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OS NÓS E AS VOLTAS

ODIM - CURSOS NAUTICOS


Num barco, muita coisa existe para ser amarrada. Saber velejar e não
conhecer os principais nós equivale a saber guiar automóvel e não saber trocar
um pneumático.
Os nós de marinha são tão antigos quanto a própria navegação. Devemos
praticá-los bastante até conseguirmos dá-los de olhos fechados, com as mãos nas
costas ou só com uma das mãos, pendurados pelas pernas, num barco adernado,
ou com a (nossa) popa arrastando na água, pois num barco a vela as situações
mais incríveis aparecem.
Um nó bem dado não corre, porque ele morde o cabo. Por outro lado, é
fácil de desatar, mesmo com o cabo molhado.
Peguemos, pois, um pedaço de cabo e comecemos.
O nó mais simples, e começo de todos eles é a laçada. (fig. 168)
O mais comum é o nó torto, (fig. 169) também chamado de nó cego, que você
provavelmente já vem dando a muitos anos. Pois esqueça-o para sempre. É um
nó que corre, e quando realmente morde não há quem o consiga desatar. A bordo
de um barco é considerado vergonhoso. O certo é o nó direito, (fig. 170) muito
parecido com o nó torto; mas repare a diferença: os chicotes são paralelos ao
seio, no torto ficam cruzados.

O Nó direito, serve para emendar cabos em geral e, entre outras coisas,


atar os rizes ou as bichas com que ferramos os panos. Neste caso costuma-se dar
o nó direito com laçada, (fig. 171) fácil e rápido de desatar.

Quando emendamos dois cabos, principalmente quando são de bitolas


diferentes, o nó direito pode correr. Para evitar isto, damos um cote e assim
obtemos um nó de escota, que pode ser singelo (fig. 172) ou dobrado. (fig.
173)

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O lais de guia (fig. 174) é um dos nós mais usados. Serve para atar as
adriças e escotas nos respectivos punhos, encapelar uma espia ou até mesmo
unir dois cabos.

O balso pelo seio (fig. 175), é usado para içar um homem no mastro para fazer
reparos.

Como o nó de abouço ou de espia (fig. 176) emendamos dois cabos, e


com o catau (fig. 177) encurtamos ou aproveitamos um cabo (de reboque por
exemplo), que tenha uma parte enfraquecida.

Tanto o nó de trempe (fig. 178) quanto o de frade (fig. 179) são dados
num cabo, por exemplo, na escota da vela de estai, para retê-lo no olhal ou gome
do moitão.

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As voltas são dadas com o cabo em torno de um objeto qualquer, seja
cabeço, verga ou até mesmo outro cabo. A volta mais simples de todas é o cote.
(fig. 180)

Para içarmos uma peça comprida como por exemplo, um mastro ou


retranca, damos uma volta da ribeira (fig. 181) ou, melhor ainda, voltas
redondas com chicote mordido (fig. 182)

A volta do Anete (fig. 183), também conhecida como nó de fateixa, serve


para amarrar rapidamente um cabo no Anete da âncora.

A volta mais usada a bordo é a volta do fiel (fig. 184), que pode ser
simples ou dobrada (fig. 185). Com chicote mordido (fig. 186) fica ainda mais
segura. Uma aplicação de volta do fiel é a volta de arinque (fig. 187), usada
para amarrar um arinque na âncora.

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Era com as voltas de tomadouro (fig. 188) que antigamente se envergava
as velas no mastro e retranca. São usadas também para ferrar o pano. Para o
mesmo fim usamos as meias voltas mordidas. (fig. 189)

É muito importante sabermos dar corretamente a volta a um cabo num


cunho. A parte do cabo que está portando (agüentando o esforço), nunca deve
estar em posição tal que ela morda as voltas, pois o cunho deve estar livre para
que possamos soltar rapidamente a escota ou adriça quando necessário.
Também não é aconselhável dar um cote, pois seria desastroso se numa
emergência tivéssemos que soltar uma escota ou adriça molhada. Uma laçada,
por sua vez, permite soltar o cabo rapidamente. (fig. 190)

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Falcaças, Pinhas, Botões e Costuras

Muitos são os trabalhos de Arte de Marinheiro que os homens do mar


“bolaram” durante séculos. Poderíamos escrever um livro inteiro sobre o
assunto, mas vamos mostrar apenas os mais usuais a bordo de um barco de
esporte.
Primeiro, temos as falcaças, importantes para que o cabo não descoche.
A mais simples e rápida é a falcaça de chicote mordido fig. (191). A de
agulha (fig. 192) bem mais trabalhosa, é a mais segura e de melhor aspecto.
Tem este nome porque, quando feita no seio do cabo (com enfeite por exemplo),
necessita de uma agulha para passar a linha por entre as cochas. Os dois
chicobes b e c são unidos por meio de um nó direito, que fica escondido entre os
cordões.

Com as pinhas, podemos em certos casos, substituir as falcaças, (fig.


193), como é o caso da falcaça à inglesa (fig. 193 a). A pinha de balde (fig.
194) é dada no chicote do cabo do balde de bordo e a pinha retenida (fig. 195)
leva por dentro um peso de chumbo. A retenida é uma linha ou cabo de pequena
bitola, usada para ser arremessada para outra embarcação ou para terra e trazer
de volta um cabo de reboque ou espia.

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Muitos usados são os botões, inclusive para completar alguns nós, como o
nó de abouço, o catau, a volta do Anete ou a do arinque.

O botão redondo (fig. 196) e o de voltas falidas (fig. 197) encontram a


sua aplicação nas escotas das velas de estai. As voltas, depois de bem apertadas,
são esganadas, dando-se voltas em direção perpendicular.

Um dos trabalhos mais importantes feitos num cabo é a costura, que


serve para emendar. A costura redonda (fig. 198) é a mais segura. A de laborar
(fig. 199) enfraquece o cabo, mas permite que ele labore nos gornes do poleame.

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A mão (fig. 200) é uma alça que se faz costurando um chicote do cabo
para o seio. É um dos trabalhos mais comuns.

Fig. 200

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APOSTILA
DE

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NÓS E VOLTAS

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