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16 de Nov embro de 2016

Coreia do Norte e Coreia do Sul: pobreza e prosperidade

O Japão, que dominava a Cor eia, se rendeu no dia 15.08.45. Assim


terminou a Segunda Guerra Mundial. Um mês depois a Cor eia foi dividida
em...

O Japão, que dominava a Coreia, se rendeu no dia 15.08.45. Assim
terminou a Segunda Guerra Mundial. Um mês depois a Coreia foi
dividida em dois países (com base no paralelo 38): a do norte passou
para a Administração da Rússia; a do sul foi para os EUA. Uma
comunista ou socialista (economia planificada); a outra capitalista
(direito à propriedade privada). Em 1950 a Coreia do Norte invadiu o
vizinho, mas poucos anos depois se retiraria. Muitas famílias se
separaram e somente depois de 50 anos começaram a se reencontrar,
em situações (de bem­estar) completamente distintas. O sul, diante do
bom funcionamento das instituições essenciais (Estado/democracia,
sistema econômico, sociedade civil e império da lei), se tornou o 12º no
ranking (elevadíssimo) do IDH. Mesmo diapasão de vários países
europeus. O norte nem aparece nesse ranking. Seu padrão de vida é
1/10 do sul, semelhante a vários países africanos pobres e com doze
anos a menos na expectativa de vida (81, contra 69). O sul é uma
democracia liberal; o norte está sob o jugo de um regime totalitário,
onde não existe liberdade.

Não é a cultura nem a geografia nem o clima nem a ignorância que
explica os rumos antagônicos que os dois países tomaram, sim, a
organização econômica e o bom funcionamento das instituições
inclusivas (Acemoglu/Robinson: 2012, p. 55 e ss.). Sem propriedade
privada, o norte não oferece nenhum incentivo para investir ou
aumentar a produtividade. Estagnação econômica. A decisão política de
investir massivamente em educação (anos 60) transformou o sul
completamente. Alta alfabetização e excelente escolaridade. Mais de
70% com curso superior e renda per capita anual de US$ 22.590, em
2012 (o dobro do Brasil). Índice de desigualdade: 41,9 (2011);
população com pelo menos o ensino secundário (25 anos ou mais):
85,4%, em 2010; satisfação com qualidade da educação: 50,5%, em
2011; taxa de abandono escolar: 1,2%, entre 2002 e 2011; expectativa de
vida educacional: 17,2 anos; corrupção (Transparência Internacional ­
2013): 46º de 177 países; percepção de segurança (PNUD): 54% de
respostas sim; taxa de homicídios (UNODC ­ 2011): 2,3 por 100 mil
habitantes; taxa de mortes no trânsito (OMS ­ 2010): 14,1 mortes por
100 mil habitantes; grau de felicidade (HPI ­ 2012): 63º, de 155 países.

A Coreia do Norte tem 100% de alfabetização, mas não participa ou não
se destaca em nenhum ranking internacional; é um país altamente
corrupto: conforme a Transparência Internacional, é o 175º colocado de
177 países; taxa de homicídios (UNODC): 15,2 por 100 mil habitantes,
em 2008; taxa de mortes no trânsito (OMC): 10,7 por 100 mil
habitantes, em 2010. Os jovens do norte crescem num país pobre,
corrupto e violento (com violência epidêmica), sem direitos humanos e
sem iniciativa empreendedora, criatividade ou preparo para a vida
mundial competitiva. Quase não têm livros para ler. Os do sul se
destacam nos rankings internacionais, são competitivos e sabem que,
com seu trabalho, podem crescer, melhorar o seu padrão, comprar bens
e desfrutar de uma excelente qualidade de vida, até porque os serviços
públicos são requintados e igualitários. Tudo isso mostra a diferença
entre o capitalismo evoluído e distributivo (nosso horizonte utópico) e
o socialismo atrasado (muito semelhante estatisticamente ao
capitalismo selvagem e extrativista que vigora no Brasil).

Disponível em: http://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/113719629/coreia‐do‐norte‐e‐coreia‐


do‐sul‐pobreza‐e‐prosperidade

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