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A FILOSOFIA CLÍNICA

Monografia de Conclusão do Curso de Especilizaçáo em Filosofia Clínica

APROVADO

BANCA EXAMINADORA

Monica Aiub
Presidente da Associação Nacional de
Filósofos Clínicos
Profa. Dra. Marta Clauss Magalhães
Diretora do Instituto Mineiro de Filosofia Clínica

RESUMO

Esta Monografia de Conclusão de Curso teve como objetivo realizar um estudo


sobre a Filosofia, narrando a sua origem, fundamentos, características, sua
visão holística do ser humano e o posicionamento de seus seguidores, os
filósofos, que analisam as questões de modo racional para obter respostas
sobre o significado da existência humana. O estudo foi possibilitado por
pesquisa e utilização de dados bibliográficos pertinentes ao tema e discorre
sobre a filosofia desde a antiguidade, citando os mais proeminentes
pensadores gregos até os filósofos contemporâneos que, nos tempos atuais,
auxiliam àqueles que têm dificuldades para lidar com os seus problemas,
permitindo obter, através da Filosofia, a harmonia e o equilíbrio. No contexto
desse trabalho foi desenvolvido o tema Filosofia Clínica, ramo decorrente da
Filosofia, criado pelo filósofo e médico gaúcho Lúcio Packter que, após
extensas pesquisas e várias experimentações, agregou os valores da filosofia
aos da clínica, resultando em uma alternativa terapêutica que assegura
inúmeros benefícios aos que a procuram. A Filosofia Clínica trata cada um de
modo individual por meio de aplicação de técnicas e métodos inovadores, sem
regras rígidas, embora seguindo a metodologia própria e obedecendo a um
princípio básico: o respeito ao indivíduo, sua verdade, seu mundo e suas
decisões.

Palavra-chave: Filosofia. Clínica. Existência humana. Filosofia Clínica.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO - 07
2 A FILOSOFIA - 09
2.1 Origem e Características - 09
2.2 Definição - 09
2.3 Filosofia no Século XX - 10
2.4 Filosofia e Medicina - 10
3 FILOSOFIA CLÍNICA - 12
3.1 Filosofia Clínica no Brasil - 12
3.2 Métodos - 13

4 FILOSOFIA CLÍNICA
NO ATENDIMENTO A VÁRIOS SEGMENTOS - 16

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS - 17

REFERÊNCIAS - 19

1 INTRODUÇÃO

Em sua etimologia, a palavra Filosofia é formada por duas palavras


gregas: philo que significa amigo e sophia, sabedoria e, basicamente, significa
amor à sabedoria. Estuda os problemas primordiais ligados à existência, ao
conhecimento, além de dar uma explicação racional e lógica aos fatos.
A Filosofia ocidental surgiu na Grécia antiga e teve em sua história ilustres
pensadores e filósofos que deram uma importante contribuição ao saber da
humanidade, a partir do século VI aC, dentre os quais: Aristóteles, Protágoras,
Hipócrates, Platão.
Este Trabalho de Conclusão de Curso teve como objetivo abordar o tema
Filosofia Clínica com a finalidade de trazer uma melhor compreensão sobre o
assunto, destacando seus métodos e os benefícios obtidos com a terapia
aplicada por seus profissionais no atendimento dos indivíduos que necessitam
resolver suas questões existênciais.
O estudo é, inicialmente, organizado de forma a conceituar a Filosofia, situar
sua origem e dados básicos para, posteriormente, aprofundar sobre o tema
Filosofia Clínica, como surgiu, do que se trata, seus fundamentos, métodos,
propósito terapêutico e sobre a profissão e o comportamento do filósofo clínico.
Foram realizadas pesquisas bibliográficas que deram suporte para a
realização deste trabalho e trazidos pensamentos de grandes filósofos que,
desde tempos imemoriais, influenciaram a humanidade e contribuíram
extraordiariamente para o progresso das ciências e da sociedade. O trabalho
ainda destacou o retorno da Filosofia aos meios intelectuais e terapêuticos na
década de 1980, contando com o auxílio de renomados filósofos
contemporâneos que a praticam até os tempos atuais no socorro aos que se
afligem com suas dificuldades e adaptações aos problemas da vida.
Na sequência, abriu-se espaço para a identificação das características
distintas da Filosofia Clínica, com destaque para a prática do caminho do
meio e do equilíbrio dos estados emocional, mental e físico do partilhante, além
do alcance dos resultados propostos no início do tratamento. Em seguida, o
trabalho apresenta a ligação entre a Medicina e a Filosofia, os métodos
utilizados na Terapia da Filosifia Clínica, para, no final desse estudo, discorrer
sobre os Eixos Fundamentais sobre os quais a Filosofia está apoiada.
Nas Considerações Finais, o autor deixa suas impressões sobre essa terapía
que, desde o final da década de 1980, tem trazido benefícios às pessoas que
necessitan de apoio profissional na busca de uma vida melhor

2 A FILOSOFIA
A Filosofia é ciência que estuda e averigua, por meio da reflexão e análise
racional, as questões ligadas à existência.

2.1 Origem e Características

Originária da Grécia antiga, a Filosofia ocidental data do século Vi a.C, e


apresenta como características a admiração e inquietação perante a realidade.
Como afirmou Platão, em Diálogos: Teeteto e Crátilo (1988), a mais marcante
característica presente no filósofo é a admiração, Destacou, também, na obra
Fedro (2002) que o remédio da alma está nos encantamentos presentes nos
belos discursos que resultan na sabedoria e propiciam a saúde para a mente e
para o corpo,
Possui ainda o importante atributo de analisar racionalmente a natureza e os
fatos. Aquele que pratica a filosofia procura o próprio conhecimento e sua
relação com o universo, motivado pelo interesse natural existente no ser
humano, em busca de respostas, baseadas na razão, às suas indagações.

2.2 Definição

Para se perceber a dimensão da importância da filosofia é fundamental


conhecer alguns conceitos para entender sua extensão.

Abbagnano (2003) cita o Eutidemo platônico no qual se encontra a definição


mais adequada: a Filosofia é o uso do saber em proveito do homem. É uma
ciência na qual o fazer e o saber valer-se que se faz se completam. (Eutid, 288
e 290 d.C). Assim, depreende-se que a Filosofia é o uso de um conhecimento
mais amplo e válido adquirido pelo homem em seu próprio benefício.
Russell (1962) afirma que o único modo de saber o que é filosofia é fazendo
filosofia
Saviani (1980, p. 27) considera filosofia como "uma reflexão (radical, rigorosa
e de conjunto) sobre os problemas que a realidade apresenta". Saviani (1980,
p. 23) ainda conceitua reflexão como: "Refletir é o ato de retomar, reconsiderar
os dados disponíveis, revisar, vasculhar numa busca constante de significado.
É examinar detidamente, prestar atenção, analisar com cuidado".
2.3 Filosofia no Século XX

Após um período de esquecimento e depreciação dos valores da Filosofia, com


consequente desuso, desenhou-se um aprazível panoroma para aqueles que
descobriram um caminho novo para recuperar a capacidade de lidar com as
situações cotidianas e com o mundo, através do retorno à primordial reflexão
induzida pela prática da Filosofia.
O movimento de valorização e redescoberta da Filosofia aconteceu na década
de 80 com repercussão favorável na sociedade e acenando como alternativa
diante da possibilidade de novo tratamento. (AIUB, 2008, p. 23).
Achenbach (1989), na sociedade da época, levantou a questão da não
utilização da metodologia da Filosofia no auxílio aos indivíduos necessitados de
tratamento, assim como outras ciências, psicologia e psiquiatria, já o faziam, e,
juntamente com Saulet (1999) e Marinof (2001) obteve o reconhecimento por
sua conduta filosófica e atuação com os métodos que a Filosofia oferece em
prol da resolução das dificuldades das pessoas.
Conforme Sautet (1999, p. 61): "De fato, o primeiro 'consultório de filosofia'
foi aberto na Alemanha em 1981 e, ao que parece, existe uma centena deles
no mundo".

2.4 Filosofia e Medicina

O exercício da filosofia como recurso para o entendimento das indagações e


incertezas da vida torna-se poderoso auxiliar na prevenção e no tratamento das
enfermidades.
Através da aplicação dos princípios filosóficos, alcança-se a compreensão do
todo e da ligação entre as partes e, com o corpo, a alma, a natureza e a
sociedade haqrmonizados alcança-se o estado de equilíbrio, meta final capaz
de gerar a saúde. (AIUB, 2008, p. 20).
Jaeeger (1989, p. 689) citado por Aiub (2008, p.21), explica, no livro Paidéia,
que foi através da influência dos Jônios, povo pertencentte a uma das quatro
etnias formadoras da nação grega e primeiros pensadores a filosofar sobre o
problema da existência de uma causa suprema de todas as coisas, que a
Medicina obtever um avanço considerável como ciência, já que trouxeram uma
visão clara e racional sobre o desenrolar e as peculiaridades das etapas das
enfermidades, além da ligação entre a parte e o todo.
Aristóteles menciona o equilíbrio em sua principal obra Ética a Nicômanos
atribuindo-lhe o conceito de meio termo, no qual o ideal é descobrir o caminho
do meio com sensatez, verificadas as circunstâncias. (ARISTÓTELES), 1985,
p. 23),
Hipócrates, conceituado filósofoe considerado o pai da Medicina, igualmente
reconhecia o equilíbrio como o caminho ideal para atingir o estado de saúde,
observadas as características pessoais e os ajustes individuais. Assim,
indicava cuidados individuais a serem tomados como a observação da
temperança na prática de exercícios, na quantidade da alimentação e de
bebidas ingeridas, na exposição aos ventos e na interação com o mundo para
se obter o estado de saúde. (HIPÓCRATES, 2002, p. 25)
Conforme as definições e valiosos conhecimentos dos filósofos que
direcionam a busca do valor do equilíbrio, do meio termo, do caminho do meio,
não só nas virtudes da alma, mas também nos cuidados e na manutenção do
corpo, do ser emocional e mental, percebe-se a importância da filosofia como
prevenção e terapia. (AIUB, 2008, p.25).
Os valores da Filosofia agregados aos recursos que a Clínica oferece, após
intenso estudo e vários anos de experimentação de técnicas, permitiram o
surgimento e aplicação da Filosofia Clínica descrita no tópico seguinte.

3 FILOSOFIA CLÍNICA

Segundo Aiub (2008), a Filosofia Clínica possui todos os princípios da Filosofia


e, também, é Clínica devido ao seu objetivo de tratar e curar. Onde se pratica a
Filosofia Clínica há o tratamento da pessoa que procura resolver suas
questões, refletindo, buscando opções e fazendo escolhas dentro da realidade
em que vive para alcançar a melhor resolução e superar suas dificuldades.
A autora relata que o indivíduo tratado pela Filosofia Clínica leva seus
problemas e divide suas dificuldades com o Terapeuta que o leva a meditar e
pensar sobre si e o mundo, e em influenciar nas suas escolhas, o filósofo
clínico o faz vislumbrar as opções do dia a dia, a fim de que, entendendo a si
próprio e aos outros, consiga alcançar a melhora de seu estado.
Para Aiub (2008) â Filosofia, que tem a visão do todo e não apenas das
partes, foram acrescentadas técnicas que tratam, respeitando a
individualidade, direcionando o tratamento para a totalidade do ser, acolhendo-
o e ouvindo suas experiências de vida, sem marcar ou definir qual patologia
específica atinge o paciente ou partilhante, termo este que designa aquele que
busca a Filosofia Clínica para se tratar, já que há um partilhar entre o paciente
e o profissional.
Para a Filosofia Clínica não existe normalidade e patologia e a terapia é
direcionada à historicidade do paciente.
À medida que o tratamento evolui, o filósofo clínico trata o partilhante num
processo que ocorre sem julgamentos antecipados ou rótulos, ouvindo as
dificuldades e problemas que o afligem, levando-o à reflexão com métodos
individuais adequados àquele ser humano e às suas singularidades. (AIUB,
2008, p. 27).
Packter (2001) define Filosofia Clínica como a filosofia acadêmica
conjugada à clínica, e acrescenta que o profissional trata os pacientes se
valendo dos conhecimentos da metodologia filosófica aliada à psicoterapia na
melhora dos indivíduos.

3.1 Filosofia Clínica no Brasil

Aiub (2008) relata que Lúcio Packter, filósofo, psicanalista e médico do Rio
Grande do Sul, descontente com os resultados da psicanálise e psiquiatria e
ansiando por algo mais, após pesquisar o trabalho e filósofos na Holanda,
noutros países da Europa e Estados Unidos, tomou a resolução de fundar a
Filosofia Clínica que se tornou importante ferramenta terapêutica. No Brasil,
após muitas pesquisas e trabalho de anos, criou a primeira clínica filosófica, o
Instituto Packter, revestindo esse ramo da filosofia de uma metodologia
compatível aos moldes brasileiros.

3.2 Métodos

Para a busca de caminhos e soluções adequados é fundamental que se


mergulhe fundo no cerne das questões, sem se deter apenas nas aparências.
Para Aiub (2008), a organização das ideias e a escolha adequada do sistema a
ser utilizado pelo profissional, no decorrer da terapia, fazem toda a diferença
para identificação do direcionamento correto no tratamento das questões
existencais do partilhante que procura a Filosofia Clínica. Tanto o Filósofo
Clínico quanto o partilhante devem ter isso em mente para o sucesso do
tratamento.
Saulet (1999) afirma que o filósofo para tratar as pessoas deve seguir o
método de falar menos e escutar mais e, ao longo das entrevistas, introduzir
referências para motivar o interlocutor à reflexão perante suas indagações. E
essa também é a postura do filósofo clínico.
Paulo e Niederauer (2013) também recomendam extremo cuidado
no ouvir do filósofo clínico como item primordial para o sucesso da terapia, já
que o desejo de várias pessoas é querer se expressar através da fala para
exteriorizar aquilo que as incomoda, objetivando o diálogo com o profissional
ou mesmo com um ouvinte indeterminado.
Conforme Aiub (2008), para a construção do perfil do partilhante, ao ouvir o
relato durante a coleta da história, o filósofo clínico interfere o mínimo possível
evitando que o paciente se desvie do assunto e perca de vista lembranças
preciosas no encadeamento dos fatos buscados no passado. Dá-se a
denominação de agendamentos mínimos a essas interrupções ligeiras, mas
necessárias para o estudo posterior do terapeuta a respeito do caso.
Ainda de acordo com Aiub (2008), o filósofo clínico se posiciona como
pesquisador do eu do partilhante conforme seus relatos, trabalhando com a
representação do que ele é, do que manifesta e do que aparenta ser, e, sem
estabelecer julgamentos ao seu modo de ser, leva o auxílio àquele que tem
dificuldades de se conduzir diante de problemas afetivos, de socialização,
autoconhecimento, relacionamentos de toda ordem, entre vários outros e,
seguindo o princípio primordial da Filosofia Clínica, tem respeito ao partilhante
e às suas decisões.

A primeira lição fundamental na Filosofia Clínica é que aquilo que uma pessoa
sente, vive, afirma, faz –-, independente de ser compartilhado com as outras
pessoas, de ser aceito, criticado, ironizado, proibido e assim por
diante. (PACKTER,2001, p. 26-7).

O princípio de Protágoras, brihante filósofo grego da Antiguidade, na medida


de todas coisas significa, em suma, o respeito à exposição do que a pessoa
representa ser, de acordo com suas informações.
A Filosofia Clínica possui um método ajustável que se amolda às
necessidades pessoais. Dentro do rigor de seus princípios há flexibilidade e,
após o conhecimento do histórico do paciente, faz-se o tratamento no qual o
indivíduo é tratado como um todo, seguindo um roteiro apoiado nas bases
filosóficas e, a partir daí, os procedimentos clínicos.

3.3 Eixos Fundamentais da Filosofia Clínica

Para Paulo e Niederauer (2013), o terapeuta ao iniciar o atendimento do


partilhante segue a metodologia que se resume em:

a) Assunto Imediato / Último;


b) Historicidade - Divisão e Enraizamento;
c) Exames Categoriais;
d) Estrutura de Pensamento;
e) Procedimentos Clínicos.

Assunto Imediato é o motivo ou impulso de a pessoa procurar a Terapia, de


acordo com Paulo e Niederauer (2013). As autoras apontam o Assunto Último
como aquele que surge no decorrer da Terapia.
Conforme Pavese (2004), a Historicidade Clínica é a fase em que, de
acordo com os relatos do paciente, o terapeuta coleta e anota os dados
materiais e imateriais que fazem parte de todas as fases passadas e vividas do
paciente, bem como todas as suas experiências e lembranças, prazerosas ou
não.
De acordo com Aiub (2005) os principais eixos sobre os quais a Filosofia
Clínica se apoia são os Exames Categoriais como aqueles realizados logo no
começo do tratamento do partilhante, quando se faz necessário conhecer o
contexto, a vida presente e passada, os relatos sobre como e onde se vive,
trabalha ou estuda, suas questões, enfim, sua historicidade geral e como reage
a todo esse universo tão pessoal com suas verdades e no que acredita como
real.
Packter (s/d) comenta que os Exames Categoriais:..."são exames iniciais
cujo objetivo é o de localizar existencialmente a pessoa. Exemplo: onde mora,
qual o idioma, como é a situação política e histórica em seu pais, e assim
sucessivamente".
Após a montagem dos Exames Categoriais, Aiub (2005) relata que o
filósofo clínico passa à fase da Estrutura do Pensamento (EP) que é uma
abordagem ampla com trinta tópicos, realizada com o partlhante em busca de
informações pormenorizadas, por meio dos quais há a possibilidade de
alcançar uma ideia bem próxima do seu todo, de suas impressões da vida,
sensações, seus valores, religião, a fim de que adquirir um conhecimento o
mais aprofundado possível de seu mundo.
Packter comenta sua impressão sobre a Estrutura de Pensamento:

Quero confessar algo que descobri trabalhando em clínica por milhares de


horas: a estrutura de pensamento não é rígida. A EP é móvel, ela se
transforma e evolui
a cada segundo durante a vida da pessoa. Mas, nesse caso, como é possível
se fazer clínica, uma vez que a pessoa se modifica ano após ano, às vezes de
um dia para o outro, conforme o estado de ânimo? PACKTER, 2001, p.83)
Segundo Aiub (2005), os Submodos são procedimentos clínicos realizados
após a observação da maneira que o partilhante se comporta diante de suas
questões, e já se encontram relacionados à Estrutura de Pensamento e aos
Exames Categoriais, têm sua aplicação determinada em conformidade com a
legitimidade das informações obtidas e analisadas pelo filósofo sobre seu
comportamento, sua personalidade e questões a serem resolvidas.

4 FILOSOFIA CLÍNICA NO ATENDIMENTO A VÁRIOS SEGMENTOS

A pressão que o indivíduo sofre com cobranças da sociedade e da família


tem gerado proporções preocupantes na atualidade e provoca situações de
stress e quadros de depressão, desajustes e desequilíbrios, desencadeando as
mais variadas somatizações e sofrimentos nas pessoas que não sabem lidar
com seus problemas. O filósofo clínico tem tido uma demanda maior em vista
desse quadro multifatorial que atinge a população e trabalha resgatando e/ou
restabelecendeo a harmonia no ser humano como indivíduo e, também,
auxiliando-o como integrante de variados grupos da sociedade.
Aiub (2008) destaca que, nos tempos atuais, o atendimento da Filosofia
Clínica não se restringe apenas aos casos individuais, mas atende também a
casais, grupos, organizações, comunidades, empresas, instituições e outras
áreas afins, seguindo os mesmos princípios e procedimentos, adaptando os
métodos às circunstâncias e pondo em prática o princípio do todo, peculiar à
Filosofia. Acrecescenta que o atendimento do Filósofo Clínico é estendido
também aos pacientes terminais e familiares, aos que sofreram a perda de
entes queridos e, ainda, às equipes assistenciais de tratamento em conjunto
com médicos especialistas.
No atendimento às instituições, empresas e organizações, de acordo com
Paulo e Niederauer (2013), o filósofo clínico se inteira, primeiramente, dos
Valores, Missão e Visão da organização e, em seguida, procede atentando aos
mesmos princípios que a Filosofia Clínica utiliza no tratamento individual. Após
a intervenção do filósofo nesses grupos, ocorre o crescimento e,
consequentemente, a geração de oportunidades para os membros
pertencentes ao quadro de pessoal, além dse criar um relacionamento mais
saudável entre os funcionários. Todo esse processo é executado com a
utilização da flexibilidade e adaptação dos procedimentos a cada instituição em
sua característica própria.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a exposição do estudo realizado neste Trabalho de Conclusão de Curso,


depreende=se que a Filosofia, desde tempo remotos, promoveu o saber e
proporcionou o equilíbrio àqueles que seguiam seus preceitos, apresentando a
característica de ser uma ciência fundamentalmente baseadas na visão
racional e não na religião ou fé.
Nos dias de hoje, desde sua revalorização após a década de 1980, a
Filosofia, utilizada como tratamento, tem ganhado espaço e vem promovendo a
melhora daqueles que se encontram em desajustes e incapazes de obterem
melhora de seus estados emocionais e físicos agravados pela somatização.
Existem vários tipos de terapia que visam o tratamento das pessos que têm
problemas em lidar e resolver da melhor maneira as questões existenciais,
como a psicoterapia e a psiquiatria, mas a Filosofia Clínica criada por Lúcio
Packter no Brasil, que associa os princípios da Filosofia aos da Clínica, propicia
um caminho alternativo para as pessoas alcançarem, conservarem ou
recuperarem seu equilíbrio diante dos revezes e obstáculos que a vida
apresente.
Baseado na compreensão do ser, o profissional, de acordo com os
objetivos da Filosofia Clínica, aplica as técnicas estudadas àquele ser que
procurou a terapia em busca da resolução de suas questões existenciais, e,
com todo o cuidaddo, beneficia seu cliente, instalando um clima de confiança e
instaurando o entendimento entre profissional e partilhante.
A metodologia própria da Filosofia Clínica, quando aplicada pelo profissional
no processo terapêutico é capaz de gerar a conciliação do paciente consigo
mesmo, com a vida, a sociedade e o mundo. No momento que o tratament o
possibilita a abertura mental e emocional da pessoa, levando-a a fazer suas
próprias escolhas, o processo chega, praticamente, ao final.
É importante ressalvar que as escolhas feitas pelo partilhante, resultado de
um trabalho meticuloso empreendido pelo filósofo clínico, são respeitadas pelo
terapeuta, mesmo que não haja concordância por parte do profissional, pois o
respeito ao paciente é a marca indelével da Filosofia Clínica.
Inúmeros indivíduos já foram e têm sido beneficiados pela terapia da
Filosofia Clínica e a expectativa é que muitos mais serão contemplados por
essa inovadora forma de tratamento que, ao amparar e tratar o paciente,
promove a substituição de seu eu adoecido por um estado saudável de
harmonia e equilíbrio em sua individualidade.

REFERÊNCIAS

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Roberto Gonçalves
Filósofo

http://www.robertogoncalves.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=5191761