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TEMAS TRANSVERSAIS, PROGRAMA SAÚDE NA

ESCOLA E ESCOLAS PROMOTORAS DE SAÚDE


O papel do educador neste contexto

Gilmar Ualt Nobre


Prof. André Arruda Gregoski
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Licenciatura em Geografia (GED0154) – Trabalho de Graduação
23/10/2016

RESUMO
Os temas transversais foram inseridos na grade curricular nacional visando o atendimento e
entendimento das temáticas sociais atuais, as quais norteiam a construção da cidadania e da
democracia. No momento da escolha das temáticas os critérios elegidos para definir os mesmos
foram, a urgência social, a abrangência nacional, a possibilidade de ensino e aprendizagem no
ensino fundamental e favorecer a compreensão da realidade e a participação social, com isso
espera-se que a apropriação dos conteúdos por parte dos alunos reflita-se em seu comportamento
positivo na comunidade. O tema transversal saúde na educação tem uma amplitude textual imensa
à disposição do educador, juntos professores e profissionais de saúde trabalhando de forma
intersetorial integram o programa saúde nas escolas (PSE) uma das ferramentas utilizadas na
manutenção da saúde dos discentes, o educador participante das ações deste programa pode
programar os conteúdos do tema transversal saúde reforçando as áreas circunscritas pelo trabalho
dos profissionais de saúde e ou ampliando o assunto nas lacunas do PSE, estimulando a
comunidade estudantil no debate produtivo do tema. O ambiente escolar é propício para evolução
e desenvolvimento do programa saúde nas escolas, a apropriação dos conhecimentos sanitários e
de todos os saberes cientificamente comprovados pela área de saúde, adaptados à realidade da
escola, transformam o ambiente escolar em centro irradiador destes conhecimentos, o
envolvimento de toda comunidade nesta empreitada pela busca da qualidade de vida faz da escola
uma promotora de saúde.

Palavras – chave: Temas transversais. Programa saúde na escola. Escolas promotoras de saúde.

1 INTRODUÇÃO

Os temas transversais foram incluídos nos parâmetros curriculares nacionais, por não
pertencerem a nenhuma disciplina especifica, a proposta do MEC é que os temas sejam
disseminados na comunidade escolar fortalecendo a consciência cidadã, os debates destes temas
devem aguçar a inteligência e a experiência vivida por cada elemento formador da comunidade
escolar, a consolidação dos conhecimentos adquiridos na escola será transmutada no espaço
geográfico em ações que desenvolvam produtos e serviços, atitudes e pensamentos.

Durante o processo de aprendizagem os alunos tem contato com as disciplinas tradicionais,


os profissionais da educação utilizam diversas técnicas para apresentar os conteúdos durante o ano
letivo, porém poucos são os momentos em que apresentam aos discentes uma situação prática da
aplicação deste conhecimento, com intuito de auxiliar o jovem a cotejar e compor um cenário de
aplicabilidade de todos os conteúdos a que tem acesso em seu processo educativo foi proposto
temas comuns, os quais através da transversalidade podem auxiliar o jovem a unir todo seu
conhecimento em prol da solução de um ou mais problemas do seu dia a dia.

A saúde na proposta de temas transversais tem como objetivo conscientizar os alunos de


seus direitos e deveres, conforme Brasil (1998, p.71) espera-se que ao final do ensino fundamental
os alunos sejam capazes de:
 compreender saúde como direito de cidadania, valorizando as ações voltadas para
sua promoção, proteção e recuperação;
 compreender a saúde nos seus aspectos físico, psíquico e social como uma
dimensão essencial do crescimento e desenvolvimento do ser humano;
 compreender que a saúde é produzida nas relações com o meio físico, econômico e
sociocultural, identificando fatores de risco à saúde pessoal e coletiva presentes no
meio em que vive;
 conhecer e utilizar formas de intervenção sobre os fatores desfavoráveis à saúde
presentes na realidade em que vive, agindo com responsabilidade em relação à sua
saúde e à saúde coletiva;
 conhecer os recursos da comunidade voltados para a promoção, proteção e
recuperação da saúde, em especial os serviços de saúde;
 responsabilizar-se pessoalmente pela própria saúde, adotando hábitos de
autocuidado, respeitando as possibilidades e limites do próprio corpo.

O sistema único de saúde no Brasil é idealizado para que todo cidadão possa acessar o
sistema de forma integral, universal e gratuita, assim os trabalhadores contribuem para a
manutenção do mesmo através de desconto em folha de pagamento, algumas pessoas referem-se ao
SUS como o plano de saúde do trabalhador, mas ele está disponível a todas as classes sociais do
país, assim percebemos que a saúde é uma preocupação do Estado e ele não negligencia nenhum de
seus integrantes, os alunos, por exemplo, desde sua tenra idade são atendidos pelo SUS e não
contribuem para o sistema, seus pais contribuintes ou não, além de serem atendidos também, recebe
do Estado este auxílio na manutenção da vida dos seus filhos. O acesso aos serviços atualmente é
maior na recuperação da saúde, porém existem programas de promoção e proteção da saúde, dentre
estes programas existe o PSE, o programa saúde na escola é uma ferramenta do SUS que através de
ações dentro a comunidade escolar colhe informações e conscientiza os alunos desde hábitos de
higiene até boas praticas de alimentação.

2 TEMAS TRANSVERSAIS

Os temas transversais são parte dos parâmetros curriculares nacionais (PCN), oriundos do
plano nacional de educação (PNE) no ano de 1999, a proposta é incrementar os planos de ensino
com assuntos atuais complementando os conteúdos educacionais tradicionais, os docentes precisam
resgatar os valores e disseminá-los na comunidade escolar, conforme Subirats (2000, p. 201):

“[...], até agora, os discursos sobre valores ocupam um espaço relativamente marginal entre
as [SIC] preparação dos professores: o predomínio dos currículos tradicionais e a própria
preocupação dos professores, focalizada mais nos conteúdos do que nos valores e nas
exigências derivadas da função de seleção, tornam muito difícil a introdução de outro tipo
de metas que representem uma mudança de 180° em relação à orientação educativa dos
últimos 50 anos.

Conforme Marcondes (2008, p.20), os valores e condutas devem preceder os conteúdos


“Nos parâmetros, o desenvolvimento dos TT, juntamente com as disciplinas, objetiva a abordagem
dos conhecimentos específicos juntamente com os valores e condutas que propiciarão ao aluno a
possibilidade de participar ativa e construtivamente da sociedade”. A cidadania inicia na família,
onde as primeiras atitudes e resultados são ensinados pelos pais, os filhos são cidadãos em formação
e não discernem de imediato entre atitudes positivas e negativas, agem por instinto, porém em
determinados momentos com supervisão dos pais, os filhos são orientados a respeitar os demais
cidadãos da comunidade, iniciando assim sua formação de valores para a vida.

Segundo Tiba (2014, p.42):

Cidadania é ter direitos e obrigações para manter o equilíbrio da sociedade. Tem de


começar em casa com a “cidadania familiar”: “Não se pode fazer em casa o que não poderá
ser feito na sociedade; e temos de praticar em casa o que a sociedade vai exigir de nós”.
Quem tem de distribuir os direitos e as obrigações são os pais, respeitando-se as idades dos
filhos. Custo-benefício e meritocracia, quando aplicados desde a infância, formam adultos
mais justos. Crianças que guardam os seus brinquedos e ajudam a deixar a cozinha em
ordem não estão ajudando a mãe porque é sua obrigação, e sim, porque estão aprendendo a
deixar em ordem o ambiente em que vivem.

Os valores no ambiente familiar são a base para o desenvolvimento do indivíduo como


cidadão, a convivência com o grupo de pessoas muito próximas, pai, mãe e outros irmãos
possibilitando ao jovem a exposição de inúmeras situações, as ações tomadas por todos serão
analisadas e incorporadas pela criança, mais tarde frente aos mesmos acontecimentos ao longo da
vida ele usará e receberá aprovação pela conduta, conforme Barberà et al. (2004, p.60) apud Peters
(1984):

A aprendizagem heterônoma de normas, de atitudes e de valores nos primeiros anos,


acompanhada pela correspondente aprovação ou desaprovação, não tem por que impedir
uma autonomia posterior (Peters, 1984). Os mecanismos de autocontrole, por sua vez,
como foi destacado pelo condutismo e pelas teorias da aprendizagem social, são necessários
nos primeiros anos. As crianças, por imitação, aprendizagem observacional, reforços e
hábitos, adquirem as atitudes que observam, as que são socialmente aprovadas e
identificam-se com aquelas que são reforçadas.

Á medida que crescem estarão prontos para iniciar o convívio em sociedade e o próximo
grupo de convivência será a escola onde seu juízo de valores evolui, Barbosa 2007, p. 51, relata esta
condição:

Não é apenas na escola que construímos nosso juízo de valor, durante toda a vida,
formamos tais esquemas que nos regem e fazem com que sejamos mais ou menos humanos,
mais ou menos justos, mais ou menos preocupados com a coletividade. A escola,
certamente, faz parte desse processo; durante nossa estada nesse meio, aprendemos também
a julgar, a criticar, a avaliar e, assim, ampliamos o nosso sistema de valores. Como temos
historias diferentes e construímos nosso sistema de valores a partir de experiências
particulares, não podemos esperar que todos tenham os mesmos pensamentos, julguem da
mesma forma, ajam do mesmo modo. Por isso, precisamos conhecer varias posições e
pontos de vistas para nos identificarmos com um ou com outro, para questionarmos o
nosso, tendo em vista outras posições e avançaremos em nossa forma de abordar a realidade
ou para que fortaleçamos nossa posição. Uma das praticas que nos ajudam a atingir tal
objetivo na escola é, com certeza, a utilização de abordagens diferentes na discussão dos
temas transversais polêmicos.

A constituição brasileira, em seu artigo 205°, estabelece que “A educação, direito de todos e
dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade,
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho”, o dever da família pode ser entendido como a reprodução da
educação familiar herdada de seus ancestrais para a nova geração, o Estado por sua vez tem o dever
de proporcionar um ambiente favorável para esta condição, conforme artigo 5° do mesmo
documento, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade[...]”, assim assegurado os direitos do individuo pelo Estado
o exercício da cidadania será consequência desse mutualismo. O papel do educador neste contexto é
incitar o educando a confrontar seus valores com os demais estudantes e desenvolver seu juízo de
valores, o aluno apropria-se do conteúdo exposto em sala de aula e aprimora seu conhecimento de
sociedade e cidadania, o educador tem a sua disposição uma série de artifícios didáticos para
instigar os alunos, uma destes é o questionamento, conforme Barbosa (2007, p.18):

Certamente, a pergunta inquieta quando quem a ouve tem o desejo de buscar uma resposta
para ela. Já o discurso escolhido por alguém, trazido como uma certeza, não mobiliza a
busca por ser algo pronto, que não precisa mais da participação de alguém para se
completar. A pergunta abre possibilidades de buscar; a certeza fecha tais possibilidades. No
entanto, ao ensinar, historicamente, preocupou-se em lidar mais com certezas do que com
as perguntas. Já para aprender é necessário lidar mais com as perguntas do que com as
certezas. As perguntas nos mobilizam; são os nossos questionamentos que nos levam a
levantar hipóteses e a querer testá-las. Para sermos bons professores, é necessário nos
especializarmos na arte de perguntar. Se o professor fizer a pergunta certa a seus alunos, é
possível que os ajude a se interessarem por determinados estudos.
O ensino tradicional trabalha com a ciência, os tratados científicos são respostas de
questionamentos anteriores, os quais decifrados oferecem pouca ou nenhuma hipótese de novas
contestações e consequentemente mudanças, os temas transversais estão à margem das afirmações
permitindo discussão; Barbosa (2007, p. 28) resume: “O trabalho com os temas transversais pode
ser um dos recursos pedagógicos que possuímos para contribuir com a tão esperada mudança”.

3 PROGRAMA SAÚDE NAS ESCOLAS

O programa saúde nas escolas foi instituído pelo Decreto N° 6.286 de 05 de Dezembro de
2007, os artigos 1º e 2° define:

Art. 1 o Fica instituído, no âmbito dos Ministérios da Educação e da Saúde, o Programa


Saúde na Escola - PSE, com finalidade de contribuir para a formação integral dos
estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e
atenção à saúde.

Art. 2o São objetivos do PSE:

I - promover a saúde e a cultura da paz, reforçando a prevenção de agravos à saúde, bem


como fortalecer a relação entre as redes públicas de saúde e de educação;

II - articular as ações do Sistema Único de Saúde - SUS às ações das redes de educação
básica pública, de forma a ampliar o alcance e o impacto de suas ações relativas aos
estudantes e suas famílias, otimizando a utilização dos espaços, equipamentos e recursos
disponíveis;

III - contribuir para a constituição de condições para a formação integral de educandos;

IV - contribuir para a construção de sistema de atenção social, com foco na promoção da


cidadania e nos direitos humanos;

V - fortalecer o enfrentamento das vulnerabilidades, no campo da saúde, que possam


comprometer o pleno desenvolvimento escolar;

VI - promover a comunicação entre escolas e unidades de saúde, assegurando a troca de


informações sobre as condições de saúde dos estudantes; e

VII - fortalecer a participação comunitária nas políticas de educação básica e saúde, nos três
níveis de governo.

No artigo 1° do decreto percebemos que as ações serão no âmbito da prevenção, promoção


e atenção à saúde, de acordo com Cegalla (2008, p.694) “prevenir é impedir; evitar”; para Bancher
(2004, p. 22) apud Leavell & Clark (1976, p.7) medicina preventiva é “a ciência e a arte de evitar
doenças, prolongar a vida e promover a saúde física e mental e a eficiência”, a prevenção em saúde
pelos mesmos autores Bancher (2004, p. 22) apud Leavell & Clark (1976, p.7) “[...] exige uma ação
antecipada, baseada no conhecimento da história natural, a fim de tornar improvável o progresso
posterior da doença”.

Conforme Bancher (2004, p.23) a promoção da saúde “[...] está representada por ações que
visam promover a saúde e o bem estar geral, isto é, não há necessariamente uma doença especifica
para a qual se dirijam as ações.”, a promoção de saúde eleva a qualidade de vida da população e
pode ser confundida com prevenção de acordo com Tesser et al. (2011, p.6) “Houve menções
genéricas associando promoção com melhora da qualidade de vida, mas as práticas e os exemplos
de ações de promoção mencionados tendiam fortemente para a prevenção de doenças e de riscos
específicos.”, segundo os autores as condições gerais da comunidade são impactantes na vida dos
cidadãos, o trânsito, as áreas de lazer, o acesso aos serviços públicos e outras condições de
mobilidade e bem estar estão associadas à promoção da saúde.

A atenção à saúde é o conjunto de ações de diagnostico e encaminhamento ao sistema único


de saúde brasileiro, segundo o Ministério da Saúde (2005, p.32), atenção à saúde “é tudo que
envolve o cuidado com a saúde do ser humano, incluindo as ações e serviços de promoção,
prevenção, reabilitação e tratamento às doenças.”, o contato com a comunidade pela atenção
primária estabelece uma síntese da qualidade da saúde dos cidadãos e qualifica a adesão aos
programas de saúde nos diversos níveis de atenção aos usuários, atenção primária é composta de
programas voltados à prevenção e promoção de saúde, exemplos como o programa saúde da família
(PSF), o programa saúde nas escolas (PSE), a vigilância epidemiológica, a vigilância sanitária, a
assistência farmacêutica e outros criados para atender as demandas populacionais através de uma
rede de unidade básicas de saúde (UBS) localizadas nas comunidades, atenção secundária é
composta de unidades de pronto atendimento (UPA) e a atenção terciária de rede hospitalar, com a
realização de exames, cirurgias e hospitalizações.

O programa saúde nas escolas como elemento preventivo e promocional de saúde é uma
simbiose da área de educação e da saúde, o objetivo é trazer à comunidade escolar os programas de
saúde associados às praticas educativas, de acordo com o Ministério da Educação (2011, p.14) “o
PSE tem como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes por meio de ações de
promoção, prevenção e atenção à saúde, com vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que
comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino.”, em artigo
publicado na revista de políticas publicas Sanare, sobre documentação oficial disponível nos sítios
de saúde e educação, relativa ao programa saúde nas escolas, demonstra que há um grande número
de publicações normativas em relação às publicações educativas, conforme Dias (2014, p.29):

Examinou-se 46 documentos, dos quais 21 foram normativos, 11 educativos e 14


informativos. Verificou-se que a maior parte dos materiais encontrados se destinava a uma
abordagem de âmbito nacional em que os métodos, sugestões e fluxos eram determinantes
ao nível que foi publicado. Contudo, foram poucos os documentos regionais. O programa
ainda enfrenta desafios, o maior destes concentra-se na relação intersetorial, necessitando
ainda de aperfeiçoamentos.
A relação intersetorial não deve ser confundida com permuta de responsabilidades,
conforme Valadão (2004, p.110) “A coordenação intersetorial não envolve a livre permuta de
responsabilidades técnicas ou objetivos. A aprendizagem em saúde, nas perspectivas cognitiva e
experimental é inerente à vivência escolar;”, porém devem estabelecer uma relação de convívio
positiva entre os profissionais visando atingir a meta final que é o aprendizado pelo aluno, de
acordo com Cardoso V, Reis AP dos, Iervolino SA (2008, p.113) “as ações dos profissionais de
saúde nas atividades intersetoriais também precisam se distanciar das antigas relações de saúde e
educação, é preciso criar vínculos e envolver os professores de forma participativa, respeitando os
diferentes saberes e necessidades.”

As equipes de saúde são recomendadas a seguir ações elencadas em uma série de


componentes, sendo avaliação clínica e psicossocial (componente I); ações de promoção da saúde e
prevenção das doenças e agravos (componente II); educação permanente e capacitação de
profissionais da educação e saúde e de jovens para o PSE (componente III); monitoramento e
avaliação da saúde dos estudantes (componente IV) e monitoramento e avaliação do PSE
(componente V). Os quadros abaixo demonstram resumidamente os componentes I e II, bem como
suas linhas de ação, níveis de ensino, essencialidade e periodicidade da ação com os mesmos
educandos.

QUADRO 1 – COMPONENTE I DO PROGRAMA SAÚDE NAS ESCOLAS

PERIDODICIDADE DA
NÍVEL DE AÇÃO COM OS
LINHA DE AÇÃO/TEMA ESSENCIAL
ENSINO MESMOS
EDUCANDOS
Creche SIM Duas vezes ao ano

Avaliação antropométrica Pré-Escola SIM Uma vez ao ano


EF/ EM/
SIM Uma vez ao ano
EJA
Creche SIM Duas vezes ao ano
Verificação da situação Pré-Escola/
COMPONENTE I

vacinal EF/EM/ SIM Uma vez ao ano


EJA
Saúde Bucal Todos SIM Uma vez ao ano
Creche SIM Duas vezes ao ano

Saúde Ocular Pré-escola SIM Uma vez ao ano


EF/EM/
SIM Uma vez ao ano
EJA
Na entrada da criança na
Creche NÃO
creche
Saúde Auditiva Pré-escola/
EF/ NÃO Uma vez ao ano
EM/EJA
Desenvolvimento de Pré-escola/
NÃO Uma vez ao ano
Linguagem EF/EM/EJA
Identificação de possíveis
sinais relacionados às
EF/EM/EJA NÃO Uma vez ao ano
Doenças Negligenciadas e
em Eliminação

FONTE: Disponível em:


http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/concurso_pse_tabela_componente1.pdf
Acesso em 05 out. 2016.

QUADRO 2 – COMPONENTE II DO PROGRAMA SAÚDE NAS ESCOLAS

PERIDODICIDADE DA
NÍVEL DE
LINHA DE AÇÃO/TEMA ESSENCIAL AÇÃO COM OS
ENSINO
MESMOS EDUCANDOS
Duas vezes ao ano (dois
Ações de segurança Creche ciclos de fortificação de dois
SIM
alimentar e promoção da meses com intervalo de
alimentação saudável quatro meses entre os ciclos)
Todos SIM Contínua
Promoção da cultura de paz EF/EM/
SIM Contínua
e Diretos Humanos EJA
Todos SIM
Creche/ Pré-
Saúde Mental NÃO Grupo Implantado
escola
EF/EM/
NÃO
EJA
Saúde e prevenção nas
COMPONENTE II

Escolas (SPE): educação


EF/
para a saúde sexual, saúde SIM Contínua
EM/EJA
reprodutiva e prevenção
das DST/aids
Saúde e prevenção nas
Escolas (SPE): prevenção ao EF/
SIM Contínua
uso de álcool, tabaco, crack EM/EJA
e outras drogas
Prevenção de acidentes Todos NÃO Contínua
Pré-escola/
Saúde Ambiental EF/ NÃO Contínua
EM/ EJA
Práticas Corporais e Pré-escola/
Atividade EF/ NÃO Contínua
Física EM/ EJA
FONTE: Disponível em:
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/concurso_pse_tabela_componente1.pdf
Acesso em 05 out. 2016.

Segundo o caderno do gestor do PSE, Brasil (2015, p.7), “A escola como um espaço de
relações é ideal para o desenvolvimento do pensamento crítico e político, à medida que contribui na
construção de valores pessoais, crenças, conceitos e maneiras de conhecer o mundo e interfere
diretamente na produção social da saúde.”, a proposta é discutir o tema saúde no âmbito escolar em
todos os níveis, os alunos, funcionários, professores, diretores, círculos de pais e mestres, enfim
todos envolvidos na comunidade, o caderno do gestor ainda acrescenta:

A Saúde como produção social, exige a participação ativa de todos os sujeitos na


construção de ações que visam às escolhas mais saudáveis. Dar visibilidade aos fatores que
colocam a saúde em risco e desenvolver estratégias para superar os problemas e as
adversidades identificados e vivenciados pela comunidade são propostas de ações em
Saúde.”

O trabalho conjunto entre profissionais de saúde e professores é possível, a delegação de


tarefas por parte do profissional de saúde envolve o professor no processo, porém necessita de
prudência nesta relação de treinamento, segundo Valadão (2004, p.108):

As propostas de treinar o professor não resolvem os problemas gerados a partir dessa


possível delegação de tarefas. Ao contrario, isso tende a tornar-se uma fonte importante de
conflito entre os profissionais da educação e da saúde, na medida em que as expectativas de
desempenho do professor estão fundadas em suas supostas competências para construir
hipóteses diagnosticas.

4 ESCOLAS PROMOTORAS DE SAÚDE

As equipes de saúde que participam do programa saúde nas escolas realizam suas ações
conforme seu cronograma e há uma orientação para envolvimento dos professores e responsáveis
nesta programação para que tudo seja ajustado no horário escolar e tenha o menor impacto nas
atividades escolares, porém houve casos de impasse entre saúde e educação, de acordo com Brasil
(2007, p.36):

Na maioria dos casos, a escola tem sido lugar de aplicação de medidas de controle e
prevenção de doenças, porque o setor Saúde costuma ver a escola como um lugar onde os
alunos seriam um grupo passivo para a realização de ações de saúde. Os professores
freqüentemente se queixam de que o setor Saúde usa a escola e abusa do tempo disponível
com ações isoladas que poderiam ser mais proveitosas, com um programa mais
participativo e protagonista de ação integral a saúde.”

A promoção de saúde na visão dos profissionais da educação requer um trabalho continuo e


planejado o qual necessita da presença de um profissional da saúde como elemento ativo e
participante do planejamento e execução de ações conjuntas, os professores pela sua relação com os
alunos conhecem cada um dos componentes de sua classe, esta experiência inerente à função do
professor é um excelente recurso e deve ser valorizado no momento do planejamento com os
profissionais de saúde, de acordo com Cardoso; Reis; Iervolino (2008, p.108):

Geralmente o professor se torna referência para os alunos e pode estimular a compreensão


e adoção de hábitos saudáveis, além disso, um professor preparado para observar
corretamente o ambiente escolar e perceber os riscos pode proteger a saúde dos escolares e
seus familiares.
A qualidade de vida através de um bom trabalho em saúde não é exclusiva dos profissionais
de saúde, devemos todos participar desta busca, de acordo com Brasil (2007, p.279):

A promoção da saúde não concerne exclusivamente ao setor de Saúde, ao contrário, ela é o


resultado de ações intersetoriais, agindo nos determinantes gerais da saúde e da qualidade
de vida. Cada um dos setores da administração publica, como educação, saúde, assistência
social, agricultura, desenvolvimento urbano e meio ambiente, esporte, cultura, entre outros,
deverá ter suas estratégias de atuação balizadas por políticas saudáveis. A
interdisciplinaridade e a intersetorialidade estão implícitas no processo de promoção da
saúde. Pensar e agir interdisciplinarmente são ações que constituem uma caminhada que se
apoia no conceito de saúde como qualidade de vida.

As escolas promotoras de saúde foram idealizadas como um projeto para a promoção


continuada da saúde no âmbito escolar e além dos “muros”, dentre as várias conceituações de escola
promotora de saúde Gomes (2009, p.87) publicou um artigo em revista sintetizando, “Uma escola
promotora de saúde pode ser caracterizada como uma escola que procura constantemente um estilo
de vida, de aprendizagem e de trabalho propício ao desenvolvimento da saúde.” a comunidade no
entorno da escola define muito os integrantes das salas de aula, observando a comunidade pode-se
constatar as necessidades básicas na área de saúde, segundo Iervolino (2000, p.45):

Escola e comunidade juntas somarão esforços com um único objetivo: melhorar a qualidade
de vida e a saúde de todos, não só das crianças e jovens. A relação entre as escolas e a
comunidade gera um potencial para desenvolver mais ações de promoção de saúde,
primeiramente na própria comunidade da qual fazem parte estendendo-se então, à cidade,
ao estado e ao país.

A consciência cidadã será estimulada e vivenciada durante as atividades que envolvem a


promoção de saúde, pois a qualidade de vida é diretamente proporcional ao bem estar geral de todos
integrantes da comunidade.

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