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I - INTRODUÇÃO GERAL

1- A Atual Crise de Autoridade


 Nos primeiros 4 séculos, a atenção da Igreja prendeu-se à CRISTOLOGIA.
 Na Reforma do séc. XVI o assunto foi SOTERIOLOGIA.
 No século passado, com raízes nos séc. 17 e 18, a DOUTRINA DA REVELAÇÃO E
INSPIRAÇÃO tornou-se o assunto central e até hoje influencia a Igreja. O Iluminismo
provocou a questão e até hoje o protestantismo não se preocupou.
A Igreja Atual - A crise afeta de maneira particular a Igreja Católica, mas também a cada ramo do
Cristianismo. Desafios se apresentam aos protestantes, dentro e fora da Igreja. A IASD não escapa a
esta crise.
A principal causa da atual crise é a crise da autoridade:
1- Em que constitui a genuína autoridade teológica ?
2- De onde deriva a autoridade ?
3- Onde testar as doutrinas ?
4- Qual a fonte da qual a Teologia deriva suas doutrinas e as testa?

2- A Importância e Lugar da Revelação


 O problema dominante é da Revelação.
A questão da revelação e a autoridade atinge a natureza e conteúdo do Evangelho que se vai pregar.
Se não tivermos uma clara compreensão da revelação e inspiração, as antigas heresias adquirirão
novo impulso.
A falta desta clara percepção atinge primeiro os teólogos e logo a Igreja também é afetada.
 A. KUYPER (Séc. XIX)- Teólogos liberais não têm certeza de nada, mas os ortodoxos têm.
 A perda da autoridade bíblica conduz a diferentes formas de subjetivismo.
Poucas questões da Teologia não têm que ver com a doutrina da revelação.
Nossa compreensão da revelação afeta a compreensão da mensagem cristã, em que a Bíblia é o
instrumento da revelação.
Se não houvesse a revelação, não haveria a menor possibilidade do conhecimento de DEUS e
nenhum discurso teológico.
O cristianismo cai ou fica em pé, dependendo da revelação.

A doutrina da revelação é mais centra do que a doutrina da salvação.


O investigador, nas áreas de conhecimento está sobre o objeto de estudo, mas na Teologia está sob o
Sujeito de estudo.
A grande contradição da Teologia moderna é falar de forma independente, pretensão de autonomia.
A solução é um retorno a uma revelação cristã objetiva, clara, inteligível como se apresenta na Bíblia.
Revelação e Inspiração
3- A Revelação na Tradição Cristã

O Pensamento de DEUS:
A) DEUS é incognoscível, inescrutável, insondável, infinito, transcendente (Jó 11:17).
B) Ao mesmo tempo, DEUS deve ser conhecido (João 17:3; Os.6:3).
Buscando a DEUS pelos próprios métodos não é possível conhecer a DEUS, Is. 55:8, 9.
Conclusões finais, absolutas, não podem ser alcançadas a partir de métodos humanos (I
Cor.2:11 e Rom.11:33 e 34).
O homem pela sua própria iniciativa não pode alcançar a DEUS. Há um abismo profundo entre
DEUS e o homem.

Paradoxo Resolvido
1. DEUS não pode ser conhecido;
2. A Bíblia afirma que DEUS deve ser conhecido (João 17:3; Os.6:3). 1
3. O paradoxo é resolvido através da Revelação: DEUS não pode ser conhecido pelos métodos
humano. Sim. Mas DEUS resolve isso revelando-se ao homem. Aquele que é transcendente
cruzou o abismo, invadiu a história humana e deu-Se a conhecer.
O homem deixado a sim mesmo, desajudado, não pode conhecer a DEUS; DEUS só pode ser
conhecido na proporção em que Ele Se revela - “Self-Revelation” - a única maneira de conhecer a
DEUS. Única maneira de conhecer Sua personalidade.
Se DEUS declara Sua mente, Seus propósitos por alguma forma, o homem só pode se aproximar de
DEUS pela maneira em que Ele Se revelou.

DEUS não é conhecido em Si mesmo, Ele só é conhecido como Se revela.


Teologia não é o conhecimento de DEUS em Si; é o conhecimento de DEUS como Ele Se deu a
conhecer (Se revelou) ao homem.
“O homem usa máscaras para se esconder; DEUS usa máscaras para Se revelar” - LUTHER.
A Teologia humana não pretende estudar DEUS em Sua essência e sim, na Revelação que Ele faz de
Si.
A Teologia está fundamentada naquilo que Ele deu a conhecer.
A Revelação é insubstituível, pois se não há revelação, não há Teologia.

4- REVELAR -
A) Definido pelo dicionário - expor, abrir, manifestar, descobrir...
B) Etmologicamente - deriva do verbo latino “VELO” - cobrir, pôr um véu.
Então revelar significa descobrir, “remover o véu”.
C) Revelação, pelo conceito bíblico, é algo que vem de fora, um dom divino que nos livra da
ignorância, da morte, etc.

1
OBS: Conhecimento, no pensamento hebraico, não apresen-
ta dicotomia entre teoria e prática. Esta separação é produto
do pensamento grego. Da perspectiva bíblica, o conhecimento
conduz à prática.
O verbo lembrar no hebraico, não é um simples exercício
da memória; não é abstrato. mas concreto. Quando DEUS lembra,
algo acontece (I João 5:20).
Revelação e Inspiração
Revelação não é conhecimento perdido ou adquirido por processos mentais lógicos, por indução ou
dedução ; não nasce de dentro, vem de fora.
No Cristianismo, Revelação é um dom divino, é a manifestação da graça divina, da divina vontade de
DEUS em ser conhecido.
Tanto no hebr. quanto no grego, é a manifestação daquilo que está escondido, oculto à mente ou
nossa compreensão.
MISTÉRIO - na Bíblia é algo que pode ser conhecido se revelado, e nunca algo que pode ser
conhecido por investigação ou esforço diligente.
Não há caminho do homem para DEUS - ascendente - mas sim, de DEUS para o homem -
descendente.
A razão pela qual o homem com sua própria razão não pode alcançar a DEUS, é que o pecado
obstacula este caminho.
A menos que DEUS Se mova em direção ao homem, este permanece em trevas. Assim, a única
maneira de conhecer a DEUS, é pela revelação que Ele faz de Si.
Mat. 16:16 - “carne e sangue” - símbolo de fraqueza e fragilidade humana - não pode alcançar o
conhecimento de DEUS; só a revelação pode fazer-nos conhecer a DEUS. Revelação cristã é a auto-
manifestação de DEUS sem a qual não o conheceríamos.

5- Revelação Proposicional ou Conceptual


DEUS graciosamente Se revela àqueles que não podem encontrá-Lo por si mesmos.
A ação reveladora de DEUS se manifesta na fé histórica de Israel e Igreja Cristã.
Revelação como “Comunicação de Informação”, com conteúdo objetivo, com proposições de
verdades, tem sido aceito tradicionalmente. Revelação - a sobrenatural comunicação de verdades em
forma proposicional.
DEUS revela verdades que Ele deseja que sejam conhecidas.
DEUS comunicava aos profetas em forma proposicional, conceptual.
NOVA ORTODOXIA: “Teologia do Encontro”, existencial - no encontro entre DEUS e o profeta
(não com o povo ou Igreja) DEUS não comunicava nada, apenas Se revelava ao profeta, daí a Bíblia
não é um depósito de informações e sim a descrição da reação do profeta ao ENCONTRO.
Profeta - Gr. PRO + FEMI = falar por, em lugar de. Hebr. - RO’EH; HOZEH - formas participiais do
verbo VER - VIDENTE. Hebr. - NABHI - segundo W.F. ALBRIGHT, esta palavra se relaciona com
o verbo acadiano NABU (CHAMAR), portanto o profeta era chamado, não podia se apropriar do
título por designação política ou por hereditariedade. Amós não era profeta nem filho de profeta.
A revelação de DEUS ao profeta não era um fim em si mesma. O profeta bíblico é aquele que
comunicava o que recebia de DEUS.
130 vezes - “veio a mim a Palavra do Senhor”;
359 vezes - “Assim diz o Senhor”.
Estas revelações são proposicionais, isto é, conceitos de verdade, informação de verdade.
Este conceito assume que o que DEUS revela tem formas de verdade.

DEUS não revelou a Si mesmo, Ele revelou verdades a Seu respeito.


O perigo desta teoria é tornar DEUS uma doutrina.
O que DEUS revelou sobre Si ?
Revelação e Inspiração
Os cristãos têm mantido que DEUS tem comunicado verdades aos profetas, em forma de idéias,
palavras faladas... Esta comunicação em forma de idéias, é dirigida à mente humana, que requer
compreensão, a revelação faz um apelo à razão, daí a fé não é racional.

Revelação Sacramental - Lutero, Calvino, Kuyper, EGW e Berkower


Como saber se é verdade ? o apelo é feito à Revelação Objetiva, a norma que tem conteúdo, como
encontramos na Bíblia, para todos os homens, em todas as épocas.

6- A Tradição Desafiada
O conceito tradicional de Revelação, como comunicação objetiva de verdades em forma
proposicional, tem sido desafiado recentemente por outra noção qualificada de Revelação
Existencial.
Quais as acusações com Tradicional ?
6.1 - Primeiro argumento contra a noção tradicional:
A identificação da revelação divina com as palavras humanas da Bíblia é degradante para DEUS,
porque torna DEUS responsável pelo que está escrito na Bíblia, inclusive seus eventuais erros e
enganos.
6.2 - Conceitual tradicional é objetável porque tal conceito oferece ao homem algo menos
que um encontro e comunhão pessoal com DEUS; DEUS é reduzido a uma fria doutrina.
Parece igualar a Revelação a um livro ou uma série de doutrinas.
E. BRUNNER diz que o protestantismo tem um novo Papa - a “Bibliolatria”.
Os críticos dizem que o conceito tradicional é um novo tipo de deísmo, um DEUS distante do
homem, e a comunicação é feita através de um velho livro.
Em contraste com o ponto de vista tradicional, teólogos contemporâneos afirmam que devemos
conceber a natureza da revelação divina de outra maneira, não como um corpo de verdades,
doutrinas contidas na Bíblia, ao contrário, a Revelação divina tem como seu propósito a DEUS em Si
mesmo como uma pessoa.
JOHN BAILLIE sumariza assim:
“O que é revelado não é um corpo de informações ou doutrinas; DEUS não nos dá informações por
comunicação; Ele dá-nos a Si mesmo em comunicação.” The Idea of Revelation in Recent Thought.
KITEL endossa BAILLIE.
ALBRECHT OEPKE - art. “APOKALUPTW” Vol. 3, pp.563-592.
DEUS revela Sua presença ao homem, o que é a verdade é a revelação subjetiva no homem, não
num livro confinado.
Neste caso, a revelação ocorre num encontro pessoal com DEUS; o apelo não é feito a uma
norma objetiva e sim subjetiva.
Revelação toma lugar na experiência subjetiva do homem, não em um livro.
A Bíblia não é verdade objetiva em si mesma.
A revelação media a presença de DEUS, não doutrinas.
Além do mais, revelação não foi algo completo no passado com o encerramento do cânon; ela
ocorre continuamente na Igreja nos atos de DEUS.
Revelação e Inspiração

II - DOUTRINA DA REVELAÇÃO: CONTEXTO HISTÓRICO

SÉCULOS XVII - XIX


1. Tradição Cristã: Afirma que a Revelação foi proposicional, em forma de proposições,
verdades objetivas, conceitos, que DEUS comunicou aos profetas, e que se encontra
entesourada nas Escrituras.
2. Escolasticismo: Não vai de encontro a Revelação Especial, mas abre uma porta ao
Racionalismo.
Os escolásticos eram monges dominicanos, grandemente influenciados por Aristóteles.
As pessoas nascem como uma folha em branco, com capacidade racional dedutiva. Com este
pensamento, estes monges discutiam 3 questões básicas:
a) AN SIT DEO ? “Existe DEUS ?” (Existência)
b) QUID SIT DEO ? “Quem É DEUS ?” (Essência)
c) QUALIS SIT DEO ? “Que Tipo de DEUS ?” (Atributos)
Toda a Teologia Católica até o Vaticano II foi influenciada por T. Aquino, o mais notável escolástico
que sintetizou o pensamento árabe, aristotélico e cristão (morto em 1274 a.d.).
Os escolásticos se preocuparam com o QUID e o QUALIS, por esta via chegaram a uma Teologia
Natural, isto é, de que é possível conhecer a DEUS através da natureza e por meio da razão.
Para os teólogos deste período, há duas formas pelas quais os homens podem conhecer a DEUS e as
coisas divinas:
1. Método ascendente - O homem para DEUS, através da razão.
2. Método descendente - de DEUS para o homem - através da Revelação especial.
No ensino de T. de Aquino foi estabelecida uma aguda distinção entre FÉ e RAZÃO.
Há aspectos da Teologia ou de DEUS que não podem ser conhecidos pela razão - Ex.:
Trindade, Encarnação, etc.
A razão tem uma grande função na Teologia Tomística: se não se pode chegar ao QUID, pode-
se argumentar em favor DEle.
A razão desajudada quase pode chegar a uma compreensão de DEUS.
ANALOGIA ENTIS - Analogia do ser humano com DEUS - estabelecer uma relação com
Revelação e Inspiração
DEUS e deduzir as coisas de DEUS.
KARL BARTH rejeita a Revelação Natural.
Para os escolásticos havia distinção entre razão e revelação, entre verdade da razão e verdade da
revelação, entre ACIRE (entender) e CREDERE (crer).
3. Reformadores - Na Reforma, Lutero e Calvino, em certa medida, chegaram a partilhar da idéia de
que o homem, pela razão, pode chegar a algum conhecimento de DEUS, mas é um conhecimento
incompleto, inadequado.
LUTERO usa algumas expressões para descrever a inabilidade humana em conhecer a DEUS pela
dedução racional, e é tão enfático, que torna quase impossível realmente ao homem, pela razão,
conhecer a DEUS.
Lutero faz uma distinção entre o DEUS ABSCONDITUS e o DEUS REVELATUS - mesmo
quando DEUS Se revela, ainda continua escondido. Revela-Se por máscaras. Não conhecemos a
DEUS em Sua essência - o QUID não se pode conhecer. Para Lutero, mesmo em Sua revelação,
DEUS permanece envolto em mistérios impenetráveis.
Nós conhecemos a DEUS na medida em que Ele Se relaciona conosco.
Para Lutero, toda Revelação necessária está contida nas Escrituras.
SCRIPTURA VERBUM DEI INFALIBLE EST - A Escritura como verbo de DEUS é infalível.
“DEUS em Sua própria natureza e majestade deve ser deixado de lado; neste aspecto não temos nada
que ver com Ele, nem Ele quer que tratemos com Ele nestes termos; temos que ver com Ele como
Ele Se apresenta, vestido e revelado na Sua Palavra, pela qual Ele Se apresenta a Si mesmo para nós.
Esta é a Sua glória, esta é a Sua beleza, na qual o Salmista proclama que Ele está revestido.”
Calvino - assumiu uma posição semelhante à de Lutero, mas é mais radical.
Na primeira seção das Institutas, Calvino trata do conhecimento de DEUS como Criador. Para
Calvino, é totalmente desnecessário preocupar-se com o QUID (essência), precisamos preocupar-nos
com o QUALIS (atributos). DEUS não pode ser conhecido perfeitamente. Embora possamos
conhecer algo a respeito de DEUS, este conhecimento não pode ser de forma apriorística, só a
posteriori (depois que Ele Se revela).
Calvino admite que há um SENSUS DIVINITATIS gravado por DEUS no coração do homem. Este
senso da divindade foi corrompido, endurecido, por ignorância ou malícia, por isto o homem não
pode perceber a DEUS na ordem criada (para entender a DEUS na ordem criada precisa de outra
lente, a Revelação Especial).
Esta conclusão leva a um poderoso Capítulo das Institutas:
A NECESSIDADE DAS ESCRITURAS COMO GUIA E MESTRE PARA VIRMOS A DEUS
COMO CRIADOR
Aqui neste capítulo, Calvino vê as Escrituras como ensino, doutrina (afirmação de que a Revelação é
proposicional).
Para Calvino, é impossível conhecer a DEUS sem a Revelação Especial, sob a Iluminação do Espírito
Santo.
O deus da razão foi qualificado por Calvino como pseudo-deus. A concepção filosófica de DEUS é
deficiente.
Para os Escolásticos era mente a mente; para Calvino era coração a coração.
O DEUS de Aristóteles é puro pensamento, mas não é amor. Conhecer a DEUS não depende da
razão pura, do intelecto, mas da experiência humana.
Falando com propriedade, DEUS não pode ser conhecido onde não há religião e piedade.
Revelação e Inspiração
PIEDADE - União da reverência e o amor a DEUS.
Dentro da mesma linha de Calvino, a maioria dos teólogos posteriores enfatizava a impossibilidade
do verdadeiro conhecimento de DEUS onde a Bíblia não atua como regra de fé e autoridade.
4- DEÍSMO/ILUMINISMO/KANT
A. No final do séc. 17 e durante o séc. 18, emergiu uma ruptura de maior magnitude na posição
tradicional mantida sobre a doutrina da Revelação. Esta foi a era da RAZÃO. Os racionalistas
criam na razão com profunda fé.
Para saber o que é verdade, o apelo não é feito às Escrituras; o apelo é feito à razão
especulativa, informada por princípios de julgamento extra-bíblicos. A religião verdadeira é
baseada nas verdades da razão.
O uso próprio da razão consistia na investigação do mundo e da natureza.
Os líderes do movimento racionalista foram chamados DEÍSTAS. O movimento se desenvolveu
particularmente na Inglaterra.
Os Deístas argumentavam que a razão sozinha é competente no reino da verdade. Revelação não
acrescenta nada ao que pode ser conhecido pela razão, não oferece nenhuma informação acerca dos
propósitos de DEUS.
Com os deístas há uma regressão ao escolasticismo, com algumas diferenças.
 Os deístas argumentavam que a religião racional devia ser independente de qualquer
revelação especial.
 DEUS existe porque o mundo precisa de um Criador; esta conclusão se alcança pela razão.
Ex. DEUS, o relojoeiro.
 Nesta visão, DEUS é um proprietário ausente; DEUS criou o mundo, mas não há
necessidade de Sua interferência.
 Investiam a Natureza e a Razão de uma autoridade suprema, repudiando a crença
tradicional da Revelação especial.
 A Revelação bíblica não é necessária nem possível, porque Ele já revelou tudo na Natureza
(revelação geral); DEUS não interfere mais.
Os escritores deístas afirmavam que as histórias e os milagres são formulações doutrinárias que
surgiram da observação ou entendimento defeituoso.
B)ILUMINISMO - O grande florescimento do Racionalismo veio no séc. 18, como o Iluminismo,
que foi marcado por um temperamento naturalista, sendo hostil a qualquer idéia de interrupção
sobrenatural no ordenado curso da natureza, portanto incluindo declarada hostilidade à idéia da
Revelação sobrenatural.
O Iluminismo voltou as costas a toda e qualquer forma tradicional de autoridade (Igreja, Bíblia, etc.).
Voltou à autoridade que está dentro do próprio homem - a razão.
Com o pensamento de Emanuel Kant (1724-1804) o Iluminismo atingiu o seu auge. Com ele, apelos
éticos atingiram o seu auge.
Definição do iluminismo por Kant: “É a emergência do homem da imaturidade; é o homem
aprendendo a pensar por si mesmo, sem nenhuma dependência de autoridade exterior, quer seja a
Bíblia, Igreja ou Estado.”
Kant concordou em parte com os racionalistas no aspecto de que o conhecimento da realidade vem
através dos sentidos, de noções de tempo e espaço, causa e efeito.
Kant estabeleceu uma diferença básica entre realidade como ela existe e a realidade como é
percebida.
Revelação e Inspiração
 A realidade que conhecemos é colorida pelos nossos sentidos, é subjetiva.
 Uma vez que o conhecimento, mesmo o conhecimento das coisas materiais, é condicionado
pela estrutura em que a mente opera, pelas noções de causa e efeito, tempo e espaço, todo
o conhecimento fora da física, ou seja, realidade metafísica, torna-se impossível. Se isto é
verdade, o pensamento teológico envolve uma contradição, pois a mente humana não é
capaz de resolver os problemas do mundo metafísico.
 Assim, ele rejeitou todo o argumento racionalista; foi um golpe de morte nos deístas.
 O homem pode chegar a DEUS através de demandas morais.
 A razão pura não pode encontrar a DEUS.
 A teoria Kantiana do conhecimento invalidou qualquer sorte de comunicação vinda de
DEUS, assim rejeitando a maior característica bíblica e reduziu a religião aos limites da
razão pura.
 Kant negou a possibilidade FACTUAL concernente à ordem supra-sensível, acima dos
sentidos. Isto pareceu selar a doutrina histórica da Revelação.
A ortodoxia protestante não se recuperou deste golpe.
5- FRIEDRICH SCHLEIERMACHER (1768-1834)
O Cristianismo enfrentou o desafio do Racionalismo com uma outra escola de pensamento,
liderada por Schleiermacher, o pai da Teologia Liberal. Filho de um capelão Calvinista,
influenciado pelo PIETISMO, desgostoso com o frio Racionalismo, tentou reabilitar entre os
intelectuais que na sua maioria haviam abandonado a religião no curso do séc.18. Insistiam que
os grandes debates - provas de DEUS, milagres, autoridade das Escrituras - estão fora dos
limites da religião. O coração da religião é e sempre foi sentimento - GEFUHL, não credo,
doutrinas.
Este foi um lamentável engano dos tradicionalistas. Deus, para o homem religioso, é uma
experiência da realidade viva baseada no sentimento.
 Religião é baseada no sentimento - sentimento como categoria filosófica, sentimento como
absoluta dependência de Deus.
 Este sentimento dá lugar à idéia de Deus.
 Sendo assim, revelação não vem de fora, emerge de dentro. Para Schleiermacher, revelação
não é interferência do céu em nosso mundo com conhecimento que o homem pode obter.
Não há revelação especial ou revelação sotérica. Revelação é uma dimensão do conhe-
cimento dentro do mundo natural, expressa por palavras como INSIGHT, intuição e
descoberta.
 Sua ênfase ao contrário dos deístas, não era na transcendência de Deus, e sim na Sua
imanência.
Com Schleiermacher a religião foi feita independente da filosofia, da ciência e da razão.
A religião não deve provar nada; ela está dentro de todos os homens. A religião não se
baseia em doutrinas metafísicas, e sim na experiência pessoal.
 O centro da religião muda da Bíblia para o coração do que crê.

Pontos Principais:
1. Revelação não vem de fora e sim de dentro.
2. O centro da religião muda da Bíblia para o coração do homem.
3. Revelação não envolve conteúdo dado por Deus. As doutrinas são humanas em forma e
conteúdo e devem ser descartadas quando se tornam muito importantes.
 Esta é uma mudança radical, um desvio do Cristianismo histórico, uma mudança para um
conceito de Revelação como sendo experiência interior.
Revelação e Inspiração
 BARTH acusa Schleiermacher de ser Panteísta.
 Schleiermacher deixou algumas marcas da Teologia Protestante. Negou o conceito Paulino da
queda e universal pecaminosidade do homem.
 O principal impacto; nenhuma autoridade externa (Bíblia, Igreja, credos) tem precedência
sobre a experiência imediata do crente. Com Schleiermacher o Cristianismo foi reduzido ao
status de uma religião entre as outras (porque este mesmo sentimento é experimentado nas
outras religiões.
GEORGE HEGEL - 1770-1830 - No reino da filosofia afirmou mais ou menos a mesma coisa, ou
seja, que o Cristianismo é uma religião entre as outras e revelação nasce de dentro do homem.
Revelação e Inspiração

III. CONCEITO DE REVELAÇÃO NO SÉC. XX


No séc. XX emerge uma nova corrente teológica - a NEO-ORTODOXIA - que objetou ao
liberalismo. Este grupo foi educado dentro do liberalismo e se rebelou contra ele, por isso suas
críticas tiveram um efeito mais devastador. Dentro deste grupo temos:
K. BARTH - m. 1968
E. BRUNNER - m. 1966
R. BULTMANN - m. 1976
P. TILLICH - m.
O termo Nova Ortodoxa é de certa forma infeliz, porque NEO implica em NOVO e ORTODOXIA
implica em VELHO, tradicional (o título foi cunhado pelos opositores). Eles defendiam a necessidade
de fazer um retorno à ortodoxia sem deixar de ser liberais. Após o liberalismo se levantar contra as
doutrinas da ortodoxia, este grupo passou a encontrar nova relevância na ortodoxia. Passaram a
enfatizar: pecado, salvação por Cristo, revelação, transcendência de Deus. Por outro lado, este
teólogos não retornaram totalmente à ortodoxia, pois retiveram uma parte do liberalismo, que
continuou vivo dentro deles.
 Influências que ajudaram na emergência da Nova Ortodoxia:
1. Eventos históricos: No período liberal do séc. 19, viveu-se um período de otimismo em relação
ao futuro. Mas no início do séc. 20 ocorre a 1ª Guerra Mundial, com trágicos e devastadores
resultados sobre este otimismo liberal da época. Uma guerra envolvendo as Nações mais
civilizadas, com armas sofisticadas, etc... Este período foi seguido pela grande depressão
econômica e consequentes problemas sociais. Neste período aparecem as organizações do
crime, os grandes ditadores, que preparam o caminho para a 2ª Guerra Mundial.
 Neste contexto, a conclusão dos Neo-Ortodoxos foi de que os liberais (com o seu
pensamento da bondade inerente do homem) haviam modificado a doutrina bíblica da
universal depravação humana.
 BARTH disse que este é o anti-Cristo da Igreja Católica, e é a razão básica porque ninguém
deve se tornar católico.
Este grupo reagiu primeiro à acomodação do Cristianismo à ciência e cultura ocidental; em segundo
lugar, opuseram-se ao progressivo aperfeiçoamento do homem (o homem não está melhorando). Em
quarto lugar, fizeram uma formulação do conceito de revelação que, no período liberal, havia quase
desaparecido da Teologia. Esta mudança consistiu em conceber a revelação não como uma universal
capacidade humana de experiência mística, mas como um encontro com DEUS.
SOREN KIEKEGAARD - M. 1885 - teólogo e filósofo, foi uma das maiores forças inspiradoras da
nova ortodoxia. Com a falha do Liberalismo protestante, abriu-se espaço para o
EXISTENCIALISMO - mundo da perspectiva em que a existência (por que estamos aqui ?) é mais
Revelação e Inspiração
importante que a essência (quem somos nós ?)
 No desespero, na solidão, na ansiedade do séc. XX, suas palavras soaram quase como uma
profecia.
“Em ciência ou matemática podemos tratar os fatos objetivamente sem sermos pessoalmente
envolvidos com eles, mas em Filosofia e em religião, o alvo não é conhecer dogmas ou idéias, mas
vivê-las.” S. Kiekegaard.
O alvo verdadeiro do pensamento religioso é trazer o homem a um compromisso com um modo de
vida.
No pensamento objetivo podemos nos separar do objeto (este objeto se relaciona com a nossa
mente), mas em religião, não podemos fazer isto, pois degradaria a Deus e também ao homem.
 Deus é o sujeito, nunca o objeto, quando Ele entra em contato conosco.
2. MARTIN BUBER - filósofo judeu alemão, m. 1965. Em 1923 publicou um livro intitulado I
AND THOU, um dos livros que mais influenciou o pensamento ocidental. (Influenciou
grandemente a BRUNNER).
Segundo BUBER, existem 02 maiores reinos nos quais o homem se expressa a si mesmo ou se
relaciona com o mundo ao redor:

I - IT - EU - COISA

I - THOU - EU - TU
 O homem não vive em isolamento, mas em relações. O homem ocidental envolveu-se com
o método científico e empírico, olhando o mundo como uma coleção de coisas (IT). Nós
abstraímos, medimos, identificamos, caracterizamos, tudo ao nível do cérebro.
Temos a tendência de fazer a mesma coisa com as pessoas - coisificar as pessoas.
I - IT e I - THOU é a dicotomia básica do mundo ocidental.
Neste processo, o EU permanece como um observador distante, um expectador não
envolvido, tudo pode ser analisado a nível de uma atividade cerebral.
A atitude I - THOU encontra sua mais alta intensidade no relacionamento com DEUS -
DEUS é o eterno THOU, o outro, e este relacionamento não deve ser a nível de coisa.
DEUS nos convida a um relacionamento em termos de OUTRO, sem o elemento coisa. Neste caso, o
OUTRO nos convida a um relacionamento profundo. Neste encontro com DEUS, o elemento IT não
pode existir, segundo BUBER, está completamente ausente.
Ele dizia que frequentemente o homem tem coisificado a DEUS, procurando igualar a DEUS a nível
de assentimento intelectual, a um certo número de doutrinas concernentes a DEUS. Com isto o
homem tem tentado manipular a DEUS, tornando DEUS como ele próprio homem, moldá-Lo a sua
imagem. Em outras palavras, este DEUS é uma projeção do próprio homem e, por isto mesmo, um
DEUS muito pequeno.
Mas o eterno THOU está convidando o homem não para um relacionamento EU - COISA, mas para
um genuíno encontro EU - TU, no qual todo elemento impessoal deve desaparecer.
BRUNNER tomou esta idéia e aplicou à Teologia escrevendo 2 livros nesta área:

“TRUTH AS ENCONTER” ; “REVELATION AND REASON”


3- BRUNNER era um teólogo reformado, calvinista, cria na queda do homem, transcendência de
DEUS, rebelou-se contra o Liberalismo e foi um oponente de BARTH. Enfatizava um retorno à
doutrina da Revelação com um novo APPROACH - Revelação como ENCONTRO. Usou as noções
Revelação e Inspiração
de BUBER da Teologia Cristã.
 Revelação não é a recepção de verdades vindas de ou acerca de DEUS. Revelação é um
encontro EU - TU. Há um conteúdo neste encontro, mas o conteúdo não é revelação de
verdades e sim o próprio DEUS é que Se constitui no conteúdo. O elemento coisa está
ausente.
Da perspectiva da Nova Ortodoxia, a Revelação não comunica alguma coisa, comunica Alguém.
DEUS revela-Se a Si mesmo ao profeta, não palavras, porque isto estaria no nível do cérebro.
Revelação não é dada ao intelecto, mas é dada para evocar uma resposta de fé e obediência.
 Revelação não é dada para que o homem dê assentimento intelectual a um grupo de doutrinas,
de verdades.
 Na Revelação DEUS convida o homem a vir a Ele, não a dar assentimento intelectual a
verdades acerca de DEUS. A revelação é DEUS pessoalmente dentro da alma, revelando-Se a
Si mesmo, chamando a uma resposta, sendo esta revelação vazia de qualquer elemento coisa.
A) IMPLICAÇÕES:
1. Negação de que revelação seja proposicional.
2. Uma vez que a revelação como entendida por Brunner e a Nova Ortodoxia não é doutrinal e
proposicional, ela não é a comunicação do que DEUS revelou ao profeta, mas apenas a sua
reflexão pessoal do fenômeno da revelação que ele tem experimentado.
3. Uma vez que a revelação como tal não comunica doutrinas, o que o profeta declara não é
propriamente verdade, porque o que ele comunica não é intrinsecamente parte da revelação
original, porque DEUS não revelou nada, coisa; o que ele escreve é o testemunho do impacto do
encontro com DEUS.
B) A FUNÇÃO DAS ESCRITURAS:
1. Seu papel não é comunicar informação a respeito de DEUS ou vinda de DEUS. Em vez
disto, a Escritura mantém o testemunho de que DEUS Se revelou no passado e está
desejoso de fazer o mesmo no presente.
2. Esta revelação (a Bíblia) promete revelação no futuro; por um milagre de DEUS ela pode
funcionar agora para ocasionar a revelação para nós. A Bíblia tem função revelatória como
testemunho da revelação.
3. Apenas Cristo é a revelação, apenas Cristo é o Logos, o ato revelador de DEUS.
Este ato falado de DEUS foi interpretado pelo testemunho dos apóstolos.
4. A Bíblia é o testemunho da revelação, mas a ela é negado o status da revelação. Ela é uma
coleção de confissões de fé, da fé profética, apostólica, escrita com o propósito de despertar
e fortalecer a fé dos que ouvem.
 Mas aquilo que os profetas e apóstolos escreveram não é o que DEUS revelou a eles. A
Bíblia é um documento meramente humano, falível e cheio de erros.
K. BARTH - A Bíblia é em cada ponto a vulnerável palavra do homem; é a reflexão sobre Cristo,
concernente ao significado da revelação, mas ela não é a revelação.
A Bíblia é vista frequentemente por estes teólogos como a fixação da fé dos apóstolos , a
escrituração do testemunho dos apóstolos daquela revelação que tomou lugar na vida de Jesus, mas a
Bíblia não participa da autoridade da revelação, apenas dá testemunho da revelação.
 A Bíblia está na margem deste evento particular que foi Jesus Cristo e a Bíblia
simplesmente dá testemunho.
C) QUAL É A NATUREZA DA AUTORIDADE BÍBLICA ?
1- A Bíblia é autoritativa não por causa do que diz, mas apenas na medida em que conduz a
pessoa a Cristo.
2- A Bíblia se torna a Palavra de DEUS quando, por sua influência, eu e Cristo nos tornamos
Revelação e Inspiração
contemporâneos.
3- A autoridade da Bíblia depende da resposta humana.
 Há aqui um claro rompimento com a posição da Reforma com respeito à revelação.
 Para BRUNNER, a Reforma foi correta em elevar a autoridade da Bíblia acima da
autoridade da Igreja, mas a Reforma errou em fazer da Bíblia a última instância de apelo,
a norma final de verdade religiosa. BRUNNER insiste que a Reforma, assim identifi-
cando a Palavra de DEUS com a Bíblia, a Reforma em princípio retornou ao mesmo
erro do Catolicismo, isto é, enquanto os católicos têm um papa como autoridade final, o
protestantismo tem um livro na mesma condição.

5- SUMÁRIO: CENÁRIO ATUAL - Modelos:


1. Conceptual, proposicional;
2. Modelo de Revelação como ENCONTRO;
Neste caso o conteúdo da revelação é o próprio DEUS, não há conteúdo objetivo, nada finito é
revelado, exceto na medida em que Cristo, que é a verdadeira Palavra, fala por este meio finito. A
Bíblia não é revelação, é apenas uma testemunha primária da Revelação que é Cristo. Então as
palavras que se encontram nas Escrituras não podem ser igualadas à Palavra de DEUS.
 A revelação ocorre quando a Palavra de DEUS, que é Cristo, está sendo proclamada e é
recebida em fé. A revelação, longe de ser um evento histórico ocorrido no passado, ocorre
agora. Cada geração, segundo Bultman, tem a mesma relação original com a Revelação.
AVALIAÇÃO PRELIMINAR: Neste modelo estão em jogo os seguintes aspectos:
1- Rejeição da verdade final historicamente revelada e comunicada;
2- Confusão entre revelação e regeneração (a revelação passa a depender da resposta, da
regeneração);
3- Este modelo coloca todos os crentes no mesmo nível dos profetas, cada um torna-se parte da
revelação;
4- Não provê ao homem um critério em que possa fazer uma distinção entre a verdade e o erro;
5- Uma vez que a Revelação toma lugar num encontro, e neste encontro não ocorre comunicação de
verdades, doutrinas, DEUS não revela em termos claros a Sua vontade, o homem torna-se o
padrão, a medida.
6- Deixa sem resposta uma questão vital: COMO PODEMOS CONHECER A VERDADE ?
3- REVELAÇÃO COMO HISTÓRIA: Neste caso, a Revelação ocorre primariamente em atos,
não em palavras, mas numa série de atos nos quais DEUS Se revelou no passado. Aqui se
encontra o anglicano WILLIAN TEMPLE, que disse que “os eventos históricos são a fonte de
qualquer verdade. Credos e doutrinas são derivados dos eventos históricos.”
ERNEST WRIGHT, presbiteriano americano (escreveu “God Who Acts) diz que DEUS Se
comunica primariamente através de atos da história. Com base nas Escrituras, concluiu que
DEUS não Se comunica através de encontros místicos, mas por atos de DEUS na história.
Fraquezas do Livro:
a) Não deixa claro a que tipos de atos está se referindo;
b) Não deixa claro por qual processo os autores bíblicos movem-se do ato para a interpretação do
evento. Ele diz que o evento precisa de interpretação para ser entendido. Diz ainda que esta
interpretação são inferências derivadas dos atos; que os hebreus não poderiam concluir outra coisa
dos atos, a não ser aquilo que encontramos nas Escrituras.
OSCAR CULLMANN - Revelação como a História da Salvação. Para ele, existem duas histórias,
uma história dentro da história: a intervenção divina na história de Israel é a História da Salva- ção. A
Bíblia não é uma mera história; a Bíblia é a revelação não porque ela seja a exata descrição da
Revelação e Inspiração
história, mas porque ela interpreta a ação de DEUS na História, e esta interpretação só é possível ao
historiados mediante os olhos da fé.
Os livros de WRIGHT e CULLMANN exerceram grande influência.
W. PANNENBERG - também fala de revelação como história. A revelação consiste primariamente na
ação de DEUS na História, mas como uma diferença de CULLMANN, de que os poderes naturais do
homem, sem qualquer assistência sobrenatural, são suficientes para apropriação desta revelação.
“Esta revelação divina está aberta para qualquer um que tenha olhos para ver. Neste caso, as palavras
das Escrituras não acrescentam nada à inerente inteligibilidade dos eventos; eles são auto-
interpretativos, e não necessitam de elucidação profética.”
A revelação só ocorre indiretamente através de eventos, assim negando que DEUS Se manifeste
diretamente, quer por teofanias, quer por palavras.
4- REVELAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA INTERIOR:
Aqui remos um considerável número de teólogos do século XX, que se voltam para a experiência
interior do crente, como ponto em que a atividade reveladora de DEUS se manifesta. A revelação
consiste da experiência imediata de DEUS, a qual internamente se comunica a cada crente. DEUS é
considerado como fazendo-Se presente na consciência do indivíduo. Esta noção leva a uma
minimização da necessidade de mediação por qualquer outro meio - Bíblia.
 F. SCHLEIERMACHER; ALBRECHT RISTSCH; C.H. DODD.
Com virtual unanimidade, os teólogos desta escola rejeitam qualquer dicotomia entre religião natural
e religião revelada. São desfavoráveis a qualquer distinção aguda entre revelação geral e revelação
especial.
Afirmam que a Revelação é interior, DEUS Se revela ao espírito e à piedade que Ele mesmo inspira.
O que vem de fora (Bíblia) apenas estimula, intensifica esta revelação que vem de dentro.
Dentro deste grupo, aparece o teólogo católico que melhor elaborou esta doutrina: KARL RAHNER
- Teologia Transcendente.
Esta é uma Teologia personalística e antropocêntrica. Esta Teologia se enraiza numa visão do homem
como sujeito, não como objeto, como sujeito que constantemente se projeta em direção ao infinito e
que evade aos seus próprios limites. DEUS tem criado o homem com um desejo de comunhão com
Ele. Esta busca de DEUS, combinada com sua incapacidade de encontrá-Lo, abre uma porta para o
fenômeno da Revelação.
DEUS Se oferece a Si mesmo em amor àqueles que se abrem à graça divina, à qual é oferecida a
todos. Então esta graça pode ser chamada revelação.
Revelação para RAHNER não consiste primariamente num externo fenômeno histórico, como uma
comunicação vinda ou acerca de outro mundo; ela não é dada primariamente em palavras, conceitos,
proposições, mas antes um profundo e transformador impacto da graça divina; esta graça dá ao
homem um novo horizonte e esta mudança de perspectiva efetuada pela graça divina é chamada por
ele de revelação transcendental.
Ao contrário de Bultmann, Rahner não nega que a revelação seja dada por meio de eventos
históricos, ensinos conceptuais, proposicionais, mas estes são secundários.
CONCLUSÃO: A Teologia da Revelação de Rahner, porque faz amplas provisões para fatores
existenciais, experienciais, tem exercido uma enorme influência sobre os autores católicos, sendo que
muitos têm avançado além de Rahner.
SUMÁRIO: A forma dela é de experiência interior imediata (não precisa de mediação). Ao contrário
Revelação e Inspiração
de ser uma revelação que tenha basicamente informação, o conteúdo é DEUS na medida em que Ele
amorosamente Se comunica ao homem.
A apropriada resposta à revelação não é a aderência a credo ou a um particular curso de ação, ou
modo de viver; é uma atitude religiosa.
5- REVELAÇÃO COMO UMA PERCEPÇÃO OU CONSCIÊNCIA
Esta linha de compreensão tem envolvido um número considerável de teólogos, dentre eles
GREGORY BAUM e GABRIEL MORAN.
 Este modelo tem ancestrais filosóficos na filosofia de Kant, e na Teologia Católica pode apelar
a alguns textos do Vaticano II.
“Revelação é uma emergência para um estágio mais avançado de consciência humana. Revelação é
mediada através de eventos paradigmáticos. Neste caso, revelação não tem conteúdo fixo. A Bíblia
deve ser reinterpretada para se ajustar à realidade histórica.
Para a Teologia da Libertação, DEUS é revelado na PRAXIS histórica da libertação.
A situação mais o nosso dedicado e reflexivo envolvimento, medeia a palavra de DEUS para nós.
Hoje esta Palavra é mediada pelo clamor do pobre e do opresso.
GUSTAVO GUTIERREZ - Pai da Teologia da Libertação:
 “A Teologia é a cena da Revelação que DEUS faz do ministério de Sua Pessoa. Sua Palavra
nos alcança na medida do nosso envolvimento na evolução da história”.
Revelação, portanto, ocorre quando conhecemos e aceitamos o chamado de DEUS para participar na
luta histórica por libertação.
GABRIEL MORAN - Preocupa-se com o humano, com o contemporâneo, com o existencial.
Revelação é uma maneira de ver que se refere a uma relação de interação mutual, não uma coleção
de dados revelados. Ela ocorre quando experimentamos a proximidade de Alguém que nos ama e Se
preocupa conosco. Nestes momentos, nós percebemos a presença do divino, isto é, o significado
desta presença que tem realidade prático-social, e está disponível a toda a humanidade.
Em outras palavras, Revelação é um fenômeno universal com multiplicidade de específicas
expressões da qual o Cristianismo é uma delas.
DENOMINADOR COMUM: Estas tendências modernas têm um denominador comum: uma
abordagem antropocêntrica à Revelação; elas definem a Revelação quase inteiramente do ponto de
vista do homem, do sujeito que crê, em vez de fazê-lo da perspectiva de DEUS.
 Revelação, segundo estas posições, conquanto haja diferenças, não pode consistir de
informações vindas de fora do homem.
A teoria objetiva, conceptual, tradicionalmente aceita pelos cristãos, tem sido progressivamente
substituída por teorias subjetivistas, e estas teorias, contrariamente à posição tradicional, considera a
revelação como uma mensagem formulada ao dinamismo religioso do espírito humano.

IV - REVELAÇÃO GERAL
1- Duas revelações: a Teologia tradicionalmente tem feito referência a duas formas de Revelação,
ou revelação que encontra duas formas de expressão:
A- GERAL 1. Natureza
2. Consciência Humana
B- ESPECIAL1. Jesus Cristo - Revelação Máxima (Heb.1:1)
2. Bíblia - Palavra Escrita, originalmente confiada a um grupo
especial de pessoas.
Revelação e Inspiração

REVELAÇÃO GERAL REVELAÇÃO ESPECIAL


1. Imediata, sem mediação 1. É mediada
2. Geral em natureza 2. Específica
3. Acessível a todos 3. Disponível apenas através de um meio
4. Geral em conteúdo 4. Específica em conteúdo
5. Usa leis naturais, fenômenos naturais, a própria 5. É sobrenatural
natureza do homem.
6. Dada antes da queda, PRÉLAPSARIANA, 6. PÓS-LAPSARIANA, Revelação Sotérica
PRÉ-SOTÉRICA
7. Apela ao homem como criatura de DEUS 7. Dirigida ao homem em seu estado pecaminoso.

2- REVELAÇÃO GERAL: SUMÁRIO DAS POSIÇÕES:


Alguns teólogos, notadamente da Nova Ortodoxia, frontalmente negam qualquer possibilidade de
revelação geral, defendendo a infinita distinção qualitativa entre DEUS e o homem e a destruição da
IMAGO DEI no homem pela queda.
A- KARL BARTH recusou reconhecer qualquer revelação à parte da Palavra de DEUS. Revelação
para ele significou a encarnação de Jesus Cristo, a Palavra encarnada. BARTH via um perigo de que
a aceitação da Revelação Geral pudesse eclipsar ou distorcer a Revelação Especial de DEUS em
Cristo na Bíblia. Ele dizia porque esta revelação é mínima, ela se presta apenas para a rebelião
humana e ser distorcida para favorecer algum projeto favorito.
 Barth viu isto acontecendo na ideologia nazista: o apelo é feito à superioridade ariana.
 Super enfatizada, a revelação geral leva ao conceito de que os seres humanos podem
aprender a verdade pelos próprios poderes da razão e não depender da revelação salvadora,
sotérica, do Evangelho.
B- LIBErAIS: A teologia liberal é grandemente constituída sobre o fundamento da Revelação Geral,
afirmando mesmo que ela é suficiente para a salvação.
PERIGO: Quando se pode descobrir a DEUS no universo interior e exterior, não se precisa mais de
revelação.
C- T. DE AQUINO E A TRADIÇÃO TOMISTA - afirmam que a mente racional ajudada pela
analogia de DEUS (ou que existe entre DEUS e o homem), pela lei da causa e efeito, é capaz de
provar a existência e a infinita perfeição de DEUS.
T. de Aquino constituiu 4 argumentos racionais para provar a existência de DEUS:
1- Argumento Cosmológico - A existência do Cosmo ou universo ao redor, nos aponta para a
existência de DEUS.
2- Argumento Teológico - há finalidade, desígnio, propósito, no universo, e a maneira complexa em
que todas as coisas se interligam no universo apontam para a existência de um Criador.
3- Argumento Ontológico - tem que ver com ideal de perfeição. Dentro de um homem imperfeito, de
um homem cercado de imperfeições, apontam para uma fonte maior do que o próprio homem.
4- Argumento Antropológico - a própria inteligência do homem, capaz de apreciar a inteligência no
universo, capaz de transcender-se, superar-se, é uma evidência de que deve haver Alguém maior
Revelação e Inspiração
do que o próprio homem, como sua fonte.
D- G. BERKOWER, A KUYPER, C. VAN TIL - Admitem a existência de uma revelação geral, mas
negam que ela possa transmitir conhecimento à mente não regenerada, obscurecida pelo pecado. A
natureza pode transmitir conhecimento apenas àqueles que foram iluminados pela graça reveladora de
DEUS.
E- LUTERO, CALVINO, C. HODGE, B. WARFIELD - arguem em favor da objetiva existência da
Revelação Geral, da sua limitada utilidade em transmitir o conhecimento de DEUS, Sua existência,
mas ao contrário do grupo anterior, afirmam que este conhecimento está disponível a todos os
homens.
Calvino disse que “mesmo os ímpios são forçados pela mera contemplação da terra e do firmamento,
a elevar-se para o Criador.”
3- A BÍBLIA E A REVELAÇÃO GERAL:
1. V.T. - Sal.19:1-3 (“Os Céus proclamam...”)
 Jó 36:24 - 37:24
 Jó 38:1 - 39:30
2. N.T. - Atos 14:15-17 - DEUS não Se deixou sem testemunha.
Poder Criador
Poder mantenedor
 Atos 17:24-31 - Paulo referiu-se a um contato entre ele e sua audiência, a revelação que
DEUS faz de Si na natureza.
 DEUS é o Criador - v.24
 DEUS é auto-suficiente - v.25a
 Ele é a fonte da vida e de todo o bem - v.25b
 É um ser inteligente, que formula planos - v.26
 Está presente no mundo - v.27
 É a fonte e base da existência humana - v.28.
ROM. 1 e 2 - tratado teológico mais elevado do N.T. sobre a Revelação Geral.
Rom.2:14-25 - ensina outra dimensão da Revelação geral, implantada na natureza humana
(SENSUS DIVINITATIS), consciência humana, atestada pelo coração.
Nesta seção de Romanos, Paulo diz que todos os homens são pecadores: os judeus são culpados pela
transgressão da lei escrita na pedra (revelação especial) e os gentios são culpados de transgredir a lei
escrita na consciência - Rom.1:32.
Paulo argúi que através da universal revelação de DEUS na natureza, Ele é claramente visto,
entendido e conhecido - vv.19-21.
THEIOTES - Usado para Divindade, significa perfeição de DEUS. Paulo argumenta que este
conhecimento elementar é adquirido por reflexão racional sobre a ordem criada (verbo GNOSKW) -
vv.19 e 20 - neste ponto conota PERCEBER.
Esta revelação está disponível desde a criação.
As Escrituras ensinam que a consistente resposta do pecador quando confrontada pela Revelação
Geral, sua atitude é descartar da consciência esta Revelação.
Assim, ao invés de adorar a Deus, os pecadores afirmam sua autonomia. Então Deus deliberadamente
deixa os homens à mercê dos seus impulsos e assim, esta revelação, em vez de ser salvífica, é
condenatória.
5- E. G. White e a Revelação Geral - Dois grupos de textos com relação à revelação geral: por um
Revelação e Inspiração
lado, textos nos quais ela afirma: 1. A Natureza como sendo uma fonte real de conhecimento
acerca de Deus; de outro lado. 2. Textos falando da impossibilidade do homem em interpretar
corretamente a Natureza sem o auxílio da Revelação Especial.
SUMÁRIO: Uma vez que a revelação geral é PRÉ-LAPSARIANA, ela não tem propósito
soteriológico, anulamos a revelação especial dada em Jesus. Ela tem uma utilidade limitada, é
válida e útil, mas não suficiente. Ela pode servir como uma ante-sala para uma revelação
especial. Ela prepara o caminho, serve de base racional para a revelação mediada pela Bíblia.
 Para o homem pecaminoso, revelação especial é essencial, e esta necessidade de revelação
especial, reside primariamente na sua inabilidade de ler corretamente a revelação de Deus na
Natureza.
 Assim, a revelação especial fornece ao homem, iluminação para melhor entender o testemunho
da revelação natural. O homem regenerado pelo Evangelho, pode ler corretamente a revelação
especial restaura a revelação geral à sua primitiva glória.
CALVINO dizia “que a revelação especial nos habilita a ler corretamente o livro da Natureza”,
corrige o nosso astigmatismo, é uma lente para ver o que “realmente estava lá, para ler o que sempre
esteve disponível.
A revelação especial transcende a geral, oferece informação inacessível ao homem por qualquer outro
meio.

V - REVELAÇÃO ESPECIAL

1. Sua Necessidade - A necessidade especial tem sido descartada, como pertencendo a uma era de
ignorância, credulidade.
 O homem moderno, com sua quase reverência pelo método científico, tem concluído que se a
ele fossem dados os instrumento e o tempo necessários, resolveria os problemas da
humanidade. 94% dos cientistas conhecidos vivem hoje e os problemas básicos da humanidade
não têm sido resolvidos.
Problema básico: sob que autoridade vivemos hoje? Sob que autoridade o sentido da vida se torna
claro: interior ou exterior? O homem é uma autoridade inadequada, a esta inadequação humana para
a solução de seus problemas, acrescenta-se um profundo sentimento de culpa que acompanha cada
pessoa que invoca a necessidade de Deus.
Então, chegamos a que tipo de Deus é este com que temos que tratar? Como Ele é conhecido?
Embora a revelação geral possa dar alguma informação sobre Deus, o universo não pode ser
mais preciso em suas informações do que um objeto criado informar algo sobre seu fabricante
(mesa falar do carpinteiro).
 Podemos conhecer personalidade até certa medida por observação, mas nossa avaliação pode
ser errada, nossos motivos podem ser mascarados, e o EU real daquela pessoa pode ficar
escondido. Daí, personalidade só se conhece através de auto-revelação.
Então, se o homem não pode compreender o próprio homem, como poderia ele conhecer a Deus?
 Personalidade só se conhece por auto-revelação. Então Deus só pode ser conhecido
adequadamente à proporção em que Ele Se revela, comunica a Sua mensagem, e esta
revelação não é apenas importante, é CRUCIAL, VITAL.
Gen. 1:1 - Respostas a quatro perguntas básicas da EPISTEMOLOGIA:
1. QUANDO? No princípio
2. COMO? Criação
3. QUEM? Deus
Revelação e Inspiração
4. QUEM? Céus e terra
As questões finais da vida podem ser respondidas apenas pelo Autor da vida. Apenas a revelação
especial provê uma chave adequada para interpretar os propósitos e destino do homem (PROTO-
LOGIA).

As descobertas científicas, conquanto importantes, não nos podem dar certeza quanto ao
propósito da vida, nem razão pela qual a vida deva ser vivida.
 É apenas conhecendo a DEUS na Sua revelação que podemos ter a resposta.
 Este conhecimento, adaptado aos dilemas da existência humana, pode ser encontrado na
Bíblia. A Bíblia é o meio ou conduto da Revelação Divina: “Veio a mim a Palavra do
SENHOR...” 130 X; “Assim diz o SENHOR...” 359 X.
 A Bíblia reclama para si este Status.
 Heb.1:1 - DEUS falou de muitas formas, estágios de comunicação. Sobre estas agências se baseia
a autoridade e conteúdo da Teologia.
1. A Glória da Bíblia é que ela apresenta um DEUS pessoal, que torna-Se a Si mesmo conhecido,
um DEUS que entra em concerto (BERIT), comunga conosco, parte o pão convida os
pecadores para a paz.
 Ao contrário dos deuses gregos e pagãos, que não falavam, não se revelavam, DEUS
quebra o silêncio mortal que nos envolve, invade a história e estabelece o diálogo conosco.
 Interessa-nos estudar Revelação como manifestação da graça e misericórdia de DEUS,
revelação que oferece base para a fé.
 As credenciais da revelação cristã, não são o apelo de uma remota e austera autoridade de
um DEUS distante e afastado.
 A diferença básica entre a Bíblia e os outros livros é que eles não falam de boas novas. O
que torna diferente a revelação cristã e a Bíblia é sua mensagem de graça e perdão, que
irresistivelmente atrai os pecadores.
 DEUS não Se conserva distante, Ele cruza o espaço e Se revela.
2. Caráter Dinâmico da Palavra:
A- Quando o escritores do V.T. falam da Revelação de DEUS, revelação de DEUS ao Seu povo,
frequentemente falam da Palavra de DEUS - DABAR YAHWEH (Mínimo 200 X).
Gn. 15:1 - “A palavra do Senhor veio a Abraão...”
I Sam.3:21 - “O Senhor Se revelou a Samuel pela Palavra do Senhor”.
II Sam. 7:4 - “A Palavra do Senhor veio a Natã”.
Sal.105:19 -
Sal.111 identifica a palavra com a lei.
Nos profetas literários, encontramos esta mesma fórmula. Na abertura de cada um destes livros,
todos são similares na afirmação “veio a mim a Palavra do SENHOR” (Am.3:8; Os.1:1; Isa.1:10;
40:8; Jer. 1:1 e 2).
 Estes profetas entenderam a mensagem como sendo de DEUS e não deles mesmos.
 Qual é o caráter da Palavra?
 Caráter Criativo da palavra: Gn.1:1
 Sal.33:6 - Paralelismo sinônimo: A palavra é identifica com o sopro de Sua boca, este sopro é
símbolo de vida.
 Cada estágio da criação é descrito de forma similar como sendo a palavra de DEUS, a criação
é resultado da Palavra e deste modo o autor nos ensina quão poderosa é esta Palavra, diferente
das palavras humanas. Quando DEUS fala, algo acontece. Quando o homem fala, nada ocorre;
Quando DEUS fala, grandes coisas acontecem.
Revelação e Inspiração
Jer.8:9 distingue entre a palavra de seus eruditos contemporâneos e a Palavra de DEUS.
A palavra é a mais direta e clara expressão do pensamento humano. Assim o pensamento de DEUS é
expresso na Sua criação do mundo. E não é por acidente que em Gn. 1 e Sal.23 a Criação é atribuída
à Palavra e ao sopro de DEUS.

AGOSTINHO - nas coisas reveladas - UNIDADE


 nas coisas não reveladas: LIBERDADE
 em todas as coisas: CARIDADE
A palavra hebraica para sopro é a mesma para espírito. Sopro no hebraico e em muitas línguas
antigas, é a própria vida. Assim DEUS coloca o Seu poder interior na Sua Palavra.
B- NOVO TESTAMENTO - Duas expressões para “palavra”: RHEMA e LOGOS.
O N.T. continua o uso do V.T. com relação a esta qualidade dinâmica da Palavra.
Lc.3:2 - João Batista é colocado na linha dos profetas do V.T. “Veio a Palavra (RHEMA) de
DEUS a J. Batista...”
No V.T. DABAR é usada para descrever a lei; no N.T. a Palavra RHEMA THEOU é usada com
referência ao Evangelho, as Boas Novas de Cristo.
Atos 4:31; 13:46; 17:13; Col.1:25.
Em alguns lugares, a Palavra do Senhor é usada significando a promessa de DEUS ao Seu povo -
Rom.9:6; Heb.11:3.
Como DABAR, RHEMA significa não apenas Palavra, mas também coisa, evento, o próprio
concerto.
Caráter abrangente da Palavra:
Lc.1:37 - “Haverá alguma coisa impossível...” (RHEMA). Paralela a Gn 18:14: “Acaso para DEUS
há cousa demasiadamente difícil ?”
Lc.2:15 - “Isto que aconteceu (RHEMA) - acontecimento histórico.
A Palavra de DEUS não significa apenas um meio de comunicar informações, mas também um poder
criativo que produz um efeito positivo. Neste caso, Palavra e atos estão ligados. Evangelho é poder,
não doutrina.
A mais distintiva idéia de Palavra no N.T. ocorre no prólogo do Evangelho de S.João - LOGOS.
A nossa tradução falha em captar o completo significado do original grego. LOGOS significa muito
mais do que isto; o LOGOS significa o pensamento organizador por detrás do termo, portanto,
significa a própria razão.
Os filósofos gregos e os pais da Igreja usaram LOGOS significando razão.
No prólogo do Evangelho de João, temos a ponte entre a cultura judaica helenística de um lado e
do outro o Evangelho de Cristo.
 Já vimos o lugar da preeminência de DABAR no V.T., seu poder criador, dinâmico,
impelente, propulsivo.
 Por outro lado, no período do N.T., o termo LOGOS significou também a ordem racional
por detrás da Natureza, a ordem que dá sentido às coisas, que torna a ciência natural
possível. FILO, filósofo judeu contemporâneo de Jesus, combinou as duas posições.
 Quando João nos diz que no começo era o VERBO, e o Verbo estava com DEUS e o
Verbo era DEUS, ele estava fazendo referência o poder criador de DEUS presente na
natureza, referência a Gn.1:1.
Então, a própria razão de DEUS, o propósito significativo é expresso nesta Palavra; João não
começa com o tempo, João começa com a eternidade.
Revelação e Inspiração
João 1:14 - “o Verbo tornou-Se carne e habitou entre nós.”
Se queremos ver a razão das coisas, o pensamento de DEUS na criação, olhemos para JESuS. Ele é a
perfeita encarnação, a perfeita revelação da Palavra de DEUS, ativa, poderosa, criadora e dinâmica.
Ele não apenas falou a verdade, Ele era a verdade.
No quarto Evangelho Ele é o que promete:
 água para a samaritana (Ele é a água);
 Pão (Ele é o Pão da Vida);
 “Quem Me segue não anda em trevas” (Eu Sou a luz).
 “Quem Me segue não morrerá” (Eu Sou a ressurreição).
Então, numa boa linguagem bíblica, o cristão pode falar de Jesus como a Palavra de DEUS.
Apoc.19:13 - Verbo de DEUS.
V.T. N.T.
DABAR é luz Jesus é luz
DABAR é pão Jesus é pão
DABAR é caminho Jesus é o caminho
DABAR é verdade Jesus é a verdade
Jesus é a encarnação do Pai, de DEUS, dinâmica, criativa, poderosa...
Lc. 5:1; João 5:24; 8:43; 12:48.
O N.T. chama a Jesus de “a Palavra de DEUS” e a “Palavra de Vida” - Fil.2:16; I João 1:1.
SUMÁRIO:
DABAR é uma palavra com poder, provoca reação, eventos.
A revelação não é algo estático.
Isa.52:10; 53:1 - Na revelação DEUS trata ativamente conosco.
Rom.1:17 - A justiça de DEUS se revela no Evangelho.
É a tendência intelectualista e estática noção de revelação que transforma esta categoria em doutrinas
apenas, quando elas são essencialmente poder, ação. O Evangelho é o poder de DEUS - DINAMIS.
A revelação é ação originada em DEUS, poderosa manifestação de DEUS. A revelação é atividade de
DEUS, Sua ativa e efetiva intervenção na vida humana. A Bíblia é, portanto, a mensagem acerca
desta ação, mas esta mensagem é em si mesma a ação de DEUS.
 Quando ela é proclamada, DEUS continua e completa Sua ação em nós. Quando o Evangelho
é pregado, DEUS liberta o homem do domínio e poder da destruição, e transforma-o em
membro de Sua família.
3- NATUREZA E CARACTERÍSTICAS DA REVELAÇÃO ESPECIAL
3.1. Características:
3.1.1. Ela é indispensável porque a Revelação Geral não é suficiente, porque na sua
condição caída, a humanidade não tem acesso a conhecimento de DEUS por outro meio.
3.1.2. Ela é o resultado da iniciativa divina, DEUS dá o primeiro passo, estabelece o
diálogo, aquilo que o homem não pode alcançar por si mesmo, DEUS oferece graciosamente.
Rom.9:20, 21 - contraste entre barro e o oleiro - não há afinidade entre ambos - é um ato da
misericórdia divina em Se revelar.
 O homem pode aceitar ou rejeitar, mas não pode mudar os termos deste relacionamento,
DEUS é Quem determina como este relacionamento se estabelece. O homem não diz se é
certo ou errado.
Revelação e Inspiração
3.1.3. Esta revelação vem a PESSOAS ESPECIFICAS, PARTICULARES, com o propósito
de prover meios para o conhecimento de DEUS.
Na Sua soberania, DEUS é livre para escolher determinados indivíduos para serem condutos da
Sua revelação, mas esta escolha não é arbitrária com respeito à perdição e salvação.
Ex. DEUS escolheu uma família, uma pessoa (Abraão, Jacó), uma tribo,...
3.1.4. DEUS escolhe pessoas em SITUAÇÕES CONCRETAS: toda situação histórica do
profeta tem um impacto sobre o fenômeno da revelação, por isto se encontra esta diversidade
dentro da Bíblia. Quando DEUS alcança este indivíduo, Ele não muda estes elementos
concretos que fazem parte da experiência humana.
3.1.5. PESSOAL:
a) Os filósofos em geral não estão muito dispostos a atribuir personalidade a DEUS. Do ponto
de vista da revelação bíblica, é impossível conceber comunhão com um DEUS impessoal,
portanto, esta revelação é feita a partir de um DEUS pessoal.
b) O documento básico da revelação especial (Bíblia) nos apresenta a DEUS conversando com
os homens assim como os homens conversam entre si.
c) Além disso, a realidade da revelação especial atribui a DEUS atos pessoais.
d) Os antropomorfismos da Escritura são testemunhos indiretos da personalidade de DEUS.
3.1.6. A revelação especial é REMEDIADORA, CURATIVA - é o meio pelo qual DEUS
alcança o pecador.
3.2. NOMENCLATURA DA REVELAÇÃO ESPECIAL:
3.2.1. mediada - depende de um meio.
3.2.2. CÓSMICA - A. Kuyper - porque ela deve entrar no mundo para ser compreendida. Isto quer
dizer que DEUS deve Se colocar nos limites do mundo no qual vivemos.
3.2.3. REVEL. SACRAMENTAL - Barth - Porque DEUS utiliza as coisas deste mundo como sinais
exteriores para comunicar verdades eternas.
3.2.4. ANTRÓPICA - Porque DEUS é Quem desce ao nível do homem, acomodando-Se à sua
linguagem, à sua cultura, realidade, a fim de ser entendido.
3.3. MODALIDADES DA REVELAÇÃO ESPECIAL:
3.3.1. Esta revelação dada através de visões, sonhos, teofanias, alcançou o clímax em Jesus Cristo,
o maior e mais perfeito meio de DEUS Se revelar.
4 -REVELAÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA
4.1. DEUS não é limitado pelo espaço; vive acima do espaço; está em todo e qualquer lugar.
DEUS tem consciência do que acontece em todo lugar.
4.2. DEUS não é limitado pelo tempo, está acima do tempo, não há referência ao passado de
DEUS, não tem começo nem fim, passado ou futuro, é o eterno presente - EU SOU O QUE
SOU. Mas DEUS tem condescendido em entrar no tempo e no espaço para ser entendido por nós,
para Se comunicar conosco. Esta convergências de tempo e espaço chama-se história.
 Assim DEUS age na História. A função da revelação especial envolve atos históricos, ela se
desdobra, ela toma lugar dentro da história e uma das mais significantes características da
revelação bíblica é que a história é o cenário onde DEUS faz a revelação de Si. Através do
curso da história humana, DEUS Se torna perceptível através das Suas intervenções na vida
temporal do homem. Por isto Ele é conhecido como o DEUS de Abraão, Isaque e Jacó, o
DEUS de pessoas reais que viveram na História.
 Os eventos desta ação divina de forma natural na história permanecem acessíveis a cada um
por suas percepções naturais, mas o significado religioso desses atos transcende a percepção
natural do homem.
Ex. CRUZ - uma entre milhares de outras.
Ela é especial porque DEUS Se encarrega de definir o seu significado.
Então, os atos divinos estão cheios de significado religioso, e DEUS, por Sua graça, Se
Revelação e Inspiração
encarrega de revelar o significado deles.
A Palavra define o significado do ato de DEUS; neste caso, o evento e a Palavra se completam no
fenômeno da revelação(Am.3:7).
A Palavra divina ao profeta esclarece o significado do ato divino. Então esta Palavra afasta o
anonimato e a falta de significado destes fatos, do contrário estes atos seriam apenas golpes cegos do
destino na história.
SUMÁRIO: A revelação toma lugar dentro da história em atos. A revelação profética é parte da
história. Em grande medida o ministério dos profetas foi interpretar atos históricos, mas esta
interpretação não é feita pelo profeta, DEUS é Quem dá o significado destes atos ao profeta
(Dan.2:27-28).
5- O FENÔMENO DA REV.ESPECIAL NO TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS:
5.1. Tradicionalmente o cristianismo afirma que a revelação envolve um conteúdo objetivo, é
proposicional, que é proclamada pelo profeta. Os teólogos da Nova Ortodoxia da Teologia do
Encontro, têm chegado a esta noção, afirmando que a revelação é indispensável, que ela vem de
DEUS, mas negam que ela venha em forma de comunicação de verdade, é subjetiva, ocorre num
encontro.
5.1.1. Que testemunho dá a Bíblia sobre a revelação ?
 Este testemunho é importante porque é o testemunho daqueles que passaram pelo
fenômeno da revelação.
 Embora os autores da Bíblia que passaram por este fenômeno não nos dêem detalhadas
informações do assunto como desejaríamos, eles provêem um conclusivo testemunho.
Portanto, é importante analisar as passagens onde a terminologia ocorre.
A forma substantiva e verbal (revelação-revelar) ocorre 60 vezes nas Escrituras.
5.2. Revelação no Velho Testamento
Dan.2:20-22, 45-47.
DEUS não é apenas o revelador, Ele é também o objeto da revelação.
I Sam.3:21 - “...O SENHOR Se manifestava a Samuel...” isto soa como “encontro”, mas qual o
conteúdo? - “...por Sua Palavra...” - aqui temos o conteúdo proposicional, portanto, neste verso
temos a fusão dos dois modelos de revelação, como conteúdo e como encontro.
 Esta revelação inclui fatos objetivos, palavras; DEUS não somente revela-Se a Si mesmo ao
profeta; Ele revela coisas, proposições, há um conteúdo objetivo - Deut.29:29.
Encontramos nesta revelação uma variedade de atributos divinos sendo revelados:
Isa.40:5 - Glória
Rom.8:18 - Glória
Rom.1:18 - Ira
Rom.1:17 - Justiça
Sal.89:34 - Lábios
Grupo de passagens onde o termo revelar e revelação aparecem em conexão com fatos e doutrinas:

Am.3:7 - Segredo - SÓDH - esta palavra é usada para descrever aquilo que se consulta,
discute em assembléia, o que é discutido no conselho; não se refere à algo que não tem
significado objetivo.
 I Rei 22:19-23
 Isa.23:1 - O destino de Tiro é anunciado - há um conteúdo específico nesta mensagem.
 Dan.10:1 - “...A Palavra foi Revelada...” há um conteúdo objetivo, que tem que ver com
um conflito futuro entre a Pérsia e a Grécia.
5.3. Revelação no Novo Testamento:
Revelação e Inspiração
 Gal.2:2 - Paulo atribui sua ida a Jerusalém como resultado de uma orientação específica neste
sentido, devido a uma revelação.
Paulo sumariza que o Evangelho é o nascimento, morte e ressurreição de Jesus, portanto o
Evangelho tem um conteúdo definido.
 Gal.1:11 e 12 - Paulo diz que o Evangelho pregado por ele não veio de homem, mas foi-lhe
revelado por Jesus. Aqui há conteúdo específico.
 Ef.3:4 e 5
 Rom.16:25, 26 - MISTÉRIO - Revel. do Evangelho. Ef.4:5, 6.
5.4. Revelação Proposicional ou Encontro ?
Uma cuidadosa análise da posição mantida pelos teólogos da Nova Ortodoxia à luz dos dados
bíblicos, leva-nos à conclusão de que eles estão completamente errados. Toda revelação bíblica
tem a DEUS por seu objeto. A Bíblia não nos confronta com uma série de doutrinas frias, de
proposições como as proposições geométricas de Euclides; certamente nenhuma verdade
particular acerca de DEUS tal como a paternidade de DEUS, sábado, trindade, etc... forma o
centro da revelação bíblica.
Isaías em sua visão não apenas viu que DEUS é santo (DOUTRINA); ele viu a DEUS como
pessoa (ENCONTRO) assentado em Seu alto e sublime trono - Isa.6:1.
 I Sam.3:21 - O objeto da revelação bíblica é DEUS como Pessoa, não como doutrina.
5.4.1. Pontos favoráveis da Teologia Moderna:
a) A Bíblia afirma e os teólogos modernos enfatizam que o objetivo final da revelação não é
tornar o homem bem informado, e sim trazê-lo a um direto e pessoal encontro com
DEUS, e evidentemente evocar uma resposta de fé e obediência.
 Fil.3:10 - sumário do propósito da revelação - “para que eu possa conhecer (no original dá a
idéia de relacionamento)
5.4.1.b. - Corretamente alguns teológicos modernos estão em base sólida quando afirmam que a
revelação bíblica está enraizada na história.
 O curso da história bíblica é a história do que Deus tem feito pelo Seu povo.
 Miq. 6:5 - os justos de YAHWEH
5.4.1.c. - Finalmente, a posição contemporânea está correta em centralizar a revelação bíblica em
Jesus Cristo como sendo o supremo ato da revelação divina.
 Gál. 4:4
 Heb. 1:1
5.5 - Pontos Questionáveis da Teologia Moderna:
 A despeito da valiosa contribuição que eles fornecem, a posição deles não faz justiça à
noção de revelação encontrada na Bíblia.
 O mais significante erro desta moderna teoria de revelação é a falha em entender a vasta
quantidade de material bíblico que claramente apresenta a revelação como sendo a
revelação de verdade.
Os escritores bíblicos não foram filósofos construindo uma teoria especulativa derivada da
observação de eventos. Quando eles disseram “Assim diz o Senhor”, eles estavam dizendo que a
mensagem deles era um testemunho objetivo que haviam recebido do SENHOR, e não um encontro
místico.
 Eles creram firmemente que o SENHOR falou para eles.
 Então a interpretação que deram a esta experiência não foi inventada por um processo de
pensamento. A interpretação foi entendida como sendo a Palavra do SENHOR ao homem.
5.6. Move-se da revelação de Deus como Pessoa para a revelação da verdade.
Revelação e Inspiração
 I Sam. 3:21
 Mat. 11:25
 Rom. 3:2
 Ef. 3:5,6
 Mat. 16:16,17
O N. Testamento usa pelo menos 10 vezes o verbo revelar, e, algumas vezes, a forma substantiva
revelação, claramente indicando que a verdade é o conteúdo da revelação.
Tanto no Hebraico GALAH quanto no Grego APOCALIPSES, quando elas são consideradas, a idéia
bíblica que aparece como revelação é revelação de verdade. Então Deus adverte, dá a conhecer,
informa, instrui, prediz, testifica e especialmente FALA.
 A idéia de que Deus fala é provavelmente a noção mais usada que qualquer outra para
transmitir a idéia de que a revelação tem conteúdo proposicional, verbal.
A expressão “Assim diz o SENHOR” é a marca d’água da revelação bíblica. Paralela a ela está “a
Palavra do SENHOR”, enfatizando o caráter verbal da revelação.
 I Cor. 2:9-16 - Texto clássico da revelação no conceito Paulino.
Deste texto emergiu a lógica de Paulo que é irresistivelmente clara - revelação tem um conteúdo - “...
o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram...” Paulo fala como este processo de
conhecimento da verdade toma lugar pela revelação. O verbo ocorre na forma AORISTO, indicando
uma ação consumada no passado.
Certeza de que tal mensagem tem procedência divina e não humana.
Assim, direta comunicação verbal entre Deus e pessoas particulares, em circunstâncias específicas, é
um fato inescapável da revelação bíblica tanto no V.T. quanto no N.T.
Deus comunica uma mensagem verbal ao homem que ele escolhe, nas circunstâncias que Ele decide.
Portanto, afirmar que a revelação é apenas um encontro ou uma reflexão posterior a respeito deste
encontro, é abandonar o testemunho da própria Bíblia, é seguir uma posição que é apologeticamente
conveniente, mas que não se harmoniza com o testemunho da Bíblia, pois neste caso, não teríamos o
chamado de Abraão, o Êxodo ou a profecia.
SUMÁRIO: A revelação bíblica provê ambos, tanto o ato ou o evento da revelação quanto a idéia ou
a verdade revelada; temos encontro e comunicação de informação. O significado dos poderosos atos
reveladores de Deus, incluindo a coroa destes atos, que é a encarnação de Jesus, não é conclusão
baseada em astuta observação humana, mas é Deus quem interpreta o significado por Sua Palavra, e
esta é tão objetiva quanto os atos de Deus na história.
Deus é revelado como Pessoa? Que tipo de Pessoa? Como poderíamos conhecer a Deus se não
conhecermos algo sobre ele? Eu não passo dizer que conheço uma pessoa, se não posso dizer que
conheço algo, fatos, a respeito desta pessoa. Quanto mais eu conheço sobre Deus, mais e melhor eu
O conheço; isto não é reduzir o conhecimento de Deus a uma série de doutrinas.
 Sem dúvida, conhecer uma pessoa é mais do que conhecer fatos sobre ela. Conhecer acerca de
uma pessoa é parte indispensável do conhecimento da pessoa.
 Reduzir a revelação a um conceito de encontro místico e indefinido, é deixar as pessoas
permanentemente em dúvida quanto ao fato se conhecem a Deus ou não.
Heb. 1:1 - Deus falou de muitas maneiras...
1. A revelação é multidimensional - devemos evitar perder de vista qualquer de suas facetas. A sua
unidade consiste na sua global função de comunicar a graciosa verdade da ação de Deus. A
Palavra de Deus é como um arco-íris, bela em sua diversidade e diferente facetas; cada faceta
Revelação e Inspiração
contribui com algo que é vital para a manifestação de Deus.
Devemos ver cada faceta complementando a outra. Tudo cumpre uma função dentro da revelação de
Deus.
A tentação de selecionar um aspecto - exemplo, experiência, oráculo - e fazer deste aspecto o todo e
reduzir a revelação como sendo apenas esta parte, é um engano, pois isto apenas distorce o quadro
total. Portanto, o único modelo válido de revelação é aquele que inclui todos os elementos originais e
não escolhe um outro arbitrariamente.
 Entre os teólogos modernos, alguns vêem a revelação apenas em termos de conteúdo objetivo,
outros como encontro, outros como eventos históricos, outros ainda como experiência
interior, assim falhando em ver a revelação como um fenômeno multidimensional. Muita da
discórdia atual seria evitada se esta tendência moderna não fosse seguida.
2- Estrutura Bipolar da Revelação - Ela é objetiva e subjetiva. Devemos sempre ter em mente estes
dois elementos da revelação. O conteúdo do que tem sido revelado e o meio pelo qual a revelação é
recebida; e devemos cuidar para não suprimir nenhum dos elementos.
 A ortodoxia tende a enfatizar o aspecto proposicional da revelação em detrimento do
subjetivo. A Teologia Moderna enfatiza a dimensão interior subjetiva, sacrificando o objetivo.
A primeira ênfase coloca em perigo a vitalidade e caráter dinâmico da revelação, porque congela a
revelação em termos de doutrinas; a segunda coloca em perigo o conteúdo específico da revelação,
sendo que os dois erros devem ser evitados.

VI- INSPIRAÇÃO
BERNARD RAMM, The Evangelical Heritage, p.115:
“Devido a uma massiva reconstrução da doutrina da revelação pela nova ortodoxia e a uma igual
minimização da doutrina da inspiração, inspiração como um tema teológico tem praticamente
desaparecido; apenas alguns evangélicos fundamentalistas e alguns católicos romanos têm mantido o
conceito em sobrevivência.
O conceito de inspiração tem se extinguido dos círculos teológicos, sendo mantido por um pequeno
grupo.
1. Definições:
a) Revelação - É o ato divino pelo qual DEUS Se revela e habilita o profeta a entender alguma coisa,
quer seja doutrina, verdade, alguma coisa que o profeta não poderia por ele mesmo.
Propósito da revelação - é a comunicação de informações; é sempre teocêntrica e seu propósito
final é trazer pessoas a um relacionamento com DEUS.
b) Inspiração - Literalmente significa “espirito en” - é o ato divino pelo qual DEUS habilita o profeta
a perceber e comunicar de forma fidedigna e confiável aquilo que lhe foi revelado.
AVERY DULLES - (teólogo católico moderno - Jesuíta) - faz uma distinção “a inspiração das
Escrituras embora não sinônimos com a revelação, está intimamente relacionada com ela em
sentido atual, revelação é a comunicação inicial de informação ou entendimento ao recipiente
original (profeta, apóstolos) enquanto que a inspiração é o divino impulso, a assistência pelo qual
a revelação previamente recebida pode ser própria e acuradamente transmitida ou escrita.” - p.38.
A inspiração garante que aquilo que foi revelado seja comunicado ou escrito de maneira fidedigna.
O profeta deve depender do Espírito Santo tanto no receber como no comunicar.
Então a inspiração é o ato divino pelo qual DEUS habilita o profeta a perceber e comunicar aquilo
que lhe foi revelado. Então, quando é que o profeta move-se da revelação para a inspiração ?
É mais difícil à nossa mente ocidental, porque estamos mais preocupados com o como, (curiosidade
Revelação e Inspiração
intelectual) esta é a nossa preocupação, é mais importante, não estamos basicamente interessados na
essência das coisas e sim com o “como”, “por que?” ou “para que?”
Desejamos conhecer fatos científicos de uma esperiência existencial e nossa mente ocidental espera
este tipo de resposta para o fenômeno sobrenatural. A mente semita, ao contrário, não se preocupa
com o como e o porquê.
Qual a função ? e esta é a razão porque a Bíblia não oferece respostas para muitas das nossas
questões. Ela foi escrita para uma outra mentalidade, interessada em outro tipo de questões.
A revelação é fornecida com o propósito de proclamação, não para satisfazer o ego do profeta, a
revelação não é um fim em si mesma.
Revelação e inspiração são aspectos interligados do fenômeno da divina manifestação. Estes dois
aspectos não devem ser separados.
c) Iluminação vem a pessoas em geral; não tem que ver com o profeta funcionando como profeta.
Iluminação habilita aquele que crê, o que recebe a iluminação do profeta, que necessita do Espírito
para entender a mensagem do profeta.
Iluminação é o ato divino pelo qual DEUS habilita a qualquer pessoa que está em correto
relacionamento com Ele a entender a mensagem profética.
Correto relacionamento - a pessoa tem uma parte a cumprir no fenômeno da inspiração. Pode
haver diferentes profundidades neste relacionamento, mas em cada caso, DEUS espera uma
atitude dócil, um espírito sensível.
Iluminação tem que ver com a assistência que nos ajuda a entender a mensagem profética.
2. Dados Bíblicos da Inspiração:
Existe nas Escrituras pouco a respeito do “como”, o processo pelo qual ela foi formada, de como a
inspiração funciona. Textos fundamentais para a compreensão: II Tim.3:16.
Este texto pode ser entendido de duas formas:
1. Toda Escritura divinamente inspirada;
2. Toda Escritura é divinamente inspirada.
As duas traduções são possíveis, pois o verbo não está presente na frase original, é necessário a
complementação de sentido.
PASA GRAPHÉ THEOPNEUSTOS - é a única vez que ocorre esta palavra no N.T.
Este texto tem sido entendido de diversas maneiras:
a) BARTH - inspiração é o desejo dos escritores bíblicos em testemunhar a revelação. Ele toma
THEOPNEUSTOS em sentido subjetivo, isto é, o termo expressa o estado psicológico do
escritor bíblico.
b) Para os EVANGÉLICOS, inspiração é o processo pelo qual a revelação como sendo a
Palavra de DEUS, é colocada na forma escrita. O termo é tomado então em sentido
objetivo; ele indica a atividade divina, a qual, atuando no homem, gera um produto, ou seja,
as Sagradas Escrituras.
B. WARFIELD, num artigo intitulado “Inspiração”, demonstra que as palavras com terminação
EUSTOS, são as palavras de sentido ativo, indicando aquilo que está sendo produzido. Portanto,
nesta análise, temos duas posições:
1- Inspiração como processo, DEUS atua no homem.
2- Inspiração como resultado, a Bíblia.
WARFIELD inclui ambos os aspectos da Inspiração.
Revelação e Inspiração
B. RAMM diz que BARTH não teve conhecimento do estudo de WARFIELD no estudo
das terminações.
Os escritores bíblicos são inspirados como sendo assoprados pelo Espírito Santo. Assim
que o produto da atividade deles transcende os poderes humanos e torna-se
divinamente autoritativo.
A idéia de DEUS “assoprar” é encontrada no V.T., sendo uma vívida metáfora para
descrever a atividade divina: Sal.33:6; Jó 33:4.
Na LXX o “fôlego” ou “sopro de DEUS” é atividade dAquele que cria e causa todas as coisas, e a
Bíblia, ou pelo menos o V.T., é considerado o produto da atividade de DEUS, ela deve a sua
existência à atividade divina. Seu conteúdo e caráter são determinados pela ação de DEUS. É em
virtude deste fato que Paulo acrescenta que ela é “útil para ensinar, para redarguir...”
Então, o que torna a Bíblia o livro que é, relação a outros escritos, não é o gênio, a prosa literária, a
beleza de sua poesia, e sim o fato de que ela é o sopro de DEUS, ela tem esta dimensão.
II Ped.1:19-21 - o caráter geral da epístola tem um caráter pastoral, instruir, advertir, edificar,
confirmar, a Igreja que enfrenta uma situação de desagregação. O contexto é polêmico. Pedro está
escrevendo contra falsos mestres - licenciosidade, negação da parousia.
1:16, 17 - o apóstolo apresenta com evidência para a volta de Jesus a experiência da Transfiguração,
dizendo ter sido testemunha ocular.
 Aparentemente os falsos mestres estão torcendo as Escrituras, acomodando-as aos
seus falsos ensinos.
v.20 - Pedro diz que eles não têm direito de fazer isto, pois as Escrituras não são uma questão de
interpretação profética, nem mesmo os profetas tiveram o direito que os falsos mestres estão
pretendendo.
 Após falar do aspecto negativo, de como as Escrituras não foram produzidas, Pedro
então afirma o aspecto positivo da produção das Escrituras: “Homens movidos pelo
Espírito...”
 A ação do Espírito caiu nos homens - ANTROPOI; eles foram movidos -
FEROMENOI, e este verbo descreve o profeta como sendo impulsionado pelo
Espírito Santo, eles falaram , mas falaram por parte de DEUS.
 Este texto afirma a completa inspiração dos profetas, embora não use o termo
inspiração. Nos dois textos (Tim e Pedro) há uma combinação de Inspiração objetiva
e subjetiva.

O QUE OCORRE QUANDO A INSPIRAÇÃO ACONTECE ?


 Theopneustos indica que esta Escritura é o resultado da ação divina.
 Pedro diz que no processo da Inspiração uma coisa é certa: as Escrituras não são
impulso, sentimento, reflexão do homem; homens (homem como um todo, não sua
boca, língua...) santos foram movidos pelo Espírito Santo.
 Não temos uma informação sobre o mecanismo, mas apenas uma declaração
afirmando que a Escritura não acontece por vontade humana. DEUS é o guardião do
processo, DEUS é quem supervisiona. Então a inspiração garante que as Escrituras
representa o ponto de vista de DEUS e não do homem. Não há, portanto, desvio
daquilo que DEUS intencionou comunicar.
3- Teorias da Inspiração:
1. Inspiração Natural - ensina que o escritor bíblico funcionou mais ou menos como um gênio de
quaisquer outras áreas (música, literatura, etc). Assim, o que os profetas produziram foi o produto
Revelação e Inspiração
deste gênio religioso, naturalmente dotado, como líderes de outras religiões (Buda, Maomé, etc).
2. Inspiração Parcial - Apenas algumas seções das Escrituras necessitaram ser inspiradas, como as
que tratam do caráter de DEUS, salvação...
3. Inspiração Verbal - mecânica, em forma de ditado (oficialmente, ninguém crê nesta forma de
inspiração, mas é uma forte convicção prática de muitos grupos e o comportamento deles indica tal
posição), tudo na Bílis veio ao profeta palavra por palavra.
Esta posição não é nova:
ATENÁGORAS, apologista grego, diz que DEUS usou os escritores bíblicos como o músico usa a
sua flauta; o profeta funciona como a mão de DEUS.
4- A Bíblia e a Inerrância:
O debate sobe a inerrância da Bíblia hoje tem sido considerado tão importante quanto as discussões
cristocêntricas dos 4 primeiros séculos e soteriológicas do séc.XVI.
O assunto tem dividido os teólogos protestantes, e os inerrantistas justificam esta divisão dizendo que
é melhor estar dividido pela verdade do que unido pelo erro. O problema emergiu no fim do século
passado, último 4º do século, num contesto polêmico em face aos formidáveis desafios do
Liberalismo e do Alto Criticismo.
Neste contesto, os teólogos protestantes procuraram elaborar uma defesa da inspiração bíblica e
ninguém fez tal defesa da inspiração com mais exatidão e vigor acadêmico do que os teólogos de
Princeton:
B.B. Warfield e C. Hodge. Uma posição radical foi assumida num artigo publicado em 06/04/1881.
Neste artigo é apresentada uma estratégia de combate ao Liberalismo e à Alta Crítica (quando se
escreve num contexto polêmico, a tendência é radicalizar posições), afirmando que:
1- As Escrituras são plenárias e completamente inspiradas;
2- Inerrante em todas as matérias que ela toca;
3- Verbalmente inspiradas;
4- Nenhum erro pode ser afirmado que não provado ter sido parte do texto original
(autografa).
Neste trabalho encontramos expressões como: “Absolutamente infalível”; “absolutamente sem erros”;
“sem erros de fatos” ou “doutrinas”; “expressão inerrante”; “registro inerrante”; “absolutamente livre
de erro”; “sem erro nas suas palavras”.
Esta situação se tem radicalizado ainda mais.
HAROLD LINDSELL - “Esta palavra é livre de todo erro em sua original autógrafa, ela é
completamente digna de confiança em matéria de história e doutrina. Os autores da Escritura, sob a
liderança do Espírito Santo foram preservados de cometer erro factual, histórico, científico e todos
os outros erros.”
Em cada defesa da inerrância, seus autores a defendem como sendo uma doutrina bíblica, contudo, a
Bíblia não ensina a inerrância; Tal noção é pressuposta ou implicada. Os textos que são usados
justificam apenas que a Bíblia é inspirada.
Inerrância é um conceito que vem através de uma inferência, de um silogismo:
A- Tudo o que DEUS faz é perfeito;
B- DEUS inspirou a Bíblia;
C- Logo, as Escrituras são perfeitas;
Para os mais sofisticados a noção de inerrância é defendida através de uma analogia, analogia
Revelação e Inspiração
cristológica, comparando a não pecaminosidade de Cristo com as Escrituras. Assim como Cristo foi
humano e sem erros, também a Bíblia é humana e sem erros. Para os inerrantistas, inerrância e
inspiração não podem ser separadas.

Crítica à Inerrância:
Isto seria lógico, isto é, que as duas andam juntas, (1)se a Bíblia ensinasse uma doutrina de inspiração
mecânica, mas não é esse o caso. (2)Além do mais, lembremo-nos que um documento sem erro não
garante que ele seja inspirado. É possível escrever um texto em outras ciências absolutamente
perfeito, mas isso não garante que seja inspirado.
(3) Os inerrantistas fazem a autoridade da Bíblia depender de sua completa inerrância
(Teoria do dominó).
Portanto, afirmar que a Bíblia não contém nenhum erro ou nenhum tipo de erro, é noção
baseada num conceito enganador de inspiração, da Bíblia como um super livro, uma
enciclopédia...

Inscrições na Cruz de Cristo


Mat.27:37 - “Este é jesus o Rei dos Judeus”;
Mc.15:26 - “Rei dos Judeus”
Lc.23:58 - “Este é o Rei dos Judeus”
João 19:19 - “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”
I Cor.10:8 - 23.000
Nm.25:9 - 24.000
LINDSELL diz que a Bíblia usa números redondos. Morreram 23.500 - daí um
arredondou para baixo e outro para cima; 23.000 morreram no dia e mais 1000 à
noite.
Lev.11:6 A lebre rumina (do ponto de vista científico, não rumina).
A Bíblia usa a linguagem fenomenológica, como parece ao observador.
Josué diz que o sol parou - do ponto de vista científico, o sol não pode parar; mas aquilo
é o que parecia.
DEUS não nos chama para passar ferro nas rugas da Bíblia, mas para um encontro
experimental com Ele.
Mc.6:8 - “leveis um bordão”
Lc.9:3 - “Não leveis bordão”
Mat.26:34 - “antes que o galo cante”
Mc.14:30 - “Antes que o galo cante duas vezes”.
Tais acrobacias são ridículas e fazem mais danos à Bíblia do que de fato ajudam.
A norma pela qual julgamos o conceito de erro é crucial. Os inerrantes confundem erro em sentido
técnico considerado pelos modernos padrões científicos, com a noção bíblica de erro na Bíblia; erro
tem que ver com enganar, atitude de levar alguém deliberadamente ao erro.
 Então, para garantir uma pressuposição, acabam exigindo da Bíblia precisão
estritamente científica, e os resultados são trágicos, porque acabam exigindo da Bíblia
uma norma mais alta do que a Bíblia pode oferecer.
 Assim, acabam julgando a Bíblia por uma norma extrema. E quando queremos julgar
a Bíblia por normas científicas, acabamos nos desviando do seu propósito central.
Precisão matemática de inerrância pode ser essencial para uma lista telefônica, mas
não para o livro dos Salmos, Provérbios, etc. Mat.27:3-10 - diz ser Jeremias, mas é
uma referência principalmente a Zac.11:13 e a parte menor se encontra em Jer.32:6-9.
Revelação e Inspiração
 E mesmo assim, Mateus usa um princípio de tipologia. Pelas normas modernas,
Mateus está fazendo o que é inaceitável. mas sua preocupação não é ensinar nada
acerca da fonte, ele está usando o V.T. de um modo particular.
E.G. White - “Eu Tomo a Bíblia como ela é...”
A única posição capaz de honrar a Bíblia é a que a toma como ela é, a Palavra de DEUS
nas palavras dos homens.
Então, em vez de discutir o que a Bíblia não faz, ou não é, absolutamente livre de erros, devemos nos
concentrar no aspecto positivo, no que ela ensina, a verdade nos moldes da mentalidade do tempo em
que foi escrita.
DEUS energizou os Seus servos; não anulando sua personalidade, cultura, mas adaptou Sua
mensagem à cultura e elementos pessoais de cada um.
Devemos respeitar a Bíblia como ela é. A antiga forma e estilo da Bíblia, fazem parte da sua
originalidade e autenticidade.
O propósito da Bíblia não é dar informações em matérias científicas, verdades que podem ser
descobertas por nossos próprios esforços. Portanto, essas matérias não são o propósito ou objeto da
revelação.
5- Propósito das Escrituras:
 O problema central da discussão da inerrância, tem que ver como o propósito da
bíblia. Devemos nos guardar de impor à Bíblia conceitos filosoficamente deduzidos,
que são alheios à sua natureza e propósito.
 No presente debate sobre a inerrância há muitos hábeis e sinceros estudantes da
Bíblia, que estão defendendo conceitos humanos, e neste processo, terminam
enfraquecendo a causa que desejam exaltar.
 Devemos nos aproximar da Bíblia em seus próprios termos, e prestamos um
desserviço à Bíblia e à IASD, quando reivindicamos para a Bíblia uma posição mais
elevada do que ela pretende ser, não importa quão alto e nobre seja o nosso ideal.
Os escritores da Bíblia não pensavam em termos helenísticos. Para a mente hebraica, verdade não é
tanto correspondência matemática com a realidade percebida pelo homem, verdade é a
correspondência com o propósito de DEUS, e lendo a Bíblia descobrimos que o seu propósito não é
científico.
8 Te., 201 - “Ele (Cristo) poderia ter feito sugestões em linhas científicas que teriam fornecido
alimento para estímulo e invenção até o fim dos tempos, mas Ele não o fez.”
CRPE, 28 - “O Filho de DEUS possuia as chaves de todo o tesouro da sabedoria, e era capaz de
abrir os depósitos da ciência... fossem eles essenciais à salvação.”
Não devemos esperar da Bíblia declarações científicas precisas; este não é o seu maior propósito.
Lendo a Bíblia, descobrimos que ela é o livro que descreve a história da salvação. Os escritores
bíblicos foram seletivos no que escreveram (50% do Evangelho de João fala de uma semana do
ministério de Jesus Cristo e 50% do Evangelho de Lucas descreve a viagem da Galiléia para
Jerusalém), concentraram o interesse naquilo que era importante para o propósito da salvação. “Foi
escrito para que creiam e, crendo, tenham vida eterna” - João 20:31.
A Bíblia procura das respostas a nossas necessidades e não satisfazer nossas curiosidades. Assim, a
preocupação maior da Bíblia é prover uma porta de escape para a situação do homem.
1 M.E., 20 “ A Bíblia foi dada com propósitos práticos.”
5.1. Propósito Cristológico - “Toda Escritura, disse Jesus, “Testifica de Mim” -
Revelação e Inspiração
João 5:39.
O propósito primário das Escrituras (V.T. e N.T.) é dar testemunho de Jesus.
5.2. Propósito soteriológico - As Escrituras têm o propósito de dar-nos sabedoria
para a salvação - II Tim.3:15.
João 14:6 - “eu Sou o Caminho” - que tipo de caminho? é o caminho que, ao entrar nele, já se sabe
aonde vai chegar: a vida eterna, salvação.
RIDDERBOS - “DEUS nos fala através da Escritura, não com o propósito de tornar-nos eruditos,
mas com o propósito de tornar-nos cristãos.”
Nas Escrituras encontramos informações secundárias em natureza, mas que contribuem para o seu
propósito primário. Assim, a ênfase da Escritura não é em sua inerrância, mas na sua fidedignidade.
Ela deriva sua autoridade por causa dAquele que fala através dela, Aquele que na Sua sabedoria e
condescendência revelou-Se aos homens, e deu a eles o conhecimento do plano da salvação.
 O conhecimento de DEUS é parcial e necessário, não absoluto, mas ainda assim
adequado.
Como sabemos que a Bíblia é adequada e infalível guia para a vida cristã ?
Simplesmente porque seguimos o exemplo de Jesus e dos apóstolos; Jesus sem reservas endossou o
V.T.. Sua atitude foi de total aceitação, nunca questionou nenhum dos pontos. A prova é que o
carimbo final é a atitude de Cristo. Jesus não falou tendo nas mãos um original inerrante
(“autógrafa”).
Paulo não sentia necessidade de dizer que toda Escritura é divinamente inspirada e acrescentar uma
nota de roda-pé, como encontrada nos autógrafos.
Assim, a realidade da Bíblia não depende da capacidade nossa de explicar as suas dificuldades.
Devemos graciosamente aceitar a Palavra de DEUS, sem procurar ajustar, explicar ou dizer a DEUS
como ela deveria ter sido escrita.
Devemos ver uma correspondência entre as Escrituras em geral e seu propósito principal,
comparando a grande quantidade de material de suporte (genealogias, reis, histórias...) que entrou na
composição das Escrituras com o método principal usado por Jesus - PARÁBOLAS.
Jesus usou as parábolas porque este era o método de ensino naquele tempo. A parábola é composta
de muito material de suporte e uma mensagem só. No seu todo, a Bíblia é como uma grande
parábola; há muito material de suporte para uma mensagem central.
Jesus não estava primariamente dirigindo-se à mente do séc. XX com seu background científico
helenístico, embora a verdade que Ele ensinou é eterna e aplica-se a nós; primariamente ela foi
dirigida à mentalidade semítica daquele tempo.

CONCLUSÕES:
1- A escolha da palavra inerrância é infeliz porque não faz justiça ao caráter das
Escrituras. É um conceito estranho, que cria mais problemas do que resolve.
2. Devemos reconhecer que o “como” da revelação não está claramente expresso, detalhado, nas
Escrituras. A combinação da humanidade e divindade, deve ser reconhecido - caráter bipolar.
Como ocorre esta confluência, faz parte deste mistério, e o homem não é chamado a dar
explicações àquilo que DEUS não explicou.
3. A Bíblia é a Palavra infalível de DEUS na vestimenta humana. A revelação de Deus foi dada ao
homem através de conceitos e mensagens humanas; neste processo, o Espírito Santo
acomodou-Se a Si próprio à linguagem e ao modo de pensar do escritor bíblico, entrando na
história e limitações deles. E uma vez que o Espírito inspirou e superintendeu o trabalho deles,
Revelação e Inspiração
a Bíblia é a Palavra de DEUS.
4. Quanto à questão: “tem a Bíblia erros”?, a resposta é “NÃO”, na medida em que nos
lembremos do longo e laborioso processo de como ela veio a nós. Na medida em que
aceitamos os padrões de precisão da época em que foi escrita e nos recusemos a impor sobre
ela padrões externos. Na medida em que estejamos dispostos a abrir espaço para algumas
rugas, fragilidades humanas, dificuldades, que Deus na Sua providência permitiu que fossem
retidos na Bíblia.
5. Não devemos nos esquecer que nesta área de discussão, podemos errar tanto pela direita
(inerrância) quanto pela esquerda (liberalismo). Vencer a Bíblia de tal maneira (bibliolatria) que
fechamos os olhos para a dimensão humana da Bíblia.
6. Como harmonizar as discrepâncias da Bíblia? Algumas delas podem ser harmonizadas pelo
estudo da língua, exegese, método histórico, análise, ver o propósito teológico... Não há mais
alta visão da inspiração do que aquela visão que a Bíblia contém, e este é o meio pelo qual
Deus no-la deu. Qualquer esforço para remover todos os traços da sua humanidade, alisar suas
rugas, é de dato diminuir a noção bíblica de inspiração; se Deus as permitiu é porque na Sua
providência há um propósito para elas.
Deus não nos chamou para aperfeiçoar o que Ele tem feito; Deus é capaz de tomar conta de
Sua Palavra. Ex. UZÁ.
7. Far-nos-ia bem lembrar que a suprema revelação de Deus em Jesus Cristo, a Palavra encarnada,
seguiu o mesmo modelo.
Heb. 2:17 - à semelhança dos irmãos
Isa. 53:2 - sem parecer nem formosura
Não houve nenhuma intenção de Deus na encarnação de Jesus de impressionar o homem com
aparência, ao contrário, a aparência foi velada em Sua humildade.
Lutero falava da Teologia Crucis e da Teologia Gloriae; Deus Se revela pela Teologia Crucis, velado
em Sua humanidade, enquanto que Teologia Gloriae é a teologia dos homens - homem assentado no
trono, querendo parecer Deus.
Assim, a esta manifestação de Deus em humilhação, os sábios na sua sabedoria não puderam
compreender a Jesus, o Seu caráter, a partir dos parâmetros humanos, e eles O julgaram na Sua
aparência exterior, por Sua humilhação e por Sua cruz. Enquanto aqueles que O julgaram pela
aparência viram nEle apenas um impostor, outros a quem Ele foi revelado Ele foi revelado não pela
carne ou sangue, viram nEle o Filho de Deus, o Salvador do mundo. A mesma coisa acontece com as
Escrituras, a outra encarnação...
A intenção e Deus foi impressionar-nos com um super-livro, absolutamente perfeito, capaz de
convencer-nos de cada aspecto, muito pelo contrário, Ele velou Sua Palavra na palavra dos homens;
enquanto muitos a rejeitam em sua simplicidade e roupagem humana, outros têm discernido neste
mesmo Livro, através de sua vestimenta humana, a infalível Palavra de Deus, e estes, curvados a esta
manifestação de Deus, têm-se curvado como o pequeno Samuel: “Fala, Senhor, que o Teu servo
ouve”, ou como Saulo no caminho de damasco: “Que queres que eu faça”?.
7. Perspectiva Bíblica da Inspiração.
Pouco existe na Bíblia que nos ajude a formar uma teoria sobre a Inspiração.
O profeta é integralmente inspirado e sua personalidade é integralmente envolvida.
BERKOWER - Inspiração Orgânica
ASD - Inspiração Dinâmica.
Isto quer dizer que a Inspiração inclui a cultura, língua, profissão, sexo, etc...
II Ped. 1:19-21 - Único texto específico sobre a questão da inspiração (ANTROPOI -
FEROMENOI)
Revelação e Inspiração
A Bíblia não ensina o “como” ou o MODUS OPERANDI da Inspiração, mas ainda assim é
possível formular uma doutrina que se harmonize com os fatos bíblicos que ensinamos.
Se a inspiração fosse verbal, não haveria diferenças de estilo, linguagem, etc. Compare o Grego
de Hebreus com Apocalipse; o Hebraico de Isaías com Amós.
II Tim. 4:12 - Paulo fala de algo particular.
Ex. 4:10,15,16
Ex. 6:28 - 7:2
Nestes textos, Moisés apresenta escusas para não atender ao chamado de Deus. É uma representação
da Inspiração na Bíblia: Moisés é para Arão o que Deus foi para Moisés. Isto não significa que Arão
falou exatamente o que Moisés lhe disse (pois esta foi a desculpa de Moisés, de que sabia falar,
pesado de língua); Moisés deu as idéias, os conceitos, e Arão falou em seu próprio estilo.
Portanto, nestes textos, temos uma representação clara da revelação na Bíblia.

MOISÉS-----------> ARÃO------------> FARAÓ

DEUS-------------> MOISÉS----------> ARÃO


EGW, 1 ME, p. 21 - “Não são as palavras da Bíblia que são inspiradas, mas os homens é que o
foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio homem
que, sob a influência do Espírito Santo é possuído de pensamentos.”
Então, por que tais palavras são a palavra de Deus? Porque Ele é o originador delas. O profeta usa
suas próprias palavras para transmitir o que Deus lhe revelou.
1 ME, 22 - “O Criador de todas as idéias pode impressionar mentes diversas com o mesmo
pensamento, mas cada um pode exprimi-lo por diferentes maneiras, e ao mesmo tempo sem
contradições.”
p. 26 - “Ele (Deus) guiou a mente na escolha do que dizer e do que escrever. ...o testemunho é
transmitido mediante a imperfeita expressão da linguagem humana, e não obstante é o testemunho de
Deus.”
A mensagem da Bíblia inclui a personalidade, a cultura, o ambiente e as imperfeições humanas
também.
Então, qual o significado das palavras?
 As palavras são importantes, porque muitas vezes toda uma questão é resolvida por apenas
uma palavra.
Ezeq. 3:10,11 - Ezeq. 3:16,17 - Na mentalidade semita, colocar a palavra na boca é a certeza de que
o mensageiro irá comunicar a mensagem que lhe é confiada.
1 ME, p. 37 - “Se bem que eu dependa tanto do Espírito do Senhor para escrever minhas visões
(Inspiração) como para recebê-las (Revelação), todavia as palavras que emprego para descrever o
que vi são minhas...” ( ) supridos.
Sal. 110-1 - Mat. 22:45
Sal. 8:4-6 - Heb. 2:6-8
Sal. 22:22 - Heb. 2:11-12
Nos exemplos acima, se anularmos o significado das palavras, teremos problemas.
8. Aspectos Adicionais:
Embora os ASD não creiam na inerrância ou inspiração verbal, num nível prático a Igreja assim
Revelação e Inspiração
age.
Devemos nos lembrar da dimensão humana e divina da Bíblia. Devemos evitar julgar a DEUS
através das palavras da Bíblia.
8.A - Uso de secretários:
Jer. 36 - Baruque secretariou a Jeremias, escrevendo parte da mensagem do profeta.
Gál. 6:11 - Paulo escreveu de próprio punho.
I Cor. 16:21 - Paulo fez uso de secretário.
Rom. 16:22 - Tércio escreveu a carta aos Romanos.
Os secretários, como os próprios autores bíblicos, variam em capacidade.
8.B - Coleção e Edição de Fontes:
Tanto o V.T. quanto o N.T. provêem exemplos de autores inspirados que visitaram as bibliotecas
locais, arquivos reais, para preparar os seus escritos. Espalhados pelas crônicas, encontramos os
registros dos reis.
I Reis 11:41
I Reis 14:19,29
I Reis 15:23
I Reis 16:27
Os livros canônicos não proféticos, foram usados para preparação de livros bíblicos.
Cf. I Crôn. 29:29
II Crôn. 9:29

N.T. - Ver Luc. 1:1-3


8.C - Desenvolvimento de Composições:
Em certo sentido, os Evangelhos, particularmente o de Lucas, são um tipo de compilação sobre a
vida de Cristo. Alguns exemplos claros são encontrados nos livros poéticos e proféticos.
Prov. 25:1 - compilação 200 anos após a morte de Salomão.
Prov. 31:1 - palavras da mãe do rei Lemuel.
O livro de Salmos provavelmente circulou em partes antes de o termos na forma como o
conhecemos hoje.
Jer. 51:64 - “... até aqui as palavras de Jeremias”.
O cap. 52 em diante é uma citação de II Reis 24:18 a 25:30; com esta seção, o copista mostra o
cumprimento das profecias de Jeremias. Sob a orientação do Espírito Santo, os seguidores de
Jeremias reuniram os oráculos, cartas, e organizaram cronologicamente, e adicionaram o cap. 52
como uma confirmação do ministério profético de Jeremias.
8.D - Diferenças de narrativas:
Provavelmente o estudo de passagens paralelas encerram a chave para o nosso conceito de
inspiração. Os Evangelhos no N.T., os livros de Samuel, Reis e Crônicas no V.T. nos provêem
abundantes oportunidades para comparar as mesmas histórias como contadas por diferentes autores.
CPPE, 432 - “As diferenças emergem porque as mentes dos homens são diferentes”.
Em vez de ser uma ameaça à fé, as assim chamadas discrepâncias são o modo de Deus nos alcançar
onde estamos, como os pais, pastores e professores adaptam sua mensagem aos seus ouvintes.
Assim, os escritores adaptaram suas histórias a seus ouvintes.

Exemplos: II Sam. 24:9


Revelação e Inspiração
II Crôn. 21:5
Luc. 9:37-43 - Cura do endemoninhado
Mat. 17:14-21
Mar. 9:14-29
Há diferenças evidentes. Por quê?
Lucas usa a história com um propósito;
Mateus tem outro propósito em vista e
Marcos ainda outro objetivo.
Muitas diferenças da Bíblia se aplicam pelo contexto.
Lucas usa a história para enfatizar a glória de Deus;
Mateus focaliza a falta de fé dos discípulos e
Marcos evidencia a crescente fé do pai.
E.G. White comenta a unidade através da diversidade.
Ver Introdução do Conflito, p. 4
9. Modelos de Inspiração:
Os estudiosos da Bíblia reconhecem que há muito pouco sobre revelação e inspiração; há pouco
sobre o “COMO”.
Encontramos muito sobre o seu propósito - adverte, instrui,...
9.1 - Modelo Profético: Frequentemente pensamos em inspiração e revelação como uma
experiência na qual o indivíduo recebe sonhos e visões . As teofanias exemplificam o modelo
profético.
Jeremias é um claro exemplo do modelo profético - fala do que ouviu.
Ezequiel - fala do que viu.
Isaías - combina os dois sentidos.
Os judeus aplicaram este conceito de inspiração/revelação a todos os outros livros da Bíblia, mesmo
aqueles que não eram diretamente proféticos, e passaram este conceito Igreja cristã, e esta preservou
a tradição.
Muitos ASD assumem que a revelação/inspiração seguiu o modelo profético; crêem que sonhos e
visões estiveram de algum modo envolvidos no processo.
II Ped. 1:19-21 e II Tim. 3:16,17. Estes textos têm sido mal-interpretados. Uma análise dos textos
usados para garantir este conceito garante apenas que as Escrituras foram inspiradas, mas não
garante que foram inspiradas da mesma forma.
A Bíblia reflete outros tipos de inspiração, como a inspiração encontrada nos livros poéticos e de
sabedoria. A lição óbvia a aprender acerca da inspiração/revelação, uma lição a partir da análise
daquilo que foi produzido, é que a inspiração/revelação não é um único modo, apenas uma única
atividade, mas é uma ampla superintendência divina sobre o processo da forma das Escrituras, que é
complexo e amplo.
Há uma tentação de construir uma noção de inspiração/revelação a partir de alguns textos isolados
(Ex. Balaão, Caifás,...).
Devemos nos lembrar que a Bíblia é mais do que profecia. Então, embora o discurso direto divino
seja parte da narrativa, há muitos outros tipos de comunicação, alguns menos direto ou mais
ambíguos. Então, é provavelmente melhor pensar na Inspiração como uma atividade divina
acompanhando a preparação e produção das Escrituras.
Os livros históricos são em sua maioria anônimos e, provavelmente, são o resultado de um grande
números de escribas e historiadores que contribuíram para ele. Neste caso a inspiração parece ser o
Revelação e Inspiração
resultado de um calmo, quieto e longo processo, até que a mensagem chegue a sua forma final.
As Escrituras existem por causa da vontade de Deus e em resultado de Sua intervenção, mas elas
vieram à existência através de muitos dons - profecias, sabedoria, imaginação - que o Espírito Santo
concede e usa segundo o Seu propósito.
O mais importante de tudo que é ensinado nas Escrituras é que elas devem ser ouvidas e atendidas
por causa do seu divino propósito. Cada segmento é inspirado por Deus, embora não do mesmo
modo, e são estas diferenças que habilitam a Bíblia a falar de modo relevante a diferentes pessoas em
diferentes situações.
Convém lembrar que nem todas as partes da Bíblia seguem o modelo profético de inspiração, e.é,
sonhos e visões.
9.B - Modelo de Pesquisa:
Lucas é provavelmente o melhor representante deste modelo. Em seu prólogo, cap. 1:1-4, Lucas
explica como ele escreveu seu Evangelho; ele sugere um modelo que explica que muitos outros livros
da Bíblia não foram compostos a partir de sonhos e visões, ou seguindo o modelo profético.
Luc. 1:1-4 - O que ele diz é importante, mas o que ele não diz também é significante. O seu silêncio é
importante em dois aspectos:
1. Lucas não se refere a sonhos e visões como parte de suas fontes de informação acerca do
magistério de Jesus. Esta omissão é extremamente importante, pois ele fala de outras fontes de
informação, mas não menciona sonhos e visões (certamente ele mencionaria tal fato, se
houvesse ocorrido, pois a Igreja cria nisto, e tal coisa daria mais validade ao seu escrito).
2. Enquanto Lucas identifica um grupo que foi testemunha ocular do ministério de Jesus, ele não
se inclui neste grupo. Se Lucas não foi uma testemunha ocular, e se não recebeu através de
sonhos e visões, então, de onde derivaram suas informações???
2.a. Lucas identifica as testemunhas oculares como uma de duas fontes: apóstolos, discípulos,
pessoas que tiveram contato com Jesus, foram curadas, familiares, etc...
2.b. Sua segunda fonte primária foram os HUPERETAI (ministros da Palavra) - termo que designa
pessoas de grande capacidade retentiva, boa memória, a quem se confiavam memorizar as crenças
para doutrinação de conversos. A memória deles eram confiados sermões, parábolas, milagres de
Jesus.
 Alguns eruditos, com base em Atos 13:5 tem concluído que João Marcos era um
HUPERETAI.
2.c. Do prólogo de Lucas inferimos que os outros evangelistas receberam as informações da mesma
forma, ou mesmas fontes: ou o próprio evangelista foi testemunha ocular ou dependeu de outras
testemunhas.
2.d. Lucas relata Teófilo que ele havia preparado uma “ordenada narrativa” sobre a vida de Jesus.
Contudo, ao se comparar Lucas com Mateus e Marcos, fica claro que ele não fala de ordem
cronológica, pois cada um segue uma ordem diferente; a ordem de que ele fala é TEMÁTICA.
Ajustou seu relato de acordo com seu propósito teológico.
Então, como funciona a inspiração aqui?
1 ME, 26 - “Ele (Deus) guiou a mente na escolha do que dizer e do que escrever”.
Tomando-se em conta a expressão de Lucas (“depois de acurada investigação”) sugere que ele
tinha muito mais informações do que aquilo que registrou, foi seletivo naquilo que usou.
Alguns se sentem desconfortáveis quando se fala do autor bíblico como escritor, pois pensam que
assim dizemos que ele dependeu de sua imaginação. O temor destas pessoas é infundado; alterar a
ordem cronológica não significa diminuir o valor dos eventos ou alterar a base histórica.
Revelação e Inspiração
Citações de E. G. White.
1. “Os livros apresentam as características dos diversos autores.” Intro. G. Conflito, p. 5
2. Sendo escrita por diferentes homens “a Bíblia apresenta um amplo contraste em estilo com uma
diversidade de natureza do assunto revelado.” p. 6
3. “Diferentes formas de expressões são empregados pelos diferentes escritores”. p. 6
4. “Um escritor é mais fortemente com um aspecto do tema; ele capta aquele ponto que mais...
5. “A inspiração não atua nas palavras do homem ou em suas expressões, mas no próprio homem
que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras, porém,
recebem o cunho da mente individual”. 1 ME, 21
6. “O Senhor deu Sua Palavra justamente pela maneira que queria que ela viesse. Deu-a por meio
de diferentes escritores, tendo cada um sua própria individualidade, embora repetindo a mesma
história. Seus testemunhos são trazidos juntos em um só Livro, e são como as expressões em
uma reunião de testemunhos. Eles não dizem as coisas exatamente no mesmo estilo. Cada um
tem uma experiência sua, própria, e essa diversidade amplia e aprofunda o conhecimento que
vem satisfazer as necessidades dos variados espíritos”. 1 ME, 21/22
7. “Os milagres de Cristo não são dados na ordem exata, mas justo segundo ocorriam as
circunstâncias...” p. 20
Não pensemos em Lucas como profeta, tendo sonhos e visões, mas como um investigador, tendo
uma quantidade de material informativo para, a partir daí, sob a orientação do Espírito Santo, usar o
material mais apropriado para alcançar os seus objetivos. Assim, Lucas usa a visita dos pastores (os
marginais de seu tempo) enquanto Mateus usa os magos (que estavam de acordo com a realeza de
Mateus) Lucas sempre mostra Deus convidando os menos prováveis.
Marcos tem 661 versos e destes 606 são encontrados em Mateus e 305 em Lucas.
Mateus tem 1068 versos
Lucas tem 1149 versos;
Ambos tem 235 versos em comum, não encontrados em Marcos.
300 versos de Mateus não são encontrados nos outros evangelistas e 520 versos não se encontram
nos outros.
Ordem das tentações de Jesus - Lucas reverte a ordem das 2 últimas. Ele mostra que em
Jerusalém, o centro da resistência à obra de Jesus, o Salvador começa vencendo.
Lucas não é apenas um escritor; ele é um teólogo. Cada evento de Lucas é uma declaração
teológica.
SUMÁRIO: Numa superficial leitura dos Evangelhos é suficiente para demonstrar que o modelo
profético não é suficiente para explicar o que encontramos nos evangelhos; a conclusão é inescapá-
vel: Estes escritores estão agindo sob modelo de inspiração diferente. Lucas 1:1-4 ajuda-nos a
entender que os autores bíblicos que não receberam sonhos e visões, escreveram sob outro modelo
de inspiração diferente do modelo profético.

VII- FENÔMENO DA ESCRITURAÇÃO


Como um dos resultados do estudo feito até aqui, concluímos que o profeta agiu sob a inspiração de
DEUS, não foi algo simulado, eles mesmos atribuiram a DEUS o que receberam.
O profeta diz isso de maneira clara: “Assim diz o Senhor”. Ele tinha plena consciência desse fato, às
vezes discordava de DEUS (Jer.32:25) - Confrontação de idéias pessoais.
No NT isso é claro, a pregação de Jesus confrontou com as idéias dos apóstolos. Isso leva a concluir
que realmente a mensagem produziu tamanho impacto, que eles renunciaram aos seus conceitos
anteriores e aceitaram aquilo que foi revelado.
Para eles era certo que DEUS havia falado. Isto porque participaram dos concílios de DEUS -
Revelação e Inspiração
Jer.23:18.
A questão específica era: Foi revelação recebida incorporada no livro,,as Escrituras ? Desejou DEUS
que a mensagem por Ele revelada fosse escrita? - Se tornasse uma grafê? Devemos nós reconhecer o
VT e o NT meramente como contendo o registro da história da revelação ? Ou são estes registros a
própria Palavra de DEUS ?
1. Duas abordagens possíveis:
a) Se a revelação é apenas um encontro pessoal, ou meramente como os decisivos atos de DEUS na
história, não toma forma na Escritura.
Neste caso, revelação é algo interior, cujo caráter, personalístico deve ser preservado. Neste caso,
considerar a revelação como escriturada, é absolutizar a tradição humana.
HARNACK - Isso seria uma tentativa de encurralar o Espírito Santo numa caixa.
b) Se, por outro lado, a revelação é um encontro com DEUS e a comunicação de verdades
divinamente reveladas (caráter bipolar) então reconheceremos que DEUS pode muito bem,
encontrar forma num livro, e este fenômeno na escrituração, nos traria uma nova e diferente
percepção da origem das Escrituras.
Então, neste caso, não apenas DEUS teria se revelado em atos e palavras, na revelação através de
Cristo para alcançar a nossa salvação, para atender a necessidade permanente de Seu povo,
colocou isso disponível através do tempo e espaço.
Na medida em que o processo da revelação seja percebido em seus propósitos, não como algo que
ocorreu num discurso ou proclamação, ou ensino, ou tradição para ser relembrado, DEUS
permitiu que a revelação tomasse forma escrita, GRAPHÊ.
Concebendo que DEUS Se revelou aos antigos profetas e falou ao Seu povo através deles,
desejou Ele que essa mensagem ou parte dela fosse escrita? Tem a revelação especial recebido
forma nas Escrituras do VT e NT, ou devemos considerar a Bíblia como uma mera coleção de
testemunhos particulares, ou são eles uma mera coleção de testemunhos colocados em forma
gráfica pelos santos do passado?
2. VT - Concerto - Pacto
O termo “concerto” é a tradução da palavra BERITH, mas em Português ela não tem a profundidade
original e, para entender isso, precisamos ver a Bíblia.
2.1. BERITH - Caráter unilateral.
Quando é usada para descrever concertos humanos, contrato entre duas partes, tem caráter bilateral,
mas quando o concerto é com DEUS, o caráter é unilateral. Do ponto de vista do concerto com
DEUS, é verdade que há um elemento de mutualidade, sentido de que há comunicação de
pensamento de comunhão pessoal entre DEUS e Seu povo, contudo fundamentalmente a noção de
concerto há o ponto de que esse concerto é primário e incondicionalmente um arranjo unilateral; é
um concerto iniciado e efetivado por DEUS. Esse aspecto unilateral da transação é ainda mais
aparente pelo fato de as partes contratuais serem colocada num grande desnível.
Gn.12 - Quando DEUS aparece a Abraão, apresenta-se como Jeová, Aquele que existe por Si
mesmo, e Abraão surge da sombra do anonimato. O concerto com Israel emerge da soberania da livre
vontade de DEUS, em outras palavras, isso significa que DEUS Se oferece sem reservas ao Seu povo
para que ele possa se entregar a Ele. A revelação característica encontra-se na frase: “Eu serei o seu
DEUS e eles serão o Meu povo”. Jer.11:4; 24:7; 30:22; 32:28; Ez.11:20; 14:11; Ex.19:5.
O elemento de responsabilidade recíproca não é estranho ao conceito de concerto no VT, mas
permanece o fato fundamental de que o concerto, tem essa característica unilateral, é iniciativa da
graça divina.
Revelação e Inspiração
2.2. Outro aspecto fundamental do concerto do VT são as suas manifestações de certos
momentos decisivos da história.
a) Concerto com Abraão: Gn.12:1-3; Gn.15.
A revelação desse concerto, não é repetida a cada geração ou a cada pessoa. Em distintivos
momentos esse concerto é novamente revelado.
b) Êxodo - Não é um novo concerto mas acontece em conseqüência do concerto já estabelecido -
Ex.2:24 e 6:4-5.
c) Jeoacaz - II Reis 13:22 e 23.
d) Ainda no NT este concerto está em vigor - Gal.3:23-29.
Então, o povo de DEUS, ao longo de sua história foi chamado a relembrar não somente a
escravidão no Egito (Deut.15:15; 16:3, 12; 24:9), mas também a libertação de DEUS. (Ex.3:3;
Sal.37:11).
É precisamente nesse contexto que temos a ordem divina para escrever, escriturar, para as
gerações futuras, pois o concerto não era revelado a cada geração, portanto os termos deveriam
ser escriturados.
2.a. Após a derrota de Amaleque perante Josué, a ordem divina vem a Moisés. Ex. 17:14.
“Escreve em um livro”. Poucos capítulos depois vemos que Moisés escreveu. Ex.24:4. E ainda
mais tarde Josué escreveu (Jos.24:26). E muitas gerações mais tarde a ordem veio a Isaías.
Isa.30:8.
Em Jeremias, também encontramos a ordem frequentemente: Jer.30:2; 36:2.
Habacuque foi também convidado a escrever. Evidentemente DEUS desejou que um registro fosse
feito em forma escrita.
Várias questões, genealogias (Gn.5:1), crônicas de tempos Jos.10:13; II Sam.1:18; I Sam.10:25; I
Cro.29:29); crônicas dos reis de Israel foram escritas também (Davi: I Cro.27:24; Salomão - I Reis
11:41); além disso foram escritas profecias (Jer.25:13; 30:2; 45:1; Dan.9:2) e muitas outras verdades
reveladas por DEUS foram escritas.
2.b. A palavra escrita como a Palavra do Senhor.
Atentar para a identificação da palavra escrita como sendo a Palavra do Senhor, e a relevância
desta identificação para a doutrina da Revelação e Inspiração.
A expressão “A Palavra do Senhor” é frequentemente usada para introduzir as profecias escritas
do VT.
Ela ocorre especialmente quando o profeta descreve a comunicação vinda de DEUS, como sendo
a “palavra do Senhor” a qual veio.
 Samuel - I Sam.15:10
 Natã - II Sam.7:14; I Cro.17:13
 Gade - II Sam.24:11
 Salomão - I Reis 18:1
 Isaías - II Reis 20:4
Às vezes a expressão é usada para descrever um certo número de mensagens proféticas combinadas
em um livro - Os.1:1; Miq.1:1; Sof.1:1.
O propósito é inequívoco: O Senhor é o único que verdadeiramente pronuncia uma palavra carregada
de poder. Este poderoso instrumento de DEUS é registrado num rolo (Jer.36:2) - Têm um propósito
de ser um meio não menos poderoso para a conversão do que a palavra originalmente falada. A
palavra escrita do profeta não sofre nenhum grau de fossilização. Ela é tão poderosa, ela é tão
completamente inspirada como a palavra originalmente falada.
Portanto, essa palavra escrita é um adequado veículo dos pensamentos de DEUS, tanto quanto sua
Revelação e Inspiração
contrapartida oral, e não é menos direta, com menos poder ou autoridade. Ela continua sendo
martelo, fogo. então, foi a clara ordem divina que os profetas colocassem as mensagens em forma
escrita, o propósito básico desses escritos era perpetuar a mensagem inicialmente falada.
Desejou DEUS que as Escrituras fossem autoritativas para as gerações posteriores? Deu,31:9, 12, 13
- Há significantes fatos no VT que respondem as perguntas formuladas.
Jos.1:7, 8 - O que Josué está dizendo é que aquilo que foi dito por Moisés foi considerado
autoritativo, não apenas para os contemporâneos de Moisés, como também para uma geração após
Moisés.
E a que se devia essa autoridade ? Porque esta palavra era considerada como a Palavra de DEUS
dada a Moisés. Ex.31:12; 7:8; 8:1-5. Então o que foi escrito não foi um corpo de informações,
lendas; Estes escritos foram aceitos como a Palavra de DEUS a Josué, como havia sido a Palavra de
DEUS a Moisés. Estes escritos não perderam a sua força. Quão autoritativas eram estas palavras
para as gerações posteriores ?
Em toda a história de Israel a lei de Moisés foi considerada autoritativa - I Cro.15:1.
I Reis 2:1 - Davi exorta Salomão a fazer segundo o que estava escrito na lei de Moisés.
II Reis 18:1-6 - Ezequias guardou os mandamentos que o Senhor dera a Moisés.
II Cro.25:1-4 - Amazias recebeu ordem para executar os assassinos de seu pai, mas não tocar nas
crianças, de acordo com o que estava escrito na lei de Moisés.
II Cron.33:1-8 - Os repetidos desvios de Israel, apostasia durante o reino dividido, era considerado
mau diante do Senhor, rebelião contra DEUS, segundo o que estava escrito na lei de Moisés.
Nee.1:7, 8; Esd.6:18; Mal.4:4.
O próprio exílio é atribuído a um desvio do que estava escrito na lei de Moisés.
Geração após geração, os israelitas consideraram a lei de Moisés como a escriturada Palavra de
DEUS, e esta mesma dimensão de autoridade caracteriza os outros escritos dos profetas do VT.
Esses profetas foram consistentes em reclamar para sua mensagem a palavra divina, declarando que a
palavra deles era a Palavra de DEUS dirigida aos homens. Isa.1:10; 24:14; II Cron.18:18.
Os próprios profetas foram convocados a colocar sua mensagem “escrita num rolo” - Jer.36:18.
Estes profetas não hesitaram em exigir que às palavras deles fosse dada a mesma obediência que se
dava à Palavra de DEUS registrada o passado (PENTATEUCO). Isa.28:14; 30:12; Jer.8:9; Ez.13:2.
Freqüente e consistentemente identificaram à Palavra deles como sendo autoritativa, a Palavra de
DEUS. Ez.2:3; 8:5; 37:2; Jer.3:6.
Inspirados por DEUS, os escritores bíblicos exigiram obediência. O que eles proibiram não era para
ser feito. Ao lado do livro de moisés os escritos dos profetas foram colocados, e se tornaram parte
das Escrituras, palavra escrita de DEUS. E esta é a visão que temos do VT.
 Consistentemente os livros de Moisés e dos profetas são igualados à autoritativa Palavra de
DEUS.
3. O Testemunho da Igreja no Novo Testamento
Alguém poderia dizer que os escritos do VT eram só para os judeus. Então, nesta caso, as Escrituras
d VT têm um caráter autoritativo para a Igreja Cristã ?
Agora, sob uma nova aliança, deveriam aceitar os escritos do VT ? Como os cristãos primitivos
viram o VT e se relacionaram com ele após a vinda de Cristo, agora que estavam vivendo uma nova
era da revelação?
HEBREUS - ponte entre o pensamento hebraico para o pensamento cristão - JUDAÍSMO -
CRISTIANISMO
Revelação e Inspiração
Livro escrito para judeus convertidos ao Cristianismo, e se perguntavam o que seria colocado em
lugar do serviço, ritual, lei, etc...
Paulo responde que Jesus é melhor:
Cap.1 - Jesus é superior aos anjos;
Cap.2 - Jesus é superior a Moisés;
 Evangelho é melhor que a lei;
 Calvário é melhor que Sinai.
De forma significante, esta carta começa relembrando como DEUS falou no passado, e encontramos
uma identificação das Escrituras do VT no termo “Profetas”.
Existe em Hebreus 35 referências diretas ao VT, tiradas de 11 livros do VT.
Aquilo que é mencionado do VT é claramente identificado como sendo a Palavra de DEUS. A
epístola aos Hebreus confirma um grande número de fatos históricos mencionados no VT - Ex.
Criação, descanso no 7º dia, referência aos heróis (cap.11), Páscoa (11:28), Mar Vermelho (v.29),
Tabernáculo (cap.8), Maná.
O livro não apenas se refere a fatos, mas introduz citações do VT, referindo-se não a autores
humanos, mas a DEUS como o autor.
Heb. 1:1-5.; 7:8-13; 4:4; 4:7
3.a. Paulo, Pedro, Tiago:
Encontramos a mesma ênfase, a mesma abordagem nas epístolas Paulinas, ROMANOS é a mais
sistemática exposição das doutrinas cristãs.
17 vezes aparece em Romanos a expressão “Está Escrito”.
O livro de Romanos está profundamente enraizado no VT, as principais doutrinas são tiradas do
VT.
Cap.3:9-20 -pecado
5:1-21 - Justificação pela fé;
Cap.9-11 - Eleição
15:7-13 - Validade da missão aos gentios.
Aqui os argumentos em detalhe encontraram sua base no VT, fatos e eventos do VT são
registrados em Romanos.
 Circuncisão - 2:25
 Entrega da lei - 2:17 ss
 Adão - 5:14
 Davi - 4:6
 Abraão - 4:1-3, 9, 12; 9:6
 Isaque/Rebeca - 9:10
 Elias - 11:2
Paulo não tem nenhuma dúvida quanto à autenticidade dos eventos e autoridade dos escritos.
Rom.15:4; I Cor.10:11.
Para ele o VT é a Palavra de DEUS. O mesmo acontece com outros autores do NT.
Tiago 5:10 - “...Profetas, os quais falaram em nome do Senhor”.
Pedro - para ele os antigos profetas foram “movidos pelo Espírito” - II Ped.1:19ss
3.b. O Testemunho do Livro de Atos
A mesma posição foi adotada pelos cristãos primitivos como revelado no livro de Atos. DEUS é
descrito como falando pela boca de Davi - Atos 4:25; 1:25; cap.16; 28:25.
As citações do VT neste livro são diretamente atribuídas a DEUS.
 13:34 - Isa.55:3
Revelação e Inspiração
 13:35 - Sal 16:10
 13:47 - Isa.49:6
O evangelho proclamado à Igreja Primitiva foi admitido como tendo sido anunciado por Moisés e os
profetas, os quais tinham predito o messias - Atos 3:22 - e anunciaram o Seu dia - 3:23-24.
Embora Cristo fosse o Senhor deles, as Escrituras preservaram o seu valor autoritativo.
Cerca da metade dos grandes sermões do livro de Atos são extraídos do Velho Testamento. O grande
argumento dos apóstolos diante dos judeus repousou no VT, que era o ponto comum entre eles. Atos
17:2, 3; Atos 28:23.
Isto porque os apóstolos, representando a perspectiva da igreja primitiva, afirmaram sem reservas a
fé nos escritos do V.T.
Atos 24:14 - “... assim eu sirvo ao Deus de nossos pais, acreditando em todas as coisas que estejam
de acordo com a lei e os escritos dos profetas.” Paulo

SUMÁRIO:
V.T. - DEUS DIZ
N.T. - AS ESCRITURAS DIZEM
Gen. 12:1-3 - Gal. 3:8
O Senhor disse As escrituras dizem
Êxodo 19:13-16 - Rom 9:17
O Senhor disse As escrituras dizem
Paulo, treinado nas ciências rabínicas, iguala as Escrituras com o que Deus disse.
3.c - JESUS E O VELHO TESTAMENTO
O testemunho de Jesus é particularmente importante, é crucial, pois se Jesus é o que disse ser, seu
testemunho é vital.
Cristo respeitou as referências aos eventos e registros do V.T. Ele creu em sua historicidade. Os Seus
ensinos estão saturados de referência ao V.T.
Lc. 24:27, 44
João 5:39
Alguns dos mais questionados eventos pela alta crítica, receberam atenção especial do Senhor:
 Criação, Casamento Monogâmico, Dilúvio, Destruição de Sodoma e Gomorra, Destino da
Mulher de Ló, Purificação de Naamã, Jonas.
Cristo frequentemente apelou ao V.T., a Moisés e seu significado literal às palavras. Ele apelou à
profecia de Daniel concernente à destruição de Jerusalém, 40 anos mais tarde. Se Daniel fosse um
indivíduo imaginário, um personagem não real, que significado teria usar sua profecia???
Em sua discussão com os judeus sobre o casamento apelou para Adão e Eva.
Frequentemente Jesus usou a fórmula: “Está Escrito”, mas ainda é válido hoje.
Deut. 6 - Queda de Israel
MT. 4 Jesus, o novo Israel, vence.
Mt 16:21 “...era necessário sofrer...ser morto....”
Jesus estava convencido de as Escrituras são a Palavra de Deus; Era impossível Ele morrer para
cumprir algo que não fosse a Palavra de Deus.
3.d. - USO DO V.T. PELO N.T.
Revelação e Inspiração
Alguns dizem que se os escritores do N.T. tivessem aceito o V.T. como inspirados, eles teriam sido
mais cuidadosos no uso que fizeram.
A depender do critério usado, o N.T. usa no mínimo 228 vezes o V.T. e no máximo 1600 vezes.
O livro de Apocalipse cita mais o V.T. do que o número de textos que possui. Alguém disse existir
pelo menos 2500 referências indiretas ao V.T. no Apocalipse.
Embora se encontre no N.T. 228 referências ao V.T.. apelas 53 textos concordam de forma acurada
com o texto hebraico. Então porque os escritores neo-testamentários não foram mais cuidadosos ao
citar o Velho Testamento?
Esta considerável liberdade na letra e significado leva alguns a objetar que os escritores do N.T. não
tiveram um “alto conceito” pela inspiração do VT.
Duas Objeções:
1. O escritor do N.T. que não cita acuradamente o V.T. não pode tido em “alto preço” a inspiração
do VT.
2. Os escritores que não citaram o VT. cuidadosamente não podem ter sido inspirados pelo Espírito
Santo
A primeira objeção desafia o conceito de inspiração do VT e a segunda desafia o conceito de
inspiração do NT.
RESPOSTA: Pontos a considerar:
1. Os escritores do NT tiveram que traduzir o texto hebraico para o grego ou usar a versão dos
LXX.
Nenhuma tradução pode ser completa e perfeitamente igual ao original, pois ao se traduzir
também se interpreta.
Lembremo-nos que muitas vezes o autor usava o texto de memória. O que é significante notar
é que os escritores do NT usaram em grande medida a LXX e, apesar das imprecisões desta
versão, em nenhum caso eles construíram um erro teológico por causa da versão usada.
2. Os escritores do NT não tinham as mesmas regras para citações como nós as temos hoje. Não
tinham sinais de pontuação, não tinham diferenças entre letras maiúsculas e minúsculas, não
tinham forma de indicar separação de palavras, não tinham aspas para indicar o começo e fim
da citação, não tinham marcas de elipse (...) para mostrar a omissão de palavras, não tinham
colchetes ou parênteses para indicar um comentário editorial (Ef.6:2), não tinham notas de
rodapé para distinguir as diferentes fontes. Eles seguiram as normas aceitas em seus dias,
citaram o VT como qualquer outra fonte, sem qualquer indicação, como era a norma da época.
Ao avaliar o trabalho deles hoje devemos fazê-lo pelas normas vigentes em seus dias e não
pelas nossas.
3. Tradução livre do VT. - Citaram de memória, outras vezes mudaram pronome, sujeito e verbo,
para uma aplicação imediata.
Mt. 13:14
Isa. 6:9,10 João 12:39,40
Atos 28:26,27
Essas eram normas aceitas na época.
4. O novo elemento que veio com Cristo. Os escritores do NT tinham consciência desta
extraordinária verdade que traz uma nova expectativa ao VT. Passaram a olhar todo o VT pelo
prisma do Evangelho.
Revelação e Inspiração
Eles acrescentaram uma dimensão teológica ao significado histórico original. Os profetas não
viveram na plenitude dos tempos. Então, para os escritores do NT não foi apenas o que os escritores
do VT disseram, mas o que DEUS quis dizer através deles. Em outras palavras, o profundo
significado original não foi esgotado no VT, assim a plenitude dos tempos acrescentou uma nova
perspectiva. Não apenas o simples significado histórico, mas o significado final visto sob uma nova
luz que brilha em Cristo.
4- A Escrituração do NT
Como veio o NT à existência ? Temos nós um fenômeno de escrituração no NT ?
A autoridade do NT foi construída sobre a vontade de DEUS.
Jesus, muito antes de ser aceito como Messias, foi aceito como um profeta por Seus discípulos. Após
a ressurreição e pentecostes os cristão primitivos aceitaram e afirmaram as suas convicções sobre o
VT como a revelação de DEUS, fortalecendo a idéia de uma nova revelação em Jesus.
Todo o movimento missionário do Cristianismo primitivo foi profundamente enraizado no
reconhecimento de Jesus como a suprema revelação de DEUS, DEUS feito carne - João 1:14. Algo
novo aconteceu na história.
Gal.1:11, 12.
O NT foi construído sobre o fenômeno da revelação. Paulo diz que seu evangelho lhe foi revelado
por Jesus Cristo.
O Evangelho não é compilação de sentimentos pessoais, não é resultado de reflexão sobre algum
evento.
II Tes. 2:15 - tradições - PARADÓSIS - significa “corpo de ensinos proclamado pelos apóstolos”,
quer de forma oral ou escrita. Esta nova revelação tornou-se a Torah do NT, como caráter autori-
tativo.
I Cor.15:1-3 - O Evangelho proclamado por Paulo tinha por conteúdo a própria pessoa de Jesus.
Os apóstolos esperavam que seus ensinos fossem lidos.
I Tes.5:27 - “conjuro-vos que esta epístola seja lida...”

POR QUÊ ?
Porque eles criam que aquilo que passaram como ensinamento oral ou escrito era reconhecido como
revelação.
Col.4:16 - ler a epístola para a igreja de Laodicéia.
II Tes.3:14 - os próprios limites da comunhão cristã são determinados pela aceitação ou rejeição da
carta. A reação aos escritos foi de aceitação como ao VT - um “Assim diz o senhor”. Sua rejeição
não era a rejeição do homem, mas dAquele que o enviou.
I Cor. 14:37 - “... as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.”
Revelação e Inspiração

DOCUMENTO DE ESTUDO:

REVELAÇÃO-INSPIRAÇÃO & CRIAÇÃO-RECRIAÇÃO

PREPARADO PELA DIVISÃO SUL-AMERICANA - 79-411


79-453 - VOTADO registrar nas atas da UEB o voto DSA 79-411, solicitando-se aos campos que
dêem ampla divulgação a este documento:
 VOTADO registrar os seguintes documentos de estudo preparados pela AG:

CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS
É essencial que a IASD mantenha uma focalização clara sobre as verdades imutáveis que têm
caracterizado sua mensagem e missão únicas a um mundo rebelado contra DEUS. Seguidamente a
administração de nossa Igreja vem recebendo perguntas muito sérias a respeito do que ensinamos em
matéria de temas bíblicos. Quando surgem indicações de que o Senhor nos pode estar levando a uma
compreensão mais completa de alguma verdade bíblica, ou de alguns dos ensinos da Igreja se estão
desviando das verdades das Sagradas Escrituras, é preciso que ela, a Igreja, reexamine e reestude
seus ensinos históricos e os grandes princípios da verdade sobre os quais eles se fundamentam.
Tal atitude tem a maior das importâncias num tempo como o presente, quando os cristãos se
defrontam com pontos de vista novos e até com desvios radicais da ciência e da Teologia, quando
comparados com a “fé que uma vez foi dada aos santos” (S. Judas 3, AA). Talvez não haja setor onde
existam mais conflitos do que aquele que trata da criação da vida e da historicidade dos relatórios do
Gênesis que dizem respeito ao princípio de todas as coisas.
Foi considerado o que acabamos de mencionar, que a direção da Associação Geral se esteve
aconselhando amplamente com respeito àquilo que os ASD compreendem como sendo o que a Bíblia
ensina sobre a validade da revelação especial.
Nestes últimos anos, cientistas, teólogos, administradores, professores e outros estudiosos da Igreja
em todo o mundo se estiveram dedicando a estudos sobre a revelação-inspiração e, como resultado,
Revelação e Inspiração
se fizeram numerosas revisões em textos e chegaram até nós sugestões de origem várias. Tais
esforços se fizeram sem haver quaisquer intenções visando desanimar estudos mais profundos neste
ou em qualquer outro campo doutrinal da Igreja. Desejamos estar sempre com a mente e com o
coração abertos para a verdade, a medida que o Espírito for revelando. A direção da nossa Igreja
sente a necessidade de haver algumas diretrizes que nos auxiliem nos ensinos e na pregação da nossa
mensagem que se enquadrem na estrutura dos antigos marcos milionários e que, ao mesmo tempo,
conservem nossas mentes abertas para verdades que se expandem.
Estamos apresentando estas declarações, visando desfrutar cada vez mais do benefício que nos traz a
influência salutar da Igreja. Apreciaremos a remessa de comentários e sugestões a respeito do
assunto, e pedimos que, por favor, os envie ao Pr. W.Duncan Eva, o Vice-presidente da Associação
Geral1 encarregado de recebê-los.
A Administração da Associação Geral.

A REVELAÇÃO E A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

Introdução
O Cristianismo é uma religião revelada e não produto de qualquer invenção ou desenvolvimentos
humanos. Ele se baseia no conhecimento que DEUS comunicou por meio das Sagradas Escrituras -
os 66 livros do VT e do NT. Para que os seres humanos pudessem conhecer DEUS, o plano da
salvação, sua origem, natureza, destino e responsabilidade, este conhecimento teve de lhes ser
comunicado por revelações da parte de DEUS.

O Conhecimento de DEUS por Meio da Natureza e da História


O caráter de DEUS revelou-se, em parte, por meio das Suas obras criadas1. Contudo, Adão e Eva,
mesmo antes da queda, precisavam ser ensinados pelo seu Criador para que O pudessem compreen-
der adequadamente. Como resultada da queda, minguou a capacidade mental dos seres humanos e
perverteu-se sua compreensão. Por isso tornaram-se eles incapazes de, sem um auxílio sobrenatural,
interpretar corretamente o mundo natural que foi também distorcido pelo pecado. Foi por causa disso
que DEUS, por meio das Sagradas Escrituras, forneceu as bases e os recursos para se fazer uma
interpretação correta da origem, do propósito e da natureza das Suas obras criadas e das respectivas
histórias.
DEUS Se revela aos seres humanos, participando também das suas atividades. Ele está operando
continuamente na História e, em certas ocasiões, intervém de maneira poderosa para levar avante
Seus propósitos, assim como fez quando libertou Israel do cativeiro egípcio2. Contudo, o descobri-
mento e a interpretação dos atos de DEUS na história não foram deixados ao léu da capacidade e dos
pontos de vista humanos. DEUS não somente agiu, mas também falou. Por meio da revelação e da
inspiração, desdobrou Ele graciosamente na Bíblia, o significado dos Seus atos. Sem esta
comunicação, estes atos poderiam passar despercebidos e serem totalmente mal interpretados. Por
exemplo 15:3, exprime tanto um ato da Sua parte como o significado que este ato tem para nós.

DEUS revelado na Encarnação


Foi por intermédio de Cristo que DEUS providenciou a suprema revelação de Si mesmo para a
humanidade. O Filho de DEUS, por meio da Sua vida santa e dos seus ensinos, apresentou verdades
a respeito de DEUS que não poderiam ser aprendidas de qualquer outra maneira3. Desta revelação,
dizem as Escrituras que, “Havendo DEUS, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos
1
Logicamente os nomes e planos citados são da época em
que o documento foi produzido e não de agora, 1996.
Revelação e Inspiração
pais, pelos profetas, nestes últimos dias falou-nos pelo Filho” (Heb.1:1).
A vida de Cristo aqui na Terra deu um testemunho a respeito de DEUS que não seria possível
descrever com palavras. Considerando, porém, o fato que apenas um número relativamente pequeno
de seres humanos ter visto Jesus, os escritores do NT foram inspirados pelo Espírito Santo para
registrarem acontecimentos e o significado da Sua vida, visando conservá-la para a posteridade.

DEUS revelado por Meio de Mensageiros e Escritos Inspirados


Os seres humanos precisam mais do que um conhecimento distorcido e inadequado de DEUS, de si
próprios e das origens do mundo físico, que é o que podem obter por intermédio da natureza e da
História. Antes da sua queda, quando Adão e Eva se comunicavam face à face com DEUS, Este lhes
ensinava pessoalmente muitas coisas.
Contudo, quando se rebelaram contra Ele, esta comunicação direta cessou.
Desde então, a Divindade passou a fazer revelações especiais para pessoas que chamamos
comumente de profetas. O Espírito Santo orientou estes profetas para que escrevessem muitas destas
suas revelações, mas nem todos foram preservados. Aquelas, porém, que DEUS desejava comunicar
a todos os povos, foram agrupadas, mais tarde, nas Escrituras Sagradas. 4
DEUS revelou Sua vontade e a Si mesmo aos profetas por meio de pensamentos, sonhos, visões e
por meio de anjos que, às vezes, davam orientações explícitas ao homem, palavra por palavra. Houve
ocasiões em que os profetas foram guiados pelo Espírito Santo para escolherem e registrarem fatos
significativos e úteis para o povo, e recebiam as interpretações que se faziam necessárias para que os
homens ficassem esclarecidos e orientados. Por vezes, estes profetas foram divinamente orientados
para incluir algum material já escrito anteriormente e que era de importância para suas mensagens.5
Os profetas receberam revelações a respeito dos mistérios de DEUS e foram orientados pelo Espírito
Santo para registrá-los em benefício da humanidade6. Por vezes, enquanto meditavam nas revelações
passadas, as estudavam e procuravam compreender a vontade de DEUS, o Espírito Santo produzia
impressões vívidas nas suas mentes. contudo, enquanto escreviam, dependiam sempre da direção
única e direta do Espírito Santo.
Os ASD reconhecem, portanto, que a Bíblia surgiu em resultado duma atividade divina por
intermédio da qual DEUS Se revelou especialmente por agentes Seus, devidamente escolhidos.
Comunicou-lhes conhecimentos a respeito de Si mesmo, da Sua vontade, do mundo e do universo, e
lhes deu as bases e os meios para compreendê-los. DEUS inspirou estes homens para que pudessem
receber e comunicar Sua revelação acurada e autorizadamente.
Desta maneira, a revelação tem que ver tanto com o conteúdo da verdade como com o seu
desvendamento para o agente humano. A inspiração se preocupa com a comunicação da verdade de
uma maneira segura e fiel. Ela é o método que DEUS usa para dirigir as mentes e pensamentos dos
seres humanos quando, para benefício dos outros, lhes comunicar Sua revelação oralmente ou por
escrito. Para Isaías DEUS disse: “Vai, pois, escreve isso numa tabuinha perante eles, escreve-o num
livro, para que fique registrado para os dias vindouros, para sempre, perpetuamente” (Isa.30:8). Para
João, disse: “Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras” (Apoc.21:5).
Contudo, a revelação e a inspiração são elementos de um único processo. É possível fazer uma
distinção teórica entre ambas, mas elas nem sempre são experiências separadas e sucessivas. A Bíblia
chama os resultados da revelação-inspiração de “oráculos de DEUS” 7, “Escrituras” 8 e “Palavra de
DEUS” 9. DEUS nos fala da Bíblia tão seguramente como se estivéssemos ouvindo Sua própria voz.
Paulo escreveu o seguinte a respeito da palavra inspirada: “Outra razão temos nós para
incessantemente dar graças a DEUS; é que, tendo vós recebido a palavra que nos ouvistes, que é de
DEUS, acolhestes não como palavra de homens, e, sim, como em verdade é, a Palavra de DEUS, a
Revelação e Inspiração
qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes”. (I Tes.2:13).
A revelação-inspiração é, antes de tudo, o meio que DEUS usa para confrontar os seres humanos
com Ele mesmo. É o método que usa para comunicar o conhecimento e a verdade, e resulta, sempre,
numa mensagem inspirada. O produto da revelação-Inspiração são a Bíblia e os efeitos
transformadores que ela produz na vida pessoal do homem. As seguintes palavras de S.Paulo
declaram a origem divina da Bíblia e o caráter excepcional que possui: “Toda Escritura é inspirada
por DEUS e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (II
Tim.3:16).
A palavra de DEUS tal como foi dada aos Seus apóstolos e profetas, é incomparável. Pedro, o
apóstolo, afirmou “que nenhuma profecia da Escritura provém de particular interpretação; porque
nunca, jamais, qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos falaram da
arte de DEUS, movidos pelo Espírito Santo” (II Ped.1:20-21). Portanto, os escritos dos mensageiros
inspirados de DEUS não são produtos de desajudados da revelação divina e da direção e controle
que o Espírito Santo exerceu sobre a energia mental e os discernimento dos profetas, aliados à
cooperação que deram e à participação que tiveram na escolha da linguagem usada.
DEUS inspirou os escritores das Sagradas Escrituras com idéias e com conceitos. Ele não ditou Sua
mensagem palavra por palavra, exceto em certas ocasiões, quando Ele mesmo, ou um anjo Seu falou,
ou quando os profetas ouviram alguma voz. Às vezes, nem o profeta entendia completamente o
significado daquilo que o Espírito Santo lhe inspirava para escrever (Cr. I Ped.1:10-11).
“Mas a Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta
uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era Filho de
DEU e Filho do homem. Assim, é verdade com relação a Escritura, como o foi em relação a Cristo,
que ‘o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’ (João 1:14)”10.
“A Bíblia é escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e exprimir-se de DEUS.
Esta é da humanidade. DEUS, como escritor, não Se acha representado... Os escritores da Bíblia
foram os instrumentos de DEUS, não Sua pensa... Não são as palavras da bíblia que são inspiradas,
mas os homens é que o foram. A inspiração não atua nas palavras do homem ou nas expressões, mas
no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. As palavras,
porém, recebem cunho de mente individual... A mente divina, bem como a Sua vontade, é combinada
com a mente e a vontade humanas; assim, as declarações do homem são a Palavra de DEUS”. 11
“A Escritura Sagrada aponta a DEUS como seu autor, no entanto, foi escrita por mãos humanas e, no
variado estilo dos seus diferentes livros, apresenta as características dos diversos escritores. As
verdades reveladas são dadas por inspiração de DEUS (II Tim.3:18); acham-se, contudo, expressas
em palavras de homens.”12
“Os escritores da Bíblia tiveram de exprimir suas idéias em linguagem humana” 13. Eles foram guiados
pelo Espírito Santo na escolha dos conceitos e dos fatos que deveriam comprovar esses conceitos.
Receberam a assistência do Espírito Santo ao registrarem a revelação de DEUS, mas o fizeram em
palavras que refletem sua própria personalidade, seus talentos, experiência e cultura. A tarefa que lhes
cabia era a do expressar “idéias infinitas” através de “finitos veículos”14. Disto resultou uma grande
variedade de estilo literário que, unida à ênfase especial dada pela personalidade e experiência dos
escritores aos detalhes e aos conceitos, enriqueceu sobremaneira a Palavra.
Os detalhes de alguns acontecimentos foram vistos de maneiras diferentes pelos vários escritores
inspirados e, ocasionalmente, seus registros podem parecer discordantes. Estas diferenças
relativamente pequenas e que aparecem em detalhes apresentados pelas Escrituras, não afetam, de
maneira alguma, o empuxo da mensagem que o Senhor quis comunicar por meio dos testemunhos
dados por estes mensageiros inspirados. Em conexão com isso, E.G. White afirma o seguinte: “Vi,
Revelação e Inspiração
porém, que a Palavra de DEUS, como um todo, é uma cadeia perfeita, prendendo-se uma parte à
outra, e explicando-se mutuamente. Os verdadeiros inquisidores da verdade não devem errar” 15. É
bom lembrar que tais dificuldades aparentes da Escritura podem resultar das imperfeições que
existem na compreensão humana16 e da falta de conhecimento das circunstâncias prevalecentes17.
Algumas destas dificuldades podem ser resolvidas por meio de pesquisas e descobertas posteriores,
enquanto que outras apenas serão compreendidas e resolvidas na vida futura. Precisamos, porém,
precaver-nos de julgar a Escritura. “Homem algum pode aperfeiçoar a Bíblia, sugerindo o que o
Senhor queria dizer ou devia ter dito”18. Jesus confirmou a segurança e fidedignidade do VT com
estas palavras: “A Escritura não pode ser anulada” (João 10:35 AA).
O apóstolo Paulo estava consciente de que falava com autoridade do Senhor e que suas cartas
inspiradas afetariam os limites do companheirismo cristão: “Caso alguém não preste obediência à
nossa palavra dada por esta epístola, notai-o não vos associeis com ele’ (II Tes.3:14). O que Paulo
escrevia eram instruções do Senhor: “Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconhece ser
mandamento do Senhor o que vos escrevo” (I Cor.14:37).

Autoridade, Propósito e Uso dos Escritos Inspirados


Reconhecemos que a redenção é o maior propósito da Escritura produzida pelo processo da
revelação-inspiração. Ver II Tim.3:15. Consequentemente, a Bíblia deve ser aceita e obedecida por
todos os cristãos verdadeiros. “Em Sua Palavra DEUS deu para os homens o conhecimento
necessário para a salvação. As Sagradas Escrituras devem ser aceitas como uma revelação autorizada
e infalível da Sua vontade. Devem ser o padrão do caráter, o revelador das doutrinas e a prova da
experiência.”19
Muitas vezes os autores da Escritura apresentam seu testemunho dentro duma estrutura que
transcreve fenômenos naturais e que registra acontecimentos históricos, inclusive declarações proféti-
cas, mas em todos estes casos, o ensino da Bíblia é claro e fidedigno quando for lido dentro do seu
contexto e tomado como todo.
Os Adventista do Sétimo Dia aceitam a Bíblia toda e crêem que ela não somente contém a Palavra de
Deus, mas que ela toda é a Palavra de Deus.
A Bíblia apresenta o fundamento básico sobre o qual o cristão estrutura sua filosofia de vida, sua vida
pessoal, sua vocação e seus estudos e faz reflexões em torno do mundo que o cerca. Ela fornece a
estrutura que permite compreender corretamente a origem e natureza contingente da Matéria, a
origem, propósito e essência dos seres humanos, o arcabouço de tempo dos começos da vida, e a
natureza e o propósito da sociedade humana e da história.20
O fenômeno da revelação divina representa um esforço que DEUS fez para Se revelar aos seres
humanos, tendo em vista uma resposta de amor, adoração e serviço. A Bíblia revela DEUS Pai, o
Filho e o Espírito Santo.
Da sua parte, cabe ao homem estudar a Bíblia com diligência, no contexto da Escritura21, dando a
devida consideração, no contexto da Escritura, para o significado normal das frases e para o contexto
gramatical e histórico das passagens que estiverem sendo estudadas. Fazendo um tal estudo, os
crentes buscam o auxílio do Espírito Santo, por cujo intermédio a Palavra lhes foi dada, e podem
contar com Ele.
Para expressar as verdades sagradas, os escritores da Bíblia usaram tanto a poesia como a prosa.
Algumas partes da Palavra de DEUS são proféticas, outras históricas e outras, ainda são parábolas
que ministram lições. O estudante cuidadoso, quando busca o significado duma passagem, toma em
consideração toda esta variedade de estilo e linguagem. Deve ele notar que, quando a Bíblia faz
referência a tempos e lugares específicos22, é preciso que os examine cuidadosamente para chegar aos
Revelação e Inspiração
princípios gerais que devem ser aplicados àqueles tempos e àquelas circunstâncias.
Os que pesquisam a Bíblia desta maneira, guiados pelo Espírito Santo que inspirou a Palavra, serão
galardoados ricamente à medida que forem desfrutando o companheirismo de seu criador. Sem esta
direção do Espírito de DEUS, ninguém pode distinguir corretamente a verdade de erro, traçar ade-
quadamente a operação da Providência na História, interpretar corretamente a Natureza, ou compre-
ender e aceitar as mensagens da Escritura23.
Jesus ensinou a Nicodemos que a maneira exata usada pelo Espírito Santo para influenciar a mente
humana é um mistério profundo24. Para compreender como o Espírito opera, nada mais é necessário
do que abrir a mente à Sua direção. Agindo desta maneira, o estudo da Bíblia resulta numa comu-nh-
ão vivificadora com DEUS e não apenas na acumulação de conhecimentos teológicos.
Embora o cânon da Escritura Sagrada esteja encerrado, a revelação profética a revelação profética
não parou com o NT, e embora o dom de Profecia não se tenha manifestado em todos os tempos, foi,
contudo, manifestado na Igreja Remanescente.
Resumindo, para manifestar Sua vontade aos homens, DEUS, durante muitos séculos, usou de
maneiras diversas e de grande variedade de pessoas. “Porque agora vemos como um espelho,
obscuramente... agora conheço em parte...” 25, escreveu o apóstolo. Mas o que foi revelado, isto nós
sabemos, porque DEUS no-lo revelou por meio do Seu Espírito. 26

Referências e Citações
1. Romanos 1:19, 20; Salmos 19:1-4;
2. Nos anais da história humana o crescimento das nações, o levantamento e a queda de impérios,
aparecem como desempenho da vontade e façanhas do homem. O desenvolver dos aconteci-
mentos em grande parte parece determinar-se por seu poder, ambição ou capricho. Na Palavra de
DEUS, porém, afasta-se a cortina, e contemplamos ao fundo, em cima, e em toda marcha e contra
marcha dos interesses, poderio e paixões humanas, a força de um Ser todo-misericordioso a
executar, silenciosamente, pacientemente, os conselhos de Sua própria vontade.” - E.G. White,
Educação, p.173.
3. João 14:8-11
4. João 20:31; Josué 10:13, II Sam. 1:18; II Sam. 1:18; I Crôn. 29:29; II Crôn. 9:26 2 26:22
5. Judas 14,15; Lucas 1:1-4
6. Isaías 30:8
7. Rom. 3:2
8. João 5:39; Rom. 1:2
9. I Tess. 2:13, Rom. 9:6; I Ped. 1:23; II Cor. 4:2.
10. Grande Conflito, p. 9
11. Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 21
12. O Grande Conflito, p. 9
13. Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 19
14. Idem, p. 22
15. Primeiros Escritos, p. 221
16. Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 19
17. Educação, p. 171
18. Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 16
19. Mas Deus terá sobre a terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia só como norma de
todas as doutrinas e base de todas as reformas... Antes de aceitar qualquer doutrina ou preceito,
devemos pedir em seu apoio um claro ‘Assim diz o Senhor’. - O Grande Conflito, p. 594.
20. “Sua Palavra é dada para nossa instrução; nada há nela que seja falho ou de molde a orientar
mal. A Bíblia não é dada para ser provada pelas idéias humanas quanto a ciência, mas a ciência
Revelação e Inspiração
deve ser submetida à prova da infalível norma” Conselho dos Professores, p. 383.
21. Baseando-se nisso, o método para se estudar a escritura deve estar de acordo com a natureza
da Escritura e se desenvolver também de acordo com ela. “As dificuldades encontradas nas
Escrituras jamais podem ser dominada pelos mesmos métodos que se empregam em se tratando de
problemas filosóficos. O Grande Conflito, p. 598.
22. Deut. 22:6-8; Núm. 5:11-31; Col. 3:22-25; I Cor. 14:34,35.
23. I Cor. 12:3; João 3:3; Sal. 107:43; Parábolas de Jesus, p. 113,408/9 Caminho a Cristo (edição
de bolso), p. 86,92: O Desejado de todas as Nações, edição de 1978, p. 94.
24. João 3:8; Testemunhos Seletos, Vol. I, pág. 582-584.
25. I Cor. 13:12
26. I Cor. 2:10,13.
COMO OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA COMPREENDEM A CRIAÇÃO E A
RECRIAÇÃO
1. Os adventistas do sétimo dia crêem que a Bíblia é a revelação inspirada, digna de confiança e
autorizada para a humanidade. Portanto, cremos: que “no princípio criou Deus os céus e a Terra”
(1); que, como Criador de todas as coisas, Deus transcende a Natureza, a história e as civilizações
humanas; que todo relatório do Gênesis sobre a obra da criação(2) é uma história curta, mas
essencial e real da origem do planeta Terra e de toda a vida que nela existe; que o Gênesis contém
o verdadeiro relato da queda do homem no pecado da história primitiva da raça humana e do
dilúvio mundial de Noé(3); que a Bíblia fornece a estrutura dentro da qual, como seres humanos,
podemos compreender o universo(4); que a Bíblia e a Natureza se esclarecem mutuamente(5),
mas que a Natureza é um livro secundário que revela Deus(6) somente quando for lido e
interpretado pela palavra escrita.
2. Aceitamos a estrutura do tempo apresentada pela Bíblia e que indica claramente uma história curta
da vida e da raça humana sobre a terra.(7).
3. Aceitamos a afirmação de que “a Terra... era sem forma e vazia”(8) quando Deus a trouxe para a
existência; e que Ele criou todos os seres vivos que nela existem e todas as circunstâncias
adjacentes durante os seis dias literais e consecutivos da criação. Cremos, portanto, que a
existência de fósseis na terra pode ser explicado como sendo um registro das formas criadas da
vida e dos seus descendentes, podendo estes apresentar modificações limitadas quando
comparadas com seus tipos originais. Não os consideramos como sendo resultado dum
desenvolvimento gradual e contínuo do que é vivo, a partir dos seus começos mais simples, nem
como sendo resultado de quaisquer tipos de criações sucessivas em vastos períodos de tempo.
4. A mensagem central do relatório da Criação tal como está em Gênesis 1:1-2:25 é que Deus é
criador de todas as coisas, que foi assim que Ele criou o homem e que Sua criação teve lugar no
tempo ali registrado. Nós mantemos este ponto de vista em oposição aos que atribuem todos os
fenômenos naturais a processos inerentes a Natureza, ou que apresentam Deus como sendo
apenas o iniciador das coisas num passado distante. A Bíblia é o registro divino e a interpretação
do envolvimento contínuo de Deus na Sua criação deste planeta, especialmente no que diz
respeito aos seres humanos. O propósito de Deus para estabelecer e manter uma ligação pessoal
com Sua criação está claramente apresentado na Bíblia, no relacionamento inicial dEle com os
seres humanos mediante o procedimento paciente que vem mantendo com eles desde sua queda.
(9).
A Bíblia liga a criação diretamente com o sábado do sétimo dia que foi instituído pelo próprio
Criador no fim da semana literal da criação como memorial de Sua obra criadora(10). Deus
ordena a fiel observância deste dia não só por servir de lembrança contínua do Criador e da
semana da criação, mas também porque leva o homem criado a reconhecer que depende do seu
criador e a reconhecer o poder redentor e recriador de Deus em todas as épocas. O sábado aponta
também para o futuro, para a restauração da perfeição edênica(11).
Revelação e Inspiração
6. Portanto, o relatório que o Gênesis faz da criação deve ser visto na relação essencial que mantém
com a natureza do homem e com o plano divino feito para sua salvação. O homem foi o único ser
que Deus criou à Sua própria imagem e que é capaz de manter um companheirismo com Ele. O
acontecimento histórico do pecado no Éden, quando a obediência e fidelidade que pertenciam
somente ao criador foram entregues a Satanás, quebrou a relação harmoniosa que existia entre
Deus e o homem. Esta primeira entrada do pecado com seus efeitos degeneradores e desastrosos
sobre o resto da criação de Deus na Terra não podendo nos avaliar sua extensão. Assim embora o
plano, a ordem e a beleza da Natureza ainda apresenta evidências da mão amorosa de Deus, tudo
está obscurecido pelo mal que introduziu, degenerando o que outrora era belo e perfeito(13), e
pelos efeitos do pecado. Portanto, é apenas por meio de uma revelação especial e com a ajuda do
Espírito Santo que os seres humanos podem interpretar corretamente a mensagem da Natureza em
sua relações com a origem do nosso mundo e com o caráter do seu Criador. (14)
7. O ensino bíblico da criação e da queda da raça humana é, essencialmente para que possamos
compreender o evangelho. Cremos no ensino bíblico de que o homem pode ser resgatado do
pecado e restaurado em seu companheirismo com Deus apenas por meio da expiação substitutiva
de Cristo(15). Nossa salvação depende de Cristo e do Seu contínuo ministério da reconciliação
(16). À Sua volta, seguir-se-ão a restauração completa da imagem de Deus no homem, a
erradicação final do pecado no Universo e a restauração do Planeta Terra, fazendo-a voltar às
condições perfeitas que existiam no fim da semana da Criação.

Referências e Citações:
(1) Gên. 1:1; João 1:1-3,14; 8:58; Col. 1:15-17; Efésios 3:9; Hebreus 1:1-3, etc.
(2) Gên. 1:1-2:25. Ver Medical Ministry, p. 89, Testemunhos para Ministros, p. 135,136;
Testimonies, Vol. 8, p. 258.
(3) Gên. 3:11
(4) Gên. 1:16; Isáias 40:26; 45:12; Sal. 33:6; 147:4; Jó 38:31,32; Hebreus 1:2; Col. 1:16; João
1:3, etc.
(5) Ver Patriarcas e Profetas, p. 40,41; Educação, p. 128.
(6) Rom.1:19 e 20;
(7) Gn.5; 7:6, 11; 11:10-24, 32; 12:40 e 41; I Reis 6:1 - Em numerosas citações, EGW - que a
IASD crê ter sido inspirada por DEUS - apóia também fortemente a cronologia curta. Ver, por
exemplo, os capítulos intitulados “A Semana Literal” (cap.9) de Patriarcas e Profetas e “A Ciência
e a Bíblia” (p.128) de Educação, ver também O Grande Conflito, pp.653, 6656 e 670: Conselhos
sobre Saúde, p.19, Testimonies, vol III, p.492.
Para uma discussão mais ampla sobre o assunto, ver The SDA Bible Commentary, vol I, Edição de
1953, pp. 51-54; 207, 221.
(8) Gn. 1:2
(9) Gn.3:15; 12:2 e 3; Isa. 9:6 e 7; 53:1-6, etc.
(10) Gn 2:1-3; Ex.20:8-11. Ver também, Patriarcas e Profetas, p.348; O Grande Conflito, p.455.
(11) Heb.4:9-11. Ver também Ex 31:17, 15; Eze.20:12, 20;
(12) Rom.5:12, 17, 19, etc; I Cor. 15:22, etc.
(13) Ver, por exemplo Mensagens Escolhidas, Vol II, p.288.
(14) Rom.1:18-21. Ver também Educação, pp. 26, 27, 17, 128, 129, 134, etc.
(15) Rom.4:25; 5:8-10; I Cor.15:3, 4, 17, 22, etc
(16) At.3:19-21; I João 2:1-2; Heb.4:14, 15; 6:19, 20; 8:1, 2; 9:23, 24.
Revelação e Inspiração

SEMINÁRIO ADVENTISTA LATINO AMERICANO DE TEOLOGIA

INSTITUTO ADVENTISTA DE ENSINO DO NORDESTE

OS ERROS DA BÍBLIA

Uma monografia
Apresentada em Cumprimento Parcial
Às Exigências do
Mestrado em Teologia
Revelação e Inspiração

Por
Walvetrude Andrade
Setembro 1996

INTRODUÇÃO
A simples indagação: “Há erros na Bíblia?” É capaz
por si só de suscitar preconceitos negativos em relação ao tema. Contudo o estudioso diligente,
apesar de reconhecer erros/discrepâncias/equívocos, nas Sagradas Escrituras não poderá jamais
esquecer que o Senhor tem tido participação tanto no seu processo de produção como no de
preservação.
Este Livro Sagrado tem resistido aos assaltos de Satanás, que se tem unido com homens maus
para envolverem em números e escuridão tudo quanto é de caráter divino. O Senhor, porém, tem
guardado este Livro em sua forma atual mediante o miraculoso poder dEle - uma carta ou guia
para a família humana a fim de mostrar-lhe o caminho do Céu.1 (grifo nosso).
No procedimento de estudo seja ele devocional ou acadêmico deve manifestar pressuposições
favoráveis.

Aqueles, porém, cujo coração se acha em harmonia com


a verdade e o dever, investigarão as Escrituras com o coração preparado para receber impressões
divinas. A alma iluminada vê unidade espiritual, um grande fio de ouro através do todo, mas
requer paciência, reflexão e oração rastrear o áureo fio precioso. 2 (grifo nosso).
Note-se que no texto acima, a ênfase recai sobre a unidade espiritual.
A presente pesquisa tem por objetivo, seguindo os parâmetros expostos, não apenas apresentar
exemplos de ocorrências de erros/discrepâncias/equívocos, como as diferentes abordagens ao
tema, tanto do ponto de vista liberal, neo-ortodoxo e evangélico, católico, e traçar um panorama
dentro do ambiente adventista, no qual a relevância do assunto cresce devido ao relacionamento
estreito entre as Escrituras e os escritos de Ellen G. White.

1
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 15
2
Ibidem, p. 20
Revelação e Inspiração

CAPÍTULO I

OS ERROS DA BÍBLIA
Revelação e Inspiração
Surpreende a alguns descobrir que nas Escrituras
Sagradas ocorrem erros/discrepâncias/equívocos. Comentando sobre tais ocorrências, E. G. White
afirma:
Alguns nos olham seriamente e dizem: “Não acha que deve ter havido algum erro nos
copistas ou da parte dos tradutores.” Tudo isso é provável, e a mente que for tão estreita que
hesite e tropece nessa possibilidade ou probabilidade, estaria igualmente pronta a tropeçar
1
nos mistérios da Palavra de Deus.
Nenhum deles afeta o direcionamento da Igreja, nem
tão pouco, a salvação individual, ou a pureza doutrinária,
contudo, existem e há a necessidade de se lidar com eles
franca e honestamente. Veja-se exemplos de tais ocorrências:

I. No Velho Testamento

1. As baixas causadas por Davi na guerra:

(1) 40.000 homens de cavalaria (II Samuel 10:18)


(2) 40.000 homens de infantaria (I Crônicas 19:18)

2. Praga em Baal-Peror/Sitim:

(1) 24.000 morreram (Números 25:9)


(2) 32.000 morreram (I Coríntios 10:8)

3. Número de estrebarias dos cavalos de Salomão:

(1) 40.000 (I Reis 4:26)


(2) 4.000 (II Crônicas 9:25)

4. Idade de Acazias quando chegou ao trono:

(1) 22 anos (II Reis 8:26)


(2) 42 anos (II Crônicas 22:2) (obs: Esse texto,

na Versão Almeida Revista e Atualizada, já apresenta a idade


de 22 anos, ao contrário da Versão Revista e Corrigida).

5. Posição cronológica de Davi na lista dos filhos de Jessé:

(1) Oitavo filho (I Samuel 16:10 e 11)


(2) Sétimo filho (I Crônicas 2:15)

1
E. G. White, Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 16
Revelação e Inspiração

6. Quem incitou Davi a realizar o censo:

(1) O relatório de Samuel credita ao Senhor (2

Sam. 24:1)

(2) O relatório de Crônicas credita à Satanás (I Crôn. 21:1)

7. O total do recenseamento feito por Davi:


(1) O livro de Samuel relata 800.000 homens para Israel e 500.000 para Judá (2 Sam. 24:9)
(2) O livro de Crônicas informa que havia 1.100.
000 em Israel e 470.000 em Judá (I Crôn. 21:5)

8. O lugar onde estava o Anjo do Senhor:


(1) No livro de Samuel, junto à eira de Araúna, o Jebuseu. (24:16).
(2) Em Crônicas junto à eira de Ornã, o Jebuseu (I Crôn. 21:15)
9. O preço que Davi pagou pela eira e os bois:
(1) Em Samuel 50 siclos de prata (2 Sam. 24:24)
(2) Em Crônicas 600 siclos de ouro (1 Crôn. 21:25)

II. No Novo Testamento

1. Cantar do galo quando da negação de Pedro:


(1) Uma vez (Mateus 26:34, 69 a 75)
(2) Duas vezes (Marcos 14:66 a 72)
2. A cura do cego Bartimeu por Jesus, em relação à cidade de Jericó:
(1) Efetuada quando Ele chegava à cidade (Lucas 18:35)
(2) Efetuada quando Ele deixava a cidade (Marcos 10:46)
3. A purificação do Templo:
(1) Em Mateus, antes de irem para Betânia (Mat. 21:10-12 e 17)
(2) Em Marcos depois que saíram de Betânia (Mc 11:12-14)
4. A inscrição sobre a Cruz:
(1) Mateus: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” (Mateus 27:37)
(2) Marcos: “O Rei dos Judeus” (Marcos 15:26)
(3) Lucas: “Este é o Rei dos Judeus” (Lucas 23:38)
(4) João: “Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus” (João 19:19)
5. Citações Incorretas Realizadas por Autores do Novo Testamento:

a. Profecia messiânica relativa às trinta peças de prata;


(1) Mateus credita a profecia a Jeremias (Mateus 27:9)
Revelação e Inspiração
(2) Efetivamente, ela fora feita por Zacarias (Zacarias 11:13)
b. Dedicação do Antigo Concerto:
(1) Relatório de Paulo (Hebreus 9:19 a 21)
(2) Relatório de Moisés (Êxodo 24:5 a 8)
c. Apresentação genealógica de Cainã:
(1) mencionando em Lucas 3:36
(2) Deixa de aparecer entre Salá e Arfaxade (em Gênis 11:12)
Além dessas dificuldades pequenas, há outras maiores, não solucionadas até hoje, por exemplo:
1. O livro de Juízes1 nas versões gregas do Códice Alexandrino (5º séc.) e Códice
Vaticano (4º séc.), foi copiado a partir de dois manuscritos hebraicos diferen- tes.
Diante da folha de consenso em relação ao melhor texto se fazem algumas impressões
com as duas versões lado a lado (ver Apêndice A).
2. O texto do Livro de Jeremias2 na versão LXX pos-
sui cerca de 2.700 palavras a menos, seções inteiras de capítulos e versículos estão ausentes, ex:
Cap. 8:10b - 13a; cap. 10:6-10; cap. 17:1-5a; cap. 27 en la LXX): 14-26; cap. 39 (cap. 46 en la
LXX); 4-13; cap. 48 (cap. 31 en la LXX): 45-47; cap. 51 (cap. 28 en la LXX):
44cc-49a; y cap. 52:27b-30.
Também a descrição cronológica dos acontecimentos é
confusa havendo tentativas de harmonização.
3. A Oração do Senhor, em Mateus 6:9-13, não contém a doxologia nos mais antigos e melhores
manuscritos, daí que várias versões modernas a omitem ou indicam o fato. O texto paralelo de
Lucas 11:2-4 não a possui.
4. A história da mulher adúltera em João 7:53 - 8:11 é problemática. É um dos maiores casos de
variantes textuais do Novo Testamento. Em muitos manuscritos aparece em lugares diferentes
do apresentado aqui, em outros está ausente, notadamente os mais antigos; só aparecendo nos
manuscritos gregos a partir do V século. É um exemplo de adição, entretanto, R.N. Champlin
comentando-a afirma ser “extremamente difícil alguém provar se essa narrativa tem ou não
bases históricas na vida terrena de Cristo...” 3 Tal posição não é referendada por E.G. White que
trata a narrativa como história ou real.4
5. O assim denominado Comma Joanino em I João 5:7-8, aparece na KJV e também Almeida RA
doutras versões e tem sido utilizado para provar a existência da Trindade, entretanto está
ausente em muitos manuscritos.5
1
Artur E. Glendall e Leon Morris, Juízes e Rute, p. 48
2
Francis . Nichol, SDABC, Vol IV, p. 381

3
R.N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo
por Versículo, Vol. II, p. 395

4
E. G. White, Desejado de Todas as Nações, p. 460-462.
5
R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo
por Versículo, Vol. II, p. 395
Revelação e Inspiração
Tais erros/equívocos/discrepâncias são divididos em Involutários e Intencionais, porém, nem
sempre é possível determinar-se à qual grupo pertence.

Gleason L. Archer Jr. apresenta uma lista dos assim


chamados Involuntários; haplografia, datografia, metatese, fusão, divisão, homofonia, leitora
errônea de letras de aparência semelhante, homeoteleuto, omissão acidental de palavras, leitura
errônia de letras vocálicas como sendo consoantes.1

Pedro Apolinário, indica as mais comuns alterações


textuais Intencionais ocorridas quando os escribas se viam diante de erros reais ou imaginários ou
de dificuldades que julgavam serem necessárias correções: amplificações de ideais; correções de
ortografia, gramática e estilo; correções de harmonização, esclarecimentos de problemas
históricos e geográficos, duplicidade de textos, alterações por questões doutrinárias, acréscimos
de pormenores.2
O posicionamento diante desses fatos tem tomado direções diversas numa verdadeira “Batalha
Sobre a Bíblia” usando a expressão de Hal Lindsey, onde a filosofia e a teologia com variadas
abordagens tentam saídas para o problema. Nos capítulos a seguir ver-se-a como essas correntes
filósofo-teológicas tem-se conduzido.

1
Gleason L. Archer Jr., Merece Confiança o Antigo Testa-
mento, pp. 55-88
2
Pedro Apolinário, História do Texto Bíblico, p. 376-382
Revelação e Inspiração

CAPÍTULO II

HÁ ERROS NA BÍBLIA? 4 ABORDAGENS

Por séculos a questão da autoridade bíblica tem permanecido intocável na tradição cristã. A
partir do Iluminismo, a crença tradicional na infalibilidade bíblica, tem sido contestada; as
Escrituras são vistas unicamente como o registro da evolução de homens imperfeitos moral
e espiritualmente, e foram removidas do seu pedestal e submetidas ao frio escrutínio
acadêmico. Como resultado, os cristãos tem sido forçados a se perguntarem em qual
aspecto é a Bíblia a Palavra de Deus.
Na teologia contemporânea três influentes escolas de pensamento buscam resolver o
problema da colisão entre a doutrina tradicional e o criticismo humanista: a liberal, a neo-
ortodoxa, e a evangélica conservadora.

A Abordagem liberal
Fundamenta-se nas idéias do filósofo alemão Schleiermacher. O julgamento crítico racional é
relevante. Buscar e alcançar um conhecimento de Deus é mais importante que identificar
uma verdade objetiva.
George Reid1, aponta 3 conceitos básicos dessa escola:
Primeiro, a verdade divina não deve limitar-se a um livro antigo; sua continuidade pode ser
vista na obra do Espírito em andamento na comunidade.
Segundo, Jesus é o arquétipo da compreensão e excelência religiosa. Sua hamanidade deve
acima de outras qualidades ser o foco das atenções.
1
George Reid, "O Ministério Adventista", Mar/Abr., 1992,
p. 28
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
Terceiro, que é uma conseqüência do segundo, a essência de Cristo é achada em Sua
grandeza humana.
As Escrituras são meramente um texto humano, escrito, copiado, traduzido e interpretado
por pessoas falíveis. Ela contém toda a sorte de contradições internas, deficiências morais,
legendas, sagas, imperfeições, erros, é portanto, uma coleção de documentos humanos, não
autoritativa. Aceitá-la como a Palavra de Deus é uma perversão idolátrica que deve ser
abandonada, na nova realidade histórica agora vivenciada, as Escrituras não são a norma
final em nenhum aspecto.
Os erros/equívocos/discrepâncias são a conseqüência natural de um produto meramente
humano que deve ser respeitado como tal, mas sem conferir-lhe qualquer grau de sacracida-
de.

A Abordagem Neo-Ortodoxa
Desde que no liberalismo há a ausência de absolutos, em que o crente firmará a sua fé? Tal
incerteza levou a uma reação. Barth, Brunner, Bultman, Niebohr, Tilich, entre outros,
partiram para a tentativa de reconciliar um texto civado de erros com a verdade autoritativa.
A Verdade deve ser concebida em dois níveis. No inferior está o texto bíblico, passível de
erros/discrepâncias/equívocos, em linguagem humana, sofrendo de várias limitações, sejam
de caráter gramatical, geográfico, histórico, científico ou mesmo teológico.
O texto bíblico é o registro humano, portanto falível, do encontro humano com Deus. E é no
testemunho escrito desse encontro que deve residir a base de sua autoridade. Em nível
superior, a Palavra de Deus age, não restrita ao texto, embora envolvendo-o. O Encontro,
ainda acontece no coração de cada crente, deste modo, a verdade se perpetua na vida deste.
A verdade passa a ser não apenas proposicional mas também subjetiva. A revelação é uma
verdade existencial. Para o crente é importante não apenas o conhecimento sobre Deus, mas
também e sobretudo o conhecimento de Deus através de sua própria vida.
Mas como se pode chegar à Verdade Absoluta? Se ela é primariamente subjetiva pode variar
segundo o modelo do Encontro. Gleason Archer indaga: “por meio de qual destes
encontros? O de Barth? O de Brunner? O de Niebuhr? O de Tilich?...”1
A autoridade das Escrituras não está revestida pela inerrância do texto bíblico, porém, pela
poderosa vontade de Deus, que através do Espírito, torna-a “Palavra de Deus” para nós no
momento da decisão.

A Abordagem Evangélico-Conservadora
Nessa conceituação, a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus, infalível e inerrante em
todos os aspectos nos quais ela toca. O Espírito Santo esteve presente em todo o processo
de sua produção, até mesmo na escolha das palavras (inspiração verbal).
E quando se diz que os autores foram guiados pelo Espírito Santo aos escreverem os
livros da Bíblia, o termo “escrever” deve ser tomado em seu sentido lato. Incluia a
investigação de documentos, a coleção de fatos, o arranjo do material, a escolha das
palavras, e, finalmente todo o processo que entra na composição de um livro.2

1
Gleason Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento, p.
27
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
...A exatidão é inerente e a cada parte do Antigo Testamento e também do Novo
Testamento, de maneira que, como um todo, e em todas as suas partes, a Bíblia é infalível
quanto à sua verdade e final quanto à Sua autoridade. Esta exatidão se estende até
assuntos de história e de ciência, e não só à teologia e a ética. 1
A confissão da inerrância é a única saída, segundo James I Packer2, para o conhecimento
total do cristianismo numa perspectiva crente e obediente.
Aceitar a noção da autoridade da Bíblia e ao mesmo tempo declarar-se em favor de sua
errância, é pisar em areia movediça. Infabilidade e autoridade só podem vir juntos..”3
Foram os teológos de Princeton, Charles Hodge e B.B. Warfield, aqueles que mais se
destacaram na formulação do conceito da inerrância e hoje, ela é vista como sinônimo de um
“high view of Biblical authority”.
Para os evangélicos a palavra media um encontro com Deus, porém igualmente é uma
comunicação de Deus sobre assuntos que Ele deseja que sejam cridos e aplicados. É um ato
de divina sabedoria e não meramente opinião humana.
Críticos dessa opinião reconhecem que uma excessiva veneração pelo texto bíblico pode
produzir uma atitude mística e supersticiosa a respeito de cada detalhe do mesmo.
Os textos mais utilizados em favor da inerrância são Mateus 5:18; I Pedro 1:10-11; João
10:35 e o assim denominado “Locus Classicus” 2 Timóteo 3:16. Entretanto Amin Rodor,
indica que;
De fato, a inerrância não é uma declaração formalmente feita pelas Escrituras em seu
favor, é em vez disso uma inferência do conceito bíblico de inspiração. Uma dedução
lógica da afirmação bíblica acerca da perfeição de Deus, e, por isso, é a conclusão do
silogismo.
Premissa A - Tudo que Deus faz é perfeito
Premissa B - Deus inspirou Escrituras.
Conclusão: Portanto as Escrituras são perfeitas.4
Que fazer então diante dos erros/equívocos/discrepâncias? O evangelicalismo dá uma
resposta em duas etapas:
Primeiro, o fato da inerrância ou infabilidade do texto bíblico só se aplica à graphê ou
autógrafos.
A infalibilidade (ou isenção de todo o erro) só se reivindica necessariamente para os
manuscritos originais (os autógrafos) dos livros bíblicos. Forçosamente eram isentos de
todo e qualquer erro, senão, não poderiam ter sido inspirados por Deus. 5
As asserções de que as Escrituras são em todo o sentido infalivelmente inspiradas
2
Louis Berkhof, Princípios de Interpretação Bíblica, p. 44
1
Gleason L. Archer, Op.Cit., p. 23
2
J. Montgomery Boice, O Alicerce da Autoridade Bíblica, p.
93
3
Harold Lindsell, The Battle for the Bible, p. 39
4
Amin Rodor, "Inerrancy and Migh View ot Scriptures", p.
10
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
referem-se somente aos autógrafos, e não, ao mesmo sentido, aos manuscritos que hoje
possuímos, as atuais edições e traduções da Bíblia.1
Diante de tais afirmações não poderia um crítico argüir que certamente poderá chegar um
tempo no qual o texto bíblico estará significativamente deteriorado, já que o processo
revelação/inspiração não se estende à transmissão do mesmo?
Em segundo lugar, Archer sugere que:
...quando for confrontado por aquilo que parece ser discrepância, conservar a fé na
infalibilidade do registro bíblico, esperando com paciência a vindicação que investigações
posteriores, não deixariam de suprir.2
Em relação ao Novo Testamento, do qual há mais de 5.000 cópias, F.F. Bruce reconhece
que:
...escritos como os do Novo Testamento, copiados e recopiados milhares de vezes, a
margem de erros de copistas aumenta de tal modo que é surpreendente não seja a cifra
muito maior do que é. Felizmente, se o elevado número de MSS aumenta o índice de
erros escribais, aumenta, em medida idêntica, os meios para a correção desses erros, de
sorte que a margem de dúvida deixada no processo de restauração dos termos exatos do
original não é tão grande como se poderia temer. As variantes que subsistem possíveis de
certa dúvida aos olhos dos críticos textuais não afetam nenhum ponto importante, seja em
matéria de fato histórico, seja questões de fé e prática.3

A Abordagem Católica
Num dos ensaios do livro de Boice4, James I Packer menciona que no Concílio Tridentino
(sessão IV) em 1546 aparece a declaração que a Escritura Sagrada foi “ditada ou oralmente
por Cristo, ou pelo Espírito Santo” e que Concílio Vaticano I (1870) assevera que as
Escrituras “contém revelação sem mistura de erro”.
O Catecismo da Igreja Católica, 1993, dentro portanto das orientações do Concílio
Vaticano II (1962-1965) declara:
‘Na redação dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os
usar suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que agindo ele próprio neles e atra-
vés deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele próprio
quisesse.’
Portanto, já que tudo o que os autores inspirados ou os hagiógrafos afirmam, deve ser
tido como afirmado pelo Espírito Santo, deve-se professar que os livros da Escritura
5
Gleason L. Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento,
p. 18
1
Louis Berkhot, Princípios de Interpretação da Bíblia, p.
53
2
Gleason L. Archer, Op.Cit., p. 29
3
F.F. Bruce, Op.Cit., p. 27
4
J. Montgomery Boice, O Alicerce da Autoridade Bíblica,
pp. 87-90
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus em vista de nossa
salvação quis fosse consignada nas Escrituras Sagradas.1
Por esta declaração percebe-se que a Igreja Católica Romana segue a linha evangélica, pois
abraça a doutrina da inerrância consignando-a apenas aos hagiografos, graphê ou autógrafos
originais.
Entretanto deve ser salientado que na conceituação católica a Palavra de Deus é um
depósito representado pela Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura.2
Estudiosos católicos, entretanto, também veêm nas Escrituras a verdade de forma
proposicional e subjetiva.
O Mestre divino pode, de dois modos, propor a verda-
de:
Na evidência da visão ou na obscuridade da fé. Neste caso duas condições são requeridas
para que o homem se apodere do pensamento divino. Objetivamente, deve haver uma
proposição sobrenatural da verdade: algo que, antes oculto, é manifestado por Deus...
Subjetivamente deve haver uma luz sobrenatural que ilumine os termos da proposição e
permita uni-los de modo infalível num julgamento conforme a verdade.3
Percebe-se que ao mesmo tempo que o catolicismo lança suas raízes na direção evangélica
da inerrância da graphê, também esposa e pensamento Neo-Ortodoxo no qual prevalece a
Teologia do Encontro.
Em meio a todas essas abordagens, como a IASD se situa? Que história dentro dela é
possível traçar com respeito ao problema dos erros/equívocos/discrepâncias?
Estas serão as questões a serem respondidas a seguir.

1
Catecismo da Igreja Católica, p. 40
2
Idem, p. 38
3
René Latourelle, Teologia da Revelação, p. 239
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.

CAPÍTULO III

HÁ ERROS NA BÍBLIA? A ABORDAGEM ADVENTISTA

No cenário adventista a questão erro/discrepância/e


quívocos está intimamente relacionada com certas dificuldades
nos escritos de E. G. White. Alden Thompson1 distingue 3 fases no cenário adventista.
1880 - Nesta fase a alta crítica confrontava-se com a ortodoxia protestante. A inspiração
verbal teve adeptos. Na sessão da Conferência Geral de 1883 foi votado uma revisão dos
Testemunhos (3 SM. 96) D.M. Conright aludiu ao fato como prova de sua não inspiração.
Algum tempo depois, W.W. Prescott abalou-se com o convite de E.G. White para ajudá-la
numa revisão do Grande Conflito. Tem sido reconhecido que os escritos de François
Gaussen convenceram a muitos, inclusive Haskell.
Aparentemente Prescott conseguiu superar a situação porém W.C.White menciona que os
pontos de vista dele causaram muitas dificuldades, (3 SMp. 454).
1920 - No mundo protestante a luta continuou acirrada. Um dos aspectos da reação do
protestantismo conservador foi a criação de escolas bíblicas e outras instituições
educacionais que deveriam manter perante o povo as Escrituras com dignidade. Após a
morte de E. G. White em 1915, surgiram questionamentos acerca do relacionamento dos
seus escritos e a Bíblia. Ocorreu então a Conferência Bíblica de 1919.
A. G. Daniels e W.W. Prescott, afirmam a autoridade de E. G. White, porém não sua
infalibilidade.
Em anos seguintes houve certa acomodação e as discussões de 1919 foram esquecidas, até
início da década de 70. É de Alberto Timm excelente ensaio sobre a história de inspiração na
IASD publicado no ATS Jornal, Vol. 5, nº 1 de 1994.
1970 - No cenário mundial agora mais agitado, liberais, Neo-Ortodoxos e conservadores
tentavam as saídas para os dilemas bíblicos. Bultman com a sua proposta de demitolo-
gização procura subtrair das Escrituras o elemento sobrenatural. Harold Lindsell, editor do
1
Alden Thompson, Inspirction, pp. 268-272
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
Christianity Today, publica “The Battle for the Bible” (1976) seguido por “The Bible in
Balance” (1979).
O adventismo não permaneceu alheio à situação. Duas características o destinguem: há a
preferência por atitudes conservadores e o foco das discussões não se limita só a Bíblia mas
também, e sobretudo à E. G. White e seus escritos.
Em 1974 realizou-se outra Conferência Bíblica, por coincidência, redescobre-se nos
arquivos da A.G. as atas da Conferência de 1919, que foram publicados sem autorização
pela revista “Spectrum”. Verifica-se que o problema chave em questão nas duas conferências
foi o mesmo, inspiração. A partir de então agitou-se o meio adventista. Num artigo (1970)
William Peterson argumenta que E.G. White não se utilizou dos melhores historiadores ao
escrever sobre a Revolução Francesa no Grande Conflito, portanto, sua autoridade profética
não existia. Em 1972 Ron Graybill chega à conclusão de que ela não utilizou-se de outros
historiadores, simplesmente citou Uriah Smith. Em 1976 mais uma obra agita o adventismo,
“A Propheteses of Health” de R. L. Numbers, cuja tese básica era de que Ellen White foi um
produto do seu tempo. Ela simplesmente refletiu, no campo da saúde as idéias de autores
contemporâneos como Larkin, Coles, Trall, Jackson, Grahan e outros, e em segundo lugar
via nela a existência de traumas, inconsistências e ambição de poder. 1982 o livro de Walter
Rea, “The White Lie”, cai como uma bomba, sua acusação é E.G.White plagiou. Seu livro
provocou a maior investigação acadêmica sobre a profetisa.
O Livro “Desejado de Todas as Nações” foi examinado, comparado com outras biografias
de Cristo, e a conclusão foi surpresa para muitos, ela fez extenso uso de outros materiais,
embora a acusação de plágio não tivesse amparo legal, pois não havia na época leis de
direito autoral e a prática era comum.1
No Final dessa Tormentosa Década 1979, um teólogo australiano, Desmond Ford,
questiona a doutrina do santuário e juízo investigativo investindo obviamente contra E.G.
White, sua autoridade era apenas pastoral, os seus escritos não podiam servir de base ou
apoio para formulação de doutrinas. Sob os auspícios da Conferência Geral, Ford, elaborou
uma Tese na qual apresentou seus pontos de vista.
Vários eruditos passam a estudar a Bíblia e os escritos de E. G. White a fim de verificar
paralelos entre as ocorrências bíblicas e de seus escritos, Roger Coon 2 faz apresentações
nesta linha.
George Rice deu uma notável contribuição à compreen-
são do processo de escrituração bíblica e por conseguinte com os escritos de E. G. White,
com o seu livro “Was Luke a Plagiarist” (1983).
Tem surgido outras obras como “Biblical Interpretation Today” de Gerhard Hasel; “Biblical
Hermeneutics” do Instituto de Pesquisas Bíblicas.
A mais recente publicação no gênero, “Inspiration” de Alden Thompson tem provocado
reações nos círculos acadêmicos. A seguinte declaração dá uma idéia clara do seu
pensamento.
Argumentar consistentemente em favor da precisão absoluta, pode torna-nos tão rígidos
que nos tornemos incapazes de lidar com as variadas necessidades humanas de nosso
1
O Ministério Adventista, Setm/Out. 1991
2
Roger Coon, Temas em Orientação Profética, Aulas São
Paulo, Curso Pós-Graduação, IAE, Verão 1989.
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
mundo. A precisão é importante, mas a prática é ainda mais importante. A tática, às vezes,
exige precisão absoluta, outras vezes aproximação. No próprio contexto da discussão das
imperfeições humanas das escrituras, Ellen White declarou: “A Bíblia foi dada com
finalidade prática”1
Tim Crosby2 sugere que em vez de Sola Scriptura os cristãos deveriam pensar em termos
de Prima Scriptura.
Mais recentemente a Adventist Theological Society teve o vol. 5, nº de 1994 quase
totalmente dedicado a analisar através de ensaios de vários autores, aspectos relacionados
com inspiração.
O volume de ensaios, artigos e outro materiais publicados, sugere que o tema é de crucial
interesse para a IASD, que bem reconhece Gorge Reid3, não se sente à vontade em abraçar
nenhuma abordagem aqui apresentada, preferindo trilhar o seu próprio caminho,
desenvolvendo um conceito próprio de inspiração que lhe permita conciliar as tensões
resultantes dos erros/equívocos/discrepâncias, não só da Bíblia, como dos escritos de Ellen
G. White.
Um dos caminhos é sugerido por Alden Thompson4, é de que a Bíblia deve ser vista segundo
o modelo incarnacional. Tal proposta advém deste pensamento de Ellen G. White.
A Bíblia não nos é dada em elevada linguagem sobre-humana. A fim de chegar aos
homens onde eles se encontram, Jesus revestiu-se da humanidade. A Bíblia precisa ser
dada na linguagem dos homens. Tudo quanto é humano é imperfeito.5
Assim como Jesus revestiu-se de uma humanidade imperfeita, sujeito à fome, sede, cansaço,
e outros aspectos peculiares ao ser humano decaído fisicamente, as Sagradas escrituras são a
Encarnada Palavra de Deus na linguagem humana, e os erros/equívocos/discrepâncias fazem
parte das imperfeições naturais humanas.
P. Gerard Damsteegt6 segue o mesmo caminho apartir de outra citação de Ellen White, “A
união do divino e do humano manifestada em Cristo, existe também na Bíblia”.7
Amin Rodor8 chega a algumas conclusões:
1
Alden Thompson, Inspiration, p. 70
2
Tim Crosby, "Why I don't believe in Sola Scriptura", The
Ministry, October 1987, pp. 13-15
3
George Reid, "É a Bíblia Nossa Autoridade Final",
Março/Abril, 1992, pp. 26-32
4
Alden Thompson, Inspiration, p. 87-97.

5
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 20
6
P. Gerard Damsteegt, "Inspiration os Scripture in The
Writinss of Ellen G. White" ATS Tournal, p. 158
7
Ellen G. White, Testemonies for Chorch, Vol. 5, p. 747
8
Amin Rodor, "Inerrancy and High View of Scriptures"
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
“O conceito de inerrância é estranho à Bíblia”;
Verdades essenciais da Bíblia não são alteradas pelo reconhecimento que algumas de suas
declarações são inexatas”; “O que honra a palavra de Deus é o respeito que cada um de
nós deve ter pelo fenômeno da escritura, aceitando-a como Deus a deu para nós.”
Tais conclusões indicam uns caminhos diferentes, mas que se afigura profundamente
escriturístico e cristão.

E. G. White e as Escrituras
Uma das melhores expressões do pensamento da profetisa neste assunto é sem dúvida, o
capítulo intitulado “A Inspiração dos Escritores Proféticos”, que aparece em Mensagens
Escolhidas, vol I, pp. 15-23.
Neste capítulo pode-se destacar alguns pontos:
1- As Escrituras são um produto divino-humano, p.20;
2- As Escrituras podem conter imperfeições de copistas, p.16;
3- Os escritores da Bíblia é que foram inspirados, não as suas palavras; a maneira de
pensar e exprimir-se não é de DEUS, p.21;
4- A diversidade de relatos se deve à individualidade de cada um, p.21;

5- Nem sempre há perfeita ordenação cronológica, ou unidade, p.20;

6- A alma sincera vê nas Escrituras “Unidade Espiritual”, p.21;

7- A Bíblia deve ser tomada como ela é, p.17;


8- Não possuem os homens autoridade para definir o que é ou não inspirado, p.17.

9- O ceticismo e infidelidade na interpretação das Escrituras são um sinal dos tempos, p.15.

10- As Escrituras “em sua forma atual” foram assim preserva das por DEUS, p.15.

Desses dez pontos, merece destacar o nº 2. Ellen White alude à possibilidade de erro nos
copistas ou tradutores. Por que não nos escritores ?
Damsteegt em sua pesquisa chegou à surpreendente conclusão.
Em seus escritos Ellen White não afirma claramente que a Bíblia contém erros, ela
unicamente refere-se à possibilidade ou probabilidade de erros através de cópias e
traduções, e indica que em alguns casos o significado óbvio do texto através das
mudanças, tem tornado mais difícil a compreensão. Nunca, entretanto, em seus escritos
ela faz a menor alusão à idéia de que os escritores bíblicos, eles próprios, cometeram
erros.1
E indica dentre outras passagens nos escritos de Ellen G. White esta: “Na providência de

Monografia, Andrews University, Maio de 1981, pp. 29-31


1
P.Gerard Damsteegt, The Inspiration of the Scripture in
the Writings of Ellen G. White, p.162.
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
Deus a inerrante pena da inspiração”.1 Com base nisso, seria Ellen White uma evangélica
fundamentalista ?
Percebe-se, portanto, as diferenças existentes entre os eruditos da Igreja, na percepção ou
visão do tema inerrância. Tal fato, talvez resida na própria falta de clareza em Ellen G.
White, como o indica Damsteegt.
A compreensão de erros/equívocos/discrepâncias no Adventismo continuará sem dúvida no
foco das atenções, e a intensidade do debate deve-se, sem dúvida nenhuma, às implicações
provenientes da aceitação da mensagem de inspiração tanto para as Escrituras, como para os
escritos de Ellen G. White.
Um apelo da profetisa deve ser escutado nesta hora:
Irmãos, apegai-vos à Bíblia, tal como ela reza, parai com as vossas críticas relativamente à
sua validade, e obedecei à Palavra e nenhum de vós se perderá. 2

1
Ellen G. White, "Signs of the Times Articles", vol I,
p.98, par.5.
2
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, Vol. I, p. 18
Revelação e Inspiração
Erro! Indicador não definido.
CONCLUSÃO

A Igreja Cristã, como um todo, sempre teve suas


disputas Teológicas. As Escrituras como depósito escrito da
Revolução Divina, estiveram por séculos, aparentemente imunes do clima de confronto e
discussão, entretanto, vimos que tal situação mudou. A primeira vista, nada há de se lucrar
com tais situação, entretanto cada proposta tem valores que merecem consideração.
O ponto de vista liberal quanto o Neo-Ortodoxo, dão realce a um ponto comum entre os
dois: o conhecimento de Deus à nível experiencial é relevante, o Nisto nenhum crente
sincero discorda.
A posição evangélica que vê em cada palavra das escrituras a inspiração divina, tem
apropriadamente reconhecido que o Livro Sagrado dos cristãos não é material psicografado,
à semelhança de livros espíritos, há uma parte humana, “... a investigação de documentos, a
coleção de fatos, o arranjo do material.”1
Os eruditos católicos,2 não hesitam em reconhecer a obra do Espírito Santo, na produção
das Escrituras, com vistas à salvação do homem.
O adventismo em suas propostas várias possue um fiel na balança: a da dependência do
Espírito Santo ainda que no processo de composição ou redação, tenha se feito presente de
forma marcante, a mão humana.
Devido à peculiaridade do relacionamento que atribui às Escrituras e aos escritos de Ellen
G. White, o mesmo grau de inspiração3, é importante destacar a linha seguida pelos
estudiosos adventistas: fenômenos idênticos de erros/discrepâncias/equívocos, identificados
na Bíblia têm sido achados nos escritos da profetisa.4
Considerando o futuro com certeza, diante do ainda inexplicável, surgirão respostas
variadas; olhando o passado, sem dúvida, a confiança nas Escrituras como a Palavra de
Deus continuará, e se firmará mais ainda.
Apesar dos ataques quase que demolidores, para a Cristandade, as Escrituras, certamente
continuarão sendo o Livro entre os livros, o objeto de fé, não em forma proposicional
apenas porque é e contém a Palavra de Deus, mas são também o registro confiável de
encontros memoráveis de homens e mulheres que permitiram que a história de suas vidas,
como nação e indivíduos, fosse invadida amorosamente por um Deus,
que conforme S. Paulo:
“...prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo
nós ainda pecadores” (Rom. 5:8).

1
Louis Berkhof, Princípios de Interpretação Bíblica, p. 44
2
Catecismo da Igreja Católica, p. 40
3
Revista Adventista, "Inspiração e Autoridade dos Escritos
de Ellen White", Fevereiro, 1984, pp. 37-38
4
Roger Coon, Tópicos em Orientação Profética, IAE, SALT,
1989.
Revelação e Inspiração
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