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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ

DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL


LAB. AVANÇADO EM JORNAL
PROFª CLARISSA CARVALHO

"PREPAREM OS OUVIDOS: A MÚSICA INVADIU A CIDADE!"

TEXTO POR:
CAIO BRUNO
FILIPE POTY
IRINA COELHO
LÍVIA MOURA
NARUNA BRITO
VANESSA FEITOSA

JULHO DE 2010
TERESINA/PI
"Preparem os ouvidos: a música invadiu a cidade!"

Os fins de tarde eram sagrados. Ensaio, na casa do guitarrista Sydney. O ritual se


repetia sempre: primeiro os amplificadores, depois a bateria e, por último, guitarras e baixo.
Uma banda de rock. Toda essa parafernália era posta no terraço de uma pequena casa na
rua Clodoaldo Freitas, no centro da cidade. Instrumentos em mãos, os jovens se dedicavam
a tocar, tocar e tocar sem se preocupar Até que um vizinho aparecesse para eventualmente
reclamar, claro.
Quem já tocou, toca, conhece ou já viu algum ensaio de banda de garagem, sabe o
tanto que a cena acima é comum entre os músicos de garagem. Mas quando se diz que o
acontecido, narrado acima, de fato ocorreu e que ele pode ser considerado como o
nascimento do rock piauiense (mais precisamente o rock teresinense), a história, então,
muda – ou pelo menos toma ares mais interessantes.
“Cada um tirava sua parte, depois juntava tudo, e íamos ensaiar a música.
Ensaiávamos quantas vezes fosse preciso. Vinte vezes, trinta vezes. Até a música ficar no
ponto”, assim relembra Paulo Vasconcelos sobre os ensaios na casa de Sydney. O Sydney
em questão é Sydney Almendra Freitas, guitarrista e vocalista na década de sessenta. E
Paulo Vasconcelos, baterista da mesmíssima era. Ambos fizeram parte da semente rock
made in Piauí (juntamente com Francisco Vasconcelos), um grupo inspirado na saudosa
jovem guarda chamado Os Brasinhas. Velho ou novo, a maioria dos teresinenses já pelo
menos ouviu falar n’Os Brasinhas. Vestidos todos de vermelho e branco, e claramente
inspirados em Roberto Carlos, Wanderleia e Erasmo Carlos, os meninos tiveram a ousadia
de trazer o comportamento rock (cabelos grandes, calças boca de sino e minissaias) à tão
tradicional Teresina da década de 60. Mal sabiam eles que aqueles ensaios seriam só o
começo de uma cidade que tempos depois seria chamada de Capital do Rock.
“Os componentes eram a cidade inteira! Quando eu falo que foi a cidade inteira, eu
não to fazendo piada não!”, assim Fábio Crazy comenta que o surgimento das bandas não
partia apenas de músicos, mas de uma maioria musical. Além de ator, Fábio Crazy é
vocalista da banda Narguilê Hidromecânico.
De fato, Teresina sempre foi uma cidade extremamente musical. Basta olhar o
quanto que o cotidiano urbano é recheado de referências musicais: os bares, as festas,
músicas nos ônibus e nos mp3 players, os grupos, as tribos urbanas parecem se diferenciar,
por exemplo, pelo tipo de música que escutam. Os forrozeiros, os roqueiros, os reagueiros,
os metaleiros, os pagodeiros e mais uma porção de outros “eiros” comprovam o poder da
música em THE. E tudo isso mais do qualquer outra manifestação artística. Apesar de
todas as dificuldades de financiamento, apoio e incentivo, é dentro de tal atmosfera artística
que se insere o rock ‘n’ roll teresinense iniciado pelo Os Brasinhas.
O jornalista piauiense Pedro Jansen escreveu um livro (deus-ex-machina – quando o
rock teresinense nasceu do nada) contando um pouco da história nos dez primeiros anos
roqueiros da cidade. Pedro, que além de pesquisador na área, é também músico, mostra que
Teresina é sim roqueira: “Acho que Teresina tem duas coisas que a fazem ”merecer” um
livro sobre o seu rock: 1) uma história sólida do rock na nossa cidade, que tava se perdendo
na cabeça das pessoas e 2) manter a tradição da cidade de ser uma cidade roqueira – se
pararmos pra pensar, sempre tem uma galera fazendo um rock na cidade”.
E se Pedro se debruçou em detalhar os dez primeiros anos desde surgimento dos
rebeldes d’Os Brasinhas, muito mais há de se contar desde então. Ainda nos anos sessenta,
a turma de Sydney foi responsável por influenciar e encorajar uma série de outros jovens a
se reunir para “tirar um som”. Aos poucos, os teresinenses foram perdendo a “timidez”
musical e assim proliferam-se dezenas de bandas espalhadas pelos bairros da cidade. “No
final da década de 70, na década de 80, havia muitas bandas que faziam música, que eram
bandas autorais em Teresina, como o Megahertz, o Avalon e a Vênus. Teresina tem uma
história musical bem forte, principalmente nessas duas décadas. E tinha festivais também
de música, bem freqüentes, diferente do que é hoje, essa coisa de Piauí Pop”, afirma Fábio
Crazy, que nessa época ainda era um adolescente aprendendo a tocar o velho violão.
Um dos principais festivais em questão era o Setembro Rock. Lá nomes como
Avalon, Megahertz, Vênus, Chave do Sol, entre outros, se lançaram e divulgaram alguns de
seus discos. As edições do Setembro Rock chegavam a reunir mais de três mil pessoas em
plena década de 80.
Os anos 90 continuaram, mas com mudanças estéticas e o surgimento de novas
bandas. O próprio Narguilê Hidromecânico de Fábio é uma dessas bandas. O grupo foi uma
espécie de fenômeno na época por misturar rock, baião, forró, reggae, e também um dos
grupos que deu espaço para o surgimento de bandas regionais com pegada rock’n’roll,
como Validuaté e Roque Moreira.
Nesse cenário também ocorreu o “boom” das bandas covers, grupos que tocam
músicas de outras mais famosas, internacional e/ou nacionalmente conhecidas. Assumindo
trejeitos, estilo, e até voz similar à dos cantores das bandas que serviram de inspirações,
uma quantidade significativa de covers surgiram no cenário da música teresinense, e
conquistaram seu espaço. Nomes como Dom Corleone, Mano Crispim, Brigitte Bardot,
Evil Woman, Dona Margot comandavam os concertos em torno dos covers. O festival
Tribus Rock foi um dos grandes contribuintes da valoração cover na cidade. Com três
edições, o festival trouxe bandas de todo o Brasil e chegou a reunir cerca de cinco mil
pessoas.
Em meados dos anos 90, o autoral voltou a ganhar fôlego com o surgimento de
novas bandas como a Capitão Guapo (hoje Radiofônicos) e Narguilé Hidromecânico, essa
última muita inspirada também pelo movimento manguebeat, nascido em Recife. “Eu
nunca vi sentido em perder tempo em ensaiar, em aprender a tocar para tocar música de
outras pessoas, que outras pessoas já tocaram, principalmente se eu, e meus parceiros
tínhamos talento para criação. Então, foi uma coisa natural: ‘vamos fazer música’”, fala
Fábio.
Hoje podemos ver o autoral e o cover andando (ou tocando) lado-a-lado. Teresina,
musical como só ela, abraçou as duas formas de “fazer música”. Os eventos musicais na
cidade na maior parte das vezes dão espaço para os dois: The Covers, Teresina é Rock, por
exemplo. E aqui chegamos a outro ponto interessante: espaço. Afinal, Teresina dá lugar pra
esses músicos tocarem?

Da garagem para a praça, a casa, a praia e o bueiro

O guitarrista verifica os cabos e o som em pouco mais de 10 minutos enquanto o


público espera: alguns sentados em bancos de cimento, outros em pé mesmo, bebendo em
copinhos descartáveis e fumando cigarro. A fumaça se dissipa no ar livre. O cenário? A
praça. O evento? Rock na Praça.
Iniciativa de um grupo de artistas que sentia na pele a falta de um “lugar pra tocar”,
o Rock na Praça surgiu justamente para resolver esse pequeno problema: se não há espaço,
então por que não tocar ali mesmo, no meio da praça? O evento, em sua primeira edição,
contou com um público de 20 pessoas. Na segunda, já era 500. Hoje, há o Rock na Praça,
Rock na Casa, e Rock na Praia (que acontece em Luís Correia), organizados por dois
grupos, a Satisfaction Produções e a Lorottas Produções.
“O ponto em comum é o desejo de dar espaço para a música e para as bandas locais
desenvolverem seu trabalho, principalmente uma galera que ‘tá começando e que sem
nossos eventos não teria outro lugar pra mostrar sua arte. O Rock na Praça começou, por
sinal, porque nós estávamos passando por isso”, explica Antônio Sales Neto, participante
dos dois grupos e também baixista da banda Radiofônicos.
O sucesso do Rock na Praça (que já conta com 12 edições) fez com que surgissem o
Rock na Casa e o Rock na Praia. “Fazemos no mínimo duas por ano desde 2005. O Rock na
Casa, que já está na oitava edição, também acontece duas vezes por ano, e o Rock na Praia,
o caçula, com duas edições, uma vez por ano em Luís Correia”. Vale lembrar que a entrada
é franca para os três eventos. “Acho legal essa divulgação da arte sem fins lucrativos”,
comenta Antônio.

“Aqui é um bueiro”... ou não

Nem só de eventos vive a cidade. Em Teresina já existem casas de shows totalmente


voltadas para o público underground. E a “rotina” já é conhecida: praticamente todo
sábado, os irmãos Driênio e Dieuldes carregam equipamentos de show, limpam o ambiente
e colocam as cervejas para gelar. Tudo isso com a plena ajuda do resto da família.
“Somos uma família, literalmente. Seu Nonato (pai) e Dona Teresinha (mãe) são peças
fundamentais no Bueiro. Eles acreditam e trabalham junto conosco. Em dia de show, um
vai para bilheteria, outro vai para a luz, vêm mais três familiares e todo mundo faz o que
pode. Em dias em que não tem show, trabalhamos para manter o Bueiro as ordens”, explica
Driênio Rogério.
O bueiro em questão é com B maiúsculo. E tem sobrenome: Bueiro do Rock. Trata-
se de uma casa de show na zona norte da cidade. Teresina tem outros espaços com a mesma
proposta (Raízes, Bar do Clóvis, The Black, Canteiro de Obras): além de bares, são casas
de shows voltadas, sobretudo, para bandas de rock e artistas locais. Entretanto, o Bueiro do
Rock se destaca por ser um “negócio” totalmente familiar e por ostentar a melhor estrutura
de som e acomodação para músicos e público.
A casa da família fica em frente ao próprio Bueiro. No espaço tem um bar (recém
inaugurado), banheiros limpos, um palco grande com um bom sistema de som, camarim
para os músicos, um estúdio de ensaio e gravação e dois quartos equipados com camas, ar
condicionado e TV para abrigar os músicos que vem de outra cidade para tocar lá.
“O Bueiro do Rock tem quase quatro anos e começou com uma idéia minha e do
meu irmão. Nós tínhamos o sonho de ter uma banda e um lugar para nos apresentar. Meu
pai tinha um espaço desocupado, antes era um lava jato e nós tivemos a idéia de
transformá-lo em uma casa de show voltada para o público underground. Aos poucos
fomos criando e melhorando o espaço até chegar ao que é hoje o Bueiro do Rock”, explica
Drienio enquanto sua mãe, Dona Teresinha, completa as frases do filho.
A trajetória peculiar do Bueiro do Rock está marcada no próprio nome do local: “O
nome da Casa de Show é resultado de um protesto. No começo, durante o inverno, chovia a
avenida alagava com o bueiro entupido e entrava água no espaço de show e a galera dizia:
“Aqui é um bueiro”. A partir daí, surgiu o nome da casa de show. Hoje, não temos mais
esse problema, mas o nome ficou”, explica Drienio. Ele também fala que nesses quatros
anos as dificuldades foram muitas, mas toda a arrecadação, por exemplo, mesmo que
pouca, era sempre voltada no reinvestimento.
Hoje, a história é outra. A casa de show já trouxe alguns nomes internacionais como
o ex-Iron Maiden Blaze Bayley e a banda americana de death metal Master. O melhor
show, contudo, segundo o próprio Driênio, foi de um expoente do rock nacional: “Nesses
quase quatro anos de Bueiro, sem dúvida o melhor show foi o do Matanza. Tanto em
número de pessoas, quanto em animação do público. Foi demais”.
O Bueiro do Rock, assim como as demais manifestações semelhantes espalhadas
por toda a cidade, tem a cara de Teresina. “O rock teresinense nunca esteve tão fortalecido
e em alta. Eu acredito que em Teresina o underground está cada vez mais forte e
crescente”, finaliza com precisão Driênio.
E se alguém duvida, é melhor pegar a guitarra e se prontificar a ensaiar como os
meninos d’Os Brasinhas.

De lá pra cá, daqui pra lá [BOX 1]

Na base a amizade. Essa expressão define o relacionamento que abre portas, janelas,
frestas e portões para a integração entre o circuito alternativo de Teresina e outras cidades
piauienses. O maior e mais atuante exemplo é o de Parnaíba, que já tem um histórico
musical de décadas com a capital. "No nosso caso, conhecíamos um cara que conhecia
outro que era amigo do Kasbafy, grande produtor de Teresina. Aí ele nos convidou pra
tocar e ficamos", conta Renato Neves, tecladista da banda parnaibana Cabesativa.
Ficaram, mas foram, para depois voltar de novo. Por mês, dezenas de festas são
produzidas tanto aqui como lá e as atrações, muitas vezes 'com as próprias pernas', se
revezam nesse circuito itinerante.
No Cabesativa há 6 anos, Renato já se apresentou em muitos bares e praças de
Teresina depois de viajar 5 horas em uma van apertada, dividindo espaço com os outros
integrantes e os equipamentos."Pra gente não interessa onde vai tocar, muitas vezes não
ganhamos quase nada, mas queremos mesmo é mostrar o nosso trabalho".
Desde que começou a tocar em Teresina, Cabesativa já gravou 2 CDs independentes
e abriu o show de atrações internacionais como o jamaicano Gregory Isaacs. "Nunca
tivemos grandes apoios e desde que começamos, há 10 anos, tem funcionado assim, com o
nosso esforço e a ajuda dos amigos. As idas para Teresina são como uma vitrine. É bom
saber que conseguimos muita coisa e que ainda voltamos pra casa depois de tudo".
Essa rede de contatos via BR-343 é mão dupla e Parnaíba também conta com
músicos teresinenses já carimbados em seus eventos. Prova de que o mote do alternativo,
underground, já não mais cabe como justificativa para se trabalhar e ser ouvido por um
seleto grupo de 10 pessoas, a não ser por escolha.

Perfil-entrevista: Gomes Brasil [BOX 2]

Gomes Brasil, grande personalidade da música piauiense é uma prova viva de que, no
estado, o amor à música é o fator que mais impulsiona a carreira dos artistas que
trabalham nesse ramo.
R- Quando e como foi que você começou com o reggae?

GB – Foi em meados da década de 80. Em Teresina, o reggae ainda engatinhava, recebia


muita influência dos grupos de Fortaleza. Eu comecei com uns grupos daquela região do
Monte Castelo, Capelinha de Palha...No começo, não era assumidamente reggae, estava
mais para uma mistura de rock e MPB, mas já dava pra notar aquela batida, aquela pegada.

R – E a profissionalização, como veio?

GB – Então, fui cada vez mais descobrindo o reggae. Comecei a compor algumas coisas.
Duas músicas, “Cuscuz de Mamãe” e “Procura-se Iaiá”, se destacaram bastante e ajudaram
na minha projeção no cenário musical. Um tempo depois, em 200 já, decidi ir procurar
espaço no Ceará porque era, na época, um estado muito propício para o reggae. Chamei o
James Brito e o Guido Andino, parceiros meus, e fomos. Mas lá não durou muito...surgiram
problemas, desentendimentos até que a parceria acabou. Foi um momento difícil. Estava
sozinho em um outro estado, não sabia tocar nada. Só tinha voz e vontade mesmo. Ainda
bem que isso foi suficiente para me levar adiante.

R – Mas como você conseguiu despontar no cenário musical de outro estado sozinho e
sem saber tocar nenhum instrumento?

GB – Contatos. Fui me entrosando com bandas que já tinham ‘nome’ por lá, como a Dona
Leda, que hoje é nacionalmente conhecida. Dessas conversas, surgiu um convite para ser
vocalista da Rebel Lion. Isso sem dúvidas me abriu muitas portas, de uma grande
visibilidade. E o público...Vixe Maria, lá fui bem recebido demais! Com a banda, estive em
de Sobral, Meruoca, Icaraí, Canindé, Aracati, Canoa Quebrada, um monte do Ceará e
engraçado que, estando lá, passei a ser mais conhecido aqui no Piauí também.

R – Essas portas abertas te levaram aonde?

GB – Ah, elas já me deram muitas alegrias. Tive a honra de receber um prêmio das mão do
Caetano Veloso. Isso no Rio de Janeiro, depois de uma apresentação com o grupo de rap
Costa a Costa. Ganhamos melhor canção na premiação da CUFA e foi fantástico. Estive no
Uruguai também em uma parceria com a banda Contra Latreros. Gravamos uma música do
Edvaldo Nascimento, outro artista da terra.

R – Muito se fala de que, na França, você foi premiado como um dos melhores
cantores de reggae da atualidade. Isso aconteceu de fato?

GB – (risos) Na verdade não foi bem assim. Foi mais um alô dos rastafaris do Alpha Blond,
The Gladiators e mais o Gregory Isaacs. Informalmente, eles homenagearam o meu
trabalho e o do vocalista da banda brasileira Ponto de Equilíbrio. Na real, foi o que
aconteceu, mas, para mim, isso vale mais do que qualquer prêmio oficial. Esses caras são
grandes nomes do reggae mundial .

R - Depois dessas andanças todas, você resolveu voltar para o Piauí. Por quê?
GB – Por questões financeiras mesmo. Ata então, eu estava levando a carreira mais com o
coração do que com o bolso. Aí, resolvi voltar.

R – E aqui, dá para conciliar o coração e o bolso?

GB – Tem dado até agora. Sobrevivo de e sustento a minha família apenas com música. Já
tentei ser pedreiro, trabalhar um turno com uma coisa e me dedicar a musica no outro, mas
é meu sangue, não tenho como negar.

R – Na sua opinião, o que mais falta para que a música piauiense se estabilize de vez?

GB – Aqui, o maior patrocinador da arte é o próprio artista. A valorização deve começar de


quem esta fazendo, pois os órgãos públicos e privados contribuem muito pouco. O que mais
falta para os músicos daqui, principalmente os de reggae, é encarar o trabalho com mais
profissionalismo e não como hobby. Se for um hobby, deve ser tratado com
profissionalismo. Muitos artistas, principalmente os mais jovens, vêm de uma classe média
alta e não precisam da música para viver.

R - Ora, ser artista no Piauí já tem suas dificuldades. E ser artista de reggae, que
parece não ser o forte do nosso estado, não seria mais complicado ainda?

GB – Eu acho que não. O reggae tem sim seu espaço marcado no Piauí. Todas as pessoas
se permitem ouvir, mas não assumem o reggae, seja a conhecida ‘pedra’ ou o pop ‘roots’, o
que dificulta o trabalho. Ainda há uma marginalização em torno deste estilo musical. É
muito difícil alguém comprar um CD ou ir a um baile de reggae justamente por questões
sociais que foram agregadas, como violência e drogas, mas vejo que isso está sendo
quebrado gradativamente.

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