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ECONOMIA DA

INOVAÇÃO
Este é um trabalho realizado por alunos, pelo que não está livre de conter gralhas ou falta de
informação; são então essenciais uma análise crítica e uma leitura cuidada por parte dos
utilizadores, tendo em conta a matéria lecionada nas aulas.
CAP 4- Padrões setoriais de inovação
4.1. Caraterísticas das empresas

Empresa – papel central na produção e difusão da inovação; é na empresa que se faz


acumulação de conhecimentos técnicos; é na empresa que a inovação é usada e
testada em termos de rentabilidade; é na empresa que aparecem as inovações
incrementais e se testam as suas possibilidades de utilização; é na empresa que se faz
a maior parte da aprendizagem – learning by doing e learning by using. Mas nem todas
as empresas têm a mesma capacidade inovadora; essa depende das suas
caraterísticas.
Numa ótica tradicional, as caraterísticas relevantes das empresas são a sua
dimensão e a concentração do mercado em que essa empresa se insere:
 Empresas pequenas e empresas de muito grande dimensão: avessas à
inovação.
 Empresas em mercados de concorrência perfeita e em mercados monopolistas:
avessas à inovação.

4.2. Apropriabilidade, oportunidade tecnológica e cumulatividade

A oportunidade tecnológica está associada ao nível de esforço em I&D, à


variedade, à frequência e às fontes de inovação.

 O nível de oportunidade tecnológica pode ser alto ou baixo de acordo com o


output de inovação associado a cada euro gasto em I&D.
 O número de oportunidades associado aos investimentos em I&D varia com a
fase do ciclo do produto.
 A frequência da inovação é elevada se o novo conhecimento puder ser usado
em vários produtos.
 As fontes das oportunidades tecnológicas podem ser internas ou externas
(universidades, centros de investigação,…) às empresas.

Os processos de inovação e difusão são sensíveis às caraterísticas dos setores,


às caraterísticas institucionais, às políticas de inovação e sensíveis ao território.

Diferenças setoriais
1.ª Dimensão: Condições de apropriabilidade
Apropriabilidade: a maior ou menor capacidade que uma firma que desenvolve
esforços (aplica recursos) para criar conhecimento e para inovar tem de beneficiar em
explosivo desse esforço. A inovação constante é um dos meios mais eficazes de
apropriabilidade, pois uma empresa que inova continuamente preserva a posição de
líder no mercado, mesmo na presença de imitadores.

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Há sempre possibilidade de haver spillovers de conhecimento, ou seja, outros
agentes que não fizeram esforços para criar conhecimento beneficiam da criação por
parte de outras empresas: apropriabilidade imperfeita.
Condições de apropriabilidade são diferentes de setor para setor: mais elevadas
nos setores em que as tecnologias são mais facilmente patenteadas, como é o
caso da indústria farmacêutica, em que o conhecimento é analítico/científico, ou seja, é
fácil de descrever o conhecimento em causa e portanto é fácil de requerer uma patente.
Já na indústria do vestuário (da moda) a inovação existe mas é mais ligada a
aspetos simbólicos, estéticos. Assim, as condições de apropriabilidade são muito
baixas (frase do prof: “há pessoas na feira a vender malas da “Luis Viton” e não há nada
a fazer, porque desde que o nome seja diferente, não há por onde pegar”).

2.ª Dimensão: Cumulatividade


A criação de conhecimento é um processo dinâmico e tem sempre algum grau
de cumulatividade. Há domínios científicos e tecnológicos em que a criação de
conhecimento tem elevada cumulatividade:
o Indústria farmacêutica;
o Setor do learning-by-doing (associado ao conhecimento tácito).
A indústria têxtil apresenta pouca cumulatividade de conhecimento: se comprar
um tear só tenho de o ligar à corrente e pronto, não preciso de conhecimento anterior
para fazer a peça de roupa. A tecnologia está muito incorporada nas máquinas, por isso
praticamente não é preciso conhecimento anterior.

3.ª Dimensão: Oportunidades e balanço entre oportunidades económicas vs


oportunidades tecnológicas
Oportunidades tecnológicas: aquelas que resultam dos avanços da ciência e
tecnologia
Setores com muitas oportunidades tecnológicas:
o Serviços de lazer (desportos radicais, por exemplo): elasticidade preço da
procura muito elevada.
o Setor da comunicação.
o Indústria farmacêutica.
Oportunidades económicas: as relações avançadas com consumidores e com o Estado
são relevantes.

4.ª Dimensão: Diferentes bases de conhecimento

 Conhecimento analítico: indústria farmacêutica, microeletrónica.


 Conhecimento sintético: indústria dos moldes, indústria automóvel (em grande
parte).
 Conhecimento simbólico: indústria do vestuário (predominantemente).

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Analítico: conhecimento científico que opera através da formulação de hipóteses
teóricas  raciocínios formais  determinados resultados  verificação experimental
(se verifica ou não)  se verificar: validação do conhecimento.

Sintético: conhecimento que resulta da não criação de conhecimento novo, mas do


cruzamento do conhecimento existente e da capacidade de os articular (experiência).
Learning by doing, by using, by interacting. Natureza tácita, da experiência e da partilha
dela.

Simbólico: conhecimento que não remete tanto para a tecnologia pura e dura. Remete
para a construção de um conjunto de identidades (símbolos), mais deliberada, mais
intencional ou ligada a uma história económica local.
Exemplos:
-Indústria do vestuário: criar uma marca para jovens “radicais”, irreverentes; ou para
pessoas com estilo mais exótico; ou para executivos, pessoas dinâmicas que não
querem chocar os outros, discretas.
-Capital simbólico: o turismo (construído através da história local) vive disto.
(Porto (lenha) já existia. Faltava o investimento feito no aeroporto (lastro) e a Ryanair
ter decidido fazer voos para e desde o porto (centelha).)

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4.3 Caraterísticas tecno-económicas dos setores: a taxinomia de Pavitt
Taxonomia de PAVITT – ajuda a saber como aplicar políticas.

Dominados Escala Fornecedores Baseados na


pelos intensivos especializados ciência
fornecedores
Dimensão da PMES/ Grande Muitas empresas- Grande dimensão/
firma/ Muitas dimensão/ Concorrência Oligopólio
organização empresas Oligopólios monopolística
industrial (concorrência)
Comportamento Sensível ao Em grande parte Sensível à Sensível à
do cliente preço sensível ao qualidade e qualidade (também
preço (também diferenciação sensível ao preço
à qualidade) mas menos!)

Objetivo das Redução de Redução de Aumentar a Inovação do


oportunidades custos (para ser custos e performance produto (inovação
tecnológicas competitivo) e diferenciação radical)
diferenciação
ao nível do
produto
Focos da Processo (só Engenharia de Produto (design) Produto
inovação marginalmente processo
é que é internamente à
inovação firma. Design do
produto) produto

Fontes de Fornecedores Na própria Desenvolvimento I&D


mudança empresa através do produto.
tecnológica de engenharia I&D
do processo e
design do
produto.
I&D

Canais de Compra de Reverse Reverse Reverse


imitação e equipamentos Engineering. Engineering. Engineering.
transferência de (reequipamento Compra de Learning-by-doing Contratação de
tecnologia das empresas) equipamento e e interacting. cientistas e
componentes Interação com técnicos.
clientes avançada.

Acumulação Design do Tecnologia do Desenvolvimento Produções


tecnológica de produto e áreas processo e do produto e tecnologicamente
conhecimento periféricas (p.e. equipamento produtos conexos relacionadas
no setor marketing e associado
gestão de
marca)

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Pavitt apresentou uma tipologia de indústrias agrupadas por setores de acordo
com a forma como se processa a inovação e a absorção da inovação por parte das
empresas. O autor distingue 4 tipos de setores:

Setores dominados pelos fornecedores:


o São setores em que a tecnologia vem incorporada nos equipamentos e/ou nos
produtos intermédios; setores que são tecnologicamente dominados por
fornecedores dos equipamentos e por fornecedores de produtos intermédios.
o A tecnologia é de livre acesso: indústria têxtil, de vestuário, de calçado (mercado
de massas), e até de mobiliário.
o Acumula competências de gestão de marca.
o Tipo de conhecimento: learning by doing, learning by using.

Setores escala intensivos


o Indústrias de processo (cimento, ferro, aço, pasta para papel) e indústria
automóvel (indústrias de fabrico de bens duradouros). Também a petroquímica
e a indústria de fibras sintéticas.
o A eficiência está associada às economias de escala.

Setores de fornecedores especializados


o Setores que são fornecedores de outros setores.
o Fabricam produtos com alto nível de diferenciação, como bens de equipamento,
instrumentação e software.
o Relação com o cliente final é muito importante, mas aqui o cliente não é o
consumidor final mas sim outra empresa.
o O conhecimento é sintético (e não investigação nas universidades).

Setores baseados na ciência


o Baseia-se em esforços ao nível da ciência e investigação: ligação com
universidades.
o Indústria da eletrónica, química, farmacêutica e biotecnologia.
o Predomina o conhecimento analítico.

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4.4 Política tecnológica e desenvolvimento

- oportunidades económicas;
- vantagens comparativas;
- atração de Investimento Direto Estrangeiro (IDE);
- política comercial externa e política tecnológica.
Setores
escala
intensivo - Master core technologies
s (automação, materiais,
microeletrónica)
Setores
dominados Setores
pelos baseados
fornecedore na ciência
s
- oportunidades económicas; - política tecnológica (formação
- vantagens comparativas de doutores e engenheiros)
estáticas; - oportunidades tecnológicas
- difusão; que geram oportunidades
- política comercial externa; Setores
económicas.
fornecedores
Bloqueio estrutural especializado
Se não conseguir relações s
- oportunidades económicas;
setoriais a montante, fico só - vantagens comparativas dinâmicas;
com salários muito baixos e - atração de Investimento Direto Estrangeiro;
vantagens comparativas - política comercial externa e política
estáticas o que pode gerar tecnológica.
bloqueio estrutural.

1960/70 1980/90 SÉC XXI

O processo de mudança estrutural mais importante nos últimos 50 anos foi na


Coreia do Sul por volta de 1960. Era um país agrícola (agricultura familiar). A partir de
1960 começou o processo de industrialização baseado nos setores dominados pelos
fornecedores: têxtil, vestuário, calçado. Nesta fase, começaram a aparecer
oportunidades económicas baseadas numa lógica de vantagens comparativas estáticas
(muita mão de obra, custos do trabalho baixos, salários baixos). Se tiverem fácil acesso
à tecnologia (difusão), podem rapidamente tornar-se muito competitivos (comprar
máquinas a preços mundiais e, como os salários são baixos, as taxas de crescimento
são muito elevadas).

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A política relevante é a Política Comercial Externa:

 Não penalizar a exportação de produtos manufaturados.


 Não penalizar a importação de bens de equipamento.
 Conjunto de mecanismos de apoio às exportações.
Como a tecnologia é importada, estas indústrias não geram oportunidades tecnológicas.
Em Portugal, a região Norte é das regiões da Europa mais industrializadas,
com mais de 100 anos de história (algumas indústrias até têm mais de 150 anos de
história). Esta região sofreu muito os efeitos do bloqueio estrutural (efeito lock-in)
quando houve alterações na Política Comercial Externa, ou seja, quando Portugal
entrou na União Europeia.

Curva do Valor Acrescentado da indústria do vestuário, têxtil e calçado:

Design do Desenvolvimento Produção strict Distribuição Marketing


produto de novos materiais sense  alteração (marca)
física ou química
dos materiais

Logística de aprovisionamento Logística de produção Logística de distribuição

Nos anos 60/70, Portugal era um país competitivo na medida em que vendia
capacidade produtiva. As empresas eram muito bem equipadas. Entretanto, com a
entrada na EU, as políticas comerciais alteraram-se, passando da linha PRETA para a
linha AZUL (movimento 1). Atualmente, a linha a VERMELHO é a vigente:

 Emprego está a retomar;


 Competitividade apoia-se em conhecimento simbólico.
 Maior controlo nos canais de distribuição.
 Muitas marcas.
 Design do produto, desenvolvimento de novos materiais.

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CAP 5- Inovação e Território (proximidade)
5.1 Externalidades
As externalidades derivam de fatores externos às empresas e que afetam as
suas decisões. Como estes fatores não se encontram igualmente distribuídos pelo
território nacional, determinam um processo geograficamente diferenciado de inovação
e de absorção da inovação.
As externalidades positivas mais importantes são as que se encontram ligadas
a:
a) Hierarquia urbana.
b) Infraestruturas.
c) Oferta de serviços de apoio às empresas.
O papel da hierarquia urbana é fácil de compreender: as cidades são locais de
aglomeração de pessoas, portanto também são centros de aglomeração de serviços.
Há serviços que exigem uma dimensão mínima para o seu funcionamento e são
determinantes para a implementação da inovação (Universidades, por exemplo). As
cidades são o meio ideal para a existência de serviços especializados; por isso, é nas
cidades que existe o “clima ideal” para o aparecimento das inovações.
As infraestruturas são um elemento fundamental na decisão de localização de uma
empresa. A existência de estradas, pontes, aeroportos e outras infraestruturas que
facilitam a comunicação e transporte são determinantes para a decisão de localização
das empresas, na medida em que condicionam o acesso aos mercados.
Também a oferta de serviços de apoio às empresas tem vindo a desempenhar um papel
fundamental na decisão de localização das empresas e no modo como estas se
mostram mais ou menos adotantes de estratégias de inovação. Para certas empresas,
principalmente pequenas e médias, a estratégia de externalização de serviços de
natureza tecnológica, ou inovadora, é a única solução, o que implica proximidade entre
as empresas e as organizações fornecedoras desses serviços.

5.2 Proximidade

 Espaço e eficiência económica


O território em que a empresa se localiza tem um papel determinante, quer
em termos estáticos, quer em termos dinâmicos, sobre a capacidade competitiva da
empresa. Por eficiência estática referimos os ganhos de eficiência decorrentes de
melhorias na utilização de tecnologias já existentes; por eficiência dinâmica queremos
significar os ganhos de eficiência resultantes das inovações.
A localização das atividades económicas resulta de um jogo entre “custos de
distância” vs “economias de escala”.
Custos de distância – implica custos económicos: custos de transporte de mercadorias
e custos de movimentos de pessoas.
Aqueles dois conceitos determinam o sítio onde se deve estabelecer a atividade (não
podemos ter um aeroporto em cada cidade com 40 mil habitantes…).

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“Economias de aglomeração” vs “Deseconomias de aglomeração”
Economias de aglomeração – concentração espacial de atividades económicas gera
economias de aglomeração, que também é uma fonte de eficiência.
Deseconomias de aglomeração – congestionamento de tráfico é um exemplo. Porque
a aglomeração a partir de um certo ponto leva a deseconomias, fontes de ineficiência.

 Geografia da inovação tende a estar clusterizada


Evidência mais ou menos indiscutível, mas em parte paradoxa.
Melhor comportamento em matéria dinâmica e matéria de inovação
Indústria dos moldes - Oliveira de Azeméis, Marinha Grande.
Indústria têxtil – Médio Ave.

Ch. Freeman há 15 anos dizia: como os custos da distância estão a diminuir muito,
estamos a caminhar para um mundo homogéneo. Mas isso não se verifica…

Há uns anos o mundo era assim:

NÚCLEO: concentração
de atividades
económicas

Agora é mais ou menos assim:


Vários centros de economia mundial (concentração de inovação).

Portanto, o mundo não é “plano”; não é homogeneizado.

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 Relevância e dimensão de proximidade

 Proximidade geográfica (remete para aspetos físicos)


O problema não são os custos de distância física… Não é propriamente
a proximidade geográfica que favorece a inovação, mas está confinada a outras
proximidades.

 Proximidade cognitiva
Setores/atividades que têm a mesma base de conhecimento têm
proximidade cognitiva, o que gera spillovers de conhecimento entre pessoas e
empresas. Isto é tanto mais relevante quanto maior for a componente tácita do
conhecimento. Se o conhecimento fosse totalmente codificado, não havia problemas de
distância porque esse pode-se transmitir rápido, facilmente e sem ser preciso
relacionamento interpessoal.
Certos autores acreditam que a proximidade cognitiva favorece a inovação incremental
e também a processo. Outros dizem que a proximidade cognitiva não favorece a
inovação radical…

 Proximidade organizacional
Morfologia das organizações. Interações entre empresas e organizações
são favorecidas quando os modelos organizacionais são idênticos, porque há um
sentimento de reciprocidade. Tenho mais confiança numa empresa parecida com a
minha em termos de atividade e de normas.

 Proximidade institucional, sociocultural, contextual


Instituições são quadros, normas e processos de comportamento
(dimensão lata).

(Redes e meios inovadores)


Roberto Camagni: As redes e os meios como redutores da incerteza e da
complexidade.
As redes são relações interpessoais e pessoas que têm interesses produtivos
(económicos) comuns.
Nos processos de inovação há incerteza, lacunas de informação.
Complexidade – variedade (n.º) de ações e competências que são necessárias para
fazer algo. Nos processos de inovação mais radical, a complexidade é elevada.
Meios – sinergia (movimento em conjunto). Redes interpessoais e instituições (história
local comum, rede institucional comum).

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Incerteza decorrente de 5 “gaps” (lacunas)
Gap de informação: mesmo quando a informação está em abstrato disponível, há
um conjunto de custos associados à complexidade, ao volume de informação a recolher
e ao seu tratamento (triagem). Mesmo que eu não precise de comprar informação,
porque ela está disponível, há sempre custos com o tratamento dela.
Gap de avaliação ex-ante: associado à dificuldade/necessidade/aos custos de
inspecionar/testar ex-ante as caraterísticas de inputs, componentes, fatores
produtivos… Para produzir algo de novo, preciso de analisar coisas que nunca testei.
Por exemplo, preciso de um engenheiro da FEUP formado em bioengenharia e até
agora nunca precisei de um. Será que para a minha empresa realmente preciso de um?
Não sei, há incerteza porque realmente nunca precisei de um…
Gap de competências associadas à complexidade dos novos processos que a
inovação implica.
Gap de competências e decisão: limites de avaliar ex-ante o resultado de decisões
alternativas.
Gap de decisão-controle: a partir do momento em que decido pela solução que acho
melhor (investimento inovador), os resultados desse investimento podem ser
influenciados significativamente pelas decisões tomadas pelos meus concorrentes.
Forma de reduzir incerteza: “pactos” tipo a Renault e a Ford (Ford pode usar motores
da Renault).

1- As redes e o meios reduzem o gap de informação através duma função


coletiva de triagem e recolha de informação, de qual todos beneficiam. Porque
as pessoas têm sentimentos de proximidade comuns (mesmos interesses,
mesma indústria) e de reciprocidade.
2- As redes e os meios reduzem o gap de avaliação ex-ante, porque asseguram
uma função informal de “certifcação”.
3- As redes e os meios reduzem o gap de competências associadas à
complexidade dos novos processos que a inovação implica através de
mobilidade local de trabalho qualificado e através da cooperação informal entre
empresas (através de partilha de consultores locais).
4- As redes e meios reduzem o gap de competências e decisão através de um
efeito de demonstração e difusão de melhores práticas.
5- As redes e os meios reduzem o gap de decisão-controle através do processo
informal de coordenação.

5.3 Cidades criativas (Richard Florida)


Contributo de Jacobs (1961): um dos primeiros a reconhecer o papel das cidades
nos processos de desenvolvimento económico. Jacobs atribuiu a importância das
cidades ao facto de gerar efeitos de escala e diversidade.
A teoria de Richard Florida (2002) considera as cidades concentrações espaciais
de talentos – daí o termo cidades criativas. Aqui a competitividade das cidades aparece
ligada a fatores favoráveis à atração de recursos humanos, à criatividade e à inovação.

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Portanto, R. Florida vê a criatividade e a diversidade como motores de crescimento
económico.
Florida enfatiza:
TALENTOS ≡ Capital Humano (CH)  Classe criativa
Atividades  Oportunidade de emprego  Atração de talentos (CH)
É por isto que alguns sítios são mais “diversificados” e outros não, e é por isso
que há mais capital humano nuns sítios do que noutros.
Para as cidades criativas, a relação causalidade que conta é a que tem a ver
com a existência de amenidades/diversidade/tolerância/”lifestyle”. Há determinados
locais que são cosmopolitas (com pessoas de diferentes proveniências éticas). Cidades
dotadas de amenidades. São locais atrativos a quem quer um determinado lifestyle.
Amenidades/diversidade/tolerância/ “lifestyle”  Atração de talentos  Atividades
(inovadoras)

Diversidade (tolerância) Rendimentos elevados

Talento
s

High Tech Industries

CAP 6 – sistemas de inovação


6.1 Conceitos e funções

Ch. Freeman (1987), R. Nelson, B.Lundvall, Saviotti (1997)


Sistema de inovação- é a rede de organização nos setores público e privado, cujas
atividades e interações iniciam/criam, importam e difundem novas tecnologias.
Uma definição mais completa: são conjuntos de atores e interações cujo principal
objetivo é a geração (criação) e adoção de inovações num dado nível de agregação,
país, região, setor. As inovações não são apenas geradas por indivíduos e
organizações, mas também e sobretudo pelos seus padrões de interação geralmente
complexos.
3 Ideias chave:
- Inovação em sentido estrito, mas também adoção e difusão.
- Organizações privadas e públicas.
- Seja a inovação, seja a capacidade de aproveitar a difusão (adoção) dependem não
apenas das ações individuais (públicas e privadas), mas também dependem em grande
parte das interações.

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O sistema não é uma mera coleção de elementos (temos de considerar também
as relações entre os diferentes atores).
Também podemos dizer que sistema de inovação é um conjunto de elementos
que interagem uns com os outros de forma a prosperar como conjunto num dado
ambiente.
SISTEMA DE INOVAÇÃO
 Elementos
Uma caraterística fundamental dos sistemas de inovação é a mútua integração
entre organizações e instituições. As organizações são fortemente influenciadas e
moldadas pelas instituições, podendo dizer-se que se inserem num ambiente
institucional de regras. As instituições também surgem integradas nas organizações: há
práticas empresariais que tendem a desenvolver regras próprias com impactos sociais
alargados. Esta mútua integração pode produzir efeitos favoráveis ou desfavoráveis à
inovação consoante a natureza da interação produzida.
Organizações: estruturas formais conscientemente criadas e que têm um
objetivo preciso (determinadas finalidades económicas) – firmas com objetivo lucrativo
no curto e no longo prazo, universidades, agências governamentais, agências
tecnológicas, venture capital.
Instituições: conjunto de normas, regras, hábitos que moldam/regulam os
comportamentos e decisões dos agentes. Normas legais: direito de patentes, sistema
nacional de qualificações, hábitos, costumes (o que é aceite coletivamente).

 Interações
Concorrência: forma mais “espontânea” de interação entre firmas em particular;
grande incentivo para que haja inovação (leva as firmas a estar atentas ao que os outros
fazem).
Transações: interação das firmas com clientes (de bens e serviços) e com
fornecedores (de bens e serviços).
Networking: forma de interação. Interações que resultam de spillovers de
conhecimento, das trocas de informação (sem ser no âmbito de troca comercial).

 Função ou funções
Inovação e Difusão.
Charles Edquist
A. Provisão/produção de conhecimento novo (através de I&D e de alguma
experiência. Há aspetos que seguem uma lei estrutural (modelo Fagerberg) e
depois há aspetos nacionais também importantes.
B. Construção/formação de competências/qualificações. Muito importante;
atividades de educação e formação: teoria de crescimento fala-se de formação
de Capital Humano. A montante da inovação.

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C. Inovação propriamente dita- desenvolvimento de novos produtos, processos e
matching entre conhecimento, tecnologia e necessidades. Assegurada pelas
firmas – muito bem posicionadas para fazer o matching. As interações entre
firmas ou entre firmas e outros atores são muito importantes.
D. Criação e mudança de organizações necessárias a novos campos da inovação
(p.e. startups).
E. Networking formal e informal (atribuem relevância/importância ao sistemas
regionais).
F. Criação e mudança institucional.
G. Financiamento de inovação – algumas especificidades. O sistema financeiro
convencional não garante um adequado financiamento da inovação. Inovação
– grau de incerteza alto – banca retrai. Instituições de capitalização (capital de
risco) que vão além do crédito bancário - Seed capital e Venture capital. O
sistema financeiro a funcionar bem tem de assegurar esta função (nos EUA é
muito desenvolvido).
H. Provisão de serviços de apoio e consultadoria (aprendemos com o cliente
também).

 Fronteira
Há sempre, mesmo que nem todos consigamos identificar facilmente. Por
exemplo, agora há sistemas nacionais (que são muito relevantes – pertinência,
coerência à utilização desse conceito), regionais e setoriais de inovação.
A densidade de interações (do tipo networking) é sensível à proximidade. Por
isso é importante falar também de sistemas regionais de inovação.
Sistemas setoriais- critério: proximidade tecnológica; até a um nível supranacional.
Posso encarar a cadeia de valor de uma grande firma globalizada com sendo um
sistema de inovação (específico daquela firma)

 Ambiente (economia como um todo)


Economia em que o sistema de inovação se insere. Pode explicar caraterísticas
do sistema bem como o ambiente pode ser alterado pelo sistema de inovação.

6.2 Sistemas Nacionais de Inovação

Os sistemas nacionais de inovação são pertinentes, porque uma parte


relevante das funções do sistema de inovação são organizações predominantemente
ao nível nacional.
O financiamento de I&D é tipicamente um facto nacional e o enquadramento
institucional é ao nível nacional.
Ex: Construção de competências – tipicamente é facto nacional. Regras relativas à
propriedade intelectual também são um facto nacional.

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Os sistemas nacionais de inovação têm aspetos que decorrem de leis estruturais/
factos estilizados e especificidades nacionais.
Factos estilizados:
1.Relação entre despesa em I&D (esforço tecnológico próprio) e nível de
desenvolvimento.
EUA, Alemanha e Suécia:
mais desenvolvidos. São
diferentes de PT, mas
essa diferença segue uma
lei estrutural. Não tem a
ver com especificidades
nacionais, mas sim com
leis estruturais.
China e Coreia: Políticas
públicas muito ativas
porque querem convergir
rápido para a fronteira de
eficiência.

2.

Alemanha; Suíça

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Uma parte do I&D visa a capacidade inventiva, mas visa também aumentar a
capacidade de absorção de inovação proveniente do exterior.
Na fronteira tecnológica, 70/80% do I&D é feita no setor empresarial.
Na função criação e mudança de organizações: também existem algumas regras
estruturais.
Países de desenvolvimento intermédio: um aspeto muito importante de mudança é o
investimento direto estrangeiro.
Existem muitas especificidades nacionais embora hoje em dia haja tendência para
homogeneização.

6.3 Sistemas Regionais de Inovação. Taxinomia dos SRI

Em termos gerais, o SRI pode ser definido como a infraestrutura de apoio à


inovação existente no seio da estrutura de produção de uma região. O conhecimento,
quer do ponto de vista da sua geração e difusão, quer do ponto de vista da sua
aplicação, é o principal objeto de interação entre empresas e organizações públicas.
Os sistemas regionais de inovação são importantes/relevantes:

Sistemas de
inovação (Ch.
Freeman, R.
Nelson) - Quadro
Nacional de
referência (SNI)
Sistema regional
de inovação (SRI)
(Ph. Cook,
B.Asheim de
2000 em diante)
Clusters (Porter)
- Escola Italiana
(Distritos
Industriais)

Desde 2000 que o SRI é utilizado frequentemente.


SRI é importante porque é uma entrada para políticas europeias. A utilização dos fundos
da EU tem como condicionalidade ex-ante a definição de uma estratégia regional
inteligente (RIS3) – regional innovation smart, specialization, strategy.

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Pertinência / relevância dos SRI:
» Relevância da proximidade nos processos de inovação. A densidade de networking é
maior a nível regional/local (nos EUA não; é a nível estadual). (Não é só uma questão
de proximidade física, mas sim também de proximidade cognitiva).
» Ao nível infranacional, encontramos maior focagem (“focus”) da base económica e/ou
base de conhecimento. Especialização – não quer dizer especialização num único setor
de atividade – variedade relacionada.
» Dimensão institucional: a Região. Importância variável de país para país. Regiões:
muita importância, muitas competências: Espanha, Alemanha (o aeroporto de Frankfurt
pertence ao estado regional); Países não regionalizados: Portugal, Irlanda; Situações
intermédias: França.

Tipologia de Asheim / Gertler


Os SRI revelam-se de grande importância. Os autores argumentam que não é
possível compreender perfeitamente o processo de inovação se não tivermos em conta
o papel central neste processo da proximidade e concentração em termos geográficos.
(Por exemplo, a proximidade geográfica facilita a difusão de conhecimentos através do
learning by interacting).

- TERIS: Territorially Embedded Regional Innovation System - Sistema regional de


inovação territorialmente enraizado.
Baseado em conhecimento tácito (sintético) e processos locais de clusters de
atividade com muita divisão técnica das empresas. Não é muito relevante a cooperação
com universidades, porque o que importa mais é conhecimento tácito (learning by doing,
by interacting,…).
- RNIS: Regional Network Innovation System.
Core de competências técnicas que implicam uma grande capacidade de criação
de conhecimento através de I&D. Relevância das universidades, das organizações
públicas de I&D.
- RENIS: Regionalized National Innovation System: parte do SNI que foi regionalizada.
Baseado em conhecimento analítico.

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CAP 7- POLÍTICAS DE INOVAÇÃO

Políticas de inovação englobam todas as intervenções públicas que visam


promover a inovação em sentido lato (inovação, difusão, obtenção de resultados
económicos,…):
- Políticas de intervenção pública a favor de inputs tecnológicos.
- Políticas de apoio ao I&D – matriz académica
- Políticas que visam facilitar a ocorrência de inovação nas empresas.
- Políticas de upgrading da empresa (para mais difusão).
- Políticas comerciais.
- Políticas de regulamentação da concorrência (para promover inovação).
- Políticas de compras públicas (para promover a inovação).

Políticas com intencionalidade - num sentido mais estrito (strictu sensu).


Política de inovação (núcleo duro) – todos os países mais desenvolvidos englobam
esta política:
- Formação de capital humano para I&D.
- Apoio ao I&D de matriz mais académica.
- Apoio ao I&D empresarial (incentivos financeiros e fiscais).
- Direitos de propriedade intelectual: patentes. Impedem spillovers de conhecimento. As
patentes geram trade off entre eficiência estática (inovação) e eficiência dinâmica
(difusão). Resolvem o problema da apropriabilidade mas impede difusão de
conhecimento. Qualquer pessoa pode consultar o dossiê da patente, o que é uma forma
de minorar o trade off. A patente, na maioria, impede a difusão.

Argumentos económicos que justificam uma política de inovação (centrada em


apoios de I&D)

1.Apropriabilidade imperfeita dos resultados do I&D


Os benefícios sociais excedem os benefícios privados: taxa retorno social > taxa de
retorno privado.
Se não houvesse investimento público, o investimento em I&D seria muito menos do
que aquele que maximiza o bem-estar social – sub investimento em I&D.

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Externalidades positivas resultantes de spillovers de conhecimento do investimento
em I&D levam a que a inovação tenha de estar acima da reta dos 45º.
A,B – ilustram investimentos em I&D que são feito por empresas que são rentáveis
(rentabilidade esperada > taxa de rentabilidade mínima); são investimentos que
ocorrerão mesmo sem apoio público (mas justifica-se em parte o apoio público). Se não
houver investimento público, haverá sub investimento do ponto de vista social. Aqui os
incentivos fiscais são eficazes!
C – investimento do ponto de vista social é bom. Não será feito à luz da rentabilidade
privada mas justifica-se apoio do Estado neste investimento.
D,E – criar conhecimento em áreas em que o conhecimento é quase um bem público
puro (pode e deve ser utilizado por um número infinito de pessoas na economia). Em
termos de rentabilidade privada, jamais seriam feitos. São assumidos pelo Estado.

2.Imperfeições do mercado de capitais


Grandes assimetrias de informação; inexistência de collaterals. Argumento para o
Estado intervir.
Argumento de apoio à inovação (I&D + Investimento em equipamento)
- Antecipação do ajustamento/convergência estrutural. Aplica-se sobretudo aos países
que não estão na fronteira tecnológica mas que se querem aproximar.
Um dos problemas de fazer catching up:
» Taxas de investimento elevadas.
» Investem a preços relativos mais elevados.

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Lactu sensu:
Política de inovação:
- Apoio à transferência de tecnologia e serviços tecnológicos.
- Apoio ao investimento em equipamento.
- Instituições de capitalização.
- Apoio à internacionalização.

Imperfeição do mercado de capitais- empresas nos estádios iniciais, difícil acesso ao


crédito bancário; instituições para ajudar as empresas para reforçar os seus capitais
próprios na fase inicial - venture capital, seed capital, business angels.
- Early stages: seed
- “Expansão”
- “Buy-out” (capital de risco entra no capital da empresa aquando da transferência da
propriedade da empresa).

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