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Históó ria A

O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30


A GRANDE DEPRESSÃO E O SEU IMPACTO SOCIAL
Nas origens da crise

Uma vez ultrapassadós ós óbstaó culós iniciais, a ecónómia internaciónal


registóu elevadós níóveis de prósperidade ateó finais da deó cada: seraã ó ós «felizes
anós vinte». Os Estadós Unidós beneficiavam de um períóódó de cónstante
desenvólvimentó – pór exempló, na induó stria autómóó vel, de eletródómeó sticós e na
próduçaã ó de energia – e ateó a Alemanha tinha experimentava uma módesta
melhória entre 1926 e 1927. Assim se criaram, ingenuamente, perspetivas de
prógressó sócial inigualaó veis, numa crença absóluta nó luxó e nó bem-estar que
parecia eterna e que teve, óbviamente, cónsequeê ncias negativas em dimensóã es
cómparaó veis aó crescimentó anteriór.
Aó cóntraó rió dó que se julgava, apesar da sua expansaã ó ecónóó mica, ós
Estadós Unidós sófriam de graves careê ncias estruturais, nómeadamente, juntó dó
setór agríócóla e das induó strias tradiciónais (teê xtil, ferróviaó ria), que, em ópósiçaã ó aà s
mais dinaê micas (autómaçaã ó, eletródómeó sticós), estavam desfasadas dó restó da
ecónómia. Nó entantó, ó móó bil da cónjuntura da crise cónsistiu sóbretudó nó
crescente prócessó de inflacçaã ó dó creó ditó, que afetóu drasticamente ós circuitós
de investimentó, causandó desviós de capital póucó pródutivós. A próduçaã ó
cóntinuóu a aumentar, graças aós creó ditós, mas a queda dós preçós (deflacçaã ó)
indicava uma reduçaã ó da prócura, ó que redundóu numa seó rie de faleê ncias
estendida a tódó ó mundó. Resumindó, a especulaçaã ó da Bólsa falhara, óriginandó
uma superpróduçaã ó insustentaó vel pelós cónsumidóres e, pór cónseguinte, ó
encerramentó das induó strias, arrastandó cónsigó ó desempregó. A crise
generalizóu-se e cómeçóu, entaã ó, uma fase de depressaã ó, de regressaã ó ecónóó mica.

A mundialização da crise; a persistência da conjuntura deflacionista

A vasta influeê ncia dós Estadós Unidós determinóu a universalizaçaã ó da


crise, apesar de na primeira fase ter atingidó em maiór escala as ecónómias
naciónais mais dependentes dós seus capitais – Alemanha, AÁ ustria, Ameó rica
Central e dó Sul, ÍÁndia, etc. A retirada dós investimentós americanós óriginóu um
medó geral na Európa central, póis ós seus creó ditós eram indispensaó veis aós
circuitós financeirós e ecónóó micós de recónstruçaã ó e manutençaã ó dó cóntinente
póó s-Primeira Guerra Mundial. Alguns bancós impórtantes faliram e as expórtaçóã es
európeias para ós Estadós Unidós ficaram praticamente paralisadas, ó que fazia
desenvólver a cónjuntura deflacciónista numa tentativa de escóamentó faó cil e
diretó dós pródutós. Sóó que a sua magnitude brutal teve cónsequeê ncias nós
salaó riós e redundóu mesmó em faleê ncias sucessivas que davam, nóvamente, espaçó
aó crescimentó abusivó dó desempregó em massa, ó que pressupunha lógó uma
decadeê ncia dó póder de cómpra das pópulaçóã es e uma quebra na prócura, naã ó
permitindó escóamentó da próduçaã ó. Operóu-se, entaã ó, um declíónió dó cómeó rció
mundial e uma descrença repentina sóbre ó liberalismó ecónóó micó, cónduzindó,
muitas vezes, aó radicalismó pólíóticó apóiadó nas tensóã es sóciais que tóda a
depressaã ó envólveu.

AS OPÇÕES TOTALITÁRIAS

Aparentemente, ó fim da Primeira Guerra Mundial era ó triunfó dós regimes


demóliberais (tantó na sua fórma mónaó rquica cómó na republicana), que tinham
cónseguidó eliminar ó panórama pólíóticó das tiranias európeias precedentes.
Tódavia, muitó rapidamente as dificuldades pólíóticas, ecónóó micas e sóciais dós
anós 20 fóram desembócar na instalaçaã ó de regimes ditatóriais em muitós paíóses
(Pórtugal, Hungria, Espanha, Pólóó nia), preluó dió, em grande parte, dó que seriam ós
sistemas pólíóticós alemaã ó e italianó. Pór cónseguinte, ó Estadó tótalitaó rió dós anós
30 eó um fenóó menó cómplexó que, tendó cóncretizaçóã es fundamentais (Alemanha,
Ítaó lia, Japaã ó), geróu um córpó dóutrinal de inspiraçaã ó naciónalista e
antidemócraó tica e, sóbretudó, pótencializóu a agressividade nas relaçóã es
internaciónais. Ístó eó ó resultadó, munidó de óutrós fatóres, maióritariamente
óriginadó pela agudizaçaã ó das cónsequeê ncias da depressaã ó de 1929, assumida pela
descrença prógressiva nó liberalismó ecónóó micó capitalista e, pór cónseguinte,
pelós góvernós que ó prómóviam, despóletandó tensóã es entre as massas sóciais e
entre elas e ós regimes vigentes.

Uma nova ordem nacionalista, antiliberal e antissocialista

FATORES FASCISTAS

A crise ecónóó mica e sócial e a frustraçaã ó pólíótica saã ó, póssivelmente, ós dóis


grandes fatóres que cóntribuíóram, decisivamente, para desarticular ó
parlamentarismó italianó dós anós 20 e para explicar a cónsequente ascensaã ó dó
póder de Benitó Mussólini, em óutubró de 1922.
E a frustração política irredentista, que próvócava a sucessiva queda dós
góvernós, devidó aà s insatisfaçóã es dó naciónalismó italianó pór causa dós Acórdós
de Versalhes e aà s pressóã es exercidas peló cómunismó sóvieó ticó que ameaçava
cónquistar ó póvó italianó, intimidandó a alta burguesia parlamentar.
Crise económica e social, na medida em que ós efeitós da guerra
desmembraram ó funciónamentó da estrutura ecónóó mica italiana: a inflaçaã ó
móbilizóu as classes pópulares; mais tarde, a pólíótica deflaciónista arruinóu a
classe meó dia e ós pequenós próprietaó riós, enquantó, fundamentalmente, a reduçaã ó
dós lucrós das grandes empresas industriais módificóu a situaçaã ó ecónóó mica dó
paíós. Na órdem sócial, as cónsequeê ncias naã ó tardaram a sentir-se: próduziram-se
cónfróntós nó campó entre ós grandes próprietaó riós e ós cólónós, aó mesmó tempó
que nó mundó da induó stria se tórnóu natural, perante a agudizaçaã ó da crise, a
ócupaçaã ó das faó bricas pelós óperaó riós em Milaã ó, Turim, entre óutras cidades.
Assim, apóó s a Marcha sóbre Róma (óutubró de 1922), Víótór Manuel ÍÍÍ
encarregóu Mussólini de fórmar góvernó, cóntandó cóm ó apóió inicial dós grupós
industriais, agraó riós e financeirós descóntentes. Este nóvó góvernó encóntróu nós
«esquadristas» uma fórça que se impóê s atraveó s da vióleê ncia e dó terrórismó aà s
pósiçóã es na campanha de eleiçóã es de abril de 1924, nas quais ó Partidó Naciónal
Fascista óbteve 69% dós vótós emitidós. A partir desse mómentó, a vióleê ncia
pólíótica fói aumentandó, enquantó se desenvólvia ó prócessó de fascizaçaã ó dó
Estadó, que culminóu cóm as leis da defesa de nóvembró de 1926.

CARACTERÍSTICAS DO FASCISMO

Cómó jaó se adiantóu, cóm a participaçaã ó da Ítaó lia na guerra, a crise latente
dó sistema liberal tórnóu-se manifesta e aguda; ó paíós encóntrava-se numa
situaçaã ó ecónóó mica e financeira desastrósa. A aliança cóm a Graã -Bretanha, a França
e a Ruó ssia naã ó tróuxera melhórias, chegandó-se a falar de uma «vitóó ria mutilada».
As tensóã es sóciais cresceram pór tódó ó paíós e, neste cóntextó, desenvólveu-se ó
prótestó fascista de Mussólini, apóiadó sóbretudó pela classe meó dia italiana.
Mas cómó se caracteriza exatamente esta ideólógia? Naã ó se póde falar,
talvez, dó fascismó cómó de uma dóutrina cóncluíóda, quandó muitas vezes ós seus
próó priós fundamentós se referiam aà primazia da açaã ó sóbre a palavra, mas eó
póssíóvel detetar a influeê ncia teóó rica de determinadas órigens (Nietzsche, Bergsón,
Gentile, Sórel), que geraram um cónjuntó de ideias, tais cómó:
1. a exaltaçaã ó dó naciónalismó e dó chefe carismaó ticó (Duce), que funciónavam
cómó uma espeó cie de alicerce agregadór da pópulaçaã ó, unindó-a pela causa
cóletiva, istó eó , peló Estadó supremó e aquele que ó representava;
2. ó irraciónalismó, ó antiliberalismó e a defesa de pósiçóã es pólíóticas
autóritaó rias e antidemócraó ticas, que eram ós termós da abóliçaã ó dós
direitós pólíóticós fundamentais e da próibiçaã ó dós partidós de ópósiçaã ó,
perseguidós pela Pólíócia de Segurança – totalitarismo autoritário;
3. a órganizaçaã ó córpórativa dó Estadó e da sóciedade, istó eó , a aglutinaçaã ó e
cóóperaçaã ó entre patróã es e empregadós na estrutura baó sica da sóciedade
italiana, ó que cóntrariava desde lógó a póssibilidade de greves e lóck-óuts e
a luta de classes, póis ó póder passava a estar nas maã ós de uma elite pólíótica
hierarquicamente superiór;
4. a defesa da açaã ó direta, istó eó , da fórça e da vióleê ncia para resólver ós
próblemas apresentadós, ó que se traduz, pór exempló, nó treinó militar da
juventude;
5. ó imperialismó, numa tentativa de ressuscitar ó Ímpeó rió Rómanó (pródutó
dó naciónalismó e da celebraçaã ó das glóó rias da paó tria).
Em definitivó póstulava-se um nóvó tipó de sóciedade, de indivíóduó, para ós
quais a fórça, ó tótalitarismó pólíóticó e a rejeiçaã ó da demócracia, da igualdade e a
liberdade se cónvertiam em auteê nticas alternativas aó liberalismó.

ELITES E ENQUADRAMENTO DAS MASSAS

Pór fórma a cónseguir um prójetó sócial que caminhasse prógressivamente


para ó tótalitarismó pólíóticó, ó regime fascista, tantó ó italianó cómó ó alemaã ó-nazi,
viu-se óbrigadó a aplicar medidas de enquadramentó das massas pópulares,
submetendó-as aà sua subórdinaçaã ó e aó sistema.
Em primeiró lugar, issó passóu pór dóutrinar a juventude, istó eó , incutir-lhe,
desde tenra idade, a crença nós ideais fascistas em órganizaçóã es de juventude,
encarregadas de «fanatizar» ós jóvens em relaçaã ó aó fascismó, aà paó tria e aós chefes
(Duce e Fuü hrer) que a representavam e defendiam, bem cómó inculcar-lhe ó góstó
pela milíócia e a vióleê ncia e ó desprezó pelós valóres liberais e intelectuais ligadós aà s
teórias demócratizantes. O ensinó era, entaã ó, ó dómíónió.
Havia, nó entantó, que “educar” igualmente a idade adulta, e issó cónsistia
em imprimir-lhe uma cóndiçaã ó submissa e de óbedieê ncia em relaçaã ó aà autóridade
estatal, atraveó s de uma arregimentaçaã ó, muitas vezes fórçada, aó Partidó uó nicó, aó
córpórativismó italianó óu aà Frente do Trabalho Nacional-Socialista alemaã –
incumbidas de satisfazer ós interesses dós trabalhadóres, sem hipóó tese de prótestó
– e a assóciaçóã es destinadas a ócupar ós tempós livres dós trabalhadóres em
atividades recreativas e culturais que naã ó ós afastassem da ideólógia fascista –
Dopolavoro óu Kraft durch Freude.
Pór óutró ladó, ó fascismó tambeó m se apóióu na própaganda, istó eó , ó
cónjuntó dós instrumentós destinadós a influenciar a ópiniaã ó puó blica, cómó ós
discursós, ós panfletós, ós cartazes, ó cóntróló dós meiós de cómunicaçaã ó, dó
ensinó e da magistratura, pór fórma a eliminar ós ópósitóres aó regime e submeter
a Naçaã ó aà s premissas da elite pólíótica. Esta própaganda fói igualmente córróbórada
cóm grandiósas manifestaçóã es e marchas, cuidadas de uma encenaçaã ó teatral dós
militares em pról da paó tria fascista e dó chefe.

O CULTO DA FORÇA E DA VIOLÊNCIA E A NEGAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

O enquadramentó das massas pópulares naã ó pódia ser cóncretizadó sem


uma espeó cie de repressaã ó estatal, para cónseguir a plena adesaã ó aó sistema e a
sóbreviveê ncia dó tótalitarismó. Assim, ó fascismó crióu instrumentós de cóntróló
sócial, dirigidós pela fórça e a vióleê ncia cóntra tódós ós seus ópósitóres, pór
exempló, atraveó s da censura (a eliminaçaã ó da liberdade de expressaã ó), de
perseguiçóã es, detençóã es e tórturas executadas pela pólíócia pólíótica – OVRA, na
Ítaó lia, e Gestapo e SA/SS, na Alemanha. Aleó m dissó, existiam igualmente milíócias
armadas, aà s quais cabia denunciar e reprimir qualquer ató cónspiratóó rió – a Milícia
Voluntária para a Segurança Nacional italiana.

O Racismó Nazi

Aleó m dós princíópiós gerais caracteríósticós dó fascismó, a especificidade


alemaã regia-se pór uma depuraçaã ó ideólóó gica dós cónceitós da cóndiçaã ó humana,
defendendó a interpretaçaã ó unilateral das teses dó filóó sófó Friedrich Nietzsche,
cómó sendó ó apuramento de uma raça superior – a raça ariana – e ó eugenismó,
istó eó , ó aperfeiçóamentó geneó ticó dó ser humanó, que excluíóa autómaticamente ós
pórtadóres de dóenças fíósicas óu psicólóó gicas, ós hómóssexuais, a pópulaçaã ó negra,
cigana óu íóndia e, pór fim, a judaica, aquela que sófreu maióres perseguiçóã es pór
ser culpabilizada pela derróta beó lica da Alemanha e da crise ecónóó mica. Assim, a
aplicaçaã ó desta teória antissemitista traduziu-se em diversas açóã es cóntra ós
judeus: detençóã es, perseguiçóã es, impedimentós nó acessó aós cargós puó blicós, aà s
prófissóã es liberais e aà s universidades, restriçóã es de caraó ter religiósó e sócial, ateó
1933; em 1935, cóm a apróvaçaã ó das leis de Nuremberga, deliberóu-se que
«nenhum judeu póde ser cidadaã ó dó Reich», ó que significava que estes perdiam
tódós ós seus direitós pólíóticós e de relaçaã ó cóm ó póvó alemaã ó – pór exempló,
estavam próibidós de casar cóm cidadaã ós alemaã es; treê s anós depóis, ós judeus
eram desapóssadós dós seus bens e óbrigadós a identificar-se atraveó s de a estrela
de David; enfim, durante a 2ªGuerra Mundial, fói pósta em praó tica a solução final,
óu seja, a aglómeraçaã ó em guetós e ó extermíónió absólutó dó póvó judeu,
órganizadó cientíófica e minuciósamente em campós de cóncentraçaã ó – Auschwitz e
Dachau –, ónde se prócedia aà tórtura e aà chacina hómicida destes indivíóduós. O
racismó nazi ficóu cónhecidó peló nóme de holocausto, palavra de órigem grega
utilizada para designar a cremaçaã ó de córpós humanós.

A AUTARCIA COMO MODELO ECONÓMICO

Em ambós ós regimes fascistas referidós se adótóu uma pólíótica ecónóó mica


intervenciónista e naciónalista que ficóu cónhecida pór autarcia, istó eó , a
autóssuficieê ncia ecónóó mica, patrócinada peló heróíósmó dó póvó e ó seu empenhó
pela causa naciónal.
Na Ítaó lia, a planificaçaã ó ecónóó mica fói facilitada pela atividade das
corporações, póis assegurava-lhe a aquisiçaã ó eficaz das mateó rias-primas, ós
vólumes exatós da próduçaã ó e ó tabelamentó dós preçós e dós salaó riós. Aleó m dissó,
de módó a garantir independeê ncia das impórtaçóã es estrangeiras, fómentóu-se
ainda a próduçaã ó naciónal, cóm sucessivas campanhas de pródutós de primeira
necessidade, cómó a “batalha dó trigó”, e prómóveram-se recónstruçóã es dós vaó riós
ramós industriais. Cóntrólava-se ainda a subida dós direitós alfandegaó riós, pór
fórma a entravar as relaçóã es cómerciais cóm óutrós paíóses, e investia-se na
explóraçaã ó dós territóó riós cólóniais, nómeadamente nas fóntes de energia,
mineó riós e bórracha artificial.
Na Alemanha, fói levada a cabó uma pólíótica de grandes trabalhós em
arróteamentó, na cónstruçaã ó de autóestradas, linhas feó rrais, póntes e óutras óbras
puó blicas, de módó a reabsórver ó desempregó. Pór óutró ladó, cómó naã ó pódia
deixar de ser, ó Estadó alemaã ó adótóu uma pósiçaã ó intervenciónista em relaçaã ó aà
ecónómia, dirigindó-a nó sentidó da recónstituiçaã ó dó módeló industrial e dó
desenvólvimentó dós setóres dó armamentó, da siderurgia, da quíómica, da
eletricidade, da mecaê nica e da aerónaó utica.

A RESISTÊNCIA DAS DEMOCRACIAS LIBERAIS


O Intervencionismo do Estado e o New Deal

O New Deal fói elabóradó pór Brain Trust, uma equipa de especialistas em
ecónómia da Universidade de Cóluó mbia. Partia dó princíópió de que a capacidade de
próduçaã ó da ecónómia nórte-americana tinha ultrapassadó a necessidade de
cónsumó dós óperaó riós e campóneses e de que era necessaó rió envólver ós grandes
grupós empresariais na causa dó bem-estar cómum. Assim, perante estas
cónstataçóã es, decretóu ó cóntróló dós salaó riós e dós preçós, para equilibrar ó póder
de cómpra dós cónsumidóres, prótegeu as póupanças e refórçóu a vigilaê ncia estatal
sóbre ós bancós, sem chegar aó póntó de ós naciónalizar. Aleó m dissó, póê s em
praó tica vaó riós prógramas de criaçaã ó de empregó, que reanimaram a ecónómia, e
prócedeu aà cónstruçaã ó de grandes óbras puó blicas (póntes, estradas, barragens), aó
mesmó tempó que levava a cabó um prójetó de repóvóamentó flórestal e de
próteçaã ó aà agricultura, atraveó s de empreó stimós bónificadós. Ainda, prómóveu ó
fórtalecimentó dós sindicatós industriais, de módó a própórciónar melhóres
cóndiçóã es de trabalhó e evitar cóncórreê ncias desleais entre as empresas. Numa
segunda fase, ó New Deal recónhecia ós benefíóciós dó intervenciónismó estatal e
aplicava uma pólíótica que defendia que ó bem-estar cómum e ós direitós dós
cidadaã ós deveriam ser próvidenciadós peló Estadó, regularizandó a refórma pór
velhice e invalidez, ós subsíódiós de desempregó e ó auxíólió aós póbres, a duraçaã ó
semanal dó trabalhó e a segurança sócial.

OS GOVERNOS DE FRENTE POPULAR E A MOBILIZAÇÃO DOS CIDADÃOS

Face aà s dificuldades ressentidas pelas cónsequeê ncias da guerra e da crise


ecónóó mica, ós partidós individualmente naã ó tinham capacidade de lutar cóntra ós
próblemas e chegar a tóda a pópulaçaã ó. Criaram-se, entaã ó, góvernós de frentes
pópulares, istó eó , cóligaçóã es entre ós vaó riós partidós pólíóticós, nómeadamente em
França, em Espanha e na Ínglaterra, que atuaram interventivamente na ecónómia e
na legislaçaã ó dó trabalhó sócial.

 A Frente Popular da França: cóligaçaã ó pólíótica de sócialistas, cómunistas e


radicais. Fórmada em dezembró de 1935, ganhóu as eleiçóã es parlamentares
de maió de 1936 sendó eleitó primeiró-ministró Leó ón Blum. Manteve-se nó
póder ateó 1938. O óbjetivó da Frente Pópular era ultrapassar a crise
ecónóó mica, relançar a ecónómia naciónal e melhórar as cóndiçóã es de vida
dós trabalhadóres. Cómó principais medidas pódemós apóntar: a níóvel das
finanças desvalórizaçaã ó da móeda, de módó a aumentar as expórtaçóã es e
naciónalizaçaã ó dó Bancó de França. A níóvel industrial fez-se a
naciónalizaçaã ó de alguns setóres de maiór impórtaê ncia cómó a induó stria de
armamentó e ós caminhós de ferró. Nó campó sócial empreendeu grandes
refórmas de módó a travar as manifestaçóã es sindicais e ós surtós grevistas.
Dessas refórmas cónstam a óbrigatóriedade dós patróã es celebrarem
cóntratós de trabalhó cóm ós trabalhadóres, subida dós salaó riós, reduçaã ó dó
hóraó rió de trabalhó que passóu a ser de 40 h semanais, óbrigatóriedade de
um períóódó de feó rias, liberdade sindical. Prómóveu ainda ócupaçaã ó dós
tempós livres dós trabalhadóres cóm órganismós de cultura pópular e cóm a
cónstruçaã ó de uma rede de albergues para a juventude, assim cómó baixas
tarifas nós transpórtes para ós que se deslócavam em feó rias. Fói fómentadó
ó despórtó de massas Fóram ainda prómóvidas algumas medidas a níóvel da
agricultura que prócuravam cóntrólar a próduçaã ó e ós preçós dós pródutós.
Empreendeu um cónjuntó de óbras puó blicas necessaó rias para ó cómbate aó
desempregó

 A Frente Popular da Espanha, cóligaçaã ó pólíótica de republicanós de


esquerda, sócialistas e cómunistas, fórmadas em 1935. Ganhóu as eleiçóã es
gerais espanhólas de 1936 e manteve-se nó góvernó ateó ó final da Guerra
Civil Espanhóla em 1939, cóm Manuel Azanã a cómó presidente da ÍÍ
Repuó blica. A presideê ncia dó Góvernó, pela sua vez, era ócupada pór Santiagó
Casares Quiróga. As medidas tómadas saã ó muitó parecidas aà s que fóram
implementadas pela 1ª republica pórtuguesa: separaçaã ó da igreja e dó
estadó; instituiçaã ó dó ensinó laicó; publicaçaã ó de leis sóbre a famíólia, lei dó
divóó rció; leis de caraó ter sócial cómó ó direitó aà greve, aumentó dós salaó riós
em 15% e direitó aà ócupaçaã ó das terras naã ó cultivadas. Fói ainda
recónhecidó ó direitó aà autónómia de duas regióã es de Espanha: ó Paíós Bascó
e a Catalunha. Perante esta medidas em tudó cóntraó rias aà tradiçaã ó catóó lica e
uma cultura tradiciónalista, levaram aà reaçaã ó dós ópósitóres, naciónalistas
de direita e mónaó rquicós que se órganizam cóm ó apóió dó fascismó e dó
nazismó e iniciam uma viólenta guerra civil que acabaraó apenas em 1939
cóm a subida aó póder dó General Francó e a instauraçaã ó de uma ditadura
Fascista.

A OPÇÃO TOTALITÁRIA EM PORTUGAL


A falência da 1ªRepública

Em meadós de 1919, reprimida a insurreiçaã ó mónaó rquica dó póó s-sidónismó,


a repuó blica demócraó tica inicia a segunda fase da sua acidentada históó ria. E inicia-a
num cóntextó particularmente adversó, suscitadó: em primeiró lugar, pela crise
financeira dó Estadó, cóm uma díóvida externa altíóssima, um deó fice órçamental
crescente, uma inflacçaã ó galópante, a depreciaçaã ó mónetaó ria, a falta de geó nerós de
primeira necessidade, ó desempregó óperaó rió e a miseó ria generalizada (em virtude
das praó ticas de açambarcamentó e especulaçaã ó); e, em segundó lugar, a
instabilidade pólíótica, póis ós góvernós liberais naã ó tinham sidó incapazes de póê r
fim aà situaçaã ó que se atravessava, ó que próvócava, aleó m da incónstaê ncia
góvernativa, atós de vióleê ncia e uma tensaã ó sócial fricciónada entre vaó rias frentes
pópulares ópóstas aó regime. Criadó este cóntextó de descóntentamentó de
agitaçaã ó sócial, fói relativamente faó cil implantar-se uma simpatia pelas sóluçóã es
autóritaó rias, cómó ó fascismó. Assim, em 28 de maió de 1926, caiu a Primeira
Repuó blica Pórtuguesa aà s maã ós de um gólpe militar que instalóu, ateó 1933 um
regime de cómunismó de guerra, igualmente fracassada.

Da ditadura militar ao Estado Novo

Em 1928, a ditadura recebeu um nóvó alentó cóm a entrada de Antóó nió de


Oliveira Salazar nó Góvernó cómó Ministró das Finanças, cóm a missaã ó de
superintender nas despesas de tódós ós ministeó riós, de módó a equilibrar a
balança de pagamentós dó Estadó Pórtugueê s. Dadós ós resultadós milagrósós
cónseguidós peló ministró, este fói nómeadó Chefe de Góvernó em 1932,
encarregandó-se desde lógó de criar as estruturas instituciónais necessaó rias para a
implantaçaã ó de um nóvó regime autóritaó rió, cómó eó ó casó dó Estatuto do
Trabalhador Nacional e, em seguida, a Constituição de 1933, ó dócumentó que
prómulgóu óficialmente ó iníóció de um nóvó sistema góvernativó, ó Estadó Nóvó,
nó qual sóbressaíóam órdens ideólóó gicas autóritaó rias e tótalitaó rias,
cónservadóristas, puramente naciónalistas e repressivas, negandó imediatamente
ó liberalismó e a demócracia.

Características gerais
Nós termós dó nóvó regime, apenas se cónsentia um partidó pólíóticó óficial, a
Uniaã ó Naciónal, que transmitia ó espíóritó da Naçaã ó, enquantó a ópósiçaã ó devia ser
duramente reprimida. Este defendia entaã ó que:
- As bases da sóciedade saã ó Deus, Paó tria, Famíólia, Autóridade, Hierarquia,
Móralidade e Paz Sócial, prómóvendó ó cónservadórismó e a tradiçaã ó pórtuguesa,
nómeadamente aó níóvel da religiaã ó catóó lica, das estruturas familiares – na qual
existe um chefe, ó hómem, e a mulher desempenha um papel passivó e submissó –,
dó predómíónió da ruralidade e a descónfiança perante a influeê ncia estrangeira;
- A Naçaã ó eó ó fim de tódas as vóntades e açóã es; “Tudó pela Naçaã ó, nada
cóntra a Naçaã ó”. Hóuve, entaã ó, uma recuperaçaã ó dós síómbólós dó heróíósmó
pórtugueê s e das glóó rias singulares que ó paíós representava em relaçaã ó aós
restantes, num exageró naciónalista que fazia crer aà pópulaçaã ó que Salazar era, de
factó, ó salvadór da Paó tria e era precisó prestar-lhe cultó peló levantamentó das
qualidades pórtuguesas;
- A Naçaã ó eó um tódó órgaê nicó, centradó nó póder de um góvernó unidó pela
causa naciónal e, pór issó, antiparlamentar, antiliberal e antidemócraó tica, póis estaó
decidida a lutar pelós interesses dó póvó e naã ó de particulares. Para Salazar, ó
póder executivó detinha uma tremenda impórtaê ncia nó aparelhó estatal, póis
garantia um autóritarismó fórte e tótalitaó rió que assegurava a estabilidade
cóntrólandó a aplicaçaã ó das leis, que, tambeó m ele subalternizava, juntamente cóm
ó Cónselhó de Ministrós, encarnandó, deste módó, uma figura de chefe
próvidencial, inteó rprete supremó dó interesse naciónal;
- A órdem eó ó resultadó de hierarquias córpórativas, istó eó , de um módeló de
órganizaçaã ó sócial, ecónóó mica e pólíótica ónde se agrupam patróã es e empregadós
que, em cóóperaçaã ó muó tua, trabalham para ó bem-cómum e ós interesses da
Naçaã ó.

O enquadramento das massas

De módó a integrar as massas nó sistema, ó Estadó Nóvó serviu-se:


- dó Secretariadó da Própaganda Naciónal (SPN), encarregadó da divulgaçaã ó
dó ideaó rió dó regime e da padrónizaçaã ó da cultura e das artes de acórdó cóm ele,
tentandó repróduzir a subórdinaçaã ó aó Estadó e, assim, indiretamente, aós capitais
de interesse pór ele assumidós.
- da filiaçaã ó num partidó uó nicó, a Uniaã ó Naciónal, que cóngregava tódós ós
pórtugueses de bóa vóntade pela causa cóletiva;
- de órganizaçóã es milicianas, cómó a Legiaã ó e a Mócidade Pórtuguesas, uma
para a defesa dó regime e cómbate aó cómunismó e a óutra destinada a inculcar
nós jóvens ós valóres fascistas.
- da educaçaã ó e ó ensinó, determinadó a transpórtar e veicular nas mentes
jóvens uma fórmaçaã ó apóiada na dóutrina salazarista e ós princíópiós baó sicós da
órganizaçaã ó sócial, bem cómó a crença nós valóres catóó licós e nas tradiçóã es, pór
fórma a garantir que elas assimilassem tódas as suas premissas e as aplicassem nó
futuró para a sóbreviveê ncia dó sistema – exempló: Obra das Maã es para a Educaçaã ó
Naciónal.
- de órganizaçóã es de tempós livres e de lazer, que tinham incumbidas a
tarefa de ócupar ós trabalhadóres nós seus tempós livres, próvidenciandó
atividades recreativas e educativas nórteadas pela móral óficial – Fundaçaã ó
Naciónal para a Alegria nó Trabalhó.
- da censura, que cóntrólava a liberdade de expressaã ó e ós ataques cóntra ó
regime, aplicada na imprensa, nó cinema, na raó dió, nó teatró, na muó sica e mesmó
nós sermóã es religiósós;
- da pólíócia pólíótica, a PÍDE e PVDE, distinguidas para deter, tórturar e
eliminar ópósitóres aó regime.

Uma economia submetida aos imperativos políticos

O caraó ter tótalitaó rió dó Estadó tambeó m se fez sentir na atividade ecónóó mica
e financeira. Sujeitar tóda a próduçaã ó e gestaã ó da riqueza naciónal aós interesses
dó Estadó era um óbjetó cónstituciónalmente definidó. Para ó efeitó, Salazar
abandónóu pór cómpletó ó liberalismó ecónóó micó e adótóu um módeló fórtemente
dirigista. Protecionismo e intervencionismo, tendó em vista a autossuficiência
do país e consequentemente afirmação do nacionalismo económico, fóram as
principais caracteríósticas da ecónómia dó Estadó Nóvó.
No âmbito financeiro, Salazar impóê s a tódós ós ministeó riós uma reduçaã ó
draó stica das despesas, lançandó, em simultaê neó, impóstós elevadós sóbre a
pópulaçaã ó de módó a aumentar a receita. Aleó m dissó, a decisaã ó de isólamentó
durante ó cónflitó beó licó de 1939-45 póupóu Pórtugal aà s despesas cóm a guerra e
facilitóu ó incrementó das expórtaçóã es para ós paíóses envólvidós.
Na agricultura Salazar via um dós meiós mais póderósós para chegar aà
autóssuficieê ncia ecónóó mica, peló que investiu avidamente na cónstruçaã ó de
numerósas infraestruturas, tendó em vista a recuperaçaã ó e ó apróveitamentó dós
campós agríócólas, a adóçaã ó de pólíóticas de fixaçaã ó das pópulaçóã es nó interiór rural,
dinamizaçaã ó de campanhas de flórestaçaã ó e da próduçaã ó dós bens mais baó sicós da
alimentaçaã ó pórtuguesa, cómó ó trigó e a batata.
Na indústria, ós primeirós anós dó regime fóram marcadós pela
persisteê ncia dós cónstrangimentós tradiciónais dó desenvólvimentó dó paíós –
baixós níóveis de pródutividade, manutençaã ó dós baixós salaó riós, deficieê ncias na
cómunicaçaã ó e atrasó tecnólóó gicó. Cóntudó, a partir dós anós 50, assistiu-se a um
desenvólvimentó gradual das induó strias cimenteira, da refinaçaã ó de petróó leó,
cónstruçaã ó naval, adubós quíómicós e energia eleó trica. Naã ó pódemós falar de um
fórte arranque industrial, póis ó regime cóncedeu primazia aà ruralidade e prócedeu
a um cóntróló excessivó dós vólumes de próduçaã ó, em prejuíózó da liberdade dós
agentes ecónóó micós.
Na sequeê ncia dó cóndiciónamentó industrial, a pólíótica ecónóó mica e sócial
supórtada peló córpórativismó prócuróu estipular uma regularizaçaã ó das relaçóã es
entre ós trabalhadóres entre si e entre ós patróã es, istó eó sindicatos nacionais e
grémios, respetivamente. Estes negóciariam entre si ós cóntractós cóletivós de
trabalhó, estabeleceriam nórmas e cótas de próduçaã ó e fixariam preçós e salaó riós,
cónfórme ó Estatutó dó Trabalhó Naciónal, publicadó em 1933, pór fórma a evitar
ós lock-outs e as manifestaçóã es grevistas.
A implementaçaã ó de amplós prógramas nas obras públicas fói das
manifestaçóã es mais visíóveis dó desenvólvimentó dó paíós, cóm ó óbjetivó de dar
uma imagem naciónal e internaciónal de Pórtugal mais ampla e móderna,
melhórandó-se assim, a rede de estradas, ós pórtós maríótimós e a rede telefóó nica
naciónal, edificandó-se grandes edifíóciós despórtivós, cómplexós hidróeleó tricós e
de serviçós puó blicós e recónstituindó-se ós mónumentós históó ricós.
A política colonial desempenhóu uma dupla funçaã ó nó Estadó nóvó: a de
elementó fundamental na pólíótica de naciónalismó ecónóó micó e a de um meió de
fómentó de órgulhó naciónalista. Nó primeiró casó, pórque realizavam a tradiciónal
vócaçaã ó cólónial de mercadó para ó escóamentó de pródutós agríócólas e industriais
metrópólitanós e de abastecimentó de mateó rias-primas a baixó custó. Nó segundó
casó, pórque cónstituíóam um dós principais temas da própaganda naciónalista, aó
integrar ós espaçós ultramarinós na missaã ó históó rica civilizadóra de Pórtugal e nó
espaçó geópólíóticó naciónal. A vócaçaã ó cólónial dó Estadó Nóvó mótivóu, lógó em
1930, a publicaçaã ó dó Ató Cólónial, ónde eram clarificadas as relaçóã es de
dependeê ncia das cólóó nias e se limitava a intervençaã ó que nelas pódiam ter as
póteê ncias estrangeiras. Para a cónsecuçaã ó dó segundó óbjetivó, ó regime levóu a
cabó diversas campanhas tendentes a própagandear, interna e externamente, a
míóstica imperial (cómó se ó impeó rió fósse a razaã ó da existeê ncia históó rica de
Pórtugal).
Tambeó m a criação artística e literária fói fórtemente submetida aà
influeê ncia dó Estadó Nóvó, póis, naã ó existindó liberdade de expressaã ó e tendó a
censura um papel fundamental na revisaã ó da publicaçaã ó das óbras, havia um
cóntróló dós excessós intelectuais que pusessem em causa a cóesaã ó naciónal e um
dinamismó exacerbadó na própaganda da grandeza naciónal. Cómó principal óó rgaã ó
de difusaã ó desta funçaã ó glórificadóra dó paíós, destaca-se ó Secretariado da
Propaganda Nacional, aó qual cóube cónciliar a esteó tica móderna cóm ós interesses
dó Estadó de fórma a inculcar na mentalidade pórtuguesa ó amór aà Paó tria, ó cultó
dó passadó ilustre e dós seus heróó is, a cónsagraçaã ó da ruralidade e da tradiçaã ó, a
alegria nó trabalhó e ó cultó dó chefe próvidencial, Salazar.