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06/12/2016 Decifrando a Música

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Decifrando a Música
sexta­feira, 14 de setembro de 2012 Arquivo do blog

▼  2012 (4)
Sinhá ­ Chico Buarque e João Bosco ­ 2011 ▼  Setembro (2)
Sinhá ­ Chico Buarque e João
Bosco ­ 2011
Como Eu Quero ­ Leoni e Paula
Toller ­ 1983

►  Agosto (2)

Quem sou eu

Alan Scipião  
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Visualizar meu perfil completo

Se a dona se banhou 
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá 
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem

Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê 
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz

Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá 
Se a dona se despiu 
Eu já andava além
Estava na moenda 
Estava para Xerém

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá 
Para que que vosmincê 
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá 
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê 
Me tira a luz

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor 
Cantor atormentado 
Herdeiro sarará 
Do nome e do renome 
De um feroz senhor de engenho

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06/12/2016 Decifrando a Música
E das mandingas de um escravo 
Que no engenho enfeitiçou Sinhá

Certamente esta é a melhor musica que já vi nascer. É dessas músicas que, quando ouvidas pela
primeira vez, antes de chegar ao final, já se tem a certeza que ficará para sempre. A melodia é
cadenciada, cheia de sons a serem descobertos e já nos remete a um tempo passado, onde a
estória aconteceu. Foi lançada no mais no disco: Chico, de Chico Buarque.

A música, uma parceria de Chico e João Bosco, é na sua grande parte narrada por um escravo
que, com palavras, se defende das investidas violentas do feitor que o acusa de ter visto sinhá
banhar­se no açude, sem roupa.

Se a dona se banhou 
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá 
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem

O escravo inicia sua fala alegando não ter conhecimento do banho de sinhá (Se a dona se banhou),
também diz que não estava no açude, que estava na roça. Numa tentativa quase desesperada, ele
diz que não é de olhar ninguém, mas mesmo que fosse, não tem mais cobiça de olhar para uma
mulher e, mesmo assim se tivesse, sequer enxerga bem.

Além da negação, que toma conta de praticamente toda a estrofe, há também uma tentativa de
sensibilizar seu algoz, no terceiro verso (Por Deus Nosso Senhor) uma vez que, apesar de
obrigados a seguir alguns costumes cristãos, a grande maioria dos escravos tem crenças
africanas.

Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê 
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz

Na segunda estrofe, cada vez mais desesperado, o escravo investe todas suas fichas na tentativa
de sensibilizar seu senhor. Ele indaga porque será aleijado (e não é força de expressão) se está
jurando que nunca viu sinhá. Numa tentativa de confundir, o escravo admite sua inferioridade e
indaga porque o feitor sendo superior irá lhe fazer mal (Porque me faz tão mal, Com olhos tão
azuis).

Por fim, mais uma referência ao cristianismo (Me benzo com o sinal, Da Santa Cruz).

Entre a segunda e terceira estrofe, onde temos uma parte apenas instrumental é possível identificar
um som cadenciado, que depois se torna mais frequente e, na minha leitura se trata de chicotadas,
proferidas contra o escravo.

Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá 

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06/12/2016 Decifrando a Música
Se a dona se despiu 
Eu já andava além
Estava na moenda 
Estava para Xerém

Após a seção de tortura a versão apresentada pelo escravo é mudada, e ele passa a admitir que
esteve no açude, no entanto foi levado até lá porque seguia uma sabiá. Diz também que olhou
apenas para as árvores, que não olhou sinhá, no entanto, automaticamente admite que sabia que
ela estava lá.

A situação do pobre escravo só se complica, pois, na sequencia, ele alega que se ela tirou a roupa
ele já havia saído, ou seja, enquanto ele estava lá, ela estava vestida, neste caso ele a viu, o que
o faz entrar novamente em contradição.

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá 
Para que que vosmincê 
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá 
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê 
Me tira a luz

Sempre usando a linguagem da época, e alegando que não viu sinhá, o escravo implora mais uma
vez ao feitor, temendo além de ter seu corpo talhado, ter seus olhos furado como castigo por olhar
quem não devia.

Nesta estrofe o escravo revela de maneira clara e inequívoca seu sincretismo religioso, recorrendo
no momento maior de desespero à sua crença e à crença dos seus senhores (Eu Choro em
Ioruba, Mas oro por Jesus).

Por fim, já descompromissado no tratamento (vassuncê), e frente a sua pena, ele ainda indaga ao
seu algoz com que intuito ele acabou de lhe cegar.

Agora a música muda. Quem fala agora é Chico. O vocabulário é atual e até a métrica dos versos
é outra.

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor 
Cantor atormentado 
Herdeiro sarará 
Do nome e do renome 
De um feroz senhor de engenho
E das mandingas de um escravo 
Que no engenho enfeitiçou Sinhá

Chico se classifica como um cantor com voz de pelourinho e ares de senhor, uma referência às
suas características físicas, com seus olhos azuis e, claro, a sua voz que é meio rouca e suja,
como se diz no meio musical.

Indo bem mais longe do que em Paratodos (O meu pai era paulista, Meu avô pernambucano, O
meu bisavô mineiro, Meu tataravô baiano) Chico buscou nos seus ancestrais o seu sangue sarará
(mestiço de branco e negro), onde o branco erá um senhor de engenho (não sei se feroz) e a negra
uma escrava, por quem ele se apaixonou e casou.

Abaixo uma transcrição do livro Buarque : uma Família Brasileira : Ensaio Histórico Genealógico,
de Bartolomeu Buarque de Holanda, lançado no ano de 2011:

 “Eu quis mostrar estes personagens que foram marcantes na árvore genealógica da família.
Acredito que, entre todas as ramificações, a mais curiosa é a que gerou a união de José Ignácio
Buarque de Macedo (Senhor de engenho) e a escrava Maria José. Apesar de analfabeta, ela foi a
primeira mulher na família a colocar o estudo como prioridade. Curiosamente, seus descendente
fizeram jus à dedicação e geraram figuras como Aurélio Buarque, Chico Buarque e Cristóvam
Buarque, entre outros”

No fim, mas não menos importante, Chico também se declara herdeiro das mandingas do referido
escravo e entrega que de fato o escravo havia enfeitiçado sinhá e que aqueles que o castigaram
“tinham razão”, dentro de sua ótica.

Ouçam a música, tenham a própria interpretação de vocês, mas tenham certeza que daqui há
muito tempo ela ainda será lembrada, tocada, admirada e terá ainda muitas nuances a serem
descobertas.

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06/12/2016 Decifrando a Música

Sinhá - Chico Buarque e João ...

Postado por Alan Scipião às 08:14  12 comentários: 

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quinta­feira, 6 de setembro de 2012

Como Eu Quero ­ Leoni e Paula Toller ­ 1983

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06/12/2016 Decifrando a Música
Diz prá eu ficar muda
Faz cara de mistério
Tira essa bermuda 
Que eu quero você sério...

Tramas do sucesso 
Mundo particular 
Solos de guitarra
Não vão me conquistar...

Uh! eu quero você 
Como eu quero! 
Uh! eu quero você 
Como eu quero!

O que você precisa 
É de um retoque total 
Vou transformar o seu rascunho 
Em arte final...

Agora não tem jeito
Cê tá numa cilada 
Cada um por si 
Você por mim e mais nada...

Uh! eu quero você...

Longe do meu domínio 
Cê vai de mal a pior 
Vem que eu te ensino 
Como ser bem melhor...

Longe do meu domínio 
Cê vai de mal a pior 
Vem que eu te ensino 
Como ser bem melhor... 
Uh! eu quero você... 

Como  eu  quero,  composta  por  Leoni  e  Paula  Toller  é  a  primeira  faixa  do  Lado  2  do
primeiro LP do Kid Abelha: Seu Espião, lançado em 1984. O LP é recheado de sucessos
que,  até  hoje,  quase  30  anos  depois,  está  na  ponta  da  língua  de  todo  mundo,  como:
Fixação, Porque Não Eu? e Pintura Íntima.

Durante  a  produção  do  álbum  discutia­se  qual  seria  a  música  de  trabalho.  A  gravadora
(Warner Music) insistia para que fosse Alice (Não me escreva aquela carta de amor), mas
a banda fincou pé e resolveu trabalhar em cima da música Pintura Íntima.

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06/12/2016 Decifrando a Música
Pouco  antes  de  fechar  o  álbum,  faltando  ainda  uma  música,  Como  Eu  Quero,  que  havia
sido descartada pelo produtor, foi escolhida para completar o LP, numa decisão pessoal de
Leoni e Paula.

“Tivemos que bater o pé para entrar ‘Como eu quero’. Faltava uma música e o Liminha foi
escutar  o  que  a  gente  tinha.  Na  época,  a  gente  achava  que  balada  não  tinha  nada  a
ver” PAULA TOLLER

O  álbum  foi  um  sucesso  e  vendeu  mais  de  150  mil  cópias.  Alheio  a  todas  as  discursões
pré­lançamento, o público elegeu sua favorita: Como Eu Quero! A canção figurou no topo
da lista das mais pedidas de todas as rádios do país e é, talvez, o maior sucesso da banda
até hoje.

Mas porque tanto sucesso? Confesso que não entendo. A melodia é ótima, daquelas que
grudam nos ouvidos e, basta ouvir uma vez, para passar o resto do dia com a música na
cabeça, mas a letra é um tanto quanto excêntrica.

Na  música,  que  é  cantada  em  primeira  pessoa,  uma  mulher  fala  para  o  parceiro  de  um
relacionamento aparentemente recente, ou ainda iniciando, o que ele deve fazer para ser
uma pessoa melhor, na sua opinião.

Já na primeira estrofe a mulher diz: “tira essa bermuda, Que eu quero você sério”, ou seja,
ela não o quer com um traje despojado, ela o quer sério, de calça, paletó, ou sei lá o que.
Essa possessão e desvalorização da personalidade do outro é ratificada de maneira muito
clara  no  refrão  da  música:  “Eu  quero  você  como  eu  quero”,  que  poderia  muito  bem  ser
completado com “E não do jeito que você é”.

E  as  investidas  contra  a  personalidade  do  outro  só  aumentam.  A  segunda  estrofe  já  se
inicia  com  uma  afirmação  muito  forte:  “O  que  você  precisa  é  de  um  retoque  total,  Vou
transformar o seu rascunho em arte final”. Podemos nos perguntar: mas afinal, porque ela
está  com  ele?  A  meu  ver,  a  única  resposta  está  nesta  estrofe,  onde  o  rascunho  vai  ser
transformado em arte final, ele vai ser lapidado, vão ser aparadas as arestas. Isso significa
que, apesar de tudo o que diz, ela sabe que tem nas mãos uma joia, mesmo que, de seu
ponto de vista, esteja em estado bruto.

Na estrofe final, vemos um misto de possessividade e arrogância: “Longe do meu caminho,
‘Cê’  vai  de  mal  a  pior,  Vem  que  eu  te  ensino,  Como  ser  bem  melhor”.  O  pobre  coitado,
passivo, que está ouvindo isso de sua parceira, só pode concluir que, na ótica dela, a única
maneira dele fazer algo certo é ao lado dela, sob sua tutela e que, quando longe dela, só
faz m...

Aí  eu  me  pergunto:  Porque  o  sucesso  da  música?  E  não  sou  o  único  a  me  perguntar.  O
próprio  Leoni,  em  um  show  aqui  em  Fortaleza  disse:  “Eu  não  sei  por  que  vocês  gostam
dessa  música”.  Tenho  plena  consciência  que  não  é  necessário  se  identificar  com  a
situação  retratada  em  uma  música  para  gostar  dela,  mas  no  mínimo  deve­se  enxergar
alguma situação louvável, ou que desperte alguma admiração.

De brinde, o manuscrito de Como Eu Quero, que parece ter sido escrito, inicialmente, no
masculino.

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06/12/2016 Decifrando a Música

Postado por Alan Scipião às 19:41  9 comentários: 

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sexta­feira, 31 de agosto de 2012

As Vitrines – Chico Buarque – 1981

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06/12/2016 Decifrando a Música

Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão 
­ Dá tua mão 
­ Olha pra mim
­ Não faz assim 
­ Não vai lá não

Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão 
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

Já te vejo brincando, gostando de ser 
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia 
Abrindo um salão 
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

“As  Vitrines”  me  transmite  de  maneira  imediata  uma  súplica,  um  misto  de
carência  e  insegurança.  Há  tanto  o  que  descobrir,  e  principalmente  imaginar,
nesta música, que não tive dúvida na escolha para a estreia do blog.

Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão 
­ Dá tua mão 
­ Olha pra mim
­ Não faz assim 
­ Não vai lá não

Na primeira estrofe é narrada uma tentativa desesperada, e sem sucesso, de
manter o objeto de desejo, a mulher, perto de si. Ao vê­la “ganhar o mundo”, o
sujeito faz uma advertência do desconhecido: “Te avisei que a cidade era um vão”.
Mas fica claro que ele não teme pela mulher e sim por si mesmo. Teme perde­la.

Mesmo com a advertência, ela vai. Ele tenta conte­la de uma maneira física: “Dá
tua mão”, sem êxito. Apela por um contato visual: “Olha pra mim”, sem êxito. Por
fim se desespera e implora: “Não faz assim, Não vai lá não”.

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06/12/2016 Decifrando a Música
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão 
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir

A segunda estrofe já se passa na cidade e, apesar de temer o desconhecido, o
sujeito segue a mulher. E lá, um ambiente notadamente familiar para mulher, o
deixa atordoado: “Os letreiros a te colorir, Embaraçam a minha visão”. Nem
mesmo as emoções vividas no cinema são compreendidas pelo sujeito, que não
entende como a amada pode ser leve e descontraída, quando há poucos minutos
estava tensa e aflita, por conta do filme.

Já te vejo brincando, gostando de ser 
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar

Na terceira estrofe duas coisas ficam muito claras pra mim. A primeira é que ela
se sente completamente à vontade no ambiente da cidade, iluminado,
multiplicando suas sombras. A segunda é que fica mais do que evidente que ele
só tem olhos pra ela: “Nos teus olhos também posso ver. As vitrines te vendo
passar”. É através dos seus olhos que ele vê o que está ao redor, e mais, ele acha
que ela é o centro de tudo, não apenas para ele, pois, na sua cabeça, não é a
mulher que estar a olhar as vitrines, as vitrines é que a vêm desfilar.

Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia 
Abrindo um salão 
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão

Na  última  estrofe  o  sujeito  mostra  como  está  incomodado  com  tudo  aquilo,  que
parece não ter mais fim: “Na galeria, cada clarão, É como um dia, depois de outro
dia”.  Ele  reconhece,  de  maneira  cara  e  inequívoca,  a  total  falta  de  atenção  dela
para  com  ele  e,  ao  mesmo  tempo,  a  total  atenção  dele  para  com  ela,  num
pequeno verso que tem um significado singular: “Passas sem ver teu vigia”.

Por fim, ele é obrigado a ficar com restos, com a sobra, com pequenas coisas, ou
ações,  que  o  seu  objeto  de  desejo  lhe  propicia  sem  ao  menos  notar  e  que,  para
ele, são um prêmio, é poesia.

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06/12/2016 Decifrando a Música
Mas  ainda  não  é  tudo.  No  encarte  do  LP  Almanaque,  o  qual  traz  a  música  As
Vitrines,  há  uma  brincadeira  com  espelhamento  e  rebatimento  da  letra,  como
pode ser visto na imagem acima. Para que possamos ler as quatro letras é preciso
lançarmos mão de espelho e rotações.

Quando por fim a lemos, de frete para o espelho, nota­se que apenas a primeira
estrofe é igual a da música original, sendo as outras três diferentes. Abaixo a letra
transversa para comparação.

Eu te vejo sair por aí 
Te avisei que a cidade era um vão
­Dá tua mão
­Olha pra mim
­Não faz assim 
­Não vai lá não

Ler os letreiros aí troco
Embaçam a visão marinha
Vi tuas fúrias e predileção
Errar sisuda, sã fora de eixos

Doce vento, grandes beijos do jantar 
Um militar saber tuas polcas
Bem postos meus versos antolhos 
Patinavas, sorvetes, diners

Na alegria, a cara do clã
Um doutor doido me cedia poesia
Um absalão rindo
Pião, sexo, asa, espaço
És súpita virgem avessa 
A asteca do piano 
Quão sonha no center

Um  anagrama!  É  exatamente  isso  o  que  vemos.  Cada  verso  corresponde  ao  seu
verso de origem, exatamente com as mesmas letras, nenhuma a mais, nenhuma
a menos. Essa letra alternativa jamais foi gravada, por ninguém, e também seria
tolice tentar encontrar sentido em cada estrofe, já que não foi de criação livre.

O  sentido  está  na  criação  do  anagrama.  O  link  está  lá,  explicito  no  final  da  letra
original:  “Catando  a  poesia,  Que  entornas  no  chão”.  É  isso  que  a  mulher
representa  para  o  sujeito,  é  assim  que  ele  a  vê,  em  uma  realidade  distorcida,
onde muitas coisas não fazem sentido, onde as vezes é preciso um conhecimento
sobrehumano para entende­la.

Finalmente aí um link com a vida de cada um, pois, em proporções que variam de
pessoa  a  pessoa,  qual  de  nós,  sujeitos,  não  tem  dificuldade  para  entender  a
amada em certos momentos?

As Vitrines - Chico Buarque

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06/12/2016 Decifrando a Música

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Caros amigos,

Sempre  gostei  de  música,  principalmente  de  Música  Popular  Brasileira.  Há  muito
tempo  descobri  o  quanto  é  prazeroso  conhecer  uma  letra  a  fundo  entendendo  o  seu
significado, o contexto em que foi escrita, as intenções do autor, etc..

Pretendo  aqui  dividir  esse  hobby  com  vocês  e,  mais  do  que  isso,  aprender  novas
historias e desmistificar outras estórias...

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