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E aí, galere?

Eu fiquei de postar o material do nosso ato de telepatia aqui pra quem quer
executar na rua! É mais útil, ao invés de eu postar todo o material pronto, mostrar pra vocês
qual é a lógica e a mecânica do ato, pra você poder adaptar pra sua realidade. Então tô
postando aqui as seguintes coisas:

>> uma foto de uma planilha simplificada aqui alguns códigos e explicações.

>> algumas referencias sobre uso disso na rua e nas nossas performances.

>> referencias de outros mágicos que fazem isso.


>> materiais possíveis de estudo.

>> exercícios pra você começar a trabalhar no seu ato de telepatia.

Esse ato é um ato duplo – de dois mágicos ao mesmo tempo – e é basicamente o seguinte: 1
mágico fica no palco com a visão restrita, o outro anda até a plateia pegando objetos na mão.
O que está no palco consegue falar quais são esses objetos e dar até detalhes dos objetos (cor,
data de validade, algum número importante que o cara tenha no celular, quantas moedas o
espectador tem no bolso, etc.)

Meu ato com o Cossalter é assim: um de nós é vendado (com uma técnica de vendar que
merece seu próprio textão hahauhahua) e o outro guia um espectador pra pegar uns objetos
de uma caixinha nossa. O mágico vendado consegue sempre saber qual é o objeto pego.
Depois, o mágico que não está vendado vai até a plateia pegando uns objetos, e o mágico
vendado continua acertando.

Pra fazer isso na rua, é legal como finale, depois que seu círculo de pessoas já está formado e
as pessoas já estão interessadas, não como início. O legal desse tipo de ato pra rua é o
seguinte:

Qualquer fonte de trabalho pra busker vai mencionar que trampo de mentalismo na rua *não
é fácil*. A rua normalmente requer um negócio visualmente dramático e que tenha uma certa
beleza passiva, no sentido de quem está passando consiga entender o que tá rolando de legal
sem precisar acompanhar uma lógica longa. Além disso, a barreira de linguagem impede os
longos discursos do mentalismo, as vezes. *E é aqui que entra o ato de telepatia a dois!*

>> Ter um cara vendado no meio da rua normalmente já cria um drama

>> O mágico ir até a plateia, pegar objetos, e o outro vendado revelar é bem rápido, então tem
essa beleza passiva

>> O texto a ser decorado é sempre estático (palavras chaves pra cada objetos) e
relativamente curto. Então não precisa dar uma palestrona.

Acho importante e honesto mencionar que a gente não executou o 2-man-act completo na rua
ainda, mas testou em outros ambientes de parlour e palco com uma dinâmica parecida com a
da rua e conseguimos resultados muito legais (tanto em relação ao chapéu no final, que a
galera dá bastante grana, quanto ao da reação.)

*No Brasil*, no entanto, é comum ver uns caras fazendo essa telepatia pra 2 da seguinte
forma: um cara fica no meio da roda, o outro vai na galera e pega o RG do pessoal. O que está
no meio da roda consegue dizer o número do RG, consegue dizer o nome da mãe, alguns
sobrenomes. É uma puta loucura, e eles fazem isso tudo transmitindo só com a mesma lógica
de código que a gente tá usando e eu vou explicar aqui.

O Corinda, no 13 Passos pro mentalismo, descreve essa parada como “a coisa mais difícil que
um mentalista pode fazer”, e não é brincadeira. Requer um certo trampo pra você polir bem
sua performance, criar seus códigos e deixar a transferência de um pensamento pro outro bem
limpa. Mas os resultados são bem legais, *vocês podem dar uma olhada nos seguintes atos pra
se inspirar:*

The Evasons, Jeff and Tessa (esse é um pouco antigo), Falkenstein and Willand (esses
também.), West and Morgan, The Clairovoyants, DNA (Darren and Andrew) .

*Sobre a planilha que eu mandei foto*, ela indica o seguinte:

Na esquerda, são objetos comuns de aparecer entre os espectadores. Essa listinha aí tem 8
objetos que já são um começo, mas você pode e deve ir expandindo. Observe que cada objeto
tem uma palavra ligada a ele (tipo “óculos” e “foco”, ou “chinelo” e “distância”.)

*Esse é o segredo de enviar os objetos entre um mágico e outro*: Os dois conhecem o código,
e o mágico “condutor” vai pegar um objeto na plateia, enquanto o mágico vendado vai estar lá
no meio do palco. O “condutor” vai *fazer um comentário casual pra plateia que contenha a
palavra chave do objeto que acabou de pegar*. É isso.

O mágico pega um óculos e diz pra plateia “Foco no que vai acontecer agora.”. Ele disse isso
porque “Foco” é a palavra chave de óculos. O mágico vendado agora já sabe que óculos é o
objeto.

*Pra vocês lembrarem das palavras e do código*, é legal criar uma mnemônica que conectem
os dois. Por exemplo, “relógio” pra gente é “OK”, por causa do som de “O’clock”. “Chinelo” é
“distancia”, porque a lógica é que com o chinelo você anda distancias. “Celular” é “atenção”, a
lógica sendo que o celular rouba sua atenção. É legal usar essas relações pra você lembrar mais
fácil, mesmo que a relação seja distante e bizarra. Tipo, “água” pra gente é “perfeito” porque a
gente imagina uma água perfeitamente limpa hahahuahua. O importante é lembrar.

Pra descobrir que objetos pode ser legal de você fazer sua lista de códigos, tem dois jeitos:

>> Pensando mesmo nos objetos possíveis na vida. Relógio, perfume, óculos de sol, colírio. Faz
uma lista maluca aí.

>> Fazendo performance. Foi fazendo performance que a gente percebeu que era muito
comum mulher começar a tirar os acessórios, e pulseira era um deles. A gente chegou a se
ferrar com uma pulseira, e o código passou a ser “Bruno/Eduardo”. Isso quer dizer que o
mágico condutor “chama” o mágico vendado. Tipo assim, suponha que o vendado é o Bruno.
Eu vou falar “Bruno, este objeto agora, qual é?” e ele já sabe que é pulseira.
Além de adivinhar os objetos, é legal nesse tipo de ato você dar uns detalhes. Os detalhes
podem ser marca do objeto, cor, etc.

Vou dar um exemplo de como a gente lidou isso no caso do celular, e junto dar o exemplo de
um código que eu não cheguei a ler em nenhum lugar mas usei e funcionou: ao invés de fazer
a transmissão por palavras, a gente faz por *ordem das perguntas*. Funciona assim:

>> Com celular a gente sempre vai fazer 3 perguntas: Marca, cor, operadora.

>> Se na ordem dessas 3 perguntas a primeira for “marca”, vai ser iPhone. Se for “cor” ou
“operadora” em primeiro e a segunda pergunta for “marca”, vai ser Samsung. E se “marca” for
a última, é Huawei. Observe que isso é baseado nas 3 marcas de celular mais comuns aqui na
Itália. No Brasil são outras!

>> Note também que antes de chegar nesses detalhes, os mágicos já adivinharam que é um
celular o objeto. Então faz sentido a primeira pergunta de detalhe ser tipo “E a operadora?”,
porque já teve uma pergunta anterior. Sacou?

Beleza. Agora além dessa planilha nossa, tem bastante material publicado sobre esse tipo de
ato. Então vou escrever aqui *alguns livros e publicações sobre ato duplo*. Eles não são muito,
muito fáceis de achar, no entanto.

>> Fischer, Illustrated Magic, Capitulo 8

>> Sam Sharpe, Conjurer’s Psychological Secrets. Páginas 113~155

>> Paul Hairly, How to Develop Mental Magic

>> Burling Gull, The Real Secrets of Stage Second Sights Act

>> Ralph Read, The Calostro Mind Reading Act

>> The Tuckers, ESP 2000 Course

>> Ron’n’Nancy Spencer, Telepathy Personified

>> Leo Behnke, Cues: Variations on the Second Sight Act

>> Larry Becker, Some Tricks

>> Bill Palmer, Borodin Code

Todos esses livros não são tão fáceis de achar, MAS o Morgan&West publicaram o código
deles, que eles chegaram a usar no Fool Us do Penn and Teller! O nome do vídeo é Decoded.

Agora, talvez você não precise de nada disso. Isso porque no 13 Steps to Mentalism, que é
extremamente fácil de encontrar pra baixar o pdf e é um puta material pra quem é mentalista,
o 8º Passo é especificamente sobre esse tipo de ato.

O livro do 13 Steps também tem uma versão em vídeo, que é com o Richard Osterlind. Se eu
não me engano, é no volume 4 que o Richard fala sobre o oitavo passo.
*Por último, exercícios pra você desenvolver seu próprio código e levar pra rua.*

>> Procure fazer sua própria lista de 15 objetos e palavras-chave coerentes

>> Pensar numa forma de solucionar o seguinte problema: enviar números de 0 a 9, pra
conseguir transmitir os 4 digitos de um numero de celular. Resolva também o problema de
enviar números repetidos (33, por exemplo), sem que você tenha que repetir palavras chave.

>> Veja se consegue entender a lógica, na nossa planilha, por trás da ideia de enviar e receber
capinhas de plástico e capinhas de couro no celular.

A coisa mais importante é: pra aprender QUALQUER código, seja programação em C#, código
morse ou outro idioma, o único jeito de praticar e aprender de verdade é ENVIANDO E
RECEBENDO INFORMAÇÃO. Então assim...

É legal saber essas coisas pra você ter mais repertório, pra apreciar com mais cuidado quando
ver um ato duplo, é legal o exercício intelectual de criar sua própria lista. Mas no final, se você
quer implementar, encontra um parceiro que vá apresentar o ato com você e treina o quanto
antes com ele.

Pra você levar isso pra rua, é legal começar só com um ato de pessoa vendada e ir pegando 1
objeto ou outro, depois de já ter feito ao menos 10 minutos de mágica. Nesse tempo, num
lugar relativamente bem movimentado, você já conseguiu formar uma roda que vá ficar atenta
ao ato vendado.

Treinar com seu parceiro 25 minutos por dia já é um puta começo, você não precisa fazer igual
eu e o Bruno que moramos juntos numa fazenda isolada da humanidade só fazendo yoga e
mágica hahahauhhaua. Nesse seu processo você vai descobrir os problemas e as coisas
incríveis que fazer um ato duplo envolve. Um exemplo de problema: é difícil conciliar o espaço
dos dois mágicos. Um exemplo de coisa incrível é que, se você parar pra pensar, existe um
certo esgotamento criativo em atos individuais. Não é a toa que o David Stone, ou o Tamariz,
ou tantos outros mágicos, estão apresentando atos duplos por aí.

É isso aí, galere. Qualquer coisa, a gente tá aqui no grupo e provavelmente pode dar alguns
toques sobre como desenvolver seu código, como praticar o código, o que resolver, etc.