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HISTÓRIA DA ASTRONOMIA

Mais antiga do que qualquer outra ciência da qual se


possa falar, a Astronomia nasce no contexto das necessidades
de sobrevivência dos povos primitivos. Fenômenos celestes
ligados às atividades agrícolas e às estações do ano logo
foram percebidos, inclusive na Mesopotâmia e no Egito. Na
Pré-História, os homens registravam suas experiências em
pedras, cavernas (pinturas rupestres), túmulos, esculturas e
megalitos (rochas), sendo que estas fontes foram importantes
para os ´arqueoastronomos` constatarem registros
astronômicos datando de 50.000 anos atrás. Observações
astronômicas por volta do 3º milênio a.C., segundo estudos
realizados em várias regiões da Europa, envolviam o
conhecimento dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas.
Percebeu-se durante observações diurnas e noturnas que o
Sol, assim como a Lua, apresentava situações semelhantes. O
Sol exibia afastamentos máximos iguais após 365 dias e a Lua
apresentava uma trajetória em relação às estrelas, mudando
seu aspecto aparente, o que significava as fases da Lua. E viu-
se que as estrelas não mudavam suas posições relativas, mas
apresentavam-se agrupadas formando constelações.
Não havendo definições específicas para tratar com os astros, sua presença
no céu foi identificada com os deuses ou como sendo símbolos de deuses. Este fato
torna fácil compreender o que levou os nomes dos planetas do Sistema Solar a
receberem os nomes dos antigos deuses gregos. O desenvolvimento da Astronomia
se confunde com o surgimento da Astrologia. A observação dos movimentos das
estrelas, da Lua e dos planetas eram assumidos como indicadores do destino do
homem. Observando o céu, percebia-se que os planetas desenvolviam uma
trajetória conhecida como “laçada”, que era quando se deslocavam no sentido
oeste-leste ou leste-oeste, havendo alteração de suas posições em relação à
Eclíptica (a trajetória solar em um ano). A medida que se passavam as gerações, os
povos antigos acumulavam maiores experiências sobre as observações do céu.
Povos como os mesopotâmicos, os egípcios, os chineses, os indús e os fenícios,
entre outros, são alguns dos quais teriam tido acesso aos conhecimentos dos
ancestrais no decorrer do desenvolvimento das civilizações da Europa e da Asia.

Na Mesopotâmia, a Astronomia foi tanto uma ciência observacional como


também matemática. Por exemplo, os mesopotâmicos criaram a divisão
sexagesimal, que era baseada no número 60. Fizeram a divisão do círculo em 360º,
sendo cada grau em 60 minutos e cada minuto em 60 segundos de grau, do que
fazemos uso até hoje. Outra invenção dos mesopotâmicos já utilizada antes foi a
´semana`, a qual se propagou muito pelos povos da Antiguidade, também usada
até hoje. Na ótica deles, os planetas eram deuses que influenciavam os
acontecimentos da Terra. Adoravam a cada planeta (deus), sendo a ordem de sua
devoção a partir do dia do Sol a seguinte:

1. Sol, o deus mais importante entre os demais, presidindo a 1ª hora;

2. Vênus: Presidia a 2ª hora;


3. Mercúrio: Presidia a 3ª hora;
4. Lua: Presidia a 4ª hora;
5. Saturno: Presidia a 5ª hora;
6. Júpter: Presidia a 6ª hora;
7. Marte: Presidia a 7ª hora;
8. Outra vez o Sol.
No dia seguinte, a ordem era passada para um astro adiante, isto é, as
horas presididas começavam pela Lua, já que este seria seu dia, e se seguia como
na ordem acima, sendo Saturno para a terceira hora, Júpiter para a quarta hora,
Marte para a quinta, e assim por diante. O dia que se seguia era de Marte (terceiro),
o seguinte de Mercúrio (quarto), e depois de Júpiter (quinto) e seguia-se os de
Vênus (sexto) e de Saturno (sétimo). Tais tempos de 7 dias coincidiam-se com as
fases da Lua: Lua-Nova, Quarto-Crescente, Lua-Cheia, Quarto-Minguante e outra vez
Lua-Nova. Assim originou-se a semana.

O mais antigo instrumento astronômico que se conhece é o Gnomon, sendo


ele uma haste longa e afinada estabelecida verticalmente ao solo, que projeta uma
sombra por meio da qual a posição do Sol pode ser conhecida. É deste instrumento
que vem os primeiros relógios solares.

No Egito, diferentemente da Mesopotâmia, a matemática não teve grande


desenvolvimento. O calendário egípcio marcava um ano com 360 dias, dividido em
12 meses de 30 dias cada um. As estações do ano egípcio eram: Inundação, Inverno
(saída das águas) e Verão (falta de água). Entre um ano e outro consideravam mais
5 dias (epagômenos). A duração do ano foi determinada pelos nasceres helíacos da
estrela Sírius (a estrela mais brilhante), a qual era chamada Sótis (o período sotíaco
de 1456 anos é de grande importância para o estudo da história egípcia).
Na Antiga Grécia, o modo de ver os fenômenos da natureza passou por
alterações significativas, já que tudo dali em diante seria visto racionalmente
(abandono do apelo mitológico). Os gregos herdaram certos conhecimentos dos
mesopotâmios e dos egípcios sobre matemática e astronomia, mas na Grécia a
ênfase dada à matemática e à Astronomia foi muito maior do que naquelas nações.
A partir de Tales de Mileto, no século VI a.C., a astronomia grega teve seu início.
Tales teria previsto um eclipse do Sol por volta de 585 a.C., de acordo com os
relatos de Heródoto. Aristóteles dizia que Tales defendia a tese de que a água era
uma substância original da qual tudo o que existe se formava. Não se tem certeza
se Tales deixou algum escrito sobre seus teoremas matemáticos. Entre os discípulos
de Tales estavam: Anaximandro, Anaxímenes e Anaxágoras. Anaximandro
acreditava que a Terra flutuava sem nenhum apoio, sendo ela um dos mundos
originados no ´Apeiron`, a origem de tudo. Anaxímenes afirmava ser o ´ar` a
substância fundamental, não a água ou o Apeiron. Ao que parece, foi ele quem
afirmou pela primeira vez que a Lua refletia a luz do Sol. Anaxágoras (de quem
Sócrates foi discípulo) não aceitou a divindade do Sol e da Lua, o que o levou a ser
acusado de ímpio. O Sol era para ele uma rocha incandescente, enquanto a Lua era
outra Terra no céu. O filósofo grego Pitágoras acreditava em números e figuras
geométricas perfeitas, tendo a Terra como uma esfera, já que isso lhe parecia mais
estético. Outros filósofos antigos da Grécia foram Filolau de Crotona, Platão,
Aristóteles, Aristaco de Samos, entre outros. Para Filolau o universo era Pirocêntrico,
isto é, ocupado por um Fogo Central, a casa de Zeus. Deste momento em diante
desenvolve-se a Astronomia teórica dos gregos. Eudoxo, discípulo de Platão, criou o
Modelo das Esferas Concêntricas, formada por 27 esferas com eixos inclinados
entre si. Este modelo tentava explicar os movimentos dos planetas, do Sol e da Lua.
Foram necessárias várias esferas para representar o movimento de cada astro
celeste, incluindo as laçadas dos planetas. Aristóteles, discípulo de Platão, construiu
um universo parecido, finito e limitado no espaço, cujas esferas concêntricas o
tornava hierarquizado. Fora da esfera mais externa nada existia, nem o tempo nem
o vácuo. Para Aristóteles os elementos fundamentais eram a terra, a água, o fogo, o
ar (terrestres) e o éter (divino), sendo este último o elemento da perfeição que
dominava todo o universo. Já os elementos imperfeitos dominavam o mundo sub-
lunar, onde a imperfeição prevalecia. As idéias aristotélicas perduraram por mais de
2000 anos.

O Heliocentrismo (Sol como centro do universo) surgiu no século III a.C. com
Aristarco de Samos, astrônomo e matemático grego de Alexandria. Segundo uma
evidência, Aristarco teria observado um solstício no ano 281 a.C. O que sabemos de
Aristarco se deve a relatos de autores como Arquimedes, Plutarco, Aécio, Estobeo e
Galeno. Uma proposta de Aristarco citada por Arquimedes foi a de que a órbita da
Terra ao redor do Sol era apenas um ponto se comparada à esfera de uma estrela
fixa. Eainda, Plutarco cita um episódio no qual Aristarco quase foi acusado de ímpio
por haver proposto que a Terra rotacionava ao redor de seu eixo polar e que
translacionava ao redor do Sol. Os outros autores mostram concordância ao
afirmarem que Aristarco dizia que a Terra e os demais planetas giravam em torno
do Sol. Mais tarde, Nicolau Copérnico retomaria a idéia do Heliocentrismo. Antes
disso, Seleuco do século II a.C., também adotou o Heliocentrismo, não sendo
adotada por mais nenhum outro astrônomo da Antiguidade. Eratóstenes, da Escola
de Alexandria no século III a.C., realizou vários trabalhos importantes, entre eles o
“crivo”, usado ainda hoje na construção de tábuas de números primos, o sistema de
coordenadas geográficas e, ao que parece, o primeiro a utilizar um globo
representativo da Terra. É conhecido também por escrever o tratado “Sobre a
posição das estrelas”, além de sua mais famosa façanha: a determinação das
dimensões da Terra pelo método do “poço de Siene”, descrito por Cleômedes no
livro “Do movimento circular dos corpos celestes” em 50 a.C. Assim, Eratóstenes
pode calcular a circunferência da Terra, o raio, sua superfície e seu volume. Outro
trabalho importante no campo da matemática foi realizado por Apolônio de Perga, o
qual se chamou “Conicus”, um tratado sobre as cônicas, que viria a ser utilizado por
Isaac Newton mais tarde. Tido como o maior astrônomo da Antiguidade, Hiparco de
Nicéia realizou diversos trabalhos no campo astronômico. Escreveu em torno de 14
tratados de Astronomia, Matemática, Geografia e Mecânica, dos quais nada restou
infelizmente (sobrando apenas fragmentos de um poema astronômico de Arato).
Nesta época, os instrumentos astronômicos mais utilizados eram o Gnomon, a
Clepsidra, o Relógio-de-Sol, a Esfera armilar, a Balestilha e o Triqueto. Hiparco criou
ainda o Astrolábio, instrumento usado para determinar as distâncias angulares e a
altura dos astros na direção do horizonte. O astrolábio foi usado por um grande
período, alcançando a época das grandes navegações dos séculos XV e XVI. O
último grande astrônomo da Antiguidade foi Claudio Ptolomeu, o qual difundiu a
concepção de universo de Aristóteles no seu “Megale Syntaxis” (traduzida por
´Almagesto` pelos árabes), construindo um modelo complexo de epiciclos e
equantes, entre outros, que se chamou Sistema Geocêntrico de Ptolomeu. Ptolomeu
descobriu ainda a refração atmosférica e um movimento lunar chamado Evecção.

Nicolau Copérnico

No início da Idade Média o estudo da Astronomia foi abandonado. Muitos dos


conhecimentos gregos se perderam. Pouca ênfase se dava à filosofia grega naquela
época. Os árabes ficaram entusiasmados com o saber grego, o que levou à
tradução dos antigos textos do grego para o árabe. Os árabes não se destacaram
em ciências, mas contribuiram para a conservação dos textos. Após o século X, os
estudiosos da Igreja Católica começaram a traduzir os textos árabes, desta vez para
o latim. Isso se intensificou muito, até que os textos de Aristóteles foram
reencontrados. Foi então que o acúmulo de conhecimentos levou à necessidade da
fundação das Universidades nos séculos XII e XIII, quando o saber cristão se funde
com o saber grego, dando origem ao pensamento escolástico. A teoria geocêntrica
foi ensinada nas Universidades até o século XV, quando o monge polonês Nicolau
Copérnico apareceu com outra teoria, divulgada só depois de sua morte. Seu livro
“De Revolutionibus Orbium Coelestium” afirmava que a Terra e os outros planetas
giravam em torno do Sol, sendo ele o centro do universo, não a Terra. Segundo esta
concepção, o universo era composto por esferas nas quais os planetas estavam a
girar em torno do Sol, sendo a última esfera a das estrelas fixas. Este modelo se
chamou Sistema Heliocêntrico, o qual foi adotado por outros estudiosos no início da
Renascença. No século XVI, o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe fez diversas
observações precisas sobre os movimentos dos planetas e as localizações das
estrelas, dados que mais tarde foram utilizadas por outro astrônomo: seu jovem
discípulo, chamado Johannes Kepler. Este, no uso dos dados anteriores obtidos por
seu mestre, pode elaborar 3 leis sobre o movimento planetário, incluindo o fato de
que as órbitas dos planetas não eram círculos como se acreditava até então, mas
eram ´elipses` em torno do Sol. No século XVII, o astrônomo italiano Galileu Galilei
introduziu o uso de instrumento óptico nas observações. Utilizando uma luneta,
Galileu pode ver as crateras da Lua, os satélites de Júpter, as manchas solares,
estrelas que não eram visíveis a olho nú e as fases de Vênus. Por pouco Galileu não
vai parar na fogueira da Inquisição, pois suas afirmações, assim como as de
Copérnico, iam contra os princípios da Igreja Cristã, que acreditava que a Terra era o
centro do universo. No final do século XVII, o matemático, físico e astrônomo inglês
Isaac Newton formula a Lei da Gravitação Universal, a qual descreve a base da
mecânica celeste. Newton criou o cálculo infinitesimal, a teoria corpuscular da luz e
uma teoria das cores. Inventou o telescópio refletor e foi o primeiro a estudar o
espectro de luz.

Entre os astrônomos do século XVIII, alguns dos mais importantes são


Giovanni Domenico Cassini, John Flamsteed, Edmund Halley, Wilhelm Herschel,
Pierre Laplace e Johan Gauss. As descobertas do químico inglês William Hyde
Wollaston, das riscas negras no espectro solar, e do óptico alemão Joseph Von
Fraunhofer, de que havia centenas de riscas solares (raias de Fraunhofer), deram
impulso ao desenvolvimento da Astrofísica, sobretudo pelas descobertas dos
cientistas alemães Gustav Kirchhoff e Robert Bunsen, de que cada elemento
apresentava no seu espectro um conjunto de raias que lhes era característico. A
determinação da constituição do Sol e dos demais astros foi possível graças a estas
descobertas. Em paralelo com a Astrofísica desenvolvia-se muito rapidamente a
Matemática, a Química e a Física. A primeira classificação espectral das estrelas foi
realizada no século XIX pelo astrônomo italiano Pietro Angelo Secchi, após analisar
vários espectros estelares disponíveis na época. Ao lado da Espectroscopia
desenvolviam-se tecnicas como a Fotometria (análise da quantidade de luz emitida
pelos astros) e a Fotografia Astronômica (que permitia fixar tais luzes), entre outras
técnicas, juntamente com a construção de telescópios cada vez melhores. A
publicação da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein no início do século XX
gerou grandes mudanças na Física, incitando novos horizontes para a Cosmologia.
A criação de telescópios de grande potência permitiu a observação de milhares de
outras galáxias, além da descoberta do planeta Plutão, que até então era
desconhecido. A Radioastronomia se desenvolveu muito depois da Segunda Guerra
Mundial, inclusive com o uso dos computadores, o que contribuiu também para o
desenvolvimento da Astronomia de modo geral. Observações importantes são feitas
atualmente e sondas cada vez mais sofisticadas são enviadas para explorar o
espaço.

INSTRUMENTOS ASTRONÔMICOS

A forma de observação do céu a olho nu é muito importante para o


estudante de Astronomia. Porém, trata-se de uma forma muito limitada de
observar, já que limitada é a nossa visão. Na busca por vencer os limites da visão, o
homem construiu instrumentos que lhe tornasse possível uma observação mais
adequada dos corpos celestes. No início, os instrumentos eram muito simples,
geralmente feitos de madeira e de metais, que eram úteis para a medição das
distâncias angulares em relação ao horizonte, assim como para determinar as
posições ou as coordenadas celestes. O primeiro instrumento utilizado para
observar os astros foi introduzido por Galileu Galilei em 1609, que utilizou uma
luneta aperfeiçoada por ele. Posteriormente, vários outros instrumentos de
observação foram criados, ampliando grandemente nossos conhecimentos
astronômicos.

A observação dos astros através destes instrumentos nos é possível porque


estes emitem ou refletem luz, uma dentre as formas de radiações eletromagnéticas.
Estas radiações se propagam pelo espaço à velocidade de 299.792,6 km/s (no
vácuo) sob forma de energia. As grandezas desta energia emitida são basicamente
a frequência da onda e o comprimento da onda. Quando maior é a frequência,
menor é o comprimento da onda e vice-versa. E quanto maior é a frequência, maior
é a energia da radiação. Podemos assinalar tais grandezas através da tabela que se
segue:

Características principais das radiações eletromagnéticas

_____________________________________________________________________

DENOMINAÇÃO Comprimento de onda Frequência típica Energia


típica

(A = 10 m) (Hz) (eV)

Raios g menor que 0,1 A 1020 4 x105


Raios X 0,1 a 100 A 1018 4 x103
Ultravioleta 100 a 4.000 A 10 16
40
Luz visível 4.000 a 8.000 A 1014,5
Infravermelho 8.000 a 1.000.000 A 1013 0,4
Ondas de rádio maior que 1.000.000 A 106 4 x10 –9
____________________________________________________________________

De acordo com os dados da tabela: Decorre-se que a luz visível é apenas uma
pequena faixa dentre as radiações eletromagnéticas (entre 4000 A e 8000 A); os
feixes policromáticos caracterizam os diferentes comprimentos de ondas emitidas
pelos astros. Quando os valores dos comprimentos de onda são muito próximos, o
feixe denomina-se monocromático. Nem todas as radiações atravessam a
atmosfera terrestre (uma limitação à observação astronômica). Faixas de ondas de
rádio (geralmente entre 1 mm e 2 m), radiação infravermelha próxima e, em certos
casos, faixas de ultravioleta, podem ser vistas da superfície terrestre; radiações
outras como raios X, gama, entre as demais, podem ser vistas somente com o uso
de foguetes, satélites ou sondas espaciais (que cheguem às mais altas camadas
atmosféricas ou que saia para fora dela).

Dependendo da densidade do material atingido pela radiação


eletromagnética, há um padrão de variação. A diferença de densidade entre o meio
atingido e o meio de proveniência da luz resulta em alterações conhecidas como
refração e reflexão. Se a luz, após atingir uma superfície, volta para o meio do qual
provém, tem-se um caso de reflexão. Se a luz atravessa a superfície do meio
atingido, exibindo uma mudança na velocidade e na propagação, tem-se um caso
de refração. Devida à propriedade reflectiva dos metais, os espelhos são formados
por camadas finas de metal que são aderidas a vidros transparentes. Eles são bons
refletores de luz, sendo por isso utilizados na confecção dos instrumentos
astronômicos. Usa-se para tal finalidade os espelhos esféricos e os parabólicos
côncavos (coletores de luz), constituindo a objetiva dos telescópios. Os parabólicos
proporcionam melhor convergência para um foco, obtendo-se uma imagem mais
precisa do que os esféricos, que não convergem para o mesmo foco (aberração
esférica). Fenômenos como aborção da radiação incidente, a dispersão e a
polarização da luz ocorrem juntamente com os fenômenos de reflexão e refração. A
dispersão da luz é uma separação dos diferentes tipos monocromáticos que a
constitui (isso é facilmente observado através do uso de um prisma, através da qual
a luz se dispersa, gerando um espectro de cores diferentes, fato que havia sido
detectado em 1666 por Isaac Newton). Os três espectros verificados no século XIX
foram: espectros contínuos, espectros de emissão e espectros de absorção.

Os telescopios, instrumentos utilizados para observar objetos afastados, são


também chamados, sendo eles coletores de luz, de ´telescópios refletores`. Os dois
telescópios refletores mais utilizados são:
1. Telescópio de Newton – Os raios luminosos penetram por um tudo, tendo na
parte inferior a objetiva (espelho côncavo). A partir dai os raios convergem para seu
foco, depois de haverem passado pela ocular (conjunto de lentes que produzem a
imagem aumentada para o observador).

2. Telescópio de Cassegrain – A objetiva, possuindo uma perfuração central que


faz a luz dirigir-se para um espelho secundário, próximo à boca do tubo, gera uma
reflexão. O resultado da nova reflexão faz a luz passar de volta pela objetiva,
convergindo para a perfuração, estando ai localizada a ocular por onde a
observação é feita.
As lunetas (telescópios refratores) são formadas por lentes, tanto a objetiva
quanto a ocular do instrumento. Os dois tipos principais são:
1. Luneta de Galileu – Possui como objetiva, uma lente biconvexa de grande
distância focal. A ocular é formada por uma lente divergente de pequena
distância focal e de pequeno diâmetro.
1. Luneta de Kepler – Luneta astronômica (usada geralmente para observação
dos astros) que fornece imagem invertida do objeto observado. É constituida
por uma objetiva convergente e por uma ocular também convergente.
Outros instrumentos astronômicos de grande importância em Astronomia
são: a Câmara Schmidt, o Círculo Meridiano, o Astrolábio Danjon, o Tubo Zenital e os
Radiostelescópios. O instrumento de Schimidt é um sistema óptico produzido com
base em uma lente corretora; o instrumento meridiano é utilizado para determinar a
posição dos astros e estudar seus movimentos, inclusive os da Terra; o instrumento
Danjon é um sistema astrométrico que permite o estudo dos movimentos dos
astros; o instrumento Zenital é um sistema astrométrico com base em uma luneta
que se usa para fotografar a região do zênite, e assim determinar a posição do astro
que passa pelo local; os instrumentos Radiotelescópios são mecanismos especiais
constituídos por antenas parabólicas capazes de captar as ondas de rádio dos
corpos celestes.

Entre algumas das importantes características dos instrumentos


astronômicos estão: a ´abertura do instrumento` (equivalente ao valor do diâmetro
de sua objetiva), a ´abertura relativa` (divisão da distância focal da objetiva pelo
seu diâmetro) e a ´magnitude limite` (indicação do menor brilho necessário do
astro para que ele possa ser observado ao telescópio). Os principais telescópios e
radiaotelescópios do mundo são o Telescópio Refletor do Observatório Astrofísico
Espacial (pela União Soviética – em operação desde 1977), Telescópio Refletor de
Monte Palomar (Califórnia – em operação desde 1947), Telescópio Refrator de Yerkes
(próximo de Chicago – em operação desde 1897), Telescópio Refrator de Lick
(Califórnia – em operação desde 1888), Radiotelescópio Fixo de Arecibo (Porto Rico –
em operação desde 1963), Radiotelescópio Móvel do Instituto Max Planck
(Alemanha Ocidental – em operação desde 1971) e Radiotelescópio de Jodrell Bank
(Inglaterra – em operação desde 1957).
Os planetários são também instrumentos de estudo em Astronomia, porém
de finalidade didática. São construidos com lâmpadas de alta intensidade,
instaladas em esferas que possuem aberturas com dispositivos ópticos especiais,
associados a placas com perfurações milimétricas. Estas permitem a projeção do
aspecto do céu estrelado em uma abóbada artificial. Acoplados ao instrumento, os
projetores permitem a projeção dos planetas visíveis a olho nu: Mercúrio, Vênus,
Marte, Júpiter e Saturno, assim como o Sol e a Lua, os cometas, as estrelas
variáveis, a Via Láctea e os eclipses. Os dispositivos mecânicos associados
permitem a reprodução do movimento diurno da Esfera Celeste, o movimento anual
do Sol, movimento e fases da Lua, movimentos dos planetas e de precessão dos
equinócios. Por isso, os Planetários são instrumentos muito úteis para o ensino da
Astronomia.

O PLANETA TERRA

Na ordem de distância do Sol, a Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar.


O desenvolvimento da vida na Terra foi possível devido à sua distância do Sol (150
milhões de quilômetros), às condições atmosféricas e à presença de água em
estado líquido, entre outras características essenciais à vida. Embora sejam muitas
as teorias propostas para explicar a origem da Terra, há uma concordância geral no
que diz respeito a data de sua formação, sendo esta compatível, ao que tudo indica,
com a época da formação do Sol, há cerca de 5 bilhões de anos atrás, como
resultado da condensação de gás e poeira existente na Via Láctea.

No início a Terra estaria em estado gasoso e em altíssima temperatura. Foi


resfriando-se com o passar do tempo, devido a frequente irradiação de luz e calor
para o espaço. Após pelo menos algumas centenas de milhões de anos, a Terra
atingiu uma temperatura bem mais baixa, a ponto de permitir que a vida pudesse
se desenvolver na superfície. Mais antes disso, a solidificação dos materiais
primitivos deram início à formação da Crosta terrestre primitiva, em torno de 4,6
bilhões de anos atrás, considerando as análises feitas em rochas radioativas. Esta
fase, até a formação da crosta primitiva, é chamada de Era Primitiva da Terra. Em
seguida, teve início a Era Primária, mais conhecida como Período Pré-Cambriano,
que durou uns 4 bilhões de anos. O resfriamento contínuo fez com que a crosta se
tornasse mais espessa, quando ocorreram as precipitações de águas resultantes da
condensação de vapor d`água da atmosfera primitiva. Estas águas deram origem
aos oceanos a medida que se depositavam sobre a superfície terrestre. Foi
provavelmente nos mares que as formas mais primitivas de vida surgiram, em torno
de 3,5 bilhões de anos atrás. Após esse período, iniciava-se o Paleozóico, que durou
uns 350 milhões de anos. São desta época os vestigios e fósseis de animais e
plantas encontrados nas rochas. O período que se seguiu foi o chamado Mesozóico,
que durou cerca de 165 milhões de anos. Neste período surgiram os primeiros
grandes mamíferos e aves. O período Cenozóico constitui o último grande período,
dividido em Terciário (com duração de 60 milhões de anos) e o Quaternário (iniciado
a uns 2,5 milhões de anos atrás). Foi nesta época que surgiram os primeiros
hominídeos. Em torno de 100.000 anos atrás surgiu finalmente o Homo Sapiens, a
espécie humana.
A forma e as dimensões da Terra foram por muito tempo alvo de
questionamentos, inclusive de antigos filósofos. Aristóteles verificou que a Terra
deveria ter forma esférica, uma vez que sua sombra projetada na Lua era sempre
circular. O geógrafo e astrônomo grego da Escola de Alexandria, Eratóstenes, pôde
determinar as dimensões da Terra no século III a.C., com uma precisão considerável:
Utilizando a distância entre as cidades de Alexandria e Siene, ele fez um cálculo que
apontou o raio desde o comprimento da circunferência da Terra entre um ponto e
outro, com 7,2º de seu valor angular, o que significa para nós uma diferença entre 5
e 15% em relação aos dados atualmente obtidos. Porém, no século XVII, Isaac
Newton demonstrou através da sua Mecânica Clássica que não sendo a Terra um
corpo rígido e estando animada de movimento de rotação, ela não pode ser
esférica, mas ter a forma de um ´elipsóide de revolução`, sendo achatada em seus
pólos. No século XVIII, investigações realizadas na Lapônia, no Equador e no Peru
comprovaram as previsões de Newton, quando então se adotou o modelo de
elipsóide de revolução como sendo a forma da Terra. Mais tarde se determinou
outra forma para a Terra, fazendo-se uso de triangulações geodésicas (para
determinar com maior precisão os arcos de Meridiano e a forma da superfície
terrestre), os quais mostraram que a Terra não tinha uma forma elipsoidal perfeita.
A idealização de uma superfície chamada ´Geóide`, desenvolvida recentemente,
estabelece um modelo que nos permite uma descrição matemática através da
aceleração da gravidade em pontos diferentes da superfície da Terra (através de
aparelhos chamados Gravímetros). A partir de 1957, com o lançamento de satélites
artificiais, determinou-se mais precisamente o Geóide, graças às anomalias
percebidas no movimento destes satélites, produzidas pela distribuição não
uniforme da massa terrestre. Entre as formas do Geóide e as elipsoidal e esférica,
há uma diferença cujo valor é muito menor que o valor do raio terrestre, o que faz
da Terra um astro de forma praticamente esférica, que é o modo como os
astronautas a vêem do espaço.

As coordenadas geográficas de um lugar são recursos importantes para se


determinar a posição de pontos específicos na superfície terrestre. Os pólos
geográficos são os pontos de intersecção do eixo de rotação da Terra. O círculo
máximo perpendicular ao eixo de rotação da Terra é chamado Equador Terrestre ou
Geográfico, o qual divide a Terra em dois hemisférios. Os círculos menores que
podemos traçar paralelamente ao Equador são os Paralelos de Latitude Terrestre ou
Geográfica. Círculos máximos perpendiculares ao Equador terrestre são chamados
Meridianos Terrestres ou Geográficos. Assim, através de círculos desenhados na
Terra, é possível definir as coordenadas geográficas de um lugar:

1. Latitude Geográfica – Todos os pontos do Equador terrestre tem latitude


geográfica igual a 0º. Pontos ao norte do Equador têm latitudes maior que
0º, variando até 90º, que é o pólo geográfico norte. Latitudes ao sul do
Equador, igualmente, variam de 0º a 90º, o pólo geográfico sul. A latitude é
simbolizada pela letra grega f (“fi”).
2. Longitude Geográfica – Medido entre o Meridiano do lugar e o Meridiano que
passa por Greenwich, na Inglaterra. Se extende de 0º a 180º para leste ou
para oeste de Greenwich. A longitude é simbolizada pela letra
grega l (“lâmbda”).
O planeta Terra apresenta uma constituição significativamente conhecida
atualmente, graças a frequentes investigações científicas. Podemos dividir a Terra
em Atmosfera, Crosta, Manto e Núcleo. A atmosfera constitui a camada gasosa que
envolve a superfície terrestre. Os gases que a compõem são principalmente o
Nitrogênio (78%) e o Oxigênio (21%). Entre os demais gases (1%), o Argônio é o de
maior proporção. Além destes, a atmosfera apresenta também vapor de água e
partículas de poeira (importantes para os fenômenos atmosféricos). A atmosfera
pode ser dividida ainda em Troposfera, Tropopausa, Estratosfera, Ionosfera e
Exosfera, principalmente. É na Troposfera e na Tropopausa que estão localizadas a
maior parte das núvens do céu (formadas pela evaporação das águas de rios e
oceanos). Na Estratosfera encontra-se a camada de Ozônio, gás importantíssimo
para a vida humana, já que ele absorve a maior parte da radiação ultravioleta
proveniente do Sol (suficientemente violenta para causar a destruição da vida
humana). Na Ionosfera ocorrem os meteoros (luminosidades móveis causadas por
meteoritos que entram na atmosfera) e as auroras (luminosidades causadas pelas
interações entre partículas atômicas emitidas pelo Sol e a atmosfera). A Crosta
terrestre possui uma espessura variável, mas que normalmente não excede os 40
km. É constituída de um grande número de elementos, principalmente o Oxigênio
(47%) e o Silício (28%), com menores quantidades de Alumínio, Ferro, Cálcio, Sódio,
Potássio e Magnésio, entre vários outros que formam minerais e rochas. O Manto,
região mais interna, pode ter espessura de cerca de 3.000 km. Aqui a matéria é de
alta temperatura e em estado líquido. Os vulcões lançam à superfície matéria
proveniente do Manto. As movimentações no interior do Manto causam o que se
chama ´deriva dos continentes`. Pesquisas geológicas e paleontológicas mostroram
que a Pangea é resultante deste fenômeno de deriva, o que estabeleceu que a
Crosta deve ser formada por placas de matéria sólida chamadas “tectônicas”, que
estão se interagindo movendo-se sobre o Manto. O Núcleo, parte mais interna da
Terra, sendo os conhecimentos a seu respeito obtidos através da Sismologia ou de
estudos de abalos sísmicos artificiais. Evidências obtidas recentemente apontam
para o fato de o Núcleo poder ser constituido por um raio externo de 2000 km de
espessura em estado líquido, e um mais interno, com raio de 1200 km em estado
sólido. Possivelmente é formado pelos elementos Ferro e Níquel, com uma
densidade de 10 a 12 vezes a da água.

Em sua obra publicada em 1687, Philosophiae Naturalis Principia


Mathematica, Isaac Newton discorre sobre a teoria formulada por ele, a Gravitação
Universal, na qual explica que dois corpos quaisquer se atraem mutuamente por
exercerem forças gravitacionais entre si. Estas forças são proporcionais às massas
dos corpos e inversamente proporcionais ao quadrado da distância entre os
mesmos. Assim, quanto mais distante dois corpos estiverem, menor será a força
gravitacional entre eles. A constante de proporcionalidade chamada Gravitacional
(G) é expressa pelo valor da constante universal: 6,7 x 10–11 N.m2/kg2.
Além da força gravitacional, há também a força magnética. Esta é exercida
por ímãs sobre certos materiais e em partículas eletrizadas. Quando um corpo ou
uma partícula está sofrendo uma força, tem-se uma situação chamada de ´campo
de força`, sob ação da qual estes materiais se encontram. A Terra, possuindo uma
grande massa, equivalente a 6 sextilhões de toneladas (6 x 1024 kg), exerce grande
força atrativa sobre os corpos, produzindo sua queda livre em direção ao solo. O
valor aproximado da aceleração gravitacional é g = 9,8 m/s2. Assim, além do campo
gravitacional, a Terra possui também um campo magnético, fazendo dela um ímã
gigante que atrai para si as partículas eletrizadas que há em torno do planeta. As
auroras polares (austrais e boreais) que ocorrem na Terra se debe a este campo
magnético, pois as partículas atômicas (principalmente prótons e elétrons) emitidas
pelo Sol são capturadas pelo campo magnético terrestre e levadas para próximo
dos pólos magnéticos (perto dos pólos geográficos), interagindo com os gases
atmosféricos. A Terra sofre a ação de forças gravitaconais do Sol e de outros
planetas desde as condições iniciais de sua origem. Por isso, o planeta Terra está
animado dos movimentos de rotação (girando em torno de seu eixo), de translação
(girando em torno do Sol), de precessão (com eixo perpendicular em relação a sua
órbita) e de nutação (relacionado ao movimento da Lua em torno da Terra e sua
ação gravitaicional). A Terra também realiza outros deslocamentos como os de
acompanhar o movimento do Sol para o Apex e o de rotação da Galáxia.
A LUA

No passado, a Lua foi admitida como sendo um astro muito próximo da


Terra, devido ao rápido movimento que apresentava. Porém, não se sabia sua
distância, o que mais tarde seria estimado pela primeira vez através dos trabalhos
de Aristarco de Samos e de Hiparco na Antiga Grécia. No século XVII, Galileu
observou que a Lua possuia relevos parecidos com os da Terra. Mais tarde, com o
avanço da tecnologia, estas e outras características da Lua vieram a ser conhecidas
detalhadamente pelos tripulantes que chegaram à sua superfície, bem como se fez
através de sondas não tripuladas. O diâmetro angular da Lua, como a vemos da
superfície da Terra, apresenta-se medindo aproximadamente 0,5º. No século II a.C.,
o astrônomo grego Hiparco de Nicéia fez pela primeira vez a estimativa das
dimensões reais ou lineares da Lua, fazendo uso dos métodos do astrônomo
Aristarco de Samos, através da observação de um eclipse da Lua. Sabia-se que o
eclipse era provocado pela passagem da Lua pela sombra da Terra projetada no
espaço. Assim, fazendo uso das medições feitas anteriormente por Eratóstenes,
Hiparco conseguiu estabelecer a distância entre a Terra e a Lua com precisão
considerável. Nos séculos XVII e XVIII, através do método de paralaxe
trigonométrica, a distância da Lua foi mais precisamente determinada. A
determinação da paralaxe da Lua feita por Lacaille e Lalande apontou o valor de 57
minutos de arco. Recentemente, a distância da Lua foi determinada com maior
precisão através do uso de raios laser. Por meio de um refletor especial instalado na
Lua quando os astronautas da Apollo XI estiveram lá, a distância da Lua foi
constatada pela medida do tempo de ida e volta dos sinais emitidos. Hoje se sabe
que a Lua se encontra à uma distância de 384.400 km (centro a centro) da Terra.

Ao movimentar-se em torno da Terra, a Lua descreve uma órbita elíptica,


com excentricidade igual a 0,0549, perfazendo uma trajetória com um ponto mais
próximo (perigeu) e com um ponto mais distante (apogeu). Quando a Lua passa
deslocando-se do sul para o norte da Eclíptica, tem-se o chamado ´nodo
ascendente`. Quando passa deslocando-se do norte para o sul, tem-se o ´nodo
descendente`. A Lua tem sua posição igualada a cada 18,61 anos
aproximadamente, pois sua órbita é influenciada pela força gravitacional do Sol. A
velocidade da Lua também sofre modificações, apresentando no perigeu o valor
máximo de sua velocidade, e no apogeu lunar, o valor mínimo. Assim, a Lua
acompanha a Terra em sua viagem em torno do Sol. Como a trajetória da Lua é
sempre voltada para a direção do Sol, ela é sempre côncava, embora seja algo
difícil de ser percebido imediatamente.

Em certas ocasiões, a Lua, a Terra e o Sol ficam alinhados na mesma


direção, em posição perpendicular à Eclíptica. Estando a parte da superfície lunar
não iluminada pelo Sol voltada para a direção da Terra, ocorre a fase da Lua-Nova.
Esta é uma fase chamada de Novilúnio. Quando a posição da Lua se modifica em
relação à Terra e ao Sol, uma pequena parte de sua superfície é iluminada e inicia-
se o crescente lunar. Quando metade de sua superfície pode ser vita iluminada da
Terra, a Lua está na fase de Quarto-Crescente (7 dias após a Lua-Nova). Segue-se a
esta fase o momento em que todo o hemisfério iluminado está voltado para a Terra,
a fase de Lua-Cheia (7 dias após o Quarto-Crescente). Esta fase é chamada de
Prenilúnio. Entrando na fase minguante, começa a diminuir a porção iluminada da
Lua que pode ser vista da Terra, atingindo o momento em que apenas a metade de
sua superfície iluminada pode ser vista, a fase de Quarto-Minguante (7 dias depois
da Lua-Cheia). Nas últimas fases do minguante, a Lua pode ser observada acima do
horizonte leste, antes do nascer do Sol, atingindo a fase de Lua-Nova (7 dias após o
Quarto-Minguante). São 29,5 dias que separam a passagem da Lua por uma mesma
fase duas vezes consecutivas. Este é o chamado Período Sinódico da Lua (Mês das
Fases).

Se a órbita da Lua não fosse inclinada em relação à Eclíptica, ocorreriam ao


menos dois eclipses a cada mês. Os eclipses da Lua ocorrem quando ela e o Sol
estão próximos de nodos opostos. Penetrando no cone de sombra da Terra, pode
ocorrer 3 tipos de eclipes: Eclipses Penumbrais (a Lua penetra apenas na região da
penumbra projetada no espaço); Eclipses Parciais (a Lua penetra parcialmente na
sombra da Terra); Eclipses Totais (a Lua penetra totalmente na sombra da Terra). No
caso do Sol, 3 eclipses podem ocorrer: Eclipses Anulares (quando a Lua está
próxima ao apogeu entre a Terra e o Sol); Eclipses Parciais (quando o disco do Sol é
parcialmente encoberto pelo disco da Lua); Eclipses Totais (quando próxima do
perigeu, a Lua encobre todo o disco solar). Tais fatos referem-se ao modo como
estes fenômenos são vistos da Terra. Além do movimento de translação da Lua em
torno da Terra, ela desenvolve também uma rotação em torno de um eixo
imaginário, inclinado cerca de 84º em relação ao plano de sua órbita. Como a
rotação da Lua tem período idêntico ao período sideral de translação, ela sempre
mostra a mesma face para a Terra. Porém, se aproximarmos mais rigorosamente do
fato, perceberemos que mais da metade da superfície lunar pode ser vista, em
função das librações lunares (observadores localizados em pontos diferentes da
Terra podem ver regiões diferentes da Lua).
Foi possível determinar a massa da Lua através de seu movimento orbital e
da aplicação da Terceira Lei de Kepler (igual a 1/81 da massa da Terra). Sua
densidade média é de aproximadamente 3,3 g/cm 3. É provável que a Lua possua,
assim como a Terra, uma crosta muito fina, um manto e um núcleo central. Suas
temperaturas muito variáveis podem atingir desde 120º acima de zero até 150º
abaixo de zero. Através de telescópios pode-se observar seu relevo irregular, mares,
crateras e montanhas. As análises feitas em rochas trazidas pelos astronautas da
Missão Apollo e por sondas soviéticas automáticas (série Luna), concluiu-se que a
matéria lunar é constituida por basaltos cuja composião é um tanto diferente dos da
Terra, além de outros materiais. Em relação à origem da Lua, não conclusões
óbvias. Pelo menos 3 teorias pretendem explicar a origem do satélite da Terra:
1. A Lua teria se formado a partir da Terra por um processo de ruptura;
2. A Lua teria sido formada independentemente da Terra, sendo capturada pelo
campo gravitacional terrestre.
3. A Lua teria sido originada pela agregação de matéria situada nas vizinhanças
da Terra, na formação do Sistema Solar.
Verificou-se, entretanto, que as rochas lunares têm idade semelhante às
rochas terrestres, porém suas composições são diferentes. Tal evidência é uma das
que fazem com que a terceira proposta acima seja atualmente a mais aceita.

O SISTEMA SOLAR

Diferentes modelos foram construidos para tentar explicar o sistema


planetário. A necessidade de melhor entender os moviemntos dos planetas e a
natureza do planeta Terra, levou ao conceito de Sistema Solar. Considerando um
ponto que vai do Sol até os limites marcados pela órbita de Plutão, obtemos uma
extensão aproximada de 50 U.A. (7,5 bilhões de quilômetros). A hierarquia dos
corpos celestes dentro do S.S., de acordo com as massas dos planetas, pode ser
entendida na seguinte tabela:

Massa total dos componentes do Sistema Solar

__________________________________________________________________

COMPONENTE Massa Total (massa da Terra = 1)

Sol 333.000

Planetas 447,9

Satélites 0,12

Asteróides 3 x 10–4
Cometas e meteoróides 5 x 10–10
__________________________________________________________________
Originalmente a palavra ´planeta` significa “errante”, subentendendo-se
´um astro que se desloca errantemente entre as estrelas`. Mas esse significado se
modificou, passando a indicar corpos com massas inferiores a cerca de 1500
massas terrestres e superior a aproximadamente 0,001 massas da Terra (entenda-
se que estes valores são apenas aproximados). Vejamos, portanto, as principais
características dos planetas do S.S., na relação abaixo:

Características principais dos planetas do Sistema Solar

PLANETA Mercúrio Vênus Terra Marte Júpter Saturno Urano


Netuno Plutão

Distância média
(U.A.) 0,39 0,72 1,0 1,52 5,20 9,54 19,18
30,06 39,44

Período orbital
(anos) 0,24 0,62 1,0 1,88 11,9 29,46 84,01
164,80 248,40

Excentricidade 0,206 0,007 0,017 0,093 0,049 0,05


6 0,047 0,009 0,246

Inclinação orbital
(º) 7,0 3,4 –– 1,9 1,3 2,5 0,8
1,8 17,1

Massa (Terra =
1) 0,056 0,817 1,0 0,108 318,0 95,2 14,6
17,3 0,002

Diâmetro
equatorial 0,39 0,97 1,0 0,53 11,19 9,47 3
,79 3,50 0,17

Volume (Terra =
1) 0,06 0,88 1,0 0,15 13,16 7,55 67
57 0,02

Período de
rotação 58,5 243 1,0 1,03 0,41 0,43 0,
71 0,66 6,42
Número de
satélites –– –– 1 2 16 17 15
2 1

No século XVII, o astrônomo alemão Johannes Kepler estabeleceu três leis para os
movimentos de translação dos planetas em torno do Sol, sendo elas as seguintes:

1. Lei das Órbitas – Os planetas giram em torno do Sol em órbitas elípticas, estando
este ocupando um dos focos da mesma. Descreve-se tal relação por: PF +
PF =Constante.

2. Lei das Áreas – O segmento que une um planeta ao Sol descreve áreas iguais em
tempos iguais.

3. Lei Harmônica – Relação entre o cubo da distância média de um planeta ao Sol e


o quadrado do seu período de translação.

A distância média de um planeta ao Sol é igual ao semi-eixo maior de sua


órbita elíptica. Isaac Newton verificou mais tarde que a constante que aparece na
terceira lei de Kepler depende da massa do Sol e da massa do planeta considerado.
Sendo as massas dos planetas desprezíveis diante da massa solar, o valor da
constante é considerado o mesmo para todos os planetas. Significa que a terceira
lei de Kepler é de fundamental importância para calcular a distância média ou o
período orbital dos planetas. As leis de Kepler são válidas também para os
movimentos dos asteróides, meteoróides, satélites, cometas, e até mesmo para
estrelas em sistemas binários, permitindo inúmeras aplicações importantes.

No século XVIII, os astrônomos Wolf e Titius descreveram uma relação


numérica sobre a distância dos astros em relação ao Sol, que se tornou mais
conhecida através do astrônomo Böde em 1778. Esta relação consiste em tomar-se
os números 3, 6, 12, 24, …, somando-se a estes o número 4 e dividindo o resultado
da soma por 10. Mas esta regra, conhecida por lei de Titus-Böde, foi formulada
antes da descoberta dos planetas telescópicos (Urano, Netuno e Plutão) e também
dos asteróides (a partir de 1801). Quando Herschel descobriu Urano em 1781 e
Piazzi descobriu o primeiro asteróide, Ceres, em 1801, pensava-se que tal relação
numérica fosse realmente uma lei válida para todos os componentes do Sistema
Solar. Mais tarde, porém, verificou-se que para os valores das distâncias médias de
Netuno e Plutão, a relação é falha. No momento não há uma lei segura que possa
ser aplicada para tal finalidade, estando ainda em estudo uma formulação que
expresse as distâncias médias dos planetas ao Sol.

As configurações planetárias modificam-se a medida que se movimentam


em torno do Sol. O ângulo formado na Terra entre a direção do Sol e a direção de
um planeta é denominado elongação. As configurações planetárias mais
importantes são a conjunção, a oposição e as quadraturas para planetas exteriores
à órbita da Terra, e conjunções inferior e superior, assim como posições de
elongação máxima para os planetas interiores à órbita da Terra. Algumas
características principais dos planetas do S.S. são as seguintes:

Mercúrio – É o planeta mais próximo do Sol, com elongação máxima de


aproximadamente 28º, e por se localizar entre a Terra e o Sol, apresenta fases
semelhantes àquelas da Lua, e possui um período de rotação de 59 dias.

Vênus – Possui um movimento muito rápido, já que é o segundo planeta em ordem


de distância ao Sol, com elongação máxima de 47º, sendo suas fases observadas
pela primeira vez por Galileu Galilei, e seu período de rotação é de 243 dias.

Marte – O quarto planeta em ordem de distância ao Sol apresenta uma atmosfera


constituida principalmente de gás carbônico, tendo crateras, montanhas e vales na
sua superfície, e possuindo dois satélites naturais, que são Phobos e Deimos.

Júpter – Este possui um diâmetro de 11,2 vezes maior que o da Terra, sendo o maior
planeta do S.S. e com um meio ambiente complexo, além de possuir uma camada
de núvens com 240 km de espessura e atmosfera constituida principalmente de
hidrogênio e hélio, e possuindo os satélites galileanos, que são Io, Europa,
Ganímedes e Calisto.

Saturno – O sexto planeta em ordem de distância do Sol foi observado desde a pré-
história, sendo mais tarde descoberto que ele possui anéis a sua volta, além de 11
satélites, sendo Titan o maior deles.

Urano – O sétimo planeta em ordem de distância do Sol possui um movimento de


rotação em sentido retrógrado, sendo estimado que sua atmosfera é constituida por
hidrogênio, hélio e metano, com temperatura da ordem de 195º abaixo de zero,
além de possuir anéis e 15 satélites, entre eles Miranda, Ariel, Umbriel, Titania e
Oberon.

Netuno – Descoberto através de cálculos matemáticos comparados à Gravitação


Universal de Newton, estima-se que sua atmosfera seja constituida principalmente
de hidrogênio e hélio, possuindo dois satélites, que são Tritão e Nereida.

Plutão – O menor planeta do S.S., descoberto pela persistência em rastrear a


existência de outro planeta além de Netuno, possui órbita com alta excentricidade
(0,25), ficando mais próximo do Sol do que Netuno durante o periélio, e sendo
também descoberto mais tarde seu satélite, que foi chamado de Charon.

Os asteróides foram observados no passado no número de 3.500. Mais


recentemente, mais de 15.000 asteróides foram detectados através do satélite
IRAS, podendo existir um número ainda maior. Os astrônomos procuraram ainda
saber se havia outro planeta entre Marte e Júpter, a uma distância de 2,8 U.A. do
Sol, de acordo com as previsões da lei de Böde. Então esta lei foi levada em
consideração quando o planeta Urano foi descoberto em 1780, apresentando uma
distância média que estava de acordo com o previsto. Mais tarde, o astrônomo
italiano Giuseppe Piazzi descobriu uma estrela na Constelação de Taurus que não
havia sido catalogada. Percebeu depois que não era uma estrela, devido a mover-se
muito rápido pelo céu. Na época chegou até a achar que era um cometa. Depois,
pensou-se que era um planeta, mas viu-se que ele era menor do que Lua. Recebeu
por isso o nome de ´planetóide`, sendo sugerida a denominação ´asteróide` por
Herschel. Este asteróide recebeu o nome de Ceres. Posteriormente, Wilhelm Olbers
descobriu um novo asteróide, o qual se chamou Pallas. Ainda outros foram
descobertos no início do século XIX, que se chamaram Juno e Vesta. Até o final do
século XIX vários asteróides foram descobertos. A tabela a seguir mostra algumas
características de uma pequena seleção de asteróides.

Dados sobre alguns asteróides

_____________________________________________________________________

ASTERÓIDE Ceres Pallas Juno Eros I


carus
Distância média
(U.A) 2,767 2,768 2,670 1,458 1,077

Período orbital
(anos) 4,60 4,60 4,36 1,76 1,12

Excentricidade 0,079 0,235 0,256 0,223


0,827

Inclinação orbital
(º) 10,6 34,8 13,0 10,8 23,0

_____________________________________________________________________

Os primeiros registros sobre o aparecimento de cometas datam do terceiro


milênio a.C., como se sabe dos anais astronômicos chineses. Foram observados até
agora cerca de 650 cometas distintos. Até o século XVI acreditava-se que os
cometas eram fenômenos atmosféricos. Naquele século, Tycho Brahe havia
mostrado que os cometas não possuiam paralaxe perceptível, indicando serem
objetos exteriores à atmosfera. Edmund Halley fez observações nas quais constatou
que três deles surgiam em intervalos de tempo bem definidos, da ordem de 76
anos. Entendeu, portanto, se tratar do mesmo cometa, fazendo uma previsão para
sua reaparição em 1758, o que realmente aconteceu. O cometa recebeu o nome de
Halley em sua homenagem. Verificou-se mais tarde que há em torno de 275
cometas com órbitas elípticas (ovais), 295 com órbitas parabólicas (abertas) e cerca
de 100 com órbitas hiperbólicas. Os meteoróides são objetos cuja constituição
material assume massa reduzida e tamanho que pode chegar até a dimensão de
um asteróide. Seus afélios estão dentro da região dos asteróides (2,8 U.A.).
Apresentam-se como fenômenos luminosos na atmosfera, geralmente pela entrada
de meteoróides que riscam o céu durante a noite. O brilho do objeto se dá pelo fato
de que a atmosfera possui um meio em que as moléculas e as partículas de íons
chocam-se com os corpos que chegam, gerando um atrito pelo qual há um
aquecimento de sua superfície e a consequente emissão de radiação luminosa,
como se vê da superfície da Terra. Em algumas ocasiões pode-se observar em torno
de 20 meteoros por hora riscando o céu, o que se conhece por “chuva de
meteoros”. A entrada destes objetos diariamente na atmosfera acrescenta 1
tonelada de massa por dia ao nosso planeta. Porém, boa parte do material fica
dispersa pela atmosfera, chegando à superfície somente os meteoritos, os quais são
classificados de acordo com sua constituição química em grandes grupos
(condritos, acondritos, ferro-metálicos ou ferro-rochosos). Todos eles são formados
de modo geral por ferro, outros metais e silicato. O estudo da constituição química
dos meteoritos é importante para uma melhor compreensão das regiões externas à
Terra, ou seja, são bons colaboradores para o conhecimento da origem e evolução
do Sistema Solar.

O SOL

A uma distância de 149.600.000 km da Terra, o Sol é a estrela mais próxima


de nós, apresentando um diâmetro angular da ordem de 0,5º, assim como o da Lua.
O volume do Sol é de aproximadamente 1.300.000 vezes o volume da Terra. Sua
massa é de 333.000 massas terrestres, sendo sua densidade média, devido a esta
grande massa, é de 1,41 g/cm3. Seu consequente intenso campo gravitacional
mantém os planetas do Sistema Solar girando à sua volta. A matéria constituinte do
Sol encontra-se em estado gasoso, em temperaturas extremamente altas e
caracterizando o chamado estado de plasma. Análises espectroscópicas mostraram
que o Sol é constituido principalmente de Hidrogênio (75%), sendo o segundo
elemento mais abundante o Hélio (23%). O Hélio foi descoberto primeiramente no
Sol, sendo encontrado na Terra somente depois. Os 2% restantes de sua matéria
constituem-se de outras dezenas de elementos químicos. As regiões principais do
Sol são:
1. Núcleo – Região mais interna do Sol, com densidade de 135 g/cm 3 e temperatura
de cerca de 20 milhões de ºC.
2. Zona Convectiva – Transporta energia do núcleo para a superfície solar, formada
por colunas de gases e com espessura da ordem de 150.000 km.

3. Fotosfera – Superfície solar com espessura de aproximadamente 300 km e com


temperatura 5.500º C.

4. Camada Inversora – Região responsável pelo aparecimento de raias escuras no


espectro solar, com espessura de 2.500 km e temperatura de 4.000º C.
5. Cromosfera – De coloração avermelhada, esta camada apresenta espessura de
até 15.000 km e pode atingir temperatura de até cerca de 50.000º C.

6. Coroa – Camada externa cuja extensão varia de acordo com a atividade solar e
temperatura atingindo até 1.000.000º C.

Outros fenômenos solares que ocorrem e que são de extrema importância


no estudo do Sol são as Manchas Solares (formações escuras visíveis na fotosfera),
Grãos (formações da fotosfera com dimensão de até 1.500 km), Fáculas (regiões da
fotosfera com temperatura acima daquela da superfície solar), Espículos (formações
na cromosfera com cerca de 8.000 km de extensão), Protuberâncias (fenômenos
que ocorrem na cromosfera e na coroa, atingindo centenas de milhares de
quilômetros). A atividade solar não se apresenta como um fenômeno constante,
podendo-se observar uma periodicidade de 11 anos de atividade (seu auge
caracteriza a época do ´Sol Ativo` e seu mínimo processo é a época do ´Sol
Calmo`). Além disso, com maior atividade solar, o número de manchas, fáculas e
protuberâncias entre outros fenômenos, atinge também o máximo valor. Ocorrem
também explosões violentas na cromosfera e na coroa, com liberação de grandes
quantidades de energia. Em certos casos, as explosões podem elevar gases até a
alturas de 250.000 km. Quando ocorre o Sol Ativo, a coroa fica mais uniforme e
simétrica, e quando no Sol Calmo, a coroa fica menos pronunciada na direção de
seu eixo de rotação. Além da energia liberada nas explosões solares, há também a
emissão de partículas atômicas, principalmente prótons e elétrons (Vento Solar). De
acordo com dados obtidos através de satélites e sondas, a velocidade de tais
partículas nas proximidades da Terra é em torno de 400 km/s.

ESTRELAS, GALÁXIAS E CONSTELAÇÕES

Em seu livro “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos”, o filósofo Giordano


Bruno no século XVI descreve as estrelas como outros “sóis”, como se estas fossem
da mesma natureza do Sol. O fato de as estrelas serem semelhantes ao Sol foi
confirmado somente no século XIX, quando surgiu a espectroscopia. Mas a pesar de
as estrelas apresentarem aspectos semelhantes ao Sol, há características bastante
distintas a serem consideradas entre este e aquelas. Assim, podemos analisar as
seguintes:

1. As estrelas são constituidas por diversos elementos químicos, principalmnte


hidrogênio e hélio, que estão à altísimas temperaturas, no estado de plasma.
2. No interior das estrelas ocorrem as reações termonucleares que liberam
grande quantidade de energia radiante.
3. As estrelas possuem forma praticamente esférica.
A classificação dos espectros foi feita pela primeira vez pelo padre jesuita e
astrônomo Pietro Angelo Secchi, com uma divisão em 4 tipos principais. Mais tarde,
com novas técnicas de observação mais refinadas, outras classificações foram
elaboradas. Atualmente, a classificação mais utilizada é a de Harvard, desenvolvida
no século XX. Nesta classificação, os vários tipos espectrais são representados por
letras maiúsculas, organizados em ordem alfabética. Podemos ver na relação a
seguir algumas características dos tipos espectrais das estrelas.

Características dos tipos espectrais mais frequentes

Tipo O – Raias de Hélio ionizado.

Tipo B – Raias do Hidrogênio.

Tipo A – Raias do Hidrogênio em máxima intensidade.

Tipo F – Raias de Ferro e Magnésio.

Tipo G – Raias de Cálcio.

Tipo K – Bandas moleculares de Óxido de Titânio.

Tipo M – Bandas moleculares de Óxido de Titânio em máxima intensidade.

Além da classificação de Harvard, há ainda a classificação M-K, originada dos


trabalhos dos astrônomos norte-americanos W. W. Morgan e P. C. Keenan, os quais
introduziram classes de luminosidades designadas pelos algarismos romanos I, II,
III, IV e V, inserindo-se recentemente VI, VII e o algarismo arábico zero. Costuma-se
dividir a classe I em Ia e Ib. Vários outros símbolos são utilizados nas classificações
espectrais das estrelas. Um exemplo é o uso WC e WN, que indicam estrelas em
alta temperatura superficial (da ordem de 60.000 K), as chamadas Wolf-Rayet; a
letra e, que indica a presença de de linhas de emissão; a letra m, que indica a
presença de linhas correspondentes a metais, e assim por diante. Vários
astrônomos tentaram determinar a paralaxe de estrelas, o que seria uma forma
para a comprovação da translação da Terra e permitir, por triangulação, determinar
suas distâncias à Terra. Estrelas mais distantes servem como um fundo de
referência. Através da paralaxe de uma estrela se observa a Unidade Astronômica
de distância da mesma. A distância angular entre as posições observadas da estrela
no afélio e no periélio será o dobro da paralaxe. A luminosidade de uma estrela é a
quantidade de energia que ela emite por unidade de tempo em todas as direções.
Sabendo a distância em que se encontra e medindo o fluxo de radiação proveniente
dela, pode-se calcular sua luminosidade. Como a luminosidade das estrelas está
diretamente ligada à sua magnitude absoluta, conhecendo-se uma das grandezas
pode-se calcular a outra. Pode-se notar facilmente a existência de estrelas que
apresentam colorações de destaque, como Antares (da Constelação de Scorpius) e
de Rigel (da Constelação de Orion). Temperaturas estelares determinadas pela
utilização da lei Stephan-Boltzman denominam-se temperaturas efetivas, enquanto
temperaturas determinadas pela fórmula de Russel são denominadas temperaturas
de cor. No primeiro caso, sugere-se que a estrela emite energia em todos os
comprimentos de onda. No segundo caso, sugere-se que a energia é emitida dentro
de uma certa faixa de radiações. Vejamos a seguinte relação:
CLASSE
ESPECTRAL O B A F G K
M

TEMPERATURA
SUPERFICIAL 30.000 21.000 10.000 7.200 6.000 4.700 3.000

COR Azul Branca Amarela


Vemelha

As dimensões das estrelas não são facilmente determinadas, pois estão


localizadas a grandes distâncias da Terra. Através do uso de técnicas
interferométricas foi possível determinar seus diâmetros aparentes, raios e
volumes. Este é o caso de algumas estrelas gigantes e supergigantes relacionadas a
seguir:

Dimensões de algumas estrelas


ESTRELA Diâmetro Angular Diâmetro
Linear
(Sol = 1)
Arcturus 0,020 27

Aldebaran 0,020 38

Alfa Herculis 0,021 40

Antares 0,030 400

Beta Pegasi 0,040 450

Na maioria dos casos, as estimativas das dimensões são realizadas com base
na relação entre a luminosidade das estrelas, suas temperaturas superficiais e seus
raios. Pode-se notar, por exemplo, a grande diferença da dimensão de Antares em
relação ao Sol. As estrelas binárias são classificadas de acordo com as técnicas
utilizadas na observação, sendo elas as binárias visuais, as binárias fotométricas e
as binárias espectroscópicas. A relação massa-luminosidade é um dos
procedimentos utilizados para se obter informações sobre as massas das estrelas.
Em 1924, o astrônomo e físico A. S. Eddington verificou que havia uma relação
entre as massas e as luminosidades das estrelas binárias. As estrelas possuem
também um movimento de rotação, além de seus movimentos orbitais nos sistemas
múltiplos e dos movimentos que elas realizam em torno do centro gravitacional das
galáxias.
Características estelares tais como tipo espectral, luminosidade, cor e
temperatura, estão diretamente relacionadas entre si. Por isso, os astrônomos
Henry Noris Russel (1877-1957) e Ejnar Hertzsprung (1873-1967) elaboraram o
chamado Diagrama Hertzsprung-Russel, descrito também como Diagrama H-R. Este
é feito colocando-se num eixo horizontal (abscissas) o tipo espectral, a cor ou a
temperatura das estrelas, e num eixo vertical (ordenadas), perpendicular ao
primeiro, as magnitudes absolutas ou luminosidades das estrelas. Pode-se notar
utilizando tal recurso que há certo acúmulo de pontos, dos quais uma região
equivale a uma das diagonais do Diagrama, formando a Sequência Principal.
Observa-se ainda, na parte superior do Diagrama, a região das supergigantes, e
abaixo, a região das gigantes. A evolução estelar é pouco conhecida, devida à
dificuldade de se conhecer as regiões centrais das estrelas, em que ocorrem as
principais características de sua evolução. Além disso, não é possível acompanhar
observacionalmente as fases da evolução estelar, em que as mudanças principais
ocorrem entre milhares, milhões ou bilhões de anos. De acordo com a contração das
estrelas, dos fenômenos finais de sua evolução podem ocorrer três tipos de objetos:
Anãs Brancas, Estrelas de Nêutrons e Buracos Negros. As estrelas variáveis estão
classificadas em Variáveis Intrínsecas e Variáveis Extrínsecas. As Intrínsecas são as
Pulsantes (Cefeidas, RR. Lyrae, Mireidas e outras) e as Cataclísmicas (Novae,
Supernovae, R Corona Borealis e outras). As Extrínsecas são as Eclipsantes
(Algólidas, Beta Lyrae, W Ursa Majoris) e as Nebulares (T Tauri, Herbig-Haro, R W
Aurigae e outras).

A classificação das Galáxias é feita com base em características variáveis,


embora todas estejam constituidas de estrelas e material interestelar. A
classificação mais usual é aquela idealizada pelo astrônomo Edwin Hubble em 1927,
que se utiliza das formas que as Galáxias apresentam na observação (Classificação
Morfológica de Hubble). Aquí, as Galáxias estão classificadas em três grupos:
Elípticas, Espirais e Irregulares. Já as constelações foram observadas desde os
povos mesopotâmicos, chineses, egípcios e gregos, além de povos de outras
regiões do mundo. Perceberam que o conhecimento das configurações formadas
pelas estrelas torna mais fácil a localização da Lua, dos planetas e de outros corpos
celestes. Determinava-se através das posições das estrelas as estações do ano e
orientava-se durante viagens terrestres ou marítimas. Foi a estes agrupamentos
aparentes de estrelas que se deu o nome de Constelações. Cada povo da
Antiguidade possuia um tipo de imaginação e seus mitos, e acabaram por unir as
estrelas com linhas imaginárias, formando figuras de heróis lendários, de animais e
de outros objetos. Seus nomes persistem até hoje como elaborados pelos antigos
gregos. A União Astronômica Internacional (I.A.U.), entidade que congrega
astrônomos do mundo todo, realizou a divisão da Esfera Celeste em 88 regiões
perfeitamente demarcadas, mantendo as antigas constelações do céu e também
seus respectivos nomes. São muito mencionadas as doze constelações zodiacais
(da faixa limitada por círculos paralelos à Eclíptica, situada a 8º ao norte e ao sul
dela, chamada Zodíaco), cujos nomes são Peixes (Pisces), Aries, Touro (Taurus),
Gêmeos (Gemini), Cancer, Leão (Leo), Virgem (Virgo), Libra, Escorpião (Scorpius),
Sagitário (Sagittarius), Capricórnio (Capricornius) e Aquario (Aquarius). Mas há
outras constelações como as Austrais (Cruzeiro do Sul, Peixe Austral, Centaurus,
etc.), as Boreais (Ursa Minor, Cygnus, Andrômeda, etc.) e as Equatoriais como Órion
e Áquila.

ASTRONOMIA NO BRASIL

Considera-se que a Astronomia no Brasil nasceu junto com sua descoberta,


pois o primeiro registro astronômico data do ano de 1500. Assim, as tribos
indígenas provavelmente já possuíam alguns conhecimentos astronômicos. O
bacharel João Emeneslau (físico, médico, engenheiro e astrônomo da esquadra de
Cabral) foi quem efetuou as primeiras medidas astronômicas em solo brasileiro. Os
relatos destas observações estão contidos numa carta por ele dirigida a D. Manuel,
Rei de Portugal, escrita em final de abril de 1500. A partir do século XVII a
Astronomia começa a se desenvolver de forma mais intensa no Brasil. Isso se deu
por ocasião da invasão holandesa. O príncipe João Maurício de Nassau, interessado
por artes e ciências, mandou instalar em Pernambuco o primeiro Observatório
Astronômico do Brasil no hemisfério sul. Outros trabalhos foram realizados no
mesmo século por Valentin Estancel e Aloísio Conrado Pfeil, jesuitas que eram
professores de Astronomia, sendo os primeiros a lecionar esta ciência no Brasil. O
mesmo cometa observado por Estancel em 5 de março de 1668 foi registrado por
Isaac Newton em seu Principia Mathematica. O astrônomo Edmund Halley também
esteve no Brasil fazendo observações astronômicas no final do mesmo século.

A Astronomia continuou se desenvolvendo nos séculos seguintes. Nos


séculos XVIII e XIX fundou-se o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro, que
originou posteriormente o Imperial Observatório, e depois, com a proclamação da
República do Brasil, passou a ser chamado de Observatório Nacional. Em 1881, o
ex-astrônomo do Observatório Imperial, Manuel Reis, suscitou esforços pela
instalação do Observatório Astronômico do Morro Santo Antônio, vinculado à Escola
de Engenharia, que mais tarde passou para o Morro do Valongo, dando origem ao
atual Observatório de Valongo, da UFRJ. Na Escola Politécnica de São Paulo, criada
em 1893, iniciaram-se os primeiros cursos regulares de Astronomia. Esta Escola
contruiu um Observatório na Praça Buenos Aires, destinado principalmente ao
treinamento de alunos. O desenvolvimento brasileiro da Astronomia no século XX
apresenta vários destaques, entre eles, na época da direção de Henrique Morize, a
transferência do Observatório Nacional do Morro do Castelo para o Morro de São
Januário, onde foi instalado em 1992. Em São Paulo, devido às iniciativas do diretor
do Observatório oficial do Estado, engenheiro Alípio Leme de Oliveira, foi criada a
Diretoria do Serviço Meteorológico e Astronômico do Estado de São Paulo, em 1927.
O Observatório de São Paulo foi inaugurado em 1941, onde está localizada a sede
do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP).
Podemos citar ainda instalações como o Radiopolarímetro Solar usado
originariamente para a observação do eclipse total de 1966 em Bagé – RS, o Rádio
Observatório de Itapetinga (com cúpula protetora de 13,7 m), o Instituto
Tecnológico da Aeronáutica (ITA) de 1965, o Observatório da Piedade (com
telescópico refletor de 61 cm) da UFMG, o Telescópio Refletor de 1,60 m do
Observatório Astrofísico Brasileiro, o Observatório Abrahão de Moraes instalado em
Valinhos-Vinhedo-SP, o Laboratório Nacional de Astrofísica de Brasópolis-MG, o
Observatório de Capricórnio instalado em Campinas-SP e o Planetário Municipal de
São Paulo. Outras entidades destinadas ao ensino e à divulgação da Astronomia no
Brasil foram fundadas por professores de Astronomia e de outras ciências.