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associação nacional de
centros de pós graduação
em economia

EXAME DE SELEÇÃO NACIONAL PARA 1990

PROVA DE MACROECONOMIA

19/10/89 - QUINTA-FEIRA
HORÁRIO: 08:00 ÀS 10:15

EXAME ANPEC 1990


PROVA DE MACROECONOMIA
QUESTÃO 1
Numa economia os balanços consolidados dos bancos comerciais e do Banco Central são:

a) BANCOS COMERCIAIS

ATIVO PASSIVO

Encaixe em moeda corrente: 96 Depósitos à vista do público: 960


Encaixe em depósitos no Banco
Central: 192 Redescontos: 128
Empréstimos: 800

TOTAL: 1088 TOTAL: 1088

b) BANCO CENTRAL

ATIVO PASSIVO

Títulos públicos federais: 500 Depósitos dos bancos comerciais: 192


Reservas internacionais: 60
Redescontos: 128 Papel moeda em circulação: 496

TOTAL: 688 TOTAL: 688

Através dessas informações, classifique, com V ou F as afirmativas abaixo:

(0) o papel moeda em poder do público é igual a 400.


(1) a base monetária é igual a 688.
(2) o crédito interno líquido é igual a 1.428.
(3) a dívida interna do governo é igual a 500.
(4) o volume de meios de pagamentos é igual a 1.360.

QUESTÃO 2
Numa economia tem-se determinado exercício:

ITEM VALOR EM MILHÕES DE US$

Exportações de bens (FOB) 37.000


Importações de bens (FOB) 17.000
Exportações de serviços não fatores 1.000
Importações de serviços não fatores 3.200
Juros pagos ao exterior 10.500
Juros recebidos do exterior 1.300
Remessa líquida de dividendos para o exterior 1.100
Pagamentos ao exterior por royalties 530
Donativos recebidos do exterior 100
Financiamentos recebidos do exterior 2.000
Amortizações pagas ao exterior 1.800
Investimentos diretos vindos do exterior 500
Repatriação de capitais 800

Através dessas informações, classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) O saldo do balanço comercial é 17,8 bilhões de dólares.


(1) A renda líquida enviada para o exterior é igual a 10,73 bilhões de dólares.
(2) A transferência líquida de recursos para o exterior é igual a 10,63 bilhões de dólares.
(3) O saldo em transações correntes é igual a 7,07 bilhões de dólares.
(4) O saldo total do balanço de pagamentos é igual a 6,97 bilhões de dólares.

QUESTÃO 3
Numa economia tem-se, em percentagens do produto interno líquido:

a) Poupança do setor privado: 18%


b) Carga tributária bruta: 25%
c) Outras receitas correntes do Governo: 1%
d) Consumo do Governo: 10%
e) Transferências: 10%
f) Subsídios: 4%
g) Superávit do balanço de pagamentos em transações correntes: 1%
h) Depreciação do capital fixo: 6%
i) Relação incremental capital/produto (líquida): 3

Isto posto:

(0) A poupança do Governo é 2% do Produto Interno Líquido.


(1) A Formação Bruta de Capital Fixo é 21% do Produto Interno Líquido.
(2) A Poupança Interna Líquida é 14% do Produto Interno Líquido.
(3) A Poupança Externa é 1% do Produto Interno Líquido.
(4) Nos temos do modelo de Harrod-Domar, a taxa de crescimento do produto real será 4,33% a.a.

QUESTÃO 4
Classifique como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) A razão poupança do Governo em conta-corrente/Produto Interno Bruto independe da taxa de


inflação uma vez que tanto o numerador quanto o denominador são definidos em termos
nominais.
(1) Em países como o Brasil com uma dívida externa elevada, o Produto Nacional Bruto (PNB)
tende a ser menor do que o Produto Interno Bruto (PIB).
(2) Um superávit no Balanço Comercial implica uma acumulação de reservas internacionais pelo
Banco Central.
(3) Para que o saldo do Governo em conta corrente seja positivo, o investimento público tem que
ser necessariamente menor do que a poupança pública.

QUESTÃO 5
Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) O custo de oportunidade de se reter moeda é dado pela diferença entre a taxa de juros nominal e
a expectativa dos agentes com relação à taxa de inflação.
(1) O impacto da taxa de juros real sobre o consumo privado é ambíguo mas não sobre a poupança.
Toda vez que a taxa de juros real aumenta a poupança também eleva-se.
(2) Os modelos do ciclo da vida de Franco Modigliani e da renda permanente de Milton Friedman
procuraram dar uma explicação para o fato de que a propensão marginal a consumir no curto
prazo tende a ser menor do que no longo prazo.

QUESTÃO 6
Considere uma economia aberta, com capacidade ociosa, preços rígidos e com perfeita
mobilidade de capitais. Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) A adoção de uma política fiscal expansionista, sob um regime de taxas de câmbio flexíveis, eleva
o produto no longo prazo;
(1) Com taxas de câmbio fixas somente a adoção de uma política monetária expansionista poderá
reduzir o desemprego.
(2) Com taxas de câmbio fixas um expansão do crédito interno leva a uma redução das reservas em
moeda estrangeira do Banco Central.
(3) Se a economia opera com taxas de câmbio flexíveis, um aumento do déficit público será
integralmente financiado por poupanças externas.
(4) Se a economia opera com taxas de câmbio flexíveis, um aumento da oferta de moedas levará à
valorização da taxa de câmbio (isto é, à redução do preço da moeda estrangeira).

QUESTÃO 7
Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) Uma elevação do recolhimento compulsório sobre os depósitos a vista reduz o multiplicador dos
meios de pagamento.
(1) Quando o Banco Central compra títulos do Tesouro em poder do público, a base monetária
tende a contrair-se.
(2) Uma queda da taxa de juros nominal reduz a razão papel moeda em poder do público/depósitos
à vista.
(3) O imposto inflacionário como proporção do PIB pode reduzir-se com uma elevação da taxa de
inflação.
(4) Uma inovação financeira que reduzisse a demanda por base monetária também reduzirá, tudo o
mais constante, o imposto inflacionário recolhido pelo governo.
QUESTÃO 8
Considere o modelo Keynesiano simplificado onde o equilíbrio produto-despesa é descrito pela
seguinte equação:
Y  C0  cY  I  G ,
onde Y é o produto, C0 o consumo autônomo, c a propensão marginal a consumir, I o investimento
privado e G os gastos do governo. Classifique , como V ou F as afirmações abaixo:

(0) Se a propensão marginal a consumir for igual à unidade (c = 1), a renda no equilíbrio será igual à
soma do investimento, consumo autônomo e gastos do governo.
(1) Com uma propensão marginal a consumir (c) igual a 0,5 uma expansão dos gastos do governo
de G para 2G fará com que o produto de equilíbrio também dobre.
(2) Nesta economia a adoção de uma política monetária restritiva teria um impacto mais recessivo
do que um corte nos gastos do governo.
(3) Uma elevação na propensão marginal a consumir elevaria a renda de equilíbrio.

QUESTÃO 9
Considere uma economia na qual a demanda e a oferta agregadas são dadas pelas seguintes
equações:
MV
Yd  (demanda )
P
P
Ys  (oferta )
W
onde M é o estoque nominal de moeda, V e velocidade de circulação da moeda, P o nível de preços e W
o salário nominal. Para simplificar vamos supor que a velocidade de circulação da moeda seja unitária,
ou seja V = 1. Note que em equilíbrio Y d  Y s .

(0) Supondo-se que um mecanismo instantâneo de indexação salarial mantenha o salário real sempre
constantes e igual a unidade e que o estoque de moeda seja igual a 10 (M = 10), o produto em
equilíbrio será também igual a 10. ou seja, Y d  Y s  Y  10.
(1) Se a indexação salarial mantiver o salário real sempre constante, um aumento do estoque de
moeda só elevará os preços, não tendo, portanto, qualquer impacto sobre o produto.
(2) Nesta economia, a flexibilidade de preços e salários não impede que a mesma apresente uma
equivalência aquém ou além do pleno emprego.

QUESTÃO 10
Uma economia oligopolizada se comporta nos termos do modelo de Kalecki. Especificamente, o
1 m
produto real Y se divide entre a parcela Y pertence aos trabalhadores e a parcela Y
1 m 1 m
pertencente aos capitalistas. No caso, m é a margem de lucro, determinada pelo grau de oligopólio na
economia. Os trabalhadores consomem toda sua renda. A despesa dos capitalistas, que inclui consumo
mais investimento é dada por:
m
c y A
1 m
onde A é uma constante positiva, e 0 < c < 1, o que significa que a propensão marginal a consumir dos
capitalistas é menor do que 1. Admita que o limite de capacidade de produção da economia seja Y , e
que o governo, através de um órgão tipo CIP, resolva controlar m. Nesse caso:
(0) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução da margem de
lucro aumentará o consumo dos trabalhadores.
(1) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m não
alterará o produto Y.
(2) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m
diminuirá o lucro total dos capitalistas.
(3) Se a economia estiver operando abaixo de seu limite de capacidade, uma redução de m levará ao
desabastecimento.
(4) O modelo de Kalecki ajuda a interpretar tanto a euforia inicial quanto o fracasso do Plano
Cruzado.

QUESTÃO 11
Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) Supondo dados os preços, e que a taxa esperada da inflação seja zero, um aumento dos gastos
públicos desloca a curva IS para a direita sem alterar a curva LM.
(1) Na análise IS-LM, o multiplicador keynesiano indica o aumento do produto resultante de um
cruzado a mais de dispêndio público.
(2) Na análise IS-LM, o efeito de um cruzado a mais de dispêndio público é igual ao de um cruzado
a menos de arrecadação tributária.
(3) Na análise IS-LM, se a economia se encontra a pleno emprego um aumento do gasto público não
apenas desloca para a direita a curva IS, mas também para a esquerda a curva LM.

QUESTÃO 12
Classifique como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) Se a economia sempre desloca-se ao longo da curva de demanda por trabalho, o salário real será
anti-cíclico. O salário real tenderá a cair nas recessões e a subir nos períodos de “boom”.
(1) No modelo IS-LM tradicional, a curva de oferta agregada é uma função crescente do salário
real.
(2) Para Keynes, era a rigidez do salário real o fator fundamental para explicar a possibilidade de
uma economia capitalista operar com uma elevada taxa de desemprego durante um longo
período de tempo.
(3) Se as expectativas forem adaptativas e a inflação elevar-se ano após ano, a inflação esperada será
sempre inferior à inflação de fato ocorrida.

QUESTÃO 13
Considere uma economia descrita pelo modelo IS-LM tradicional.

(0) Se os choques que atingirem a economia forem predominantemente sobre a demanda por moeda,
o Banco Central para estabilizar o produto deveria manter o estoque de moeda constante.
(1) Se o Banco Central decidir adotar uma política de fixação da taxa de juros, o controle do
estoque de moeda será perdido.
(2) Um aumento da demanda externa dos produtos do país pode gerar um déficit no Balanço
Comercial, já que a expansão da renda resultante do aumento das exportações tem um impacto
positivo sobre as importações.
(3) Um aumento dos gastos do governo provocará um deslocamento da curva IS para a direita.

QUESTÃO 14
Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo:

(0) Se os salários forem indexados com base na inflação passada, uma aceleração da taxa de inflação
reduzirá o salário real.
(1) Quanto mais indexada for a economia, menor será o montante de desemprego gerado por um
choque de oferta adverso.
(2) Elevação no salário real inevitavelmente aumentam a taxa de inflação.
(3) Se o governo após um congelamento de preços não expandir o estoque de moeda, a elevação da
taxa de juros real terá um forte impacto depressivo sobre o nível de atividade.
(4) Em qualquer economia, a estabilidade de preços só pode ser alcançada se o governo só gastar o
que arrecada.

QUESTÃO 15
Classifique, como V ou F, as afirmativas abaixo.

(0) A teoria aceleracionista da curva de Phillips é incompatível com a visão monetarista da inflação.
(1) De acordo com a teoria aceleracionista da curva de Phillips, a taxa de desemprego de equilibra
em seu nível natural quando a taxa efetiva e a taxa esperada de inflação coincidem.
(2) De acordo com a teoria aceleracionista da curva de Phillips, combinada com a hipótese de
expectativas adaptativas, o combate à inflação exige uma recessão permanente.
(3) Supondo-se perfeita previsão da inflação, a teoria aceleracionista da curva de Phillips leva à
conclusão de que é possível acabar com a inflação sem recessão.