Você está na página 1de 130

BELO HORIZONTE, 2013

SISTEMAS DE AQUECIMENTO
SOLAR DE PEQUENO PORTE
MANUAL DO PROJETISTA

1
CURSO DE CAPACITAÇÃO EM AQUECIMENTO SOLAR

SISTEMAS DE PEQUENO PORTE

REDE ELETROBRAS PROCEL SOLAR

MANUAL DO PROJETISTA

2
Autores e Colaboradores

Profª Elizabeth Marques Duarte Pereira

Alexandre Salomão de Andrade

Luciana Penha de Carvalho

Luiz Otávio Marques Duarte

Samira Fontes Domingos

Bolsistas de Iniciação Científica

Ana Carolina Benfica Mariano

Eliane Aparecida Leão

Filipe Silva Cota

Jaqueline Cordeiro da Silva

Leilaynne Pascoal Pedro

Priscila Alexandre Barbosa Coelho

Rodrigo Andrade

Este Manual é um produto da Rede Eletrobras Procel Solar, sendo proibida sua reprodução

total ou parcial sem prévia autorização da Eletrobras/Procel.

3
SUMÁRIO
1. Apresentação do programa de Capacitação Rede Procel Solar

2. CAPÍTULO 1 – INSTALAÇÕES DE AQUECIMENTO SOLAR DE PEQUENO PORTE


2.1. Classificação quanto ao porte e operação
2.2. Componentes do SAS de pequeno porte
2.2.1.Coletor Solar
2.2.2.Reservatório Térmico
2.2.3.Caixa d’água

3. CAPÍTULO 2 – TERMOSSIFÃO – PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO


3.1 Parâmetros para o bom funcionamento do termossifão
3.1.1.Distância topo-fundo
3.1.2.Soluções arquitetônicas
3.1.3.Reservatórios em nível ou híbridos
3.1.4.Alimentação do sistema
3.2 Seleção do melhor coletor
3.2.1. Minicoletores
3.2.2. Coletores compactos
3.2.3. Coletores horizontais e verticais
3.2.4. Coletores invertidos
3.2.5. Coletores a vácuo
3.3 Sistema anticongelamento
3.3.1. Válvula anticongelamento
3.3.2. Circuito indireto
3.3.3. Bombeamento
3.4 Seleção do melhor reservatório

4. CAPÍTULO 3 – DIMENSIONAMENTO DO SAS


4.1. Cálculo da demanda de água quente
4.1.1.Demanda diária de água quente
4.2. Perfil do consumo de água quente no setor residencial
4.2.1.Nível de conforto
4.3. Passo a passo do dimensionamento detalhado

5. CAPÍTULO 4 – INSERÇÃO DO SAS EM EDIFICAÇÕES


5.1. Inserção do SAS em Edificação: Fase do Projeto
5.1.1.Características da cobertura
5.1.2.Tubulações e pontos de consumo
5.1.3.Isolamento de tubulações, sombreamento e acessibilidade
5.2. Inserção de SAS em Edificações Existentes

6. CAPÍTULO 5 – SISTEMA HIDRÁULICO DO SAS DE PEQUENO PORTE


6.1. Distribuição hidráulica do SAS
6.2. Tipos de tubulações
6.3. Dimensionamento das tubulações
6.4. Circuito primário
6.4.1.Cálculo do diâmetro de alimentação e retorno do sistema
6.4.2.Perda de carga
6.5. Circuito secundário
6.5.1.Cálculo do diâmetros da tubulação do circuito secundário do sistema

4
6.6. Isolamento de tubulações

7. CAPÍTULO 6 – QUALIDADE DA INSTALAÇÃO DE UM SAS


7.1. Qualidade de produtos: coletor solar
7.2. Qualidade de produtos: reservatório térmico
7.3. Qualidade da instalação
7.4. Qualidade do isolamento térmico
7.5. Sistema anticongelamento
7.6. Qualidade do sistema auxiliar
7.7. Segurança do sistema
7.8. Acessibilidade e manutenção
7.9. Abastecimento e qualidade da água
6.10. Check-list

8. CAPÍTULO 7 – RECOMENDAÇÕES PARA O INSTALADOR


8.1. Primeiro passo: preparação
8.2. Segundo passo: avaliação do local de instalação
8.3. Terceiro passo: planejamento da instalação in loco
8.4. Quarto passo: instalação do SAS
8.5. Quinto passo: comissionamento do SAS
8.6. Check-list para o instalador

9. CAPÍTULO 8 – SISTEMAS DE AQUECIMENTO SOLARA PARA O PROGRAMA MINHA CASA


MINHA VIDA
9.1. SAS de Pequeno Porte: Programa Minha Casa Minha Vida
9.2. Componentes do SAS MCMV
9.3. Inserção do SAS em residências unifamiliares
9.4. Inserção do SAS em residências multifamiliares
9.5. Recomendações para o instalador e boas práticas

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

5
1. Apresentação do Programa de Capacitação – Rede Procel Solar

Ao longo dos últimos anos, uma equipe se formou com apoio da Eletrobras/Procel
para o desenvolvimento de projetos e também para a proposição de ações estruturantes à
disseminação da energia solar térmica no Brasil, notadamente para o aquecimento solar de
água.

Acredita-se que uma das mais importantes iniciativas seja exatamente essa: a
capacitação de professores para atuar como multiplicadores na formação de profissionais em
toda a cadeia produtiva do aquecimento solar.

O Programa de Capacitação REDE ELETROBRAS SOLAR surgiu após os resultados dos


trabalhos de avaliação em diversas obras realizados por um convênio entre a Eletrobras e a
PUC Minas onde se identificou que grande parte das instalações solares avaliadas em sete
cidades de estados diferentes estavam com problemas, muitas vezes causados por um projeto
ou uma instalação incorretos. Assim surgiu a ideia de criar uma rede de cursos de capacitação
que a carência de profissionais capacitados em todo o setor. Esses cursos formam profissionais
capazes de analisar, dimensionar, projetar e instalar sistemas de aquecimento solar (SAS)
tanto para piscinas e como também para fins sanitários de pequeno, médio e grande porte. Os
organogramas a seguir mostram os esquemas dos cursos da REDE. O primeiro organograma
(Figura 1.1) ilustra o curso para projetistas solares:

Figura 1.1 - Estrutura esquemática do programa de capacitação da Rede Eletrobras Procel


Solar – Projetista

O segundo cronograma (Figura 1.2) ilustra o curso de instaladores solares:

6
Avaliação Avaliação

Figura 1.2 - Estrutura esquemática do programa de capacitação da Rede Eletrobras Procel


Solar – Instalador

A Rede conta, em sua versão inicial, com seis instituições de ensino e pesquisa na área
da energia solar, abrangendo todas as cinco regiões do país. A concepção de sua estrutura é
dinâmica e aberta, podendo agregar rapidamente outras instituições com interesse no tema.
Em sua implantação, a Rede é financiada pela Eletrobras/Procel, através de Convênio
de Cooperação com o Instituto UNA de Responsabilidade Social e Cultural, mas tem como
meta a busca por sua sustentabilidade técnica e financeira em futuro próximo.

Essa iniciativa da Eletrobras/Procel está em plena sintonia com as ações previstas no


Plano Estratégico para “Disseminação de Sistemas de Aquecimento Solar no Brasil”, elaborado
pelo Grupo de Trabalho em Energia Solar Térmica, coordenado pelo Ministério de Meio
Ambiente e que conta com a participação do Ministério de Minas e Energia e da própria
Eletrobras, através da equipe técnica do PROCEL.

O curso de projetista de pequeno porte tem como público alvo engenheiros,


arquitetos, técnicos de concessionárias de energia elétrica e de cooperativas habitacionais,
professores, instrutores e técnicos em geral. Esse curso tem como pré-requisito o curso de
“Introdução ao Aquecimento Solar – Módulo Básico” e tratará de assuntos como
dimensionamento do SAS e do sistema hidráulico, inserção dos equipamentos nas edificações,
boas práticas de instalação, materiais utilizados, entre outros. Também teremos um capítulo
dedicado ao sistema de aquecimento solar adotado no Programa Minha Casa Minha Vida, que
é caracterizado como pequeno porte, mas possui alguns aspectos especiais e distintos do
sistema convencional.

Para consolidar o conhecimento do aluno estarão disponíveis, além desta apostila,


aulas teóricas com recursos multimídia, aulas práticas onde o aluno irá trabalhar com
bancadas de simulação de SAS em tamanho real, bancada de simulação de um banheiro com o
sistema hidráulico visível, maquetes eletrônicas e o software Dimensol que será usado em
muitos exercícios.

7
Capítulo 1
2 INSTALAÇÕES DE AQUECIMENTO SOLAR DE PEQUENO PORTE

Instalações de Aquecimento Solar de Pequeno Porte

Componentes de uma instalação de pequeno porte

PALAVRAS-CHAVE: Porte das instalações; operação do sistema; coletor solar; reservatório térmico; caixa
de água fria.

8
2.Instalações de Aquecimento Solar de Pequeno Porte

2.1 Classificação quanto ao porte e operação

No curso “Introdução ao Aquecimento Solar – Módulo Básico” foi visto que os sistemas de
aquecimento solar (SAS) possuem diversas aplicações e para cada uma delas existe uma
classificação diferente. A mais comum é quanto ao seu porte, que está diretamente
relacionada ao volume de água aquecido. Por isso os SAS são classificados, em geral, quanto ao
porte e operação.

De maneira geral a classificação do SAS quanto ao porte é como mostrada na Tabela 2.1, a
seguir:

Tabela 2.1 – Classificação de sistemas de aquecimento solar quanto ao porte

Classificação SAS Volume diário de armazenamento [L]

Pequeno porte V < 1500

Médio porte 1500 < V <5000

Grande porte V > 5000

Quanto à operação dos SAS há dois tipos distintos: circulação natural e circulação
forçada ou bombeada. Em regiões de clima mais frio como a América do Norte e a Europa é
necessário que o sistema opere em circulação forçada para que não haja risco de
congelamento da água no interior do coletor solar, o que provocaria danos no equipamento.
Assim, é comum nesses locais o uso de sistemas de bombeamento em todos os tipos de SAS,
inclusive nos de pequeno porte.

No entanto, países como o Brasil que possuem temperaturas amenas podem dispensar
o sistema de bombeamento em SAS de pequeno porte e adotar a circulação natural ou
termossifão como forma de operação. Para sistemas maiores, porém, esse tipo de operação se
torna ineficiente, sendo necessário operar por bombeamento. A tabela 2.2 mostra a
classificação dos sistemas quanto à operação.

9
Tabela 2.2 – Classificação de sistemas de aquecimento solares quanto à operação

Classificação SAS Tipo

Pequeno porte Termossifão

Médio porte Circulação forçada

Grande porte Circulação forçada

A circulação natural ocorre pela diminuição da densidade do fluido devido ao seu


aquecimento, também conhecido como efeito termossifão. O principio de funcionamento e as
características desse efeito serão abordadas com mais detalhes no capítulo 2.

Mais de 90% dos sistemas de aquecimento solar no Brasil são sistemas termossifão,
que oferecem ao consumidor baixo custo, eficiência e confiabilidade. Em relação à circulação
da água, vale lembrar que, dividimos os sistemas de aquecimento solar em duas categorias.
Nos sistemas bombeados, uma motobomba é responsável pela circulação da água, que sai do
reservatório térmico (RT), passa pelos coletores e volta para o reservatório. Já nos sistemas
por termossifão, essa circulação ocorre de maneira natural.

2.2 Componentes do SAS de Pequeno Porte

Podemos citar como componentes do SAS de Pequeno Porte o coletor solar, reservatório
térmico, caixa de água fria (ou caixa d’água) e as tubulações que ligam tais equipamentos, que
serão detalhados a seguir:

2.2.1 Coletor Solar

O coletor solar tem como função absorver a radiação solar cujo calor será absorvido
pela água que passa em seu interior. Existem diversos tipos de coletores solares que também
são classificados de acordo com sua configuração física. Os mais comuns são os coletores
abertos, os fechados ou planos e os de tubo a vácuo.

Os primeiros não possuem cobertura transparente, isolamento térmico e nem caixa


metálica, já que operam a baixas temperaturas. São muito utilizados para o aquecimento de
piscinas que devem ser aquecidas a temperaturas da ordem de 25°C a 27°C.

10
Os coletores planos são os mais usados no Brasil e operam em temperaturas de 60°C a
70°C. São mais complexos do que os coletores abertos e possuem a seguinte estrutura:

 Caixa metálica que abriga todos os materiais do coletor;

 Camada isolante instalada no fundo e nas laterais da caixa metálica, para


reduzir as perdas térmicas;

 Flauta ou tubos metálicos por onde a água circula;

 Aletas metálicas, que geralmente são pintadas de preto para absorver a maior
energia térmica possível, e são soldadas ou encaixadas na flauta;

 Cobertura transparente que faz o fechamento do coletor, reduz as perdas


térmicas e gera o efeito estufa no interior do equipamento;

Na Figura 2.1 é possível observar os componentes do coletor solar.

Cobertura transparente

Aleta metálica
Flauta

Isolamento

Caixa metálica

Figura 2.1: Componentes do coletor solar

A qualidade e desempenho do coletor solar estão diretamente ligados às características dos


seus componentes como espessura do isolamento térmico, metal utilizado para a produção
das aletas e tipo de vidro da cobertura. No Capítulo 2 veremos como essas características
influenciam na escolha do melhor coletor.

Finalmente, os coletores de tubo a vácuo trabalham a temperaturas de até 100°C e sua


construção difere tanto dos coletores abertos quanto dos fechados. O corpo do coletor é
composto por uma série de tubos individuais por onde a água circula. Esses tubos possuem
duas camadas de vidro: uma externa e outra interna. Na face interna, que também recebe
uma pintura especial para potencializar a absorção da irradiação solar, a água é aquecida e
circula através do efeito termossifão. Entre a face interna e externa do vidro existe o vácuo,
que servirá como isolamento minimizando as perdas térmicas do coletor. Esses tubos são
montados em uma estrutura e, muitas vezes, acoplados diretamente ao reservatório térmico.
Para mais detalhes consulte o próximo capítulo.

11
2.2.2 Reservatório térmico

Nos sistemas de aquecimento solar de água é fundamental prever seu


armazenamento, visto que ela não será consumida de modo intermitente. Assim, o
reservatório térmico se faz necessário e tem a função de armazenar e manter, por um período
de tempo razoável, a água aquecida para posterior consumo.

Esse equipamento é o responsável por alimentar os coletores solares com água fria e
armazenar a água que retorna aquecida. Para isso ele deve conter os tubos de ligação, o corpo
interno que ficará em contato com a água, o isolamento térmico, o corpo externo que
protegerá todo seu interior das intempéries e os suportes de sustentação. Além disso, o SAS
sempre possui um sistema de aquecimento auxiliar que entrará em operação quando os
coletores não aquecerem a água – em dias nublados, por exemplo – ou quando o consumo
superar o volume previsto. Para o aquecimento elétrico por acumulação uma resistência
também é inserida no corpo do reservatório e será acionada nesses casos. A Figura 2.2 ilustra
todos esses componentes.

Isolamento térmico
Tubo de ligação Corpo externo

Corpo interno

Resistência elétrica

Tubo de ligação
Suportes

Figura 2.2: Componentes do reservatório térmico

2.2.3 Caixa d’água

A caixa de água fria é responsável pela alimentação do SAS, seu uso é muito comum no
Brasil, pois o abastecimento de nossas casas geralmente é indireto. Para o SAS é possível
utilizar a própria caixa d’água da residência ou adicionar outra dedicada apenas à alimentação
do sistema. Em casos de abastecimento direto ela não é necessária, pode-se apenas instalar
uma caixa de quebra pressão com volume reduzido que irá fornecer água para o SAS. Esse
último tipo é muito usado nos sistemas do Programa Minha Casa Minha Vida.

12
Capítulo 2
3 INSTALAÇÕES DE AQUECIMENTO SOLAR DE PEQUENO PORTE

Princípios de funcionamento

Termossifão detalhado

Seleção do melhor coletor

Seleção do melhor reservatório térmico

PALAVRAS-CHAVE: Circulação natural, coletores solares, reservatórios térmicos, sistema anticongelamento.

13
3. Termossifão: princípios de funcionamento

Apesar das instalações solares de pequeno porte que operam por termossifão serem
relativamente simples, existem alguns detalhes que o projetista deve ficar atento. Se instalado
de modo apropriado, o sistema termossifão é praticamente imune a falhas de circulação. A
seguir a circulação por termossifão será detalhada.

Apesar de parecer um tanto quanto mágica a forma como o sistema naturalmente


promove a circulação da água, o princípio do termossifão é bastante simples. Tudo começa
com a mudança da densidade da água que ocorre quando há uma variação na sua
temperatura. Para temperaturas acima de 4°C, à medida que a temperatura da água aumenta
a sua densidade diminui, conforme mostra a figura 3.1.

Figura 3.1 - Variação da densidade da água em função do aumento da temperatura

Isso quer dizer que à medida que a água é aquecida, ela fica mais "leve" em relação à
água mais fria. Por isso, em um reservatório térmico, a água quente está sempre na parte mais
alta. Na verdade, a água quente está flutuando sobre a água mais fria, assim como uma boia
cheia de ar flutua sobre a água porque o ar dentro dela é menos denso do que a água.

14
Agora vamos imaginar um tubo em formato de “U” preenchido com água em
temperatura constante, como mostra a Figura 3.2:

Figura 3.2 - Tubo em “U” preenchido com água com colunas à mesma temperatura

A pressão exercida pelas colunas de água A e B, que estão paradas, sobre o ponto C é
chamada de pressão estática. A fórmula para a pressão estática manométrica1 (Equação 3.1)
diz que a pressão exercida é igual à aceleração da gravidade vezes a densidade do fluido (no
caso, água) multiplicada pela altura da coluna, ou seja:

= (Equação 3.1)

onde:

Pman: é a pressão manométrica estática [Pa]

 é a densidade do fluido [kg/m3]

g: é a aceleração da gravidade (aproximadamente 9,8 m/s2)

h: é altura da coluna [m].

Se então considerarmos as pressões exercidas pelas colunas A e B, podemos ver que


elas são iguais, pois as densidades são as mesmas e a altura h também é a mesma. Nessas
condições, as duas colunas continuam em equilíbrio e com a mesma altura.

Vamos imaginar agora que começamos a fornecer energia para a coluna A, como
ilustra a Figura 3.3.

1
A pressão manométrica é a pressão exercida pela coluna descontando-se a pressão
atmosférica. Se levarmos em conta a pressão atmosférica, temos o que chamamos de pressão
absoluta.

15
Figura 3.3 - Coluna A recebendo energia para aquecimento.

A água no interior da coluna A começará a se aquecer. Porém, como se pode notar na


Figura 3.4, se a água está mais aquecida, a sua densidade diminui. Ao observar a equação 3.1,
nota-se que ao diminuir a densidade da água, reduz-se a pressão que a coluna exerce. Isso
quer dizer que a diminuição da densidade leva a uma redução da pressão da coluna A. Como a
temperatura da coluna B não mudou, surge uma diferença de pressão. A coluna A agora
exerce menor pressão e assim é empurrada pela coluna B, até que uma nova situação de
equilíbrio seja estabelecida (Figura 3.4).

Figura 3.4 - Diferença de altura nas colunas gerada pelo aquecimento da coluna A

Se agora fecharmos esse tubo na parte superior (Figura 3.5), o efeito causará um fluxo
contínuo da água no sentido horário, para a coluna B e depois para a coluna A, onde a água é
aquecida.

16
Figura 3.5. Circulação por termossifão em um circuito fechado

O coletor solar e o reservatório que operam por circulação natural possuem o mesmo
comportamento observado na Figura 3.5, sendo que sua fonte de energia é solar.

O efeito termossifão em circuitos hidráulicos não é usado apenas por sistemas de


aquecimento solar. Existem muitas outras aplicações na engenharia térmica que utilizam essa
diferença de densidade para gerar a circulação do fluido no transporte de calor. Por exemplo,
os sistemas de resfriamento de reatores nucleares utilizam esse mesmo fenômeno para evitar
o seu superaquecimento, onde a energia nuclear é a fonte de aquecimento. Outro exemplo,
mais comum, é o uso do calor dos fogões à lenha para aquecimento de água, que passa por
uma serpentina inserida ao lado da chaminé e segue para um tanque que fica sob o telhado.

Para observar como esse efeito ocorre em um SAS a Figura 3.6 ilustra os equipamentos
e suas ligações:

17
Figura 3.6. Sistema de aquecimento solar operando em circuito por termossifão.

Todo o sistema apresentado está cheio de água, inicialmente à temperatura ambiente.


As placas serão aquecidas pela radiação solar. Como essas placas são construídas para
absorver a maior quantidade de energia, diminuindo as perdas, elas aquecem e transferem
essa energia térmica para a água dentro das placas. Essa água, em temperatura superior à
água da tubulação, tem uma tendência de subir e irá em direção ao reservatório térmico,
assim como no circuito fechado mostrado na Figura 3.5.

Em sistemas instalados em residências a água aquecida não é consumida de maneira


constante, o que leva a necessidade de armazenamento, que é a função do reservatório
térmico. Ele também é responsável por conservar a água quente por um período de tempo tal
que garante a autonomia do sistema e conforto do usuário.

A diferença de pressão criada por um sistema simples de aquecimento solar que utiliza
termossifão é muito pequena, certa de 100 vezes menor que a pressão produzida por uma
pequena motobomba. Pode-se concluir então que a força motriz do termossifão é pequena.
Pequena, mas suficiente para promover uma boa circulação em um sistema bem instalado.
Para isso, basta respeitar as limitações e desafios do termossifão.

3.1 Parâmetros importantes para o bom funcionamento do


termossifão

O termossifão é um sistema simples e tem muitas vantagens em relação ao sistema


bombeado. Uma das principais vantagens é a de não precisar inserir gastos com motobombas
e outros instrumentos que são imprescindíveis em um sistema bombeado. Além do custo

18
inicial, não há o custo para manter uma motobomba em funcionamento. Assim, para que o
sistema funcione em um dia ensolarado, não há nenhum custo agregado ao sistema que utiliza
termossifão. Dessa forma é melhor sempre optar pela circulação natural quando há condições
para que ela opere corretamente.

Vimos que a diferença de temperatura provoca o “deslocamento” da água no interior


dos equipamentos e é a forma pela qual o SAS de pequeno porte funciona na maioria dos
casos. Porém, precisamos lembrar que durante o dia o coletor solar é aquecido pela energia
solar e está mais quente que a água que passa pelo seu interior, mas durante a noite a placa se
resfria enquanto a água está aquecida no reservatório, isso provoca o chamado fluxo reverso.
Esse fluxo nada mais é que o próprio termossifão que ocorre em sentido contrário, ou seja, a
água aquecida que está no reservatório passa pelo coletor e sofre resfriamento. Assim, vemos
a necessidade de evitar esse fenômeno no período noturno e a forma mais adotada é através
da inserção dos equipamentos obedecendo algumas medidas que serão detalhadas em
seguida.

3.1.1. Distância topo fundo

A altura entre o topo dos coletores e o fundo do reservatório térmico (que


chamaremos de agora em diante apenas de distância topo/fundo) é uma medida importante a
ser considerada em um sistema onde é desejável trabalhar por termossifão. As dimensões
mínimas para evitar a ocorrência do fluxo reverso são mostradas na Figura 3.7.

19
Figura 3.7 - Dimensões em uma instalação convencional por termossifão típica (vista lateral).

Contudo, podemos ver que para acomodar os equipamentos sob o telhado


obedecendo tais medidas precisaríamos de uma cobertura de grande inclinação, ou
declividade, o que pode impactar na estética e custo da residência.

Se tomarmos como exemplo um coletor solar de 2,0 metros de comprimento, com


inclinação de 30°, sua projeção vertical será de 1,0 metro. Ao adicionar 20 centímetros da
distância topo/fundo, mais o diâmetro do reservatório térmico de 52 centímetros, mais a
distância entre o reservatório e a caixa d’água de 15 cm, mais a altura da caixa d’água de 74
centímetros, temos um telhado com altura total de 2,61 metros. Para efeito de comparação
esse valor é 21 centímetros acima do valor mínimo aceitável para o pé-direito de um
ambiente. Naturalmente sabemos que essas condições são irreais para se atingir em
construções convencionais.

Para solucionar esse problema temos alternativas que serão apresentadas a seguir:

3.1.2. Soluções arquitetônicas

Para manter o reservatório térmico e a caixa d’água internamente é possível utilizar


torres (Figura 3.8) que são soluções arquitetônicas para a “falta de altura” do telhado. Essa
opção é simples e relativamente barata, mas possui um maior impacto em termos da estética
da construção quando não prevista em projeto.

O ponto negativo dessa solução é o potencial para formação de sombra sobre os


coletores, e é por isso que a posição da torre em relação aos coletores deve ser bem avaliada
antes da sua construção.

Figura 3.8 – Exemplos de instalações com torre

3.1.3. Reservatórios em nível ou híbridos

Em uma instalação convencional, a caixa de água fria vem em um nível acima do


reservatório térmico (Figura 3.9). Essa diferença de altura garante que a caixa de água será
capaz de abastecer o reservatório térmico sempre que este for esvaziando.

20
Figura 3.9 - Caixa d’água e RT. Instalação convencional

Outra solução para reduzir a altura total do termossifão é o emprego de um


reservatório térmico em nível com a caixa d´água (Figura 3.10). Nesse caso, os dois
componentes podem ser instalados no mesmo nível, sem a necessidade de que eles estejam
próximos, lado a lado. Assim a torre pode ter sua altura reduzida e/ou há a possibilidade de
instalá-los diretamente sob o telhado.

Figura 3.10 - Caixa d’água e RT. Instalação em nível

21
O inconveniente, porém, é que existe a possibilidade de mau funcionamento em
regiões onde ocorre falta de abastecimento de água durante o dia. Quando isso ocorre, se
houver consumo de água quente, não haverá reposição, e o nível da água no RT cairá. E a
partir do momento em que o nível da água cai abaixo do ponto de retorno da água quente
proveniente dos coletores, a água pára de circular no sistema. Além disso, a instalação
hidráulica entre o RT e a caixa d’água exige alguns cuidados adicionais.

3.1.4. Alimentação do sistema

Um ponto importante para manter o sistema em bom funcionamento é a conexão


correta das tubulações, respeitando as saídas e entradas da água quente ou fria. A figura 3.11
a seguir mostra um sistema típico operando em termossifão.

Figura 3.11. Sistema de aquecimento solar operando em circuito por termossifão

A retirada de água da caixa d´água deve ser realizada por um ponto baixo, como
mostra o ponto (1). Isso para garantir que mesmo com a caixa vazia, ainda será possível
retirar água. Se a retirada fosse a um ponto muito alto, logo que a caixa diminuísse seu nível,
não seria mais possível realizar a retirada de água, e assim a caixa perderia sua função, que é a
de armazenar água fria.

A saída de água fria deve ser conectada em uma parte inferior do reservatório
térmico, como mostra o ponto (2), pois dessa forma é garantido que a água fria estará sempre
na parte inferior do reservatório. A tomada de água do reservatório para abastecer o coletor
deve ser sempre da parte inferior do reservatório, como mostra o ponto (3). Isso deve
acontecer, pois é na parte de baixo que se encontra a parte fria da água dentro do
reservatório, e é essa água fria que deve ser aquecida pelo coletor. Essa água fria deve entrar

22
no coletor sempre pela parte de baixo do mesmo, como mostra o ponto (4). Assim, o coletor
terá água mais fria na parte de baixo. Como estudado anteriormente, a água quente tem uma
densidade menor que a água fria e assim torna-se mais leve, ficando sempre acima da água
fria. À medida que a radiação solar vai incidindo na placa, a água fria da parte inferior do
coletor será aquecida e assim irá iniciar o termossifão em si, onde a água da parte de baixo do
coletor irá iniciar um movimento ascendente. Dessa forma, com o tempo, na parte de cima do
coletor haverá uma água mais quente que a da parte de baixo. Por isso a retirada de água do
coletor deverá ser feita pela parte de cima, no ponto (5). Essa água quente deverá entrar no
reservatório pela parte de cima, no ponto (6).

Portanto, dentro do reservatório térmico haverá água fria na parte de baixo e água
quente na parte de cima. Na verdade, essa água quase não se mistura, pois a diferença de
temperatura garante a separação por densidade, e assim dentro do reservatório haverá
“faixas” de água com temperaturas diferentes. Essa configuração é denominada estratificação.
Em um reservatório vertical, a estratificação é ainda mais definida que a do reservatório
horizontal, garantindo que a água fria fique bem separada da água quente, naturalmente. A
retirada da água para o uso deve ser feita pelo ponto (7), que deve ser um ponto alto no
reservatório, para garantir que seja uma água mais quente. À medida que essa água for
utilizada, mais água fria sai da caixa d´água, preenchendo o reservatório. Porém, se não há
utilização de água quente por um período, a circulação de água entre o reservatório e o
coletor mantém-se, com o objetivo de aquecer cada vez mais quantidade de água.

3.2. Seleção do melhor coletor

No mercado brasileiro, existem vários tipos de coletores que podemos utilizar. A seguir
serão detalhadas as vantagens e desvantagens de cada tipo.

3.2.1 Minicoletores

Uma alternativa para a redução da altura total do sistema, necessária para garantir o
bom funcionamento do termossifão, é diminuir o comprimento do coletor. Para isso existem
coletores menores chamados minicoletores (Figura 3.12), que conseguem reduzir até 30 cm
dessa altura total. Eles geralmente possuem cerca de 1,0 m de comprimento por 1,0 m de
largura.

23
Figura 3.12 - Instalação com minicoletores.

3.2.2 Coletores compactos

O coletor compacto ou acoplado tem uma característica de unir o reservatório à placa


coletora. Essa característica pode ser positiva pela facilidade de instalação, dispensando um
suporte para o coletor e outro para o reservatório. Porém, a aproximação do reservatório e da
placa diminui muito a altura topo/fundo, possibilitando a ocorrência do fluxo reverso durante
a noite. A Figura 3.13 a seguir mostra um tipo de coletor acoplado.

Figura 3.13 – Coletor acoplado

3.2.3 Geometria dos coletores


24
No mercado existem coletores verticais e horizontais. O coletor horizontal tem a altura
menor que o comprimento, já o coletor vertical tem sua altura maior. Contudo, em ambos, os
tubos por onde a água flui são sempre posicionados na vertical. Basicamente o parâmetro
mais importante para a escolha entre esses dois tipos é a altura disponível do telhado ou
suporte. Pois vale lembrar que a caixa d´água e o reservatório devem estar acima da parte
superior da placa. Se o coletor é do tipo vertical e tem uma altura de 2,0 m, o reservatório
deve estar elevado acima dessa altura, para favorecer o termossifão. A figura 3.14 a seguir
mostra coletores horizontal e vertical, respectivamente.

Figura 3.14 – Coletor horizontal e vertical

É muito comum encontrar em instalações o coletor invertido, que é a instalação de um


coletor vertical na horizontal, ou seja, é literalmente um coletor vertical que foi "tombado".
Esse tipo de instalação não favorece o bom funcionamento do coletor, pois seus tubos devem
sempre estar na vertical permitindo o correto fluxo da água. E há mais um detalhe: essa
solução possui os inconvenientes de aumentar a distância percorrida pela tubulação na
instalação e de reduzir a força motriz do termossifão.

Para usar o coletor vertical na horizontal seria necessário instalar um sistema de


bombeamento para forçar a passagem da água pelos tubos da placa, o que seria uma opção
mais onerosa para o consumidor. Dessa forma, não é recomendável utilizar um coletor que foi
fabricado para trabalhar verticalmente na forma horizontal. Essa solução pode comprometer
fortemente o funcionamento da instalação. As figuras 3.15 e 3.16 mostram a construção
correta e incorreta de um coletor horizontal.

25
Figura 3.15: Coletor horizontal correto. Fonte: Manual de Referência Curso de Capacitação da
CAIXA. VERT Arquitetura e Consultoria/GIZ

Figura 3.16: Coletor horizontal incorreto. Fonte: Manual de Referência Curso de Capacitação
da CAIXA. VERT Arquitetura e Consultoria/GIZ

3.2.5 Coletores a vácuo

Os coletores que possuem tubo evacuado estão cada vez mais presentes no mercado
brasileiro. Eles tem a composição diferente de um coletor padrão, mas seu princípio de
funcionamento é o mesmo. Esse coletor é composto por tubos com a seguinte estrutura
(Figura 3.17):

 Camada de vidro externa

 Vácuo

 Camada de vidro interna

 Pintura especial

26
Vidro interno Pintura especial

Vácuo

Vidro externo

Figura 3.17 – Tubo evacuado

A água circula no interior desses tubos por efeito termossifão e depois é armazenada n
reservatório, que pode ser acoplado diretamente aos tubos ou separado, sendo o primeiro o
mais comum (Figura 3.18).

Figura 3.18 – Coletor de tubo evacuado – Fonte: http://www.ecosoll.com/o-aquecedor

Esses coletores possuem eficiência superior ao coletor solar plano por possuírem o
melhor isolamento existente: o vácuo. Isso é uma ótima característica, pois utilizando um
coletor mais eficiente, é possível aumentar a temperatura da água ou diminuir a quantidade
de placas. Assim, esse tipo de tecnologia pode ser mais bem indicado para obras de pequeno
porte que necessitam de muitas placas e não possuem espaço suficiente para acomodá-las.

Em geral, esse coletor exige um investimento mais elevado do que de um sistema


comum por ser importado. Outro ponto que deve ser destacado é que o Programa Brasileiro
de Etiquetagem ainda não realiza testes nesses equipamentos e, portanto, não há garantia de
qualidade para o consumidor. Para utilizar esse coletor é recomendável verificar se ele é
testado em outros locais, como por exemplo, na Europa e avaliar sua classificação. Assim é
possível escolher um equipamento de qualidade.

27
3.3 Sistema anticongelamento

A água, que é o fluido de trabalho dos coletores solares aplicados para instalações de
pequeno porte, sofre um efeito que é denominado “dilatação anômala da água”. A maioria dos
elementos conhecidos se contrai com a diminuição da temperatura. Por exemplo, uma chapa
de metal terá dimensões maiores quando estiver a altas temperaturas e dimensões menores
quando a baixas temperaturas. Porém a água apresenta um comportamento de dilatação
incomum. Consiste no seguinte: à temperatura ambiente, a água líquida contrai seu volume à
medida que diminui a temperatura, da mesma forma que as outras substâncias. Mas quando a
água atinge uma temperatura de 4°C, logo antes de congelar, a água expande-se. Pode-se
perceber esse fenômeno facilmente, quando é colocada uma garrafa cheia de água no
congelador. Se não tiver para onde essa água expandir, a garrafa estoura. A figura 3.19 a seguir
mostra a relação entre temperatura e volume da água.

Figura 3.19 – Comportamento anômalo da água. Fonte:


http://www.klickeducacao.com.br/simulados/simulados_mostra/0,7562,POR-12062-25-787-
2003,00.html

Da mesma forma que uma garrafa com água no congelador pode estourar, um coletor
solar também pode. Em regiões onde a temperatura ambiente pode alcançar os 4°C, a água
que está dentro do coletor começará a se expandir e assim estourar os tubos dentro do
coletor. Existem algumas formas de evitar esse acontecimento, os quais serão citados a seguir.

3.3.1 Válvula anticongelamento

A válvula tem como função drenar água fria do coletor, pela parte de baixo do mesmo.
Dessa forma, há um retorno de água quente do reservatório térmico, aumentando um pouco a
temperatura da água dentro do coletor e evitando que essa água atinja os 4°C. Essa é a forma
mais utilizada para evitar o congelamento da água nos coletores. Nas figuras 3.20 e 3.21 é
possível observar dois tipos de válvulas anticongelamento, a elétrica e a mecânica, já na figura
3.22 é mostrada sua instalação no coletor solar.

28
Figura 3.20: VAC de acionamento elétrico Figura 3.21: VAC de acionamento mecânico

Figura 3.22: VAC instalada em um coletor solar

3.3.2. Circuito indireto

Uma forma muito utilizada em países do exterior é a utilização de um circuito indireto.


Isso significa que o fluido que irá circular nos coletores não será água, e sim um fluido especial,
que tenha um ponto de fusão menor que o ponto da água – por exemplo o etilenoglicol.
Assim, dentro do reservatório térmico haverá uma troca de calor entre esse fluido e a água,
que será utilizada para o consumo.

3.3.3 Bombeamento

Uma forma bastante similar ao da válvula é o sistema que utiliza uma motobomba
para retirar um pouco da água fria do coletor e permitir um retorno de água quente do

29
reservatório térmico. Isso será possível com o uso de um controlador diferencial de
temperatura (CDT) que tenha entre suas funções a proteção contra congelamento. Assim, essa
é uma solução viável para sistemas que já sejam bombeados, e que só precise inserir um CDT.

3.4 Seleção do melhor reservatório

A escolha do melhor reservatório depende de diversos parâmetros. Primeiramente do


dimensionamento. É preciso dimensionar corretamente o volume de água quente que será
consumido por dia na residência. O reservatório deve ser capaz de armazenar esse volume.
Depois em relação à arquitetura do telhado. Não adianta escolher um reservatório gigante, se
meu telhado não terá uma altura suficiente para alocá-lo. Também, faz-se necessário ter
certeza que o suporte irá suportar o peso do reservatório cheio. Caso haja problemas com a
altura do telhado e o espaço na cobertura, a utilização de reservatórios horizontais é
aconselhável. A Figura 3.23 mostra dois exemplos de reservatórios térmicos, um horizontal e
outro vertical.

Figura 3.23: Geometrias dos reservatórios: horizontal e vertical

Se necessário é possível associar diferentes reservatórios para alcançar o volume


desejado. Caso haja muito espaço livre no local da instalação, reservatórios verticais são
indicados. Os reservatórios verticais tem uma altura grande e, dependendo do volume, podem
provocar sombreamento nos coletores. Porém, a geometria desse reservatório favorece a
estratificação, deixando dentro do reservatório, a água fria bem distante da água quente. Isso
favorece o aumento da eficiência do sistema.

30
Capítulo 3
4. DIMENSIONAMENTO DO SAS

Cálculo da demanda de água quente

Cálculo da área coletora

Fração Solar

Aquecimento auxiliar

PALAVRAS-CHAVE: Dimensionamento de um Sistema de Aquecimento Solar (SAS);

31
4. Cálculo da demanda de água quente

O dimensionamento adequado de um sistema de aquecimento solar (SAS) não é uma


tarefa simples, exigindo o conhecimento prévio dos hábitos de consumo de água quente pelos
usuários finais, com base em uma análise criteriosa do tipo da construção que receberá os
coletores solares, disponibilidade de radiação solar nas condições específicas da obra, fatores
climáticos locais e desempenho térmico dos produtos, dentre outros.

Esta seção trata da avaliação da demanda de água quente e da energia requerida para
o dimensionamento básico do sistema (volume de água armazenado e quantidade de
coletores solares necessários). Tal dimensionamento é muito importante para definição do
desempenho térmico de longo prazo da instalação solar e respectiva análise econômica.

Para facilitar este estudo, detalha-se na Figura 4.1, o passo a passo do


dimensionamento de instalações de aquecimento solar.

A visita técnica, caracterizada como Passo 1 do Dimensionamento, evidencia a


necessidade de se identificar as expectativas do empreendedor ou usuário final quanto ao
nível de conforto e economia a serem atingidos com uso do sistema de aquecimento solar
através de questionários, pesquisa de hábitos, etc. Nessa oportunidade, é feita também uma
avaliação prévia dos locais disponíveis na obra para inserção dos componentes de uma
instalação solar.

Figura 4.1. Fases para o correto dimensionamento de uma instalação de aquecimento solar

4.1 Demanda diária de água quente

Para dimensionar a necessidade de água quente dos usuários, caracterizada pelo


volume diário de água quente e temperatura de operação requerida, é importante se ter
conhecimento prévio de padrões de consumo para diferentes edificações brasileiras, em
função das classes sociais e das aplicações finais para os setores residencial, industrial e de
serviços.

32
O levantamento da demanda de água quente é feito com base em informações gerais
obtidas a partir de:

 Normas de Instalações Prediais de Água Quente, como NBR128 e NBR7198;

 Pesquisa de hábitos dos usuários potenciais;

 Observação, sensibilidade e bom senso;

 Experiência.

GHISI, 2005, sugere as faixas de temperaturas de operação, mostradas na Tabela 4.1,


enquanto os volumes diários de água quente podem ser estimados com auxílio da Norma
ABNT NBR 7198:1993, cujos consumos específicos para diferentes aplicações, estão mostrados
na Tabela 4.2.

Tabela 4.1 - Temperaturas de operação indicadas para diferentes aplicações

Temperatura de operação
Edificação
Indicada[ °C]

Lavanderias 75 a 85
Cozinhas 60 a 70
Uso pessoal e banhos 35 a 50

Fonte: GHISI, 2005

Tabela 4.2 - Consumos específicos para diferentes aplicações a temperatura de 60°C

Edificação Consumo [L]


Alojamento Provisório 24 per capita
Casa Popular ou Rural 36 per capita
Residência 45 per capita
Apartamento 60 per capita
Quartel 45 per capita
Escola Internato 45 per capita
Hotel (s/ cozinha e s/ lavanderia) 36 por hóspede
Hospital 125 por leito
Restaurante e similares 12 por refeição
Lavanderia 15 por kg roupa seca
Fonte: NBR 7198:1993

33
Entretanto, uma análise simples dos valores apresentados na tabela 4.2 nos leva a
buscar explicações:
 Por que o hóspede de um hotel consumiria água quente de modo similar ao
morador de uma casa popular?

 Por que o morador de um apartamento gastaria mais água quente do que o de


uma residência?

Por causa de tais paradoxos, é que bom senso, observação crítica e conhecimento
prévio da aplicação e tipologia construtiva se tornam tão importantes no dimensionamento da
demanda diária de água quente.
Outra forma de dimensionamento pode ser desenvolvida com base na vazão e
capacidade dos equipamentos de uso final no setor residencial, além do tempo e freqüência
de sua utilização. A Tabela 4.3 apresenta valores típicos para uso residencial.

Tabela 4.3 - Vazão de água em diversos equipamentos

Vazão total por peça


Peças de Utilização
(litros/minuto)

Bidê 6,0

Chuveiro ou ducha 12,0

Chuveiro elétrico 6,0*

Lavadora de pratos ou de roupas 18,0**

Torneira da Pia da cozinha 15,0

Torneira de jardim ou lavagem em geral 12,0

Banheira 18,0

Torneira do banheiro / Lavabo 9,0

Fonte: NBR 5626 – Instalação predial de água fria

* Este número, por exemplo, é bastante controverso. No caso de casas populares onde são
instalados chuveiros de potência até 4400W, a vazão do banho é limitada pelo próprio
equipamento em 3,0 litros/minuto.

** As máquinas de lavar roupas, assim como as lava-louças consomem quantidades pré-


definidas de água para cada ciclo. Recomenda-se verificar com o fabricante do equipamento
ou manual de instruções o consumo de água a ser utilizada.

Os valores da norma, apresentados na tabela anterior, são valores médios. A vazão do


chuveiro elétrico, por exemplo, varia de acordo com o modelo e marca. Um chuveiro mais

34
simples, muito utilizado em habitações populares, possui uma vazão de 3,0 Litros por minuto.
Porém, no mercado existem duchas com um nível de conforto elevado que podem chegar a ter
uma vazão de 15,0 Litros por minuto.

Há diferenças entre os métodos de dimensionamento, assim há necessidade de uma


avaliação criteriosa no dimensionamento do volume de água quente a ser armazenado em
uma instalação de aquecimento solar. Mais uma vez é possível concluir que o
dimensionamento deve ser exclusivo, respeitando as particularidades de cada instalação e
voltando-se sempre no conceito fundamental de dimensionamento, mostrado pela Equação
4.1, a seguir:

Equação 4.1

Onde:

Vtotal-pto: volume total dimensionado por ponto

Qpto: vazão no ponto de utilização

tpto: tempo de uso do ponto

Npto: número de utilizações diárias

Além do volume de água quente consumido, é importante conhecer em que período


ocorre o consumo do volume dimensionado, isto é, o perfil de consumo da instalação. Por
exemplo, nos vestiários de uma determinada indústria, o consumo de água quente estará
intrinsecamente associado ao horário de troca de turnos dos seus funcionários. Se nessa
indústria, tem-se troca de turno às 23hs e às 7hs da manhã, toda a água usada nos banhos
deverá ser gerada no dia anterior e armazenada durante toda a noite.

No setor residencial, os horários de banho são muito variáveis, dependendo dos


hábitos pessoais e até mesmo do dia da semana.

4.2 Perfil do Consumo de Água Quente no Setor Residencial

No Brasil, tem-se, ainda, grande carência de informações sistematizadas sobre o perfil


de consumo de água quente no setor residencial. Avaliações preliminares realizadas pela
CEMIG indicam um perfil bastante concentrado de demanda de água quente nas residências
onde seu uso se restringe à aplicação de banho. De uma forma geral, afirma-se que 30% do
volume total armazenado de água quente são consumidos nas primeiras horas da manhã e os
70% restantes entre 17 e 21 horas. Em PARKER, 2004 discutem vários perfis de consumo para
o Canadá e Estados Unidos, onde é bastante comum nas residências o consumo de água
quente na cozinha e lavanderia também. Para efeito de comparação a Figura 4.2 mostra dois
perfis de consumo de água quente, um adotado pela American Society of Heating,
Refrigerating and Air-Conditioning (ASHRAE) e outro adotado pela CEMIG.

35
Figura 4.2 - Diferentes perfis diários para consumo de água quente

4.2.1 Nível de conforto

Entende-se por nível de conforto no uso da água quente a relação entre vazão, tempo
de uso e temperatura. O nível de conforto tem uma importante influência sobre o consumo
total de água quente em uma residência. As vazões típicas apresentadas por um chuveiro
elétrico ficam entre 3 e 6 litros por minuto. Duchas podem apresentar vazões muito maiores e
registra-se casos de vazões superiores aos 30 litros por minuto. Em um momento no qual se
fala em desenvolvimento sustentável a redução do consumo de água torna-se fundamental e
por isto a vazão recomendada para atingir-se um bom nível de conforto deve situar-se entre 6
e 10 litros por minuto. O tempo de banho é o outro fator que determina o nível de conforto e
está associado também ao número de banhos diários. Segundo a Pesquisa de Posse de
Eletrodomésticos e Hábitos de Uso - 2005 (PPH) identificou-se que 65,4 % dos entrevistados
declaram tomar banhos de até 10 minutos. Dessa forma, pode-se tomar como referência nos
dimensionamentos, um tempo de 6 a 10 minutos por banho. A Tabela 4.4 é outra referência
que pode ser utilizada e coloca lado a lado os pontos de utilização e o consumo diário de água
quente.

Tabela 4.4 - Consumo médio de água quente por ponto de utilização

Ponto de Utilização Consumo diário (a 40 oC)

Ducha 70 a 90 litros/pessoa

Lavatório 5 a 7 litros/pessoa

Bidê 5 a 7 litros/pessoa

Cozinha 24 litros/pessoa

36
Banheira 30 a 50% do volume da banheira

4.3 Passo a Passo do Dimensionamento Detalhado

O passo a passo a seguir auxilia o dimensionamento de uma instalação de


aquecimento solar. Para exemplificar o preenchimento das planilhas seguintes, foi escolhida
uma família, composta por 2 adultos e 2 adolescentes, residentes em um apartamento em que
o chuveiro elétrico será substituído pelo aquecedor solar. Calcule a demanda diária de água
quente, considerando-se um banho diário por morador com duração aproximada de 10
minutos.

Passo 1 – Determine o número de moradores por residência ou edificação:

 4 moradores

Passo 2 – Identifique os pontos típicos de consumo de água quente requeridos pelo futuro
usuário do aquecimento solar na listagem apresentada a seguir:

Pontos de Utilização

1. Chuveiro

2. Pia da cozinha

3. Torneira do banheiro

O morador quis avaliar o potencial de uso do aquecimento solar em sua residência.


Após feito o levantamento inicial, estes pontos de consumo de água quente serão reavaliados
para compatibilizar conforto, custo inicial e economia pretendida.

Passo 3 – De acordo com a vazão de cada peça e número de pontos de consumo encontre o
volume diário de água quente:

1. Chuveiro

Vamos considerar a vazão do chuveiro elétrico como 6,0 Litros por minuto, de acordo
com a norma. Isso significa que o morador irá continuar a usar o mesmo chuveiro, porém no
modo desligado. Assim o chuveiro que antes era elétrico agora funcionará como uma ducha.
Se considerarmos que cada morador toma apenas um banho por dia de aproximadamente 10
minutos, nesse tempo, ele consume 60 litros de água quente por banho. Dessa forma, para os
quatro moradores, tem-se um consumo de 240,0 litros de água quente por dia somente com o
chuveiro, o que resulta em um mês de 30 dias, um consumo de 7.200 Litros de água quente.

37
No exemplo em questão, o consumo mensal foi calculado com os seguintes valores:

2. Torneira da pia da cozinha:

Vamos considerar a vazão da torneira da pia da cozinha como 15,0 Litros por minuto,
de acordo com a norma. Será preciso estimar o tempo de uso durante um dia. Se
considerarmos que essa torneira será acionada depois de cada refeição – café da manha,
almoço e jantar – durante 10 minutos, chegamos a um tempo de uso de 30 minutos por dia.
Nesse tempo serão consumidos 450 litros de água quente por dia. Se na cozinha houvesse
mais torneiras com esse perfil, iríamos multiplicar o valor do consumo diário encontrado pelo
número de torneiras semelhantes.

No exemplo caso em questão, o consumo mensal foi calculado com os seguintes


valores:

3. Torneira do banheiro:

O dimensionamento da torneira do banheiro é bem próximo do dimensionamento da


torneira da pia da cozinha. Haverá uma diferença na vazão que de acordo com a norma é de
9,0 Litros por minuto. Será preciso estimar o tempo de uso durante um dia. Se considerarmos
que essa torneira será acionada três vez por dia por cada morador durante 1 minuto,
chegamos a um tempo de uso de 3(acionamentos) x 4(moradores) x 1(minuto) = 12 minutos.
Nesse tempo serão consumidos 108 litros de água quente por dia.

No exemplo em questão, o consumo mensal foi calculado com os seguintes valores:

Os valores somados para todos os equipamentos e respectivas participações


percentuais são mostrados na Tabela 4.5, abaixo:

38
Tabela 4.5 – Volume diário de água quente por equipamento

Consumo diário de água Participação no consumo


Local
quente [L] total

Chuveiro Elétrico 240 30,1%

Pia do banheiro 108 13,5%

Pia da Cozinha 450 56,4 %

Total 798 100%

Constata-se que o uso de água quente na pia da cozinha tem um peso importante no
volume de água a ser armazenada, além de encarecer significativamente o custo inicial da
instalação de aquecimento solar. Excluindo-se tal uso, o consumo diário de água quente é
bastante reduzido.

Passo 4 – Calcule o volume do reservatório:

Após o cálculo do volume diário de água quente, é necessário selecionar o volume do


reservatório térmico. No nosso exemplo, o volume calculado de água quente diário será de
798 L. Porém não há um reservatório com esse volume. O ideal será escolher um reservatório
com o volume maior que o calculado, o mais próximo que tiver disponível no mercado. Não é
aconselhável optar por um reservatório de volume inferior ao estimado, pois assim é possível
faltar água quente. No mercado, existem reservatórios testados pelo INMETRO de volumes
variados desde 100 até 1000L, variando de 100 em 100. Nesse caso, podemos optar por um de
800 Litros.

Passo 5 – Calcule a demanda mensal de energia:

Para o cálculo da demanda mensal de energia, faz-se necessário calcular o volume de


água quente mensal. Para isso, basta multiplicar o volume diário por 30 dias.

Para o exemplo em questão, o Volume mensal de água quente requerido é de 23.940


Litros. Vamos arredonda-lo para 24.000 Litros.

A energia necessária para aquecer este volume de água ao final do mês (Lmês), qualquer
que seja a forma de aquecimento escolhida é dada pela 1ª Lei da Termodinâmica dada pela
Equação 4.2:

Equação 4.2

Onde:

39
 : densidade da água, considerada igual a 1000kg/m3

Vmês : volume de água quente requerido por mês, em litros

Cp : calor específico da água a pressão constante igual a 4,18 kJ/kgC

Tbanho e Tamb temperatura da água quente para banho e a temperatura ambiente,


respectivamente. Uma Tbanho padrão é 40°C e da Tamb é 20°C.

As constantes 1000 e 3600 da equação 4.2 são utilizadas para conversão de unidades.

Exemplo 4.1

Calcule a energia consumida por mês para aquecer a água até 40°C, se a temperatura ambiente local é
igual a 20°C:

Solução:

O volume mensal será arredondado para 24.000 litros, correspondendo a um reservatório térmico de 600
litros (valor a ser aquecido por dia):

Lmês= 557,3 kWh/mês

Passo 6 – Cálculo Simplificado da Área de Coletores

A área total de coletores solares necessária para atender à demanda de energia


estimada pela equação 4.2 é definida pelas condições climáticas de instalação dos coletores
na obra e, claro, pelas características operacionais e de projeto do modelo selecionado.

Para um pré-dimensionamento rápido, o número de coletores e, consequentemente, a


área coletora total pode ser determinada a partir dos dados da Etiqueta do INMETRO. A Tabela
4.6 mostra os critérios atuais de classificação do coletores solares no Brasil. Nessa tabela, Pme
é a produção média mensal de energia.

Tabela 4.6 - Classificação de Coletores Solares Planos

40
Fonte : Programa Brasileiro de Etiquetagem/INMETRO

Portanto, para dois coletores A e B, com produções mensais de energia da ordem de


80 e 72 kWh/mês por metro quadrado, respectivamente, o exemplo 4.1 exigiria a instalação
de:

 ≈ 7,0 m² do coletor A

 7,7 m² do coletor B

ou seja, um acréscimo de 10% na área coletora.

Cabe ressaltar que este dimensionamento é apenas orientativo e, portanto, não deve
ser adotado como metodologia de projeto. O valor da produção de energia mensal do coletor
solar expresso na etiqueta do INMETRO só é válido para efeito comparativo entre produtos.

Exemplo 4.2

Uma família possui 5 pessoas, sendo os pais e mais três adolescentes. Eles procuraram você para realizar o
dimensionamento de um sistema de aquecimento solar. Na casa há um banheiro social e uma suíte com
banheira. A banheira tem um volume de 250 L e é utilizada uma vez por semana. Na primeira visita, você
percebeu que por dia os pais tomavam 2 banhos e que os filhos tomavam apenas um. Nos dois banheiros
estavam instalados chuveiros elétricos aos quais serão substituídos pelo aquecimento solar. A Lavadora de
louças é utilizada 2 vezes por semana, em um ciclo “eco” que gasta 1 hora para completar. A família deseja
colocar solar nos seguintes locais:

1)Chuveiro da suíte do casal

2)Chuveiro do banheiro social

3) Banheira da suíte

Para isso você deve calcular o seguinte:

a) Encontre o volume diário de água quente para cada ponto de consumo.

b) Volume do reservatório

c) Área de coletores através do método simplificado

41
Solução:

a) A seguir será calculado o volume diário de água quente para cada ponto de consumo:

1) Chuveiro da suíte do casal:

Como averiguado na primeira visita, são os pais que usufruem desse chuveiro, ao tomarem
dois banhos por dia. Iremos estimar um banho de 10 minutos. Assim:

2) Chuveiro do banheiro social:

Os filhos usufruem desse banheiro. São três filhos e cada um toma um banho de 10 minutos
por dia. Assim:

3) Banheira da suíte:

De acordo com os dados coletados com a família, podemos concluir que o volume semanal de
água quente é justamente o volume da banheira (250L), já que ela é utilizada apenas uma vez
na semana. Para calcular o consumo diário basta dividir o volume semanal de água quente por
7 dias.

b) Para calcular o volume do reservatório é necessário estimar o consumo de água

quente diário para todos os pontos de consumo.

1)Chuveiro da suíte do casal – 240L

2)Chuveiro do banheiro social – 180L

42
3) Banheira da suíte – 35,7L

Assim, o volume total será de 455,7L de água quente por dia. De acordo com os coletores testados
pelo INMETRO, o reservatório que tem o volume maior na sequencia será o de 500L.

b) Área de coletores através do método simplificado

Portanto, para dois coletores A e B, com produções mensais de energia da ordem de 78 e 71 kWh/mês
por metro quadrado, respectivamente, o estudo de casos exigiria a instalação de: 5,84m² do coletor A ou
6,42m² do coletor B.

43
Capítulo 4
1. INSERÇÃO DO SAS

Critérios para correta inserção do SAS

Integração com o edifício

Soluções de projeto

PALAVRAS-CHAVE: Qualidade da instalação de SAS; Inserção de coletores no telhado;

44
5.1. Inserção do Sistema de Aquecimento Solar na Edificação –
Fase de Projeto

Para garantir que o sistema de aquecimento solar funcione corretamente e atinja o


melhor desempenho não basta apenas que os equipamentos possuam alta qualidade, é
fundamental que sua instalação também seja realizada da melhor maneira possível. Assim é
necessário que o projetista considere, em conjunto, as seguintes variáveis: características do
sistema (reservatório, coletor e operação); características da edificação (implantação,
configuração da cobertura e localização dos pontos de consumo) e perfil do usuário (demanda
de água quente e nível de conforto). Na tabela 5.1 pode-se observar um quadro resumo de
importantes variáveis para consideração no início do projeto:
Tabela 5.1 – Resumo de importantes variáveis para início do projeto

Em sistemas de aquecimento solar de pequeno porte no Brasil, o tipo de


funcionamento mais usual é a circulação natural ou termossifão. Conforme detalhado no
Capítulo 02, para que o sistema funcione corretamente a instalação deve ser realizada de tal
maneira que as distâncias entre os componentes sejam garantidas, bem como a melhor
inclinação e orientação dos coletores deve ser adotada. Desse modo, ao realizar o projeto de
uma residência o arquiteto deve sempre levar em consideração a implantação do aquecimento
solar na cobertura. Note que a qualidade da edificação também está diretamente ligada à
qualidade de todos os sistemas e subsistemas que a abastecem, o que mostra a importância
da compatibilização de projetos por todos os agentes envolvidos.

5.1.1 Características da cobertura

A previsão do aquecimento solar no projeto de uma residência deve ser realizada


ainda na fase de concepção, onde o programa de necessidades da família é estabelecido.
Assim é possível que o sistema apresente qualidade superior em relação a um SAS que precisa
se adaptar às características existentes do local de inserção, que nem sempre favorecem a sua
instalação. Um exemplo disso é a inserção dos coletores no telhado, que se prevista em
projeto torna sua instalação muito mais correta, segura e barata.

45
Vimos que a melhor orientação para o coletor solar é o Norte Verdadeiro com desvio
azimutal de 180° e que são aceitáveis valores de até ±150° de desvio. De posse dessa
informação, o projetista pode definir a melhor implantação do edifício considerando a
inserção de coletores solares na cobertura. A Figura 5.1 mostra um exemplo de implantação
de edifício considerando a melhor orientação de coletores na cobertura.

Figura 5.1: Exemplo de boa implantação no terreno: ângulo azimutal de 150°

Além de uma boa implantação no terreno é fundamental que o projeto de cobertura


seja bem desenhado e o projetista defina a melhor água do telhado para a instalação do
coletor solar, de acordo com o valor de seu desvio azimutal (Figura 5.2).

Figura 5.2: Exemplo de inserção de coletores em telhado

Quando não há a possibilidade de instalar os coletores em cobertura com desvio


azimutal de 180° deve-se adotar a água do telhado com orientação mais favorável. Para tal é

46
necessário que o projetista identifique a orientação de todas as águas da cobertura (Figura
5.3).

Figura 5.3: Exemplo de orientação de águas de telhado

Com relação à inclinação do telhado, recomenda-se que seu valor seja igual ou
próximo ao indicado para coletores solares, facilitando assim sua instalação, que nesse caso
poderá ser em sua própria estrutura. Vale ressaltar que a inclinação de coletores é sempre
dada em graus e valores em porcentagem devem ser convertidos (Figura 5.4).

47
Figura 5.4: Exemplo de telhado com valores de declividade e inclinação

A previsão de espaço para a caixa d’água e reservatório térmico também é de


fundamental importância para uma boa instalação de SAS. Aqui se devem prever, para
sistemas operados por circulação natural, as alturas necessárias para garantir seu
funcionamento. No Capítulo 2 vimos que uma solução adotada para tal é a construção de
torres para acomodação do reservatório e caixa d’água. Na Figura 5.5 temos um exemplo de
edificação cujo espaço sob o telhado é suficiente para a instalação desses elementos.

Figura 5.5: Exemplo de SAS inserido no telhado de edificação

48
5.1.2 Tubulações e pontos de consumo

Para definir o melhor local de instalação do sistema também é importante verificar a


distância entre ele e os pontos de consumo. Quanto menor o valor da distância, menor será a
perda térmica na tubulação de distribuição e menor será o tempo de espera para o usuário.
Como consequência, reduz-se o tamanho e o custo total da tubulação. Na figura 5.6 é dado um
exemplo de solução para a inserção desses elementos em coberturas de casas.

Figura 5.6: Exemplo de posicionamento do RT mais próximo possível dos pontos de consumo

Após a definição do caminho que a tubulação irá percorrer devem-se evitar curvas
desnecessárias e sifões em toda sua extensão para que não haja acúmulo de ar em seu
interior, que poderia prejudicar substancialmente o funcionamento do sistema. Ainda assim é
provável que o ar acumule no topo do sistema, por isso é importante instalar um eliminador
de ar na tubulação de saída do coletor (Figura 5.7) e o respiro no topo do reservatório térmico.

49
Figura 5.7: Exemplo de eliminador de ar em tubulação de saída do último coletor solar

Em relação ao reservatório térmico, onde o nível de água pode variar tanto para cima
quanto para baixo, recomenda-se que o respiro seja elevado pelo menos de 15 a 20
centímetros acima da caixa d’água. Vale ressaltar que a tubulação de água quente deve estar
sempre na ascendente.

5.1.3 Isolamento de tubulações, sombreamento e


acessibilidade

O isolamento das tubulações de distribuição de água quente também deve ser


corretamente empregado, a fim de reduzir as perdas térmicas até o consumo final. Tal
isolamento pode ser feito com espuma de poliestireno e protegida por fita aluminizada ou
chapa de alumínio, no caso de tubulação em contato com as intempéries. Observe nas figuras
5.8 e 5.9 exemplos de tubulações com isolamento térmico.

Figura 5.8: Tubulação com isolamento protegido por capa Figura 5.9: Tubo com
aluminizada isolamento em espuma de

50
poliuretano

A incidência de sombreamento no plano dos coletores solares deve ser minimizada e,


portanto, deve-se evitar proximidade principalmente com obstáculos verticais posicionados na
porção Norte da cobertura. Tais obstáculos podem ser edificações vizinhas, vegetação de
médio e grande porte, torres de caixas d’água, entre outros (Figura 5.10).

Figura 5.10: Exemplo de obstáculo que devem ser evitados.


No caso de edificações existentes é possível realizar análise de sombreamento na
cobertura com o auxílio da carta solar. Na literatura especializada não existem valores
aceitáveis para a ocorrência de sombreamento em coletores, contudo, sabe-se que é preciso
evitá-lo no horário de maior incidência de irradiação solar, compreendido entre as 10hs e 14hs
do dia. Como exemplo disso cita-se o estudo realizado no projeto ECV 184/2006
(Eletrobras/Procel/PUC Minas) em que foram simulados sombreamentos de 95 instalações de
aquecimento solar em Belo Horizonte, onde se verificou que, em duas delas, a influência do
sombreamento na eficiência do sistema está diretamente ligada ao horário em que ela ocorre.
Observe nas figuras 5.11 a 5.14 os resultados do estudo:

51
Figura 5.11: Sombreamento Instalação 1 Figura 5.12: Sombreamento Instalação 2

Figura 5.13: Sombreamento anual Obras 1 e 2 Figura 5.14: Perda na Fração Solar Obras 1 e 2

Outro aspecto importante para garantir uma boa instalação de SAS é a acessibilidade
dos equipamentos, que permite a realização de manutenção periódica e/ou substituição de
elementos danificados. A figura 5.15 e 5.16 mostram exemplos de acessibilidades em boas e
más condições, respectivamente.

52
Figura 5.15: Acessibilidade boa Figura 5.16: Acessibilidade ruim

5.1.4 Inserção do Sistema de Aquecimento Solar em


Edificações Existentes

Para edificações existentes o projetista deverá realizar detalhado levantamento


técnico in loco em que as principais informações serão obtidas. Novamente deverão ser
consideradas: a configuração da residência, o perfil do usuário e as características do sistema
que será implantado.

Inicialmente é necessário observar a viabilidade do local para receber o sistema de


aquecimento solar. Para a instalação dos coletores a orientação da cobertura deverá ser
conhecida. Aqui é fundamental que o projetista leve consigo uma bússola de precisão e adote
o seguinte procedimento:
1. Produzir croqui básico com a configuração da casa em relação a um ponto conhecido
(rua, edifício vizinho, praça e etc).
2. Escolher uma parede e posicionar a bússola em paralelo a esse elemento. O valor
indicado pela bússola é o do Norte Magnético, que deve ser corrigido com o acréscimo
da declinação magnética, como mostra a Figura 5.17 e tabela 5.2 abaixo:

53
Figura 5.17: Visualização Norte Magnético e Norte Verdadeiro em uma bússola

3. Anotar no croqui a orientação da parede escolhida.

Tabela 5.2 – Declinação magnética para as capitais brasileiras


Cidade Declinação magnética Cidade Declinação magnética
(graus) (graus)

Porto Alegre -14,74 Fortaleza -21,60

Florianópolis -17,46 Teresina -21,40

Curitiba -17,30 São Luis -20,70

São Paulo -19,60 Belém -19,50

Belo Horizonte -21,50 Macapá -18,50

Rio de Janeiro -21,40 Palmas -19,90

Vitória -22,80 Manaus -13,90

Salvador -23,10 Boa Vista -14,00

Aracaju -23,10 Porto velho -10,60

Maceió -22,90 Rio Branco -7,34

Recife -22,60 Goiânia -19,20

João Pessoa -22,40 Cuiabá -15,10

54
Natal -22,10 Campo Grande -15,20

.. .. Brasília -20,00
Fonte: FINEP/SolBrasil - Manual do Professor

A inclinação do telhado também deve ser levantada e pode ser feita de duas maneiras,
a saber: medição da superfície inclinada em relação a horizontal e altura do ático; utilização de
inclinômetro portátil.

Também será necessário identificar onde a caixa de água fria está localizada e qual é
seu volume. Para isso é importante acessá-la e verificar as condições em que se encontra, já
que seu posicionamento é fundamental para a escolha do tipo de reservatório que será usado.
Em alguns casos talvez seja necessário elevar a caixa d’água para garantir o correto
abastecimento do SAS. Apesar dessa solução não ser esteticamente agradável, usualmente são
projetadas torres de alvenaria onde a caixa será inserida para que atinja a altura necessária
(Figura 5.18).

Figura 5.18: Torre para caixa d’água

Outro tipo de solução é o uso de reservatório térmico que opera em nível com a caixa
d’água, dispensando sua elevação (Figura 5.19).

55
Figura 5.19 - Reservatório operando em nível com a caixa d’água.

Em casas com instalação hidráulica de água quente é importante verificar as condições


de operação, isolamento térmico e esquema de distribuição hidráulica para sanar qualquer
problema preexistente, caso seja necessário.

Em residências que não possuem instalação hidráulica de água quente deve-se prever
o uso de um dispositivo misturador independente que será instalado nos pontos de consumo
(Figura 5.20). Como esse misturador é instalado no teto do banheiro torna-se importante
impermeabilizar e/ou proteger tal passagem a fim de se evitar infiltrações pelo telhado (Figura
5.21).

56
Figura 5.20: Exemplo de Misturador Figura 5.21: Impermeabilização do furo

Além disso, o projetista deverá estabelecer, juntamente com os moradores, os pontos


de consumo que serão servidos pelo aquecimento solar e identificá-los em planta (croqui ou
desenho esquemático). A vazão dos pontos de consumo precisa ser medida e pode ser feita
com uso de balde milimetrado e cronômetro portátil. Recomenda-se que as medidas sejam
realizadas pelo menos três vezes para reduzir incertezas e aumentar a precisão dos resultados.

Para estabelecer o perfil dos moradores e nível de conforto requerido o projetista


deve realizar entrevista com os usuários considerando os seguintes aspectos: número de
residentes, número de banheiros, número de banhos e estimativa de tempo de banho de cada
um deles.

De posse dessas informações será possível verificar a viabilidade da instalação de SAS


na residência, iniciar o dimensionamento e projeto do sistema.

Após a determinação da demanda de água quente, do volume do reservatório térmico


e da área coletora é necessário escolher o local de implantação do sistema de acordo com a
proximidade com a caixa de água fria e pontos de consumo. Os critérios de melhor inclinação e
orientação de coletores, já mencionados anteriormente, também devem ser atendidos para a
escolha do melhor local.

57
Aqui se retoma o exemplo de residência (Figura 5.1), observa-se que é possível instalar
os coletores solares na porção Norte do telhado, garantindo que o desvio azimutal seja
aceitável e com valor de 150°.

Figura 5.1: Exemplo de boa implantação no terreno: ângulo azimutal de 150°

Sendo assim, torna-se importante posicionar o sistema o mais próximo possível dos pontos de
consumo para amenizar as perdas térmicas da tubulação de distribuição, como no exemplo da
figura 5.22.

Figura 5.22: Exemplo de posicionamento do RT mais próximo possível dos pontos de consumo

58
O projetista deverá avaliar se a edificação permite que o sistema seja operado por
circulação natural ou termossifão, de acordo com detalhes de funcionamento mostrados no
Capítulo 02 deste manual. Em casos onde pequenas adaptações sejam necessárias, as mesmas
deverão ser previstas e detalhadas. Como exemplo pode-se citar a elevação da caixa de água
fria para garantir o correto abastecimento do sistema.

59
Capítulo 5
6 SISTEMA HIDRÁULICO DO SAS

Tipos de tubulações

Dimensionamento

Isolamento de tubulações

PALAVRAS-CHAVE: Circuito primário; circuito secundário; perda de carga; distribuição hidráulica.

60
6.1 Distribuição hidráulica do SAS

Um sistema de aquecimento solar é dividido em dois circuitos hidráulicos, a saber: o


primário é composto pela interligação dos elementos que compõem o sistema: reservatório
térmico e coletores solares; o secundário é composto por toda a tubulação que distribui a água
aquecida para os pontos de consumo (Figura 6.1).

Figura 6.1: Circuitos primário e secundário

O reservatório térmico, por sua vez, é abastecido pela caixa d’água através de
tubulação própria para água fria (Figura 6.2).

Figura 6.2: Abastecimento do sistema pela caixa d’água

61
6.2. Tipos de tubulações

Para um sistema de aquecimento solar a especificação do material da tubulação é uma


tarefa simples de ser realizada, já que a rede para o abastecimento do reservatório é de água
fria e a destinada aos circuitos primário e secundário é de água quente.

No Brasil há muitos tipos de materiais empregados para tubulação de água fria, mas o
mais utilizado é o Cloreto de Polivinila ou PVC (Figura 6.3). Tal material pode ser encontrado na
série soldável ou roscável com diâmetros que variam de 16mm a 110mm e 17mm a 113mm,
respectivamente. Os processos de soldagem devem obedecer aos critérios estabelecidos pelo
fabricante. Já a junta roscável é feita com roscas externas (padrão BSP, NBR6414) e também
deve seguir as recomendações do fabricante.

Figura 6.3: Exemplo de tubulação em PVC

Para a tubulação de água quente, que deverá ser empregada na alimentação e retorno
do sistema também existem vários materiais como o cobre, CPVC, PPR e aço carbono (Figuras
6.4, 6.5, 6.6 e 6.7). Tradicionalmente no Brasil o cobre é o material mais utilizado para esse
tipo de instalação, porém é crescente o uso de polímeros como o CPVC e o PPR por serem mais
baratos e de montagem mais simples do que a do cobre.

62
Figura 6.4: Tubo de cobre Figura 6.5: Tubo PPR

Figura 6.6: Tubo CPVC Figura 6.7: Tubo de Aço carbono

As conexões de cobre devem ser realizadas através de soldagem capilar, utilizando


metal de enchimento composto basicamente de 50% de estanho e 50% de chumbo (NBR
5883). No caso de roscas macho e fêmea, o padrão a ser seguido é o BSP (ILHA et al, 2008). Já
as conexões de materiais poliméricos devem seguir as recomendações dos fabricantes.

6.3 Dimensionamento de tubulações

Para realizar o dimensionamento das tubulações o projetista deverá possuir alguns dados da
instalação para inserir nos cálculos, como o número de coletores, a área de cada um, e a vazão
volumétrica (m³/s). A seguir serão apresentados os cálculos, passo-a-passo, para a
determinação do diâmetro dos trechos de tubulação representados na Figura 6.8.

63
Figura 6.8: Esquema de distribuição hidráulica do SAS

Cálculo do Diâmetro da Tubulação de Água Fria (Trecho 01)

Admite-se para este cálculo que a vazão no trecho 01 é a mesma admitida no início da
prumada de alimentação do sistema (situação extrema aonde praticamente toda a água que
sai da caixa d’água até o reservatório está sendo aquecida pelos coletores solares e sendo
enviada para consumo – Prumada de Alimentação), logo:

Admite-se:

 Q: Vazão volumétrica (m³/s);

 V: Velocidade máxima da água dentro das tubulações de água fria: 3,0 m/s (NBR –
5626/82);

Adota-se a Equação 6.1 para o cálculo Diâmetro Nominal (DN):

4Q
D Equação (6.1)
 V

64
Exemplo 01:

Determinar o diâmetro da tubulação de água fria que serve um sistema de aquecimento solar
com área coletora de 6m².

Dados:

Vazão máxima estipulada para coletores fechados: 1,2 l/min/m²

V=3,0 m/s

Assim:

Q= Qcoletores → Q = 1,2 x 6 = 7,2 l/min

Para o cálculo é necessário converter l/min para m³/s:

Q = (7,2 ÷ 60) ÷ 1000 = 0,00012 m³/s

4Q
Então utilizando a fórmula XX: D 
 V

D = √(4 x 0,00012)÷(π x 3,00) = 0,00713m

D = 7,13 mm → adotaremos o diâmetro comercial mais próximo do calculado, que pela


norma é de 20mm.

6.4 Circuito primário

Para o circuito primário a tubulação se divide entre alimentação e retorno do sistema,


ambos os trechos recebem materiais próprios para a água quente e podem ser quaisquer dos
descritos anteriormente. A Figura 6.9 indica quais são os trechos (02 e 03) de alimentação e
retorno do circuito primário de um SAS.

65
Figura 6.9: Tubulação de entrada e saída do sistema

Nesses trechos também é necessário e fundamental o isolamento térmico das


tubulações, conforme mostra a Figura 6.10.

Figura 6.10: Isolamento térmico de tubulações

6.4.1 Cálculo do diâmetro da tubulação de


alimentação e retorno do sistema (Trechos 2 e 3)

A vazão estipulada para coletores fechados para a aplicação banho é de 1,2 l/min por
m² de área coletora. Para o dimensionamento adota-se a equação 6.2 detalhada abaixo:

D  1,3  Q  4 X
Fórmula de Forschheimer: Equação (6.2)

66
Onde:
X = h / 24horas
h = 6,66 horas (horas de uso de água quente).
Q: Vazão volumétrica (m³/s).

Exemplo 02:

Determinar o diâmetro da tubulação de alimentação do sistema de aquecimento solar com


área coletora de 6 m².

Dados:

Vazão máxima estipulada para coletores fechados: 1,2 l/min/m²

Então:

D = 1,3 x √0,00012 x 4√6,66/24 = 0,010335m = 10,33 mm

Para tubulação de água quente não há, comercialmente, produto com o diâmetro calculado,
desse modo o diâmetro de 15 mm seria escolhido para esse sistema. No entanto, é usual
utilizar para a tubulação de alimentação e retorno, o mesmo diâmetro das conexões do
coletor solar. Comumente, adota-se o diâmetro de 22 mm.

6.4.2.Perda de carga

Como apresentado no Capítulo 02, a força motriz do termossifão é pequena e por isso
é fundamental que a perda de carga da tubulação do circuito primário seja pequena, assim é
preciso calcular o seu valor para determinar o melhor diâmetro da tubulação de alimentação e
retorno do sistema.

Para isso não se pode usar tubos de diâmetro muito pequeno, nem trechos de
tubulação muito longos e/ou com excesso de curvas e conexões. Usualmente são utilizados
tubos de 22 mm (3/4") em instalações de até 8 m2 e 28 mm para instalações acima disso, até
um limite de 12 m2 . Para áreas superiores a solução é dividir o sistema em dois ou mais
sistemas separados e em casos de instalações maiores, digamos com 400 m 2, o recomendável
é optar pelo sistema bombeado.

67
Mesmo com a influência da perda de carga o sistema operado por termossifão irá
funcionar, só que sua operação será com temperaturas cada vez mais altas. Isso afeta a
eficiência dos coletores e de todo o sistema.

Normalmente um sistema opera com uma diferença de temperatura entre a entrada e


a saída dos coletores na faixa de 10 a 15°C, sendo aceitáveis variações até 20°C. Acima disso há
perdas consideráveis na eficiência da instalação, como quando for encontrado o valor de 35oC
ou maior, em que provavelmente existe um problema de circulação no sistema.

Isso pode ocorrer por diversos fatores, a saber: diâmetro da tubulação muito reduzido,
muitas curvas de interligação entre os equipamentos, trechos retos muito extensos ou
bloqueio na tubulação. Para que esses problemas sejam evitados adotam-se regras práticas no
dimensionamento, como o cálculo do comprimento equivalente de tubulação. Através dele
relacionam-se as conexões a trechos retos equivalentes que para cada diâmetro de tubo
possuem um valor máximo estipulado para garantir o bom funcionamento do sistema. Nos
anexos deste manual apresenta-se uma tabela com os comprimentos equivalentes para
tubulações de diferentes diâmetros (no termossifão normalmente utilizam-se tubos de 22mm
e 28mm).

Exemplo 03

Cálculo de comprimento equivalente

Em uma instalação, deseja-se calcular o comprimento equivalente das conexões e o


comprimento equivalente total. As conexões são as seguintes: 04 cotovelos de 90o /22 mm,
02 Curvas de 45o/22 mm, 02 registros de gaveta abertos/22 mm e 15 metros de tubos
retos/22 mm

Observando-se a tabela 6.1, pode-se calcular:

Tabela 6.1: Conexões e comprimentos equivalentes

Comprimento Comprimento
Peça Quantidade
equivalente p/ peça equivalente total

Cotovelo 90o 4 1,2 4,8


o
Curva 45 2 0,5 1
Registro Gaveta 2 0,2 0,4
Trechos retos 15 m 1 15

Conclui-se então que o comprimento equivalente em trechos retos de tubos de 22 mm dessa


instalação seria 21,2 m.

Para estabelecer o comprimento de tubulação máximo recomendado, incluindo


conexões, é necessário saber o volume do sistema e a altura entre o topo dos coletores e o
fundo do reservatório térmico ou distância topo/fundo. As tabelas 6.2 e 6.3 mostram os
valores recomendados para a cidade de São Paulo, com coletores inclinados a 18°, mas podem

68
ser utilizadas para outras localidades. Observe que o valor máximo geral adotado é de 25
metros de comprimento equivalente, pois dimensões superiores gerariam perdas térmicas nos
tubos ainda que o fluxo de água fosse bom.

Tabela 6.2 - Comprimentos Equivalentes Máximos para Instalações com Coletores de 2 m x 1 m.

Volume Distância Topo/Fundo (metros)


Diário de
Água 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Quente Diâmetro da tubulação de interligação (mm)
(litros) 22 28 22 28 22 28 22 28 22 28
Comprimento Max. Equivalente na Interligação RT/COLETORES/RT (metros)
200 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25
300 24 25 25 25 25 25 25 25 25 25
400 17 25 20 25 23 25 25 25 25 25
500 13 25 15 25 18 25 20 25 22 25
600 10 25 12 25 14 25 16 25 18 25
700 NR 23 10 25 12 25 13 25 15 25
800 NR 19 NR 22 NR 25 11 25 12 25
1000 NR 11 NR 14 NR 17 NR 20 NR 23
NR: Não recomendado

Tabela 6.3 - Comprimentos Equivalentes Máximos para Instalações com Coletores de 1 m x 1 m

Distância Topo/Fundo (metros)


Volume
Diário de
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5
Água Quente
(litros) Diâmetro da tubulação de interligação (mm)
22 28 22 28 22 28 22 28 22 28
Comprimento Max. Equivalente na Interligação RT/COLETORES/RT (metros)
200 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25
300 19 25 22 25 25 25 25 25 25 25
400 14 25 16 25 19 25 22 25 24 25
500 10 25 12 25 15 25 17 25 19 25
600 NR 22 NR 25 12 25 13 25 15 25
700 NR 17 NR 21 NR 25 11 25 12 25
800 NR 13 NR 17 NR 20 NR 24 10 25
1000 NR NR NR 10 NR 13 NR 16 NR 19
NR: Não recomendado

As tabelas acima foram desenvolvidas para sistemas com isolamento térmico mínimo
de 10mm de polietileno expandido na tubulação. Os comprimentos não são reais e sim
equivalentes.

69
O projetista deve estar sempre atento as suas escolhas para o projeto do circuito
primário, pois suas decisões definirão a eficiência e qualidade do sistema, bem como o custo-
benefício da instalação. Imagine um sistema de 500 litros, com distância topo/fundo de 10cm
com coletores de dimensões 2,0x1,0m (Largura/Comprimento) cujo circuito primário seja em
tubulação de 22mm. Considerando que uma instalação possui, no mínimo, dois cotovelos de
90°, dois de 45° e dois registros gaveta ou esfera encontraríamos um comprimento
equivalente de 3,9 metros. Segundo a tabela 6.2, para esse caso o comprimento máximo de
interligação entre os equipamentos seria de 10 metros, ou seja, trechos retos com um total de
6,1 metros.

Cabe ressaltar novamente a importância da elaboração de um bom projeto, que deve


considerar a distância mais curta entre os coletores e reservatório e o percurso com menos
interferências possíveis, já que o desvio de peças do telhado ou demais obstáculos acarretam
no uso maior de cotovelos que aumentarão o valor do comprimento equivalente. Aqui
também é fundamental um bom detalhamento do projeto para que o instalador realize seu
trabalho da melhor maneira possível.

Quando o comprimento de interligação dos equipamentos excede o estipulado e se


esgotaram as opções de desenho da rede, pode-se alterar o diâmetro da tubulação de 22 mm
para 28 mm em alguns trechos, já que o último apresenta perda de carga aproximadamente
três vezes menor do que a primeira. Tal alteração deverá contar com conexões apropriadas e
seu comprimento equivalente dividido por três para somar aos demais trechos da tubulação.

Para substituir trechos de 22 mm por outro de 28 mm quando necessário, recomenda-


se que seja realizada na tubulação de alimentação dos coletores, onde a temperatura da água
é mais baixa, pois as perdas térmicas da tubulação de 28 mm são superiores. Do mesmo modo,
atenção especial deverá ser dada quanto ao isolamento do trecho alterado.

Exemplo 04

Uso de trechos 22 e 28 mm para redução de perda de carga

Uma instalação possui 16 metros de trechos retos, 4 cotovelos de 90 o, 4 cotovelos de 45o e


dois registros de gaveta abertos. E todas as peças têm 22 mm. Com medo de que a perda de
carga total seja excessiva, o projetista decide trocar a tubulação de alimentação entre o RT e
as placas por tubos e conexões de 28 mm. Qual seria o comprimento equivalente final em
tubos de 22 mm considerando-se que o trecho de alimentação tem 9 m de tubos retos, 2
cotovelos de 90o, 2 cotovelos de 45o e um registro gaveta?

Primeiro, calcula-se o comprimento equivalente antes da troca para tubos de 28 mm.

Comprimento eq. p/
Peça Quantidade Comprimento eq. total
peça
Cotovelo 90o 4 1,2 4,8
o
Curva 45 4 0,5 2
Registro Gaveta 2 0,2 0,4
Trechos retos 16 m 1 16

70
Se somente peças de 22 mm fossem utilizadas, ter-se-ia um comprimento equivalente de
tubos retos de 22 mm igual a 23,2 m.

A seguir, calcula-se o comprimento equivalente do trecho de alimentação que queremos


converter para 28 mm.

Comprimento eq. p/
Peça Quantidade Comprimento eq. total
peça
Cotovelo 90o 2 1,5 3
o
Curva 45 2 0,7 1,4
Registro Gaveta 1 0,3 0,3
Trechos retos 09 m 1 9

O comprimento equivalente em 28 mm dessa parte seria então de 13,7 m.

E para converter esse valor para 22 mm, temos:

13,7
=4,6 m de comprimento equivalente de 22 mm.
3,0

Agora, soma-se o que sobrou de peças de 22 mm, ou seja, o retorno dos coletores para o RT.

Comprimento eq. p/
Peça Quantidade Comprimento eq. total
peça
Cotovelo 90o 2 1,2 2,4
o
Curva 45 2 0,5 1
Registro Gaveta 1 0,2 0,2
Trechos retos 07 m 1 7

O total do trecho em 22 mm agora é de 10,6 m. Somando esse número aos trechos de 28 mm


(já convertidos em equivalentes de 22 mm), tem-se um total geral de 10,6 + 4,6 = 15,2 m.
Esse valor é bem menor do que os 23,2 m que apenas os tubos e conexões de 22 mm fossem
utilizados.

6.5 Circuito secundário

6.5.1. Cálculo do diâmetro da tubulação do circuito


secundário

Para o cálculo do diâmetro da tubulação do circuito secundário é necessário conhecer


todos os pontos de consumo que serão servidos pelo SAS e as vazões de cada um deles.

71
De acordo com a Figura 6.11, a rede de distribuição recebe as seguintes denominações
ao longo de seu trajeto: sub-ramais, ramais, colunas de distribuição e barriletes. Os barriletes
são as tubulações que se originam nos reservatórios; dos barriletes derivam-se as colunas, e
dessas os ramais. Os sub-ramais fazem a ligação final entre o ramal e a peça de utilização ou
ponto de consumo.

Figura 6.11: Desenho esquemático de rede de distribuição

Inicialmente o projetista deverá calcular as vazões de cada trecho da rede que será
detalhado a seguir.

A Tabela 6.4 apresenta as vazões mínimas para atender às necessidades dos diversos
pontos de utilização das instalações hidráulicas prediais e, portanto, dos sub-ramais e ramais.

Tabela 6.4: Vazões e pesos relativos dos pontos de utilização

Pontos de utilização para Vazão Peso


l/s P
Bebedouro 0,10 0,1
Banheira 0,30 1,0
Bidê 0,10 0,1
Caixa de descarga para bacia sanitária 0,15 0,3
Chuveiro ou ducha 0,20 0,4
Máquina de lavar prato ou roupa 0,30 1,0
Torneira ou misturador (água fria) de lavatório 0,15 0,3
Torneira ou misturador (água fria) de pia de cozinha 0,25 0,7
Torneira de pia de despejo ou tanque de lavar roupa 0,25 0,7

72
Torneira de jardim ou lavagem geral 0,20 0,4
Válvula de descarga para bacia sanitária 1,70 32,0

Fonte: BAPTISTA, M. B.; COELHO, M. M. L. P. Fundamentos de Engenharia Hidráulica. Belo


Horizonte: Editora UFMG 2003.

A velocidade máxima da água nas tubulações não deve exceder o valor de 3,0 m/s. A
Tabela 6.5 apresenta as vazões máximas para tubos de instalações de água quente, bem como
os diâmetros para cada trecho da rede de tubos.

Tabela 6.5: Vazões máximas para tubos de instalações de água quente

Tubos de cobre Tubos de aço carbono


Diâmetro Espessura
nominal Diâmetro Espessura Diâmetro Vazão Diâmetro da Diâmetro Vazão
pol externo da parede interno Máxima externo parede interno Máxima
mm mm mm l/s mm mm mm l/s
1/2 15 0,5 14,0 0,5 21,0 2,65 15,7 0,6
3/4 22,0 0,6 20,8 1,0 26,5 2,65 21,2 1,1
1 28,0 0,6 26,8 1,7 33,3 3,35 26,6 1,7
1 1/4 35,0 0,7 33,6 2,7 42,0 3,35 35,3 2,9
1 1/2 42,0 0,8 40,4 3,8 47,9 3,35 41,2 4
2 54,0 0,9 52,2 6,4 59,7 3,75 52,2 6,4
2 1/2 66,7 1,2 64,3 9,7 75,3 3,75 67,8 10,8
3 79,4 1,2 77,0 14,0 88,0 4,25 79,5 14,9
4 104,8 1,2 102,4 24,7 113,1 4,50 104,1 25,5

Fonte: BAPTISTA, M. B.; COELHO, M. M. L. P. Fundamentos de Engenharia Hidráulica. Belo


Horizonte: Editora UFMG 2003.

As vazões de dimensionamento das colunas e barriletes devem levar em conta a


possibilidade de uso dos pontos de utilização, ou seja, será atribuído um peso para cada
componente. Para ocasiões onde o uso é simultâneo, como em vestiários, por exemplo, a
vazão do trecho é a soma das vazões dos pontos que estão sendo utilizados, conforme a
Tabela 6.5 (acima), esse cálculo é chamado de Consumo Máximo Possível.

Exemplo 05:
Dimensione a rede de distribuição de água quente de um vestiário de uma fábrica que servirá
quatro chuveiros com vazão de 12 litros/minuto.
Então:
É necessário converter a vazão do chuveiro para l/s: Qchuveiro = 12 ÷ 60 = 0,20 (l/s).

73
Q = ΣQchuveiros → Q = 4 . 0,2 = 0,80 l/s.
Na Tabela 6.5 verifica-se que para 0,80 l/s de vazão na tubulação o diâmetro será de 22 mm
ou ¾ de polegada.
Assim o diâmetro da prumada de alimentação será de 22 mm. Em seguida os ramais dos
possuem diâmetro de 15mm. Todos os sub-ramais que alimentam os chuveiros possuem
diâmetro de 15 mm. Observe o desenho esquemático do sistema calculado:

No caso de não haver 100% de uso ao mesmo tempo realiza-se o cálculo do Consumo
Máximo Provável, em que a Equação 6.3 é utilizada para a estimativa da vazão de cada trecho:

Q C P Equação(6.3)

Onde:

Q: Vazão (l/s);

C: Coeficiente de descarga ≈ 0,30 (l/s);

ΣP: Soma dos pesos, correspondente a todas as peças de utilização alimentadas através dos
trechos considerados. Os pesos podem ser encontrados na Tabela 6.4.

Para instalações residenciais ou sistemas de pequeno porte recomenda-se utilizar o


cálculo do Consumo Máximo Provável, visto que o padrão de uso nesses casos, na maioria das
vezes, não é simultâneo.

74
Exemplo 06:

Dimensione a rede de distribuição de água quente de uma casa que servirá três chuveiros
com vazão de 12 litros/minuto.

Então:

É necessário converter a vazão do chuveiro para l/s: Qchuveiro = 12 ÷ 60 = 0,20 (l/s).

Segundo a Tabela 6.4 o peso de chuveiros com vazão de 0,20 l/s é 0,4.

Q C P
Q = 0,30 . √3 . (0,4) → Q = 0,32 l/s

Na Tabela 01 verifica-se que para 0,32 l/s de vazão na tubulação o diâmetro será de 15 mm
ou ½ polegada.

Atenção: é necessário equalizar os diâmetros de entrada de água fria do reservatório e saída


de água quente para o consumo, dessa forma o projetista deverá checar se os valores
calculados coincidem. Caso não coincidam, o projetista deve optar sempre pelo maior
diâmetro dentre os dois.

Exemplo 07:

Digamos que o diâmetro calculado para a tubulação que sai da caixa d’água e alimenta o
reservatório com água fria tenha diâmetro de 32mm, no entanto, o diâmetro calculado para a
prumada de alimentaçao (saída do reservatório para o consumo) seja de 28mm. Portanto, o
projetista deve optar por instalar a prumada de alimentaçao com 32mm, os ramais e sub-
ramais permanecem com os diâmetros previamente calculados. Tal metodologia permite que
a vazão necessária para os pontos de consumo não seja prejudicada.

75
6.6 Isolamento de tubulações

O isolamento das tubulações de um SAS é essencial para reduzir as perdas térmicas


nos circuitos primário e secundário. Tal elemento torna-se ainda mais importante quando o
caminho percorrido pela rede é muito extenso.

Também é necessário isolar as conexões, registros e válvulas por onde circulem fluidos
com temperaturas superiores a 40°C. Os materiais mais utilizados para esse propósito são o
polietileno expandido, a lã de rocha, lã de vidro, entre outros (Figura 6.12 e 6.13).

Figura 6.12: Isolamento tubulação - Figura 6.13: Isolamento tubulação com folha
Conjunto Mangueira. Fonte: Renan de alumínio corrugado. Fonte:
Cepeda/GIZ Eletrobras/Procel – PUC Minas. ECV
184/2006. Relatório Belo Horizonte.

Para tubulações expostas às intempéries é importante o uso de um segundo material


que protegerá o isolamento, garantindo sua qualidade e vida útil adequada. Para essa
proteção a folha de alumínio corrugado e a fita aluminizada são muito utilizadas. As Figuras
6.14 e 6.15 mostram exemplos de detalhes de isolamento de tubulações externas e internas:

Figura 6.14: Detalhe isolamento tubulação Figura 6.15: Detalhe isolamento tubulação
exposta não exposta

76
O isolamento de tubulações poliméricas em contato com o exterior deve ser realizado
por motivo adicional, já que tais materiais também sofrem degradação por exposição à
radiação solar.

Para garantir a qualidade do isolamento térmico pode-se utilizar como referência a


Tabela 6.6 abaixo, que estabelece os valores mínimos recomendados para a espessura
do isolamento utilizado.

Tabela 6.6: Espessura mínima de isolamento de tubulações para aquecimento de água


Diâmetro nominal
Temperatura da água (°C) Condutividade térmica (W/mK) da tubulação (mm)
< 40 ≥ 40
T ≥ 38 0,032 a 0,040 1,0 cm 2,5 cm
Fonte: RTQ-C (INMETRO, 2012)

77
Capítulo 6
7 QUALIDADE DA INSTALAÇÃO DE UM SAS

Qualidade de produtos

Qualidade da instalação

Isolamento, acessibilidade, manutenção e segurança

PALAVRAS-CHAVE: Instalação de aquecimento solar; recomendações; check-list.

78
7. Qualidade da instalação de um Sistema de Aquecimento Solar

Neste capítulo encontram-se informações e recomendações que contribuirão para


avaliar, e aprimorar a qualidade das instalações de aquecimento solar para obras de pequeno
porte. Sendo assim, serão discutidos fatores que influenciam a qualidade e a eficiência da
instalação em todos os âmbitos, desde os produtos, como coletores, reservatórios térmicos,
sistema auxiliar e hidráulico, até aspectos, como manutenção periódica, acessibilidade e
segurança.

Para enriquecer o material também serão apresentadas informações coletadas na


pesquisa Avaliação de Instalações de Aquecimento Solar no Brasil (Residências de Baixa Renda
– Botucatu – SP e Residências de Alta Renda – Campinas – SP), implementado pela Eletrobras
Procel em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Ao
final do capítulo, será disponibilizado um check-list, que possui itens importantes a serem
conferidos durante a instalação do sistema de aquecimento solar.

7.1 Qualidade de produtos: Coletor Solar

O coletor solar, um dos mais importantes componentes da instalação, tem a função de


promover o aquecimento do fluido de trabalho. Para isso é necessário garantir o melhor
aproveitamento possível da radiação solar pelo mesmo, sendo fundamental que ele seja
constituído por materiais resistentes e de qualidade. Para a escolha do coletor, uma boa
referência de qualidade é a etiquetagem de produtos realizada pelo Programa Brasileiro de
Etiquetagem (PBE) do INMETRO. Portanto, recomenda-se a verificação da Tabela de Eficiência
do INMETRO para Coletores Solares ao escolher o equipamento.

A qualidade de produtos é associada não só a sua eficiência, mas também a sua


durabilidade. Durante as pesquisas de avaliação técnica das instalações de pequeno porte,
percebeu-se que em coletores com coberturas trincadas ou quebradas (Figura 7.1) alguns
problemas eram recorrentes, como a oxidação e infiltração. Na cidade de Campinas, onde 15%
dos coletores avaliados apresentaram trinca ou quebra de vidros, a ocorrência de oxidação e
infiltração é de 8%. Portanto, é extremamente importante a troca ou reparação dos vidros e
superfícies metálicas que estejam quebradas ou trincadas.

79
Figura 7.1: Coletor com vidro quebrado. Fonte: Eletrobras Procel, PUC Minas, ECV 184/2006 –
Relatório Campinas

O nível de condensação no coletor é um dos fatores mais prejudiciais para o


equipamento já que, além da oxidação, ele também é responsável pela deterioração da tinta,
que tem impacto negativo em sua eficiência térmica.

A aplicação de tintas com alta absortividade nas placas coletoras visa maximizar a
energia absorvida por elas e aumentar assim, a eficiência do sistema. A deterioração desta
tinta pode ser causada pela má qualidade do produto ou processo de aplicação industrial
ineficiente. Em Campinas, 8% dos coletores acessados, apresentaram tal problema. Sendo
assim, vale ressaltar a importância da preferência por produtos resistentes e de qualidade, os
quais possuem a etiqueta PBE/ INMETRO.

7.2 Qualidade de produtos: Reservatório Térmico

O Reservatório térmico tem a função de armazenar e manter aquecida a água


proveniente dos coletores solares para posterior consumo. Um bom reservatório deve possuir
corpo interno resistente às diferenças de pressão, isolamento adequado ao volume
armazenado, corpo externo resistente às intempéries e suportes resistentes à corrosão. Tais
equipamentos também participam do PBE/INMETRO, o que permite a escolha de produtos
testados e aprovados de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos.

80
A escolha de um produto etiquetado garante que o bom estado de conservação do
equipamento seja mantido por um período de tempo apropriado e evita que problemas como
danos no corpo do boiler ou deterioração do isolamento ocorram (Figura 7.2).

Figura 7.2: Exemplos de reservatórios deteriorados. Fonte: Eletrobras Procel, PUC Minas, ECV
184/2006 – Relatório Campinas

A oxidação dos suportes do reservatório pode ocorrer por exposição às intempéries de


materiais não resistentes aos seus danos. Como sua função é garantir sustentação do corpo do
boiler as deformações decorrentes desse problema podem prejudicar o estado do
equipamento e resultar na exposição do isolamento térmico que também será danificado.
Como consequência disso ocorre a queda na eficiência térmica e redução do tempo de vida
útil do reservatório. Assim, recomenda-se a substituição do suporte do reservatório térmico
em casos de médio a alto grau de oxidação.

7.3 Qualidade de instalação

A avaliação geral do Sistema de Aquecimento Solar no que diz respeito ao


dimensionamento, relaciona a capacidade do reservatório térmico à demanda diária de água
quente necessária para a instalação. Essa demanda é determinada a partir do conhecimento
dos hábitos de consumo do morador, para isso, é necessário o desenvolvimento de um
questionário onde o mesmo seleciona os pontos desejáveis de consumo da água proveniente
do coletor. Neste questionário, o consumidor deve fornecer informações como: o número de
pontos de consumo (torneiras, duchas, banheiras, etc); a vazão do equipamento no ponto de
consumo; o tempo de uso e a frequência de uso diário e o nível de conforto desejado.

81
Conhecendo-se o consumo total diário de água quente, pode-se prever o volume do
reservatório térmico e em seguida calcular a área coletora requerida.

Considerando as diferentes condições climatológicas e características da instalação, a


área coletora sofre variações, o que pode alterar a quantidade de coletores necessária para
determinada instalação. A Tabela 7.1 fornece os valores de área coletora aquecimento de 100
litros de água para diferentes cidades:
Tabela 7.1: Valores de área coletora para aquecimento de 100 litros de águaErro! Fonte de
referência não encontrada. Fonte: 100 Dicas Técnicas - Aquecedores Solares de Água, 2005.

O correto dimensionamento de uma instalação é extremamente importante. Um


superdimensionamento do reservatório térmico, por exemplo, pode elevar consideravelmente
o custo do SAS, visto que um maior volume de reservatórios demanda uma maior área
coletora e, consequentemente, mais interligações entre os mesmos. Já o subdimensionamento
acarreta no desconforto do usuário e maior uso do aquecimento suplementar.

As pesquisas realizadas em Botucatu mostraram que o consumo médio diário de água


quente é de 59 Litros por morador, já em Campinas, onde há um maior nível de conforto
devido à renda dos entrevistados, esse valor é de 100 litros.

Um dos principais fatores que influenciam na eficiência de uma instalação, é a forma


com que os coletores estão orientados. A orientação inadequada diminui o tempo de
exposição das placas coletoras ao Sol, reduzindo assim a quantidade de calor absorvido para o
aquecimento da água. Recomenda-se que os coletores sejam orientados para o Norte
Verdadeiro, ou seja, com ângulo azimutal de 180°, e admite-se um desvio de até 30° para o
Leste ou Oeste (ângulo azimutal de até 150°).

O ângulo de inclinação do coletor também tem impacto na quantidade de radiação


térmica incidente sobre o mesmo como vimos no Capítulo 4. Os coletores instalados
diretamente no telhado das residências (Figura 7.3) podem apresentar inclinação que não é
ideal para garantir sua eficiência máxima, por isso o projetista deverá realizar estudos de
dimensionamento de acordo com a situação encontrada para definir a necessidade de
inserção de um número maior de coletores.

82
Figura 7.3: Coletores solares instalados diretamente sobre o telhado. Fonte: Fonte:
Eletrobras Procel, PUC Minas, ECV 184/2006 – Relatório Botucatu

Em locais onde a instalação direta no telhado não é possível recomenda-se o uso de


suportes como auxílio. Tais elementos devem possuir resistência mecânica adequada e
suportarem as ações das intempéries. Além disso, os coletores devem ser instalados de forma
adequada respeitando as normas de segurança.

É importante garantir a correta fixação dos coletores no telhado, verificando se sua


estrutura suportará o peso total do conjunto, além de se utilizar suportes que sejam
constituídos por matérias resistentes às intempéries e corrosão. Recomenda-se o isolamento
de quaisquer perfurações feitas no telhado durante a instalação, que deve ser feito com
aplicação de manta asfáltica.

A eficiência do sistema de aquecimento solar está diretamente associada ao tempo de


exposição dos coletores à radiação solar, sendo assim, é imprescindível que não ocorra o
sombreamento sobre os mesmos. Porém, evitar o sombreamento nem sempre é possível,
devido a elementos construtivos, como a caixa d’água, árvores ou edificações vizinhas, e/ou
espaço disponível para a instalação. Na Figura 7.4, pode-se observar uma instalação do
Município de Campinas, onde elementos da própria residência bloqueiam a radiação sobre o
coletor. É importante que o instalador evite instalar os coletores em locais sujeitos a
sombreamento, principalmente, no período de maior incidência solar, compreendido entre
10h e 14h, além de respeitar os espaços mínimos entre os coletores, a fim de evitar que uma
placa cause sombra na outra.

83
Figura 7.4 - Coletor solar com sombreamento. Fonte: Eletrobras Procel, PUC Minas,
ECV 184/2006 – Relatório Campinas

7.4 Qualidade do isolamento térmico

O isolamento térmico (Figuras 7.5 e 7.6), cujo objetivo é minimizar as perdas de calor
da água para o meio ambiente, deve apresentar alta resistência à passagem de calor. Os
materiais mais utilizados são o poliuretano expandido, a lã de vidro e a lã de rocha. Esse item
se torna ainda mais importante em instalações onde a distância entre o reservatório térmico e
os pontos de consumo é grande, já que ocorrem maiores perdas térmicas na tubulação que
deverá percorrer uma distância maior.

Figura 7.5: Tubulação de um SAS com isolamento Figura 7.6: Exemplo de tubulação de
térmico. Fonte: Fonte: Eletrobras Procel, PUC Minas, água quente com isolamento térmico
ECV 184/2006 – Relatório Campinas

84
Nas pesquisas constatou-se uma quantidade significativa de sistemas que não
possuíam isolamento térmico, como na cidade de Campinas, por exemplo, onde não havia
isolamento térmico em pelo menos 43% das instalações. Já no Rio de Janeiro, onde foram
avaliados dois tipos de sistemas diferentes (tecnologia A e B), não havia isolamento da
tubulação entre os equipamentos e o chuveiro em 62,5% e 14,3% das tecnologias A e B,
respectivamente.

7.5 Sistema anticongelamento

Em regiões com incidência de geadas e onde as temperaturas registradas no período


do inverno são muito baixas, indica-se a escolha de coletores que possuam algum dispositivo
anticongelamento, o que impede o congelamento da água em seus tubos internos e por
consequência seu rompimento. A NBR 15.220-3 estabelece o Zoneamento Bioclimático
brasileiro em oito zonas, sendo que nas zonas 01 e 02 é preciso ter cuidado especial, pois a
ocorrência de geadas é mais frequente.

Um exemplo disso é o município de Botucatu, localizado no interior do estado de São


Paulo, que registra fenômenos de geada no período compreendido entre os meses de junho e
setembro, com temperaturas que atingem valores próximos a 2°C, o que torna o uso de
coletores com dispositivo de anticongelamento indispensável. De acordo com a pesquisa
realizada na cidade, apenas 3,8% das instalações não contavam com tal dispositivo, e como
consequência todos os coletores estavam danificados devido ao congelamento da água.

7.6 Qualidade do sistema auxiliar

Como a geração e consumo de água quente nem sempre ocorrem simultaneamente é


necessário sempre prever um sistema de apoio ao SAS que entrará em operação quando o
aquecimento pelos coletores solares está abaixo da temperatura desejada. Os sistemas
auxiliares mais comuns são o elétrico e a gás (Figura 7.7 e 7.8). Em Campinas a incidência do
apoio elétrico foi de 71,28%, configurando a maioria dos casos. Tal predominância é
característica em sistemas de aquecimento solar de pequeno porte, onde uma resistência
elétrica é inserida no corpo do reservatório e sua operação pode ser controlada de modo
automático ou manual.

85
Figura 7.7: Exemplo de aquecimento auxiliar Figura 7.8: Exemplo de aquecimento auxiliar
a gás elétrico

Para o controle automático do sistema auxiliar é importante que o projetista defina a


temperatura de entrada desse dispositivo de forma que não haja sobreposição com o SAS, o
que leva a um acionamento desnecessário da resistência e a um aumento no consumo de
energia.

7.7 Segurança do sistema

Uma das maiores preocupações que se deve ter durante a execução de um projeto de
instalação de aquecimento solar diz respeito à segurança, que abrange o isolamento e
identificação do cabeamento elétrico e sistema auxiliar. Recomenda-se o isolamento dos fios
elétricos por condutores identificados por cores, e em caso de dúvidas, é necessário consultar
as normas de condutores elétricos da ABNT. A figura 7.9 corresponde a uma instalação fora
padrões de segurança.

86
Figura 7.9: Instalação elétrica com nível baixo de segurança

Na cidade de Campinas, em 72% das instalações acessadas não havia isolamento nem
identificação do cabeamento elétrico do sistema de aquecimento auxiliar. Além disso, em 83%
dos sistemas visitados não havia no reservatório placa de identificação do apoio elétrico. Tais
dados mostram que essas instalações apresentaram problemas críticos de segurança que
devem ser evitados para garantir a qualidade de todo o sistema.

7.8 Acessibilidade e manutenção

Para garantir um bom desempenho de uma instalação, é necessária a realização de


manutenções periódicas, como limpeza ou troca de componentes defeituosos. Sendo assim, o
usuário deve possuir total acesso aos componentes da instalação. Quando a acessibilidade ao
sistema é ruim ou inexistente possivelmente os coletores estarão sujos e, com a ocorrência de
trincas ou de vidros quebrados, cuja não substituição leva a problemas mais sérios como
infiltração, oxidação e deterioração do isolamento do coletor, por exemplo.

7.9 Abastecimento e qualidade da água

O conhecimento acerca da qualidade da água do local de instalação é de extrema


importância, tendo em vista que a água com características físico-químicas de baixo ou alto
valor de pH, provocam corrosão ou incrustação no reservatório térmico e/ou nas tubulações
de cobre existentes no sistema. Para isso, é importante que o projetista observe e pesquise
sobre a qualidade da água na localidade, levando em conta fatores como abastecimento de
água não tratada ou por caminhões pipa, poços artesianos, ou regiões litorâneas. Nesses casos
recomenda-se utilizar coletores constituídos por materiais poliméricos ou resistentes à
corrosão. Se necessário, uma análise físico-química da água deve ser feita para que o projetista
especifique o produto que melhor se adéqua à situação encontrada.

Além disso, sistemas abastecidos diretamente pela rede pública, em regiões onde o
abastecimento de água é irregular, podem ter seus componentes e funcionamento
prejudicados em caso de abastecimento inconstante por parte da concessionária. Em casos
como esse, sugere-se adotar caixas d’água instaladas de forma que garanta a pressão de
trabalho pela qual os equipamentos foram submetidos aos ensaios do PBE/INMETRO.

87
7.10 Check-list

Para auxiliar o projetista e/ou responsável pela instalação foi elaborado um check-list de
referência e disponibilizado a seguir:

88
89
90
Capítulo 7
8 RECOMENDAÇÕES PARA O INSTALADOR

Instalação

Manutenção e Segurança

Operação do sistema

PALAVRAS-CHAVE: Instalação de coletores e reservatórios; instalação de rede hidráulica; instalação


sistema de aquecimento auxiliar; comissionamento do SAS.

91
8. Recomendações para o instalador
A instalação de um sistema de aquecimento solar é um dos pontos que mais influencia em seu
desempenho e eficiência, já que a qualidade do sistema não depende apenas de um bom
projeto, mas também de sua boa execução.

A melhor forma de garantir uma boa instalação é capacitar adequadamente os instaladores do


sistema. Adotaremos nesse capítulo o modelo do NABCEP (North American Board of Certified
Energy Practitioners) que tem o propósito de elevar os padrões de qualidade da indústria
capacitando e certificando profissionais de energias renováveis da América do Norte.

Tal modelo identifica, em todas as fases da instalação, as atividades necessárias para a


instalação do SAS e as classifica em: Crítico, Muito importante e Importante.

As tarefas Críticas são de alta prioridade e todos os instaladores devem possuir conhecimento
e competência para realizá-las. Aqui estão contempladas todas as atividades relacionadas com
segurança e àquelas com alta probabilidade de erros que podem comprometer a integridade e
bom funcionamento do sistema. As atividades classificadas como Muito importantes são
aquelas de prioridade média e que devem ser realizadas com qualidade pelos instaladores. Já
as atividades de nível Importante são complementares às demais, mas possuem prioridade
menor. De qualquer forma todas devem ser bem executadas pelo instalador.

Para melhor entendimento do leitor foi criada uma legenda de cores (Figura 8.1) associada a
essa classificação e será utilizada para caracterizar as tarefas para o instalador:

Crítico

Muito Importante

Importante
Figura 8.1: Legenda de Cores

92
8.1 Primeiro passo: preparação

Para iniciar o processo de instalação é preciso reunir todas as informações sobre o local e o
sistema, que incluem: caracterização da casa (localização, número de banhos atendidos,
localização da caixa de água fria, acesso ao telhado, entre outros); projeto do SAS (número de
coletores, número de reservatórios e seu volume, localização dos equipamentos, tipo de
aquecimento auxiliar, distribuição hidráulica do circuito primário e secundário, materiais
utilizados para a tubulação de água fria e quente e etc). Recomenda-se que o instalador tire
todas as dúvidas de projeto com o responsável antes de iniciar a instalação do sistema no
local.

Em seguida o instalador deve elaborar uma lista de todos os materiais que serão necessários
para executar a instalação, bem como os equipamentos de proteção individuais ou EPIs, que
deverão ser reunidos e checados antes. Apesar de parecer uma tarefa simples a preparação é
muito importante, pois é o momento em que os questionamentos podem ser esclarecidos e o
instalador organiza suas atividades e poupa tempo, que será mais bem empregado na prática
da instalação.

Verifique na Figura 8.2 o organograma proposto para essa fase da instalação:

93
Figura 8.2: Organograma da preparação para instalação. Fonte: Profª Elizabeth M. D. Pereira/GIZ

94
8.2 Segundo passo: avaliação do local de instalação do SAS

De posse do projeto do SAS e suas especificações o instalador pode verificar in loco se


aquilo que está previsto ou relatado nesses documentos representa a realidade do local. Para
isso será necessário checar uma série de informações, tais como: orientação dos telhados da
casa; localização da caixa de água fria; observar se há a existência de algum obstáculo que
provocaria sombra no local de instalação do coletor solar; verificar quantos pontos de
consumo que serão atendidos e onde estão situados; verificar se a inclinação do telhado
corresponde a relatada em projeto; verificar as dimensões do telhado (altura, largura e
comprimento), entre outros.

É recomendável que o instalador relate as incompatibilidades ao projetista para que a


melhor solução seja elaborada e adotada. Para isso é sugerido que no momento da instalação
ele esteja munido de telefone e/ou outro equipamento de comunicação direta e imediata com
o projetista. O organograma apresentado na Figura 8.3 mostra as atividades referentes a essa
fase da instalação de acordo com a classificação de prioridades proposta nesse capítulo.

Figura 8.3: Organograma para avaliação do local de instalação.


Fonte: Profª Elizabeth M. D. Pereira/GIZ

95
8.3 Terceiro passo: planejamento da instalação in loco

Para iniciar as atividades no próprio local será necessário organizá-las de modo que o
profissional tenha a ideia de todos os procedimentos que ele deverá realizar do início ao fim
da instalação. Esse passo também é importante porque permite a identificação prévia de
problemas em fases específicas que podem ser resolvidos antes de iniciar a instalação.

Nesse momento o instalador deverá marcar os pontos do telhado ou cobertura onde o


coletor solar será inserido, realizar adaptações que se fizerem necessárias como a elevação da
altura da caixa d’água (conforme projeto) e observar os layouts de distribuição hidráulica tanto
do circuito primário quanto secundário.

Observe na Figura 8.4 o organograma referente a essa etapa da instalação:

Figura 8.4: Organograma para planejamento da instalação in loco.


Fonte: Profª Elizabeth M. D. Pereira/GIZ

96
8.4 Quarto passo: instalação do SAS
O instalador deverá iniciar a instalação do circuito primário do SAS que compreende:
coletor solar, reservatório térmico e interligação entre esses elementos. É fundamental o
cuidado e zelo com o local e todas suas características por parte do instalador e seus
ajudantes. Na ocasião de um eventual dano em qualquer elemento da edificação, este deverá
ser prontamente reparado.

Caso a caixa de água fria que irá alimentar o sistema não esteja posicionada
adequadamente (como vimos no Capítulo 2) será preciso corrigir essa condição alterando a
altura desse componente. Tal mudança deve ser prevista em projeto para garantir o bom
funcionamento do sistema e não interferir na estética da edificação. Na ausência de uma
solução projetual o instalador deverá comunicar ao responsável.

Para a inserção dos coletores solares será necessário fixá-los na estrutura do telhado
de forma que o conjunto resista à carga de vento. Um modo muito comum de instalação do
coletor é sua amarração, que pode ser feita com chapa metálica rígida sobre o tubo externo e
aparafusado nos elementos estruturais do telhado (Figura 8.5).

Figura 8.5: Ilustração com coletor fixado através de fita metálica

Outra maneira de fixar os coletores solares no telhado com a chapa metálica é


posicioná-la na porção inferior do coletor com uma dobra e fixar a ponta remanescente na
estrutura do telhado interna, como ilustra a Figura 8.6.

Figura 8.6: Ilustração de segunda alternativa para fixação de coletores com chapa metálica
Fonte: TR da CEF (adaptado pela equipe da Rede Eletrobras/Procel Solar)

97
O instalador nunca deve aparafusar o coletor diretamente no telhado, pois danificará
permanentemente o equipamento.
Todos os furos realizados no telhado deverão ser vedados adequadamente.
Recomenda-se o uso de manta asfáltica de aplicação a frio que tem se mostrado uma boa
solução para a estanqueidade da cobertura. O uso desse material em telhas cerâmicas requer
outro cuidado antes da sua instalação. Para evitar o descolamento da manta decorrente da
umidade, muitas vezes presente em telhas não esmaltadas, é necessária a aplicação de uma
resina acrílica no local onde a manta será colada. Também é muito importante efetuar a
limpeza do local antes da aplicação de qualquer material para garantir sua aderência.
Para a instalação do reservatório térmico é preciso checar as condições de acesso ao
telhado a fim de identificar o melhor caminho por onde tal elemento passará. Em muitas
residências o acesso ao telhado por alçapões é restrito e/ou possui dimensões reduzidas, o
que impede o deslocamento do RT internamente ao telhado. Nesses casos será preciso ajustar
os elementos do telhado para inserir o equipamento externamente. Assim, é fundamental que
o instalador ajuste corretamente a estrutura, garantindo sua resistência mecânica, e que essa
ação se restrinja apenas a passagem do RT para minimizar seu impacto.

Em seguida é importante recolocar as telhas retiradas para a passagem do RT no seu


devido local, perfeitamente encaixadas na estrutura do telhado. O instalador deverá ser
cuidadoso nesse momento para não prejudicar a estanqueidade da cobertura da residência.

O próximo passo da instalação é a interligação entre os coletores e o reservatório


térmico. Em instalações de pequeno porte, onde o número de coletores é reduzido, pode-se
conectá-los em paralelo (Figura 8.7).

Figura 8.7: Coletores solares interligados em paralelo

Para a saída de água fria do reservatório térmico que alimentará os coletores solares o
instalador deve adotar o tubo da porção inferior desse componente. Ele deverá ligar esse tubo
de saída com a entrada de água no coletor solar, localizada também em sua base. Já a saída de
água quente do coletor solar, localizada em seu topo, deve ser ligada ao tubo da porção
superior do reservatório.

Como vimos no Capítulo 5 existem muitos tipos de materiais usados em tubulações de


água quente, dentre eles os poliméricos flexíveis como o EDPM. Quando esse tipo de
tubulação é utilizado o instalador deve garantir que todas as curvas e conexões sejam rígidas a

98
fim de se evitar o acúmulo de bolhas e/ou um aumento significativo da perda de carga do
sistema, o que prejudica substancialmente seu funcionamento.

Para o trabalho com tubulações de cobre o instalador deve sempre seguir as


orientações de segurança e boas práticas listadas na NBR 15345 Instalação predial de tubos e
conexões de cobre e ligas de cobre.

Outro ponto importante a ser considerado é a redução do número de curvas que


podem ser necessárias para desvio de obstáculos como, por exemplo, a estrutura do telhado.

Em seguida devem-se instalar as válvulas e dispositivos de segurança do SAS como o


eliminador de ar na tubulação de água quente (Figura 8.8) e o suspiro ou respiro no
reservatório térmico (Figura 8.9). O primeiro deve ser posicionado no ponto mais quente do
circuito primário, isto é, na saída de água quente do coletor solar. Já o segundo pode ser
instalado no topo do reservatório ou na saída de água quente para o consumo e sua altura
deve ser superior a da caixa de água fria.

Figura 8.8: Eliminador de ar coletores

Figura 8.9: Suspiro ou respiro do RT

99
Para o circuito secundário o instalador deverá ligar o reservatório térmico aos pontos
de consumo. Para que a instalação tenha qualidade superior recomenda-se que o caminho
percorrido pela tubulação seja o menor possível, o que trará economia de material e menores
perdas térmicas pelo circuito. Novamente é preciso atentar para a redução de curvas da
tubulação.

Em seguida é necessário prosseguir com o isolamento das tubulações em sua


totalidade. Para aquelas expostas às intempéries também será necessário proteger o
isolamento com chapa ou fita aluminizada.

Em residências que não possuem tubulação própria para água quente será necessário
instalar o misturador externo na ducha ou chuveiro. Para garantir a durabilidade desse
dispositivo e impedir a ocorrência de vazamentos é recomendável que a haste seja fixada na
parede, conforme mostra a Figura 8.10.

Figura 8.10: Detalhe fixação da haste na parede

Como vimos no Capítulo 3 para o aquecimento auxiliar do SAS pode-se utilizar o


aquecimento elétrico/gás de passagem ou acumulação, ambos demandam do instalador certo
cuidado durante a instalação.

No caso do chuveiro elétrico e aquecedor instantâneo a gás o instalador deve observar


as normas de segurança da ABNT que tocam todos os assuntos relacionados com a sua
instalação. O chuveiro, por exemplo, deve ser adequadamente aterrado para impedir a
ocorrência de choques ou outros acidentes durante seu uso. O aquecedor instantâneo a gás
deve ser instalado em local ventilado e protegido.

O instalador deverá dar especial atenção ao sistema de aquecimento auxiliar de


acumulação, geralmente composto de uma resistência elétrica inserida no corpo do
reservatório térmico.

Nesse momento a instalação estará praticamente completa, mas uma importante


tarefa deve ser desempenhada pelo instalador que é o teste de todo o sistema. Para tal o
primeiro passo é checar todas as válvulas de acionamento e fechar todos os pontos de
drenagem. Posteriormente o instalador deve ligar a água fria e preencher todo o sistema para

100
a eliminação de bolhas e detecção de eventuais vazamentos. No caso da ocorrência deste
último sua correção deverá ser providenciada.

A identificação de válvulas e controles é uma tarefa simples, mas de grande


importância para se alcançar um SAS de qualidade. Essa atividade pode ser realizada após o
teste de funcionamento do sistema ou imediatamente antes dele, ficando a critério do próprio
instalador.

Observe na Figura 8.11 o organograma referente a essa etapa da instalação:

101
Figura 8.11: Organograma para instalação do SAS.
Fonte: Profª Elizabeth M. D. Pereira/GIZ

102
8.5 Quinto passo: comissionamento do SAS
Após verificar e corrigir os eventuais problemas do primeiro teste do sistema o
instalador deverá realizar o último teste para checar novamente as condições de operação e o
posicionamento das válvulas.

Para sistemas de aquecimento auxiliar de acionamento automático será necessário


programar o termostato ou sensor presente no boiler na temperatura desejada para seu
funcionamento de acordo com o Manual do Fabricante. Para sistemas de acionamento manual
o controle deverá ser claramente identificado e instalado em local visível e de fácil acesso. O
usuário deverá ser informado de sua localização e recomendações de uso.

Finalmente o instalador deverá entregar o Manual do Usuário para o proprietário da


residência e apresentar todo o sistema destacando as recomendações de limpeza e
manutenção dos coletores solares, funcionamento dos misturadores nos pontos de consumo
de água quente, boas práticas para uso do aquecimento auxiliar entre outros.

Para essa última etapa o organograma apresentado na Figura 8.12 ilustra e classifica as
atividades do instalador:

103
Figura 8.12: Organograma para comissionamento do SAS.
Fonte: Profª Elizabeth M. D. Pereira/GIZ

104
8.6 Check-List para o Instalador
Um check-list com base nos organogramas apresentados neste capítulo foi elaborado
com o objetivo de guiar as ações e atividades do instalador desde a preparação dos materiais e
equipamentos de segurança até o comissionamento do sistema.

Esse material pode ser observado a seguir:

105
106
107
Capítulo 8
9 SISTEMAS DE AQUECIMENTO SOLAR PARA MCMV

Inserção do SAS em residências unifamiliares

Inserção do SAS em residências multifamiliares

Exigências Termo de Referência da CEF

Recomendações para o instalador e boas práticas

PALAVRAS-CHAVE: MCMV, Termo de Referência da Caixa Econômica Federal

108
9. Sistemas de Aquecimento Solar de Pequeno Porte: Programa Minha
Casa Minha Vida
O programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) do governo federal busca reduzir o
déficit habitacional do país, estimado em 5,572 milhões de domicílios (Fundação João Pinheiro,
2008). Na primeira fase o programa teve como meta a construção de 1 milhão de habitações
para famílias com renda de até 5 salários mínimos entre 2009 e 2010. Já a fase seguinte estima
a construção de 2 milhões de moradias entre 2011 e 2014.

Ainda na primeira etapa do MCMV foram implantados aquecedores solares em 40 mil


residências. O uso do aquecimento solar foi tão bem sucedido que em Julho de 2011 o
governo tornou obrigatória sua inserção nas residências unifamiliares das regiões Sul, Sudeste
e Centro-Oeste. Essa iniciativa leva a construção de moradias mais sustentáveis e com menor
consumo energético, o que proporciona economia a seus usuários.

Para garantir a qualidade dos sistemas foi elaborado o Termo de Referência da Caixa
Econômica Federal que estabelece as características básicas dos equipamentos, sua forma
correta de instalação e procedimentos que devem ser adotados pelas construtoras e/ou
responsáveis pelos empreendimentos para sua instalação. Recomenda-se a leitura completa
desse documento para elaborar projetos de SAS para o programa MCMV.

O Termo de Referência da CEF estabelece que os sistemas de aquecimento solar


devem operar exclusivamente por circulação natural ou termossifão em residências uni e
multifamiliares, com volume de 200 litros de água quente por moradia. Apesar de ser muito
similar aos sistemas já apresentados nesse manual existem alguns detalhes sobre os SAS do
programa MCMV que serão apresentados separadamente nesse capítulo.

9.1 Componentes do Sistema de Aquecimento Solar


Segundo o Termo de Referência da CEF os componentes do SAS são: coletor solar,
reservatório térmico, caixa redutora de pressão e interligação entre os equipamentos e
suportes. Para cada componente há uma especificação distinta.

No caso dos coletores solares há uma distinção (Tabela 9.1) para produtos empregados
nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste comparados aos das regiões Norte e Nordeste:

Tabela 9.1: Características de Coletores Solares segundo o Termo de Referência da Caixa


Econômica Federal (TR CEF)

109
Os coletores devem ainda ser resistentes à temperatura de estagnação e pressão de
trabalho; possuir vidro com espessura nominal maior ou igual a 3,0 mm; caixa em alumínio,
aço inoxidável ou material resistente à corrosão e às intempéries. Caso o equipamento
escolhido não atinja a produção média mensal de energia estabelecida é permitido realizar
arranjo com número maior de coletores.

Importante: para escolher o produto de acordo com as exigências do TR CEF o projetista deve
consultar a tabela de eficiência do INMETRO mais recente através do link:
http://www.inmetro.gov.br/consumidor/tabelas.asp

No Brasil apesar da maioria das localidades possuírem temperaturas amenas durante o


ano todo, alguns lugares podem apresentar invernos mais rigorosos com a ocorrência de
geadas. Nesses casos os coletores solares devem possuir um dispositivo anticongelamento. A
NBR 15.220-3 estabelece o Zoneamento Bioclimático do Brasil, dividindo o país em oito zonas
de características climáticas diferentes, conforme mostrado na Figura 9.1.

Figura 9.1: Zoneamento Bioclimático Brasileiro (Fonte: ABNT NBR 15.220-3)

A CAIXA exige a adoção de dispositivos anticongelamento em coletores instalados em


locais situados nas zonas bioclimáticas 1 e 2, e em locais da zona bioclimática 3 cuja
temperatura no inverno chegue a atingir 2°C ou menos.

Não há restrição quanto à geometria dos coletores solares, que podem ser verticais ou
horizontais (Figura 9.2 e 9.3). Contudo nas habitações de interesse social unifamiliares a
cobertura é caracterizada pela área reduzida e divisão em duas águas com declividade
aproximada de 30%, o que muitas vezes não é suficiente para que um coletor vertical opere
corretamente por termossifão. Assim o uso de coletores horizontais é uma boa solução e se
torna mais comum nesse tipo de sistema.

110
Figura 9.2: SAS com coletor solar vertical Figura 9.3: SAS com coletor solar horizontal
Fonte: Luciana Carvalho/GIZ Fonte: Luciana Carvalho/GIZ

Importante: os coletores horizontais devem possuir tubos na ascendente, com a entrada de


água fria posicionada na sua porção inferior e a saída de água quente na porção superior
oposta. Nas figuras 9.4 e 9.5 são mostrados dois coletores horizontais, um com os tubos na
ascendente (correto) e outro com tubos horizontais (incorreto):

Figura 9.4: Coletor horizontal correto

Figura 9.5: Coletor horizontal incorreto

111
Os reservatórios térmicos deverão ser da seguinte maneira: possuir volume de 200
litros, preferencialmente distribuídos em um único equipamento horizontal; não possuir
resistência elétrica como aquecimento auxiliar; ser resistente à temperatura de estagnação e à
pressão de trabalho; ser em aço inoxidável apropriado ou termoplástico; ser resistente às
intempéries e condições de operação em exposição externa; ser etiquetado pelo Programa
Brasileiro de Etiquetagem (PBE-INMETRO). A figura 9.6 ilustra esse componente:

Figura 9.6: Reservatório térmico


Fonte: Luciana Carvalho/GIZ

Outro elemento que faz parte do SAS, segundo o TR CEF, é a caixa redutora de pressão
(Figura 9.7) que é utilizada para abastecer o reservatório com água fria. Esse equipamento
deve apresentar as seguintes características: possuir registro bóia com vazão de operação
mínima de 6,0 litros por minuto, com resistência à pressão conforme norma ABNT NBR 5.626;
volume útil mínimo de 10 litros; tamponamento à prova de poeira; ser de aço inoxidável ou
termoplástico.

Figura 9.7: Caixa redutora de pressão


Fonte: Luciana Carvalho/GIZ

9.2 Inserção do SAS em residências unifamiliares


Os SAS destinados às moradias do programa MCMV já possuem volume e área
coletora pré-definida no TR da CEF, portanto não há necessidade do projetista avaliar seu
dimensionamento. Apesar disso, é muito importante que se observe as condições de inserção
do equipamento nas residências, pois aqui não há opção de aumentar a área coletora para
atingir uma eficiência maior.

112
Vimos que a eficiência de um SAS está diretamente ligada à forma com que ele é
instalado, já que a orientação e inclinação da placa influenciam no valor da irradiação que
incide sobre ela. Assim a instalação do sistema no telhado deve atender às recomendações de
desvio máximo de ±30° do Norte Verdadeiro, ou Geográfico, e inclinação igual ou +10° a
latitude do local.

Em conjuntos habitacionais é comum que as residências possuam implantações


distintas para melhor aproveitamento do terreno, isso faz com que a orientação dos telhados
também seja diferente, como mostra a Figura 9.8. Dessa forma o projetista deverá avaliar qual
a melhor porção da cobertura para que o SAS seja implantado, bem como se há a necessidade
de uso de suportes para corrigir a orientação dos coletores solares.

Figura 9.8: Exemplo de implantação de um conjunto habitacional

Exemplo 9.1:

O conjunto habitacional Girassol (Figura 9.9) será construído através do programa Minha Casa
Minha Vida e aquecedores solares serão instalados em todas as casas. Avalie as condições dos
telhados das residências para receber os coletores solares e defina a melhor maneira para
instalar esses equipamentos.

113
Figura 9.9: Conjunto habitacional Girassol

Solução:

Para as casas cujo desvio do telhado em relação ao Norte Verdadeiro é igual a 157° os
coletores podem ser instalados diretamente sobre essa água. Enquanto nas casas com desvio
do telhado de 112° será necessário o uso de um suporte para garantir a correta orientação do
coletor solar, conforme mostra a Figura 9.10:

Figura 9.10: Conjunto habitacional Girassol

Caso não seja possível corrigir a orientação dos coletores o TR da CEF estabelece que a
Produção Mensal de Energia Nominal deva ser aumentada da seguinte maneira:

114
Tabela 9.2. Correção da produção média mensal de energia proposta pelo TR da CEF

Para a instalação dos coletores no telhado o TR da CEF determina que os suportes e


dispositivos de fixação atendam as seguintes características: ser de material metálico não
ferroso ou em aço SAC300 ou similar, pintado com material adequado a sua proteção e
conservação; para a fixação de coletores deve ser previsto, no mínimo, fita metálica
galvanizada ou outro tipo de tratamento resistente à corrosão; todo o conjunto deve ser
resistente à carga de vento mínima de 40kg/m² e não apresentar arranjos que indiquem falta
de equilíbrio ou insegurança.

Importante: os suportes devem garantir que os coletores solares não sejam


inclinados de modo que seus tubos internos não ficariam na vertical prejudicando a
operação do sistema. Observe as figuras 9.11 e 9.12 que ilustram os modos correto e
incorreto do uso dos suportes:

Figura 9.11: Inserção correta do SAS com suportes

115
Figura 9.12: Inserção incorreta do SAS com suportes

Vimos anteriormente que há diversas opções de sistemas de aquecimento auxiliar que


servirão de apoio ao SAS. No entanto, o TR da CEF determina que o apoio para o SAS instalado
nas habitações será o chuveiro elétrico. Nesse caso o construtor deverá fornecer o aparelho
com potência nominal entre 4400W e 4500W, observando a tensão elétrica no local da
instalação. O aparelho também deve permitir a seleção de no mínimo 3 temperaturas
diferentes. Também serão aceitos aquecedores a gás de passagem com regulagem de
temperatura.

Importante: o construtor deverá sempre seguir as normas da ABNT para garantir a


correta instalação do chuveiro elétrico, principalmente com relação ao seu aterramento.

Em casos em que o coletor é instalado diretamente sobre a cobertura, ou seja, sem o


uso de suportes, recomenda-se o uso de um perfil metálico fixado na estrutura do telhado
como mostra a Figura 9.13.

116
Figura 9.13: Recomendação para fixar coletores solares em telhados. Fonte: TR da CEF
(adaptado pela equipe da Rede Eletrobras/Procel Solar)

Importante: o TR da CEF estabelece que não serão aceitas amarrações de coletores com
fios metálicos e/ou arames. Portanto, coletores fixados conforme a Figura 9.14 deverão sofrer
correções para que a instalação esteja de acordo com o solicitado.

Figura 9.14: Coletor amarrado com fio de cobre (incorreto). Fonte: Renan Cepeda/GIZ

Para a instalação do reservatório térmico deve-se garantir que eles não sejam
apoiados diretamente sobre as telhas. Desse modo torna-se necessário o uso de um perfil
metálico, que deve ser de material resistente à corrosão e servirá de apoio para o
equipamento. Recomenda-se que o perfil seja aparafusado na estrutura do telhado (Figura
9.15 e 9.16).

117
Figura 9.15: Reservatório térmico apoiado em Figura 9.16: Reservatório térmico
perfil metálico fixado na estrutura do telhado apoiado sobre suportes metálicos.
Fonte: Renan Cepeda/GIZ

O instalador deverá realizar a vedação de quaisquer furos nas telhas da cobertura,


decorrentes da fixação dos equipamentos, com manta asfáltica aluminizada ou poliuretano
(Figura 9.17). Não serão aceitas vedações com silicone (Figura 9.18).

Figura 9.17: Detalhe vedação com manta asfáltica aluminizada (correto). Fonte: TR da CEF
(Adaptado pela equipe Rede Eletrobras/Procel Solar)

118
Figura 9.18: Vedação com silicone (incorreto). Fonte: Renan Cepeda/GIZ

O isolamento térmico das tubulações de água quente é exigido tanto para materiais
metálicos quanto para poliméricos e recomenda-se o uso de calha em polietileno expandido
com espessura mínima de 5 mm ou similar (Figura 9.19).

Figura 9.19: Detalhe de isolamento térmico sendo instalado na tubulação.


Fonte: Renan Cepeda/GIZ

Para receber o SAS a habitação deverá possuir tomada de água fria a, pelo menos,
0,5m da entrada do reservatório térmico e a rede de distribuição de água quente localizada a
0,5m de sua saída para o consumo. Além disso, a instalação sanitária deverá ser dotada de um
misturador de água fria e outro de água quente, sendo que este último deve estar embutido
na alvenaria.

119
Importante: não serão aceitas instalações de misturadores externos, muito utilizados em
adaptações de residências que não possuem tubulação própria para água quente.

O TR da CEF também exige que a conexão dos misturadores seja realizada em “Y” e
não em “T”. Também deverá ser prevista a instalação de um registro gaveta entre a saída do
reservatório térmico e o registro de pressão de água quente do chuveiro.

Não há restrições quanto ao tipo de sistema que deverá ser instalado nas residências,
podendo ser separado (com reservatório térmico interno a casa, ilustrado na Figura 9.20) ou
em conjunto (com todos os equipamentos instalados sobre o telhado, como mostra a Figura
9.21).

Figura 9.20: Reservatório térmico instalado sob o telhado

Figura 9.21: SAS integrado e instalado em conjunto sobre o telhado

120
Apesar disso, durante a escolha do tipo do sistema é fundamental garantir as
distâncias necessárias para o bom funcionamento do SAS por termossifão, conforme estudado
no Capítulo 2.
Para a instalação do SAS é necessário que as habitações já possuam abastecimento de
água fornecido pela rede pública. Caso a ligação ainda não tenha sido realizada o construtor
deverá providenciar caixas d’água do tipo torre com ligação provisória para todo o conjunto,
em que o volume destinado para cada residência deverá ser de 200 litros. A pressão da rede
na entrada de água fria no empreendimento deverá obedecer ao limite de 4 kg/cm².

9.4 Inserção do SAS em residências multifamiliares


Para a instalação do SAS em habitações de interesse social (HIS) multifamiliares
verticais o projetista deverá observar algumas diferenças com relação aos sistemas destinados
às residências unifamiliares. Aqui detalhes como local de inserção dos equipamentos, distância
entre eles, uso preferencial de shafts para distribuição hidráulica, entre outros, são de
fundamental importância para garantir a qualidade da operação do sistema.

Em HIS multifamiliares o TR da CEF também estabelece que a operação do SAS seja por
termossifão ou circulação natural. Basicamente temos o caso de um edifício multifamiliar
abastecido por sistemas individuais de aquecimento solar. Assim, esse tipo de instalação
caracteriza-se por ser de pequeno porte, ainda que a população beneficiada seja maior do que
apenas uma família.

Por se tratar de sistemas tão parecidos daremos enfoque apenas em situações que os
diferenciam. Detalhes de instalação de equipamentos, zelo pela construção e segurança são os
mesmos para ambos os casos.

A implantação de um conjunto de edifícios multifamiliares em um loteamento segue a


mesma lógica dos unifamiliares, com a inserção das unidades habitacionais no terreno de
forma tal que maximize seu aproveitamento, reduza custos de infraestrutura e etc. Assim, o
projetista deverá ficar atento à inserção dos SAS nas coberturas dos prédios de modo que seja
escolhida a melhor orientação e inclinação para os coletores solares.

Em casos em que o projeto do conjunto está em sua fase preliminar é possível


identificar e optar pela implantação que mais favoreça o sistema de aquecimento solar. Na
Figura 9.22 é possível observar o desenho de um conjunto habitacional onde foi possível
garantir que todos os coletores solares fossem orientados para o Norte Verdadeiro (ângulo
azimutal de 180° ou desvio de 0°) nos três edifícios.

121
Figura 9.22: Exemplo de conjunto habitacional com coletores orientados para o Norte
Verdadeiro. Fonte: Luciana Carvalho/GIZ

Para que o SAS seja instalado de forma correta nas coberturas, com baixa incidência de
sombreamento, boa acessibilidade e segurança é importante considerar algumas variáveis
durante o projeto do edifício, tais como: as dimensões e geometria dos equipamentos; a
inclinação dos coletores; o número total de sistemas; o afastamento entre baterias e o acesso
para manutenção.

O afastamento entre as baterias permite não só que o acesso aos sistemas para sua
manutenção seja bom, mas também evita que haja sombreamento excessivo entre os próprios
equipamentos. Para saber qual a distância mínima ideal entre as baterias utiliza-se, de modo
simplificado, o seguinte cálculo:

d= h x k
Onde k é um fator determinado de acordo com a Latitude do local (Tabela 9.3) e h é a
altura do sistema segundo Figura 9.23.

TABELA 9.3 – FATOR k

Latitude (°) 5 0 -5 -10 -15 -20 -25 -30 -35

k 0,541 0,433 0,541 0,659 0,793 0,946 1,126 1,347 1,625

122
L

h= L x sen β h

d L x cos β

Figura 9.23: Distância mínima entre SAS


Fonte: FINEP. Projeto SolBrasil – Rede Brasil de Capacitação em Energia Solar. Manual do
Professor. Adaptado por: Luciana Carvalho/GIZ

Após avaliar criteriosamente as variáveis citadas nos parágrafos anteriores o projetista


poderá pré-dimensionar a cobertura do edifício de modo que favoreça a instalação do SAS. A
Figura 9.24 mostra um exemplo de cobertura planejada para a correta inserção do sistema:

Figura 9.24: Exemplo de cobertura projetada para a inserção do SAS. Fonte: Luciana
Carvalho/GIZ

O uso de suportes para corrigir eventuais desvios críticos de orientação ou inclinação


de coletores também é permitido para SAS de HIS multifamiliares e as características dos
suportes são as mesmas apresentadas para HIS unifamiliares. Como o número de sistemas
inseridos na cobertura aqui é maior (será um por unidade habitacional) o cálculo estrutural do
telhado deverá prever tal carga adicional.

Cada sistema deverá possuir identificação associada ao apartamento a que pertence


para que a manutenção ou eventuais correções no sistema seja realizada de modo adequado.

123
Uma boa opção é nomear os sistemas assim como seus respectivos apartamentos, por
exemplo: o S202 é o SAS que abastece o apartamento 202 (Figura 9.25).

Figura 9.25: Exemplo de SAS identificado. Fonte: Luciana Carvalho/GIZ

Recomenda-se que a distribuição hidráulica seja feita através de shafts ou


compartimentos que centralizam a rede tanto de água quente quanto fria. Esse tipo de
solução é muito interessante por facilitar a manutenção do sistema e padronizar a distribuição
de água para os pontos de consumo. Para o uso desses compartimentos o projetista deverá
prever espaço suficiente para as tubulações (água quente e fria), sendo que toda a rede de
distribuição de água quente deverá possuir isolamento térmico.

Será necessário também realizar um estudo das pressões encontradas em cada


apartamento para equalizá-las, caso ocorram discrepâncias entre elas.

Para cada ponto de consumo é necessário instalar comandos misturadores de água fria
e quente para conforto e segurança do usuário, assim como estabelece o TR da CEF também
para HIS unifamiliares.

A Figura 9.26 mostra o conjunto habitacional Mangueiras, localizado na cidade do Rio


de Janeiro, que recebeu sistemas de aquecimento solar.

Figura 9.26: SAS instalado no conjunto Mangueiras – Rio de Janeiro, RJ. Fonte: Renan
Cepeda/GIZ

124
9.5 Recomendações para o instalador e boas práticas
Para garantir uma boa instalação do SAS é fundamental que um bom projeto seja
desenvolvido. Alguns pontos importantes que o projetista deve considerar são listados a
seguir:

1 – Sempre contemplar a segurança, manutenção e zelo do equipamento;

2 – Permitir que o SAS possa receber manutenção adequada, garantindo que seu
responsável tenha acesso seguro a ele;

3 – Considerar o estudo da água disponível no local de implantação para melhor


escolher os componentes do SAS;

4 – Avaliar se o SAS provocará interferência no sistema de proteção de descargas


atmosféricas/elétricas para edifícios que possuírem esse tipo de proteção. Em caso afirmativo
deve-se prever uma solução.

5 – A ART de execução da instalação deve sempre estar disponível no canteiro de


obras.

A instalação de um SAS não é tarefa muito complicada, mas o projetista deve fazer
algumas recomendações para o instalador que irão garantir sua segurança, a integridade da
edificação e o bom desempenho do sistema.

Em locais onde o acesso ao telhado é difícil ou pode comprometer a segurança do


instalador o uso do EPI (Equipamento de Proteção Individual) é fundamental. Na Figura 9.27
uma equipe de instaladores trabalha na cobertura de um edifício multifamiliar em que o
acesso é de alto risco, por isso todos estão utilizando o EPI.

Figura 9.27: Equipe de instaladores com EPI. Fonte: Renan Cepeda/GIZ

125
No momento da instalação é importante que o responsável garanta a integridade da
casa. Assim cuidados com os componentes do telhado, paredes e demais instalações devem
ser tomados, já que quaisquer danos causados pela falta de zelo deverão ser reparados.

Os SAS instalados nas HIS do MCMV operam por circulação natural e para que
funcionem corretamente recomenda-se que a entrada de água fria se dê na porção inferior do
coletor e a saída de água quente na porção superior oposta (do mesmo modo que os testes do
PBE Coletores são realizados), como mostra a Figura 9.28.

MAIS QUENTE

MAIS FRIO

Figura 9.28: Ligação entre componentes: coletor solar – reservatório térmico. Fonte: Luciana
Carvalho/GIZ

A fim de garantir a eficiência do sistema sua tubulação de água quente deverá sempre
ser instalada na ascendente e o instalador deve garantir que a saída de água quente esteja em
seu ponto mais alto, devendo receber inclinação positiva para a eliminação de bolhas.

Como já mencionado no Capítulo 5, em sistemas que operam por termossifão a


elevada perda de carga compromete muito sua eficiência e deve ser evitada. Assim
recomenda-se que alguns cuidados sejam adotados pelo instalador principalmente nas
interligações entre o coletor e o reservatório. Em casos em que o reservatório está localizado
internamente o instalador deve evitar que a tubulação de alimentação e retorno do coletor
tenha curvas em demasia, muitas vezes utilizadas para desvio da estrutura do telhado, por
desconhecimento ou hábitos do instalador.

O instalador deverá seguir as recomendações das normas e textos normativos da ABNT


que tratam da instalação de tubos metálicos e poliméricos. A NBR 15345 trata de instalações
de tubos de cobre e aço carbono e apresenta uma série de informações sobre equipamentos
utilizados, como medir e cortar os tubos, limpeza e preparação do tubo para a solda e demais
procedimentos para a soldagem. As Figuras 9.29 e 9.30 mostram um instalador preparando e
soldando um tubo de cobre:

126
Figura 9.29: Aplicação do fluxo com pincel. Figura 9.30: Soldagem de tubos.
Fonte: Renan Cepeda/GIZ Fonte: Renan Cepeda/GIZ

Após a instalação do SAS o construtor também deverá disponibilizar ao usuário um


manual de fácil leitura, ilustrado, que deve conter as seguintes informações:

1. Todas as informações do fabricante;


2. Especificações técnicas dos produtos;
3. Informações sobre o que é um SAS;
4. Dados sobre os benefícios ao usuário;
5. Instruções de uso do equipamento;
6. Funcionamento do sistema auxiliar;
7. Informações sobre a capacidade do reservatório térmico;
8. Dicas de economia e duração do banho;
9. Informações sobre a manutenção do SAS;
10. Garantia do produto (no mínimo 5 anos);
11. Disponibilizar contato do serviço de atendimento ao consumidor;
12. Disponibilizar contato de assistência técnica.

Ficará a cargo do Fornecedor do SAS o acompanhamento da instalação dos sistemas


em todo o conjunto e a emissão do “Termo de Conclusão” exigido pela CAIXA (modelo
disponível no TR da CEF). O serviço de assistência técnica também será de responsabilidade do
Fornecedor por um período mínimo de 12 meses a partir da data da instalação. Tal assistência
deverá ser realizada em até 72 horas após acionamento do Fornecedor pelo usuário.

O projeto e instalação do SAS devem ser realizados por profissional capacitado


acompanhado da ART da obra emitida pelo sistema CONFEA/CREA. As normas da ABNT, leis
municipais, estaduais e federais devem sempre ser seguidas e observadas pelos responsáveis,
bem como a versão mais recente do Termo de Referência da CEF.

127
Referências Bibliográficas

128
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT 5410:2004 – Instalações de baixa tensão

ABNT NBR 12269 (2006) – Instalação de sistemas de aquecimento solar de água em circuito
direto.

ABNT NBR 5626 – Instalação predial de água fria

ABNT NBR 7198 – Projeto e execução de instalações prediais de água quente

ABNT NBR 13103:2006 – Adequação de ambientes residenciais para instalação de aparelhos


que utilizam gás combustível

ABNT NBR 15569 – Sistema de aquecimento solar de água em circuito direto – Projeto e
Instalação

ABNT NBR 15747-1 – Sistemas solares térmicos e seus componentes – Coletores solares Parte
1: Requisitos Gerais

ABNT NBR 10185 – Reservatórios térmicos para líquidos destinados a sistemas de energia
solar – Determinação de desempenho térmico

ABNT NBR 5626 – Instalação predial de água fria

ABNT NBR 7198 – Projeto e execução de instalações prediais de água quente

ABRAVA RN 4 – 2003 – Proteção contra o congelamento de coletores solares

ABNT NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas

ABNT NBR 15.220-3 – Desempenho térmico de edificações. Parte 3: Zoneamento bioclimático


brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social.

ABNT NBR 15345 - Instalação predial de tubos e conexões de cobre e ligas de cobre.

BAPTISTA, M. B.; COELHO, M. M. L. P. Fundamentos de Engenharia Hidráulica. Belo


Horizonte: Editora UFMG 2003.

CAIXA ECOCÕMICA FEDERAL - TR Sistemas de Aquecimento Solar de Água MCMV 2.


Disponível em:
http://downloads.caixa.gov.br/_arquivos/desenvolvimento_urbano/gestao_ambiental/tr_sas_
mcmv2.pdf

129
ILHS, M. S. O., GONÇALVES, O. M., KAVASSAKI, Y. Sistemas Prediais de Água Quente.
TT/PCC/09 Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia Civil.

INMETRO. RAC 6 – Requisito de Avaliação da Conformidade para Sistemas e equipamentos


para aquecimento solar de água do PBE/Inmetro.

INMETRO. Portaria n° 17, de 16 de Janeiro de 2012. Requisitos Técnicos da Qualidade para o


Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ-C), 2012.

NABCEP - North American Board of Certified Energy Practitioners. Solar Heating Installer
Certification. Disponível em http://www.nabcep.org/certification/solar-thermal-installer-
certification.

130