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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS LEANDRO MACÊDO


TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: NOÇÃO


REGRA PRINCÍPIO
Elevado grau de determinação material e de Caráter aberto, polissêmico e
precisão de sentido indeterminado
Requer interpretação Requer concretização
Necessidade de mediação de
Aplicação direta
legisladores e juízes
Define, com certeza e precisão, o suposto e a
Enuncia critérios gerais de valoração
disposição (dado A, deve ser B)
Não existe incompatibilidade
A incidência de uma regra afasta a incidência
abstrata entre princípios – existe
de outra incompatível
tensão
Imperativo categórico Mandato de otimização
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: NOÇÕES GERAIS
OUTORGA O COMPETÊNCIA
PODER DE TRIBUTÁRIA
TRIBUTAR

CONSTITUIÇÃO
FEDERAL PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS
LIMITA O PODER
DE TRIBUTAR
IMUNIDADES
TRIBUTÁRIAS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: NOÇÕES GERAIS

PRINCÍPIOS
CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS
LIMITAÇÕES AO
GARANTIAS
PODER DE CONSTITUCIONAIS
TRIBUTAR DO DO CONTRIBUINTE
ESTADO

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: NOÇÕES GERAIS
“A relação jurídico tributária não é meramente uma relação de poder, pois, como toda
relação jurídica, é balizada pelo direito e, em face da interferência que o poder de
tributar gera sobre o direito de propriedade, o legislador constituinte originário resolveu
traçar as principais diretrizes e limitações ao exercício de tal poder diretamente na
Constituição Federal.” (Ricardo Alexandre, Direito tributário esquematizado, Editora
Método, 2012, p. 76)
Ao lado das imunidades, são limitações constitucionais ao poder de tributar
Necessidade de regulamentação por lei complementar (art. 146, II, CF)
Rol não exaustivo (“Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte ...” –
art. 150, caput, CF)
Previstos basicamente nos arts. 150 a 152 da Constituição Federal

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: NOÇÕES GERAIS
LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR COMO
CLÁUSULAS PÉTREAS – STF, ADI 939
“2. A Emenda Constitucional n. 3, de 17.03.1993, que, no art. 2º, autorizou a União a instituir o
I.P.M.F., incidiu em vício de inconstitucionalidade, ao dispor, no parágrafo 2º desse dispositivo, que,
quanto a tal tributo, não se aplica "o art. 150, III, b e VI", da Constituição, porque, desse modo,
violou os seguintes princípios e normas imutáveis (somente eles, não outros): 1. - o princípio da
anterioridade, que é garantia individual do contribuinte (art. 5º, par.2º, art. 60, par. 4º, inciso IV e
art. 150, III, b da Constituição); 2. - o princípio da imunidade tributária reciproca (que veda a
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre o
patrimônio, rendas ou serviços uns dos outros) e que é garantia da Federação (art. 60, par.4.,
inciso I, e art. 150, VI, a, da C.F.); 3. - a norma que, estabelecendo outras imunidades, impede a
criação de impostos (art. 150, III) sobre: b): templos de qualquer culto; c): patrimônio, renda ou
serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores,
das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da
lei; e d): livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão” (STF, ADI 939)
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: VISÃO GERAL

PRINCÍPIOS

DE SEGURANÇA
DE LIBERDADE DE JUSTIÇA
JURÍDICA

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: VISÃO GERAL

PRINCÍPIO DE PRINCÍPIO DA
LIBERDADE LIBERDADE DE
TRÂFEGO (150, V)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
TRIBUTÁRIOS: VISÃO GERAL

TRANSPARÊNCIA FISCAL (150, § 5º)

LEGALIDADE (150, I)
PRINCÍPIOS DE
SEGURANÇA JURÍDICA
IRRETROATIVIDADE (150, III, “A)

ANTERIORIDADE (150, III, “B” E “C”)


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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS: VISÃO


GERAL
ISONOMIA TRIBUTÁRIA (150, II)

VEDAÇÃO AO CONFISCO (150, IV)

UNIFORMIDADE GEOGRÁFICA
PRINCÍPIOS DE JUSTIÇA
(151, I)

PROIBIÇÃO DE TRIBUTAÇÃO
FEDERAL DIFERENCIADA (151, II)

PROIBIÇÃO DE ISENÇÕES
HETERÔNOMAS (151, III)
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
PAPEL DO CTN
“Art. 146. Cabe à lei complementar:
(...)
II - regular as limitações constitucionais ao poder de
tributar;
III - estabelecer normas gerais em matéria de
legislação tributária (...)”
O CTN (Lei 5.172/66) foi recepcionado pela Constituição Federal
como lei complementar – o CTN tem status de lei complementar
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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
PAPEL DO CTN
REGULAR AS
LIMITAÇÕES
CONSTITUCIONAIS AO
PODER DE TRIBUTAR
CTN ESTABELECER NORMAS
GERAIS EM MATÉRIA
DE LEGISLAÇÃO
TRIBUTÁRIA
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
PREVISÃO NORMATIVA
“Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, II,
CF)
“Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça” (art. 150, I,
CF)
“Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que
não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada” (art. 3º do CTN)
“Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou
remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica,
federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o
correspondente tributo ou contribuição (...)” (art. 150, § 6º, CF)

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
FUNDAMENTO
A lei, de forma mediata, é fruto da vontade popular. Assim, a criação
ou majoração de tributo dependem da “aprovação” do povo, já que
somente poderão ocorrer por lei
O princípio da legalidade também prestigia a segurança jurídica, na
medida em que veda a criação ou majoração de tributo por ato
infralegal
Veicula o autoconsentimento popular para a tributação ou
legitimidade popular para a tributação
É o caminho para a democracia fiscal
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
MATÉRIAS SOB RESERVA DE LEI (ART. 97
DO CTN)
“Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária
principal e do seu sujeito passivo;
IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo;
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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
MATÉRIAS SOB RESERVA DE LEI (ART. 97 DO CTN)
“Somente a lei pode estabelecer:
V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus
dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;
VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de
dispensa ou redução de penalidades.
§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo,
que importe em torná-lo mais oneroso.
§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste
artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.”

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
MATÉRIAS SOB RESERVA DE LEI (ART. 97 DO CTN)
1. Criação e extinção de tributo
2. Aumento e redução de tributo
3. Definição do fato gerador da obrigação tributária principal
e do seu sujeito passivo
4. Fixação da alíquota e da base de cálculo
5. Cominação de penalidade
6. As hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos
tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades
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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA MATÉRIAS SOB
RESERVA DE LEI (ART.
CRIAÇÃO E 97 DO CTN)
EXTINÇÃO

MAJORAÇÃO E
REDUÇÃO
EXCLUSÃO, EXTINÇÃO E
SUSPENSÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO FATO GERADOR E
SUJEITO PASSIVO

COMINAÇÃO,
DISPENSA E ALÍQUOTA E
REDUÇÃO DE BASE DE
PENALIDADE
CÁLCULO
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE: FIXAÇÃO DO ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO
MONETÁRIA DA BASE DE CÁLCULO E DA DATA DE
PAGAMENTO DO TRIBUTO
“Não constitui majoração de tributo (...) a
atualização do valor monetário da respectiva
base de cálculo” (art. 97, § 2º, CTN)

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE: FIXAÇÃO DA DATA DE PAGAMENTO DO
TRIBUTO
“Quando a legislação tributária não fixar o tempo do
pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias
depois da data em que se considera o sujeito passivo
notificado do lançamento.” (art. 160, CTN)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE: FIXAÇÃO DO ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO
MONETÁRIA E DA DATA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO
Segundo o STF, não é necessário que a correção monetária do
pagamento de tributo e que a definição da data para pagar o tributo
sejam fixadas em lei
 “TRIBUTÁRIO. ICMS. MINAS GERAIS. DECRETOS N.ºS 30.087/89 E 32.535/91, QUE
ANTECIPARAM O DIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO E DETERMINARAM A
INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DE ENTÃO. ALEGADA OFENSA AOS
PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, DA ANTERIORIDADE E DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
Improcedência da alegação, tendo em vista não se encontrar sob o princípio da
legalidade estrita e da anterioridade a fixação do vencimento da obrigação tributária;
já se havendo assentado no STF, de outra parte, o entendimento de que a atualização
monetária do débito de ICMS vencido não afronta o princípio da não-cumulatividade
(RE 172.394). Recurso não conhecido.” (RE 195218 MG )

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE:
FIXAÇÃO DO ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA
“É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em
percentual superior ao índice oficial de correção monetária” (Súmula
160, STJ)
 “Considere a seguinte situação hipotética: Em determinado município, foi promulgada
lei definindo os elementos para a cobrança válida do imposto predial e territorial
urbano (IPTU), que tinha como referência a área construída do imóvel. A lei continha
anexo com os valores do imposto. Dois anos depois da entrada em vigor, a
secretaria municipal de finanças remeteu exposição de motivos ao prefeito,
sugerindo a edição de decreto que atualizasse os valores do imposto, devido à
desvalorização da moeda. Concordando com a exposição de motivos, o prefeito
baixou decreto atualizando monetariamente os valores do IPTU. Nessas
circunstâncias, apesar do princípio da legalidade, o decreto é juridicamente válido”
(CESPE, Procurador do INSS, 1999)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE: ESTABELECIMENTO DE OBRIGAÇÕES
ACESSÓRIAS
“A obrigação acessória decorre da legislação tributária
e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas,
nela previstas no interesse da arrecadação ou da
fiscalização dos tributos” (art. 113, § 2º, CF)

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRICÍPIO DA LEGALIDADE: ALÍQUOTAS
Imposto de importação (II)
Imposto de exportação (IE)
Alteração de alíquotas dentro
Imposto sobre produtos dos limites legais (art. 153, §
industrializados (IPI) 1º, CF) Ato do Poder
Imposto sobre operações Executivo Federal
financeiras (IOF)
Redução ou restabelecimento
CIDE-combustíveis de alíquotas (art. 174, § 4º, I,
b, CF)
Fixação de alíquotas (art. 155,
ICMS-combustíveis Convênio (CONFAZ)
§ 4º, IV, c, CF)
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRICÍPIO DA LEGALIDADE: QUADRO GERAL
Majoração ou redução das alíquotas do imposto Art. 153, § 1º, CF
de importação (II), imposto de exportação (IE), São tributos extrafiscais, com viés regulatório,
imposto sobre produtos industrializados (IPI), o que justifica a flexibilidade para a
imposto sobre operações financeiras (IOF), alteração de suas alíquotas, já que a
economia exige respostas rápidas na sua
condução
Redução e restabelecimento da alíquota da CIDE- Art. 177, § 4º, I, b, CF (tributo com caráter
combustíveis extrafiscal)
Fixação de alíquotas do ICMS-combustíveis Art. 155, § 4º, IV, c, CF(tributo com caráter
extrafiscal)
Fixação da data do pagamento do tributo Art. 160, CTN
Regular obrigações acessórias Art. 113, § 2º, CTN
Atualização monetária da base de cálculo do Art. 97, § 2º, CTN
tributo 25

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
ATENUAÇÕES OU EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE: NORMA TRIBUTÁRIA EM BRANCO
O STF entendeu que o desdobramento dos conceitos
indeterminados “atividade preponderante” e grau de risco
“leve”, “médio” e “grave”, para fins de incidência da
contribuição previdenciária para o financiamento das
prestações acidentárias (adicional ao SAT) pode ser feito por
regulamento (decreto), desde que se atente para o conteúdo
da lei, sob pena de se incidir em ilegalidade (Recurso
Extraordinário nº 343.446/SC, Relator Ministro Carlos Velloso)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
LEI INSTITUIDORA OU MAJORADORA DE TRIBUTO
 Regra geral: lei ordinária (ou MP)
 Exceções: lei complementar
 1. Empréstimo compulsório (art. 148, CF)
 2. Imposto sobre grande fortuna (art. 153, VII, CF)
 3. Imposto residual (art. 154, I, CF) TRIBUTOS
FEDERAIS
 4. Contribuição social residual de seguridade social (art.
195, § 4º, c/c art. 154, I, CF)

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
PODE HAVER CRIAÇÃO DE TRIBUTO POR MEDIDA
PROVISÓRIA?
 Sim, desde que a matéria não esteja sob a reserva de lei
complementar (art. 62, § 1º, inciso III, CF)
 “É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (...)
III - reservada a lei complementar” (art. 62, § 1º, III, CF)
 “Medida provisória que implique instituição ou majoração de
impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II,
só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver
sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi
editada” (art. 62, § 2º, CF)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
TRIBUTOS QUE NÃO PODEM SER REGULADOS POR
MEDIDA PROVISÓRIA
1. Empréstimo compulsório (art. 148, CF)
2. Imposto sobre grande fortuna (art. 153, VII, CF)
3. Imposto residual (art. 154, I, CF)
4. Contribuição social residual de seguridade social (art. 195, § 4º,
c/c art. 154, I, CF)

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PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
PODE HAVER CRIAÇÃO DE TRIBUTO
POR LEI DELEGADA?
 Sim, desde que a matéria não esteja sob a
reserva de lei complementar (art. 68, § 1º, CF)
 “Não serão objeto de delegação os atos de
competência exclusiva do Congresso Nacional, os
de competência privativa da Câmara dos
Deputados ou do Senado Federal, a matéria
reservada à lei complementar” (art. 68, § 1º, CF)
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OU DA
TIPICIDADE CERRADA
TRIBUTOS QUE NÃO PODEM SER REGULADOS POR LEI
DELEGADA
1. Empréstimo compulsório (art. 148, CF)
2. Imposto sobre grande fortuna (art. 153, VII, CF)
3. Imposto residual (art. 154, I, CF)
4. Contribuição social residual de seguridade social (art. 195, § 4º,
c/c art. 154, I, CF)

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...) III - cobrar tributos: (...) b) no mesmo exercício financeiro em que
haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de
decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei
que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b
(art. 150, III, b e c, CF)
As contribuições sociais [de seguridade social] só poderão ser exigidas após decorridos
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não
se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, "b“ (art. 195, § 6º, CF)

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PREVISÃO CONSTITUCIONAL
 A anterioridade nonagesimal ou noventena
somente foi prevista inicialmente para as
contribuições sociais de seguridade social
(art. 195, § 6º, CF)
 A EC 42/2003 estendeu a anterioridade
nonagesimal ou noventena aos tributos em
geral (art. 150, III, “c”, CF)
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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE:
FINALIDADE
A ideia fundamental do princípio é proteger o
contribuinte contra a imediata aplicação de normas que
aumentem a carga tributária (instituição ou majoração
de tributo)
Evitar a surpresa decorrente da tributação gravosa
Possibilitar o planejamento tributário
Vetor axiológico do princípio da segurança jurídica
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

AMPLITUDO DA EXPRESSÃO
MAJORAÇÃO DE TRIBUTO
Aumento da alíquota de contribuição
Aumento da base de cálculo
Inclusão de novo sujeito passivo

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE:
APLICAÇÃO
Aplica-se somente às leis tributárias gravosas
Segundo o STF, não se aplica nas hipóteses de
extinção ou redução de benefício fiscal e de
extinção de insenção

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
 REGRA GERAL
 Tributo criado ou majorado em um exercício financeiro somente
poderá ser exigido no exercício financeiro seguinte (anterioridade de
exercício financeiro), observado o intervalo mínimo de 90 dias entre
a data de publicação da lei e a exigência do tributo (anterioridade
nonagesimal ou noventena)
 Por outras palavras, Instituído ou majorado tributo, a cobrança
somente pode ser feita após o transcurso de, no mínimo, noventa dias
da data da publicação da lei instituidora ou majoradora e desde
que já atingido o exercício financeiro subsequente
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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
REGRA GERAL
Tributo criado ou majorado em um exercício financeiro somente
poderá ser exigido no exercício financeiro seguinte (anterioridade
de exercício financeiro), observado o intervalo mínimo de 90 dias
entre a data de publicação da lei e a exigência do tributo
(anterioridade nonagesimal ou noventena)

Instituído ou majorado tributo, a cobrança somente pode ser feita


após o transcurso de, no mínimo, noventa dias da data da
publicação da lei instituidora ou majoradora e desde que já
atingido o exercício financeiro subsequente
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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

REGRA GERAL
ANTERIORIDADE DE ANTERIORIDADE
EXERCÍCIO FINANCEIRO NONAGESIMAL OU
(EFS) NOVENTENA (90)

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SEGURANÇA
JURÍDICA

NÃO SURPRESA
FINALIDADE
CONFIANÇA/LEALDADE

PLANEJAMENTO
ANTERIORIDADE
DA LEI APLICABILIDADE DIFERIDA DA LEI
TRIBUTÁRIA GRAVOSA
GRAVOSA EFEITOS
INAPLICABILIDADE TEMPORÁRIA
DA LEI GRAVOSA

CLÁUSULAS
CRIAM TRIBUTOS
TEMPORAIS
MAJORAM TRIBUTOS
OBJETO LEIS QUE REVOGAM ISENÇÃO
“EFS” “90”

REDUZEM OU EXTINGUEM
DESCONTO 40

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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
1. CRIAÇÃO E MAJORAÇÃO DE TRIBUTO EM 20.11.2012
ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO-AEF=01.01.2013
ANTERIORIDADE NONAGESINAL=19.02.2013
INÍCIO DA COBRANÇA=19.02.2013
2. CRIAÇÃO E MAJORAÇÃO DE TRIBUTO EM 20.08.2012
ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO-AEF=01.01.2013
ANTERIORIDADE NONAGESINAL=19.11.2012
INÍCIO DA COBRANÇA=01.01.2013

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
NÃO SE APLICAM A ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO
FINANCEIRO E ANTERIORIDADE NONAGESIMAL OU
NOVENTENA – COBRANÇA IMEDIATA
1. II
2. IE EXTRAFISCALIDADE
3. IOF

4. Imposto extraordinário de guerra (IEG)


5. Empréstimo compulsório decorrente de CATÁSTROFE
calamidade pública ou guerra
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LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 21


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

APLICA-SE SOMENTE A ANTERIORIDADE NONAGESIMAL OU


NOVENTENA

- IPI
- Contribuição social de seguridade social
- Restabelecimento de alíquota do ICMS-monofásico-
combustível
- Restabelecimento de alíquota da CIDE-combustível

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

APLICA-SE SOMENTE A ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO


FINANCEIRO

Imposto de renda
Alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA

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LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 22


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE: QUADRO GERAL
EXIGÊNCIA IMEDIATA SOMENTE ANTERIORIDADE
SOMENTE ANTERIORIDADE
(NÃO SE APLICA A NONAGESIMAL OU
DE EXERCÍCIO FINANCEIRO
ANTERIORIDADE DE NOVENTENA (NÃO SE
(NÃO SE APLICA A
EXERCÍCIO FINANCEIRO E APLICA A ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE
NEM A ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO
NONAGESIMAL)
NONAGESIMAL) FINANCEIRO)
IOF, II, IE, empréstimo IPI, contribuições sociais Imposto de renda e
compulsório decorrente de seguridade social, alterações da base de
de calamidade pública ou restabelecimento de cálculo do IPTU e do IPVA
guerra e imposto alíquota do ICMS-
extraordinário de guerra combustível,
restabelecimento de
alíquota da CIDE-
combustível 45

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO E O PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

GUERRA EXTERNA E
CALAMIDADE EXIGÊNCIA IMEDIATA
PÚBLICA
EMPRÉSTIMO
COMPULSÓRIO
INVESTIMENTO DE ANTERIORIDADE
CARÁTER URGENTE E PLENA
DE RELEVANTE
INTERESSE NACIONAL (EFS + 90)

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LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 23


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA:


REDAÇÃO ORIGINAL DA CF
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República
poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo
submetê-las de imediato ao Congresso Nacional, que, estando em
recesso, será convocado extraordinariamente para se reunir no prazo
de cinco dias.
Parágrafo único. As medidas provisórias perderão eficácia, desde a
edição, se não forem convertidas em lei no prazo de trinta dias, a
partir de sua publicação, devendo o Congresso Nacional disciplinar
as relações jurídicas delas decorrentes.

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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA: CONVERSÃO TOTAL OU
PARCIAL DA MEDIDA PROVISÓRIA EM LEI
 “Em se tratando de medida provisória, sua conversão em lei pode dar-se total
ou parcialmente. A conversão é total quando a lei que a realiza mantém, sem
alteração, os dispositivos da medida provisória, dando-lhes eficácia
permanente. Já a conversão é parcial quando a lei que a realiza mantém, sem
alteração, parte dos dispositivos da medida provisória, alterando, porém – por
acréscimo, supressão ou modificação –, a outra parte. Neste último caso, a
medida provisória, em última análise, serve de suporte para a conversão
naquilo em que é mantida, e atua como projeto de lei para permitir as
emendas que, se vierem a ser transformadas em lei, são tidas como preceitos
novos que implicitamente rejeitam a disciplina resultante da medida provisória
no que foi alterado.” (RE 169.740)

48

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 24


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA:


CONVERSÃO TOTAL OU PARCIAL DA MEDIDA
PROVISÓRIA EM LEI
 “(...) quando a lei de conversão tiver de observar o prazo
fixado no art. 195, § 6º, da Constituição Federal, esse prazo,
se se tratar de conversão total, se conta a partir da edição
da medida provisória; se se tratar porém de conversão
parcial essa contagem se fará a partir da edição da medida
provisória naquilo em que ela não foi modificada, ao passo
que se fará a partir da publicação da lei de conversão
parcial naquilo em que a medida provisória tiver sido
alterada.” (RE 169.740)
49

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA


CONVERSÃO TOTAL CONVERSÃO PARCIAL
A noventena se conta a partir A contagem se fará a partir:
da edição da medida a) da edição da medida
provisória provisória naquilo em que
ela não foi modificada;
b) da publicação da lei de
conversão parcial naquilo em
que a medida provisória
tiver sido alterada
50

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 25


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA:


CONTAGEM DO PRAZO NAS HIPÓTESES DE
REEDIÇÃO
 E se houvesse reedição de medida provisória, com
convalidação da anterior, como seria a contagem do
prazo de noventa dias?
 Segundo o STF, a contagem do prazo tem início a partir da
edição da primeira medida provisória

51

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTES DA EC 32/2001 INÍCIO DA
INÍCIO DA CONTAGEM
DO PRAZO COBRANÇA

90 DIAS

REEDIÇÃO REEDIÇÃO REEDIÇÃO

30 DIAS 30 DIAS 30 DIAS

MP1 MP2 MP3 MP4


NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA 52

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 26


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
INÍCIO DA
ANTES DA EC 32/2001 COBRANÇA:
10.10.1999 01.01.2000

09.11.1999 09.12.1999
08.01.2000

REEDIÇÃO REEDIÇÃO
REEDIÇÃO

30 DIAS 30 DIAS 30 DIAS

MP1 MP2 MP3 MP4


ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO E MEDIDA PROVISÓRIA
53

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA: NOVA REDAÇÃO
DO ART. 62 DA CF
As medidas provisórias perderão eficácia, desde a edição, se não forem
convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, uma vez por igual
período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as
relações jurídicas delas decorrentes (art. 62, § 3º, CF)
Prorrogar-se-á uma única vez por igual período a vigência de medida
provisória que, no prazo de sessenta dias, contado de sua publicação, não tiver
a sua votação encerrada nas duas Casas do Congresso Nacional (art. 62, § 7º,
CF)
Não editado o decreto legislativo regulador das relações jurídicas decorrentes
da edição da medida provisória até sessenta dias após a sua rejeição ou perda
de eficácia, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados
durante sua vigência conservar-se-ão por ela regidas (art. 62, § 11, CF)
54

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 27


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
NOVENTENA E MEDIDA PROVISÓRIA

APÓS EC 32/2001

PRORROGAÇÃO
60 DIAS 60 DIAS

INÍCIO DA COBRANÇA

MP 30 DIAS ?
CONTINUIDADE DA
COBRANÇA
DEPENDE DE
CONVERSÃO EM LEI
90 DIAS 55

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO E
MEDIDA PROVISÓRIA
 Medida provisória que implique instituição ou majoração de
impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e
154, II, [II, IE, IPI, IOF e IEG] só produzirá efeitos no exercício
financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o
último dia daquele em que foi editada (art. 62, § 2º, CF)
 Pelo disposto no art. 62, § 2º, da CF, salvo quanto ao II, IE, IPI, IOF e IEG, a
cobrança de imposto instituído ou majorado por MP só poderá ser realizada
no exercício financeiro seguinte caso haja a sua conversão em lei até o último
dia daquele em que tenha sido editada.

56

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 28


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA


 TRIBUTOS EM GERAL: cobrança no exercício
financeiro seguinte ao da edição da medida
provisória
 IMPOSTOS (à exceção do II, IE, IPI, IOF e IEG):
cobrança no exercício financeiro seguinte ao
da conversão da medida provisória em lei
57

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA
TRIBUTOS EM GERAL IMPOSTOS
Cobrança no exercício EXCEÇOES (II, IE, IPI,
REGRA GERAL
IOF e IEG)
financeiro seguinte ao da
edição da medida provisória Cobrança no Não observam o
exercício financeiro princípio da
seguinte ao da anterioridade de
conversão da exercício financeiro
medida provisória
em lei

58

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 29


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA
IMPOSTOS EM GERAL
1ª. ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO (ART. 150, III, “B”,
CF) – À EXCEÇÃO DO II, IE, IOF, IEG E IPI
2ª. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (ART. 150, III, “C”, CF) – À
EXCEÇÃO DO II, IE, IOF, IEG, IR E BASE DE CÁLCULO DO IPTU E
IPVA
3ª. INCIDÊNCIA NO DIA PRIMEIRO DE JANEIRO POSTERIOR AO
DA CONVERSÃO DA MP EM LEI (ART. 62, § 2º, CF) - À EXCEÇÃO
DO II, IE, IPI, IOF E IEG
59

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA: APLICAÇÃO


MP MAJOROU MP CONVERTIDA
INÍCIO DE
ESPÉCIE TRIBUTÁRIA TRIBUTO EM EM LEI EM
COBRANÇA
15.10.2010 10.02.2011
IR 01.01.2012
ITR 01.01.2012
IPI 15.01.2011
TAXA 15.01.2011
CONT. SOCIAL SEG.
15.01.2011
SOCIAL
II 15.10.2010
60

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 30


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO E MEDIDA PROVISÓRIA

APÓS EC 32/2001 – EXEMPLO DO ITR

CONVERSÃO EM LEI

10.10.2010 20.11.2010 09.01.2011


INÍCIO DA COBRANÇA

MP

90 DIAS 61

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
ANTERIORIDADE DE EXERCÍCIO FINANCEIRO E MEDIDA PROVISÓRIA

APÓS EC 32/2001 – EXEMPLO DO ITR


INÍCIO
PRORROGAÇÃO
DA
60 DIAS CONVERSÃO EM LEI COBRANÇA

01.10.2010 29.11.2010 10.01.2011 01.01.2012

MP

62

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 31


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E MEDIDA


PROVISÓRIA
(JUIZ SUBSTITUTO/TJ/SE/2004/2003/CESPE/QUESTÃO 91/ASSERTIVA 1) “O
governo federal editou, em 12/12/2002, medida provisória, convertida em lei
40 dias depois pelo Congresso Nacional, reduzindo os prazos de prescrição e
decadência do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), além de
majorar a alíquota desse imposto incidente sobre as propriedades rurais com
mais de 50 hectares. Com a mudança legislativa, o governo federal aumentou em
40% a arrecadação do ITR no exercício de 2003. Com base nessa situação
hipotética, é possível afirmar ser juridicamente reprovável a aplicação, no
exercício de 2003, da referida medida provisória convertida em lei para a
majoração do ITR, vez que ela não atende aos requisitos específicos previstos, na
Constituição da República, para tal fim.”

63

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 01: Medida provisória, publicada em 01 de setembro de
2009, faltando exatos 04 meses para o término do ano, majora as
alíquotas do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR,
sendo convertida em lei no dia 15 de novembro do mesmo ano.
Sabemos que o ITR se sujeita à regra do art. 62 § 2º da Constituição.
Como a conversão em lei se deu no mesmo exercício da publicação
da medida provisória, o ITR, a partir de primeiro de janeiro de 2010,
poderá ser exigido com as novas alíquotas.

64

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 32


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 02: Agora imagine que a mesma medida provisória, do
exemplo anterior, tenha sido convertida em lei somente no dia 10 de
janeiro de 2009. Neste caso, a conversão em lei somente se deu no
exercício posterior à publicação da medida provisória e, portanto, as
novas alíquotas do ITR somente poderão ser exigidas a partir de
2010.

65

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 03: Medida provisória, publicada em 01 de novembro de
2009, majora as alíquotas do ITR, sendo convertida em lei no dia 20
de dezembro do mesmo ano. Como a conversão em lei se deu no
mesmo exercício da publicação da medida provisória, as novas
alíquotas do ITR poderão ser exigidas em 2010, entretanto, com a
observância o princípio da noventena, as novas alíquotas não
poderão ser impostas logo a partir de primeiro de janeiro de 2010,
devendo observar a contagem de 90 dias a partir do dia publicação
da medida provisória, sendo assim, as novas alíquotas serão exigíveis
a partir de 30 de janeiro de 2010.

66

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 33


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 04: Uma medida provisória é publicada em 19 de outubro
de 2009 e convertida em lei em 19 de dezembro do mesmo ano,
alterando a base de cálculo do Imposto de Importação – II. Tal
imposto, por determinação expressa, excepciona tanto a regra do
art. 62 § 2º quanto a anterioridade e a noventena. Sendo assim, não
é necessário observar a data conversão em lei, e nem as duas regras
de anterioridade, a medida provisória definindo a nova base de
cálculo é eficaz a partir do dia seguinte.

67

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 05: Medida provisória, publicada em 01 de dezembro de
2009 e convertida em lei em 15 de janeiro de 2010, define nova
base de cálculo para o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.
Assim como o II, o IPI excepciona a regra do art. 62 § 2º (sem
necessidade de observar a data de conversão em lei) e também a
anterioridade de exercício financeiro, entretanto, não excepciona a
anterioridade nonagesimal. Desta forma, o imposto poderá ser
exigido com a nova base de cálculo contando-se 90 dias a partir da
publicação da medida provisória, ou seja, em 28 de fevereiro de
2010

68

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 34


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 06: Uma medida provisória, publicada em 15 de setembro
de 2009 e convertida em lei no dia 10 de janeiro de 2010, institui
uma nova contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art.
149), tal contribuição não se sujeita à regra do art. 62 § 2º e,
contando-se a partir da data publicação da medida provisória,
analisam-se os requisitos da anterioridade de exercício financeiro e
da anterioridade nonagesimal. A nova CIDE, mesmo convertida em lei
somente em 10 de janeiro de 2010, poderá ser exigida a partir de
primeiro de janeiro de 2010.

69

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 07: Medida provisória aumenta a alíquota da COFINS,
sendo publicada em 01 de dezembro de 2009, com a conversão em
lei dada em 15 de janeiro de 2010. A COFINS, por ser contribuição
para a seguridade social, não se submete à regra do art. 62 § 2º e
somente observa a anterioridade nonagesimal prevista no art. 195 §
6º. Logo, a nova alíquota poderá ser exigida a partir do dia 29 de
fevereiro de 2010, 90 dias após a publicação da medida provisória.

70

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 35


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

ANTERIORIDADE E MEDIDA PROVISÓRIA:


EXEMPLOS
Exemplo 08: Tomando o mesmo exemplo anterior, no momento da
conversão em lei (15 de janeiro de 2010) houve substanciais
alterações em relação ao texto originário da medida provisória que
alterou a alíquota da COFINS, a publicação da lei de conversão se
deu no dia 17 de janeiro de 2010. Desta forma, a anterioridade
nonagesimal não será contada a partir da publicação da medida
provisória e sim da data de publicação da lei de conversão, ou seja,
no caso, contam-se 90 dias a partir de 17 de janeiro de 2010.

71

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E ALTERAÇÃO DE


PRAZO PARA PAGAMENTO DO TRIBUTO
 Segundo o STF, a norma tributária que apenas altera o
prazo para pagamento do tributo, mesmo antecipando-o,
tem aplicação imediata, não se sujeitando aos princípios
da anterioridade e da legalidade
 “Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade” (Súmula
669, STF)
 “A regra legislativa que se limita simplesmente a mudar o prazo de
recolhimento da obrigação tributária, sem qualquer repercussão,
não se submete ao princípio da anterioridade” (STF, RE 209.386)
72

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 36


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E ALTERAÇÃO


E A MODIFICAÇÃO DOS FATORES DE
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA
Segundo o STF, a mera atualização monetária do valor do
tributo não se submete ao princípio da anterioridade
 “A modificação dos fatores de indexação, com base em
legislação superveniente, não constitui desrespeito a situações
jurídicas consolidadas (CF, art. 5º, XXXVI), nem transgressão
ao postulado da não-surpresa, instrumentalmente garantido
pela cláusula da anterioridade tributária (CF, art. 150, III, b)”
(STF, RE-AgR 200844 PR)
73

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE
O PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E A REDUÇÃO
OU EXTINÇÃO DE DESCONTO LEGALMENTE
PREVISTO
Segundo o STF, não configura aumento de tributo a
mera redução ou extinção de desconto legalmente
previsto, razão pela qual não se aplica o princípio
da anterioridade
“5. A redução ou a extinção de desconto para pagamento de tributo sob
determinadas condições previstas em lei, como o pagamento antecipado em
parcela única, não pode ser equiparada à majoração do tributo em questão, no
caso, o IPVA. Não-incidência do princípio da anterioridade tributária. 6. Vencida
a tese de que a redução ou supressão de desconto previsto em lei implica,
automática e aritmeticamente, aumento do valor do tributo devido.” (ADI 4.016)

74

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 37


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO E O PRINCÍPIO DA


ANTERIORIDADE: CTN
Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a
impostos sobre o patrimônio ou a renda: (...) III - que extinguem ou
reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável
ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178 (art. 104, III,
CTN)
A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de
determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a
qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104 (art.
178, CTN)
75

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO E O PRINCÍPIO DA


ANTERIORIDADE: CTN
“Segundo o Código Tributário Nacional, os
dispositivos de lei que revoguem isenções relativas a
impostos sobre o patrimônio ou a renda somente
entram em vigor no primeiro dia do exercício
seguinte àquele em que ocorra a sua publicação,
salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao
contribuinte” (CESPE, Advogado da União, 2002)
76

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 38


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO E O PRINCÍPIO DA


ANTERIORIDADE: POSIÇÃO DO STF

“É que em tema de favores fiscais, gênero de que também é


espécie a isenção fiscal, já se encontra de há muito
consolidada a jurisprudência dessa Excelsa Corte no dizer de
que sua revogação não se submete ao princípio da
anterioridade, podendo a incidência se dar no próprio
exercício onde operada dita revogação.” (STF, RE 250.521)

77

PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE

REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO E O PRINCÍPIO DA


ANTERIORIDADE: POSIÇÃO DO STF

“Conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal as


isenções não condicionadas ou sem prazo definido podem ser
revogadas a qualquer tempo por lei e, uma vez revogada a
isenção, o tributo volta a ser imediatamente exigível, sendo
impertinente a invocação do princípio da
anterioridade.“(CESPE, Advogado da União, 2002)

78

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 39


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
PREVISÃO CONSTITUCIONAL (ART.
150, III, “A” CF)
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas
ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios: (...) III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início
da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado
A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada (art. 5º, XXXVI, CF)
79

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE

FUNDAMENTO
Garantir a segurança na relação
jurídica tributária, no sentido de
assegurar a prévia cognoscibilidade
da norma jurídica tributária
Consagração da parêmia do tempus
regit actum
80

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 40


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA (ART. 106, CTN)
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:
I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída
a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;
II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:
a) quando deixe de defini-lo como infração;
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação
ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado
em falta de pagamento de tributo;
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.

81

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE

RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA (ART.


144, § 1º, CTN) – ASPECTOS FORMAIS DO
LANÇAMENTO
Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência
do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de
apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de
investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito
maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito
de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.

82

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 41


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
RETROAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA (ART. 144, § 1º, CTN)

LEI X SOBRE O LEI Y SOBRE O


LANÇAMENTO LANÇAMENTO

APLICA-SE A LEI
VIGENTE NA DATA DO
FATO GERADOR LANÇAMENTO LANÇAMENTO
- -
DATA A DATA B

83

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA

Leis Leis benéficas em Leis que alteram


interpretativas, matéria de os aspectos
desde que não penalidades, formais do
ampliem desde que não lançamento (art.
penalidades (art. tenha havido coisa 144, § 1º, CTN)
106, I, CTN) julgada, fraude ou
falta de
pagamento (art.
106, II, CTN)
84

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 42


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE

JURISPRUDÊNCIA DO STF
Ao imposto de renda calculado sobre os rendimentos do ano-
base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que
deve ser apresentada a declaração (Súmula 584 do STF)
Exemplo de aplicação da Súmula: norma vigente, a partir de
dezembro de 2012, majora o IR intencionando atingir a
integralidade da renda auferida na competência de 2012 –
alteração ocorrida em dezembro de 2012 e que se aplica a
todo o exercício de 2012

85

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
JURISPRUDÊNCIA DO STF
“3. Com efeito, a pretensão da ora recorrida, mediante Mandado de Segurança, é a de se abster de
pagar o Imposto de Renda correspondente ao ano-base de 1989, pela alíquota de 18%,
estabelecida no inc. I do art. 1º da Lei nº 7.968, de 28.12.1989, com a alegação de que a
majoração, por ela representada, não poderia ser exigida com relação ao próprio exercício em que
instituída, sob pena de violação ao art. 150, I, a, da Constituição Federal de 1988. 4. O acórdão
recorrido manteve o deferimento do Mandado de Segurança. Mas está em desacordo com o
entendimento desta Corte, firmado em vários julgados e consolidado na Súmula 584, que diz: "Ao
Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício
financeiro em que deve ser apresentada a declaração." Reiterou-se essa orientação no julgamento do
R.E. nº 104.259-RJ (RTJ 115/1336). 5. Tratava-se, nesse precedente, como nos da Súmula, de Lei
editada no final do ano-base, que atingiu a renda apurada durante todo o ano, já que o fato
gerador somente se completa e se caracteriza, ao final do respectivo período, ou seja, a 31 de
dezembro. Estava, por conseguinte, em vigor, antes do exercício financeiro, que se inicia a 1º de
janeiro do ano subsequente, o da declaração. 6. Em questão assemelhada, assim também decidiu o
Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do R.E. nº 197.790-6-MG, em data de 19 de
fevereiro de 1997.” (STF - RECURSO EXTRAORDINÁRIO: RE 194612 SC)
86

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 43


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE
INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 584 DO STF
RETROATIVIDADE PRÓPRIA RETROATIVIDADE IMPRÓPRIA
a lei se aplica a períodos de a lei se aplica a períodos de apuração não concluídos ainda,
apuração já concluídos isto é, a períodos de apuração em curso a partir do início da
quando iniciada a vigência, vigência do diploma normativo. Eis o sustentáculo da Súmula
ou seja, a períodos de 584 do STF: a norma tributária incide quando do término do
apuração já findos. Nesse ano-base, até porque o IR constitui exação de apuração
caso, ocorre uma violação à anual. O IR se encaixa na teoria dos tributos complexivos,
garantia da irretroatividade sinônimo de tributos de período: a hipótese de incidência
tributária. Ex.: norma tributária se concretiza no fim do período, mas leva em
vigente, a partir de janeiro consideração a integralidade do período. Em outras
de 2013, majora o IR palavras: antes do fim do período, inexiste fato gerador
visando a atingir a renda consumado. Logo, a norma impositiva não incide. Contudo, o
auferida na competência de ciclo de formação já começou com a ocorrência dos fatos
2012 econômicos passíveis de exação
87

PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE

JURISPRUDÊNCIA DO STJ
“Tributário. Imposto de Renda. Ciclo de Formação do Fato Gerador.
Momento da Disponibilidade Econômica ou Jurídica do Rendimento. CTN,
arts. 104, 106, 116 - Decreto-lei 1.967/82. Súmula 584/STF. 1. O fato
gerador do Imposto de Renda identifica-se com a disponibilidade
econômica ou jurídica do rendimento (CTN, art. 116). Inaplicabilidade
da Súmula 584/STF, construída à luz de legislação anterior ao CTN. 2.
A tributação do Imposto de Renda decorre de concreta disponibilidade
ou da aquisição de renda. 3. A lei vigente após o fato gerador, para a
imposição do tributo, não pode incidir sobre o mesmo, sob pena de
malferir os princípios da anterioridade e irretroatividade. 4.
Precedentes jurisprudenciais. 5. Recurso não provido.” (REsp 179966 RS)
88

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 44


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA

PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA


PRINCÍPIO PRINCÍPIO
DA DA
ANTERIORIDADE IRRETROATIVIDADE

89

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
“Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios: (...) II - instituir tratamento desigual entre
contribuintes que se encontrem em situação equivalente,
proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional
ou função por eles exercida, independentemente da
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos” (art.
150, II, CF)
“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,
à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)” (art. 5º, caput, CF)

90

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 45


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

PRINCÍPIO DA ISONOMIA E O
PRINCÍPIO DO PECUNIA NON OLET
Todos aqueles que realizarem o fato gerador do
tributo poderão ser chamados a compor o polo
passivo da relação jurídico-tributária,
independentemente da denominação jurídica dos
rendimentos, títulos ou direitos ou mesmo da
licitude ou ilicitude do fato praticado 91

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

PRINCÍPIO DA ISONOMIA E O
PRINCÍPIO DO PECUNIA NON OLET
 “Se o cidadão pratica atividades ilícitas com consistência
econômica, deve pagar o tributo sobre o lucro obtido, para
não ser agraciado com tratamento desigual frente às pessoas
que sofrem a incidência tributária sobre os ganhos
provenientes do trabalho honesto ou da propriedade
legítima” (Ricardo Lobo Torres, Tratado de Direito
Constitucional, Financeiro e Tributário, 2005, p. 372)
92

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 46


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PRINCÍPIO DA ISONOMIA E O PRINCÍPIO
DO PECUNIA NON OLET
 “A validade da ação, da atividade ou do ato em Direito Privado,
a sua juridicidade ou antijuridicidade em Direito Penal, disciplinar
ou, em geral, punitivo, enfim, a sua compatibilidade ou não com os
princípios da ética ou com os bons costumes não importam para o
problema da incidência tributária, por isso que a ela é indiferente
a validade ou nulidade do ato privado através do qual se
manifesta o fato gerador: desde que a capacidade econômica
legalmente prevista esteja configurada, a incidência há de
efetivamente ocorrer” (Amílcar de Araújo Falcão, Fato gerador da
obrigação tributária, 2002, p. 45)
93

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PRINCÍPIO DA ISONOMIA E O
PRINCÍPIO DO PECUNIA NON OLET
 O princípio visa dar tratamento isonômico aos detentores de
capacidade contributiva e, ao mesmo tempo, evitar que a
atividade criminosa se configurasse mais vantajosa
 “A exoneração tributária dos resultados econômicos de fato
criminoso – antes de ser corolário do princípio da
moralidade – constitui violação do princípio de isonomia
fiscal, de manifesta inspiração ética’ (STF, HC 77.530)

94

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 47


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

Princípio da isonomia e a capacidade


tributária passiva
Art. 126. A capacidade tributária passiva independe:
I - da capacidade civil das pessoas naturais;
II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou
limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da
administração direta de seus bens ou negócios;
III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que
configure uma unidade econômica ou profissional.

95

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
“Sempre que possível, os impostos terão caráter
pessoal e serão graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte, facultado à
administração tributária, especialmente para
conferir efetividade a esses objetivos, identificar,
respeitados os direitos individuais e nos termos da
lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades
econômicas do contribuinte” (art. 145, § 1º, CF) 96

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 48


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E O PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
PRINCÍPIO DA ISONOMIA (ART. 150, II, CF)
(ART. 145, § 1º, CF)
Sempre que possível, os impostos terão Sem prejuízo de outras garantias
caráter pessoal e serão graduados asseguradas ao contribuinte, é vedado à
segundo a capacidade econômica do União, aos Estados, ao Distrito Federal e
contribuinte, facultado à administração aos Municípios: (...) II - instituir tratamento
tributária, especialmente para conferir desigual entre contribuintes que se
efetividade a esses objetivos, identificar, encontrem em situação equivalente,
respeitados os direitos individuais e nos proibida qualquer distinção em razão de
termos da lei, o patrimônio, os ocupação profissional ou função por eles
rendimentos e as atividades econômicas exercida, independentemente da
do contribuinte denominação jurídica dos rendimentos,
títulos ou direitos
97

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E O PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA

PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA


NA CF/88 (ART. 145, § 1º) NA CF/46 (ART. 202)

Sempre que possível, os impostos terão Os tributos terão caráter pessoal,


caráter pessoal e serão graduados sempre que isso for possível, e serão
segundo a capacidade econômica do graduados conforme a capacidade
contribuinte, facultado à administração econômica do contribuinte
tributária, especialmente para conferir
efetividade a esses objetivos, identificar,
respeitados os direitos individuais e nos
termos da lei, o patrimônio, os
rendimentos e as atividades econômicas
do contribuinte
98

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 49


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E O PRINCÍPIO DA
CAPACIDADE CONTRIBUTIVA
O princípio da capacidade contributiva
funciona como pressuposto, parâmetro e
limite do poder normativo tributário

99

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E CAPACIDADE CONTRIBUTIVA


A expressão "sempre que possível" não se
aplica para a segunda parte do dispositivo
("capacidade contributiva")
As conclusões são as seguintes:
Os impostos terão caráter pessoal (sempre que
possível)
Os impostos serão graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte (sempre)

100

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 50


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

CAPACIDADE CONTRIBUTIVA: APLICAÇÃO ÀS TAXAS


“O fato de um dos elementos utilizados na fixação da base de cálculo do
IPTU – a metragem da área construída do imóvel – que é o valor do imóvel
(CTN, art. 33), ser tomado em linha de conta na determinação da alíquota
da taxa de coleta de lixo, não quer dizer que teria essa taxa base de
cálculo igual à do IPTU: o custo do serviço constitui a base imponível da taxa.
Todavia, para o fim de aferir, em cada caso concreto, a alíquota, utiliza-se a
metragem da área construída do imóvel, certo que a alíquota não se
confunde com a base imponível do tributo. Tem-se, com isto, também, forma
de realização da isonomia tributária e do princípio da capacidade
contributiva: CF, arts. 150, II, 145, § 1º.” (RE 232.393, Rel. Min. Carlos
Velloso, julgamento em 12-8-1999, Plenário, DJ de 5-4-2002.)

101

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E CONTRIBUIÇÃO
SOCIAL DE SEGURIDADE SOCIAL: EQUIDADE NA
FORMA DE PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO
“Compete ao Poder Público, nos termos da lei,
organizar a seguridade social, com base nos
seguintes objetivos: (...) V - equidade na forma de
participação no custeio” (art. 194, parágrafo único,
inciso V, CF)
102

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 51


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE


SEGURIDADE SOCIAL: EQUIDADE NA FORMA DE
PARTICIPAÇÃO NO CUSTEIO
“As contribuições sociais previstas no inciso I do caput deste
artigo [contribuição sobre a folha de salários, receita,
faturamento e lucro] poderão ter alíquotas ou bases de cálculo
diferenciadas, em razão da atividade econômica, da utilização
intensiva de mão-de-obra, do porte da empresa ou da
condição estrutural do mercado de trabalho” (art. 195, § 9º,
CF)
103

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E ALÍQUOTAS
PROGRESSIVAS
 A progressividade traduz-se em técnica
de incidência de alíquotas variadas,
cujo aumento se dá na medida em que
se majora a base de cálculo do tributo
 A progressividade pode ser: fiscal e
extrafiscal
104

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 52


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS
Impostos com alíquotas progressivas previstos
na Constituição Federal
IR (progressividade fiscal)
ITR (progressividade extrafiscal)
IPTU (progressividade fiscal e extrafiscal)
105

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E ALÍQUOTAS
PROGRESSIVAS - ITR
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
VI - propriedade territorial rural;
§ 4º. O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de
forma a desestimular a manutenção de propriedades
improdutivas

106

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 53


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E ALÍQUOTAS
PROGRESSIVAS - IR
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
III - renda e proventos de qualquer natureza;
§ 2º - O imposto previsto no inciso III:
I - será informado pelos critérios da generalidade,
da universalidade e da progressividade, na forma
da lei;
107

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS -
IPTU
 PROGRESSIVIDADE FISCAL
 Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
I - propriedade predial e territorial urbana;
§ 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º,
inciso II, o imposto previsto no inciso I poderá: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 29, de 2000)
I - ser progressivo em razão do valor do imóvel; e (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 29, de 2000)

108

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 54


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E ALÍQUOTAS
PROGRESSIVAS - IPTU
PROGRESSIVIDADE EXTRAFISCAL
 É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica
para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei
federal, do proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado
aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: (...) II - imposto
sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no
tempo (art. 182, § 4º, inciso II, CF)
109

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTAS E IMPOSTOS REAIS
IMPOSTO REAL IMPOSTO PESSOAL
Ocorre quando ele incide sobre algum O imposto é classificado como pessoal quando
elemento econômico de maneira objetiva, não a tributação varia de acordo com aspectos
levando em consideração a situação pessoal pessoais do contribuinte. A tributação será
do contribuinte. Em palavras simples, imposto maior ou menor conforme a capacidade
real é aquele que incide objetivamente sobre contributiva do devedor.
uma coisa, sem levar em conta a pessoa do
contribuinte.
Ex: o IPVA é imposto real e incide sobre a Ex: o IR é pessoal, tendo em vista que a
propriedade de veículos. Assim, se um tributação varia de acordo com as faixas de
milionário possui um "Gol modelo X, ano rendimentos de cada contribuinte e situações
2010" e um indivíduo pobre também possui o particulares (possibilidade de deduções –
mesmo carro, modelo e ano, ambos irão pagar gastos com saúde, número de filhos, gastos do
o mesmo valor de IPVA. educação etc.)
Nos impostos reais, em regra, a capacidade Nos impostos pessoais, a capacidade
contributiva é observada por meio da técnica contributiva, em regra, é observada por meio
da proporcionalidade, segundo a qual as da técnica da progressividade, segundo a
alíquotas são fixas e o que varia é a base de qual as alíquotas são maiores conforme se
cálculo (AL fixa e BC variável). aumenta a base de cálculo (BC varia, AL varia
progressivamente). 110

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 55


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTAS E IMPOSTOS REAIS

PATRIMÔNIO
IMPOSTOS
REAIS

IMPOSTO CONSUMO

IMPOSTOS
RENDA PESSOAIS
111

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTAS E IMPOSTOS REAIS: POSIÇÃO
ANTERIOR DO STF
É INCONSTITUCIONAL A LEI QUE ESTABELECE ALÍQUOTAS
PROGRESSIVAS PARA O IMPOSTO DE TRANSMISSÃO "INTER VIVOS"
DE BENS IMÓVEIS - ITBI COM BASE NO VALOR VENAL DO IMÓVEL
(SÚMULA 656, STF)
É INCONSTITUCIONAL A LEI MUNICIPAL QUE TENHA
ESTABELECIDO, ANTES DA EMENDA CONSTITUCIONAL 29/2000,
ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS PARA O IPTU, SALVO SE DESTINADA A
ASSEGURAR O CUMPRIMENTO DA FUNÇÃO SOCIAL DA
PROPRIEDADE URBANA (SÚMULA 668)

112

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 56


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PROGRESSIVIDADE DE ALÍQUOTAS E
IMPOSTOS REAIS: POSIÇÃO ATUAL DO STF
O STF decidiu que todos os impostos,
independentemente de sua classificação como
de caráter real ou pessoal, podem e devem
guardar relação com a capacidade
contributiva do sujeito passivo (RE
562.045/RS).
113

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
PROGRESSIVIDADE E IMPOSTOS REAIS
POSIÇÃO ANTERIOR DO STF POSIÇÃO ATUAL DO STF (RE 562.045)
A lei somente pode prever a técnica da progressividade A lei pode prever a técnica da progressividade tanto
para os impostos pessoais, salvo nas hipóteses em que a para os impostos pessoais como também para os reais. O
Constituição Federal expressamente a prevê para § 1º do art. 145 da CF/88 não proíbe que os impostos
impostos reais reais sejam progressivos.
O § 1º do art. 145 da CF/88, de forma implícita, É errada a suposição de que o § 1º do art. 145 da
somente permite a progressividade para os impostos CF/88 somente permite a progressividade para os
pessoais impostos pessoais. Todos os impostos estão sujeitos ao
princípio da capacidade contributiva, mesmo os que não
tenham caráter pessoal, e o que esse dispositivo
estabelece é que os impostos, sempre que possível,
deverão ter caráter pessoal.
Os impostos reais não podem ser progressivos, salvo se O ITCMD (que é um imposto real) pode ser progressivo
expressamente autorizados pela CF/88 (ex: IPTU) mesmo sem que esta progressividade esteja
expressamente prevista na CF/88. Ao contrário do que
ocorria com o IPTU (Súmula 668-STF), não é necessária a
edição de uma EC para que o ITCMD seja progressivo.
No caso dos impostos reais, o princípio da capacidade No caso do ITCMD, por se tratar de imposto direto, o
contributiva é atendido pela técnica da princípio da capacidade contributiva pode ser também
proporcionalidade. Desse modo, para atender ao realizado por meio da técnica da progressividade. Desse
princípio da capacidade contributiva, os impostos reais modo, existem impostos reais que podem ser
devem ser proporcionais e não progressivos. progressivos.
114

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 57


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E ALÍQUOTAS SELETIVAS - ICMS
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos
sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e
de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior
§ 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias
e dos serviços;

115

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E ALÍQUOTAS
SELETIVAS – IPI
Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados;
§ 3º - O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do
produto;
116

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 58


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

ISONOMIA E ALÍQUOTAS SELETIVAS

ICMS IPI
SELETIVIDADE SELETIVIDADE
FACULTATIVA OBRIGATÓRA

117

PRINCÍPIO DA ISONOMIA

ISONOMIA E EXTRAFISCALIDADE: ITR


O ITR terá suas alíquotas fixadas de forma
a desestimular a manutenção de
propriedades improdutivas (art. 153, § 4º, I,
CF)

118

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 59


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E EXTRAFISCALIDADE: IPTU
É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica
para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei
federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado
ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob
pena, sucessivamente, de: (...) II - imposto sobre a propriedade
predial e territorial urbana progressivo no tempo (art. 182, § 4º,
inciso II, CF)

119

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
ISONOMIA E EXTRAFISCALIDADE: INCENTIVOS FISCAIS
DESTINADOS A PROMOVER O EQUILÍBRIO DO
DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO ENTRE AS DIFERENTES
REGIÕES DO PAÍS
É vedado à União: I - instituir tributo que não seja uniforme em
todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência
em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais
destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento
socioeconômico entre as diferentes regiões do País (art. 151, I,
CF) 120

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 60


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA:
CASUÍSTICA DA JURISPRUDÊNCIA DO STF
 “3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional (EC
nº 41/2003, art. 4º, § único, I e II). Servidor público.
Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à
incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo
diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre
servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e
pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de
outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária,
que é particularização do princípio fundamental da igualdade.”
(ADIN 3.105)

121

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA
ISONOMIA: CASUÍSTICA DA
JURISPRUDÊNCIA DO STF
“EMENTA : - Isenção de IPTU, em razão da
qualidade de servidor estadual do Agravante,
postulada em desrespeito da proibição contida
no art. 150, II, da Constituição Federal de
1988.” (AI-AgR 157871 RJ)
122

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 61


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA: CASUÍSTICA
DA JURISPRUDÊNCIA DO STF
“TRIBUTÁRIO. COFINS. ART. 8.º E § 1.º DA LEI N.º 9.718/98. ALÍQUOTA
MAJORADA DE 2% PARA 3%. COMPENSAÇÃO DE ATÉ UM TERÇO COM A
CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL, QUANDO O CONTRIBUINTE
REGISTRAR LUCRO NO EXERCÍCIO. ALEGADA OFENSA AO PRINCÍPIO DA
ISONOMIA. Por efeito da referida norma, o contribuinte sujeito a ambas as
contribuições foi contemplado com uma bonificação representada pelo direito a
ver abatido, no pagamento da segunda (COFINS), até um terço do quantum
devido, atenuando-se, por esse modo, a carga tributária resultante da dupla
tributação. Diversidade entre tal situação e a do contribuinte tributado unicamente
pela COFINS, a qual se revela suficiente para justificar o tratamento diferenciado,
não havendo que falar, pois, de ofensa ao princípio da isonomia. Não-
conhecimento do recurso.” (RE 336134 RS)

123

PRINCÍPIO DA ISONOMIA
APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA:
CASUÍSTICA DA JURISPRUDÊNCIA DO STF
“4. Não há ofensa ao princípio da isonomia tributária se a lei,
por motivos extrafiscais, imprime tratamento desigual a
microempresas e empresas de pequeno porte de capacidade
contributiva distinta, afastando do regime do SIMPLES aquelas
cujos sócios têm condição de disputar o mercado de trabalho
sem assistência do Estado. Ação direta de inconstitucionalidade
julgada improcedente” (ADI 1643)

124

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 62


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

PREVISÃO CONSTITUCIONAL
“Art. 150. Sem prejuízo de outras
garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios: (...) IV - utilizar
tributo com efeito de confisco”

125

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

FUNDAMENTO
O tributo não pode ser usado para
suprimir todos os bens do contribuinte
(esvaziar a propriedade do contribuinte)
e nem para inviabilizar a sua atividade
econômica

126

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 63


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO


FUNDAMENTO
“A ideia subjacente é que o legislador, ao se utilizar do
poder de tributar que a Constituição lhe confere, deve
fazê-lo de forma razoável e moderada, sem que a
tributação tenha por efeito impedir o exercício de
atividades lícitas pelo contribuinte, dificultar o suprimento
de suas necessidades vitais básicas ou comprometer seu
direito a uma existência digna” – Princípio da
razoabilidade ou proporcionalidade da carga tributária
(Ricardo Alexandre)
127

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO


TRIBUTO CONFISCATÓRIO VERSUS TRIBUTO COM EFEITO DE
CONFISCO
TRIBUTO CONFISCATÓRIO TRIBUTO COM EFEITO DE CONFISCO
Vedação decorrente do art. 3º do Vedação do art. 150, IV, da CF
CTN
Tributo não pode constituir sanção de “Tributo com incidência exagerada
ato ilícito de forma que, absorvendo parcela
considerável do patrimônio ou da
renda produzida pelo particular,
gerasse nesse e na sociedade em
geral uma sensação de verdadeira
punição” (Ricardo Alexandre)
128

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 64


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO


JURISPRUDÊNCIA DO STF: O EFEITO CONFISCATÓRIO DEVE SER
ANALISADO EM RELAÇÃO À TRIBUTAÇÃO TOTAL
“A identificação do efeito confiscatório deve ser feita em função da totalidade da carga
tributária, mediante verificação da capacidade de que dispõe o contribuinte -
considerado o montante de sua riqueza (renda e capital) - para suportar e sofrer a
incidência de todos os tributos que ele deverá pagar, dentro de determinado período, à
mesma pessoa política que os houver instituído (a União Federal, no caso), condicionando-
se, ainda, a aferição do grau de insuportabilidade econômico-financeira, à observância,
pelo legislador, de padrões de razoabilidade destinados a neutralizar excessos de
ordem fiscal eventualmente praticados pelo Poder Público. Resulta configurado o caráter
confiscatório de determinado tributo, sempre que o efeito cumulativo - resultante das
múltiplas incidências tributárias estabelecidas pela mesma entidade estatal - afetar,
substancialmente, de maneira irrazoável, o patrimônio e/ou os rendimentos do
contribuinte.” (ADC-MC 8)
129

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO


JURISPRUDÊNCIA DO STF: CONTEÚDO DO PRINCÍPIO
"Tributação e ofensa ao princípio da proporcionalidade. O Poder Público, especialmente em sede de
tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal acha-se essencialmente
condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do
Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está
necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte
teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis
do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, acha-se vocacionado a inibir e a
neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificando-se como parâmetro
de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. – A prerrogativa institucional
de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou
de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É
que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a
ampará-lo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências
irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado." (ADI 2.551-MC-QO, Rel. Min.
Celso de Mello, julgamento em 2-4-2003, Plenário, DJ de 20-4-2006.)

130

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 65


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO E OS


TRIBUTOS EXTRAFISCAIS
Os tributos extrafiscais, em razão de não terem
função arrecadatória, servindo como instrumento
de ação política, econômica ou social, podem ter
caráter confiscatório

131

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

JURISPRUDÊNCIA DO STF: MULTA COM EFEITO


CONFISCATÓRIO
“A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o
contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando
a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres
públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de
desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de
outro, não pode ter um importe que lhe confira característica
confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros
tributos.” (RE 582.461, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 18-
5-2011, Plenário, DJE de 18-8-2011, com repercussão geral.)
132

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 66


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

JURISPRUDÊNCIA DO STF: MULTA COM EFEITO


CONFISCATÓRIO
“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. §§ 2.º E 3.º DO ART. 57 DO
ATO DAS DOSPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS TRANSITÓRIAS DA
CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. FIXAÇÃO DE VALORES
MÍNIMOS PARA MULTAS PELO NÃO-RECOLHIMENTO E SONEGAÇÃO DE
TRIBUTOS ESTADUAIS. VIOLAÇÃO AO INCISO IV DO ART. 150 DA CARTA
DA REPUBLICA. A desproporção entre o desrespeito à norma tributária e sua
consequência jurídica, a multa, evidencia o caráter confiscatório desta,
atentando contra o patrimônio do contribuinte, em contrariedade ao
mencionado dispositivo do texto constitucional federal. Ação julgada
procedente.” (ADI 551)

133

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DO CONFISCO

JURISPRUDÊNCIA DO STF: TAXA E O PRINCÍPIO


DO NÃO CONFISCO
“A taxa, enquanto contraprestação a uma atividade do Poder Público, não pode
superar a relação de razoável equivalência que deve existir entre o custo real da
atuação estatal referida ao contribuinte e o valor que o Estado pode exigir de
cada contribuinte, considerados, para esse efeito, os elementos pertinentes às
alíquotas e à base de cálculo fixadas em lei. Se o valor da taxa, no entanto,
ultrapassar o custo do serviço prestado ou posto à disposição do contribuinte,
dando causa, assim, a uma situação de onerosidade excessiva, que descaracterize
essa relação de equivalência entre os fatores referidos (o custo real do serviço,
de um lado, e o valor exigido do contribuinte, de outro), configurar-se-á, então,
quanto a essa modalidade de tributo, hipótese de ofensa à cláusula vedatória
inscrita no art. 150, IV, da Constituição da República.” (ADI-MC-QO 2551)

134

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 67


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO

PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios: (...) V - estabelecer limitações ao tráfego de
pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou
intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela
utilização de vias conservadas pelo Poder Público
“É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo
qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele
sair com seus bens” (art. 5º, XV, CF)

135

PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO

FUNDAMENTO
Não é possível tributação diferenciada com o
objetivo de limitar o tráfego de pessoas ou bens
Visa a evitar a guerra fiscal

136

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 68


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE
GEOGRÁFICA
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
É vedado à União: I - instituir tributo que não seja
uniforme em todo o território nacional ou que
implique distinção ou preferência em relação a
Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em
detrimento de outro, admitida a concessão de
incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio
do desenvolvimento socioeconômico entre as
diferentes regiões do País (art. 151, I, CF)
137

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE
GEOGRÁFICA
FUNDAMENTO
Visa proteger o pacto federativo
Os impostos da União têm de ter as
mesmas alíquotas em todo o território
nacional
Exceção: a União pode criar uma área de
incentivos fiscais no território nacional para
estimular o desenvolvimento regional
138

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 69


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE
GEOGRÁFICA
JURISPRUDÊNCIA DO STF
"Decreto 420/1992. Lei 8.393/1991. IPI. Alíquota regionalizada incidente
sobre o açúcar. Alegada ofensa ao disposto nos arts. 150, I, II e § 3º, e 151, I,
da Constituição do Brasil. Constitucionalidade. O Decreto 420/1992
estabeleceu alíquotas diferenciadas – incentivo fiscal – visando dar concreção
ao preceito veiculado pelo art. 3º da Constituição, ao objetivo da redução das
desigualdades regionais e de desenvolvimento nacional. Autoriza-o o art. 151,
I da Constituição. A alíquota de 18% para o açúcar de cana não afronta o
princípio da essencialidade. Precedente. A concessão do benefício da isenção
fiscal é ato discricionário, fundado em juízo de conveniência e oportunidade do
Poder Público, cujo controle é vedado ao Judiciário. Precedentes." (AI 630.997-
AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 24-4-2007, Segunda Turma, DJ de
18-5-2007.)
139

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE
GEOGRÁFICA
JURISPRUDÊNCIA DO STF
"A Constituição, na parte final do art. 151, I, admite a ‘concessão de incentivos
fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico
entre as diferentes regiões do país’. A concessão de isenção é ato
discricionário, por meio do qual o Poder Executivo, fundado em juízo de
conveniência e oportunidade, implementa suas políticas fiscais e econômicas e,
portanto, a análise de seu mérito escapa ao controle do Poder Judiciário.
Precedentes: RE 149.659 e AI 138.344-AgR." (RE 344.331, Rel. Min. Ellen
Gracie, DJ de 14-3-2003). Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção
a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE 159.026)."
(RE 344.331, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 11-2-2003, Primeira
Turma, DJ de 14-3-2003.)

140

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 70


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE DA TRIBUTAÇÃO


FEDERAL DAS OBRIGAÇÃO DA DÍVIDA PUBLICA E DA
REMUNERAÇÃO E PROVENTOS DOS AGENTES PÚBLICOS -
PROIBIÇÃO DE TRIBUTAÇÃO FEDERAL DIFERENCIADA
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Art. 151. É vedado à União: II - tributar a
renda das obrigações da dívida pública dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem
como a remuneração e os proventos dos
respectivos agentes públicos, em níveis superiores
aos que fixar para suas obrigações e para seus
agentes

141

PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE DA TRIBUTAÇÃO


FEDERAL DAS OBRIGAÇÃO DA DÍVIDA PUBLICA E DA
REMUNERAÇÃO E PROVENTOS DOS AGENTES PÚBLICOS -
PROIBIÇÃO DE TRIBUTAÇÃO FEDERAL DIFERENCIADA
FUNDAMENTO
Visa evitar que a União utilize o tributo como um
meio de concorrer deslealmente no mercado de
títulos da dívida pública (impede que a União
tribute os rendimentos gerados pelos títulos
estaduais e municipais de maneira mais gravosa
que aqueles gerados pelos títulos que ela própria
emite, evitando concorrência desleal no mercado
de títulos da dívida pública) e na seleção de
servidores públicos
142

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 71


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Art. 151. É vedado à União:
(...) III - instituir isenções de
tributos da competência dos
Estados, do Distrito Federal ou
dos Municípios.
143

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS
FUNDAMENTO
O poder de isentar é natural decorrência do
poder de tributar
Assim, as isenções somente podem ser concedidas
pelo ente federado a quem a Constituição atribuiu
a competência para a instituição do tributo
É importante garantia do pacto federativo, na
medida em que interdita que os entes federativos
maiores interfiram na arrecadação dos entes
menores, pondo em risco a sua autonomia
144

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 72


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS

ISENÇÕES
AUTÔNOMAS HETERÔNOMAS
(AUTONÔMICAS) (HETEROTÓPICAS)
Concedidas pelo ente Concedidas por ente
federado a quem a federado diverso
Constituição atribuiu a daquele que tem
competência para a competência para a
criação do tributo criação do tributo 145

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS
EXCEÇÕES
1. Isenção heterônoma do ICMS incidente nas operações com
serviços e outros produtos destinados ao exterior (art. 155, § 2º, XII,
e, CF)
2. Isenção heterônoma do ISS nas exportações de serviços para o
exterior (art. 156, § 3º, II, CF)

A isenção heterônoma do ICMS incidente nas operações com serviços e


outros produtos destinados ao exterior perdeu sentido com a EC 42/2003,
que determinou a imunidade do ICMS sobre operações que destinem
mercadorias para o exterior e sobre os serviços prestados a destinatários
no exterior 146

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 73


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS
ISENÇÃO HETERÔNOMA DECORRENTE DE TRATADO
INTERNACIONAL: POSSIBILIDADE
“A cláusula de vedação inscrita no art. 151, inciso III, da Constituição – que proíbe a
concessão de isenções tributárias heterônomas – é inoponível ao Estado Federal brasileiro
(vale dizer, à República Federativa do Brasil), incidindo, unicamente, no plano das relações
institucionais domésticas que se estabelecem entre as pessoas políticas de direito público
interno (...). Nada impede, portanto, que o Estado Federal brasileiro celebre tratados
internacionais que veiculem cláusulas de exoneração tributária em matéria de tributos locais
(como o ISS, p. ex.), pois a República Federativa do Brasil, ao exercer o seu treaty-making
power, estará praticando ato legítimo que se inclui na esfera de suas prerrogativas como
pessoa jurídica de direito internacional público, que detém – em face das unidades
meramente federadas – o monopólio da soberania e da personalidade internacional.” (RE
543.943-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 30-11-2010, Segunda Turma, DJE de
15-2-2011.)
147

PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE ISENÇÕES


HETERÔNOMAS
ISENÇÃO HETERÔNOMA DECORRENTE DE TRATADO
INTERNACIONAL: POSSIBILIDADE
"A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio para as
mercadorias importadas dos países signatários, quando o similar nacional tiver o mesmo
benefício, foi recepcionada pela Constituição da República de 1988. O art. 98 do Código
Tributário Nacional ‘possui caráter nacional, com eficácia para a União, os Estados e os
Municípios’ (voto do eminente Ministro Ilmar Galvão). No direito internacional apenas a
República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art. 52, § 2º, da CF),
dela não dispondo a União, os Estados-membros ou os Municípios. O Presidente da
República não subscreve tratados como chefe de Governo, mas como chefe de Estado, o
que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo art. 151, III, da
Constituição.” (RE 229.096, Rel. p/ o ac. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 16-8-2007,
Plenário, DJE de 11-4-2008.)
148

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 74


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO


BASEADA EM PROCEDÊNCIA OU DESTINO

PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Art. 152. É vedado aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios
estabelecer diferença tributária entre bens
e serviços, de qualquer natureza, em razão
de sua procedência ou destino.

149

PRINCÍPIO DA NÃO DISCRIMINAÇÃO


BASEADA EM PROCEDÊNCIA OU DESTINO
FUNDAMENTO
Proteção do pacto federativo

150

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 75


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
Qualquer subsídio ou isenção, redução de base
de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia
ou remissão, relativos a impostos, taxas ou
contribuições, só poderá ser concedido mediante lei
específica, federal, estadual ou municipal, que
regule exclusivamente as matérias acima
enumeradas ou o correspondente tributo ou
contribuição (art. 150, § 6º, CF)
151

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS

FUNDAMENTO
Como o crédito tributário é parte do
patrimônio público, qualquer benefício
fiscal somente poderá ser concedido
mediante lei (autorização do povo), em
razão do princípio da indisponibilidade do
interesse e do patrimônio público

152

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 76


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS
FUNDAMENTO
“A adoção do processo legislativo decorrente do art. 150, § 6º, da
Constituição Federal, tende a coibir o uso desses institutos de desoneração
tributária como moeda de barganha para a obtenção de vantagem pessoal
pela autoridade pública, pois a fixação, pelo mesmo Poder instituidor do
tributo, de requisitos objetivos para a concessão do benefício tende a mitigar
arbítrio do Chefe do Poder Executivo, garantindo que qualquer pessoa física
ou jurídica enquadrada nas hipóteses legalmente previstas usufrua da benesse
tributária, homenageando-se aos princípios constitucionais da impessoalidade,
da legalidade e da moralidade administrativas (art. 37, caput, da
Constituição da República).” (ADI 3.462)
153

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS
LEI ESPECÍFICA: CONTEÚDO
Lei que regula especificamente benefícios
fiscais ou o correspondente tributo
A exigência de lei específica visa a evitar a
prática de esconder benefícios fiscais dentro de
leis que tratam de matéria totalmente diversa
da tributária

154

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 77


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS
LEI ESPECÍFICA: CONTEÚDO
“1. Ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra o art. 13, §
3º da LC 123/2006, que isentou as microempresas e empresas de
pequeno porte optantes pelo Regime Especial Unificado de
Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas
e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional (“Supersimples”). 2.
Rejeitada a alegação de violação da reserva de lei específica para
dispor sobre isenção (art. 150, § 6º da Constituição), uma vez que há
pertinência temática entre o benefício fiscal e a instituição de regime
diferenciado de tributação. Ademais, ficou comprovado que o
Congresso Nacional não ignorou a existência da norma de isenção
durante o processo legislativo.” (ADI 4.033)
155

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS
DELEGAÇÃO LEGAL PARA O PODER EXECUTIVO CONCEDER
BENEFÍCIOS FISCAIS: IMPOSSIBILIDADE
“Ocorrência, no caso, de atuação ultra vires do Poder Legislativo,
consubstanciada na abdicação de sua competência institucional em favor
do Poder Executivo, facultando a este, mediante ato próprio, a
prerrogativa de inovar na ordem jurídica em assunto (liberalidade
estatal em matéria tributária) na qual a Constituição Federal impõe
reserva absoluta de lei em sentido formal” (ADI 3.462 MC)
“A autorização para a concessão de remissão e anistia, a ser feita “na
forma prevista em regulamento” (art. 25 da Lei n. 6.489/2002),
configura delegação ao Chefe do Poder Executivo em tema inafastável
do Poder Legislativo” (ADI 3.462)
156

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 78


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS

EXCEÇÃO
A concessão de benefícios fiscais do ICMS
deve ser precedida de deliberação
conjunta dos Estados e do Distrito Federal,
conforme regulado em lei complementar
(art. 155, § 2º, g, CF)

157

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS

EXCEÇÃO
“TRIBUTÁRIO - IMPOSTOS MUNICIPAIS - ISENÇÃO
CONCEDIDA POR MEIO DE RESOLUÇÃO LEGISLATIVA:
ILEGALIDADE - VIOLAÇÃO DO ART. 176 DO CTN. 1. Nos
termos do art. 176 do CTN, a isenção tributária somente pode
ser concedida mediante lei específica, com exceção do ICMS,
que se dá mediante convênio firmado entre todos os Estados
(art. 150, § 6º c/c 155, § 2º, XII, g, da CF/88). 2. Ilegalidade
da concessão de isenção de tributos municipais por resolução
legislativa. 3. Recurso especial provido” (STJ, Resp 723.575)

158

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 79


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA


PARA A CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS

EXCEÇÃO
“ICMS - SERVIÇOS PÚBLICOS ESTADUAIS PRÓPRIOS,
DELEGADOS, TERCEIRIZADOS OU PRIVATIZADOS DE ÁGUA,
LUZ, TELEFONE E GÁS - IGREJAS E TEMPLOS DE QUALQUER
CRENÇA - CONTAS - AFASTAMENTO - "GUERRA FISCAL" -
AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO. Longe fica de exigir
consenso dos Estados a outorga de benefício a igrejas e
templos de qualquer crença para excluir o Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços nas contas de serviços
públicos de água, luz, telefone e gás.” (ADI 3.421)
159

PRINCÍPIO TRANSPARÊNCIA FISCAL

PREVISÃO CONSTITUCIONAL
A lei determinará medidas para que
os consumidores sejam esclarecidos
acerca dos impostos que incidam sobre
mercadorias e serviços (art. 150, § 5º,
CF)
160

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 80


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO TRANSPARÊNCIA FISCAL

FUNDAMENTO
Desenvolver a cultura da cidadania
fiscal, de modo que o consumidor tenha
conhecimento da carga tributária
embutida no serviço ou bem

161

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE


PREVISÃO CONSTITUCIONAL
O IPI será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado
nas anteriores (art. 153, § 3º, inciso II, CF)
O ICMS será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação
de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro
Estado ou pelo Distrito Federal (art. 155, § 2º, I, CF)
A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos
incisos I, b; e IV do caput [contribuição social de seguridade sobre a receita ou o faturamento e do
importador de bens ou serviços do exterior], serão não-cumulativas (art. 195, § 12, CF)
A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde
que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição (art. 154, I, CF – imposto residual)
A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social,
obedecido o disposto no art. 154, I (art. 195, § 4º, CF – contribuição social residual de seguridade social)

162

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 81


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

FUNDAMENTOS E APLICAÇÃO
Visa a evitar a cobrança de tributos em cascata – o tributo incide sobre ele
mesmo
Sempre que um tributo for plurifásico (incidir várias vezes sobre o mesmo
item), cada vez que o tributo for pago em uma etapa dessa cadeia de
circulação ou produção, esse tributo pago gerará um crédito que será
descontado na saída
Aplica-se somente ao IPI, ICMS, contribuições sociais de seguridade social
sobre a receita ou faturamento e do importador de bens ou serviços do
exterior, impostos residuais e contribuições sociais residuais de seguridade
social

163

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

FUNDAMENTOS E APLICAÇÃO
“(...) os conceitos de cumulatividade e não-cumulatividade pressupõem
a existência de fatos geradores que componham uma cadeia
econômica, formada por várias operações. Isso porque a não-
cumulatividade visa a evitar o efeito “cascata” da tributação,
compensando-se o valor referente ao tributo recolhido nas operações
anteriores com o valor a ser recolhido na operação ora considerada.
Tem por escopo, indubitavelmente, desonerar o contribuinte da
repercussão econômica que um sistema de tributação cumulativo
acarretaria no preço final do produto.” (Rodrigo Koehler Ribeiro, O
princípio da não-cumulatividade no Direito Tributário Brasileiro)

164

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 82


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

FUNDAMENTOS E APLICAÇÃO
“(...) os conceitos de cumulatividade e não-cumulatividade pressupõem
a existência de fatos geradores que componham uma cadeia
econômica, formada por várias operações. Isso porque a não-
cumulatividade visa a evitar o efeito “cascata” da tributação,
compensando-se o valor referente ao tributo recolhido nas operações
anteriores com o valor a ser recolhido na operação ora considerada.
Tem por escopo, indubitavelmente, desonerar o contribuinte da
repercussão econômica que um sistema de tributação cumulativo
acarretaria no preço final do produto.” (Rodrigo Koehler Ribeiro, O
princípio da não-cumulatividade no Direito Tributário Brasileiro)

165

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

FUNDAMENTOS E APLICAÇÃO
“(...) a não-cumulatividade nada mais é que o direito do contribuinte
creditar-se do valor recolhido, a título de imposto, nas operações
anteriores relativas ao mesmo produto, mercadoria ou serviço. O
tributo não-cumulativo, nesse aspecto, incide sobre o valor total da
operação, e não somente sobre o valor agregado. É esse o sistema
estabelecido pela nossa Carta Constitucional, configurado através de
uma compensação entre valores.” (Rodrigo Koehler Ribeiro, O
princípio da não-cumulatividade no Direito Tributário Brasileiro)

166

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 83


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE


EXEMPLO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

PRODUTO X=20
IPI SOBRE X/Y/Z=10% C=CRÉDITO
PRODUTO Y=50
D=DÉBITO
PRODUTO Z=100

PRODUTO X PRODUTO Y PRODUTO Z

CONSUMIDOR
EMPRESA A EMPRESA A EMPRESA A
FINAL
C=0 D=2 C=2 D=5 C=5 D=10

2 3 5 10 NÃO CUMULATIVIDADE

2 5 10 17 167
CUMULATIVIDADE

PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE

NÃO CUMULATIVIDADE E ISENÇÃO, NÃO


INCIDÊNCIA E ALÍQUOTA ZERO
“IPI - INSUMO - ALÍQUOTA ZERO - AUSÊNCIA DE
DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso
II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal,
observa-se o princípio da não-cumulatividade
compensando-se o que for devido em cada operação com
o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se
pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra
na indústria considerada a alíquota zero.” (RE 353.657)
168

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 84


PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS

PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE
PREVISÃO CONSTITUCIONAL
 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
IV - produtos industrializados;
§ 3º - O imposto previsto no inciso IV:
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que
as operações e as prestações se iniciem no exterior
§ 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mercadorias e dos
serviços;
169

PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE
As alíquotas do ICMS (facultativamente) e do IPI
(obrigatoriamente) serão graduadas conforme a
essencialidade do produto ou do serviço

ICMS IPI
SELETIVIDADE SELETIVIDADE
FACULTATIVA OBRIGATÓRA

170

LEANDRO MACÊDO - DIREITO TRIBUTÁRIO I 85