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UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

PROGRAMA LICENCIATURAS PLENAS PARCELADAS


PRÓ-REITORIA DE ENSINO E GRADUAÇÃO
LICENCIATURA PLENA EM PEDAGOGIA DO CAMPO
POLO DISTRITO DO CARAMUJO / CÁCERES
ACADÊMICO: AURÉLIO GONÇALVES SERAPIÃO

RESUMO DO FILME MATILDA

O filme Matilda (é uma comédia) é baseado no livro homônimo do autor de literatura


infanto-juvenil Roald Dahl (do País de Gales – pertencente a Grã-Bretanha – faz divisa com a
Inglaterra). Uma outra obra muito famosa desse autor galês e que também se tornou um
sucesso do cinema – voltado mais ao público infantil é A Fantástica Fábrica de Chocolates.
Já, Matilda se tornou um clássico do cinema e frequentemente é exibido na Sessão da Tarde.
Foi filmado nos Estado Unidos, em 1996, tendo como diretor Danny DeVito e nos papéis
principais, o próprio DeVito (Harry Wormwood) e Mara Wilson (como Matilda).
O filme narra a história de uma menina pertencente a uma família de classe média
cujo pai tem negócios ilegais e essa família não consegue enxergar seus dons que Matilda tem
e a tratam muito mal. Em casa não tem carinho nem apoio da família e nem o irmão não lhe
dá a menor atenção. Os pais tratam bem ao menino, mas a menina é tratada com ignorância e
truculência, não tendo direito a nada, nem a escola. Entretanto, Matilda é muito inteligente e
madura para a sua idade, aprende a ler muito cedo e a resolver os seus problemas desde
criança (aos 06 anos de idade). De tanto insistir, os pais a colocam na escola e lá conhece a
professora Jennifer Honey (doce e carinhosa), mas ao contrário da professora a diretora é
muito má, uma ex-atleta olímpica: Agatha Trunchbull, que mais parece uma oficiala nazista,
um demônio que amedronta as crianças, que tem verdadeiro pavor dela. Dirige a escola com
tirania e autoritarismo como se esse fosse a melhor maneira de educar as crianças.
O filme mostra as nuances das relações adulto-criança, e do despotismo e muitas vezes,
tirania e crueldade, com o que muitos adultos tratam e se dirigem às crianças. O
filme, Matilda é uma obra que, de certo modo, diz às crianças: “defendam-se”, pois os adultos
podem ser cruéis. Essas cenas de desconfiança, tirania e crueldade é quebrada nas cenas em
que aparecem a professora Miss Honey (doce como mel) que para as crianças que não tem
segurança nem no seio familiar, a professora representa o seu porto seguro, alguém que as
entende e compreende suas dores e seus medos.
Assim como no livro, o filme mantém os nomes das personagens que, como acontece
em muitas obras, os nomes já trazem consigo características, personalidades, perfil da
personagem, marcam sua posição na narrativa: Matilda é uma Wormwood, que, embora em
uma tradução literal signifique absinto, é também uma planta utilizada para se fabricar
vermífugos. Seu pai, em determinado ponto do filme, associa seus clientes enganados a
vermes (ou algo assim), o que faz dele um “matador de vermes”. Entretanto, Matilda é
completamente deslocada na família — uma família que nunca ligou muito para ela — o que
a torna o completo oposto do que seu sobrenome representa. O mesmo vale para Miss Honey
(senhorita mel, referência à doçura da professora), Agatha “The” Trunchbull (o touro que
derruba postes, em uma tradução livre) e outras personagens.
O filme tenta seguir a história do livro, todavia no filme as personagens são menos cruéis e o
clima de guerra declarada entre crianças e adultos também é mostrada. Entretanto, muito mais
do que aprontarem, liderados por Matilda, que também tem poderes mágicos, sobrenaturais,
como uma maneira de resistência, as crianças se revoltam contra seus responsáveis despóticos
e indiferentes.
Matilda (o filme) também nos mostra, ainda que de forma não muito explícita, que a
indisciplina é, também, uma forma de resistência (e isso quem diz não é somente Dahl, mas
toda uma corrente de pensadores e pesquisadores na área da Educação) e que em situações
extremas de injustiça deve ser, sim, tolerada e até mesmo incentivada. Não é à toa que, tanto
no filme quanto no livro, vemos diversas vezes Miss Honey simplesmente ignorar o
“desrespeito” cometido pelos seus alunos e, de maneira silenciosa, parabenizá-los por se
manterem firmes em sua luta por serem eles mesmos.
No filme percebemos também concepções diferentes de criança e de infância. Para a
família de Matilda, apesar dos pais (tanto o pai quanto a mãe que só se preocupava com
futilidades e a própria aparência) a considerarem criança, eles não lhes davam nenhum
carinho e nem proteção negando-lhe esses dois direitos essenciais que todos os pais devem
dar aos filhos. Percebemos também o diferente tratamento atribuído aos filhos. À menina,
nada, nem o direito de frequentar a escola. Já para o filho homem, tudo! Educação, direitos,
ensinamentos, mesmo que de jeito torpe, pois o Sr. Wormwood era desonesto e possuía
negócios escusos e queria que o filho desse continuidade a eles e dizia: “Ninguem ficou rico
sendo honesto”.
Já para a diretora Agatha “The” Trunchbull, as crianças tem que ser tratadas com
autoritarismo, com disciplina e castigos, só assim aprenderão os valores que exigidos pela
sociedade.
Contra essas concepções que não davam nenhum direito às crianças e,
consequentemente, também não lhes permitia uma infância de criança, a professora Miss
Honey era o alento de que todos na escola e até fora dela precisavam. Para ela as crianças
precisam de carinho, de atenção, de cuidados, de alguém que as ouça e as oriente de modo
honesto, ensinando valores morais, éticos positivos, corretos.
Matilda é um ótimo filme pelo que representa e transmite para as crianças (e adultos que
ainda não cresceram). Mais do que uma história de superação e amor de uma garota que tinha
incríveis poderes, Matilda é um sopro de liberdade em um mundo cada vez mais disciplinador
e estipulador de regras.