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CURSO DE DIREITO EMPRESARIAL I E II (CERS + LFG) - 2015

FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL

São fontes primárias ou diretas do Direito Empresarial: leis, regulamentos e tratados


comerciais. As fontes secundárias ou indiretas são os usos e costumes,
jurisprudência, analogia, princípios gerais do direito. As fontes primárias ou diretas são
preferenciais em relação às secundárias ou indiretas. Assim, ao caso concreto deve
ser procurada, para aplicação, a fonte primária, só na sua inexistência recorre-se às
fontes secundárias.

1. Fontes Formais Primárias– A parte que ainda não foi revogada (2ª parte, que trata
do Direito Marítimo. As matérias de Direito Empresarial/ Comercial vigentes no Código
Civil de 2002 - Com o advento do Novo Código Civil, reduziu-se o número de
dispositivos vigentes do Código Comercial, pois chamou para si a competência para
tratar dos assuntos de que cogitavam os art. 1º a 456 do Código Comercial de 1850.
Passando a ser tratados no Livro II, parte Especial, “o Direito de Empresa”. O fato de
estarem inseridas no Código Civil não desnatura o caráter comercial dessas normas.
Ex: Títulos de Crédito, Direito de Empresa. Leis, tratados e regulamentos – Os caráter
fragmentário do Direito Comercial, bem como sua natureza dinâmica propiciam o
surgimento de microssistemas legislativos. Ex: Lei de Falência e Recuperação de
Empresas, Código de Defesa do Consumidor, Lei Uniforme das Letras de Câmbio e
Notas promissórias etc.

2 Fontes Subsidiárias (Secundárias/ Indiretas) Lei Civil – Quando a lei comercial é


omissa, deve-se recorrer como fonte subsidiária, à lei civil, passando as suas regras a
regular o assunto em questão, a fim de se suprimir a lacuna existente.

Usos e costumes - Costume é a prática continuada de certos atos, aceitos por todos
os comerciantes como regras obrigatórias e que vigoram quando a lei, comercial ou
civil, não possui normas expressas para regular o assunto. Os usos não devem ser
contra os princípios da lei (contra legem), se esta for imperativa, nem contaminados de
má-fé, posto que são considerados o direito comercial não escrito.

Há doutrinas que diferenciam os usos dos costumes, mas tal distinção não deve ser
levada em conta, uma vez que, tanto as leis, quanto as práticas comerciais os
consideram sinônimos. Os usos e costumes do comércio são recolhidos no Brasil
pelas Juntas Comerciais estaduais. São assentados em livro próprio, de ofício ou
mediante provocação da Procuradoria do Estado ou de entidades de classe
interessada. Lei nº 8.934 de 18 de novembro de 1994 e Decreto nº 1.800, de 30 de
janeiro de 1996.

Jurisprudência- terceira fonte subsidiária do Direito Empresarial/Comercial, é a


jurisprudência, ou seja, as decisões continuadas dos tribunais sobre determinada
matéria. É necessário que os tribunais adotem um ponto de vista uniforme, formado
doutrina a respeito do assunto. Daí, obviamente conclui-se que, decisão isolada não
constitui jurisprudência.

A Analogia - constitui fonte subsidiária a analogia, ou seja, o julgamento de um


assunto, para o qual não exista outras fontes possíveis, nem uso comercial ou
jurisprudência firmada , utilizando-se os mesmos princípios que regularam o
julgamento de um caso semelhante.
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Princípios Gerais do Direito- Finalmente, inexistindo qualquer das fontes citadas,


servirão de fontes subsidiárias do Direito Empresarial/Comercial os princípios gerais
do direito que deverão ser aplicados para solução do caso concreto. Essa fonte
indireta do Direito Comercial tem o seu fundamento na LINDB.

STJ - RESP 875161/SC, REL. MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA


TURMA, JULGADO EM 09/08/2011, DJE 22/08/2011
DIREITO COMERCIAL. RECURSO ESPECIAL. CHEQUE. ORDEM DE
PAGAMENTO À VISTA. CARACTERE ESSENCIAL DO TÍTULO. DATA DE EMISSÃO
DIVERSA DA PACTUADA PARA APRESENTAÇÃO DA CÁRTULA. COSTUME
CONTRA LEGEM.INADMISSÃO PELO DIREITO BRASILEIRO. CONSIDERA-SE A
DATA DE EMISSÃO CONSTANTE NO CHEQUE.

1. O cheque é ordem de pagamento à vista e submete-se aos princípios


cambiários da cartularidade, literalidade, abstração, autonomia das obrigações
cambiais e inoponibilidade das exceções pessoais a terceiros de boa-fé, por isso que a
sua pósdatação não amplia o prazo de apresentação da cártula, cujo marco inicial
é, efetivamente, a data da emissão. (...)

2. "A alteração do prazo de apresentação do cheque pós-datado implicaria na


dilação do prazo prescricional do título, situação que deve ser repelida, visto que
infringiria o artigo 192 do Código Civil. Assentir com a tese exposta no especial, seria
anuir com a possibilidade da modificação casuística do lapso prescricional, em razão
de cada pacto realizado pelas partes". (AgRg no Ag 1159272/DF, Rel. Ministro VASCO
DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO
TJ/RS), TERCEIRA TURMA, julgado em
13/04/2010, DJe 27/04/2010)

3. Não se pode admitir que a parte descumpra o artigo 32 da Lei 7.357/85 e,


ainda assim, pretenda seja conferida interpretação antinômica ao disposto no artigo 59
do mesmo Diploma, para admitir a execução do título prescrito. A concessão de
efeitos à pactuação extracartular representaria desnaturação do cheque naquilo que a
referida espécie de título de crédito tem de essencial, ser ordem de pagamento
à vista, além de violar os princípios da abstração e literalidade.
(...) (REsp 875161/SC, Rel. Ministro LUIS
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 09/08/2011, DJe 22/08/2011)

II.CARACTERÍSTICAS DO DIREITO EMPRESARIAL

Embora o direito empresarial em termos legislativos passe a ter seu principal


regramento inserido no bojo do Código Civil, continua a possuir características
próprias como:

- Universalismo, Internacionalidade ou Cosmopolitismo – De Cosmópole,


cidade caracterizada por vultuosa dimensão e pelo grande número de
habitantes. Significa “aquele que recebe influência cultural de grandes centros
urbanos”, ou, sob ótica estritamente jurídica, a possibilidade de aplicação de
leis e convenções internacionais ao direito comercial. O direito empresarial vive
de práticas idênticas ou semelhantes adotadas no mundo inteiro,
principlamente com o advento da globalização da economia, transcendendo as
barreiras do direito pátrio, mas nem sempre exigindo legislação a respeito. É o
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caráter universal intrínseco ao Direito Empresarial, que o acompanha desde os


primórdios. Exemplo: Lei Uniforme de Genebra, que dispõe sobre letras de
câmbio, notas promissórias e cheque.

- Individualismo – O lucro é a preocupação imediata do interesse individual.

- Onerosidade – em se tratando de uma atividade econômica organizada, a


onerosidade estará sempre presente no elemento lucro almejado pelo
empresário. Às vezes, é comum encontrarmos promoções que oferecem
produtos gratuitamente, o que retira o caráter de onerosidade, haja vista que
normalmente são promoções com o objetivo de gerar sinergia nas vendas, em
que o consumidor leva o produto gratuito junto com outros produtos em que
não exista a mesma promoção.

- Simplicidade ou Informalismo – em suas relações habituais no mercado


permite o exercício da atividade econômica sem maiores formalidades, pois, se
contrário fosse, o formalismo poderia obstar o desenvolvimento econômico.
Exemplo: circulação de títulos de crédito mediante endosso.

- Fragmentarismo – consiste justamente na existência de um direito


empresarial vinculado a outros ramos do direito, pois ainda que com
características próprias (autonomia), sua existência depende da harmonia com
o conjunto de regras de outros diplomas legislativos.

- Elasticidade – o direito empresarial, por transcender os limites do território


nacional, precisa estar muito mais atento aos costumes empresariais do que
aos ditames legais. Permanece em constante processo de mudanças,
adaptando-se à evolução das relações de comércio. Exemplo: contratos
de leasing e franchising.

- Dinamismo – está relacionado com o desenvolvimento empresarial, fazendo


com que as normas comerciais estejam sempre em constante mudança,
aderindo a novas tecnologias que certamente acarretarão a existência de
novas práticas comerciais.

Diferenças substanciais antes existentes entre o direito comercial e o direito


civil.

DIREITO COMERCIAL DIREITO CIVIL


· Universalismo, internacionalismo, · Regionalismo;
cosmopolitismo; ·Função social;
· Individualismo; · Existência de contratos gratuitos;
· Onerosidade; · Formalismo;
· Informalismo; · Completude;
· Fragmentarismo; · Solidariedade decorre da lei ou da
· Solidariedade presumida nas vontade das partes.
obrigações.
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III. PRINCÍPIOS DE DIREITO EMPRESARIAL

PRINCÍPIOS DE DIREITO EMPRESARIAL

A. ESPÉCIE DE NORMA JURÍDICA: É majoritário o entendimento que a norma


jurídica pode ser dividida em duas categorias: (1) regras; e (2) princípios.
B. CONTRIBUIÇÃO “ALEXYANA”: A doutrina de ROBERT ALEXY formulou o
conceito de princípio como “mandamentos de otimização”.
C. CONTRIBUIÇÃO DE DWORKIN: O conceito proposto por Alexy pode ser
melhor compreendido pela construção idealizada por RONALD DWORKIN, ou seja,
em caso de conflito: (1) para as regras aplica-se a técnica do “tudo” ou “nada”; e (2)
para os princípios, a técnica do “peso” ou da “ponderação”.

PRINCÍPIOS DE DIREITO EMPRESARIAL

A. PROJETO NOVO CÓDIGO COMERCIAL: O art. 8 do PL 1572 de 2011, possui


a seguinte redação:
“Nenhum princípio expresso ou implícito, pode ser invocado para afastar a aplicação
de
qualquer disposição deste Código ou da Lei.”

B. NOVA PROPOSTA POR F.U.C: A redação deverá ser alterada, permanecendo


assim: “Nas relações regidas por este Código, nenhum princípio expresso ou implícito,
pode ser invocado para afastar a aplicação de qualquer de seus dispositivos, ou da lei,
a menos que demonstrada a sua inconstitucionalidade.”

PRINCÍPIOS DE DIREITO EMPRESARIAL

A) HUMBERTO ÁVILA: Os princípios possuem tem as seguintes funções eficaciais:

1. - INTERPRETATIVA: Um dispositivo legal deve ser interpretado de acordo com


os princípios legais e constitucionais.
2. - BLOQUEADORA: Uma regra legal deve ser afastada quando incompatível
com um princípio constitucional. (Ex: devido processo legal – apresentação de
documentos determinada em prazo exíguo pela lei).
3. - INTEGRATIVA: Se não há uma regra legal específica, o aplicador deverá
cria-la a partir de princípios constitucionais. (Ex: se não houver determinação legal
expressa, o juiz deve dar vista de um documento juntado aos autos à parte adversa)

PROJETO CÓDIGO COMERCIAL

Art. 4º. São princípios gerais informadores das disposições deste Código:

I – Liberdade de iniciativa; II – Liberdade de competição; e III– Função social da


empresa.

IV.EVOLUÇÃO DO DIREITO EMPRESARIAL.

A) SISTEMA SUBJETIVO (Direito dos Comerciantes): Algumas características são


importantes e merecem destaque: (I) O direito comercial era aplicado apenas aos
comerciantes matriculados nas corporações de ofício; (II) O poder da Burguesia
aumenta e esse direito especial acaba sendo estendido para pessoas que não seriam
comerciantes (a burguesia passa a ser o governo da sociedade urbana); (III) com a
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idade moderna, esse direito passa a ser regulado por leis estatais, aplicadas por
tribunais especiais e, posteriormente, por tribunais comuns.

B) SISTEMA OBJETIVO (Direito dos atos de comércio): Algumas características são


importantes e merecem destaque: (I) expansão do direito dos comerciantes para
industriais (é a industrialização do direito mercantil); (II) não importa quem é a pessoa
que realizada a atividade comercial, mas sim o ato por ela explorado; (III) qualquer
pessoa poderia realizar o ato de comércio, mesmo sem registro em qualquer
corporação, que foram extintas; (IV) Ocorreu a estatização do direito mercantil, pois o
Estado passa a criar as regras do direito comercial; (V) Brasil adotou o sistema dos
atos de comércio no Código de 1850; (VI) Regulamento 737 de 1850 enumerou os
atos de comércio.

C) SISTEMA SUBJETIVO MODERNO (Direito de empresa): Algumas características


são importantes e merecem destaque: (I) O direito mercantil passa a ser expandido
para outros profissionais que outrora estavam excluídos do sistema objetivo:
prestadores de serviços; (II) O conceito de empresário é mais abrangente que o de
comerciante; (III) é necessário organizar uma atividade do ponto de vista econômico
para que exista a empresa e, por consequencia, o empresário.
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INTRODUÇÃO AO DIREITO EMPRESARIAL

I TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO

É uma teoria de origem francesa. Foi adotada pelo Código Comercial de


1850. O código Comercial é divido em três partes:

Parte I: “Do Comércio em geral”

Parte II: “Do Comércio Marítimo”

Parte III: “Das Quebras”

 Devemos destacar que a Parte III já havia sido revogada pelo Decreto Lei
7661/45, que é a antiga Lei de Falência, tendo sido esta lei também revogada
pela Lei 11.101/05 (Nova Lei de Falência).

A Parte I era o capítulo do Código Comercial que se ocupava com a


figura do comerciante e da sociedade comercial. O comerciante era a pessoa
física, ao passo que a sociedade comercial era a pessoa jurídica. Segundo este
diploma, só seria classificado como comerciante ou sociedade comercial a
pessoa física ou jurídica que praticasse atos de comércio com habitualidade.
Entretanto, o Código Comercial não definia o que era atos de comércio, sendo
tal expressão definida pelo Regulamento 737 de 1850. Tal regulamento
continha uma série de atos que podiam ser considerados atos de comércio
como, por exemplo: a compra e venda de bens móveis, atividade de transporte,
atividade bancária, etc. Eram poucas atividades que eram consideradas atos
de comércio pelo referido comércio, de modo que muitas atividades ficavam
excluídas deste conceito. Nesse sentido, só podia pedir concordata quem era
comerciante ou sociedade comercial, de modo que o empresário rural, a
prestadora de serviços e a atividade imobiliária não se beneficiavam deste
instituto, revelando o fracasso desta teoria.

Nesse sentido, foi adotada uma nova teoria, a chamada Teoria da


Empresa.

II TEORIA DA EMPRESA

É uma teoria de origem de italiana. Essa teoria foi adotada no art. 966 do
CC/02. Quando o legislador edita o novo CC revoga a teoria dos atos de
comércio e adota uma nova teoria. É o que se infere pela análise do art. 2045
do CC/02:
Art. 2.045. Revogam-se a Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916 - Código Civil e a Parte
Primeira do Código Comercial, Lei no 556, de 25 de junho de 1850.
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A parte I do Código Comercial foi revogada. O Código Comercial não foi


inteiramente revogado, de modo que a Parte II, que trata do Comércio
Marítimo1, ainda continua em vigor.

Logo, esta Teoria inaugura uma nova nomenclatura, em substituição aos


termos “comerciante” e “sociedade comercial”. A teoria da empresa adota a
seguinte nomenclatura: empresário e sociedade empresária.

III Conceito de empresário

1. Previsão legal: art. 966, caput do CC/02:

Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica


organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de


natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores,
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.

2. Análise do conceito:

 Este conceito aplica-se tanto à pessoa natural quanto à pessoa jurídica.


 A pessoa natural é chamada de empresário individual.
 Obs: a pessoa natural (empresário individual) detém CNPJ
(Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica). O empresário individual não é
pessoa jurídica, embora possua cadastro no CNPJ. É pessoa que
organiza de maneira individual a atividade empresarial. Do mesmo
modo, o condomínio, que não é pessoa jurídica, possui CNPJ. O CNPJ
é conferido ao empresário individual para fins de tratamento tributário,
igualando-o à pessoa jurídica.

O empresário individual possui CNPJ para ter o mesmo tratamento


tributário que uma sociedade empresária (pessoa jurídica). Porém, não é
pessoa jurídica, mas sim pessoa física que, sozinha, organiza uma
atividade empresarial.

 A pessoa jurídica é chamada de sociedade empresária.

Pergunta de concurso: Cabe desconsideração da personalidade jurídica para


o empresário individual?

Resposta: Não, pois o empresário individual não possui personalidade jurídica.

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Arribada forçada: é uma regra de Comércio Marítimo, que esta compreendida entre os arts. 740 e 441
do Código Comercial. Quando o navio sai do porto, ele já tem uma trajetória previamente definida.
Entretanto, o Código Comercial permite uma parada não programada em um porto, ocorrendo justo
motivo. A suspeita de ataque de parada enseja a parada forçada.
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A lei dispõe que empresário é aquele que:

 Profissionalmente: “profissional” é aquilo que tem habitualidade,


continuidade.
 Exerce uma atividade econômica: finalidade lucrativa.
 Organização empresarial: há duas definições...
 1ª definição (pouco utilizada): é a reunião dos quatro fatores de
produção:
 Mão de obra;
 Matéria Prima;
 Capital;
 Tecnologia.
 2ª definição: haverá organização quando a atividade fim for
realizada com a colaboração de terceiros. Não haverá
organização quando a atividade fim depender exclusivamente do
exercício da pessoa natural ou dos sócios da sociedade.
Exemplos: vendedor de trufas caseiras, cabelereiro, pipoqueiro
não podem ser considerados empresários, pois a sua atividade
fim é desempenhada sem a colaboração de terceiros. O mesmo
raciocínio se aplica às pessoas jurídicas: dois sócios que
trabalham juntos e de forma exclusiva em um quiosque de
lanches.

Atenção: Quem não possui organização empresarial, se for


pessoa natural, será chamado de autônomo; se for pessoa
jurídica será chamada de sociedade simples. Esta regra está
insculpida no art. 982 do CC/02. O método adotado pelo CC é
obtido por exclusão: se a sociedade não for empresária será,
inevitavelmente, simples:

Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade


que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a
registro (art. 967); e, simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a
sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.

 Cuidado: quem exerce a atividade empresarial é a sociedade


(pessoa jurídica) e não a figura do sócio. Portanto, o sócio não
pode ser classificado como empresário pelo simples fato de
participar de uma sociedade empresária.

Sociedade:

Gialluca e sócio

Sociedade empresária (farmácia).

Quem desempenha atividade é a pessoa jurídica. Daí porque ela


é considerada empresarial.

Tecnicamente, é incorreto chamar o sócio de empresário pelo


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 Produção ou circulação de bens ou de serviços: todo e qualquer tipo


de atividade está enquadrada dentro desta definição. Exemplo: fábrica
de móveis (produção de bens); banco (produção de serviços); loja de
roupas (circulação de bens); agência de turismo (circulação de serviços).

IV EXCLUÍDOS DO CONCEITO DE EMPRESÁRIO

1. Previsão legal: parágrafo único do art. 966, CC/02:

Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de


natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores,
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.

2. Definição:

Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual de


natureza...

 Científica: médico, contador, engenheiro, advogado;


 Literária: escritor, autor, jornalista;
 Artística: ator, desenhista, artista plástico, cantor, dançarino;

No Brasil, quem desempenha este tipo de atividade é o profissional liberal


(autônomo).

 Exemplos

Dois médicos constituem uma clínica ortopédica: sociedade simples.

Suponha que esta mesma clínica tenha contrato uma faxineira e uma
secretária: sociedade simples.

 Atentar para a ressalva do parágrafo único do art. 966: ainda que com o
concurso de auxiliares ou colaboradores (recepcionista, faxineira).

 Atenção: “Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de


empresa” 

A exclusão do conceito de empresário decorre do papel secundário que


a organização empresarial assume nessas atividades. Nelas, o essencial é a
atividade pessoal, o que não se compatibiliza com o conceito de empresário.

As atividades intelectuais são prestadas de forma pessoal, e ainda que


contenha auxiliares ou colaboradores, o personalismo prevalece.
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O elemento de empresa estará presente quando a natureza pessoal do


exercício da atividade cede espaço para uma atividade maior de natureza
empresarial.

Quando isto ocorrerá?

 1º caso: quando a atividade intelectual estiver integrada em um objeto mais


complexo, próprio da atividade empresarial. Exemplo: dois médicos veterinários
resolveram montar uma clínica veterinária. A atividade do médico, como visto,
é uma atividade intelectual. Nesse sentido, a princípio, será uma sociedade
simples. Suponha que esta clínica também tenha um pet shop e instalado um
hotel para cachorros. Desta feita, verifica-se que esta atividade intelectual é
erro componente/elemento, diante de um complexo de atividades comerciantes
(pet shop, hotel, etc). Neste caso, estaremos diante de uma sociedade
empresária.

 2º caso: a atividade intelectual que não se caracteriza como personalíssima,


tendo em vista um cliente individualizado, mas sim um serviço objetivo,
direcionado a uma clientela indistinta, com prestações intelectuais realizadas
por profissionais contratados a seu serviço caracteriza elemento de empresa.
Exemplo: fotógrafo com uma loja especializada em revelação e venda de
câmeras fotográficas. Percebendo que a atividade não era muito lucrativa,
contrata outros fotógrafos, constituindo uma equipe para cobertura de eventos.
O fotógrafo, que organizou a atividade, não participa diretamente do evento. O
serviço é prestado por ele de forma impessoal, por pessoas por ele contratadas
para realizar a atividade fim.

V EMPRESÁRIO INDIVIDUAL

1. Pessoa natural/física que organiza uma atividade empresarial.

2. Requisitos (art. 972 do CC/02):

Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da
capacidade civil e não forem legalmente impedidos.

 Pleno gozo da capacidade civil;


 Incapaz:
 Iniciar a atividade: não pode;
 Emancipação: poderá exercer a atividade empresarial;
 Continuar a atividade: sim.

O incapaz poderá continuar uma empresa antes exercida por seus pais,
por autor de herança ou por ele mesmo enquanto capaz (art. 974 do CC). O
objetivo da norma é conferir continuidade à atividade empresarial:
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Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido,


continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de
herança.

§ 1o Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la,
podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes
legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros.

§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao


tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais
fatos constar do alvará que conceder a autorização.

§ 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá


registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz,
desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: (Incluído pela Lei nº
12.399, de 2011)

I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; (Incluído pela Lei
nº 12.399, de 2011)

II – o capital social deve ser totalmente integralizado; (Incluído pela Lei nº 12.399, de
2011)

III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve
ser representado por seus representantes legais. (Incluído pela Lei nº 12.399, de 2011)

Para que o incapaz possa continuar a empresa, é necessário que ele


esteja:

 Assistido ou representado;
 Autorização judicial (art. 974, §1º, CC/02). Esta autorização é
revogável, a qualquer tempo.

 Não ter impedimento legal: vide material de apoio.

 Casos de impedimento:

- Juiz;

- Promotor;
Não podem ser empresários individuais, mas
- Delegado;
podem ser sócios de sociedade empresária,
- Procurador; desde que não exerçam a administração.
(poderão ser cotista ou acionista de sociedade
- Servidor Público civil ou federal; empresária).

- Militares na ativa.
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Questão de concurso: “O servidor público poderá exercer a atividade


empresarial, desde que compatível com o cargo público” - FALSA

3. Empresário casado

a) Alienação de imóvel:

O art. 1647 do CC dispõe que nenhum dos cônjuges poderá, sem a


autorização do outro cônjuge, alienar ou gravar de ônus reais bens imóveis.
Entretanto, esta regra não encontra aplicabilidade no âmbito do direito
empresarial. Prevalece a regra do art. 978 do CC:

Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que
seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-
los de ônus real.

O empresário casado pode, sem a necessidade de autorização do cônjuge,


qualquer que seja o regime de bens, pode alienar bem imóvel destinado para
a atividade empresarial.

b) Questões patrimoniais (art. 979 e 980 do CC)

Pacto antenupcial, casamento, divórcio (alterações no estado civil): são


situações que não apenas devem ser comunicadas ao cartório de registro civil,
como também na Junta Comercial. Desta feita, estas questões só poderão ser
oponíveis a terceiros ser arquivadas e averbadas na Junta Comercial. O credor
deverá ter conhecimento da situação patrimonial do sócio ou empresário
individual. É o que dispõe o art. 980 do CC:
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato
de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no
Registro Público de Empresas Mercantis.

4. Responsabilidade do empresário individual

A responsabilidade do empresário individual é ILIMITADA em razão do


princípio da unidade patrimonial. Segundo este princípio, qualquer pessoa, seja
ela física ou jurídica, só possuem um único patrimônio.

Nesse sentido, imaginemos a figura de um empresário individual que abriu


uma franquia de uma loja de perfumes. Além desta franquia, o empresário
possui bens pessoais (carro, ações de sociedades anônimas, casa de praia,
etc.). O patrimônio do empresário individual compreende não apenas a loja de
perfume como também seus bens pessoais, de modo que não é possível a
separação de patrimônio (bens empresariais e bens pessoais).
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Desse modo, em razão do princípio da unidade patrimonial, o


empresário individual, que é pessoa natural, possui um único patrimônio
composto de bens empresariais e bens pessoais.

Suponha que a referida loja de perfumes contraiu algumas dívidas. As


dívidas não recairão apenas sobre os bens empresariais, tendo em vista que o
patrimônio do empresário individual é único.

Assim, se a atividade empresarial possuir dívidas, estas dívidas


poderão recair sobre os bens comerciais e também sobre os bens
pessoais. Da mesma forma, se o empresário individual possuir dívidas
pessoais, estas dívidas poderão recair sobre os bens pessoais e também
sobre os bens empresariais.

 MP/SP (2ª FASE): as dívidas pessoais do empresário (gastos com


saúde, compras de supermercado, etc.) podem recair sobre os bens
empresariais? A regra é a mesma, por força do princípio da unidade
patrimonial.

 Exceção: art. 974, §2º do CC. Menor, de 14 anos de idade, ganhou de


seu avô uma fazenda. A fazenda foi registrada no nome do menor de idade. O
pai desse menor, empresário individual, possui um restaurante, mas, por uma
infelicidade do destino, os pais desse menino falecem num acidente
automobilístico. Conforme visto, o incapaz poderá dar continuidade à atividade
empresarial. Imaginemos que este restaurante começa a ter prejuízo em razão
da inexperiência do menor em administrar o negócio. Essas dívidas, conforme
visto, recaem, pelo princípio da unidade patrimonial, sobre os bens
empresariais e pessoais.

Entretanto, o CC criou uma regra de blindagem patrimonial do incapaz.


Supondo que o incapaz, com o lucro do restaurante, tenha comprado carro
novo, uma chácara, etc. Estes bens poderão ser empregados para quitar as
dívidas contraídas pelo menor. Entretanto, os bens que o incapaz possuía
antes de ser empresário individual não podem responder pela dívida. O
juiz, que concedeu a autorização ao menor, deverá lavrar um alvará
descriminando todos os bens que o menor possuía antes de dar continuidade à
atividade empresarial, de modo a comunicar os credores.

Art. 974. Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a
empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança.

(...)

§ 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo
da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos
constar do alvará que conceder a autorização.
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Os bens que o incapaz possuía antes de continuar a empresa e


passar a ser empresário individual, se constarem no alvará de autorização
não ficarão sujeitos às dívidas empresariais. Segundo a doutrina, é um
caso de patrimônio de afetação.

5. EIRELI (Empresa individual de responsabilidade limitada).

Foi introduzida pela Lei 12.441/11, que acrescentou o art. 980-A; art. 44,VI
do CC.

A EIRELI surgiu como uma alternativa ao princípio da unidade patrimonial,


uma vez que aquele que desejasse iniciar uma atividade empresarial, na
qualidade de empresário individual, está sujeito à responsabilidade patrimonial
ilimitada. Muitas pessoas, objetivando driblar esta regra da responsabilidade
ilimitada, constituíam uma sociedade limitada com outro sócio (geralmente um
parente, com apenas 1% das cotas sociais), a fim de limitar a responsabilidade
aos bens da sociedade.

A EIRELI é uma pessoa jurídica constituída por apenas um único titular. As


dívidas contraídas não vão recair sobre os bens pessoais de seu titular. Aqui,
verifica-se claramente a separação de patrimônio.

5.1 Conceito: a EIRELI é uma nova pessoa jurídica de direito privado


constituída por um único titular.
 Obs. 1: EIRELI é pessoa jurídica, já o empresário individual é
pessoa física.
 Obs. 2: EIRELI tem responsabilidade limitada, enquanto que o
empresário individual possui responsabilidade ilimitada.

 Atenção: alguns autores sustentam que a EIRELI é uma sociedade


unipessoal, isto é, uma sociedade composta por uma única pessoa. Entretanto,
os comercialistas refutam esta ideia, pois a regra de sociedade é a
pluripessoalidade. Logo, falar em sociedade unipessoal é errôneo. Além
disso, a EIRELI não foi concebida para resolver o problema da sociedade, que
já conta com separação patrimonial, e sim para facilitar a vida do empresário
individual, limitando a sua responsabilidade.

Logo, a EIRELI é nova pessoa jurídica de direito privado, não sendo


enquadrada como empresa individual ou sociedade empresária!

Nesse sentido, é o enunciado 467, 468 e 469 do CJF:

467) Art. 974, § 3º. A exigência de integralização do capital social prevista no


art. 974, § 3º, não se aplica à participação de incapazes em sociedades
anônimas e em sociedades com sócios de responsabilidade ilimitada nas quais
a integralização do capital social não influa na proteção do incapaz.
15

468) Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada só poderá


ser constituída por pessoa natural.

469) Arts. 44 e 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada


(EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado.

5.2 Responsabilidade:

Somente os bens da EIRELI (pessoa jurídica) é que responderão pelas


dívidas contraídas na atividade empresarial.

As dívidas empresariais não recairão sobre os bens pessoais do titular


da EIRELI (neste caso, haverá separação de patrimônio).

5.3 Formação:

No caput do art. 980-A, o legislador não fez referência a pessoa natural ou


pessoa física, limitando-se a mencionar “uma única pessoa”.

Logo, em razão da redação do art. 980-A, uma parte da doutrina


entende que a EIRELI poderá ser constituída por pessoa natural ou
pessoa jurídica.

 Atenção: De acordo com a Instrução Normativa nº 117 do DNRC


(Departamento Nacional de Registro de Comércio), somente a pessoa natural
poderá ser titular de uma EIRELI. O Fundamento seria o §2º do art. 980-A do
CC. Esta é a posição que deverá ser adotada nos concursos públicos.

Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma
única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será
inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441,
de 2011) (Vigência)

§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI"


após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada.
(Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada


somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441,
de 2011) (Vigência)

§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da


concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente
das razões que motivaram tal concentração. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

§ 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)


16

§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída


para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de
direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular
da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011)
(Vigência)

§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as


regras previstas para as sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

5.4 Capital Mínimo

Para a constituição de uma EIRELI, é necessário um capital mínimo


integralizado, que não poderá ser inferior a 100 vezes o valor do salário
mínimo.

5.4.1 Formas de integralização:


a) Em dinheiro;
b) Integralização com créditos;
c) Integralização com bens (bem móvel ou imóvel):
 Se eu transferir bem de minha propriedade para a propriedade da
EIRELI incide imposto nesta transação? Não incide ITBI. Trata-se de
caso de imunidade, conforme previsto no art. 156, §2º, I da CRFB:

§ 2º - O imposto previsto no inciso II:

I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa


jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de
fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade
preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens
imóveis ou arrendamento mercantil;

 Obs.: não é possível a integralização com prestação de serviços.


5.5 Limitação de EIRELI por pessoa:

Imaginemos que Antônio tenha uma sorveteria constituída na forma de


EIRELI. Poderia Antônio constituir uma outra EIRELI? Não poderá constituir
nova EIRELI. Entretanto, poderá Antônio ser sócio ou empresário individual.

Dispõe o art. 980-A, §2º do CC:


§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada
somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441,
de 2011) (Vigência)

De acordo com art. 980-A, §2º do CC, é admitido apenas uma EIRELI
por CPF. Regra frágil, visto que passível de fraudes.

O titular da EIRELI está impedido de constituir uma nova EIRELI, mas


poderá ser empresário individual ou sócio de uma sociedade empresária.

5.6 Administrador
17

O administrador poderá ser o titular da EIRELI ou um terceiro contratado.

 Funcionário Público pode ser titular de EIRELI?

O funcionário público não pode ser empresário individual, mas poderá ser
sócio de uma sociedade, desde que não exerça a Administração.

Se interpretarmos que a EIRELI é uma sociedade unipessoal, o funcionário


público poderá ser titular desde que contrate um terceiro para a administração.

Porém, a doutrina majoritária entende que a EIRELI é uma nova pessoa


jurídica e não uma sociedade. Portanto, como ele não será sócio, ante a
inexistência de previsão legal, o funcionário público não poderá ser titular de
EIRELI.

5.7 Aplicação subsidiária

Para a EIRELI, devemos aplicar as regras contidas no art. 980-A do CC.


Todavia, na omissão deste artigo, devemos aplicar as regras de sociedade
limitada.
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as
regras previstas para as sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

5.8 Cabe desconsideração da personalidade jurídica da EIRELI?

O §4º do art. 980-A do CC foi vetado. Confira a redação:

§ 4º do art. 980-A, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, inserido pelo art. 2º do


projeto de lei

"§ 4º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual
de responsabilidade limitada, não se confundindo em qualquer situação com o patrimônio da
pessoa natural que a constitui, conforme descrito em sua declaração anual de bens entregue
ao órgão competente."

Razões do veto

"Não obstante o mérito da proposta, o dispositivo traz a expressão 'em qualquer situação', que
pode gerar divergências quanto à aplicação das hipóteses gerais de desconsideração da
personalidade jurídica, previstas no art. 50 do Código Civil. Assim, e por força do § 6º do
projeto de lei, aplicar-se-á à EIRELI as regras da sociedade limitada, inclusive quanto à
separação do patrimônio."

Na EIRELI, caberá sim a desconsideração da personalidade jurídica se


presente um dos motivos elencados no art. 50 do CC. Foi justamente por este
motivo que o art. 980-A, §4º foi vetado, pois sua redação causaria divergências
quanto à possibilidade da desconsideração.

5.9 Transformação:

Empresário
EIRELI
individual

Para que haja a transformação,


Sociedade EIRELI
deverá, na sociedade, haver a
18

 Art. 1033, IV do CC: depois que uma sociedade de 2 sócios foi constituída,
um deles falece, sociedade passará a operar com apenas 1 sócio, passando a
se chamar de sociedade unipessoal. Este dispositivo determina que só poderá
haver sociedade unipessoal pelo prazo de 180 dias. Se, transcorridos os 180
dias, não tenha havido a recomposição da pluralidade, há três possíveis
alternativas:

 Dissolução total;
 Empresário individual;
 EIRELI (art. 1033, parágrafo único do CC):

Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente,


inclusive na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade sob sua
titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas Mercantis, a transformação do
registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de
responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a
1.115 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência)

6. Obrigações empresariais (sociedade empresária, empresário, EIRELI).

6.1 Registro (art. 967 do CC)

a) Competência: a Lei 8934/94 trata do Registro Público de Empresas


Mercantis. O SINREM (Sistema Nacional de Registro de Empresas
Mercantis) é dividido em dois órgãos:
 DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio), órgão
federal. Possui duas funções principais:
 Órgão normatizador.
 Órgão fiscalizador.
 Junta Comercial, órgão estadual.
 Órgão executor.

 O registro deverá ser feito na Junta Comercial.


 Tento constituir uma EIRELI e a Junta Comercial impede o registro da
EIRELI, mesmo reunindo todos os requisitos. Neste caso, deverá ser impetrado
19

mandado de segurança contra o presidente da Junta Comercial. Qual o órgão


competente?

O STF, ao decidir o RE 199.793/RS, entendeu que existem dois tipos de


subordinação da Junta Comercial:

 Subordinação administrativa: a Junta Comercial, no âmbito


administrativo, está subordinada ao Estado da Federação (o pagamento
dos funcionários, p. ex. . é feito pelo Estado).
 Subordinação técnica: A Junta Comercial, no âmbito técnico, está
subordinada ao DNRC. Logo, a competência para julgar o manado de
segurança será da Justiça Federal.

Competência da Justiça Federal para julgamento de mandado de


segurança contra ato do Presidente da Junta Comercial.

b) Consequências da ausência de registro

 Não poderá pedir falência de terceiro;


 Não poderá pedir recuperação judicial;
 Tratando-se de sociedade ou EIRELI, a responsabilidade do sócio
ou do titular será ilimitada.
 Não poderá participar de licitação;

c) Natureza jurídica:

O registro é mera condição de regularidade (natureza declaratória).

 Obs. 1: o registro não é requisito para a caracterização do empresário/


sociedade empresária/ EIRELI, mas sim para sua regularização.

 Obs. 2: o empresário que não tem registro não deixa de ser empresário.
Porém, será um empresário irregular.

Exceção: art. 971 do CC. Para a atividade rural, o registro é facultativo.


Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode,
observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito,
ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro.

Em que pese o art. 971 do CC tratar o registro como facultativo, a lei


somente considera o empresário rural como empresário propriamente dito
(Sociedade e EIRELI) se fizerem o devido registro na Junta Comercial. As
regras do direito empresarial somente serão aplicáveis ao empresário rural que
20

tiver registro na Junta Comercial. Portanto, neste caso o registro do empresário


rural tem natureza constitutiva.

d) Registro lato sensu:

O registro envolve três atos:

 Matrícula: auxiliares do comércio (leiloeiro, tradutor intérprete).


 Arquivamento: envolve os atos constitutivos, modificativos e extintivos,
relacionados ao empresário, sociedade empresária e EIRELI.
 Autenticação: atos de escrituração do empresário.

AGU: “A lei determina que o arquivamento dos instrumentos de escrituração


das sociedades empresárias seja feito na junta comercial competente”
ERRADO. A escrituração deve ser autenticada e não arquivada.

6.2 Escrituração dos livros empresariais

a) Classificação dos livros:

 Obrigatório:
 Comum2: art. 1.180 do CC dispõe que o livro diário é o livro
obrigatório comum, isto é, é obrigação de todo empresário a sua
escrituração.

O livro diário poderá ser substituído por fichas em caso de
escrituração mecanizada ou eletrônica. A CESPE gosta de
perguntar de o direito brasileiro admitiu a escrituração eletrônica.
 Especial: escrituração apenas em situações especiais: livro de
registro de duplicata (se o empresário não emitir duplicata, não
estará obrigado a escriturar este livro).
 Facultativo: livro conta-corrente; livro razão.
b) Consequências da ausência de escrituração dos livros:

A princípio, não haverá nenhuma consequência grave (no âmbito


empresarial). Entretanto, se a empresa passar por dificuldade financeira e
tiver uma falência decretada, uma recuperação judicial concedida ou uma
recuperação extrajudicial homologada, a ausência de escrituração de livro
obrigatório pode configurar crime falimentar, previsto no art. 178 da Lei
11.101/05.

Art. 178. Deixar3 de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que
decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação
extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave.

2
Cobrado pelos concursos.
3
Atenção: o tipo penal não mencionar escriturar com falhas e sim deixar de escriturar!
21

c) Dispensado da escrituração dos livros:

Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de


contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em
correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço
patrimonial e o de resultado econômico.

§ 1o Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos
interessados.

§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o


art. 970.

 Pequeno empresário não se confunde com microempresário ou empresário


de pequeno porte. A LC 123/06 (EPP e ME) sofreu recente alteração da LC
139/11. De acordo com a LC 123, há a seguinte classificação (art. 3º):

MICROEMPRESA (ME) EMPRESA DE PEQUENO


PEQUENO PORTE EMPRESÁRIO
(EPP)
 Empresário  Empresário;  Empresário
individual;  Sociedade individual.
 Sociedade empresária;
empresária;  EIRELI;
 EIRELI;  Sociedade
 Sociedade simples.
simples.
Receita Bruta Anual Receita Bruta Anual Receita Bruta Anual
igual ou inferior a R$ superior a R$ igual ou inferior a R$
360.000,00. 360.000,00 ou igual ou 60.000,00.
inferior a R$
3.600.000,00.
Obrigatoriedade de Obrigatoriedade de Dispensado da
escrituração dos livros escrituração dos livros escrituração.

Logo, não pratica o


crime falimentar previsto
no art. 178 da Lei
11.101/05.

d) Princípio da sigilosidade dos livros: art. 1190 do CC

Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob
qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a
sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas
em lei.

 Exceções:
 Exibição integral dos livros:
22

 Sociedade;
 Sucessão;
 Administração ou gestão à conta de outrem;
 Falência.

Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de
escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou
sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência.

§ 1o O juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a requerimento


ou de ofício, ordenar que os livros de qualquer das partes, ou de ambas, sejam examinados na
presença do empresário ou da sociedade empresária a que pertencerem, ou de pessoas por
estes nomeadas, para deles se extrair o que interessar à questão.

 Exibição parcial: é possível em qualquer ação judicial.


 Art. 1193 do CC: a regra de sigilosidade não se aplica às autoridades
fazendárias quando do exercício da fiscalização do pagamento de
impostos.
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, em
parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da
fiscalização do pagamento de impostos4, nos termos estritos das respectivas leis
especiais.

 Atenção: Súmula 439, STF:


STF Súmula nº 439 Fiscalização Tributária ou Previdenciária - Livros Comerciais -
Objeto da Investigação
Estão sujeitos a fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o
exame aos pontos objeto da investigação.

e) Consequência da não apresentação dos livros:


 Cabe ordem de busca e apreensão dos livros (art. 1192 do CC5);
 Os fatos narrados que estão diretamente relacionados à prova
dos livros serão reputados como verdadeiros (presunção relativa
– parágrafo único do art. 1192 do CC): a confissão resultante da
recusa pode ser elidida por prova documental em contrário.
 Quando o juiz decreta falência de sociedade empresária ou
empresário individual, ele emite uma ordem para o falido (art.
104, II da Lei 11.101/05):

Art. 104. A decretação da falência impõe ao falido os seguintes deveres:

(...)

4
Na prática, aplica-se a todo e qualquer tributo!
5
Art. 1.192. Recusada a apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente, serão apreendidos
judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar
pelos livros.
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário.
23

II – depositar em cartório, no ato de assinatura do termo de comparecimento, os seus livros


obrigatórios, a fim de serem entregues ao administrador judicial, depois de encerrados por
termos assinados pelo juiz;

 Se o falido não depositar em cartório os livros obrigatórios,


responderá por crime de desobediência (parágrafo único do art.
104 da Lei 11.101/05).

f) Falsificação de livros comerciais é crime de falsificação de documento


público, previsto no art. 297, parágrafo §2º do CP.
 Obs.: livro mercantil = livro comercial.
 Obs. 2: livro comercial está equiparado a documento público.
Falsificação de documento público

Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público
verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

(...)

§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade


paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade
comercial, os livros mercantis e o testamento particular.

6.3 Realização de balanços

O empresário tem a obrigação de realizar anualmente os seguintes balanços:

 Patrimonial (art. 1188 do CC6): é o balanço que apura ativo e passivo.


 Resultado econômico (art. 1189 do CC7): apura lucros e perdas.

6.4 Manter em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais


papéis concernentes à sua atividade (Art. 1194 do CC):

Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda
toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto
não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados .

6
Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa
e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará,
distintamente, o ativo e o passivo.
Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o balanço patrimonial,
em caso de sociedades coligadas.
7
Art. 1.189. O balanço de resultado econômico, ou demonstração da conta de lucros e perdas,
acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial.
24

7. Nome empresarial

a) Conceito: é o elemento de identificação do empresário, da sociedade


empresária ou da EIRELI.
b) Espécies (modalidades) de nome empresarial:
 Firma:
 Firma individual;
o Aplicação: se dá apenas para o empresário
individual;
o Composição: nome civil do empresário, completo ou
abreviado – ex: Rogério Sanches Cunha; R.S.
Cunha, R. Sanches).
 É possível acrescentar designação mais precisa
de sua pessoa ou do ramo de atividade. Entretanto,
este acréscimo é facultativo. Logo, ramo de
atividade não é obrigatório!

Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu


nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser,
designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de
atividade.

R. Sanches, comércio de miniaturas (facultativo).

 Firma social (razão social):


o Aplicação: sociedade que possui sócio com
responsabilidade ilimitada. Exemplo: sociedade em
nome coletivo.
o Composição: nome(s) do(s) sócio(s), completo ou
abreviado. Exemplo: Rogério Sanches e Renato
Brasileiro; R. Sanches e R. Brasileiro; R. Sanches e
Cia (outros sócios); R. Sanches e filhos.
 Cuidado: a expressão “CIA” no início ou no meio
do nome empresarial caracteriza sociedade
anônima. Ex: Cia Brasileira de Distribuição; Porto
Seguro Cia de Seguros.
 O ramo de atividade também é facultativo na
firma social!

 Denominação:
o Aplicação: sociedade que possui sócio com
responsabilidade limitada. Exemplo: S/A.
25

o Composição: termos, palavras, expressões e frases.


Exemplo: Divina Gula Restaurante; Ki Fome Lanchonete;
Alvorada Transportadora; Cê Ki Sabe Motel;
 Na denominação, o ramo de atividade é obrigatório!
 Nome de sócio: é admitido, mas de forma excepcional!
Cabível apenas em caso de homenagem de sócio
fundador que contribui com o sucesso da sociedade.
Exemplo: Camargo Correia Construtora.

 Exceções (cabível firma ou denominação):

 Sociedade em comandita por ações;


 Sociedade limitada8 - Ex: R. Sanches e R. Brasileiro Ltda ou Ki
Fome Lanchonete Ltda.
 Atenção: é obrigatório colocar a expressão “ltda” ao final do
nome empresarial;
 Cuidado com o art. 1158, §3º do CC: ausência ou omissão
da palavra “ltda” gera responsabilidade solidária e ilimitada dos
administradores!

Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou denominação, integradas


pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura.
(...)
§ 3o A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e
ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a
denominação da sociedade.

 EIRELI: mesma regra da sociedade limitada, pode adotar tanto


firma quanto denominação. Deve se adicionada a expressão
“EIRELI” no fim do nome empresarial. Exemplo: Renato Brasileiro
EIRELI; Nenezito da vovó Buffet Infantil EIRELI.
Ausência ou omissão do termo “EIRELI”: responsabilidade
ilimitada do administrador da EIRELI (art. 980-A, §6º do CC).
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº
12.441, de 2011) (Vigência)

c) Proteção ao nome empresarial (art. 5º, XXIX da CRFB)

A proteção ao nome empresarial9 decorre automaticamente do registro do


empresário, da sociedade empresária ou da EIRELI na junta comercial (art. 33
da Lei 8934/94).

8
Muito cobrado em concursos.
26

A referida proteção se dá em âmbito estadual, vez que a junta comercial é


órgão estadual.
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou
as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites
do respectivo Estado.

Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se
registrado na forma da lei especial10.

d) Princípios do nome empresarial:


 Princípio da veracidade (autenticidade): impõe que a firma
individual ou a firma social seja composta a partir do nome do
empresário ou dos sócios, respectivamente. Ex: não se pode criar
o seguinte nome empresarial  Alexandre Gialluca e Eike Batista
Consultoria de Negócios (Gialluca não é sócio do Eike). Outro
exemplo: art. 1.165 do CC11 nome do sócio falecido não pode
ser conservado na firma social12.

 Princípio da novidade: não poderão coexistir na mesma unidade


federativa dois nomes empresariais idênticos, prevalecendo
aquele registrado por primeiro.

e) Término do nome empresarial:

 Dissolução e liquidação da sociedade:


 Pegadinha: “Sociedade em conta de participação perde o nome
empresarial com a sua liquidação”. ERRADO! Art.1.162 do CC13:
sociedade em conta de participação não possui nome empresarial.

 Art. 60 da Lei 8934/94: cancelamento decorrente de reconhecimento de


“inatividade”.

Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no
período de dez anos consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se
em funcionamento.

§ 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada inativa,


promovendo a junta comercial o cancelamento do registro, com a perda automática da
proteção ao nome empresarial.

9
Não confundir com marca, que goza de proteção nacional (INPI).
10
Esta lei especial ainda não foi editada!
11
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na
firma social.
12
Na denominação, não é necessário tirar o nome do sócio falecido (hipótese de homenagem).
13
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não pode ter firma ou denominação.
27

§ 2º A empresa mercantil deverá ser notificada previamente pela junta comercial,


mediante comunicação direta ou por edital, para os fins deste artigo.

§ 3º A junta comercial fará comunicação do cancelamento às autoridades arrecadadoras,


no prazo de até dez dias.

§ 4º A reativação da empresa obedecerá aos mesmos procedimentos requeridos para sua


constituição.

FIRMA DENOMINAÇÃO
Empresário individual Sim Não
Sociedade Limitada* Sim Sim
S/A* Não Sim
EIRELI* Sim Sim
Sociedade em nome Sim Não
coletivo
Sociedade em Sim Não
comandita simples
Sociedade em Sim Sim
comandita por ações
* cobrado nas provas com frequência.

f) Características (art. 1.164 do CC)

 Inalienável
 Obs.: numa prova discursiva, é preciso lembrar que o nome
empresarial possui duas modalidades: firma e denominação. A firma,
como visto, contém o nome dos próprios sócios. Por ser uma
característica personalíssima, não é possível a alienação. Agora, se dois
sócios tem uma sociedade cuja denominação é “Ki Fome Lanchonete
ltda”, não há esta característica pessoal, tal como se observa na firma.
Logo, em se tratando de denominação, a doutrina vem admitindo a
alienação desta modalidade de nome empresarial.
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação.
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o
contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a
qualificação de sucessor.

 O prejudicado pode, a qualquer tempo, pedir a anulação do nome


empresarial. Não há prazo prescricional (art. 1.167 do CC).
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do
nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato.

8. Estabelecimento empresarial (art. 1.142 a 1.149 do CC)

a) Sinônimos: estabelecimento comercial ou fundo de comércio.


28

b) Conceito: é o complexo de bens organizado, para exercício da empresa,


por empresário, sociedade empresária ou EIRELI.

c) “Conjunto de bens”:
 Bens materiais (corpóreos)
 Móveis, maquinários, equipamentos, mercadoria, imóvel,
veículos.
 Bens imateriais (incorpóreos).
 Ponto comercial, marca, patente.
 Obs.: o imóvel não é estabelecimento, mas sim um elemento integrante do
estabelecimento.

 Obs. 2: o estabelecimento é imprescindível para a realização da atividade


empresarial.

 Pergunta de concurso: Uma empresa, chamada BMX, que fabricava


bicicletas, possuía dois imóveis: I1 e I2. A sede da empresa estava instalada no
I1. O imóvel I2 foi alugado. O dinheiro do aluguel era utilizado para comprar
mercadorias para aquela fábrica. Diante desse contexto, indaga-se: o I2 integra
o conceito de estabelecimento?

Resposta: Não. Só compõem o conceito de estabelecimento os bens que


estão diretamente relacionados à atividade empresarial. Nem sempre o
patrimônio é igual ao estabelecimento. Patrimônio não se confunde com
estabelecimento.

No caso em tela, temos:

Patrimônio = estabelecimento + I2 + ações, etc.

 Obs. 3: estabelecimento é uma reunião de bens com organização.


Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da
empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

d) Natureza jurídica (art. 1.143 do CC):

O estabelecimento é um objeto unitário de direitos.

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos,
translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.

 Obs. 4: O estabelecimento comercial é universalidade de direito?


Não, pois:
29

Universalidade de direito é a reunião de bens por vontade da lei. É o


legislador que estabelece a junção de bens: herança, massa falida.

Quem reúne os bens para a exploração da atividade é o empresário e não


a lei. Nesse sentido, o

estabelecimento comercial é uma universalidade de fato.

e) Trespasse:

É uma palavra de origem portuguesa.

É o nome que se dá para o contrato de compra e venda de estabelecimento


empresarial.

 Trespasse ≠ cessão de cotas:

 No trespasse haverá a transferência da titularidade do


estabelecimento.

Ex.: Ki Pão Panificadora Ltda, pessoa jurídica, possui duas unidades:


U1, localizada no Centro da Cidade e U2, localizada no shopping. Esta
padaria está passando por dificuldades financeiras, tendo deliberado
pela alienação da U2. A Padaria Real Ltda adquiriu a U2. Este contrato é
denominado trespasse. Antes do trespasse, o titular da U2 era a Ki Pão
Ltda. Após o trespasse, o titular do trespasse é a Padaria Real Ltda.

 Na cessão de cotas, não haverá transferência da titularidade do


estabelecimento, mas sim uma modificação/ alteração do quadro social.

Ex. 2: a Ki Pão Ltda possui dois sócios: Alfredo, com 30% das cotas e
Manoel, com 70 % das cotas. Manoel deseja sair da sociedade. A
Padaria Real Ltda decide comprar as cotas do Manoel. Manoel deixa de
ser sócio. Este contrato é de cessão de cotas. Neste caso, transfere-se
o direito de ser sócio. É uma cessão de direitos. Após esta operação de
cessão de cotas, o titular da U2 continua sendo a Ki Pão Ltda.

 Formalidades:
 Entre o adquirente e o alienante, o contrato é plenamente válido.
 Para que esse contrato produza efeitos perante terceiros, deverão
ser observadas as formalidades do art. 1.144 do CC:
 Averbação na Junta Comercial;
e
 Publicação na Imprensa Oficial.
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros
30

depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade


empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na
imprensa oficial.
 A finalidade desta norma é a proteção do credor.
 Importante: súmula 451 do STJ.
STJ Súmula nº 451 - 02/06/2010 - DJe 21/06/2010
Legitimidade - Penhora da Sede do Estabelecimento Comercial
É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.
A redação da súmula foi um pouco infeliz, pois mencionou apenas
a sede. Mas o posicionamento do STJ é que todo o
estabelecimento pode ser penhorado.
 Para o STJ, é pacífico que a penhora do estabelecimento é
medida excepcional. Apenas na ausência de outros bens sobre
os quais possa recair a constrição judicial, é que será possível a
penhora do estabelecimento.

 Eficácia do contrato de trespasse:

 Caso 1: Ki Pão Ltda possui duas unidades: U1, do centro e U2, do


shopping. A U1 está avaliada em 1 milhão de reais, ao passo que a U2
está avaliada e 500 mil reais. A Ki Pão Ltda possui dívidas que
alcançam um patamar de R$ 700 mil. Nesse sentido, indaga-se: se a Ki
Pão Ltda vender a U2 e permanecer com a U1, ela terá de consultar
seus credores para a realização desta operação? Não, pois o patrimônio
remanescente – U1 - é suficiente para quitar a dívida, não compromete a
sua solvência. Não é necessário consultar os credores sobre esta
operação, pois permaneceu com bens suficientes para saldar a
dívida.

 Caso 2: Ki Pão Ltda pretende vender a U1 e permanecer com a U2. A


Ki Pão necessita consultar os credores?

Quando o alienante não permanecer com bens suficientes para solver o


seu passivo:
 Pagamento de todos os credores;
ou
 Consentimento de todos os credores.

O devedor deverá notificar os credores. Se após 30 dias da


notificação, o credor não se manifestar, haverá concordância tácita. O
dissenso do credor deverá ser expresso.
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a
eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os
credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a
partir de sua notificação.
31

 Se o alienante fizer esta operação sem o pagamento ou


consentimento de todos os credores, o contrato de trespasse será
ineficaz.

 Além disso, o credor também poderá pedir a falência do alienante,


pois este tipo de operação é prevista no art. 94, III, “c” da Lei 11.101
como ato de falência.
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:

(...)

III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação
judicial:

(...)

c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos


os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo;

 Responsabilidade por dívidas anteriores:

 O adquirente responde por dívidas anteriores?

 Sim, desde que as dívidas estejam regularmente contabilizadas. Esta regra


do art. 1.146 será aplicável para toda e qualquer dívida, com exceção das
dívidas trabalhistas (art. 10 e 448 da CLT) e tributárias (art. 133 do CTN).
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à
transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo
solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da
publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.

 O alienante responde de forma solidária, pelo prazo de 1 ano14, contado a


partir da dívida. Deve se analisar se a dívida é vencida ou vincenda:

 Dívida vencida: a partir da publicação (Imprensa Oficial);


 Dívida vincenda: a partir da data do vencimento.

Questão de concurso: Após percuciente análise, Beta Ltda. adquiriu, em 10/12/2009,


o estabelecimento empresarial de Alfa Ltda., cujo contrato foi averbado à margem da
inscrição da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e

14
Não confundir com a cessão de cotas (art. 1003 do CC):
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com
o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade.
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente
solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como
sócio.
32

publicado na imprensa oficial em 15/1/2010. O referido estabelecimento, quando de


sua alienação, apresentava inúmeros débitos regularmente contabilizados, todos com
vencimento no dia 2/1/2011. Nessa situação, Alfa Ltda. continuará solidariamente
obrigada ao pagamento dos aludidos débitos até 2/1/2012.

 Concorrência:

Em um primeiro momento, quem define se é possível ou não a concorrência


é o contrato de trespasse. Na omissão do contrato, deverá ser aplicada a regra
do art. 1.147 do CC: o alienante não pode fazer concorrência ao adquirente nos
05 anos subsequentes à transferência.
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer
concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência.

Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição


prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.

 A regra do art. 1.147 viola a livre concorrência?

Resposta: a previsão do art. 1.147 não reflete limitação à liberdade de


concorrência, pelo contrário, é expressão de um dever de concorrência leal.

 Sub-rogação dos contratos de exploração do estabelecimento:

Quando o adquirente compra o estabelecimento, os contratos de


exploração celebrados pelo alienante serão transferidos automaticamente
para o adquirente. É uma forma de assegurar o investimento feito. Exemplo:
os contratos mantidos com fornecedor exclusivo serão mantidos quando da
alienação.
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação do adquirente
nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal,
podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante.

 Importante: STJ. Informativo 0465: haverá transferência automática de


todos os contratos, com exceção do contrato de locação, pois este contrato
possui regras específicas definidas no art. 13 da Lei 8.245/91. Será
necessário, pois, a autorização por escrito do locador.

LOCAÇÃO COMERCIAL. TRESPASSE.

Trata-se de ação de despejo por falta de pagamento cumulada com ação de cobrança dos
aluguéis; o primitivo locador realizou a cessão do fundo de comércio a terceiros (trespasse), o
que, a seu ver, exonerá-lo-ia da responsabilidade por ulteriores débitos locatícios em razão da
inaplicabilidade do art. 13 da Lei n. 8.245/1991 aos contratos de locação comercial. Apesar da
relevância do trespasse para o fomento e facilitação dos processos produtivos e como
instrumento para a realização do jus abutendi (o poder de dispor do estabelecimento
comercial), ele está adstrito a certos limites. O contrato locatício, por natureza, reveste-se de
pessoalidade, pois são sopesadas as características individuais do futuro inquilino ou fiador
33

(capacidade financeira e idoneidade moral), razão pela qual a alteração deles não pode dar-se
sem o consentimento do proprietário do imóvel. Assim, não há como entender que o referido
artigo da Lei do Inquilinato não possa ser aplicado às locações comerciais, visto que, ao
prevalecer o entendimento contrário, tal qual pretendido pelo recorrido, o proprietário do imóvel
estaria à mercê do inquilino, que, por sua conveniência, imporia ao locador honrar o contrato
com pessoa diversa daquela constante do instrumento, que pode não ser apta a cumprir o
avençado por não possuir as qualidades exigidas pelo proprietário. Assim, a modificação, de
per si, de um dos polos do contrato de aluguel motivada pela cessão do fundo do comércio fere
o direito de propriedade do locador e a própria liberdade de contratar, quanto mais não sendo
permitido o fomento econômico à custa do direito de propriedade alheio. Dessarte, o juiz deve
reapreciar a inicial ao considerar aplicável o disposto no art. 13 da Lei n. 8.245/1991 ao
contrato de locação comercial. REsp 1.202.077-MS, Rel. Min. Vasco Della Giustina
(Desembargador convocado do TJ-RS), julgado em 1º/3/2011.

 A clientela é elemento integrante do estabelecimento?

Resposta: Não, o cliente ou clientela não é objeto de direito. A clientela é


considerada mera situação de fato.

 O que é aviamento?

Resposta: também chamado de goodwill, o aviamento é o potencial de


lucratividade do estabelecimento. Quando se compra o estabelecimento, não
se compra apenas o conjunto de bens, no seu valor individual. Adquire-se a
marca, o conceito do estabelecimento. Adquire-se um conjunto de bens que
possui um potencial de lucratividade.

 Obs.: Aviamento não é elemento integrante, mas sim um atributo, uma


qualidade do estabelecimento. Segundo Oscar Barreto Filho: “o aviamento
existe no estabelecimento, como a beleza, a saúde ou a honradez existem na
pessoa humana, a velocidade no automóvel, a fertilidade no solo, constituindo
qualidades incindíveis dos entes a que se refere. O aviamento não existe como
elemento separado do estabelecimento, e, portanto, não pode constituir em si e
por si objeto autônomo de direito, suscetível de ser alienado, ou dado em
garantia”.

f) Título de estabelecimento ≠ nome empresarial

O nome empresarial, como visto, é elemento de identificação da pessoa


física ou jurídica.

Título de estabelecimento é o apelido comercial dado para um


estabelecimento.

 Exemplo:

 Globex Utilidades Domésticas S/A  nome empresarial;


 Ponto Frio  Título de estabelecimento ou nome fantasia.
34

g) Marca

A marca identifica um produto ou um serviço.

Exemplo: Hipermarcas S/A  Gelol, Engov, Doril: todas são marcas desta
pessoa jurídica.

9. Ponto Comercial

a) Conceito: é o local no qual o empresário ou sociedade empresária


realiza a sua atividade empresarial.

b) Proteção: o ponto empresarial é protegido por meio da AÇÃO


RENOVATÓRIA. A finalidade desta ação é a renovação compulsória
do contrato de locação empresarial.

c) Requisitos (art. 51 da Lei 8.245/91): são cumulativos!

 Contrato escrito e com prazo determinado;


 O contrato ou a soma ininterrupta dos contratos tem que totalizar
o prazo de 5 anos;
 É necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de
atividade nos últimos 03 anos.
 Ex: contrato escrito de 05 anos, no qual nos dois primeiros
anos de contrato é montada uma farmácia. Nos últimos 03 anos,
explorou-se o ramo de material de construção. Logo, verifica-se o
preenchimento do referido requisito.

9.1 Sub-locação

 Cabe ação renovatória na sub-locação?

 Resposta: quem detém o ponto comercial é o sub-locatário. Por esta razão,


quem deverá ajuizar a ação renovatória é o sub-locatário (art. 51, §1º, da
Lei 8245).
§ 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários ou sucessores
da locação; no caso de sublocação total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser
exercido pelo sublocatário.

9.2 Prazo da ação renovatória (art. 51, §5º da Lei 8.245):

Quando estiver faltando 01 ano para o encerramento do contrato, inicia-se o


prazo para propositura da ação renovatória.

Faltando 06 meses para o encerramento do contrato, estará também


encerrado o prazo para propositura da referida ação.
35

1 ano 6 meses

§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no
máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em
vigor.

A ação renovatória será nos mesmos termos do contrato renovado,


conforme dispõe o caput do art. 51 da referida lei. Se o contrato de locação é
de 3 anos, a renovação se dará por mais 3 anos. Se o contrato for de 5 anos, a
renovação será de 05.

 Mas, atenção: o STJ entendeu que o teto máximo é de 05 anos.


Logo, se o contrato é de 10 anos, o prazo de renovação será de 05 anos.
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação
do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente:

9.3 Exceção de retomada (defesa do locador)

Matéria de defesa na qual o locador, em sede de contestação da


renovatória, pede a retomada do imóvel (art. 52 c/c art. 72 da Lei 8245)
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:

I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que
importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal natureza que
aumente o valor do negócio ou da propriedade;

II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de
comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, seu
cônjuge, ascendente ou descendente.

1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do mesmo ramo
do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de comércio, com as instalações e
pertences.

2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador não poderá recusar a


renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo.

3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros
cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de
comércio, se a renovação não ocorrer em razão de proposta de terceiro, em melhores
condições, ou se o locador, no prazo de três meses da entrega do imóvel, não der o destino
alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender
realizar.

Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber, ficará
adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte:
36

I - não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei;

II - não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na época da


renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar;

III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores;

IV - não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52).

1° No caso do inciso II, o locador deverá apresentar, em contraproposta, as condições


de locação que repute compatíveis com o valor locativo real e atual do imóvel.

2° No caso do inciso III, o locador deverá juntar prova documental da proposta do


terceiro, subscrita por este e por duas testemunhas, com clara indicação do ramo a ser
explorado, que não poderá ser o mesmo do locatário. Nessa hipótese, o locatário poderá, em
réplica, aceitar tais condições para obter a renovação pretendida.

3° No caso do inciso I do art. 52, a contestação deverá trazer prova da determinação


do Poder Público ou relatório pormenorizado das obras a serem realizadas e da estimativa de
valorização que sofrerá o imóvel, assinado por engenheiro devidamente habilitado.

4° Na contestação, o locador, ou sublocador, poderá pedir, ainda, a fixação de aluguel


provisório, para vigorar a partir do primeiro mês do prazo do contrato a ser renovado, não
excedente a oitenta por cento do pedido, desde que apresentados elementos hábeis para
aferição do justo valor do aluguel.

5° Se pedido pelo locador, ou sublocador, a sentença poderá estabelecer


periodicidade de reajustamento do aluguel diversa daquela prevista no contrato renovando,
bem como adotar outro indexador para reajustamento do aluguel.
 Casos:
a) Reforma solicitada pelo Poder Público que implique em radical
transformação do imóvel;
b) Reforma do imóvel solicitada pelo próprio locador que resulte em
sua valorização;
c) Proposta insuficiente;
d) Proposta melhor de terceiro: deve ser apresentado um documento
com firma reconhecida desse terceiro no qual conste o valor que este
está disposto a pagar pelo ponto. Poderá o locatário cobrir a proposta.
Ademais, se o terceiro explorar o mesmo ramo de atividade que o do
locatário, este terá direito à indenização. Quem pagará esta indenização
é o locador e o terceiro interessado.
e) Uso próprio
f) Transferência de estabelecimento existente há mais de 01 ano,
sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge,
ascendente ou descendente: imagine que o locador tem uma loja de
roupas há mais de 01 ano. Poderá, neste caso, pedir este imóvel para a
37

instalação de sua nova loja de roupa. O mesmo ocorre com o cônjuge,


ascendente e descendente.
 Locação de Shopping center: é possível ação renovatória? É
cabível ação renovatória, mas o shopping não poderá recusar a
renovação com fundamento nos itens “e” (uso próprio) e “f”
(Transferência de estabelecimento existente há mais de 01 ano). É o
que dispõe o art. 52, §2º da referida lei:
Art. 52 § 2º Nas locações de espaço em shopping centers , o locador não poderá recusar a
renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo.

VI PROPRIEDADE INDUSTRIAL

 Propriedade Intelectual:
 Propriedade industrial (Lei 9279/96);
 Direito autoral.

1. Finalidade da lei 9279/96: garantir exclusividade de uso. Incentivo à


pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.

2. Bens protegidos pela lei de propriedade industrial:

IMDM - “Ih, me dei mal”.

 Invenção; PATENTE
 Modelo de utilidade;
 Desenho industrial;
REGISTRO
 Marca.
 Repressão à falsa identificação geográfica;
 Repressão à concorrência desleal.

 A patente e o registro são feitos no INPI (Instituto Nacional de Propriedade


Industrial), autarquia federal com sede no Rio de Janeiro.

3. Prazo de proteção

 Porquanto tempo perdurará esta proteção à propriedade industrial?

Resposta: o prazo de proteção é de ...


Esses três primeiros prazos
 Invenção: 20 anos;
são contados da data do
 Modelo de Utilidade: 15 anos;
depósito.
38

 Desenho Industrial: 10 anos;


 Marca: 10 anos  o prazo é contado a partir da concessão.

 Quais prazos podem ser prorrogados?

Resposta: A invenção e o modelo são improrrogáveis. Isto significa que,


ultrapassado o prazo de exclusividade, a invenção e o modelo de utilidade
caem em domínio público. É por isso que existe o remédio genérico.

4. Prorrogação do registro

a) Desenho industrial: poderá ser prorrogado por até 3 vezes. Cada


prorrogação equivale a 05 anos.
b) Marca: não tem limite de prorrogação. Cada prorrogação equivale a 10
anos.

5. Bens patenteáveis

5.1 Invenção

a) Requisitos:
 Novidade: é aquilo que não está compreendido no estado da
técnica15.
 Atividade inventiva: sempre que para um especialista no
assunto não decorra de maneira óbvia ou evidente do estado da
técnica (avanço, real progresso).
 Aplicação industrial: aquilo que pode ser objeto de
industrialização;
 Não pode ter impedimento legal (art. 18 da Lei 9279):
 Inciso II: Tudo que for resultante de transformação do
núcleo atômico não poderá ser patenteado. O objetivo é
evitar armas atômicas.
 Inciso III: seres vivos, no todo ou em parte, não podem ser
objeto de patente, exceto os microorganismos
transgênicos.
Art. 18. Não são patenteáveis:

I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem


e à saúde públicas;

II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer


espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os

15
Estado da técnica: estágio atual da técnica (ciência, automação, informática).
39

respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de


transformação do núcleo atômico; e

III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microorganismos


transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade,
atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam
mera descoberta.

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, microorganismos transgênicos


são organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou de animais, que
expressem, mediante intervenção humana direta em sua composição genética,
uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições
naturais.

 Não se considera invenção:


 Descobertas, teorias científicas, métodos.
 Esquemas, planos ou métodos contábeis, financeiros ou
educativos.
 Obras literárias, artísticas ou arquitetônicas (objeto de proteção
do direito autoral);
 Programa de computador;
 Regras de jogo;
 Métodos ou técnicas operatórias ou cirúrgicas;

b) Licença compulsória (art. 71)16:


 Emergência nacional
ou
 Interesse Público.
Art. 71. Nos casos de emergência nacional ou interesse público, declarados em ato do Poder
Executivo Federal, desde que o titular da patente ou seu licenciado não atenda a essa
necessidade, poderá ser concedida, de ofício, licença compulsória, temporária e não exclusiva,
para a exploração da patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo titular. (Regulamento)

Parágrafo único. O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo de vigência e a


possibilidade de prorrogação.

 Características:
 Não tem exclusividade: o Poder Executivo não pode tirar a
exclusividade de um e conferir a outro laboratório, por exemplo;
 Temporário: enquanto durar a emergência nacional ou o interesse
público;
 Não pode causar prejuízo ao titular: há a obrigatoriedade no
pagamento de royalties. Exemplo disso é o Decreto 6.108/0717.

16
Caso famoso é o do coquetel Anti-HIV.
40

5.2 Modelo de utilidade

a) Conceito: É o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de


aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição,
envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu
uso ou em sua fabricação.
 Ex.: haste flexível de óculos que adapta os óculos melhor à cabeça/
churrasqueira sem fumaça.

6. Bens registráveis

6.1 Desenho Industrial:

a) Conceito: é a forma plástica ornamental de um objeto ou um conjunto


ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto,
proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração
externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial.
 Chamado pela Doutrina de “elemento fútil”: preocupação
unicamente estética. É o famoso design.

6.2 Marca

a) Conceito: é o sinal distintivo visualmente perceptível não


compreendido nas proibições legais.
 “Visualmente perceptível”: no Brasil não pode ser registrado sinal
sonoro.
b) Requisitos:
 Novidade relativa: não há, na marca, a novidade absoluta. Este
item está relacionado ao princípio da especificidade.

17
Art. 1o Fica concedido, de ofício, licenciamento compulsório por interesse público das Patentes nos
1100250-6 e 9608839-7.

§ 1o O licenciamento compulsório previsto no caput é concedido sem exclusividade e para fins de uso
público não-comercial, no âmbito do Programa Nacional de DST/Aids, nos termos da Lei no 9.313, de 13
de novembro de 1996, tendo como prazo de vigência cinco anos, podendo ser prorrogado por até igual
período. (Prorrogação de prazo)

§ 2o O licenciamento compulsório previsto no caput extinguir-se-á mediante ato do Ministro de Estado


da Saúde, se cessarem as circunstâncias de interesse público que o determinaram.

Art. 2o A remuneração do titular das patentes de que trata o art. 1 o é fixada em um inteiro e cinco
décimos por cento sobre o custo do medicamento produzido e acabado pelo Ministério da Saúde ou o
preço do medicamento que lhe for entregue.
41

 Princípio da especificidade: no INPI. há uma classificação


de produtos e serviços. É dentro desta classificação que deverá
ser analisada a novidade. Exemplo: desenho de sol: cerveja,
bronzeador, piscina./ Ex.2 2: veja  revista, desinfetante (é
possível, não há conflito, pois estão em ramos específicos
distintos). Se a novidade fosse absoluta, não seria admissível a
marca veja para revista e desinfetante ao mesmo tempo.

 Não colidência com marca notória:


 “Marca notória”: é a marca internacionalmente conhecida, de
popularidade internacional. Ex: Ferrari, Apple, Honda.
 O Brasil é signatário da Convenção da União de Paris: esta
convenção, no seu art. 6º, determina que o país que assinou esse
Tratado Internacional deverá proteger a marca notória, ainda que
ela não tenha sido registrada no país. Ex.: até pouco tempo atrás,
a Burger King não possuía registro no país. Apesar da ausência
de registro, o sujeito não poderia registrar essa marca no Brasil.
 Atenção: a proteção da marca internacional será dentro do
ramo de atividade que é conhecida.

 Marca notória ≠ marca de alto renome


MARCA NOTÓRIA MARCA DE ALTO RENOME
 Reconhecimento  A proteção desta
internacional. marca se dá em
 Proteção no ramo de todos os ramos de
atividade específico. atividade.
 Ex: Natura.
 Não precisa de registro.  Só gozara desta
proteção se tiver
registro no INPI.
 Dica: associar ao processo civil  fatos notórios independem
de prova. No mesmo sentido, a marca notória (prescinde de
registro no INPI).

 Não tem impedimento legal: o art. 124 da Lei traz várias situações
de impedimento de registro de marca.
 Brasão, emblemas, bandeira e monumento nacional ou
estrangeiro não podem ser registrados como marca.
 Marca não pode ter falsa indicação geográfica. Ex:
empresa de Santo André que fabrica chocolate. Não pode
chamar o chocolate de Gramado. Ex. 2: O requeijão Poços
de Caldas é fabricado nesta região.
 Espécies de marca:
42

 Produto ou serviço;
 Marca coletiva: identifica que o produto ou serviço faz parte
de uma coletividade. Ex: “carimbo” da associação brasileira
dos produtores de café.
 Marca de certificação: é aquela usada para atestar a
conformidade de um produto ou serviço com determinadas
normas ou especificações técnicas. Ex.: ISO 9000;
INMETRO.

7. Formas de extinção da propriedade industrial

a) Decurso do prazo de vigência;


b) Renúncia do titular;
c) Falta de pagamento das retribuições estabelecidas na lei.
d) Caducidade: falta de uso.
e) Inobservância ao artigo 217 da Lei18: se o titular da propriedade
industrial for estrangeiro e não tiver domicílio no país, terá de nomear
procurador com domicílio no Brasil. Este procurador deverá ter poderes
específicos para representa-lo no âmbito administrativo e industrial.

AULA 01
TÍTULO DE CRÉDITO
Bibliografia
1 - Manual de direito comercial – Fábio Ulhoa Coelho
2 – Luiz Emygdio F. da Rosa Jr. – Título de Crédito. Ed renovar

1 – Legislação aplicável

18
Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter procurador devidamente
qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente,
inclusive para receber citações.
43

- Nota promissória e Letra de câmbio  Decreto 57663/66 (Lei uniforme de


Genebra).
- Cheque  Lei 7357/85.
- Duplicata  Lei 5474/68.
A aplicação do Código Civil/2002 (arts. 887 e ss) aos títulos de crédito
existentes é uma aplicação subsidiária (art. 903, CC). Só aplica a lei civil
quando a lei especial não tratar do assunto.
A doutrina critica demais o capitulo dos títulos de crédito dentro do
CC/2002. As regras do CC são aplicadas para casos de título de crédito
inominado (criado pelas partes).

2 – Princípios cambiários
Título de crédito foi criado na idade média para substituir o dinheiro,
moeda – forma de circulação de riquezas sem que se tenha a posse do
dinheiro, posse da moeda (evitava que as pessoas ficassem andando com
dinheiro).
A ideia de titulo de credito é criar documento que substitua o
dinheiro/moeda e facilite a circulação de riquezas.
a) Princípio da cartularidade. A cartularidade vem do latim chartula que
significa pequeno papel. O princípio da cartularidade significa que o crédito
deve estar materializado em um documento (título). Para transferência do
crédito é necessário a transferência do documento (tradição). Não há que se
falar em exigibilidade do crédito sem a apresentação do documento.
Para a transferência do crédito é suficiente o endosso?
Não, o endosso deve estar acompanhado da tradição.
Para a cobrança de título de crédito ajuíza-se uma ação de execução
(art. 585, I, CPC – os títulos de crédito são títulos executivos extrajudiciais).
O título de credito original serve para instruir a ação – isso dá porque há
uma presunção de que credor é aquele que tem a posse do título (presunção
relativa).
A princípio não se admite execução com cópia autenticada de título de
crédito. É necessário o documento original.
44

O STJ só autorizou uma situação em que se admite a execução de título


de crédito com cópia: quando o cheque faz parte de uma ação penal ou
inquérito policial para se apurar a emissão de cheque sem fundo.
Súmula 299, STJ – o cheque prescrito é objeto de ação monitória. Para
se cobrar título de crédito prescrito ajuíza-se ação monitória.
STJ Súmula nº 299
É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito
A cartularidade está relacionada ao documento papel. Todavia, esse
princípio vem sofrendo uma mitigação. Não se pode analisar o princípio da
cartularidade como um princípio absoluto.
O princípio da cartularidade sofre mitigação com os documentos
eletrônicos. Ex: duplicata virtual – duplicata que não é emitida na forma de
papel, mas na forma eletrônica.
Art. 889, §3º, CC – admite a emissão do título de crédito eletrônico
(documento virtual).
Duplicata virtual: a empresa A (compradora) compra mercadorias da
empresa B (vendedora). Quando a empresa B vende ela tem direito ao crédito
e ela emite uma fatura decorrente dessa compra. Dessa fatura poderá ser
extraído um documento que se chama duplicata (chama duplicata porque ela
duplica os dados da fatura em um título de crédito). Só que ao invés da
empresa emitir a duplicata no papel ela emite na forma eletrônica. Só que as
duplicatas são emitidas com um prazo para o pagamento (30, 60, 90 dias).
Contudo as vezes o vendedor precisa do dinheiro na hora, daí ele repassa
essas duplicatas para o Banco o qual passa o dinheiro para o vendedor e, no
dia do vencimento, emite um boleto para o comprador. A duplicata papel não é
apresentada ao comprador, o que é apresentado é um boleto que constitui na
verdade em um aviso de cobrança. Algumas vezes o comprador não paga o
boleto. O banco então devolve a duplicata para o vendedor e recebe o seu
dinheiro de volta. O vendedor protesta o boleto (na verdade o banco não
protesta o boleto, ele protesta a duplicada virtual – as informações eletrônicas
que foram repassadas a ele). A lei autoriza o protesto por indicações (indica as
informações da duplicata. Lei 9492/97). O vendedor protesta e mesmo assim o
comprador não paga a dívida. Assim o vendedor entra com uma execução
45

instruindo a sua peça com o boleto, com o protesto e com o comprovante de


entrega da mercadoria.
No caso de duplicata virtual não é necessária a apresentação do
documento físico para a execução do crédito, para tanto, basta a apresentação
do boleto, do protesto por indicação e do comprovante de entrega da
mercadoria ou de prestação de serviço  mitigação ao princípio da
cartularidade.
Conforme o entendimento atual do STJ, as duplicatas virtuais podem ser
protestadas por mera indicação, de modo que a exibição do título é
prescindível para o ajuizamento da execução judicial. Destarte, os boletos
de cobrança bancária vinculados à duplicata virtual, devida-mente
acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos
comprovantes de en-trega da mercadoria ou da prestação dos servi-ços,
suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem, em
princípio, títulos executivos extrajudiciais (REsp n. 1.024.691/PR, DJe de
12/04/2011, Rel.ª Min.ª Nancy Andrighi).

b) Princípio da literalidade. Só tem validade para o direito cambiário aquilo


que está literalmente consignado no título. Só vale aquilo que está escrito no
título de crédito. Ex: o endosso e aval devem ser dados no título de crédito, se
o aval não for dado no título ele não tem validade para o direito cambiário (ex:
não se pode fazer um contrato de aval). A mesma coisa se dá, por exemplo, no
caso de quitação de nota promissória. A quitação deve se dar com a entrega
da nota ao devedor, se a quitação for dada sem a devolução do título e com um
simples documento em apartado (recibo) isso não tem validade para o direito
cambiário. Para o direito cambiário só vale aquilo que esta literalmente escrito
no título de crédito.
Vantagens da literalidade:
 Assegura certeza quanto à natureza, ao conteúdo e a modalidade de
prestação mencionada no título.
 Impede que meros ajustes verbais possam influir no exercício do direito
ali mencionado.
Atenção: o princípio da literalidade é absoluto.
Cuidado: A lei diz que se quiser constar alguma coisa, essa coisa deve ser
constada no título, não pode constar em documento separado. Todavia, não há
46

vedação legal quanto ao momento em que essa coisa deve ser constada no
título. Deste modo, o devedor pode simplesmente assinar o título de crédito
(título em branco ou incompleto) e depois o credor de boa-fé preenche o título
antes da cobrança ou do protesto. Súmula 387, STF:
Súmula nº 387
A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.

c) Princípio da autonomia. O vício em uma das relações não compromete


as demais. Assim, o endosso, o aval e demais atos cambiários não atinge as
demais obrigações assumidas no título. O possuidor de boa-fé exercita um
direito próprio que não pode ser restringido ou excluído pelas relações
ocorridas entre os possuidores precedentes e o devedor.
A autonomia possui subprincípios. Apesar da doutrina chamar de subprincípios
alguns concursos vem chamando esses subprincípios de princípios. Esses
subprincípios são uma consequência da autonomia, por isso são subprincípios
e não princípios.
São subprincípios da autonomia:
 Inoponibilidade de exceções pessoais a terceiro de boa-fé. Este
subprincípio é o resultado da autonomia no aspecto processual. Ex: Rogério
vende para Renato um celular, o qual emite uma nota promissória como
pagamento do objeto, a qual tem vencimento para o dia 15/03/2013 e valor de
R$350 (a origem à emissão do título é a compra e venda do celular – causa
subjacente). Causa subjacente ou casa debendi é a causa que deu origem à
emissão do título de crédito. Renato chega em casa e verifica que o celular não
está funcionando. Renato pede a nota promissória de volta. O Rogério não
devolve a nota e executa o Renato. O Renato fala que não vai pagar porque o
celular veio com defeito (exceção pessoal). O Renato pode apresentar a
exceção contra o Rogério. Por outro lado, se o Rogerio endossar o título de
crédito para o Novelino, no dia do vencimento o Renato não pode apresentar
as suas exceções pessoais contra o Rogério em face do Novelino (as relações
são autônomas, não podendo ser apresentada exceção pessoal para terceiro
de boa-fé). O devedor só pode apresentar exceção pessoal contra o terceiro
de boa-fé somente se a exceção se referir a este. Ex: no exemplo dado o
47

Renato só pode apresentar exceção pessoal contra o Novelino se a exceção se


referir somente a este (não contra o Rogério).
O que diferencia os títulos de crédito dos demais títulos de créditos
executivos extrajudiciais é a limitação quanto às matérias que possam ser
apresentadas em embargos à execução.
 Abstração. No exemplo acima, quando o Rogério faz a transferência do
título crédito para o Novelino o título se desprende, se desvincula da causa
que deu origem ao título (compra e venda do celular) – o Rogério não transferiu
para o Novelino a compra e venda de celular, ele não transferiu os direitos
decorrentes da compra e venda, o que o Rogério transferiu foi somente um
título de crédito que representa tão somente o direito a um crédito. Esse
fenômeno da desvinculação se chama abstração. Com a abstração, após a
circulação do título, o título de crédito se desvincula do negócio jurídico que lhe
deu origem.
OBS: O que autoriza a execução é exclusivamente o título e não a obrigação
que o gerou. A execução está baseada no título e não a relação que lhe deu
origem.
Enquanto estiver em circulação só o título de crédito pode ser dado em
garantia ou ser objeto de medidas judiciais e não separadamente os direitos ou
mercadorias que ele represente.
Atenção: Só é possível falar em abstração depois da circulação do título de
crédito.
A abstração é a desvinculação do título de crédito com a relação
fundamental que lhe deu origem.
Súmula 233, 247 e 258, STJ.
Súmula 258:
A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não
goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.
Questão de prova: Quando quero um cheque especial, faço um contrato
de abertura de crédito junto ao Banco. Lá assino uma nota promissória em
branco, ou coloco o valor da nota promissória, por exemplo de R$ 20.000,00, o
que corresponde ao crédito. Se eu usar o limite do cheque, mas não pagar o
valor, o banco terá que agir conforme as súmulas do STJ e STF.
Súmula: 233
48

O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato


da conta-corrente, não é título executivo.
Súmula: 247
O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado
do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o
ajuizamento da ação monitória.
Súmula: 387 STF
A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto
Posso discutir tal valor com o banco em sede de embargos, via exceção
pessoal. Se o banco transferir o título a um terceiro de boa fé, em homenagem
ao princípio da autonomia, tenho que pagar a dívida, pois nesse caso incabível
exceção pessoal. Então os bancos faziam troca de títulos entre si, e o STJ
editou tal súmula:
Súmula: 258
A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não
goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.
Então nesse caso dos bancos, posso apresentar exceção pessoal a um
terceiro de boa fé, mormente quando o banco transfere a nota promissória a
outro banco. Nesse caso, não há falar em autonomia.
Segundo o STJ, o instrumento de confissão de dívida ou de
renegociação de divida de valor determinado é título executivo extrajudicial
ainda que originário de contrato de abertura de crédito em conta corrente. Já o
contrato de abertura de crédito não é.
Exceção ao princípio da autonomia: a duplicata. A duplicata é chamada
de título causal, pois para se emitir a duplicata deve ter causa especifica
definida na própria lei de duplicatas: compra e venda mercantil ou prestação de
serviço. A duplicata acompanha a compra e venda mercantil ou prestação de
serviço.
Os outros títulos que não são causais são chamados de não causais ou
abstratos, pois para eles existe o fenômeno da abstração, o desprendimento.
Ex: o cheque se desprende da causa que lhe deu origem.

3 – Conceito de título de crédito


Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito
literal e autônomo nele mencionado (Cesare Vivante).
49

O CC/2002, em seu art. 887, adotou o conceito de Cesare Vivante. A


única diferença é que o CC/2002 adotou a expressão “nele contido” e o Vivante
usou a expressão “nele mencionado”.

4 – Classificação dos títulos de crédito


4.1 – Quanto ao modelo
a) Vinculado – é aquele cuja forma, formatação esta definida em lei. Ex:
duplicata e cheque.
b) Livre – é aquele título cuja forma, formatação não esta definida em lei.
Ex: nota promissória e letra de câmbio (por isso qualquer pedaço de papel
pode ser uma nota promissória, uma letra de câmbio). Por isso muitas vezes
quando a pessoa está abrindo um crediário ela pensa que está assinando um
contrato, mas na verdade está assinando uma nota promissória (desde que
preenchido todos os requisitos da nota promissória).

4.2 – Quanto às hipóteses de emissão


a) Título causal – é aquele que precisa de uma causa especifica para a sua
emissão. Ex: duplicata (só pode ser emitida em caso de compra e venda
mercantil ou prestação de serviço). Atenção: aluguel não é compra e venda e
nem prestação de serviço, portanto, em caso de aluguel não se admite
emissão de duplicata.
b) Título não causal ou abstrato - é aquele que não precisa de uma causa
especifica para a sua emissão. Ex: nota promissória, cheque, letra de câmbio.

4.3 – Quanto à sua estrutura


a) Ordem de pagamento. A ordem de pagamento possui três
intervenientes:
- aquele que dá a ordem;
- aquele que recebe a ordem;
- o tomador/ beneficiário (o credor do título).
Ex: o cheque é uma ordem de pagamento à vista, pois o cheque possui essa
estrutura: o correntista é aquele da a ordem ao banco (aquele que recebe a
ordem) efetuar o pagamento ao credor do título (tomador).
Exemplos de ordem de pagamento: cheque, duplicata, letra de câmbio.
50

b) Promessa de pagamento. A promessa de pagamento possui apenas


dois intervenientes:
- Promitente ou subscritor (emitente do título – o que fez a promessa).
- Tomador/Beneficiário (credor do título).
Nesta situação ninguém da ordem para ninguém, o que se faz aqui é
uma promessa de pagamento.
Exemplos de título que é promessa de pagamento: nota promissória.
Atenção: A nota promissória é promessa de pagamento. Os demais títulos
serão ordem de pagamento.
51

AULA 02
LETRA DE CÂMBIO
1 – Letra de Câmbio (decreto 57.663/66)
A letra de câmbio é ordem de pagamento. Então isso significa que na
sua estrutura teremos:
- Alguém que dá a ordem (sacador).
- Alguém que recene a ordem (sacado).
- Tomador/Beneficiário.
Letra de câmbio é um título de crédito decorrente de relações de crédito
entre duas ou mais pessoas, pelo qual a designada sacador dá a ordem de
pagamento pura e simples a outrem, denominado sacado, a seu favor ou de
terceira pessoa (tomador ou beneficiário), no valor e nas condições dela
constantes.
Saque – é o ato de criação/emissão de um título de crédito.
Quem dá a ordem de pagamento é chamado de sacador. Quem recebe
essa ordem de pagamento é o sacado.
Ex: Imagine que João tem um crédito para receber do Renato Brasileiro.
Assim, João (sacador) dá uma ordem para o Renato (sacado) pagar para João
mesmo, um determinado valor.
Ex²: Imagine que João tem um crédito para receber do Renato Brasileiro.
Assim, João (sacador) dá uma ordem para o Renato (sacado) pagar para LFG
(tomador) um determinado valor, visto que João deve LFG também.

1.1 - Requisitos de uma letra de câmbio:


Requisitos de uma letra de câmbio:
a) Menção expressa do nome do título. Ou seja, deve constar
expressamente a expressão “letra de câmbio” ou “letra” no título.
b) Mandado puro e simples de pagar quantia determinada.
c) Deve constar o nome do sacado.
d) Deve constar o nome do tomador/beneficiário.
e) Deve conter a assinatura do sacador.
f) Deve conter época de pagamento.
g) Lugar de pagamento.
52

h) Indicação de data e lugar do saque (onde foi feita a emissão do título).


É importante destacar que esses requisitos são essenciais (a princípio
os requisitos da letra de câmbio são requisitos essenciais). Ou seja, na
ausência de um deles não considera o título como letra de câmbio, ele não
produz os efeitos de letra de câmbio (art. 2º, decreto 57.663/66). Na ausência
de um desses requisitos não se fala em letra de câmbio.
Existe ainda os requisitos acidentais, não essenciais ou supríveis da
letra de câmbio que são:
 Época de pagamento – na ausência da época de pagamento, presume-
se que a letra de câmbio é à vista.
 Lugar de pagamento – na ausência do lugar de pagamento, a presunção
é de que o pagamento deve ser feito no domicílio do sacado.
 Lugar do saque – na ausência do lugar do saque, entende-se que é o
domicílio do sacador.
Cuidado: Os requisitos acidentais, segundo o CESPE, não é que não é
necessário, necessário é, mas na ausência deles eles podem ser supridos.
Ex: Gialluca emite uma letra de câmbio dando uma ordem para o Renato
(sacado) pagar R$ 5.000,00 para LFG (tomador) no dia 27/07/2013.
Gialluca emite a letra de câmbio e entrega para LFG. O LFG recebeu a
letra de câmbio e vai apresentar a letra de Cambio para o Renato para saber
se ele concorda ou não com esse pagamento (se ele está disposto a pagar o
valor e na data que foi colocada no título). Renato dá o chamado aceite. Com o
aceite o Renato tornou-se o devedor principal do título. Se ele é o devedor
principal o Gialluca será codevedor (co-responsável). Assim, no caso de
ajuizamento de ação, pode o credor propor a ação contra um, alguns ou todos
(o credor que vai escolher). Se o LFG entrar com ação de execução contra
Gialluca este tem o direito de regresso contra o Renato. Agora se LFG entrar
com a ação contra o Renato este não tem direito de regresso contra ninguém
pois ele é o devedor principal.
Aceite é o ato de concordância com a ordem de pagamento dada. Este
ato é privativo do sacado (só o sacado pode concordar com a ordem de
pagamento). O aceitante, a partir do momento que dá o aceite, torna-se
devedor principal do título.
O aceitante é o devedor principal do título.
53

Como se dá o aceite: assinatura do sacado no anverso do título (na


frente do título).
Atenção: Na letra de câmbio o aceite é facultativo. Assim, no exemplo dado, o
Renato não está obrigado a assinar, ele assina se ele quiser (ainda que o
Gialluca seja credor do Renato. O Renato não é obrigado a pagar aquela
quantia por meio de uma letra de câmbio). Portanto, é possível a recusa do
aceite.

1.2 - Efeitos da recusa do aceite pelo sacado:


 Vencimento antecipado do título de crédito.
 Tornar o sacador o devedor principal (com a recusa de aceite pelo
sacado, este sequer participará da relação creditícia, portanto, o sacador torna-
se o devedor principal).

1.3 - Aceite parcial:


O sacado, como não está obrigado a aceitar tudo, ele pode aceitar uma
parte e recusar outra.
O aceite parcial possui duas modalidades:
 Aceite limitativo – está relacionado ao valor. Ex: No exemplo dado,
Renato aceita somente R$ 3.000, 00.
 Aceite modificativo – é aquele que modifica as condições do título. Ex:
No exemplo dado, o Renato diz que só vai pagar no dia 25/12/2013.
Não importa se o aceite é limitativo ou modificativo, toda vez que se falar
em aceite parcial duas coisas vão acontecer:
- O aceitante responde nos termos do aceite (se o Renato concordou pagar 3
mil reais ele é responsável pelo pagamento dos 3 mil).
- Vencimento antecipado do título.

1.4 – Cláusula não aceitável (art. 46, decreto 57666/66)


Gialluca emite uma letra de câmbio dando uma ordem para o Renato
(sacado) pagar R$ 5.000,00 para LFG (tomador) no dia 27/07/2013. Se o
Renato não aceitar acontecerá o vencimento antecipado do título. Assim, com
a cláusula não aceitável, o LFG não pode apresentar o título para aceite antes
do vencimento, com isso evita-se o vencimento antecipado do título.
54

Cláusula não aceitável – significa que o título não pode ser apresentado
para aceite, somente para pagamento.
A finalidade dessa clausula é evitar o vencimento antecipado.

2 – Circulação do título
O tomador da letra de câmbio possui duas opções: espera a data de
vencimento para receber o título do sacado (caso este dê o aceite) ou ele
transfere o título (faz a circulação do título).
Em regra geral, o título pode ser:
Ao portador – é aquele que não identifica o beneficiário. No título ao
portador, a circulação do título se dá por mera tradição.
Nominativo – é aquele que identifica o beneficiário. Quando o título é
nominativo é preciso verificar se o título é:
a) À ordem – transfere-se mediante endosso. A finalidade dos títulos de
crédito é de dar mais segurança ao credor, assim, os títulos de crédito são
presumidamente à ordem. Eles somente serão não à ordem quando esta
clausula vier expressa no título.
b) Não à ordem – transfere-se mediante cessão civil.
É requisito essencial da letra de câmbio o nome do tomador, portanto, a
letra de câmbio é nominativa, não podendo ser ao portador.
Desde a lei 8021/90 não se admite mais título de crédito ao portador,
exceto se com previsão expressa em lei especial.
ENDOSSO CESSÃO CIVIL
Quem endossa o título responde pela Quem transfere não responde pelo
solvência, responde pelo pagamento pagamento do título. Assim, o
do título. Assim, o endosso dá mais cessionário não pode ser acionado
garantia, dá mais segurança. judicialmente para pagar o crédito
cedido.

3 – Endosso
3.1 – Efeitos
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a) Transferência da titularidade do crédito do endossante (quem transfere)


para o endossatário (quem recebe).
b) Tornar o endossante codevedor do título. Essa regra de
responsabilidade é a regra que está na lei especial (art. 15, Decreto 57666). Ou
seja, o endossante responde pelo pagamento. Cuidado: De acordo com o art.
914, CC, quem endossa o título não responde pelo pagamento. Todavia,
quando tem uma lei especial e o CC tratando sobre o mesmo assunto, é a lei
especial que se aplica e não o CC (art. 903, CC). Assim, por ser a letra de
câmbio regida por lei especial, aplica-se esta que diz que o endossante
responde pelo pagamento do título.
A transferência implica no endosso acompanhado da entrega do título
(tradição). Assim, o endosso se aperfeiçoa com a tradição. Ex: não adianta
nada eu endossar uma letra de câmbio para Maria se eu não entrego para ela
o título.

3.2 – Endosso translativo


Como se dá o endosso translativo?
Pode ser dado no verso do título e para isso basta uma simples
assinatura ou pode ser dado no anverso do título, sendo necessário para isso a
assinatura e uma expressão identificadora do ato de endosso (“endosso a...”;
“pague-se a .....”; “transfiro a .....”).

3.3 – Formas de endosso


O endosso de acordo com a sua forma pode ser:
a) Endosso em branco – é aquele que não identifica o endossatário. Ex:
Endosso a ...
b) Endosso em preto – quando tem a identificação do endossatário. Ex:
Endosso a Fabiana.

3.4 – Endosso parcial


Imagine que o título é de 5 mil reais, mas o LFG quer endossar somente
3 mil reais. Isso é possível?
O endosso parcial é nulo (art. 12, decreto 57666). Não se admite
endosso parcial. Como se sabe, o endosso se aperfeiçoa com a tradição, deste
56

modo, no exemplo dado, se o LFG endossar os 3 mil reais como ele fará para
comprovar o seu crédito de 2 mil? Não tem como né!

3.5 – Endosso sem data


Quando endossa, o mais correto é que se coloque uma data. Todavia,
na ausência de data, presume-se que o endosso foi dado antes do protesto.

3.6 – Endosso póstumo ou endosso tardio


Endosso póstumo ou tardio é aquele endosso dado depois do
vencimento.
Se o título venceu é possível endossar o título. Se o título só teve
vencimento e nada mais, esse endosso tem efeito de endosso. Agora, se além
do vencimento o título também teve protesto, ele não tem mais efeito de
endosso, ele terá efeito de cessão civil.
Para a maioria da doutrina, o endosso póstumo é o endosso dado
depois do vencimento e que teve protesto. Assim, o efeito do endosso póstumo
será somente cessão civil.
Para a corrente minoritária, endosso póstumo é aquele dado após o
vencimento, independentemente de protesto ou não. Assim, o efeito do
endosso póstumo depende se ele teve protesto ou não. Se teve protesto terá
efeito de cessão civil, se não teve protesto terá efeito de endosso.

3.7 – Endosso sem garantia


Art. 15, decreto 57666 – o endossante, salvo clausula em contrário*, é
garante tanto da aceitação como do pagamento da letra.
*Essa clausula em contrário é a clausula “sem garantia”.
Com a cláusula “sem garantia”, o endossante não responde pelo
pagamento do título. É o mesmo efeito da cessão civil.

3.8 – Clausula proibitiva de endosso


Quando o endossante vai endossar o título ele pode colocar a expressão
proíbo novo endosso.
57

Com clausula proibitiva de novo endosso, o endossante responde


perante o endossatário, mas não terá responsabilidade de pagamento perante
novos endossatários.
Se o LFG endossa o título para a Marinela com a clausula proibitiva de
endosso, e esta endossa para o Novelino. Se o Novelino vier a cobrar do LFG
ele pode dizer que não responde para novos endossatários. Mas para a
Marinela o LFG responde.

3.9 – Modalidades de endosso


 Endosso translativo - transfere a titularidade do crédito, tornando-se,
portanto, o endossante codevedor.
 Endosso impróprio – aqui não há transferência do crédito. O crédito não
é transferido. Assim, a finalidade do endosso impróprio é legitimar a posse de
um terceiro. Existem duas espécies de endosso impróprio:
a) Endosso – mandato. Imagine que Gialluca tem um letra de câmbio e vai
até o banco ou empresa de cobrança para fazer a cobrança para ele. O
Gialluca (endossante-mandante) dá uma procuração para o Banco
(endossatário-mandatário) fazer a cobrança para ele. Assim, para se
estabelecer o endosso-mandato, tem que colocar no título as expressões:
“endosso por procuração” ou “endosso para cobrança”. No endosso mandato
não há transferência do crédito, assim, o mandatário não tem o crédito, ele só
tem autorização para efetuar a cobrança/ procuração para defender os
interesses do endossante. Assim, o dinheiro não fica com o endossatário -
mandatário – este tira a sua comissão e repassa o restante para o endossante-
mandante.
Imagine que o Gialluca repasse para o banco uma letra de cambio para
ele cobrar. Se o devedor não pagar o banco protesta. Quando tem protesto
indevido quem responde, em regra, pelo protesto é o credor do título, portanto,
é o endossante-mandante. Por outro lado, imagine que o banco vai cobrar e o
devedor diz para o banco que já pagou, que aquela cobrança é irregular, e
mesmo assim o banco protesta, o Banco responde pelo protesto do título
(súmula 476, STJ).
58

O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde


por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes
de mandatário
Se o Banco (endossatário-mandatário) for comunicado da irregularidade
da cobrança e ainda assim fazer o protesto (extrapola os poderes) ele terá a
responsabilidade por esse protesto indevido.
b) Endosso – caução (ou pignoratício). Imagine que o Gialluca está no
Banco querendo fazer um empréstimo. O Banco não vai emprestar o dinheiro
sem garantia. Imagine que o Gialluca não tenha nenhum bem para dar em
garantia, mas somente uma letra de câmbio. O título de crédito é considerado
um bem móvel e por assim ser, ele pode ser dado em garantia de pagamento.
Assim, se o título de crédito dado em garantia de pagamento é um bem móvel,
estabelece, portanto, um penhor. Para haver o endosso-caução precisa das
expressões: “endosso em caução” ou “endosso em garantia”.
Atenção: A morte é uma das causas de extinção do contrato de mandato.
Contudo, com relação ao endosso-mandato essa regra não prevalece (art. 18,
decreto 57666). O mandato que resulta de endosso por procuração não se
extingue por morte ou sobrevinda incapacidade legal do mandatário.

4 – Aval
4.1 – Conceito
Aval é o ato cambiário decorrente de uma manifestação unilateral de
vontade pela qual uma pessoa natural ou jurídica, denominada avalista, se
compromete a pagar título de crédito nas mesmas condições que um devedor
ou codevedor do título (avalizado).
O avalista é o garantidor – ele garante o pagamento de um titulo de
crédito nas mesmas condições que o avalizado.
Assim, o aval tem a finalidade de reforço de pagamento.
Gialluca deu uma ordem para o Renato pagar uma determinada quantia
para o LFG. O LFG endossa o título para Marinela quem endossa também para
o Novelino. O Novelino pede uma garantia para a Marinela daí o Neymar
avaliza a Marinela.

4.2 – Como se dá o aval


59

Pode ser dado no anverso do título e para isso basta uma simples
assinatura ou pode ser dado do verso do título, sendo necessário para isso a
assinatura e uma expressão identificadora do ato de aval (“por aval a...”;
“avalizo a...”). Aqui é o contrário do que acontece no endosso.

4.3 – Formas de aval


O aval pode ser:
a) Aval em branco – quando não identificado o avalizado. Ex: “por aval a
...”.
b) Aval em preto – quando identificado o avalizado. Ex: “por aval a
Marinela”.
Imagine que no exemplo dado que o Neymar avaliza a Marinela (aval em
preto), assim o Neymar vai avalizar a Marinela. Todavia, se o Neymar
simplesmente assina o letra de câmbio no anverso do título, o avalizado será o
Renato (devedor principal).
No aval em branco quem é o avalizado?
No aval em branco quem emitiu o título, quem criou o título é que está
sendo avalizado, portanto, no aval em branco é o sacado que será avalizado.

4.4 – É possível o aval parcial?


Art. 30, decreto 57666 – este dispositivo autoriza tanto o aval total como
também o aval parcial.
O art. 897, p.u, CC diz que é vedado o aval parcial, não se admite o aval
parcial. Todavia, se tem CC e lei especial, aplica-se a lei especial e não o CC.
Enunciado 39, I jornada de direito comercial.

4.5 – Aval posterior ao vencimento


Tanto tendo somente o vencimento, quanto tendo também o protesto, o
aval continua tendo efeito de aval.

AULA 03
TÍTULO DE CRÉDITO
4.6 – Aval simultâneo
60

São os avais dados por dois ou mais avalistas ao mesmo avalizado. No


aval simultâneo basta ter dois ou mais avalistas da mesma pessoa, os avais
não precisam ter sido dados no mesmo momento.
Marinela
(endossante/codevedora)

Neymar Roberto
(avalista1) (avalista 2)

Nesta situação, caso Roberto pague a dívida ele terá direito de regresso
contra os demais devedores, não terá direito de regresso contra Neymar.
4.7 – Aval sucessivo
Ocorre quando um avalista garante a obrigação de outro avalista. É o
aval do aval.
Marinela

Neymar

Roberto
No exemplo dado, caso roberto pague a dívida, este terá direito de
regresso contra Neymar e Marinela. Já se Neymar pagasse ele teria direito de
regresso apenas contra Marinela.
Imagine que a Marinela é codevedora de um título de crédito. Daí vem
Neymar e presta um aval em branco, depois vem Roberto e assina acima do
nome de Neymar, prestando, igualmente, um aval em branco. Nesse sentido,
segundo o STF, tem-se, nessa situação, um caso de aval simultâneo (súmula
189, STF).
Súmula nº 189
Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não
sucessivos.

4.8 – Aval x Fiança


61

AVAL FIANÇA
O aval é ato tipicamente cambial, ele A fiança só pode ser dada em
só pode ser dado em título de crédito. contrato.
O aval é autônomo. Isto significa que A fiança é acessória.
não importa o que aconteça com o
avalizado, o avalista continua
responsável. Ex: eventual morte,
incapacidade superveniente do
avalizado não compromete a
obrigação de cumprimento do título
pelo avalista. O avalista continua
responsável pelo cumprimento da
obrigação.
Ex: o camarada era dono de uma
empresa. Foi no Banco e pediu
empréstimo. O Banco exigiu que o
sócio fosse avalista. A sociedade faliu,
daí o Banco ao invés de habilitar o
crédito no juízo de falência, ele ajuizou
uma ação contra o avalista. O Banco
no STJ ganhou, em razão da
autonomia do aval, tendo o avalista,
caso queira o direito de regresso, ter
que habilitar o seu crédito perante o
juízo de falência.
O aval não tem benefício de ordem. A fiança possui benefício do ordem.
Cabe ação monitória contra avalista de título prescrito? Segundo o STJ
não pode, pois se o título está prescrito desapareceu a obrigação do avalista,
uma vez que aval é ato tipicamente cambial (AgRg no Resp 1209815/MT).

Gialluca  Renato  LFG  Novelino  Marinela  X


(sacador) (sacado) (tomador)
Neymar
(avalista)
62

X pode entrar com ação de execução contra uns, alguns ou todos.


Imagine que X entra com ação de execução contra Neymar que é
avalista do título. X tem que executar primeiro a Marinela para depois executar
o avalista? Não, pois o aval não tem benefício de ordem. Já na fiança tem que
primeiro executar o afiançado para depois executar o afiador, pois aqui tem o
benefício de ordem (exceto quando o contrato de fiança prevê uma clausula de
renuncia ao benefício de ordem).
OBS: Art. 1647, III, CC  Hoje tanto para prestar aval quanto fiança precisa da
autorização do cônjuge, exceto se o regime for o de separação absoluta de
bens.
Imagine que João é avalista. João é casado com Maria. Maria tem direito
a uma meação. O credor entra com ação de execução contra João. Em regra,
o credor é que tem que provar que o aval beneficiou o casal, pois a princípio o
aval não beneficia o casal (presume-se que o aval não beneficiou o casal).
Assim, neste caso, quem tem que provar que o aval beneficiou o casal e,
portanto, que Maria não tem direito à sua meação, é o credor.
Por outro lado, se o aval é prestado por sócio de sociedade, o STJ diz
que presume-se que o aval beneficiou o casal. Assim, nesta hipótese, em sede
de embargos de terceiro, quem vai ter que fazer prova em sentido contrário é o
cônjuge do sócio avalista.

5 – Espécies de vencimento da letra de câmbio


O vencimento da letra de câmbio pode ser:
a) À vista – é aquele que é exigível de imediato. Pode-se exigir a qualquer
tempo.
b) Data certa (ou marcada, ou fixada). Aqui a data é fixada. Ex: dia
17/07/13.
c) A certo termo de data – é o número x de dias contados a partir da data
da emissão do título.
d) A certo termo de vista – é o número x de dias contados a partir da data
do aceite.

NOTA PROMISSÓRIA
1 - Conceito
63

É o título de crédito pelo qual uma pessoa, denominada emitente, faz a


outra pessoa, designada beneficiário, uma promessa pura e simples de
pagamento de quantia determinada, em seu favor ou a outrem à sua ordem,
nas condições nela constantes.
Aqui não tem ordem de pagamento, aqui tem promessa. “Prometo
que pagarei por esta via de nota promissória x quantia”.

2 – Requisitos
a) A expressão “nota promissória” (clausula cambiária).
b) Promessa puta e simples de pagar quantia determinada.
c) Época de pagamento.
d) Lugar de pagamento.
e) Nome do beneficiário.
f) Lugar de emissão.
g) Data de emissão.
h) Assinatura do emitente.
Na nota promissória todos esses requisitos são essenciais, ou seja, na
ausência de um deles, não tem os efeitos de nota promissória.
A legislação que cuida da nota promissória é a mesma que cuida da
letra de câmbio, portanto, a nota promissória também será regulada pelo
decreto 57.663/66.
Art. 77 – são aplicáveis às notas promissórias, na parte que não sejam
contrárias a natureza deste titulo, as mesmas regras cabíveis à letra de
câmbio, tais como endosso, aval, etc.

3 – Aceite
Na letra de câmbio existe uma ordem de pagamento (sacador  sacado
 tomador), assim, só pode dar o aceite aquele que recebe uma ordem de
pagamento (o aceitante está acatando uma ordem de pagamento).
Na nota promissória tem uma promessa de pagamento (emitente 
tomador). O emitente promete pagar o tomador. Assim, como não existe
ninguém recebendo ordem aqui, não existe na nota promissória a figura do
sacado, portanto, na nota promissória não tem aceite. A nota promissória não
admite o aceite.
64

4 – Devedor principal
Na letra de câmbio o sacado é o devedor principal do título.
Na nota promissória, o devedor principal é o emitente. O emitente tem a
mesma responsabilidade que o aceitante da letra de câmbio.

5 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.

6 – Aval
São as mesmas regras da letra de câmbio.
7 – Vencimento
a) À vista.
b) Data certa.
c) A certo termo de data.
d) A certo termo de vista. Se o a certo termo de vista se conta a partir da
data do aceite, como a nota promissória não tem aceite significa que, a
princípio, não existiria esse tipo de vencimento na nota promissória (essa é a
opinião da minoria). Todavia, segundo a jurisprudência cabe sim todos os tipos
de vencimento na nota promissória (art. 78, decreto 57.663), assim, como não
tem aceite a nota promissória, conta-se este tipo de prazo a partir da data do
visto. O termo de vista conta-se da data do visto dado pelo subscritor. Ex:
fulano (devedor) tem uma nota promissória, daí ele apresenta a nota para o
credor, mas não coloca o vencimento, coloca 5 dias da vista. Daí o credor,
dentro do prazo de um ano, apresenta a nota para o devedor, o qual dá um
visto e a partir daquela data começa a contagem do prazo de 5 dias.

8 – Modalidade
A nota promissória pode ser pro solvendo e pro soluto.
O que diferencia a nota promissória emitida em caráter pro soluto da
nota promissória pro solvendo? Aponte os efeitos de cada uma delas, em
decorrência da falta de pagamento, quando emitidas em razão de compra e
venda de um imóvel.
65

Pro solvendo (para pagamento): No título pro solvendo não existe


novação da relação causal, que permanece com a relação cambiária. Portanto,
a relação causal só se extingue com o pagamento do título. Ex: Fulano compra
um apartamento no valor de 300 mil reais. Fulano da uma entrada de 150 mil
reais em dinheiro e emite 3 notas promissórias no valor de 50 mil reais, com
vencimento em 10/04/13, 10/05/13 e 10/06/13. O contrato de compra e venda
só se considerara extinto quando fulano pagar a nota promissória. Se a nota
promissória não for paga e credor pode executar a nota promissória ou então
ele pode fazer a rescisão do contrato (uma vez que o contrato não foi pago. A
relação causal de compra e venda não foi paga, portanto admite-se a
possibilidade da rescisão). Aqui, o credor pode, portanto, executar o título ou
rescindir o contrato.
Pro soluto: Tem esta natureza o título emitido e entregue ao
beneficiário visando a extinção da obrigação que gerou a sua criação, ou seja,
dado em pagamento da relação causal. Neste caso o título provoca a novação.
No título pro soluto quando eu entrego a nota promissória ela não é mais “para
o pagamento”, ela é “em pagamento”. Assim, quando fulano entrega a nota
promissória para o credor, ocorre a extinção da dívida anterior (que é o
contrato de compra e venda) criando uma nova dívida (novação). Assim,
quando fulano entrega a nota para o credor, significa que o contrato de compra
e venda foi pago, inclusive o credor tem que dar a extinção/quitação. Aqui tem
a extinção da relação causal (a entrega do título operou a novação). Assim, o
fulano é devedor só da nota promissória, ele não é mais devedor do contrato
de compra e venda. Assim, se o titulo não for pago, o credor só pode executar
o título, ele não pode pedir a rescisão do contrato, pois o contrato foi pago, a
obrigação do contrato foi extinta, operou-se a novação. Com a entrega do título
foi quitado o contrato de compra e venda.
O título foi criado para facilitar a circulação, assim, há uma presunção de
que os títulos são pro solvendo. Portanto, para que o título seja pro soluto é
necessária clausula expressa na nota promissória.

DUPLICATA
1 – Conceito
66

É um título de crédito causal e à ordem, extraído por vendedor ou


prestador de serviço, que visa documentar o saque fundado sobre crédito
decorrente de compra e venda mercantil ou prestação de serviços e que tem
como pressuposto a extração de uma fatura.
Toda duplicata pressupõe a emissão de uma fatura antes. A duplicata é
o espelho, é uma réplica da fatura. Portanto, todos os dados que estão na
duplicata são os dados da fatura, portanto, tem que ter no número da fatura.
Nota fiscal é um comprovante da operação (de contrato de operação de
serviço ou compra e venda mercantil). A duplicata duplica as informações da
fatura. Pega as informações da fatura e duplica em um título. Por isso que toda
duplicata corresponde a uma fatura.
Só emite duplicata quem quer, a pessoa é obrigada a emitir nota fiscal.
Lei 5474/68 – lei da duplicata.

2 – Requisitos
a) Denominação duplicata.
b) Número da fatura. Essa questão já caiu em concurso.
c) Data do vencimento ou declaração de duplicata à vista.
d) Nome e domicílio do sacador.
e) Importância a pagar (valor).
f) Praça de pagamento.
g) A clausula “à ordem”.
h) Declaração de aceite. Não é o aceite propriamente dito, é a declaração
para que se dê o aceite. Ex: “reconhecemos a exatidão desta duplicata de
venda mercantil na importância acima que pagaremos.... ”
i) Assinatura do emitente.
Todos esses requisitos são essenciais (nenhum é suprível).

3 – Aceite
A duplicata é um título causal, pois ela precisa de uma causa específica:
ou uma compra e venda mercantil ou uma prestação de serviço (só pode emitir
duplicata nessas situações).
Na duplicata tem uma ordem de pagamento:
- sacador = vendedor de mercadoria ou o prestador de serviço.
67

- sacado = comprador.
- tomador/beneficiário = vendedor.
Aqui o vendedor emite uma duplicata para que o comprador pague a ele
vendedor o valor da mercadoria.
Na duplicata, geralmente o sacador e o tomador são a mesma pessoa.
Seria enriquecimento ilícito a pessoa receber a mercadoria, receber a
prestação do serviço e não aceitar o título. Portanto, na duplicata,
diferentemente do que acontece na letra de câmbio, o aceite é obrigatório. O
sacado está obrigado a dar o aceite.

4 – Tipos de aceite
a) Aceite ordinário – é aquele aceite que decorre da assinatura do sacado
no título. Todavia,
b) Aceite presumido. Face a duplicata virtual (emitida na forma magnética),
a duplicata não está mais sendo emitida na forma de papel, assim tem-se o
aceite presumido. O aceite presumido ocorre quando a mercadoria é entregue
ou o serviço é prestado e não há recusa formal do sacado. A doutrina
majoritária entende que além disso, para configurar o aceite presumido, é
preciso também do protesto (recusa formal do sacado + protesto).
c) Aceite por comunicação. Aqui o sacado manda um comunicado para o
sacador dizendo que aceita, que concorda com aquela ordem de pagamento.

5 – Hipóteses legais de recusa do aceite


Hipóteses em que o sacado pode recusar o aceite (art. 8º c/c art. 21, lei
5474):
a) Em caso de avaria/ não recebimento da mercadoria/ não prestação do
serviço. Aqui o sacado recusa a duplicata, recusa o aceite.
b) Vício/defeito de quantidade ou qualidade no produto ou serviço. Ex:
pede arroz tio João veio arroz tia Maria.
c) Divergência quanto a prazo, preço e condições de pagamento. ex:
combinei que a duplicata venceria com o prazo de 90 dias, todavia ela veio
para pagamento à vista.
68

Este rol é taxativo, portanto, somente nestas hipóteses pode haver a


recusa do sacado quanto ao aceite.

6 – Processamento
Quando a duplicata não é à vista ela funciona assim:
O sacador vai emitir a duplicata. Depois que ele emitiu, diz a lei que ele
tem 30 dias para fazer a remessa da duplicata ao sacado. O sacado quando
recebe essa duplicata ele vai ter 10 dias para devolução da duplicata ao
sacador. O sacado vai devolver a duplicata para o sacador com aceite ou
fazendo a recusa do aceite com base nas hipóteses legais que permitem isso.

7 – Espécies de protesto
a) Protesto por falta de devolução. Decorrido o prazo de 10 dias, a
duplicata não foi devolvida, o sacador pode fazer o protesto por falta de
devolução.
b) Protesto por falta de aceite. Aqui o sacado, dentro do prazo de 10 dias,
devolve o título mas não dá o aceite e não diz os motivos.
c) Protesto por falta de pagamento. Aqui o sacado devolve o título dentro
do prazo e com aceite, todavia, no dia do pagamento ele não paga.
Para protestar é necessário a duplicata. Em caso de extravio de
duplicata emite-se uma segunda via da duplicata que se chama triplicata (art.
23, da lei 5474).
Doutrina minoritária entende que, por estar previsto no art. 23, somente
no caso de perda ou extravio que se poderia emitir a triplicata. Todavia, a
doutrina majoritária entende que pode emitir a triplicata em outras situações
como, por exemplo, quando a duplicata fica retida (encaminha a duplicata para
o sacado e este a retém) – este é o entendimento do CESPE.
Portanto, o credor leva a duplicata ou a triplicata para fazer o protesto ou
faz o protesto por indicação (encaminha informações da duplicata para fazer o
protesto).
A lei autoriza o protesto por indicação quando a duplicata é retida pelo
sacado, assim, não precisa emitir a triplicata para fazer o protesto nesta
situação.
69

8 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.

9 – Aval
São as mesmas regras da letra de câmbio.

10 – Tipos de vencimento
Na duplicata somente pode ter título à vista ou com data certa. Não cabe
a certo termo de vista e a certo termo de data.
a) À vista.
b) Data certa.
A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo de vencimento,
mediante declaração em separado ou nela escrita (art. 11).
A pessoa não está adstrita ao vencimento, ou seja, a pessoa pode pagar
ela antes da data de vencimento ou até mesmo antes do próprio aceite (art. 9º).

11 – Execução
Este assunto cai muito em prova.
Duplicata com aceite  apresenta a duplicata. Se o sacado não pagar
leva a duplicata para ser executada.
Duplicata sem aceite (art. 15, II, lei de duplicata)  pode executar sim
este título, desde que apresente a duplicata, proteste a duplicata (o protesto
comprova que não houve o pagamento) e apresente o comprovante de entrega
da mercadoria ou comprovante do serviço prestado.
A comprovação da entrega da mercadoria é feita pelo conhecimento de
entrega da mercadoria.

CHEQUE
1 – Conceito
Cheque é o título de crédito pelo qual uma pessoa denominada emitente
ou sacador, com base em prévia e disponível provisão de fundos em poder de
Banco ou Instituição financeira a ele assemelhada, denominado sacado, dá
70

contra o Banco uma ordem incondicional de pagamento à vista, em seu próprio


benefício ou em favor de terceiro, designado tomador beneficiário.
O cheque também é ordem de pagamento:
- sacador = correntista (aquele que tem conta corrente em um Banco).
- sacado = banco ou qualquer outra Instituição financeira (ex: cooperativa de
crédito).
- tomador/beneficiário = próprio emitente (isso na época em que não tinha
caixa eletrônica, daí a pessoa emitia um cheque e ia na boca do caixa e
descontava o cheque para pegar o dinheiro) ou terceiro.

2 – Requisitos do cheque
a) Denominação “cheque”.
b) Ordem incondicional de pagamento.
c) Nome do sacado.
d) Lugar de pagamento*.
e) Data e lugar da emissão do título*.
f) Assinatura do emitente.
* Esses requisitos são supríveis, ou seja, não são essenciais. Assim, quando
não se tem o lugar de pagamento, há uma presunção de que esse cheque
deve ser pago no domicílio do sacado (agência bancária que consta no
cheque).
Quando não constar no cheque o lugar de emissão, há uma presunção
de que ele foi emitido no domicílio do emitente.
A data da emissão é requisito essencial (pois é preciso dela para poder
calcular o prazo prescricional).
Súmula 387, STF – se a pessoa deixar a data de emissão em branco, o
credor de boa-fé pode preencher.
Segundo o art. 32, lei 7357, o cheque é ordem de pagamento à vista e
considera-se não escrita qualquer menção em contrário. Deste modo, como
fica a situação do cheque pós-datado? O banco paga o cheque pós datado
porque o que prevalece é a lei de cheque, assim, o “bom para dia tal” é
considerado como não escrito. Todavia, o credor ao receber o cheque pós
datado convencionou com o devedor que ele iria depositar o cheque no dia
acordado. Assim, se o credor deposita o cheque antes do dia que foi acordado,
71

o credor quebra a boa-fé objetiva, pois ele feriu o acordo com o devedor,
caracterizando, portanto, dano moral a apresentação antecipada de cheque
pós-datado (súmula 370, STJ).

3 – Aceite
No cheque não tem aceite. O sacador dá uma ordem para o banco
pagar determinada quantia. Existe entre o sacador e o sacado uma relação
contratual que se eventualmente aquele sacador possuir fundos disponíveis o
sacado tem que pagar o cheque.
Cheque não admite a figura do aceite.

4 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.
Até um tempo atrás se falava que podia dar apenas um endosso no
cheque. Só que esta regra se aplicável em razão da CPMF (só havia a
incidência da CPMF se houvesse o depósito do cheque, portanto, evitava-se a
circulação do cheque). Como não há mais a CPMF, não há mais limite de
endosso para o cheque.

5 – Aval
São as mesmas da letra de câmbio.
O art. 29, da lei do cheque permite que pode haver o aval total e o aval
parcial do cheque.

6 – Apresentação para pagamento


a. Prazo de apresentação do cheque para pagamento:
- 30 dias se o cheque é da mesma praça
- 60 dias se o cheque é de praça diferente
Esse prazo conta-se a partir da data de emissão.
A praça de pagamento do cheque é a agencia bancária em que se tem
conta corrente. Então, se Fulano tem sua agencia bancária em Campinas, se
ele apresentar ao pagamento o cheque em Campinas o prazo de apresentação
é de 30 dias, agora se o cheque foi emitido em Florianópolis e ele for
72

apresentado em Florianópolis então é praça diferente da agência pagadora que


no caso é Campinas então nesse caso o prazo vai ser de 60 dias.
E se eu levar o cheque para apresentação em prazo superior o Banco
paga?
O Banco paga tranquilamente dentro do prazo prescricional, o Banco
não analisa esse prazo para pagamento do cheque. Esses prazos possuem
outras finalidades.
b. Finalidades do prazo de apresentação:
- Dar início ao prazo prescricional do cheque (o prazo prescricional do cheque
conta-se a partir do encerramento do prazo de apresentação do cheque).
- Art. 47, II, da lei de cheque: só é possível a execução do endossante do
cheque se este for apresentado dentro do prazo legal. Não se pode executar o
endossante, mas o emitente do cheque apresentando ou não dentro do prazo é
possível a execução do emitente (súmula 600, STF).
Súmula nº 600
Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que
não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não
prescrita a ação cambiária.

c. Pagamento parcial: na prática isso não ocorre, mas cai em prova de


concurso. Ex: eu dou um cheque para Fulano no valor de dois mil reais, daí o
Fulano vai lá na minha agencia pagadora para descontar esse cheque.
Chegando lá o caixa fala que eu não tenho toda essa quantia na conta, que eu
só tenho 500 reais e dá para Fulano os 500 reais. Isso é o pagamento parcial
do cheque. Fulano pode recusar esse pagamento parcial (ou paga tudo ou
paga nada)?
Art. 38, parágrafo único, da lei 7357/85:
Parágrafo único. O portador não pode recusar pagamento parcial, e,
nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do
cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação.
Face o teor do artigo, Fulano não pode recusar o pagamento parcial.
Se dois ou mais cheques são apresentados simultaneamente para
pagamento
d. Regra do art. 40 da lei de cheques:
73

Art . 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados


os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados
simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o
pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e,
se da mesma data, os de número inferior*.
*Esse número é o número do cheque (cheque nº 0050; 0051, etc). O
cheque de número inferior deverá ser pago primeiro porque há uma presunção
de que ele foi emitido primeiro.
Caso:
Cheque de 2 mil reais emitido no dia 08/05/2012
Cheque de 7 mil reais emitido no dia 02/05/2012
No dia 12 os dois cheques foram apresentados para pagamento, só que
na conta só tinha 8 mil reais. O que aconteceu o Banco pagou o cheque de 2
mil e devolveu o de 7 mil. O Fulano perdeu o negócio por conta de o seu
cheque ter sido devolvido. Se isso acontecer essa devolução será indevida,
pois o cheque de 7 mil deveria ter sido pago, de acordo com a lei, isso vai gerar
alguma consequência? Sim, súmula 388, STJ: vai gerar dano moral.
A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

7 – Sustação de cheque
Existem duas modalidades de sustação:
a. Contra-ordem ou revogação (art. 35 da lei de cheques):
- Somente o emitente do cheque pode fazer a contra-ordem ou revogação.
- Somente produzirá efeito após o prazo de apresentação. Ou seja, durante o
prazo de 30 ou 60 dias o cheque vai ser pago normalmente. O cheque somente
terá sustação propriamente dita depois que encerrar esse prazo de
apresentação.
b. Oposição ou sustação (art. 36 da lei de cheques)
- Pode ser o emitente ou portador legitimando podem fazer a sustação
- Produzirá efeito mesmo durante o prazo de apresentação.
É a sustação mais comum: cheque roubado, desacordo comercial, etc.

8 – Execução do cheque
De acordo com o art. 585, I, CPC o cheque é titulo executivo
extrajudicial, portanto pode ser objeto de ação de execução.
74

Prazo prescricional do cheque para executar o:


 Emitente ou os avalistas do emitente: prazo de 6 meses, contados do
fim do prazo de apresentação (portanto é 30 dias + 6 meses ou 60 dias + 6
meses). Portanto pouco importa o dia que o cheque foi apresentado, o prazo
conta do fim desse prazo de apresentação.
 Endossante ou avalista do endossante: prazo de 6 meses, contados do
protesto. Problema: a lei diz que esse protesto poderá ser substituído por uma
declaração do banco sacado ou por declaração da câmara de compensação.
Essa declaração é aquele carimbo que vem no cheque dizendo que o cheque
voltou por falta de fundo. Então esse carimbo é suficiente (conta-se o prazo a
partir dessa declaração), essa declaração substitui o protesto.
Cuidado: no caso de conta conjunta o STJ já decidiu que quem deve figurar no
polo passivo na execução bem como o deve que deve constar no protesto do
cheque é aquele que emitiu o cheque. Ex: Alexandre e Daniele tem conta
conjunta. Só que Daniele emite um cheque sem fundo. Quem deve figurar no
polo passivo da execução e ter o nome constando nos termos do protesto é
quem assinou o cheque (se Alexandre for colocado no polo passivo é causa de
ilegitimidade passiva). Segundo o STJ só deve constar os dois nomes quando
ficar difícil identificar quem foi que assinou (assinatura dificil).
Segundo o STJ a competência territorial para a execução é o lugar de
pagamento do cheque, ou seja, na agência bancária. Portanto, se a agência
bancária de Fulano fica em Campinas a ação de execução deve ser ajuizada
em Campinas (praça de pagamento). Somente na omissão do lugar da agencia
no cheque é que será no domicílio do emitente.
Caso: o portador do cheque era um idoso. Daí esse idoso quis entrar
com a ação de execução no domicilio do credor, aplicando-se para o caso o
estatuto do idoso. O STJ disse que não, que a competência do cheque não era
atingida pelo o estatuto do idoso, e que portanto a execução deveria ser
ajuizada no lugar de pagamento.

9 – Cheque prescrito
Se o cheque está prescrito existem duas opções para cobrar o cheque
prescrito:
75

 Ação de locupletamento ilícito (art. 61 da lei de cheque). Essa ação é


como se fosse uma ação de cobrança do rito ordinário e o prazo para isso e de
2 anos contados do fim do prazo de prescrição.
 Só que essa regra é da lei de cheque que é de 1985. Só que em
momento posterior houve a inserção no ordenamento jurídica da ação
monitória. Assim, o STJ na sumula 299 orienta a cobrança de cheque prescrito
por via da ação monitória. O STJ que nesse caso aplica-se a regra do art. 206,
§5º, I, CC que estipula um prazo de 5 anos, que deve ser contado a partir da
data de emissão, pois para o STJ o cheque prescrito é instrumento particular
de divida, devendo o prazo ser de 5 anos e não de 3 anos.
O STJ entendeu que não precisa demonstrar a causa debendi na ação
monitória, ou seja, não precisa demonstrar a causa (negócio subjacente) que
deu origem à emissão do título. Resp 1199001/RS. Resp 1162207/RS.

10 – Prazos prescricionais dos títulos


Devedor Codevedor e Direito de
principal e avalista regresso
avalista
Letra de câmbio 03 anos contados 01 ano do Prazo de 06
e nota do vencimento. contado do meses contado
promissória protesto. do pagamento ou
de quando
demandado.
Duplicata 03 anos contados 01 ano do Prazo de 01 ano
do vencimento. contado do contado do
protesto. pagamento ou de
quando
demandado.
Cheque 6 meses contados 6 meses contados 6 meses do
do fim do prazo do protesto (a pagamento ou de
de apresentação declaração do quando
banco sacado ou demandado.
câmara de
76

compensação
substitui o
protesto)
77

AULA 04
SOCIEDADES
1 – Introdução
Tipos de sociedade:
 Sociedade não-personificada ou despersonificada: É aquela sociedade
que não possui personalidade jurídica.
Existem dois tipos de sociedades não-personificadas:
- A sociedade em comum.
- A sociedade em conta de participação.
 Sociedade personificada: É aquela que possui personalidade jurídica.
Quando uma sociedade adquire personalidade jurídica?
Art. 985, CC – O início da personalidade jurídica se dá com o registro.
O encerramento da sociedade se dá com o processo dissolutório, que
pode ser judicial ou extrajudicial. O procedimento dissolutório possui três fases:
 Fase da dissolução
 Fase da liquidação.
 Fase da partilha.

Efeitos da personalização
a) Autonomia patrimonial – a sociedade só terá patrimônio próprio somente
se ela tiver personalidade jurídica.
b) Titularidade negocial – possibilidade da sociedade negociar (fazer
contrato de compra e venda, leasing, etc).
c) Titularidade processual – é a aptidão para demandar e ser demandado.

2 – Sociedade em comum (art.986, CC)


2.1 – Conceito
Sociedade em comum é a sociedade que não foi levada a registro.
Antigamente essa sociedade era chamada de sociedade irregular
(aquela que tinha contrato mas não era levado a registro) e sociedade de fato
(aquela que não tinha nem contrato). Essa definição não existe mais. O certo
agora é chamar esse tipo de sociedade de sociedade em comum.
2.2 – Patrimônio
78

A sociedade em comum é sociedade não personificada, portanto, essa


sociedade não tem patrimônio próprio.
Ex: Marinela e Novelino resolvem montar uma loja prestadora de
serviços. A Marinela e o Novenlino colocam alguns equipamentos para poder
prestar os serviços. Esses bens estão sendo utilizados pela sociedade. De
quem é esse patrimônio? Art. 988, CC – os bens e dívidas sociais constituem
patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. Ou seja, a
titularidade desse patrimônio não é da sociedade, é dos sócios que compõe
essa sociedade. Em suma, esse patrimônio é chamado de patrimônio especial
e os sócios possuem a sua titularidade.

2.3 – Responsabilidade
A regra de responsabilidade está prevista no art. 990, CC.
Imagine que o Novelino possui uma sociedade com a Marinela com
patrimônios especiais. Imagine que essa sociedade contraiu dívidas. Essas
dívidas vão recair, primeiramente, sobre a sociedade, mas essas dívidas irão
recair sobre os bens destinados à sociedade. Se os bens sociais não forem
suficientes para saldar a dívida, o que pode acontecer é que em um segundo
momento quem vai responder pelo débito são os sócios. Isso se dá porque a
responsabilidade na sociedade em comum é uma responsabilidade ilimitada.
Ou seja, sociedade ilimitada significa que o sócio vai responder com seu
patrimônio pessoal pelas dívidas que a sociedade possui. A lei cria essa
situação justamente para apertar os sócios para que eles registrem a
sociedade (forma de impulsionar o registro, de regularizar a sociedade). Isso é
uma medida de punição, pela omissão dos sócios de não levar a registro a
sociedade. Nesta situação segue uma ordem: primeiro os bens da sociedade e
depois os bens do sócio – isso se chama benefício de ordem. Ou seja, é o
benefício que o sócio tem para que seja seguida uma ordem (art. 1024, CC).
A responsabilidade que o sócio tem perante a sociedade é uma
responsabilidade subsidiária. Por isso que se tem o beneficio de ordem.
Quando se tem o benefício de ordem a responsabilidade do sócio é subsidiária:
primeiro executa-se os bens sociais e somente depois executa-se os bens do
sócio.
79

Quando o credor verifica que os bens sociais não são suficientes, ele vai
para os bens dos sócios. Assim, o credor poderá cobrar toda a diferença
(totalidade da dívida) de qualquer um dos sócios. Ou seja, entre os sócios a
responsabilidade é solidária. Aqui pouco importa se um sócio tem mais quotas
do que o outro, qualquer um dos sócios responde pela totalidade da dívida.
Entre sócio e sociedade a responsabilidade é subsidiária. Por isso
prevalece o benefício de ordem. Já entre um sócio e outro sócio a
responsabilidade é solidária.
Além de punir os sócios pelo fato de eles não terem levado a sociedade
a registro, deve-se punir mais severamente o sócio que contrata em nome da
sociedade. Nos termos da lei (art. 990, CC), o sócio que contratou pela
sociedade não tem direito ao benefício de ordem. Ou seja, esse sócio vai
responder junto com a sociedade. Assim, o credor pode fazer recair a dívida
sobre os bens sociais e sobre os bens daquele que contratou.
Em prova de primeira fase colocar a redação confusa do art. 990, CC:
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art.
1.024, aquele que contratou pela sociedade.

2.4 – Prova da sociedade


Existe uma sociedade comum e agora se quer provar que essa
sociedade comum existe.
Se é o sócio que vai provar a existência da sociedade em comum, essa
prova deve ser necessariamente por escrito. Agora, se for um terceiro de boa-
fé, este pode provar por qualquer meio de prova (art. 987, CC).

2.5 – Caso seja levada a registro


O inicio da personalidade jurídica se dá justamente com o registro.
Portanto, se a sociedade em comum for levada a registro ela passa a adquirir
personalidade jurídica.

3 – Sociedade em conta de participação (SCP)


3.1 – Estrutura de uma sociedade em conta de participação (art. 991, CC)
Hoje a SCP é muito utilizada.
80

Aqui existe:
 O sócio ostensivo. Este sócio vai exercer o objeto social. O sócio
ostensivo terá responsabilidade exclusiva, além de agir em seu nome
individual. O sócio ostensivo pode ser pessoa jurídica ou física, e pode existir
quantos forem necessários.
 O sócio participante. Este sócio só participa dos resultados. O sócio
participante também é chamado pela doutrina de sócio oculto.
Exemplo de SCP: 99% dos Flets são construídos na forma de SCP –
Construtora Delta LTDA quer construir mas não tem dinheiro, daí ela forma
uma SCP e passa a ser sócio ostensivo. Gialluca e eu interessamos na
construção desses Flets daí nós viramos sócios participantes. O Gialluca e eu
somente damos o dinheiro. O objeto social é a atividade que será explorada
pela sociedade. Neste exemplo construir o flet é a finalidade, o objeto da
sociedade. Quem vai construir o flet é a construtora, a qual irá exercer o objeto
social. imagine que a construtora está construindo o flet e cai um tijolo sobre
um transeunte na rua. Quem responde por isso? Quem responde de forma
exclusiva é a construtora, é o sócio ostensivo. Os sócios participantes não
respondem pela obra. Como a SCP é uma sociedade não personificada ela
não tem nome empresarial, se ela não tem nome empresarial o máximo que
ela vai ter é um nome fantasia. O flat se chamará flet Morumbi. Como o flet não
tem nome, ou seja, não tem personalidade jurídica, tudo o que será feito
deverá ser feito em nome da construtora: se vai comprar piso, tinta, etc terá
que comprar em nome do sócio ostensivo (da construtura). Tudo será feito em
benefício da sociedade, mas tudo será feito em nome do sócio ostensivo.
Toda vez que se envolver uma aspecto processual envolvendo SCP
quem fica no polo ativo ou passivo é o sócio ostensivo (não pode colocar o flet
no polo da demanda).
Em razão disso é que muito gente diz que o sócio participante acaba
sendo um investidor.
Essa SCP é muito utilizada no ramo imobiliário.
Na sociedade em conta de participação a atividade constitutiva do objeto
social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo.
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade
constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio
81

ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva


responsabilidade, participando os demais dos resultados
correspondentes.

3.2 – Responsabilidade perante terceiro


Somente o sócio ostensivo é que responde perante terceiros.

3.3 – Nome empresarial


Art.1162, CC – a sociedade em conta de participação não pode ter firma
ou denominação, ou seja, a SCP não tem nome empresarial.

3.4 – Prova da sociedade


Prova-se a existência de uma SCP por qualquer meio de prova (seja
pelo sócio ou terceiro), diferentemente do que ocorre na sociedade em comum
(art. 992, CC).

3.5 – Caso seja levada a registro


A SCP não entra na regra geral (ou seja, ela não adquire personalidade
jurídica). A SCP é uma exceção. A SCP sempre será uma sociedade
despersonficada, não importa se ela foi ou não levada a registro, por ser uma
exceção à regra geral, o SCP sempre será uma sociedade despersonificada
(art. 993, CC).
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a
eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não
confere personalidade jurídica à sociedade.
Em suma, o registro, neste caso, não confere personalidade jurídica à
sociedade.
Em razão disso, na maioria das vezes, ninguém registra SCP. Os sócios
participantes se chamam ocultos porque para se saber quem são os sócios de
uma SCP é necessário ver o contrato, como o contrato, em regra, não é
registrado, não tem como saber, geralmente quem contrata com SCP só
conhece o sócio ostensivo.
OBS: Existem alguns autores (Alfredo de Assis Gonçalves), em posição
minoritária, entendem que a SCP não chega a ser uma sociedade, mas sim um
82

mero contrato de investimento. Eles ditam isso em razão do fato de que a SCP
não tem nome, nunca terá personalidade jurídica e não precisa ser registrada.
Assim, não existiria sócios, existiriam investidores. Essa questão foi levantada
porque muitas vezes as pessoas se reúnem para adquirir bens, ex: cinco
amigos reúnem para adquirir uma Ferrari, daí cada semana um fica com o
veículo. Assim, nesta situação realmente não é uma sociedade, nesta situação
realmente um investimento, por isso que se diz que a SCP possui algumas
características essenciais.
Características essenciais da SCP:
- Busca de lucro
- Afectio societatis – os sócios buscam ser sócios de um empreendimento.

4 – Sociedades personificadas
4.1 – Quadro geral
Quanto ao objeto da sociedade (natureza da sociedade), ela se
classifica em (art. 982, CC):
 Sociedade empresária – é a sociedade que tem organização empresarial
(fatores de produção – mão-de-obra, tecnologia, etc) e que tem como atividade
produção ou circulação de bens ou serviços (art. 966, CC)
 Sociedade simples – é aquela que não tem organização empresarial ou
exerce atividade intelectual (art. 966, p.u, CC). Se a sociedade não é
empresaria, por exclusão ela será sociedade simples.
A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos seguintes
tipos societários:
Sociedade em nome coletivo;
Sociedade em comandita simples;
Sociedade em comandita por ações;
Sociedade anônima (S/A);
Sociedade limitada (LTDA).

Atenção: Art. 982, p.u, CC: Independentemente de seu objeto, considera-se


empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
83

São sociedade por ações: a sociedade em comandita por ações e a


sociedade anônima. Assim, esses dois tipos societários serão sempre
sociedade empresária, face a redação do art. 982, p.u, CC.
Podem ser sociedade simples (art. 983, CC):
Sociedade em nome coletivo
Sociedade em comandita simples
Sociedade LTDA
Cooperativa.
Sociedade simples. Quando se fala em sociedade simples, pode estar
falando do objeto, mas também pode estar se referindo a um tipo societário.
Existe um tipo societário chamado sociedade simples (arts.997 e ss, CC).
Exemplos: se a sociedade limitada for simples, será uma sociedade de
limitada de natureza simples.
S/S – sociedade simples simples, ou sociedade pura (não sofreu a
influencia de nenhum outro tipo societário).
Sociedade pura  É a sociedade simples que só observa as regras de
sociedade simples.
O capítulo de sociedade simples no CC/2002 é considerado por muitos
como teoria geral das sociedades (art. 1040, 1053, CC).
Se a sociedade for empresária, ela tem que ser registrada na Junta
Comercial. Em se tratando de sociedade simples, ela deve ser registrada no
Registro Civil de Pessoa Jurídica (Cartório). Art. 1150, CC. A essa regra
existem duas exceções:
- A sociedade de advogados é sociedade simples, todavia ela é registrada na
OAB – ela só adquire personalidade jurídica se ela for registrada na OAB e não
no cartório.
- Em que pese a cooperativa ser sociedade simples, ela deve ser levada a
registro na junta comercial (art. 32, lei 8934/94). A receita federal só emite
CNPJ se ela for registrada na junta comercial.

4.2 – Classificação das sociedades personificadas


4.2.1 – Quanto às qualidades subjetivas do sócio
Critério: leva em conta o grau de dependência em relação às qualidades
subjetivas dos sócios.
84

a) Sociedade de pessoa – o atributo pessoal do sócio importa para o


desenvolvimento da sociedade. Ex: Rogério e Renato resolvem montar uma
sociedade de massagem, uma vez que o Rogério é um belo massagista.
b) Sociedade de capital – o atributo pessoal do sócio não importa para o
desenvolvimento da sociedade, mas sim o capital investigo pelo sócio. Ex:
ações da Petrobras

Exclusão de sócio por incapacidade superveniente:


Se a sociedade for de pessoa, em que o atributo pessoal do sócio é
indispensável para o sucesso da sociedade, aí sim terá a exclusão do sócio.
Se a sociedade for de capital, não se admite a exclusão do sócio por
incapacidade superveniente.

4.2.2 – Quanto ao regime de constituição e dissolução de vínculo


societário.
Critério: É o regime de constituição e dissolução de vínculo societário.
a) Sociedade contratual – o seu regime de constituição se dá por um
contrato social. Ou seja, sobre o instrumento contrato social incidirão os
princípios contratuais.
b) Sociedade institucional – o seu regime de constituição é estatuto social.
a sociedade terá estatuto social. Princípio contratual não incide sobre estatuto,
o que incide sobre estatuto é a lei 6404/76.
Exemplo: joão da silva era sócio de uma sociedade contratual. João
morre. Só que joão tinha um herdeiro. O herdeiro podia entrar na sociedade
porque o contrato permitia. Existe um princípio contratual que diz que ninguém
está obrigado a contratar, portanto o herdeiro não é obrigado a ser sócio. Agora
se João ao invés de ter sociedade contratual, tinha ações em sociedade
institucional, as ações são automaticamente transferidas para o herdeiro, pois
isso está na lei. nesta ultima situação não incide o princípio contratual de que
ninguém é obrigado a contratar, pois o que incide sobre o estatuto é a lei, e não
os princípios contratuais.

4.2.3 – Quanto à responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais


Critérios: é a responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais
85

a) Sociedade de responsabilidade ilimitada – aqui a limitação é no tocante


ao sócio. A sociedade sempre terá que responder pelas suas dívidas. Na
responsabilidade ilimitada o sócio responderá com o seu patrimônio pessoal,
pelas dívidas da sociedade. Ex: sociedade em nome coletivo.
b) Sociedade de responsabilidade limitada – o sócio, a princípio, não
responde pelas dívidas da sociedade. Ex: S/A.
c) Sociedade de responsabilidade mista – ocorre quando a sociedade
possui sócios com responsabilidade limitada e ilimitada. Ex: sociedade em
comandita simples.
Cuidado: sociedade de economia mista (tem responsabilidade limitada) é
diferente de sociedade de responsabilidade mista.

4.2.4 – Quanto à nacionalidade da sociedade


Critério: Nacionalidade da sociedade
Aqui pouco importa a nacionalidade dos sócios. Se o sócio é ou não
estrangeiro não faz a mínima diferença, o que define se a sociedade é
estrangeira ou não são os critérios do art. 1126, CC:
- A sede da administração deve ser no Brasil
- A sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira.
a) Sociedade nacional – é a sociedade em que a sede da administração é
no Brasil e é organizada de acordo com a lei Brasileira. Ex: Ford no Brasil; Lg
no Brasil (apesar de o sócio ser estrangeiro, a sede da sociedade é no Brasil e
é de organizada de acordo com a lei estrangera)
b) Sociedade estrangeira - é a sociedade em que não tem a sede da
administração no Brasil (sede fora do Brasil) e não é organizada de acordo com
a lei Brasileira.
Um argentino tem 90% das quotas de uma sociedade. Um paraguaio
tem outros 10%. Juntos eles montam uma sociedade de fogos de artifício no
Brasil. Essa sociedade é nacional ou estrangeira?
Se a sociedade for estrangeira, ela deve obedecer à regra do art. 1134,
CC: a sociedade estrangeira só pode funcionar no Brasil com autorização do
poder executivo, todavia, a sociedade estrangeira pode ser sócia de sociedade
anônima brasileira sem autorização do poder executivo.
86

Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto,


não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País,
ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia,
ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade
anônima brasileira.

Enunciado 486 da jornada de direito civil:


486) Art. 1.134: A sociedade estrangeira pode, independentemente
de autorização do Poder Executivo, ser sócia em sociedades de
outros tipos além das anônimas.

Esse enunciado autoriza outro tipo societário a ser utilizado pela


sociedade estrangeira no Brasil. Portanto, a sociedade estrangeira pode, por
exemplo, ser sócia de sociedade limitada sem autorização do poder executivo.

4.3 – Constituição
A constituição das sociedades contratuais devem obedecer ao seguinte:
a) Contrato social. O contrato social pode ser elaborado por instrumento
particular (que é o mais comum – minuta feita pelo advogado), mas nada
impede de ser feito o contrato por instrumento público no tabelionato de notas.
Ambos serão registrados, portanto o efeito é o mesmo. Tanto um como outro
(minuta e instrumento público) precisam de visto de advogado sob pena de
nulidade (lei 8906/94, art. 1º). Quando se tratar de microempresa e empresa de
pequeno porte, não é necessário o visto do advogado (LC 123/06, art. 9º), ou
seja, exceção à regra da lei 8906/94.
b) Requisitos específicos:
b.1) Pluralidade de sócio – a sociedade precisa de 2 ou mais sócios. Para
montar uma sociedade hoje é necessário no mínimo dois sócios, ou seja, para
constituir uma sociedade é preciso de um número plural de pessoas.
Depois que a sociedade foi constituída ela pode ser unipessoal?
A princípio não, todavia, admite-se a unipessoalidade temporária no
prazo de 180 dias (). Ultrapassado esse prazo é preciso encerrar a sociedade.
Ex: João e Maria eram sócios. Maria morre. Joao tem o prazo de 180 dias para
colocar outra pessoa no lugar de Maria.
b.2) Contribuição dos sócios com a formação do capital social.
87

Imagine uma sociedade prestadora de serviços. Existem 4 sócios (João, Maria,


Caio e Ana). Só que para montar a sociedade é necessário um capital de 100
mil reais. Quando o sócio se compromete a colocar o percentual na sociedade,
este ato chama-se subscrição (comprometimento do sócio de colocar um
percentual na sociedade). Quando o sócio efetivamente paga esse percentual
esse ato chama-se integralização. Capital social é o valor que está destinado
para exploração de atividade que vem da contribuição dos sócios.
Capital social – é o valor destinado para a exploração da atividade provindo da
contribuição dos sócios.
b.3) Affectio societatis – É a disposição dos sócios em formar e manter a
sociedade uns com os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a
sociedade não se constitui ou deve ser dissolvida (Fábio Ulhoa Coelho). Em
suma, a affectio societatis é o ajuste de vontade dos sócios. É a vontade
comum entre os sócios. Ex: eu quero ter uma escola de futebol dentro do
estado de SP. Segundo o enunciado 67 do Conselho da Justiça Federal, a
ausência do affectio societatis não é motivo para excluir sócio, mas sim para
dissolução parcial. Se um sócio não se entende mais com o outro sócio, não é
por conta disso que o sócio A será excluído da sociedade. Assim, faz uma
dissolução parcial da sociedade – um sócio fica com uma filial e o outro com a
outra filial. A justifica para o enunciado 67 é a boa-fé contratual e a segurança
das relações jurídicas.
b.4) Distribuição dos lucros. O que se busca em uma sociedade é uma
finalidade lucrativa.
88

AULA 05
SOCIEDADES EM ESPÉCIE
1 – Sociedade simples
1.1 – Constituição
A sociedade simples é constituída por contrato social, o qual pode ser
tanto por instrumento público, quanto por instrumento particular (contrato
elaborado por advogado).
Uma vez que o ato constitutivo (contrato social) teve a assinatura dos
sócios da sociedade, as partes possuirão o prazo de 30 dias para procederem
ao registro da sociedade simples no registro civil de pessoa jurídica. Esse
registro produz efeito ex tunc, ou seja, desde do ato da assinatura do contrato
social aplica-se as regras de sociedade simples.
E se o registro foi feito após o prazo de 30?
O efeito aqui será efeito ex nunc. Ou seja, só vai aplicar as regras da
sociedade simples a partir do registro – do registro pra frente. No período antes
do registro até o ato de assinatura do contrato social as regras que serão
aplicadas a essa sociedade são as regras da sociedade comum (a sociedade
sem registro é considerada sociedade em comum, por isso que nesse intervalo
de tempo aplica-se as regras da sociedade comum). Art. 998, CC.

1.2 – Cotas sociais


Cotas sociais são frações do capital social que conferem ao seu titular
direito de sócio.
Rubens Requião dizia que esse direito de sócio é direito de duplo
aspecto: quando a pessoa é sócia de uma sociedade ela possui direito
patrimonial e social. Quando se diz direito patrimonial está se referindo a
crédito (participação nos lucros, recebimento dos haveres*). O aspecto social
diz respeito ao direito do sócio de votar, participar das decisões, direito de
fiscalizar, direito de preferência, etc. Por isso dizer que quem tem direito a
cotas tem direito de duplo aspecto: direito patrimonial e social.
*Haveres - Se a pessoa foi excluída ou saiu da sociedade ela tem direito à
restituição do dinheiro investido na sociedade.
# Quem pode ser sócio de uma sociedade simples?
89

Pode ser sócio de uma sociedade simples tanto a pessoa natural como
também a pessoa jurídica.
# O incapaz pode ser sócio de uma sociedade simples?
O STF já autorizou o incapaz a participar de sociedade (RE 82.433/SP).
Esse entendimento do STF foi incorporado por uma regra no CC/2002 (art.
974, §3º). Para que o incapaz possa ser sócio de uma sociedade é preciso
preencher três requisitos:
 O incapaz deve estar devidamente assistido ou representado;
 O incapaz não pode exercer a administração;
 O capital social deve estar totalmente integralizado. Todos os sócios que
compõe a sociedade devem pagar as suas respectivas cotas.
O incapaz não pode ser empresário individual, ele não pode criar.
Todavia, o incapaz pode continuar, sozinho, a empresa individual. Na situação
anteriormente exposta não se trata de empresário individual e sim de
sociedade, por isso que a sociedade pode ser criada com incapaz.
Pode sim sociedade entre marido e mulher, desde que o regime do
casamento não seja o de comunhão universal e de separação obrigatória (art.
977, CC – esta regra se aplica para todo tipo de sociedade). Pessoas que
vivem em união estável admite-se a possibilidade de sociedade entre eles.
Essa regra aplica-se somente para as sociedade constituídas após a vigência
do CC/2002.
Não pode constituir sociedade na comunhão universal porque ocorre a
confusão patrimonial. Ex: esposa tem 99% e o marido tem 1%. Como o regime
é de comunhão universal a esposa não tem 99%, ela tem 100% e o marido não
tem somente 1%, ele tem 100%. Isso gera confusão, pois o credor não sabe se
o bem é do sócio ou da família, etc. No regime de separação obrigatória isso se
dá por causa do golpe do baú: mulher casava com homem só por causa do
dinheiro, daí, por ser o homem idoso, o regime de casamento era o de
separação obrigatória. Como a mulher não tinha direito à meação, ela pedia
para o marido montar uma sociedade e colocar os bens dele na sociedade. Daí
o marido morria e os bens ficavam para ela.
Antes do CC/2002, podiam os cônjuges casados sob o regime de
comunhão universal constituir sociedade. Assim, no caso de sociedades
90

constituídas antes do CC/2002, elas permanecem como estão, face o ato


jurídico perfeito e do direito adquirido.
Pessoas casadas sob o regime de comunhão universal para poderem
constituir sociedade juntas só podem fazer após mudarem o regime de
casamento (art.1.639, §2º CC). pedindo para constituir sociedade esses
cônjuges podem alterar regime de bens.

1.3 – Forma de integralização das cotas


Situação: prestadora de serviço de limpeza. Os sócios decidiram que o
capital social será no valor de 100 mil reais. Imagine que a sociedade possui 4
sócios. O sócio A possui 40%, o sócio B possui 30%, o sócio C possui 20% e o
sócio D possui 10%. O sócio A integraliza com dinheiro. O sócio B integraliza
com crédito (cheque pré-datado, nota promissória). O sócio C integraliza com
bens. O sócio D integraliza o capital social mediante prestação de serviço.
Subscrição  Ato em que o sócio se compromete a colocar um percentual na
sociedade.
Integralização  acontece quando o sócio paga a parte dela da sociedade. A
integralização pode ser feita através de dinheiro, crédito, bens (móveis e
imóveis).
Atenção: Na sociedade simples o capital social pode ser integralizado na
forma de prestação de serviço (art. 1006, CC). Todavia, se o sócio vai prestar
serviço ele deve ser prestado com exclusividade (o sócio não pode ter outro
emprego, ser sócio de outra sociedade, etc), sob pena de ser excluído e
privado dos lucros da sociedade. Exceção: se os sócios definirem de forma
diferente no contrato. Ex: os sócios autorizam que esse sócio que vai
integralizar o capital social com prestação de serviço seja sócio de outra
sociedade, que tenha outro emprego, etc.
Quando o sócio integraliza o capital social com bem imóvel, o sócio
transfere a titularidade do bem para a sociedade (pessoa jurídica). Nessa
transferência de bem imóvel não incide ITBI (caso de imunidade especial – art.
156, §2º, CF).
91

1.4 – Sócio remisso


O sócio remisso é aquele que não integralizou total ou parcialmente sua
cota. Ex: no exemplo acima o sócio C integralizou apenas 15% de sua cota. O
sócio C será o sócio remisso.
O art. 1004, §único, CC diz que se deve notificar o sócio remisso e dar o
prazo de 30 dias par a integralizar totalmente o capital social. Decorrido o prazo
e não tendo o sócio remisso integralizado o capital, os sócios podem fazer o
seguinte:
- Excluir o sócio remisso
- Entrar com ação de indenização cobrando o valor que o sócio está devendo
- Redução de cota – reduz o capital social do sócio remisso.

1.5 – Cessão de cotas


Só pode fazer a transferência se tiver unanimidade de sócio. A
unanimidade de sócios devem autorizar a transferência de cotas para outra
pessoa.
É muito com um que o sócio quando vê que a sociedade está contraindo
dívidas saia da sociedade. Assim, o CC estabeleceu que o sócio após a sua
saída da sociedade ele continua respondendo pela sociedade pelo prazo de 2
anos (art. 1003, p,u, CC). Este prazo de 2 anos começa a contar a partir da
averbação da modificação do contrato.
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente
modificação do contrato social com o consentimento dos demais
sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade.
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do
contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário,
perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como
sócio.
Art. 1025, CC: O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se
exime das dívidas sociais anteriores à admissão. Ou seja, o sócio responde
pelas dívidas anteriores à sua admissão. Por isso é bom ver as dívidas da
sociedade antes de entrar nela.

1.6 – Responsabilidade dos sócios na sociedade simples


92

Na sociedade simples quem define o tipo de responsabilidade é o


contrato social. É o contrato social que vai definir se a responsabilidade é
limitada ou ilimitada. Se a sociedade for ilimitada define ainda se ela será
subsidiária (primeiro verifica os bens da sociedade aí então o sócio responde
pelo saldo remanescente) ou solidária (o sócio responde junto com a sociedade
pelas dividas desta).
E no caso de omissão (quando o contrato não trata do assunto)?
Aplica-se a regra do art. 1023, CC: A responsabilidade é ilimitada e
subsidiária.
Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os
sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas
sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.
Enunciado 479, da V jornada de direito civil:
479) Art. 997, VII. Na sociedade simples pura (art. 983, parte final, do
CC/2002), a responsabilidade dos sócios depende de previsão
contratual. Em caso de omissão, será ilimitada e subsidiária,
conforme o disposto nos arts. 1.023 e 1.024 do CC/2002.
1.7 – Direitos dos sócios
1.7.1 - Direito de participação nos lucros sociais (art. 1008, CC)
A clausula que exclui o sócio de participar dos lucros é nula de pleno
direito (nulidade da clausula contratual), pois o sócio investiu na sociedade
(seja em dinheiro, bens, serviços, crédito). Assim, quem investe tem direito à
participação dos lucros.
Atenção: Não confundir lucro com pro labore. O lucro é a remuneração
decorrente do investimento que foi feito. Pro labore é a remuneração
decorrente do trabalho, do labor. Se a pessoa investe na sociedade, mas nem
aparece lá (não administra, não trabalha, não faz nada) esse sócio não terá
direito ao pro labore, mas terá direito ao lucro. Já se a pessoa participa da
administração, faz reunião, trabalha, etc, esse sócio terá direito ao pro labore e
aos lucros.
OBS: A regra geral na participação dos lucros é de ela ser proporcional ao
percentual das cotas sociais. Todavia, nada impede que os sócios em uma
reunião, assembleia, ou por meio do contrato social definam de forma diferente
a participação dos lucros (art. 1007, CC). Ex: Ana tem 30% e Alfredo 70% -
assim Ana tem 30% dos lucros e Alfredo 70% dos lucros. Todavia, Alfredo,
93

reconhecendo o trabalho de Ana, decide que Ana terá direito a 50% dos lucros.
Isto não mudou o percentual de participação de Ana na sociedade a qual
continua tendo apenas 30%, o que mudou foi a sua porcentagem no lucro que
de 30% passou para 50%.
Enunciado 475, V, jornada de direito civil:
475) Arts. 981 e 983. Considerando ser da essência do contrato de
sociedade a partilha do risco entre os sócios, não desfigura a
sociedade simples o fato de o respectivo contrato social prever
distribuição de lucros, rateio de despesas e concurso de auxiliares.

1.7.2 - Direito de retirada ou recesso


Direito de retirada ou recesso é a possibilidade que o sócio tem de
retirar-se, de sair da sociedade. Não tem nada a ver com lucro. Não se trata de
retirada mensal. Isto é pegadinha do examinador pois ele pergunta em prova
quanto vai ser o direito de retirada do sócio, dando a entender que será o lucro.
O prazo da retirada é determinado ou indeterminado:
Não se pode exigir que o sócio seja sócio para sempre. Se a sociedade
é com prazo determinado, o sócio só pode sair com justa causa e deve-se
provar judicialmente.
Na sociedade por prazo indeterminado o sócio pode se retirar, todavia
para isso deve fazer uma notificação para os demais sócios no prazo de 60
dias.
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer
sócio pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado,
mediante notificação aos demais sócios, com antecedência mínima
de sessenta dias; se de prazo determinado, provando judicialmente
justa causa.
Parágrafo único. Nos trinta dias subseqüentes à notificação, podem
os demais sócios optar pela dissolução da sociedade.

1.7.3 - Direito de participação nas deliberações sociais


O sócio tem direito de influir nas decisões pela sociedade. As decisões
são tomadas em reunião ou assembleia. A regra das deliberações está prevista
no art. 1010, CC: em regra geral, nas deliberações, prevalece a decisão
tomada pela maioria do capital social. No caso de empate, o primeiro critério de
94

desempate é o número de sócios (ex: 1 sócio, com 50% das cotas, votou sim e
2 sócios, com 50% das cotas, votaram não. Neste caso, prevalece o voto não).
No caso de empate do capital social (cotas) e do numero de sócios é
necessário um segundo critério de desempate que é a decisão judicial.
Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos
sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão
tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas
de cada um.
§ 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos
correspondentes a mais de metade do capital.
§ 2o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no
caso de empate, e, se este persistir, decidirá o juiz.

1.7.4 – Exclusão do sócio


O sócio tem direito de excluir outro sócio que pratique ato que prejudique
a sociedade. O art. 1030, CC permite a exclusão de sócio, face incapacidade
superveniente ou pratica falta grave (concorrência desleal, não comparece na
sociedade, não ajuda, etc). Existe ainda a possibilidade de exclusão do sócio
remisso. São situações que comprometem a sociedade.

1.7.5 – Apuração de haveres


Não importa se o sócio saiu porque foi excluído ou porque ele se retirou,
todo sócio investe capital na sociedade, e por isso ele tem direito a essa
parcela do patrimônio da sociedade que ele ajudou a construir. O sócio tem
direito de receber uma parcela do patrimônio da sociedade (haveres).
Quem define a forma que vai ser pago os haveres é o contrato social. Na
omissão do contrato aplica-se a regra do art. 1031, CC: faz um balanço
patrimonial especial. Aqui apura-se um valor e sob este valor que aplica-se o
percentual das cotas do sócio que irá sair. Ex: o balanço da empresa deu 500
mil reais. Fulano, que irá sair, tem 20% das cotas da empresa. O valor que
fulano tem direito é de 20% de 500 mil reais.
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a
um sócio, o valor da sua quota, considerada pelo montante
efetivamente realizado, liquidar-se-á, salvo disposição contratual em
contrário, com base na situação patrimonial da sociedade, à data da
resolução, verificada em balanço especialmente levantado.
95

§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os


demais sócios suprirem o valor da quota.
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa
dias, a partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação contratual
em contrário.

1.8 – Direitos do cônjuge separado (divorciado) e dos herdeiros do


cônjuge falecido
João é casado com Maria sob o regime de comunhão parcial de bens.
Maria tem 50% das cotas de uma sociedade. Maria e João divorciam. João e
Maria acordam que ele terá direito a 25% das cotas de Maria. Todavia, João
não pode ser sócio, mas pode participar dos lucros.
O CC presa pela preservação da empresa. Assim, segundo o CC/2002 o
cônjuge divorciado que não participa da sociedade tem direito à participação
dos lucros, o outro cônjuge não pode ser sócio, mas pode participar dos lucros
(art. 1027, CC). O cônjuge vai participar dos lucros até o momento que se
liquide a empresa. O juiz pode conceder uma liminar para que o cônjuge tenha
direito à participação dos lucros da empresa.

1.9 – Administração
1.9.1 – Quem pode ser administrador?
Somente pessoa natural. Pessoa jurídica não pode ser administrador
(art. 997, VI, CC). Por causa do art. 997, VI, CC ficou claro que somente a
pessoa natural pode cuidar de administração de sociedade.
Pode ser administrador o sócio e o não sócio. Ante do CC/2002 somente
o sócio poderia ser administrador. Assim, hoje pode-se contratar profissionais
para administrar a sociedade.
Proibição para administrar sociedade (art. 1011, §1º, CC):
- condenado por crime falimentar, crime de relação de consumo e condenado
que tenha como pena não ter cargo público.
§ 1o Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas
por lei especial (juiz, promotor, procuradores – são impedidos por
suas leis orgânicas), os condenados a pena que vede, ainda que
temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime
falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato;
96

ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional,


contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de
consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os
efeitos da condenação.
1.9.2 – Designação do administrador
O administrador pode ser designado/nomeado no contrato social ou em
ato separado (ex: ata de assembleia).
Se o contrato for omisso ou inexistir ato em separado nomeando
administrador, a administração da sociedade compete separadamente a cada
um dos sócios. Ou seja, nesta situação todos os sócios serão administradores,
não é somente o sócio majoritário (art. 1013, CC).

1.9.3 – Poderes do administrador (arts. 1018 e 1019, CC)


Contrato social Ato em separado
Administrador sócio O administrador sócio O administrador sócio
que é nomeado em que é nomeado em ato
contrato social, os seus separado, os seus
poderes são poderes são revogáveis
irrevogáveis. Só pode pela sociedade a
ser revogado os poderes qualquer tempo.
mediante ação judicial.
Administrador não O administrador não O administrador não
sócio sócio pode ter os seus sócio pode ter os seus
poderes revogados a poderes revogados a
qualquer tempo. qualquer tempo.
Nesse sentido, a melhor opção para se nomear administrador é por ato
em separado, pois não importa se o administrador é sócio ou não, os poderes
serão sempre revogáveis. Caso os poderes seja irrevogáveis, se o sócio fizer
merda vai demorar muita para revogar esses poderes, pois eles só podem ser
revogados mediante ação judicial.

1.9.4 – Responsabilidade do administrador


O administrador é na verdade o representante legal da sociedade.
Portanto, os atos que ele pratica ele o faz representando a vontade da pessoa
97

jurídica. Deste modo, a regra geral é de que a reponsabilidade é da sociedade,


e não do administrador. Quando o administrador vai para a reunião e assina
um contrato, quem assina não é o Fulano e sim a sociedade.
Caso o administrador haja com culpa no desempenho de suas funções
aplica-se a regra do art. 1016, CC: o administrador responde de forma solidária
com a sociedade.
Quando o administrador age com excesso, isso está ligado à teoria ultra
vires (art. 1015, §único, CC).
Teoria ultra vires significa além das forças, além da vontade da
sociedade, além das forças/poder que a sociedade conferiu ao administrador.
O administrador age ultrapassando as barreiras que lhe foram concedidas.
Hipóteses:
- Se a limitação de poderes estiver declinada no contrato social. Ex: às vezes
no contrato social existe clausula dizendo que o administrador não pode prestar
fiança ou aval. Daí o administrador vai lá e coloca a sociedade como avalista.
Quando isso ocorre a sociedade não responde. Quem responde é o
administrador, visto que ele agiu com excesso. Era dever da outra parte olhar o
contrato social e olhar que o administrador não tinha poderes para tanto.
- Provando-se que o excesso era conhecido por terceiro. Na prática esta
situação é muito rara pois deve-se provar um aspecto subjetivo do terceiro.
Nesta situação a sociedade não responde, quem responde é tão somente o
administrador.
- Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da
sociedade. Aqui tem um administrador que pratica ato que não tem a ver com a
atividade que a sociedade desempenha. Ex: administrador de uma cantina
italiana e compra 15 computadores. O quem tem a ver a compra de 15
computadores com a cantina italiana. A cantina não é loja de informática.
Quando isso ocorre, o administrador é quem responde e não a sociedade.
Ato ultra vires é aquele praticado pelo administrador, além das forças a
ele atribuídas pelo contrato social, ou seja, com extrapolação dos limites
estabelecidos pela sociedade. Segundo esta teoria, não é imputável à
sociedade o ato ultra vires (a responsabilidade será exclusiva do
administrador).
98

Esta teoria ultra vires adotada pelo CC/2002 vai em contramão do


entendimento jurisprudencial. Antes do CC/2002 a teoria que prevalecia era a
teoria da aparência
(teoria oposta à ultra vires ). Pela teoria da aparência a responsabilidade
perante terceiro é da sociedade, pois aparentemente o administrador tinha
poderes para realizar tal ato. Quando se adota a teoria da aparência prima-se
pela boa-fé do terceiro (privilegia-se o terceiro de boa-fé). É impossível que
uma empresa toda vez que seu cliente for comprar ele pegue o contrato social
para saber se o administrador tem ou não poderes– imagine isso no caso de
uma grande empresa. Em razão disso a jurisprudência adota a teoria da
aparência.
A dinâmica das relações contratuais (operações em massa) aliada à
proteção da boa-fé impõe a aplicação da teoria da aparência. Antes mesmo do
CC já se falava em teoria da aparência (antes do CC só tinha a teoria da
aparência). Daí veio o CC e adotou a teoria da ultra vires. Mas a jurisprudência
continua adotando a teoria da aparência. Enunciado 11 da I jornada de direito
comercial:
11. A regra do art. 1.015, parágrafo único, do Código Civil deve ser
aplicada à luz da teoria da aparência e do primado da boa-fé objetiva,
de modo a prestigiar a segurança do tráfego negocial. As sociedades
se obrigam perante terceiros de boa-fé.

1.10 – Dissolução
A dissolução pode ser: parcial ou total.
A dissolução parcial ocorre quando um ou mais sócios saem da
sociedade, mas a sociedade é mantida, preservada, ela continua em atividade.
Já a dissolução total é causa de extinção da pessoa jurídica.

1.10.1 – Casos de dissolução parcial


a) Vontade dos sócios;
b) Direito de retirada – aqui o sócio que está se retirando o sócio quer sair,
mas os outros sócios queriam que ele ficasse. Quando não há um
consentimento sobre a saída do sócio, ele exerce o seu direito de retirada;
c) Morte de sócio;
99

d) Falência do sócio (aqui a falência é do sócio e não da sociedade);


e) Liquidação de cota a pedido do credor. O credor pede a execução
daquela cota.
Toda vez que tem dissolução parcial, em qualquer desses casos, tem a
chamada apuração de haveres. Enunciado 13, I jornada de direito comercial:
13. A decisão que decretar a dissolução parcial da sociedade deverá
indicar a data de
desligamento do sócio e o critério de apuração de haveres.
f) Exclusão de sócio.

1.10.2 – Dissolução total


a) Vontade dos sócios. Sócios querem encerrar a sociedade.
b) Decurso do prazo. Se a sociedade é com prazo determinado, uma vez
que encerra o prazo, a sociedade terá a sua extinção. Aqui é como um contrato
de locação. Se os sócios não se manifestaram a respeito da extinção uma vez
decorrido o seu prazo de funcionamento, e continuaram a sociedade, a
sociedade será prorrogada por prazo indeterminado.
c) Falência da sociedade. Aqui a falência é da sociedade e não do sócio.
d) Unipessoalidade por mais de 180 dias. A sociedade pode ter dois sócios
ou mais. Agora se tem uma sociedade com dois sócios e um deles faleceu, por
exemplo, o outro sócio pode ficar sozinho somente pelo prazo de 180 dias.
Após este prazo ocorre a extinção, a dissolução total da sociedade.
Cuidado: Nesta situação não está o outro sócio obrigado a fazer a dissolução
total: ele pode transformar a sociedade em empresária individual ou pode
transformar a sociedade em EIRELI (art. 1033, §único, CC).
e) Inexequibilidade do objeto social. Objeto social inexequível é aquele que
não tem mercado. Ex: montar loja de maquina de datilografia no Iguatemi.
f) Extinção de autorização para funcionamento (art. 1033, V, CC).
Em nenhum dos casos de dissolução total o MP vai se manifestar. Agora
quando ocorre extinção de autorização para funcionamento, os administradores
da sociedade terão 30 dias para providenciar a liquidação (fechar a sociedade,
vender os bens e pagar os credores). O problema é que se os administradores
não providenciarem isso, será da competência do MP providenciar a liquidação
judicial da sociedade (art. 1037, CC). Isto despenca em prova de concurso.
100
101

AULA 06
SOCIEDADE LIMITADA
1– Legislação aplicável
No CC nós temos um capítulo próprio só tratando de sociedade limitada
(arts. 1052 e ss, CC).
Na omissão do capitulo da sociedade limitada no CC qual regras
devemos aplicar?
A lei diz que na omissão do capitulo do CC que trata sobre a sociedade
limitada devemos recorrer às regras de sociedade simples. No entanto, o art.
1053, p.u, CC diz que o contrato social da limitada pode dispor de forma
diferente: o contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade
limitada pelas normas da sociedade anônima. Em suma, se o contrato social da
sociedade limitada prevê regência supletiva da SA devemos aplicar as regras
da SA. Agora se o CC e o contrato social (não tratar da regência supletiva) são
omissos, devemos aplicar subsidiariamente as regras de sociedade simples.

2 – Características da sociedade limitada


 A sociedade limitada é uma sociedade contratual. Ou seja, o ato
constitutivo da sociedade limitada é um contrato social.
 A sociedade limitada pode ser ou uma sociedade empresária ou uma
sociedade simples. A limitada pode ter natureza empresarial quanto simples.
Exemplo de sociedade LTDA empresária: hotel, supermercado, Casas Bahia,
Ford Brasil, etc. exemplo de sociedade simples: sociedade de médicos,
contadores, etc.
 Nome empresarial: a sociedade pode ser tanto a firma social quanto
denominação. Exemplo de firma social: Alexandre Dantas e Renata Franco
rest. LTDA (na firma coloca nome de sócio). Exemplo de denominação: Gato
sabido Com. de Papelão LTDA.

3 – Responsabilidade do sócio (art. 1052, CC)


Regra geral: Na sociedade limitada a responsabilidade do sócio é
restrita ao valor de suas cotas, mas todos os sócios respondem de forma
solidária pelo que falta para a integralização do capital social.
102

Exemplo: imagine uma farmácia na forma de sociedade LTDA e os


sócios decidiram que o capital social, o valor para investir nessa sociedade é
de R$ 100 mil reais. Existem quatro sócios: A com 40% das cotas; B com 30%
das cotas, C com 20% e D com 10%. Os quatro sócios integralizaram. O capital
social está totalmente integralizado – todos sócios contribuíram com as suas
respectivas participações. A responsabilidade do sócio está restrita ao valor de
suas cotas. Deste modo, se o sócio pagou acabou a responsabilidade dele.
Imagine que essa sociedade limitada tenha uma divida com a CAIXA. A divida
na CAIXA é de R$ 140 mil reais. A farmácia não paga a divida. A CAIXA
resolve executar o contrato. A CAIXA terá direito ao valor do capital social que
é de 100 mil reais, todavia ainda fica faltando 40 mil reais para receber. A
CAIXA pode cobrar esse saldo dos sócios da LTDA? Não, pois a única
responsabilidade que sócio tem é no tocante ao valor de sua cota e ponto final.
Quando o banco contrata com a sociedade limitada ele sabe que a
responsabilidade é limitada, por isso que o banco não empresta qualquer valor,
pede copia do contrato social, pede que o sócio figure como fiador, etc.
Imagine que um dos sócios não integralizou o valor. Portanto o capital
não está totalmente integralizado: tem somente 80 mil reais porque falta os
20% de C. O capital não está integralizado, só que a CAIXA tem direito de
receber os 100 mil reais, todavia ela recebeu somente 80 mil. O banco pode
cobrar dos outros sócios os 20 mil reais? Sim, todos os sócios respondem de
forma solidária pelo que falta para a integralização do capital social. Deste
modo, o banco pode cobrar de qualquer um dos sócios o montante de 20 mil
reais que é o valor restante que falta para integralizar o capital social.
Exceções: nessas hipóteses a responsabilidade do sócio passa a ser
uma responsabilidade ilimitada. A regra é que a responsabilidade está limitada
à cota dos sócios, mas nesses casos de exceções a responsabilidade é
ilimitada:
 Dívida trabalhista: são diversos os julgados que dizem que não importa
se a sociedade limitada, os sócios respondem pelo passivo trabalhista se a
sociedade não tiver bens suficientes.
 Ausência de registro: se a sociedade não for registrada ela não e
limitada, ela é uma sociedade em comum, portanto a responsabilidade será
ilimitada.
103

 Casos de desconsideração da personalidade jurídica. Existem situações


que justificam a desconsideração da personalidade jurídica, não fugindo a
sociedade limitada dessa regra.
 Dissolução irregular (STJ). Dissolução irregular é a baixa irregular. Para
dissolver a sociedade o sócio tem que pagar uma CNT trabalhista e uma CNT
tributária (documentação exigida pelos órgãos de registro para dar baixa). Em
razão disso os sócios não dão baixa regular no órgão competente. Quando
ocorre isso o STJ diz que os sócios que não deram fim regularmente à
sociedade passa a ter responsabilidade ilimitada (os socos vão responder com
seu patrimônio pessoal pelas dividas da sociedade).
 Dívida tributária:
A dívida tributária é a regra do art. 133, V do CTN.
Quem responde não é o sócio, é o administrador.
Há duas situações distintas:
a) Se tinha dinheiro no caixa, mas o sócio não pagou, isso é sonegação.
Na sonegação o administrador responde.
b) Se a sociedade não tinha recurso para pagamento da dívida, isso não é
sonegação, isso é inadimplência, e na inadimplência o administrador não
responde.
Se tinha dinheiro no caixa mas o administrador não pagou porque
direcionou o dinheiro para outra coisa isso é sonegação (tinha dinheiro para
pagar o tributo mas não pagou). Na sonegação o administrador responde. Se a
sociedade não tinha dinheiro para pagar o tributo é inadimplência, e na
inadimplência o administrador não responde.

4 – Cotas sociais
4.1 – Art. 1055
De acordo com o art. 1055, caput, CC, as cotas sociais podem ser iguais
ou desiguais. Ex: o capital social da sociedade é de 10 mil reais. Temos dois
sócios: Mariana que tem 70% das cotas e o Frederico que tem 30% das cotas.
Cotas iguais: pega o capital social de 10 mil reais divide por 10 mil cotas
e encontra o valor de 1 real por cota. Agora diz que a Mariana tem 7 mil cotas
no valor de 1 real e o Frederico tem 3 mil cotas no valor de 1 real cada uma.
104

Isso aqui são cotas iguais no tocante ao valor: o valor da cota da Mariana é o
mesmo valor da cota do Frederico, portanto as cotas são iguais.
Nada impede das cotas serem desiguais: A Mariana teria uma cota por
exemplo, e o Frederico teria 1 cota também. A cota da Mariana valeria 10 mil
reais e a cota de Frederico valeria 3 mil reais. Cotas iguais, apesar de não
serem comuns na prática, são permitidas em direito.

4.2 – Formas de integralização


Pode-se integralizar com:
 Dinheiro.
 Bens.
 Créditos.
OBS: Segundo o art. 1055, §2º, CC não pode integralizar com prestação de
serviços (não pode integralizar prestando serviços na sociedade limitada).
Imagine que um dos sócios integralizou 50 mil reais (valor que deveria
pagar). Só que ele deu como forma de pagamento um imóvel que está avaliado
em 15 mil reais, só que ele integralizou como se estivesse integralizando 50 mil
(superfaturou o bem). Quem responde pela diferença de 35 mil? Todos os
sócios respondem de forma solidária (art. 1055, §1º), não só aquele que
integralizou de forma incorreta e pelo prazo de 5 anos:
§1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social
respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos
da data do registro da sociedade.

4.3 – Cessão de cotas sociais


Muitas vezes acontece do sócio que é integrante de uma sociedade não
querer mais ser sócio. Então esse sócio vai procurar interessados em adquirir
suas cotas. Como suas cotas conferem o direito de ser sócio, essa operação
será chamada de cessão de cotas.
Num primeiro momento quem vai definir como pode, se pode ou não ser
feita a cessão é o contrato social. É o contrato social que define a possibilidade
de fazer ou não a transferência das cotas. Se o contrato social for omisso, isto
é, se o contrato social não tratar do assunto devemos observar a regra do art.
1057, CC. Segundo esse artigo, se a pessoa é sócia de uma sociedade e quer
105

transferir suas cotas para quem já é sócio não é necessária a anuência de


ninguém. Agora se a pessoa é sócia e esta transferindo suas cotas para
terceiro estranho ao contrato social, terceiro que ainda não é sócio, a lei diz
que só pode fazer isso se não houver a oposição de mais de ¼ do capital
social. Ou seja, não pode haver a rejeição de mais de ¼. Atenção: esta
regrinha despenca no concurso.

4.4 – Penhora de cotas sociais


É possível a penhora de cotas sociais? Pode-se penhorar cotas de
sociedade limitada?
Segundo o STJ é possível sim a penhora de cotas sociais. Justificativas:
 Art. 591, CPC: se as cotas integram o patrimônio do devedor, a cota é
um bem móvel que esse devedor possui. Portanto se a cota é bem que integra
patrimônio devedor, não há justificativa para exclusão das cotas sociais. Até
porque quando vamos para o rol do art. 649, CPC ele traz os bens que são
considerados absolutamente impenhoráveis. Quando analisa esse rol não
localiza cota social. ou seja, o legislador não definiu cota social como
impenhorável. Quando vamos para o art. 655, CPC, que traz a ordem de
penhora dos bens penhoráveis, nesse dispositivo consta ações e cotas de
sociedade. Assim, o próprio CPC definiu a possibilidade de penhora de cota
social. Assim, com base nesses dispositivos o STJ vem admitindo a penhora
de cotas sociais.
Imagine que o credor pede a penhora de cota de prestadora de serviço
de informativa. Essa cota vai para leilão. Se alguém arrematar essa cota essa
pessoa será sócia. Você acha que alguém tem interesse de adquirir as cotas
de uma sociedade que aparentemente parece estar com problemas? Logico
que não. Então se o credor for esperto ele não pede a penhora das cotas. Ele
pede um artificio do art. 1026, CC: ao invés de pedir a penhora da cota pede a
penhora dos lucros decorrentes da cota. O que importa para o credor não são
as cotas, é o dinheiro.

5 – Administrador
5.1 - Nomeação
106

O administrador pode ser nomeado tanto no contrato social quanto em


ato separado (ex: ata de assembleia).

5.2 – Quem pode ser administrador da sociedade limitada


A lei disse no art. 1061, CC que o administrador pode ser tanto um
sócio, como também um não sócio (as vezes a pessoa é sócia mas não tem
conhecimento para administrar, assim, nada impede que ele contrate um
terceiro para administrar).
Requisitos para que não sócio pudesse ser administrador (antigamente –
antes de 2010):
- Previsão no contrato social.
- Aprovação dos sócios.
Esses requisitos traziam muitos problemas, então o legislador para
resolver esse problema extinguiu o requisito de que era necessária previsão no
contrato social. Hoje, com a nova redação do art. 1061, alterado em 2010,
exige-se somente a aprovação dos sócios. No entanto essa aprovação dos
sócios deve seguir uma regra de quórum: tudo vai depender do capital social.
Isto é, vai depender se o capital social está totalmente integralizado ou se o
capital social não está totalmente integralizado. Se o capital social estiver
totalmente integralizado ele só vai ser aprovado se 2/3 (existe a duvida se é
dos sócios ou capital social por isso no concurso não haverá especificação)
aprovarem a nomeação do sócio. Agora se o capital social não estiver
integralizado, será necessário unanimidade.

5.3 – Cessação do cargo


A cessação pode ocorrer de 3 formas:
- Termino do prazo.
- Destituição.
- Renúncia. Para que a renúncia produza efeitos perante a pessoa jurídica
(sociedade) deve-se ter uma comunicação por escrito.
Para que a renuncia e destituição produzam efeitos perante terceiros é
necessário publicidade, ou seja, tem que ter averbação no órgão de registro.

6 – Conselho fiscal
107

6.1 – Órgão facultativo


Na sociedade limitada o conselho fiscal é órgão facultativo (art. 1066,
CC). Na S/A é obrigatório o conselho fiscal, já na limitada é facultativo. Até
porque nem sempre é necessário o conselho fiscal.

6.2 – Finalidade
A finalidade do conselho fiscal é a fiscalização das contas da sociedade
e dos atos de gestão.

6.3 – Composição
Se o contrato social instituir o conselho fiscal na sociedade ele tem
composição obrigatória.
A composição do conselho fiscal deve observar a regra do CC: mínimo
de 3 membros que podem ser ou não sócios, eleitos na assembleia geral, com
igual número de suplentes (se tem 3 membros tem que ter 3 suplentes, etc).
Nada impede de ter remuneração para o conselheiro (geralmente as
sociedade contratam terreiros especializados em auditoria). Os membros do
conselho fiscal podem ser remunerados.
A assembleia geral tem função deliberativa (a assembleia aprova), o
conselho tem função de fiscalização. Então não se pode confundir competência
do conselho fiscal com competência da assembleia geral.

7- Deliberações sociais
Tomadas de decisões na sociedade limitada:
7.1 – Reunião ou assembleia
As decisões podem ser tomadas em reunião ou assembleia. Na
assembleia existem as formalidades estabelecidas em lei, é algo mais formal.
Ao passo que a reunião pode ser mais simples, com menos formalidade.
Porém para que a reunião tenha menos formalidade, a dispensa dessas
formalidades devem estar expressas no contrato social, o contrato deve
estabelecer que as reuniões terão regras mais singelas. Na omissão do
contrato social deve-se aplicar à reunião as mesmas regras da assembleia (por
isso da previsão estar em contrato).
108

OBS: Se a sociedade limitada for mais estruturada, se ela possuir mais de 10


sócios (11 ou mais sócios), será obrigatória a realização de assembleia para
tomada de decisões, sob pena de nulidade (Art. 1072, §1º, CC).

7.2 – Formalidades
É necessário um edital de convocação. Esse edital conterá as principais
informações da assembleia (data, local, horário e pauta). Só que isso é para
convocar o sócio para o sócio participar de uma assembleia: isso se dava
antigamente por meio de publicação de edital em jornal ou por meio de carta
convocatória. Todavia, hoje isso tem sido substituído por convocação por
email. É possível a convocação de email pelo motivo de que o CC dispensa a
formalidade de convocação por edital ou carta convocatória. Há uma dispensa
do CC para esse tipo de formalidade, desde que o sócio tome conhecimento
por escrito de todas essas informações (art. 1072, §2º, CC). então pode-se
convocar o sócio por emal, telegrama, etc.
Dispensa de formalidade quando todos sócios comparecerem ou se
declararem por escrito cientes.
Por email a declaração de ciente pode se dar quando você manda um
email que pede a confirmação de recebimento, se o sócio confirma o
recebimento do email isso é a declaração por escrito de que está ciente.

7.3 – Deliberações
Art. 1072, CC: esse dispositivo remete o leitor para a regra do art. 1010,
CC. O art. 1010, CC diz que prevalece a maioria do capital social. Ou seja, as
decisões são tomadas em regra por maioria do capital social (por mais da
metade do capital social). ex: se A com 51% do capital social diz sim, e B com
20% e C com 21% dizem não, prevalece o sim (maioria do capital social).
Além do quórum geral existe também o quórum especifico:
 Quórum de modificação do contrato social: o quórum para modificar o
contrato social de sociedade limitada é de ¾ do capital social (art. 1071, V, CC
c/c art. 1076, I, CC). esse quórum despenca em concurso.
 Quórum do art. 1061: para nomeação de administrador não sócio [vai
depender do capital social: se está (2/3) ou não (unanimidade) totalmente
integralizado].
109

 Existem outros quóruns ver no material de apoio.


7.4 – Dispensa da realização da assembleia/reunião
Art. 1072, §3º, CC: A reunião ou a assembleia tornam-se dispensáveis
quando todos os sócios decidirem, por escrito (email, carta, etc), sobre a
matéria que seria objeto delas. A lei não exige que todos os sócios votem no
mesmo sentido, ela exige apenas que todos os sócios decidam por escrito a
respeito do tema objeto da assembleia (assim pode votar a favor ou contra a
deliberação).

8 – Exclusão de sócio na sociedade limitada


Temos a possibilidade de excluir o sócio de sociedade limitada com
algumas justificativas. Assim pode-se excluir sócio por:
 Ausência de integralização (art. 1004, CC);
 Incapacidade superveniente (art. 1030, CC);
 Falta grave (art. 1030, CC).
Esse tipo de exclusão pode ocorrer tanto para o sócio minoritário quanto
para o sócio majoritário, desde que haja uma ação judicial de exclusão (entra
com ação judicial de exclusão para excluir tanto o sócio minoritário quanto o
majoritário). Ex: sócio que está roubando a sociedade, que está fazendo
concorrência desleal, está queimando o filme da sociedade.
Exclusão extrajudicial: nós temos uma situação no CC que permite a
exclusão extrajudicial. Ou seja, nesse caso a sociedade não precisa de entrar
com demanda judicial para excluir o sócio (art. 1085, CC). Isso se dá por
simples alteração do contrato social. Aqui o excluído só pode ser sócio
minoritário. Extrajudicialmente não se pode excluir sócio majoritário.
Essa exclusão extrajudicial só pode se dar se o sócio praticar ato de
inegável gravidade (ato que colocou em risco a atividade da sociedade). Ex:
sócio minoritário de um motel que gravou cenas dos atos praticados dentro dos
quartos e revelou os atos na internet (vendeu os vídeos para site pornográfico).
Esse sócio feriu a privacidade do motel. Esse sócio poderia ser excluído
extrajudicialmente.
Para que haja essa exclusão extrajudicial é necessária ainda a previsão
no contrato social de exclusão por justa causa. Outrossim, é preciso de mais da
metade do capital social e maioria de sócios (art. 1085, CC). E quando se tem
110

apenas 2 sócios não é possível excluir extrajudicialmente por não preencher o


requisito de maioria de sócio? Enunciado 17 da primeira jornada de direito
comercial: mesmo se não preenchido esse requisitos de maioria de sócios, se
todos os demais requisitos forem preenchidos será permitido sim a exclusão
extrajudicial. A jurisprudência já em apontando nesse sentido também.
Ainda que seja possível a exclusão extrajudicial, o sócio excluído tem
direito de contraditório, ele tem direito de se defender da suposta falta grave
(art. 1085, p.u, CC). A exclusão somente poderá ser determinada em reunião
ou assembleia especialmente convocada para esse fim, ciente o acusado em
tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de
defesa. No caso se um sócio for excluído sem ter exercido o seu direito de
defesa, entra-se com uma ação judicial para que esse sócio seja reintegrado e
possa exercer o seu direito de defesa. Se não tem assembleia a exclusão é
nula.
OBS: A assembleia por meio de Skype é possível se tiver previsão no contrato
social ou caso não haja previsão em contrato se depois da assembleia por
Skype houver manifestação por escrito de todos os sócios no mesmo sentido
da assembleia.

9 – Redução e aumento do capital social


Pode-se aumentar o capital social, todavia algumas regras devem ser
observadas (art. 1081, CC):
 Somente pode aumentar o capital social se o capital social existente
estiver totalmente integralizado.
 O aumento deve ser realizado por meio de modificação do contrato
social.
Art. 1081: deve-se dar direito de preferencia para o sócio na proporção
de suas cotas. Imagine que o um sócio tenha 25% e o outro 40%. Se vai
aumentar o capital social tem que dar o aumento na proporção do capital deles,
pois se assim não fosse modificaria o aspecto do quadro social: o sócio
minoritário poderia se tornar majoritário.
Redução do capital social: A redução do capital social também é
possível. Todavia demos aqui de modificação do contrato social. Só que o CC
111

diz que somente pode reduzir o capital social em duas hipóteses (art. 1082,
CC):
 Se depois de integralizado o capital social houver perdas irreparáveis.
 Se o capital social for excessivo em relação ao seu objeto. Ex: Imagine
que os sócios definiram que para ter uma padaria seria preciso de 5 milhões de
reais. Só que na hora que o negocio começa a acontecer eles decidem que
precisavam apenas de 2 milhões.
112

AULA 07
SOCIEDADE ANÔNIMA
1 – Características S/A
Previsão legal: lei 6404/76
 Sempre será empresária. A SA não pode ser uma sociedade simples,
ela sempre terá a natureza de uma sociedade empresária. O seu objeto
sempre será empresarial.
 A SA sempre será registrada na junta comercial.
 A SA é institucional, ou seja, ela não possui natureza contratual,
diferentemente do que acontece com a limitada. Significa que seu ato
constitutivo não é contrato social. O que vai originar as relações é o estatuto
social. Sobre o estatuto não incidirão os princípios contratuais, mas sim as
regras da lei 6404/76.
 A SA sempre terá denominação, ela não tem firma social. Essa
denominação conterá, como regra geral, um elemento fantasia. Ex: Vera Cruz;
LANTAM, Porto Seguro. Mas como medida excepcional se admite também
nome de acionista fundador (visa prestigiar, honrar o acionista). Ex: Camargo
Correa.
A utilização do nome deve conter a expressão “Companhia” no início ou
no meio do nome empresarial. Ou então usa-se a expressão S/A que é usada
no fim do nome empresarial. Ex: Companhia Brasileira de Distribuição; Porto
Seguro Companhia de Seguros; Saraiva Editores S/A; LANTAM linhas aéreas
S/A.

2 – Espécies de S/A (art. 4º, lei 6404)


 Companhia (CIA) aberta: é aquela em que seus valores mobiliários
(ações) são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários (bolsa
de valores).
Essas ações serão pulverizadas, vários interessados vão adquirir essas
ações, quando se junta tudo tem um valor altíssimo. Por isso que as grandes
empresas são de companhia aberta. Ex: o capital social de uma grande
empresa pode chegar a 1 bilhão, é um valor altíssimo, justamente por causa
113

dessa possibilidade de qualquer investidor poder adquirir esses valores


mobiliários no mercado de valores.
 CIA fechada: é aquela em que seus valores mobiliários não são
admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários.
Não conseguimos adquirir as ações de uma CIA fechada nas bolsas de
valores. As CIA fechadas, comparadas com as abertas, possuem capital social
mais reduzido, mas não deixam de ser grandes empresas. Ex: Saraiva, Fiat.
Geralmente as companhias fechadas são os famosos grupos familiares (no
momento da constituição ela foi constituída por parentes). Para comprar as
ações dessa CIA fechada o indivíduo tem que chegar no acionista para que
este possa vende-la. Todavia, jamais consegue adquirir essas ações na bolsa
de valores.
Atenção: essa definição cai muito em concurso!!

3 – Mercado de capitais
Mercado de capitais é o ambiente onde se efetua as diversas operações
envolvendo os valores mobiliários emitidos por uma companhia aberta.

3.1 – CVM
CVM = Comissão de Valores Mobiliários.
A lei 6385 foi a que criou a CVM.
CVM é uma entidade autárquica federal de natureza especial com
qualidade de agência reguladora.
Competência da CVM: Hoje a competência da CVM é exercida,
explorada, desenvolvida de 3 formas:
a) A CVM possui função regulamentar, pois compete à CVM o regramento,
a regulamentação das atividades nos mercados de capitais.
b) A CVM possui competência de autorizante. Quem autoriza a constituição
de uma CIA aberta e a emissão de valores mobiliários é a CVM.
c) A CVM possui competência fiscalizatória. É a CVM que vai zelar pela
lisura, transparência das relações realizadas no mercado de capitais. A CVM
não só fiscaliza como também tem possibilidade de poder sancionatório. A
CVM pode aplicar sanções às companhias abertas que violam as regras do
mercado de capitais.
114

3.2 –
O mercado de valores mobiliários ele se divide em:
 Bolsa de valores: é uma associação civil ou então uma sociedade
anônima constituídas por corretoras de valores mobiliários. Hoje no Brasil elas
são S/A. A bolsa de valores é uma localização territorial para todos aqueles
que estão interessados em comprar e vender valores mobiliários.
Concentrando tudo em uma mesma base territorial tem um aumento de fluxo
de negociação.
 Mercado de balcão: é toda e qualquer operação realizada fora da bolsa
de valores. Ex: eu estou em casa e liga meu corretor de valores mobiliários e
me vende ações: eu negociei diretamente com a corretora. Ex: negociação com
instituição financeira e negociação com corretoras de valores mobiliários.
Tudo isso é regrado, fiscalizado pela CVM.

3.3 –
O mercado pode ser:
 Primário: é aquela operação que ocorre entre o investidor e a companhia
emissora. O investidor compra diretamente da companhia que esta emitindo
aquele valor mobiliário.
 Secundário: é aquela que se dá entre o acionista e o investidor.
O mercado da bolsa de valores só é secundário. O mercado primário e
secundário ocorrem no mercado de balcão.

4 – Constituição de uma S/A


Para constituir uma S/A primeiro precisamos dos requisitos preliminares
(art. 80, lei 6404):
 Subscrição de todo capital social por, pelo menos, duas pessoas. É o
que chamamos na prática de pluralidade de sócios. Subscrição é o ato de
comprometimento. Integralização é o pagamento. em suma, pluralidade é a
regra geral. A S/A é pluripessoal. A S/A pode ser unipessoal na sua
constituição? A princípio não, exceto em duas exceções:
- Quando se tratar de empresa pública. A empresa pública pode ter um único
sócio. Ex: a União pode ser a única acionista da empresa pública
115

- Subsidiária integral. Subsidiaria integral é um tipo de S/A que está definida no


art. 251 da lei de S/A . Essa sociedade é constituída por um único sócio e esse
sócio tem que ser uma sociedade brasileira (ela não pode ter como acionista
sociedade estrangeira). Ex: às vezes a S/A tem a sua atividade e essa S/A
quer fazer o desmembramento de suas atividades. Assim, ela quer montar uma
empresa só para a fabricação de determinada coisa. Então S/A abre uma
empresa só para pesquisa, abre outra só para transporte, etc. Essa S/A faz
isso por questões de benefícios fiscais, especialização da atividade, questões
de logísticas. Isso é o que acontece com a Petrobrás (ela tem uma empresa
que é a refinaria, outra que é a distribuidora, outra que é para transporte –
TRANSPETO, outra para pesquisa, etc). Na Petrobrás existem diversas
subsidiárias.
OBS: Depois de constituída a S/A poderá ter unipessoalidade temporária entre
a realização de uma assembleia geral ordinária e outra (art. 206, I, ‘d’). A
assembleia geral em regra é anual, todavia ela pode acontecer antes de um
ano ou depois de um ano. Por isso, tecnicamente não é correto falar que esse
prazo de unipessoalidade será de 1 ano.
 Realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço
de emissão das ações subscritas em dinheiro. Se eu quero constituir uma S/A
já no ato da constituição eu tenho que dar uma entrada (10% em dinheiro).
OBS: Em se tratando de instituição financeira esse percentual de 10% passa
para 50%.
 Depósito, no Banco do Brasil S/A, ou em outro estabelecimento bancário
autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado
em dinheiro.

4.2 – Constituição propriamente dita


Os requisitos preliminares se aplicam tanto para a CIA aberta quanto para a
fechada. Todavia, no que tange à constituição propriamente dita existe
algumas diferenciações

4.2.1 – CIA aberta


A constituição de companhia aberta é denominada de subscrição pública
ou sucessiva (sucessão de etapas).
116

É necessário um registro de emissão na CVM. A sociedade faz um


pedido e registra esse registro na CVM. A CVM vai analisar o estatuto da
companhia a viabilidade econômica do empreendimento, etc.
Se a CVM autorizar o registro, o próximo passo é a contratação de
instituição financeira para intermediação dos valores mobiliários. Essa
instituição que vai cuidar de colocar as ações da companhia direto com o
investidor. É ela que vai buscar pessoas interessadas para adquirir esses
valores mobiliários da companhia aberta. Underwriting são as instituições
financeiras que providenciam a intermediação. São elas que procuram os
investidores.
A contratação underwriting é obrigatória.
Posteriormente será realizada uma assembleia de fundação.

4.2.2 – CIA fechada


A constituição de companhia fechada é denominada de subscrição
particular ou simultânea.
Para constituir CIA fechada é preciso: ou ir ao cartório e fazer escritura
pública (os acionistas vão ao tabelionato de notas e fazem escritura pública) ou
então eles fazem uma assembleia de fundação.
Aqui não tem registro na CVM. A CVM só faz registro de CIA aberta. Por
isso que a companhia quando quer ser aberta e a CVM não autoriza, ela acaba
sendo fechada.

5 – Valores mobiliários
Valores mobiliários são títulos de investimento emitidos por uma S/A
com a finalidade de captação de recursos:
 Ações
 Debentures
 Commercial paper Valores mobiliários
 Bônus de subscrição
 Partes beneficiárias

6 – Ações
6.1 – Conceito
117

Ações são frações do capital social de uma S/A que confere ao seu
titular direito de sócio da CIA.

6.2 – Certificado de ações (art. 24, lei 6404)


A omissão de algum dos elementos constante no art. 24 confere ao
acionista direito de indenização por perdas e danos (art. 24, §1º).

6.3 – Forma de integralização


Pode integralizar com dinheiro, bens e créditos. Não pode integralizar
com prestação de serviços.

6.4 – Valor das ações


Quanto ao valor as ações podem ter:
a) Valor nominal: o valor nominal é o resultado da operação da seguinte
divisão: pega o capital social e divide pelo numero de ações = valor nominal.
Ex:
- Capital social = R$ 500 mil
- Ações = 500 mil
- Valor nominal = RS 1, 00 real.
OBS: As ações podem ter ou não valor nominal (art. 11, lei 6404).
b) Valor patrimonial: é o resultado da seguinte operação: pega o patrimônio
liquido e divide pelo numero de ações = valor patrimonial. Ex:
- Patrimônio liquido = R$ 1 milhão
- Ações: R$ 500 mil
- Valor patrimonial = R$ 2,00
c) Valor de mercado: é o valor de negociação; é o valor de mercado. Usa-
se no mercado secundário.
d) Preço de emissão: o preço de emissão é estipulado unilateralmente pela
companhia emissora. A CIA quando vai emitir as ações ela estabelece o valor
que ela quer pelo valor das ações, ela não olha para o mercado. Usa-se no
mercado primário.

6.5 – Responsabilidade do acionista (art. 1º, lei 6404)


118

Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em


ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao
preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
A única responsabilidade que o sócio tem é perante o preço de suas
ações, que é o preço do mercado primário. Não existe solidariedade aqui (não
se sabe quem são todos os acionistas).
O acionista responde de forma limitada pelo preço de emissão de suas
ações. Esta é a única responsabilidade que o acionista tem.

6.6 – Quanto à espécie


Quanto à espécie as ações podem ser:
 Ordinárias (ON): as ações ordinárias são aquelas que conferem direitos
comuns ao acionista. Ex: direito de voto, direito de participação dos lucros. O
art. 110 da lei 6404 estabelece que toda ação ordinária tem direito de voto.
 Preferenciais (PN): traduzem preferências. É aquilo que chamamos de
vantagens econômicas ou políticas. Ex: pode estabelecer que as ações
preferencias terão prioridade de recebimento – se a companhia recebeu lucro
primeiro paga as ações preferenciais, se sobrar dinheiro paga as ordinárias;
pode colocar que as ações preferencias receberão, no mínimo, 10% a mais do
que a ordinária. Art. 11, lei 6404: em nenhum momento o legislador diz que a
ação preferencial não tem voto, ela apenas poderá não ter direitos, inclusive o
de voto. Na prática a grande parte das ações preferenciais não tem voto. A
sacada é que se dá vantagem econômica e em contrapartida tira o direito de
voto.
Golden share: ação preferencial com vantagem política, exclusiva do
ente desestatizante com poder de veto de decisão de assembleia geral. A
Golden share está prevista no art. 17, §7º, lei 6404. Ela é utilizada nos casos
de desestatização. Ocorrendo a desestatização o Estado aliena as ações com
direito de voto, mas muitas vezes é fundamental que ainda que o Estado não
tenha o controle ele possa fiscalizar e muitas vezes praticar intervenções. O
Estado não vota na assembleia mas a decisão que a assembleia tomou pode
ser vetada pelo Estado posteriormente.
Qual é o número máximo de ações preferências sem voto que uma
companhia pode emitir?
119

Art. 15, §2º, lei 6404: o máximo é de 50% do total de ações.


 Gozo/fruição: está prevista no art 44, §5º, lei 6404. No Brasil não existe
nenhum caso de ação de gozo ou fruição (nem historicamente). Amortização é
a palavra chave aqui. Amortização é antecipação de pagamento (ex: amortizar
juros: pagar antecipadamente os juros). Emite uma ação de gozo e fruição e
substitui ela por uma ação ordinária ou preferencial. Aqui acontece a seguinte
situação. A empresa hipoteticamente pega todo o seu patrimônio e diminui por
todas as dividas. Essa operação resulta no acervo. O acervo deverá ser
dividido entre os sócios. Com isso, o sócio pega antecipadamente o valor do
acervo que lhe cabe (é antecipadamente porque não houve a extinção da
empresa). Assim, antecipa o pagamento do acervo e substitui por ação
ordinária ou preferencial para mostrar para o mercado que o camarada já
recebeu a ação.
Acervo – saldo remanescente.

6.7 – Poder de controle (art. 116, lei 6404)


O acionista A tem 40% de ações preferenciais sem direito de voto
O acionista B tem 10% de ações preferenciais sem direito de voto
O acionista C tem 30% de ações ordinárias
O acionista D tem 20% de ações ordinárias
O acionista majoritário é o A. Todavia, o acionista controlador é C (ele
tem maior número de ações com direito de voto).
Controle terá quem tem ações com maioria de direito de votos.
Acionista controlador é aquele que tem maioria de votos e o poder de
eleger a maioria dos administradores e usar efetivamente do poder para dirigir
as atividades sociais (art. 116).
Alienação do poder de controle:
O poder de controle tem um valor maior. O valor das ações daquele que
tem o controle ele tem um valor maior: pois ele não apenas confere a direito de
sócio, mas de sócio controlador.
A lei 6404 traz um mecanismo (regras) de proteção ao interesses dos
acionistas minoritários: é o famoso tag along (art. 254-A,). A lei estabelece que
o investidor que compra o controle vai ter que fazer oferta pública de compra
das demais ações pagando no mínimo 80% da ação de controle. O cara
120

compra o controle e terá que anunciar que vai comprar todas as demais ações.
O investidor vai ter que fazer uma proposta para o acionista minoritário, mas é
para aquele que tem ação ordinária e não para os preferenciais.
Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia
aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou
resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de
aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais
acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no
mínimo igual a 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com
direito a voto, integrante do bloco de controle.

6.8 – Direitos essenciais do acionista (art. 109, lei 6404)


a) Participação nos lucros;
b) Participação no acervo da companhia em caso de liquidação;
c) Direito de retirada;
d) Direito de preferencia. Se a S/A for emitir ações ela tem que dar
preferencia a quem já é acionista;
e) Direito de fiscalização.
O direito é essencial: nem o estatuto, nem mesmo a assembleia geral
podem privar o acionista desses direitos.
Cuidado: O direito de voto não é direito essencial.

7 – Debêntures
7.1 – Conceito
Debêntures são valores mobiliários emitidos pela S/A que confere aos
seus titulares direito de crédito contra a companhia emissora.
A finalidade da debenture é possibilitar o financiamento. Fazer com que a
empresa consiga captação de recurso por meio de financiamento. Poupança
popular.
Imagine que a SA está precisando de dinheiro. Ela tem duas saídas:
- Ir no Banco e fazer um empréstimo. Se o banco emprestar ele vai cobrar juros
e existe um prazo de pagamento que não é muito grande.
- Emissão de debentures: a companhia emite um título. Ex: 10 reais é o valor
de cada debenture. Se a companhia emitir 1 milhão de debentures ela vai
conseguir 10 milhões de reais. Só que a empresa estabelece juros na
121

debenture de 1,5% ao mês. Ou seja, o investidor ganha 1,5% ao mês de juros


(tem que ser mais atrativo do que a poupança). Imagine que o reembolso
desse valor será no prazo de 7 anos. Então acontece que daqui 7 anos a
companhia paga ao investidor os 10 reais com correção monetária e paga os
juros de 1,5% ao mês. A vantagem para a companhia é que aqui quem
estabelece os juros e prazo de pagamento é a companhia. Assim para a
companhia é muito mais vantajoso. É uma poupança popular porque é o povo,
o publico que vai adquirir esses títulos chamados de debentures. Então quando
se tem um titulo como esse se tem um direito de crédito contra a sociedade
anônima. É um titulo emitido pela S/A com a finalidade de captação de
recursos.
Aqui debenturista é o mutuante e o mutuário é a companhia emissora.
A debenture é titulo executivo extrajudicial (art. 585, I, CPC).
Se a companhia faliu o investidor pode receber o crédito, porém esse
recebimento vai depender da classificação da debenture.
A debenture pode ser:
 Debenture com garantia real.
 Debenture com garantia flutuante. É crédito de privilegio real. A
debenture flutuante só tem um privilegio diferente na falência, ela não
tem imóvel como garantia.
 Debenture quirografária. Não tem garantia alguma.
 Debenture subordinada. É o ultimo crédito a ser pago na falência.
Isso faz diferença na hora de classificar o crédito na falência. Quem tem
debenture de garantia real fica junto com os credores de garantia real (quase
primeiro).
Poderão ou não ser as debentures convertidas em ações?
A debênture pode ser convertida em ação. Na maioria das vezes não é.

7.2 – Emissão
Quem autoriza a emissão de debenture?
É a assembleia geral que vai determinar a emissão de uma debenture,
em regra geral (art. 59, lei 6404). Todavia, o conselho de administração ele
também pode autorizar a emissão de debentures, desde que essas debentures
122

não sejam conversíveis em ações e quando se tratar de companhia aberta (art.


59, §1º).
8 – Commercial paper ou nota promissória da S/A
O mecanismo, o procedimento, a ideia do commercial paper é o mesmo
da debenture, a única diferença é que na debenture o prazo de reembolso é
indeterminado (quem vai definir isso é a S/A e geralmente é de médio a longo
prazo). Já o comercial paper tem uma regra: a instrução normativa nº 134 da
CVM estabelece que o comercial paper tem prazo de reembolso: se for CIA
aberta esse prazo tem de ser de 30 a 360 dias e se for companhia fechada
esse prazo será de 30 a 180 dias.
123

AULA 08
9 – Bônus de subscrição (art.75 e ss)
O bônus de subscrição somente é permitido em sociedade de capital
autorizado (art. 158)
Até 1bilhão e 200 milhões – eu vou permitir o aumento, ou seja, até 200
milhões de reais eu autorizo o aumento sem necessidade de uma assembleia
ou emenda no estatuto.
Dentro desse limite estabelecido na sociedade de capital autorizado,
sabemos que pode aumentar o capital social a qualquer tempo,
Bônus de subscrição: é o direito de preferência na subscrição de novas
ações.
Ex: Neymar foi adquirido por Barcelona. Só que o Barcelona há um
tempo quis comprar o Neymar do Santos. O Santos negou a venda. Então o
Barcelona disse que quando quisesse vender o passe do Neymar era pra
procura-los antes (direito de preferência). Isso consta um valor. Passado
alguns meses, o Santos resolveu vender o Neymar e o Barcelona comprou. Se
por acaso, passado os meses, o Barcelona não quisesse mais o passe do
Neymar, o Santos não precisaria reembolsar o direito de preferência.
Da mesma forma acontece aqui. Quem está interessado em adquirir as
ações, a empresa começa a vender o bônus de subscrição, ou seja, direito de
preferência na compra das novas ações que a sociedade anônima
eventualmente possa lançar. Se a sociedade anônima emitir novas ações, ela
tem que dar a preferência pra quem tem o bônus da subscrição.
Dos valores mobiliários o que menos cai em prova é o bônus de
subscrição.

10 – Partes beneficiárias (art. 46 e ss)


É um titulo de investimento emitido por uma companhia fechada que
confere ao seu titular direito de crédito eventual* consistente na participação
dos lucros anuais. Todos os valores mobiliários podem ser emitidos por
companhia aberta ou fechada. Todavia, este aqui somente pode ser emitido
por companhia fechada. Ex: 0,5% do lucro de anual de uma companhia durante
o prazo de 3 anos.
124

*Esse direito de crédito é eventual, ou seja, na eventualidade de ter lucro a


pessoa recebe, se não tiver lucro a pessoa não recebe nada.
Participar dos lucros as ações também participam, assim, quem tem
ações de uma sociedade com certeza vai ter participação dos lucros. Todavia
não podemos confundir partes beneficiarias com acionistas, eles não tem os
mesmos direitos que os acionistas. Por isso que na maioria das vezes o
examinador usa a seguinte expressão: “estranho ao capital social” isso
significa que ele participa do lucro mas não faz parte do capital social, ou seja,
ele não é acionista.
Partes beneficiárias  Título que assegura participação no lucro, mas
não tem os mesmos direitos que os acionistas. Esse título não é ação.
Esse título muitas vezes é utilizado para incentivar o administrador da
companhia (pessoa estranha à sociedade). Forma de estimular o administrador
sem que tenha que colocar ele como sócio. Esse titulo vai garantir participação
dos lucros durante o mandato dele.

11 – Órgãos sociais
Quais são os órgão sociais de uma sociedade anônima?
Assembleia geral
Conselho de Administração Órgãos definidos em lei
Diretoria
Conselho Fiscal
Ou seja, gerencia, presidência, tesouraria não são órgãos sociais.

12 – Assembleia geral
A assembleia geral é órgão deliberativo máximo da sociedade anônima.
As principais decisões de S/A serão tomadas em assembleia geral.
Participar da assembleia geral é direito que todo acionista tem seja ele
portador de ações ordinárias, ações preferenciais sem voto, etc. uma coisa é o
acionista votar, mas outra coisa é participar. O acionista pode até não poder
votar, mas ele pode participar, inclusive das discussões.
125

A assembleia geral é órgão obrigatório. Toda sociedade anônima tem


que ter uma assembleia geral. Não importa se é companhia aberta, fechada,
etc, toda sociedade anônima tem que ter assembleia geral.
Existem dois tipos de assembleia geral:
 Assembleia geral ordinária: ela deve ser realizada anualmente e nos
primeiros 4 meses subsequentes ao término do exercício social.
Competência privativa da assembleia geral ordinária (tem determinados
assuntos que só podem ser tratados numa assembleia geral ordinária):
a. Destinação dos lucros;
b. Tomar as contas dos administradores (prestação de contas);
c. Eleição de administradores e membros do conselho fiscal;
d. Correção da expressão monetária do capital social.

 Assembleia geral extraordinária: A competência da assembleia geral


extraordinária é residual, complementar, subsidiária, portanto, todo e qualquer
assunto que não seja de competência privativa da assembleia geral ordinária
pode ser tratado na assembleia geral extraordinária (art. 131). Ex: destituição
do administrador, etc.

Quórum das assembleias (seja ela ordinária ou extraordinária):


Existe o quórum de:
Instalação: quórum para a assembleia ser instalada. Em primeira chamada o
quórum será o de ¼ do capital votante. Em segunda chamada (ocorre quando
não se atinge o quórum de primeira chamada) será qualquer numero de
presentes.
Aprovação: quórum de aprovação é do art. 129 da lei: o quórum deve ser
mais da metade do total de ações com direito de voto presentes na
assembleia. Este quórum é o quórum geral. Todavia existe ainda o quórum
específico (art. 136): aqui é metade, no mínimo, do capital votante (não é de
quem está presente na assembleia, é metade do capital votante). Exemplo de
situações que necessitam desse tipo de quórum especifico: fusão e alteração
do objeto social (ex: transformar uma metalúrgica em instituição financeira).
126

Prazo prescricional para anulação de assembleia de sociedade


anônima (art. 286): 2 anos da realização da assembleia. Ou seja, tem dois
anos para entrar com ação de anulação de assembleia.

13 – Conselho de administração
Esse conselho de administração despenca em concurso.
O conselho de administração é a cabeça pensante da sociedade
anônima. É o conselho que vai estabelecer as diretrizes da companhia, é ele
que vai traçar as questões estratégicas, diretrizes, metas, etc. é ele que vai dar
o norte da companhia. Assim, geralmente quem compõe o conselho são
grandes administradores, economistas, contadores, advogados, etc – pessoas
com muito conhecimento. O conselho de administração é a parte estratégica da
companhia.
O conselho de administração vai traçar as diretrizes administrativas da
companhia. Ele vai ainda eleger e destituir os administradores.
Cuidado: é feito a eleição e destituição dos administradores na assembleia
geral quando não se tem o conselho de administração. Quando se tem o
conselho de administração é ele que vai eleger e destituir os administradores
da companhia.
O conselho de administração em regra é órgão facultativo, ele não é
obrigatório. No entanto, ele será obrigatório em 3 situações :
 Quando se tratar de companhia aberta. Art. 138
 Quando se tratar de sociedade de economia mista. Art. 238
 Quando se tratar de sociedade de capital autorizado. Art. 138
Se há interesse publico envolvido não pode permitir que a eleição e
destituição de administradores seja feita por assembleia, pois terá que
convocar a assembleia e isso demora e imagine se o administrador está
desviando dinheiro público. Assim, para se ter um controle mais efetivo é
preciso do conselho de administração pois pode tirar o cara a qualquer tempo,
é mais rápido, etc.
Composição do conselho de administração: Mínimo de 3 membros.
Cuidado: existem livros que dizem que só podem ser membro de conselho
acionista. Isso mudou em 2011, agora pode ser membro do conselho acionista
ou não (art. 146). O membro do conselho pode ser inclusive um estrangeiro.
127

Art. 146. Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de


administração pessoas naturais, devendo os diretores ser residentes
no País.

14 – Diretoria
A diretoria é órgão obrigatório. Toda sociedade anônima precisa ter a
sua diretoria e a diretoria tem a função de representante legal. O diretor é o
representante legal da sociedade anônima.
O conselho de administração elabora as metas e a diretoria vai executar
as metas. Tudo o que é planejado pelo conselho será plicado, realizado pela
diretoria. A diretoria é o representante legal, é ele que vai exercer a atividade
de administração da companhia. A diretoria exerce os atos de administração da
companhia.
Composição da diretoria: Mínimo de 2 membros, acionista ou não,
residente no país.
Como será realizada administração da companhia?
Art. 138: Os órgão de administração são conselho de administração e
diretoria.

Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme


dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou
somente* à diretoria.
§ 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada,
sendo a representação da companhia privativa dos diretores.
§ 2º As companhias abertas e as de capital autorizado terão,
obrigatoriamente, conselho de administração.
*O conselho de administração é órgão facultativo, portanto se não tiver o
conselho, quem vai realizar a administração é a diretoria.
A Assembleia geral é órgão deliberativo.

15 – Conselho fiscal (art. 161)


Finalidade do conselho fiscal: é a fiscalização da gestão da
administração da companhia e ele também tem a função de assessoramento
da assembleia geral.
O conselho fiscal é órgão obrigatório.
128

Cuidado: quando se diz que o conselho fiscal é órgão obrigatório estamos nos
referindo em relação à sua existência. Quanto à existência o conselho fiscal é
órgão obrigatório. Órgão de existência obrigatória, todavia, o conselho fiscal é
órgão de funcionamento facultativo (art. 161). O conselho fiscal tem sempre
que existir, no tocante ao funcionamento é o estatuto que vai dispor: se ele vai
funcionar de modo permanente, ou senão se ele estará desativado e a
qualquer tempo poderá ser ativado a pedido dos acionistas (funcionamento
facultativo). O conselho fiscal tem sempre que existir, mas nem sempre
funcionar.
Composição do conselho fiscal: mínimo de 3 membros e máximo de 5
membros, acionista ou não, residente no país.

REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA
1 – Modalidades de reorganização societária
Pode-se reorganizar uma sociedade pela:
 Transformação
 Fusão
 Incorporação
 Cisão
2 – Transformação
Transformação é a operação pela qual a sociedade passa,
independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro.
Imagine que tenhamos uma sociedade limitada. Eu posso mudar a LTDA
para sociedade anônima? Sim. não precisa dissolver a sociedade, mantem o
mesmo CNPJ, somente transforma – mantem a pessoa jurídica, mantem o
CNPJ, muda-se apenas o tipo societário. Ex²: eu tenho sociedade simples e
quero passar para LTDA: isso se chama transformação.
Eu tenho companhia fechada (ex: magazine Luiza), abriu o capital e
transformou-se em companhia aberta. Isso é transformação? Não.
Transformação é a modificação do tipo societário. A companhia fechada é S/A
e a companhia aberta também é S/A, portanto não mudou o tipo societário, o
que mudou foi a espécie de sociedade anônima, portanto não existe aqui uma
transformação propriamente dita. Na transformação tem modificação do tipo
societário.
129

3 – Fusão
Fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para
formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.

Sociedade A + Sociedade B = Sociedade C.

A sociedade A e sociedade B serão extintas. Ex: TAM + LAN =


LANTAM. Ex²: Antártica + Brhama = Ambev.

4 – Incorporação
Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são
absorvidas por outra que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.

Sociedade A + Sociedade B = Sociedade A


Incorporadora Incorporada +B

Aqui somente uma sociedade é extinta. Aqui só haverá a extinção de B,


A continua em atividade, por isso não teremos uma nova empresa, teremos
uma empresa que foi incorporada, acrescentada. Ex: Santander: todas as
agencias do Banco Real se tornaram agencias do Banco Santander. Aumentou
o numero de agências do Santander por causa da incorporação do Banco Real.

5 – Cisão
Cisão é a operação pela qual a sociedade transfere parcelas do seu
patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já
existentes, extinguindo-se a sociedade cindida, se houver versão de todo o seu
patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.
A cisão pode ser total ou parcial.
Exemplo de cisão parcial
Sociedade A Sociedade B*
Transfere parcela de seu patrimônio
*Empresa nova ou já existente.
130

Exemplo de cisão total


Sociedade B
Sociedade A Sociedade C
Sociedade D
Aqui ocorre a extinção da sociedade A. Todo o patrimônio da sociedade
A foi transferido para outras empresas.
Aqui não transfere a pessoa jurídica. Transfere o patrimônio da pessoa
jurídica.

FALÊNCIA
Bibliografia:
Ricardo Negrão – Aspectos objetivos da lei recuperação de empresas
A falência está prevista na lei 11101/05.
Atenção: MP estadual adota perguntar sobre falência.
Origem etimológica: falir vem da palavra latina fallere que significa
enganar, faltar com a palavra.

1 – Conceito
Credor entra com ação de falência contra o devedor. Se o juiz decretar a
falência, todos os bens do falido serão arrecadados. Depois de arrecadados os
bens serão vendidos. Com essa venda consegue dinheiro. Mas esse dinheiro
será utilizado para pagamento de todos credores. Não vai pagar somente
aquele que ajuizou a ação, o juiz ao declarar a falência ele declara o estado de
insolvência do devedor. Para pagar o credores é preciso observar uma ordem
de classificação e pode acontecer que o cara que ajuizou a ação estar no final
da fila e não conseguir receber nada.
O pagamento é de todos os credores, não só daquele que ajuizou a
ação, por isso que a falência é chamada de execução coletiva.
“Falência é um processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio
de um empresário declarado falido (pessoa física ou jurídica) é arrecadado,
visando o pagamento da universalidade de credores. É um processo judicial
complexo que compreende a arrecadação dos bens, sua administração e
conservação, bem como a verificação e o acertamento dos créditos, para
131

posterior liquidação dos bens e rateio entre os credores. Compreende também


a punição de atos criminosos praticados pelo devedor falido” (Ricardo Negrão).

2 – Fases do processo falimentar


1ª. Fase pré-falimentar: inicia-se com o pedido da falência e vai até a
sentença declaratória de falência.
2ª. Fase falimentar: inicia-se na sentença declaratória de falência e seu
término se dá com a sentença de encerramento (sentença que põe fim ao
processo falimentar). O MP, pela lei, é obrigado a participar do processo de
falência na fase falimentar. O MP não está obrigado a participar da fase pré-
familimentar. O MP pode participar da primeira fase como fiscal da lei, nada
impede, mas ele será intimado para participar obrigatoriamente do processo
somente na fase falimentar.
3ª. Fase da reabilitação.

4ª. D

Pedido  Sentença  Sentença  Reabilitação


Declaratória Encerramento

3 – Incidência da falência
Quem pode sofrer processo de falência? A lei 11101 incide sobre quem?
Ela incide sobre a figura do empresário individual, sobre a sociedade
empresaria e sobre a empresa individual de responsabilidade limitada. São
eles que sofrerão a incidência da lei 11101. No entanto nesse rol de sociedade
empresaria existem alguns entes que o legislador diz que apesar de ter
natureza empresarial eles estão excluídos da incidência da lei 11101. Esses
excluídos estão todos no art. 2º da lei 11101:
 Art. 2º, I, lei 11101 - Totalmente excluídos (estão totalmente excluídos
da incidência da lei 11101, ou seja em hipótese alguma haverá falência):
a. Empresa pública
b. Sociedade de economia mista.
 Art. 2º, II, lei 11101 - Parcialmente excluídos ou relativamente excluídos:
a. Instituição financeira;
132

b. Consórcio;
c. Seguradoras;
d. Cooperativas de crédito;
e. Entidades de previdência complementar;
f. Operadoras de plano de saúde;
g. Sociedade de capitalização
h. E outras entidades legalmente equiparadas a essas. O STF disse
que administradora de cartão de crédito são equiparadas a instituição
financeira. Ex²: Empresas de leasing.
A princípio não cabe falência para esses entes, no entanto, todos os
entes do art. 2º, II podem passar por processo de liquidação exjudicial. Na
liquidação será nomeado um liquidante. Somente o liquidante é que na
liquidação judicial pode pedir a falência dos entes do art. 2º, II.
Todos os entes do art. 2º, II podem passar por liquidação extrajudicial.
Nesta será um liquidante que, por sua vez, poderá pleitear a falência destes
entes. Então significa que a princípio não podem sofrer falência mas a falência
poderá ser consequência da liquidação extrajudicial. Por isso falar que esses
entes não podem falir é tecnicamente incorreto.
Em prova:
Cabe falência de instituição financeira? Não.
Uma instituição financeira em liquidação judicial cabe falência? Sim.

4 – Legitimidade processual
4.1 – Legitimidade ativa
Pode ser autor de ação de falência:
 Autofalência (art. 105): ocorre quando o próprio empresário, quando a
própria sociedade empresaria solicita a própria falência. Ex: Atari.
Para pedir a autofalência é necessário preencher alguns requisitos:
- Estar em estado de crise econômico-financeiro
- Julgar não atender aos requisitos da recuperação judicial
Se existe a possibilidade de recuperação é a recuperação que tem que pedir. A
falência só pode ser requerida em ultimo caso.
Aquele que esta em crise e se julga não atender aos requisitos de
recuperação ele pode ou deve pedir a autofalência?
133

Art. 105: O devedor deverá requerer ao juiz a sua falência. Não existe
consequência para quem não pede, mas é uma obrigação.
 Sócio ou acionista. Se a sociedade não quiser entrar, o sócio ou
acionista pode fazer o pedido.
 Qualquer credor:
OBS: Se o credor for empresário, sociedade empresária ou ERELI ele só vai
poder ajuizar a ação contra terceiro se estiver devidamente registrado na junta
comercial.
Sociedade em comum (é a sociedade do art. 986, CC: não foi levada a
registro). A sociedade em comum pode pedir a falência de terceiro? Não. Ela
está impedida (art. 97, §1º). Todavia ela pode pedir a própria falência (art. 105,
IV, lei 11101: é o contrato que se leva para registrar na junta, se não tem
contrato a sociedade não é registrada).
OBS²: Se o credor não tem domicílio no país deve prestar caução (art. 97, §2º,
lei 11101). Às vezes o concorrente entra com ação de falência contra o outro
somente para manchar a empresa, ou então em cidades pequenas quando se
entra com a ação logo se espalha boatos de que a empresa está quebrada.
Então para se evitar isso o credor tem que prestar caução.
Quem por dolo requerer a falência de outrem será condenado na própria
sentença que julgar improcedente o pedido a indenizar o devedor, apurando-se
as perdas e danos em liquidação de sentença (art. 101).
Imagine que um argentino entra com ação dolosa de falência contra
empresa no Brasil. o argentino não tem bens no Brasil. fazer uma carta
rogatória para expropriar bens do credor demoraria muito, por isso é que se
pede a caução no início do processo.
Quais são os princípios do processo falimentar?
Art. 75, p.u, lei 11101 – o processo falimentar deve atender aos
princípios da celeridade e economia processual. É mais célere fazer carta
rogatória ou pedir para que o argentino depositar caução? Depositar caução,
com isso atende-se ao princípio da celeridade.
 Cônjuge sobrevivente, herdeiro e inventariante podem pedir falência do
espólio do empresário individual. Pela regra do art. 96, §1º eles possuem
apenas 1 ano contado da morte para fazer isso (pedir falência do espolio do
empresário individual).
134

Questões polêmicas sobre legitimidade ativa:


# MP pode pedir falência?
R: O MP poderia sim pedir falência para a hipótese de descumprimento
de TAC – termo de ajustamento de conduta (Sérgio Campinho: autor carioca).
No caso de tutela coletiva, se houve descumprimento do TAC, no qual tinha
obrigação pecuniária estabelecida, o MP poderia com base nessa obrigação
pecuniária ajuizar ação de falência. Gialluca admite a possibilidade também.
# Fazenda Pública pode pedir falência?
R:
Os favoráveis ao pedido alegam que a certidão de divida ativa é um
titulo executivo e que agora esse titulo executivo pode ser protestado. Então,
se a CDA pode ser protestada, a Fazenda Pública pode pedir a falência, não
há impedimento na lei quanto a isso. Essa posição é minoritária.
A posição majoritária (STJ e 1ª jornada de direito comercial: enunciado
56): a Fazenda Pública não possui legitimidade ou interesse de agir para
requerer falência do devedor empresário. (Resp 363206/MG). Argumentos
dessa corrente:
- Preservação da empresa: o Estado tem como função social e econômica
buscar a preservação da empresa, pois quando se tem uma empresa
preservada nos temos manutenção de empregos, da fonte produtora e também
geração de tributo. Se a Fazenda quiser receber o crédito ela deve entrar com
a execução fiscal e não com a falência. Nada impede de a fazenda publica
entrar com a execução fiscal para satisfação do crédito tributário.
- Se a fazenda publica pedir a falência com base na CDA, o devedor terá que
pagar essa CDA para o juiz não decretar a falência e quando isso ocorre tira do
devedor o direito ao contraditório, pois o devedor poderia discutir esse credito
tributário na ação de execução.
135

AULA 09
FALÊNCIA
4.2 – Legitimidade passiva
A incidência da lei 11101 só ocorre sobre a figura do empresário
individual, sociedade empresária e EIRELI. Assim, só pode sofrer pedido de
falência o empresário, a sociedade empresária e EIRELI.
Só que existe alguns que apesar de serem de serem sociedades
empresárias, eles estão excluídos da incidência da lei (art. 2º, lei 111101):
I – Totalmente excluídos (art. 2ª, I):
- Empresa pública
- Sociedade de economia mista
Em hipótese alguma esses entes podem falir.
II – Parcialmente excluídos (art. 2º, II):
- Instituição financeira
- Consórcio
- Seguradora
- Cooperativas de crédito
- Operadoras de plano de saúde
- Entidade de previdência complementar
- Sociedade de capitalização
- Outras entidades legalmente equiparadas a estas. Ex: sociedade de
arrendamento mercantil (empresas que fazem leasing); administradora de
cartão de crédito (o STJ recentemente disse que administradora de cartão de
crédito está equiparada a instituição financeira).
No primeiro momento nenhuma pessoa poderá ajuizar ação de falência
contra essas sociedades. Todos os entes podem passar por uma liquidação
extrajudicial. Quando se tem liquidação extrajudicial é nomeado liquidante
(quem nomeia é o banco central, a agência de saúde, etc – cada caso é um
caso) e esse liquidante poderá, e somente ele, pedir a falência do ente que
está passando por liquidação extrajudicial. São parcialmente excluídos porque
esses entes não podem sofrer ação direta de falência, mas a falência é
consequência da liquidação extrajudicial.
136

Todos os entes do art. 2ª, II podem passar por uma liquidação


extrajudicial. Nesta, será nomeado um liquidante que, por sua vez, poderá
pedir a falência do ente que está em liquidação.
Por conta do art. 193, da lei 11101 a doutrina vem afirmando que as
câmaras de compensação também não podem passar por falência. Elas
estariam envolvidas dentro do rol daqueles que não podem sofrer falência
(delimitadas em situação de exclusão). A exclusão da câmara de
compensação, segundo a doutrina, é total.
Art. 193. O disposto nesta Lei não afeta as obrigações assumidas no
âmbito das câmaras ou prestadoras de serviços de compensação e
de liquidação financeira, que serão ultimadas e liquidadas pela
câmara ou prestador de serviços, na forma de seus regulamentos.

5 – Juízo competente
A ação de falência sempre será processada e julgada pela justiça
comum estadual. Não importa se é autarquia federal, se é sociedade de
economia mista, nunca a justiça federal vai apreciar ação de falência, pois essa
questão está na própria CF (art. 109, I, CF: competência da justiça federal). Ver
informativo 519, STJ: aplica-se os mesmo procedimentos concursais, por
extensão, como por exemplo, à liquidação.
De acordo com o art. 3º da lei 11101, o juízo competente é o do local do
principal estabelecimento e se a sede for fora do Brasil, é no local da filial.
Mas o que é esse principal estabelecimento?
1ª corrente: principal estabelecimento é o estabelecimento contratual ou
estatutário. É aquele que consta no contrato social, que está no estatuto social.
Corrente minoritária.
2ª corrente: principal estabelecimento é a sede administrativa, ou seja, onde
esta localizada a administração da empresa, o centro das atividades, o centro
vital da gestão, de onde emana as diretrizes, as ordens. Esta é a corrente
adotada pelo STJ. Adotar esta corrente em prova objetiva.
3ª corrente (critério econômico): principal estabelecimento é aquele onde se
concentra o maior volume de bens. A doutrina moderna vem adotando esta
corrente, pois o objetivo da falência é o juiz reconhecer o estado de insolvência
do devedor, decretar falência. Assim, o empresário encerra a atividade e todos
137

os seus bens são arrecadados e vendidos para pagar os credores. Portanto, a


falência sem bens não é nada. O foco da falência são os bens. Então a melhor
gestão da falência ocorre próxima dos bens: para evitar roubo, desvio, etc. No
entanto este não é o posicionamento do STJ.
Apesar de a competência territorial ser relativa, no tocante à falência a
competência territorial é absoluta, pois toca ao conteúdo do processo
falimentar.
OBS: Juízo prevento (art. 6º, §8º, lei 11101): A distribuição do pedido de
falência ou de recuperação judicial previne a jurisdição para qualquer outro
pedido de recuperação judicial ou de falência, relativo ao mesmo devedor.

6 – Insolvência
Quando o credor ajuíza ação de falência o seu objetivo é que o juiz
declare o estado de insolvência do devedor.
E esse estado de insolvência quando que ocorre?
Essa insolvência pode ser:
 Insolvência confessada:
- Quando o próprio empresário declara o seu estado de insolvência, por meio
da autofalência. O empresário pede a sua própria falência.
- Existe também a hipótese de quando o devedor solicita os benefícios da
justiça gratuita: o credor entra com pedido de falência contra a empresa. A
empresa contrata advogado, o que vai defender a empresa contestando (diz
que a empresa está bem, não está falindo, etc), só que daí o advogado pede o
benefício da justiça gratuita para fazer defesa de falência (estupidez do
advogado): isso é tudo o que o credor quer para pode dizer que nem as custas
processuais a empresa consegue pagar, imagine os credores. A jurisprudência
vem admitindo esse tipo de insolvência.
 Insolvência presumida: acontece quando ocorre uma das hipóteses do art.
94, I, II e III, lei 11101.
a) Art. 94, I: Impontualidade injustificada.
Deixar de pagar no vencimento uma obrigação líquida sem relevante
razão de direito (justificativa) título(s) executivo(s)*.
138

Atenção: Esse título executivo, judicial ou extrajudicial, deve ser protestado


(protesto extrajudicial: lei 9492/97, art. 1º: cabe protesto de títulos e outros
documentos de dívida que tenha certeza, exigibilidade e liquidez).
Intimação do protesto: O comprovante de que a intimação do protesto foi
entregue no endereço dado, torna a intimação como perfeita e acabada (art. 1º,
§1º, lei 9492). Não importa quem recebeu, está cumprida a notificação e
intimação.
Parte da doutrina queria que a intimação fosse pessoal. No entanto o STJ
entendeu que não seria caso de intimação pessoal pois o devedor poderia fugir
e assim, não se conseguiria fazer o protesto do titulo.
Súmula 361, STJ: o protesto para fim de falência tem que fazer a
intimação entregando no endereço, todavia, além de entregar no endereço é
preciso saber quem recebeu a intimação
Razão para não pagamento de dívida: Ex: titulo prescrito, dívida paga.
Quando se tem justificativa a empresa não pode sofrer falência.
*A lei não disse se é judicial ou extrajudicial. Portanto, pode ser qualquer um
dos dois. Nada impede pedido de falência com base em título executivo
judicial. Ex: sentença condenatória que transitou em julgado na justiça do
trabalho.
Súmula 248, STJ: Comprovada a prestação dos serviços, a duplicata
não aceita, mas protestada, é título hábil para instruir pedido de
falência.
Atenção: A ação de falência somente pode ser ajuizada se o valor da
obrigação for acima de 40 salários mínimos. Se for de 40 salários não cabe
falência, é preciso que seja acima.
Dois credores podem fazer litisconsórcio para que se atinja esse valor
acima de 40 salários mínimos?
Cabe sim (art. 94, §1º: admite-se o litisconsórcio entre os credores para
que se possa perfazer o limite mínimo estabelecido na lei).

b) Art. 94, II: Execução frustrada:


Ocorre quando o devedor é executado e não paga, não deposita e não
há no processo bens suficientes à penhora. ´
139

Ainda que haja processo de execução, que esteja sofrendo execução, o


devedor não teve bens nenhum, ou poucos bens para serem penhorados:
execução frustrada. Ante a execução frustrada o credor pode: chorar ou extrair
copias do autos da execução e com esses documentos ele ajuíza ação de
falência (presunção de que o devedor está em estado de insolvência).
Enquanto na impontualidade injustificada existe um teto mínimo (acima de 40
salários), aqui pode ser ajuizada a falência em decorrência da execução
frustrada por qualquer quantia.

c) Art. 94, III: Atos de falência:


São comportamentos, condutas que estão expressamente previstos em
lei (art. 94, III, ‘a’ até ‘g’). Se o devedor praticar qualquer um desses atos
haverá presunção de falência.
- Art. 94, III, ‘a’: Liquidação precipitada: o empresário se desfaz de seus bens
sem reposição. O empresário vai sumindo aos poucos com os bens.
- Art. 94, III, ‘g’: descumprimento de obrigação assumida no plano de
recuperação judicial. Nesse caso o credor pode ajuizar pedido de falência.
O art. 61, lei 11101 diz que o plano de recuperação judicial, durante 2 anos, o
juiz acompanha a recuperação judicial. Passado 2 anos, o juiz encerra a
recuperação judicial. Imagine que na recuperação tenha se criado plano para
pagar os credores em 8 anos. Os credores aprovaram o plano. Acontece que
nos 2 primeiros anos o juiz acompanha. Passado 2 anos o juiz encerra o
acompanhamento processual: não encerra o plano, pois existe ainda 6 anos
para cumprir o plano. Se esse descumprimento ocorrer no prazo de 2 anos, o
art. 61 diz que não precisa de ação de falência, o juiz vai fazer a convolação
em falência: o próprio juiz transforma a recuperação judicial em falência. O
credor não vai entrar com falência, o credor no próprios autos da recuperação
pede a falência e o juiz converte. Assim, só cabe o pedido de falência com
base no descumprimento (art. 94, III, ‘g’) se o descumprimento ocorrer depois
do encerramento processual da recuperação judicial (2 anos).
Quando se ajuíza ação de falência, a ideia é que ocorra o pagamento de
todos os credores, não somente daquele que ajuizou a ação. Assim, o que se
pede não é o pagamento da minha divida, mas sim que seja reconhecido o
estado de insolvência (se eu quiser exigir o credito eu devo entra com ação de
140

cobrança, monitória, execução, etc). Ou seja, esse credor não tem que
necessariamente ter titulo vencido. O credor pode entrar com ação de falência
com titulo vincendo, desde que justifique a insolvência com base em titulo
vencido (outro credor tem titulo vencido, protestado, execução frustrada, atos
de falência, etc). Assim, o credor pode utilizar o titulo vencido de outro credor
para ajuizar a falência, pois não se pede o pagamento de divida, mas sim o
reconhecimento do estado de insolvência.
Se o credor quando ajuíza ao pedido de falência ele se baseia na
insolvência economia ou jurídica?
O credor não tem que provar que o devedor tem passivo maior que o
passivo. Portanto credor não tem que fazer prova de fase econômica do
devedor. Não se trata de situação econômica, trata-se de situações previstas
em lei, portanto, estamos falando de insolvência jurídica e não de econômica.
Não compete ao juiz analisar a insolvência econômica, juiz tem que analisar a
presença de insolvência jurídica. Assim, se ocorreu alguma hipótese de
insolvência jurídica o juiz tem que decretar a insolvência jurídica. ex: se a
empresa tiver patrimônio muito acima do que passivo, mas por exemplo pratica
o ato previsto no art. 94, I, lei 11101, por mais que a empresa tenha dinheiro, o
juiz vai ter que decretar a falência, pois a empresa praticou hipótese prevista
em lei.
Assim, não é pressuposto para decretação de falência que a empresa
tenha passivo muito acima do que ativo. É pressuposto a insolvência jurídica.

7 – Defesa do requerido na falência


O que o devedor pode fazer?
 Apresentar contestação.
Cuidado: o prazo de contestação aqui é de apenas 10 dias (art. 98, lei 11101).
 Depósito elisivo.
Elidir = impedir.
Após o deposito elisivo o juiz estará impedido de decretar a falência.
Prazo do depósito elisivo: deve ser feito dentro do prazo de contestação
(10 dias). A jurisprudência em razão do princípio da preservação da empresa
tem admitido deposito realizado em momento posterior até o proferimento da
sentença.
141

Valor do depósito elisivo = valor principal + correção + juros + honorários


advocatícios (art. 98, p.u, lei 11101).
Por isso que quando o juiz manda fazer a citação do devedor no
processo de falência ele já arbitra os honorários na própria citação, para que o
devedor possa efetuar o deposito elisivo.
De acordo com o art. 98 somente cabe deposito elisivo nas hipóteses de
pedido de falência com base no art. 94, I e II. Todavia, a jurisprudência pacifica
no sentido de que se o pedido de falência foi com base no art. 94, III também
caberá o deposito elisivo em razão do princípio da preservação da empresa.
 Depósito + contestação.
 Recuperação judicial (regra do art. 95, lei 11101). O devedor pode dizer
que quer pagar, mas que não consegue pagar em dinheiro, não consegue
pagar a vista, não consegue pagar tudo de uma vez, etc, mas que quer pagar.
Assim, o devedor, dentro do prazo de contestação ele pode pedir a
recuperação judicial. Essa recuperação suspende o processo de falência.

8 – Sentença
- Sentença procedente: é sentença declaratória - declara o estado de
insolvência.
- Sentença improcedente: é sentença denegatória, não reconhece o estado de
insolvência.
Quais são os recursos cabíveis para cada uma dessas decisões?
Art. 100: A sentença declaratória/procedência comporta agravo de
instrumento (tem interesse para apresentar recurso: devedor, MP e credor). A
sentença de improcedência comporta recurso de apelação (tem interesse para
apresentar recurso: credor, MP e devedor*). *Em caso de autofalência, se o juiz
denegar a falência, o devedor tem interesse no recurso de apelação.

Pedido de falência  sentença declaratória  sentença de encerramento

Fase pré-falimentar fase falimentar


A sentença dá início à fase falimentar: é aqui que vai ter a arrecadação
dos bens, venda dos bens, pagamento dos bens e é depois disso que o juiz dá
uma sentença de encerramento, dando fim ao processo de falência. Apesar de
142

ser uma sentença, a sentença declaratória tem características de decisão


interlocutória.

9 – Sentença declaratória de falência


9.1 - Natureza jurídica:
Se o examinador perguntar dentro da prova de empresarial qual é a
natureza jurídica é para dizer que a sentença declaratória possui natureza
constitutiva (em que pese os processualistas dizerem que é declaratória).
A sentença declaratória tem caráter predominantemente constitutiva,
afinal, a partir da decretação da quebra, incidirá o regime falimentar sobre o
empresário, sociedade empresária ou EIRELI, colocando-os em uma situação
jurídica diversa da anterior, tendo como efeitos, dentre outros, o afastamento
da administração dos bens, o vencimento antecipado da dívida, a constituição
da massa falida e a nomeação do administrador judicial. Trata como sentença
constitutiva porque mudou o estado anterior. Predomina a natureza constitutiva
dessa sentença.

9.2 – Requisitos da sentença declaratória (art. 99)


 É na sentença declaratória que o juiz vai fazer a nomeação do
administrador judicial (art. 99, IX). O juiz tem que atentar para a regra do art.
21, lei 11101:
Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo,
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas
ou contador, ou pessoa jurídica especializada.
Hoje não existe mais a figura do síndico, hoje se tem o administrador
judicial.
A regra do art. 21 não é de obrigatoriedade, é uma regra de sugestão,
de preferência. Então o administrador pode ser qualquer outro profissional,
desde que haja um critério para a nomeação.
O administrador vai auxiliar o juiz na administração da falência.
O art. 22 estabelece as obrigações que o administrador tem no processo
de falência. E o art. 22, III, ‘d’ estabelece que cabe ao administrador receber e
abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for
assunto de interesse da massa. A doutrina majoritária entende essa regra do
143

art. 22, III, ‘d’ como inconstitucional. Todavia, toda as vezes que o examinador
CESPE perguntou sobre o assunto, ele deu como correto a letra da lei (as
questões do CESPE não foram anuladas), portanto, em prova objetiva colocar
a letra da lei como correta, por mais absurda que pareça.
Gladston Mamede: se o juiz declarou a falência de empresário individual,
realmente nesse caso ocorre a violação do sigilo, pois empresário individual é a
pessoa física (é ele quem vai receber a correspondência). Mas, em se tratando
de sociedade e inclusive EIRELI, toda pessoa jurídica tem o seu administrador,
então essa carta não é encaminhada a pessoa física, é encaminhada à pessoa
jurídica e quem vai abrir é o administrador. Então quando o juiz nomeia
administrador judicial ele somente substitui o administrador, portanto, não
violaria a regra (não haveria portanto quebra de sigilo).

 O juiz deve fixar o termo legal da falência (art. 99, II).


Termo legal da falência: é o período suspeito (período cinzento). Esse
período vem antes da falência, antecede a falência. Durante esse período o
devedor será investigado, é um período de investigação dos atos praticados
pelo devedor. Se o devedor praticar atos que estão previstos na regra do art.
129, da lei 11101, esses atos serão declarados ineficazes.
Esse termo legal não pode retrotrair por mais de 90 dias. Conta-se esse
termo:
- Da data do pedido da falência, quando a ação for com base no art. 94, II ou
III.
- Da data do primeiro protesto, quando o pedido de falência é com base no art.
94, I.
- Do pedido de recuperação judicial, quando a recuperação judicial se converter
em falência.
É nesta situação aqui que o credor mesmo quando o juiz decreta o
pedido de falência ele pode ter interesse no agravo de instrumento. Ex: credor
pode ter interesse que se modifique o termo legal (contar o prazo da data que
entende devida).

 Intimação do MP (art. 99, XIII). É nesse momento que o MP é intimado


para participar do processo de falência. É na fase falimentar que o MP está
144

obrigado a participar do processo de falência. É na sentença declaratória (dá


início à fase falimentar) que haverá a intimação do MP. O MP não tem
obrigação de participar da fase pré-falimentar. Todavia, nada impede o
comparecimento do MP na fase pré-falimentar para apurar crime falimentar: ou
seja, o MP não está obrigado a participar da fase pré-falimentar, mas ele não
está impedido de participar.
 Ordenar ao falido que apresente relação completa de credores no prazo
de 5 dias, sob pena de crime de desobediência (art. 99, III).

9.3 – Efeitos da sentença declaratória em relação ao falido


a) O falido está inabilitado para exercer atividade empresarial (art. 102). O
prazo pelo qual o falido não pode mais desempenhar atividade empresarial:
tem início na sentença declaratória e encerra com a sentença de extinção das
obrigações do falido. No entanto, o juiz ao decretar a falência ele pode
determinar a continuidade provisória (às vezes dando continuidade até
eventual venda do estabelecimento em leilão, é melhor para se ganhar mais
dinheiro).
b) O falido perde a disponibilidade dos bens (art. 103). O falido não pode
mais dispor dos seus bens (não pode mais vender, alugar, etc).
c) A decretação da falência das concessionárias de serviços públicos
implica extinção da concessão, na forma da lei.(art. 195). Isso não depende do
que o juiz quer, de parecer do MP, do que vai dizer o administrador, etc. Esse
efeito é automático, decorre da lei.
d) A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios
ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam
sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida
e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o
desejarem (art. 81)
No Brasil ou a sociedade é limitada ou anônima. Ou seja, os sócios não
respondem pelas dividas da sociedade. Assim, os efeitos da falência recaem
tão somente sobre a pessoa jurídica. Assim, o sócio A pode sim ser sócio de
outra sociedade. Agora se o sócio for administrador de sociedade que já faliu,
ele não pode ser administrador de outra sociedade. Mas agora ser sócio de
145

outra sociedade não existe obstáculo: os efeitos da sentença não recairão


sobre a figura do sócio (art.1011, CC).
Agora, se por ventura, a sociedade for de responsabilidade ilimitada, se
o sócio tem responsabilidade ilimitada, os efeitos da falência se estenderão
para a figura do sócio (art. 81, da lei 11101).
e) Informativo 513, STJ:
Extensão dos efeitos da falência para as sociedades integrantes do
mesmo grupo econômico.
Grupo alcatraz: possui várias concessionárias – a da FIAT, AGM,
Importados, etc. e cada concessionária é uma pessoa jurídica distinta. Uma
delas começa a ter dívidas. E percebendo que terá falência decretada, começa
a desviar bens para as outras pessoas jurídicas do mesmo grupo (começa a ter
participação societária). Quando isso ocorre, o STJ diz que os efeitos da
falência se estenderão para as outras empresas que participam daquele grupo
econômico.

9.4 – Efeitos da sentença declaratória em relação aos credores


a) Somente pode falar em constituição da massa falida depois de uma
sentença declaratória.
Massa falida é a reunião de bens e credores do falido. Por isso que parte
da doutrina fala em massa falida objetiva (bens do falido) e massa falida
subjetiva (credores do falido).
b) Vencimento antecipado de toda a dívida do falido. Existe um princípio na
falência que se chama princípio do par conditio creditorum: nós temos que ter
na falência uma paridade de condições entre os credores. Os credores tem que
ter tratamento paritário, igual. Ou seja, tem que procurar na falência condições
pra que todos os credores possam receber. Ex: a falência da empresa somente
foi decretada hoje (26/06/2013). Só que o meu titulo somente vence em junho
de 2014 (somente nessa data eu teria direito). Portanto o que o legislador faz
para que os credores sejam tratados iguais: antecipa o vencimento da minha
divida.
c) Suspensão do curso da prescrição das obrigações do falido.
d) Suspensão da fluência de juros (art. 124). Isso busca evitar que uns
recebam e outros não. Ex: Joaquim possui credito trabalhista no valor de
146

10000. O banco Santander tem direito 25000. Se puder correr juros, a


depender dos juros, num prazo de 5 anos, o credito do Joaquim seria quase o
dobro, então não vai conseguir pagar todos os credores.
e) Suspensão de todas as ações/execuções envolvendo o devedor falido.
Ex: imagine que tem uma empresa que teve a sua falência decretada em
Maceió. Só que em Fortaleza tem uma ação de execução. uma ação de
cobrança em João Pessoa. E ação monitória em Natal. Se no processo de
falência haverá o pagamento de todos os credores, não somente daquele que
ajuizou a ação, não será na execução de fortaleza, de João Pessoa, etc que os
credores vão receber. O pagamento dos credores ocorrerão no juiz da falência.
O juiz da falência é o competente para conhecer e julgar as ações. Por isso
que o juízo da falência é universal: ele tem vis atrativa, ele atrai para si todas
as ações, execuções, cobranças envolvendo o falido (art. 76) – todavia existem
exceções.
Exceções ao juízo universal (ações não suspensas):
 Ação trabalhista (quem julga é juiz do trabalho).
 Ações fiscais (quem julga são as varas da fazenda pública). Art. 76
 Ações em que o falido for autor ou litisconsorte ativo (continua
tramitando na vara de origem).
 Ações que demandarem quantia ilíquida – continua tramitando na de
origem (art. 6º, §1º).
Cuidado: quando digo que ação trabalhista ou fiscal não será suspensa,
estamos falando da fase de conhecimento, pois quando partir para o momento
da execução, quando se tratar de pagamento haverá a suspensão.

9.5 – Efeito da sentença declaratória em relação aos contratos do falido


Art. 118, lei 11101: quando houver contrato, quem decide se continua ou
não o contrato (rescisão) é o administrador judicial.

10 – Arrecadação dos bens do falido


O juiz nomeia o administrador judicial na sentença declaratória de
falência. O administrador vai no fórum e assina termo de compromisso. O
próximo passo dele é providenciar a arrecadação de todos os bens que estão
na posse do falido.
147

Depois de nomeado, o administrador judicial deverá providenciar a


arrecadação de todos os bens que estão na posse do falido.
Nesse momento podem surgir algumas injustiças - ex: o juiz decreta a
falência de um restaurante. Esse restaurante tem, por exemplo, refrigerador da
coca-cola (a coca emprestou por comodato). A empresa de sache de café
emprestou a maquina de café para o restaurante. O administrador não tem a
obrigação se o bem é ou não do falido, ele arrecada tudo o que está na frente
dele. Deste modo, no exemplo dado, o administrador pode arrecadar o frízer, a
maquina de café. Assim, o proprietário do bem tem direito ao chamado pedido
de restituição (ação de rito ordinário previsto no art. 85, lei 11101. É uma ação
que corre junto com o processo de falência), ele não tem que entrar com
habilitação no processo de falência. Essa restituição pode ser de coisa ou pode
ser de dinheiro (o STF admitiu: súmula 417, STF). Se pede a restituição da
coisa, o juiz decretou a ação de restituição procedente ele manda restituir a
coisa em 48 horas (julgada procedente a coisa deverá ser restituída em 48h).
Agora se a coisa pereceu ou foi vendida, deverá restituir o dinheiro. Se a coisa
foi vendida vai restituir o valor da venda. Se a coisa pereceu restitui o valor da
avaliação. Mas a restituição em dinheiro pode se dar em outra situação: às
vezes o próprio bem arrecadado foi bem de terceiro (pizzaria descontou no
funcionário o INSS mas não pagou): esse dinheiro descontado é do INSS.
Assim, o procurador federal (AGU) tem que fazer pedido de restituição de
dinheiro. Se a restituição for em dinheiro ela se dará junto com o pagamento
dos demais credores.

11 – Ineficácia e revogação dos atos do falido


148

AULA 10
FALÊNCIA

11 – Ineficácia e revogação dos atos do falido


São medidas reintegrativas: medidas tomadas visando aumentar a
arrecadação.
Atos ineficazes: são atos estabelecidos no art. 129 da lei de falência. Os
atos ineficazes são chamados por Fabio Ulhoa de casos de ineficácia objetiva
– isso se dá porque se olharmos para a regra do art. 129 esse artigo determina
a ineficácia do ato sem a intenção do agente (se o devedor tinha ou não a
intenção de fraudar os credores, etc). não apura o animus do devedor. O
animus não é apurado nesse momento, por isso Fabio chama isso de ineficácia
objetiva – somente apura as situações.
A maioria envolve das situações do art. 129 envolve o termo legal (lapso
temporal definido pelo juiz na sentença declaratória – lapso temporal que não
pode retrair por mais de 90 dias).
Hipóteses de ineficácia (art. 129):
I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do
termo legal.
II – o pagamento de dívidas vencidas de outro modo não estabelecido no
contrato. Ex: eu - falida - realizo contrato de prestação de serviço com
prestadora de serviço. Eu percebo que vou falir, assim, ao invés de dar dinheiro
no final do contrato, eu dou um caminhão como forma de pagamento (o
pagamento, segundo o contrato era em dinheiro, mas eu antecipei e dei um
caminhão) – mudou a forma de pagamento, gerando, assim, a ineficácia, desde
que isso se dê dentro do termo legal.
III – instituição de direito real de garantia para obrigação contraída
anteriormente. Ex: eu fiz o contrato de fornecimento para fornecer adubo para
empresa de agroindústria. No meio do contrato (o contrato não tinha garantia
nenhuma), a indústria pede um aditivo contratual e pede para eu dar como
garantia um imóvel da empresa. Se essa garantia ocorrer dentro do termo
legal, também é um caso de ineficácia.
149

IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação


da falência. Ex: o juiz decretou a falência, eu tenho dois anos para traz. Se a
doação ocorreu nesse intervalo de tempo, é caso de ineficácia objetiva.

2 anos decretação da falência


Esses casos de ineficácia objetiva do art. 129, eles podem ser alegados
pelo credor da falência. Todavia, além do credor, pode o juiz decretar a
ineficácia ainda que o credor e MP não se manifestem sobre a ineficácia. O juiz
pode de ofício declarar a ineficácia objetiva (art. 129, p.u, lei de falência). Isso
se dá porque aqui não tem que haver produção de prova, pois não se apura a
intenção do devedor. Basta a realização de algum dos atos do art. 129 para ser
declarada a ineficácia objetiva.
Além dos atos ineficazes, temos ainda os atos revogáveis.
Os atos revogáveis são os atos do art. 130 da lei de falência. Fabio
Ulhoa chama esses casos de ineficácia subjetiva. A doutrina critica a redação,
pois essas hipóteses, são na verdade casos de ineficácia também. É ineficácia
subjetiva porque aqui tem que apurar a intenção, tem que constatar o animus
do devedor. Somente se ficar provada o animus fraudis do devedor é que se
terá a ineficácia subjetiva.
Prova do conluio fraudulento e do efetivo prejuízo da massa  provando
isso temos a ineficácia do ato. O art. 130 não enumera os casos como o art.
129, pois aqui pode ser qualquer situação, basta provar o conluio e efetivo
prejuízo da massa.
Na hipótese do art. 130, o juiz não pode declarar de ofício.
Ação revocatória – é a ação cabível para declarar a ineficácia. Para
Amador Paes de Almeida, Sergio Campinho, Ricardo Negrão e outros autores
a ação revocatória é utilizada tanto para as hipóteses do art. 129, quanto para
as do art. 130 (posição majoritária).
Todavia, Fabio Ulho diz que somente as hipóteses do art. 130 é que
cabe ação revocatória, visto que o art. 132, quando fala na ação revocatória,
somente se refere ao 130. Outrossim, o art. 129 diz que precisa de ação
própria, mas não diz o nome da ação. Assim, para Fabio Ulhoa, o nome da
ação do art. 129 é ação inominada de ineficácia.
150

Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá
ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo
Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da
falência.
Art. 129. Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício
pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou
incidentalmente no curso do processo.
Legitimidade ativa da ação revocatória: credor, administrador judicial e
MP. Antes da nova lei o MP não tinha possibilidade de ajuizamento da ação
revocatória, só que mesmo assim, o MP já ajuizava haja vista a constrição
jurisprudencial, vez que o MP agia como fiscal da lei (art. 132).
Prazo para ajuizamento da ação revocatória: até 3 anos contados da
decretação da falência.
Art. 136. Reconhecida a ineficácia ou julgada procedente a ação
revocatória, as partes retornarão ao estado anterior, e o contratante
de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao
devedor.
Ex: massa falida ao invés e pagar quem tinha divida vencida, pagou
divida que nem vencida estava  quem recebeu deve devolver o dinheiro para
a massa falida. Traz para a massa falida os bens que de forma fraudulenta
foram transferidos para terceiro.

12 – Verificação dos créditos


Finalidade da verificação: delimitar os créditos que irão compor o quadro
geral de credores.
Imagine que o juiz decrete a falência (sentença declaratória de falência).
Quando o juiz decreta a falência, ele ordena ao devedor, que esse devedor
apresente redação de credores no prazo de 5 dias (se o devedor não
apresentar ele incorre no crime de desobediência). Quando chega a relação de
credores, o juiz publica o edital. Nesse edital teremos a sentença declaratória e
a relação de credores. Publicado o edital, o credor olha para o edital e não
encontra o nome dele lá. O credor então faz a chamada habilitação de credito
(art. 7º, §1º, lei de falência). O prazo para habilitar crédito é de 15 dias
contados da publicação do edital. Com a nova lei de falência eu não habilito
mais perante o juiz, eu encaminho essa habilitação para o administrador
151

judicial, ele é que deve receber a habilitação (por isso muitos chamam de
habilitação de procedimento administrativo – por ser um procedimento
administrativo não precisa de advogado e não tem que recolher custas).
Passado o prazo de 15 dias, começa um novo prazo de 45 dias, para que o
administrador faça uma nova relação de credores (pega a relação original e
acrescenta àqueles que habilitaram seus respectivos créditos). Essa nova
relação de credores, se alguém não concordar com os credores que ali estão
ou com os créditos dos respectivos credores, pode apresentar impugnação (o
prazo é de 10 dias contados da publicação para apresentar essa impugnação).
Pode apresentar a impugnação: o devedor, credor e MP (art. 8º). Só que essa
impugnação é uma ação de rito ordinário que corre dentro do processo de
falência (em que pese isso ela é uma ação). Essa ação de impugnação pode
inclusive chegar até o STF. Só depois do transito em julgado da ultima ação de
impugnação, o administrador vai então fazer um quadro geral de credores. Aí
então o administrador pega esse quadro e leva para homologação do juiz. O
administrador só pode fazer o quadro geral depois do transito em julgado da
ultima ação de impugnação. Se não houver impugnação alguma, nesse caso,
passado o prazo de 10 dias (prazo da impugnação), a relação apresentada
passa a ser o quadro geral de credores.
Quando se perde o prazo de habilitação, tem-se a habilitação
retardatária. A habilitação retardatária ela é aquela habilitação ocorrida fora do
prazo de 15 dias.
Habilitação  nova relação  quadro geral de credores 
homologação
A habilitação retardatária ocorrida após o prazo de 15 dias e antes da
homologação, ela será considera como impugnação e processada na forma
dos artigos 13 a 15 (será ação do rito ordinário) ou seja, vai precisar de
advogado (precisa de capacidade postulatória), ela será encaminhada para o
juiz, e pagamento de custas. Assim, a habilitação retardatária não é
encaminhada para o administrador, mas sim para o juiz. Se habilitar depois da
homologação, ela vira ação de retificação (é o mesmo efeito da ação
rescisória).
152

§ 5o As habilitações de crédito retardatárias, se apresentadas antes


da homologação do quadro-geral de credores, serão recebidas como
impugnação e processadas na forma dos arts. 13 a 15 desta Lei.
§ 6o Após a homologação do quadro-geral de credores, aqueles que
não habilitaram seu crédito poderão, observado, no que couber, o
procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil,
requerer ao juízo da falência ou da recuperação judicial a retificação
do quadro-geral para inclusão do respectivo crédito.

13 – Ordem de classificação dos créditos


Art. 150: trata das despesas com a administração da falência.
Art. 151:

Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial


vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até
o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos
tão logo haja disponibilidade em caixa.
 Esses são os primeiros créditos que devem ser pagos na ordem de
classificação.
 Depois serão feitas as restituições em dinheiro (art. 149).
 Posteriormente vem os créditos do art. 84 (créditos extraconcursais).
Primeiro paga os créditos do art. 84, para depois pagar os créditos do art. 83.
São créditos extraconcursais (art.84):
- Remuneração do administrador judicial e crédito trabalhista decorrente de
serviço prestado após a decretação da falência. Cuidado: a remuneração do
administrador não está equiparada ao credito trabalhista, a remuneração do
administrador passa na frente do credito trabalhista. Ou seja, não se aplica
mais a sumula 219, STJ.
- Crédito tributário cujo fato gerador ocorreu após a decretação da falência.
O crédito extraconcursal está fora do concurso de credores. Neste caso
a divida não é do falido, é da massa falida. A divida da massa falida é
extraconcursal, a divida do falido é concursal.
 Art. 83 (créditos concursais – aqueles que estão dentro do concurso de
credores):
a. Crédito trabalhista até 150 salários mínimos por credor e acidente de
trabalho. A limitação é de 150 para credito trabalhista, acidente de trabalho não
153

tem limitação. Imagine uma relação trabalhista de 195 salários mínimos. A lei
diz que o que exceder a 150 sm, será considerado crédito quirografário.
Cessão do credito trabalhista é admitida. Ex: a pessoa por exemplo tem
direito a 20 sm para receber. Chegava uma pessoa compra esses credito de 20
pelo valor de 5 sm à vista.
Em que pese ser admitido a cessão do credito trabalhista, os créditos
trabalhistas cedidos a terceiro serão considerados quirografários.
b. Crédito com garantia real até o limite do valor do bem gravado. Imagine
que a sociedade falida fez empréstimo no banco no valor de 280 mil reais. A
sociedade da em hipoteca imóvel avaliado em 250 mil. Nesse caso o banco
pode habilitar o credito de 280 mil, só que nesta ordem de privilegio ele recebe
os 250 mil, os outros 30 mil ele vai receber como credito quirografário.
c. Crédito tributário, excetuadas as multas tributárias.
d. Crédito com privilégio especial (art. 964, CC).
e. Crédito com privilégio geral (art. 965, CC).
f. Crédito quirografário.
g. Multas. Súmula 565, STF: essa sumula foi criada antes da lei de falência
e a lei anterior não previa o pagamento de multa. Hoje há previsão expressa na
lei da possibilidade de aplicação como pagamento de multa. Inclusive é aqui
que vai se dar a multa tributária. Hoje não se aplica mais a sumula 565 para
processo falimentar.
h. Créditos subordinados: o pagamento deles está subordinado ao
pagamento de todos os demais. Subordinado: é o crédito do sócio não
decorrente de vinculo empregatício. Ex: crédito emprestado pelo sócio à
empresa. Se o sócio está empregado (administrador, presidente, etc) ele vai
receber como credor trabalhista.

14 – Realização do ativo
Realização do ativo é a venda judicial dos bens.
a. Formas de realização do ativo:
Os bens podem ser vendidos por:
- Leilão;
- Proposta fechada
- Pregão: modalidade hibrida de leilão + proposta.
154

Não importa a forma escolhida, todas as hipóteses precisa de intimação


pessoal do MP (art. 142, §7º). Se o MP não for intimado pessoalmente haverá
nulidade da alienação.

b. Ordem (art. 140):


Primeiro tenta alienar a empresa como um todo, se não for possível
tenta alienar as filiais, se não for possível aliena os blocos, etc.
Primeiro sempre tenta vender o todo.
Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes
formas, observada a seguinte ordem de preferência:
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em
bloco;
II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades
produtivas isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos
estabelecimentos do devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.
c. Art. 141, II:
O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes
de trabalho.
Isso se dá para evitar o fracasso da falência, visto que se assim não
fosse, não haveria investidores.

15 – Encerramento da falência
Depois de realizado todo o ativo de distribuído o produto entre os
credores, o administrador deverá prestar contas no prazo de 30 dias.
Quando o juiz recebe as contas, ele publica um comunicado, dizendo
que as contas estão prestadas (quem quiser olhar pode olhar). Aí qualquer
interessado pode impugnar essas contas no prazo de 10 dias.
Encerrado o prazo de 10 dias, o juiz abre vista do processo par ao MP
se manifestar sobre essas contas. Com isso, o MP vai dizer se é favorável ou
não. Assim, o juiz vai proferir uma sentença de encerramento (encerra o
155

processo de falência). Não precisa ter o pagamento de todos os credores, o


que tem que fazer é vender os bens e pagar aqueles que der.
16 – Reabilitação
Um dos efeitos da sentença declaratória é dar a inabilitação do empresário
(não pode mais exercer a sua atividade empresarial). E a sua possibilidade de
reabilitação ocorre nesse momento.
Aqui haverá a sentença da extinção das obrigações do falido. Essa
sentença é reivindicada pelo falido, ele pede que o juiz de outra sentença na
falência que é a sentença de extinção das obrigações. A sentença da extinção
deverá observar as hipóteses do art. 158 da LF:
a. Pagamento de todos os créditos.
b. Pagamento de mais de 50% dos créditos quirografários.
c. Decurso do prazo de 5 anos contados da sentença de encerramento.
Esse prazo é aplicado para o falido que não foi condenado por crime
falimentar.
d. Decurso do prazo de 10 anos contados do encerramento da falência.
Esse prazo é aplicado para o falido que foi condenado a crime falimentar.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
1 – Cenário
Antes da recuperação judicial tínhamos a concordata. Agora temos a
recuperação judicial.
Concordata Recuperação judicial
Decreto lei 7661/45 Lei 11101/05
Somente envolvia crédito São vários créditos que entram na
quirografário. Se o problema do recuperação judicial (ex: crédito
empresário era o pagamento de trabalhista, crédito com garantia real,
outros créditos, ele não podia pedir a etc).
concordata. Ex: o credito com direito
real em garantia não podia ser pago
na concordata.
Na concordata o credor não O credor participa. Se o credor não
participava: o devedor apresentava aprovar o plano apresentado pelo
156

pedido de recuperação, o juiz devedor isso pode gerar falência.


analisava os requisitos e deferia a
concordata ou não, sem consultar o
credor.
Analisava apenas se os requisitos Precisa do preenchimento dos
eram preenchidos. requisitos e aprovação dos credores.
Somente tinha o parcelamento de Possui vários meios de recuperação
dívida. Se quisesse qualquer outro da crise. Ex: possibilidade de fusão,
meio para superar a crise não tinha venda de bens, alteração do controle
como. societário, etc.

2 – Finalidade (art. 47)


Busca a recuperação judicial com o objetivo da preservação da
empresa. Recuperação judicial: medida judicial adotada pela lei que permite ao
devedor superar o momento de dificuldade econômico-financeira que vem
sofrendo, através da preservação da empresa.
Com a preservação da empresa tem-se a manutenção de empregos,
manutenção da fonte produtora e manutenção do desenvolvimento da atividade
na região.

3 – Requisitos
Os requisitos para se pedir uma recuperação judicial estão no art. 48 da
LF:
a. Somente o devedor (empresário, sociedade empresária ou EIRELI) pode
pedir a recuperação judicial. Credor não pede a recuperação judicial de
ninguém, credor pede a falência se ele quiser.
Atenção: Somente é possível a recuperação judicial para quem está em
atividade regular a mais de 2 anos.
Atividade regular = Devidamente registrado na junta comercial. Ou seja,
quem não tem registro não tem recuperação judicial. Assim, sociedade em
comum não pode pedir recuperação judicial.
b. Não ser falido e se o foi, suas obrigações declaradas extintas por
sentença*. Aquele que está falido não pode pedir recuperação judicial.
*Hipótese de reabilitação: falido reabilitado para exercer atividade empresarial.
157

c. Não ter sido condenado a crime falimentar. Antes da lei 11101 crimes
como furto, estelionato, etc, não permitiam a concordata. Hoje somente o crime
falimentar que não permite a recuperação judicial.
d. Não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
# Quem já teve recuperação judicial uma vez pode pedir novamente?
Sim, desde que não tenha, há menos de 5 (cinco) anos, obtido
concessão de recuperação judicial (art. 48, II, LF). Conta-se o prazo de 5 anos
a partir da concessão.
e. Não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de recuperação
judicial especial (para micro empresa e empresa de pequeno porte). De acordo
com a CF a micro empresa e empresa de pequeno porte tem que ter
tratamento diferenciado, tem que ter um tratamento preferencial. Assim, visto
que essa regra é prejudicial à essas pessoas, segundo a doutrina essa regra é
inconstitucional (art. 48, III).
4 – Créditos sujeitos aos efeitos da recuperação judicial
Não é todo credito que é admitido em recuperação judicial.
São todos os créditos, vencidos ou vincendos, existentes na data do
pedido.
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos
existentes na data do pedido, ainda que não vencidos.
Em que pese a redação do art. 49, existem alguns créditos excluídos
(créditos que não podem fazer parte do plano de recuperação judicial):
 Créditos posteriores ao pedido.
 Crédito tributário. Isto não tem previsão expressa, é uma consequência
do art. 6º, §7º c/c art. 57, da LF.
 Crédito do art. 49, §3º, LF.
Os créditos do art. 49, §3º são os créditos decorrentes de:
- Arrendamento mercantil (contrato de leasing)
- Alienação fiduciária
- Compra e venda com reserva de domínio
- Compra e venda de imóvel com clausula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade.
 Adiantamento de contrato de câmbio (ACC).
158

Conclusão (fazem parte do plano de recuperação judicial):


 Crédito trabalhista* e de acidente de trabalho.
*Não entra aqui a limitação de ser 150 salários mínimos.

 Credito com garantia real.


 Crédito com privilégio especial.
 Crédito com privilegio geral.
 Créditos quirografários.
 Crédito subordinados.
5 – Processamento
Petição inicial (1)

Despacho de
processamento (2)

Publicação de edital (3)

Apresentação do plano Habilitação de crédito


(4) (5)

O juiz publica
comunicado dizendo Nova relação de
que o plano foi credores (6)
apresentado

5.1 – Petição inicial


A petição inicial tem que necessariamente observar os ditames do art.
51:
 Tem que dizer que está em crise.
 Fazer a exposição das causas concretas da crise (porque está
enfrentando a crise. Ex: crise mundial; pirataria, etc).
 Apresentar demonstrativos contábeis dos últimos 3 exercícios sociais
(provar a crise).
 Apresentar relação de credores.
Não existe plano neste momento.
O juiz ao receber a petição inicial ele tem que verificar se a pet atende
ou não aos requisitos do art. 51. Se essa petição inicial atender aos requisitos
do art. 51, o juiz vai proferir um despacho de processamento.

5.2 – Despacho de processamento


O juiz está autorizando o processamento da recuperação judicial.
159

Art. 52: é nesse momento que o juiz vai nomear o administrador judicial.
Aqui o administrador é nomeado por um despacho, ao contrario da falência.
É no despacho de processamento que o juiz ordena, também, a
suspensão de todas as ações/execuções contra o devedor. Essa suspensão é
improrrogável (art. 6º, §4º, LF). O prazo é improrrogável e é de 180 dias
contados do deferimento.
§ 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste
artigo em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180
(cento e oitenta) dias contado do deferimento do processamento da
recuperação, restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito
dos credores de iniciar ou continuar suas ações e execuções,
independentemente de pronunciamento judicial.
Apesar de a lei falar que o prazo é improrrogável, a jurisprudência vem
admitindo a prorrogação de forma excepcional (enunciado 42 da primeira
jornada de direito comercial):
42. O prazo de suspensão previsto no art. 6º, § 4º, da Lei n.
11.101/2005 pode excepcionalmente ser prorrogado, se o
retardamento do feito não puder ser imputado ao devedor.
O art. 6º, §7º diz que as ações fiscais não são suspensas. Elas não
admitem a suspensão porque como o credito tributário não entra na
recuperação judicial, assim, se suspender a execução fiscal tira da fazenda a
possibilidade de receber o seu crédito (ela não vai receber na recuperação).
# E a divida trabalhista?
A ação trabalhista tem a fase de conhecimento e a fase de execução. A
doutrina diz que na fase de conhecimento não há suspensão. A suspensão
prevista no art. 6º, §4º somente a ação trabalhista somente quando ela tiver na
fase de execução. O pagamento de credito trabalhista está previsto no plano
de recuperação judicial.

5.3 – Publicação de edital


No edital teremos o despacho de processamento e a relação de credores. O
juiz manda a publicar a relação de credores (os credores que estavam na
petição inicial).

5.4 – Apresentação do plano


160

O prazo de apresentação do plano é improrrogável e será de 60 dias,


contados da publicação da decisão que deferiu o processamento, sob pena de
convolação em falência (se perder o prazo o juiz pode converter a recuperação
em falência). Publicado o despacho temos 60 dias improrrogáveis para poder
apresentar o plano de recuperação judicial.
Temos que apresentar ainda no plano meios de superação da crise.
O art. 50 da lei traz meios. O art. 50 traz um rol exemplificativo, ou seja,
em outras situações pode-se criar um outro meio que não seja aqueles
previstos no art. 50.
O devedor pode fazer o plano que quiser, se o credor vai concordar com
isso é outra história.
Apesar dessa liberdade, o legislador criou uma limitação (art.54): o
credito trabalhista parcelado, ele só pode ser parcelado em 12 vezes. Essa é a
única limitação estabelecida ao plano de recuperação judicial.
Art. 54. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo
superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho
vencidos até a data do pedido de recuperação judicial.
5.5 – Habilitação de crédito
Se o credor não encontra seu nome no edital ele pode fazer a habilitação de
crédito. A habilitação de crédito não tem limite de valor.
O credor tem que habilitar no prazo de 15 dias contados da publicação
do edital (art. 7º, §1º).
A habilitação tem que ser encaminhada para o administrador judicial
(trata-se de medida administrativa). A habilitação, por ser medida
administrativa, não precisa de advogado e nem de recolhimento de custas.
Encerrado o prazo de 15 dias para habilitação, começa a contagem de
novo prazo (45 dias) para que o administrador faça uma nova relação de
credores.

5.6 – Nova relação


Nova relação= relação anterior + os novos credores que habilitaram os
seus respectivos créditos.
161

5.7 – Objeção
Objeção é o instrumento processual utilizado pelo credor para rejeitar o
plano de recuperação judicial. O art. 55 diz que o prazo é de 30 dias contados
da publicação da nova relação de credores, relação está que encontraremos no
art. 7º, §2º.
Imagine que tenha passado 30 dais e ninguém apresentou objeção. Isso
significa que o plano está aprovado. Agora se no prazo de 30 dias teve
objeção, o art. 56 diz que nesse caso o juiz vai ter que convocar uma
assembleia geral de credores. A assembleia geral de credores pode aprovar ou
reprovar o plano de recuperação judicial. Se a assembleia aprovar o plano,
ótimo. Agora se ela reprovar o plano vai ter que aplicar a regra do art. 56, §4º e
o juiz vai ter que fazer a convolação em falência, ou seja, o juiz vai transformar
a recuperação judicial em uma falência.
A assembleia geral de credores é composta por 3 classes:
- Classe 1: formada pelo credor trabalhista e de acidente de trabalho.
- Classe 2: credores com garantia real.
- Classe 3: demais credores.
No tocante à classe trabalhista o quórum de aprovação é a maioria dos
presentes (é o chamado voto por cabeça). Ex: tem 25 presentes, se 15 votou
sim e 10 não , então essa classe aprovou o plano (art. 45).
O quórum da classe 2 e 3 é o mesmo: maioria dos presentes (voto por
cabeça) e maioria dos créditos presentes. É um quórum duplo.
Para que a assembleia aprove o plano, segundo o art. 45, todas as
classes (1, 2 e 3) devem aprovar o plano de recuperação judicial.

6 – Aprovação do plano de recuperação


Situações em que pode haver a aprovação do plano:
 Não ter objeção
 Ter objeção, mas aprovação na assembleia geral de credores.
Se o plano for aprovado pelos credores o juiz terá que dar uma decisão
concessiva. Para o juiz dar uma decisão concessiva era preciso observar a
regra do art. 57, que estabelecia que o juiz só poderia dar uma decisão
concessiva se o devedor apresentasse nesse momento uma certidão negativa
de débitos tributários. Só que isso era ilógico! A pessoa quando está falindo a
162

primeira coisa que ela deixa de pagar são os impostos! Essa questão foi parar
no STJ e em junho de 2013 o STJ entendeu que não há necessidade de
apresentação da certidão negativa para que o juiz aprove o plano, o STJ
dispensou essa certidão para aprovação do plano de recuperação em razão do
princípio da preservação da empresa. Isso não significa que o fisco ficará sem
receber, ele irá receber só que ele vai ter que acionar o meio adequado para
isso: entrar com ação de execução fiscal (as ações fiscais não são suspensas).
De acordo com o art. 59 da lei a decisão concessiva ela provoca a
novação (extinção da divida anterior, criando uma nova dívida).
O art. 59, §1º diz que essa decisão concessiva implica em título
executivo judicial.
O artigo 59, §2º diz que dessa decisão que concede recuperação judicial
cabe agravo de instrumento que poderá ser interposto por qualquer credor e
pelo representante do MP.

7 – Convolação em falência
Se o plano não for aprovado ele deve ser convertido em falência
(convolação em falência).
Quando haverá convolação em falência?
São 4 hipóteses:
1ª. Inobservância do prazo de apresentação do plano. Se o devedor perdeu
o prazo de apresentação do plano do art. 53 que é de 60 dias o juiz deve
converter a recuperação judicial em falência.
2ª. Plano com objeção e posterior reprovação na assembleia.
3ª. Descumprimento de obrigação assumida no plano.
4ª. A assembleia geral de credores dentro do processo de recuperação
judicial se ela verificar que o devedor não reunirá condições de honrar com os
seus compromissos ou que a recuperação está trazendo prejuízo muito grande
para os credores, essa assembleia geral pode se reunir e deliberar pela
convolação em falência.
Com isso o juiz dará a sentença declaratória de falência.
163

RECUPERAÇÃO JUDICIAL COM BASE EM PLANO ESPECIAL


(RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL)
A recuperação judicial especial é quase igual à recuperação judicial
comum, restando apenas algumas diferenças:
a. De acordo com o art. 70 da lei somente microempresa e empresas de
pequeno porte podem pedir a recuperação judicial com base em plano
especial.
b. A recuperação judicial especial é facultativa, ou seja, a ME e EPP não
estão obrigadas a pedir a recuperação judicial especial, elas possuem mais
essa opção – elas pode pedir a recuperação judicial comum ou a com base em
plano especial.
c. A recuperação judicial especial só envolve o crédito quirografário.
O procedimento é o mesmo da recuperação judicial comum:
d. Na recuperação judicial especial o plano está pré-pronto, já está definido
na lei como vai ser ele (art. 71, II): aqui o plano será o parcelamento em até 36
parcelas mensais iguais e sucessivas com juros de 1% ao mês e 12% ao ano.
Se a empresa quiser pagar de outra forma terá que adotar a recuperação
judicial comum.
O procedimento é o mesmo da recuperação judicial comum, a diferença
está no plano que já está pré-definido na lei.
e. Na recuperação judicial especial pode haver objeção, só que aqui não
tem assembleia geral de credores (estamos falando de empresas de pequeno
porte). Então mesmo tendo objeção o juiz aprova o plano. Contudo, se mais da
metade dos créditos quirografários apresentarem objeção, aí nesse caso, como
não tem assembleia, o juiz vai ter que decretar a falência (art. 72).

RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
1 – Conceito
Recuperação extrajudicial nada mais é do que um acordo privado feito
entre o devedor e seus credores de forma extrajudicial.
A vantagem de entrar com recuperação extrajudicial é que na
recuperação judicial se o credor aprova o plano tá beleza, mas se o credor
reprova o plano resultará na falência. Já na recuperação extrajudicial, como
164

não é procedimento judicial, se o credor não aprovar o plano não vai acontecer
nada, não acarretará na falência.

2 – Requisitos
Os requisitos da recuperação extrajudicial, a principio, são os mesmos
da recuperação judicial comum que estão previstos no art. 48. Só que existem
mais alguns, que são os requisitos do art. 161.
Conclusão: para apresentar o plano de recuperação extrajudicial precisa
dos requisitos do art. 48. Contudo, para ter a homologação do plano tem que
ter o requisito adicional, que está previstos no art. 161, §3º:
Se estiver pendente recuperação judicial não pode ter o plano na
recuperação extrajudicial homologado. E se tiver recuperação judicial ou
homologação de plano extrajudicial há menos de 2 anos também não pode ter
o plano na recuperação extrajudicial homologado.

3 – Créditos sujeitos à recuperação extrajudicial


Recuperação judicial comum pode ter os seguintes créditos:
 Trabalhista/acidente de trabalho
 Garantia real
 Privilegio especial
 Privilegio geral
 Quirografários
 Subordinados
Estão excluídos da recuperação judicial comum o crédito tributário,
adiantamento de contrato de cambio e os créditos do art. 49, §3º.
Recuperação extrajudicial (art. 161, §1º) pode ter os seguintes créditos:
 Garantia real
 Privilegio especial
 Privilegio geral
 Quirografários
 Subordinados
165

Estão excluídos da recuperação extrajudicial o crédito tributário,


adiantamento de contrato de cambio, os créditos do art. 49, §3º e o trabalhista
e de acidente do trabalho (evita-se com isso fraude).

5 – Homologação do juiz
O devedor pode fazer o plano diretamente com os credores, no entanto
ele tem a possibilidade também, se assim ele quiser, a pedir a homologação do
juiz.
Vantagens da homologação:
1. Oficialidade maior para a negociação, tornando-o título executivo judicial.
2. Art. 161, §5º: evitar que credores desistam do plano. Os credores não
poderão desistir da adesão ao plano, salvo com a anuência expressa dos
demais signatários.
A homologação não torna a recuperação extrajudicial em judicial, ela
continua sendo procedimento extrajudicial, mas o juiz simplesmente verificou
os requisitos e concedeu a homologação do plano.
3. Obrigar o cumprimento do plano por alguns credores.
O artigo 163 estipula que o devedor poderá, também, requerer a
homologação de plano de recuperação extrajudicial que obriga a todos os
credores por ele abrangidos, desde que assinado por credores que
representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie
por ele abrangidos.
Situação: tem um plano e lá está pagamento de crédito com garantia
real, pagamento do privilegio especial e os quirografários. Todos os credores
aprovaram por unanimidade o plano no que tange ao crédito com privilegio
especial e quirografários, já quanto ao com garantia real os bancos Bradesco,
Itaú, Santander e HCBC concordaram, já o Banco do Brasil não concordou.
Imagine que o crédito dos que concordaram deu mais de 3/5 do crédito então
se o devedor não pedir a homologação do plano ele não pode fazer esse plano
prevalecer porque um credor reprovou, mas se ele pede a homologação a
homologação vai ter a função de obrigar o banco do Brasil a cumprir o plano
que foi estabelecido e já aprovado por mais de 3/5 dos créditos da categoria
dele.
166
167

Goiânia, 30 de Janeiro de 2014.

AULA ONLINE 01
PROTESTO DE TÍTULO E OUTROS DOCUMENTOS DE DÍVIDA
Protesto está previsto numa lei especifica: lei 9492/97 (protesto
extrajudicial).

1 – Conceito
Art. 1º, lei 9492:
Art. 1º Protesto é o ato formal* e solene** pelo qual se prova a
inadimplência e o descumprimento de obrigação*** originada em
títulos (de crédito) e outros documentos de dívida****.
*É ato formal porque tem que observar todas as formalidade previstas na
lei de protesto. Se vai ter intimação, se vai ter pagamento ou não, prazo, etc.
**É um ato solene porque somente o tabelião de protesto é que tem
competência para fazer protesto de cheque, nota promissória, etc. O banco não
tem competência para fazer protesto.
***Ex: não dar o aceito do título, a não entrega da mercadoria.
****Não é só o cheque, a duplicata que podem ser protestados, um
contrato, um contrato de arrendamento mercantil, um contrato de alienação
fiduciária, contrato de locação, sentença condenatória que transitou em julgado
na justiça do trabalho também pode ser objeto de protesto.
Cuidado: Tanto o documento de divida e título de crédito para serem
protestados precisam de certeza, exigibilidade e liquidez.
Protesto é um ato formal e solene, que comprova a inadimplência ou
descumprimento de obrigação que pode ocorrer em um título de crédito ou
outro documento de dívida.

2 – Finalidades do protesto
a. A primeira finalidade é de constrangimento legal do devedor (busca por
meio do protesto forçar o devedor ao pagamento do título).
Atenção ninguém é protestado, o que é protestado é um título. Ex: Fulano não
é protestado, protestado é o título do qual o Fulano é devedor.
b. Assegurar direito de regresso e execução contra codevedores do título.
168

c. É um caso de interrupção do prazo prescricional. Súmula 153, STF –


essa súmula não se aplica mais desde 2003, pois com a vigência do CC/2002,
ele passou a tratar do assunto (art. 202, III, CC).
d. Termo inicial da incidência de juros (Art. 40 da lei 9492/97). Muitas vezes
no título não consta a partir de que momento vai ser a contagem dos juros, ou
porque não está na lei ou porque não consta no próprio titulo (no caso da nota
promissória e letra de cambio está na lei que o juros começa a contar da data
de vencimento do título) então nesses casos o termo inicial para contagem de
juros se dá com o protesto.

3 – Competência funcional e territorial


Art. 3º, lei 9492: competência privativa do tabelião de protestos (é o
único que tem competência funcional para o protesto extrajudicial).
No que tange à competência territorial, a regra geral é o lugar do
pagamento do título de crédito. Ex: sentença condenatória em reclamação
trabalhista transitou em julgado em Franca, então é em Franca que é o lugar de
pagamento, então é em Franca que deve ser feito o protesto.
Quando o lugar de pagamento é omisso, a competência territorial será o
domicílio do devedor (o protesto deve ser feito no domicilio do devedor). Isso é
o que acontece com letra de cambio, nota promissória e duplicata. Mas não é o
que acontece com o cheque, pois o cheque tem regra especifica, o artigo 6º da
lei 9492 diz que o cheque pode ser protestado no lugar de pagamento ou
domicílio do emitente, vai ficar a critério de quem está apresentado o titulo para
pagamento. e quem tem que prestar a declaração de domicilio do emitente é o
apresentante, não é o tabelião que vai investigar onde o emitente mora, quem
tem que apresentar esse endereço é aquele que pede o protesto
(apresentante). Por isso que quando o cheque é devolvido por insuficiência de
fundos o Banco não pode recusar de dar o endereço atualizado do emitente
(norma do Banco Central).

4 – Natureza jurídica
O protesto tem natureza (força) probatória e é pressuposto processual.
O protesto comprova a inadimplência, ele prova o descumprimento de
169

obrigação e ao mesmo tempo ele é pressuposto processual, pois sem o


protesto não se pode executar codevedor de título.
 Protesto necessário: é aquele que tem natureza probatória e
pressuposto processual. Ex: se eu quiser executar o endossante de uma
duplicata, nota promissória, letra de cambio eu vou precisar do protesto, então
para mim esse protesto será necessário, pois eu preciso do protesto para
ajuizar a ação de regresso ou execução.
 Protesto facultativo: é aquele que só tem natureza probatória, ele não é
pressuposto processual. Ex: para executar o devedor principal de uma letra de
cambio, de uma nota promissória ou emitente do cheque eu não preciso do
protesto, o protesto é facultativo.

5 – Recepção e apontamento do título a protesto


Art. 9 da lei 9492
Se você tem um cheque, duplicata, letra de cambio e quer apresentar
esse titulo para protesto você vai lá no tabelionato de protesto competente no
âmbito territorial e faz um protocolo (protocoliza um pedido de protesto). O
tabelião não pode impedir o protocolo, mas todos os títulos e documentos
serão examinados (ele vai examinar se o titulo apresenta vício formal). Então
se o titulo não tem um dos requisitos (ex: assinatura do emitente, o cheque não
foi apresentado para pagamento no banco, etc) o tabelião não vai poder
protestar. O tabelião vai analisar o aspecto formal do titulo, só que em
momento algum compete ao tabelião analisar prescrição e decadência do titulo.
O tabelião não pode recusar protestar o titulo sob a alegação de prescrição ou
decadência.
Art. 9º Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão
examinados em seus caracteres formais e terão curso se não
apresentarem vícios, não cabendo ao Tabelião de Protesto investigar
a ocorrência de prescrição ou caducidade.
O tabelião não tem função jurisdicional, portanto ele não tem
competência para analisar a prescrição e decadência. O tabelião só analisa os
vícios formais do título. Então o tabelião não pode também analisar se o credor
tinha ou não direito (se o titulo já foi pago, se o devedor nunca emitiu o título,
170

etc). Com isso se o devedor se sentir injustiçado ele terá que entrar com
medida judicial: ação a declaratória, ação de sustação de protesto.

6 – Intimação
Feito protesto é necessário fazer a intimação do devedor do título. Essa
intimação terá que seguir a regra do art. 14 da lei 9492.
Art. 14. Protocolizado o título ou documento de dívida, o Tabelião de
Protesto expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido
pelo apresentante do título ou documento, considerando-se cumprida
quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço*.

*A lei diz que para a intimação de protesto não se exige a intimação


pessoal do devedor. Contudo existe um problema: artigo 94 da lei de falência.
A lei de falência exige para o pedido de falência o protesto do título e esse
protesto tem que ser feito no tabelionato de protesto. Só que quando o protesto
de falência é feito no tabelionato de protesto ele é chamado de protesto
especial para fim falimentar (ele tem outro nome, não é protesto cambial
apenas). Então quem recebe a intimação do protesto toma conhecimento de
que ele é protesto para fim falimentar. Significa que o próximo passo do credor
é ajuizar pedido de falência. Então vem a doutrina e diz que era necessário,
nesse casos, a intimação pessoal. Só que a jurisprudência entendeu que o
devedor iria fugir da intimação pessoal, então o STJ, na súmula 361 exigiu um
outro requisito:
A notificação do protesto, para requerimento de falência da empresa
devedora, exige a identificação da pessoa que a recebeu.

Então continua não sendo uma intimação pessoa, só que além de


entregar no endereço deve haver a identificação da pessoa que recebeu o
protesto.

7 – Prazo para pagamento, sustação ou desistência


Art. 12 da lei 9492:
Art. 12. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados
da protocolização* do título ou documento de dívida.
171

§ 1º Na contagem do prazo a que se refere o caput exclui-se o dia da


protocolização e inclui-se o do vencimento.
§ 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente
bancário para o público ou aquele em que este não obedecer ao
horário normal.
*Cuidado conta-se o prazo a partir da protocolização e não da intimação.
Pegadinha de concurso.
Exemplo: eu protocolizo na segunda-feira o pedido de protesto. O
terceiro dia útil vai dar na quinta-feira. Então a lei diz que depois de 3 dias, eu
já vou ter o protesto. Fechou o cartório (geralmente cartório fecha às 17h, mas
o tabelionato de protesto espera o fórum fechar que geralmente é às 19h) tem
tabelião de protesto que já faz imediatamente o protesto do título – faz depois
das 19 h outros fazem na primeira hora da sexta-feira (dia seguinte), pois pode
ser que chegue por fax uma ordem judicial de sustação do protesto.
O fato é que se a pessoa quiser pagar o título tem que ser até o
momento que se dá o protesto (3 dias). Se a pessoa pretende não ter o titulo
protestado ela vai ter que fazer o pagamento dentro desse prazo de 3 dias
úteis, que é chamado de tríduo legal.
Agora se a parte buscar a sustação é dentro desse prazo (3 dias úteis)
também que será feita a sustação. Se o credor pretende desistir do protesto
será nesse mesmo prazo também – não se pode desistir depois que o título foi
protestado.
Cuidado: art. 16 lei 9492:
Art. 16. Antes da lavratura do protesto, poderá o apresentante retirar
o título ou documento de dívida, pagos os emolumentos e demais
despesas.
Quem vai desistir é o apresentante, não o credor. Ex: Renato contrata
uma empresa de cobrança para fazer a cobrança e ela foi lá e apresentou o
titulo para protesto. O Renato, mesmo sendo credor (pois não foi ele que
apresentou o título para protesto), ele não pode ir lá e desistir do protesto, mas
a empresa, que foi a apresentante, pode. Então somente o apresentante tem
direito da desistência do protesto fora do prazo de 3 dias úteis.
No exemplo dado, se a pessoa é intimada na terça ou quarta ela tem
que pagar até quinta-feira. Agora, se eventualmente ele for intimado no ultimo
dia (quinta-feira), a lei dá uma colherzinha de chá (art. 13 da lei 9492).
172

Art. 13. Quando a intimação for efetivada excepcionalmente no último


dia do prazo ou além dele, por motivo de força maior, o protesto será
tirado no primeiro dia útil subsequente*.
*Única hipótese que admite prorrogação do protesto: intimação no ultimo
dia – dá um dia a mais (o devedor tem mais um dia para efetuar o pagamento,
mas isso somente ocorre quando a intimação se der no ultimo dia).

8 – Registro do protesto
Passado o prazo de 3 dias úteis terá o registro do protesto.
Ultrapassado o tríduo legal, se não teve pagamento, ordem judicial ou
desistência será registrado o protesto pelo tabelionato de protesto.
Só que antes do protesto cabe sustação do protesto. Depois que o
protesto foi registrado não cabe mais sustação, mas apenas cancelamento.
Então muitas vezes o juiz não pode julgar a sustação porque se ele julgar ele
julgará ultrapetita porque o devedor entrou com cautelar de sustação, colocou
no pedido sustação só que quando o juiz julgar já passou o prazo e o titulo já
está protestado, se o titulo está protestado ele já não pode mais dar ordem de
sustação. Então depois que o protesto foi registrado não cabe mais sustação,
só cabe cancelamento de protesto.
OBS: Quando tem uma ordem judicial de sustação de protesto, aquele
documento de divida sustado judicialmente, depois de sustado judicialmente o
título só pode ser pago ou retirado com ordem judicial. O título permanece no
tabelionato, ele não vai para o processo, só que depois de sustado somente
consegue pagar ou retirar com ordem judicial (art. 17 d alei 9492).

9 – Cancelamento
Depois que o protesto foi registrado, lavrado a pergunta que se faz é
como se pode fazer o cancelamento do protesto?
Depois que o protesto foi registrado ele pode ser cancelado, inclusive
por qualquer interessado (art. 26, lei 9492).
O cancelamento é feito por meio de averbação (art. 27, §2º, lei 9492) no
registro: faz uma averbação dizendo que houve o cancelamento. O
cancelamento pode ser feito de duas formas:
173

 Cancelamento administrativo: faz diretamente no tabelionato de protesto.


Esse cancelamento se dá com a apresentação do documento original no
tabelionato de protesto. Quando se apresenta o título para protesto ele
permanece no tabelionato durante o prazo de pagamento, se quiser pagar o
titulo o devedor tem que pagar lá no tabelionato, daí o tabelião dá um termo de
quitação e não ocorre o protesto do titulo. Mas depois que o protesto é lavrado
e registrado aí o tabelião devolve o título para o aceitante então o devedor deve
procurar o aceitante para pagar e ele dá o título de volta para o devedor, então
a apresentação do título pressupõe que se pagou o credor. Contudo, às vezes
o devedor vai no credor e ele perdeu o título, então segundo a lei de protesto
vai ter que apresentar uma declaração de anuência com firma reconhecida do
credor.
 Cancelamento judicial: busca-se a esfera judicial quando o
cancelamento não for com base no pagamento. Então quando o motivo for
qualquer outro, que não o pagamento, busca-se o cancelamento de forma
judicial.

10 – Prazo para protesto (pressuposto processual)


Se eu pretendo executar endossante, codevedor, se eu quero direito de
regresso eu tenho que fazer protesto dentro de um prazo. Protestar o titulo
para fins de pressuposto processual existe prazo:
- Se for letra de cambio ou nota promissória: prazo de 2 dias úteis contados do
vencimento (art. 44 do decreto 57663/66). A pessoa pode até pode protestar o
título fora do prazo se quiser interromper prazo prescricional, se que quiser o
constrangimento do devedor, mas a pessoa pretende protestar para ajuizar
execução deve fazer dentro desse prazo.
- Se for cheque: o protesto será feito dentro do prazo de apresentação, e se a
apresentação for feita no ultimo dia tem mais um dia útil contado dessa ultima
data para poder fazer o protesto (art. 48 da lei 7357/85).
- Se for duplicata: prazo de 30 dias contados do vencimento (art. 13 da lei
5474/68).
174
175

Goiânia, 30 de Janeiro de 2014.

AULA ONLINE 02
CHEQUE (cont.)
6 – Apresentação para pagamento
e. Prazo de apresentação do cheque para pagamento:
- 30 dias se o cheque é da mesma praça
- 60 dias se o cheque é de praça diferente
Esse prazo conta-se a partir da data de emissão.
A praça de pagamento do cheque é a agencia bancária em que se tem
conta corrente. Então, se Fulano tem sua agencia bancária em Campinas, se
ele apresentar ao pagamento o cheque em Campinas o prazo de apresentação
é de 30 dias, agora se o cheque foi emitido em Florianópolis e ele for
apresentado em Florianópolis então é praça diferente da agência pagadora que
no caso é Campinas então nesse caso o prazo vai ser de 60 dias.
E se eu levar o cheque para apresentação em prazo superior o Banco
paga?
O Banco paga tranquilamente dentro do prazo prescricional, o Banco
não analisa esse prazo para pagamento do cheque. Esses prazos possuem
outras finalidades.
f. Finalidades do prazo de apresentação:
- Dar início ao prazo prescricional do cheque (o prazo prescricional do cheque
conta-se a partir do encerramento do prazo de apresentação do cheque).
- Art. 47, II, da lei de cheque: só é possível a execução do endossante do
cheque se este for apresentado dentro do prazo legal. Não se pode executar o
endossante, mas o emitente do cheque apresentando ou não dentro do prazo é
possível a execução do emitente (súmula 600, STF).
Súmula nº 600
Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que
não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não
prescrita a ação cambiária.

g. Pagamento parcial: na prática isso não ocorre, mas cai em prova de


concurso. Ex: eu dou um cheque para Fulano no valor de dois mil reais, daí o
176

Fulano vai lá na minha agencia pagadora para descontar esse cheque.


Chegando lá o caixa fala que eu não tenho toda essa quantia na conta, que eu
só tenho 500 reais e dá para Fulano os 500 reais. Isso é o pagamento parcial
do cheque. Fulano pode recusar esse pagamento parcial (ou paga tudo ou
paga nada)?
Art. 38, parágrafo único, da lei 7357/85:
Parágrafo único. O portador não pode recusar pagamento parcial, e,
nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do
cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação.
Face o teor do artigo, Fulano não pode recusar o pagamento parcial.
Se dois ou mais cheques são apresentados simultaneamente para
pagamento
h. Regra do art. 40 da lei de cheques:
Art . 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados
os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados
simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o
pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e,
se da mesma data, os de número inferior*.
*Esse número é o número do cheque (cheque nº 0050; 0051, etc). O
cheque de número inferior deverá ser pago primeiro porque há uma presunção
de que ele foi emitido primeiro.
Caso:
Cheque de 2 mil reais emitido no dia 08/05/2012
Cheque de 7 mil reais emitido no dia 02/05/2012
No dia 12 os dois cheques foram apresentados para pagamento, só que
na conta só tinha 8 mil reais. O que aconteceu o Banco pagou o cheque de 2
mil e devolveu o de 7 mil. O Fulano perdeu o negócio por conta de o seu
cheque ter sido devolvido. Se isso acontecer essa devolução será indevida,
pois o cheque de 7 mil deveria ter sido pago, de acordo com a lei, isso vai gerar
alguma consequência? Sim, súmula 388, STJ: vai gerar dano moral.
A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

7 – Sustação de cheque
Existem duas modalidades de sustação:
c. Contra-ordem ou revogação (art. 35 da lei de cheques):
177

- Somente o emitente do cheque pode fazer a contra-ordem ou revogação.


- Somente produzirá efeito após o prazo de apresentação. Ou seja, durante o
prazo de 30 ou 60 dias o cheque vai ser pago normalmente. O cheque somente
terá sustação propriamente dita depois que encerrar esse prazo de
apresentação.
d. Oposição ou sustação (art. 36 da lei de cheques)
- Pode ser o emitente ou portador legitimando podem fazer a sustação
- Produzirá efeito mesmo durante o prazo de apresentação.
É a sustação mais comum: cheque roubado, desacordo comercial, etc.

8 – Execução do cheque
De acordo com o art. 585, I, CPC o cheque é titulo executivo
extrajudicial, portanto pode ser objeto de ação de execução.
Prazo prescricional do cheque para executar o:
 Emitente ou os avalistas do emitente: prazo de 6 meses, contados do
fim do prazo de apresentação (portanto é 30 dias + 6 meses ou 60 dias + 6
meses). Portanto pouco importa o dia que o cheque foi apresentado, o prazo
conta do fim desse prazo de apresentação.
 Endossante ou avalista do endossante: prazo de 6 meses, contados do
protesto. Problema: a lei diz que esse protesto poderá ser substituído por uma
declaração do banco sacado ou por declaração da câmara de compensação.
Essa declaração é aquele carimbo que vem no cheque dizendo que o cheque
voltou por falta de fundo. Então esse carimbo é suficiente (conta-se o prazo a
partir dessa declaração), essa declaração substitui o protesto.
Cuidado: no caso de conta conjunta o STJ já decidiu que quem deve figurar no
polo passivo na execução bem como o deve que deve constar no protesto do
cheque é aquele que emitiu o cheque. Ex: Alexandre e Daniele tem conta
conjunta. Só que Daniele emite um cheque sem fundo. Quem deve figurar no
polo passivo da execução e ter o nome constando nos termos do protesto é
quem assinou o cheque (se Alexandre for colocado no polo passivo é causa de
ilegitimidade passiva). Segundo o STJ só deve constar os dois nomes quando
ficar difícil identificar quem foi que assinou (assinatura dificil).
178

Segundo o STJ a competência territorial para a execução é o lugar de


pagamento do cheque, ou seja, na agência bancária. Portanto, se a agência
bancária de Fulano fica em Campinas a ação de execução deve ser ajuizada
em Campinas (praça de pagamento). Somente na omissão do lugar da agencia
no cheque é que será no domicílio do emitente.
Caso: o portador do cheque era um idoso. Daí esse idoso quis entrar
com a ação de execução no domicilio do credor, aplicando-se para o caso o
estatuto do idoso. O STJ disse que não, que a competência do cheque não era
atingida pelo o estatuto do idoso, e que portanto a execução deveria ser
ajuizada no lugar de pagamento.

9 – Cheque prescrito
Se o cheque está prescrito existem duas opções para cobrar o cheque
prescrito:
 Ação de locupletamento ilícito (art. 61 da lei de cheque). Essa ação é
como se fosse uma ação de cobrança do rito ordinário e o prazo para isso e de
2 anos contados do fim do prazo de prescrição.
 Só que essa regra é da lei de cheque que é de 1985. Só que em
momento posterior houve a inserção no ordenamento jurídica da ação
monitória. Assim, o STJ na sumula 299 orienta a cobrança de cheque prescrito
por via da ação monitória. O STJ que nesse caso aplica-se a regra do art. 206,
§5º, I, CC que estipula um prazo de 5 anos, que deve ser contado a partir da
data de emissão, pois para o STJ o cheque prescrito é instrumento particular
de divida, devendo o prazo ser de 5 anos e não de 3 anos.
O STJ entendeu que não precisa demonstrar a causa debendi na ação
monitória, ou seja, não precisa demonstrar a causa (negócio subjacente) que
deu origem à emissão do título. Resp 1199001/RS. Resp 1162207/RS.

10 – Prazos prescricionais dos títulos


Devedor Codevedor e Direito de
principal e avalista regresso
avalista
Letra de câmbio 03 anos contados 01 ano do Prazo de 06
179

e nota do vencimento. contado do meses contado


promissória protesto. do pagamento ou
de quando
demandado.
Duplicata 03 anos contados 01 ano do Prazo de 01 ano
do vencimento. contado do contado do
protesto. pagamento ou de
quando
demandado.
Cheque 6 meses contados 6 meses contados 6 meses do
do fim do prazo do protesto (a pagamento ou de
de apresentação declaração do quando
banco sacado ou demandado.
câmara de
compensação
substitui o
protesto)

AULA 01
TÍTULO DE CRÉDITO
Bibliografia
1 - Manual de direito comercial – Fábio Ulhoa Coelho
2 – Luiz Emygdio F. da Rosa Jr. – Título de Crédito. Ed renovar

1 – Legislação aplicável
- Nota promissória e Letra de câmbio  Decreto 57663/66 (Lei uniforme de
Genebra).
- Cheque  Lei 7357/85.
- Duplicata  Lei 5474/68.
180

A aplicação do Código Civil/2002 (arts. 887 e ss) aos títulos de crédito


existentes é uma aplicação subsidiária (art. 903, CC). Só aplica a lei civil
quando a lei especial não tratar do assunto.
A doutrina critica demais o capitulo dos títulos de crédito dentro do
CC/2002. As regras do CC são aplicadas para casos de título de crédito
inominado (criado pelas partes).

2 – Princípios cambiários
Título de crédito foi criado na idade média para substituir o dinheiro,
moeda – forma de circulação de riquezas sem que se tenha a posse do
dinheiro, posse da moeda (evitava que as pessoas ficassem andando com
dinheiro).
A ideia de titulo de credito é criar documento que substitua o
dinheiro/moeda e facilite a circulação de riquezas.
d) Princípio da cartularidade. A cartularidade vem do latim chartula que
significa pequeno papel. O princípio da cartularidade significa que o crédito
deve estar materializado em um documento (título). Para transferência do
crédito é necessário a transferência do documento (tradição). Não há que se
falar em exigibilidade do crédito sem a apresentação do documento.
Para a transferência do crédito é suficiente o endosso?
Não, o endosso deve estar acompanhado da tradição.
Para a cobrança de título de crédito ajuíza-se uma ação de execução
(art. 585, I, CPC – os títulos de crédito são títulos executivos extrajudiciais).
O título de credito original serve para instruir a ação – isso dá porque há
uma presunção de que credor é aquele que tem a posse do título (presunção
relativa).
A princípio não se admite execução com cópia autenticada de título de
crédito. É necessário o documento original.
O STJ só autorizou uma situação em que se admite a execução de título
de crédito com cópia: quando o cheque faz parte de uma ação penal ou
inquérito policial para se apurar a emissão de cheque sem fundo.
Súmula 299, STJ – o cheque prescrito é objeto de ação monitória. Para
se cobrar título de crédito prescrito ajuíza-se ação monitória.
STJ Súmula nº 299
181

É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito


A cartularidade está relacionada ao documento papel. Todavia, esse
princípio vem sofrendo uma mitigação. Não se pode analisar o princípio da
cartularidade como um princípio absoluto.
O princípio da cartularidade sofre mitigação com os documentos
eletrônicos. Ex: duplicata virtual – duplicata que não é emitida na forma de
papel, mas na forma eletrônica.
Art. 889, §3º, CC – admite a emissão do título de crédito eletrônico
(documento virtual).
Duplicata virtual: a empresa A (compradora) compra mercadorias da
empresa B (vendedora). Quando a empresa B vende ela tem direito ao crédito
e ela emite uma fatura decorrente dessa compra. Dessa fatura poderá ser
extraído um documento que se chama duplicata (chama duplicata porque ela
duplica os dados da fatura em um título de crédito). Só que ao invés da
empresa emitir a duplicata no papel ela emite na forma eletrônica. Só que as
duplicatas são emitidas com um prazo para o pagamento (30, 60, 90 dias).
Contudo as vezes o vendedor precisa do dinheiro na hora, daí ele repassa
essas duplicatas para o Banco o qual passa o dinheiro para o vendedor e, no
dia do vencimento, emite um boleto para o comprador. A duplicata papel não é
apresentada ao comprador, o que é apresentado é um boleto que constitui na
verdade em um aviso de cobrança. Algumas vezes o comprador não paga o
boleto. O banco então devolve a duplicata para o vendedor e recebe o seu
dinheiro de volta. O vendedor protesta o boleto (na verdade o banco não
protesta o boleto, ele protesta a duplicada virtual – as informações eletrônicas
que foram repassadas a ele). A lei autoriza o protesto por indicações (indica as
informações da duplicata. Lei 9492/97). O vendedor protesta e mesmo assim o
comprador não paga a dívida. Assim o vendedor entra com uma execução
instruindo a sua peça com o boleto, com o protesto e com o comprovante de
entrega da mercadoria.
No caso de duplicata virtual não é necessária a apresentação do
documento físico para a execução do crédito, para tanto, basta a apresentação
do boleto, do protesto por indicação e do comprovante de entrega da
mercadoria ou de prestação de serviço  mitigação ao princípio da
cartularidade.
182

Conforme o entendimento atual do STJ, as duplicatas virtuais podem ser


protestadas por mera indicação, de modo que a exibição do título é
prescindível para o ajuizamento da execução judicial. Destarte, os boletos
de cobrança bancária vinculados à duplicata virtual, devida-mente
acompanhados dos instrumentos de protesto por indicação e dos
comprovantes de en-trega da mercadoria ou da prestação dos servi-ços,
suprem a ausência física do título cambiário eletrônico e constituem, em
princípio, títulos executivos extrajudiciais (REsp n. 1.024.691/PR, DJe de
12/04/2011, Rel.ª Min.ª Nancy Andrighi).

e) Princípio da literalidade. Só tem validade para o direito cambiário aquilo


que está literalmente consignado no título. Só vale aquilo que está escrito no
título de crédito. Ex: o endosso e aval devem ser dados no título de crédito, se
o aval não for dado no título ele não tem validade para o direito cambiário (ex:
não se pode fazer um contrato de aval). A mesma coisa se dá, por exemplo, no
caso de quitação de nota promissória. A quitação deve se dar com a entrega
da nota ao devedor, se a quitação for dada sem a devolução do título e com um
simples documento em apartado (recibo) isso não tem validade para o direito
cambiário. Para o direito cambiário só vale aquilo que esta literalmente escrito
no título de crédito.
Vantagens da literalidade:
 Assegura certeza quanto à natureza, ao conteúdo e a modalidade de
prestação mencionada no título.
 Impede que meros ajustes verbais possam influir no exercício do direito
ali mencionado.
Atenção: o princípio da literalidade é absoluto.
Cuidado: A lei diz que se quiser constar alguma coisa, essa coisa deve ser
constada no título, não pode constar em documento separado. Todavia, não há
vedação legal quanto ao momento em que essa coisa deve ser constada no
título. Deste modo, o devedor pode simplesmente assinar o título de crédito
(título em branco ou incompleto) e depois o credor de boa-fé preenche o título
antes da cobrança ou do protesto. Súmula 387, STF:
Súmula nº 387
A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto.
183

f) Princípio da autonomia. O vício em uma das relações não compromete


as demais. Assim, o endosso, o aval e demais atos cambiários não atinge as
demais obrigações assumidas no título. O possuidor de boa-fé exercita um
direito próprio que não pode ser restringido ou excluído pelas relações
ocorridas entre os possuidores precedentes e o devedor.
A autonomia possui subprincípios. Apesar da doutrina chamar de subprincípios
alguns concursos vem chamando esses subprincípios de princípios. Esses
subprincípios são uma consequência da autonomia, por isso são subprincípios
e não princípios.
São subprincípios da autonomia:
 Inoponibilidade de exceções pessoais a terceiro de boa-fé. Este
subprincípio é o resultado da autonomia no aspecto processual. Ex: Rogério
vende para Renato um celular, o qual emite uma nota promissória como
pagamento do objeto, a qual tem vencimento para o dia 15/03/2013 e valor de
R$350 (a origem à emissão do título é a compra e venda do celular – causa
subjacente). Causa subjacente ou casa debendi é a causa que deu origem à
emissão do título de crédito. Renato chega em casa e verifica que o celular não
está funcionando. Renato pede a nota promissória de volta. O Rogério não
devolve a nota e executa o Renato. O Renato fala que não vai pagar porque o
celular veio com defeito (exceção pessoal). O Renato pode apresentar a
exceção contra o Rogério. Por outro lado, se o Rogerio endossar o título de
crédito para o Novelino, no dia do vencimento o Renato não pode apresentar
as suas exceções pessoais contra o Rogério em face do Novelino (as relações
são autônomas, não podendo ser apresentada exceção pessoal para terceiro
de boa-fé). O devedor só pode apresentar exceção pessoal contra o terceiro
de boa-fé somente se a exceção se referir a este. Ex: no exemplo dado o
Renato só pode apresentar exceção pessoal contra o Novelino se a exceção se
referir somente a este (não contra o Rogério).
O que diferencia os títulos de crédito dos demais títulos de créditos
executivos extrajudiciais é a limitação quanto às matérias que possam ser
apresentadas em embargos à execução.
 Abstração. No exemplo acima, quando o Rogério faz a transferência do
título crédito para o Novelino o título se desprende, se desvincula da causa
que deu origem ao título (compra e venda do celular) – o Rogério não transferiu
184

para o Novelino a compra e venda de celular, ele não transferiu os direitos


decorrentes da compra e venda, o que o Rogério transferiu foi somente um
título de crédito que representa tão somente o direito a um crédito. Esse
fenômeno da desvinculação se chama abstração. Com a abstração, após a
circulação do título, o título de crédito se desvincula do negócio jurídico que lhe
deu origem.
OBS: O que autoriza a execução é exclusivamente o título e não a obrigação
que o gerou. A execução está baseada no título e não a relação que lhe deu
origem.
Enquanto estiver em circulação só o título de crédito pode ser dado em
garantia ou ser objeto de medidas judiciais e não separadamente os direitos ou
mercadorias que ele represente.
Atenção: Só é possível falar em abstração depois da circulação do título de
crédito.
A abstração é a desvinculação do título de crédito com a relação
fundamental que lhe deu origem.
Súmula 233, 247 e 258, STJ.
Súmula 258:
A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não
goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.
Questão de prova: Quando quero um cheque especial, faço um contrato
de abertura de crédito junto ao Banco. Lá assino uma nota promissória em
branco, ou coloco o valor da nota promissória, por exemplo de R$ 20.000,00, o
que corresponde ao crédito. Se eu usar o limite do cheque, mas não pagar o
valor, o banco terá que agir conforme as súmulas do STJ e STF.
Súmula: 233
O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato
da conta-corrente, não é título executivo.
Súmula: 247
O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado
do demonstrativo de débito, constitui documento hábil para o
ajuizamento da ação monitória.
Súmula: 387 STF
A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser
completada pelo credor de boa-fé antes da cobrança ou do protesto
185

Posso discutir tal valor com o banco em sede de embargos, via exceção
pessoal. Se o banco transferir o título a um terceiro de boa fé, em homenagem
ao princípio da autonomia, tenho que pagar a dívida, pois nesse caso incabível
exceção pessoal. Então os bancos faziam troca de títulos entre si, e o STJ
editou tal súmula:
Súmula: 258
A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não
goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou.
Então nesse caso dos bancos, posso apresentar exceção pessoal a um
terceiro de boa fé, mormente quando o banco transfere a nota promissória a
outro banco. Nesse caso, não há falar em autonomia.
Segundo o STJ, o instrumento de confissão de dívida ou de
renegociação de divida de valor determinado é título executivo extrajudicial
ainda que originário de contrato de abertura de crédito em conta corrente. Já o
contrato de abertura de crédito não é.
Exceção ao princípio da autonomia: a duplicata. A duplicata é chamada
de título causal, pois para se emitir a duplicata deve ter causa especifica
definida na própria lei de duplicatas: compra e venda mercantil ou prestação de
serviço. A duplicata acompanha a compra e venda mercantil ou prestação de
serviço.
Os outros títulos que não são causais são chamados de não causais ou
abstratos, pois para eles existe o fenômeno da abstração, o desprendimento.
Ex: o cheque se desprende da causa que lhe deu origem.

3 – Conceito de título de crédito


Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito
literal e autônomo nele mencionado (Cesare Vivante).
O CC/2002, em seu art. 887, adotou o conceito de Cesare Vivante. A
única diferença é que o CC/2002 adotou a expressão “nele contido” e o Vivante
usou a expressão “nele mencionado”.

4 – Classificação dos títulos de crédito


4.1 – Quanto ao modelo
186

c) Vinculado – é aquele cuja forma, formatação esta definida em lei. Ex:


duplicata e cheque.
d) Livre – é aquele título cuja forma, formatação não esta definida em lei.
Ex: nota promissória e letra de câmbio (por isso qualquer pedaço de papel
pode ser uma nota promissória, uma letra de câmbio). Por isso muitas vezes
quando a pessoa está abrindo um crediário ela pensa que está assinando um
contrato, mas na verdade está assinando uma nota promissória (desde que
preenchido todos os requisitos da nota promissória).

4.2 – Quanto às hipóteses de emissão


c) Título causal – é aquele que precisa de uma causa especifica para a sua
emissão. Ex: duplicata (só pode ser emitida em caso de compra e venda
mercantil ou prestação de serviço). Atenção: aluguel não é compra e venda e
nem prestação de serviço, portanto, em caso de aluguel não se admite
emissão de duplicata.
d) Título não causal ou abstrato - é aquele que não precisa de uma causa
especifica para a sua emissão. Ex: nota promissória, cheque, letra de câmbio.

4.3 – Quanto à sua estrutura


c) Ordem de pagamento. A ordem de pagamento possui três
intervenientes:
- aquele que dá a ordem;
- aquele que recebe a ordem;
- o tomador/ beneficiário (o credor do título).
Ex: o cheque é uma ordem de pagamento à vista, pois o cheque possui essa
estrutura: o correntista é aquele da a ordem ao banco (aquele que recebe a
ordem) efetuar o pagamento ao credor do título (tomador).
Exemplos de ordem de pagamento: cheque, duplicata, letra de câmbio.
d) Promessa de pagamento. A promessa de pagamento possui apenas
dois intervenientes:
- Promitente ou subscritor (emitente do título – o que fez a promessa).
- Tomador/Beneficiário (credor do título).
Nesta situação ninguém da ordem para ninguém, o que se faz aqui é
uma promessa de pagamento.
187

Exemplos de título que é promessa de pagamento: nota promissória.


Atenção: A nota promissória é promessa de pagamento. Os demais títulos
serão ordem de pagamento.
188

AULA 02
LETRA DE CÂMBIO
1 – Letra de Câmbio (decreto 57.663/66)
A letra de câmbio é ordem de pagamento. Então isso significa que na
sua estrutura teremos:
- Alguém que dá a ordem (sacador).
- Alguém que recene a ordem (sacado).
- Tomador/Beneficiário.
Letra de câmbio é um título de crédito decorrente de relações de crédito
entre duas ou mais pessoas, pelo qual a designada sacador dá a ordem de
pagamento pura e simples a outrem, denominado sacado, a seu favor ou de
terceira pessoa (tomador ou beneficiário), no valor e nas condições dela
constantes.
Saque – é o ato de criação/emissão de um título de crédito.
Quem dá a ordem de pagamento é chamado de sacador. Quem recebe
essa ordem de pagamento é o sacado.
Ex: Imagine que João tem um crédito para receber do Renato Brasileiro.
Assim, João (sacador) dá uma ordem para o Renato (sacado) pagar para João
mesmo, um determinado valor.
Ex²: Imagine que João tem um crédito para receber do Renato Brasileiro.
Assim, João (sacador) dá uma ordem para o Renato (sacado) pagar para LFG
(tomador) um determinado valor, visto que João deve LFG também.

1.1 - Requisitos de uma letra de câmbio:


Requisitos de uma letra de câmbio:
i) Menção expressa do nome do título. Ou seja, deve constar
expressamente a expressão “letra de câmbio” ou “letra” no título.
j) Mandado puro e simples de pagar quantia determinada.
k) Deve constar o nome do sacado.
l) Deve constar o nome do tomador/beneficiário.
m) Deve conter a assinatura do sacador.
n) Deve conter época de pagamento.
o) Lugar de pagamento.
189

p) Indicação de data e lugar do saque (onde foi feita a emissão do título).


É importante destacar que esses requisitos são essenciais (a princípio
os requisitos da letra de câmbio são requisitos essenciais). Ou seja, na
ausência de um deles não considera o título como letra de câmbio, ele não
produz os efeitos de letra de câmbio (art. 2º, decreto 57.663/66). Na ausência
de um desses requisitos não se fala em letra de câmbio.
Existe ainda os requisitos acidentais, não essenciais ou supríveis da
letra de câmbio que são:
 Época de pagamento – na ausência da época de pagamento, presume-
se que a letra de câmbio é à vista.
 Lugar de pagamento – na ausência do lugar de pagamento, a presunção
é de que o pagamento deve ser feito no domicílio do sacado.
 Lugar do saque – na ausência do lugar do saque, entende-se que é o
domicílio do sacador.
Cuidado: Os requisitos acidentais, segundo o CESPE, não é que não é
necessário, necessário é, mas na ausência deles eles podem ser supridos.
Ex: Gialluca emite uma letra de câmbio dando uma ordem para o Renato
(sacado) pagar R$ 5.000,00 para LFG (tomador) no dia 27/07/2013.
Gialluca emite a letra de câmbio e entrega para LFG. O LFG recebeu a
letra de câmbio e vai apresentar a letra de Cambio para o Renato para saber
se ele concorda ou não com esse pagamento (se ele está disposto a pagar o
valor e na data que foi colocada no título). Renato dá o chamado aceite. Com o
aceite o Renato tornou-se o devedor principal do título. Se ele é o devedor
principal o Gialluca será codevedor (co-responsável). Assim, no caso de
ajuizamento de ação, pode o credor propor a ação contra um, alguns ou todos
(o credor que vai escolher). Se o LFG entrar com ação de execução contra
Gialluca este tem o direito de regresso contra o Renato. Agora se LFG entrar
com a ação contra o Renato este não tem direito de regresso contra ninguém
pois ele é o devedor principal.
Aceite é o ato de concordância com a ordem de pagamento dada. Este
ato é privativo do sacado (só o sacado pode concordar com a ordem de
pagamento). O aceitante, a partir do momento que dá o aceite, torna-se
devedor principal do título.
O aceitante é o devedor principal do título.
190

Como se dá o aceite: assinatura do sacado no anverso do título (na


frente do título).
Atenção: Na letra de câmbio o aceite é facultativo. Assim, no exemplo dado, o
Renato não está obrigado a assinar, ele assina se ele quiser (ainda que o
Gialluca seja credor do Renato. O Renato não é obrigado a pagar aquela
quantia por meio de uma letra de câmbio). Portanto, é possível a recusa do
aceite.

1.2 - Efeitos da recusa do aceite pelo sacado:


 Vencimento antecipado do título de crédito.
 Tornar o sacador o devedor principal (com a recusa de aceite pelo
sacado, este sequer participará da relação creditícia, portanto, o sacador torna-
se o devedor principal).

1.3 - Aceite parcial:


O sacado, como não está obrigado a aceitar tudo, ele pode aceitar uma
parte e recusar outra.
O aceite parcial possui duas modalidades:
 Aceite limitativo – está relacionado ao valor. Ex: No exemplo dado,
Renato aceita somente R$ 3.000, 00.
 Aceite modificativo – é aquele que modifica as condições do título. Ex:
No exemplo dado, o Renato diz que só vai pagar no dia 25/12/2013.
Não importa se o aceite é limitativo ou modificativo, toda vez que se falar
em aceite parcial duas coisas vão acontecer:
- O aceitante responde nos termos do aceite (se o Renato concordou pagar 3
mil reais ele é responsável pelo pagamento dos 3 mil).
- Vencimento antecipado do título.

1.4 – Cláusula não aceitável (art. 46, decreto 57666/66)


Gialluca emite uma letra de câmbio dando uma ordem para o Renato
(sacado) pagar R$ 5.000,00 para LFG (tomador) no dia 27/07/2013. Se o
Renato não aceitar acontecerá o vencimento antecipado do título. Assim, com
a cláusula não aceitável, o LFG não pode apresentar o título para aceite antes
do vencimento, com isso evita-se o vencimento antecipado do título.
191

Cláusula não aceitável – significa que o título não pode ser apresentado
para aceite, somente para pagamento.
A finalidade dessa clausula é evitar o vencimento antecipado.

2 – Circulação do título
O tomador da letra de câmbio possui duas opções: espera a data de
vencimento para receber o título do sacado (caso este dê o aceite) ou ele
transfere o título (faz a circulação do título).
Em regra geral, o título pode ser:
Ao portador – é aquele que não identifica o beneficiário. No título ao
portador, a circulação do título se dá por mera tradição.
Nominativo – é aquele que identifica o beneficiário. Quando o título é
nominativo é preciso verificar se o título é:
c) À ordem – transfere-se mediante endosso. A finalidade dos títulos de
crédito é de dar mais segurança ao credor, assim, os títulos de crédito são
presumidamente à ordem. Eles somente serão não à ordem quando esta
clausula vier expressa no título.
d) Não à ordem – transfere-se mediante cessão civil.
É requisito essencial da letra de câmbio o nome do tomador, portanto, a
letra de câmbio é nominativa, não podendo ser ao portador.
Desde a lei 8021/90 não se admite mais título de crédito ao portador,
exceto se com previsão expressa em lei especial.
ENDOSSO CESSÃO CIVIL
Quem endossa o título responde pela Quem transfere não responde pelo
solvência, responde pelo pagamento pagamento do título. Assim, o
do título. Assim, o endosso dá mais cessionário não pode ser acionado
garantia, dá mais segurança. judicialmente para pagar o crédito
cedido.

3 – Endosso
3.1 – Efeitos
192

c) Transferência da titularidade do crédito do endossante (quem transfere)


para o endossatário (quem recebe).
d) Tornar o endossante codevedor do título. Essa regra de
responsabilidade é a regra que está na lei especial (art. 15, Decreto 57666). Ou
seja, o endossante responde pelo pagamento. Cuidado: De acordo com o art.
914, CC, quem endossa o título não responde pelo pagamento. Todavia,
quando tem uma lei especial e o CC tratando sobre o mesmo assunto, é a lei
especial que se aplica e não o CC (art. 903, CC). Assim, por ser a letra de
câmbio regida por lei especial, aplica-se esta que diz que o endossante
responde pelo pagamento do título.
A transferência implica no endosso acompanhado da entrega do título
(tradição). Assim, o endosso se aperfeiçoa com a tradição. Ex: não adianta
nada eu endossar uma letra de câmbio para Maria se eu não entrego para ela
o título.

3.2 – Endosso translativo


Como se dá o endosso translativo?
Pode ser dado no verso do título e para isso basta uma simples
assinatura ou pode ser dado no anverso do título, sendo necessário para isso a
assinatura e uma expressão identificadora do ato de endosso (“endosso a...”;
“pague-se a .....”; “transfiro a .....”).

3.3 – Formas de endosso


O endosso de acordo com a sua forma pode ser:
c) Endosso em branco – é aquele que não identifica o endossatário. Ex:
Endosso a ...
d) Endosso em preto – quando tem a identificação do endossatário. Ex:
Endosso a Fabiana.

3.4 – Endosso parcial


Imagine que o título é de 5 mil reais, mas o LFG quer endossar somente
3 mil reais. Isso é possível?
O endosso parcial é nulo (art. 12, decreto 57666). Não se admite
endosso parcial. Como se sabe, o endosso se aperfeiçoa com a tradição, deste
193

modo, no exemplo dado, se o LFG endossar os 3 mil reais como ele fará para
comprovar o seu crédito de 2 mil? Não tem como né!

3.5 – Endosso sem data


Quando endossa, o mais correto é que se coloque uma data. Todavia,
na ausência de data, presume-se que o endosso foi dado antes do protesto.

3.6 – Endosso póstumo ou endosso tardio


Endosso póstumo ou tardio é aquele endosso dado depois do
vencimento.
Se o título venceu é possível endossar o título. Se o título só teve
vencimento e nada mais, esse endosso tem efeito de endosso. Agora, se além
do vencimento o título também teve protesto, ele não tem mais efeito de
endosso, ele terá efeito de cessão civil.
Para a maioria da doutrina, o endosso póstumo é o endosso dado
depois do vencimento e que teve protesto. Assim, o efeito do endosso póstumo
será somente cessão civil.
Para a corrente minoritária, endosso póstumo é aquele dado após o
vencimento, independentemente de protesto ou não. Assim, o efeito do
endosso póstumo depende se ele teve protesto ou não. Se teve protesto terá
efeito de cessão civil, se não teve protesto terá efeito de endosso.

3.7 – Endosso sem garantia


Art. 15, decreto 57666 – o endossante, salvo clausula em contrário*, é
garante tanto da aceitação como do pagamento da letra.
*Essa clausula em contrário é a clausula “sem garantia”.
Com a cláusula “sem garantia”, o endossante não responde pelo
pagamento do título. É o mesmo efeito da cessão civil.

3.8 – Clausula proibitiva de endosso


Quando o endossante vai endossar o título ele pode colocar a expressão
proíbo novo endosso.
194

Com clausula proibitiva de novo endosso, o endossante responde


perante o endossatário, mas não terá responsabilidade de pagamento perante
novos endossatários.
Se o LFG endossa o título para a Marinela com a clausula proibitiva de
endosso, e esta endossa para o Novelino. Se o Novelino vier a cobrar do LFG
ele pode dizer que não responde para novos endossatários. Mas para a
Marinela o LFG responde.

3.9 – Modalidades de endosso


 Endosso translativo - transfere a titularidade do crédito, tornando-se,
portanto, o endossante codevedor.
 Endosso impróprio – aqui não há transferência do crédito. O crédito não
é transferido. Assim, a finalidade do endosso impróprio é legitimar a posse de
um terceiro. Existem duas espécies de endosso impróprio:
c) Endosso – mandato. Imagine que Gialluca tem um letra de câmbio e vai
até o banco ou empresa de cobrança para fazer a cobrança para ele. O
Gialluca (endossante-mandante) dá uma procuração para o Banco
(endossatário-mandatário) fazer a cobrança para ele. Assim, para se
estabelecer o endosso-mandato, tem que colocar no título as expressões:
“endosso por procuração” ou “endosso para cobrança”. No endosso mandato
não há transferência do crédito, assim, o mandatário não tem o crédito, ele só
tem autorização para efetuar a cobrança/ procuração para defender os
interesses do endossante. Assim, o dinheiro não fica com o endossatário -
mandatário – este tira a sua comissão e repassa o restante para o endossante-
mandante.
Imagine que o Gialluca repasse para o banco uma letra de cambio para
ele cobrar. Se o devedor não pagar o banco protesta. Quando tem protesto
indevido quem responde, em regra, pelo protesto é o credor do título, portanto,
é o endossante-mandante. Por outro lado, imagine que o banco vai cobrar e o
devedor diz para o banco que já pagou, que aquela cobrança é irregular, e
mesmo assim o banco protesta, o Banco responde pelo protesto do título
(súmula 476, STJ).
195

O endossatário de título de crédito por endosso-mandato só responde


por danos decorrentes de protesto indevido se extrapolar os poderes
de mandatário
Se o Banco (endossatário-mandatário) for comunicado da irregularidade
da cobrança e ainda assim fazer o protesto (extrapola os poderes) ele terá a
responsabilidade por esse protesto indevido.
d) Endosso – caução (ou pignoratício). Imagine que o Gialluca está no
Banco querendo fazer um empréstimo. O Banco não vai emprestar o dinheiro
sem garantia. Imagine que o Gialluca não tenha nenhum bem para dar em
garantia, mas somente uma letra de câmbio. O título de crédito é considerado
um bem móvel e por assim ser, ele pode ser dado em garantia de pagamento.
Assim, se o título de crédito dado em garantia de pagamento é um bem móvel,
estabelece, portanto, um penhor. Para haver o endosso-caução precisa das
expressões: “endosso em caução” ou “endosso em garantia”.
Atenção: A morte é uma das causas de extinção do contrato de mandato.
Contudo, com relação ao endosso-mandato essa regra não prevalece (art. 18,
decreto 57666). O mandato que resulta de endosso por procuração não se
extingue por morte ou sobrevinda incapacidade legal do mandatário.

4 – Aval
4.1 – Conceito
Aval é o ato cambiário decorrente de uma manifestação unilateral de
vontade pela qual uma pessoa natural ou jurídica, denominada avalista, se
compromete a pagar título de crédito nas mesmas condições que um devedor
ou codevedor do título (avalizado).
O avalista é o garantidor – ele garante o pagamento de um titulo de
crédito nas mesmas condições que o avalizado.
Assim, o aval tem a finalidade de reforço de pagamento.
Gialluca deu uma ordem para o Renato pagar uma determinada quantia
para o LFG. O LFG endossa o título para Marinela quem endossa também para
o Novelino. O Novelino pede uma garantia para a Marinela daí o Neymar
avaliza a Marinela.

4.2 – Como se dá o aval


196

Pode ser dado no anverso do título e para isso basta uma simples
assinatura ou pode ser dado do verso do título, sendo necessário para isso a
assinatura e uma expressão identificadora do ato de aval (“por aval a...”;
“avalizo a...”). Aqui é o contrário do que acontece no endosso.

4.3 – Formas de aval


O aval pode ser:
c) Aval em branco – quando não identificado o avalizado. Ex: “por aval a
...”.
d) Aval em preto – quando identificado o avalizado. Ex: “por aval a
Marinela”.
Imagine que no exemplo dado que o Neymar avaliza a Marinela (aval em
preto), assim o Neymar vai avalizar a Marinela. Todavia, se o Neymar
simplesmente assina o letra de câmbio no anverso do título, o avalizado será o
Renato (devedor principal).
No aval em branco quem é o avalizado?
No aval em branco quem emitiu o título, quem criou o título é que está
sendo avalizado, portanto, no aval em branco é o sacado que será avalizado.

4.4 – É possível o aval parcial?


Art. 30, decreto 57666 – este dispositivo autoriza tanto o aval total como
também o aval parcial.
O art. 897, p.u, CC diz que é vedado o aval parcial, não se admite o aval
parcial. Todavia, se tem CC e lei especial, aplica-se a lei especial e não o CC.
Enunciado 39, I jornada de direito comercial.

4.5 – Aval posterior ao vencimento


Tanto tendo somente o vencimento, quanto tendo também o protesto, o
aval continua tendo efeito de aval.

AULA 03
TÍTULO DE CRÉDITO
4.6 – Aval simultâneo
197

São os avais dados por dois ou mais avalistas ao mesmo avalizado. No


aval simultâneo basta ter dois ou mais avalistas da mesma pessoa, os avais
não precisam ter sido dados no mesmo momento.
Marinela
(endossante/codevedora)

Neymar Roberto
(avalista1) (avalista 2)

Nesta situação, caso Roberto pague a dívida ele terá direito de regresso
contra os demais devedores, não terá direito de regresso contra Neymar.
4.7 – Aval sucessivo
Ocorre quando um avalista garante a obrigação de outro avalista. É o
aval do aval.
Marinela

Neymar

Roberto
No exemplo dado, caso roberto pague a dívida, este terá direito de
regresso contra Neymar e Marinela. Já se Neymar pagasse ele teria direito de
regresso apenas contra Marinela.
Imagine que a Marinela é codevedora de um título de crédito. Daí vem
Neymar e presta um aval em branco, depois vem Roberto e assina acima do
nome de Neymar, prestando, igualmente, um aval em branco. Nesse sentido,
segundo o STF, tem-se, nessa situação, um caso de aval simultâneo (súmula
189, STF).
Súmula nº 189
Avais em branco e superpostos consideram-se simultâneos e não
sucessivos.

4.8 – Aval x Fiança


198

AVAL FIANÇA
O aval é ato tipicamente cambial, ele A fiança só pode ser dada em
só pode ser dado em título de crédito. contrato.
O aval é autônomo. Isto significa que A fiança é acessória.
não importa o que aconteça com o
avalizado, o avalista continua
responsável. Ex: eventual morte,
incapacidade superveniente do
avalizado não compromete a
obrigação de cumprimento do título
pelo avalista. O avalista continua
responsável pelo cumprimento da
obrigação.
Ex: o camarada era dono de uma
empresa. Foi no Banco e pediu
empréstimo. O Banco exigiu que o
sócio fosse avalista. A sociedade faliu,
daí o Banco ao invés de habilitar o
crédito no juízo de falência, ele ajuizou
uma ação contra o avalista. O Banco
no STJ ganhou, em razão da
autonomia do aval, tendo o avalista,
caso queira o direito de regresso, ter
que habilitar o seu crédito perante o
juízo de falência.
O aval não tem benefício de ordem. A fiança possui benefício do ordem.
Cabe ação monitória contra avalista de título prescrito? Segundo o STJ
não pode, pois se o título está prescrito desapareceu a obrigação do avalista,
uma vez que aval é ato tipicamente cambial (AgRg no Resp 1209815/MT).

Gialluca  Renato  LFG  Novelino  Marinela  X


(sacador) (sacado) (tomador)
Neymar
(avalista)
199

X pode entrar com ação de execução contra uns, alguns ou todos.


Imagine que X entra com ação de execução contra Neymar que é
avalista do título. X tem que executar primeiro a Marinela para depois executar
o avalista? Não, pois o aval não tem benefício de ordem. Já na fiança tem que
primeiro executar o afiançado para depois executar o afiador, pois aqui tem o
benefício de ordem (exceto quando o contrato de fiança prevê uma clausula de
renuncia ao benefício de ordem).
OBS: Art. 1647, III, CC  Hoje tanto para prestar aval quanto fiança precisa da
autorização do cônjuge, exceto se o regime for o de separação absoluta de
bens.
Imagine que João é avalista. João é casado com Maria. Maria tem direito
a uma meação. O credor entra com ação de execução contra João. Em regra,
o credor é que tem que provar que o aval beneficiou o casal, pois a princípio o
aval não beneficia o casal (presume-se que o aval não beneficiou o casal).
Assim, neste caso, quem tem que provar que o aval beneficiou o casal e,
portanto, que Maria não tem direito à sua meação, é o credor.
Por outro lado, se o aval é prestado por sócio de sociedade, o STJ diz
que presume-se que o aval beneficiou o casal. Assim, nesta hipótese, em sede
de embargos de terceiro, quem vai ter que fazer prova em sentido contrário é o
cônjuge do sócio avalista.

5 – Espécies de vencimento da letra de câmbio


O vencimento da letra de câmbio pode ser:
e) À vista – é aquele que é exigível de imediato. Pode-se exigir a qualquer
tempo.
f) Data certa (ou marcada, ou fixada). Aqui a data é fixada. Ex: dia
17/07/13.
g) A certo termo de data – é o número x de dias contados a partir da data
da emissão do título.
h) A certo termo de vista – é o número x de dias contados a partir da data
do aceite.

NOTA PROMISSÓRIA
1 - Conceito
200

É o título de crédito pelo qual uma pessoa, denominada emitente, faz a


outra pessoa, designada beneficiário, uma promessa pura e simples de
pagamento de quantia determinada, em seu favor ou a outrem à sua ordem,
nas condições nela constantes.
Aqui não tem ordem de pagamento, aqui tem promessa. “Prometo
que pagarei por esta via de nota promissória x quantia”.

2 – Requisitos
i) A expressão “nota promissória” (clausula cambiária).
j) Promessa puta e simples de pagar quantia determinada.
k) Época de pagamento.
l) Lugar de pagamento.
m) Nome do beneficiário.
n) Lugar de emissão.
o) Data de emissão.
p) Assinatura do emitente.
Na nota promissória todos esses requisitos são essenciais, ou seja, na
ausência de um deles, não tem os efeitos de nota promissória.
A legislação que cuida da nota promissória é a mesma que cuida da
letra de câmbio, portanto, a nota promissória também será regulada pelo
decreto 57.663/66.
Art. 77 – são aplicáveis às notas promissórias, na parte que não sejam
contrárias a natureza deste titulo, as mesmas regras cabíveis à letra de
câmbio, tais como endosso, aval, etc.

3 – Aceite
Na letra de câmbio existe uma ordem de pagamento (sacador  sacado
 tomador), assim, só pode dar o aceite aquele que recebe uma ordem de
pagamento (o aceitante está acatando uma ordem de pagamento).
Na nota promissória tem uma promessa de pagamento (emitente 
tomador). O emitente promete pagar o tomador. Assim, como não existe
ninguém recebendo ordem aqui, não existe na nota promissória a figura do
sacado, portanto, na nota promissória não tem aceite. A nota promissória não
admite o aceite.
201

4 – Devedor principal
Na letra de câmbio o sacado é o devedor principal do título.
Na nota promissória, o devedor principal é o emitente. O emitente tem a
mesma responsabilidade que o aceitante da letra de câmbio.

5 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.

6 – Aval
São as mesmas regras da letra de câmbio.
7 – Vencimento
e) À vista.
f) Data certa.
g) A certo termo de data.
h) A certo termo de vista. Se o a certo termo de vista se conta a partir da
data do aceite, como a nota promissória não tem aceite significa que, a
princípio, não existiria esse tipo de vencimento na nota promissória (essa é a
opinião da minoria). Todavia, segundo a jurisprudência cabe sim todos os tipos
de vencimento na nota promissória (art. 78, decreto 57.663), assim, como não
tem aceite a nota promissória, conta-se este tipo de prazo a partir da data do
visto. O termo de vista conta-se da data do visto dado pelo subscritor. Ex:
fulano (devedor) tem uma nota promissória, daí ele apresenta a nota para o
credor, mas não coloca o vencimento, coloca 5 dias da vista. Daí o credor,
dentro do prazo de um ano, apresenta a nota para o devedor, o qual dá um
visto e a partir daquela data começa a contagem do prazo de 5 dias.

8 – Modalidade
A nota promissória pode ser pro solvendo e pro soluto.
O que diferencia a nota promissória emitida em caráter pro soluto da
nota promissória pro solvendo? Aponte os efeitos de cada uma delas, em
decorrência da falta de pagamento, quando emitidas em razão de compra e
venda de um imóvel.
202

Pro solvendo (para pagamento): No título pro solvendo não existe


novação da relação causal, que permanece com a relação cambiária. Portanto,
a relação causal só se extingue com o pagamento do título. Ex: Fulano compra
um apartamento no valor de 300 mil reais. Fulano da uma entrada de 150 mil
reais em dinheiro e emite 3 notas promissórias no valor de 50 mil reais, com
vencimento em 10/04/13, 10/05/13 e 10/06/13. O contrato de compra e venda
só se considerara extinto quando fulano pagar a nota promissória. Se a nota
promissória não for paga e credor pode executar a nota promissória ou então
ele pode fazer a rescisão do contrato (uma vez que o contrato não foi pago. A
relação causal de compra e venda não foi paga, portanto admite-se a
possibilidade da rescisão). Aqui, o credor pode, portanto, executar o título ou
rescindir o contrato.
Pro soluto: Tem esta natureza o título emitido e entregue ao
beneficiário visando a extinção da obrigação que gerou a sua criação, ou seja,
dado em pagamento da relação causal. Neste caso o título provoca a novação.
No título pro soluto quando eu entrego a nota promissória ela não é mais “para
o pagamento”, ela é “em pagamento”. Assim, quando fulano entrega a nota
promissória para o credor, ocorre a extinção da dívida anterior (que é o
contrato de compra e venda) criando uma nova dívida (novação). Assim,
quando fulano entrega a nota para o credor, significa que o contrato de compra
e venda foi pago, inclusive o credor tem que dar a extinção/quitação. Aqui tem
a extinção da relação causal (a entrega do título operou a novação). Assim, o
fulano é devedor só da nota promissória, ele não é mais devedor do contrato
de compra e venda. Assim, se o titulo não for pago, o credor só pode executar
o título, ele não pode pedir a rescisão do contrato, pois o contrato foi pago, a
obrigação do contrato foi extinta, operou-se a novação. Com a entrega do título
foi quitado o contrato de compra e venda.
O título foi criado para facilitar a circulação, assim, há uma presunção de
que os títulos são pro solvendo. Portanto, para que o título seja pro soluto é
necessária clausula expressa na nota promissória.

DUPLICATA
1 – Conceito
203

É um título de crédito causal e à ordem, extraído por vendedor ou


prestador de serviço, que visa documentar o saque fundado sobre crédito
decorrente de compra e venda mercantil ou prestação de serviços e que tem
como pressuposto a extração de uma fatura.
Toda duplicata pressupõe a emissão de uma fatura antes. A duplicata é
o espelho, é uma réplica da fatura. Portanto, todos os dados que estão na
duplicata são os dados da fatura, portanto, tem que ter no número da fatura.
Nota fiscal é um comprovante da operação (de contrato de operação de
serviço ou compra e venda mercantil). A duplicata duplica as informações da
fatura. Pega as informações da fatura e duplica em um título. Por isso que toda
duplicata corresponde a uma fatura.
Só emite duplicata quem quer, a pessoa é obrigada a emitir nota fiscal.
Lei 5474/68 – lei da duplicata.

2 – Requisitos
j) Denominação duplicata.
k) Número da fatura. Essa questão já caiu em concurso.
l) Data do vencimento ou declaração de duplicata à vista.
m) Nome e domicílio do sacador.
n) Importância a pagar (valor).
o) Praça de pagamento.
p) A clausula “à ordem”.
q) Declaração de aceite. Não é o aceite propriamente dito, é a declaração
para que se dê o aceite. Ex: “reconhecemos a exatidão desta duplicata de
venda mercantil na importância acima que pagaremos.... ”
r) Assinatura do emitente.
Todos esses requisitos são essenciais (nenhum é suprível).

3 – Aceite
A duplicata é um título causal, pois ela precisa de uma causa específica:
ou uma compra e venda mercantil ou uma prestação de serviço (só pode emitir
duplicata nessas situações).
Na duplicata tem uma ordem de pagamento:
- sacador = vendedor de mercadoria ou o prestador de serviço.
204

- sacado = comprador.
- tomador/beneficiário = vendedor.
Aqui o vendedor emite uma duplicata para que o comprador pague a ele
vendedor o valor da mercadoria.
Na duplicata, geralmente o sacador e o tomador são a mesma pessoa.
Seria enriquecimento ilícito a pessoa receber a mercadoria, receber a
prestação do serviço e não aceitar o título. Portanto, na duplicata,
diferentemente do que acontece na letra de câmbio, o aceite é obrigatório. O
sacado está obrigado a dar o aceite.

4 – Tipos de aceite
d) Aceite ordinário – é aquele aceite que decorre da assinatura do sacado
no título. Todavia,
e) Aceite presumido. Face a duplicata virtual (emitida na forma magnética),
a duplicata não está mais sendo emitida na forma de papel, assim tem-se o
aceite presumido. O aceite presumido ocorre quando a mercadoria é entregue
ou o serviço é prestado e não há recusa formal do sacado. A doutrina
majoritária entende que além disso, para configurar o aceite presumido, é
preciso também do protesto (recusa formal do sacado + protesto).
f) Aceite por comunicação. Aqui o sacado manda um comunicado para o
sacador dizendo que aceita, que concorda com aquela ordem de pagamento.

5 – Hipóteses legais de recusa do aceite


Hipóteses em que o sacado pode recusar o aceite (art. 8º c/c art. 21, lei
5474):
d) Em caso de avaria/ não recebimento da mercadoria/ não prestação do
serviço. Aqui o sacado recusa a duplicata, recusa o aceite.
e) Vício/defeito de quantidade ou qualidade no produto ou serviço. Ex:
pede arroz tio João veio arroz tia Maria.
f) Divergência quanto a prazo, preço e condições de pagamento. ex:
combinei que a duplicata venceria com o prazo de 90 dias, todavia ela veio
para pagamento à vista.
205

Este rol é taxativo, portanto, somente nestas hipóteses pode haver a


recusa do sacado quanto ao aceite.

6 – Processamento
Quando a duplicata não é à vista ela funciona assim:
O sacador vai emitir a duplicata. Depois que ele emitiu, diz a lei que ele
tem 30 dias para fazer a remessa da duplicata ao sacado. O sacado quando
recebe essa duplicata ele vai ter 10 dias para devolução da duplicata ao
sacador. O sacado vai devolver a duplicata para o sacador com aceite ou
fazendo a recusa do aceite com base nas hipóteses legais que permitem isso.

7 – Espécies de protesto
d) Protesto por falta de devolução. Decorrido o prazo de 10 dias, a
duplicata não foi devolvida, o sacador pode fazer o protesto por falta de
devolução.
e) Protesto por falta de aceite. Aqui o sacado, dentro do prazo de 10 dias,
devolve o título mas não dá o aceite e não diz os motivos.
f) Protesto por falta de pagamento. Aqui o sacado devolve o título dentro
do prazo e com aceite, todavia, no dia do pagamento ele não paga.
Para protestar é necessário a duplicata. Em caso de extravio de
duplicata emite-se uma segunda via da duplicata que se chama triplicata (art.
23, da lei 5474).
Doutrina minoritária entende que, por estar previsto no art. 23, somente
no caso de perda ou extravio que se poderia emitir a triplicata. Todavia, a
doutrina majoritária entende que pode emitir a triplicata em outras situações
como, por exemplo, quando a duplicata fica retida (encaminha a duplicata para
o sacado e este a retém) – este é o entendimento do CESPE.
Portanto, o credor leva a duplicata ou a triplicata para fazer o protesto ou
faz o protesto por indicação (encaminha informações da duplicata para fazer o
protesto).
A lei autoriza o protesto por indicação quando a duplicata é retida pelo
sacado, assim, não precisa emitir a triplicata para fazer o protesto nesta
situação.
206

8 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.

9 – Aval
São as mesmas regras da letra de câmbio.

10 – Tipos de vencimento
Na duplicata somente pode ter título à vista ou com data certa. Não cabe
a certo termo de vista e a certo termo de data.
c) À vista.
d) Data certa.
A duplicata admite reforma ou prorrogação do prazo de vencimento,
mediante declaração em separado ou nela escrita (art. 11).
A pessoa não está adstrita ao vencimento, ou seja, a pessoa pode pagar
ela antes da data de vencimento ou até mesmo antes do próprio aceite (art. 9º).

11 – Execução
Este assunto cai muito em prova.
Duplicata com aceite  apresenta a duplicata. Se o sacado não pagar
leva a duplicata para ser executada.
Duplicata sem aceite (art. 15, II, lei de duplicata)  pode executar sim
este título, desde que apresente a duplicata, proteste a duplicata (o protesto
comprova que não houve o pagamento) e apresente o comprovante de entrega
da mercadoria ou comprovante do serviço prestado.
A comprovação da entrega da mercadoria é feita pelo conhecimento de
entrega da mercadoria.

CHEQUE
1 – Conceito
Cheque é o título de crédito pelo qual uma pessoa denominada emitente
ou sacador, com base em prévia e disponível provisão de fundos em poder de
Banco ou Instituição financeira a ele assemelhada, denominado sacado, dá
207

contra o Banco uma ordem incondicional de pagamento à vista, em seu próprio


benefício ou em favor de terceiro, designado tomador beneficiário.
O cheque também é ordem de pagamento:
- sacador = correntista (aquele que tem conta corrente em um Banco).
- sacado = banco ou qualquer outra Instituição financeira (ex: cooperativa de
crédito).
- tomador/beneficiário = próprio emitente (isso na época em que não tinha
caixa eletrônica, daí a pessoa emitia um cheque e ia na boca do caixa e
descontava o cheque para pegar o dinheiro) ou terceiro.

2 – Requisitos do cheque
g) Denominação “cheque”.
h) Ordem incondicional de pagamento.
i) Nome do sacado.
j) Lugar de pagamento*.
k) Data e lugar da emissão do título*.
l) Assinatura do emitente.
* Esses requisitos são supríveis, ou seja, não são essenciais. Assim, quando
não se tem o lugar de pagamento, há uma presunção de que esse cheque
deve ser pago no domicílio do sacado (agência bancária que consta no
cheque).
Quando não constar no cheque o lugar de emissão, há uma presunção
de que ele foi emitido no domicílio do emitente.
A data da emissão é requisito essencial (pois é preciso dela para poder
calcular o prazo prescricional).
Súmula 387, STF – se a pessoa deixar a data de emissão em branco, o
credor de boa-fé pode preencher.
Segundo o art. 32, lei 7357, o cheque é ordem de pagamento à vista e
considera-se não escrita qualquer menção em contrário. Deste modo, como
fica a situação do cheque pós-datado? O banco paga o cheque pós datado
porque o que prevalece é a lei de cheque, assim, o “bom para dia tal” é
considerado como não escrito. Todavia, o credor ao receber o cheque pós
datado convencionou com o devedor que ele iria depositar o cheque no dia
acordado. Assim, se o credor deposita o cheque antes do dia que foi acordado,
208

o credor quebra a boa-fé objetiva, pois ele feriu o acordo com o devedor,
caracterizando, portanto, dano moral a apresentação antecipada de cheque
pós-datado (súmula 370, STJ).

3 – Aceite
No cheque não tem aceite. O sacador dá uma ordem para o banco
pagar determinada quantia. Existe entre o sacador e o sacado uma relação
contratual que se eventualmente aquele sacador possuir fundos disponíveis o
sacado tem que pagar o cheque.
Cheque não admite a figura do aceite.

4 – Endosso
São as mesmas regras da letra de câmbio.
Até um tempo atrás se falava que podia dar apenas um endosso no
cheque. Só que esta regra se aplicável em razão da CPMF (só havia a
incidência da CPMF se houvesse o depósito do cheque, portanto, evitava-se a
circulação do cheque). Como não há mais a CPMF, não há mais limite de
endosso para o cheque.

5 – Aval
São as mesmas da letra de câmbio.
O art. 29, da lei do cheque permite que pode haver o aval total e o aval
parcial do cheque.

6 – Apresentação para pagamento


i. Prazo de apresentação do cheque para pagamento:
- 30 dias se o cheque é da mesma praça
- 60 dias se o cheque é de praça diferente
Esse prazo conta-se a partir da data de emissão.
A praça de pagamento do cheque é a agencia bancária em que se tem
conta corrente. Então, se Fulano tem sua agencia bancária em Campinas, se
ele apresentar ao pagamento o cheque em Campinas o prazo de apresentação
é de 30 dias, agora se o cheque foi emitido em Florianópolis e ele for
209

apresentado em Florianópolis então é praça diferente da agência pagadora que


no caso é Campinas então nesse caso o prazo vai ser de 60 dias.
E se eu levar o cheque para apresentação em prazo superior o Banco
paga?
O Banco paga tranquilamente dentro do prazo prescricional, o Banco
não analisa esse prazo para pagamento do cheque. Esses prazos possuem
outras finalidades.
j. Finalidades do prazo de apresentação:
- Dar início ao prazo prescricional do cheque (o prazo prescricional do cheque
conta-se a partir do encerramento do prazo de apresentação do cheque).
- Art. 47, II, da lei de cheque: só é possível a execução do endossante do
cheque se este for apresentado dentro do prazo legal. Não se pode executar o
endossante, mas o emitente do cheque apresentando ou não dentro do prazo é
possível a execução do emitente (súmula 600, STF).
Súmula nº 600
Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que
não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não
prescrita a ação cambiária.

k. Pagamento parcial: na prática isso não ocorre, mas cai em prova de


concurso. Ex: eu dou um cheque para Fulano no valor de dois mil reais, daí o
Fulano vai lá na minha agencia pagadora para descontar esse cheque.
Chegando lá o caixa fala que eu não tenho toda essa quantia na conta, que eu
só tenho 500 reais e dá para Fulano os 500 reais. Isso é o pagamento parcial
do cheque. Fulano pode recusar esse pagamento parcial (ou paga tudo ou
paga nada)?
Art. 38, parágrafo único, da lei 7357/85:
Parágrafo único. O portador não pode recusar pagamento parcial, e,
nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do
cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação.
Face o teor do artigo, Fulano não pode recusar o pagamento parcial.
Se dois ou mais cheques são apresentados simultaneamente para
pagamento
l. Regra do art. 40 da lei de cheques:
210

Art . 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados


os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados
simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o
pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e,
se da mesma data, os de número inferior*.
*Esse número é o número do cheque (cheque nº 0050; 0051, etc). O
cheque de número inferior deverá ser pago primeiro porque há uma presunção
de que ele foi emitido primeiro.
Caso:
Cheque de 2 mil reais emitido no dia 08/05/2012
Cheque de 7 mil reais emitido no dia 02/05/2012
No dia 12 os dois cheques foram apresentados para pagamento, só que
na conta só tinha 8 mil reais. O que aconteceu o Banco pagou o cheque de 2
mil e devolveu o de 7 mil. O Fulano perdeu o negócio por conta de o seu
cheque ter sido devolvido. Se isso acontecer essa devolução será indevida,
pois o cheque de 7 mil deveria ter sido pago, de acordo com a lei, isso vai gerar
alguma consequência? Sim, súmula 388, STJ: vai gerar dano moral.
A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

7 – Sustação de cheque
Existem duas modalidades de sustação:
e. Contra-ordem ou revogação (art. 35 da lei de cheques):
- Somente o emitente do cheque pode fazer a contra-ordem ou revogação.
- Somente produzirá efeito após o prazo de apresentação. Ou seja, durante o
prazo de 30 ou 60 dias o cheque vai ser pago normalmente. O cheque somente
terá sustação propriamente dita depois que encerrar esse prazo de
apresentação.
f. Oposição ou sustação (art. 36 da lei de cheques)
- Pode ser o emitente ou portador legitimando podem fazer a sustação
- Produzirá efeito mesmo durante o prazo de apresentação.
É a sustação mais comum: cheque roubado, desacordo comercial, etc.

8 – Execução do cheque
De acordo com o art. 585, I, CPC o cheque é titulo executivo
extrajudicial, portanto pode ser objeto de ação de execução.
211

Prazo prescricional do cheque para executar o:


 Emitente ou os avalistas do emitente: prazo de 6 meses, contados do
fim do prazo de apresentação (portanto é 30 dias + 6 meses ou 60 dias + 6
meses). Portanto pouco importa o dia que o cheque foi apresentado, o prazo
conta do fim desse prazo de apresentação.
 Endossante ou avalista do endossante: prazo de 6 meses, contados do
protesto. Problema: a lei diz que esse protesto poderá ser substituído por uma
declaração do banco sacado ou por declaração da câmara de compensação.
Essa declaração é aquele carimbo que vem no cheque dizendo que o cheque
voltou por falta de fundo. Então esse carimbo é suficiente (conta-se o prazo a
partir dessa declaração), essa declaração substitui o protesto.
Cuidado: no caso de conta conjunta o STJ já decidiu que quem deve figurar no
polo passivo na execução bem como o deve que deve constar no protesto do
cheque é aquele que emitiu o cheque. Ex: Alexandre e Daniele tem conta
conjunta. Só que Daniele emite um cheque sem fundo. Quem deve figurar no
polo passivo da execução e ter o nome constando nos termos do protesto é
quem assinou o cheque (se Alexandre for colocado no polo passivo é causa de
ilegitimidade passiva). Segundo o STJ só deve constar os dois nomes quando
ficar difícil identificar quem foi que assinou (assinatura dificil).
Segundo o STJ a competência territorial para a execução é o lugar de
pagamento do cheque, ou seja, na agência bancária. Portanto, se a agência
bancária de Fulano fica em Campinas a ação de execução deve ser ajuizada
em Campinas (praça de pagamento). Somente na omissão do lugar da agencia
no cheque é que será no domicílio do emitente.
Caso: o portador do cheque era um idoso. Daí esse idoso quis entrar
com a ação de execução no domicilio do credor, aplicando-se para o caso o
estatuto do idoso. O STJ disse que não, que a competência do cheque não era
atingida pelo o estatuto do idoso, e que portanto a execução deveria ser
ajuizada no lugar de pagamento.

9 – Cheque prescrito
Se o cheque está prescrito existem duas opções para cobrar o cheque
prescrito:
212

 Ação de locupletamento ilícito (art. 61 da lei de cheque). Essa ação é


como se fosse uma ação de cobrança do rito ordinário e o prazo para isso e de
2 anos contados do fim do prazo de prescrição.
 Só que essa regra é da lei de cheque que é de 1985. Só que em
momento posterior houve a inserção no ordenamento jurídica da ação
monitória. Assim, o STJ na sumula 299 orienta a cobrança de cheque prescrito
por via da ação monitória. O STJ que nesse caso aplica-se a regra do art. 206,
§5º, I, CC que estipula um prazo de 5 anos, que deve ser contado a partir da
data de emissão, pois para o STJ o cheque prescrito é instrumento particular
de divida, devendo o prazo ser de 5 anos e não de 3 anos.
O STJ entendeu que não precisa demonstrar a causa debendi na ação
monitória, ou seja, não precisa demonstrar a causa (negócio subjacente) que
deu origem à emissão do título. Resp 1199001/RS. Resp 1162207/RS.

10 – Prazos prescricionais dos títulos


Devedor Codevedor e Direito de
principal e avalista regresso
avalista
Letra de câmbio 03 anos contados 01 ano do Prazo de 06
e nota do vencimento. contado do meses contado
promissória protesto. do pagamento ou
de quando
demandado.
Duplicata 03 anos contados 01 ano do Prazo de 01 ano
do vencimento. contado do contado do
protesto. pagamento ou de
quando
demandado.
Cheque 6 meses contados 6 meses contados 6 meses do
do fim do prazo do protesto (a pagamento ou de
de apresentação declaração do quando
banco sacado ou demandado.
câmara de
213

compensação
substitui o
protesto)
214

AULA 04
SOCIEDADES
1 – Introdução
Tipos de sociedade:
 Sociedade não-personificada ou despersonificada: É aquela sociedade
que não possui personalidade jurídica.
Existem dois tipos de sociedades não-personificadas:
- A sociedade em comum.
- A sociedade em conta de participação.
 Sociedade personificada: É aquela que possui personalidade jurídica.
Quando uma sociedade adquire personalidade jurídica?
Art. 985, CC – O início da personalidade jurídica se dá com o registro.
O encerramento da sociedade se dá com o processo dissolutório, que
pode ser judicial ou extrajudicial. O procedimento dissolutório possui três fases:
 Fase da dissolução
 Fase da liquidação.
 Fase da partilha.

Efeitos da personalização
d) Autonomia patrimonial – a sociedade só terá patrimônio próprio somente
se ela tiver personalidade jurídica.
e) Titularidade negocial – possibilidade da sociedade negociar (fazer
contrato de compra e venda, leasing, etc).
f) Titularidade processual – é a aptidão para demandar e ser demandado.

2 – Sociedade em comum (art.986, CC)


2.1 – Conceito
Sociedade em comum é a sociedade que não foi levada a registro.
Antigamente essa sociedade era chamada de sociedade irregular
(aquela que tinha contrato mas não era levado a registro) e sociedade de fato
(aquela que não tinha nem contrato). Essa definição não existe mais. O certo
agora é chamar esse tipo de sociedade de sociedade em comum.
2.2 – Patrimônio
215

A sociedade em comum é sociedade não personificada, portanto, essa


sociedade não tem patrimônio próprio.
Ex: Marinela e Novelino resolvem montar uma loja prestadora de
serviços. A Marinela e o Novenlino colocam alguns equipamentos para poder
prestar os serviços. Esses bens estão sendo utilizados pela sociedade. De
quem é esse patrimônio? Art. 988, CC – os bens e dívidas sociais constituem
patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. Ou seja, a
titularidade desse patrimônio não é da sociedade, é dos sócios que compõe
essa sociedade. Em suma, esse patrimônio é chamado de patrimônio especial
e os sócios possuem a sua titularidade.

2.3 – Responsabilidade
A regra de responsabilidade está prevista no art. 990, CC.
Imagine que o Novelino possui uma sociedade com a Marinela com
patrimônios especiais. Imagine que essa sociedade contraiu dívidas. Essas
dívidas vão recair, primeiramente, sobre a sociedade, mas essas dívidas irão
recair sobre os bens destinados à sociedade. Se os bens sociais não forem
suficientes para saldar a dívida, o que pode acontecer é que em um segundo
momento quem vai responder pelo débito são os sócios. Isso se dá porque a
responsabilidade na sociedade em comum é uma responsabilidade ilimitada.
Ou seja, sociedade ilimitada significa que o sócio vai responder com seu
patrimônio pessoal pelas dívidas que a sociedade possui. A lei cria essa
situação justamente para apertar os sócios para que eles registrem a
sociedade (forma de impulsionar o registro, de regularizar a sociedade). Isso é
uma medida de punição, pela omissão dos sócios de não levar a registro a
sociedade. Nesta situação segue uma ordem: primeiro os bens da sociedade e
depois os bens do sócio – isso se chama benefício de ordem. Ou seja, é o
benefício que o sócio tem para que seja seguida uma ordem (art. 1024, CC).
A responsabilidade que o sócio tem perante a sociedade é uma
responsabilidade subsidiária. Por isso que se tem o beneficio de ordem.
Quando se tem o benefício de ordem a responsabilidade do sócio é subsidiária:
primeiro executa-se os bens sociais e somente depois executa-se os bens do
sócio.
216

Quando o credor verifica que os bens sociais não são suficientes, ele vai
para os bens dos sócios. Assim, o credor poderá cobrar toda a diferença
(totalidade da dívida) de qualquer um dos sócios. Ou seja, entre os sócios a
responsabilidade é solidária. Aqui pouco importa se um sócio tem mais quotas
do que o outro, qualquer um dos sócios responde pela totalidade da dívida.
Entre sócio e sociedade a responsabilidade é subsidiária. Por isso
prevalece o benefício de ordem. Já entre um sócio e outro sócio a
responsabilidade é solidária.
Além de punir os sócios pelo fato de eles não terem levado a sociedade
a registro, deve-se punir mais severamente o sócio que contrata em nome da
sociedade. Nos termos da lei (art. 990, CC), o sócio que contratou pela
sociedade não tem direito ao benefício de ordem. Ou seja, esse sócio vai
responder junto com a sociedade. Assim, o credor pode fazer recair a dívida
sobre os bens sociais e sobre os bens daquele que contratou.
Em prova de primeira fase colocar a redação confusa do art. 990, CC:
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art.
1.024, aquele que contratou pela sociedade.

2.4 – Prova da sociedade


Existe uma sociedade comum e agora se quer provar que essa
sociedade comum existe.
Se é o sócio que vai provar a existência da sociedade em comum, essa
prova deve ser necessariamente por escrito. Agora, se for um terceiro de boa-
fé, este pode provar por qualquer meio de prova (art. 987, CC).

2.5 – Caso seja levada a registro


O inicio da personalidade jurídica se dá justamente com o registro.
Portanto, se a sociedade em comum for levada a registro ela passa a adquirir
personalidade jurídica.

3 – Sociedade em conta de participação (SCP)


3.1 – Estrutura de uma sociedade em conta de participação (art. 991, CC)
Hoje a SCP é muito utilizada.
217

Aqui existe:
 O sócio ostensivo. Este sócio vai exercer o objeto social. O sócio
ostensivo terá responsabilidade exclusiva, além de agir em seu nome
individual. O sócio ostensivo pode ser pessoa jurídica ou física, e pode existir
quantos forem necessários.
 O sócio participante. Este sócio só participa dos resultados. O sócio
participante também é chamado pela doutrina de sócio oculto.
Exemplo de SCP: 99% dos Flets são construídos na forma de SCP –
Construtora Delta LTDA quer construir mas não tem dinheiro, daí ela forma
uma SCP e passa a ser sócio ostensivo. Gialluca e eu interessamos na
construção desses Flets daí nós viramos sócios participantes. O Gialluca e eu
somente damos o dinheiro. O objeto social é a atividade que será explorada
pela sociedade. Neste exemplo construir o flet é a finalidade, o objeto da
sociedade. Quem vai construir o flet é a construtora, a qual irá exercer o objeto
social. imagine que a construtora está construindo o flet e cai um tijolo sobre
um transeunte na rua. Quem responde por isso? Quem responde de forma
exclusiva é a construtora, é o sócio ostensivo. Os sócios participantes não
respondem pela obra. Como a SCP é uma sociedade não personificada ela
não tem nome empresarial, se ela não tem nome empresarial o máximo que
ela vai ter é um nome fantasia. O flat se chamará flet Morumbi. Como o flet não
tem nome, ou seja, não tem personalidade jurídica, tudo o que será feito
deverá ser feito em nome da construtora: se vai comprar piso, tinta, etc terá
que comprar em nome do sócio ostensivo (da construtura). Tudo será feito em
benefício da sociedade, mas tudo será feito em nome do sócio ostensivo.
Toda vez que se envolver uma aspecto processual envolvendo SCP
quem fica no polo ativo ou passivo é o sócio ostensivo (não pode colocar o flet
no polo da demanda).
Em razão disso é que muito gente diz que o sócio participante acaba
sendo um investidor.
Essa SCP é muito utilizada no ramo imobiliário.
Na sociedade em conta de participação a atividade constitutiva do objeto
social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo.
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade
constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio
218

ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva


responsabilidade, participando os demais dos resultados
correspondentes.

3.2 – Responsabilidade perante terceiro


Somente o sócio ostensivo é que responde perante terceiros.

3.3 – Nome empresarial


Art.1162, CC – a sociedade em conta de participação não pode ter firma
ou denominação, ou seja, a SCP não tem nome empresarial.

3.4 – Prova da sociedade


Prova-se a existência de uma SCP por qualquer meio de prova (seja
pelo sócio ou terceiro), diferentemente do que ocorre na sociedade em comum
(art. 992, CC).

3.5 – Caso seja levada a registro


A SCP não entra na regra geral (ou seja, ela não adquire personalidade
jurídica). A SCP é uma exceção. A SCP sempre será uma sociedade
despersonficada, não importa se ela foi ou não levada a registro, por ser uma
exceção à regra geral, o SCP sempre será uma sociedade despersonificada
(art. 993, CC).
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a
eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não
confere personalidade jurídica à sociedade.
Em suma, o registro, neste caso, não confere personalidade jurídica à
sociedade.
Em razão disso, na maioria das vezes, ninguém registra SCP. Os sócios
participantes se chamam ocultos porque para se saber quem são os sócios de
uma SCP é necessário ver o contrato, como o contrato, em regra, não é
registrado, não tem como saber, geralmente quem contrata com SCP só
conhece o sócio ostensivo.
OBS: Existem alguns autores (Alfredo de Assis Gonçalves), em posição
minoritária, entendem que a SCP não chega a ser uma sociedade, mas sim um
219

mero contrato de investimento. Eles ditam isso em razão do fato de que a SCP
não tem nome, nunca terá personalidade jurídica e não precisa ser registrada.
Assim, não existiria sócios, existiriam investidores. Essa questão foi levantada
porque muitas vezes as pessoas se reúnem para adquirir bens, ex: cinco
amigos reúnem para adquirir uma Ferrari, daí cada semana um fica com o
veículo. Assim, nesta situação realmente não é uma sociedade, nesta situação
realmente um investimento, por isso que se diz que a SCP possui algumas
características essenciais.
Características essenciais da SCP:
- Busca de lucro
- Afectio societatis – os sócios buscam ser sócios de um empreendimento.

4 – Sociedades personificadas
4.1 – Quadro geral
Quanto ao objeto da sociedade (natureza da sociedade), ela se
classifica em (art. 982, CC):
 Sociedade empresária – é a sociedade que tem organização empresarial
(fatores de produção – mão-de-obra, tecnologia, etc) e que tem como atividade
produção ou circulação de bens ou serviços (art. 966, CC)
 Sociedade simples – é aquela que não tem organização empresarial ou
exerce atividade intelectual (art. 966, p.u, CC). Se a sociedade não é
empresaria, por exclusão ela será sociedade simples.
A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos seguintes
tipos societários:
Sociedade em nome coletivo;
Sociedade em comandita simples;
Sociedade em comandita por ações;
Sociedade anônima (S/A);
Sociedade limitada (LTDA).

Atenção: Art. 982, p.u, CC: Independentemente de seu objeto, considera-se


empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
220

São sociedade por ações: a sociedade em comandita por ações e a


sociedade anônima. Assim, esses dois tipos societários serão sempre
sociedade empresária, face a redação do art. 982, p.u, CC.
Podem ser sociedade simples (art. 983, CC):
Sociedade em nome coletivo
Sociedade em comandita simples
Sociedade LTDA
Cooperativa.
Sociedade simples. Quando se fala em sociedade simples, pode estar
falando do objeto, mas também pode estar se referindo a um tipo societário.
Existe um tipo societário chamado sociedade simples (arts.997 e ss, CC).
Exemplos: se a sociedade limitada for simples, será uma sociedade de
limitada de natureza simples.
S/S – sociedade simples simples, ou sociedade pura (não sofreu a
influencia de nenhum outro tipo societário).
Sociedade pura  É a sociedade simples que só observa as regras de
sociedade simples.
O capítulo de sociedade simples no CC/2002 é considerado por muitos
como teoria geral das sociedades (art. 1040, 1053, CC).
Se a sociedade for empresária, ela tem que ser registrada na Junta
Comercial. Em se tratando de sociedade simples, ela deve ser registrada no
Registro Civil de Pessoa Jurídica (Cartório). Art. 1150, CC. A essa regra
existem duas exceções:
- A sociedade de advogados é sociedade simples, todavia ela é registrada na
OAB – ela só adquire personalidade jurídica se ela for registrada na OAB e não
no cartório.
- Em que pese a cooperativa ser sociedade simples, ela deve ser levada a
registro na junta comercial (art. 32, lei 8934/94). A receita federal só emite
CNPJ se ela for registrada na junta comercial.

4.2 – Classificação das sociedades personificadas


4.2.1 – Quanto às qualidades subjetivas do sócio
Critério: leva em conta o grau de dependência em relação às qualidades
subjetivas dos sócios.
221

c) Sociedade de pessoa – o atributo pessoal do sócio importa para o


desenvolvimento da sociedade. Ex: Rogério e Renato resolvem montar uma
sociedade de massagem, uma vez que o Rogério é um belo massagista.
d) Sociedade de capital – o atributo pessoal do sócio não importa para o
desenvolvimento da sociedade, mas sim o capital investigo pelo sócio. Ex:
ações da Petrobras

Exclusão de sócio por incapacidade superveniente:


Se a sociedade for de pessoa, em que o atributo pessoal do sócio é
indispensável para o sucesso da sociedade, aí sim terá a exclusão do sócio.
Se a sociedade for de capital, não se admite a exclusão do sócio por
incapacidade superveniente.

4.2.2 – Quanto ao regime de constituição e dissolução de vínculo


societário.
Critério: É o regime de constituição e dissolução de vínculo societário.
c) Sociedade contratual – o seu regime de constituição se dá por um
contrato social. Ou seja, sobre o instrumento contrato social incidirão os
princípios contratuais.
d) Sociedade institucional – o seu regime de constituição é estatuto social.
a sociedade terá estatuto social. Princípio contratual não incide sobre estatuto,
o que incide sobre estatuto é a lei 6404/76.
Exemplo: joão da silva era sócio de uma sociedade contratual. João
morre. Só que joão tinha um herdeiro. O herdeiro podia entrar na sociedade
porque o contrato permitia. Existe um princípio contratual que diz que ninguém
está obrigado a contratar, portanto o herdeiro não é obrigado a ser sócio. Agora
se João ao invés de ter sociedade contratual, tinha ações em sociedade
institucional, as ações são automaticamente transferidas para o herdeiro, pois
isso está na lei. nesta ultima situação não incide o princípio contratual de que
ninguém é obrigado a contratar, pois o que incide sobre o estatuto é a lei, e não
os princípios contratuais.

4.2.3 – Quanto à responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais


Critérios: é a responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais
222

d) Sociedade de responsabilidade ilimitada – aqui a limitação é no tocante


ao sócio. A sociedade sempre terá que responder pelas suas dívidas. Na
responsabilidade ilimitada o sócio responderá com o seu patrimônio pessoal,
pelas dívidas da sociedade. Ex: sociedade em nome coletivo.
e) Sociedade de responsabilidade limitada – o sócio, a princípio, não
responde pelas dívidas da sociedade. Ex: S/A.
f) Sociedade de responsabilidade mista – ocorre quando a sociedade
possui sócios com responsabilidade limitada e ilimitada. Ex: sociedade em
comandita simples.
Cuidado: sociedade de economia mista (tem responsabilidade limitada) é
diferente de sociedade de responsabilidade mista.

4.2.4 – Quanto à nacionalidade da sociedade


Critério: Nacionalidade da sociedade
Aqui pouco importa a nacionalidade dos sócios. Se o sócio é ou não
estrangeiro não faz a mínima diferença, o que define se a sociedade é
estrangeira ou não são os critérios do art. 1126, CC:
- A sede da administração deve ser no Brasil
- A sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira.
c) Sociedade nacional – é a sociedade em que a sede da administração é
no Brasil e é organizada de acordo com a lei Brasileira. Ex: Ford no Brasil; Lg
no Brasil (apesar de o sócio ser estrangeiro, a sede da sociedade é no Brasil e
é de organizada de acordo com a lei estrangera)
d) Sociedade estrangeira - é a sociedade em que não tem a sede da
administração no Brasil (sede fora do Brasil) e não é organizada de acordo com
a lei Brasileira.
Um argentino tem 90% das quotas de uma sociedade. Um paraguaio
tem outros 10%. Juntos eles montam uma sociedade de fogos de artifício no
Brasil. Essa sociedade é nacional ou estrangeira?
Se a sociedade for estrangeira, ela deve obedecer à regra do art. 1134,
CC: a sociedade estrangeira só pode funcionar no Brasil com autorização do
poder executivo, todavia, a sociedade estrangeira pode ser sócia de sociedade
anônima brasileira sem autorização do poder executivo.
223

Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto,


não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País,
ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia,
ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade
anônima brasileira.

Enunciado 486 da jornada de direito civil:


486) Art. 1.134: A sociedade estrangeira pode, independentemente
de autorização do Poder Executivo, ser sócia em sociedades de
outros tipos além das anônimas.

Esse enunciado autoriza outro tipo societário a ser utilizado pela


sociedade estrangeira no Brasil. Portanto, a sociedade estrangeira pode, por
exemplo, ser sócia de sociedade limitada sem autorização do poder executivo.

4.3 – Constituição
A constituição das sociedades contratuais devem obedecer ao seguinte:
c) Contrato social. O contrato social pode ser elaborado por instrumento
particular (que é o mais comum – minuta feita pelo advogado), mas nada
impede de ser feito o contrato por instrumento público no tabelionato de notas.
Ambos serão registrados, portanto o efeito é o mesmo. Tanto um como outro
(minuta e instrumento público) precisam de visto de advogado sob pena de
nulidade (lei 8906/94, art. 1º). Quando se tratar de microempresa e empresa de
pequeno porte, não é necessário o visto do advogado (LC 123/06, art. 9º), ou
seja, exceção à regra da lei 8906/94.
d) Requisitos específicos:
b.1) Pluralidade de sócio – a sociedade precisa de 2 ou mais sócios. Para
montar uma sociedade hoje é necessário no mínimo dois sócios, ou seja, para
constituir uma sociedade é preciso de um número plural de pessoas.
Depois que a sociedade foi constituída ela pode ser unipessoal?
A princípio não, todavia, admite-se a unipessoalidade temporária no
prazo de 180 dias (). Ultrapassado esse prazo é preciso encerrar a sociedade.
Ex: João e Maria eram sócios. Maria morre. Joao tem o prazo de 180 dias para
colocar outra pessoa no lugar de Maria.
b.2) Contribuição dos sócios com a formação do capital social.
224

Imagine uma sociedade prestadora de serviços. Existem 4 sócios (João, Maria,


Caio e Ana). Só que para montar a sociedade é necessário um capital de 100
mil reais. Quando o sócio se compromete a colocar o percentual na sociedade,
este ato chama-se subscrição (comprometimento do sócio de colocar um
percentual na sociedade). Quando o sócio efetivamente paga esse percentual
esse ato chama-se integralização. Capital social é o valor que está destinado
para exploração de atividade que vem da contribuição dos sócios.
Capital social – é o valor destinado para a exploração da atividade provindo da
contribuição dos sócios.
b.3) Affectio societatis – É a disposição dos sócios em formar e manter a
sociedade uns com os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a
sociedade não se constitui ou deve ser dissolvida (Fábio Ulhoa Coelho). Em
suma, a affectio societatis é o ajuste de vontade dos sócios. É a vontade
comum entre os sócios. Ex: eu quero ter uma escola de futebol dentro do
estado de SP. Segundo o enunciado 67 do Conselho da Justiça Federal, a
ausência do affectio societatis não é motivo para excluir sócio, mas sim para
dissolução parcial. Se um sócio não se entende mais com o outro sócio, não é
por conta disso que o sócio A será excluído da sociedade. Assim, faz uma
dissolução parcial da sociedade – um sócio fica com uma filial e o outro com a
outra filial. A justifica para o enunciado 67 é a boa-fé contratual e a segurança
das relações jurídicas.
b.4) Distribuição dos lucros. O que se busca em uma sociedade é uma
finalidade lucrativa.
225

AULA 05
SOCIEDADES EM ESPÉCIE
1 – Sociedade simples
1.1 – Constituição
A sociedade simples é constituída por contrato social, o qual pode ser
tanto por instrumento público, quanto por instrumento particular (contrato
elaborado por advogado).
Uma vez que o ato constitutivo (contrato social) teve a assinatura dos
sócios da sociedade, as partes possuirão o prazo de 30 dias para procederem
ao registro da sociedade simples no registro civil de pessoa jurídica. Esse
registro produz efeito ex tunc, ou seja, desde do ato da assinatura do contrato
social aplica-se as regras de sociedade simples.
E se o registro foi feito após o prazo de 30?
O efeito aqui será efeito ex nunc. Ou seja, só vai aplicar as regras da
sociedade simples a partir do registro – do registro pra frente. No período antes
do registro até o ato de assinatura do contrato social as regras que serão
aplicadas a essa sociedade são as regras da sociedade comum (a sociedade
sem registro é considerada sociedade em comum, por isso que nesse intervalo
de tempo aplica-se as regras da sociedade comum). Art. 998, CC.

1.2 – Cotas sociais


Cotas sociais são frações do capital social que conferem ao seu titular
direito de sócio.
Rubens Requião dizia que esse direito de sócio é direito de duplo
aspecto: quando a pessoa é sócia de uma sociedade ela possui direito
patrimonial e social. Quando se diz direito patrimonial está se referindo a
crédito (participação nos lucros, recebimento dos haveres*). O aspecto social
diz respeito ao direito do sócio de votar, participar das decisões, direito de
fiscalizar, direito de preferência, etc. Por isso dizer que quem tem direito a
cotas tem direito de duplo aspecto: direito patrimonial e social.
*Haveres - Se a pessoa foi excluída ou saiu da sociedade ela tem direito à
restituição do dinheiro investido na sociedade.
# Quem pode ser sócio de uma sociedade simples?
226

Pode ser sócio de uma sociedade simples tanto a pessoa natural como
também a pessoa jurídica.
# O incapaz pode ser sócio de uma sociedade simples?
O STF já autorizou o incapaz a participar de sociedade (RE 82.433/SP).
Esse entendimento do STF foi incorporado por uma regra no CC/2002 (art.
974, §3º). Para que o incapaz possa ser sócio de uma sociedade é preciso
preencher três requisitos:
 O incapaz deve estar devidamente assistido ou representado;
 O incapaz não pode exercer a administração;
 O capital social deve estar totalmente integralizado. Todos os sócios que
compõe a sociedade devem pagar as suas respectivas cotas.
O incapaz não pode ser empresário individual, ele não pode criar.
Todavia, o incapaz pode continuar, sozinho, a empresa individual. Na situação
anteriormente exposta não se trata de empresário individual e sim de
sociedade, por isso que a sociedade pode ser criada com incapaz.
Pode sim sociedade entre marido e mulher, desde que o regime do
casamento não seja o de comunhão universal e de separação obrigatória (art.
977, CC – esta regra se aplica para todo tipo de sociedade). Pessoas que
vivem em união estável admite-se a possibilidade de sociedade entre eles.
Essa regra aplica-se somente para as sociedade constituídas após a vigência
do CC/2002.
Não pode constituir sociedade na comunhão universal porque ocorre a
confusão patrimonial. Ex: esposa tem 99% e o marido tem 1%. Como o regime
é de comunhão universal a esposa não tem 99%, ela tem 100% e o marido não
tem somente 1%, ele tem 100%. Isso gera confusão, pois o credor não sabe se
o bem é do sócio ou da família, etc. No regime de separação obrigatória isso se
dá por causa do golpe do baú: mulher casava com homem só por causa do
dinheiro, daí, por ser o homem idoso, o regime de casamento era o de
separação obrigatória. Como a mulher não tinha direito à meação, ela pedia
para o marido montar uma sociedade e colocar os bens dele na sociedade. Daí
o marido morria e os bens ficavam para ela.
Antes do CC/2002, podiam os cônjuges casados sob o regime de
comunhão universal constituir sociedade. Assim, no caso de sociedades
227

constituídas antes do CC/2002, elas permanecem como estão, face o ato


jurídico perfeito e do direito adquirido.
Pessoas casadas sob o regime de comunhão universal para poderem
constituir sociedade juntas só podem fazer após mudarem o regime de
casamento (art.1.639, §2º CC). pedindo para constituir sociedade esses
cônjuges podem alterar regime de bens.

1.3 – Forma de integralização das cotas


Situação: prestadora de serviço de limpeza. Os sócios decidiram que o
capital social será no valor de 100 mil reais. Imagine que a sociedade possui 4
sócios. O sócio A possui 40%, o sócio B possui 30%, o sócio C possui 20% e o
sócio D possui 10%. O sócio A integraliza com dinheiro. O sócio B integraliza
com crédito (cheque pré-datado, nota promissória). O sócio C integraliza com
bens. O sócio D integraliza o capital social mediante prestação de serviço.
Subscrição  Ato em que o sócio se compromete a colocar um percentual na
sociedade.
Integralização  acontece quando o sócio paga a parte dela da sociedade. A
integralização pode ser feita através de dinheiro, crédito, bens (móveis e
imóveis).
Atenção: Na sociedade simples o capital social pode ser integralizado na
forma de prestação de serviço (art. 1006, CC). Todavia, se o sócio vai prestar
serviço ele deve ser prestado com exclusividade (o sócio não pode ter outro
emprego, ser sócio de outra sociedade, etc), sob pena de ser excluído e
privado dos lucros da sociedade. Exceção: se os sócios definirem de forma
diferente no contrato. Ex: os sócios autorizam que esse sócio que vai
integralizar o capital social com prestação de serviço seja sócio de outra
sociedade, que tenha outro emprego, etc.
Quando o sócio integraliza o capital social com bem imóvel, o sócio
transfere a titularidade do bem para a sociedade (pessoa jurídica). Nessa
transferência de bem imóvel não incide ITBI (caso de imunidade especial – art.
156, §2º, CF).
228

1.4 – Sócio remisso


O sócio remisso é aquele que não integralizou total ou parcialmente sua
cota. Ex: no exemplo acima o sócio C integralizou apenas 15% de sua cota. O
sócio C será o sócio remisso.
O art. 1004, §único, CC diz que se deve notificar o sócio remisso e dar o
prazo de 30 dias par a integralizar totalmente o capital social. Decorrido o prazo
e não tendo o sócio remisso integralizado o capital, os sócios podem fazer o
seguinte:
- Excluir o sócio remisso
- Entrar com ação de indenização cobrando o valor que o sócio está devendo
- Redução de cota – reduz o capital social do sócio remisso.

1.5 – Cessão de cotas


Só pode fazer a transferência se tiver unanimidade de sócio. A
unanimidade de sócios devem autorizar a transferência de cotas para outra
pessoa.
É muito com um que o sócio quando vê que a sociedade está contraindo
dívidas saia da sociedade. Assim, o CC estabeleceu que o sócio após a sua
saída da sociedade ele continua respondendo pela sociedade pelo prazo de 2
anos (art. 1003, p,u, CC). Este prazo de 2 anos começa a contar a partir da
averbação da modificação do contrato.
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente
modificação do contrato social com o consentimento dos demais
sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade.
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do
contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário,
perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como
sócio.
Art. 1025, CC: O sócio, admitido em sociedade já constituída, não se
exime das dívidas sociais anteriores à admissão. Ou seja, o sócio responde
pelas dívidas anteriores à sua admissão. Por isso é bom ver as dívidas da
sociedade antes de entrar nela.

1.6 – Responsabilidade dos sócios na sociedade simples


229

Na sociedade simples quem define o tipo de responsabilidade é o


contrato social. É o contrato social que vai definir se a responsabilidade é
limitada ou ilimitada. Se a sociedade for ilimitada define ainda se ela será
subsidiária (primeiro verifica os bens da sociedade aí então o sócio responde
pelo saldo remanescente) ou solidária (o sócio responde junto com a sociedade
pelas dividas desta).
E no caso de omissão (quando o contrato não trata do assunto)?
Aplica-se a regra do art. 1023, CC: A responsabilidade é ilimitada e
subsidiária.
Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os
sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas
sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.
Enunciado 479, da V jornada de direito civil:
479) Art. 997, VII. Na sociedade simples pura (art. 983, parte final, do
CC/2002), a responsabilidade dos sócios depende de previsão
contratual. Em caso de omissão, será ilimitada e subsidiária,
conforme o disposto nos arts. 1.023 e 1.024 do CC/2002.
1.7 – Direitos dos sócios
1.7.1 - Direito de participação nos lucros sociais (art. 1008, CC)
A clausula que exclui o sócio de participar dos lucros é nula de pleno
direito (nulidade da clausula contratual), pois o sócio investiu na sociedade
(seja em dinheiro, bens, serviços, crédito). Assim, quem investe tem direito à
participação dos lucros.
Atenção: Não confundir lucro com pro labore. O lucro é a remuneração
decorrente do investimento que foi feito. Pro labore é a remuneração
decorrente do trabalho, do labor. Se a pessoa investe na sociedade, mas nem
aparece lá (não administra, não trabalha, não faz nada) esse sócio não terá
direito ao pro labore, mas terá direito ao lucro. Já se a pessoa participa da
administração, faz reunião, trabalha, etc, esse sócio terá direito ao pro labore e
aos lucros.
OBS: A regra geral na participação dos lucros é de ela ser proporcional ao
percentual das cotas sociais. Todavia, nada impede que os sócios em uma
reunião, assembleia, ou por meio do contrato social definam de forma diferente
a participação dos lucros (art. 1007, CC). Ex: Ana tem 30% e Alfredo 70% -
assim Ana tem 30% dos lucros e Alfredo 70% dos lucros. Todavia, Alfredo,
230

reconhecendo o trabalho de Ana, decide que Ana terá direito a 50% dos lucros.
Isto não mudou o percentual de participação de Ana na sociedade a qual
continua tendo apenas 30%, o que mudou foi a sua porcentagem no lucro que
de 30% passou para 50%.
Enunciado 475, V, jornada de direito civil:
475) Arts. 981 e 983. Considerando ser da essência do contrato de
sociedade a partilha do risco entre os sócios, não desfigura a
sociedade simples o fato de o respectivo contrato social prever
distribuição de lucros, rateio de despesas e concurso de auxiliares.

1.7.2 - Direito de retirada ou recesso


Direito de retirada ou recesso é a possibilidade que o sócio tem de
retirar-se, de sair da sociedade. Não tem nada a ver com lucro. Não se trata de
retirada mensal. Isto é pegadinha do examinador pois ele pergunta em prova
quanto vai ser o direito de retirada do sócio, dando a entender que será o lucro.
O prazo da retirada é determinado ou indeterminado:
Não se pode exigir que o sócio seja sócio para sempre. Se a sociedade
é com prazo determinado, o sócio só pode sair com justa causa e deve-se
provar judicialmente.
Na sociedade por prazo indeterminado o sócio pode se retirar, todavia
para isso deve fazer uma notificação para os demais sócios no prazo de 60
dias.
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer
sócio pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado,
mediante notificação aos demais sócios, com antecedência mínima
de sessenta dias; se de prazo determinado, provando judicialmente
justa causa.
Parágrafo único. Nos trinta dias subseqüentes à notificação, podem
os demais sócios optar pela dissolução da sociedade.

1.7.3 - Direito de participação nas deliberações sociais


O sócio tem direito de influir nas decisões pela sociedade. As decisões
são tomadas em reunião ou assembleia. A regra das deliberações está prevista
no art. 1010, CC: em regra geral, nas deliberações, prevalece a decisão
tomada pela maioria do capital social. No caso de empate, o primeiro critério de
231

desempate é o número de sócios (ex: 1 sócio, com 50% das cotas, votou sim e
2 sócios, com 50% das cotas, votaram não. Neste caso, prevalece o voto não).
No caso de empate do capital social (cotas) e do numero de sócios é
necessário um segundo critério de desempate que é a decisão judicial.
Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos
sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão
tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas
de cada um.
§ 1o Para formação da maioria absoluta são necessários votos
correspondentes a mais de metade do capital.
§ 2o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no
caso de empate, e, se este persistir, decidirá o juiz.

1.7.4 – Exclusão do sócio


O sócio tem direito de excluir outro sócio que pratique ato que prejudique
a sociedade. O art. 1030, CC permite a exclusão de sócio, face incapacidade
superveniente ou pratica falta grave (concorrência desleal, não comparece na
sociedade, não ajuda, etc). Existe ainda a possibilidade de exclusão do sócio
remisso. São situações que comprometem a sociedade.

1.7.5 – Apuração de haveres


Não importa se o sócio saiu porque foi excluído ou porque ele se retirou,
todo sócio investe capital na sociedade, e por isso ele tem direito a essa
parcela do patrimônio da sociedade que ele ajudou a construir. O sócio tem
direito de receber uma parcela do patrimônio da sociedade (haveres).
Quem define a forma que vai ser pago os haveres é o contrato social. Na
omissão do contrato aplica-se a regra do art. 1031, CC: faz um balanço
patrimonial especial. Aqui apura-se um valor e sob este valor que aplica-se o
percentual das cotas do sócio que irá sair. Ex: o balanço da empresa deu 500
mil reais. Fulano, que irá sair, tem 20% das cotas da empresa. O valor que
fulano tem direito é de 20% de 500 mil reais.
Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em relação a
um sócio, o valor da sua quota, considerada pelo montante
efetivamente realizado, liquidar-se-á, salvo disposição contratual em
contrário, com base na situação patrimonial da sociedade, à data da
resolução, verificada em balanço especialmente levantado.
232

§ 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se os


demais sócios suprirem o valor da quota.
§ 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa
dias, a partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação contratual
em contrário.

1.8 – Direitos do cônjuge separado (divorciado) e dos herdeiros do


cônjuge falecido
João é casado com Maria sob o regime de comunhão parcial de bens.
Maria tem 50% das cotas de uma sociedade. Maria e João divorciam. João e
Maria acordam que ele terá direito a 25% das cotas de Maria. Todavia, João
não pode ser sócio, mas pode participar dos lucros.
O CC presa pela preservação da empresa. Assim, segundo o CC/2002 o
cônjuge divorciado que não participa da sociedade tem direito à participação
dos lucros, o outro cônjuge não pode ser sócio, mas pode participar dos lucros
(art. 1027, CC). O cônjuge vai participar dos lucros até o momento que se
liquide a empresa. O juiz pode conceder uma liminar para que o cônjuge tenha
direito à participação dos lucros da empresa.

1.9 – Administração
1.9.1 – Quem pode ser administrador?
Somente pessoa natural. Pessoa jurídica não pode ser administrador
(art. 997, VI, CC). Por causa do art. 997, VI, CC ficou claro que somente a
pessoa natural pode cuidar de administração de sociedade.
Pode ser administrador o sócio e o não sócio. Ante do CC/2002 somente
o sócio poderia ser administrador. Assim, hoje pode-se contratar profissionais
para administrar a sociedade.
Proibição para administrar sociedade (art. 1011, §1º, CC):
- condenado por crime falimentar, crime de relação de consumo e condenado
que tenha como pena não ter cargo público.
§ 1o Não podem ser administradores, além das pessoas impedidas
por lei especial (juiz, promotor, procuradores – são impedidos por
suas leis orgânicas), os condenados a pena que vede, ainda que
temporariamente, o acesso a cargos públicos; ou por crime
falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato;
233

ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional,


contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de
consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os
efeitos da condenação.
1.9.2 – Designação do administrador
O administrador pode ser designado/nomeado no contrato social ou em
ato separado (ex: ata de assembleia).
Se o contrato for omisso ou inexistir ato em separado nomeando
administrador, a administração da sociedade compete separadamente a cada
um dos sócios. Ou seja, nesta situação todos os sócios serão administradores,
não é somente o sócio majoritário (art. 1013, CC).

1.9.3 – Poderes do administrador (arts. 1018 e 1019, CC)


Contrato social Ato em separado
Administrador sócio O administrador sócio O administrador sócio
que é nomeado em que é nomeado em ato
contrato social, os seus separado, os seus
poderes são poderes são revogáveis
irrevogáveis. Só pode pela sociedade a
ser revogado os poderes qualquer tempo.
mediante ação judicial.
Administrador não O administrador não O administrador não
sócio sócio pode ter os seus sócio pode ter os seus
poderes revogados a poderes revogados a
qualquer tempo. qualquer tempo.
Nesse sentido, a melhor opção para se nomear administrador é por ato
em separado, pois não importa se o administrador é sócio ou não, os poderes
serão sempre revogáveis. Caso os poderes seja irrevogáveis, se o sócio fizer
merda vai demorar muita para revogar esses poderes, pois eles só podem ser
revogados mediante ação judicial.

1.9.4 – Responsabilidade do administrador


O administrador é na verdade o representante legal da sociedade.
Portanto, os atos que ele pratica ele o faz representando a vontade da pessoa
234

jurídica. Deste modo, a regra geral é de que a reponsabilidade é da sociedade,


e não do administrador. Quando o administrador vai para a reunião e assina
um contrato, quem assina não é o Fulano e sim a sociedade.
Caso o administrador haja com culpa no desempenho de suas funções
aplica-se a regra do art. 1016, CC: o administrador responde de forma solidária
com a sociedade.
Quando o administrador age com excesso, isso está ligado à teoria ultra
vires (art. 1015, §único, CC).
Teoria ultra vires significa além das forças, além da vontade da
sociedade, além das forças/poder que a sociedade conferiu ao administrador.
O administrador age ultrapassando as barreiras que lhe foram concedidas.
Hipóteses:
- Se a limitação de poderes estiver declinada no contrato social. Ex: às vezes
no contrato social existe clausula dizendo que o administrador não pode prestar
fiança ou aval. Daí o administrador vai lá e coloca a sociedade como avalista.
Quando isso ocorre a sociedade não responde. Quem responde é o
administrador, visto que ele agiu com excesso. Era dever da outra parte olhar o
contrato social e olhar que o administrador não tinha poderes para tanto.
- Provando-se que o excesso era conhecido por terceiro. Na prática esta
situação é muito rara pois deve-se provar um aspecto subjetivo do terceiro.
Nesta situação a sociedade não responde, quem responde é tão somente o
administrador.
- Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da
sociedade. Aqui tem um administrador que pratica ato que não tem a ver com a
atividade que a sociedade desempenha. Ex: administrador de uma cantina
italiana e compra 15 computadores. O quem tem a ver a compra de 15
computadores com a cantina italiana. A cantina não é loja de informática.
Quando isso ocorre, o administrador é quem responde e não a sociedade.
Ato ultra vires é aquele praticado pelo administrador, além das forças a
ele atribuídas pelo contrato social, ou seja, com extrapolação dos limites
estabelecidos pela sociedade. Segundo esta teoria, não é imputável à
sociedade o ato ultra vires (a responsabilidade será exclusiva do
administrador).
235

Esta teoria ultra vires adotada pelo CC/2002 vai em contramão do


entendimento jurisprudencial. Antes do CC/2002 a teoria que prevalecia era a
teoria da aparência
(teoria oposta à ultra vires ). Pela teoria da aparência a responsabilidade
perante terceiro é da sociedade, pois aparentemente o administrador tinha
poderes para realizar tal ato. Quando se adota a teoria da aparência prima-se
pela boa-fé do terceiro (privilegia-se o terceiro de boa-fé). É impossível que
uma empresa toda vez que seu cliente for comprar ele pegue o contrato social
para saber se o administrador tem ou não poderes– imagine isso no caso de
uma grande empresa. Em razão disso a jurisprudência adota a teoria da
aparência.
A dinâmica das relações contratuais (operações em massa) aliada à
proteção da boa-fé impõe a aplicação da teoria da aparência. Antes mesmo do
CC já se falava em teoria da aparência (antes do CC só tinha a teoria da
aparência). Daí veio o CC e adotou a teoria da ultra vires. Mas a jurisprudência
continua adotando a teoria da aparência. Enunciado 11 da I jornada de direito
comercial:
11. A regra do art. 1.015, parágrafo único, do Código Civil deve ser
aplicada à luz da teoria da aparência e do primado da boa-fé objetiva,
de modo a prestigiar a segurança do tráfego negocial. As sociedades
se obrigam perante terceiros de boa-fé.

1.10 – Dissolução
A dissolução pode ser: parcial ou total.
A dissolução parcial ocorre quando um ou mais sócios saem da
sociedade, mas a sociedade é mantida, preservada, ela continua em atividade.
Já a dissolução total é causa de extinção da pessoa jurídica.

1.10.1 – Casos de dissolução parcial


g) Vontade dos sócios;
h) Direito de retirada – aqui o sócio que está se retirando o sócio quer sair,
mas os outros sócios queriam que ele ficasse. Quando não há um
consentimento sobre a saída do sócio, ele exerce o seu direito de retirada;
i) Morte de sócio;
236

j) Falência do sócio (aqui a falência é do sócio e não da sociedade);


k) Liquidação de cota a pedido do credor. O credor pede a execução
daquela cota.
Toda vez que tem dissolução parcial, em qualquer desses casos, tem a
chamada apuração de haveres. Enunciado 13, I jornada de direito comercial:
13. A decisão que decretar a dissolução parcial da sociedade deverá
indicar a data de
desligamento do sócio e o critério de apuração de haveres.
l) Exclusão de sócio.

1.10.2 – Dissolução total


g) Vontade dos sócios. Sócios querem encerrar a sociedade.
h) Decurso do prazo. Se a sociedade é com prazo determinado, uma vez
que encerra o prazo, a sociedade terá a sua extinção. Aqui é como um contrato
de locação. Se os sócios não se manifestaram a respeito da extinção uma vez
decorrido o seu prazo de funcionamento, e continuaram a sociedade, a
sociedade será prorrogada por prazo indeterminado.
i) Falência da sociedade. Aqui a falência é da sociedade e não do sócio.
j) Unipessoalidade por mais de 180 dias. A sociedade pode ter dois sócios
ou mais. Agora se tem uma sociedade com dois sócios e um deles faleceu, por
exemplo, o outro sócio pode ficar sozinho somente pelo prazo de 180 dias.
Após este prazo ocorre a extinção, a dissolução total da sociedade.
Cuidado: Nesta situação não está o outro sócio obrigado a fazer a dissolução
total: ele pode transformar a sociedade em empresária individual ou pode
transformar a sociedade em EIRELI (art. 1033, §único, CC).
k) Inexequibilidade do objeto social. Objeto social inexequível é aquele que
não tem mercado. Ex: montar loja de maquina de datilografia no Iguatemi.
l) Extinção de autorização para funcionamento (art. 1033, V, CC).
Em nenhum dos casos de dissolução total o MP vai se manifestar. Agora
quando ocorre extinção de autorização para funcionamento, os administradores
da sociedade terão 30 dias para providenciar a liquidação (fechar a sociedade,
vender os bens e pagar os credores). O problema é que se os administradores
não providenciarem isso, será da competência do MP providenciar a liquidação
judicial da sociedade (art. 1037, CC). Isto despenca em prova de concurso.
237
238

AULA 06
SOCIEDADE LIMITADA
1– Legislação aplicável
No CC nós temos um capítulo próprio só tratando de sociedade limitada
(arts. 1052 e ss, CC).
Na omissão do capitulo da sociedade limitada no CC qual regras
devemos aplicar?
A lei diz que na omissão do capitulo do CC que trata sobre a sociedade
limitada devemos recorrer às regras de sociedade simples. No entanto, o art.
1053, p.u, CC diz que o contrato social da limitada pode dispor de forma
diferente: o contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade
limitada pelas normas da sociedade anônima. Em suma, se o contrato social da
sociedade limitada prevê regência supletiva da SA devemos aplicar as regras
da SA. Agora se o CC e o contrato social (não tratar da regência supletiva) são
omissos, devemos aplicar subsidiariamente as regras de sociedade simples.

2 – Características da sociedade limitada


 A sociedade limitada é uma sociedade contratual. Ou seja, o ato
constitutivo da sociedade limitada é um contrato social.
 A sociedade limitada pode ser ou uma sociedade empresária ou uma
sociedade simples. A limitada pode ter natureza empresarial quanto simples.
Exemplo de sociedade LTDA empresária: hotel, supermercado, Casas Bahia,
Ford Brasil, etc. exemplo de sociedade simples: sociedade de médicos,
contadores, etc.
 Nome empresarial: a sociedade pode ser tanto a firma social quanto
denominação. Exemplo de firma social: Alexandre Dantas e Renata Franco
rest. LTDA (na firma coloca nome de sócio). Exemplo de denominação: Gato
sabido Com. de Papelão LTDA.

3 – Responsabilidade do sócio (art. 1052, CC)


Regra geral: Na sociedade limitada a responsabilidade do sócio é
restrita ao valor de suas cotas, mas todos os sócios respondem de forma
solidária pelo que falta para a integralização do capital social.
239

Exemplo: imagine uma farmácia na forma de sociedade LTDA e os


sócios decidiram que o capital social, o valor para investir nessa sociedade é
de R$ 100 mil reais. Existem quatro sócios: A com 40% das cotas; B com 30%
das cotas, C com 20% e D com 10%. Os quatro sócios integralizaram. O capital
social está totalmente integralizado – todos sócios contribuíram com as suas
respectivas participações. A responsabilidade do sócio está restrita ao valor de
suas cotas. Deste modo, se o sócio pagou acabou a responsabilidade dele.
Imagine que essa sociedade limitada tenha uma divida com a CAIXA. A divida
na CAIXA é de R$ 140 mil reais. A farmácia não paga a divida. A CAIXA
resolve executar o contrato. A CAIXA terá direito ao valor do capital social que
é de 100 mil reais, todavia ainda fica faltando 40 mil reais para receber. A
CAIXA pode cobrar esse saldo dos sócios da LTDA? Não, pois a única
responsabilidade que sócio tem é no tocante ao valor de sua cota e ponto final.
Quando o banco contrata com a sociedade limitada ele sabe que a
responsabilidade é limitada, por isso que o banco não empresta qualquer valor,
pede copia do contrato social, pede que o sócio figure como fiador, etc.
Imagine que um dos sócios não integralizou o valor. Portanto o capital
não está totalmente integralizado: tem somente 80 mil reais porque falta os
20% de C. O capital não está integralizado, só que a CAIXA tem direito de
receber os 100 mil reais, todavia ela recebeu somente 80 mil. O banco pode
cobrar dos outros sócios os 20 mil reais? Sim, todos os sócios respondem de
forma solidária pelo que falta para a integralização do capital social. Deste
modo, o banco pode cobrar de qualquer um dos sócios o montante de 20 mil
reais que é o valor restante que falta para integralizar o capital social.
Exceções: nessas hipóteses a responsabilidade do sócio passa a ser
uma responsabilidade ilimitada. A regra é que a responsabilidade está limitada
à cota dos sócios, mas nesses casos de exceções a responsabilidade é
ilimitada:
 Dívida trabalhista: são diversos os julgados que dizem que não importa
se a sociedade limitada, os sócios respondem pelo passivo trabalhista se a
sociedade não tiver bens suficientes.
 Ausência de registro: se a sociedade não for registrada ela não e
limitada, ela é uma sociedade em comum, portanto a responsabilidade será
ilimitada.
240

 Casos de desconsideração da personalidade jurídica. Existem situações


que justificam a desconsideração da personalidade jurídica, não fugindo a
sociedade limitada dessa regra.
 Dissolução irregular (STJ). Dissolução irregular é a baixa irregular. Para
dissolver a sociedade o sócio tem que pagar uma CNT trabalhista e uma CNT
tributária (documentação exigida pelos órgãos de registro para dar baixa). Em
razão disso os sócios não dão baixa regular no órgão competente. Quando
ocorre isso o STJ diz que os sócios que não deram fim regularmente à
sociedade passa a ter responsabilidade ilimitada (os socos vão responder com
seu patrimônio pessoal pelas dividas da sociedade).
 Dívida tributária:
A dívida tributária é a regra do art. 133, V do CTN.
Quem responde não é o sócio, é o administrador.
Há duas situações distintas:
a) Se tinha dinheiro no caixa, mas o sócio não pagou, isso é sonegação.
Na sonegação o administrador responde.
b) Se a sociedade não tinha recurso para pagamento da dívida, isso não é
sonegação, isso é inadimplência, e na inadimplência o administrador não
responde.
Se tinha dinheiro no caixa mas o administrador não pagou porque
direcionou o dinheiro para outra coisa isso é sonegação (tinha dinheiro para
pagar o tributo mas não pagou). Na sonegação o administrador responde. Se a
sociedade não tinha dinheiro para pagar o tributo é inadimplência, e na
inadimplência o administrador não responde.

4 – Cotas sociais
4.1 – Art. 1055
De acordo com o art. 1055, caput, CC, as cotas sociais podem ser iguais
ou desiguais. Ex: o capital social da sociedade é de 10 mil reais. Temos dois
sócios: Mariana que tem 70% das cotas e o Frederico que tem 30% das cotas.
Cotas iguais: pega o capital social de 10 mil reais divide por 10 mil cotas
e encontra o valor de 1 real por cota. Agora diz que a Mariana tem 7 mil cotas
no valor de 1 real e o Frederico tem 3 mil cotas no valor de 1 real cada uma.
241

Isso aqui são cotas iguais no tocante ao valor: o valor da cota da Mariana é o
mesmo valor da cota do Frederico, portanto as cotas são iguais.
Nada impede das cotas serem desiguais: A Mariana teria uma cota por
exemplo, e o Frederico teria 1 cota também. A cota da Mariana valeria 10 mil
reais e a cota de Frederico valeria 3 mil reais. Cotas iguais, apesar de não
serem comuns na prática, são permitidas em direito.

4.2 – Formas de integralização


Pode-se integralizar com:
 Dinheiro.
 Bens.
 Créditos.
OBS: Segundo o art. 1055, §2º, CC não pode integralizar com prestação de
serviços (não pode integralizar prestando serviços na sociedade limitada).
Imagine que um dos sócios integralizou 50 mil reais (valor que deveria
pagar). Só que ele deu como forma de pagamento um imóvel que está avaliado
em 15 mil reais, só que ele integralizou como se estivesse integralizando 50 mil
(superfaturou o bem). Quem responde pela diferença de 35 mil? Todos os
sócios respondem de forma solidária (art. 1055, §1º), não só aquele que
integralizou de forma incorreta e pelo prazo de 5 anos:
§1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social
respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos
da data do registro da sociedade.

4.3 – Cessão de cotas sociais


Muitas vezes acontece do sócio que é integrante de uma sociedade não
querer mais ser sócio. Então esse sócio vai procurar interessados em adquirir
suas cotas. Como suas cotas conferem o direito de ser sócio, essa operação
será chamada de cessão de cotas.
Num primeiro momento quem vai definir como pode, se pode ou não ser
feita a cessão é o contrato social. É o contrato social que define a possibilidade
de fazer ou não a transferência das cotas. Se o contrato social for omisso, isto
é, se o contrato social não tratar do assunto devemos observar a regra do art.
1057, CC. Segundo esse artigo, se a pessoa é sócia de uma sociedade e quer
242

transferir suas cotas para quem já é sócio não é necessária a anuência de


ninguém. Agora se a pessoa é sócia e esta transferindo suas cotas para
terceiro estranho ao contrato social, terceiro que ainda não é sócio, a lei diz
que só pode fazer isso se não houver a oposição de mais de ¼ do capital
social. Ou seja, não pode haver a rejeição de mais de ¼. Atenção: esta
regrinha despenca no concurso.

4.4 – Penhora de cotas sociais


É possível a penhora de cotas sociais? Pode-se penhorar cotas de
sociedade limitada?
Segundo o STJ é possível sim a penhora de cotas sociais. Justificativas:
 Art. 591, CPC: se as cotas integram o patrimônio do devedor, a cota é
um bem móvel que esse devedor possui. Portanto se a cota é bem que integra
patrimônio devedor, não há justificativa para exclusão das cotas sociais. Até
porque quando vamos para o rol do art. 649, CPC ele traz os bens que são
considerados absolutamente impenhoráveis. Quando analisa esse rol não
localiza cota social. ou seja, o legislador não definiu cota social como
impenhorável. Quando vamos para o art. 655, CPC, que traz a ordem de
penhora dos bens penhoráveis, nesse dispositivo consta ações e cotas de
sociedade. Assim, o próprio CPC definiu a possibilidade de penhora de cota
social. Assim, com base nesses dispositivos o STJ vem admitindo a penhora
de cotas sociais.
Imagine que o credor pede a penhora de cota de prestadora de serviço
de informativa. Essa cota vai para leilão. Se alguém arrematar essa cota essa
pessoa será sócia. Você acha que alguém tem interesse de adquirir as cotas
de uma sociedade que aparentemente parece estar com problemas? Logico
que não. Então se o credor for esperto ele não pede a penhora das cotas. Ele
pede um artificio do art. 1026, CC: ao invés de pedir a penhora da cota pede a
penhora dos lucros decorrentes da cota. O que importa para o credor não são
as cotas, é o dinheiro.

5 – Administrador
5.1 - Nomeação
243

O administrador pode ser nomeado tanto no contrato social quanto em


ato separado (ex: ata de assembleia).

5.2 – Quem pode ser administrador da sociedade limitada


A lei disse no art. 1061, CC que o administrador pode ser tanto um
sócio, como também um não sócio (as vezes a pessoa é sócia mas não tem
conhecimento para administrar, assim, nada impede que ele contrate um
terceiro para administrar).
Requisitos para que não sócio pudesse ser administrador (antigamente –
antes de 2010):
- Previsão no contrato social.
- Aprovação dos sócios.
Esses requisitos traziam muitos problemas, então o legislador para
resolver esse problema extinguiu o requisito de que era necessária previsão no
contrato social. Hoje, com a nova redação do art. 1061, alterado em 2010,
exige-se somente a aprovação dos sócios. No entanto essa aprovação dos
sócios deve seguir uma regra de quórum: tudo vai depender do capital social.
Isto é, vai depender se o capital social está totalmente integralizado ou se o
capital social não está totalmente integralizado. Se o capital social estiver
totalmente integralizado ele só vai ser aprovado se 2/3 (existe a duvida se é
dos sócios ou capital social por isso no concurso não haverá especificação)
aprovarem a nomeação do sócio. Agora se o capital social não estiver
integralizado, será necessário unanimidade.

5.3 – Cessação do cargo


A cessação pode ocorrer de 3 formas:
- Termino do prazo.
- Destituição.
- Renúncia. Para que a renúncia produza efeitos perante a pessoa jurídica
(sociedade) deve-se ter uma comunicação por escrito.
Para que a renuncia e destituição produzam efeitos perante terceiros é
necessário publicidade, ou seja, tem que ter averbação no órgão de registro.

6 – Conselho fiscal
244

6.1 – Órgão facultativo


Na sociedade limitada o conselho fiscal é órgão facultativo (art. 1066,
CC). Na S/A é obrigatório o conselho fiscal, já na limitada é facultativo. Até
porque nem sempre é necessário o conselho fiscal.

6.2 – Finalidade
A finalidade do conselho fiscal é a fiscalização das contas da sociedade
e dos atos de gestão.

6.3 – Composição
Se o contrato social instituir o conselho fiscal na sociedade ele tem
composição obrigatória.
A composição do conselho fiscal deve observar a regra do CC: mínimo
de 3 membros que podem ser ou não sócios, eleitos na assembleia geral, com
igual número de suplentes (se tem 3 membros tem que ter 3 suplentes, etc).
Nada impede de ter remuneração para o conselheiro (geralmente as
sociedade contratam terreiros especializados em auditoria). Os membros do
conselho fiscal podem ser remunerados.
A assembleia geral tem função deliberativa (a assembleia aprova), o
conselho tem função de fiscalização. Então não se pode confundir competência
do conselho fiscal com competência da assembleia geral.

7- Deliberações sociais
Tomadas de decisões na sociedade limitada:
7.1 – Reunião ou assembleia
As decisões podem ser tomadas em reunião ou assembleia. Na
assembleia existem as formalidades estabelecidas em lei, é algo mais formal.
Ao passo que a reunião pode ser mais simples, com menos formalidade.
Porém para que a reunião tenha menos formalidade, a dispensa dessas
formalidades devem estar expressas no contrato social, o contrato deve
estabelecer que as reuniões terão regras mais singelas. Na omissão do
contrato social deve-se aplicar à reunião as mesmas regras da assembleia (por
isso da previsão estar em contrato).
245

OBS: Se a sociedade limitada for mais estruturada, se ela possuir mais de 10


sócios (11 ou mais sócios), será obrigatória a realização de assembleia para
tomada de decisões, sob pena de nulidade (Art. 1072, §1º, CC).

7.2 – Formalidades
É necessário um edital de convocação. Esse edital conterá as principais
informações da assembleia (data, local, horário e pauta). Só que isso é para
convocar o sócio para o sócio participar de uma assembleia: isso se dava
antigamente por meio de publicação de edital em jornal ou por meio de carta
convocatória. Todavia, hoje isso tem sido substituído por convocação por
email. É possível a convocação de email pelo motivo de que o CC dispensa a
formalidade de convocação por edital ou carta convocatória. Há uma dispensa
do CC para esse tipo de formalidade, desde que o sócio tome conhecimento
por escrito de todas essas informações (art. 1072, §2º, CC). então pode-se
convocar o sócio por emal, telegrama, etc.
Dispensa de formalidade quando todos sócios comparecerem ou se
declararem por escrito cientes.
Por email a declaração de ciente pode se dar quando você manda um
email que pede a confirmação de recebimento, se o sócio confirma o
recebimento do email isso é a declaração por escrito de que está ciente.

7.3 – Deliberações
Art. 1072, CC: esse dispositivo remete o leitor para a regra do art. 1010,
CC. O art. 1010, CC diz que prevalece a maioria do capital social. Ou seja, as
decisões são tomadas em regra por maioria do capital social (por mais da
metade do capital social). ex: se A com 51% do capital social diz sim, e B com
20% e C com 21% dizem não, prevalece o sim (maioria do capital social).
Além do quórum geral existe também o quórum especifico:
 Quórum de modificação do contrato social: o quórum para modificar o
contrato social de sociedade limitada é de ¾ do capital social (art. 1071, V, CC
c/c art. 1076, I, CC). esse quórum despenca em concurso.
 Quórum do art. 1061: para nomeação de administrador não sócio [vai
depender do capital social: se está (2/3) ou não (unanimidade) totalmente
integralizado].
246

 Existem outros quóruns ver no material de apoio.


7.4 – Dispensa da realização da assembleia/reunião
Art. 1072, §3º, CC: A reunião ou a assembleia tornam-se dispensáveis
quando todos os sócios decidirem, por escrito (email, carta, etc), sobre a
matéria que seria objeto delas. A lei não exige que todos os sócios votem no
mesmo sentido, ela exige apenas que todos os sócios decidam por escrito a
respeito do tema objeto da assembleia (assim pode votar a favor ou contra a
deliberação).

8 – Exclusão de sócio na sociedade limitada


Temos a possibilidade de excluir o sócio de sociedade limitada com
algumas justificativas. Assim pode-se excluir sócio por:
 Ausência de integralização (art. 1004, CC);
 Incapacidade superveniente (art. 1030, CC);
 Falta grave (art. 1030, CC).
Esse tipo de exclusão pode ocorrer tanto para o sócio minoritário quanto
para o sócio majoritário, desde que haja uma ação judicial de exclusão (entra
com ação judicial de exclusão para excluir tanto o sócio minoritário quanto o
majoritário). Ex: sócio que está roubando a sociedade, que está fazendo
concorrência desleal, está queimando o filme da sociedade.
Exclusão extrajudicial: nós temos uma situação no CC que permite a
exclusão extrajudicial. Ou seja, nesse caso a sociedade não precisa de entrar
com demanda judicial para excluir o sócio (art. 1085, CC). Isso se dá por
simples alteração do contrato social. Aqui o excluído só pode ser sócio
minoritário. Extrajudicialmente não se pode excluir sócio majoritário.
Essa exclusão extrajudicial só pode se dar se o sócio praticar ato de
inegável gravidade (ato que colocou em risco a atividade da sociedade). Ex:
sócio minoritário de um motel que gravou cenas dos atos praticados dentro dos
quartos e revelou os atos na internet (vendeu os vídeos para site pornográfico).
Esse sócio feriu a privacidade do motel. Esse sócio poderia ser excluído
extrajudicialmente.
Para que haja essa exclusão extrajudicial é necessária ainda a previsão
no contrato social de exclusão por justa causa. Outrossim, é preciso de mais da
metade do capital social e maioria de sócios (art. 1085, CC). E quando se tem
247

apenas 2 sócios não é possível excluir extrajudicialmente por não preencher o


requisito de maioria de sócio? Enunciado 17 da primeira jornada de direito
comercial: mesmo se não preenchido esse requisitos de maioria de sócios, se
todos os demais requisitos forem preenchidos será permitido sim a exclusão
extrajudicial. A jurisprudência já em apontando nesse sentido também.
Ainda que seja possível a exclusão extrajudicial, o sócio excluído tem
direito de contraditório, ele tem direito de se defender da suposta falta grave
(art. 1085, p.u, CC). A exclusão somente poderá ser determinada em reunião
ou assembleia especialmente convocada para esse fim, ciente o acusado em
tempo hábil para permitir seu comparecimento e o exercício do direito de
defesa. No caso se um sócio for excluído sem ter exercido o seu direito de
defesa, entra-se com uma ação judicial para que esse sócio seja reintegrado e
possa exercer o seu direito de defesa. Se não tem assembleia a exclusão é
nula.
OBS: A assembleia por meio de Skype é possível se tiver previsão no contrato
social ou caso não haja previsão em contrato se depois da assembleia por
Skype houver manifestação por escrito de todos os sócios no mesmo sentido
da assembleia.

9 – Redução e aumento do capital social


Pode-se aumentar o capital social, todavia algumas regras devem ser
observadas (art. 1081, CC):
 Somente pode aumentar o capital social se o capital social existente
estiver totalmente integralizado.
 O aumento deve ser realizado por meio de modificação do contrato
social.
Art. 1081: deve-se dar direito de preferencia para o sócio na proporção
de suas cotas. Imagine que o um sócio tenha 25% e o outro 40%. Se vai
aumentar o capital social tem que dar o aumento na proporção do capital deles,
pois se assim não fosse modificaria o aspecto do quadro social: o sócio
minoritário poderia se tornar majoritário.
Redução do capital social: A redução do capital social também é
possível. Todavia demos aqui de modificação do contrato social. Só que o CC
248

diz que somente pode reduzir o capital social em duas hipóteses (art. 1082,
CC):
 Se depois de integralizado o capital social houver perdas irreparáveis.
 Se o capital social for excessivo em relação ao seu objeto. Ex: Imagine
que os sócios definiram que para ter uma padaria seria preciso de 5 milhões de
reais. Só que na hora que o negocio começa a acontecer eles decidem que
precisavam apenas de 2 milhões.
249

AULA 07
SOCIEDADE ANÔNIMA
1 – Características S/A
Previsão legal: lei 6404/76
 Sempre será empresária. A SA não pode ser uma sociedade simples,
ela sempre terá a natureza de uma sociedade empresária. O seu objeto
sempre será empresarial.
 A SA sempre será registrada na junta comercial.
 A SA é institucional, ou seja, ela não possui natureza contratual,
diferentemente do que acontece com a limitada. Significa que seu ato
constitutivo não é contrato social. O que vai originar as relações é o estatuto
social. Sobre o estatuto não incidirão os princípios contratuais, mas sim as
regras da lei 6404/76.
 A SA sempre terá denominação, ela não tem firma social. Essa
denominação conterá, como regra geral, um elemento fantasia. Ex: Vera Cruz;
LANTAM, Porto Seguro. Mas como medida excepcional se admite também
nome de acionista fundador (visa prestigiar, honrar o acionista). Ex: Camargo
Correa.
A utilização do nome deve conter a expressão “Companhia” no início ou
no meio do nome empresarial. Ou então usa-se a expressão S/A que é usada
no fim do nome empresarial. Ex: Companhia Brasileira de Distribuição; Porto
Seguro Companhia de Seguros; Saraiva Editores S/A; LANTAM linhas aéreas
S/A.

2 – Espécies de S/A (art. 4º, lei 6404)


 Companhia (CIA) aberta: é aquela em que seus valores mobiliários
(ações) são admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários (bolsa
de valores).
Essas ações serão pulverizadas, vários interessados vão adquirir essas
ações, quando se junta tudo tem um valor altíssimo. Por isso que as grandes
empresas são de companhia aberta. Ex: o capital social de uma grande
empresa pode chegar a 1 bilhão, é um valor altíssimo, justamente por causa
250

dessa possibilidade de qualquer investidor poder adquirir esses valores


mobiliários no mercado de valores.
 CIA fechada: é aquela em que seus valores mobiliários não são
admitidos à negociação no mercado de valores mobiliários.
Não conseguimos adquirir as ações de uma CIA fechada nas bolsas de
valores. As CIA fechadas, comparadas com as abertas, possuem capital social
mais reduzido, mas não deixam de ser grandes empresas. Ex: Saraiva, Fiat.
Geralmente as companhias fechadas são os famosos grupos familiares (no
momento da constituição ela foi constituída por parentes). Para comprar as
ações dessa CIA fechada o indivíduo tem que chegar no acionista para que
este possa vende-la. Todavia, jamais consegue adquirir essas ações na bolsa
de valores.
Atenção: essa definição cai muito em concurso!!

3 – Mercado de capitais
Mercado de capitais é o ambiente onde se efetua as diversas operações
envolvendo os valores mobiliários emitidos por uma companhia aberta.

3.1 – CVM
CVM = Comissão de Valores Mobiliários.
A lei 6385 foi a que criou a CVM.
CVM é uma entidade autárquica federal de natureza especial com
qualidade de agência reguladora.
Competência da CVM: Hoje a competência da CVM é exercida,
explorada, desenvolvida de 3 formas:
d) A CVM possui função regulamentar, pois compete à CVM o regramento,
a regulamentação das atividades nos mercados de capitais.
e) A CVM possui competência de autorizante. Quem autoriza a constituição
de uma CIA aberta e a emissão de valores mobiliários é a CVM.
f) A CVM possui competência fiscalizatória. É a CVM que vai zelar pela
lisura, transparência das relações realizadas no mercado de capitais. A CVM
não só fiscaliza como também tem possibilidade de poder sancionatório. A
CVM pode aplicar sanções às companhias abertas que violam as regras do
mercado de capitais.
251

3.2 –
O mercado de valores mobiliários ele se divide em:
 Bolsa de valores: é uma associação civil ou então uma sociedade
anônima constituídas por corretoras de valores mobiliários. Hoje no Brasil elas
são S/A. A bolsa de valores é uma localização territorial para todos aqueles
que estão interessados em comprar e vender valores mobiliários.
Concentrando tudo em uma mesma base territorial tem um aumento de fluxo
de negociação.
 Mercado de balcão: é toda e qualquer operação realizada fora da bolsa
de valores. Ex: eu estou em casa e liga meu corretor de valores mobiliários e
me vende ações: eu negociei diretamente com a corretora. Ex: negociação com
instituição financeira e negociação com corretoras de valores mobiliários.
Tudo isso é regrado, fiscalizado pela CVM.

3.3 –
O mercado pode ser:
 Primário: é aquela operação que ocorre entre o investidor e a companhia
emissora. O investidor compra diretamente da companhia que esta emitindo
aquele valor mobiliário.
 Secundário: é aquela que se dá entre o acionista e o investidor.
O mercado da bolsa de valores só é secundário. O mercado primário e
secundário ocorrem no mercado de balcão.

4 – Constituição de uma S/A


Para constituir uma S/A primeiro precisamos dos requisitos preliminares
(art. 80, lei 6404):
 Subscrição de todo capital social por, pelo menos, duas pessoas. É o
que chamamos na prática de pluralidade de sócios. Subscrição é o ato de
comprometimento. Integralização é o pagamento. em suma, pluralidade é a
regra geral. A S/A é pluripessoal. A S/A pode ser unipessoal na sua
constituição? A princípio não, exceto em duas exceções:
- Quando se tratar de empresa pública. A empresa pública pode ter um único
sócio. Ex: a União pode ser a única acionista da empresa pública
252

- Subsidiária integral. Subsidiaria integral é um tipo de S/A que está definida no


art. 251 da lei de S/A . Essa sociedade é constituída por um único sócio e esse
sócio tem que ser uma sociedade brasileira (ela não pode ter como acionista
sociedade estrangeira). Ex: às vezes a S/A tem a sua atividade e essa S/A
quer fazer o desmembramento de suas atividades. Assim, ela quer montar uma
empresa só para a fabricação de determinada coisa. Então S/A abre uma
empresa só para pesquisa, abre outra só para transporte, etc. Essa S/A faz
isso por questões de benefícios fiscais, especialização da atividade, questões
de logísticas. Isso é o que acontece com a Petrobrás (ela tem uma empresa
que é a refinaria, outra que é a distribuidora, outra que é para transporte –
TRANSPETO, outra para pesquisa, etc). Na Petrobrás existem diversas
subsidiárias.
OBS: Depois de constituída a S/A poderá ter unipessoalidade temporária entre
a realização de uma assembleia geral ordinária e outra (art. 206, I, ‘d’). A
assembleia geral em regra é anual, todavia ela pode acontecer antes de um
ano ou depois de um ano. Por isso, tecnicamente não é correto falar que esse
prazo de unipessoalidade será de 1 ano.
 Realização, como entrada, de 10% (dez por cento), no mínimo, do preço
de emissão das ações subscritas em dinheiro. Se eu quero constituir uma S/A
já no ato da constituição eu tenho que dar uma entrada (10% em dinheiro).
OBS: Em se tratando de instituição financeira esse percentual de 10% passa
para 50%.
 Depósito, no Banco do Brasil S/A, ou em outro estabelecimento bancário
autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado
em dinheiro.

4.2 – Constituição propriamente dita


Os requisitos preliminares se aplicam tanto para a CIA aberta quanto para a
fechada. Todavia, no que tange à constituição propriamente dita existe
algumas diferenciações

4.2.1 – CIA aberta


A constituição de companhia aberta é denominada de subscrição pública
ou sucessiva (sucessão de etapas).
253

É necessário um registro de emissão na CVM. A sociedade faz um


pedido e registra esse registro na CVM. A CVM vai analisar o estatuto da
companhia a viabilidade econômica do empreendimento, etc.
Se a CVM autorizar o registro, o próximo passo é a contratação de
instituição financeira para intermediação dos valores mobiliários. Essa
instituição que vai cuidar de colocar as ações da companhia direto com o
investidor. É ela que vai buscar pessoas interessadas para adquirir esses
valores mobiliários da companhia aberta. Underwriting são as instituições
financeiras que providenciam a intermediação. São elas que procuram os
investidores.
A contratação underwriting é obrigatória.
Posteriormente será realizada uma assembleia de fundação.

4.2.2 – CIA fechada


A constituição de companhia fechada é denominada de subscrição
particular ou simultânea.
Para constituir CIA fechada é preciso: ou ir ao cartório e fazer escritura
pública (os acionistas vão ao tabelionato de notas e fazem escritura pública) ou
então eles fazem uma assembleia de fundação.
Aqui não tem registro na CVM. A CVM só faz registro de CIA aberta. Por
isso que a companhia quando quer ser aberta e a CVM não autoriza, ela acaba
sendo fechada.

5 – Valores mobiliários
Valores mobiliários são títulos de investimento emitidos por uma S/A
com a finalidade de captação de recursos:
 Ações
 Debentures
 Commercial paper Valores mobiliários
 Bônus de subscrição
 Partes beneficiárias

6 – Ações
6.1 – Conceito
254

Ações são frações do capital social de uma S/A que confere ao seu
titular direito de sócio da CIA.

6.2 – Certificado de ações (art. 24, lei 6404)


A omissão de algum dos elementos constante no art. 24 confere ao
acionista direito de indenização por perdas e danos (art. 24, §1º).

6.3 – Forma de integralização


Pode integralizar com dinheiro, bens e créditos. Não pode integralizar
com prestação de serviços.

6.4 – Valor das ações


Quanto ao valor as ações podem ter:
e) Valor nominal: o valor nominal é o resultado da operação da seguinte
divisão: pega o capital social e divide pelo numero de ações = valor nominal.
Ex:
- Capital social = R$ 500 mil
- Ações = 500 mil
- Valor nominal = RS 1, 00 real.
OBS: As ações podem ter ou não valor nominal (art. 11, lei 6404).
f) Valor patrimonial: é o resultado da seguinte operação: pega o patrimônio
liquido e divide pelo numero de ações = valor patrimonial. Ex:
- Patrimônio liquido = R$ 1 milhão
- Ações: R$ 500 mil
- Valor patrimonial = R$ 2,00
g) Valor de mercado: é o valor de negociação; é o valor de mercado. Usa-
se no mercado secundário.
h) Preço de emissão: o preço de emissão é estipulado unilateralmente pela
companhia emissora. A CIA quando vai emitir as ações ela estabelece o valor
que ela quer pelo valor das ações, ela não olha para o mercado. Usa-se no
mercado primário.

6.5 – Responsabilidade do acionista (art. 1º, lei 6404)


255

Art. 1º A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em


ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao
preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
A única responsabilidade que o sócio tem é perante o preço de suas
ações, que é o preço do mercado primário. Não existe solidariedade aqui (não
se sabe quem são todos os acionistas).
O acionista responde de forma limitada pelo preço de emissão de suas
ações. Esta é a única responsabilidade que o acionista tem.

6.6 – Quanto à espécie


Quanto à espécie as ações podem ser:
 Ordinárias (ON): as ações ordinárias são aquelas que conferem direitos
comuns ao acionista. Ex: direito de voto, direito de participação dos lucros. O
art. 110 da lei 6404 estabelece que toda ação ordinária tem direito de voto.
 Preferenciais (PN): traduzem preferências. É aquilo que chamamos de
vantagens econômicas ou políticas. Ex: pode estabelecer que as ações
preferencias terão prioridade de recebimento – se a companhia recebeu lucro
primeiro paga as ações preferenciais, se sobrar dinheiro paga as ordinárias;
pode colocar que as ações preferencias receberão, no mínimo, 10% a mais do
que a ordinária. Art. 11, lei 6404: em nenhum momento o legislador diz que a
ação preferencial não tem voto, ela apenas poderá não ter direitos, inclusive o
de voto. Na prática a grande parte das ações preferenciais não tem voto. A
sacada é que se dá vantagem econômica e em contrapartida tira o direito de
voto.
Golden share: ação preferencial com vantagem política, exclusiva do
ente desestatizante com poder de veto de decisão de assembleia geral. A
Golden share está prevista no art. 17, §7º, lei 6404. Ela é utilizada nos casos
de desestatização. Ocorrendo a desestatização o Estado aliena as ações com
direito de voto, mas muitas vezes é fundamental que ainda que o Estado não
tenha o controle ele possa fiscalizar e muitas vezes praticar intervenções. O
Estado não vota na assembleia mas a decisão que a assembleia tomou pode
ser vetada pelo Estado posteriormente.
Qual é o número máximo de ações preferências sem voto que uma
companhia pode emitir?
256

Art. 15, §2º, lei 6404: o máximo é de 50% do total de ações.


 Gozo/fruição: está prevista no art 44, §5º, lei 6404. No Brasil não existe
nenhum caso de ação de gozo ou fruição (nem historicamente). Amortização é
a palavra chave aqui. Amortização é antecipação de pagamento (ex: amortizar
juros: pagar antecipadamente os juros). Emite uma ação de gozo e fruição e
substitui ela por uma ação ordinária ou preferencial. Aqui acontece a seguinte
situação. A empresa hipoteticamente pega todo o seu patrimônio e diminui por
todas as dividas. Essa operação resulta no acervo. O acervo deverá ser
dividido entre os sócios. Com isso, o sócio pega antecipadamente o valor do
acervo que lhe cabe (é antecipadamente porque não houve a extinção da
empresa). Assim, antecipa o pagamento do acervo e substitui por ação
ordinária ou preferencial para mostrar para o mercado que o camarada já
recebeu a ação.
Acervo – saldo remanescente.

6.7 – Poder de controle (art. 116, lei 6404)


O acionista A tem 40% de ações preferenciais sem direito de voto
O acionista B tem 10% de ações preferenciais sem direito de voto
O acionista C tem 30% de ações ordinárias
O acionista D tem 20% de ações ordinárias
O acionista majoritário é o A. Todavia, o acionista controlador é C (ele
tem maior número de ações com direito de voto).
Controle terá quem tem ações com maioria de direito de votos.
Acionista controlador é aquele que tem maioria de votos e o poder de
eleger a maioria dos administradores e usar efetivamente do poder para dirigir
as atividades sociais (art. 116).
Alienação do poder de controle:
O poder de controle tem um valor maior. O valor das ações daquele que
tem o controle ele tem um valor maior: pois ele não apenas confere a direito de
sócio, mas de sócio controlador.
A lei 6404 traz um mecanismo (regras) de proteção ao interesses dos
acionistas minoritários: é o famoso tag along (art. 254-A,). A lei estabelece que
o investidor que compra o controle vai ter que fazer oferta pública de compra
das demais ações pagando no mínimo 80% da ação de controle. O cara
257

compra o controle e terá que anunciar que vai comprar todas as demais ações.
O investidor vai ter que fazer uma proposta para o acionista minoritário, mas é
para aquele que tem ação ordinária e não para os preferenciais.
Art. 254-A. A alienação, direta ou indireta, do controle de companhia
aberta somente poderá ser contratada sob a condição, suspensiva ou
resolutiva, de que o adquirente se obrigue a fazer oferta pública de
aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais
acionistas da companhia, de modo a lhes assegurar o preço no
mínimo igual a 80% (oitenta por cento) do valor pago por ação com
direito a voto, integrante do bloco de controle.

6.8 – Direitos essenciais do acionista (art. 109, lei 6404)


f) Participação nos lucros;
g) Participação no acervo da companhia em caso de liquidação;
h) Direito de retirada;
i) Direito de preferencia. Se a S/A for emitir ações ela tem que dar
preferencia a quem já é acionista;
j) Direito de fiscalização.
O direito é essencial: nem o estatuto, nem mesmo a assembleia geral
podem privar o acionista desses direitos.
Cuidado: O direito de voto não é direito essencial.

7 – Debêntures
7.1 – Conceito
Debêntures são valores mobiliários emitidos pela S/A que confere aos
seus titulares direito de crédito contra a companhia emissora.
A finalidade da debenture é possibilitar o financiamento. Fazer com que a
empresa consiga captação de recurso por meio de financiamento. Poupança
popular.
Imagine que a SA está precisando de dinheiro. Ela tem duas saídas:
- Ir no Banco e fazer um empréstimo. Se o banco emprestar ele vai cobrar juros
e existe um prazo de pagamento que não é muito grande.
- Emissão de debentures: a companhia emite um título. Ex: 10 reais é o valor
de cada debenture. Se a companhia emitir 1 milhão de debentures ela vai
conseguir 10 milhões de reais. Só que a empresa estabelece juros na
258

debenture de 1,5% ao mês. Ou seja, o investidor ganha 1,5% ao mês de juros


(tem que ser mais atrativo do que a poupança). Imagine que o reembolso
desse valor será no prazo de 7 anos. Então acontece que daqui 7 anos a
companhia paga ao investidor os 10 reais com correção monetária e paga os
juros de 1,5% ao mês. A vantagem para a companhia é que aqui quem
estabelece os juros e prazo de pagamento é a companhia. Assim para a
companhia é muito mais vantajoso. É uma poupança popular porque é o povo,
o publico que vai adquirir esses títulos chamados de debentures. Então quando
se tem um titulo como esse se tem um direito de crédito contra a sociedade
anônima. É um titulo emitido pela S/A com a finalidade de captação de
recursos.
Aqui debenturista é o mutuante e o mutuário é a companhia emissora.
A debenture é titulo executivo extrajudicial (art. 585, I, CPC).
Se a companhia faliu o investidor pode receber o crédito, porém esse
recebimento vai depender da classificação da debenture.
A debenture pode ser:
 Debenture com garantia real.
 Debenture com garantia flutuante. É crédito de privilegio real. A
debenture flutuante só tem um privilegio diferente na falência, ela não
tem imóvel como garantia.
 Debenture quirografária. Não tem garantia alguma.
 Debenture subordinada. É o ultimo crédito a ser pago na falência.
Isso faz diferença na hora de classificar o crédito na falência. Quem tem
debenture de garantia real fica junto com os credores de garantia real (quase
primeiro).
Poderão ou não ser as debentures convertidas em ações?
A debênture pode ser convertida em ação. Na maioria das vezes não é.

7.2 – Emissão
Quem autoriza a emissão de debenture?
É a assembleia geral que vai determinar a emissão de uma debenture,
em regra geral (art. 59, lei 6404). Todavia, o conselho de administração ele
também pode autorizar a emissão de debentures, desde que essas debentures
259

não sejam conversíveis em ações e quando se tratar de companhia aberta (art.


59, §1º).
8 – Commercial paper ou nota promissória da S/A
O mecanismo, o procedimento, a ideia do commercial paper é o mesmo
da debenture, a única diferença é que na debenture o prazo de reembolso é
indeterminado (quem vai definir isso é a S/A e geralmente é de médio a longo
prazo). Já o comercial paper tem uma regra: a instrução normativa nº 134 da
CVM estabelece que o comercial paper tem prazo de reembolso: se for CIA
aberta esse prazo tem de ser de 30 a 360 dias e se for companhia fechada
esse prazo será de 30 a 180 dias.
260

AULA 08
9 – Bônus de subscrição (art.75 e ss)
O bônus de subscrição somente é permitido em sociedade de capital
autorizado (art. 158)
Até 1bilhão e 200 milhões – eu vou permitir o aumento, ou seja, até 200
milhões de reais eu autorizo o aumento sem necessidade de uma assembleia
ou emenda no estatuto.
Dentro desse limite estabelecido na sociedade de capital autorizado,
sabemos que pode aumentar o capital social a qualquer tempo,
Bônus de subscrição: é o direito de preferência na subscrição de novas
ações.
Ex: Neymar foi adquirido por Barcelona. Só que o Barcelona há um
tempo quis comprar o Neymar do Santos. O Santos negou a venda. Então o
Barcelona disse que quando quisesse vender o passe do Neymar era pra
procura-los antes (direito de preferência). Isso consta um valor. Passado
alguns meses, o Santos resolveu vender o Neymar e o Barcelona comprou. Se
por acaso, passado os meses, o Barcelona não quisesse mais o passe do
Neymar, o Santos não precisaria reembolsar o direito de preferência.
Da mesma forma acontece aqui. Quem está interessado em adquirir as
ações, a empresa começa a vender o bônus de subscrição, ou seja, direito de
preferência na compra das novas ações que a sociedade anônima
eventualmente possa lançar. Se a sociedade anônima emitir novas ações, ela
tem que dar a preferência pra quem tem o bônus da subscrição.
Dos valores mobiliários o que menos cai em prova é o bônus de
subscrição.

10 – Partes beneficiárias (art. 46 e ss)


É um titulo de investimento emitido por uma companhia fechada que
confere ao seu titular direito de crédito eventual* consistente na participação
dos lucros anuais. Todos os valores mobiliários podem ser emitidos por
companhia aberta ou fechada. Todavia, este aqui somente pode ser emitido
por companhia fechada. Ex: 0,5% do lucro de anual de uma companhia durante
o prazo de 3 anos.
261

*Esse direito de crédito é eventual, ou seja, na eventualidade de ter lucro a


pessoa recebe, se não tiver lucro a pessoa não recebe nada.
Participar dos lucros as ações também participam, assim, quem tem
ações de uma sociedade com certeza vai ter participação dos lucros. Todavia
não podemos confundir partes beneficiarias com acionistas, eles não tem os
mesmos direitos que os acionistas. Por isso que na maioria das vezes o
examinador usa a seguinte expressão: “estranho ao capital social” isso
significa que ele participa do lucro mas não faz parte do capital social, ou seja,
ele não é acionista.
Partes beneficiárias  Título que assegura participação no lucro, mas
não tem os mesmos direitos que os acionistas. Esse título não é ação.
Esse título muitas vezes é utilizado para incentivar o administrador da
companhia (pessoa estranha à sociedade). Forma de estimular o administrador
sem que tenha que colocar ele como sócio. Esse titulo vai garantir participação
dos lucros durante o mandato dele.

11 – Órgãos sociais
Quais são os órgão sociais de uma sociedade anônima?
Assembleia geral
Conselho de Administração Órgãos definidos em lei
Diretoria
Conselho Fiscal
Ou seja, gerencia, presidência, tesouraria não são órgãos sociais.

12 – Assembleia geral
A assembleia geral é órgão deliberativo máximo da sociedade anônima.
As principais decisões de S/A serão tomadas em assembleia geral.
Participar da assembleia geral é direito que todo acionista tem seja ele
portador de ações ordinárias, ações preferenciais sem voto, etc. uma coisa é o
acionista votar, mas outra coisa é participar. O acionista pode até não poder
votar, mas ele pode participar, inclusive das discussões.
262

A assembleia geral é órgão obrigatório. Toda sociedade anônima tem


que ter uma assembleia geral. Não importa se é companhia aberta, fechada,
etc, toda sociedade anônima tem que ter assembleia geral.
Existem dois tipos de assembleia geral:
 Assembleia geral ordinária: ela deve ser realizada anualmente e nos
primeiros 4 meses subsequentes ao término do exercício social.
Competência privativa da assembleia geral ordinária (tem determinados
assuntos que só podem ser tratados numa assembleia geral ordinária):
e. Destinação dos lucros;
f. Tomar as contas dos administradores (prestação de contas);
g. Eleição de administradores e membros do conselho fiscal;
h. Correção da expressão monetária do capital social.

 Assembleia geral extraordinária: A competência da assembleia geral


extraordinária é residual, complementar, subsidiária, portanto, todo e qualquer
assunto que não seja de competência privativa da assembleia geral ordinária
pode ser tratado na assembleia geral extraordinária (art. 131). Ex: destituição
do administrador, etc.

Quórum das assembleias (seja ela ordinária ou extraordinária):


Existe o quórum de:
Instalação: quórum para a assembleia ser instalada. Em primeira chamada o
quórum será o de ¼ do capital votante. Em segunda chamada (ocorre quando
não se atinge o quórum de primeira chamada) será qualquer numero de
presentes.
Aprovação: quórum de aprovação é do art. 129 da lei: o quórum deve ser
mais da metade do total de ações com direito de voto presentes na
assembleia. Este quórum é o quórum geral. Todavia existe ainda o quórum
específico (art. 136): aqui é metade, no mínimo, do capital votante (não é de
quem está presente na assembleia, é metade do capital votante). Exemplo de
situações que necessitam desse tipo de quórum especifico: fusão e alteração
do objeto social (ex: transformar uma metalúrgica em instituição financeira).
263

Prazo prescricional para anulação de assembleia de sociedade


anônima (art. 286): 2 anos da realização da assembleia. Ou seja, tem dois
anos para entrar com ação de anulação de assembleia.

13 – Conselho de administração
Esse conselho de administração despenca em concurso.
O conselho de administração é a cabeça pensante da sociedade
anônima. É o conselho que vai estabelecer as diretrizes da companhia, é ele
que vai traçar as questões estratégicas, diretrizes, metas, etc. é ele que vai dar
o norte da companhia. Assim, geralmente quem compõe o conselho são
grandes administradores, economistas, contadores, advogados, etc – pessoas
com muito conhecimento. O conselho de administração é a parte estratégica da
companhia.
O conselho de administração vai traçar as diretrizes administrativas da
companhia. Ele vai ainda eleger e destituir os administradores.
Cuidado: é feito a eleição e destituição dos administradores na assembleia
geral quando não se tem o conselho de administração. Quando se tem o
conselho de administração é ele que vai eleger e destituir os administradores
da companhia.
O conselho de administração em regra é órgão facultativo, ele não é
obrigatório. No entanto, ele será obrigatório em 3 situações :
 Quando se tratar de companhia aberta. Art. 138
 Quando se tratar de sociedade de economia mista. Art. 238
 Quando se tratar de sociedade de capital autorizado. Art. 138
Se há interesse publico envolvido não pode permitir que a eleição e
destituição de administradores seja feita por assembleia, pois terá que
convocar a assembleia e isso demora e imagine se o administrador está
desviando dinheiro público. Assim, para se ter um controle mais efetivo é
preciso do conselho de administração pois pode tirar o cara a qualquer tempo,
é mais rápido, etc.
Composição do conselho de administração: Mínimo de 3 membros.
Cuidado: existem livros que dizem que só podem ser membro de conselho
acionista. Isso mudou em 2011, agora pode ser membro do conselho acionista
ou não (art. 146). O membro do conselho pode ser inclusive um estrangeiro.
264

Art. 146. Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de


administração pessoas naturais, devendo os diretores ser residentes
no País.

14 – Diretoria
A diretoria é órgão obrigatório. Toda sociedade anônima precisa ter a
sua diretoria e a diretoria tem a função de representante legal. O diretor é o
representante legal da sociedade anônima.
O conselho de administração elabora as metas e a diretoria vai executar
as metas. Tudo o que é planejado pelo conselho será plicado, realizado pela
diretoria. A diretoria é o representante legal, é ele que vai exercer a atividade
de administração da companhia. A diretoria exerce os atos de administração da
companhia.
Composição da diretoria: Mínimo de 2 membros, acionista ou não,
residente no país.
Como será realizada administração da companhia?
Art. 138: Os órgão de administração são conselho de administração e
diretoria.

Art. 138. A administração da companhia competirá, conforme


dispuser o estatuto, ao conselho de administração e à diretoria, ou
somente* à diretoria.
§ 1º O conselho de administração é órgão de deliberação colegiada,
sendo a representação da companhia privativa dos diretores.
§ 2º As companhias abertas e as de capital autorizado terão,
obrigatoriamente, conselho de administração.
*O conselho de administração é órgão facultativo, portanto se não tiver o
conselho, quem vai realizar a administração é a diretoria.
A Assembleia geral é órgão deliberativo.

15 – Conselho fiscal (art. 161)


Finalidade do conselho fiscal: é a fiscalização da gestão da
administração da companhia e ele também tem a função de assessoramento
da assembleia geral.
O conselho fiscal é órgão obrigatório.
265

Cuidado: quando se diz que o conselho fiscal é órgão obrigatório estamos nos
referindo em relação à sua existência. Quanto à existência o conselho fiscal é
órgão obrigatório. Órgão de existência obrigatória, todavia, o conselho fiscal é
órgão de funcionamento facultativo (art. 161). O conselho fiscal tem sempre
que existir, no tocante ao funcionamento é o estatuto que vai dispor: se ele vai
funcionar de modo permanente, ou senão se ele estará desativado e a
qualquer tempo poderá ser ativado a pedido dos acionistas (funcionamento
facultativo). O conselho fiscal tem sempre que existir, mas nem sempre
funcionar.
Composição do conselho fiscal: mínimo de 3 membros e máximo de 5
membros, acionista ou não, residente no país.

REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA
1 – Modalidades de reorganização societária
Pode-se reorganizar uma sociedade pela:
 Transformação
 Fusão
 Incorporação
 Cisão
2 – Transformação
Transformação é a operação pela qual a sociedade passa,
independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro.
Imagine que tenhamos uma sociedade limitada. Eu posso mudar a LTDA
para sociedade anônima? Sim. não precisa dissolver a sociedade, mantem o
mesmo CNPJ, somente transforma – mantem a pessoa jurídica, mantem o
CNPJ, muda-se apenas o tipo societário. Ex²: eu tenho sociedade simples e
quero passar para LTDA: isso se chama transformação.
Eu tenho companhia fechada (ex: magazine Luiza), abriu o capital e
transformou-se em companhia aberta. Isso é transformação? Não.
Transformação é a modificação do tipo societário. A companhia fechada é S/A
e a companhia aberta também é S/A, portanto não mudou o tipo societário, o
que mudou foi a espécie de sociedade anônima, portanto não existe aqui uma
transformação propriamente dita. Na transformação tem modificação do tipo
societário.
266

3 – Fusão
Fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para
formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.

Sociedade A + Sociedade B = Sociedade C.

A sociedade A e sociedade B serão extintas. Ex: TAM + LAN =


LANTAM. Ex²: Antártica + Brhama = Ambev.

4 – Incorporação
Incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são
absorvidas por outra que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações.

Sociedade A + Sociedade B = Sociedade A


Incorporadora Incorporada +B

Aqui somente uma sociedade é extinta. Aqui só haverá a extinção de B,


A continua em atividade, por isso não teremos uma nova empresa, teremos
uma empresa que foi incorporada, acrescentada. Ex: Santander: todas as
agencias do Banco Real se tornaram agencias do Banco Santander. Aumentou
o numero de agências do Santander por causa da incorporação do Banco Real.

5 – Cisão
Cisão é a operação pela qual a sociedade transfere parcelas do seu
patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já
existentes, extinguindo-se a sociedade cindida, se houver versão de todo o seu
patrimônio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a versão.
A cisão pode ser total ou parcial.
Exemplo de cisão parcial
Sociedade A Sociedade B*
Transfere parcela de seu patrimônio
*Empresa nova ou já existente.
267

Exemplo de cisão total


Sociedade B
Sociedade A Sociedade C
Sociedade D
Aqui ocorre a extinção da sociedade A. Todo o patrimônio da sociedade
A foi transferido para outras empresas.
Aqui não transfere a pessoa jurídica. Transfere o patrimônio da pessoa
jurídica.

FALÊNCIA
Bibliografia:
Ricardo Negrão – Aspectos objetivos da lei recuperação de empresas
A falência está prevista na lei 11101/05.
Atenção: MP estadual adota perguntar sobre falência.
Origem etimológica: falir vem da palavra latina fallere que significa
enganar, faltar com a palavra.

1 – Conceito
Credor entra com ação de falência contra o devedor. Se o juiz decretar a
falência, todos os bens do falido serão arrecadados. Depois de arrecadados os
bens serão vendidos. Com essa venda consegue dinheiro. Mas esse dinheiro
será utilizado para pagamento de todos credores. Não vai pagar somente
aquele que ajuizou a ação, o juiz ao declarar a falência ele declara o estado de
insolvência do devedor. Para pagar o credores é preciso observar uma ordem
de classificação e pode acontecer que o cara que ajuizou a ação estar no final
da fila e não conseguir receber nada.
O pagamento é de todos os credores, não só daquele que ajuizou a
ação, por isso que a falência é chamada de execução coletiva.
“Falência é um processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio
de um empresário declarado falido (pessoa física ou jurídica) é arrecadado,
visando o pagamento da universalidade de credores. É um processo judicial
complexo que compreende a arrecadação dos bens, sua administração e
conservação, bem como a verificação e o acertamento dos créditos, para
268

posterior liquidação dos bens e rateio entre os credores. Compreende também


a punição de atos criminosos praticados pelo devedor falido” (Ricardo Negrão).

2 – Fases do processo falimentar


5ª. Fase pré-falimentar: inicia-se com o pedido da falência e vai até a
sentença declaratória de falência.
6ª. Fase falimentar: inicia-se na sentença declaratória de falência e seu
término se dá com a sentença de encerramento (sentença que põe fim ao
processo falimentar). O MP, pela lei, é obrigado a participar do processo de
falência na fase falimentar. O MP não está obrigado a participar da fase pré-
familimentar. O MP pode participar da primeira fase como fiscal da lei, nada
impede, mas ele será intimado para participar obrigatoriamente do processo
somente na fase falimentar.
7ª. Fase da reabilitação.

8ª. D

Pedido  Sentença  Sentença  Reabilitação


Declaratória Encerramento

3 – Incidência da falência
Quem pode sofrer processo de falência? A lei 11101 incide sobre quem?
Ela incide sobre a figura do empresário individual, sobre a sociedade
empresaria e sobre a empresa individual de responsabilidade limitada. São
eles que sofrerão a incidência da lei 11101. No entanto nesse rol de sociedade
empresaria existem alguns entes que o legislador diz que apesar de ter
natureza empresarial eles estão excluídos da incidência da lei 11101. Esses
excluídos estão todos no art. 2º da lei 11101:
 Art. 2º, I, lei 11101 - Totalmente excluídos (estão totalmente excluídos
da incidência da lei 11101, ou seja em hipótese alguma haverá falência):
c. Empresa pública
d. Sociedade de economia mista.
 Art. 2º, II, lei 11101 - Parcialmente excluídos ou relativamente excluídos:
i. Instituição financeira;
269

j. Consórcio;
k. Seguradoras;
l. Cooperativas de crédito;
m. Entidades de previdência complementar;
n. Operadoras de plano de saúde;
o. Sociedade de capitalização
p. E outras entidades legalmente equiparadas a essas. O STF disse
que administradora de cartão de crédito são equiparadas a instituição
financeira. Ex²: Empresas de leasing.
A princípio não cabe falência para esses entes, no entanto, todos os
entes do art. 2º, II podem passar por processo de liquidação exjudicial. Na
liquidação será nomeado um liquidante. Somente o liquidante é que na
liquidação judicial pode pedir a falência dos entes do art. 2º, II.
Todos os entes do art. 2º, II podem passar por liquidação extrajudicial.
Nesta será um liquidante que, por sua vez, poderá pleitear a falência destes
entes. Então significa que a princípio não podem sofrer falência mas a falência
poderá ser consequência da liquidação extrajudicial. Por isso falar que esses
entes não podem falir é tecnicamente incorreto.
Em prova:
Cabe falência de instituição financeira? Não.
Uma instituição financeira em liquidação judicial cabe falência? Sim.

4 – Legitimidade processual
4.1 – Legitimidade ativa
Pode ser autor de ação de falência:
 Autofalência (art. 105): ocorre quando o próprio empresário, quando a
própria sociedade empresaria solicita a própria falência. Ex: Atari.
Para pedir a autofalência é necessário preencher alguns requisitos:
- Estar em estado de crise econômico-financeiro
- Julgar não atender aos requisitos da recuperação judicial
Se existe a possibilidade de recuperação é a recuperação que tem que pedir. A
falência só pode ser requerida em ultimo caso.
Aquele que esta em crise e se julga não atender aos requisitos de
recuperação ele pode ou deve pedir a autofalência?
270

Art. 105: O devedor deverá requerer ao juiz a sua falência. Não existe
consequência para quem não pede, mas é uma obrigação.
 Sócio ou acionista. Se a sociedade não quiser entrar, o sócio ou
acionista pode fazer o pedido.
 Qualquer credor:
OBS: Se o credor for empresário, sociedade empresária ou ERELI ele só vai
poder ajuizar a ação contra terceiro se estiver devidamente registrado na junta
comercial.
Sociedade em comum (é a sociedade do art. 986, CC: não foi levada a
registro). A sociedade em comum pode pedir a falência de terceiro? Não. Ela
está impedida (art. 97, §1º). Todavia ela pode pedir a própria falência (art. 105,
IV, lei 11101: é o contrato que se leva para registrar na junta, se não tem
contrato a sociedade não é registrada).
OBS²: Se o credor não tem domicílio no país deve prestar caução (art. 97, §2º,
lei 11101). Às vezes o concorrente entra com ação de falência contra o outro
somente para manchar a empresa, ou então em cidades pequenas quando se
entra com a ação logo se espalha boatos de que a empresa está quebrada.
Então para se evitar isso o credor tem que prestar caução.
Quem por dolo requerer a falência de outrem será condenado na própria
sentença que julgar improcedente o pedido a indenizar o devedor, apurando-se
as perdas e danos em liquidação de sentença (art. 101).
Imagine que um argentino entra com ação dolosa de falência contra
empresa no Brasil. o argentino não tem bens no Brasil. fazer uma carta
rogatória para expropriar bens do credor demoraria muito, por isso é que se
pede a caução no início do processo.
Quais são os princípios do processo falimentar?
Art. 75, p.u, lei 11101 – o processo falimentar deve atender aos
princípios da celeridade e economia processual. É mais célere fazer carta
rogatória ou pedir para que o argentino depositar caução? Depositar caução,
com isso atende-se ao princípio da celeridade.
 Cônjuge sobrevivente, herdeiro e inventariante podem pedir falência do
espólio do empresário individual. Pela regra do art. 96, §1º eles possuem
apenas 1 ano contado da morte para fazer isso (pedir falência do espolio do
empresário individual).
271

Questões polêmicas sobre legitimidade ativa:


# MP pode pedir falência?
R: O MP poderia sim pedir falência para a hipótese de descumprimento
de TAC – termo de ajustamento de conduta (Sérgio Campinho: autor carioca).
No caso de tutela coletiva, se houve descumprimento do TAC, no qual tinha
obrigação pecuniária estabelecida, o MP poderia com base nessa obrigação
pecuniária ajuizar ação de falência. Gialluca admite a possibilidade também.
# Fazenda Pública pode pedir falência?
R:
Os favoráveis ao pedido alegam que a certidão de divida ativa é um
titulo executivo e que agora esse titulo executivo pode ser protestado. Então,
se a CDA pode ser protestada, a Fazenda Pública pode pedir a falência, não
há impedimento na lei quanto a isso. Essa posição é minoritária.
A posição majoritária (STJ e 1ª jornada de direito comercial: enunciado
56): a Fazenda Pública não possui legitimidade ou interesse de agir para
requerer falência do devedor empresário. (Resp 363206/MG). Argumentos
dessa corrente:
- Preservação da empresa: o Estado tem como função social e econômica
buscar a preservação da empresa, pois quando se tem uma empresa
preservada nos temos manutenção de empregos, da fonte produtora e também
geração de tributo. Se a Fazenda quiser receber o crédito ela deve entrar com
a execução fiscal e não com a falência. Nada impede de a fazenda publica
entrar com a execução fiscal para satisfação do crédito tributário.
- Se a fazenda publica pedir a falência com base na CDA, o devedor terá que
pagar essa CDA para o juiz não decretar a falência e quando isso ocorre tira do
devedor o direito ao contraditório, pois o devedor poderia discutir esse credito
tributário na ação de execução.
272

AULA 09
FALÊNCIA
4.2 – Legitimidade passiva
A incidência da lei 11101 só ocorre sobre a figura do empresário
individual, sociedade empresária e EIRELI. Assim, só pode sofrer pedido de
falência o empresário, a sociedade empresária e EIRELI.
Só que existe alguns que apesar de serem de serem sociedades
empresárias, eles estão excluídos da incidência da lei (art. 2º, lei 111101):
I – Totalmente excluídos (art. 2ª, I):
- Empresa pública
- Sociedade de economia mista
Em hipótese alguma esses entes podem falir.
II – Parcialmente excluídos (art. 2º, II):
- Instituição financeira
- Consórcio
- Seguradora
- Cooperativas de crédito
- Operadoras de plano de saúde
- Entidade de previdência complementar
- Sociedade de capitalização
- Outras entidades legalmente equiparadas a estas. Ex: sociedade de
arrendamento mercantil (empresas que fazem leasing); administradora de
cartão de crédito (o STJ recentemente disse que administradora de cartão de
crédito está equiparada a instituição financeira).
No primeiro momento nenhuma pessoa poderá ajuizar ação de falência
contra essas sociedades. Todos os entes podem passar por uma liquidação
extrajudicial. Quando se tem liquidação extrajudicial é nomeado liquidante
(quem nomeia é o banco central, a agência de saúde, etc – cada caso é um
caso) e esse liquidante poderá, e somente ele, pedir a falência do ente que
está passando por liquidação extrajudicial. São parcialmente excluídos porque
esses entes não podem sofrer ação direta de falência, mas a falência é
consequência da liquidação extrajudicial.
273

Todos os entes do art. 2ª, II podem passar por uma liquidação


extrajudicial. Nesta, será nomeado um liquidante que, por sua vez, poderá
pedir a falência do ente que está em liquidação.
Por conta do art. 193, da lei 11101 a doutrina vem afirmando que as
câmaras de compensação também não podem passar por falência. Elas
estariam envolvidas dentro do rol daqueles que não podem sofrer falência
(delimitadas em situação de exclusão). A exclusão da câmara de
compensação, segundo a doutrina, é total.
Art. 193. O disposto nesta Lei não afeta as obrigações assumidas no
âmbito das câmaras ou prestadoras de serviços de compensação e
de liquidação financeira, que serão ultimadas e liquidadas pela
câmara ou prestador de serviços, na forma de seus regulamentos.

5 – Juízo competente
A ação de falência sempre será processada e julgada pela justiça
comum estadual. Não importa se é autarquia federal, se é sociedade de
economia mista, nunca a justiça federal vai apreciar ação de falência, pois essa
questão está na própria CF (art. 109, I, CF: competência da justiça federal). Ver
informativo 519, STJ: aplica-se os mesmo procedimentos concursais, por
extensão, como por exemplo, à liquidação.
De acordo com o art. 3º da lei 11101, o juízo competente é o do local do
principal estabelecimento e se a sede for fora do Brasil, é no local da filial.
Mas o que é esse principal estabelecimento?
1ª corrente: principal estabelecimento é o estabelecimento contratual ou
estatutário. É aquele que consta no contrato social, que está no estatuto social.
Corrente minoritária.
2ª corrente: principal estabelecimento é a sede administrativa, ou seja, onde
esta localizada a administração da empresa, o centro das atividades, o centro
vital da gestão, de onde emana as diretrizes, as ordens. Esta é a corrente
adotada pelo STJ. Adotar esta corrente em prova objetiva.
3ª corrente (critério econômico): principal estabelecimento é aquele onde se
concentra o maior volume de bens. A doutrina moderna vem adotando esta
corrente, pois o objetivo da falência é o juiz reconhecer o estado de insolvência
do devedor, decretar falência. Assim, o empresário encerra a atividade e todos
274

os seus bens são arrecadados e vendidos para pagar os credores. Portanto, a


falência sem bens não é nada. O foco da falência são os bens. Então a melhor
gestão da falência ocorre próxima dos bens: para evitar roubo, desvio, etc. No
entanto este não é o posicionamento do STJ.
Apesar de a competência territorial ser relativa, no tocante à falência a
competência territorial é absoluta, pois toca ao conteúdo do processo
falimentar.
OBS: Juízo prevento (art. 6º, §8º, lei 11101): A distribuição do pedido de
falência ou de recuperação judicial previne a jurisdição para qualquer outro
pedido de recuperação judicial ou de falência, relativo ao mesmo devedor.

6 – Insolvência
Quando o credor ajuíza ação de falência o seu objetivo é que o juiz
declare o estado de insolvência do devedor.
E esse estado de insolvência quando que ocorre?
Essa insolvência pode ser:
 Insolvência confessada:
- Quando o próprio empresário declara o seu estado de insolvência, por meio
da autofalência. O empresário pede a sua própria falência.
- Existe também a hipótese de quando o devedor solicita os benefícios da
justiça gratuita: o credor entra com pedido de falência contra a empresa. A
empresa contrata advogado, o que vai defender a empresa contestando (diz
que a empresa está bem, não está falindo, etc), só que daí o advogado pede o
benefício da justiça gratuita para fazer defesa de falência (estupidez do
advogado): isso é tudo o que o credor quer para pode dizer que nem as custas
processuais a empresa consegue pagar, imagine os credores. A jurisprudência
vem admitindo esse tipo de insolvência.
 Insolvência presumida: acontece quando ocorre uma das hipóteses do art.
94, I, II e III, lei 11101.
d) Art. 94, I: Impontualidade injustificada.
Deixar de pagar no vencimento uma obrigação líquida sem relevante
razão de direito (justificativa) título(s) executivo(s)*.
275

Atenção: Esse título executivo, judicial ou extrajudicial, deve ser protestado


(protesto extrajudicial: lei 9492/97, art. 1º: cabe protesto de títulos e outros
documentos de dívida que tenha certeza, exigibilidade e liquidez).
Intimação do protesto: O comprovante de que a intimação do protesto foi
entregue no endereço dado, torna a intimação como perfeita e acabada (art. 1º,
§1º, lei 9492). Não importa quem recebeu, está cumprida a notificação e
intimação.
Parte da doutrina queria que a intimação fosse pessoal. No entanto o STJ
entendeu que não seria caso de intimação pessoal pois o devedor poderia fugir
e assim, não se conseguiria fazer o protesto do titulo.
Súmula 361, STJ: o protesto para fim de falência tem que fazer a
intimação entregando no endereço, todavia, além de entregar no endereço é
preciso saber quem recebeu a intimação
Razão para não pagamento de dívida: Ex: titulo prescrito, dívida paga.
Quando se tem justificativa a empresa não pode sofrer falência.
*A lei não disse se é judicial ou extrajudicial. Portanto, pode ser qualquer um
dos dois. Nada impede pedido de falência com base em título executivo
judicial. Ex: sentença condenatória que transitou em julgado na justiça do
trabalho.
Súmula 248, STJ: Comprovada a prestação dos serviços, a duplicata
não aceita, mas protestada, é título hábil para instruir pedido de
falência.
Atenção: A ação de falência somente pode ser ajuizada se o valor da
obrigação for acima de 40 salários mínimos. Se for de 40 salários não cabe
falência, é preciso que seja acima.
Dois credores podem fazer litisconsórcio para que se atinja esse valor
acima de 40 salários mínimos?
Cabe sim (art. 94, §1º: admite-se o litisconsórcio entre os credores para
que se possa perfazer o limite mínimo estabelecido na lei).

e) Art. 94, II: Execução frustrada:


Ocorre quando o devedor é executado e não paga, não deposita e não
há no processo bens suficientes à penhora. ´
276

Ainda que haja processo de execução, que esteja sofrendo execução, o


devedor não teve bens nenhum, ou poucos bens para serem penhorados:
execução frustrada. Ante a execução frustrada o credor pode: chorar ou extrair
copias do autos da execução e com esses documentos ele ajuíza ação de
falência (presunção de que o devedor está em estado de insolvência).
Enquanto na impontualidade injustificada existe um teto mínimo (acima de 40
salários), aqui pode ser ajuizada a falência em decorrência da execução
frustrada por qualquer quantia.

f) Art. 94, III: Atos de falência:


São comportamentos, condutas que estão expressamente previstos em
lei (art. 94, III, ‘a’ até ‘g’). Se o devedor praticar qualquer um desses atos
haverá presunção de falência.
- Art. 94, III, ‘a’: Liquidação precipitada: o empresário se desfaz de seus bens
sem reposição. O empresário vai sumindo aos poucos com os bens.
- Art. 94, III, ‘g’: descumprimento de obrigação assumida no plano de
recuperação judicial. Nesse caso o credor pode ajuizar pedido de falência.
O art. 61, lei 11101 diz que o plano de recuperação judicial, durante 2 anos, o
juiz acompanha a recuperação judicial. Passado 2 anos, o juiz encerra a
recuperação judicial. Imagine que na recuperação tenha se criado plano para
pagar os credores em 8 anos. Os credores aprovaram o plano. Acontece que
nos 2 primeiros anos o juiz acompanha. Passado 2 anos o juiz encerra o
acompanhamento processual: não encerra o plano, pois existe ainda 6 anos
para cumprir o plano. Se esse descumprimento ocorrer no prazo de 2 anos, o
art. 61 diz que não precisa de ação de falência, o juiz vai fazer a convolação
em falência: o próprio juiz transforma a recuperação judicial em falência. O
credor não vai entrar com falência, o credor no próprios autos da recuperação
pede a falência e o juiz converte. Assim, só cabe o pedido de falência com
base no descumprimento (art. 94, III, ‘g’) se o descumprimento ocorrer depois
do encerramento processual da recuperação judicial (2 anos).
Quando se ajuíza ação de falência, a ideia é que ocorra o pagamento de
todos os credores, não somente daquele que ajuizou a ação. Assim, o que se
pede não é o pagamento da minha divida, mas sim que seja reconhecido o
estado de insolvência (se eu quiser exigir o credito eu devo entra com ação de
277

cobrança, monitória, execução, etc). Ou seja, esse credor não tem que
necessariamente ter titulo vencido. O credor pode entrar com ação de falência
com titulo vincendo, desde que justifique a insolvência com base em titulo
vencido (outro credor tem titulo vencido, protestado, execução frustrada, atos
de falência, etc). Assim, o credor pode utilizar o titulo vencido de outro credor
para ajuizar a falência, pois não se pede o pagamento de divida, mas sim o
reconhecimento do estado de insolvência.
Se o credor quando ajuíza ao pedido de falência ele se baseia na
insolvência economia ou jurídica?
O credor não tem que provar que o devedor tem passivo maior que o
passivo. Portanto credor não tem que fazer prova de fase econômica do
devedor. Não se trata de situação econômica, trata-se de situações previstas
em lei, portanto, estamos falando de insolvência jurídica e não de econômica.
Não compete ao juiz analisar a insolvência econômica, juiz tem que analisar a
presença de insolvência jurídica. Assim, se ocorreu alguma hipótese de
insolvência jurídica o juiz tem que decretar a insolvência jurídica. ex: se a
empresa tiver patrimônio muito acima do que passivo, mas por exemplo pratica
o ato previsto no art. 94, I, lei 11101, por mais que a empresa tenha dinheiro, o
juiz vai ter que decretar a falência, pois a empresa praticou hipótese prevista
em lei.
Assim, não é pressuposto para decretação de falência que a empresa
tenha passivo muito acima do que ativo. É pressuposto a insolvência jurídica.

7 – Defesa do requerido na falência


O que o devedor pode fazer?
 Apresentar contestação.
Cuidado: o prazo de contestação aqui é de apenas 10 dias (art. 98, lei 11101).
 Depósito elisivo.
Elidir = impedir.
Após o deposito elisivo o juiz estará impedido de decretar a falência.
Prazo do depósito elisivo: deve ser feito dentro do prazo de contestação
(10 dias). A jurisprudência em razão do princípio da preservação da empresa
tem admitido deposito realizado em momento posterior até o proferimento da
sentença.
278

Valor do depósito elisivo = valor principal + correção + juros + honorários


advocatícios (art. 98, p.u, lei 11101).
Por isso que quando o juiz manda fazer a citação do devedor no
processo de falência ele já arbitra os honorários na própria citação, para que o
devedor possa efetuar o deposito elisivo.
De acordo com o art. 98 somente cabe deposito elisivo nas hipóteses de
pedido de falência com base no art. 94, I e II. Todavia, a jurisprudência pacifica
no sentido de que se o pedido de falência foi com base no art. 94, III também
caberá o deposito elisivo em razão do princípio da preservação da empresa.
 Depósito + contestação.
 Recuperação judicial (regra do art. 95, lei 11101). O devedor pode dizer
que quer pagar, mas que não consegue pagar em dinheiro, não consegue
pagar a vista, não consegue pagar tudo de uma vez, etc, mas que quer pagar.
Assim, o devedor, dentro do prazo de contestação ele pode pedir a
recuperação judicial. Essa recuperação suspende o processo de falência.

8 – Sentença
- Sentença procedente: é sentença declaratória - declara o estado de
insolvência.
- Sentença improcedente: é sentença denegatória, não reconhece o estado de
insolvência.
Quais são os recursos cabíveis para cada uma dessas decisões?
Art. 100: A sentença declaratória/procedência comporta agravo de
instrumento (tem interesse para apresentar recurso: devedor, MP e credor). A
sentença de improcedência comporta recurso de apelação (tem interesse para
apresentar recurso: credor, MP e devedor*). *Em caso de autofalência, se o juiz
denegar a falência, o devedor tem interesse no recurso de apelação.

Pedido de falência  sentença declaratória  sentença de encerramento

Fase pré-falimentar fase falimentar


A sentença dá início à fase falimentar: é aqui que vai ter a arrecadação
dos bens, venda dos bens, pagamento dos bens e é depois disso que o juiz dá
uma sentença de encerramento, dando fim ao processo de falência. Apesar de
279

ser uma sentença, a sentença declaratória tem características de decisão


interlocutória.

9 – Sentença declaratória de falência


9.1 - Natureza jurídica:
Se o examinador perguntar dentro da prova de empresarial qual é a
natureza jurídica é para dizer que a sentença declaratória possui natureza
constitutiva (em que pese os processualistas dizerem que é declaratória).
A sentença declaratória tem caráter predominantemente constitutiva,
afinal, a partir da decretação da quebra, incidirá o regime falimentar sobre o
empresário, sociedade empresária ou EIRELI, colocando-os em uma situação
jurídica diversa da anterior, tendo como efeitos, dentre outros, o afastamento
da administração dos bens, o vencimento antecipado da dívida, a constituição
da massa falida e a nomeação do administrador judicial. Trata como sentença
constitutiva porque mudou o estado anterior. Predomina a natureza constitutiva
dessa sentença.

9.2 – Requisitos da sentença declaratória (art. 99)


 É na sentença declaratória que o juiz vai fazer a nomeação do
administrador judicial (art. 99, IX). O juiz tem que atentar para a regra do art.
21, lei 11101:
Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo,
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas
ou contador, ou pessoa jurídica especializada.
Hoje não existe mais a figura do síndico, hoje se tem o administrador
judicial.
A regra do art. 21 não é de obrigatoriedade, é uma regra de sugestão,
de preferência. Então o administrador pode ser qualquer outro profissional,
desde que haja um critério para a nomeação.
O administrador vai auxiliar o juiz na administração da falência.
O art. 22 estabelece as obrigações que o administrador tem no processo
de falência. E o art. 22, III, ‘d’ estabelece que cabe ao administrador receber e
abrir a correspondência dirigida ao devedor, entregando a ele o que não for
assunto de interesse da massa. A doutrina majoritária entende essa regra do
280

art. 22, III, ‘d’ como inconstitucional. Todavia, toda as vezes que o examinador
CESPE perguntou sobre o assunto, ele deu como correto a letra da lei (as
questões do CESPE não foram anuladas), portanto, em prova objetiva colocar
a letra da lei como correta, por mais absurda que pareça.
Gladston Mamede: se o juiz declarou a falência de empresário individual,
realmente nesse caso ocorre a violação do sigilo, pois empresário individual é a
pessoa física (é ele quem vai receber a correspondência). Mas, em se tratando
de sociedade e inclusive EIRELI, toda pessoa jurídica tem o seu administrador,
então essa carta não é encaminhada a pessoa física, é encaminhada à pessoa
jurídica e quem vai abrir é o administrador. Então quando o juiz nomeia
administrador judicial ele somente substitui o administrador, portanto, não
violaria a regra (não haveria portanto quebra de sigilo).

 O juiz deve fixar o termo legal da falência (art. 99, II).


Termo legal da falência: é o período suspeito (período cinzento). Esse
período vem antes da falência, antecede a falência. Durante esse período o
devedor será investigado, é um período de investigação dos atos praticados
pelo devedor. Se o devedor praticar atos que estão previstos na regra do art.
129, da lei 11101, esses atos serão declarados ineficazes.
Esse termo legal não pode retrotrair por mais de 90 dias. Conta-se esse
termo:
- Da data do pedido da falência, quando a ação for com base no art. 94, II ou
III.
- Da data do primeiro protesto, quando o pedido de falência é com base no art.
94, I.
- Do pedido de recuperação judicial, quando a recuperação judicial se converter
em falência.
É nesta situação aqui que o credor mesmo quando o juiz decreta o
pedido de falência ele pode ter interesse no agravo de instrumento. Ex: credor
pode ter interesse que se modifique o termo legal (contar o prazo da data que
entende devida).

 Intimação do MP (art. 99, XIII). É nesse momento que o MP é intimado


para participar do processo de falência. É na fase falimentar que o MP está
281

obrigado a participar do processo de falência. É na sentença declaratória (dá


início à fase falimentar) que haverá a intimação do MP. O MP não tem
obrigação de participar da fase pré-falimentar. Todavia, nada impede o
comparecimento do MP na fase pré-falimentar para apurar crime falimentar: ou
seja, o MP não está obrigado a participar da fase pré-falimentar, mas ele não
está impedido de participar.
 Ordenar ao falido que apresente relação completa de credores no prazo
de 5 dias, sob pena de crime de desobediência (art. 99, III).

9.3 – Efeitos da sentença declaratória em relação ao falido


f) O falido está inabilitado para exercer atividade empresarial (art. 102). O
prazo pelo qual o falido não pode mais desempenhar atividade empresarial:
tem início na sentença declaratória e encerra com a sentença de extinção das
obrigações do falido. No entanto, o juiz ao decretar a falência ele pode
determinar a continuidade provisória (às vezes dando continuidade até
eventual venda do estabelecimento em leilão, é melhor para se ganhar mais
dinheiro).
g) O falido perde a disponibilidade dos bens (art. 103). O falido não pode
mais dispor dos seus bens (não pode mais vender, alugar, etc).
h) A decretação da falência das concessionárias de serviços públicos
implica extinção da concessão, na forma da lei.(art. 195). Isso não depende do
que o juiz quer, de parecer do MP, do que vai dizer o administrador, etc. Esse
efeito é automático, decorre da lei.
i) A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios
ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam
sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida
e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o
desejarem (art. 81)
No Brasil ou a sociedade é limitada ou anônima. Ou seja, os sócios não
respondem pelas dividas da sociedade. Assim, os efeitos da falência recaem
tão somente sobre a pessoa jurídica. Assim, o sócio A pode sim ser sócio de
outra sociedade. Agora se o sócio for administrador de sociedade que já faliu,
ele não pode ser administrador de outra sociedade. Mas agora ser sócio de
282

outra sociedade não existe obstáculo: os efeitos da sentença não recairão


sobre a figura do sócio (art.1011, CC).
Agora, se por ventura, a sociedade for de responsabilidade ilimitada, se
o sócio tem responsabilidade ilimitada, os efeitos da falência se estenderão
para a figura do sócio (art. 81, da lei 11101).
j) Informativo 513, STJ:
Extensão dos efeitos da falência para as sociedades integrantes do
mesmo grupo econômico.
Grupo alcatraz: possui várias concessionárias – a da FIAT, AGM,
Importados, etc. e cada concessionária é uma pessoa jurídica distinta. Uma
delas começa a ter dívidas. E percebendo que terá falência decretada, começa
a desviar bens para as outras pessoas jurídicas do mesmo grupo (começa a ter
participação societária). Quando isso ocorre, o STJ diz que os efeitos da
falência se estenderão para as outras empresas que participam daquele grupo
econômico.

9.4 – Efeitos da sentença declaratória em relação aos credores


f) Somente pode falar em constituição da massa falida depois de uma
sentença declaratória.
Massa falida é a reunião de bens e credores do falido. Por isso que parte
da doutrina fala em massa falida objetiva (bens do falido) e massa falida
subjetiva (credores do falido).
g) Vencimento antecipado de toda a dívida do falido. Existe um princípio na
falência que se chama princípio do par conditio creditorum: nós temos que ter
na falência uma paridade de condições entre os credores. Os credores tem que
ter tratamento paritário, igual. Ou seja, tem que procurar na falência condições
pra que todos os credores possam receber. Ex: a falência da empresa somente
foi decretada hoje (26/06/2013). Só que o meu titulo somente vence em junho
de 2014 (somente nessa data eu teria direito). Portanto o que o legislador faz
para que os credores sejam tratados iguais: antecipa o vencimento da minha
divida.
h) Suspensão do curso da prescrição das obrigações do falido.
i) Suspensão da fluência de juros (art. 124). Isso busca evitar que uns
recebam e outros não. Ex: Joaquim possui credito trabalhista no valor de
283

10000. O banco Santander tem direito 25000. Se puder correr juros, a


depender dos juros, num prazo de 5 anos, o credito do Joaquim seria quase o
dobro, então não vai conseguir pagar todos os credores.
j) Suspensão de todas as ações/execuções envolvendo o devedor falido.
Ex: imagine que tem uma empresa que teve a sua falência decretada em
Maceió. Só que em Fortaleza tem uma ação de execução. uma ação de
cobrança em João Pessoa. E ação monitória em Natal. Se no processo de
falência haverá o pagamento de todos os credores, não somente daquele que
ajuizou a ação, não será na execução de fortaleza, de João Pessoa, etc que os
credores vão receber. O pagamento dos credores ocorrerão no juiz da falência.
O juiz da falência é o competente para conhecer e julgar as ações. Por isso
que o juízo da falência é universal: ele tem vis atrativa, ele atrai para si todas
as ações, execuções, cobranças envolvendo o falido (art. 76) – todavia existem
exceções.
Exceções ao juízo universal (ações não suspensas):
 Ação trabalhista (quem julga é juiz do trabalho).
 Ações fiscais (quem julga são as varas da fazenda pública). Art. 76
 Ações em que o falido for autor ou litisconsorte ativo (continua
tramitando na vara de origem).
 Ações que demandarem quantia ilíquida – continua tramitando na de
origem (art. 6º, §1º).
Cuidado: quando digo que ação trabalhista ou fiscal não será suspensa,
estamos falando da fase de conhecimento, pois quando partir para o momento
da execução, quando se tratar de pagamento haverá a suspensão.

9.5 – Efeito da sentença declaratória em relação aos contratos do falido


Art. 118, lei 11101: quando houver contrato, quem decide se continua ou
não o contrato (rescisão) é o administrador judicial.

10 – Arrecadação dos bens do falido


O juiz nomeia o administrador judicial na sentença declaratória de
falência. O administrador vai no fórum e assina termo de compromisso. O
próximo passo dele é providenciar a arrecadação de todos os bens que estão
na posse do falido.
284

Depois de nomeado, o administrador judicial deverá providenciar a


arrecadação de todos os bens que estão na posse do falido.
Nesse momento podem surgir algumas injustiças - ex: o juiz decreta a
falência de um restaurante. Esse restaurante tem, por exemplo, refrigerador da
coca-cola (a coca emprestou por comodato). A empresa de sache de café
emprestou a maquina de café para o restaurante. O administrador não tem a
obrigação se o bem é ou não do falido, ele arrecada tudo o que está na frente
dele. Deste modo, no exemplo dado, o administrador pode arrecadar o frízer, a
maquina de café. Assim, o proprietário do bem tem direito ao chamado pedido
de restituição (ação de rito ordinário previsto no art. 85, lei 11101. É uma ação
que corre junto com o processo de falência), ele não tem que entrar com
habilitação no processo de falência. Essa restituição pode ser de coisa ou pode
ser de dinheiro (o STF admitiu: súmula 417, STF). Se pede a restituição da
coisa, o juiz decretou a ação de restituição procedente ele manda restituir a
coisa em 48 horas (julgada procedente a coisa deverá ser restituída em 48h).
Agora se a coisa pereceu ou foi vendida, deverá restituir o dinheiro. Se a coisa
foi vendida vai restituir o valor da venda. Se a coisa pereceu restitui o valor da
avaliação. Mas a restituição em dinheiro pode se dar em outra situação: às
vezes o próprio bem arrecadado foi bem de terceiro (pizzaria descontou no
funcionário o INSS mas não pagou): esse dinheiro descontado é do INSS.
Assim, o procurador federal (AGU) tem que fazer pedido de restituição de
dinheiro. Se a restituição for em dinheiro ela se dará junto com o pagamento
dos demais credores.

11 – Ineficácia e revogação dos atos do falido


285

AULA 10
FALÊNCIA

11 – Ineficácia e revogação dos atos do falido


São medidas reintegrativas: medidas tomadas visando aumentar a
arrecadação.
Atos ineficazes: são atos estabelecidos no art. 129 da lei de falência. Os
atos ineficazes são chamados por Fabio Ulhoa de casos de ineficácia objetiva
– isso se dá porque se olharmos para a regra do art. 129 esse artigo determina
a ineficácia do ato sem a intenção do agente (se o devedor tinha ou não a
intenção de fraudar os credores, etc). não apura o animus do devedor. O
animus não é apurado nesse momento, por isso Fabio chama isso de ineficácia
objetiva – somente apura as situações.
A maioria envolve das situações do art. 129 envolve o termo legal (lapso
temporal definido pelo juiz na sentença declaratória – lapso temporal que não
pode retrair por mais de 90 dias).
Hipóteses de ineficácia (art. 129):
I – o pagamento de dívidas não vencidas realizado pelo devedor dentro do
termo legal.
II – o pagamento de dívidas vencidas de outro modo não estabelecido no
contrato. Ex: eu - falida - realizo contrato de prestação de serviço com
prestadora de serviço. Eu percebo que vou falir, assim, ao invés de dar dinheiro
no final do contrato, eu dou um caminhão como forma de pagamento (o
pagamento, segundo o contrato era em dinheiro, mas eu antecipei e dei um
caminhão) – mudou a forma de pagamento, gerando, assim, a ineficácia, desde
que isso se dê dentro do termo legal.
III – instituição de direito real de garantia para obrigação contraída
anteriormente. Ex: eu fiz o contrato de fornecimento para fornecer adubo para
empresa de agroindústria. No meio do contrato (o contrato não tinha garantia
nenhuma), a indústria pede um aditivo contratual e pede para eu dar como
garantia um imóvel da empresa. Se essa garantia ocorrer dentro do termo
legal, também é um caso de ineficácia.
286

IV – a prática de atos a título gratuito, desde 2 (dois) anos antes da decretação


da falência. Ex: o juiz decretou a falência, eu tenho dois anos para traz. Se a
doação ocorreu nesse intervalo de tempo, é caso de ineficácia objetiva.

2 anos decretação da falência


Esses casos de ineficácia objetiva do art. 129, eles podem ser alegados
pelo credor da falência. Todavia, além do credor, pode o juiz decretar a
ineficácia ainda que o credor e MP não se manifestem sobre a ineficácia. O juiz
pode de ofício declarar a ineficácia objetiva (art. 129, p.u, lei de falência). Isso
se dá porque aqui não tem que haver produção de prova, pois não se apura a
intenção do devedor. Basta a realização de algum dos atos do art. 129 para ser
declarada a ineficácia objetiva.
Além dos atos ineficazes, temos ainda os atos revogáveis.
Os atos revogáveis são os atos do art. 130 da lei de falência. Fabio
Ulhoa chama esses casos de ineficácia subjetiva. A doutrina critica a redação,
pois essas hipóteses, são na verdade casos de ineficácia também. É ineficácia
subjetiva porque aqui tem que apurar a intenção, tem que constatar o animus
do devedor. Somente se ficar provada o animus fraudis do devedor é que se
terá a ineficácia subjetiva.
Prova do conluio fraudulento e do efetivo prejuízo da massa  provando
isso temos a ineficácia do ato. O art. 130 não enumera os casos como o art.
129, pois aqui pode ser qualquer situação, basta provar o conluio e efetivo
prejuízo da massa.
Na hipótese do art. 130, o juiz não pode declarar de ofício.
Ação revocatória – é a ação cabível para declarar a ineficácia. Para
Amador Paes de Almeida, Sergio Campinho, Ricardo Negrão e outros autores
a ação revocatória é utilizada tanto para as hipóteses do art. 129, quanto para
as do art. 130 (posição majoritária).
Todavia, Fabio Ulho diz que somente as hipóteses do art. 130 é que
cabe ação revocatória, visto que o art. 132, quando fala na ação revocatória,
somente se refere ao 130. Outrossim, o art. 129 diz que precisa de ação
própria, mas não diz o nome da ação. Assim, para Fabio Ulhoa, o nome da
ação do art. 129 é ação inominada de ineficácia.
287

Art. 132. A ação revocatória, de que trata o art. 130 desta Lei, deverá
ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor ou pelo
Ministério Público no prazo de 3 (três) anos contado da decretação da
falência.
Art. 129. Parágrafo único. A ineficácia poderá ser declarada de ofício
pelo juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou
incidentalmente no curso do processo.
Legitimidade ativa da ação revocatória: credor, administrador judicial e
MP. Antes da nova lei o MP não tinha possibilidade de ajuizamento da ação
revocatória, só que mesmo assim, o MP já ajuizava haja vista a constrição
jurisprudencial, vez que o MP agia como fiscal da lei (art. 132).
Prazo para ajuizamento da ação revocatória: até 3 anos contados da
decretação da falência.
Art. 136. Reconhecida a ineficácia ou julgada procedente a ação
revocatória, as partes retornarão ao estado anterior, e o contratante
de boa-fé terá direito à restituição dos bens ou valores entregues ao
devedor.
Ex: massa falida ao invés e pagar quem tinha divida vencida, pagou
divida que nem vencida estava  quem recebeu deve devolver o dinheiro para
a massa falida. Traz para a massa falida os bens que de forma fraudulenta
foram transferidos para terceiro.

12 – Verificação dos créditos


Finalidade da verificação: delimitar os créditos que irão compor o quadro
geral de credores.
Imagine que o juiz decrete a falência (sentença declaratória de falência).
Quando o juiz decreta a falência, ele ordena ao devedor, que esse devedor
apresente redação de credores no prazo de 5 dias (se o devedor não
apresentar ele incorre no crime de desobediência). Quando chega a relação de
credores, o juiz publica o edital. Nesse edital teremos a sentença declaratória e
a relação de credores. Publicado o edital, o credor olha para o edital e não
encontra o nome dele lá. O credor então faz a chamada habilitação de credito
(art. 7º, §1º, lei de falência). O prazo para habilitar crédito é de 15 dias
contados da publicação do edital. Com a nova lei de falência eu não habilito
mais perante o juiz, eu encaminho essa habilitação para o administrador
288

judicial, ele é que deve receber a habilitação (por isso muitos chamam de
habilitação de procedimento administrativo – por ser um procedimento
administrativo não precisa de advogado e não tem que recolher custas).
Passado o prazo de 15 dias, começa um novo prazo de 45 dias, para que o
administrador faça uma nova relação de credores (pega a relação original e
acrescenta àqueles que habilitaram seus respectivos créditos). Essa nova
relação de credores, se alguém não concordar com os credores que ali estão
ou com os créditos dos respectivos credores, pode apresentar impugnação (o
prazo é de 10 dias contados da publicação para apresentar essa impugnação).
Pode apresentar a impugnação: o devedor, credor e MP (art. 8º). Só que essa
impugnação é uma ação de rito ordinário que corre dentro do processo de
falência (em que pese isso ela é uma ação). Essa ação de impugnação pode
inclusive chegar até o STF. Só depois do transito em julgado da ultima ação de
impugnação, o administrador vai então fazer um quadro geral de credores. Aí
então o administrador pega esse quadro e leva para homologação do juiz. O
administrador só pode fazer o quadro geral depois do transito em julgado da
ultima ação de impugnação. Se não houver impugnação alguma, nesse caso,
passado o prazo de 10 dias (prazo da impugnação), a relação apresentada
passa a ser o quadro geral de credores.
Quando se perde o prazo de habilitação, tem-se a habilitação
retardatária. A habilitação retardatária ela é aquela habilitação ocorrida fora do
prazo de 15 dias.
Habilitação  nova relação  quadro geral de credores 
homologação
A habilitação retardatária ocorrida após o prazo de 15 dias e antes da
homologação, ela será considera como impugnação e processada na forma
dos artigos 13 a 15 (será ação do rito ordinário) ou seja, vai precisar de
advogado (precisa de capacidade postulatória), ela será encaminhada para o
juiz, e pagamento de custas. Assim, a habilitação retardatária não é
encaminhada para o administrador, mas sim para o juiz. Se habilitar depois da
homologação, ela vira ação de retificação (é o mesmo efeito da ação
rescisória).
289

§ 5o As habilitações de crédito retardatárias, se apresentadas antes


da homologação do quadro-geral de credores, serão recebidas como
impugnação e processadas na forma dos arts. 13 a 15 desta Lei.
§ 6o Após a homologação do quadro-geral de credores, aqueles que
não habilitaram seu crédito poderão, observado, no que couber, o
procedimento ordinário previsto no Código de Processo Civil,
requerer ao juízo da falência ou da recuperação judicial a retificação
do quadro-geral para inclusão do respectivo crédito.

13 – Ordem de classificação dos créditos


Art. 150: trata das despesas com a administração da falência.
Art. 151:

Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial


vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até
o limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos
tão logo haja disponibilidade em caixa.
 Esses são os primeiros créditos que devem ser pagos na ordem de
classificação.
 Depois serão feitas as restituições em dinheiro (art. 149).
 Posteriormente vem os créditos do art. 84 (créditos extraconcursais).
Primeiro paga os créditos do art. 84, para depois pagar os créditos do art. 83.
São créditos extraconcursais (art.84):
- Remuneração do administrador judicial e crédito trabalhista decorrente de
serviço prestado após a decretação da falência. Cuidado: a remuneração do
administrador não está equiparada ao credito trabalhista, a remuneração do
administrador passa na frente do credito trabalhista. Ou seja, não se aplica
mais a sumula 219, STJ.
- Crédito tributário cujo fato gerador ocorreu após a decretação da falência.
O crédito extraconcursal está fora do concurso de credores. Neste caso
a divida não é do falido, é da massa falida. A divida da massa falida é
extraconcursal, a divida do falido é concursal.
 Art. 83 (créditos concursais – aqueles que estão dentro do concurso de
credores):
i. Crédito trabalhista até 150 salários mínimos por credor e acidente de
trabalho. A limitação é de 150 para credito trabalhista, acidente de trabalho não
290

tem limitação. Imagine uma relação trabalhista de 195 salários mínimos. A lei
diz que o que exceder a 150 sm, será considerado crédito quirografário.
Cessão do credito trabalhista é admitida. Ex: a pessoa por exemplo tem
direito a 20 sm para receber. Chegava uma pessoa compra esses credito de 20
pelo valor de 5 sm à vista.
Em que pese ser admitido a cessão do credito trabalhista, os créditos
trabalhistas cedidos a terceiro serão considerados quirografários.
j. Crédito com garantia real até o limite do valor do bem gravado. Imagine
que a sociedade falida fez empréstimo no banco no valor de 280 mil reais. A
sociedade da em hipoteca imóvel avaliado em 250 mil. Nesse caso o banco
pode habilitar o credito de 280 mil, só que nesta ordem de privilegio ele recebe
os 250 mil, os outros 30 mil ele vai receber como credito quirografário.
k. Crédito tributário, excetuadas as multas tributárias.
l. Crédito com privilégio especial (art. 964, CC).
m. Crédito com privilégio geral (art. 965, CC).
n. Crédito quirografário.
o. Multas. Súmula 565, STF: essa sumula foi criada antes da lei de falência
e a lei anterior não previa o pagamento de multa. Hoje há previsão expressa na
lei da possibilidade de aplicação como pagamento de multa. Inclusive é aqui
que vai se dar a multa tributária. Hoje não se aplica mais a sumula 565 para
processo falimentar.
p. Créditos subordinados: o pagamento deles está subordinado ao
pagamento de todos os demais. Subordinado: é o crédito do sócio não
decorrente de vinculo empregatício. Ex: crédito emprestado pelo sócio à
empresa. Se o sócio está empregado (administrador, presidente, etc) ele vai
receber como credor trabalhista.

14 – Realização do ativo
Realização do ativo é a venda judicial dos bens.
a. Formas de realização do ativo:
Os bens podem ser vendidos por:
- Leilão;
- Proposta fechada
- Pregão: modalidade hibrida de leilão + proposta.
291

Não importa a forma escolhida, todas as hipóteses precisa de intimação


pessoal do MP (art. 142, §7º). Se o MP não for intimado pessoalmente haverá
nulidade da alienação.

b. Ordem (art. 140):


Primeiro tenta alienar a empresa como um todo, se não for possível
tenta alienar as filiais, se não for possível aliena os blocos, etc.
Primeiro sempre tenta vender o todo.
Art. 140. A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes
formas, observada a seguinte ordem de preferência:
I – alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em
bloco;
II – alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades
produtivas isoladamente;
III – alienação em bloco dos bens que integram cada um dos
estabelecimentos do devedor;
IV – alienação dos bens individualmente considerados.
c. Art. 141, II:
O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes
de trabalho.
Isso se dá para evitar o fracasso da falência, visto que se assim não
fosse, não haveria investidores.

15 – Encerramento da falência
Depois de realizado todo o ativo de distribuído o produto entre os
credores, o administrador deverá prestar contas no prazo de 30 dias.
Quando o juiz recebe as contas, ele publica um comunicado, dizendo
que as contas estão prestadas (quem quiser olhar pode olhar). Aí qualquer
interessado pode impugnar essas contas no prazo de 10 dias.
Encerrado o prazo de 10 dias, o juiz abre vista do processo par ao MP
se manifestar sobre essas contas. Com isso, o MP vai dizer se é favorável ou
não. Assim, o juiz vai proferir uma sentença de encerramento (encerra o
292

processo de falência). Não precisa ter o pagamento de todos os credores, o


que tem que fazer é vender os bens e pagar aqueles que der.
16 – Reabilitação
Um dos efeitos da sentença declaratória é dar a inabilitação do empresário
(não pode mais exercer a sua atividade empresarial). E a sua possibilidade de
reabilitação ocorre nesse momento.
Aqui haverá a sentença da extinção das obrigações do falido. Essa
sentença é reivindicada pelo falido, ele pede que o juiz de outra sentença na
falência que é a sentença de extinção das obrigações. A sentença da extinção
deverá observar as hipóteses do art. 158 da LF:
e. Pagamento de todos os créditos.
f. Pagamento de mais de 50% dos créditos quirografários.
g. Decurso do prazo de 5 anos contados da sentença de encerramento.
Esse prazo é aplicado para o falido que não foi condenado por crime
falimentar.
h. Decurso do prazo de 10 anos contados do encerramento da falência.
Esse prazo é aplicado para o falido que foi condenado a crime falimentar.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL
1 – Cenário
Antes da recuperação judicial tínhamos a concordata. Agora temos a
recuperação judicial.
Concordata Recuperação judicial
Decreto lei 7661/45 Lei 11101/05
Somente envolvia crédito São vários créditos que entram na
quirografário. Se o problema do recuperação judicial (ex: crédito
empresário era o pagamento de trabalhista, crédito com garantia real,
outros créditos, ele não podia pedir a etc).
concordata. Ex: o credito com direito
real em garantia não podia ser pago
na concordata.
Na concordata o credor não O credor participa. Se o credor não
participava: o devedor apresentava aprovar o plano apresentado pelo
293

pedido de recuperação, o juiz devedor isso pode gerar falência.


analisava os requisitos e deferia a
concordata ou não, sem consultar o
credor.
Analisava apenas se os requisitos Precisa do preenchimento dos
eram preenchidos. requisitos e aprovação dos credores.
Somente tinha o parcelamento de Possui vários meios de recuperação
dívida. Se quisesse qualquer outro da crise. Ex: possibilidade de fusão,
meio para superar a crise não tinha venda de bens, alteração do controle
como. societário, etc.

2 – Finalidade (art. 47)


Busca a recuperação judicial com o objetivo da preservação da
empresa. Recuperação judicial: medida judicial adotada pela lei que permite ao
devedor superar o momento de dificuldade econômico-financeira que vem
sofrendo, através da preservação da empresa.
Com a preservação da empresa tem-se a manutenção de empregos,
manutenção da fonte produtora e manutenção do desenvolvimento da atividade
na região.

3 – Requisitos
Os requisitos para se pedir uma recuperação judicial estão no art. 48 da
LF:
f. Somente o devedor (empresário, sociedade empresária ou EIRELI) pode
pedir a recuperação judicial. Credor não pede a recuperação judicial de
ninguém, credor pede a falência se ele quiser.
Atenção: Somente é possível a recuperação judicial para quem está em
atividade regular a mais de 2 anos.
Atividade regular = Devidamente registrado na junta comercial. Ou seja,
quem não tem registro não tem recuperação judicial. Assim, sociedade em
comum não pode pedir recuperação judicial.
g. Não ser falido e se o foi, suas obrigações declaradas extintas por
sentença*. Aquele que está falido não pode pedir recuperação judicial.
*Hipótese de reabilitação: falido reabilitado para exercer atividade empresarial.
294

h. Não ter sido condenado a crime falimentar. Antes da lei 11101 crimes
como furto, estelionato, etc, não permitiam a concordata. Hoje somente o crime
falimentar que não permite a recuperação judicial.
i. Não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial;
# Quem já teve recuperação judicial uma vez pode pedir novamente?
Sim, desde que não tenha, há menos de 5 (cinco) anos, obtido
concessão de recuperação judicial (art. 48, II, LF). Conta-se o prazo de 5 anos
a partir da concessão.
j. Não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de recuperação
judicial especial (para micro empresa e empresa de pequeno porte). De acordo
com a CF a micro empresa e empresa de pequeno porte tem que ter
tratamento diferenciado, tem que ter um tratamento preferencial. Assim, visto
que essa regra é prejudicial à essas pessoas, segundo a doutrina essa regra é
inconstitucional (art. 48, III).
4 – Créditos sujeitos aos efeitos da recuperação judicial
Não é todo credito que é admitido em recuperação judicial.
São todos os créditos, vencidos ou vincendos, existentes na data do
pedido.
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos
existentes na data do pedido, ainda que não vencidos.
Em que pese a redação do art. 49, existem alguns créditos excluídos
(créditos que não podem fazer parte do plano de recuperação judicial):
 Créditos posteriores ao pedido.
 Crédito tributário. Isto não tem previsão expressa, é uma consequência
do art. 6º, §7º c/c art. 57, da LF.
 Crédito do art. 49, §3º, LF.
Os créditos do art. 49, §3º são os créditos decorrentes de:
- Arrendamento mercantil (contrato de leasing)
- Alienação fiduciária
- Compra e venda com reserva de domínio
- Compra e venda de imóvel com clausula de irrevogabilidade ou
irretratabilidade.
 Adiantamento de contrato de câmbio (ACC).
295

Conclusão (fazem parte do plano de recuperação judicial):


 Crédito trabalhista* e de acidente de trabalho.
*Não entra aqui a limitação de ser 150 salários mínimos.

 Credito com garantia real.


 Crédito com privilégio especial.
 Crédito com privilegio geral.
 Créditos quirografários.
 Crédito subordinados.
5 – Processamento
Petição inicial (1)

Despacho de
processamento (2)

Publicação de edital (3)

Apresentação do plano Habilitação de crédito


(4) (5)

O juiz publica
comunicado dizendo Nova relação de
que o plano foi credores (6)
apresentado

5.1 – Petição inicial


A petição inicial tem que necessariamente observar os ditames do art.
51:
 Tem que dizer que está em crise.
 Fazer a exposição das causas concretas da crise (porque está
enfrentando a crise. Ex: crise mundial; pirataria, etc).
 Apresentar demonstrativos contábeis dos últimos 3 exercícios sociais
(provar a crise).
 Apresentar relação de credores.
Não existe plano neste momento.
O juiz ao receber a petição inicial ele tem que verificar se a pet atende
ou não aos requisitos do art. 51. Se essa petição inicial atender aos requisitos
do art. 51, o juiz vai proferir um despacho de processamento.

5.2 – Despacho de processamento


O juiz está autorizando o processamento da recuperação judicial.
296

Art. 52: é nesse momento que o juiz vai nomear o administrador judicial.
Aqui o administrador é nomeado por um despacho, ao contrario da falência.
É no despacho de processamento que o juiz ordena, também, a
suspensão de todas as ações/execuções contra o devedor. Essa suspensão é
improrrogável (art. 6º, §4º, LF). O prazo é improrrogável e é de 180 dias
contados do deferimento.
§ 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste
artigo em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de 180
(cento e oitenta) dias contado do deferimento do processamento da
recuperação, restabelecendo-se, após o decurso do prazo, o direito
dos credores de iniciar ou continuar suas ações e execuções,
independentemente de pronunciamento judicial.
Apesar de a lei falar que o prazo é improrrogável, a jurisprudência vem
admitindo a prorrogação de forma excepcional (enunciado 42 da primeira
jornada de direito comercial):
42. O prazo de suspensão previsto no art. 6º, § 4º, da Lei n.
11.101/2005 pode excepcionalmente ser prorrogado, se o
retardamento do feito não puder ser imputado ao devedor.
O art. 6º, §7º diz que as ações fiscais não são suspensas. Elas não
admitem a suspensão porque como o credito tributário não entra na
recuperação judicial, assim, se suspender a execução fiscal tira da fazenda a
possibilidade de receber o seu crédito (ela não vai receber na recuperação).
# E a divida trabalhista?
A ação trabalhista tem a fase de conhecimento e a fase de execução. A
doutrina diz que na fase de conhecimento não há suspensão. A suspensão
prevista no art. 6º, §4º somente a ação trabalhista somente quando ela tiver na
fase de execução. O pagamento de credito trabalhista está previsto no plano
de recuperação judicial.

5.3 – Publicação de edital


No edital teremos o despacho de processamento e a relação de credores. O
juiz manda a publicar a relação de credores (os credores que estavam na
petição inicial).

5.4 – Apresentação do plano


297

O prazo de apresentação do plano é improrrogável e será de 60 dias,


contados da publicação da decisão que deferiu o processamento, sob pena de
convolação em falência (se perder o prazo o juiz pode converter a recuperação
em falência). Publicado o despacho temos 60 dias improrrogáveis para poder
apresentar o plano de recuperação judicial.
Temos que apresentar ainda no plano meios de superação da crise.
O art. 50 da lei traz meios. O art. 50 traz um rol exemplificativo, ou seja,
em outras situações pode-se criar um outro meio que não seja aqueles
previstos no art. 50.
O devedor pode fazer o plano que quiser, se o credor vai concordar com
isso é outra história.
Apesar dessa liberdade, o legislador criou uma limitação (art.54): o
credito trabalhista parcelado, ele só pode ser parcelado em 12 vezes. Essa é a
única limitação estabelecida ao plano de recuperação judicial.
Art. 54. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo
superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho
vencidos até a data do pedido de recuperação judicial.
5.5 – Habilitação de crédito
Se o credor não encontra seu nome no edital ele pode fazer a habilitação de
crédito. A habilitação de crédito não tem limite de valor.
O credor tem que habilitar no prazo de 15 dias contados da publicação
do edital (art. 7º, §1º).
A habilitação tem que ser encaminhada para o administrador judicial
(trata-se de medida administrativa). A habilitação, por ser medida
administrativa, não precisa de advogado e nem de recolhimento de custas.
Encerrado o prazo de 15 dias para habilitação, começa a contagem de
novo prazo (45 dias) para que o administrador faça uma nova relação de
credores.

5.6 – Nova relação


Nova relação= relação anterior + os novos credores que habilitaram os
seus respectivos créditos.
298

5.7 – Objeção
Objeção é o instrumento processual utilizado pelo credor para rejeitar o
plano de recuperação judicial. O art. 55 diz que o prazo é de 30 dias contados
da publicação da nova relação de credores, relação está que encontraremos no
art. 7º, §2º.
Imagine que tenha passado 30 dais e ninguém apresentou objeção. Isso
significa que o plano está aprovado. Agora se no prazo de 30 dias teve
objeção, o art. 56 diz que nesse caso o juiz vai ter que convocar uma
assembleia geral de credores. A assembleia geral de credores pode aprovar ou
reprovar o plano de recuperação judicial. Se a assembleia aprovar o plano,
ótimo. Agora se ela reprovar o plano vai ter que aplicar a regra do art. 56, §4º e
o juiz vai ter que fazer a convolação em falência, ou seja, o juiz vai transformar
a recuperação judicial em uma falência.
A assembleia geral de credores é composta por 3 classes:
- Classe 1: formada pelo credor trabalhista e de acidente de trabalho.
- Classe 2: credores com garantia real.
- Classe 3: demais credores.
No tocante à classe trabalhista o quórum de aprovação é a maioria dos
presentes (é o chamado voto por cabeça). Ex: tem 25 presentes, se 15 votou
sim e 10 não , então essa classe aprovou o plano (art. 45).
O quórum da classe 2 e 3 é o mesmo: maioria dos presentes (voto por
cabeça) e maioria dos créditos presentes. É um quórum duplo.
Para que a assembleia aprove o plano, segundo o art. 45, todas as
classes (1, 2 e 3) devem aprovar o plano de recuperação judicial.

6 – Aprovação do plano de recuperação


Situações em que pode haver a aprovação do plano:
 Não ter objeção
 Ter objeção, mas aprovação na assembleia geral de credores.
Se o plano for aprovado pelos credores o juiz terá que dar uma decisão
concessiva. Para o juiz dar uma decisão concessiva era preciso observar a
regra do art. 57, que estabelecia que o juiz só poderia dar uma decisão
concessiva se o devedor apresentasse nesse momento uma certidão negativa
de débitos tributários. Só que isso era ilógico! A pessoa quando está falindo a
299

primeira coisa que ela deixa de pagar são os impostos! Essa questão foi parar
no STJ e em junho de 2013 o STJ entendeu que não há necessidade de
apresentação da certidão negativa para que o juiz aprove o plano, o STJ
dispensou essa certidão para aprovação do plano de recuperação em razão do
princípio da preservação da empresa. Isso não significa que o fisco ficará sem
receber, ele irá receber só que ele vai ter que acionar o meio adequado para
isso: entrar com ação de execução fiscal (as ações fiscais não são suspensas).
De acordo com o art. 59 da lei a decisão concessiva ela provoca a
novação (extinção da divida anterior, criando uma nova dívida).
O art. 59, §1º diz que essa decisão concessiva implica em título
executivo judicial.
O artigo 59, §2º diz que dessa decisão que concede recuperação judicial
cabe agravo de instrumento que poderá ser interposto por qualquer credor e
pelo representante do MP.

7 – Convolação em falência
Se o plano não for aprovado ele deve ser convertido em falência
(convolação em falência).
Quando haverá convolação em falência?
São 4 hipóteses:
5ª. Inobservância do prazo de apresentação do plano. Se o devedor perdeu
o prazo de apresentação do plano do art. 53 que é de 60 dias o juiz deve
converter a recuperação judicial em falência.
6ª. Plano com objeção e posterior reprovação na assembleia.
7ª. Descumprimento de obrigação assumida no plano.
8ª. A assembleia geral de credores dentro do processo de recuperação
judicial se ela verificar que o devedor não reunirá condições de honrar com os
seus compromissos ou que a recuperação está trazendo prejuízo muito grande
para os credores, essa assembleia geral pode se reunir e deliberar pela
convolação em falência.
Com isso o juiz dará a sentença declaratória de falência.
300

RECUPERAÇÃO JUDICIAL COM BASE EM PLANO ESPECIAL


(RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL)
A recuperação judicial especial é quase igual à recuperação judicial
comum, restando apenas algumas diferenças:
f. De acordo com o art. 70 da lei somente microempresa e empresas de
pequeno porte podem pedir a recuperação judicial com base em plano
especial.
g. A recuperação judicial especial é facultativa, ou seja, a ME e EPP não
estão obrigadas a pedir a recuperação judicial especial, elas possuem mais
essa opção – elas pode pedir a recuperação judicial comum ou a com base em
plano especial.
h. A recuperação judicial especial só envolve o crédito quirografário.
O procedimento é o mesmo da recuperação judicial comum:
i. Na recuperação judicial especial o plano está pré-pronto, já está definido
na lei como vai ser ele (art. 71, II): aqui o plano será o parcelamento em até 36
parcelas mensais iguais e sucessivas com juros de 1% ao mês e 12% ao ano.
Se a empresa quiser pagar de outra forma terá que adotar a recuperação
judicial comum.
O procedimento é o mesmo da recuperação judicial comum, a diferença
está no plano que já está pré-definido na lei.
j. Na recuperação judicial especial pode haver objeção, só que aqui não
tem assembleia geral de credores (estamos falando de empresas de pequeno
porte). Então mesmo tendo objeção o juiz aprova o plano. Contudo, se mais da
metade dos créditos quirografários apresentarem objeção, aí nesse caso, como
não tem assembleia, o juiz vai ter que decretar a falência (art. 72).

RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
1 – Conceito
Recuperação extrajudicial nada mais é do que um acordo privado feito
entre o devedor e seus credores de forma extrajudicial.
A vantagem de entrar com recuperação extrajudicial é que na
recuperação judicial se o credor aprova o plano tá beleza, mas se o credor
reprova o plano resultará na falência. Já na recuperação extrajudicial, como
301

não é procedimento judicial, se o credor não aprovar o plano não vai acontecer
nada, não acarretará na falência.

2 – Requisitos
Os requisitos da recuperação extrajudicial, a principio, são os mesmos
da recuperação judicial comum que estão previstos no art. 48. Só que existem
mais alguns, que são os requisitos do art. 161.
Conclusão: para apresentar o plano de recuperação extrajudicial precisa
dos requisitos do art. 48. Contudo, para ter a homologação do plano tem que
ter o requisito adicional, que está previstos no art. 161, §3º:
Se estiver pendente recuperação judicial não pode ter o plano na
recuperação extrajudicial homologado. E se tiver recuperação judicial ou
homologação de plano extrajudicial há menos de 2 anos também não pode ter
o plano na recuperação extrajudicial homologado.

3 – Créditos sujeitos à recuperação extrajudicial


Recuperação judicial comum pode ter os seguintes créditos:
 Trabalhista/acidente de trabalho
 Garantia real
 Privilegio especial
 Privilegio geral
 Quirografários
 Subordinados
Estão excluídos da recuperação judicial comum o crédito tributário,
adiantamento de contrato de cambio e os créditos do art. 49, §3º.
Recuperação extrajudicial (art. 161, §1º) pode ter os seguintes créditos:
 Garantia real
 Privilegio especial
 Privilegio geral
 Quirografários
 Subordinados
302

Estão excluídos da recuperação extrajudicial o crédito tributário,


adiantamento de contrato de cambio, os créditos do art. 49, §3º e o trabalhista
e de acidente do trabalho (evita-se com isso fraude).

5 – Homologação do juiz
O devedor pode fazer o plano diretamente com os credores, no entanto
ele tem a possibilidade também, se assim ele quiser, a pedir a homologação do
juiz.
Vantagens da homologação:
4. Oficialidade maior para a negociação, tornando-o título executivo judicial.
5. Art. 161, §5º: evitar que credores desistam do plano. Os credores não
poderão desistir da adesão ao plano, salvo com a anuência expressa dos
demais signatários.
A homologação não torna a recuperação extrajudicial em judicial, ela
continua sendo procedimento extrajudicial, mas o juiz simplesmente verificou
os requisitos e concedeu a homologação do plano.
6. Obrigar o cumprimento do plano por alguns credores.
O artigo 163 estipula que o devedor poderá, também, requerer a
homologação de plano de recuperação extrajudicial que obriga a todos os
credores por ele abrangidos, desde que assinado por credores que
representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie
por ele abrangidos.
Situação: tem um plano e lá está pagamento de crédito com garantia
real, pagamento do privilegio especial e os quirografários. Todos os credores
aprovaram por unanimidade o plano no que tange ao crédito com privilegio
especial e quirografários, já quanto ao com garantia real os bancos Bradesco,
Itaú, Santander e HCBC concordaram, já o Banco do Brasil não concordou.
Imagine que o crédito dos que concordaram deu mais de 3/5 do crédito então
se o devedor não pedir a homologação do plano ele não pode fazer esse plano
prevalecer porque um credor reprovou, mas se ele pede a homologação a
homologação vai ter a função de obrigar o banco do Brasil a cumprir o plano
que foi estabelecido e já aprovado por mais de 3/5 dos créditos da categoria
dele.
303
304

Goiânia, 30 de Janeiro de 2014.

AULA ONLINE 01
PROTESTO DE TÍTULO E OUTROS DOCUMENTOS DE DÍVIDA
Protesto está previsto numa lei especifica: lei 9492/97 (protesto
extrajudicial).

1 – Conceito
Art. 1º, lei 9492:
Art. 1º Protesto é o ato formal* e solene** pelo qual se prova a
inadimplência e o descumprimento de obrigação*** originada em
títulos (de crédito) e outros documentos de dívida****.
*É ato formal porque tem que observar todas as formalidade previstas na
lei de protesto. Se vai ter intimação, se vai ter pagamento ou não, prazo, etc.
**É um ato solene porque somente o tabelião de protesto é que tem
competência para fazer protesto de cheque, nota promissória, etc. O banco não
tem competência para fazer protesto.
***Ex: não dar o aceito do título, a não entrega da mercadoria.
****Não é só o cheque, a duplicata que podem ser protestados, um
contrato, um contrato de arrendamento mercantil, um contrato de alienação
fiduciária, contrato de locação, sentença condenatória que transitou em julgado
na justiça do trabalho também pode ser objeto de protesto.
Cuidado: Tanto o documento de divida e título de crédito para serem
protestados precisam de certeza, exigibilidade e liquidez.
Protesto é um ato formal e solene, que comprova a inadimplência ou
descumprimento de obrigação que pode ocorrer em um título de crédito ou
outro documento de dívida.

2 – Finalidades do protesto
e. A primeira finalidade é de constrangimento legal do devedor (busca por
meio do protesto forçar o devedor ao pagamento do título).
Atenção ninguém é protestado, o que é protestado é um título. Ex: Fulano não
é protestado, protestado é o título do qual o Fulano é devedor.
f. Assegurar direito de regresso e execução contra codevedores do título.
305

g. É um caso de interrupção do prazo prescricional. Súmula 153, STF –


essa súmula não se aplica mais desde 2003, pois com a vigência do CC/2002,
ele passou a tratar do assunto (art. 202, III, CC).
h. Termo inicial da incidência de juros (Art. 40 da lei 9492/97). Muitas vezes
no título não consta a partir de que momento vai ser a contagem dos juros, ou
porque não está na lei ou porque não consta no próprio titulo (no caso da nota
promissória e letra de cambio está na lei que o juros começa a contar da data
de vencimento do título) então nesses casos o termo inicial para contagem de
juros se dá com o protesto.

3 – Competência funcional e territorial


Art. 3º, lei 9492: competência privativa do tabelião de protestos (é o
único que tem competência funcional para o protesto extrajudicial).
No que tange à competência territorial, a regra geral é o lugar do
pagamento do título de crédito. Ex: sentença condenatória em reclamação
trabalhista transitou em julgado em Franca, então é em Franca que é o lugar de
pagamento, então é em Franca que deve ser feito o protesto.
Quando o lugar de pagamento é omisso, a competência territorial será o
domicílio do devedor (o protesto deve ser feito no domicilio do devedor). Isso é
o que acontece com letra de cambio, nota promissória e duplicata. Mas não é o
que acontece com o cheque, pois o cheque tem regra especifica, o artigo 6º da
lei 9492 diz que o cheque pode ser protestado no lugar de pagamento ou
domicílio do emitente, vai ficar a critério de quem está apresentado o titulo para
pagamento. e quem tem que prestar a declaração de domicilio do emitente é o
apresentante, não é o tabelião que vai investigar onde o emitente mora, quem
tem que apresentar esse endereço é aquele que pede o protesto
(apresentante). Por isso que quando o cheque é devolvido por insuficiência de
fundos o Banco não pode recusar de dar o endereço atualizado do emitente
(norma do Banco Central).

4 – Natureza jurídica
O protesto tem natureza (força) probatória e é pressuposto processual.
O protesto comprova a inadimplência, ele prova o descumprimento de
306

obrigação e ao mesmo tempo ele é pressuposto processual, pois sem o


protesto não se pode executar codevedor de título.
 Protesto necessário: é aquele que tem natureza probatória e
pressuposto processual. Ex: se eu quiser executar o endossante de uma
duplicata, nota promissória, letra de cambio eu vou precisar do protesto, então
para mim esse protesto será necessário, pois eu preciso do protesto para
ajuizar a ação de regresso ou execução.
 Protesto facultativo: é aquele que só tem natureza probatória, ele não é
pressuposto processual. Ex: para executar o devedor principal de uma letra de
cambio, de uma nota promissória ou emitente do cheque eu não preciso do
protesto, o protesto é facultativo.

5 – Recepção e apontamento do título a protesto


Art. 9 da lei 9492
Se você tem um cheque, duplicata, letra de cambio e quer apresentar
esse titulo para protesto você vai lá no tabelionato de protesto competente no
âmbito territorial e faz um protocolo (protocoliza um pedido de protesto). O
tabelião não pode impedir o protocolo, mas todos os títulos e documentos
serão examinados (ele vai examinar se o titulo apresenta vício formal). Então
se o titulo não tem um dos requisitos (ex: assinatura do emitente, o cheque não
foi apresentado para pagamento no banco, etc) o tabelião não vai poder
protestar. O tabelião vai analisar o aspecto formal do titulo, só que em
momento algum compete ao tabelião analisar prescrição e decadência do titulo.
O tabelião não pode recusar protestar o titulo sob a alegação de prescrição ou
decadência.
Art. 9º Todos os títulos e documentos de dívida protocolizados serão
examinados em seus caracteres formais e terão curso se não
apresentarem vícios, não cabendo ao Tabelião de Protesto investigar
a ocorrência de prescrição ou caducidade.
O tabelião não tem função jurisdicional, portanto ele não tem
competência para analisar a prescrição e decadência. O tabelião só analisa os
vícios formais do título. Então o tabelião não pode também analisar se o credor
tinha ou não direito (se o titulo já foi pago, se o devedor nunca emitiu o título,
307

etc). Com isso se o devedor se sentir injustiçado ele terá que entrar com
medida judicial: ação a declaratória, ação de sustação de protesto.

6 – Intimação
Feito protesto é necessário fazer a intimação do devedor do título. Essa
intimação terá que seguir a regra do art. 14 da lei 9492.
Art. 14. Protocolizado o título ou documento de dívida, o Tabelião de
Protesto expedirá a intimação ao devedor, no endereço fornecido
pelo apresentante do título ou documento, considerando-se cumprida
quando comprovada a sua entrega no mesmo endereço*.

*A lei diz que para a intimação de protesto não se exige a intimação


pessoal do devedor. Contudo existe um problema: artigo 94 da lei de falência.
A lei de falência exige para o pedido de falência o protesto do título e esse
protesto tem que ser feito no tabelionato de protesto. Só que quando o protesto
de falência é feito no tabelionato de protesto ele é chamado de protesto
especial para fim falimentar (ele tem outro nome, não é protesto cambial
apenas). Então quem recebe a intimação do protesto toma conhecimento de
que ele é protesto para fim falimentar. Significa que o próximo passo do credor
é ajuizar pedido de falência. Então vem a doutrina e diz que era necessário,
nesse casos, a intimação pessoal. Só que a jurisprudência entendeu que o
devedor iria fugir da intimação pessoal, então o STJ, na súmula 361 exigiu um
outro requisito:
A notificação do protesto, para requerimento de falência da empresa
devedora, exige a identificação da pessoa que a recebeu.

Então continua não sendo uma intimação pessoa, só que além de


entregar no endereço deve haver a identificação da pessoa que recebeu o
protesto.

7 – Prazo para pagamento, sustação ou desistência


Art. 12 da lei 9492:
Art. 12. O protesto será registrado dentro de três dias úteis contados
da protocolização* do título ou documento de dívida.
308

§ 1º Na contagem do prazo a que se refere o caput exclui-se o dia da


protocolização e inclui-se o do vencimento.
§ 2º Considera-se não útil o dia em que não houver expediente
bancário para o público ou aquele em que este não obedecer ao
horário normal.
*Cuidado conta-se o prazo a partir da protocolização e não da intimação.
Pegadinha de concurso.
Exemplo: eu protocolizo na segunda-feira o pedido de protesto. O
terceiro dia útil vai dar na quinta-feira. Então a lei diz que depois de 3 dias, eu
já vou ter o protesto. Fechou o cartório (geralmente cartório fecha às 17h, mas
o tabelionato de protesto espera o fórum fechar que geralmente é às 19h) tem
tabelião de protesto que já faz imediatamente o protesto do título – faz depois
das 19 h outros fazem na primeira hora da sexta-feira (dia seguinte), pois pode
ser que chegue por fax uma ordem judicial de sustação do protesto.
O fato é que se a pessoa quiser pagar o título tem que ser até o
momento que se dá o protesto (3 dias). Se a pessoa pretende não ter o titulo
protestado ela vai ter que fazer o pagamento dentro desse prazo de 3 dias
úteis, que é chamado de tríduo legal.
Agora se a parte buscar a sustação é dentro desse prazo (3 dias úteis)
também que será feita a sustação. Se o credor pretende desistir do protesto
será nesse mesmo prazo também – não se pode desistir depois que o título foi
protestado.
Cuidado: art. 16 lei 9492:
Art. 16. Antes da lavratura do protesto, poderá o apresentante retirar
o título ou documento de dívida, pagos os emolumentos e demais
despesas.
Quem vai desistir é o apresentante, não o credor. Ex: Renato contrata
uma empresa de cobrança para fazer a cobrança e ela foi lá e apresentou o
titulo para protesto. O Renato, mesmo sendo credor (pois não foi ele que
apresentou o título para protesto), ele não pode ir lá e desistir do protesto, mas
a empresa, que foi a apresentante, pode. Então somente o apresentante tem
direito da desistência do protesto fora do prazo de 3 dias úteis.
No exemplo dado, se a pessoa é intimada na terça ou quarta ela tem
que pagar até quinta-feira. Agora, se eventualmente ele for intimado no ultimo
dia (quinta-feira), a lei dá uma colherzinha de chá (art. 13 da lei 9492).
309

Art. 13. Quando a intimação for efetivada excepcionalmente no último


dia do prazo ou além dele, por motivo de força maior, o protesto será
tirado no primeiro dia útil subsequente*.
*Única hipótese que admite prorrogação do protesto: intimação no ultimo
dia – dá um dia a mais (o devedor tem mais um dia para efetuar o pagamento,
mas isso somente ocorre quando a intimação se der no ultimo dia).

8 – Registro do protesto
Passado o prazo de 3 dias úteis terá o registro do protesto.
Ultrapassado o tríduo legal, se não teve pagamento, ordem judicial ou
desistência será registrado o protesto pelo tabelionato de protesto.
Só que antes do protesto cabe sustação do protesto. Depois que o
protesto foi registrado não cabe mais sustação, mas apenas cancelamento.
Então muitas vezes o juiz não pode julgar a sustação porque se ele julgar ele
julgará ultrapetita porque o devedor entrou com cautelar de sustação, colocou
no pedido sustação só que quando o juiz julgar já passou o prazo e o titulo já
está protestado, se o titulo está protestado ele já não pode mais dar ordem de
sustação. Então depois que o protesto foi registrado não cabe mais sustação,
só cabe cancelamento de protesto.
OBS: Quando tem uma ordem judicial de sustação de protesto, aquele
documento de divida sustado judicialmente, depois de sustado judicialmente o
título só pode ser pago ou retirado com ordem judicial. O título permanece no
tabelionato, ele não vai para o processo, só que depois de sustado somente
consegue pagar ou retirar com ordem judicial (art. 17 d alei 9492).

9 – Cancelamento
Depois que o protesto foi registrado, lavrado a pergunta que se faz é
como se pode fazer o cancelamento do protesto?
Depois que o protesto foi registrado ele pode ser cancelado, inclusive
por qualquer interessado (art. 26, lei 9492).
O cancelamento é feito por meio de averbação (art. 27, §2º, lei 9492) no
registro: faz uma averbação dizendo que houve o cancelamento. O
cancelamento pode ser feito de duas formas:
310

 Cancelamento administrativo: faz diretamente no tabelionato de protesto.


Esse cancelamento se dá com a apresentação do documento original no
tabelionato de protesto. Quando se apresenta o título para protesto ele
permanece no tabelionato durante o prazo de pagamento, se quiser pagar o
titulo o devedor tem que pagar lá no tabelionato, daí o tabelião dá um termo de
quitação e não ocorre o protesto do titulo. Mas depois que o protesto é lavrado
e registrado aí o tabelião devolve o título para o aceitante então o devedor deve
procurar o aceitante para pagar e ele dá o título de volta para o devedor, então
a apresentação do título pressupõe que se pagou o credor. Contudo, às vezes
o devedor vai no credor e ele perdeu o título, então segundo a lei de protesto
vai ter que apresentar uma declaração de anuência com firma reconhecida do
credor.
 Cancelamento judicial: busca-se a esfera judicial quando o
cancelamento não for com base no pagamento. Então quando o motivo for
qualquer outro, que não o pagamento, busca-se o cancelamento de forma
judicial.

10 – Prazo para protesto (pressuposto processual)


Se eu pretendo executar endossante, codevedor, se eu quero direito de
regresso eu tenho que fazer protesto dentro de um prazo. Protestar o titulo
para fins de pressuposto processual existe prazo:
- Se for letra de cambio ou nota promissória: prazo de 2 dias úteis contados do
vencimento (art. 44 do decreto 57663/66). A pessoa pode até pode protestar o
título fora do prazo se quiser interromper prazo prescricional, se que quiser o
constrangimento do devedor, mas a pessoa pretende protestar para ajuizar
execução deve fazer dentro desse prazo.
- Se for cheque: o protesto será feito dentro do prazo de apresentação, e se a
apresentação for feita no ultimo dia tem mais um dia útil contado dessa ultima
data para poder fazer o protesto (art. 48 da lei 7357/85).
- Se for duplicata: prazo de 30 dias contados do vencimento (art. 13 da lei
5474/68).
311
312

Goiânia, 30 de Janeiro de 2014.

AULA ONLINE 02
CHEQUE (cont.)
6 – Apresentação para pagamento
m. Prazo de apresentação do cheque para pagamento:
- 30 dias se o cheque é da mesma praça
- 60 dias se o cheque é de praça diferente
Esse prazo conta-se a partir da data de emissão.
A praça de pagamento do cheque é a agencia bancária em que se tem
conta corrente. Então, se Fulano tem sua agencia bancária em Campinas, se
ele apresentar ao pagamento o cheque em Campinas o prazo de apresentação
é de 30 dias, agora se o cheque foi emitido em Florianópolis e ele for
apresentado em Florianópolis então é praça diferente da agência pagadora que
no caso é Campinas então nesse caso o prazo vai ser de 60 dias.
E se eu levar o cheque para apresentação em prazo superior o Banco
paga?
O Banco paga tranquilamente dentro do prazo prescricional, o Banco
não analisa esse prazo para pagamento do cheque. Esses prazos possuem
outras finalidades.
n. Finalidades do prazo de apresentação:
- Dar início ao prazo prescricional do cheque (o prazo prescricional do cheque
conta-se a partir do encerramento do prazo de apresentação do cheque).
- Art. 47, II, da lei de cheque: só é possível a execução do endossante do
cheque se este for apresentado dentro do prazo legal. Não se pode executar o
endossante, mas o emitente do cheque apresentando ou não dentro do prazo é
possível a execução do emitente (súmula 600, STF).
Súmula nº 600
Cabe ação executiva contra o emitente e seus avalistas, ainda que
não apresentado o cheque ao sacado no prazo legal, desde que não
prescrita a ação cambiária.

o. Pagamento parcial: na prática isso não ocorre, mas cai em prova de


concurso. Ex: eu dou um cheque para Fulano no valor de dois mil reais, daí o
313

Fulano vai lá na minha agencia pagadora para descontar esse cheque.


Chegando lá o caixa fala que eu não tenho toda essa quantia na conta, que eu
só tenho 500 reais e dá para Fulano os 500 reais. Isso é o pagamento parcial
do cheque. Fulano pode recusar esse pagamento parcial (ou paga tudo ou
paga nada)?
Art. 38, parágrafo único, da lei 7357/85:
Parágrafo único. O portador não pode recusar pagamento parcial, e,
nesse caso, o sacado pode exigir que esse pagamento conste do
cheque e que o portador lhe dê a respectiva quitação.
Face o teor do artigo, Fulano não pode recusar o pagamento parcial.
Se dois ou mais cheques são apresentados simultaneamente para
pagamento
p. Regra do art. 40 da lei de cheques:
Art . 40 O pagamento se fará à medida em que forem apresentados
os cheques e se 2 (dois) ou mais forem apresentados
simultaneamente, sem que os fundos disponíveis bastem para o
pagamento de todos, terão preferência os de emissão mais antiga e,
se da mesma data, os de número inferior*.
*Esse número é o número do cheque (cheque nº 0050; 0051, etc). O
cheque de número inferior deverá ser pago primeiro porque há uma presunção
de que ele foi emitido primeiro.
Caso:
Cheque de 2 mil reais emitido no dia 08/05/2012
Cheque de 7 mil reais emitido no dia 02/05/2012
No dia 12 os dois cheques foram apresentados para pagamento, só que
na conta só tinha 8 mil reais. O que aconteceu o Banco pagou o cheque de 2
mil e devolveu o de 7 mil. O Fulano perdeu o negócio por conta de o seu
cheque ter sido devolvido. Se isso acontecer essa devolução será indevida,
pois o cheque de 7 mil deveria ter sido pago, de acordo com a lei, isso vai gerar
alguma consequência? Sim, súmula 388, STJ: vai gerar dano moral.
A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral.

7 – Sustação de cheque
Existem duas modalidades de sustação:
g. Contra-ordem ou revogação (art. 35 da lei de cheques):
314

- Somente o emitente do cheque pode fazer a contra-ordem ou revogação.


- Somente produzirá efeito após o prazo de apresentação. Ou seja, durante o
prazo de 30 ou 60 dias o cheque vai ser pago normalmente. O cheque somente
terá sustação propriamente dita depois que encerrar esse prazo de
apresentação.
h. Oposição ou sustação (art. 36 da lei de cheques)
- Pode ser o emitente ou portador legitimando podem fazer a sustação
- Produzirá efeito mesmo durante o prazo de apresentação.
É a sustação mais comum: cheque roubado, desacordo comercial, etc.

8 – Execução do cheque
De acordo com o art. 585, I, CPC o cheque é titulo executivo
extrajudicial, portanto pode ser objeto de ação de execução.
Prazo prescricional do cheque para executar o:
 Emitente ou os avalistas do emitente: prazo de 6 meses, contados do
fim do prazo de apresentação (portanto é 30 dias + 6 meses ou 60 dias + 6
meses). Portanto pouco importa o dia que o cheque foi apresentado, o prazo
conta do fim desse prazo de apresentação.
 Endossante ou avalista do endossante: prazo de 6 meses, contados do
protesto. Problema: a lei diz que esse protesto poderá ser substituído por uma
declaração do banco sacado ou por declaração da câmara de compensação.
Essa declaração é aquele carimbo que vem no cheque dizendo que o cheque
voltou por falta de fundo. Então esse carimbo é suficiente (conta-se o prazo a
partir dessa declaração), essa declaração substitui o protesto.
Cuidado: no caso de conta conjunta o STJ já decidiu que quem deve figurar no
polo passivo na execução bem como o deve que deve constar no protesto do
cheque é aquele que emitiu o cheque. Ex: Alexandre e Daniele tem conta
conjunta. Só que Daniele emite um cheque sem fundo. Quem deve figurar no
polo passivo da execução e ter o nome constando nos termos do protesto é
quem assinou o cheque (se Alexandre for colocado no polo passivo é causa de
ilegitimidade passiva). Segundo o STJ só deve constar os dois nomes quando
ficar difícil identificar quem foi que assinou (assinatura dificil).
315

Segundo o STJ a competência territorial para a execução é o lugar de


pagamento do cheque, ou seja, na agência bancária. Portanto, se a agência
bancária de Fulano fica em Campinas a ação de execução deve ser ajuizada
em Campinas (praça de pagamento). Somente na omissão do lugar da agencia
no cheque é que será no domicílio do emitente.
Caso: o portador do cheque era um idoso. Daí esse idoso quis entrar
com a ação de execução no domicilio do credor, aplicando-se para o caso o
estatuto do idoso. O STJ disse que não, que a competência do cheque não era
atingida pelo o estatuto do idoso, e que portanto a execução deveria ser
ajuizada no lugar de pagamento.

9 – Cheque prescrito
Se o cheque está prescrito existem duas opções para cobrar o cheque
prescrito:
 Ação de locupletamento ilícito (art. 61 da lei de cheque). Essa ação é
como se fosse uma ação de cobrança do rito ordinário e o prazo para isso e de
2 anos contados do fim do prazo de prescrição.
 Só que essa regra é da lei de cheque que é de 1985. Só que em
momento posterior houve a inserção no ordenamento jurídica da ação
monitória. Assim, o STJ na sumula 299 orienta a cobrança de cheque prescrito
por via da ação monitória. O STJ que nesse caso aplica-se a regra do art. 206,
§5º, I, CC que estipula um prazo de 5 anos, que deve ser contado a partir da
data de emissão, pois para o STJ o cheque prescrito é instrumento particular
de divida, devendo o prazo ser de 5 anos e não de 3 anos.
O STJ entendeu que não precisa demonstrar a causa debendi na ação
monitória, ou seja, não precisa demonstrar a causa (negócio subjacente) que
deu origem à emissão do título. Resp 1199001/RS. Resp 1162207/RS.

10 – Prazos prescricionais dos títulos


Devedor Codevedor e Direito de
principal e avalista regresso
avalista
Letra de câmbio 03 anos contados 01 ano do Prazo de 06
316

e nota do vencimento. contado do meses contado


promissória protesto. do pagamento ou
de quando
demandado.
Duplicata 03 anos contados 01 ano do Prazo de 01 ano
do vencimento. contado do contado do
protesto. pagamento ou de
quando
demandado.
Cheque 6 meses contados 6 meses contados 6 meses do
do fim do prazo do protesto (a pagamento ou de
de apresentação declaração do quando
banco sacado ou demandado.
câmara de
compensação
substitui o
protesto)