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II ENCONTRO NACIONAL DOS GT'S MARX DA

ANPOF

2017

Capital e Política no
Pensamento de Marx e
no Marxismo

RESUMOS

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ISSN: 2358-9914 | Encontros do Eixo Temático de Pesquisa Marxismo, Teoria Crítica e Filosofia da Educação
II ENCONTRO NACIONAL DOS GT'S MARX DA
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EIXO MARXISMO, TEORIA CRÍTICA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO – FACED/UFC


GRUPO DE ESTUDOS MARXISTAS – GEM/UFC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO – FACED/UFC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA – ICA/UFC
GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA – ICA/UFC

Coordenação Geral:
Eduardo Chagas (UFC/CNPq)

Comissão Científica:
Antonio Marcondes dos Santos Pereira
Maria Artemis Ribeiro Martins
Maria Socorro Gomes
Natália Ayres da Silva

2018

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II ENCONTRO NACIONAL DOS GT'S MARX DA
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SUMÁRIO

GT: O PENSAMENTO DE MARX E MARXISMOS.........................................................09

A CLASSE COMO RELAÇÃO SOCIAL E HISTÓRICA EM MARX.......................................10


José Pereira de Sousa Sobrinho

A CRÍTICA À PROPRIEDADE PRIVADA COMO FUNDAMENTO DO MATERIALISMO


HISTÓRICO NA OBRA A IDEOLOGIA ALEMÃ, DE KARL MARX.....................................11
Lara França Rocha

CLASSES SOCIAIS, CONSCIÊNCIA DE CLASSE E EDUCAÇÃO POLÍTICA COMO PARTE DA


ARGAMASSA IDEOLÓGICA DO PROLETARIADO E DA SUA ATIVIDADE
REVOLUCIONÁRIA....................................................................................................12
Paula Emanuela Lima de Farias
Nericilda Bezerra da Rocha

CRÍTICA DE KARL MARX AO ACÚMULO DE RIQUEZAS NA ECONOMIA


CAPITALISTA.............................................................................................................13
Erick Renan da Costa de Barros

DAVID HARVEY E SEU RETROCESSO À IDEOLOGIA NO SEU LIVRO “17 CONTRADIÇÕES


E O FIM DO CAPITALISMO”.......................................................................................14
Nahyara Estevam Marinho
Fernando Lucas Bralo

EVGUIÉNI PACHUKANIS DEPOIS DE KARL MARX: A NECESSIDADE DE SUPERAÇÃO DA


FORMA DIREITO.......................................................................................................15
David Albuquerque de Oliveira

MARX E DEBORD – DA REIFICAÇÃO DO HOMEM À CONSUMAÇÃO DO


ESPETÁCULO............................................................................................................16
Inácio José de Araújo da Costa

MARXISMO E BUDISMO: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?...................................................17


Antonio Francisco Guerra Pereira

PRECEDENTES DO PENSAMENTO DE MARX A PARTIR DE FEUERBACH......................18


João Robson Cabral

PRODUÇÃO, AUTOMAÇÃO E TERCIARIZAÇÃO NO CAPITALISMO TARDIO SEGUNDO


HERBERT MARCUSE..................................................................................................19
John Karley de Sousa Aquino

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GT: PENSAMENTO SOCIAL E POLÍTICO......................................................................20

A ALIENAÇÃO DO INDIVÍDUO NA SOCIEDADE EM KARL MARX: UMA INVESTIGAÇÃO


FENOMENOLÓGICA NA OBRA “MANUSCRITOS ECONÔMICO -FILOSÓFICOS”............21
Kátia Gardênia da Silva Coelho
Edilson Martins Rodrigues Neto

CRIMINOLOGIA CRÍTICA E DIREITOS HUMANOS: O MARXISMO NO PENSAMENTO


JURÍDICO CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA...............................................22
Paulo Sérgio Gomes Soares

LIMITES E POSSIBILIDADES DO DIREITO COMO VIA EMANCIPATÓRIA NO CONTEXTO


DO PENSAMENTO MARXISTA...................................................................................23
José Ricardo Cunha

LUTA DE CLASSES E SOCIEDADE: UMA ANALISE DAS DESIGUALDADES SOCIAIS À LUZ


DO MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA...............................................................24
Maria Ingredy Barbosa do Nascimento

A IDEOLOGIA DA QUESTÃO AMBIENTAL: UMA PERSPECTIVA


MARXISTA................................................................................................................25
Paulo Nicholas Mesquita Lobo

PODER E BIOPOLÍTICA: VIDA NUA (MERA VIDA) DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE


RUA..........................................................................................................................26
Raquel Vasconcelos

SENTIMENTO DE CULPA E A PERMANENCIA DA ORDEM BURGUESA: UMA LEITURA


FREUDMARXISTA DE MARCUSE................................................................................27
Djibril Ernesto Pereira

SERVIÇO SOCIAL E A HEGEMONIA DE UM PROJETO ÉTICO POLÍTICO COM BASE


MARXISTA: OS DESAFIOS ENCONTRADOS NA CONJUNTURA NEOCONSERVADORA..28
Maria Lucilma Freitas de Sousa

GT: FILOSOFIA POLÍTICA E PENSAMENTO FILOSÓFICO.............................................29

A FUNÇÃO REVOLUCIONÁRIA DA MULHER FRENTE A SOCIEDADE INDUSTRIAL


AVANÇADA EM HERBERT MARCUSE.........................................................................30
Mikaelly da Costa Jucá

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A POLÍTICA EM BUSCA DE LEGITIMIDADE E AFIRMAÇÃO DO HOMEM NO ESPAÇO


PÚBLICO...................................................................................................................31
Roberto Ribeiro da Silva

ASPECTOS DA LEITURA FENOMENOLÓGICA DE MARX POR MICHEL HENRY.............32


José Luiz Furtado

DIALÉTICA DA NATUREZA EM MARX: DIÁLOGO COM A CRÍTICA DO


ECOSSOSSIALISMO À DEGRADAÇÃO AMBIENTAL.....................................................33
Albertino Servulo
Eduardo F. Chagas

É POSSÍVEL UMA POSITIVIDADE DA POLÍTICA EM MARX?........................................34


Fernando Farias Ferreira Riça

EXPOSIÇÃO DA CRÍTICA DE MARX À HEGEL A PARTIR DA ANÁLISE DE ERIC WEIL......35


Rubens Pereira Cruz

O PROGRESSO TECNOLÓGICO COMO PRESSUPOSTO PARA A FORMAÇÃO DO


PENSAMENTO E COMPORTAMENTO UNIDIMENSIONAL EM MARCUSE....................36
Francisco de Assis Sobrinho

GT: CAPITALISMO E O CAPITAL NO SÉCULO XXI........................................................37

A SUPEREXPLORAÇÃO DO TRABALHO DOMICILIAR COMO MECANISMO DE


SUSTENTAÇÃO DA INDÚSTRIA TÊXTIL DE REDES DE DORMIR NO MUNICÍPIO DE
JAGUARUANA – CEARÁ............................................................................................38
Francisco Antonio da Silva
Antônio Marcos Rocha de Carvalho

DE KARL MARX À DAVID HARVEY: A PRIVATIZAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS NO


BAIXO JAGUARIBE NO PROCESSO DE REPRODUÇÃO DO CAPITAL.............................39
Alan Robson da Silva
Nonato Lucas Freitas Barbosa

ESTADO, CAPITAL E FORMA POLÍTICA NA “NOVA REPÚBLICA” BRASILEIRA..............40


Wécio Pinheiro Araújo

EXPANSÃO DO CAPITAL NO CAMPO: EXPROPRIAÇÃO E DESESTRUTURAÇÃO DA


SOCIABILIDADE CAMPONESA...................................................................................41
Lúcia Helena de Brito
Maria Ribeiro de Assis

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INDIGNAÇÃO: AFETO DA REVOLUÇÃO OU DA BARBÁRIE NA SOCIEDADE


UNIDIMENSIONAL?..................................................................................................42
Neiara Parente de Araújo

O PROJETO DA CIDADE GLOBAL E A CONSTITUIÇÃO DA EXCEPCIONALIDADE


URBANA...................................................................................................................43
Fábio Carneiro Rodrigues

GT: POLÍTICA E GESTÃO EDUCACIONAL....................................................................44

A IDEIA DE FORMAÇÃO CIDADÃ PRESENTE NOS PARÂMETROS CURRICULARES


NACIONAIS...............................................................................................................45
Meirelene Linhares Lima
Raimundo Jucier Sousa de Assis

CRÍTICA MARXISTA À CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO DO GOVERNO


TEMER.....................................................................................................................46
Paulo Érico Pontes Cardoso
Antonia Rozimar Machado e Rocha
Raquel Dias Araújo

O PRONATEC BRASIL SEM MISÉRIA COMO ESTRATÉGIA DE SUPERAÇÃO DA POBREZA


E DA EXTREMA POBREZA: UM ESTUDO REALIZADO EM FORTALEZA-CE....................47
Aline de Araújo Martins
Mônica Duarte Cavaignac

OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA CONTRARREFORMA DO ENSINO SUPERIOR NO


CONTEXTO DA CONTRARREFORMA DO ESTADO: A PRIVATIZAÇÃO EM MARCHA.....48
Agercicleiton Coelho Guerra
Marcela Figueira Ferreira
Samara Mayra Benício Rodrigues

GT: ARTE, CULTURA E ESTÉTICA NO MARXISMO.......................................................49

ANÁLISE DOS ELEMENTOS DESCRITIVOS DO LIVRO 1984 A PARTIR DO PENSAMENTO


DE GYÖRGY LUKÁCS.................................................................................................50
Leonardo Coutinho
Vilson Aparecido da Mata

IMAGENS DO TRABALHO: O PENSAMENTO MARXISTA NA MONTAGEM DIALÉTICA DO


CINEMA DE HARUN FAROCKI....................................................................................51
Lucas Oliveira de Lacerda

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O IMPÉRIO DO DINHEIRO: A MERCANTILIZAÇÃO E A CONDIÇÃO HUMANA EM


CONTOS DE MARGARIDA SABOIA DE CARVALHO.....................................................52
Charles Ribeiro Pinheiro

O MITO DA LIBERDADE ARTÍSTICA E A HOSTILIDADE DO CAPITAL À ARTE.................53


Bruno Daniel Capriles Bianchi

GT: TRABALHO, EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO HUMANA...............................................54

A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE PENSAMENTO CRÍTICO NO TRABALHO


DOCENTE..................................................................................................................55
Hermenegildo de Oliveira Araújo

A DIVISÃO ENTRE TRABALHO MANUAL E INTELECTUAL E A ALIENAÇÃO OU


FETICHIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, DA CIÊNCIA E DO SABER...........................................56
Péricles Ariza

A EMPATIA COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL............................57


Wadlia Araújo Tavares

A FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS: ENTRE O “APRENDER A


APRENDER” E A PROPOSTA DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA.............................58
Anderson dos Anjos Pereira Pena

A FORMAÇÃO INTEGRAL EM MARX E BAKUNIN: UM ESTUDO SOBRE AS


PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS DAS TENDÊNCIAS SOCIALISTAS................................59
Rebeca Souza Pita
Máspoli Igor Fontenele de Carvalho
Justino de Sousa Junior

CONSELHOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO: UM ENSAIO ACERCA DA ÉGIDE


MARXISTA................................................................................................................60
Mara Rubia Aparecida da Silva

CULTURA DE PAZ E FORMAÇÃO HUMANA: REFLEXÕES SOBRE O DESENVOLVIMENTO


DA RACIONALIDADE NA ORDEM NEOLIBERAL..........................................................61
Maria Artemis Ribeiro Martins

EDUCAÇÃO DO CORPO ENQUANTO FORMAÇÃO HUMANA À LUZ DA PSICOLOGIA


HISTÓRICO-CULTURAL..............................................................................................62
Fernanda Aparecida da Silva
Vilson Aparecido da Mata

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EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA EM ZIZEK...........................................................................63


Débora Klippel Fofano

EM TORNO DO TEMPO LIVRE: A RELATIVA AUTONOMIA COMO MEDIAÇÃO A UMA


EMANCIPAÇÃO SOCIALMENTE HUMANA.................................................................64
Cláudio Anselmo de Souza Mendonça

ENSINO DO ESTADO E EDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA ANÁLISE NA PERSPECTIVA DO


TRABALHO COMO DIMENSÃO VINCULADA A FORMAÇÃO HUMANA........................65
Rosalho da Costa Silva
Francisco Ernande Arcanjo Silva

FORMAÇÃO CULTURAL E SUBJETIVIDADE NO PENSAMENTO DE ADORNO................66


Ermínio de Sousa Nascimento
Eduardo Ferreira Chagas

FORMAÇÃO DO EDUCADOR A PARTIR DE SAVIANI E KOSIK......................................67


Gessica Paulino
Vilson Aparecido da Mata

FORMAÇÃO HUMANA E EDUCAÇÃO DO CORPO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR A


PARTIR DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL........................................................68
Flávia do Rosário Siqueira
Vilson Aparecido da Mata

FORMAÇÃO HUMANA E EDUCAÇÃO FÍSICA: A QUESTÃO DA DIDÁTICA NA


ABORDAGEM CRÍTICO-SUPERADORA.......................................................................69
Ana Luiza Borges de Macedo
Vilson Aparecido da Mata

FORMAÇÃO HUMANA, PEDAGOGIA HISTÓRICO CRÍTICA E EDUCAÇÃO FÍSICA


INFANTIL: RELAÇÕES POSSÍVEIS PARA A FORMAÇÃO HUMANA...............................70
Letícia Fiorese
Vilson Aparecido da Mata

O COMPLEXO SOCIAL DA EDUCAÇÃO UM ESTUDO INTRODUTÓRIO À LUZ DA


ONTOLOGIA ONTO-MARXIANA...............................................................................71
Aline Laureano Machado
Mikaely Moniky Soares Bezerra

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REPRODUÇÃO SOCIAL E PARTICULARIDADE FORMAL ESCOLAR: QUESTÕES DE


PRINCÍPIO ACERCA DA DEPENDÊNCIA ONTOLÓGICA E AUTONOMIA RELATIVA........72
Bruno Alysson Soares Rodrigues
Maria Cléa Ferreira Monteiro

TRABALHO E EDUCAÇÃO: UMA RELAÇÃO MEDIADA PELO SISTEMA CAPITALISTA.....73


Lydyane Maria Pinheiro de Lima
Sirneto Vicente da Silva

GT: HISTÓRIA, POLÍTICA E REVOLUÇÃO....................................................................74

NOTAS CRÍTICAS À COMPREENSÃO DE LÊNIN SOBRE O ESTADO: REVISITANDO O


ESTADO E A REVOLUÇÃO..........................................................................................75
Paulo Henrique Furtado de Araujo

OS CATALISADORES E SUAS FORMAS DE RESISTÊNCIA E LUTA NA TEORIA CRÍTICA DE


HERBERT MARCUSE..................................................................................................76
Renê Ivo da Silva Lima

RESGATE HISTÓRICO DO DUALISMO EDUCACIONAL NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS


BRASILEIRAS.............................................................................................................77
Iziane Silvestre Nobre

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GT
O PENSAMENTO DE MARX E
MARXISMOS

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A CLASSE COMO RELAÇÃO SOCIAL E HISTÓRICA EM MARX

José Pereira de Sousa Sobrinho

As classes em Marx não são uma coisa, mas uma relação social a qual é marcada pelas relações
sociais de produção, propriedade e distribuição que mediam relações de conflito entre as
classes. A luta de classes, como parte da estrutura relacional entre as classes, é a base objetiva
pela qual as mesmas geram suas instituições como sindicatos, partidos, movimentos, federações
como fundamento de sua organicidade coletiva, como a base pela qual as classes se constituem
classe, enquanto um coletivo político. A classe seria, portanto, síntese de múltiplas relações
particulares na sociedade capitalista, como relações de produção por meio do trabalho
assalariado, relações de propriedade com a expropriação dos produtores reais, relação de
distribuição sobre as formas salário e lucro, as quais convergem para relações de antagonismos
que concretizam nas condições contraditórias de existência, e se sintetizam na efetivação de
uma coletividade surgida das contradições e do conflito nas formas orgânicas gestadas pelas
classes e que acabam por gerar a classe, assim a classe cria o sindicato, o partido, assim como os
partidos e o sindicatos são parte do processo de constituição da classe como classe, assim, para
além de um produto econômicos a classe é uma relação social e histórica produto das relações
de reprodução social gestadas na sociedade capitalista.

Palavras-chave: Classe. Relação social. Relação histórica.

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A CRÍTICA À PROPRIEDADE PRIVADA COMO FUNDAMENTO DO


MATERIALISMO HISTÓRICO NA OBRA A IDEOLOGIA ALEMÃ, DE KARL MARX

Lara França Rocha

Empreender uma análise sobre a construção marxista de seu método histórico equivale à
apreensão da base material da própria história. Isto porque, para o filósofo, esta disciplina não
deve ser entendida pelo viés idealista, tal como assinalavam Hegel e outros de seus
antecessores, mas pela capacidade ativa do homem, de construir o mundo e a si mesmo a partir
dos meios de produção de que dispõe. De fato, as Revoluções do século XVIII e o
desenvolvimento do capitalismo não mais permitiam que história fosse tomada através de
conceitos abstratos e com escopo desvinculado da realidade, alienando os sujeitos de seu papel
na construção do modo de produção vigente, desligando-os do status exploratório que compõe o
sistema baseado no acúmulo do capital. Tampouco tais desdobramentos não mais possibilitam
que a apreciação e a construção histórica contemplem apenas a consideração do ponto de vista
daqueles que detém o capital e os meios de fabricação. Portanto, são as circunstâncias e o modo
de produção e de trabalho que tornam os indivíduos o que eles de fato são. Diante disso, o
desenvolvimento da propriedade, dos modos de troca e do próprio capital se desvelam como o
fio condutor através do qual a história, na perspectiva do materialismo histórico-dialético, se
apresenta. Por esse motivo, nossa análise se desdobrará sobre a crítica do materialismo histórico
à propriedade concebida pelo modo de produção capitalista, a partir do livro A ideologia alemã,
considerada como a obra que fundamenta essa perspectiva. Sopesando que esta temática nos
fornece uma chave de leitura abrangente pela teoria marxista, é conditio per quam desse exame
o aprofundamento de algumas temáticas, tais como a luta de classes, a ideologia, a revolução, o
capital e a propriedade privada. Seguindo a conclusão de Marx, o comunismo seria a
consolidação desse processo materialista-histórico. Diante disso, o último estágio do
desenvolvimento da história assinalaria a importância da comunidade para a existência da real
liberdade dos indivíduos, inclusive diante da administração do comum e da superação da
propriedade privada dos meios de produção.

Palavras-chave: Materialismo Histórico. Propriedade privada. Capital. Meios de Produção.


Trabalho.

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CLASSES SOCIAIS, CONSCIÊNCIA DE CLASSE E EDUCAÇÃO POLÍTICA COMO


PARTE DA ARGAMASSA IDEOLÓGICA DO PROLETARIADO E DA SUA
ATIVIDADE REVOLUCIONÁRIA

Paula Emanuela Lima de Farias


Nericilda Bezerra da Rocha

Está longe a época em que as questões referentes às classes sociais, aos seus estratos diversos e
às suas lutas representavam um ponto pacífico como uma das linhas de força entre as temáticas
que galvanizavam o interesse dos pesquisadores, acadêmicos e não acadêmicos. De feito, a
avalanche neoliberal, marcada pela noção de pensamento único (there is no alternative), que
marcou (sobremaneira) os anos 1990, favoreceu imensamente o processo de estreitamento do
estoque de temários interpelado pelos estudiosos, dentro e fora das instituições universitárias, a
pretexto de ampliá-lo em direções outras. Nestes últimos anos, contudo, a crise capitalista
trouxe à tona, uma vez mais, a possibilidade de atração dos “velhos temas”, dentre eles os que
se reportam à luta de classes em suas diversas modalidades, inclusive no que concerne aos
embates operários. Aos nossos olhos, o texto ora apresentado se coaduna a esse último aspecto
relacionado à questão operária. A característica marcante do presente trabalho, portanto, é que a
classe operária brota como protagonista de uma história em que os processos de luta e educação
(em um sentido abrangente) se interconectam e se definem a partir desse amplo diálogo.
Conflitos que geram aprendizado e aprendizado que reorienta a natureza dos conflitos, eis a
síntese dialética que preside as relações de classe que aqui são examinadas. A consciência
operária de que a mobilização é um instrumento imprescindível para fazer valer os direitos,
antigos e novos, é uma conquista de longos anos de enfrentamento que, de um lado, colocaram
os trabalhadores da construção civil da região metropolitana de Fortaleza e as suas organizações
e, de outro, os empresários, as suas entidades representativas e as instituições estatais. Esse
cenário é por nós visitado em cada lauda em que se espalham os resultados de uma pesquisa que
conosco se fundiu e que, em seu desenvolvimento, adicionou elementos essenciais à nossa
trajetória de estudiosas do problema de classe. Neste escrito, pautando-nos por uma cultura
marxista, recuperamos categorias que, a nosso ver, são essenciais para a desenvolução de todo
estudo. Nesses termos, entre as reflexões que o sedimentam, sobressaem os conceitos de classe
social, consciência de classe, ideologia e educação; construtos teóricos que, em última análise,
alicerçam todo trabalho, em seu sentido mais amplo e significativo. Nenhuma mudança
intelectual, no entanto, parte de uma soma zero. Assim sendo, as nossas conclusões arrancam de
muitas etapas de estudos e investigações que, partindo de Marx, vão desaguar em diligências
mais recentes. Esse é o signo mais emblemático e definitivo desse trabalho preliminar. Que as
personagens que se vejam no espelho dessa história não se olhem sem se reconhecer.

Palavras-chave: Classes Sociais. Consciência de classe. Ideologia. Educação política.

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CRÍTICA DE KARL MARX AO ACÚMULO DE RIQUEZAS NA ECONOMIA


CAPITALISTA

Erick Renan da Costa de Barros

Karl Marx critica a economia política, porque a riqueza nas sociedades em que domina o modo
de produção capitalista aparece um imenso acúmulo de mercadorias. Essas mercadorias
expressam o excesso de riqueza duma minoria, fato que vem a expurgar uma enorme parcela de
indivíduos das condições materiais necessárias à sobrevivência. Vamos baseado nisso discorrer
sobre o acúmulo desenfreado de riquezas nas sociedades de economia capitalista, bem como as
consequências disso, como a divisão em classes, as desigualdades sociais, a formação do
proletariado e a exploração do homem pelo homem. Iremos também discorrer a respeito desse
afastamento das condições materiais de muitos indivíduos da sociedade. Nós teremos por base a
visão marxista de que não há sociedade sem trabalho, pois este é o que traz as condições
materiais de sobrevivência. Através do trabalho o indivíduo é livre, pois adquire condições
materiais (sociais) para poder viver na sociedade. Baseado nisso vamos refletir no que diz
respeito à exploração do trabalho da classe pobre em prol do acúmulo de riqueza da classe rica.
Enfim, vamos focar no crucial resultado do acúmulo de riqueza dentro da sociedade, as
desigualdades e mazelas sociais gerados por esse acúmulo excessivo de bens, mercadorias,
enfim, de capital financeiro.

Palavras-chave: Trabalho. Riqueza. Desigualdades. Capitalismo.

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DAVID HARVEY E SEU RETROCESSO À IDEOLOGIA NO SEU LIVRO “17


CONTRADIÇÕES E O FIM DO CAPITALISMO”

Nahyara Estevam Marinho


Fernando Lucas Bralo

No seu livro “17 contradições e o fim do capitalismo” (2014) o geógrafo e teórico social David
Harvey desenvolve uma série de afirmações e propostas que dariam conta, tanto da profunda
crise capitalista atual, como das tarefas necessárias para terminar com o capital. Propõe-se, em
função da concepção marxiana fundada na crítica à economia política, realizar uma análise
crítica do texto e deter-se em analisar sua particular proposta metodológica, sua concepção do
capital, da crise e do fim do capitalismo. O texto em questão divide-se em três grandes partes,
além de uma conclusão com suas propostas de ação política. A primeira delas analisa o que
considera como as contradições fundamentais, a segunda as mutáveis e por último, as perigosas.
Antes de começar a definir as ditas contradições, o autor propõe uma distinção entre capital e
capitalismo para fins simplificadores. Também assume que as contradições do capital não foram
bem estudadas por Marx e, desse modo, inicia a análise inovadora do sistema de contradições
por ele descobertas. Se bem o livro assume-se como uma continuação metodológica do trabalho
científico iniciado por Marx, Harvey enfoca a questão das tarefas revolucionárias a partir de um
particular sistema conceitual de modo tal que seus preceitos ficam afastados do caminho que ele
mesmo diz percorrer.

Palavras-chave: Harvey. Ideologia. Marx. Marxismos.

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EVGUIÉNI PACHUKANIS DEPOIS DE KARL MARX: A NECESSIDADE DE


SUPERAÇÃO DA FORMA DIREITO

David Albuquerque de Oliveira

Nossos esforçados expostos no presente trabalho desvelam a forma direito como


especificamente capitalista. A centralidade do método em Marx norteia nossa diferenciação de
categorias entre suas expressões pré-capitalistas, e suas formas complexas e acabadas,
encontradas apenas na sociedade do capital. Mercadoria e relações normativas são entendidas,
dentro do modo de produção capitalista, como forma mercadoria e forma direito. Derivada da
forma mercadoria é a forma da subjetividade jurídica (forma direito). A equivalência de tudo
com tudo só é possível com a equivalência de todos com todos. A sociedade da troca de
mercadorias universalizadas pelo trabalho abstrato, que apreende o próprio trabalho como
mercadoria (de categoria especial por mercadoria geradora de valor que é) necessita reconhecer
os sujeitos atomizados trocadores como iguais no ato de alienar-se e apropriar-se mutuamente.
Sujeito, no capitalismo, é forma jurídica derivada da relação entre mercadorias. Está exposta em
Marx a aproximação da forma direito com a forma mercadoria, embora não de modo
explicitamente sistemático – enquanto objeto central. ‘A tese fundamental, a saber, de que o
sujeito de direito das teorias jurídicas possui uma relação extremamente próxima com os
proprietários de mercadorias, não precisa ser provada uma segunda vez depois de Marx’
(PACHUKANIS, Teoria Geral do Direito e Marxismo, Boitempo 2017 p.60). O presente artigo,
portanto, aponta o pensamento crítico do direito de Pachukanis como fundamentalmente
jungido ao método materialista de Marx, cuja centralidade ocorre numa sofisticada leitura d’O
Capital. Entendendo Pachukanis como continuador da crítica marxista, nos valemos do autor
russo para explicitar quais os momentos específicos que expõem precisa e materialmente a
função estrutural do direito na manutenção da sociedade capitalista. Uma vez desvelados tais
momentos, a prova da imprescindível necessidade da superação da forma direito, portanto da
sua incompatibilidade com a sociedade comunista, é alcançada. Lograr a exposição do
aprisionamento propiciado pela forma direito, comumente associado a um complexo
possibilitador de ganhos contra a exploração alienadora do modo de produção vigente, constitui
objetivo teórico (e possibilidades práticas) de nossa pesquisa. Não se trata, assim sendo, da
superação de uma expressão do direito, mas da superação da forma direito em si. Superar por
completo a visão jurídica de mundo e a necessidade de uma forma reguladora. Uma vez que a
regulação jurídica pressupõe a desigualdade, com o fim da forma valor (mercadoria), logo com
o fim da extração de mais valor, da propriedade privada e da sociedade de classes, desaparecem
também as relações jurídicas. Finda o direito. E a medida de extinção do direito é medida
central do nível de igualdade de fato entre os homens.

Palavras-chave: Direito. Mercadoria. Método. Forma.

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MARX E DEBORD – DA REIFICAÇÃO DO HOMEM À CONSUMAÇÃO DO


ESPETÁCULO

Inácio José de Araújo da Costa

Nos Manuscritos Econômico-filosóficos de 1844, ao afirmar que "a valorização do mundo das
coisas aumenta em proporção direta com a desvalorização do mundo dos homens", Marx (1818
- 1883) já havia anunciado a essência de sua crítica ao modo de produção capitalista, no qual o
trabalhador, ao reproduzir a lógica do trabalho estranhado, acaba produzindo um mundo alheio
a ele mesmo e produzindo a si mesmo como um ser estranho, cuja utilidade resume-se à
fabricação de mercadorias e fornecimento de mão-de-obra. O estudo das categorias de
alienação, reificação e fetichismo da mercadoria serviu como fundamento para Guy Debord
(1931 - 1994) elaborar sua incisiva e perturbadora crítica ao capitalismo tardio da sociedade
contemporânea, ao qual denominou de "sociedade do espetáculo". Para ele, a desvalorização do
mundo dos homens prevista pelo filósofo alemão atingira seu ápice em meados do século XX,
com o advento dos meios de comunicação de massa, da globalização, do domínio das imagens e
do reino das aparências sobre a vida social concreta, tornando a população espectadora passiva
do automovimento das mercadorias e dos acontecimentos em geral. Tendo isso em vista, o
presente trabalho tem como objetivo ressaltar a importância do pensamento de Marx e das
categorias trabalhadas por ele na fundamentação do pensamento de Debord e demonstrar como
este se apropriou do pensamento marxiano para entender as contradições da sociedade
capitalista de sua época, "atualizando" as ideias do filósofo alemão.

Palavras-chave: Karl Marx; Guy Debord. Alienação. Espetáculo. Fetichismo.

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MARXISMO E BUDISMO: UM DIÁLOGO POSSÍVEL?

Antonio Francisco Guerra Pereira

A presente comunicação oral aborda a temática Marxismo e Budismo, um diálogo possível?


Definiu-se como objetivo principal deste estudo promover uma reflexão acerca das
possibilidades de diálogos entre Marxismo e Budismo, considerando suas divergências e
aproximações. De acordo com Marx, o homem se vê envolvido num conflito entre Estado e
sociedade civil, entre vida genérica e vida real, semelhante à contradição em que o burguês se
encontra em relação ao cidadão, pois aquele leva uma vida privada e egoísta e este participa de
uma vida coletiva imaginária, privado de vida real e de caráter ilusório. Quanto ao Budismo,
trata-se de uma doutrina oriental não-sectária, ecumênica e flexível de origem indiana cujo
objetivo principal é a extinção do “eu” através da qual se conquista a felicidade, sendo voltada
para a prática do bem, da promoção de uma cultura de paz e do incentivo à não-violência.
Fundamentamos teoricamente nosso estudo, principalmente em Marx (2004), Hanh (2001) e
Redyson (2013). A abordagem do estudo é de natureza qualitativa e procuramos utilizar como
procedimento metodológico de investigação uma revisão de literatura. Os achados do estudo
apontam possibilidades de aproximações entre o Marxismo e o Budismo, pois ambos estão
preocupados com o destino do homem, da sociedade e do mundo.

Palavras-chave: Marxismo. Budismo. Trabalho. Vida Real.

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PRECEDENTES DO PENSAMENTO DE MARX A PARTIR DE FEUERBACH

João Robson Cabral

O pensamento de Feuerbach no que diz respeito a religião cristã, se apresenta desvinculado da


divindade. O filósofo desenvolve a partir das obras A Essência do Cristianismo, Preleções e A
Essência da Religião, uma crítica à teologia e uma discussão filosófica, antropológica e
genético-fisiológica acerca das religiões, de maneira geral, porém mais direcionada ao
Cristianismo, religião-berço do autor e seu objeto de investigação. Feuerbach é defensor de uma
natureza autônoma, sem um Criador, tudo o que o homem religioso conhece sobre Deus passa
pela cultura da humanidade, ou seja, é elaboração do espírito humano atribuído à divindade. O
que se manifesta ao homem não é Deus, mas a consciência de si do homem dotado de
capacidades racional e afetiva. A vinculação à divindade surge apenas como fantasia e auto
projeção do homem. Assim sendo, o retirante de Bruckberg elaborará ao longo de sua vida uma
filosofia voltada para o chão do homem de seu tempo, ou seja, propõe um olhar fixo nas
realidades também sociais a partir da natureza. Portanto, o filósofo, adotará um sensismo
público e declarado, reivindicando nos seus escritos unilaterais uma “desalienação” do homem
que vinculado à divindade esquece de sua primeira realidade – a natureza.

Palavras-chave: Deus. Religião. Natureza. Antropologia. Homem.

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PRODUÇÃO, AUTOMAÇÃO E TERCIARIZAÇÃO NO CAPITALISMO TARDIO


SEGUNDO HERBERT MARCUSE

John Karley de Sousa Aquino

O presente artigo tem como objetivo expor as conclusões de Marcuse sobre os fatores que
alteraram o ser e a consciência social da classe trabalhadora do capitalismo tardio e tentar
demonstrar o quanto as teses marxistas de Marcuse permanecem atuais diante da proletarização
cada vez mais crescente de amplos setores das sociedades avançadas e quais suas implicações
nas relações de dominação entre capital e trabalho no capitalismo tardio. Concluiremos que
Marcuse consegue situar-se a meio caminho entre um dogmatismo que reduz a categoria
trabalho ao trabalho industrial e os apologistas da sociedade do fim do trabalho ao afirmar que a
categoria trabalho ultrapassou os limites das fábricas e que os amplos setores de trabalhadores
do setor de serviços longe de significarem o fim do trabalho significa a ampliação social da
categoria trabalho, como uma necessidade imanente do capital de extrair mais-valia como
condição de sua existência. Justificamos nossa pesquisa, pelo fato de que determinadas
correntes teóricas, assim como determinados autores de significativa influência contemporânea
alardeiam publicamente a insuficiência teórica do marxismo e sua superação por outras
metodologias, do fim da centralidade do trabalho e por novas propostas de sociabilidade. Com
isso pretendemos demonstrar que Marcuse permanece um autor atual apesar do silêncio
proposital em torno de sua obra.
Palavras-chave: Produção. Automação. Terciarização. Marcuse.

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GT
PENSAMENTO SOCIAL E
POLÍTICO

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A ALIENAÇÃO DO INDIVÍDUO NA SOCIEDADE EM KARL MARX: UMA


INVESTIGAÇÃO FENOMENOLÓGICA NA OBRA “MANUSCRITOS ECONÔMICO -
FILOSÓFICOS”

Kátia Gardênia da Silva Coelho


Edilson Martins Rodrigues Neto

O objetivo da presente pesquisa é a questão da alienação do indivíduo na sociedade na obra


Manuscritos Econômico-Filosóficos de Karl Marx. O caminho que será útil em nossa
investigação é o método fenomenológico de Edmund Husserl. Entretanto, Marx optou pelo
método de uma nova ciência, isto é, o método materialismo histórico e dialético do qual nessa
obra ainda está por se fazer tal metodologia marxiano. Os fenômenos sociais fazem transparecer
quanto o indivíduo está separado de sua essência, isto é, o ser genérico que é a capacidade do
ser humano atuar consciente e livre na vida coletiva. Sendo assim, correspondendo a uma falsa
ilusão de liberdade. Logo, pode-se perguntar: é possível falar de um caráter humano no
desumano em Marx? Diante da crítica que Marx faz a sociedade capitalista pode-se reverter a
situação e propor uma solução de sociedade sem que tenha o poder, o lucro, como centro das
relações humanas? De que maneira o indivíduo deve estar inserido no coletivo e resguardar sua
individualidade? É justamente partindo de tais questionamentos que nos levam em busca de
uma compreensão fenomenológica do indivíduo, inserido numa sociedade capitalista que põe
em primeiro lugar o capital, resultando num ser alienado a si mesmo, a natureza e ao outro para
daí captar a essência da individualidade humana mergulhado na alienação social. A reflexão
fenomenológica da obra Manuscritos Econômico-Filosóficos de Karl Marx nos abre a
possibilidade de captar o tema da existência do homem inserido em um estado de alienação na
sociedade. Marx ao investigar a questão do desumano do homem na sociedade capitalista revela
seja de maneira direta ou indiretamente a busca de um caráter humano no desumano.

Palavras-chave: Fenomenologia. Indivíduo. Sociedade.

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CRIMINOLOGIA CRÍTICA E DIREITOS HUMANOS: O MARXISMO NO


PENSAMENTO JURÍDICO CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA

Paulo Sérgio Gomes Soares

O debate acerca do pensamento social marxista nas diversas áreas do conhecimento ainda é
incipiente no Brasil, senão em áreas acadêmicas específicas. Diante disso, o objetivo dessa
comunicação é apresentar o debate marxista hoje em curso no campo jurídico a partir da
vertente da Criminologia Crítica abordada pelo jurista italiano Alessandro Baratta, que foi um
dos seus precursores na Europa. O pressuposto fundamental adotado pela teoria da Criminologia
Crítica é a divisão de classes sociais antagônicas em estreita relação com a criminalização da
pobreza. Trata-se, portanto, de uma teoria materialista de âmbito econômico-político que abarca
a concepção macrossociológica na análise das contradições sociais geradas pela luta de classes,
permitindo a compreensão das múltiplas determinações que enredam o fenômeno da
criminalidade, contrapondo-se à concepção microssociológica das análises positivistas, que
consideram a criminalidade uma realidade ontológica. A criminologia positivista trabalha com a
noção de “desvio” em relação aos crimes cometidos contra os bens protegidos (propriedade
privada) por leis que geram a persecução penal como forma de controle social. No sistema
capitalista, a criminalidade é um “bem negativo” promovido pela desigualdade na distribuição
de bens entre as classes sociais. A criminalização da pobreza se fundamenta nessa noção de
“desvio” e gera um estigma contra as condições sociais de classe como se houvesse
precondições naturais para a criminalidade. Dessa forma, a rotulagem e o etiquetamento do
comportamento se cristalizou em preconceito de classe contra grupos pela sua origem social,
etnia, crenças, etc. O debate gira em torno dos Direitos Humanos e da violência das agências
estatais, dos processos de exclusão social do aparato seletivo de marginalização em curso na
sociedade brasileira, que tem enfrentado o discurso de tolerância zero pela cultura punitivista
dos atores que compõe o cenário jurídico. O resultado é o encarceramento massivo da
juventude, como mostra a pesquisa com base nos dados do INFOPEN (2014). Considera-se que
as condições objetivas, estruturais e funcionais da própria sociedade capitalista fortaleceram o
sistema penal como forma de reproduzir a realidade social. O caráter do aparato seletivo de
marginalização tem início no próprio sistema escolar e continua nas diversas instituições sociais
ao longo da vida dos indivíduos.

Palavras-chave: Criminologia Crítica. Direitos Humanos. Marxismo. Classes Sociais.


Marginalização.

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LIMITES E POSSIBILIDADES DO DIREITO COMO VIA EMANCIPATÓRIA NO


CONTEXTO DO PENSAMENTO MARXISTA

José Ricardo Cunha

O trabalho parte da ideia de que o pensamento marxiano formula uma contundente crítica ao
modo de produção capitalista e sustenta que a superação do capitalismo é condição para a
autoemancipação do proletariado. A partir desse contexto, problematiza a relação entre
economia e política para buscar um papel possível para o direito que não seja exclusivamente o
da corroboração com o processo de dominação de classe. O objetivo é afirmar a importância da
política como campo de luta por emancipação real e, nesse movimento, analisar as
possibilidades e limites do direito como campo também emancipatório. Conclui que muito
embora a luta pela autoemancipação do proletariado passe pela superação da exploração
capitalista, o direito pode ter relevante papel emancipatório em certas situações.

Palavras-chave: Economia. Política. Direito. Pensamento Marxista. Autoemancipação.

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LUTA DE CLASSES E SOCIEDADE: UMA ANALISE DAS DESIGUALDADES


SOCIAIS À LUZ DO MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA

Maria Ingredy Barbosa do Nascimento

A pesquisa tem como objetivo geral compreender e analisar os marxismos presentes no


Manifesto do Partido Comunista e como objetivos específicos conceituar os fundamentos
presentes no Manifesto e analisar a importância do mesmo em uma perspectiva social no
contexto dos dias atuais. O Manifesto do Partido Comunista foi publicado em 1848 por Karl
Marx em conjunto com Friedrich Engels, sendo um pedido da Liga dos Comunistas com o
objetivo de que a sociedade capitalista compreendesse de forma clara as divergências da mesma,
na tentativa de romper com a ideologia da classe dominante acreditando em uma revolução,
criando um novo sistema de sociedade baseado no socialismo científico criado por eles, apenas
como um processo de transição para o comunismo. A partir da visão de sociedade de Marx,
entende-se que a sociedade capitalista só é benéfica para a classe burguesa que de forma cruel
explora e destrói a humanidade pouco a pouco tornando tudo e todos sua propriedade. Marx em
suas obras analisou e apontou as falhas do capitalismo e como através de suas armas impõe
sobre o proletariado as suas vontades. O autor por sua forma ferrenha de criticar a sistema
vigente é desprezado muitas vezes pela academia, tendo suas teorias deturpadas. Engels e Marx
afirmaram que o proletariado não tem nada de seu e cabe a ele revolucionar se quiser que
mundo seja igualitário.

Palavras-chave: Manifesto. Marx. Comunismo. Sociedade. Desigualdade social.

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A IDEOLOGIA DA QUESTÃO AMBIENTAL: UMA PERSPECTIVA MARXISTA

Paulo Nicholas Mesquita Lobo

A questão ambiental vem se apresentando como um dos principais desafios neste século. Foi a
partir dos inúmeros desastres ambientais que o movimento ambientalista ganhou força e
amplitude, conseguindo impor suas questões no cotidiano social e tornando a sustentabilidade
uma causa global. Contudo, o principal objetivo deste artigo é compreender as principais razões
que pautam este movimento, definindo suas limitações e incertezas, o que acaba por dificultar a
solução do problema por eles exposto. A questão ambiental não é tão simples como se apresenta
através do desenvolvimento sustentável, por isso se transformou em um dilema. Ao final, a
sustentabilidade acaba apenas por reproduzir a ideologia dominante, sem resolver a questão
ambiental justamente por não tocar nas estruturas que mantém o sistema funcionando. Seria
realmente possível um desenvolvimento sustentável no capitalismo? Como objetivos
específicos, o estudo busca compreender a própria relação homem/natureza, principalmente na
modernidade, além de como essa relação condicionou as questões levantadas pelos
ambientalistas. Para tanto, a pesquisa utilizou como metodologia o materialismo histórico e
dialético, através dos conceitos de alienação e ideologia de Marx. Finalmente, se percebeu que,
a partir da alienação causada pela divisão do trabalho, desenvolveu-se uma ideologia da
natureza, separada do ser humano, exterior e universal ao mesmo tempo, funcionando como
uma falsa consciência que afasta o homem de sua verdadeira ecologia. Sem essa restauração do
homem com a natureza não há como resolver a questão ambiental, mesmo porque esta ideologia
condiciona o pensamento sobre o tema, incluindo aqueles que se apresentam como alternativa
ao capitalismo.

Palavras-chave: Desenvolvimento Sustentável. Dialética. Economia Política.

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PODER E BIOPOLÍTICA: VIDA NUA (MERA VIDA) DA POPULAÇÃO EM


SITUAÇÃO DE RUA

Raquel Vasconcelos

O objetivo deste ensaio é discutir poder e biopolítica como instância que delimitam a vida nua
(mera vida) da população em situação de rua. O poder atravessa o mundo dos direitos e a
biopolítica define o mundo das 'exceções' afirmando o cálculo que o poder faz sobre a vida. O
poder delineia um jogo de forças que não está restrito a um único ponto de origem cujo campo
de forças são desiguais e móveis. O poder é produtivo quando as relações de poder são
imanentes a outras formas de relação que os indivíduos, os grupos e as instituições mantêm
entre si apontando que seus efeitos são imediatos das partilhas, desigualdades e desequilíbrios
produzidos nas relações econômicas, de gêneros e nas que atravessam as tramas complexas do
tecido social. As investidas da biopolítica sobre a população reduzida ao estatuto de “vida nua”
(agrupamento sem direito, mas apenas corpos vivos) delineia espaços habitados por indivíduos
como pura e nua corporeidade, ocupando lugares politicamente perigosos e ambíguos de uma
'vida nua' - mera vida. A vida nua reafirma a existência de estados de 'dominação' resultantes de
“relações de poder fixas, perpetuamente assimétricas onde a margem de liberdade é
extremamente limitada” (FOUCAULT, 1996). A população em situação de rua atua como os
protagonistas invisíveis dos centros urbanos das cidades, demonstrando a lógica colonialista
contemporânea de enunciação e justificação da existência de dois mundos: o dos direitos e o das
'exceções'. A população de rua atravessa a linha tênue entre o mundo dos corpos que devem ser
cuidados e o mundo habitado por aqueles que têm o estatuto de vida nua, de vidas que foram
postas fora da jurisdição humana de modo tal que a violência cometida contra eles não constitui
nenhum sacrilégio (AGAMBEN, 2002).

Palavras-chave: Poder. Biopolítica. Vida nua. População em situação de rua.

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SENTIMENTO DE CULPA E A PERMANENCIA DA ORDEM BURGUESA: UMA


LEITURA FREUDMARXISTA DE MARCUSE

Djibril Ernesto Pereira

Este artigo tem como objetivo realizar uma breve investigação da teoria de Sigmund Freud por
Herbert Marcuse, a partir de uma análise crítica da primeira parte do livro, Eros & Civilização,
escrita por Marcuse em 1956, mais especificamente, capitulo IV cujo título é: Dialética da
Civilização. Neste capitulo, Marcuse se apropria da teoria Freudiana para elucidar a
possibilidade de criação de uma sociedade menos repressiva, isto é, a possibilidade de mudança
rumo ao progresso humanitário. Com base na sua influência marxista, Marcuse defende que a
aporética civilização freudiana, pode ser mudada se o sentimento de culpa for superado.
Portanto, pretende-se aqui abordar o papel do sentimento de culpa na civilização e apontar a sua
importância como um elemento contrário à hipótese marcuseana de uma sociedade não
repressiva. No mesmo trabalho confrontaremos as duas concepções: O "pessimismo" de Freud,
isto é, a sua posição irredutível na impossibilidade de uma Civilização diferente da que temos
contra o "otimismo" de Filosofo Alemão, Herbert Marcuse, que apresenta várias propostas que
rompem com as premissas repressivas que atuam na sociedade. O berlinense, historicizando as
categorias freudianas, mostra que a felicidade pode ser posta no atual estágio do
desenvolvimento técnico atingido pela sociedade.

Palavras-chave: Sentimento de culpa. Burguesa. Marcuse.

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SERVIÇO SOCIAL E A HEGEMONIA DE UM PROJETO ÉTICO POLÍTICO COM


BASE MARXISTA: OS DESAFIOS ENCONTRADOS NA CONJUNTURA
NEOCONSERVADORA

Maria Lucilma Freitas de Sousa

O Projeto Ético Político do Serviço Social esta baseado em dimensões éticas marxistas que se
diferenciam dos demais projetos profissionais. Nos anos 1980 no Brasil com as lutas pelo fim
da ditadura militar de 64, o Serviço Social juntamente com as entidades organizativas da época
questionam a atuação profissional dos Assistentes Sociais baseada em dogmas religiosos e
morais. Nesse ínterim, o Serviço Social ainda irá percorrer alguns caminhos até a tradição
marxista. O marco inicial de rompimento com o conservadorismo ocorre no III Congresso
Brasileiro de Assistentes Sociais em 1979, e em 1986 é revisto o Código de Ética da profissão
com alguns avanços do ponto de vista ético tradicional. Com a construção dos cursos de pós
graduação na área referendada em 1990 e o desenvolvimento das pesquisas a aproximação e
estudos dos intelectuais marxistas como Lukács, Gramsci e a produção de obras com base
marxistas vão situando a profissão as teorias de Marx. Destarte, a adoção de um currículo
mínimo no Serviço Social aprovado pelo Ministério da Educação – MEC corroboram com
pressupostos marxistas. E em 1993 o Código de ética dos Assistentes Sociais afirma seus
posicionamentos atrelados a princípios societários, com vinculação clara a classe trabalhadora,
compreendendo que o ser social se constitui em determinadas condições objetivas, materiais,
ideológicas e políticas. Para tanto, com o avanço do neoliberalismo e em consequência de
movimentos conservadores, anistóricos e acríticos, a profissão também se encontra atingida em
suas concepções, visto que as escolhas dos sujeitos estão reguladas pelo sistema capitalista e
elas refletem de forma coletiva. Destarte, o objetivo desse artigo é analisar os desafios
encontrados pelo projeto ético político Profissional na conjuntura neoliberal diante do avanço
do neoconservadorismo. Diante desses retrocessos é necessário encontrar formas que apontem
para o horizonte emancipador, assim, discutimos sobre as reflexões teóricas das autoras que
elencam essas estratégias.

Palavras-chave: Serviço Social. Projeto Ético Político. Marxista.

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GT
FILOSOFIA POLÍTICA E
PENSAMENTO FILOSÓFICO

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A FUNÇÃO REVOLUCIONÁRIA DA MULHER FRENTE A SOCIEDADE


INDUSTRIAL AVANÇADA EM HERBERT MARCUSE

Mikaelly da Costa Jucá

A presente pesquisa se propõe com o objetivo de discutir a função revolucionária da mulher


como um movimento político de contestação necessário para um novo princípio de realidade. A
introdução será a partir de Marxismo e Feminismo, onde Marcuse irá se aprofundar sobre o
assunto, reconhecendo as potencialidades do movimento das mulheres dentro de uma sociedade
de classes, que o mesmo definirá como socialismo feminista. Na conclusão será destacado que
Marcuse pretende não apenas apontar os problemas na sociedade afluente, ele propõe uma
possibilidade de existência de uma nova sociabilidade, ou seja, um surgimento de um Novo
princípio de Realidade o qual se faz necessário para emancipação feminina, onde seria superado
as relações sociais e individuais do ser humano. Apenas com a igualdade econômica e política a
mulher terá um papel determinante na reconstrução radical de uma sociedade. Um movimento
de contestação da ordem estabelecida. Para Marcuse, não uma emancipação utópica ou
inatingível mas como uma luta política que tem todos os meios possíveis para acontecer que por
mais difícil que possa ser Marcuse reconhece que será um processo doloroso mas necessário
para uma sociedade madura tanto para homens quanto para mulheres. A luta pela emancipação
das mulheres, também é uma luta pela emancipação humana.

Palavras-chave: Marcuse. Emancipação Feminina. Novo Princípio de Realidade.

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A POLÍTICA EM BUSCA DE LEGITIMIDADE E AFIRMAÇÃO DO HOMEM NO


ESPAÇO PÚBLICO

Roberto Ribeiro da Silva

O presente trabalho tem por objetivo analisar a reflexão político-filosófica de Hannah Arendt,
que num tom de crítica ao modelo solipsista de fundamentação surgido na modernidade, vai
buscar inspiração na tradição política que tinha como fundamento a coletividade. Daí é que
Arendt traz a tona o conceito de pluralidade como essencial ao estabelecimento de uma
verdadeira experiência política. Alicerçado na obra A Condição Humana, este trabalho traz
elementos fundamentais à nossa reflexão sobre a política na perspectiva de Hannah Arendt. Tal
obra nos lega o conceito de ação, atividade que entre outras apresenta como a única
propriamente política. Nesse sentido a ação é concebida por Arendt como sem interesse, sem
vontade e sem finalidade, isso equivale a dizer que sua essência está em ser sempre
possibilidade de um novo início, tendo como campo primordial para a sua inserção no espaço
público, que possibilita o relacionamento entre iguais e, sobretudo, a manifestação da
humanidade. O ser para se afirmar no espaço político é auxiliado pela palavra e pela ação,
forjado o debate público que constitui o próprio fundamento da vida política, confirmando a
existência de uma legítima comunidade política. A pesquisa realizada possibilitou ampliar os
campos de compreensão acerca da filosofia política, lançando um olhar às suas origens na
tradição clássica, e perpassando pelas demais formas de sua abordagem com ênfase na
modernidade, aonde Arendt estabelece o foco de sua crítica. Adentrar a reflexão política
arendtiana nos possibilita perceber elementos que irão nos ajudar no estabelecimento de uma
legitima comunidade política.

Palavras-chave: Política. Legitimidade. Pluralidade. Ação. Espaço Público.

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ASPECTOS DA LEITURA FENOMENOLÓGICA DE MARX POR MICHEL HENRY

José Luiz Furtado

Em seu grande livro dedicado ao estudo da obra de Marx, Michel Henry afirma que o marxismo
é a soma dos contrassensos cometidos a partir da obra do próprio - Une philosophie de realité,
sendo o maior deles a consideração de O Capital como um livro de “economia política”. Tal é,
por exemplo, a posição de Rosa Luxemburgo quando afirma que "na teoria de Marx, a
economia política encontrou o seu acabamento e sua conclusão", constituindo-se
verdadeiramente como ciência. De fato, o subtítulo do Capital é: Crítica da economia política.
Porém o termo “crítica” pode ser tomado em dois sentidos. No primeiro deles designa o
processo de aperfeiçoamento interno das ciências em que uma teoria é refutada sempre em favor
de outra mais adequada. Tal é o caso da crítica econômica da economia cujo fundamento reside
na formulação de outra teoria que vem substituir a primeira, conforme a teleologia imanente ao
desenvolvimento do pensamento científico. Ao contrário, a crítica da economia política em “O
Capital” é de cunho eminentemente filosófico. O pensamento de Marx constitui uma “teoria
transcendental dos fundamentos ontológicos da história e não simples ciência histórica - teoria
dos fundamentos das formações sociais - e não simples socio-logia - teoria do fundamento
transcendental e da possibi-lidade interna da economia mercantil e da economia em ge-ral - e
não simples doutrina econômica entre outras, vol-tada, por isso, à verdade relativa de uma fase
transitó-ria do desenvolvimento científico" afirma Henry (1979, p.18). Ou seja, a crítica de
Marx não visa a continuidade da economia política, representando, ao contrário, a ruptura do
pensamento filosófico com ela. Em Kant “crítica” designa a análise das condições do
conhecimento não derivadas da experiência empírica, as suas formas puras, sensíveis e
conceituais, presentes na sensibilidade e no entendimento. A ‘Crítica transcendental” estabelece
as formas puras, conceituais e estéticas, que tornam possível o conhecimento dos objetos. Ao
contrário, a análise ontológica da possibilidade da economia política efetuada no Capital
estabelece as condições de existência dos fenômenos econômicos, isto é, a sua genealogia
histórica. Para Marx as relações sociais não são originariamente econômicas, ou seja, as
determinações econômicas da existência humana não são naturais, de modo que se torna
necessário explicar o surgimento dos fenômenos econômicos bem como a história do seu
predomínio social, de como se tornaram absolutamente determinantes da quase totalidade dos
aspectos das sociedades capitalistas. Como as relações sociais entre pessoas adquirem um
estatuto econômico passando a depender das leis do desenvolvimento do capital, isto é, do
desenvolvimento da produção de mercadorias e da acumulação de valores de troca? Como o
trabalho, atividade originariamente destinada a produzir os bens requeridos para satisfazer as
necessidades humanas, transforma-se em meio de produção de valores de troca? São estas as
questões principais que pretendemos desenvolver a partir da interpretação fenomenológica a
obra de Marx empreendida por Michel Henry.

Palavras-chave: Leitura fenomenológica. Marx. Michel Henry.

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DIALÉTICA DA NATUREZA EM MARX: DIÁLOGO COM A CRÍTICA DO


ECOSSOSSIALISMO À DEGRADAÇÃO AMBIENTAL

Albertino Servulo
Eduardo Ferreira Chagas

Este ensaio é parte integrante de nossa pesquisa de doutorado que tem como núcleo central a
defesa de que há uma aproximação convergente, a qual denominamos de diálogo, entre a
concepção marxiana de natureza e a crítica do ecossocialismo à degradação ambiental. A
justificativa desta investigação está ancorada na importância vital que a questão da natureza
adquiriu na sociedade contemporânea. Pesquisando nas próprias obras dos interlocutores, a
hipótese que se confirma é a defesa de uma ‘dialética da natureza’; teoria que refuta as ressalvas
dos setores ecossocialistas que concebem o marxismo como ‘esquematismo demasiado’. Além
disso, se constata nesse referencial a crítica à economia política, o que significa que antes do
ecossocialismo apresentar a crítica contra o capitalismo; Marx já havia denunciado a
racionalidade econômica do capital. Nossa apresentação se restringe a exposição da pesquisa
inicial, que em seu exórdio apresenta um delineamento do surgimento, desenvolvimento e
ascensão do ecossocialismo como movimento social; expondo em seguida a crítica ecologista a
degradação ambiental. No entremeio é exposta a teoria social do ecossocialismo e as ressalvas
ao marxismo, dentre as quais a crítica contemporânea ao programa baconiano. E na peroração
retomamos as pretensas lacunas do marxismo, que pelas lentes do ecossocialismo é caudatário
do ideal baconiano, utopismo e industrialismo; e ainda os limites do marxismo na política
ecológica, tendo sua superação, o antropocentrismo, no ecocentrismo. Em suma, às
considerações precedentes nos levam a primeira conclusão, isto é, de que as restrições do
ecossocialismo contemporâneo em relação ao pensamento marxiano são ressalvas
insubsistentes, porque desconsideram a dialética marxiana da natureza.

Palavras-chave: Marxismo. Natureza. Ecossocialismo. Dialética.

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É POSSÍVEL UMA POSITIVIDADE DA POLÍTICA EM MARX?

Fernando Farias Ferreira Riça

Este trabalho consiste em uma pesquisa imanente da obra de Karl Marx no que diz respeito à
política. Nela pretendemos demonstrar que há, no pensamento de Marx, um aspecto positivo da
política. Essa é uma questão que ainda abriga debates, pois há uma tradição de pesquisadores
que afirmam existir somente o aspecto negativo da política nas obras marxianas. É certo afirmar
que há o aspecto negativo da política em Marx e que ele nega a política. Mas que tipo de
política? Sabemos que no geral, política é uma ação que é praticada por homens e para homens
no seio da sociedade, e que tal ação visa o bem comum de determinado grupo ou da sociedade
como sua finalidade. A política, nas obras de Marx, praticada pelo burguês capitalista surge
como política negativa, pois ele não está interessado com o bem social como um todo e como
finalidade da sua ação política. O que ele visa é o bem próprio ou, quando muito, o bem de
determinado grupo de interesses iguais aos seus. Nesse caso, a política beneficia mais aqueles
que possuem mais bens, e o poder se fundamenta na riqueza. Dessa forma, os demais indivíduos
– que, vale ressaltar, são a maioria da sociedade – são subjugados pelos que detêm poder. O
guardião maior dessa forma política é o Estado, que é usado não para realizar sua finalidade
última, que é estabelecer um patamar de igualdade e liberdade a todos os cidadãos, mas para
garantir a existência de mecanismos que protejam as riquezas de um pequeno grupo. É nessa
perspectiva que podemos afirmar o aspecto negativo da política em Marx. É esse tipo de política
que ele nega. Ela se caracteriza no que ele chamou de emancipação política, onde os indivíduos,
no Estado, ganham direitos comuns. Mas o Estado, porém, não garante esses direitos a todos.
Para Marx, se faz necessária uma emancipação para além da emancipação política, que ele
chamou de emancipação humana. Essa garantiria a todos os indivíduos a plena liberdade,
igualdade, o direito de usufruir dos bens produzidos da terra segundo suas reais necessidades,
em suma, realizar o ser abstrato do cidadão no mundo mesmo. Na obra do filósofo, o elemento
principal da realização da emancipação humana é o trabalhador, pois ele é um indivíduo de
sofrimento e miséria universal. O ônus da política voltada para reprodução da riqueza da classe
burguesa – ou na nomenclatura de hoje, classe alta – recai todo na classe trabalhadora, que vive
em condição de miséria, falta de educação, de saúde etc. Somente a classe trabalhadora poderá
realizar a emancipação humana que, segundo Marx, se dará com uma revolução social. É nesse
tipo de ação que afirmamos existir um aspecto positivo da política em Marx, pois ela agora visa
o bem de toda a sociedade. É a partir disso que pretendemos fundamentar nossa pesquisa.

Palavras-chave: Política. Revolução social. Estado.

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EXPOSIÇÃO DA CRÍTICA DE MARX À HEGEL A PARTIR DA ANÁLISE DE ERIC


WEIL

Rubens Pereira Cruz

A partir da obra Hegel e o estado de Eric Weil tratando em sua grande parte da recepção da obra
de Hegel: Filosofia do Direito, nos adentaremos à temática trabalhada por Weil no final de sua
obra, da qual desenvolve um apêndice que debate Marx e a Filosofia do Direito. Em cima do
recorte realizado, analisaremos a crítica de Marx a Hegel proposta por Weil, da qual em sua
pesquisa realizada a partir do contexto hegeliano, ele faz a retomada dos textos de Hegel,
trazendo a Perspectiva real de “Hegel o ultimo filosofo”. Neste diálogo com os três autores,
Weil faz uma análise da crítica que Marx e Engels realizam, pois, a mesma se torna
incompreensível no desenvolvimento do argumento que se agrava, devido a reprodução
realizada pelos marxistas da mesma sem uma verificação. Desse modo, analisaremos e
reproduziremos o percurso realizado por Weil perguntando-nos “qual era o seu alcance, essa
crítica deixava de pé do sistema hegeliano, o que elas estabeleciam mesmo como princípio de
toda crítica que pudesse pretender estar à altura?” Com isso buscaremos a compreensão da
consistência da crítica de Marx, a diferença no pensamento de Marx e Hegel, e entender por que
motivos Weil mostra-nos Hegel como precursor de Marx.

Palavras-chave: Filosofia do Direito. Crítica. Hegel. Marx. Eric Weil.

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O PROGRESSO TECNOLÓGICO COMO PRESSUPOSTO PARA A FORMAÇÃO DO


PENSAMENTO E COMPORTAMENTO UNIDIMENSIONAL EM MARCUSE

Francisco de Assis Sobrinho

O traço marcante do discurso estabelecido pela sociedade industrial avançada é o de que, é esta
uma sociedade racional e livre. Razão e liberdade aparecem como sendo os princípios
fundadores dessa sociedade. Para garantir à validação de seu discurso, a nova sociedade
industrial conta com a ideia de progresso tecnológico, que atua como elemento garantidor da
coesão social e da manutenção do status quo nesta sociedade. Para isso, o “ordenamento
tecnológico” recebe o apoio de uma “coordenação política e intelectual”, que de uma maneira
articulada garantem a eficácia das diversas formas de controle existentes na civilização
industrial moderna. Este artigo tem como objetivo analisar e explicar a relação entre o progresso
tecnológico e a formação do pensamento e comportamento unidimensional em Herbert
Marcuse. Para tanto, debateremos a partir do método dialético do autor, temas como, a
contenção do pensamento crítico e o condicionamento das necessidades humanas. No intercurso
de nossa exposição mostraremos que por trás do discurso da liberdade, a nova sociedade
industrial e tecnológica, impõe suas formas de controle sobre os indivíduos tendo como
resultado a formação de um sistema social unidimensional, onde o pensamento crítico é tido
como inútil, pois, não só ameaça a ideia de progresso tecnológico da referida sociedade, como
também é capaz de inverter a ordem do discurso estabelecido e desmontar toda e qualquer
convivência social baseada no status quo.

Palavras-chave: Sociedade. Progresso tecnológico. Pensamento unidimensional. Marcuse.

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GT
CAPITALISMO E O CAPITAL NO
SÉCULO XXI

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A SUPEREXPLORAÇÃO DO TRABALHO DOMICILIAR COMO MECANISMO DE


SUSTENTAÇÃO DA INDÚSTRIA TÊXTIL DE REDES DE DORMIR NO MUNICÍPIO
DE JAGUARUANA – CEARÁ

Francisco Antonio da Silva


Antônio Marcos Rocha de Carvalho

O município de Jaguaruana, localizado na microrregião do Litoral de Aracati, interior do Estado


do Ceará, tem como principal fonte econômica a produção industrial de redes de dormir. Essa
indústria empregou em 2015, segundo a Associação dos Fabricantes de Redes de Jaguaruana
(ASFARJA), aproximadamente 10.000 mil pessoas, equivalentes a 32,20% da população do
município, em 30 fábricas de grande porte e aproximadamente 157 de pequeno porte. O trabalho
nesse ambiente fabril é marcado pela precarização e superexploração, condição essencial para a
manutenção das altas taxas de lucratividade do setor e por colocar o município na liderança da
produção de redes do país até final da década de 1980. No entanto, a partir do início da década
de 1990 essa indústria passou a enfrentar a concorrência direta de polos produtores nos estados
da Paraíba e Rio Grande do Norte que assumiram a liderança nacional na produção dessa
mercadoria, o que resultou no fim da produção artesanal feita com tear manual e no fechamento
da maioria das pequenas fábricas de produção de redes. Sobreviveram apenas os grandes
fabricantes utilizando-se do aumento da exploração dos trabalhadores do setor, especialmente
dos trabalhadores domiciliares, que se diferencia da categoria de trabalhadores que desenvolvem
suas atividades no interior das fábricas por realizarem as atividades em suas residências e por
não gozarem de nenhum direito trabalhista ou benefício. Assim, o trabalho domiciliar é marcado
pela informalidade e péssima remuneração, além da exploração do trabalho infantil, o que
agrava a situação de extrema pobreza dos trabalhadores envolvidos na produção de redes de
dormir. O artigo analisa o lugar do trabalho domiciliar na produção da indústria têxtil de redes
de dormir em Jaguaruana – Ceará, buscando compreender a relação estabelecida entre a
superexploração do trabalhador domiciliar e a lucratividade dessa indústria no município. O
quadro de aumento da precarização do trabalho no Brasil e as relações de produção econômica
capitalista que elevam as desigualdades e a exploração da classe trabalhadora tem sido
tematizado desde o final do século XX por autores como Ricardo Antunes em Adeus ao
Trabalho? (1995) e Os sentidos do trabalho (1999), nos quais mostra como o trabalho continua
no centro da sociabilidade contemporânea. Já Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil (2006)
responde para onde foi o mundo do trabalho no Brasil, apresentando um diagnóstico da
reestruturação produtiva do trabalho em suas diferentes modalidades e segmentos, na área da
indústria e serviços. Nesse sentido, avançar para além do aparente, significa identificar os
diversos agentes constitutivos do real observável, sendo indispensável a clareza e as ferramentas
teórico-metodológicas fornecidas pelo materialismo histórico, tendo como referências principais
MARX (1980, 2008 e 2012), MARINI (2013), HARVEY (2004) e MÉSZÁROS (2008), nos
permitindo compreender que essa indústria se mantém economicamente ativa e lucrativa devido
à extração da mais-valia destes trabalhadores. Estudar as transformações infligidas aos
trabalhadores da indústria, em especial, da indústria têxtil de redes de dormir, significa uma
possibilidade de aproximação tanto com o real, quanto com um grupo social que historicamente
vem sofrendo diversos processos de exploração e negação.

Palavras-chave: Indústria Têxtil. Rede de dormir. Trabalhador Domiciliar. Superexploração.

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DE KARL MARX À DAVID HARVEY: A PRIVATIZAÇÃO DOS RECURSOS


NATURAIS NO BAIXO JAGUARIBE NO PROCESSO DE REPRODUÇÃO DO
CAPITAL

Alan Robson da Silva


Nonato Lucas Freitas Barbosa

As regiões do Baixo e Médio Jaguaribe, Estado do Ceará, passaram por um intenso processo de
reestruturação espacial nas últimas décadas do século XX, transformações que tem afetado de
forma prejudicial diversas comunidades camponesas e as populações pobres dos municípios da
região. Nesse sentido, à luz das categorias de “Acumulação Primitiva” de Karl Marx (2013) e
“Acumulação via Espoliação” de David Harvey (2004), o objeto de estudo aqui analisado é o
lugar ocupado pelos recursos naturais, terra e água, assim como pelas populações camponesas
na dinâmica de atual de reprodução do capital. Os objetivos à que se pretende a presente
pesquisa tratam do processo de privatização dos recursos naturais nos municípios do baixo
Jaguaribe e de sua relação com as demandas do contexto recente de acumulação de capital.
Grandes projetos de infraestrutura hídrica como o açude Castanhão e Eixão das Águas, assim
como a expansão de perímetros públicos de irrigação foram reesposáveis por fornecer uma
oferta de água e de terra necessárias à expansão da agroindústria na região do Baixo Jaguaribe.
O resultado desse processo de expansão da atividade agroindustrial na região tem sido a
crescente apropriação de das reservas de água e de terras em diversos municípios como
Limoeiro do Norte, Russas, Jaguaruana, Itaiçaba e Aracati, levando ao surgimento de diversas
organizações coletivas que lutam e resistem à apropriação privada da natureza. As fontes
consultadas na presente pesquisa foram agrupadas em três grupos determinados: fontes
documentais, onde foram consultados dentre outros documentos as atas de reuniões do Comitê
da Sub-Bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe, onde se encontra inúmeros relatos dos conflitos
que existem na região, entre populações camponesas e agroindústria; fontes bibliográficas como
trabalhos científicos e planos de ação do estado cearense na promoção de uma política de apoio
à expansão da atividade agroindustrial; fontes orais, o relato de depoentes acerca da
expropriação sofrida por sua família e comunidade. Ao fim, conclui-se que o processo de
privatização da terra e da água e o consequente cerceamento imposto às populações camponesas
ao acesso aos recursos naturais fazem parte do modus operandi da atual dinâmica de reprodução
do capital. A partir das contribuições de Marx e Harvey foi possível compreender o duplo
caráter do processo de apropriação dos recursos naturais na região, pois se de um lado ela
permite a aquisição de novos ativos que permitam a realocação de capitais ociosos, ela permite
também a criação de uma massa de trabalhadores expropriados, os quais podem ser inseridos
forçosamente às relações capitalistas de produção. Ambos os fenômenos integram a totalidade
do processo de reprodução do capital.

Palavras-chave: Populações Camponesas. Agroindústria. Processo de Reprodução do Capital.

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ESTADO, CAPITAL E FORMA POLÍTICA NA “NOVA REPÚBLICA” BRASILEIRA

Wécio Pinheiro Araújo

A forma política historicamente desenvolvida e assumida no período pós-ditadura pelo Estado


brasileiro foi a “nova república”. A partir de então, o rumo político do Brasil parecia apontar
para uma relação entre o Estado e a sociedade, na qual esta última pudesse progressivamente
adentrar o primeiro enquanto espaço público; sobretudo para formular as políticas públicas, e
assim legitimar o próprio Estado por meio da participação social. Para fazer uma análise crítica
do evolver contemporâneo desta forma política, problematizamos essa questão situando-a numa
quadra de mediações históricas buscadas nas relações entre a situação brasileira e as expressões
contemporâneas de alguns fenômenos ligados ao que, no Capítulo XXX d’O Capital, Marx
apontou como negócios fictícios e especulações financeiras favorecidas pelo sistema de crédito
global. Analisamos historicamente a questão, recuperando as contradições político-econômicas
demarcadas desde o Plano Real, que abriu o caminho para a financeirização da economia
brasileira, sobretudo no âmbito das questões monetária e fiscal, até o decorrer de parte da gestão
lulo-petista, que amplia esta abertura ao campo social alcançando o “pleno emprego”, entre
outras inegáveis conquistas sociais, por meio do máximo de crédito implementado no processo
de reprodução; mas sem levar em conta a contradição extrema que, segundo a crítica marxiana,
não tarda em arrebentar entre a capacidade de reprodução do capital industrial e os limites do
consumo. Em outras palavras, os processos de produção e reprodução sociais passam a estar
subjugados a um modelo de valorização que compõe uma dinâmica progressiva de
deslocamento de capitais da produção para o capital financeiro; dinâmica essa que passa
substancialmente pelo Estado, considerando o processo global da produção capitalista.
Desenhamos tais contradições, precisamente no arcabouço das relações entre a forma política (o
Estado) e o conteúdo social (o capital financeiro em suas mediações com as relações de
produção e reprodução sociais brasileiras). Demonstramos como, por meio do Estado, o capital
financeiro encontrou formas de incluir novas classes e extratos sociais em sua rede financeira de
valorização, que se amplia penetrando todos os setores da sociedade; a exemplo do Bolsa
Família, que conseguiu fazer distribuição de renda integrada à dinâmica contemporânea da
lógica do valor. Concluímos por apontar, em alguns de seus efeitos políticos, como a
mefistofélica e principal contradição desses avanços sociais está no fato de que tudo ocorre
ligado ao crédito, que adentrou numa proporção nunca vista antes, à realidade das classes de
baixa renda, criando um novo mercado de bens de consumo duráveis e, consequentemente, um
ciclo econômico expansivo puxado pela miséria que se transformou em pobreza
institucionalizada. Milhões de brasileiros saem da extrema pobreza e passam a ter acesso ao
crédito. Finalmente, acabamos por sinalizar algumas expressões ideológicas desse processo
como um todo, sobretudo no campo político, e como este aparece cada vez mais regido pela
lógica social da forma mercadoria.

Palavras-chave: Capital. Estado. Forma Política. Brasil. Contradição.

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EXPANSÃO DO CAPITAL NO CAMPO: EXPROPRIAÇÃO E DESESTRUTURAÇÃO


DA SOCIABILIDADE CAMPONESA

Lúcia Helena de Brito


Maria Ribeiro de Assis

O artigo trata do processo de expansão do capital como contexto da efetivação de políticas de


desenvolvimento no campo, com foco de análise na implementação da segunda etapa do Projeto
Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas-Ceará (PITR), nos anos de 2008 a 2011. Nosso
objetivo é compreender a implementação dos Perímetros Irrigados no campo como estratégia de
expansão do sistema capitalista e suas consequências nas comunidades camponesas atingidas
pelo empreendimento. O propósito é desvendar elementos constitutivos das relações sociais
contraditórias estabelecidas no processo de consolidação do PITR e suas consequências para a
sociabilidade nas comunidades camponesas. A análise apoia-se no referencial teórico
materialista dialético. Utilizamos com fonte de pesquisa leituras de documentos oficiais
relativos ao projeto, disponíveis no DNOCS, bem como entrevistas de camponeses contidas no
acervo Banco de Dados do Núcleo de Estudos sobre Memória e Conflitos Territoriais da
Universidade Federal do Ceará/COMTER. Realizamos pesquisa de campo na comunidade
Bananeiras, em Russas, Ceará, lócus de nossa análise, e entrevistamos moradores que
vivenciaram o processo de desapropriação da comunidade para estruturação do PITR. As
conclusões apontadas pela pesquisa nos permitem afirmar que a implementação do PITR se
configura na dinâmica de expansão ampliada do capital, em suas demandas por territórios,
causando perdas na comunidade não somente quanto ao acesso a terra, mas também quanto ao
sentimento de pertencimento a um território.

Palavras-chave: Expansão do capital. Expropriação camponesa. Sociabilidade.

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INDIGNAÇÃO: AFETO DA REVOLUÇÃO OU DA BARBÁRIE NA SOCIEDADE


UNIDIMENSIONAL?

Neiara Parente de Araújo

Vivemos momentos decadentes do capitalismo, sob a forma de crise da representação política e


do crescimento econômico mundiais, gerando supostas tensões entre indivíduos e sociedade.
Em resposta, pessoas indignadas estão protestando. Especificamente no Brasil, a partir de 2011,
houve protestos contra a democracia representativa e a especulação imobiliária (os ocupas), as
copas de futebol masculino de 2013 e 2014, sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff
e contra as reformas da previdência, trabalhista e do ensino médio; e possivelmente existirão em
relação às eleições de 2018. No entanto, será que a indignação dos protestantes permanece à
lógica mercantil da sociedade unidimensional ou não? Será que a indignação representa a tensão
da relação dialética sujeito-sociedade? Temos a hipótese de que a indignação contemporânea
está apresentando uma tendência de se equivaler ao ódio, visto que a maior parte dos indignados
não rompeu com a subjetivação fetichista e continuam na lógica unidimensional imanente do
sistema ao ser socializado pelas mercadorias. Com a crise, a imagem do eu fetichista do sujeito
passou a sofrer cisões, causando angústia a ele. Para assegurar a identidade fetichista, o
indivíduo reage de maneira indignada sem considerar os outros. Caso o sujeito transcendesse a
unidimensionalidade e tivesse uma inscrição civilizatória da alteridade em sua subjetividade, a
indignação tenderia à revolução, porque romperia com a imagem do eu fetichista em crise.
Assim, com o intuito de melhor esclarecimento do fenômeno, temos como objetivo fazer uma
revisão crítica bibliográfica sobre o tema. Utilizamos a perspectiva teórica-metodológica da
Teoria Crítica da Escola de Frankfurt em diálogo com a Psicanálise e com Marx. Concluímos
que a barbárie existe e está em evidência em manifestações de pessoas indignadas, porém o
afeto necessita de mais constatações em posteriores pesquisas.

Palavras-chave: Sociedade unidimensional. Indignação. Fetichismo da mercadoria. Mais-de-


gozar.

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O PROJETO DA CIDADE GLOBAL E A CONSTITUIÇÃO DA


EXCEPCIONALIDADE URBANA

Fábio Carneiro Rodrigues

O século XXI constitui um novo paradigma urbanístico, qual seja, a postulação de uma cidade
de nível global preparada para as exigências do mercado. No entanto, para se adequar aos
ditames impostos pelo grande capital, a periferia capitalista produz uma violência destinada à
intervenção militar no espaço urbano. Nessa perspectiva, Barreira e Botelho (2013) resgatam o
histórico do uso das forças militares na cidade do Rio de Janeiro, desde a intervenção militar na
greve da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1988, passando pela operação Rio,
ocorrida na década de 1990, e chegando à instalação das Unidades de Política Pacificadora, em
2008. Centrado nessa discussão, o objetivo deste trabalho é observar que, com o processo de
financeirização capitalista, há uma nova política de intervenção urbana, com base no uso
preventivo da força, não mais no intuito de reprimir os tradicionais movimentos operários, mas
com o fim de forjar um novo contexto político ausente, inclusive desta condição jurídica de
trabalhador, produzindo uma massa amorfa cuja sua morte não constitui crime ou comoção
coletiva. Assim, demonstra-se aqui que o intento de configuração de uma nova política de
intervenção urbana tem como um dos seus objetivos a violência contra estes excluídos de toda
categorização jurídica.
Palavras-chave: Cidade. Capitalismo. Violência.

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GT
POLÍTICA E GESTÃO
EDUCACIONAL

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A IDEIA DE FORMAÇÃO CIDADÃ PRESENTE NOS PARÂMETROS


CURRICULARES NACIONAIS

Meirelene Linhares Lima


Raimundo Jucier Sousa de Assis

Este texto tem o intuito de analisar um recorte sobre a temática da cidadania inserida nos
Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), direcionado ao ensino de
História (1998). O trabalho aqui empreendido teve como objetivo compreender e refletir acerca
da concepção de cidadania que o documento apregoa, em um contexto social que se tornou
comum e sobretudo oficial ser cidadão ou buscar formar para a prática da cidadania. Vivemos
numa realidade social em que todas as classes sociais, partidos com ideologias diversificadas,
grupos sociais distintos, fazem apologia à formação para o exercício da cidadania como um eixo
em comum, tornando ainda mais urgente esclarecer a diversidade dessa compreensão no interior
de uma democracia republicana. Assim, o texto aqui apresentado busca fazer uma análise dos
PCNEM direcionados ao ensino de História com finalidade de destrinchar os elementos
constitutivo da formação cidadã, bem como, que concepção de cidadania o documento apregoa
no contexto social do neoliberalismo. Utilizamos a metodologia qualitativa de análise desse
documento oficial vinculada ao referencial teórico materialista que faz a crítica radical ao limite
da liberdade humana focalizado apenas emancipação política, esta vista na sociedade
contemporânea como o meandro para a plena realização do ser social. Com a análise dos
PCNEM foi possível compreender que a sua concepção de formação cidadã está associado ao
âmbito da luta pela plena dignidade humana “possível” dentro dos limitas da forma jurídica do
Estado moderno.

Palavras-chave: Políticas Educacionais. Parâmetros Curriculares. Concepção de Cidadania.


Formação Cidadã.

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CRÍTICA MARXISTA À CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO DO GOVERNO


TEMER

Paulo Érico Pontes Cardoso


Antonia Rozimar Machado e Rocha
Raquel Dias Araújo

O presente trabalho trata da contrarreforma do ensino médio implementada pela Lei 13.415/17
no governo de Michel Temer e se insere no debate acerca da relação trabalho e educação. Para
tanto, assumiu como objetivo geral analisar referida contrarreforma nos marcos da ofensiva do
capital e da expansão do empresariamento da educação, identificando as principais mudanças no
intuito de avaliar as suas consequências para a formação dos jovens estudantes da classe
trabalhadora. Apesar de ser apresentada como uma reforma, optamos por usar a terminologia de
“contrarreforma” e não reforma do ensino médio por entendermos que reforma é uma mudança
favorável, ainda que limitada, no capitalismo. A investigação partiu de uma análise mais geral
sobre a relação das reformas educacionais com as mudanças no mundo do trabalho e as
exigências do mercado para a formação do trabalhador. Nosso método de análise é o
materialismo dialético, por ser o único que permite analisar historicamente as mudanças da
legislação educacional, em especial, aquelas relativas ao ensino médio, na sua relação com as
exigências da reprodução do capital no contexto da economia brasileira após o golpe
parlamentar. Nesse aspecto, lançamos mão das contribuições de autores clássicos e também
contemporâneos para compreender as especificidades do momento atual, tais como, Marx
(1983, 1993), Mészáros (2005), Saviani (1994, 1999), Rocha (2011), Souza Junior (2014),
Kuenzer (1989), dentre outros. A questão central que nos orienta na investigação do objeto é
saber se a implantação dessa contrarreforma seria apenas uma incapacidade administrativa da
equipe ministerial do governo golpista ou essa política educativa segue um método
encomendado pelas exigências do mercado, oriunda de uma situação de enorme ofensiva do
capital? A chamada reforma do ensino médio consiste em uma mudança estrutural em todo o
nível por modificar as bases curriculares, pedagógicas e organizativas do ensino médio nacional,
a carga horária, a língua estrangeira obrigatória oferecida, dentre outros aspectos. Essa
contrarreforma se insere em um conjunto de medidas de expropriação dos direitos da população
trabalhadora, há muito desejadas pelas classes dominantes. Nem mesmo a ditadura militar ou os
governos neoliberais das décadas passadas ousaram eliminar tantos direitos e garantias
conquistados pela população quanto o governo de Michel Temer, nascido do golpe parlamentar
de 2016. A contrarreforma contribui para atrofiar a consciência histórica das jovens gerações,
cada vez mais intoxicadas por uma educação alienante, politicamente domesticada, justificadora
do status quo. Sob qualquer ponto de vista, o regime golpista compromete o futuro.

Palavras-chave: Marxismo. Contrarreforma. Ensino Médio. Governo Temer.

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O PRONATEC BRASIL SEM MISÉRIA COMO ESTRATÉGIA DE SUPERAÇÃO DA


POBREZA E DA EXTREMA POBREZA: UM ESTUDO REALIZADO EM
FORTALEZA-CE

Aline de Araújo Martins


Mônica Duarte Cavaignac

O artigo analisa o PRONATEC Brasil Sem Miséria, a partir de um estudo de dados obtidos
numa pesquisa de mestrado realizado em Fortaleza- CE. Discute-se o PRONATEC BSM como
uma estratégia de inserção e/ou reinserção da população pobre e extremamente pobre no
mercado de trabalho via qualificação profissional. Conclui-se que o Programa não tem suprido
efetivamente as deficiências de escolarização da população à qual se destina, nem garantido sua
inserção ou reinserção no mercado formal de trabalho, devido à ausência de articulação com
outras políticas públicas, como a de educação e a de emprego e renda.

Palavras-chave: Trabalho. Política de Assistência Social. PRONATEC BSM.

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OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA CONTRARREFORMA DO ENSINO


SUPERIOR NO CONTEXTO DA CONTRARREFORMA DO ESTADO: A
PRIVATIZAÇÃO EM MARCHA

Agercicleiton Coelho Guerra


Marcela Figueira Ferreira
Samara Mayra Benício Rodrigues

A partir das diversas mudanças ocorridas nos países centrais, causadas pela crise do capitalismo,
reestruturação produtiva, da mundialização do capital que consiste na mundialização das
operações do capital, tanto industriais como financeiras, que só foi possível devido ao acúmulo
de capital no período de hegemonia fordista (CHESNAIS, 1995), o Brasil também passou por
ajustes em sua política econômica e social implantadas, inicialmente, pelo governo Fernando
Collor de Melo e dada a sua continuidade nos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luís
Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Pretendemos, neste trabalho, demonstrar como a
contrarreforma do ensino superior está em sintonia com o movimento de contrarreforma do
Estado brasileiro, iniciado nos anos de 1990 e em curso até hoje e quais os elementos que
constituem a contrarreforma do ensino superior, materializados em programas, documentos
oficiais e aparatos legais. Concluímos esse trabalho advogando que no atual cenário de
contrarreforma, o modelo alemão humboldtiano, centrado no ensino, pesquisa e extensão, vem
sendo deixado de lado em troca das graduações em curtos períodos, oferecidas a qualquer custo
ou até mesmo à distância, com padrões questionáveis de ensino. As IES privadas tornaram-se
verdadeiros escolões, nos quais é dada a importância máxima ao lucro e deixando a desejar em
relação aos conhecimentos científicos úteis a toda sociedade.

Palavras-chave: Capitalismo. Ensino superior. Contrarreforma.

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GT
ARTE, CULTURA E ESTÉTICA NO
MARXISMO

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ANÁLISE DOS ELEMENTOS DESCRITIVOS DO LIVRO 1984 A PARTIR DO


PENSAMENTO DE GYÖRGY LUKÁCS

Leonardo Coutinho
Vilson Aparecido da Mata

Este trabalho faz parte de uma pesquisa maior que visa compreender as relações entre o corpo
humano e a literatura a partir do Materialismo Histórico Dialético. A parte da pesquisa que
engloba este trabalho é a caracterização do romance como gênero literário singular e a
compreensão de suas particularidades. O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise do
romance distópico 1984, de George Orwell, através da crítica de György Lukács aos elementos
descritivos presentes nos romances modernos. Em sua análise, Lukács percebe que a descrição
passa, de um dos elementos do texto literário, a ser fundamento da composição. O autor
relaciona esta virada ao momento de decadência ideológica burguesa, período em que a
burguesia rompe seus laços com o movimento revolucionário. Os grandes autores deste período
tornam-se críticos da sociedade e a divisão social do trabalho chega na literatura. Isso, segundo
Lukács, transforma o escritor em vendedor de livros. Sabemos que George Orwell foi
influenciado pelos escritores do Novo Realismo, que viam na descrição o elemento principal da
obra literária, como Émile Zola. Buscaremos relacionar os elementos descritivos da obra de
Orwell aos aspectos observados por Lukács na análise dos livros do Novo Realismo. Desta
forma, pretendemos demonstrar que a escolha do método faz parte de um movimento mais
amplo, que vai além da técnica utilizada.

Palavras-chave: Literatura. Romance. Distopia.

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IMAGENS DO TRABALHO: O PENSAMENTO MARXISTA NA MONTAGEM


DIALÉTICA DO CINEMA DE HARUN FAROCKI

Lucas Oliveira de Lacerda

A montagem cinematográfica é um pensamento lógico e sensível da narrativa história do filme.


Sua função é ordenar os fatos em uma sequência lógica de imagens que construa uma narrativa
audiovisual. Este pensamento acerca da narrativa histórica se manifestou em diversas escolas de
montagem, como por exemplo: a Escola Americana de Griffith, a Escola Soviética de
Eisenstein, a Escola Francesa impressionista do pré-guerra, etc. Nesta comunicação,
pretendemos analisar a influência do pensamento marxista, em especial, em sua tese dialética da
história, na construção da montagem dialética desenvolvida por Eisenstein na escola soviética,
esta por sua, ordenava as imagens fílmicas a partir de um pensamento dialético, narrando a
história a partir dos conflitos opositivos. Ou seja, se a dialética de Marx é uma narrativa da
história da humanidade, a montagem dialética é uma narrativa da história do filme. E essa
possibilidade de contar uma história de maneira dialética, irá despertar o interesse de diversos
cineastas, entre eles, o alemão Harun Farocki, que foi um militante e estudioso de Marx que
criou diversas obras audiovisuais pensando o trabalho, a exploração, o proletariado e a
revolução. Partindo disso, iremos analisar em um primeiro momento, a teoria da montagem
dialética desenvolvida por Eisenstein na Escola Soviética, e em um segundo momento, iremos
analisar o pensamento cinematográfico de Harun Farocki, influenciado pela dialética marxista,
na construção de sua cinegrafia, em especial nos filmes: A Saída Dos Operários Da Fábrica
(1995) e Videogramas de Uma Revolução (1992).

Palavras-chave: Cinema. Montagem. Dialética. Marx. Farocki.

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O IMPÉRIO DO DINHEIRO: A MERCANTILIZAÇÃO E A CONDIÇÃO HUMANA


EM CONTOS DE MARGARIDA SABOIA DE CARVALHO

Charles Ribeiro Pinheiro

A jornalista e escritora Margarida Saboia de Carvalho (1905-1975) foi uma autora muito lida no
Ceará, durante a segunda metade do século XX. Contudo, atualmente, a sua obra literária e
jornalística está esquecida e, os poucos livros que publicou, A vida em contos (1964) e Crônicas
(1976), estão esgotados. Ela colaborou com o poeta Jader de Carvalho na fundação do Diário do
Povo, de orientação marxista, em 1947. Jader nos afirma que “enfrentou os mesmos perigos que
eu enfrentei dos 15 anos de existência do Diário do Povo, onde ela se fez cronista, onde ela se
fez jornalista” (Carvalho, 1987, p. 58). Ela viveu no século XX, em Fortaleza, onde atuar como
uma mulher intelectual, que possuía a própria voz, era algo impensado para muitos setores da
sociedade. Margarida Saboia teve que romper muitas barreiras para adquirir sua autonomia
social, política e intelectual. Além das crônicas e textos jornalísticos, Margarida Saboia se
notabilizou como contista. A sua estreia como contista ocorre com a publicação de A Vida em
contos, de 1964. O cenário principal de suas narrativas é a cidade de Fortaleza. A metrópole
cearense é representada como um microcosmo, uma metonímia do mundo capitalista, no
período entre guerras e, posteriormente, durante a Guerra Fria. Muito são os contos onde o
cotidiano da cidade é tratado pela narradora com o objetivo de mostrar a perspectiva de variados
personagens, de classes sociais distintas. Percebemos um contraste social e econômico radical
entre bairros ‘pobres’, como o Pirambu e o Arraial Moura Brasil, e o rico, a Aldeota,
representação da ostentação material da cidade. Há um tema que desencadeia a maioria das
ações das narrativas: o das relações humanas (Hanna Arendt) pautadas pelas relações
econômicas. O objetivo do nosso trabalho é estudar, a partir da análise de alguns contos de
Margarida Saboia de Carvalho, as representações estéticas da cidade de Fortaleza governada
pelo poder do capital. Enfatizando a análise do discurso da narradora e das ações e do discurso
das personagens, esquadrinharemos o conceito de ideologia, tendo como escopo reflexão sobre
uma “visão mercantil” (Fromm, 1978), que orienta a conduta e a visão de mundo dessas
personagens. Sobre o conceito de ideologia e alienação, consultamos de Marx e Engels,
Manuscritos econômico-filosóficos (1844), A ideologia alemã (1846), Contribuição à Crítica da
Economia Política (1859), com apoio de Marilena Chauí, O que é ideologia (1980), de Hanna
Arendt, A condição humana (2004) e Erick Fromm, Análise do Homem (1978). Para nosso
estudo literário de A vida em contos (1964), lemos Sânzio de Azevedo (1976), Braga
Montenegro (1965), Nádia Batella Gotlib (2006) e Julio Cortázar (2006). Após o estudo dos
contos de selecionados, observamos que a cidade de Fortaleza é representada como um
comércio, no qual as personagens orientadas por uma ideologia mercantil são percebidas como,
ao mesmo tempo, vendedores e mercadorias. O dinheiro é tido por muitos personagens como
sinônimo de prestígio social, o que desencadeia a sua alienação em direção a uma vida fútil e
mesquinha.

Palavras-chave: Literatura. Ideologia. Condição humana. Alienação. Mercantilização.

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O MITO DA LIBERDADE ARTÍSTICA E A HOSTILIDADE DO CAPITAL À ARTE

Bruno Daniel Capriles Bianchi

A liberdade artística após o surgimento do modo de produção capitalista e da Revolução


Burguesa tem comumente sido dividida em dois pontos de vista opostos, divisão que permanece
até os dias atuais. De um lado, a produção e a liberdade artística mantém-se como um dos
campos mais afetados pelas teorias pós-modernas e subjetivistas, afastando completamente a
arte das questões políticas e histórico-sociais como um todo. Tais interpretações sugerem uma
completa autonomia do artista na sociedade capitalista, desconsiderando as bases materiais da
produção e pautando-se em concepções idealistas para explicar o processo criativo. Em sentido
contrário, uma segunda linha de pensamento busca submeter a produção artística às questões
sociopolíticas e a uma padronização da estética. Em ambos os casos, desconsidera-se o processo
de produção e a relação dialética entre indivíduo e sociedade. Com base em uma perspectiva
materialista histórica e dialética, e apoiado em autores como G. Lukács, A. S. Vázquez e I.
Mészáros, este trabalho objetiva explicitar o mito da arte livre na sociedade capitalista a partir
de uma análise do caráter abstrato do Mercado e do trabalho artístico. Concomitantemente, este
texto visa compreender as consequências da mercantilização da arte e do artista e a
possibilidade de uma arte dirigida. Para tanto, inicialmente será apresentada uma breve
conceituação da produção artística e estética a partir do Materialismo Histórico-Dialético para
compreender a relação entre artista e público em períodos históricos fundamentais para a
desenvolvimento estético. Em seguida, será discorrido sobre o caráter hostil do modo de
produção capitalista sobre a arte e sobre a liberdade do artista no século XX e no atual, assim
como uma reflexão sobre o desenvolvimento artístico soviético durante o período stalinista,
abordando questões como o desenvolvimento tecnológico e a reprodutibilidade da arte, a
intensificação do trabalho abstrato e a padronização da estética. Como conclusão, será apontado
caminhos teóricos e práticos que contribuam para uma superação da problemática da liberdade
artística abstrata na contemporaneidade.

Palavras-chave: Estética. Arte. Hostilidade do Capital. Trabalho Abstrato.

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GT
TRABALHO, EDUCAÇÃO E
FORMAÇÃO HUMANA

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A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE PENSAMENTO CRÍTICO NO TRABALHO


DOCENTE

Hermenegildo de Oliveira Araújo

O presente estudo tem como objetivo geral compreender o conceito de Pensamento Crítico
construído pelo trabalhador docente - professor de Sociologia - atuante no ensino médio público
que está subsumido à lógica do capitalismo contemporâneo. Partiu-se do pressuposto de que tal
conceito é tomado e elaborado pelo trabalhador docente, em sua formação inicial, adquirida no
ensino superior, a partir do estudo reflexivo do aparato político-pedagógico, fornecido pela Lei
9394/96, enquanto marco legal, em seu Capítulo II, da Educação Básica, Seção IV, em seu
Artigo 35, Inciso III, que versa da formação ética e do desenvolvimento da autonomia
intelectual e do Pensamento Crítico. Os resultados auferidos preliminarmente apontam para uma
forma, que, mesmo considerando o Pensamento Crítico uma condição para a melhoria da
educação, encontra-se ligado a um modelo reprodutor do metabolismo do capital, (in)capaz de
proporcionar uma alteração substantiva das relações entre os homens.

Palavras-chave: Pensamento Crítico. LDB. Trabalho docente.

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A DIVISÃO ENTRE TRABALHO MANUAL E INTELECTUAL E A ALIENAÇÃO OU


FETICHIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, DA CIÊNCIA E DO SABER

Péricles Ariza

Para Marx e Engels, a medida que a divisão do trabalho se desenvolve em uma sociedade
dividida em classes, toda a produção humana, entre elas a própria educação, o ensino, o saber, a
ciência, a arte, a cultura, acabam separando-se de seus produtores, ou seja, de sua base ou
fundação, alienando-se desta, dando origem a uma superestrutura cada vez mais controladora e
monopolizada pelas classes dominantes. A crescente divisão do trabalho não só permitiu o
aumento da produção e do desenvolvimento das forças produtivas das diferentes sociedades em
épocas distintas, do capitalismo em especial, como também, paradoxalmente, devido a divisão
da sociedade em classes, formou paralelamente à um grande número de trabalhadores
produtivos uma classe liberta do trabalho diretamente produtivo. A divisão da sociedade em
classes sociais deu origem, também, a divisão entre trabalho manual e intelectual, onde à uma
classe se destina os trabalhos braçais ou manuais e à algumas outras os trabalhos intelectuais e
considerados “nobres” ou “espirituais”. É pois, afinal, a divisão entre trabalho manual e
intelectual, entre trabalho e saber, o principal responsável pelo processo de alienação e
fetichização da educação, da arte, do ensino, da ciência, do saber. Este “fetichismo do saber”, ou
seja, esta “vida autônoma” do trabalho intelectual, separada e alienada do trabalho manual,
apenas garante a manutenção da desigual divisão do trabalho e do tempo livre e, portanto, da
sociedade em classes sociais, entre exploradores e explorados, opressores e oprimidos.

Palavras-chave: Trabalho. Saber. Fetichismo.

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A EMPATIA COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Wadlia Araújo Tavares

Na observância do fato de que não existe aprendizagem efetiva sem um indivíduo que se sinta
capaz para tal ação - a baixa autoestima dos alunos e ambiente hostil que se instala - são
questões que influenciam nos resultados diretos da aprendizagem como aprovação e notas em
provas internas e externas. Partindo da necessidade de mudança do cenário posto, nasce o
Núcleo de Empatia Prática. Segundo o Dicionário online Priberam, empatia é uma forma de
identificação. Entendemos que a ausência de identificação com o outro é fonte de todo conflito.
Com base nesta constatação, o NEP (Núcleo de Empatia Prática) surge com a grande missão de
sensibilizar pessoas - dentro e, consequentemente, fora do âmbito escolar - da importância da
prática constante da empatia em todos os aspectos da vida do indivíduo. Como desdobramento
deste objetivo geral, cremos que seja possível também: 1) demonstrar uma nova possibilidade
de vivenciar e relacionar com o entorno; moldar condutas que influenciarão positivamente o
ambiente escolar e estimulando novas práticas na relação indivíduo-comunidade. A
sensibilização, para alcance dos objetivos propostos, dar-se-á por meio de reuniões de leitura e
discussão; elaboração de materiais que propaguem a ideia da empatia; atividades que fomentem
atitudes positivas no espaço escolar. Confiamos em ações simples que promovam a
aproximação das pessoas de maneira sadia e pacífica. Acreditamos que tais ações alcancem seus
objetivos a médio e longo prazo. As reuniões começaram em junho de 2017. Inicialmente em
edição mensal mas atualmente conta com encontros semanais (em cada mês, um dia da semana
e horário diferentes). As reuniões têm duração de 1 (uma) hora e acontecem na EEM Professor
José Maria Campos de Oliveira, na Biblioteca. Por meio de ações diárias como “Correio
Elegante” (entrega de recadinhos do coração); ações semanais como “Inspire-se” (bate-papo
entre de ex-alunos - atualmente universitários - e alunos do turno da noite); ações mensais
conforme “Desafios, Direitos e Deveres” (palestras educativas sobre temas atuais por exemplo
homofobia, doença celíaca, doação de órgãos etc.), incitamos a empatia não só como conceito
mas também como práxis. Cremos que o envolvimento dos funcionários, professores, pais e
alunos é essencial.

Palavras-chave: Empatia. Prática. Transformação.

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A FORMAÇÃO DOCENTE EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS: ENTRE O “APRENDER A


APRENDER” E A PROPOSTA DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA

Anderson dos Anjos Pereira Pena

Este artigo tem a finalidade de problematizar a formação pedagógica dos estudantes da


licenciatura em Ciências Biológicas do Instituto Federal de Goiás-IFG, Câmpus Formosa. Como
docente deste curso tenho me dedicado a investigar os métodos pedagógicos adstritos à
formação destes discentes. Tenho percebido nas aulas, projetos que participo e nas reuniões com
outros docentes que a formação dos estudantes tem sido demarcada pela presença das
pedagogias dominantes aglutinadas em torno do lema “aprender a aprender”. Outrossim, o
(re)conhecimento da proposta pedagógica da pedagogia histórico-crítica –
inspirada/fundamentada no materialismo histórico dialético, na psicologia marxista de Vigotski
e nos estudos desenvolvidos por Gramsci – tem promovido uma reflexão e uma mudança de
postura radical de parte dos estudantes. Destaco que o acesso às categorias que tomam por base
o método e a teoria da filosofia da práxis, desenvolvida por Marx, tem propiciado a muitos dos
discentes conduzir junto comigo o projeto de pesquisa que investiga a fundo a realidade
totalizante que envolve a formação e a prática docente nesta área do conhecimento. Trata-se do
projeto intitulado: “Os professores de Ciências Biológicas e Naturais de Formosa-GO:
informações e dados relevantes para construção de propostas formativas”. Este projeto foi
aprovado e cadastrado junto a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação do Instituto Federal de
Goiás – IFG. Em suma, tentarei aqui evidenciar que a aproximação com as concepções
neoliberais e pós-modernas que se aglutinam, na contemporaneidade, em torno no lema
“aprender a aprender” tendem a promover o esvaziamento teórico da formação docente e a
precarizar a educação escolar que é ofertada à classe trabalhadora. A crítica será acompanhada
de alguns elementos que contribuem para se pensar em uma proposta de formação e de práxis
que estejam verdadeiramente articuladas com os reais interesses dos dominados e não dos
dominadores.

Palavras-chave: Aprender a aprender. Formação de professores. Pedagogia histórico-crítica.

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A FORMAÇÃO INTEGRAL EM MARX E BAKUNIN: UM ESTUDO SOBRE AS


PERSPECTIVAS EDUCACIONAIS DAS TENDÊNCIAS SOCIALISTAS

Rebeca Souza Pita


Máspoli Igor Fontenele de Carvalho
Justino de Sousa Junior

Na história do movimento dos trabalhadores tivemos grandes embates entre as suas duas
principais tendências, sendo estas o comunismo e o anarquismo. As figuras de grande referência
das duas correntes trabalhadas aqui são, respectivamente, Karl Marx e Mikhail Bakunin. A
educação não fugiu das debates político-econômicos, visto que ambas tendências acreditam no
seu potencial revolucionário e, a partir disso, surge a discussão em torno da formação integral
dos trabalhadores, perspectiva que propõe a formação intelectual, física e moral como meio de
emancipação. Tanto os anarquistas, como comunistas, compartilham dessa perspectiva, por
terem o trabalho como fundamento da sociedade humana e defendem sua libertação frente à
exploração pelo capital. Por isso, objetivo deste trabalho é analisar as concepções e propostas
de educação em Marx e Bakunin, comparando-os e apontando suas divergências e
aproximações, levando em consideração o contexto histórico das teses dos autores. A
importância desse estudo bibliográfico deixa claro perspectivas de luta político-educacional em
que a instrução dos indivíduos deva se fundamentar na unificação entre trabalho manual e
intelectual, diferindo da atual dualidade educacional capitalista que fragmenta o conhecimento
teórico e prático, gerando o seu caráter alienado. Dessa forma, a formação integral serve como
meio de emancipação dos trabalhadores, pois os preparam para o processo revolucionário. Para
tanto, as obras de MARX; ENGELS (1983), MARX (2015), ABRUNHOSA (2015; 2013) e
BAKUNIN (2003) basearão nosso estudo que imbrica contribuições fundamentais para o
resgate do caráter revolucionário da educação socialista.

Palavras-chave: Formação Integral. Karl Marx. Mikhail Bakunin. Educação Socialista.

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CONSELHOS MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO: UM ENSAIO ACERCA DA ÉGIDE


MARXISTA

Mara Rubia Aparecida da Silva

Temos como objetivo nesta pesquisa investigar os Conselhos Municipais de Educação no seu
viés da luta de classes, sendo assim, pressupomos que os CMEs são Órgãos colegiados que
podem e devem participar dos processos decisórios sobre a educação municipal,
desempenhando de atividades de caráter normativa, consultiva, propositiva, e de controle,
promovendo a participação social e a democracia na gestão e acompanhamento das políticas
educacionais locais. É nos aparelhos ideológicos de poder que se dá a construção e
sistematização dos Conselhos, pois é a partir da estruturação das políticas públicas presentes,
moldando e dando forma a realidade presente dentro de uma configuração de poder construído a
partir de diversas ideologias presentes na sociedade em questão. Sendo assim, o CME pode
configurar-se em uma perspectiva social, onde as políticas públicas evidenciam a prática de
ações, incluindo a melhoria da Educação socialmente referenciada, levando para a escola a
prática da democracia através dos Conselhos escolares e na construção do Projeto Político
Pedagógico com a participação da sociedade. Para Marx (1983), os movimentos sociais se dão
nas lutas de classe, sendo assim, o Conselho é um Órgão criado para a luta de direitos, da
educação, do trabalho do educador e melhorias econômicas e estruturas físicas da realidade
escolar. A metodologia utilizada configura-se em uma pesquisa qualitativa através do
Materialismo Histórico Dialético. É por meio deste ideário marxista que observamos a
estruturação do real, da história concreta de fatos políticos, culturais e educacionais e de
movimentos sociais que impulsionam a revolução da sociedade para sua participação social
dentro de uma dialética, uma relação de transformação e contradição. No entanto podemos dizer
que são estes órgãos que podem modificar a estrutura da sociedade através de uma prática
educativa mobilizadora. A democratização da educação brasileira ainda está se estabelecendo
como um saber fixo com a população que atua no processo educativo, as mudanças são de suma
importância, a força do estado e do governo sobre o processo educativo amplifica o
questionamento dos Conselhos Municipais de Educação e o discurso da gestão democrática, é
preciso que esse discurso alie-se a prática, no sentido de que a educação é um direito de todos,
sendo assim, esse questionamento vem de encontro com os CMEs, um espaço importante para
refletir diversas ações.
Palavras-chave: Conselhos Municipais de Educação. Gestão educacional. Crítica marxista.

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CULTURA DE PAZ E FORMAÇÃO HUMANA: REFLEXÕES SOBRE O


DESENVOLVIMENTO DA RACIONALIDADE NA ORDEM NEOLIBERAL

Maria Artemis Ribeiro Martins

O presente artigo tem como objetivo analisar a cultura de paz e o seu projeto de educação e de
formação humana no contexto da ordem social neoliberal. Embora não haja no interior da obra
de Marx e Engels um lugar de centralidade acerca do tema (ou mesmo sobre a temática da
violência), a dimensão, a complexidade e a atualidade da questão ficam evidentes diante do
mais curto giro em observação à história da humanidade e da atual conjuntura, em que
assistimos a ascensão de discursos de ódio, da evocação às ideologias neofascistas e
neonazistas, do cerceamento das liberdades democráticas e da retirada de direitos sociais.
Assim, essa discussão se torna um fértil e pertinente debate não apenas no interior da teoria
marxista, mas para compreendermos e intervirmos na realidade de nossos dias. Como
pressuposto e continuidade da implantação e perpetuação do projeto societário do capital, a
violência aparece sob a expressão do embrutecimento, da constituição estranhada dos seres
humanos e por meio da lógica da competição, do aniquilamento, do extermínio do outro e dos
elementos da natureza. A cultura de paz e seu projeto educacional e formativo aparecem, nesse
cenário, como uma ideologia que visa o apaziguamento e amortização das mazelas e distorções
causadas pelo capital, bem como dos conflitos internacionais e locais que impeçam o
desenvolvimento harmônico dos interesses burgueses e que ponham em risco a segurança do
sistema de nações. Para essa elaboração, partiremos dos vestígios históricos e teóricos
fornecidos por Marx e Engels, em suas críticas à sociabilidade capitalista e aos seus
contemporâneos neo-hegelianos, além de autores que tratam da cultura de paz, como Xesús
Jares e Miriam Abromovay. A presente análise, de caráter bibliográfico e documental, tem o
materialismo histórico-dialético como aporte teórico-metodológico e pretende contribuir para o
debate crítico contrapondo os fundamentos da cultura de paz, bem como estabelecer outra
perspectiva além da que tem se configurado por ela, que coloca a não-violência como tática de
consolidação da paz mundial.

Palavras-chave: Neoliberalismo. Cultura de Paz. Formação Humana.

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EDUCAÇÃO DO CORPO ENQUANTO FORMAÇÃO HUMANA À LUZ DA


PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL

Fernanda Aparecida da Silva


Vilson Aparecido da Mata

A presente pesquisa é parte do Projeto de Iniciação Científica desenvolvido na UFPR-Litoral e


tem como objetivo a análise da educação do corpo enquanto formação humana sob a ótica da
Psicologia Histórico-Cultural. O método de pesquisa utilizado é a pesquisa bibliografia
sistematizada, sendo que a base desse estudo é o Materialismo Histórico-Dialético, método de
embasamento teórico de Vigotski e de seus colaboradores, pois entendemos que é o caminho
que nos possibilita apreender a essência e não apenas a aparência do fenômeno do tratamento
dado ao corpo pela Educação Física escolar. Para Vigotski, o método de pesquisa era o mais
importante. Este estudo se faz necessário, especialmente por haver deturpações na apropriação
dos conceitos centrais da teoria de Vigotski pela área da Educação Física escolar (SERON et al,
2011). Assim sendo, procuramos analisar os fundamentos da Psicologia Histórico-Cultural e os
pesquisadores mais expressivos da área. Feito isso, aproximamos os conceitos fundamentais da
teoria postulada por Vigotski à Educação Física escolar a fim de evidenciar as contribuições de
uma à outra. Isso porque a Educação Física tem como objeto de estudo a cultura corporal de
movimento (COLETIVO DE AUTORES, 1992) e Vigotski postula que o desenvolvimento das
funções psíquicas superiores tem seu inicio na infância através de instrumentos e signos de sua
cultura. A expressão corporal e, mais especificamente, a brincadeira, para a Psicologia
Histórico-Cultural são fulcrais na relação de apropriação dos significados da realidade e para a
formação de conceitos e sentidos.

Palavras-chave: Psicologia Histórico-Cultural. Marxismo. Educação Física escolar.

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EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA EM ZIZEK

Débora Klippel Fofano

A educação e o ambiente escolar participam da violência que existe simbolicamente e


sistematicamente, assim como a violência subjetiva que já opera na vida cotidiana de estudantes
e profissionais da educação em geral e se reproduz em suas ações. Nesse contexto, os processos
de aprendizagem ficam seriamente determinados e comprometidos por essas violências que
chegam a sufocar sua realização. Colocando essa questão em uma espécie de equação
conceitual, observamos que se relacionarmos todos os elementos envolvidos, estudantes, mais
profissionais da educação, multiplicados pelos diversos tipos de violências que incidem sobre
todos eles, derivamos uma hipótese preocupante: na escola a violência não é só reproduzida
como é a própria doutrina ensinada. Para dar base a essa problematização recorremos ao
filosofo esloveno Žižek que em sua obra intitulada Violência (2007). Polêmico e atual o filosofo
recorre a muitos outros teóricos para dar cabo a suas explicações, autores esses que também
estão envolvidos em nosso trabalho, tais como Walter Benjamim, Pierre Bourdieu, Giorgio
Agamben, e tantos outros a quem Žižek se refere. Além de Violência, que aparece como texto
central, outras obras de embasamento teórico se fazem necessárias para compreender conceitos
chaves em Žižek, obras de profundidade filosófica relevantes, como o próprio autor afirma, são
elas: A visão em Paralaxe (2008) e Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo
dialético (2013). De acordo com os conceitos žižekianos, sua perspectiva psicanalítica ampla,
sua filosofia de base política marxista e seus conceitos chaves, o trabalho se desenvolve no
sentido de entender como a estrutura intrínseca da educação elabora seus significantes mestres
que vão dos mais macros ao micro como reprodutores e sistematizadores da própria violência.
Do MEC (Ministério da Educação), passando pela LDB (Lei de Diretrizes e Base), Ensino
Infantil, Fundamental, Médio, Superior, Pós-Graduação, Diretrizes Curriculares, adentrando as
Secretarias de Educação (em especial a do Ceará) passando as Coordenações Regionais, até
chegar a Diretoria, Coordenação escolar, e seus desdobramentos dentro da instituição de ensino,
na relação Direção- Professor, Professor-Professor, Profissionais da educação, Professor -
Aluno e Aluno - Aluno. Como essas estruturas, relações, participam, reproduzem e cooperam
para a os diversos tipos de violência? Como as violências se colocam e a partir daí constroem
propriamente o dia-a-dia educativo, fazendo com que os intentos do ensino-aprendizagem
passem por formulações de ordem violenta, que colocam em segundo plano de acuidade os
conteúdos de aprendizagem? A estrutura da educação começa a se construir de forma violenta já
no seio de sua própria significância, quando é pensada como algo obrigatório, engessado e
estanque. Ela é colocada dentro de um modelo verticalizado, ordens partem do MEC para
Secretarias Estudais, que se empenham em reproduzir diretrizes de ensino, todas baseadas em
estruturas mecânicas, despersonificadas. Nessas circunstancias entendemos que duas
perspectivas distintas se apresentam, e se complementam, a educação reproduz violência, e a
educação induz violência.

Palavras-chave: Filosofia. Educação. Violência. Marxismo.

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EM TORNO DO TEMPO LIVRE: A RELATIVA AUTONOMIA COMO MEDIAÇÃO A


UMA EMANCIPAÇÃO SOCIALMENTE HUMANA

Cláudio Anselmo de Souza Mendonça

O atual aprofundamento da ontológica relação orgânica entre o capital e o estado tem como base
material a intensificação do trabalho, a ampliação da precarização e um definhamento imediato
e mais grotesco das condições básicas dos trabalhadores e das trabalhadoras. O tempo desses
sujeitos sociais que trabalham se torna mais expropriado, mesmo quando este trabalhador se
encontra em ambiente fora do local de trabalho. As implicações das relações laborais
acompanham estes sujeitos, mesmo quando se encontram fora da empresa ou fábrica, o que
torna cada vez mais desafiante debater qual o papel que cumpre a luta pela expropriação do
tempo livre pelos produtores de riqueza. Desde o tempo de Marx que a luta pela redução da
jornada de trabalho estava sustentada numa premissa central, isto é, mais tempo fora da fábrica
possibilitava mais tempo de lazer, entretanto, também, mais tempo dos operários na realização
das suas demandas sociais e coletivas. Qualquer luta em torno da emancipação social deve
considerar essencialmente a luta pela expropriação do tempo livre por parte do proletariado,
pois possibilita uma relação de autonomia relativa, abrindo perspectivas no seio da luta de
classe. Logicamente, sabe-se, que os tempos atuais de ampliação do fetichismo temporal e
espacialmente, que o tempo livre tem sido ocupado com mais capitalismo¸ confirmando o
caráter expansivo do capital. A tarefa radical assim deve se contrapor a este processo,
apropriando-se das mais diversas escalas de luta, e sem dúvida, a luta em torno do tempo livre
se forja como uma mediação concreta e necessária. A perspectiva filosófica de outra
sociabilidade, rompida com a exploração, opressão, dominação e humilhação, não pode e não
deve desconsiderar esta urgentíssima demanda social.

Palavras-chave: Trabalho. Tempo livre. Emancipação social.

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ENSINO DO ESTADO E EDUCAÇÃO DO CAMPO: UMA ANÁLISE NA


PERSPECTIVA DO TRABALHO COMO DIMENSÃO VINCULADA A FORMAÇÃO
HUMANA

Rosalho da Costa Silva


Francisco Ernande Arcanjo Silva

A Pesquisa emergiu quando foram observadas dificuldades na Escola de um assentamento rural


acerca do ensino do Estado em relação a proposta de Educação do Campo na perspectiva do
trabalho. Existem poucas pesquisas acadêmicas que vinculem Ensino do Estado, Educação do
Campo e trabalho de modo que possa contribuir com os próprios educadores Pergunta-se a
Educação do Estado, desenvolvida atualmente na Escola de Ensino Infantil e Fundamental
Francisco Alves de Paiva, tem contribuído com a Educação do Campo como proposta de
formação humana vinculada ao trabalho. O Estudo objetiva analisar o ensino convencional na
Escola citada em relação ao saber do campo na perspectiva do trabalho. A metodologia é de
abordagem qualitativa e, para a coleta de dados, utiliza-se de entrevistas não estruturadas e
observação participante. Para a análise dos dados, a opção é o método histórico-dialético. O
texto divide-se em três seções: A primeira coloca a relação trabalho-educação numa ótica
marxista; a segunda aponta as diferenças entre ensino do Estado e educação do campo
relacionadas ao trabalho. A terceira analisa se o ensino do Estado contribui com a Educação do
campo como uma proposta de formação humana ligada ao trabalho. O percurso da Pesquisa leva
a considerar que a proposta de ensino hegemônico do Estado é desvinculada da noção de
trabalho, logo sua implementação na Escola pesquisada se distancia da proposta da Educação do
campo acerca do trabalho como parte constitutiva da formação humana.

Palavras-chave: Estado. Educação. Trabalho. Campo

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FORMAÇÃO CULTURAL E SUBJETIVIDADE NO PENSAMENTO DE ADORNO

Ermínio de Sousa Nascimento


Eduardo Ferreira Chagas

O nosso objetivo neste artigo é de explicitar que com o advento do modo de produção
capitalista, associado à racionalidade técnico-científica, a cultura se converteu em semicultura e
a formação em semiformação. Com isso, a cultura se constitui como algo sagrado,
objetivamente determinado, que subjuga a subjetividade humana aos interesses do grupo
dominante da sociedade burguesa (Cf. Adorno, 1996), transformando os indivíduos em peça de
engrenagem social para exercer funções pensadas pelo sistema produtivo, alheio as possíveis
implicações na vida da humanidade. Neste aspecto, a técnica passa a ocupar um lugar decisivo
na vida das pessoas, que, por um lado, pode contribuir de forma relevante para a vida em geral,
mas por outro lado, o que prevaleceu na sociedade capitalista, o que é considerado como
racionalidade boa, converte-se em irracionalidade, na medida em que a técnica passa a ser vista
como tendo um fim em si mesmo, deixando de ser uma extensão do braço do homem que
realiza ações que contribuem para a autoconservação da espécie humana, para ser fetichisada na
noção de vida digna, porém desconectada da consciência das pessoas no seio da sociedade. Este
é o império do homem tecnológico, afinado com a técnica, que se instrumentaliza pela razão
para conservar o sistema capitalista, em detrimento de sua autoconservação e da humanidade
(Cf. Adorno, 1995). Tudo que ele faz se converte em mercadorias. A sua formação é para fazer
coisas. O homem se constitui como coisa, faz a si mesmo como mercadoria. A formação
cultural que se fundamenta na concepção de uma humanidade sem exploração e injustiça social,
migra para um modelo educacional – semiformação – que se põe a serviço daquela sociedade,
padronizando o comportamento humano a partir de interesses do grupo dominante, tendo a
economia como o critério principal a ser atendido. Se assim o for, no modelo de produção
capitalista, há uma incompatibilidade entre educação e a formação autônoma do sujeito. Esse é
formado para conservar o sistema capitalista, que pressupõe a exploração do homem pelo outro
e a desigualdade social. Por essa razão, investigamos, nesta pesquisa, a hipótese de que a
autonomia do sujeito e a emancipação humana não se efetivam por reformas educacionais, mas
por um modelo de racionalidade que se confunde com a própria educação. A sua principal
preocupação é com a formação cultural dos indivíduos em sua totalidade e não apenas com a
instrução formal propiciada pelas instituições de ensino – escolas.

Palavras-chave: Formação cultural. Subjetividade. Semiformação.

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FORMAÇÃO DO EDUCADOR A PARTIR DE SAVIANI E KOSIK

Gessica Paulino
Vilson Aparecido da Mata

O trabalho aqui apresentado é parte de um projeto de pesquisa que trata das Contribuições da
Pedagogia Histórico Crítica e da Psicologia Histórico-Cultural para a Educação Física Escolar.
Aqui se apresenta parte da pesquisa de Iniciação Científica cujo objetivo é analisar as relações
entre a Pedagogia Histórico Crítica partindo de Demerval Saviani e o texto sobre a dialética
materialista de Karel Kosik. Nosso objeto de estudo é a formação do educador com base no
Materialismo Histórico Dialético. Diante de uma realidade desafiadora e em constante mudança,
é preciso que o educador se aproprie do seu objeto de trabalho e estudo. De acordo com Saviani
(1996), na formação do educador é necessário se compreender essência e fenômeno, para buscar
respostas e soluções. O senso comum norteia com facilidade problemas como semelhantes à
questão, e mesmo não sendo necessariamente errôneo é vacante no sentido científico. As
argumentações sobre o senso comum que aparecem em Saviani, são também abordadas por
Kosik em Dialética do Concreto (2010). Estas questões abordadas pelos autores constituem o
núcleo do trabalho aqui apresentado. Na análise feita desses autores, percebe-se que o senso
comum deve ser superado em busca de uma consciência filosófica, permitindo entender mais
profundamente a realidade. Desta forma, procura-se aqui estabelecer relações com a formação
do educador.

Palavras-chave: Dialética. Formação Humana. Filosofia. Educação.

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FORMAÇÃO HUMANA E EDUCAÇÃO DO CORPO NA EDUCAÇÃO FÍSICA


ESCOLAR A PARTIR DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL

Flávia do Rosário Siqueira


Vilson Aparecido da Mata

O presente trabalho é parte de uma pesquisa maior, cujo título é “Contribuições da Psicologia
Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico Crítica para a Educação Física Escolar”. Como
Iniciação Científica, esta pesquisa, que está em sua fase inicial, pretende analisar as principais
obras e autores da Psicologia Histórico-Cultural que tratam do desenvolvimento e da
aprendizagem infantil, identificando contribuições para a Educação Física escolar. Para essa
abordagem, a aprendizagem e o desenvolvimento infantis só se realizam a partir da apropriação
da cultura, isto é, das relações sociais historicamente produzidas pelas gerações mais velhas. É
assim que se pretende, aqui, desvendar as contribuições da Psicologia Histórico-Cultural para a
Educação Física escolar em relação ao processo de desenvolvimento infantil e o processo de
aprendizagem a partir da educação do corpo. Assim, entendendo que a formação humana não se
restringe somente à educação formal, mas reconhecendo que sem ela não é possível o
desenvolvimento integral do indivíduo, procuramos também examinar de que forma o professor
tem uma interferência importante no desenvolvimento do indivíduo e como isso pode contribuir
para a Educação Física escolar. Esta é uma pesquisa bibliográfica, que, conforme Marconi e
Lakatos (2011), refere-e à análise e à reflexão sobre o conjunto de contribuições já publicadas
por outros estudiosos. Ainda segundo as autoras, a finalidade deste tipo de pesquisa é servir de
base para o pesquisador, pois oferece suporte teórico para que novas proposições sejam
encaminhadas.

Palavras-chave: Psicologia Histórico-Cultural. Formação Humana. Educação Física escolar.


Corpo.

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FORMAÇÃO HUMANA E EDUCAÇÃO FÍSICA: A QUESTÃO DA DIDÁTICA NA


ABORDAGEM CRÍTICO-SUPERADORA

Ana Luiza Borges de Macedo


Vilson Aparecido da Mata

Esta pesquisa é parte do Projeto cujo título é: Contribuição da Pedagogia Histórico Crítica e da
Psicologia Histórico-Cultural para a Educação Física Escolar e representa parte do estudo
realizado na Iniciação Científica, o objetivo é a análise das relações existentes entre a Pedagogia
Histórico Crítica e a abordagem Crítico-Superadora em Educação Física. A Pedagogia Histórico
Crítica, pensa a educação e a formação humana como parte da totalidade social de nossa época.
A abordagem Crítico-Superadora em Educação Física teve sua primeira exposição no livro
Metodologia do Ensino da Educação Física (1992), tornando-se uma referência para
pesquisadores e professores da área da Educação Física. A falta de uma proposta didática para a
abordagem Crítico-Superadora em Educação Física é uma crítica recorrente, a proposição de
uma didática é a pretensão desta pesquisa, procura contribuir para a abordagem Crítico-
Superadora em Educação Física. Esta pesquisa é encaminhada como um estudo bibliográfico,
que, conforme Marconi e Lakatos (2011) refere-se à análise e à reflexão sobre o conjunto de
contribuições já publicadas por outros estudiosos. Ao nosso entendimento, o desenvolvimento
de uma proposta didática para a abordagem Crítico-Superadora passa, necessariamente, pelo
entendimento do método dialético.

Palavras-chave: Educação. Educação Física. Didática. Formação Humana.

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FORMAÇÃO HUMANA, PEDAGOGIA HISTÓRICO CRÍTICA E EDUCAÇÃO


FÍSICA INFANTIL: RELAÇÕES POSSÍVEIS PARA A FORMAÇÃO HUMANA

Letícia Fiorese
Vilson Aparecido da Mata

O trabalho aqui apresentado é parte do Projeto de pesquisa “Contribuições da Psicologia


Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico Crítica para a Educação Física Escolar”. Neste
trabalho, que representa parte do estudo realizado na Iniciação Científica, buscou-se analisar as
relações existentes entre a Pedagogia Histórico Crítica e as abordagens em Educação Física
escolar. O objetivo principal é compreender a contribuição da Educação Física para o
desenvolvimento infantil em seus aspectos motores, sociais, afetivos e cognitivos, não somente
a partir daquilo que vem sendo apresentado pelas diferentes abordagens, mas também a partir de
uma perspectiva crítica da Educação. A pesquisa é um estudo bibliográfico, que, conforme
Marconi e Lakatos (2011), refere-se à análise e à reflexão sobre o conjunto de contribuições já
publicadas por outros estudiosos. O estudo se iniciou com a leitura de Vigotski, principal autor
da Psicologia Histórico-Cultural e que tem preponderante influência na Pedagogia Histórico
Crítica bem como em algumas abordagens em Educação Física escolar. A obra primeiramente
trabalhada foi “Pensamento e Linguagem” (2001), lançando o olhar particularmente à formação
dos conceitos, uma vez que esse é um distintivo na infância e que, a nosso ver, tem sido pouco
explorado na Educação Física escolar. Ao procurar entender como os aspectos motores, sociais,
afetivos e cognitivos se desenvolvem na infância a partir de uma leitura crítica, entendemos ser
possível propor uma prática em Educação Física escolar mais comprometida com o
desenvolvimento global da criança.

Palavras-chave: Educação. Educação Física. Pedagogia Histórico Crítica. Formação Humana.

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O COMPLEXO SOCIAL DA EDUCAÇÃO UM ESTUDO INTRODUTÓRIO À LUZ


DA ONTOLOGIA ONTO-MARXIANA

Aline Laureano Machado


Mikaely Moniky Soares Bezerra

O intuito de promover a educação na comunidade primitiva, até então tinha a intenção de inserir
os homens na comunidade social. No entanto, com a dissolução da comunidade primitiva,
surgem as divisões de classes com sua estrutura e superestrura e, a partir daí a educação passa a
ser dual, tornando-se dividida, também, entre classes, isto é, uma educação para classe
dominante e outra para a classe dominada. No especifico trabalho, tivemos como objetivo
analisar a função da educação no processo de socialização e reprodução no mundo dos homens
na perspectiva onto-marxiana e, também a finalidade da educação no modo de produção
capitalista. Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizou-se de uma metodologia bibliográfica
dos seguintes autores: Tonet (2012), Lima (2009), os quais desenvolveram reflexões acerca do
complexo da educação na abordagem ontológica e, Freres (2008), Mendes Segundo (2008),
Rabelo (2008), Frigoto (2003), Rocha (2007), estes últimos destacaram sobre a função da
educação no capitalismo como ferramenta de manipulação e dominação dos indivíduos na
sociedade capitalista. O resultado obtido foi que a educação nas sociedades de classes, não
perdeu a sua função, a de inserir os homens na sociedade. O modo social da educação cumpre
seu papel, no entanto, de modo intencionalmente dual e diferencial, existindo dois tipos de
educação, para dois públicos distintos, uma educação integral (completa e enriquecida de
oportunidades) para os filhos das classes dominantes e, outra para classe explorada, ofertando o
mínimo de conhecimento necessário para sua sobrevivência. Conclui-se que, o capitalismo
utiliza da educação para defender seus interesses como uma grande reforçadora de suas
ideologias, para reprodução e perpetuação do capital, fazendo com que a classe trabalhadora
fique no estado passivo, sem a possibilidade de vislumbrar uma nova forma de sociabilidade
para além do capitalismo e toda a sua barbárie. Pois, a ganância do capital negligencia vidas,
sucumbi oportunidades e retém para si e para seu lucro uma justiça unilateral.

Palavras-chave: Educação. Ontologia. Capitalismo. Exploração. Classes.

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REPRODUÇÃO SOCIAL E PARTICULARIDADE FORMAL ESCOLAR: QUESTÕES


DE PRINCÍPIO ACERCA DA DEPENDÊNCIA ONTOLÓGICA E AUTONOMIA
RELATIVA

Bruno Alysson Soares Rodrigues


Maria Cléa Ferreira Monteiro

Argumentamos, neste artigo, que o complexo social da educação, em sua particularidade formal
escolar, possui uma autonomia apenas relativa e uma dependência ontológica em relação à
categoria trabalho, não podendo, portanto modificar a realidade social de forma autônoma,
absoluta e inexorável, desrespeitando os nexos causais dos complexos sociais predominantes
que compõem as mediações que movem o metabolismo social do capital. Para esclarecer tal
posição, argumentamos que o complexo social da economia, por conter em seu interior a
categoria trabalho, goza de maior autonomia em relação aos demais complexos sociais fundados
pelo trabalho assim como os complexos do Direito e do Estado que também são possuidores de
maior autonomia relativa do que o complexo social da educação. Realizamos a pesquisa
bibliográfica na redação da ontologia do ser social escrita por Lukács, especificamente a sua
segunda parte, nos textos que versam sobre a reprodução, sobre o trabalho e sobre o complexo
social do direito para compreender a relação de dependência ontológica e autonomia relativa
que a categoria fundante imprime nos demais complexos da reprodução social. Evidenciamos,
dentro de nossos limites, algumas consequências das reverberações da inserção de novos nexos
causais reprodução social do complexo da economia, tendo por intuito esclarecer como a
educação profissional, entendida aqui como uma das particularidades formais escolares, é
expressão da reprodução da lógica de expansão do metabolismo social do capital hoje em crise
estrutural.

Palavras-chave: Crítica da Economia Política. Educação. Ontologia. Reprodução Social.

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TRABALHO E EDUCAÇÃO: UMA RELAÇÃO MEDIADA PELO SISTEMA


CAPITALISTA

Lydyane Maria Pinheiro de Lima


Sirneto Vicente da Silva

O sistema capitalista toma a escola hodierna como o principal locus de formação do indivíduo
para o mercado, exigindo que a instituição escolar adeque-se ao projeto neoliberal vigente que
transforma o trabalho em uma atividade degradada, alheia e hostil ao trabalhador, fazendo com
que esta deixe de cumprir, portanto, a sua função social de ensinar aos indivíduos os conteúdos
acumulados ao longo da história da humanidade. Nesse sentido, apoiando-se no materialismo
histórico-dialético, o presente artigo tem como objetivos argumentar o trabalho como princípio
fundante do ser social e discutir os fundamentos históricos e ontológicos da relação trabalho-
educação. Trata-se, portanto, de uma pesquisa com abordagem qualitativa, de caráter
bibliográfico, cujo referencial teórico baseia-se em Marx e Engels, Dermeval Saviani, Justino de
Sousa Júnior, Gaudêncio Frigotto e Luiz Antônio Franco, dentre outros. De acordo com as
conclusões a que esta pesquisa chegou, destacam-se as seguintes: há uma relativa subordinação
da educação aos sistemas político e econômico vigentes; o projeto econômico não compreende
o indivíduo dentro de um contexto de totalidade, buscando adequá-lo cada dia mais aos moldes
do mercado; o conhecimento é articulado numa matriz diferenciada para cada classe social, de
modo que para os trabalhadores e seus filhos o conhecimento que é ofertado pelo Estado
configura-se como mínimo; tanto o processo de ensino quanto a atividade do trabalho, no
sistema capitalista, expropriam, exploram, individualizam e alienam o homem. Assim sendo, o
complexo educativo, por encontrar-se inserido em uma totalidade, dispõe de uma autonomia
relativa, estabelecendo, portanto, uma relação de interdependência com os outros elementos da
estrutura social.

Palavras-chave: Trabalho. Educação. Capitalismo. Autonomia Relativa.

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GT
HISTÓRIA, POLÍTICA E
REVOLUÇÃO

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NOTAS CRÍTICAS À COMPREENSÃO DE LÊNIN SOBRE O ESTADO:


REVISITANDO O ESTADO E A REVOLUÇÃO

Paulo Henrique Furtado de Araujo

Com Marx, entendemos que o capital é uma relação social que instaura uma forma específica de
sociabilidade na qual a dominação social ocorre primeiramente sob uma forma abstrata, semi-
material, trata-se da dominação dos produtos do trabalho humano sobre os produtores. O capital
instaura uma forma específica de constrangimento social que domina a todos os homens,
aprisionando a humanidade numa lógica de produção pela produção e impedindo a entificação
do que há de humano no homem. Necessariamente associado a essa causalidade estruturante de
sua própria sociabilidade, a lógica do capital envolve a relação entre proletário e capitalista, a
exploração do primeiro pelo segundo, as classes sociais com seus interesses antagônicos, a
propriedade privada dos meios de produção, o Estado moderno enquanto forma política
necessária à contínua auto expansão do valor, etc. No presente artigo cotejamos o entendimento
de Lênin sobre o Estado moderno e as formas de sua superação, com essa compreensão que
temos do que seja capital em Marx. Lenin constrói um modelo teórico voltado para a ação
prática que traz em si três características que marcarão o marxismo tradicional ao longo do
século XX e início do século XXI: uma adoração do Estado (estatolatria), uma fé na política
enquanto esfera resolutiva da emancipação humana (“politicismo”) e uma fé no proletário
enquanto redentor da humanidade. Com essa crítica não estamos dizendo que a política não seja
necessária para a emancipação humana. Ela é necessária, mas não suficiente. Tampouco
estamos dizendo que o proletariado não tenha destaque no processo de superação da
sociabilidade do capital, contudo, tomando simplesmente a produção capitalista, ser proletário é
ser um indivíduo mutilado, é ter sua potencialidade humana negada diariamente. Logo, não é a
função econômica que irá credenciá-lo a operar como sujeito da revolução contra o capital. O
que pode credenciá-lo é se pôr em movimento, enquanto classe, não para se realizar enquanto
proletário, mas para negar essa sua condição. Pois trabalho proletário é a contraparte necessária
do capital e dessa maneira a revolução contra o capital é também contra o trabalho proletário. E
este seria o caso da política que nega a si mesma ao ser implementada, demonstrando o limite
intrínseco e a necessidade da política para a emancipação humana.

Palavras-chave: Lênin. O Estado e a Revolução. Política. Emancipação Humana.

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OS CATALISADORES E SUAS FORMAS DE RESISTÊNCIA E LUTA NA TEORIA


CRÍTICA DE HERBERT MARCUSE

Renê Ivo da Silva Lima

Nas décadas de 1960 e 1970, surge em vários países da sociedade capitalista movimentos de
contestação insatisfeitos com o modo de vida estabelecido, eles estavam dispostos a recusar as
relações sociais de dominação impostos pela classe opressora. Herbert Marcuse (1898-1979) viu
nesses movimentos uma alternativa capaz de iniciar a ruptura da estrutura da sociedade
existente. O artigo tem como objetivo apresentar as formas de resistência e luta dos
catalisadores na teoria crítica de Herbert Marcuse. Como referência principal utilizamos o livro
Um ensaio sobre a libertação, o primeiro capítulo da obra Contra-revolução e revolta, intitulado
de “A esquerda sob a contra-revolução” e o texto A obsolescência do marxismo? O problema
que esta pesquisa levanta é o seguinte: 1) O que são e quais são os catalisadores? 2) Quais são
as suas formas de resistência e luta? A conclusão a qual chegamos é que os catalisadores são
tendências de desintegração existentes na sociedade unidimensional que podem romper a
consciência administrada e reativar o pensamento e comportamento revolucionário da classe
trabalhadora. Para Marcuse, os movimentos de libertação nacional nos países subdesenvolvidos;
as novas estratégias dos trabalhadores na Europa; os estratos desprivilegiados da sociedade
unidimensional e a intelligentsia opositora são alguns dos tipos de catalisadores. Suas formas de
resistência e luta são, respectivamente: a luta armada, a reconstrução dos sovietes, a condição
miserável de sua própria vida e a educação crítica.

Palavras-chave: Integração. Catalisador. Tipos de catalisador. Formas de resistência e luta.

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RESGATE HISTÓRICO DO DUALISMO EDUCACIONAL NAS PRÁTICAS


EDUCATIVAS BRASILEIRAS

Iziane Silvestre Nobre

Este artigo pretende identificar o dualismo educacional existente na política educacional


brasileira, detectando o princípio da exclusão presente nas constituições que versaram acerca da
educação. Para isso, será necessário historicizar a educação brasileira, verificando a relação
trabalho-educação desde o Brasil Colônia, compreendendo que a base do dualismo educacional
é consequência da divisão entre trabalho manual e trabalho intelectual. Deste modo, veremos
que mesmo ainda no Brasil Colônia, havia uma educação formadora da elite colonial e outra
formadora da mão-de-obra escrava, se valendo da catequização para expandir o catolicismo nas
mais diversas regiões, bem como apassivar os índios. O mesmo dualismo educacional esteve
presente nas reformas seguintes, caracterizando de maneira mais clara a dualidade ao ter
educação humanística para a classe dominante e educação profissional para a classe dominada,
mantendo o mesmo formato nos períodos subsequentes. Nesse artigo, discutiremos a reforma
dos anos de 1990 e o dualismo escamoteado nas políticas de educação para todos. Dessa
maneira, partiremos de uma breve fundamentação teórica para depois adentrar, sucintamente, na
educação dos períodos: Brasil Colônia, educação no império e as décadas de 1930 e 1940, para
posteriormente contextualizarmos a educação na era da política desenvolvimentista até
chegarmos na educação nas políticas neoliberais. Nesse formato, perceberemos como a
educação brasileira permaneceu ancorada ao capitalismo internacional, alterando a forma em
algumas constituições, mas sem alterações em seu conteúdo dualista, reforçando as contradições
sociais.

Palavras-chave: Dualismo educacional. Política educacional. Reformas capitalistas.

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