastos e perdas do período relativo alteração do regime de recuperação do IVA nos
a obras de conservação e manutenção dos créditos incobráveis e na autoliquidação do
prédios ou parte de prédios afetos a lojas com imposto devido nas importações de bens.
história, reconhecidas pelo município como Analisando com mais algum detalhe:
estabelecimentos de interesse histórico e cultural
ou social local e que integrem o inventário A Recuperação de IVA em créditos incobráveis
nacional dos estabelecimentos e entidades de passa a ser possível agora também em processo
interesse histórico e cultural ou social, nos termos de insolvência com carácter limitado ou quando
previstos na Lei n.º 42/2017, de 14 de junho. Os seja determinado o encerramento do mesmo por
gastos previstos no n.º 7 do artigo 41.º do Código insuficiência de bens ou após o rateio final do
do IRS são considerados em 110 %, quando qual resulte o não pagamento definitivo do
respeitem a prédios ou parte de prédios afetos a crédito. Na prática elimina-se a exigência
lojas com história, reconhecidas pelo município atualmente prevista de, nestes casos se ter que
como estabelecimentos de interesse histórico e aguardar pelo trânsito em julgado da sentença de
cultural ou social local e que integrem o verificação e graduação de créditos, o que muitas
inventário nacional dos estabelecimentos e vezes arrastava a situação para além do prazo de
entidades de interesse histórico e cultural ou caducidade do direito à dedução.
social, nos termos previstos na Lei n.º 42/2017, de Autoliquidação do imposto devido nas
14 de junho. Nestes casos, os documentos importações de bens
comprovativos dos gastos e perdas devem conter
expressamente a morada da fração autónoma O orçamento de estado para 2017 veio introduzir
que beneficiou das obras de manutenção e a possibilidade dos sujeitos passivos optarem na
conservação, bem como os dados identificativos importação dos bens pelo regime de
do sujeito passivo ao qual está afeta a fração autoliquidação, eliminado a exigência de
autónoma. pagamento imediato do IVA o
desalfandegamento dos bens importados. Com
Por fim, o artigo 265.º da Lei do OE para 2018 este OE, o facto de os sujeitos passivos, à data em
contem uma norma transitória no âmbito do EBF, que a opção produza efeitos, beneficiarem de
e refere que a vigência dos benefícios fiscais diferimento do pagamento de IVA deixa de obstar
previstos no n.º 1 do artigo 226.º da Lei n.º à adesão a este regime.
42/2016, de 28 de dezembro (19.º, 20.º, 26.º,
28.º, 29.º, 30.º, 31.º, 47.º, 50.º, 51.º, 52.º, 53.º,
54.º, 63.º e 64.º do EBF) é prorrogada até ao
janeiro de 2018

• Simplificação das obrigações declarativas


por parte dos sujeitos passivos que exerçam a sua
Alterações às taxas do IVA
atividade no âmbito de parques de diversão e
Passam a beneficiar da taxa reduzida as temáticos (CAE 93210) ou outras atividades de
empreitadas de reabilitação de imóveis que diversão e recreativas (CAE 93294).
sejam contratadas diretamente para o Fundo
Nacional de Reabilitação do Edificado pela sua IMPOSTO DE SELO:
sociedade gestora, dentro dos programas em A Lei n.º 114/2017 de 29 de Janeiro trouxe
curso de reabilitação dos centros urbanos. (até algumas alterações em sede de imposto do selo.
aqui só estava previsto para as empreitadas
contratadas pelos Instituto da Habitação e da Assim, surge uma nova declaração mensal de
Reabilitação Urbana, I. P. (“IHRU, I.P.”)). imposto do selo aplicável aos sujeitos passivos de
imposto (exceto a locadores e sublocadores, nos
Já no que diz respeito às taxas intermédias, arrendamentos e subarrendamentos), na qual
passam a constar desta lista a transmissão de são apresentados de forma discriminativa, e por
instrumentos musicais. verba aplicável da Tabela Geral:
Outras alterações a) O valor tributável das operações e factos
Para além destas alterações o OE prevê a sujeitos a imposto do selo;
diminuição de 75€ para 50€ no valor de isenção b) O valor do imposto liquidado, identificando os
de IVA para os bens transportados nas bagagens titulares do encargo;
dos viajantes, assim como são introduzidas
alterações ao regime de reembolso do IVA a c) As normas legais ao abrigo das quais foram
sujeitos passivos não estabelecidos no território reconhecidas isenções, identificando os
nacional no que respeita ao valor mínimo dos respetivos beneficiários;
pedidos e à alteração de pedidos já apresentados d) O valor do imposto compensado, identificando
No campo das autorizações legislativas as mais o período de imposto compensado e os
relevantes são: beneficiários da compensação.

• O Governo fica (novamente) autorizado Esta declaração mensal deverá ser apresentada
a, no prazo de 180 dias, aplicar a taxa intermédia, por via eletrónica, até ao dia 20 do mês seguinte
prevista na verba 3.1 da Lista II do Código do IVA, ao das operações, em modelo oficial, nos termos
a bebidas que atualmente se encontram a regulamentar por portaria do membro do
excluídas. Governo responsável pela área das finanças.

• Introdução do mecanismo da inversão do No âmbito das garantias, e no tocante às


sujeito passivo na aquisição de bens de cortiça, transmissões gratuitas, os prazos de reclamação
madeira, pinhas e pinhões com casca, ficando a e de impugnação passam a contabilizar-se a partir
mesma dependente da obtenção de decisões do termo do prazo para pagamento voluntário da
favoráveis por parte das instituições europeias primeira ou da única prestação do imposto.
competentes.
janeiro de 2018

IMI detentores de capital social, ou membros de


órgãos estatutários, estes devem ser
São várias as alterações do OE 2018 ao regime do identificados no anexo à declaração periódica de
AIMI, que entrou em vigor no ano transato. rendimentos (modelo 22).
Considera-se que não são sujeitos passivos do Sempre que a liquidação do AIMI não seja
adicional ao imposto municipal sobre imóveis as efetuada no mês de Junho do ano a que diz
empresas municipais. respeito o imposto, bem como nos casos de
Para 2018 especifica-se quais os valores que liquidação adicional ou revisão oficiosa, a
deixam de ser contabilizados para efeitos da liquidação é efetuada nos termos previstos para
soma dos valores patrimoniais tributários dos o regime de caducidade de liquidação do IMI (8
prédios: anos).

Também nesta matéria, quando por facto


a) O valor dos prédios que no ano anterior
tenham estado isentos ou não sujeitos a imputável ao sujeito passivo for retardada a
tributação em IMI; liquidação de parte ou da totalidade do imposto
devido, a este acrescem juros compensatórios.
b) O valor dos prédios que se destinem
No que toca ao pagamento, o regime regra
exclusivamente à construção de habitação social
ou a custos controlados cujos titulares sejam mantém-se, ou seja, o pagamento do AIMI é
cooperativas de habitação e construção ou efetuado no mês de Setembro do ano a que
associações de moradores; respeita o imposto. No entanto, quando a
liquidação seja efetuada fora do prazo fixado
c) O valor dos prédios ou partes de prédios como regra (mês de Junho), o sujeito passivo é
urbanos cujos titulares sejam condomínios, notificado para proceder ao pagamento até ao
quando o valor patrimonial tributário de cada fim do mês seguinte ao da notificação.
prédio ou parte de prédio não exceda 20 vezes o
valor anual do indexante de apoios sociais; Esta notificação vai acompanhada do documento
de cobrança, com a discriminação da liquidação,
d) O valor dos prédios ou partes de prédios dos prédios, das quotas -partes, do respetivo
urbanos cujos titulares sejam cooperativas de valor patrimonial tributário e da coleta.
habitação e construção e associações de
moradores. Aqui há lugar a uma novidade importante e que
diz respeito à correção das opções, sendo que no
Novidade interessante é aquela que nos refere prazo de 120 dias contados a partir do termo do
que a declaração apresentada pelos sujeitos prazo para pagamento voluntário do imposto,
passivos casados, ou em união de facto, atualiza podem os contribuintes manifestar ou alterar as
a matriz quanto à titularidade dos prédios. opções que dizem respeito aos sujeitos passivos
casados ou unidos de facto e às heranças
Neste âmbito, a opção pela tributação conjunta
indivisas, produzindo -se os respetivos efeitos.
passa a ser válida até ao exercício da respetiva
renúncia por parte dos sujeitos passivos. Aos pagamentos efetuados pelos sujeitos
passivos fora dos prazos aqui previstos acrescem
No que diz respeito a prédios detidos por pessoas
coletivas, mas afetos ao uso pessoal dos
janeiro de 2018

juros de mora nos termos previstos na lei geral Em matéria de procedimento e processo
tributária. tributário, permite-se que câmaras municipais
cobrem tributos administrados pelas freguesias,
Também no AIMI passa a existir um limite
alteram-se notificações ao mandatários (art.º
mínimo, pelo que deixa de haver lugar a cobrança
40.º e 97.º) e clarifica-se dispensa de garantia
ou reembolso quando, em virtude da liquidação,
para dívidas em execução até 5000 euros
ainda que adicional, reforma ou anulação de
(pessoas singulares) e 10.000 (pessoas coletivas)
liquidação, a importância a cobrar ou a restituir
– art.º 198.º, n.º 5 CPPT.
seja inferior a € 10.
No RGIT, altera-se o artigo 8.º, 3 que prevê
Novidade importante diz respeito à informação
responsabilidade subsidiária dos administradores
matricial, pelo aditamento do Artigo 13.º -A,
e dos contabilistas por dívidas respeitantes à falta
fixando que é disponibilizada no Portal das
de entrega das declarações, quando justificação
Finanças a informação relativa aos prédios
do atraso for enviada pelo portal das finanças.
averbados na matriz predial em nome dos
Alteram-se ainda art.s 97.º e 108.º (referindo
sujeitos passivos, no entanto, quando a matriz
mercadorias condicionadas em cumprimento de
não reflita a titularidade dos prédios que
medidas restritivas internacionais), e agrava-se o
integram a comunhão de bens dos sujeitos
art.º 121.º - incumprimento de deveres
passivos casados, estes devem comunicar, até 15
contabilísticos – criando duas novas alíneas –
de fevereiro, a identificação dos prédios que são
atrasos na contabilidade e produção do ficheiro
comuns, procedendo a Autoridade Tributária e
normalizado sem observância do modelo legal.
Aduaneira à atualização matricial, com efeitos a 1
de janeiro desse ano. No RCPITA regula-se de forma mais cuidada o
direito de audição do contribuinte – arts. 36.º,
LGT, CPPT, RGIT 60.º e 61.º. – ainda que se suspenda prazo de
conclusão da inspeção quando direito de audição
Na LGT houve uma clarificação do termo da
representação fiscal (art.º 19.º LGT), a implique mais diligências.
possibilidade de pagamento de crédito tributário
a terceiros com consentimento do contribuinte
(art.º 29.º LGT), a possibilidade demais do que
uma inspeção ao mesmo sujeito (63.º), um
reforço dos deveres de comunicação das
entidades bancárias (63.º-A), um novo
fundamento de derrogação de sigilo (63.º-B, i) e
alteração ao conceito de paraíso fiscal (63.º-D)