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3 - O PRIMEIRO REINADO (1822-1831)

3.1 A CONSOLIDAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

A independencia se consolidou em poucos anos, mas houveram conflitos. Os independentistas


organizaram tropas para lutar contra as tropas lusas que tinham vindo ao Brasil durante a vinda
da familia real. Essas tropas brasileiras, em alguns casos, foram lideradas por oficiais europeus,
sejam franceses ou ingleses.

Após os portugueses terem sido expulsos do Uruguai em 1823, os uruguaios iniciaram uma
guerra de independencia contra os brasileiros. 2 de julho houve uma tentativa de tomada de
Salvador dos portugueses, que deu certo, e essa tomada se espalhou logo após ao Maranhão e
ao Pará.

Os EUA reconheceram a independencia em 1824 e a Inglaterra segurou o reconhecimento


formal do Brasil em troca de uma imediata abolição da escravatura, algo que não conseguiu na
época. O Brasil era, nessa época, o terceiro mercado consumidor da Inglaterra.

Em 1825, o Brasil fez um acordo no qual compensava a metrópole por 2 milhões pela perda da
colonia e assegurava que não iria somar nenhuma outra colonia ao Brasil. Essa última medida
era para evitar que, as posses de Portugal na África continuassem em mãos lusas.

3.2 UMA TRANSIÇÃO SEM ABALOS

É comum na história brasileira colocar em contraste a relativa facilidade da Independencia


Brasileira com a Independencia na America Espanhola. Ainda mais porque a antiga colonia
portuguesa permaneceu unida, enquanto que a espanhola se fragmentou.

Há objeções a essa facilidade da Independencia, e isso vem através de argumentos que mostra
que houveram lutas para acabar com os autonomistas e os pró-metrópole. No entanto, a
independencia foi feita em poucos anos, sem muitos desgates e sem uma grande renovação no
quadro político-social do jovial país.

A permanencia da monarquia se deu pela: vinda da familia real ao Brasil, a abertura dos portos
que estreitou a relação da Metrópole com a classe dominante brasileira, a presença da familia
real que incentivou o desenvolvimento do rio de janeiros, etc.

No cenário internacional, a Inglaterra facilitou o reconhecimento do Brasil, que em troca não


restringiu o comércio com os ingleses, tornou-se dependente do capital financeiro britanico e
manteve a monarquia.

Isso não quer dizer que: as coisas não mudaram e que tinhamos uma classe política homogênea
e com um projeto de nação.

O Brasil, na questão de uma dependencia, não simplesmente mudou de Portugal para Inglaterra.
Desde a abertura dos portos, a colonia portuguesa entrou numa nova configuração no cenário
internacional. Além de que, ao se tornar independente, tornava-se também necessário a
construção de um estado nacional.
O periodo de 1822 e 1840 foi de instabilidade politica, por conta dos desacordos que haviam
dentro da elite brasileira.

3.3 A CONSTITUINTE

Como já vimos, já estava marcado o inicio dos debates para as eleições. Na abertura de tal
processo, Dom Pedro deu um discurso que mostrava o que vinha pela frente. Em sua fala ele se
colocava como acima da constituição, apesar de prometer cumpri-la caso ela fosse 'digna ao
Brasil e a ele'.

Os membros da constituinte não eram radicais. Cipriano Barata, um radical revolucionario,


negou-se a participar do processo por ele ser basicamente escoltado por tropas reais. Os mais
liberais estavam presos ou exilados. A maioria dos constituentes eram liberais moderados, a
favor de uma monarquia constitucional.

Conflitos começaram a surgir entre a assembleia constituinte no que dizia respeito à repartição
dos poderes. Os constituintes queriam retirar do imperador o poder de dissolução da Câmara de
Deputados e o poder de veto absoluto. Dom Pedro queria um poder maior para enfrentar com
veemencia as ideias 'democráticas'.

Instarou-se uma incerteza politica. José Bonifacio, ministro real, foi afastado tanto pelas críticas
dos liberais quando pela instafistação dos conservadores em terem acesso ao trono. Isso tornou
José Bonifácio e seus irmãos opositores, tanto dos reacionários quanto dos radicais.

3.4 A CONSTITUIÇÃO DE 1824

Tais disputas levaram à dissolução da constituinte por D. Pedro com a ajuda dos militares. Foram
presos varios deputados e D. Pedro instaurou uma constituição de cima para baixo, não muito
diferente do que estava sendo discutida na assembleia antes dela ser fechada.

Os escravos ficaram fora da constituinte. E apesar da constituição ser um grande avanço, ela
encontraria um país com enormes problemas de distribuição economica, com pouca gente
letrada e com uma tradição autoritaria.

A constituição de 1824 vigorou, com algumas modificações, até o fim do império. Ela colocava o
governo como monárquico. Uma criação de uma nobreza não aristocratica, mas sim através de
titulos não-hereditários. E o catolicismo como religião oficial, deixando livre para o culto
particular de outras religiões.

O Legislativo foi separado entre Câmara e Senado. A Câmara tendo um mandato temporário e o
Senado vitalício. Elegia-se três nomes para o senado em cada província e o Imperador escolhia
um desses nomes.

O voto era indireto e censitário.

A eleição ocorria da seguinte maneira: havia as 'primárias', onde até mesmo escravos libertos
poderiam votar, desde que os votantes fossem maiores de 25 anos e tivessem uma determinada
renda. Votava-se então na formação de um corpo eleitoral, que deveria ter o dobro da renda
necessária para ser um votante das primárias e que não fossem escravos libertos. Esse corpo
eleitoral votava nos deputados, que deveriam ter o dobro da renda necessária para fazer parte
do corpo eleitoral e também ser catolico.

Os governadores de cada província eram nomeados pelo imperador. Asseguraram-se o direito de


igualdade perante a lei, liberdade de religião*, liberdade de pensamento e manifestação.

Foi criado o Conselhgo de Estado, composto por homens ricos e de confiança do rei, que seriam
ouvidos em negócios graves e medidas gerais da administração pública.

Instarou-se o Poder Moderador, que de acordo com a teoria de Bejamin Constant, serviria como
um poder separado do executivo para moderar, interpretando o interesse nacional, os outros
poderes. No Brasil, no entanto, não houve uma separação tão distinta entre esse poder e o
executivo, o que tornou o Imperador uma figura praticamente absoluta.

3.5 A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR

Dissolver a constituinte e decretar a constituição foi um ato que mostrou o poder do imperador
e dos buracratas e comerciantes que faziam parte de seu círculo íntimo.

Esses atos foram como lenha na fogueira para a agitação que vinha acontecendo em
Pernambuco. Os ideias republicano, antiportugueses e federalistas se fortificaram com a volta de
Cipriano Baratada da europa. A nascente mídia, coordenada tanto pelos Andradas (ex-ministro e
seus irmãos) como por Cipriano Barata e Frei Caneca faziam crítica da monarquia centralizada.

Cipriano Barata foi preso e Frei Caneca, homem de origem humilde que estudou num colégio
liberal, tornou-se a figura central da crítica ao império centralizador.

A coisa explodiu quando foi nomeado um governador mal quisto. Isso fez com que Manuel de
Carvalho, no dia 2 de julho de 1824, proclamasse a Confederação do Equador. Esse homem era
um admirador dos EUA e era a favor da doutrina Monroe.

A confederação deveria reunir numa republica federativa Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do
Norte, Ceará e, possivelmente, Piaui e o Pará. Essa foi uma revolta de caráter urbano e popular.

Uma viajante inglesa que tentava fazer a mediação entre os lados comparou o clima da revolta
da Confederação com o da Convenção Nacional na Revolução Francesa.

A revolta falhou em se enraizar e resistir militarmente e o tribunal, manipulado pelo imperador,


condenou à morte todos os envolvidos. Frei Caneca foi fuzilado por se recusar de ir à forca.

Tal revolta não se apagou e ficou como uma chama branda que causou outras revoltas no
decorrer do século XIX naquela região.

3.6 A ABDICAÇÃO DE DOM PEDRO

Por mais efervescente que fosse a região nordestina, os rumos do país foram traçados na capital
e nas suas provincias metropolitanas. Dom Pedro dominava, tendo um poder praticamente
absoluto. Sete anos depois ele abdicava. O que levou a isso?

Iniciando pela área da política externa, em 1825 uma rebelião estourou na província cisplatina
que se incorporou às Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina). Isso gerou uma guerra entre
Brasil e a (Argentina), que foi um desastre militar para o Brasil e economico para as duas partes.
O tratado de paz mediado pela inglaterra, que queria a volta da estabilidade comercial que havia
antes da guerra, criou o Uruguai independente e a livre navegação no Rio da Prata, algo
importante comercialmente para Inglaterra e para o Brasil.

Internamente, o governo forçou a população pobre a juntar aos exércitos para a guerra, o que
gerou descontentamento. Além de que tiveram de importar homens pobres da europa para tal,
estes que vinham com o sonho de serem pequenos propriedades. Resultado: não ajudaram
muito no conflito e ainda se amontinaram no Rio de Janeiro, o que fez com que o Brasil tivesse
que ser salvo humilhantemente pelos Franceses e Ingleses.

Os gastos militares somados com uma tendencia de caída do preço das commodities
contribuiram para o desgaste do governo.

O Banco do Brasil entrou em certa crise depois que Dom João VI levou à Portugal todo o seu
ouro. Teve que recorrer às moedas de cobre, o que gerou falsificação e um fenomeno que
poderia se chamar de 'inflação'.

A moeda do Brasil desvalorizou-se com o tempo e o Banco do Brasil foi fechado.

Na época de Dom Pedro haviam dois grandes 'partidos' na elite: os absolutistas e liberais. Ambos
defendiam a ordem e a propriedade e respeitavam o rei, temendo uma liberdade excessiva que
colocasse em risco seus privilégios.

A partir de 1830 o clima começou a esquentar mais. O inicio da Monarquia de Julho na frança,
tida como liberal, virou um objeto de discussão dos políticos brasileiros. O imperador, regressado
duma viagem à Mina em 1831, foi recebido de forma fria. Quando portugueses tentaram fazer
uma festa para demonstrar apoio, houve reação dos brasileiros que iniciaram tumultos que
duraram cinco dias. Uma das noites desse cinco dias ficou conhecida como "Noite das
Garrafadas" na qual os brasileiros atacaram as casas dos portugueses e esteses responderam
com garrafas e cacos de vidro.

Houveram tentativas de fomração de um novo ministério e protestos. Os comandantes militares


mais prestigiados aderiram a revolta e no dia sete de abril de 1831 Dom Pedro I abdicou ao cargo
em favor do seu filho.

Dom Pedro I voltou à Portugal para reclamar o trono ocupado por seu irmão Dom Miguel e
deixou a coroa brasileira para seu filho, Dom Pedro II, nascido no Brasil e com cinco anos de
idade.