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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO NORDESTE

CURSO DE BACHAREL EM TEOLOGIA

JEISON SORIANO SILVA

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO HEBRAICO PARA O


MINISTÉRIO

Salvador
2018
JEISON SORIANO SILVA

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO HEBRAICO PARA O


MINISTÉRIO

Trabalho da Disciplina Hebaico I,


solicitado pelo Professor Pedro
Moura, como avaliação parcial do
segundo semestre do curso de
teologia.

Salvador
2018
O ministério pastoral é baseado essencialmente no ministério da
palavra. Retirar da Bíblia os seus ensinos é uma tarefa árdua e complexa e
muitas vezes encontramos dificuldades nesse objetivo. O conhecimento das
línguas originais se mostra como uma ferramenta indispensável para se obter
êxito nessa missão.

O hebraico faz parte das línguas semíticas, que por sua vez são um
conjunto de línguas surgidas no Oriente Médio há vários séculos. A nominação
“língua semítica” esta relacionada com o personagem Sem, que é um dos filhos
de Noé. Ele teria sido o ancestral dos povos de origem semita (FRANCISCO,
2010, p. 1).

O Hebraico Bíblico surgiu no Oriente Médio. Assim como toda língua


sofreu diversas alterações durante o tempo. Sua utilização foi esquecida
durante dezesseis séculos e somente a noventa anos voltou a ser utilizada na
Palestina. Isso se deu em grande parte em razão que a partir do exílio a língua
foi deixando de ser utilizada pois o povo falava em outras línguas.

Uma as maneiras para colocar em prática a exegese é ter domínio sobre


as línguas originais. Nunca a exegese foi tão importante como nos dias atuais.
Esta importância se deve ao fato de haver uma vasta separação de tempo
entre o povo bíblico e nós que estamos no século XXI. Esta separação de
tempo faz com que a necessidade da exegese seja extremamente importante
devido à contextualização do texto bíblico.

Sem analisar o contexto histórico e o texto original da Bíblia Hebraica,


corremos o risco de nos tornarmos leitores especulativos da mesma e não
interpretativos. Quando somos leitores interpretativos, podemos entender a
realidade da mensagem bíblica de uma maneira abrangente.

Mark Dever afirma que a exposição das Escrituras na comunidade cristã


é a mais importante de todas as marcas de uma igreja saudável (DEVER,
Mark, Nove Marcas de uma Igreja Saudável, 40); fazer da Escritura a
prioridade do púlpito deve ser o contínuo esforço do pregador. Donald Miller
chega a afirmar que “toda pregação verdadeira é uma pregação expositiva, e
que toda pregação que não é expositiva, não é verdadeiramente pregação”
(MILLER, Donald, Way to Biblical Preaching, 22).

Fazer das Escrituras a prioridade da pregação é reconhecer que a


autoridade do conteúdo proclamado é divino e não humano; é atribuir ao
Senhor a responsabilidade de comunicar a mensagem dele para a comunidade
dele; é entender que no processo da proclamação da mensagem, como
pregadores, somos apenas mensageiros preocupados em não distorcer o que
Deus tem a comunicar com sua igreja. Entretanto, fazer das Escrituras a
prioridade da exposição é um desafio que deve ser encarado primeiramente na
preparação da mensagem.

No seu livro (O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo) Sidney


Greidanus, nos mostra que, no coração da pregação expositiva encontra-se
“não apenas um método, mas um compromisso, a visão da essência da
pregação, uma abordagem homilética de pregar as Escrituras” (p.15). É esse
compromisso de expor a mensagem de Deus para a comunidade dele é o
compromisso mais importante da pregação expositiva.

A exegese tem papel fundamental e sem ela não se pode obter o real
sentido do texto Bíblico.É uma filosofia de pregação expositiva que faz das
línguas originais o centro do estudo e preparação da mensagem; é uma
filosofia que reconhece que abandonar o texto nos seus idiomas originais é
incorrer no risco de abandonar o evangelho ou de se desviar da verdade divina.
João Calvino defendeu isso com propriedade: “Ao abandonarmos as línguas
bíblicas, fechamos os olhos para a luz e espontaneamente nos desviamos da
verdade” (CALVIN, John, Selected Works of John Calvin, 3:75).

Marinho Lutero foi o reformador campeão desse princípio: “Certifique-se


disso: não preservaremos o evangelho sem as línguas originais. As línguas são
a bainha na qual que espada do Espírito está contida; a caixa em que essa joia
é consagrada; a garrafa em que esse vinho é mantido; a despensa em que
esta comida é armazenada (…) Se, por nossa negligência, abandonarmos as
línguas originais (que Deus não permita!), nós iremos perder o evangelho”
(LUTHER, Martin, To the Councilmen of All Cities in Germany That They
Establish and Maintain Christian Schools, p.31).
Reconhecer a Escritura como prioridade e fazer da Escritura a prioridade
da pregação são duas coisas distintas, e a exegese dedica-se a realizar ambas
atividades tanto na declaração da filosofia da pregação como na sua prática.
Com isso não estamos dizendo que aqueles que não usam língua originais na
preparação de suas mensagens não são verdadeiros expositores, nem que
estão em erro ou abandonando a verdade. Estamos apenas afirmando uma
filosofia que faz do texto original o ponto de partida da exposição, e que tal
preocupação pode nos ajudar a defender e apresentar o evangelho e a
verdade divina. A exegese pública é uma forma de pregação expositiva, e não
a única forma.

Desta forma, finalizamos ressaltando a importância do estudo aplicado


das línguas originais, principalmente o Hebraico como ferramenta para a
obtenção de sentido mais abrangente do texto bíblico. Assim teremos a plena
certeza que nossa função de proclamar a palavra de Deus estará sendo
cumprida.

REFERÊNCIAS

FRANCISCO, Edson de Faria. Língua Hebraica: Aspectos Históricos e


Características. Em:. Acesso em: 11 nov 2018.

LUTHER, Martin, To the Councilmen of All Cities in Germany: That They


Establish and Maintain Christian Schools, p.31

CALVIN, John, Selected Works of John Calvin, Hardcover ,1983

MILLER, Donald, Way to Biblical Preaching

DEVER, Mark, Nove Marcas de uma Igreja Saudável, São Paulo, Editora Fiel,
2012