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Colégio HMS – HISTÓRIA - 3º ano

Prof. Cláudio Almeida


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Assunto: A Crise de 1929

I – INTRODUÇÃO
A crise foi decorrente de um tipo de capitalismo então existente e que reafirmava a
preponderância do mercado, por sinal valor básico do liberalismo com a tese do mercado auto-
regulável, e que se por um lado esteve atrelado aos chamados “loucos anos 20” e sua expectativa
de prosperidade interminável, acabou por gerar uma produção além da demanda.
Podemos entender, sinteticamente, que esta crise foi resultado de uma “superprodução”
numa ponta do sistema, e de “subconsumo” na outra.
II – DESENVOLVIMENTO
No período posterior ao encerramento da Grande Guerra de 1914-18, os EUA aproveitaram
o contexto de reconversão de seu parque industrial para uma indústria de bens de consumo – época
de “pleno emprego”, para crescer apoiando-se em seu próprio mercado interno. Num estágio
seguinte, a medida em que ocorria a saturação deste mercado, os investimentos norte-americanos
fluíram rumo a Europa em busca de novos mercados. Isto implicava a reativação das economias
europeias para que, mediante a expansão dos empregos, houvesse uma ampliação do mercado
consumidor.
Enquanto isso ocorria, entre os anos de 1919-25, as perspectivas de grandes e garantidos
lucros, empurraram o sistema financeiro a ampliar a oferta de crédito para a agricultura, que
acompanhando o ambiente geral de expansão econômica, por sua vez ia se endividando junto aos
bancos para ampliar a oferta de alimentos e matérias-primas. Alimentados pelo crédito, os
agricultores ampliavam a área plantada, adquiriam máquinas e contratavam mais pessoas.
II.1 – O INÍCIO
Mas a partir de 1925, grandes tempestades de areia – decorrentes da erosão e da exploração
intensiva do solo – cobriram grandes áreas agricultáveis, chegando a atingir a capital Washington.
O que eram antes prósperas fazendas, tornaram-se em poucos anos enormes areais. Com as
falências agrícolas, os bancos começaram a executar os devedores tomando-lhes as propriedades.
Mas estas agora não valiam quase nada, e no estágio seguinte, foram os bancos que começaram a
falir, arrastando seus clientes para a ruína.
Ao mesmo tempo, o mercado externo ia encolhendo como resultado dos investimentos
norte-americanos: se num primeiro momento houve a reativação econômica, a seguir ampliou-se
a competição e a concorrência contra os próprios EUA. As empresas produziam e não tinham para
quem vender, gerando estoques crescentes de capital imobilizado, férias fora de época e finalmente
desmpregados.
Os bancos começaram a repatriar o capital investido e exportaram a crise para a Europa e o
mundo.
II.2 – A “Quinta-feira Negra”
Apontada erroneamente como origem da crise, a quebra da bolsa de Nova York foi na
verdade pautada por uma sucessão de quedas que se estenderam por várias semanas.
Enquanto a oscilação das cotações transformavam fortunas em papel sem valor, o governo
a tudo assistia sem intervir, acreditando no “mercado auto-regulável” .
Falências agrícolas, bancárias, comerciais e industriais, produziram uma retração
econômica e uma expansão do desemprego. Tudo somado, o consumo imbicava em flecha para
baixo.
Era uma “descida ao inferno” onde a diminuição do consumo gerava mais desemprego, ue
gerava menos consumo....
III - SOLUÇÕES
Três soluções despontaram ao longo da década de 1930.
Com o New Deal de Roosevelt, o receituário socialista e o fascismo, emergiram
alternativas para a crise econômica que se instalara e prosseguiu piorando até 1932.

À esquerda, a URSS e o modelo stalinista de planificação econômica e estatização, aliava à


supressão das liberdades, a eliminação do mercado. Sem considerar que o que salvou a União
Soviética fora justamente o isolamento imposto pelos países capitalistas ao governo soviético.
À direita, o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler (chegado ao poder em 1933),
apresentava à uma igual supressão das liberdades, a preservação do capitalismo e,
consequentemente, do mercado.
E com o New Deal, aparecia uma solução, digamos de centro. A manutenção do regime
democrático e das liberdades, seria associado com a defesa do capitalismo e do mercado.
O capitalismo rooseveltiano propunha-se a estabelecer um certo grau de gestão econômica
e controle sobre as atividades do mercado.
A criação do FED (Reserva Federal) responsável pela moeda e pelo sistema financeiro, o
estabelecimento de programas de investimentos públicos em infraestrutura, contratação de mão-de-
obra, etc, permitiram retomar o emprego, o consumo e reativar a economia.

Porém, apesar dos sucessos alcançados, os índices de desemprego norte-americanos, eram,


em 1939, idênticos aos de 1929.
O que efetivamente salvou o capitalismo norte-americano, foi o início da 2ª Grande Guerra.