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Informática Básica nas Escolas Públicas Buscando a

Inclusão Digital dos Estudantes da Oitava Série do Ensino


Fundamental em diante e da Comunidade em Geral
Renata L. da Costa1, Alcides Hermes Thereza Jr.1, Rodrigo de S. Gomide2

Rafaela do Vale S. Gomide2, Eduardo Filgueiras Damasceno1


1
Centro Federal de Educação Tecnológica de Rio Verde (CEFET-RV)
2
Universidade Estadual de Goiás (UEG)
rcosta@cefetrv.edu.br, teacheralcides@gmail.br, sousagomide@gmail.br

eduardodamasceno@uol.br, valegomide@gmail.com

Abstract. This paper describes experiences acquired with Basic Computer


Science Courses offered, freely, for Junior High School students on of public
school and community of a small town with fifty thousand inhabitants
approximately. The partner-educational aspects of the digital inclusion are
presented in this research.

Resumo. Este artigo descreve as experiências adquiridas em cursos de


informática básica oferecidos gratuitamente aos alunos da rede pública e à
comunidade de uma cidade interiorana de, aproximadamente, cinqüenta mil
habitantes. São abordados nesta pesquisa os aspectos sócio-educacionais da
inclusão digital envolvendo estudantes da oitava série do ensino fundamental
em diante e adultos da comunidade em geral.

1. A Informática na Educação
Opiniões excessivamente técnicas em relação ao uso da informática fogem à real
abrangência da mesma na sociedade hoje, ou seja, a informática tem se apresentado não
apenas como uma ferramenta de auxílio no desenvolvimento de tarefas nas empresas ou
de uso específico dos profissionais da informática, mas sim, como um recurso
facilitador que invade todas as áreas do conhecimento e, no caso da educação, tem
grande relevância desde a educação infantil, o ensino superior, ensino de jovens e
adultos, portadores de necessidades especiais, entre outros.
Quando se fala em Informática, uma primeira visão para colocá-la em prática se
restringe à ter um computador e, para isso, fazer parte de uma elite social. Segundo
Guilherme Lira (AcessoBrasil 2007), Presidente da Acessibilidade Brasil, apenas 20%
da população brasileira possui computador em casa. Há muito tempo as escolas privadas
oferecem aulas de computação como parte das disciplinas curriculares. Pode-se
observar, então, que a população com maior poder aquisitivo não tem sofrido com a
falta de tecnologia nem na escola e nem em casa. Em contrapartida, os demais 80% da
população que não possui computador em casa, na sua grande maioria, também
frequenta a escola pública e, consequentemente, não tem aulas de computação na escola,
com raras exceções.

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Há alguns anos, projetos governamentais autorizaram a distribuição de
computadores em algumas escolas públicas brasileiras. Atualmente, existe uma
promessa de investimentos acima de R$170 milhões de reais para a distribuição de
75.580 computadores a 7500 escolas de ensino médio que ainda não possuem
laboratório de informática (Acessobrasil 2007). Há, ainda, a promessa de distribuição de
laptops adaptados para educação infantil.
É perfeitamente notável a importância de se usar esses laboratórios que já foram
montados em algumas escolas públicas. Deve-se pensar há quanto tempo a comunidade
de baixa renda tem ficado fora desse círculo tecnológico? Que tipo de prejuízos os
estudantes da rede pública têm tido em relação aos da rede privada por essa razão?
Consequentemente, o quanto se tem excluído esse grupo de pessoas de oportunidades de
trabalho por nunca terem tido aulas de informática na escola?
Hoje, há laboratórios, escolas com laboratórios e universidades preocupadas
com a responsabilidade social. Por esse motivo, alguns professores e alunos de uma
universidade organizaram os Cursos de Informática Básica para Estudantes da Oitava
Série do Ensino Fundamental em diante e Comunidade em Geral. Esses cursos foram
oferecidos gratuitamente utilizando os laboratórios de informática das escolas públicas
da região e o conhecimento dos professores e alunos de uma instituição de ensino
superior.

2. A Inclusão Digital
A Inclusão Digital envolve os cidadãos, o governo, as instituições públicas e, até
mesmo, as privadas. Promover a inclusão digital é algo que, além das questões sociais
envolvidas, é um direito que o cidadão tem de participar das tecnologias existentes, ter
uma educação mais atualizada, capacitação profissional, maior competitividade no
mercado, etc.
De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 54,3% dos
brasileiros nunca fizeram uso de um computador e 66,6% jamais acessaram qualquer
informação na Internet (ComputadorparaTodos 2007). É perceptível a quantidade de
pessoas que estão às margens dos avanços tecnológicos.
Foi dando mais atenção para os números mencionados nos parágrafos anteriores
e nas estatísticas de 2005 que surgiu a idéia de unir as escolas públicas, as universidades
estaduais, os professores e seus alunos, todos em busca da inclusão digital. Dessa forma,
foram envolvidas pessoas de todos os seguimentos mencionados para promover, mesmo
que em pequena quantidade, a inclusão digital.
Este projeto foi muito rico no que diz respeito à responsabilidade social. Os
professores que participaram sabiam de sua importância, no entanto, só conseguiram
sentir a relevância da gratificação quando viram os frutos. Para os alunos que
participaram do projeto foi o despertar para a cidadania. Eles vivenciaram a realidade
dos alunos, o mundo restrito do conhecimento que é passado a eles e, principalmente, a
emoção do aluno ao ter contato com o computador. Além disso, para muitos dos alunos
participantes foi a primeira vez que eles atuaram como professores. Dessa forma,
puderam ter o prazer de repassar o conhecimento adquirido logo nos primeiros anos da
universidade.

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Houve um grande incentivo, por parte da coordenação pedagógica da escola e do
corrente projeto, aos professores da rede pública para que pudessem se envolver também
nesse projeto. A intenção é que os professores também sejam incluídos nesse mundo
tecnológico, sabendo-se que grande parte dos docentes sofrem do que chamamos
tecnofobia.
A tecnofobia representa o medo do computador que os profissionais das áreas
que não são da informática têm. Esse medo existe em diversas pessoas e áreas de
trabalho e, por essa razão, a maioria delas deixa de usufruir da tecnologia.
Especialmente em se tratando de professores, seja de português, geografia, história,
matemática ou demais áreas do conhecimento, a expectativa é que esses profissionais
consigam fazer uso da tecnologia em favor do aprendizado da sua disciplina.
Não se pode mais difundir o conhecimento sem pensar na interdisciplinariedade.
Quando um docente consegue fazer uso da tecnologia com a intenção de promover a
aprendizagem, ele está demonstrando, também, a importância da conexão entre uma
área e outra; nesse caso, a conexão entre a informática e a disciplina do professor.
Nesse projeto houve a participação de professores da rede pública também.
Mesmo sendo abordada apenas a informática básica, esses professores foram orientados
a aprender como fazer uso desses aplicativos básicos em suas disciplinas. Por exemplo,
o professor de matemática pode levar os alunos ao laboratório de informática e,
dependendo do conteúdo que está sendo abordado, fazer um exercício de fixação num
software manipulador de planilhas. Nesse momento, é possível praticar a montagem e
resolução de diversas expressões matemáticas.
Um outro fato interessante da importância dos professores também fazerem parte
da inclusão digital é ressaltar o quanto eles utilizarão da interdisciplinariedade ao
utilizarem os computadores como ferramenta de apoio à aprendizagem. Um outro
exemplo muito interessante é o dos professores de história e português. Eles podem
trabalhar juntos uma produção textual de determinado fato histórico. Nesse caso, o
estudante desenvolveria habilidades na produção textual utilizando as correções
automáticas do aplicativo de edição de textos, sintetizaria o fato histórico estudado
conseguindo expressá-lo de forma escrita e, além disso, ainda estaria praticando o uso
do computador como ferramenta na edição de trabalhos. Nesse tipo de trabalho, há,
ainda, a riqueza da interdisciplinariedade ao trabalhar três áreas do conhecimento
diferentes simultaneamente: português, história e informática.

4. A Responsabilidade Social das Universidades


O conceito de informática pode ser aplicado à uma reestruturação social. Os professores
de universidades devem ter a consciência de promoverem não só o ensino, mas,
também, a pesquisa e a extensão.
Os cursos de extensão caracterizam-se por oferecer cursos abertos à comunidade.
Foi nesse conceito que essa equipe investiu e se uniu com as escolas públicas da região
pra oferecer cursos gratuitos. Assim, professores e alunos universitários se mantêm
envolvidos com a sociedade, buscam a inclusão digital e é despertada a consciência
solidária em todos os participantes.

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Para os alunos da inclusão digital, esse é um momento de descoberta dos
equipamentos, suas vantagens, uma oportunidade de se capacitar um pouco mais,
cultura e lazer.

4.1. Cursos de Extensão Oferecidos Gratuitamente à Comunidade


Nos anos de 2004 a 2006, foram oferecidos cursos de informática básica para alunos a
partir da Oitava Série do Ensino Fundamental e sua comunidade. Esses cursos foram
oferecidos gratuitamente, utilizando os laboratórios de informática das escolas estaduais
públicas, o conhecimento e experiência de professores de universidades estaduais e,
com louvor, a participação dos alunos dos cursos superiores desses professores.
Na Tabela 1, é possível observar quantos alunos foram atendidos com esse
projeto. Alunos que agora podem continuar buscando mais conhecimento tecnológico
porque perderam o medo e foram incentivados a estudarem mais e se capacitar cada vez
mais.
Tabela 1. Número de alunos das escolas públicas e de integrantes da
comunidade atendidos nos cursos gratuitos nos anos de 2004, 2005 e 2006.

Cursos Oferecidos Alunos a partir da Professores da Adultos da


a Nível de Usuário 8ª série do EF rede pública Comunidade
2004 40 4 20
2005 96 2 22
2006 88 2 18
Os cursos oferecidos foram todos a nível de usuário. Foram eles: operador de
sistema operacional, editor de textos, manipulação de planilhas, composição de slides e
internet.
Pode-se observar, na Tabela 1, que, aproximadamente, 300 pessoas receberam o
certificado de Curso de Informática Básica. Esses estudantes e adultos tiveram sua auto-
estima aumentada e se sentiram capazes para continuar lutando e investindo em
capacitação profissional.
Quanto aos professores da rede pública, pode-se notar, por meio da Tabela 1,
que a participação deles, em quantidade, não foi muito significativa. Os oito professores
participantes dessa inclusão concluíram o curso satisfeitos com as descobertas de uso da
informática nas suas disciplinas.
Durante esses três anos com esse projeto, diagnosticou-se que um grande
número de professores têm um acentuado grau de tecnofobia. Esse sentimento os
impede sequer de tentar aprender a operar o micro de forma que o mesmo seja uma
ferramenta de apoio e não substituição do trabalho do professor.
De qualquer forma, é perfeitamente possível notar o sucesso desse projeto. Além
daqueles que ganharam os cursos, não se pode deixar de levar em conta o quanto esse
tipo de projeto é, também, gratificante para aqueles que se empenharam para que o
curso acontecesse.

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Ações comunitárias coordenadas por entidades do Terceiro Setor, escolas
comunitárias de informática, entre outros, depoimentos de monitores, educadores,
formuladores de políticas públicas e, principalmente, de usuários de baixa renda,
revelam os impactos e os benefícios dessas ações nas suas vidas (Dias 2003).

5. References
Dias, L. R. (2003) “Inclusão digital: com a palavra, a sociedade”, Editado pó Plano de
Negócios.
Gianolla, R. (2006) “Informática na Educação: Representações Sociais do Cotidiano -
vol. 96 ”, Editora Cortez. 3ª Edição.
Warschauer, M. (2006) “Tecnologia e Inclusão Social: a Exclusão Digital em Debate”,
Editado por Senac. 1ª Edição.
AcessoBrasil (2007) http://www.acessobrasil.org.br/index.php?itemid=778 e 821.
Acessado em 28/02/2007.
ComputadorParaTodos(2007)http://www.computadorparatodos.gov.br/noticias/2007022
6_01. Acessado em 01/03/2007.
MEC, http://portal.mec.gov.br/. Acessado em 28/02/2007.

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