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ABCESSO

Definimos abscesso cerebral como um processo supurativo, focal, localizado


na intimidade do parênquima do cérebro. A lesão inicial, conhecida como
cerebrite, ocorre em área de tecido cerebral desvitalizado; a cerebrite evolui
para coleção de pus envola por cápsula bem vascularizada. As condições
predisponentes para o desenvolvimento do abscesso cerebral bacteriano
incluem sinusite paranasal, otite média e infecções dentárias. Embora estas
infecções sejam relativamente comuns, o abscesso cerebral é uma
complicação rara. Uma causa relativamente frequente de abscesso cerebral
em nosso meio é a teníase (Taeniasolium), agente da neurocisticercose

Etiologia e patogênese:
O abscesso pode se desenvolver de quatroformas: (1) em associação com um
foco supurativo, sinusite paranasal, por exemplo; (2) seguindo-se ao trauma
craniano (fratura aberta de crânio com lesão da dura), lesão ocular em ponta
de lapis na criança ou neurocirurgias; (3) com o resultado de disseminação
hematogênica a partir de um foco à distância; e (4) criptogênico.
A extensão de foco infeccioso contíguo parece ser a principal forma de
desenvolvimento de abscesso cerebral, sendo identificado este fator de risco
em cerca de 47% dos casos. Os abscessos metastáticos ou hematogênicos
são encontrados em 25% dos pacientes.Os abscessos decorrentes de
disseminação hematogênica de um foco à distância usualmente se localiza m
em areas supridas pela artéria cerebral média, como o lobo parietal e a região
posterior do lobo frontal. Obviamente, a microbiologia destas lesões vai estar
na dependência do foco infeccioso primário. Por exemplo,se a infecção for
endocardite infecciosa,os micro-organismos envolvidossão o S. aureus o
Streptococcus viridans

Manifestações clínicas
O curso clínico de pacientes com abscesso cerebral pode ser indolente ou
fulminante; em cerca de 75% dos casos a duração dos sintomas data de duas
semanas ou menos. Uma minoria de pacientes (<50%) apresenta a clássica
tríade de febre, cefaleia e deficit neurológico focal. As manifestações
proeminentes do abscesso devem-se mais à lesão em massa que ocupa
espaço do que à presença de um processo infeccioso. Cefaleia, hemicrânica
ou generalizada, moderada a intensa, é o principal sintoma, ocorrendo em 70%
dos casos. Febre ocorre em 40 a 50% dos pacientes. Em crianças este sinal é
bem mais frequente, ocorrendo em 80% dos casos. Alteração no nível de
consciência, que varia de letargia a coma, é observada na maior parte dos
casos. Defici tneurológico focal é encontrado em metade dos pacientes,
estando na dependência da localização da lesão e da presença de edema
cerebral associado. A hemiparesia é o achado mais comum. Convulsões
ocorrem em cerca de 25-35% dos pacientes à época da apresentação, sendo
mais frequentemente generalizadas e ocorrendo mais comumente em lesões
situadas no lobo frontal.

Diagnóstico
O diagnóstico do abscesso cerebral é fornecido po rmétodos de neuroimagem.
A Ressonância Nuclear Magnética (RNM) é superior à Tomografia
Computadorizada (TC) de crânio. A RNM identifica os abscessos ainda em
fase precoce de cerebrite, caracteriza melhor o edema associado e diagnostica
com mais precisão lesõesna fossa posterior.Além dessas vantagens, a RNM
define com mais precisão as complicações devastadoras da extensão extra
parenquimatosa do abscesso,como a rotura para o interior do ventrículo
cerebral.

Tratamento
A penicilina G cristalina (20-24 milhões de unidades/24h) permanece, até os
dias de hoje, como o pilar da terapia devido a seu espectro contra o
estreptococo. A cefotaxima, uma cefalosporina de terceira
geração, é igualmente efetiva para a maioria dos isolados de estreptococo,
com a vantagem de uma cobertura maior para germes Gram-negativos.