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FACULDADE DE FILOSOFIA E TEOLOGIA PAULO VI

Apostila para o curso de Lógica I - 2013

1. Introdução

Propor-se ao estudo da lógica não é das tarefas a mais fácil. Não me refiro ao
conteúdo senão às tensões que são próprias desse campo da filosofia. Num primeiro
momento, pode parecer que estamos lidando com um conjunto de conceitos bem
formulados, que nos oferecem segurança e certeza: não precisa desbravar mas seguir
por caminhos já abertos e pavimentados por autores que nos antecederam. Nem sempre
isso é verdade. O estudo da lógica nos conduz a perguntas que continuam sendo
pertinentes, provocam a nossa capacidade de encontrar respostas que se colocam na
senda da tradição e para além dela: O que é verdade? É valido toda premissa universal?
A história não nos mostrou que existem Lógicas e não Lógica? Qual é a relação entre a
verdade e o poder, inclusive o poder de convencimento?

O curso de lógica, nesse sentido, deve constituir-se como espaço de reflexão entre
pessoas que se permitem provocar por problemas que não foram apenas de nossos
antecessores, mas que nos tocam diretamente, e exigem de cada um de nós disposição
para participar desse percurso.

O material que agora se apresenta tem como objetivo apresentar alguns caminhos
possíveis para pensar as situações conflito instituídos em nossa circunstancia e propor a
lógica como instrumento que colabora no processo de compreensão da circunstancia
mesma. Os autores que nos precederam serão apresentados como colaboradores, do
nosso processo de reflexão, nunca como enunciadores de verdades absolutas.

1.1 História da palavra

Não há certeza sobre a origem histórica do termo Lógica. Não é possível encontrar
na obra de Aristóteles o conceito como o compreendemos na atualidade. Boécio (480 –
525, Filósofo e estadista romano, proveniente de família cristã) acredita que alguns
comentadores do Organon de Aristóteles usam o termo Lógica para distinguir da
Dialética dos estoicos (LALANDE, 1999 p. 629). Pode-se perceber o uso mais
recorrente do termo entre os estoicos que traduzem (tá logicá
teorematá) como uma das três espécies de filosofia.

O estudo da lógica não sofreu grandes alterações desde Aristóteles até o século
XVII. Os autores medievais que se ocuparam dessa disciplina como Pedro Abelardo
(1079 – 1142) ou Guilherme de Ockhan (1295 – 1350) apenas organizaram as obras de
Aristóteles, em especial Categorias, De Interpretatione e os quatro livros do Organom.

A partir do século XVII a lógica passa a tomar uma nova direção com os estudos de
Leibniz (1646 – 1716), que propõe um projeto arrojado de ligação das operações

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algébricas com as operações lógicas, além de símbolos universais que facilitassem as
operações lógicas, o que resultaria numa “álgebra” da linguagem, bem como numa
linguagem universal a qual todas as “linguagens naturais” poderiam ser traduzidas e
testadas. O projeto não deu certo, mas fomentou a pesquisa de outros autores que
tomaram o projeto de Leibniz e transformaram na lógica simbólica clássica, também
denominada lógica matemática. O maior representante dessa pesquisa é o filósofo
George Bolle (1815 – 1864), que organizou em sua teoria os fundamentos para o
desenvolvimento da computação moderna.

A lógica seguira a sua tendência formalizadora aproximando-se mais da matemática,


física e computação e se afastando da perspectiva especulativa. Muitos denominam essa
tendência da lógica contemporânea de logicismo.

Em sentido geral podemos definir o sentido e a finalidade desse campo da


filosofia como “ciência que tem por objeto o juízo de apreciação enquanto se aplica
à distinção do Verdadeiro e do Falso” (LALANDE, 1999 p. 630); ou ainda,

“Lógica pode ser entendida como a ciência que investiga os princípios gerais do
pensamento válido. Seu objeto é discutir as características do julgamento que
referem-se não a fenômenos psicológicos, mas como expressão de nosso
conhecimento e nossas crenças; e em particular, procura determinar as condições
pelas quais temos o direito de passar de certos juízos dados a outros juízos que são a
sua consequência ... Pode ser reconhecida como uma ciência reguladora ou
normativa, suas características se processam como na ética e na estética” (KEYNES
apud LALANDE, 1999 p. 630)

Os mais antigos tratados de lógica, ainda seguindo uma tradição medieval,


dividiam o que eles chamavam de arte de raciocinar corretamente em dois grupos:
Lógica menor ou Formal e Lógica Maior ou Material, cujo conjunto foi denominado
Logica Antiqua (HEGENBERG 1995 apud SOARES 2003 p. 15).

(a) Lógica Formal: estudo dos conceitos, juízos e raciocínio, considerados na forma
em que são enunciados, e abstração feita da matéria à qual se aplicam, com vistas a
determinar in abstracto as suas propriedades, os encadeamentos e as condições sob as
quais se aplicam ou se excluem uns aos outros. Ou ainda

“Lógica é ... o exame daquela parte da razão que depende da maneira que as
inferências foram formadas ... Não tem a ver necessariamente com a verdade dos
fatos, opiniões ou coisas que se pode presumir, de onde pode se auferir uma
inferência: mas cuida que a inferência seja verdadeira, se a premissa for verdadeira”
(DE MORGAM apud LALANDE, 1999 p. 631)

Nesse sentido a lógica procura em que condições o nosso pensamento é claro e


bem definido, os nossos conceitos adequados, as nossas induções sólidas e as nossas
inferências justificadas e não necessariamente se o seu conteúdo corresponde com a
verdade.

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Ex. Se todos os juristas modernos são positivistas e se todo Procurador da república é
um jurista moderno, então podemos concluir com certeza que todo Procurador da
república é positivista. (SOARES, 2003 p. 13)

A Lógica Formal apresenta dois ramos importantes chamados: lógica dedutiva,


estuda os procedimentos pelos quais passamos de uma verdade dada a uma outra
segundo leis rigorosas e demonstrativas, e lógica simbólica: algoritmo em que se
combinam notações puramente formais, definidas por uma axiomática decisória e
abstrata, e tais que o sistema seja suscetível de ser aplicado à lógica.

Ex.

Todo X é Y

Todo K é X

Logo, todo K é Y

X (Jurista moderno), Y (positivista), K (Procurador da República)

Não há a necessidade de perguntar se esse raciocínio é verdadeiro ou falso, mas


válido ou inválido. Por isso há uma relação de tensão entre forma e conteúdo, não existe
para a lógica formal uma correspondência necessária entre esses dois elementos. É
possível a um raciocínio apresentar uma forma válida mas um conteúdo que não é
verdadeiro, e vice-versa. Ainda que a possibilidade de existir um raciocínio válido mas
falso, não se deve abandonar a busca por um raciocínio valido e verdadeiro.

Ex. (a)

Todos os homens são animais.

Ora, todos os mamíferos são animais.

Logo, todos os homens são mamíferos.

CONTEUDO FORMA

Verdadeiro Inválido

Ex. (b)

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Todos os animais são mamíferos.

Ora, todos os mamíferos são homens.

Logo, todos os animais são homens.

CONTEÚDO FORMA

Falso Válido

Ex. (c)

Todos os seres humanos são animais.

Ora, todos os cientistas são seres humanos.

Logo, todos os cientistas são animais.

CONTEÚDO FORMA

Verdadeiro Válido

(b) Lógica Maior: tem por objetivo determinar, por entre todas as operações
discursivas do espírito, aquelas que conduzem a verdade e as que conduzem ao erro.
Compreende assim não apenas o estudo das implicações rigorosas do raciocinio, mas
também o das operações indutivas, das hipóteses, dos métodos científicos, considerados
desde o seu valor probante. Estuda a maneira de raciocinar, por isso é denominada as
vezes de lógica natural.

Esse campo da lógica se ocupa com a verdade ou falsidade das proposições


contidas em um argumento. O principal objetivo da Lógica Maior é a argumentação
como instrumento do saber, de busca da verdade. Por muitas vezes a Lógica Maior
recebeu o nome de Metodologia (MARITAN, 1986 apud SOARES, 2003 p. 15).

Sendo assim, podemos dizer que lógica é:

“a disciplina que trata das formas de pensamento, da linguagem descritiva do


pensamento, das leis da argumentação e raciocínio corretos, dos princípios e dos
métodos que regem o pensamento humano. Não se trata apenas de uma arte, mas de
uma ciência: possui um objeto definido: as formas de pensamento” (BASTOS,
KELLER, 1999 p. 14).

O seu objeto pode fazer parecer que essa disciplina não tem nenhuma implicação
prática, mas se olhar bem a história poderemos perceber que a exposição adequada do
pensamento foi o principal recurso de conquista e manutenção do poder, e continua
sendo na organização de sistemas lógicos de linguagem informática.

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Há ainda que se considerar que o estudo da lógica só terá validade se a
preocupação central não for apenas nos sistemas metalógicos (estudo das propriedades
formais dos sistemas lógicos formais) que validam o pensamento, ou nos processos de
raciocínio que levam a inferências válidas, mas nos problemas filosóficos que a lógica
propõe (HAACK, 2002 p. 27). O diálogo com outras disciplinas como epistemologia,
estética, ética, história são fundamentais para perceber o que é fundamental no estudo
dessa disciplina.

1.2 Os princípios da Lógica

A Lógica Clássica é regida por três princípios: Contradição, identidade e


terceiro excluído.

O Princípio de Contradição, considerado o mais importante da Lógica Clássica,


afirma que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Esse princípio é
orientado ontologicamente, isto é, uma coisa não pode existir e não existir ao mesmo
tempo.

O Princípio de Identidade afirma que uma coisa é enquanto é si mesma, e não


pode deixar de ser. Esse princípio pode ser expresso da seguinte forma: A=A.

O Princípio de não contradição segue os dois anteriores e afirma que não há


meio termo entre ser e o não ser, também é um princípio fundamentalmente ontológico.
A Lógica Formal não nos faz escolher entre o bem e o mal, ou seja, entre o que é uma
coisa ou o seu contrário, mas o que é uma coisa e o que ela não é. Seguindo o exemplo
acima, a Lógica Formal nos coloca em frente ao bem ou ao não bem. Outro exemplo
possível para considerar o que pretende a Lógica Formal é acerca da rosa: posso dizer
usando o princípio de contradição que a rosa é vermelha ou amarela, escolho entre um
desses dois juízos; o Princípio de Não Contradição afirma que é possível a rosa ser
vermelha ou amarela, não pode ao mesmo tempo as duas cores, o que nos vai dar
certeza sobre a cor da rosa é a experiência.

1.3 Critica a essa definição (sexta).

2 O estudo do Processo de Raciocínio

O objeto de estudo da Lógica Formal é o processo de raciocínio que, segundo


Vries (1952) compreende seis partes (VRIES 1952 apud SOARES 2003 p. 23):

Ideia ou conceito;
Termo;
Juízo;
Proposição;
Raciocínio;
Argumento.

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Raciocinar é inferir, ou seja, passar do que já se conhece de algum modo ao que
ainda não se conhece ou não conhece completamente (BASTOS, KELLER, 1999 p. 38).
Não serve apenas para conhecer coisas novas mas também para sustentar proposições
anteriores. Assim como uma construção, o raciocínio precisa seguir um método para ter
resultado eficiente e eficaz: organizar aquilo que o sujeito que pensa já conhece de tal
forma a propor outro conhecimento ou justificar conhecimento anterior.

Conhecendo cada parte do processo de raciocínio saberemos como realizar as


inferências de forma adequada.

2.1 Conceito

Segundo o conceito de Aristóteles um conceito ou ideia se forma a partir do


contato do sujeito com a realidade, ou seja, por meio da experiência sensível. Esse
processo é chamado de Simples Apreensão: a abstração da realidade da qual ainda nada
se afirma ou se nega, mas se cria uma imagem mental. Como imagem mental, uma ideia
não consegue abstrair todos os elementos de uma realidade, mas somente as suas
características essenciais, as quais determinam o próprio ser do objeto de forma a
distingui-lo de outros objetos de natureza diferentes.

Os conceitos podem ser classificados desde vários critérios, perfeição,


compreensão e extensão.

2.1.1 Perfeição

Um conceito é tanto mais perfeito quanto mais ele corresponde ao objeto


apreendido pela mente, tanto em relação ás características essenciais quanto às
acidentais. Assim podemos classifica-lo segundo os seguintes critérios:

2.1.1.1 Adequação

No que refere-se à Perfeição considera-se um conceito e Adequado quando


esgota a cognocibilidade do objeto apreendido pela mente (SOARES, 2003 p. 25)

Ex. quando o termo relâmpago é expresso, nossa mente forma de imediato uma imagem
desse objeto, sem a menor confusão e sem a necessidade de um conceito explicativo.

Considera-se um conceito Inadequado no que refere-se á Perfeição quando não


se esgota a cognocibilidade do objeto apreendido pela mente.

Ex. quando o termo clarão é expresso, sem um contexto explicativo, nossa mente não
consegue identificar de forma objetiva o que está sendo expresso na realidade.

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2.1.1.2 Clareza

Um conceito é Claro quando os elementos apreendidos pela mente são


suficientes para distinguir aquele conceito de outras classes diferentes de conceitos.

E. a ideia de homem é clara pois os elementos são suficientes para distingui-la de outras
como árvore, elefante, casa, entre outros.

Um conceito é obscuro quando não oferece elementos distintivos suficientes.

Ex. a ideia de objeto voador não oferece elementos suficientes para distingui-la muito
menos para diferencia-la: pode ser avião, pássaro, pessoa em asa delta, entre outros.

2.1.1.3 Diferenciação

No que refere-se à Perfeição um conceito pode ser considerado ainda Distinto


quando apresenta todos os elementos possíveis (essenciais e acidentais) necessa´rios à
individuação.

Ex. Ao dizer, Fernando Henrique Cardoso, sociólogo brasileiro e ex presidente da


República, reeleito em 1998, temos elementos distintivos suficientes para a
individuação.

Um conceito Confuso não apresenta elementos suficientes para a individuação.

Ex. quando digo presidente não sabemos quem, de onde e do quê.

Um conceito quando inadequado é ao mesmo tempo obscuro e confuso, se uma


ideia for distinta ela será clara e adequada. Segue-se porém, que uma ideia adequada e
clara nem sempre é distinta.

2.1.2 Compreensão

Um conceito é tanto mais compreendido quanto mais simples ele for, ou seja,
quanto menos a decodificação necessária. Obsevamos aqui que Compreensão não é
sinônimo de Perfeição. No que concerne à Compreensão um conceito pode ser Simples
ou Composto.

2.1.2.1 Simples

Quando consta de apenas um elemento significativo

Ex. Ser

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2.1.2.2 Composto

Quando consta de mais de um elemento significativo

Ex. Homem: animal, racional, mamífero, social, ...

2.1.3 Extensão

A Extensão de um conceito aumenta conforme a quantidade de objetos por ele


abrangidos, ou seja, a denominação de quantidade faz referencia a posição de termos em
conjunto. Nesse sentido um conceito pode ser Singular, Particular ou Universal.

2.1.3.1 Singular

Quando representa apenas um elemento distintivo

Ex. Fernando Henrique Cardoso, ex presidente do Brasil.

2.1.3.2 Particular

Quando representa alguns elementos de determinada classe ou conjunto

Ex. Alguns políticos brasileiros

2.1.3.3 Universal

Quando um conceito representa todo um conjunto ou classe.

Ex. Todos os políticos brasileiros.

Como a Compreensão é o significado de um conceito, podemos identifica-la à


qualidade e, sendo a Extensão o conjunto de indivíduos aos quais podemos aplicar a
ideia, podemos identificá-la como quantidade. Relacionando qualidade e quantidade
notamos que quanto mais amplo for um conceito tanto menos distinto ele será. Do
exposto decorre a seguinte regra:

Quanto maior a extensão, menor a compreensão e, quanto maior a


compreensão, menor a extensão (SANTOS 2003 p. 27).
Ex. O conceito de livro é mais extenso que o conceito de livro de lógica, que por sua
vez é mais extenso que o conceito de livro de lógica simbólica, de tal forma que o
conceito livro é de menor compreensão que o de livro de lógica e por sua vez de menos

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compreensão do que o conceito de livro de lógica simbólica. Observe o conjunto a
seguir no qual A = Livro de Lógica Simbólica; B = Livro de Lógica; C = Livro e veja
que a maior extensão (A) está relacionada diretamente com a maior compreensão, ao
passo que a maior extensão (C) está relacionada à menor compreensão.

2.2 O Termo

Enquanto o Conceito é uma imagem mental, fruto de uma abstração, o Termo é a


sua expressão simbólica ou material. O Termo significa o Conceito e por isso o
substitui. Esse processo de substituição acontece por suplência formal ou material
(SANTOS 2003 p. 28).

A suplência é formal quando ao falar do termo não precisamos de sua presença


física ou material, a simples evocação do nome traz a mente a imagem do objeto.
Quando o termo significa o próprio sinal, ou seja quando o sinal evoca a si mesmo
dizemos que a suplência é material. Por exemplo, quando digo que o “a palavra óculos
tem seis letras”, estou fazendo referencia ao próprio termo e não ao objeto que ele
significa.

Os termos podem ser classificados conforme critérios de compreensão, função e


extensão.

2.2.1 Compreensão

Um Termo também pode ser classificado conforme a sua perfeição, mas


diferente do Conceito, o grau de perfeição se dá na capacidade do Termo evocar ou
referenciar um objeto especifico.

O Termo é classificado conforme a sua Compreensão como sendo: unívoco,


equivoco ou análogo.

2.2.1.1 Termo Unívoco

Quando substitui a ideia clara de um único objeto ou classe.

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Ex. Homem.

2.2.1.2 Termo Equívoco

Quando pode ser aplicado à vários conceitos diferentes, ou seja, quando o


mesmo sinal pode representar conceitos diferentes.

Ex. Manga.

2.2.1.3 Termo Análogo

Quando o termo é usado em forma conotativa, ou seja, em linguagem figurada,


mas de forma tal que a ideia por ele representada tenha uma semelhança com a ideia
original.

Ex. Aquele professor está uma fera.

2.2.2 Função

Mais importante para o nosso trabalho que procura enfocar a forma do


argumento e não propriamente a linguagem ou o conteúdo, é o estudo da Função que
um termo pode exercer em um enunciado. Para a Lógica Clássica, um termo pode
exercer duas Funções: função de sujeito (TS) e função de predicado (TP)

Ex. Todo comunista convicto é partidário de políticas estatizadoras

TS TP

Os termos restantes (todo, é) são classificados como palavras lógicas,


denominados sincategoremáticos (SOARES, 2003 p. 28).

Para a lógica, em sentenças categóricas só existe o verbo de ligação (é), quando


isso é impossível ele é reduzido a uma forma substantivada.

Ex. A universidade limita o filósofo = A universidade é limitadora dos filósofos

Como nem sempre isso será possível, aceitaremos a forma em que a frase foi
construída.

2.2.3 Extensão

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Os termos também são classificados conforme a quantidade de elementos do
conjunto a que se referem. Os termos sujeito e predicado são classificados de forma
diferente no que concerne à Extensão. Para TS:

a) Universal:

Ex. Todos os homens são mortais. Homem Mortal

Nenhum homem é mortal.

Homem

Mortal

b) Particular

Ex. Alguns homens são filósofos

Alguns homens não são filósofos

c) Singular

Ex. Sócrates é filósofo

Este homem não é filósofo

O Termo Predicado não depende da quantidade do enunciado, mas da


qualidade, ou seja, de ser afirmativo ou negativo. Para TP:

a) Sentenças afirmativas tem Termo Predicado particular.

Ex. Todos os homens são animais

TP

O Termo Sujeito homem é tomado em seu sentido universal, mas o Termo


Predicado animais é tomado em sentido particular, pois com essa sentença não se

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pretende afirmar que todos os animais são homens, mas que apenas alguns animais o
são.

b) Sentenças negativas tem o Termo Predicado universal

Ex. Alguns médicos não são pediatras.

Dizemos que TS médicos em seu sentido particular, mas o Termo Predicado


pediatra é tomado em seu sentido universal, pois o ser pediatra é negado a todos os
médicos aos quais fizemos referencia. A negação, segundo critérios clássicos, nunca se
dá de forma parcial, mas total (Nenhum S é P, porque S só é S quando for diferente de
P).

Podemos fazer sugerir o seguinte quadro:

QUANTIFICADOR TS CÓPULA TP
Todo S (Universal) é P (Particular)
Algum S (Particular) P (Particular)
Algum S (Particular) P (Particular)
Nenhum S (Universal) P (Universal)
(SANTOS, 2003 p. 35)

2.2.4 Indefinição do sujeito

Alguns enunciados categóricos não deixam explicito a quantidade do Termo


Sujeito (algum, todos, nenhum), tratam como indefinido substituindo pelo termo Os,
que não significam necessariamente Todos.

Ex. os educadores brasileiros são a favor da reforma da Educação.

Nesse caso os lógicos clássicos usam um critério chamado critério essencial,


que pode ser enunciado por duas regras básicas:

a) Quando o Termo Predicado for essencial, o Termo Sujeito será universal.

Ex. Os homens são animais

Nesse caso animal é gênero e homem é espécie, de modo que o conjunto dos
homens está contido no dos animais, o que torna o conjunto homens universal.

b) Quando o Termo Predicado for acidental, o Termo Sujeito será particular

Ex. Os homens são brasileiros

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Nesse caso o ser brasileiro não faz parte de todo homem, mas é apenas uma
contingencia, uma acidente, tornando-o assim particular.

2.3 Juízo

O juízo é a atividade mental segundo a qual afirmamos ou negamos algo acerca de


um sujeito, ou ainda o ato metal pelo qual formamos uma sentença. Segundo Jacques
Maritain (1962) juízo é “o ato do espírito pelo qual ele une quando afirma e separa
quando nega” (MARITAIN apud SOARES 2003, p. 40). Quando enunciamos um juízo
de forma oral ou escrita, estamos enunciando uma proposição.

Ex. O dia está lindo.

2.4 Proposição

Uma proposição categórica é formada pela união de um sujeito e um predicado.


Dizemos que existe uma Proposição quando há um sentido lógico, ou seja, quando o
predicado convém ao sujeito.

Ex. 1 (Não há proposição) A água é #$%@>.

Ex. 2 (é uma afirmação falsa, mas com sentido lógico) Nenhum homem é brasileiro.

As Proposições podem ser classificadas em três critérios fundamentais:


Qualidade, Extensão ou Qualidade (SOARES 2003, p. 40).

2.4.1 Qualidade

A Qualidade não pode ser classificada segundo critério de verdade ou falsidade,


mas com a sua forma (afirmativa ou negativa)

AFIRMATIVA NEGATIVA
Quando o predicado é afirmado ao sujeito Quando o predicado é negado pelo sujeito
EXEMPLOS EXEMPLOS
Todos os homens são mortais Nenhum círculo é quadrado
Alguns homens são filósofos Alguns estudantes não gostam de lógica

2.4.2 Extensão

Segundo o critério uma proposição pode ser :

UNIVERSAL PARTICULAR
Quando o conjunto é universal Quando o conjunto é particular
EXEMPLOS EXEMPLOS
Todos os homens são mortais Alguns homes são filósofos
Nenhum círculo é quadrado Alguns estudantes não gostam de lógica

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Desde as formulações lógicas de Aristóteles convencionou-se classificar as proposições
em quatro tipos (A, E, I e O), segundo os critérios de Extensão e Qualidade, conforme o
seguinte quadro geral da tipologia das proposições.

TIPO QUALIDADE EXTENSÃO EXEMPLO


A Afirmativa Universal Todo S é P
E Negativa Universal Nenhum S é P
I Afirmativa Particular Algum S é P
O Negativa Particular Algum S não é P

A partir do quadro geral dos tipos de proposição podemos verificar os tipos de


Distribuição dos termos sujeito e predicado em cada tipo de Proposição conforme o
quadro seguinte:

TIPO DA QUALIDADE EXTENSÃO EXTENSÃO EXTENSÃO


PROPOSIÇÃO DA DA DO TS DO TP
PROPOSIÇÃO PROPOSIÇÃO
A Afirmativa Universal Universal Particular
E Negativa Universal Universal Universal
I Afirmativa Particular Particular Particular
O Negativa Particular Particular Universal

Assim podemos afirmar no que refere-se à Distribuição, podemos afirmar que as


Sentenças do tipo A e E Distribuem, ou seja, tornam universal o Termo Sujeito, ao
passo que somente as sentenças do tipo E e O Distribuem o Termo Predicado. As
sentenças do tipo I e O não Distribuem o Termo Sujeito, e as sentenças do tipo A e I não
Distribuem o Termo Predicado.

Conforme as relações estabelecidas entre os diversos tipos de Proposições ,


criou-se um quadro atribuído a Aristóteles, denominado Quadro Geral de Oposições, o
qual, a partir de uma análise qualitativa e quantitativa, procura demonstrar as diferenças
entre as Proposições.

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2.4.3 Contrárias: A E

Duas proposições são contrárias quando não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
Podem porém ser falas ao mesmo tempo. Essa regra decorre do fato de que as sentenças
contrárias diferem em termos de qualidade (afrimativa/negativa) porém não diferem
em termos de qualidade, pois ambas são universais

Ex 1. Todos os homens são mortais (A)

Nenhum homem é mortal (E)

Ex 2. Todos os homens são médicos (A)

Nenhum homem é médico (E)

2.4.4 Contraditória: A O

E I

Duas Proposições são contraditórias quando não podem ser falsas ou


verdadeiras ao mesmo tempo. A regra decorre do fato que os termos diferem em
quantidade e em qualidade.

Ex 1. Todos os homens são mortais (A)

Alguns homens não são mortais (O)

Ex 2. Nenhum homem é mortal (E)

Alguns homens são mortais (I)

Em ambos os casos podemos inferir que se uma for falsa a outra será verdadeira.

2.4.5 Subcontrárias: I O

As proposições Subcontrárias não podem ser falsas ao mesmo tempo, mas podem
ser, em alguns casos, verdadeiras ao mesmo tempo. Isso ocorre quando as Subcontrárias
diferem apenas em qualidade (afirmativa/negativa) e não em termos de quantidade
(universal/particular)

Ex. Alguns homens são mortais (I)

Alguns homens não são mortais (O)

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2.4.6 Subalternas e superalteração:

SUBALTERNAÇÃO SUPERALTERNAÇÃO
A E A E

I O I O

Da relação entre Premissas Subalternas e Superalternas podemos inferir a seguinte


regra: “Da verdade do todo podemos inferir a verdade das partes, mas da verdade das
partes não podemos inferir a verdade do todo” (SOARES, 2003 p. 45).

Ex. Se vãos a uma festa de aniversário e comemos um pedaço de bolo não podemos
inferir que todo o bolo estava bom. Porem se comemos todo o bolo podemos dizer com
certeza que cada parte estava boa. Dessas relações entre as premissas podemos então
elaborar o seguinte quadro geral, ao qual daremos o nome de Quadro de Relações:

Se A é E É falsa I é verdadeira O falsa


verdadeira
Se E é A É falsa I É falsa O verdadeira
verdadeira
Se I é E É falsa A É O indeterminada
verdadeira indeterminada
Se O é A É falsa E É I indeterminada
verdadeira indeterminada
Se A É falsa O É E É I indeterminada
verdadeira indeterminada
Se E É falsa I É A É O indeterminada
verdadeira indeterminada
Se I É falsa A É falsa E É verdadeira O verdadeira
Se O É falsa A É E É falsa I verdadeira
verdadeira

2.4.7 Indeterminadas

As proposições são consideradas indeterminadas quando no que refere-se à Verdade


ou Falsidade pode ser, em alguns casos uma coisa e em outros outra.

Ex 1. (I) Alguns homens são mortais (V)

(A)Todos os homens são mortais (V)

Predicado Necessário

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Ex 2. (I) Alguns homens são biólogos (V)

(A) Todos os homens são biólogos (F)

Predicado Contingente

Relação (I) (O):

Ex 1. (I) Alguns homens são mortais (V)

(O) Alguns homens não são mortais (F)

EX. 2 (I) Alguns homens são médicos (V)

(O) Alguns homens não são médicos (V)

Relação (O) (E):

EX 1. (O) Alguns homens não são imortais (V)

(E) Nenhum homem é imortal (V)

EX 2. (O) Alguns homens não são médicos (V)

(E) Nenhum homens é médico (F)

Relação (O) (I):

Ex 1. (O) Alguns homens não são imortais (V)

(I) Alguns homens são imortais (F)

Ex 2. (O) Alguns homens não são médicos (V)

(I) Alguns homens são médicos (V)

Relação (A) (E)

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Ex 1. (A) Todos os homens são imortais (F)

(E) Nenhum homem é imortal (V)

Ex 2. (A) Todos os homens são médicos (F)

(E) Nenhum homem é médicos (F)

Relação (A) (I)

Ex 1.(A) Todos os homens são imortais (F)

Alguns homens são imortais (F)

Ex 2. (A) Todos os homens são médicos (F)

(I) Alguns homens são médicos (V)

Relação (E) (A)

EX 1. (E) Nenhum homem é mortal (F)

(A) Todo homem é mortal (V)

Ex 2. (E) Nenhum homem é médico (F)

(A) Todo homem é médico (F)

Relação (E) (O)

Ex 1. (E) Nenhum homem é mortal (F)

(O) Alguns homens não são mortais (F)

Ex 2. (E) Nenhum homem é médico (F)

(O) Alguns homens não são médicos (V)

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Podemos analisar com base nesses dados que a o valor de V/F será variável
dependendo da forma do predicado (necessário ou contingente), pelo fato de não
conhecermos o conteúdo e, consequentemente não conseguirmos determinar se uma
sentença é, na realidade, verdadeira ou não, é que a sentença Indeterminada é usada
pelos lógicos.

2.5 O Raciocínio Categórico

Em termos gerais define-se raciocínio como um encadeamento de argumentos:


“raciocinar corresponde a pensar discursivamente, pensar de maneira coerente, com um
propósito em vista. Mais estritamente corresponde a inferir” (HEGENBERG, 1995
apud SOARES, 2003 p. 53). Assim como a proposição é a expressão linguística do
juízo, também podemos afirmar que o argumento (silogismo), é um dos tipos de
expressão linguística de um raciocínio.

Ex. Todo cigarro contém amônia, alcatrão e nicotina. Ora, a amônia, o alcatrão e a
nicotina são nocivos à saúde. Portanto podemos afirmar que o cigarro é nocivo à saúde.

Nesse exemplo podemos claramente distinguir as premissas que reforçam a


conclusão:

1° Premissa. Todo cigarro contém amônia, alcatrão e nicotina.

2° Premissa. Ora, a amônia, o alcatrão e a nicotina são nocivos à saúde.

Conclusão. O cigarro é nocivo à saúde.

É importante observar que os argumentos nem sempre se apresentam de forma


tão clara como no exemplo acima:

Ex. Os partidários do socialismo histórico não são partidários das ideias neoliberais,
pois os neoliberais defendem a privatização, e os socialistas históricos as negam.

Se organizarmos esses argumentos que se apresentam de forma atípica teremos:

1° Premissa.Os partidários das ideias neoliberais defendem a privatização.

2° Premissa.Os partidários do socialismo histórico não defendem a privatização.

Conclusão.Os partidários do socialismo histórico não são partidários das ideias


neoliberais.

19
O Raciocínio Categórico é regido por algumas regras: Princípio de Contradição,
Princípio do Terceiro Excluído, Princípio da Tríplice Identidade.

a) Contradição

“Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo” (SOARES, 2003 p. 54).
Há controvérsia sobre esse princípio, alguns afirmam que existe um meio termo entre
amor e ódio, quente e frio (KORZYBISNKI apud SOARES, 2003 p. 54), mas o
fundamento dessa crítica não coincide com a proposta aristotélica torna inválido o bem
e o não-bem e não o binômio bem e mal. O juízo de contradição não nos faz escolher
entre as proposições “a rosa é vermelha” ou a “rosa é branca”, mas entre a “rosa é
vermelha” e a “rosa não é vermelha”.

b) Terceiro excluído

Não existe meio termo entre ser e não ser (mais ou menos ser). Esse princípio é
uma complementação do anterior, negando uma terceira possibilidade entre os valores
positivos (ser) e negativo (não ser). Isso significa que entre o quente e o frio pode existir
o morno: determinado objeto está quente, ou frio ou morno. Morno, nesse caso, existe
como realidade concreta e não como um não-quente e não-frio.

c) Identidade

Duas coisas idênticas a uma terceira são idênticas entre si e duas coisas, das quais
uma é idêntica e a outra não é idêntica a uma mesma terceira, são diferentes entre si.

Ex. Se x = 2 e y = 2, então x = y

Se x ≠ 2 e y = 2, então x ≠ y

2.5.1 Silogismo

2.5.1.1 Estrutura

A palavra silogismo significa cálculo, foi empregada por Platão e posteriormente


por Aristóteles para designar o raciocínio dedutivo perfeito (ABGNANO 1982) O
silogismo categórico é formado por duas sentenças antecedentes (premissas) e uma
consecutiva (conclusão).

20
Ex.

Todo Liberal é Democrata

Alguns Liberais são socialistas

Logo, alguns Socialistas são Liberais

Todo L é D (primeira premissa antecedente)

Algum L é S (segunda premissa antecedente)

Logo, algum S é D (premissa conclusiva)

Podemos observar que o Silogismo Categórico é formado por três termos, no


caso L, D e S, dos quais L é um repetitivo nas duas premissas antecedentes, porém não
aparecendo na conclusão. Esse termo que se repete nas duas premissas antecedentes é o
termo de ligação, sem o qual seria impossível concluir o argumento:

D
D
L
S

Esse termo que serve como elo se dá o nome de termo médio, o qual se pode
simbolizar por M. Os outros receberão os nomes de termo maior (M) e termo menor
(t). Para identificar o termo maior e o termo menor, os lógicos desde o século XVII
adotaram arbitrariamente a sugestão de João Filipono o qual diz que o termo maior deve
ser definido como predicado da conclusão e o termo menor como sujeito da conclusão
(KNEALE, 1991 apud SOARES, 2003 p. 57).

TODO X É Y Termo Maior (T)

ALGUM X É M Termo Menor (t)

Logo, ALGUM M É Y Termo Médio (M)

21
Observe que Y aparece como predicado da conclusão, e que portanto nas
antecedentes denominado Termo Maior (M), enquanto M aparece na conclusão como
sujeito, e é denominado Termo Menor (t). Já o X recebe a denominação de Termo
Médio, porque se repete nas antecedentes e não aparece na conclusão.

2.5.1.2 Validade de um Silogismo Categórico

Ex.

a) Todos os animais são mortais.

Todos os homens são mortais.

Logo, todos os homens são animais.

b) Nenhum socialista é capitalista

Alguns capitalistas são neoliberais

Logo, nenhum socialista é neoliberal

c) Todo democrata é liberal

Alguns liberais são partidários da teoria de Keynes

Logo, alguns democratas também são partidários das terias de Keynes

d) Todo cavalo é animal

Todo homem é animal

Logo, todo homem é cavalo

d) Nenhum homem é animal

Alguns animais são mamíferos

Logo, nenhum homem é mamífero

22
e) Todo homem é mortal

Alguns mortais são galinhas

Logo, alguns homens são galinhas

Leia novamente os seis silogismos e assinale os que são válidos e inválidos.

Se assinalou que os seis estão inválidos, acertou. Porém se assinalou que a, b, c


estão válidos e d, e e f, você se deixou levar pelo seu conteúdo, você confundiu forma e
verdade, pois todos os silogismos apresentam todos a mesma forma:

a/d b/e c/f

Nenhum X é Y Todo X é H
TODO X é Y
Algum Y é N Algum H é Y
TODO H é T
Nenhum X é Y Algum X é Y
TODO H é X

As premissas apresentadas não são fortes o suficiente para sustentar a conclusão.


Oito regras vão nos ajudar a construir silogismos válidos.

Para um silogismo ser verdadeiro é necessário que siga algumas regras:

2.5.1.3 No que refere-se aos Termos:

A) Deve conter somente três Termos: Médio, Maior e Menor

Ex. 1

Todo macaco é animal.

Alguns macacos são hidráulicos.

Todo animal é hidráulico.

Nesse Silogismo temos mais do que três termos: na primeira premissa macaco é
identificado como animal, na segunda como um instrumento de natureza mecânica.
Resulta daí que esse Silogismo tem quatro termos e não apenas três.

23
Ex. 2

Todo marxista convicto são partidários da estatização.

Ora, alguns marxistas não são partidários das teorias de Keynes.

Portanto, alguns partidários da estatização não são partidários da teoria de Keynes.

Nesse exemplo o termo médio assume um caráter equivoco, quando afirmamos


que há marxistas convictos, apenas a esses marxistas estamos nos referindo, e não a
todos os marxistas.

Nem sempre são o termo maior ou menor os que provocam um problema para o
numero de termos que compõe um Silogismo, mas o termo médio também pode fazê-lo:

Ex.

Todos os animais racionais são seres vivos.

Ora, o homem é um ser vivo.

Logo, o homem é um animal.

B) O Termo Médio deve ser pelo menos uma vez universal, ou seja, deve estar ao
menos uma vez distribuído.

Ex.

Todos os homens são animais

Todos os macacos são animais

Logo, todos os macacos são homens

C) O Termo médio não pode entrar na conclusão

Ex.

Todo X é Y
Y
Todo H é X X
H
Todo H é X

24
Quando o termo médio entra na conclusão estamos reproduzindo total ou
parcialmente as premissas anteriores e isso torna o raciocínio tautológico.

D) O Termo, seja ele Maior ou Menor, não pode estar distribuído na conclusão se não
estiver nas premissas antecedentes, ou seja, o Termo não é universal na conclusão
enquanto é particular nas premissas.

Ilícito Maior, ocorre quando Termo Maior é particular na Premissa Maior e universal
na Conclusão.

Ex.

Todos os criminosos devem ser punidos com rigor

Alguns homens não são criminosos

Logo, alguns homens não devem ser punidos com rigor

Ilícita Menor: ocorre quando o termo maior é particular na premissa menor, e universal
na conclusão.

Ex.

Nenhuma norma jurídica deve contradizer o direito a cidadania.

Ora, algumas emendas constitucionais contradizem a cidadania.

Logo, nenhuma emenda constitucional é norma jurídica

2.5.1.4 Sobre as regras das Premissas elas podem ser:

A) De duas premissas particulares nada podemos concluir de efetivamente necessário.

Ex.

Alguns economistas são defensores de uma política neoliberal, a qual defende o Estado
Mínimo. Ora, alguns partidários do socialismo são economistas; portanto podemos
afirmar que alguns partidários do socialismo são defensores de uma economia de cunho
neoliberal, a qual defende o estão Mínimo.

25
Alguns E são N

Alguns S são E

Alguns S são N

B) De duas Premissas Negativas não se pode tirar conclusão alguma.

Ex.

Nenhum princípio ou norma jurídica pode ser ambígua.

Ora, algumas leis são ambíguas.

Logo, ????

Nenhum P é A

Alguns L não são P

Logo, ???

C) De duas Premissas Afirmativas não podemos ter uma conclusão negativa.

Ex.

Todos os homens são racionais

Alguns homens são filósofos racionalistas

Logo, alguns filósofos racionalistas não são racionais

2.5.1.5 A Conclusão deve seguir sempre a premissa mais fraca (as que apresentam a
extensão particular e/ou qualidade negativa): (a) Se uma premissa é particular a
conclusão é particular; (b) Se uma premissa é negativa a conclusão é negativa.
(HISPANICO, 1210 apud SOARES, 2003 p. 70)

26
Ex.

Todo X são Y.

Alguns X são M.

Logo, algum M são Y.

Todos X são Y

Nenhum Y é M

Nenhum M são X

2.5.1.6 Figuras do Silogismo Categórico.

A Figura de um Silogismo Categórico dependerá do lugar que o Termo Médio


ocupa nas premissas, exercendo as funções de sujeito/predicado. Distribuindo o Termo
Médio nos Silogismos seguem quatro figuras:

A) SUB-PRE: Nessa figura o Termo Médio aparece como sujeito na primeira premissa
e predicado na segunda, de forma tal que a configuração de um silogismo categórico de
primeira figura é:

M–T

T-M

t-T

Todo homem é mortal

Todos os brasileiros são homens

Todos os brasileiros são mortais

B) PRE-PRE: o Termo Médio aparece como predicado na primeira e segunda


premissa.

T–M

t-M

t-T

27
Todos os filósofos são amantes do saber

Alguns homens são amantes do saber

Logo, alguns homens são filósofos

C) SUB-SUB: um silogismo da terceira figura apresenta um Termo Médio como sujeito


nas duas premissas.

M–T

M–t

t-T

Todo homem é mortal

Alguns homens são filósofos

Alguns filósofos são mortais

D) PRE-SUB:Em um silogismo da quarta figura o Termo Médio se apresenta como


predicado na primeira premissa e sujeito na segunda.

T–M

M–t

t-T

Todos os homens são racionais

Todos os racionais são seres pensantes

Todos os seres pensantes são homens

2.5.1.7 Modos do Silogismo Categórico

É a configuração das premissas que o compõe conforme extensão e qualidade.

28
Todo X é Y (A)

Algum X é Z (I)

Algum Z é Y (I)

Distribuindo todos os Modos do Silogismo Categórico de Forma Típica teremos 64


Modos possíveis:

D) Silogismos válidos da Primeira Figura, SUB-PRE:

Modo Exemplo Denominação Notação


AAA Todo X é Y
Todo M é X BARBARA MAP, SAM: SAP
Todo M é Y
EAE Nenhum X é Y
Todo M é X CELARENT MEP, SAM: SEP
Nenhum M é Y
EIO Nenhum X é Y
Algum M é X FERIO MEP, SIM: SOP
Algum M não éY
AII Todo X é Y
Algum M é X DARII MAP, SIM: SIP
Algum M é Y
AEO Todo M é Y
Nenhum X é M FAPESPO MAP, SEM: POS
Algum X não é Y
IEO Algum M é X
Nenhum Y é M FRISESOMORUM MIP, SEM: POS
Algum Y não é X

B) Silogismo Válido da Segunda Figura, PRE-PRE:

Modo Exemplo Denominação Notação


AEE Todo Y é X
Nenhum M é X CAMESTRES PAM, SEM: SEP
Nenhum M é Y
EAE Nenhum Y é X
Todo M é X CASARE PEM, SAM: SEP
Nenhum M é Y
EIO Nenhum Y é X
Algum M é X FESTINO PEM, SIM: SOP
Algum M não é Y
AOO Todo Y é X
Algum M não é X BAROCO PAM, SOM: SOP
Algum M não é Y

29
C) Silogismos Válidos da Terceira Figura, SUB-SUB:

Modo Exemplo Denominação Notação


AAI Todo X é Y
Todo X é M DAPARTI MAP, MAS: SIP
Algum M é Y
EAO Nenhum X é Y
Todo X é M FELAPTON MEP, MAS: SOP
Algum M não é Y
IAI Algum X é Y
Todo X é M DISAMIS MIP, MAS: SIP
Algum M é Y
AII Todo X é Y
Algum X é M DATISI MAP, MIS: SIP
Algum M é Y
OAO Algum X não PE Y
Todo X é M BOCADO MOP, MAS: SOP
Algum M não é Y
EIO Nenhum X é Y
Algum X é M FERISON MEP, MIS: SOP
Algum M não é Y

D) Silogismos válidos de Quarta Figura, PRE-SUB:

Modo Exemplo Denominação Notação


AAI Todo Y é X
Todo X é M BRAMANTIP PAM, MAS: SIP
Algum M é Y
EIO Nenhum Y é X
Algum X é M FRESISON PEM, MIS: SOP
Algum M não é Y
EAO Nenhum Y é X
Todo X é M FESAPO PEM, MAS: SOP
Algum M não é Y
AEE Todo Y é X
Nenhum X é M CAMENES PAM, MÊS: SEP
Nenhum M é Y
IAI Algum Y é X
Todo X é M DIMATIS PIM, MAS: SOP
Algum M é Y

30
2.5.1.8 Redução dos Modos.
Os Modos imperfeitos devem ser reduzidos ao modo perfeito da primeira figura, uma
vez que, embora sejam corretos quanto à forma, pois respeitam as oito regras, não
respeitam a hierarquia dos termos. Os lógicos, para facilitar a memorização das figuras,
modos e redução, elaboraram versos, servindo-se de palavras convencionais
(BARBARA, CELARENT) que trazem as seguintes indicações: as três primeiras vogais
indicam a extensão e a qualidade , na seguinte ordem: Premissa Maior, Premissa Menos
e Conclusão. As consoantes S, P, M indicam a maneira para efetuar a redução. As
consoantes iniciais indicam o modo da primeira figura ao qual deverá ser feita a
redução.
A redução a primeira figura poderá ser feita, ou:

- Diretamente, convertendo simplesmente quando a proposição for assinalada com a


consoante S. Ex. Todo mortal é homem – Todo homem é mortal;

- Convertendo acidentalmente, quando a proposição em questão for assinalada pela


consoante P. Ex. Todo mortal é homem – Algum homem é mortal;

- Transpondo as Premissas quando uma delas for assinalada com a letra M;

- Por absurdo, formando a contraditória da conclusão e substituindo-a pela Premissa


assinalada pela consoante C, concluindo novamente.

Ex 1.

Nenhum sábio fala muito F(E)S

Alguns velhos falam muito T(I)

Alguns velhos não são sábios N(O)

Conversão para Primeira Figura

Nenhum homem que fala muito é sábio F(E)


Alguns velhos falam muito R(I)
Alguns velhos não são sábios (O)

Ex 2.

Algum rico é poderoso D(I)S


Todo rico é um homem temido (A)M
Algum homem temido é poderoso (I)S

Conversão para Primeira Figura

31
Todo rico é home temido D(A)
Algum poderoso é rico R(I)
Algum poderoso é homem temido (I)

Ex 3.

Algum metal não é chumbo B(O)C


Todo metal é mineral (A)R
Algum mineral não é chumbo D(O)

Conversão para Primeira Figura

Todo mineral é chumbo B(A)R


Todo metal é mineral B(A)
Todo metal é mineral R(A)

2.6 Silogismo Expositório

O que caracteriza rigorosamente a Argumentação Silogística Dedutiva é a passagem de


um princípio Universal ou geral para conclusões particulares ou, ao menos, do mais
universal para o menos universal. Para que isso se realize, a inteligência serve-se de um
Terceiro Termo, o Termo Médio, que deve ser tomado universalmente ao menos uma
vez.

Diferente do Silogismo Categórico, em que o Tremo Médio precisa ter o mesmo sentido
nas duas premissas anteriores e ser ao menos uma vez universal, no Silogismo
Expositório o termo Médio será Singular.

Esse silogismo recebe o nome de Expositório porque esse termo médio no


singular torna evidente ou “expõe aos sentidos” a conjunção do termo maior e do termo
menor entre si. (MRITAIN, p. 559,1994)

Ex 1. Fernando Henrique Cardoso realizou reformas econômicas no Brasil.

Ora, Fernando Henrique Cardoso foi um dos Presidentes da República do Brasil.

Portanto, algum dos Presidentes da República do Brasil realizou reformas econômicas


no Brasil.

32
Ex 2. Aristóteles é discípulo de Platão.

Aristóteles é filosofo.

Logo, algum filosofo é discípulo de Platão.

Ex 3. Judas traiu.

Judas era um apostolo.

Logo, um apostolo traiu.

Note que o Termo Médio é Singular, (Fernando Henrique Cardoso, Aristóteles,


Judas). No Silogismo Expositório o Termo Médio deve ser Singular no sentido estrito.
Jacques Maritan não concorda em chamar o Silogismo Expositório de Silogismo, “não
há inferência, é uma simples exposição aos sentidos, uma apresentação sensível”
(MARITAIN, p. 259, 1994).

Copi acredita que se pode transformar o Silogismo Expositório em Silogismo


Válido se considerarmos as afirmações singulares afirmativas como universais
afirmativas, e as negativas singulares como universais negativas, mas sempre que o
Termo Médio for Singular.

Ex 1. Todas as coisas realizadas por FHC no Brasil foram reformas econômicas.

Ora, FHC foi um dos Presidentes da República do Brasil.

Portanto, algum dos Presidentes da República do Brasil realizou reformas econômicas


no Brasil.

Ex 2. Todas as coisas feitas por Aristóteles foi ser discípulo de Platão

Aristóteles é filosofo.

Algum filosofo foi discípulo de Platão

Ex 3. Todas as cosias feitas por Judas foram traições.

Ora, Judas era um apostolo.

Logo, um apostolo foi traidor.

33
2.7 Silogismo Categórico de Forma Atípica

Apesar de poderem ser reduzidos á forma Categórica Típica, se apresentam de forma


muito diferente desta. São possíveis várias formas de Silogismo Atípico: sorites (Gr.
pilha, monte, montão), silogismo sem forma, entimema (Gr. Thymos, pensamento,
ponderar, para Aristóteles um meio técnico para persuadir, similar à silogismo – Retórica
p. 47), epiquerema (um silogismo que vem acompanhado por uma prova – Gr. Epi sobre,
Xeir, mão – por a mão sobre como quem quer terminar uma questão), e polisilogismos
(muitos silogismos).

2.7.1 Sorites

É uma cadeia de Silogismos em que o Predicado de uma Premissa se torna o Sujeito da


seguinte:

Ex.

Sujeito 1 Predicado 1

Sujeito 2 Predicado 2

Sujeito 3 Predicado 3

Sujeito 4 Predicado 4

Dessa forma a conclusão de uma Sorite é definida por mais duas Premissas:

Ex. Paulo é homem

Todo homem é cidadão

Todo cidadão tem direito à defesa quando se sente lesado em seus direitos

Todo ser que tem direito à defesa quando se sente lesado em seus direitos tem livre
arbítrio para optar por uma ação judicial ou não

Logo, Paulo tem livre arbítrio para optar por uma ação judicial ou não.

Essa cadeia de silogismos podem apresentar apenas duas formas, segundo a lógica
clássica, a forma aristotélica e a forma goclênica.

No Sorites aristotélico, a conclusão é formada pela união do Termo Sujeito da Primeira


Premissa com o Termo Predicado da última Premissa. Segundo Telles Jr. (TELES JR.
1962 apud SOARES 2003, p. 100), esse silogismo apresenta-se sempre na figura SUB-
PRE.

34
Ex. Paulo exerce função política

Todo (aquele) que exerce função política responde por seus atos

Todo (aquele) que responde por seus atos está em pleno gozo de suas faculdades
mentais

Logo, Paulo está em pleno gozo de suas faculdades mentais.

A forma goclênica foi discutida por Goclenius na obra Isagoge in organum


Aristotelis (Introdução ao Organum de Aristoteles). No Silogismo Goclenico a
conclusão é formada pela união do Termo Sujeito da última premissa com o Termo
Predicado da primeira. Esse tipode Sorite apresenta-se sempre na Figura SUB-PRE.

Ex. Todo cidadão que não perdeu ou não está suspenso nos direitos políticos tem direito
a voto.

Todo aquele que tem direito a voto é cidadão responsável por seus atos.

Todo cidadão responsável por seus atos pode ser um policial militar em pleno
exercício de suas atividades.

Logo, todo (aquele) que pode ser um policial militar em pleno exercício de suas
atividades é um cidadão que não perdeu ou não está suspenso dos direitos políticos.

Para determina-mos a validade formal desse Silogismo sorite, seja ele


aristotélico ou goclênico, basta analisarmos se:

1. Os termos utilizados como elo de ligação entre as premissas (suposto Termo Médio)
apresentam o mesmo sentido/significado e se são pelo menos uma vez universais;

2. As premissas não são todas particulares;

3. Os Termos Sujeito e Predicado não se apresentam na conclusão em quantidade maior


do que se apresentam nas premissas anteriores;

4. A conclusão segue as premissas mais fracas;

5. O Sorite não PE formado apenas por Premissas Negativas;

2.7.2 Epiquerema

Segundo Maritain (1986), Epiquerema é o silogismo em que uma premissa ou


ambas são acompanhadas de prova da(s) mesma(s). Geralmente essa prova determina a
causa dos fenômenos retratados pela premissa.

35
Ex. Nenhum condenado pode votar, pois tem suspenso os seus direitos políticos até
durar o efeito da sua condenação.

Ora, X é condenado, porque foi julgado culpado pela crime de latrocínio.

Logo, X não pode votar.

Para determinar a validade de um Silogismo Epiquerema, basta aplicar as regras


formais do Silogismo Categórico às partes não explicativas. Isso torna-se mais claro
aplicando a simbolização do silogismo proposto:

Ex. Nenhum C é V

XéC

Logo, X não é V

2.7.3 Entimema

Também recebe o nome de Silogismo Truncado. E Entinema é o silogismo que


não expõe uma das premissas, deixando-a subentendida. Esse tipo de argumento é
comum na linguagem cotidiana e até científica,pois aquele que a elabora acredita que
ela é tão obvia que não precisa se exposta.

Um Silogismo Entimemático ou Incompleto pode ser classificado em três ordens


distintas, segundo a premissa suprimida. São eles:

a) Entimema de Primeira Ordem: ocorre quando a Premissa Maior não é


enunciada.

Ex.Alguns membros de sociedades anônimas são grandes investidores no mercado de


capital e, portanto, podemos dizer que alguns grandes investidores do mercado de
capital são capitalistas.

Para determinarmos qual a Premissa Maior suprimida nesse tipo de raciocínio,


devemos seguir os seguintes passos:

- Determinar qual é o Termo Menor;

- Determinar qual é o Termo Maior;

36
- Determinar qual é o Termo Médio;

- Com base nas determinações feitas anteriormente, determinar os componentes da


Premissa Maior.

- Construir a Premissa Maior, colocando os quantificadores, de forma a não ferir


nenhuma regra do Silogismo Categórico, bem como colocando o Termo Médio em sua
posição correta.

Seguindo essas determinações podemos inferir que a Premissa Maior do


Silogismo do exemplo é: Todos os membros de sociedade anônima são capitalistas.

b) O Entimema de Segunda Ordem acontece quando a Premissa suprimida é a


Premissa Menor

Ex. Todo caso de embriagues completa e fortuita pode excluir a culpabilidade. Portanto,
a forte pressão emocional pode excluir a culpabilidade..

Seguindo o mesmo procedimento acima conseguimos determinar a Premissa


Menor: Alguns casos de embriagues completa e fortuita podem ser causadas por forte
pressão emocional.

c) Na Entimema de Terceira Ordem, tanto a Premissa Maior quanto a Menor são


suprimidas, o que dificulta identificar o Termo Médio nos Silogismos mais
complexos, dado que os procedimentos utilizados para os Entimema de Primeira
e Segunda Ordem não são suficientes.

Ex. Alguns internos da Fundação Casa não têm condições para avaliar todos os seus
atos.

Para determinar quais as Premissas Maior e Menor nos são dados apenas os
respectivos termos. Dessa forma um Entimema de Terceira Ordem exige uma
abordagem mais acurada e certo conhecimento de causa, o que nem sempre é possível, e
portanto, causa grande dificuldade para aqueles que tentam determinar quais as
premissas suprimidas:

- Colocar a conclusão em seu lugar

2.7.3 Polissilogismo

37
A exemplo da Sorites, um encadeamento de Silogismos, porém, de forma tal que
a Conclusão de um é a Premissa de outro e assim conforme o numero de
silogismos.

Ex. Todo homem que goza de perfeita saúde física e mental é responsável por seus atos.

Ora, todo ser responsável por seus atos é racional.

Portanto, todo homem que goza de perfeita saúde física e mental é racional.

Ora, todo ser racional é livre.

Portanto, todo homem que goza de plena saúde física e mental é livre.

Ora, todo ser livre tem direito de ir e vir.

Logo, todo homem que goza de plena saúde física e mental tem direito de ir e
vir.

Para um Polissilogismo ser válido formalmente, é necessário que cada um dos


Silogismos que o compõe o seja, segundo as regras do Silogismo Categórico. Portanto,
para determinar a validade de um polissilogismo deve seguir os seguintes
procedimentos:

1. Decompor o Polissilogismo, destacando cada um dos silogismos que o compõe;

2. Verificar a validade de cada um deles, segundo as regras que regem os silogismos


categóricos.

(Verifique se é valido o exemplo)

2.7.4 Silogismo Informe

Segundo alguns autores, o Silogismo Informe se apresenta sem forma


rigorosamente lógica, ou seja, um Silogismo apresentado sem técnica, o qual não se
apresenta conforme as Figuras e Formas Válidas de um Silogismo Categórico de forma
Típica. A exemplo dos outros Silogismos atípicos já apresentados, um silogismo
informe é comum:

Ex. Senhores Jurados,

A acusação de que esse homem é totalmente responsável pelo crime de


homicídio culposo não é procedente, pois segundo os laudos formulados por
especialistas na área de saúde mental, entre eles renomados psicólogos e psiquiatras, o

38
acusado apresenta grave distúrbio mental, causado por um quadro de psicose-maníaca e
esquizofrenia; fato esse que determina que o acusado não está em pleno gozo das
faculdades mentais e, consequentemente, da razão.

E, Senhores jurados, o direito define que nenhum home pode ser responsável
pelo crime de homicídio culposo quando apresenta distúrbios mentais que o impedem
do uso da razão.

Para determinarmos a validade ou não desse tipo de silogismo devemos adotar o


seguinte procedimento:

1. Reduzir o Silogismo à forma Categórica, determinando Premissas Antecedentes e


Conclusivas.

2. Se necessário simbolizar o argumento por meio de variáveis (X, Y, Z, ...)

3. Testa-lo segundo os critérios de validade do Silogismo Categórico.

Dessa forma teríamos:

Nenhum doente mental é responsável por crime de homicídio culposo.

Ora, o acusado é doente mental.

Logo, o acusado não é responsável pelo crime de homicídio culposo.

Ou ainda:

Nenhum D é C

AéD

Logo, A não é C

Faça o mesmo com o exemplo que segue:

“A defesa pretende que o réu não é responsável pelo crime por ele cometido. Essa
alegação é gratuita. Acabamos de provar, por testemunhos irrecusáveis que, no perpetrar
o crime, o réu tinha o uso perfeito da razão, nem pode fugir às graves responsabilidades
desse ato.” (SOARES, 2003 p. 109)
39
Exercícios

I. Determine a validade dos silogismos seguintes, e especifique a sua


denominação:

1. John estuda matemática em Cambrige. Ora, John é nascido em Londres. Logo,


alguma pessoa nascida em Londres estuda matemática em Cambrige.

2. Todo aquele que tem fé acredita na construção de um mundo melhor. Alguns


que acreditam na construção de um mundo melhor são filiados a partidos
políticos. Algumas pessoas que são filiados a partidos políticos são filiados ao
Partido Comunista. Alguns membros do Partido Comunista são ateus. Logo,
alguns ateus têm fé.

3. Todo cidadão deverá votar em razão das eleições para presidência da república.
Ora, alguns daqueles que deverão votar são candidatos. Também sabemos que
todos os candidatos pertencem a partidos políticos. Logo, todo cidadão que
deverá votar nas eleições para presidência da republica pertence a partidos
políticos.

II. Elabore dois epiqueremas válidos sobre temas referentes à religião e politica.

III. Elabore dois polissilogismos válidos

40
3.Raciocínio Hipotético

Podemos definir como como Silogismo Hipotético aquele que a Premissa Maior é uma
sentença composta por duas composições unidas entre si por partículas que denominam
condição, disjunção ou conjunção, e cuja Premissa Menor afirma ou nega uma das
proposições da Premissa Maior. Os Silogismos Hipotéticos são classificados em três
tipos conforme a denominação: Disjunção, Condição e Conjunção.

3.1 Silogismo Disjuntivo

Um Silogismo Hipotético Disjuntivo é aquele cuja premissa maior é uma


composta formada por duas proposições unidas por uma disjunção “OU” e cuja
Premissa Menor afirma ou nega uma das proposições da Premissa Maior.

Ex 1.

Ou falamos a verdade ou mentimos.

Ora, falamos a verdade.

Portanto, não mentimos.

Para que uma Disjunção seja considerada própria, devemos considerar que é
impossível que os dois elementos da Disjunção possam ocorrer ao mesmo tempo e no
mesmo espaço.

3.1.1 Figuras do Raciocínio Disjuntivo

Sempre que um raciocínio é afirmado em um Silogismo Hipotético Disjuntivo


contemporaneamente ele nega seu oposto. Há duas figuras nessa condição:
Ponendo- Tollens e Tollens-Ponens

3.1.1.1 – Ponendo Tollens

Quando afirmada a primeira sentença ou o enunciado da Disjunção pela


Premissa Menor, nega-se a segunda sentença ou enunciado da Disjunção na
conclusão.

Essa figura, conforme a qualidade (afirmativa ou negativa) das proposições da


Premissa Maior, pode se dar em quatro modos diferentes:

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Primeiro Modo Segundo Modo Terceiro Modo Quarto Modo
Ou A ou B Ou A ou não B Ou não A ou B Ou não A ou não B
Ora, A Ora, A Ora, não A Ora, não A
Logo, não B Logo, B Logo, não B Logo, B

3.1.1.2 Tollendo-Ponens

Quando negada a primeira parte da Disjunção pela Premissa Menor, afirma-se a


segunda parte da mesma na conclusão.

Assim como a Ponendo-Tollens, o Tollendo- Ponens se dá em quatro diferentes


modos, conforme o quadro seguinte:

Primeiro Modo Segundo Modo Terceiro Modo Quarto Modo


Ou A ou B Ou A ou não B Ou não A ou B Ou não A ou não B
Ora, não A Ora, não A Ora, A Ora, A
Logo, B Logo, não B Logo, B Logo, não B

Observe que todas as figuras e modos mantem duas regras básicas:

1) Afirmada a primeira parte da Disjunção nega-se a segunda;


2) Negada a primeira parte da Disjunção, afirma-se a segunda.

Dessas duas regras decorre que em uma Disjunção válida, nunca podemos negar ou
afirmar a segunda parte da Disjunção pela Premissa Menor e concluir pela afirmação
ou negação primeira parte da Disjunção.

Ex 1. Seremos honestos ou estelionatários.

Ora, seremos estelionatários.

Logo, não seremos honestos.

Ex 2. Seremos honestos ou estelionatários.

Ora, não seremos estelionatários.

Logo, seremos honestos

3.2 Silogismo Conjuntivo

O Silogismo Hipotético Conjuntivo é aquele cuja Premissa Maior é formada por


duas proposições formadas pela partícula “e”.

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Ex 1. Ninguém é simultaneamente herói e vilão

Ora, John é herói.

Logo, John não é vilão.

Observe que no Silogismo Hipotético Conjuntivo, verificando-se a primeira parte


da Conjunção, exclui-se a segunda. Esse Silogismo só pode dar-se de uma única
forma, Ponendo-Tollens. Segue a regra que da verdade de um membro deduz-se a
falsidade de outro, porém não é possível que da falsidade de um membro se
deduza a falsidade de outro.

Assim como ocorre no Silogismo Disjuntivo, no Conjuntivo as duas partes não


podem dar-se ao mesmo tempo:

Ex 2. Pedro estuda e trabalha

Ora, Pedro estuda.

Logo, Pedro trabalha.

3.3 Silogismo Condicional

O Silogismo Hipotético Condicional acontece quando a Premissa Maior é composta por


duas proposições unidas pela partícula condicional “Se, então”. O primeiro elemento da
Premissa Maior recebe o nome de Condicionante e o segundo de Condicionado.

3.3.1 Figuras do Silogismo Hipotético Condicional

A exemplo do Silogismo Hipotético Disjuntivo, o Condicional apresenta-se em duas


figuras: Ponendo-Ponens ou simplesmente Ponens e Tollendo-Tollens ou
simplesmente Tollens.

3.3.1.1 Ponens

Quando afirmo o Condicionante afirma-se necessariamente o Condicionado.

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Ex 1. Se A então B.

Ora, A.

Logo, B.

Essa figura pode se apresentar de quatro modos distintos:

Primeiro Modo Segundo Modo Terceiro Modo Quarto Modo


Se A então B Se A então não B Se não A então B Se não A então não
Ora, não A Ora A Ora, não A B
Logo, B Logo, não B Logo, B Ora, não A
Logo, não B

3.3.1.2 Tollens

Quando nego o Condicionado nega-se o Condicionante. Se o Condicionado é falso é


porque o Condicionante também o é.

Ex 1.Se A então B.

Ora, não B.

Logo, não A.

A figura Tollens-Tollens pode ainda se apresentar-se nos seguintes modos:

Primeiro Modo Segundo Modo Terceiro Modo Quarto Modo


Se A então B Se A então não B Se não A então B Se não A então não
Ora, não B Ora, B Ora, não B B
Logo, não A Logo, não A Logo, A Ora B
Logo A

Outros modos possíveis não seriam válidos:

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Ex 2. Se um preso cometeu homicídio, então deverá ser julgado.

Ora, ele será julgado.

Logo, ele cometeu homicídio.

Bibliografia

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