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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ

INSTITUTO DE FÍSICA E QUÍMICA

APOSTILA DE QUÍMICA ANALÍTICA


EXPERIMENTAL

Docentes:

Márcia Matiko Kondo

Milady Renata Apolinário da Silva

Bianca Veloso Goulart

ITAJUBÁ, 2016
SUMÁRIO

SEGURANÇA NO LABORATÓRIO ....................................................................................... 1


PRIMEIRA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA QUALITATIVA ......................................... 9
Aula 1 – Testes para identificação de cátions do grupo I e II.................................................... 9
Cátions do Grupo I – Na+, K+ e NH4+ ....................................................................................... 9
Cátions do Grupo II ................................................................................................................. 12
Aula 2 – Testes para identificação de ânions .......................................................................... 16
SEGUNDA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA QUANTITATIVA...................................... 19
Aula 3 – Determinação de ferro por gravimetria..................................................................... 19
Aula 4 – Preparo e padronização de solução de NaOH. Determinação de acidez em amostras
Aula 5 – Complexometria. Determinação de Ca2+ e Mg2+ em diferentes amostras ................ 23
TERCEIRA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA INSTRUMENTAL ................................... 24
Aula 6 – Determinação de ferro por espectroscopia de absorção molecular e atômica .......... 24
Aula 7 – Introdução à cromatografia....................................................................................... 27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 28
SEGURANÇA NO LABORATÓRIO

A segurança em atividades desenvolvidas em um laboratório químico é um assunto tão


importante quanto extenso. Abaixo estão relacionados alguns Itens elementares que devem ser
observados em trabalhos de laboratório. Incorpore-os em seu procedimento habitual no trabalho
diário.

Lembre-se:

1. Os acidentes não acontecem, são causados.


2. O seu primeiro acidente pode ser o último.
3. Siga as normas de segurança estabelecidas.
4. Na dúvida, consulte os manuais e as Fichas de Informações de Segurança de Produto
Químico (FISPQ), originalmente conhecida como MSDS (do inglês, Material Safety
Data Sheet).
5. O laboratório não é lugar para brincadeiras! Concentre-se no que estiver fazendo.
6. Manter sempre a calma!!!

As fichas de Segurança (MSDS) são formulários que contêm dados referentes às


propriedades de substâncias químicas. Dentre outras, elas fornecem informações importantes a
respeito das características físicas (ex: ponto de fusão, ponto de ebulição, etc), reatividade,
toxicidade, manipulação, armazenamento, eliminação, descarte, primeiros socorros e
equipamento de proteção para o seu manuseio seguro destas substâncias. No Brasil, a MSDS é
conhecida como Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico (FISPQ).

Regras básicas de segurança em laboratórios:

1. Use sempre óculos de segurança e avental de algodão, longo e de mangas longas.


2. Use calças compridas e calçados fechados. Não use saias, bermudas ou calçados
abertos.
3. Pessoas que tenham cabelos longos devem mantê-los presos enquanto estiverem no
laboratório.
4. Não trabalhe sozinho, principalmente fora do horário de expediente.
5. Não fume, coma ou beba nos laboratórios. Lave bem as mãos com sabonete ao deixar o
recinto.
6. Antes de usar reagentes que não conheça, consulte a bibliografia adequada e informe-se
sobre como manuseá-los e descartá-los.
7. Não retorne reagentes aos frascos originais, mesmo que não tenham sido usados.

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8. Evite circular pelo laboratório segurando reagentes.
9. Ao ser designado para trabalhar em um determinado laboratório, é imprescindível o
conhecimento da localização dos acessórios de segurança.
10. Não use equipamentos que não tenha sido treinado ou autorizado a utilizar.
11. Certifique-se da tensão de trabalho da aparelhagem antes de conectá-la à rede elétrica.
Quando não estiverem em uso, os aparelhos devem permanecer desconectados.
12. Use sempre luvas de isolamento térmico ao manipular material quente ou frio.
13. Nunca pipete líquidos com a boca. Neste caso, use bulbos de borracha ou trompas de
vácuo.
14. Antes de iniciar o experimento verifique se todas as conexões e ligações estão seguras.

Atitudes ao entrar em um laboratório:

Quando entrar ou estiver trabalhando em um laboratório, você deve:

1. Localizar os extintores de incêndio e verificar a qual tipo pertencem e que tipo de fogo
podem apagar antes de usá-lo.
2. Localizar as saídas de emergência.
3. Localizar a caixa de primeiros socorros e verificar a validade e os tipos de
medicamentos existentes, bem como o seu modo de utilização.
4. Localizar a caixa de máscaras contra gases. Se precisar usá-las, lembre-se de verificar a
existência e qualidade dos filtros adequados à sua utilização.
5. Localizar a chave geral de eletricidade do laboratório e aprender a desligá-la.
6. Localizar o cobertor anti-fogo.
7. Localizar a caixa de areia.
8. Localizar o equipamento lava-olhos mais próximo e verificar se está funcionando
adequadamente.
9. Localizar o chuveiro de segurança e verificar se este está funcionando adequadamente.
10. Informar-se quanto aos telefones a serem utilizados em caso de emergência (hospitais,
ambulância, bombeiros, etc.).

IMPORTANTE: Além de localizar estes equipamentos, você deve saber utilizá-los


adequadamente. Assim, consulte a pessoa responsável pela segurança do laboratório ou os
manuais especializados no assunto.

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Atitudes durante a realização de experimentos:

1. Nunca adicione água sobre ácidos e sim ácidos sobre água.


2. Ao testar o odor de produtos químicos, nunca coloque o produto ou o frasco
diretamente sob o nariz.
3. Quando estiver manipulando frascos ou tubos de ensaio, nunca dirija a sua abertura na
sua direção ou na de outras pessoas.
4. Fique atento às operações onde for necessário realizar aquecimento.
5. Cuidado para não se queimar ao utilizar sólidos e líquidos em baixas temperaturas, tais
como nitrogênio líquido ou gelo seco (CO2 - sólido). O uso de óculos de seguranças é
mandatório.
6. A destilação de solventes, a manipulação de ácidos e compostos tóxicos e as reações
que exalem gases tóxicos são operações que devem ser realizadas em capelas, com boa
exaustão.
7. As válvulas dos cilindros devem ser abertas lentamente com as mãos ou usando chaves
apropriadas.
8. Nunca force as válvulas, com martelos ou outras ferramentas, nem as deixe sobre
pressão quando o cilindro não estiver sendo usado.
9. Sempre que possível, antes de realizar reações onde não conheça totalmente os
resultados, faça um teste em pequena escala, na capela.
10. Ao trabalhar com reações perigosas (perigo de explosão, geração de material tóxico,
etc.) ou cuja periculosidade você desconheça, proceda da seguinte forma:
a. avise seus colegas de laboratório;
b. trabalhe em capela com boa exaustão, retirando todo tipo de material inflamável.
c. trabalhe com a área limpa.
d. use protetor acrílico;
e. tenha um extintor por perto, com o pino destravado.
11. Ao se ausentar de sua bancada ou deixar reações em andamento à noite ou durante o fim
de semana, preencha a ficha de identificação adequada. Caso esta não esteja disponível,
improvise uma e coloque-a em local visível e próximo ao experimento. Nela devem
constar informações sobre a reação em andamento, nome do responsável e de seu
superior imediato, com endereço e telefone para contato, além de informações de como
proceder em caso de acidente ou de falta de água e/ou eletricidade.
12. O último usuário, ao sair do laboratório, deve desligar tudo e desconectar os aparelhos
da rede elétrica.

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O uso de materiais e conexões de vidro:

1. Ao segurar material de vidro, verifique sua condição. Lembre-se que o vidro quente tem
a mesma aparência que a do vidro frio. Qualquer material de vidro trincado deve ser
rejeitado.
2. Vidros quebrados devem ser descartados em recipiente apropriado.
3. Use sempre um pedaço de pano protegendo a mão quando estiver cortando vidro ou
introduzindo tubos de vidros em orifícios. Antes de inserir tubos de vidro, termômetros,
etc. em tubos de borracha ou rolhas verifique se as bordas não contêm regiões cortantes
e se os diâmetros são condizentes entre si. Lubrifique (levemente) a superfície do vidro
com glicerina e segure o tubo de vidro bem próximo à rolha. Aplique uma leve pressão
combinada com movimentos de rotação.
4. Nunca use mangueiras de látex velhas. Faça as conexões necessárias utilizando
mangueiras (apropriadas) novas e abraçadeiras.
5. Tenha cuidado especial ao trabalhar com sistemas sob vácuo ou pressão. Dessecadores
sob vácuo devem ser protegidos com fita adesiva e colocados em grades de proteção
próprias.
6. Este mesmo procedimento deve ser adotado ao ser usar frascos para conter líquidos a
baixa temperatura (Frascos de Dewar).
7. Antes de iniciar o experimento verifique se todas as conexões e ligações estão seguras.

A armazenagem de reagentes químicos:

1. Evite armazenar reagentes em lugares altos e de difícil acesso.


2. Não estoque líquidos voláteis em locais que recebem luz.
3. Éteres, parafinas e oleifinas formam peróxidos quando expostos ao ar. Não os estoque
por tempo demasiado e manipule-os com cuidado.
4. Ao utilizar cilindros de gases, transporte-os em carrinhos apropriados. Durante o seu
uso ou estocagem mantenha-os bem presos à bancada ou parede, com correntes.
Cilindros com as válvulas emperradas ou defeituosas devem ser devolvidos ao
fornecedor.
5. Consulte a bibliografia indicada para obter informações sobre a estocagem de produtos
químicos, assegurando que reagentes incompatíveis sejam estocados separadamente.

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O descarte de resíduos:
Descartar resíduos não é o mesmo que “ jogá-los fora”.

Os resíduos gerados após um experimento devem ser descartados no recipiente adequado que
deverá estar rotulado e adequadamente disposto no laboratório.

Eventualmente podem existir outros descartes específicos no laboratório, dependendo dos


reagentes utilizados no experimento. Qualquer quantidade, mesmo que mínima, deve ser
descartada no local apropriado. Verifique se o recipiente de descarte está cheio antes de usá-lo.
Troque-o se necessário.

Nunca descarte nada sem ter certeza:

Procure sempre saber a composição dos seus resíduos. No caso de dificuldades consulte as
Normas de Gerenciamento de Resíduos Químicos da sua Instituição (ou de outras), ficando
sempre atento aos itens abaixo:

1. Os resíduos de solventes de reações e de evaporadores rotativos devem ser colocados


em frascos apropriados para descarte, devidamente rotulados. Evite misturar os
solventes. Sugere-se a seguinte separação: Solventes clorados, Hidrocarbonetos,
Álcoois e Cetonas, Éteres e Ésteres, Acetatos e Aldeídos. Sempre que possível indique
também os componentes percentuais aproximados, pois este tipo de resíduo costuma ser
incinerado por empresas especializadas que exigem uma descrição minuciosa do
material que recebem. Verifique se é viável recuperar estes resíduos no seu laboratório.
2. Os resíduos aquosos ácidos ou básicos devem ser neutralizados antes do descarte, e só
então descartados. Para o descarte de metais tóxicos (“metais pesados”), metais
alcalinos e de outros resíduos, consulte antecipadamente a bibliografia adequada.
3. O uso de solução sulfocrômica para limpeza vem sendo proibido na maioria dos
laboratórios. Caso precise utilizá-la, nunca faça o descarte diretamente na pia. O Cr(VI)
deve ser reduzido a Cr(III) antes do descarte.

De um modo geral, os resíduos químicos de laboratórios (inclusive dos laboratórios de


ensino) podem ser separados e recolhidos em recipientes de plástico (inertes ao
solvente/resíduo) rotulados da seguinte forma:

Ácidos – para soluções com pH<7,0 não contaminadas com outros reagentes orgânicos ou
metais. Exemplo: HCl, H2SO4, HNO3, H3PO4, ácido acético, etc.

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metais. Exemplo: NaOH, NH3, KOH, Ca(OH)2, etc.

Solventes clorados – para compostos orgânicos (ésteres, éteres, hidrocarbonetos, cetonas,


alcoóis e fenóis) que contenham cloro ou outro halogênio. Exemplo: clorofórmio (CHCl 3),
diclorometano (CH2Cl2), etc.

Solventes não-clorados – para compostos orgânicos (ésteres, éteres, hidrocarbonetos, cetonas,


alcoóis e fenóis) que não contenham halogênios em sua estrutura. Exemplo: acetona, etanol,
hexano, tolueno, éter etílico, etc.

Metais (tóxicos ou “pesados”) – para soluções contendo qualquer concentração de metais (ex.:
metais de transição e outros metais tóxicos), independentemente do pH. Exemplo: soluções
contendo Ag, Al, Cd, Co, Cr, Cu, Fe, Hg, Mg, Mn, Mo, Ni, Pb, Pd, Pt, Sn, Sr, Zn, etc.

Utilização do Diagrama de Hommel (ou Diamante do Perigo)

Este sistema possui sinais de fácil reconhecimento e entendimento do grau de


periculosidade das substâncias, com graus de risco variando entre 0 e 4.

Riscos à Saúde (Azul):


4 – Substância Letal;
3 - Substância Severamente Perigosa;
2 - Substância Moderadamente Perigosa;
1 - Substância Levemente Perigosa;
0 - Substância Não Perigosa ou de Risco
Mínimo.

Inflamabilidade (Vermelho):
4 - Gases inflamáveis, líquidos muito voláteis (Ponto de Fulgor abaixo de 23ºC);
3 – Substâncias que entram em ignição a temperatura ambiente (Ponto de Fulgor > 38ºC);
2 - Substâncias que entram em ignição quando aquecidas moderadamente (Ponto de Fulgor >
93ºC);

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1 - Substâncias que precisam ser aquecidas para entrar em ignição (Ponto de Fulgor < 93ºC);
0 - Substâncias que não queimam.

Reatividade (Amarelo):
4 - Pode explodir;
3 - Pode explodir com choque mecânico ou calor;
2 – Reação química violenta;
1 – Instável se aquecido;
0 – Estável.

Riscos Específicos (Branco):


OXY – Oxidante Forte;
ACID – Ácido Forte;
ALK - Alcalino (Base) Forte;
COR – Corrosivo;
W - Não misture com água.

Os números necessários para o preenchimento do Diamante de Hommel encontram-se


disponíveis para consulta em vários sites, livros ou Ficha de Informação de Segurança de
Produto Químico (fichas MSDS - Material Safety Data Sheet).

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PRIMEIRA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA QUALITATIVA

CLASSIFICAÇÃO DOS CÁTIONS EM GRUPOS ANALÍTICOS

A história da classificação de cátions em grupos analíticos e a proposição de marchas


analíticas de identificação sistemática se iniciaram em 1780, na Suécia. Em 1836, na Inglaterra,
Thompson introduziu o H2S(g) em análises mineral e em 1841, na Alemanha, Fresenius
publicou seu trabalho sobre o esquema empregando H2S(g) para identificação de cátions e
outros ânions. Este esquema é conhecido como Marcha Analítica Clássica (MAC). Com o
passar dos anos, algumas modificações foram necessárias para a MAC.

Para fins de análise qualitativa sistemática, os cátions são classificados em cinco grupos,
levando-se em consideração suas reações com determinados reagentes, chamados de reagentes
de grupo. Assim, é possível tirar conclusões da presença ou ausência de grupos de cátions.

Os reagentes utilizados para a classificação dos cátions são o ácido clorídrico (HCl), o
ácido sulfídrico (H2S(g) em meio ácido), o sulfeto de amônio (NH4S) e o carbonato de amônio
((NH4)2CO3).

A classificação dos cátions em grupos analíticos proposta é baseada na divisão dos


seguintes grupos:

Grupo I: Na+, K+ e NH4+ - Não precipitam com um mesmo reagente.

Grupo II: Mg2+, Ca2+, Sr2+ e Ba2+ - Seus carbonatos são pouco solúveis e seus sulfetos são
solúveis em água.

Grupo III: Al3+, Cr3+, Fe3+, Mn2+, Ni2+, Co2+ e Zn2+ - Precipitam como hidróxidos e sulfetos em
meio neutro ou alcalino.

Grupo IV: Cu2+, Cd2+, Pb2+, Hg2+, Bi3+, As(III), As(V), Sb(III), SB(V), Sn2+ e Sn4+ - Seus
sulfetos são pouco solúveis em meio ácido e neutro.

Grupo V: Ag+, Hg22+ e Pb2+ - Precipitam como cloreto em água.

Nesta disciplina iremos estudar somente os cátions dos grupos I e II

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Aula 1 – Testes para identificação de cátions do grupo I e II

Cátions do Grupo I – Na+, K+ e NH4+

Não existe um reagente comum para os cátions do grupo I. Estes não reagem com HCl,
H2S, NH4S ou com carbonato de amônio. No entanto podem ser identificados empregando
reações específicas ou por ensaios de chama.

Reações do íon sódio (Na+)


Teste da chama

Para esta prova usa-se um bico de Bunsen com o auxílio de um fio de platina ou níquel
crômio de cerca de 3 cm de comprimento preso a um bastão de vidro. O fio deve ser limpo
aquecendo-o ao rubro na chama, e em seguida mergulhando-o numa solução de HCl
concentrado, contido num vidro de relógio. Este processo deve ser repetido várias vezes, até que
o fio, quando aquecido não apresente coloração alguma à chama. A prova de chama para sódio é
feita colocando-se uma pequena porção de NaCl num vidro de relógio, molhando-se o fio em
HCl concentrado, mergulhando-se no sal e a seguir levando-se o fio à chama oxidante do bico
de Bunsen. Observe a coloração da chama.

Reações do íon potássio (K+)


Teste da chama

O teste da chama para o íon potássio é menos sensível do que o teste para sódio. O
potássio apresenta uma coloração violeta que se extingue rapidamente à chama, e é facilmente
mascarada pelo sódio. Pode-se utilizar um vidro de cobalto para absorver a luz amarela do sódio
e permitir que a cor da chama do potássio seja observada. O teste da chama para o potássio pode
ser realizado usando-se cloreto de potássio sólido, e o procedimento prático é idêntico ao caso
do sódio. O teste de chama não é por si só conclusivo para a identificação deste íon, todavia, é
um ótimo complemento para o teste de precipitação.

Reação com cobaltonitrito de sódio:

A identificação do íon potássio também pode ser feita através da precipitação com
cobaltonitrito de sódio.
Para fazer o teste, junta-se 3 gotas de uma solução de cloreto de potássio 0,2 mol L-1, 3
gotas de ácido acético 3 mol L-1 e um mesmo volume de acetato de sódio 3 mol L-1 num tubo de
ensaio. Adiciona-se 6 gotas de solução de cobaltonitrito de sódio 0,2 mol L-1, recentemente

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preparada. Se o precipitado não se formar de imediato, deixa-se o tubo repousar por alguns
minutos. Observe a coloração do precipitado formado.

Reações do íon amônio (NH4+)


Reação com cobaltonitrito de sódio
O procedimento é idêntico ao usado com o potássio. Usar uma solução de cloreto de
amônio para fazer o teste.

Reação com base forte

Para fazer o teste, adicionar num tubo de ensaio 3 gotas de solução de +cloreto de amônio
0,2 mol L-1 e 8 gotas de uma solução de hidróxido de sódio 4 mol L-1. Aquecer cuidadosamente
o tubo e testar a amônia desprendida por meio de um papel de tornassol vermelho, colocado
sobre o tubo, porém, sem tocá-lo. A mudança da cor do papel vermelho para azul indica a
presença de amônia e consequentemente de sais de amônio na amostra testada.

Uma outra maneira de executar esse teste consiste em colocar um bastão de vidro
umedecido com ácido clorídrico concentrado em contato com o vapor desprendido pela reação,
observando-se nesse caso, formação de fumos brancos (micro partículas de NH4Cl sólido).

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Figura 1. Separação e identificação dos cátions do Grupo I

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Cátions do Grupo II

Os cátions do segundo grupo não reagem com HCl, H2S nem com o sulfeto de amônio,
mas formam um precipitado em presença de carbonato de amônio. Esta análise deve ser
realizada em soluções neutras ou alcalinas.

Reações do íon magnésio (Mg2+)


Prova de chama

Os sais de magnésio não proporcionam nenhuma coloração à chama do bico de Bunsen.


Assim a prova de chama não se presta para a identificação dos íons deste elemento.

Reação com base forte

Adicionar em um tubo de ensaio contendo 5 gotas de uma solução de nitrato de


magnésio 0,2 mol L-1, uma solução de hidróxido de sódio 4 mol L-1, até o meio ficar alcalino.
Escreva se houve a formação do precipitado e suas características.
Adicione ao precipitado formado algumas gotas de solução de cloreto de amônio 4 mol
L-1 e observe.
+
Reação com monohidrogenofosfato de sódio

Adicionar em um tubo de ensaio 2 gotas de uma solução de nitrato de magnésio 0,2 mol
L-1, 10 gotas de água, 2 gotas de ácido clorídrico 6 mol L-1, 3 gotas de monohidrogenofosfato de
sódio 3 mol L-1, e por fim adicionar lentamente, às gotas, hidróxido de amônio 6 mol L-1 até o
meio ficar alcalino.

Deverá haver a formação de um precipitado branco de MgNH4PO4.6H2O que cristaliza


sob a forma característica de estrelas e que pode ser observado ao microscópio.

Figura 2. Cristais de MgNH4PO4.6H2O.

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Reações dos íons cálcio (Ca2+), estrôncio (Sr2+) e bário (Ba2+)
Prova de chama

O procedimento para os testes de chama para esses íons é idêntico ao descrito para íons
sódio e íons potássio. Estes íons originam as seguintes colorações à chama do bico de Bunsen:

a. os íons cálcio - vermelho tijolo,


b. os íons bário - verde-amarelado e
c. os íons estrôncio - vermelho carmim.

Deve-se tomar o cuidado para não confundir a coloração verde amarelada produzida por
um sal de bário, com a coloração verde de um sal de cobre.
Ao fazer-se o teste da chama, deve-se sempre utilizar sais umedecidos com HCl
concentrado, isto porque nitratos e sulfatos não dão chamas coloridas com a mesma intensidade
daquela proveniente de cloretos. Nitratos e sulfatos decompõem-se à chama produzindo óxidos
que não volatilizam facilmente.

Reação com carbonato de amônio

Adicionar em tubos de ensaio separados, 10 gotas de M(NO3)2 0,2 mol L-1 (onde M2+ =
Ca2+, Sr2+ ou Ba2+). Adicionar a seguir 3 gotas de solução de carbonato de amônio 1,5 mol L -1.
Agitar, aquecer o tubo em banho-maria e centrifugar o precipitado. Após desprezar o
sobrenadante, separar os precipitados em duas partes. Uma parte deve ser tratada com algumas
gotas de cloreto de amônio 6 mol L-1 e a outra com algumas gotas de ácido acético 6 mol L-1.
No caso do tratamento do precipitado com cloreto de amônio o precipitado deverá permanecer
inalterado enquanto no caso do tratamento com ácido acético deverá haver dissolução do
Precipitado.

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Reação com oxalato de amônio

Em tubos de ensaio separados, adicionar 3 gotas de M(NO3)2 0,2 mol L-1 (onde M2+ =
Ca2+, Sr2+ ou Ba2+), 5 gotas de ácido acético 6 mol L-1 e 6 gotas de oxalato de amônio 0,25 mol
L-1. Aquecer e observar os casos em que há formação de um precipitado branco.

Reação com dicromato de potássio

Em tubos de ensaio separados, adicionar 5 gotas de M(NO3)2 0,2 mol L-1 (onde M2+ =
Ca2+, Sr2+ ou Ba2+), 3 gotas de ácido acético 6 mol L-1, 3 gotas de acetato de sódio 6 mol L-1 e 2
gotas de dicromato de potássio 0,5 mol L-1. Observar onde há formação de precipitado.

Reação com sulfato de amônio

a. Em tubos de ensaio separados, adicionar 3 gotas de M(NO3)2 0,2 mol L-1 (onde M2+ = Ca2+,
Sr2+ ou Ba2+), 5 gotas de ácido acético 6 mol L-1, 6 gotas de sulfato de amônio 2,5 mol L-1 e
aquecer em banho-maria. Observar onde há formação de precipitado.

b. Em tubos de ensaio separados, adicionar 3 gotas de M(NO3)2 0,2 mol L-1 (onde M2+ = Ca2+,
Sr2+ ou Ba2+), NH4OH 6 mol L-1 até o meio se tornar alcalino, 6 gotas de sulfato de amônio
2,5 mol L-1 e aquecer em banho-maria. Observar onde há formação de precipitado. No caso
do Ba2+ e Sr2+ deverá haver formação de precipitados, enquanto que Ca2+ não deverá
precipitar nesse meio.

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Figura 3. Separação e identificação dos cátions do Grupo II

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Aula 2 – Testes para identificação de ânions

Na análise de ânions, estes íons não são subdivididos em grupos como no caso dos cátions.
Na prática a amostra que vai ser analisada é submetida a uma série de “testes prévios” com o
objetivo de eliminar alguns ânions com base na cor da amostra, na solubilidade em água, no
valor do pH desta solução, em reações com certos compostos específicos como AgNO 3 e BaCl2
e ainda nos resultados da própria análise de cátions. A Tabela 1 apresenta os principais ânions
determinados em química analítica qualitativa.

Tabela 1. Reações de identificação dos principais ânions

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Reações para íons cloreto (Cl-)

Reação com H2SO4 concentrado

Colocar uma pequena quantidade de NaCl solido num tubo de ensaio e adicionar cerca
de 5 gotas de H2SO4 concentrado. Colocar uma tira de papel de tornassol azul ou um bastão de
vidro umedecido com amônia na boca do tubo e observar a mudança de cor do papel ou a
formação de fumaças brancas.

Reação com íons prata (Ag+)

Colocar 5 gotas de uma solução de NaCl 0,2 mol L-1 em um tubo de ensaio e adicionar
algumas gotas de solução de AgNO3 0,2 mol L-1. Deverá haver a formação de um precipitado
branco. Outros ânions também formam precipitados com íons Ag+ nestas condições.
Colocar cerca de 5 gotas da solução de NaCl 0,2 mol L-1 em um tubo de ensaio, juntar
duas gotas de HNO3 6 mol L-1 (a solução deverá estar ácida). Adicionar, em seguida, algumas
gotas da solução de AgNO3 0,2 mol L-1.
Devera observar-se a formação do mesmo precipitado branco. Centrifugar e desprezar o
líquido sobrenadante. Tratando-se o precipitado com algumas gotas de NH4OH 0,5 mol L-1, o
solido devera dissolver-se.
Acidulando-se esta solução com HNO3 6 mol L-1 o precipitado deve se formar
novamente.

Reações para íons sulfato (SO42-)

Reação com íons bário (Ba2+)

Entre os ânions que formam sais de bário insolúveis, o íon SO42- e o único que precipita
em soluções fortemente ácidas.

Fazer inicialmente o teste sem adicionar o ácido. Colocar 5 gotas da solução de Na 2SO4
0,2 mol L-1 em um tubo de ensaio e adicionar 2 gotas de solução de BaCl2 0,2 mol L-1. Deverá
ser observada a formação de um precipitado branco.
Ba2+ + SO42- BaSO4(s)

Colocar 5 gotas da solução de Na2SO4 0,2 mol L-1 em outro tubo limpo, adicionar 3
gotas de HCl 6 mol L-1 (verificar se o meio está ácido por meio deu um papel de tornassol).
Juntar, então, 2 gotas de BaCl2 0,2 mol L-1. Deverá haver a formação de um precipitado branco.

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- Reação com íons prata (Ag+)

Em um tubo de ensaio adicionar 5 gotas de uma solução de Na 2SO4 0,2 molL-1 e


adicione algumas gotas de solução de AgNO3 0,2 mol L-1 até a formação de um precipitado
branco.

Reações para íons carbonato (CO32-)

Colocar no tubo de ensaio A 5 gotas de uma solução de Na2CO3 0,2 mol L-1 e no tubo
de ensaio B 6 a 8 gotas de solução de Ba(OH)2 0,2 mol L-1. Ao tubo de ensaio A, adicionar 6
gotas de HCl 2 mol L-1 e fechar o tubo rapidamente. Com CUIDADO, tentando não agitar o
sistema. Aquecer em banho–maria o tubo de ensaio A. O gás CO2 liberado no tubo A, será
recebido no tubo B que reagirá com a solução de Ba(OH)2 e será notada em sua superfície a
formação de uma película branca de carbonato de bário.

O teste deve ser realizado em um sistema fechado, como mostra a Figura 4 abaixo,

Figura 4. Esquema ilustrativo para teste do íon carbonato

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SEGUNDA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA QUANTITATIVA

Aula 3 – Determinação de ferro por gravimetria

Procedimentos:

Pesar cerca de 0,5 grama da amostra a ser analisada e transferir para um béquer de 400 mL.

Adicionar 50 mL de água deionizada e em seguida 1 mL de HNO3.

Aquecer a solução a cerca de 70oC, adicionar 1,5 g de NH4NO3 e levar o sistema até quase
a ebulição.

Juntar à solução ainda quente, lentamente e sob agitação, aproximadamente 3 gotas de


solução de NH4OH (15 mol L-1) (adicione gotas até a verificação do odor característico de NH3).

Ferver a solução por um minuto e em seguida deixar o precipitado depositar.

Filtrar a solução ainda quente, transferindo para o filtro o sobrenadante e na sequência o


precipitado.

Lavar o béquer e o precipitado com pequenas porções de NH4NO3 a 1% (1 g de NH4NO3 e


100 mL de água deionizada) contendo algumas gotas de NH4OH para garantir que a solução de
lavagem esteja alcalina. O filtrado não deve dar reação para cloreto.

Pesar o cadinho de porcelana vazio (aferido) e colocar dentro dele o papel de filtro com o
precipitado.

Calcinar a amostra em mufla, inicialmente com a porta ligeiramente aberta para queimar o
papel de filtro, sob boas condições oxidantes, e após atingir 600oC com a porta fechada.

Deixar o forno atingir 1000oC e calcinar o sistema cadinho/amostra nesta temperatura por
30 minutos.

Após este tempo transferir o cadinho para um dessecador por 1 hora.

Pesar o cadinho e através da diferença das pesagens (cadinho vazio e cheio), calcule o teor
de Fe2O3 formado e o de ferro na amostra.

Expressar os resultados em %. Calcule a média, desvio padrão, variância, mediana,


coeficiente de variação, desvio padrão relativo, faixa e aplicar erro absoluto e erro percentual.

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Aula 4 – Preparo e padronização de solução de NaOH. Determinação de acidez em
amostras

Preparo de uma solução de NaOH 0,1 mol L-1


Calcule a massa necessária de NaOH, para preparar 250 mL de uma solução 0,1 mol L-1.
Obs: Evite que a pesagem seja muito demorada, pois o reagente é higroscópico;

Dissolva em um béquer a massa de NaOH pesada com aproximadamente 100 mL de água


destilada, agite até a completa dissolução do sal. Transfira para um balão volumétrico e
complete o volume até a marca (menisco).

Observações

NaOH é higroscópico. As pastilhas também contêm Na2CO3.

Cuidado ao manusear NaOH (CÁUSTICO).

Massa e volume são aproximados porque a solução será posteriormente


padronizada, isto é, terá sua concentração exata determinada.

Armazenamento de solução de NaOH em frasco plástico porque NaOH ataca o vidro


(NaOH reage com os silicatos que constituem o vidro), ocorrendo diminuição da
concentração inicial.

Padronização com biftalato ácido de potássio - KHC8H4O4

Calcule a massa de biftalato ácido de potássio (MM = 204,22 g mol-1) (este deverá estar
seco em estufa, a 110C, por 1-2 horas) que deverá ser tomada para que, na padronização da
solução aproximadamente 0,1 mol L-1 da base preparada, sejam consumidos em torno de 15 mL
da mesma.

Pese o biftalato ácido de potássio em um vidro de relógio. Transfira a massa pesada para um
erlenmeyer e junte cerca de 20 mL de água destilada. Agite até a dissolução do sal. NÃO
COMECE A ADIÇÃO DE NaOH ANTES DA DISSOLUÇÃO COMPLETA do BIFTALATO.

Adicione 3-5 gotas de fenolftaleína.

Certifique-se que a bureta esteja limpa e lavada com solução de NaOH antes de preenchê-la
com a solução que será usada na titulação. VERIFIQUE SE NÃO HÁ VAZAMENTO na
bureta. Preencha com a solução, verifique se não há bolhas e acerte o volume no zero.

Coloque um fundo branco sob o erlenmeyer para facilitar a visualização da viragem do


indicador.

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Comece a adição da solução de NaOH ao erlenmeyer, sob agitação. Se ficar solução de
NaOH nas paredes do erlenmeyer, faça escorrer com água destilada da pisseta e continue a
adição de NaOH.

Titule até o aparecimento de uma LEVE coloração rosada na solução do erlenmeyer, que
persista por mais de 30 segundos, indicando o final da titulação. Anote o volume da solução de
NaOH consumido. Esse volume será usado no cálculo da concentração.

O procedimento deve ser feito pelo menos em triplicata.

Calcule a concentração média de NaOH e o respectivo desvio padrão.

Observações

FIQUE ATENTO A VAZAMENTOS E BOLHAS. NÃO PROSSIGA A TITULAÇÃO


NESSES CASOS.

NÃO ADICIONE MAIS INDICADOR QUE O RECOMENDADO. SEMPRE UTILIZE


O MESMO NÚMERO DE GOTAS.

Determinação da acidez em amostras

- Determinação de ácido acético em vinagre.

Retire uma alíquota de 2,00 mL de vinagre do frasco e dilua em um balão volumétrico de


100,00 mL e complete o volume até o menisco com água destilada.

Retire uma alíquota de 25,00 mL da amostra HOMOGENEIZADA (soluções) usando


PIPETA VOLUMÉTRICA e transfira para o erlenmeyer.

Adicione aproximadamente 20 mL de água destilada e 3-5 gotas de fenolftaleína.

Titule com a solução de NaOH 0,1 mol L-1 até o aparecimento de uma leve coloração cor-de-
rosa que persista por 30 segundos.

O procedimento deve ser feito em triplicata.

Calcule a concentração média de ácido acético em mol L-1 e em porcentagem (compare


com o valor determinado pelo fabricante).

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- Determinação da concentração de uma solução de ácido clorídrico (amostra)

Retire uma alíquota de 15,00 mL de ácido do frasco. Adicione em um erlenmeyer.

Adicione aproximadamente 10 mL de água destilada e 3-5 gotas de fenolftaleína.

Titule com a solução de NaOH 0,1 mol L-1 até o aparecimento de uma leve coloração cor-
de-rosa que persista por 30 segundos.

O procedimento deve ser feito em triplicata. Calcule a concentração do HCl.

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Aula 5 – Complexometria. Determinação de Ca2+ e Mg2+ em diferentes amostras

Preparação da solução de EDTA 0,005 mol L-1

Pese 0,4653 g do sal sódico de EDTA (Na2H2Y.2H2O) seco em estufa a 70-80C por 2
horas. Anote o valor da massa até a quarta casa decimal. As duas moléculas de água de
hidratação permanecem no EDTA nestas condições de secagem.

Transferir quantitativamente o sal para um balão volumétrico de 250 mL, adicione cerca
de 100 mL de água destilada e agite até a dissolução completa do sal. Completar o volume até a
marca de aferição com água destilada e transferir a solução para um frasco plástico limpo e
seco. Nestas condições, a solução pode ser considerada um padrão primário.

Calcular a concentração exata da solução a partir da massa utilizada.

Determinação da dureza de água mineral, água da torneira, amostra natural

Transfira 100 mL da amostra de água para um erlenmeyer de 250 mL.

Preencha a bureta com o EDTA 0,005 molL-1.

Junte 1 mL de solução tampão de pH = 10, e a seguir grãos de Negro de Eriocromo T.

Titule, adicionando a solução de EDTA 0,005 molL-1 até a que a solução passe de vinho para
azul.

Realize as medidas em triplicata e utilize o volume médio do ponto final da titulação para
realizar os cálculos.

Calcule a concentração média de cálcio na amostra, em ppm (mg de cálcio / L de amostra).


Calcule a dureza da água e forneça o resultado na forma de mg CaCO3/litro, para cada alíquota
analisada, sendo a massa molar do CaCO3 igual a 100,09 mol L-1.

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TERCEIRA PARTE: QUÍMICA ANALÍTICA INSTRUMENTAL

Aula 6 – Determinação de ferro por espectroscopia de absorção molecular e atômica

A espectroscopia é um termo geral usado para designar a ciência que estuda a interação
da radiação eletromagnética com a matéria (átomos e moléculas). A espectrometria por sua vez,
se refere a um conjunto de técnicas que medem a intensidade da luz que interage com a matéria.
Ou seja, todo procedimento que usa luz para medir concentração de uma espécie química pode
ser chamado de espectrometria.

- Espectroscopia de absorção molecular

A espectroscopia de absorção molecular fundamenta-se na lei de Lambert-Beer. A


determinação da concentração de um determinado analito é realizada a partir de medidas
relativas da absorção de luz (absorbância), tendo como referência as absorbâncias de padrões
preparados com concentrações conhecidas. A partir desses dados, pode-se determinar a
concentração do analito de teor desconhecido. Estas determinações podem ser feitas por
diferentes métodos. Um dos métodos mais comuns é o gráfico, onde um gráfico contendo as
informações de absorbância versus concentração fornece uma equação da reta que pode ser
empregada para determinar a concentração da amostra desconhecida.

Lei de Lambert-Beer

A =  . b. C

Onde: A = absorbância (A= -log T)

 = absortividade b = caminho ótico c = concentração

* Se a concentração for dada em mol/L,  é conhecido como coeficiente de absortividade molar.

- Procedimentos para determinação por espectroscopia de absorção molecular

Prepare uma solução 0,1 g L-1 de Fe (III). Faça os cálculos com base na massa de ferro
contida no sal a ser empregado, e não com base na massa molar total deste.

Prepare uma solução de tiocianato de potássio 2,0 mol L-1.

Prepare uma curva de calibração transferindo 0,5; 1,0; 2,0 e 3,0 mL, da solução preparada
acima para balões de 50 mL.

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Adicione em seguida, a cada balão, 5 mL da solução de tiocianato de potássio e 3 mL de
uma solução de HNO3 4,0 mol L-1. Complete o volume até o menisco com água destilada.

Faça as leituras de absorbância no comprimento de onda de 480 nm, empregando água


destilada como branco.

Faça a leitura de absorbância da amostra com concentração desconhecida de Fe(III),


preparada nas mesmas condições que as soluções da curva de calibração.

- Espectroscopia de absorção atômica

Baseia-se na capacidade dos metais, atomizados e no estado gasoso, absorverem energia


luminosa em seus comprimentos de ondas específicos, utilizando-se como fonte de excitação
uma lâmpada de cátodo oco ou outra fonte de radiação específica. Neste experimento será
empregado uma chama de ar/acetileno (~2500 oC). O esquema da aparelhagem é mostrado na
Figura 5.

Figura 5. Esquema de um espectrofotômetro de absorção atômica

A amostra líquida é sugada para chama. O líquido evapora e o sólido remanescente, é


atomizado na chama. Para criar os comprimentos de onda específicos que serão absorvidos pela
amostra, utiliza-se uma lâmpada de catodo oco (Figura 6).

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Figura 6. Lâmpada de catodo oco

Devido à diferença de potencial aplicada, o gás dentro da lâmpada se ioniza. Quando o


cátodo (que geralmente é constituído do metal que se quer analisar na amostra) é bombardeado
pelos íons energéticos do gás emite luz em comprimento de onda específico; que serão
absorvidos pelos átomos da amostra na chama.

A quantificação do elemento na amostra se dá pela correlação existente entre a intensidade


de luz absorvida (absorbância) com a concentração do elemento na amostra. Para isto são
obtidas curvas analíticas a partir de amostras de concentrações conhecidas (soluções padrões)
contra a absorção das mesmas.

-Procedimentos para determinação de ferro por espectroscopia de absorção atômica

A partir de soluções padrões de ferro com diferentes concentrações, efetuar as leituras de


absorbância no espectrofotômetro e construir a curva analítica.
Realizar a leitura da amostra de concentração desconhecida e utilizando-se a curva
analítica determinar a concentração das amostras analisadas, levando-se em consideração as
diluições, quando necessária.

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Aula 7 – Introdução à cromatografia

Em 1903, o botânico Mikhail Tswett passou um solvente orgânico, o éter de petróleo,


por uma coluna de vidro contendo carbonato de cálcio para separar pigmentos extraídos de
vegetais. Os diversos tons de pigmentos que apareceram na coluna com a passagem do líquido,
ajudaram a dar nome a técnica - cromatografia - do grego ‘cromos’ que significa cor e
‘graphos’ que significa escrita. De lá para cá, a cromatografia se tornou um poderoso método de
separação, largamente empregado em diversas áreas do conhecimento.

A cromatografia é uma técnica físico-química de separação. A separação acontece por


diferentes tipos de interação da amostra com uma fase estacionária (líquida ou sólida), e com
uma fase móvel (que pode ser um líquido ou gás). Fatores que podem ser usados para planejar
uma separação cromatográfica incluem: diferentes forças iônicas, polaridade, afinidade
(propriedades química), solubilidade e tamanho (propriedades físicas).

Também pode ser empregada para identificação e quantificação de uma substância de


interesse (analito). Mas nesse caso, deve ser feita uma comparação com uma substância de
concentração conhecida (padrão), através de uma curva analítica.

Existem diversos tipos de cromatografia, que podem ser divididas de acordo com suas
características, um exemplo é de acordo com o meio onde a fase estacionária irá se encontrar:

Cromatografia líquida (CL)


Cromatografia em Coluna Cromatografia gasosa (CG)
Cromatografia supercrítica (CSC)
Meio físico da Cromatografia em camada delgada (CCD)
fase estacionária Cromatografia Planar Cromatografia centrífuga
Cromatografia em papel (CP)

Procedimentos para cromatografia em papel

Recorte pequenos retângulos do papel de filtro, com tamanhos de aproximadamente 2


cm de largura por 8 cm de comprimento.

A 0,5 cm da base marque um ponto com a canetinha hidrocolor.

Em 3 frascos cromatográficos coloque separadamente álcool, água destilada e acetona


de forma a apenas cobrir o fundo dos mesmos. Coloque o papel dentro do frasco e tampe-o.

Espere alguns minutos e observe o que acontece.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

N. Baccan, O.E.S. Godinho, L.M. Aleixo, E. Stein; Introdução à semimicroanálise qualitativa –


Campinas: Editora Unicamp, 1987.

D.A. Skoog, F.J. Holler, T.A. Nieman. Princípios de análise instrumental, 6a ed., Porto Alegre:
Bookman, 2009.

D.C. Harris. Análise Química Quantitativa, 7a ed., Rio de Janeiro: LTC, 2011.

D.A. Skoog, D.M. West, F.J. Holler, S.R. Crouch. Fundamentos de Química Analítica. 8a ed..
São Paulo: Cengage Learning, 2010.

A.I. Vogel; Química analítica qualitativa – São Paulo: Editora Mestre Jou, 1981.

H. Mueller, D. Souza; Química analítica qualitativa clássica – Blumenau: Editora Edifurb, 2010.

J.C. Andrade, T.R. Alvim; Química analítica básica: O papel da química analítica básica na
formação do químico. Disponível em: http://chemkeys.com/br/wp-
content/themes/chemkeysbr/articleI.php?u=cWFiLTMtYS1mb3JtYWNhby1kby1xdWltaWNv
(Acesso em 02/07/2015)

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ANEXOS

CRONOGRAMA
Aulas de Química Analítica Experimental

Disciplina: QUI-115
Curso: Engenharia de Materiais, Engenharia de Bioprocessos e Engenharia Química.
Professora: Bianca Veloso Goulart – Email: biancaveloso93@hotmail.com (Sala 43 – IFQ).
2ºSemestre de 2016

Data Turma/Horário Título da aula

05/08 Turma 1 (6M2345) Apresentação do laboratório: Normas de


segurança em laboratório de química

12/08 Turma 2 (6M2345) Apresentação do laboratório: Normas de


segurança em laboratório de química
Experimento – 01
19/08 Turma 01 (6M2345)
Identificação de cátions do grupo I e II
Experimento – 01
26/08 Turma 02 (6M2345)
Identificação de cátions do grupo I e II
Experimento – 02
02/09 Turma 01 (6M2345)
Identificação de ânions

Turma 02 (6M2345) Experimento – 02


09/09
Identificação de ânions
Experimento – 03
16/09 Turma 01 (6M2345)
Determinação de ferro por gravimetria
Experimento – 03
23/09 Turma 02 (6M2345)
Determinação de ferro por gravimetria
Experimento – 04
30/09 Turma 01 (6M2345)
Preparo e padronização de solução
Experimento – 04
07/10 Turma 02 (6M2345)
Preparo e padronização de solução
Experimento – 05
14/10 Turma 01 (6M2345)
Complexiometria

Turma 02 (6M2345) Experimento – 05


21/10
Complexiometria

Turma 01 (6M2345) Experimento – 06


04/11
Determinação de Ferro por Espectroscopia

Turma 02 (6M2345) Experimento – 06


11/11
Determinação de Ferro por Espectroscopia

Turma 01/02
18/11 Experimento 07

Turma 01/02
25/11 Avaliação
(6M2345)

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