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APOSTILA DE ESTUDO TEOLÓGICO

A Serviço do Mestre!

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei... Gálatas 4:4.
Novo
Testamento
A História da Igreja Primitiva
Quebrando Paradigmas
APOSTILA DE ESTUDO TEOLÓGICO
A SERVIÇO DO MESTRE!

GILVAN NASCIMENTO
PROFESSOR
BACHAREL EM TEOLOGIA
LICENCIANDO EM GREGO

NOVO TESTAMENTO
A HISTÓRIA DA IGREJA PRIMITIVA
QUEBRANDO PARADIGMAS

Salvador
2009
APRESENTAÇÃO

NOVO TESTAMENTO
A HISTÓRIA DA IGREJA PRIMITIVA
QUEBRANDO PARADIGMAS

Esta apostila trata-se de uma compilação, com base em várias fontes


bibliográficas, as quais estarão sendo citadas ao término desta obra.
Tenho aqui o objetivo de contribuir com a capacitação dos cristãos, para o
exercício de suas funções eclesiásticas, aplicando tais conhecimentos e assim
aprimorando seu serviço para o Reino de Deus.

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de
recebermos a adoção de filhos”. Gl 4.4-5

Salvador
2009
Sumário

Apresentação do Novo Testamento ............................................................ 04

O Contexto Histórico

Introdução e Cenário ............................................................................... 05

Alexandre o Grande até Antioco Epifânio ..................................................... 06

A Revolta dos Macabeus ........................................................................... 07

Os Romanos ........................................................................................... 08

Diversas Contribuições (Romana, Grega e dos Judeus) ................................. 08 – 11

Aspectos Religiosos ................................................................................. 11 - 13

Conclusão .............................................................................................. 13

A Biografia de Jesus

Introdução ............................................................................................. 14

A Tradição Oral dos Evangelhos ................................................................. 15

Os Sinóticos e o Evangelho de João ............................................................ 16 - 17

Conclusão .............................................................................................. 18 - 20

A Síntese dos Evangelhos ......................................................................... 21 - 26

A Expansão do Cristianismo

Atos dos Apóstolos .................................................................................. 27 - 29

As Doutrinas de Jesus

As Epistolas e Cartas Paulinas ................................................................... 30 - 41

As Epistolas Gerais .................................................................................. 42 - 48

A Consumação do Plano de Deus

Apocalipse .............................................................................................. 48 - 49

Conclusão .............................................................................................. 50

Bibliografia ............................................................................................. 51
Apresentação

Quando Paulo escreveu a Timóteo, dizendo que "toda Escritura é


divinamente inspirada..." (2Tm 3.16), ele não tinha em mente o nosso Novo Testamento.
A referência era à coletânea de livros conhecidos por nós como o Antigo Testamento
(todas as referências às "Escrituras" em o Novo Testamento dizem respeito ao Antigo
Testamento). A Bíblia dos primeiros cristãos era o Antigo Testamento em grego,
conhecido como a Septuaginta. Raramente o Antigo Testamento em hebraico era
conhecido.

A medida que a igreja crescia, na era apostólica, ela começou a colecionar


certos escritos, que por fim se tornaram o Novo Testamento, que foi considerado como
sendo igualmente inspirado, como "as Escrituras".

O Novo Testamento é uma obra verdadeiramente divina porque foi inspirada


por Deus e porque nos apresenta, pode-se dizer, em cada uma de suas páginas, a ação
de Deus sobre a Sua Igreja. Ao mesmo tempo, porém, é uma obra profundamente
humana, porque é destinada aos homens e por isso fala uma linguagem humana.

O estudo do Novo Testamento é fundamental para o cristão que deseja se


tornar um obreiro aprovado, pois se observa a conclusão do plano de Deus aos homens.
O Antigo Testamento apresentou o tipo e no Novo Testamento manifestou o antítipo de
tudo que como sombras haviam sido apresentadas a nação de Israel.

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O Contexto Histórico - Introdução

Não se pode fazer um estudo adequado da Bíblia sem que haja na


consciência do estudioso as diferenças nas atitudes e estruturas políticas, culturais e
religiosas que existem entre o Antigo e o Novo Testamento. E esse estudo deve-se iniciar
compreendendo o período que contribuiu para formação desses aspectos.

O Período Interbíblico foi considerado o período em que não houve revelação


divina escrita e antes de iniciar a leitura do Novo Testamento, é de extrema importância
a compreensão dos fatos que ocorreram pós-exílio até o advento de Cristo, iniciando
então a Era Cristã. O qual envolve um período de 400 anos, onde os fatos históricos
formaram o cenário ideal para a manifestação de Jesus o Filho de Deus, conforme está
escrito em Gl 4.4-5:

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de
recebermos a adoção de filhos”.

Cenário

A nação de Israel apostatou da fé, quebrou a aliança com o Deus criador dos
céus e da terra, e por isso foi extremamente afligido com os cativeiros Assírio (721 a.C.)
e Babilônico (606-536). No período do exílio babilônico surgiram as sinagogas, local onde
os israelitas se reuniam para estudar, copiar e ensinar as Escrituras.

O Império medo-persa surgiu em 536 a.C., como libertador de Israel das


mãos da Babilônia, com a figura de Ciro que permite que cerca de 50.000 exilados
retornem para Jerusalém (Ed 1.6).

Esdras retorna do exílio em 457 a.C., promove diversas reformas civis e


espirituais, servindo de restaurador e por isso passou a ser considerado como o segundo
fundador da nação Judaica.

Assírio Babilônico Medo-Persa Grego


721 167
606 536 330

Obs.: O reino do sul (Judá) foi tomado pela Babilônia em 586 a.C.

Em Dn 8.3 foi profetizado a queda do império babilônico até o levante de


Antioco Epifânio (uma tipificação de anti-cristo).

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Alexandre o Grande

Alexandre, filho de Felipe de Macedom, homem de extrema liderança


educado aos pés do famoso Aristóteles, plenamente devotado a cultura grega, penetrou
na Pérsia com um contingente bastante inferior aos dos seus adversários. Mas, pela sua
coragem e destreza militar com apenas 22 anos de idade estabeleceu seu império.

No ano de 330 a.C. Alexandre o Grande estabelece o Império Grego, mas


com apenas 33 anos de idade perdeu suas forças estando enfermo e também bastante
debilitado pelo uso do álcool. O império Grego é então dividido e entregue nas mãos de:

Seleuco – Reinou no norte sobre a Síria, Ásia Menor e a Babilônia;

Ptolomeu – Ficou com o sul reinando sobre o Egito;

Lisímaco – Sobre a Trácia;

Cassandro – Ficou com a Macedônia e a Grécia.

Nesse período o império passou de uma mão para outra mão, por várias
vezes até 301 a.C., quando o Egito e a Síria mediram forças (Egito: 301-198 / Síria:
198-167).

O mundo foi dividido nas províncias: JUDÉIA, GALILÉIA, TRACONITES e


PERÉIA. E também nesse período surgiram os Fariseus “separados”, Saduceus “justos” e
os Essênios que pareciam uma seita oriental com mistura de judaísmo.

Embora tenha reinado por um período bastante curto, mas foi muito rápido e
passou a influenciar o mundo da época como nunca antes havia ocorrido. Disseminou a
cultura e a língua grega por toda extensão do seu império.

Antioco Epifânio

Em 175 a.C., subiu ao trono da Síria, Antíoco Epifânio (Antíoco IV). Ele
colocou em seu coração o desejo de exterminar os judeus e em 168 a.C., arrasou
Jerusalém, profanou o templo erigindo um altar a Júpiter e sacrificou uma porca sobre o
altar do holocaustos. Como se não bastasse, também decretou pena de morte para quem
praticasse a circuncisão e adorasse a Deus. E também destruiu todas as cópias que
encontrou das Escrituras.

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A Revolta dos Macabeus

Jerusalém mais uma vez estava arrasada, seu povo revoltado com a
situação que se encontravam, até que Matatias, que vivia em Modim (entre Jope e
Jerusalém), podemos assim dizer: “deu o grito de independência”. Com muita bravura
venceu diversas batalhas, mas no ano 167 a.C., no mesmo ano da revolta veio a falecer.

Matatias possuía cinco filhos, os quais por um período de aproximadamente


100 anos estabeleceram uma heróica e sangrenta independência.

- Judas (166-161): Rededicou o templo e fez aliança com Roma;


- Eleazar: Morreu em combate antes de 161 a.C.;
- Jônatas (161-142): Também foi um bravo guerreiro. Exerceu as funções de
rei e sacerdote;
- João: Morreu antes de Jônatas; e
- Simão (142-134): Consolida a vitória e foi feito governador e sumo
sacerdote.

Depois outros descendentes dos Macabeus também continuaram pelejando


para manter a liberdade de Israel:

- João Hircano (134-104): Cercou e detruiu a cidade de Samaria, arrasando


o templo dos samaritanos, construído sobre o monte Gerezim, por permissão de
Alexandre o Grande. Nesse tempo a divisão política era: JUDÉIA, SAMARIA, GALILÉIA,
IDUMÉIA e PERÉIA;
- Aristóbulo I (104-103): Filho de João Hircano;
- Alexandre Janeu (103-76): Era irmão de Aristóbulo I – Em seu tempo
houve uma espécie de guerra civil, por causa dos seus desmandos;
- Alexandra (76-67): Havia sido esposa primeiramente de Aristóbulo I e
depois de sua morte casou-se com Alexandre Janeu e após sua morte ascendeu ao
trono; e
- Aristóbulo II (67-63): Foi o último rei do período independente e era filho
de Alexandre Janeu com Alexandra. Esse usurpou o poder de seu irmão mais velho
Hircano II, o qual deixou o governo pacificamente.

Nesse cenário surge a figura de Antípater, governador militar da Iduméia.


Esse instigou Hircano II a vingar-se de seu irmão Aristóbulo II.
Israel independente Jesus nasce na época de
Herodes o Grande (37-4 a.C.)

Os Macabeus Romano
167 476 d.C.
63 Queda do Império Ocidental
---
1453 d.C.
Império Oriental
Queda de Constantinopla 7
Os Romanos

No ano de 63 a.C., a Palestina passa para o Domínio romano através de


Pompeu que arrebatou o poder das mãos de Aristóbulo II e entregou a Hircano II.

Os governantes da Palestina até a Era Cristã:

- Hircano II (63-40):
- Antígano II (40-37):
- Herodes o Grande (37-4 a.C.):

Obs.: A Palestina estava agora dividida em 6 distritos: JUDÉIA, SAMARIA,


IDUMÉIA, GALILÉIA, PERÉIA e ITURÉIA.

“E tendo nascido Jesus em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes..., eis que uns
magos vieram do oriente a Jerusalém, dizendo: onde está aquele que é nascido rei dos
judeus? Porque vimos sua estrela no oriente e vimos a adorá-lo. E Herodes, ouvindo isto,
perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” Mt 2.1-3

Diversas Contribuições

Contribuição Romana

Política: desenvolveram um sentido de unidade da espécie sob uma lei


universal, por meio da solidariedade criou um ambiente favorável à aceitação do
evangelho, o qual proclamava a unidade da raça humana, garantindo a todos a salvação
integrando-os em um organismo vivo e universal, a Igreja.

Até o momento nenhum império havia conseguido esta façanha. A lei


também era aplicada a todos de forma imparcial pelas cortes romanas.

Um reflexo romano em busca da unidade foi garantir a todos a cidadania


romana. Isso foi feito para que todos os homens estivessem debaixo de um só sistema
jurídico como cidadãos de um só reino. E com este sentido de comunidade romana houve
uma contribuição muito grande para a vinda da pregação das boas novas.

A divisão e individualidade do mundo antigo em cidades-estados ou tribos


impediam a circulação e propagação de idéias. Com o aumento do projeto imperial
romano houve uma era de desenvolvimento pacífico nos países ao redor do
mediterrâneo.

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Militar: Pompeu tinha varrido os piratas do mediterrâneo e os soldados
romanos mantinham a paz nas estradas da Ásia, África e Europa. Isso foi uma porta
aberta para pregação do evangelho a todos os homens.

As estradas principais eram ótimas feitas de concreto e duravam séculos,


chegando aos pontos mais distantes do império, algumas delas são usadas até hoje. E
Paulo se serviu muito delas em suas viagens missionárias para atingir os centros
estratégicos do império romano.

O exército convocava habitantes das províncias para suprir a falta de


romanos. Após se converterem alguns ao cristianismo eram designidados a outros pontos
distantes e assim o evangelho era espalhado.

As conquistas romanas conduziram muitos dos povos à falta de fé em seus


deuses, uma vez que não foram capazes de os livrar dos romanos. E nisso se
encontravam em um vácuo espiritual que não estavam sendo preenchidos pelas religiões
romanas.

Ex. Culto ao imperador romano

Religiões de mistérios: adoração a Cibele (matava um touro e batizava os


seguidores com o sangue), criam na morte e ressurreição.

Ísis (importado do Egito), criam também na morte e ressurreição.

Mitraísmo: Importado da Pérsia – teve muita aceitação dos soldados


romanos (possuía refeições sacrificiais)

Obs: todas elas enfatizam o deus salvador, porém pareciam esquisitas


frente ao cristianismo que tratava o indivíduo.

Mesmo a igreja da idade média não conseguiu se desfazer da influência da


Roma imperial, acabando por perpetuarem seus ideais num sistema eclesiástico.

Contribuição Grega

Os gregos foram conquistados politicamente pelo império romano, porém os


gregos os conquistaram culturalmente.

A Língua: O evangelho universal precisava de uma língua universal para


poder exercer um impacto global sobre o mundo.

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Obs: Os homens até hoje tentam criar uma língua universal para que
possam comunicar suas idéias uns aos outros.

A língua grega se formou como universal desde o império ateniense. Depois


da destruição ao final do quinto século o grego clássico tornou-se a língua que Alexandre,
seus soldados e os comerciantes do mundo helenístico, entre 338 e 146 a.C.,
modificaram, enriqueceram e espalharam pelo mundo mediterrâneo.

Obs: A septuaginta foi escrita pelos judeus de Alexandria.

A Filosofia: Esta preparou caminho para o cristianismo, pois levaram a


destruição às antigas religiões através dos seus questionamentos. Porém falhou na
satisfação das necessidades espirituais do homem. Então o homem tornava-se um cético
ou procurava as religiões de mistérios.

A filosofia apenas aspirava por Deus, fazendo dEle uma abstração, jamais
revelava um Deus pessoal como o do cristianismo.

A filosofia através de Sócrates e Platão ensinava cinco séculos antes de


Cristo que o presente mundo temporal dos sentidos é apenas uma sombra do mundo
real. Porém apenas buscavam a Deus por meio do intelecto.

Obs: os gregos aceitavam a imortalidade da alma, mas não criam na


ressurreição do corpo.

A filosofia e as religiões de mistérios haviam produzido muitos corações


famintos. A filosofia tornou-se um sistema de individualismo pragmático. Então, quando
o cristianismo apareceu, as pessoas do império romano estavam bem receptivas a uma
religião que parecia oferecer uma perspectiva espiritual para a vida de cada individuo.

A Contribuição dos Judeus

Estas formam a herança do cristianismo. Sendo a partir do judaísmo o botão


do qual a rosa do cristianismo abriu-se em flor, tornando-se o berço do cristianismo.

Monoteísmo – contrastava com a maioria das religiões pagãs

Esperança messiânica – esperava um messias que estabeleceria a justiça

Sistema ético – através da lei judaica, o judaísmo ofereceu ao mundo o mais


puro sistema ético de então.

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Antigo Testamento – os judeus prepararam o caminho para a vinda do
cristianismo ao legar a igreja em formação um livro sagrado que foi muito utilizado por
Jesus e seus apóstolos.

Filosofia da história – sustentavam uma visão linear da história, na qual


Deus soberano que criou a história triunfaria.

A sinagoga – criada na ausência do templo durante o cativeiro babilônico,


eram freqüentadas por judeus e muitos gentios, os quais se familiarizavam com uma
forma superior de viver.

Obs: Jesus e seus apóstolos utilizavam as sinagogas em suas viagens


evangelísticas.

Aspectos Religiosos

O primeiro Templo tinha sido construído por Salomão no séc. X e destruído


pelos Babilônicos em 587 a.C.. O segundo, mais modesto, foi construído em 515, depois
do exílio da Babilônia. Um terceiro Templo foi construído por Herodes, o Grande;
inaugurado no ano 60 d.C., foi destruído pelos Romanos no ano 70. Em forma de cubo
de uns cinquenta metros e rodeado de vários átrios e portas, era uma obra digna da
admiração de qualquer visitante (ver Mt 24,1; Mc 13,1; Jo 2,20). No tempo de Jesus
estava na fase de acabamento.

A Sinagoga era a instituição religiosa mais importante depois do Templo,


onde todo o bom judeu sempre se encontrava no sábado. O próprio Jesus frequentava a
Sinagoga (Lc 4,16-38). Era o lugar onde se proclamava e comentava a Palavra de Deus e
se fazia a oração da comunidade; também servia de escola e centro de cultura. Teve
especial importância, sobretudo na Diáspora. Era chefiada pelos Doutores da Lei e
fariseus; e, como não havia sacrifícios, os sacerdotes não tinham nela importância de
maior relevância.

Interessa aqui referir, com particular importância aos grupos religiosos:

Os Fariseus. Pessoas da classe média e baixa eram especialmente devotos


e cumpridores de todas as normas da Lei de Moisés. A sua origem, sendo embora
duvidosa, deve remontar à revolução de Judas Macabeu (séc. II a.C.: 1 Mac 2,42).
Considerando Deus como o único Rei de Israel, opunham-se ao poder político instalado:
os Romanos e a dinastia de Herodes. Como dominavam na Sinagoga, mediante a sua
pregação, levavam o povo a pensar do mesmo modo. Por isso, constituíam o grupo mais

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numeroso de todos. Jesus denunciou muitas vezes a sua rigidez legalista, que não
respeitava o mais importante - o amor - e juntava muitas outras tradições - a chamada
Lei oral ou "tradição dos antigos" - às prescrições escritas na Bíblia. Admitiam como
canônicos todos os livros da atual Bíblia Hebraica, ou seja, a Lei, os Profetas e outros
Escritos (os do AT que estão nas Bíblias católicas, exceto os Dêuterocanônicos). Sendo
rígidos na observância da Lei, eram progressistas nas idéias religiosas, pois admitiam, ao
contrário dos Saduceus, a ressurreição final e a existência de anjos. Destruído o Templo,
no ano 70, com ele desapareceu também a sua organização cultual: os sacerdotes e os
sacrifícios. Restava a Lei, a Palavra de Deus que estava na mão dos Fariseus da
Sinagoga. E foi a Sinagoga que perpetuou o judaísmo até aos nossos dias.

Os Doutores da Lei ou Escribas eram o grupo mais ligado ao dos


Fariseus. O Novo Testamento refere frequentemente a estes rabinos copistas que se
tornaram também intérpretes da Lei. Eram os "teólogos" do farisaísmo, embora também
houvesse Doutores da Lei entre os Saduceus.

Os Saduceus (nome que deriva do Sumo Sacerdote Sadoc) existiam, como


partido político, desde o séc. II a.C.. Eram a classe mais ligada ao Templo, por
constituírem a classe sacerdotal. Além do sacerdócio, detinham ainda grande parte do
poder político, pois, ao contrário dos fariseus, presidiam ao Sinédrio, mediante o Sumo
Sacerdote. Politicamente abertos à autoridade romana, eram conservadores em religião,
pois, ao contrário dos fariseus, admitiam como canônicos apenas os cinco primeiros
livros da Bíblia (Pentateuco) e negavam a existência dos anjos e a ressurreição. Esta
classe sacerdotal, no exercício das suas funções, era assistida pelos Levitas, que tinham
especial missão no canto litúrgico e nos sacrifícios.

Os Samaritanos. Como o nome indica, eram os habitantes da Samaria,


descendentes da população mista - israelita e pagã - que ocupou aquele território depois
do exílio dos Samaritanos para Nínive (711 a.C.). Como livros canônicos, só admitiam o
Pentateuco (tal como os Saduceus) e tinham um templo no monte Gerizim (2Rs 17,24-
28; Ed 4,1-4). Por este motivo, os Judeus (habitantes da Judéia, ao sul) rejeitavam-nos,
como se fossem pagãos (Lc 10,25-37; Jo 4,19-22).

Os Zelotas. Como o próprio nome indica, zelavam pela independência


nacional de Israel contra o poder político estrangeiro. Mas a sua luta era violenta,
provocando sucessivos confrontos e atentados contra o exército ocupante.

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Os Herodianos. Eram os partidários da dinastia de Herodes, o Grande, que
governou os diversos territórios da Palestina a partir do ano 37 a.C. sob a suprema
autoridade dos Imperadores de Roma (ver Lc 13,31-32).

O Sinédrio. Nos dias do Novo Testamento, era o supremo tribunal civil e


religioso da nação judaica (participaram ativamente do julgamento e condenação de
Jesus). O sinédrio é citado em vários versículos embora a palavra “sunedrion” seja
traduzida muitas vezes como “concílio”. Era formado pelo sumo sacerdote, 24
sacerdotes, 24 anciãos e 22 escribas. Julgavam falsos profetas, hereges perigosos,
decidiam a entrada ou não em guerras, exerciam rigor quanto ao cumprimento da lei, e
embora fossem rigorosos, eram justos e clementes. Por isso é espantoso que no caso de
Jesus tenham rompido todos os códigos legais e até procurado falsas testemunhas (Mt
26.59).

Conclusão

Genericamente falando, o ambiente histórico-geográfico do Novo


Testamento é greco-romano. Todos os povos inclusive os Judeus receberam a cultura
helenista, que se tornara a cultura mais importante do Império Romano (ver Lc 3,1-2).
Politicamente, as autoridades da Palestina - reis ou procuradores romanos dependem do
Imperador de Roma. Economicamente, a Palestina, pequeno território junto do deserto,
contava pouco na economia do Império. Interessa, no entanto, saber como nela se vivia
para compreender a linguagem utilizada por Jesus nos Evangelhos, sobretudo nas
parábolas. Trata-se de um território de agricultura mediterrânica (trigo, cevada, figueira,
oliveira, videira) e de pastoreio de gado miúdo (ovelhas e cabras). A pequena indústria e
o comércio também ocupam um lugar de destaque na vida quotidiana do povo.
Religiosamente, fervilhavam pelo império muitas religiões e cultos pagãos, que gozavam
de uma relativa liberdade de culto e de proselitismo. Na Palestina, o templo de Jerusalém
concentrava as principais instituições judaicas. Era o centro religioso, o lugar de Deus, do
sacerdócio, das festas nacionais; mas também onde as pessoas ligadas ao culto exerciam
o poder político. Todo o varão judeu adulto pagava uma dracma por ano de imposto ao
Templo. Isso transformava o Templo no centro econômico do povo de Deus.

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A Biografia de Jesus

Passado o período interbíblico, Deus manifesta-se em carne através do seu


Filho Jesus. O qual estabelece a nova aliança em seu precioso sangue, conforme nos é
ensinado pelo apóstolo Paulo em 1Co 11.25:

“Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas


as vezes que beberdes, em memória de mim”.

Introdução

Como sendo a nova aliança, é óbvio a sua importância para Igreja, pois por
essa nova aliança é que alcançamos a salvação, mediante a fé em Jesus. Não por obras,
mas pelo dom gratuito de Deus, a sua graça.

Ao contrário do AT que se faz interessante um estudo na ordem cronológica


dos fatos, no NT não precisamos ter esse cuidado, visto que todos os 27 livros foram
escritos no primeiro século ao passo que os 39 livros do AT foram escritos no período de
aproximadamente 1500 à 1600 anos. Então, pelo motivo de os fatos dos livros neo-
testamentários estarem todos muito próximos, não precisamos estudá-los em ordem
cronológica, apenas citarei as datas visando acrescentar mais informação.

Outro fator importante que nos leva a não nos preocuparmos em seguir a
ordem cronológica dos livros é a importância de preservarmos a ordem lógica dos
acontecimentos, ou seja.

- Exposição da vida de Jesus (a biografia - através dos evangelhos);


- A expansão da Igreja (Atos dos apóstolos);
- As doutrinas de Jesus para a Igreja (Epistolas e cartas); e
- A consumação do plano de Deus (Apocalipse).

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A Tradição Oral

Nos primeiros anos da igreja cristã, o evangelho foi transmitido e preservado


oralmente. Como os primeiros discípulos esperavam para breve a volta do Senhor
ressurrecto, eles não sentiram nenhuma necessidade de escrever uma narrativa do
testemunho apostólico. Foi somente depois que os apóstolos e outras testemunhas
começaram a morrer e ser mortos, que se sentiu ser necessário preservar, em forma de
escrita, o teor do ministério do Senhor Jesus. Foi durante esse período que surgiu o que
é denominado a Tradição Oral do evangelho.
A pregação e ensino dos apóstolos e outros líderes da igreja, lógica e
naturalmente, dariam uma forma fixa às narrativas acerca da vida de Jesus. Essa
"tradição fixa" explicaria a relação estreita dos Sinópticos. As diferenças são explicadas
como sendo contribuições de pessoas individuais, aumentando a informação mais geral,
que pertencia à igreja como um todo. Então, também, o propósito de cada autor deve
ser tido em mente, à medida que ele reuniu e colecionou seu material.
Após muitos anos, testando-se e tentando-se diferentes idéias, é geralmente
aceito que houve, pelo menos, quatro documentos escritos usados na produção dos
Evangelhos Sinópticos. Basicamente, estes documentos seriam: Marcos (o material
partilhado pelos três Sinópticos), a "Q" (material que não é de Marcos, partilhado por
Mateus e Lucas), "M" (material encontrado somente em Mateus) e "L" (material
encontrado somente em Lucas). Esta parece ser a solução mais simples do problema dos
Sinópticos. A prova da existência de tais outros documentos é, naturalmente, impossível.
Por esta razão, muitos estudiosos não se atêm a esta idéia.

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Os Evangelhos Sinóticos

Os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) foram chamados de


"Evangelhos Sinópticos" pela primeira vez por J.J. Griesbach, em sua edição do Novo
Testamento grego, em 1774-1778. A palavra grega sunoráo significa "ver junto", e
chama a atenção para o material comum a todos os três e indica que eles são melhor
compreendidos quando estudados juntos. Mesmo uma leitura casual dos quatro primeiros
livros do Novo Testamento mostrará que os três primeiros têm muita coisa em comum
(representando uma tradução comum) e o quarto parece pertencer a outra tradição
distinta. Veja o quadro abaixo:

O problema Sinóptico entra em foco quando a seguinte estatística é


observada: entre 94 e 95 por-cento do Evangelho de Marcos é reproduzido em Mateus e
Lucas. Dos 661 versículos contidos em Marcos, todos, exceto cerca de 30, são
encontrados nos outros dois Sinópticos. A substância de 606 versículos pode ser
encontrada em Mateus (correspondendo a 500 por causa de diferente disposição do
conteúdo). Lucas reproduz cerca de 320 versículos de Marcos, incluindo 24 que Mateus
não usou. Isto significa que, dos 661 versículos contidos em Marcos, somente 30 não
aparecem nos outros dois Sinópticos. B.F. Westcott (An Introduction to the Study of the
Gospels — Uma Introdução ao Estudo dos Evangelhos — p. 191), em 1875, deu um
quadro desta informação numa base percentual:

Peculiaridades Coincidências
Marcos 7 93
Mateus 42 58
Lucas 59 41
João 92 8

João está incluído para mostrar quão grande é a divergência de material entre
ele e os Evangelhos Sinópticos. O quadro acima não significa que as coincidências
estejam em ordem verbal exata, mas, sim, que as coincidências são tão estreitas, que
tanto mostram uma relação quanto uma origem comum.
Ainda há outra observação a ser feita. O quadro acima expressa as relações
ou coincidências entre os quatro Evangelhos, usando Marcos como a unidade básica. Isto
significa que 93 por-cento de Marcos é encontrado ou em Mateus ou em Lucas, mas
somente 58 por-cento de Mateus e 41 porcento de Lucas é encontrado em Marcos (e
apenas 8 por-cento de João é comum a Marcos). O quadro não expressa a relação entre
os outros Evangelhos (Mateus e Lucas ou João e Lucas).

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Quando todo o material comum aos três Sinópticos é extraído, há cerca de
250 versículos que são partilhados por Mateus e Lucas e não são encontrados em
Marcos. Isto deixa cerca de 300 versículos em Mateus (de 1.068) e 580 versículos em
Lucas (de 1.151) que não estão em comum com Marcos ou um com o outro.
As concordâncias e coincidências são bem impressivas no Novo Testamento
grego.
Versículos idênticos nos três Evangelhos e idênticos nos dois Evangelhos são
imediatamente evidentes. A concordância, em um grande número de casos, é encontrada
no vocabulário e na ordem de palavras. Em outros exemplos, são usados sinônimos, e é
observada a ordem invertida. Também observa-se que a ordem geral da narrativa de
eventos é seguida. Quando um dos outros dois Evangelhos diverge da ordem de Marcos,
o outro é fiel a Marcos. Mateus e Lucas dificilmente concordam juntos em contraposição a
Marcos.
Este é o Problema Sinóptico. É tarefa do estudante do Novo Testamento tentar
explicar as semelhanças e divergências nos três Evangelhos. Por que eles têm tantas
coisas em comum, e como explicar as diferenças?
É difícil, para muitos, aceitar a idéia de que os escritores dos Evangelhos
poderiam ter usado histórias tanto escritas quanto orais acerca da vida de Cristo. Sua
concepção dos Evangelhos é que o Espírito Santo deu o material a cada um dos
escritores de maneira mecânica; ou seja, os autores dos Evangelhos eram simplesmente
penas nas mãos do Espírito Santo. Contudo, o prefácio do Evangelho de Lucas afirma
muito claramente que ele havia investigado muito inteiramente o material a ser escrito.
O texto do prefácio de Lucas (1:1-4) é:

"Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre
nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram
testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver
investigado tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo
Teófilo, escrever-te uma narração em ordem, para que conheças plenamente a verdade
das coisas em que foste instruído."

Porque Lucas expressamente afirma que ele próprio havia verificado com
"testemunhas oculares" e que outros já haviam empreendido a tarefa de escrever o
Evangelho. Isto, portanto, indicaria que Lucas teve acesso a "fontes" tanto orais quanto
escritas. Deve ser presumido, então, que os outros escritores dos Evangelhos também
usaram "fontes" para sua obra.

17
Conclusão

É, agora, possível tirar algumas conclusões exploráveis.

1. É quase universalmente aceito que o Evangelho de Marcos é o mais antigo


dos Sinópticos;
2. É quase universalmente aceito que tanto Mateus como Lucas fizeram uso de
Marcos, na composição de seus escritos;
3. É quase universalmente aceito que Mateus e Lucas usaram uma segunda
fonte. Este material foi chamado "Q". Deve-se ter em mente, contudo, que o "Q" não
pode ser estabelecido com certeza.
4. É quase universalmente aceito que houve outras fontes para a composição
de Mateus e Lucas.

Por fim poderíamos então perguntar:

Por que há quatro evangelhos, especialmente quando os três primeiro parecem abranger
quase o mesmo assunto? Um só não seria o suficiente?

Existem quatro evangelhos em lugar de um, de modo a apresentar-nos um


retrato de Cristo. Os quatro Evangelhos têm cada um uma individualidade que não pode
ser anulada. E por alguns autores explicam que essa individualidade foi desenvolvida
para alcançar as quatro classes representativas do povo naquela época: Judeus,
Romanos, Gregos e a Igreja.
Cada um dos evangelistas escreveu para uma dessas classes, adaptando-se
ao seu caráter, às suas necessidades e ideais.

Livro Povo Revelação Figura

Mateus Judeus O Filho de Deus Leão

Marcos Romanos O Servo Boi

Lucas Gregos Filho do homem Rosto de homem

João Igreja O Salvador Águia

Mateus Sabendo que os Judeus esperavam pela vinda do Messias, prometido


no Velho Testamento, apresenta Jesus como o Messias o filho de Deus.

18
O leão era o símbolo da tribo de Judá, a tribo real. Em Mateus nosso Senhor é
singularmente "O Leão da Tribo de Judá".
Em Mateus, o evangelho do Rei, vê-se nos primeiros capítulos o Rei dos
Judeus e por Fim o Rei soberano nos céus e na terra, enviando para exigir sua sujeição e
homenagem.
Marcos Escreveu aos Romanos, um povo cujo ideal era o poder e o serviço,
assim Marcos descreveu Cristo o Servo fiel.
O boi é o emblema do trabalho servil. Ele representava entre os antigos do
oriente, o trabalho paciente e produtivo. A ênfase do livro se encontra num Cristo ativo,
um Servo forte, mas humilde.
Em Marcos, o evangelho do grande Servo de Deus, enfatizam-se os atos de
Cristo, não as Suas palavras, Marcos conta a lida incansável do Servo de Jeová.
Lucas Escreveu a um povo culto, os Gregos, cujo objetivo era atingir a
perfeição e assim chegar a ser deus, assim Lucas apresenta Cristo como o Filho do
homem, perfeito em tudo e que chegou a ser Deus.
O homem é símbolo de inteligência, razão, emoção, vontade, conhecimento,
amor.

“Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar
pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua
casa.” Lc 5.24

Em Lucas, o evangelho do Filho do homem, mostra-se o coração de Jesus em


uma série de manifestações de Sua compaixão, ternura e amor.
João ao escrever tinha em mente a Igreja, pois já fazia muitos anos que Cristo
tinha sido crucificado e as verdades do Evangelho estavam sendo esquecida, por isso
João, vendo as necessidades dos cristãos de todas as nações apresenta as verdades mais
profundas do Evangelho.

“E diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que nós cremos; pois agora nós mesmos
temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.” Jo 4.42

Em João, o evangelho do Filho de Deus, vê-se como Jesus assemelha-se à


natureza da águia que voa e nos leva às alturas da Sua divindade eterna. É o livro que
nos revela o mistério de Ele ser com o Pai.

19
Paralelo Significativo

“E a forma dos seus rostos era como o rosto de homem; e à mão direita todos os quatro
tinham o rosto de leão, e à mão esquerda todos os quatro tinham o rosto de boi; e
também tinham todos os quatro o rosto de águia;” Ez 1.10

O Leão simboliza a soberania a força suprema, o homem a mais alta


inteligência, o boi o serviço, a águia o celestial o divino.
Os quatros aspectos são necessários para transmitir toda a verdade. Como
soberano Ele vem para reinar e governar. Como servo vem para servir e sofrer. Como
Filho do Homem vem para participar e consolar. Como Filho de Deus vem para revelar e
remir.
Maravilhosa fusão - soberania e humanidade; humildade e divindade.

Datas e Autorias

Mateus Î (entre 50 – 70 d.C.) Escrito pelo ex-cobrador de impostos, o


apóstolo Mateus, sendo dirigido aos Judeus, e apresenta Jesus como o Messias da
descendência de Davi que tanto eles esperavam. Consiste em um manual de instrução
aos Judeus recém-convertidos e possui uma parte escatológica.

Marcos Î (entre 50 – 60 d.C.) O primeiro dos evangelhos, escrito por João


Marcos, um dos discípulos de Pedro, tendo como público alvo os romanos, apresentando
Cristo como o servo perfeito.

Lucas Î (entre 60 – 80 d.C.) Escrito pelo médico amado, Lucas, um dos


discípulos do apóstolo Paulo, tendo-o acompanhado na sua segunda viagem missionária.
Lucas dirigiu esse evangelho a Teófilo, que era um alto oficial romano, recém-convertido.

João Î (entre 90 – 100 d.C.) Escrito pelo apóstolo que Jesus amava, e
direcionado a todos que os receberam como Senhor e Salvador de suas vidas, à Igreja.

20
O Evangelho Segundo Mateus

Mateus, um dos 12 discípulos era judeu e cobrador de impostos. Seu


evangelho foi escrito objetivando alcançar o seu povo (os judeus). É o evangelho onde
Jesus é apresentado como Mestre (Rabi) e especialmente como Rei (o Messias); é, por
isso, o evangelho onde se fala sobre o cumprimento da lei (termo chave: “para que se
cumprisse o que foi dito...”); por isso Mateus compara Jesus a Moisés (Moisés era apenas
o TIPO, Jesus o REAL).

Dois pontos marcantes:

1) Mt 4:12: “Ouvindo, porém, Jesus que João fora preso, retirou-se para a
Galiléia”.

2) Mt 19:1: “E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras deixou a


Galiléia e foi para o território da Judéia, além do Jordão”.

Entre estes dois pontos, vemos o ministério de Jesus na Galiléia (que ocupa a
maior parte do livro).

Mateus não é detalhista, mas apresenta grupamentos significativos das


palavras e obras do Senhor.

Veja:

1) Capítulos 5, 6 e 7 Æ grupamento de ensinos de Jesus (o Sermão do Monte)


Æ apresenta o que Jesus DISSE;
2) Capítulos 8,9 10 Æ milagres Æ apresenta o que Jesus FEZ;
3) Capítulos 11 a 18 Æ as reações ao Senhor e as Suas respostas Æ apresenta
os RESULTADOS.

Do capítulo 19 em diante, temos o clímax, ocorrido na Judéia, também


apresentado em 3 grupos:

1) A apresentação pública de Jesus na Judéia e em Jerusalém (caps. 19-25);


2) A crucificação (caps. 26 e 27);
3) A ressurreição (cap. 28).

21
• Os termos chaves de Mateus: “O Reino dos Céus”; “para que se cumprisse o
que foi dito”.
• O uso de parábolas é marcante. O objetivo do uso de parábolas: um povo
cujo coração estava endurecido, cujos olhos olhavam, mas não viam, cujos ouvidos
ouviam, mas não escutavam. Jesus queria lhes facilitar o entendimento para que
pudessem se converter e receber cura (Mt 13:13-15; Mc 4:33).

Mateus apresenta a genealogia de Jesus logo no início do seu evangelho, e


começa por Abraão, o patriarca da nação judaica, passa por Davi, o rei messiânico, com
o objetivo de mostrar que Jesus é descendente direto de Abraão e Davi (ponto crucial
para o judeu crer que Jesus era o Messias prometido).

Cristo X “Foi Dito”

Jesus, ao se referir à lei escrita, dizia: “Está escrito” (4: 4 6,7; 11:10; 21:13;
26:24, 31), enquanto que ao se referir à lei oral dizia:

“Foi dito... eu, porém vos digo” (5:21, 22, 27, 28, 31, 32, 33, 34, 38, 39, 43,
44).
O caso do 6º mandamento é típico: “Não matarás” era a lei escrita; “e quem
matar estará sujeito a julgamento” é o adendo da lei oral.

O Evangelho Segundo Marcos

Marcos é o evangelho da AÇÃO (mostra Jesus trabalhando; é como se Marcos


quisesse dizer: “Olhe! O que Jesus fez, prova quem Ele era!”).

Em Marcos não há genealogia, pois foi escrito visando o público romano, que
não se importava com genealogias.

Marcos já inicia com Jesus sendo batizado no rio Jordão, e logo em seguida
começa o relato dos milagres (ação!).

Este é um evangelho chamado por alguns de “impressionista”, pois em breves


pinceladas, Marcos concentra em 1 capítulo o que Mateus leva 8 para abranger! Em
outros 9 capítulos aborda o que custou a Mateus 18! (é o mais curto dos Evangelhos).

22
Marcos não se ocupa tanto com o que Jesus disse, mas com o que Jesus fez! A
palavra-chave no evangelho de Marcos é “imediatamente” (“na mesma hora”).

No evangelho de Marcos, Jesus surpreende a todos com a Sua doutrina, seus


milagres, e a sua fama se espalha rapidamente (ação!).

A maioria dos capítulos começa com a conjunção “E”, dando seqüência rápida
à narrativa.

Jesus é apresentado como servo, sem que com isso perca a dignidade e a
majestade (Mc 10:42-45). Suas mãos estão sempre trabalhando (Marcos fala muito das
mãos de Jesus).

Marcos especifica detalhes que os outros evangelhos omitem (o apelido que


Jesus deu a Tiago e João – irmãos Boanerges; enumera o número de porcos onde os
demônios se refugiaram; o número de vezes que o galo cantou e o número de vezes que
Pedro negou a Jesus).

Pedro está muito presente no evangelho de Marcos, certamente porque este


foi companheiro e uma espécie de secretário pessoal de Pedro e o seu evangelho é o
relato daquilo o que Pedro lhe contara (repare, por exemplo, que é Pedro quem nota que
a figueira secara...; episódios que exaltam a Pedro nos outros evangelhos são aqui
omitidos; não há menção dele andando sobre o mar, nem é citado como sendo o 1º a
ver Jesus ressuscitado; no entanto, a negação de Jesus é contada com mais detalhes em
Marcos).
A riqueza de detalhes em Marcos nos dá a visão de uma testemunha ocular
dos fatos. Marcos é citado na Bíblia pela 1ª vez em At 12:12 (João Marcos). Era o
sobrinho de Barnabé e participou da 1ª viagem missionária de Paulo, mas desistiu
quando chegaram a Perge (At 13:13); o que mais tarde viria a causar uma discórdia
entre Paulo e Barnabé, quando este quis levá-lo na 2ª viagem missionária, e Paulo
recusou terminantemente, fato este que viria a separar estes dois homens de Deus.
Tempos depois, Paulo manda chamar a Marcos, que fraquejara no início, mas que se
mostrara fiel durante os anos (2 Tm 4:11). Tudo isso revela uma identificação entre
Marcos e Pedro, pois ambos fracassaram inicialmente, mas foram restaurados. Além
disso, Pedro o chama por “filho” (1 Pe 5:13), o que nos mostra uma relação de
discipulado entre os dois.

23
O Evangelho Segundo Lucas

Este é o mais longo dos Evangelhos. Lucas também é o autor de Atos dos
Apóstolos, o que faz dele o maior escritor do Novo Testamento em termos de quantidade
de material escrito.

Lucas era um médico grego, discípulo de Paulo, e não conheceu a Jesus


pessoalmente.

Em Mateus, Jesus é o Rei; em Marcos, o Servo e em Lucas, Ele é o Filho do


Homem.
A narrativa do nascimento de Jesus feita por Lucas não tem paralelo nos
outros evangelhos.

A genealogia dada por Lucas difere da de Mateus. Mateus relata a genealogia


pelo lado de José (era o que importava para o Judeu ⇒ a genealogia davídica), enquanto
Lucas mostra a genealogia através de Maria, que foi a mãe da humanidade de Jesus. Ao
retroceder até Adão, Lucas mostra a descendência do homem e a ascendência do Filho
do Homem.

A crônica feita por Lucas a respeito da infância de Jesus também é única.

O relato dos acontecimentos na viagem de Jesus para Jerusalém também é


ímpar e bastante longo (de 9:51 a 19:44). Neste trecho vemos certos relatos
preciosíssimos e exclusivos do evangelho de Lucas, como a censura à ira de João e Tiago
(9:51-56), a comparação do seguidor ao arado (9:62), o envio e retorno dos 70 (10:1-
24), a parábola do bom samaritano (10:25-37), censura à preocupação de Marta (10:38-
42), a parábola do Filho Pródigo (15:11-32); a história do rico e Lázaro (16:19-31); a
cura dos 10 leprosos (17:11-19); a conversão de Zaqueu (19:1-10), Jesus chorando
sobre Jerusalém (19:41-44), estas para citar apenas algumas.

Em Lucas, as passagens dão ênfase a reações e sentimentos de cunho


humano de Jesus.

A maioria das histórias e parábolas que Jesus contou neste evangelho


começou com “certo homem...”.

24
Lucas mostra Jesus orando como em nenhum outro dos evangelhos (o lado
humano ⇒ dependência).

Ele dá destaque especial à Obra do Espírito Santo (a ponto de alguns


chamarem “o Evangelho do Espírito Santo”).

Este é o evangelho direcionado para os gentios (sua genealogia começa


significativamente em Adão).

Lucas dá destaque aos pobres. Jesus anuncia que veio pregar o Evangelho aos
pobres (4:18), recomenda auxílio aos pobres (14:13), fala sobre o rico e o pobre Lázaro
(16:19-31).

Também dá destaque e valor às mulheres. Só ele fala da mãe de João Batista,


Isabel; fala de algumas mulheres que prestavam assistência ao ministério de Jesus com
seus bens, e daquelas que lamentavam enquanto seguiam o Mestre no caminho para a
cruz; as viúvas são citadas mais do que nos outros 3 evangelhos juntos.

Em Lucas encontramos pela 1ª vez a palavra “Salvador” (1:47; 2:11). Aqui se


encontra também pela 1ª vez a palavra “graça” (1:30; 2:40; 4:22).

25
O Evangelho Segundo João.

É um Evangelho peculiar. Aqui Jesus é apresentado com o Filho de Deus. A


palavra-chave do Evangelho de João é “CRER”.

O Evangelho de João se desenvolve em torno de uma idéia central: “a vida


eterna é recebida através da crença que Jesus é o Filho de Deus e Salvador dos homens”
(é um evangelho doutrinário).

Enquanto o Evangelho de Mateus objetivava os judeus, o de Marcos os


Romanos, o de Lucas os gregos, o de João objetiva a Igreja.
Em João, Jesus se apresenta dizendo com clareza e objetividade quem Ele é:

“Eu sou o pão da vida” – 6:35;


“Eu sou a luz do mundo” – 8:12;
“Antes que Abraão existisse, Eu Sou” – 8:58;
“Eu sou o bom pastor” – 10:11
“Eu sou a ressurreição e a vida” – 11:25;
“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida” – 14:6;
“Eu sou a videira verdadeira” – 15:1.

Os capítulos 14, 15 e 16 falam de forma especial, ensinado-nos sobre o


Espírito Santo.

Um quadro comparativo entre os evangelhos sinóticos e o evangelho de João:

SINÓTICOS JOÃO
Mostram o que Jesus é. Mostra quem Jesus é.
São uma apresentação de Jesus. É uma interpretação de Jesus.
Mostram Jesus exteriormente. O interpreta interiormente.
Enfatizam aspectos humanos. Enfatizam aspectos divinos.
O Leão, o boi, o homem. A Águia.
Discursos públicos. Discursos particulares.
Ministério na Galiléia. Ministério na Judéia.
Mostram fatos. É doutrinário.
Genealogia humana. Revelação divina anterior à criação.

26
Atos dos Apóstolos

Também escrito por Lucas (depois de 80 d.C.), pode-se considerar o livro dos
atos do Espírito Santo atuando nas vidas dos apóstolos de Jesus Cristo.

Este livro mostra a história do início da Igreja, desde a ascensão de Cristo, até
o fim de 2 anos de aprisionamento de Paulo em Roma.

Atos contêm de forma bem destacada, discursos e atos de Pedro e Paulo.


Veja os paralelos nas vidas dos dois:

PEDRO PAULO
1º Sermão – cap. 2 1º Sermão – cap. 13
Cura de um coxo – 3 Cura de um coxo – 14
Influência da sombra – 5 Influência dos lenços – 19
Imposição das mãos – 8 Imposição das mãos – 19
Pedro adorado – 10 Paulo adorado – 14
Ressurreição de Tabita– 9 Ressurreição de Êutico – 20
Prisão de Pedro – 12 Prisão de Paulo - 28

O Espírito Santo tem destaque especial no livro de Atos (Marcos cita o Espírito
Santo 6 vezes; Mateus 12 vezes; Lucas 18 vezes - Atos 57 vezes!).
Jesus alerta seus discípulos para não deixar Jerusalém, mas para ali esperar
pela vinda do Espírito Santo (At 1:4).

Atos nos mostra que o Espírito Santo é uma pessoa ((10:19); 13:2 ; 21:11),
por ser Deus, Ele decide e direciona o curso da Igreja (13:2 ; 16:6); Ele dá testemunho
do Cristo ressureto (5:32); Jesus dá ordens aos discípulos através do Espírito Santo (1:2
; 8:29 ; 10:19 ; 11:12-28 ; 13: 2-4 ; 15:28 ; 16:6); é Ele quem converte o incrédulo
(2:38 ; 9:17 ; 10:47 ; 11:16 ; 19:6 ; 8:15). É Ele que dá sabedoria para testemunhar
(6:9-10) e traz consolo e alegria (9:31; 13:32).

Três eventos básicos no Livro de Atos:

1) O ataque contra Estevão (7:54-60);


2) A conversão de Saulo (cap. 9);
3) A ida para os gentios .

27
1) O ataque contra Estevão ⇒ marca uma mudança no curso da história da
Igreja.
a) Estevão tinha um ministério comprovado por sinais e milagres (6:8), porém
marcado pela perseguição dos judeus (6:9-15);

b) A perseguição a Estevão culmina com sua morte, o que desencadeia uma


perseguição à Igreja (8:1-3);

c) Por outro lado, esta morte precipita o movimento evangélico e missionário


(8:4);
d) A morte de Estevão provocou a mudança do centro estratégico da Igreja,
de Jerusalém para Antioquia (11:19).

Jerusalém permanece como centro histórico (os apóstolos ficam lá); Antioquia,
centro estratégico.

Antioquia ⇒ ali os discípulos são chamados de CRISTÃOS pela 1ª vez; dali


partem as grandes viagens missionárias; Antioquia envia ajuda financeira a Jerusalém e
Judéia.
2) A conversão de Saulo.

a) É um evento que modifica a natureza da Igreja;

b) Até este evento, os líderes da Igreja eram homens que conheceram a Jesus
na carne; Paulo inaugura uma nova geração, que vinha com uma nova visão dada pelo
Senhor: alcançar os gentios. Esta missão é descrita de forma emocionante através das
viagens de Paulo.

c) Após a 1ª viagem, o número de gentios que se convertera superava em


muito o de judeus, transformando o perfil da Igreja; surgem os judaizantes, grupo
radical que acreditavam que os gentios ao se converterem deveriam ser circuncidados e
manter as leis judaicas (At 15), o que provoca a 1ª Conferência da Igreja, para decidir
esta questão. A posição da liderança (a Igreja de Jerusalém tinha por líder Tiago, irmão
carnal de Jesus) é definida pelo próprio Espírito Santo (15:28), repudiando o legalismo e
abrindo espaço para a 2ª e 3ª viagens missionárias do apóstolo Paulo (os judaizantes
não desapareceram, tendo atormentado a Paulo até o fim de seus dias terrenos,
infiltrando-se nas Igrejas com sua mensagem legalista).

28
3) A entrada dos gentios na Igreja.

O Espírito Santo agiu de forma maravilhosa para que se cumprisse o propósito


de Deus, de alcançar a todas as nações e povos. Alguns eventos do livro de Atos são
marcantes nesse sentido. Jesus mesmo já tinha dado ordens para que os discípulos
pregassem o Evangelho a toda criatura, que fossem suas testemunhas até aos confins da
terra. Mas, parecia haver uma pré-disposição dos discípulos para pregar somente aos
judeus (veja cap. 11:19). No entanto, em 3 capítulos (8, 9 e 10) vemos 3 eventos que
mudam a direção da história.

a) cap. 8 – a conversão do oficial tesoureiro do reino Etíope - Abertura para o


evangelho no norte da África.

b) Cap. 9 – conversão de Saulo –visão para os povos do leste europeu (Ásia).

c) Cap.10 – conversão de Cornélio – abertura para a Europa

(É surpreendente que tais locais já tenham sido historicamente evangelizados


e hoje sejam dominados pelo Islamismo – no caso do norte da África e leste europeu –
ou pelo Agnosticismo – no caso da Europa).

É graças a esta visão e atuação divina que hoje estamos aqui!

O livro de Atos é um relato histórico da mais alta importância, cobrindo um


período de cerca de 30 anos.

Seu final é “sui generis”, por ser reticente, como se não tivesse acabado. Por
que? Cremos que isto também foi um ato sobrenatural do Espírito Santo, que continua
completando a história da Igreja, até o dia em que veremos com nossos olhos o
fechamento desta fase, com o evento da 2ª vinda do Senhor!

29
As Epistolas Paulinas

As epistolas de Paulo compreendem um período de 18 anos, entre 50 e 68


d.C. As mesmas possuem natureza bastante prática, sendo escritas para resolver
dificuldades e questões locais.

Romanos Î (54 – 57 d.C.) Perto do fim de sua permanência na Grécia, escrita


de Corinto, muito provavelmente na sua 3ª visita àquela igreja (II Co 13.1; At 18; 20.2;
Rm 15.24,28).

I e II Corintios Î (54 – 57 d.C.) Escrita durante o período de residência de


Paulo em Éfeso (At 20; I Co 16.5-8).

Gálatas Î (49 ou 50 d.C.) Epistola escrita pelo apóstolo Paulo, 14 anos depois
de sua conversão, após a visita de fome que veio sobre Jerusalém (At 11.27) e antes do
seu concílio (At 15), muito provavelmente enviada de Corinto.

Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom Î (61 d.C.) Epistolas da prisão.

Obs.: Houve uma epistola escrita aos laodicenses também nesse período que
foi perdida.

I e II Tessalonicenses Î (50 – 51 d.C.) Provavelmente escritas em Corinto (At


16-17).

I Timóteo, Tito e II Timóteo Î (65 – 68 d.C.) Também epistolas da prisão.

- I Timóteo, escrita antes do primeiro aprisionamento em Roma;


- Tito, entre os dois aprisionamentos; e
- II Timóteo, durante o segundo aprisionamento;

30
Romanos.

É considerada por alguns como a obra-prima de Paulo.


Mensagem básica: Justificação pela fé.
Podemos dividir em 3 partes:

Doutrinária ⇒ fala como o evangelho salva o pecador - a justificação diante de


Deus foi concedida gratuitamente através de Jesus Cristo, e é obtida pela fé tão
somente. O capítulo-chave é o de número 8.

Nacional (cap. 9-11) ⇒ fala como o evangelho está ligado a Israel – o cap. 9
mostra que o evangelho sendo para o mundo inteiro, não cancela o propósito de Deus
para com Israel. O cap. 10 mostra que o evangelho ao invés de abolir o plano de Deus
para Israel, cumpre a promessa feita a esse povo (apesar da promessa da salvação pela
fé, Israel tenta a salvação por obras – v. 1-4, e tropeça no problema da incredulidade –
v.18-21). O cap. 11 ⇒ o evangelho confirma a grande perspectiva diante da nação (v.
25-29).
Prática (cap. 12-16) ⇒ fala como o evangelho influencia a conduta – são
capítulos eminentemente práticos e de fácil entendimento.

Resumo de cada capítulo de Romanos:

1. Introdução – A culpa do homem pagão (desconhecedor de Jesus Cristo);


2. A culpa do homem religioso;
3. Todos pecaram;
4. Justificação pela fé;
5. Origem da natureza pecaminosa;
6. Vitória sobre a natureza pecaminosa;
7. Vitória sobre a carne / lei / obras / si mesmo;
8. O trabalho do Espírito Santo;
9. A Soberania de Deus;
10. Israel rejeita a Deus;
11. Israel restaurado a Deus;
12, 13, 14, 15. Temas práticos sobre vida cristã (a aplicação de tudo o que foi
visto nos capítulos anteriores – submissão às autoridades, servirmos uns aos outros em
amor, renovar a mente na Palavra, sermos imitadores de Cristo, não tolerar doutrinas e
doutrinadores que causam divisão etc.).

31
1 Coríntios

Corinto era a principal cidade da Grécia, centro de adoração a Afrodite (sexo


livre, prostituição) e Apolo (homossexualismo masculino).

A imoralidade de Corinto era tal, que criaram o verbo grego “corintianizar”,


que significa práticas sexuais imorais (o templo de Afrodite chegava a ter mais de 1000
prostitutas-sacerdotisas).

Num meio como este não é surpresa que a Igreja de Corinto estivesse
contaminada com numerosos problemas, e apesar de ter manifestações dos dons do
Espírito em abundância, era uma igreja imatura e não-espiritual (3:1-4).

 Lição: manifestação de dons e poder sobrenaturais não é sinônimo de


maturidade.

Paulo escreveu 4 cartas à igreja de Corinto, mas apenas 2 foram preservadas


– a 1ª se perdeu (5:9); a segunda é a que conhecemos como 1 Coríntios; a terceira,
uma carta severa (2 Co 2:4), que também se perdeu; a quarta, é a que conhecemos
como 2 Coríntios.

Ler 1 e 2 Coríntios é como ler a correspondência pessoal de Paulo (contraste


com a epístola de Romanos que é um grande tratado doutrinário).

São, essencialmente, cartas de repreensão e correção.

A Igreja de Corinto foi fundada por Paulo (At 18:1-17), onde permaneceu
ensinando por 18 meses (1 ½ ano), auxiliado por Áquila e Priscila, Silas e Timóteo.

Depois de sua partida a igreja continuou a crescer, mas surgiram problemas.


Paulo ficou sabendo através de notícias enviadas por membros da Igreja (1:11) que
havia divisões e partidos, além de imoralidade e outras irregularidades, como irmão
processando judicialmente outro irmão. A primeira parte da carta (capítulos 1 a 6) lida
com estes assuntos .

A segunda parte (cap. 7 em diante), responde a perguntas feitas pelos crentes


em uma carta enviada a Paulo, sobre casamento, o comer de carne sacrificada a ídolos, o

32
culto público (o uso de véu, a Ceia do Senhor, os dons do Espírito, a importância do
amor, ressurreição dos mortos etc.).

⇒ As epístolas aos Coríntios são as mais complexas de todas as epístolas, pois


tratam de uma variedade muito grande de assuntos e problemas.

Alguns pontos interessantes:

• No cap. 7, Paulo fala sobre o casamento e o celibato. É preciso lembrar que


doutrinariamente Paulo é fortemente a favor do casamento (1 Tm 4:1-3 nos diz que
proibir casamento é sinal de apostasia!). Os conselhos de Paulo nesta epístola visam tão
somente corrigir a imoralidade.

• No cap. 11, a questão do véu é absolutamente secundária. A questão


principal é: relacionamento marido-esposa e o reflexo desse relacionamento no culto
público ⇒ o homem tendo o Espírito como cabeça, a mulher estando submissa ao
marido. No v. 5 e 6, ele trata de uma questão cultural da época: para a mulher, andar
sem véu sobre a cabeça era sinal de promiscuidade sexual (assim andavam as
sacerdotisas de Afrodite), assim como a mulher de cabelo curto era sinal de condenação
por algum ato imoral (adultério). A questão do véu não era o simples uso de um pano
sobre a cabeça, mas uma questão de diferenciar as mulheres cristãs das prostitutas dos
templos pagãos.

2 Coríntos

Um ano se passou entre a 1ª e a 2ª epístola de Paulo aos Coríntios. Neste


período, Paulo fez uma visita pessoal à igreja, e escreveu uma outra carta cujo emissário
foi Tito, mas que se perdeu (2:4). Ao encontrar-se com Paulo na Macedônia, Tito dá a
boa notícia de que a Igreja se arrependera, no entanto tinha sido infiltrada pelos
judaizantes, que desafiavam a autoridade apostólica de Paulo, acusando-o de ser
mentiroso, falso profeta, ladrão, aproveitador etc.

Paulo os relembra de sua conduta entre eles, que fora ética e honrosa,
causando transformação de vidas através da mensagem do Evangelho.

Após esta carta, Paulo fez uma 2ª (e provavelmente a última) visita à Igreja
de Corinto (At 20:1-4).

33
A carta pode ser dividida em 3 partes:

Expressão de alegria pela reação favorável da Igreja ao ministério de Paulo


(caps. 1-7) – (frutos de arrependimento);

Lembrança aos membros da Igreja de seu compromisso assumido em enviar


sustento para a Igreja de Jerusalém (caps. 8-9) – (finanças na Igreja);

Defesa do ministério apostólico de Paulo (caps. 10-13).

Gálatas

Esta carta é o hino da liberdade cristã (combate o legalismo de forma


acentuada e corajosa).

Esta epístola foi motivada pela infiltração dos “judaizantes” com seu legalismo
no meio da Igreja, induzindo os gálatas a erro.

ª Gl 1:6-7: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos
chamou na graça de Cristo, para outro evangelho; o qual não é outro, senão que há
algum que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”.

As palavras traduzidas aqui no português como “outro”, tem no grego sentido


mais amplo.

O 1º é “heteros” ⇒ outro de espécie diferente.


O 2º é “allos” ⇒ outro da mesma espécie.

Se alguém lhe dá uma maçã e depois uma laranja, ambas são frutas, mas a
segunda é heteros, outra fruta, mas de espécie diferente.

Mas se lhe dão uma segunda maçã, então é allos, outra fruta, mas da mesma
espécie.
Mas será que existem evangelhos diferentes, mas da mesma espécie (“allos”)?

Sim. A Bíblia fala sobre o Evangelho da graça, do Reino, da Paz, etc,


referindo-se ao mesmo evangelho, mas com ênfase em diferentes aspectos.

34
Mas quando algo além da GRAÇA é misturado ao Evangelho, ele deixa de ser
uma forma diferente do mesmo Evangelho, e passa a ser um outro evangelho.

Os gálatas estavam sendo ensinados pelos judaizantes que a salvação não é


somente pela graça, mas deveriam acrescentar cerimônias, rituais, ordenanças,
obediência à lei mosaica, etc.

Esta epístola de 6 capítulos pode ser assim dividida:

1) Caps. 1 e 2 ⇒ Paulo defende sua autoridade apostolar, que estava sendo


negada pelos judaizantes, assim como a autenticidade do evangelho por ele pregado;

2) Caps. 3 e 4 ⇒ São doutrinários. Paulo faz uma belíssima demonstração da


superioridade da graça sobre a lei;

3) Caps 5 e 6 ⇒ Eminentemente práticos, convidam o cristão para viver um


cristianismo autêntico, sem máscaras ou hipocrisias.

Efésios

Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon são denominadas epístolas da


prisão (escritas durante a prisão de Paulo em Roma).

Esta é uma epístola fantástica, que pode ser dividida em 3 partes:

1) Caps. 1 a 3 ⇒ Nossa posição em Cristo – palavra-chave: NELE ⇒ estamos


assentados com Cristo em lugares celestiais, reinando com Ele;

2) Caps. 4 a 6:9 ⇒ Nossa conduta com Cristo – palavra-chave: ANDAR ⇒


devemos andar (viver) de modo digno da vocação a que fomos chamados, despojando-
nos do velho homem, revestindo-nos do novo homem;

3) Caps. 6:10-20 ⇒ Nossa vitória em Cristo – palavra-chave: PERMANECER ⇒


Estamos numa guerra espiritual; Deus nos concede uma armadura espiritual; mas temos
que nos firmar em Jesus contra as forças espirituais do mal e permanecer, não desistir
da luta no meio da batalha.

35
Efésios nos revela a riqueza do crente em união com Cristo; retrata a glória da
nossa salvação e enfatiza a natureza da Igreja como Corpo de Cristo.

Filipenses

Foi a 1ª Igreja européia fundada por Paulo, na Macedônia.

O núcleo da Igreja foi a casa de Lídia, a vendedora de púrpura (veja At 16).

Era uma Igreja amada por Paulo, sendo chamada por ele de “minha alegria e
coroa”, que sempre o apoiara até mesmo financeiramente (4:10-19).

A ênfase da carta gira em torno de duas palavras-chaves: ALEGRIA e


MATURIDADE.

Um esboço rápido de Filipenses:

Capítulo 1 ⇒ Cristo, nossa vida.


Capítulo 2 ⇒ Cristo, nossa mente.
Capítulo 3 ⇒ Cristo, nosso alvo.
Capítulo 4 ⇒ Cristo, nossa força.

Uma passagem marcante está no cap. 2:5-11, onde somos exortados a ter a
mesma atitude de Jesus, que esvaziou-se de si mesmo, assumiu forma de servo, foi
obediente ao Pai (KENOSIS).

Efésios nos diz quem somos em Cristo (nossa posição).

Filipenses nos diz como nos tornarmos como Cristo (experiência).

36
Colossenses

Esta pode ser chamada de “epístola gêmea” de Efésios.

O que motivou o apóstolo Paulo a escrever esta carta foi o fato de uma nova
falsa doutrina, chamada Gnosticismo ter se infiltrado na igreja. Era uma mistura de
filosofia com religião que modificava a mensagem do Evangelho.

Os gnósticos criam possuir um conhecimento secreto e místico, inacessível aos


de fora do seu grupo, e que não deviam ser pregados de forma aberta. Estes segredos,
segundo eles, eram revelações do próprio Jesus, de seus discípulos diretos e amigos,
com quem afirmavam estar ligados por uma tradição secreta.

O gnosticismo é bastante semelhante ao sincretismo do movimento Nova Era,


uma vez que misturavam legalismo judeu (criam na circuncisão, no evitar certos
alimentos, sábados etc.), especulação filosófica (criam que os escritos sagrados e a
doutrina dos apóstolos não eram suficientes para revelar a Cristo), e misticismo oriental
(automortificação, culto de anjos, Deus era visto como uma “energia” etc.).

Paulo combate estas heresias mostrando que Jesus é a imagem do Deus


invisível e nele habita toda a sabedoria, conhecimento e poder. Ele é o cabeça da Igreja
e do Universo.

(Paulo combate a mentira, pregando a verdade, e não com discussões vãs).

37
1 e 2 Tessalonicenses

São, muito provavelmente, as primeiras epístolas que Paulo escreveu.

A Igreja de Tessalônica foi fundada por Paulo durante sua 2ª viagem


missionária (At 17:1-14).

A pregação do evangelho em Tessalônica trouxe tal impacto de modo que a


sinagoga foi esvaziada, causando o início de uma nova e violenta perseguição.

A permanência de Paulo em Tessalônica foi curta (Atos cita apenas 3


sábados), mas suficiente para lançar as bases de uma nova Igreja local.

Apenas um período de alguns meses separou a redação das duas epístolas, e


o assunto que mais se destaca nestas cartas é “A Segunda vinda de Jesus (que é certa) e
a nossa conduta no dia-a-dia em relação a este evento”.

Tal tema é abordado na 1ª epístola e aprofundado na 2ª, uma vez que parece
que certos ensinos haviam sido erroneamente interpretados.

Ao lermos 1 e 2 Tess veremos que certas coisas de relativa complexidade


teológica são citadas pelo apóstolo, sem que haja explicação detalhada, como “o
ministério da iniquidade”, que segundo Paulo, já estava em operação naqueles dias, mas
que não era plenamente revelado por haver algo (ou alguém) que o detia.

São passagens que merecem muita leitura e estudo. No entanto, o alvo da


mensagem de 1 e 2 Tess não é tanto o de ensinar sobre tais assuntos, pois ao que
parece, Paulo já havia feito isso ao vivo e a cores (2 Tess 2:5), certamente com detalhes
outros que não estão escritos (pena que não havia a fita K7 naquele tempo...). O alvo
maior da epístola é a nossa conduta ética e sóbria como filhos de Deus e noiva de Cristo,
que está sendo preparada para o encontro com o Noivo.

A mensagem é: “viver o dia-a-dia normalmente, como se Cristo só fosse


voltar daqui a 100 anos. Praticar o Cristianismo intensamente, como se Ele fosse voltar
daqui a 1 minuto”.

38
1 e 2 Timóteo

Estas duas epístolas, juntamente com Tito e Filemon, formam um grupo


conhecido como “Epístolas Pastorais”, pois foram escritas para líderes de comunidades
cristãs.
As 1 e 2 Tm são o “manual” mais antigo que se conhece sobre a organização
da Igreja.
Enquanto 1 Tm enfatiza a vida da congregação, 2 Tm enfatiza a vida do líder.
Paulo escreveu estas epístolas já no final de sua vida, quando o imperador
Nero promovia uma perseguição tremenda contra a Igreja. Estas cartas são uma espécie
de “passagem de bastão” do experiente líder ao seu filho na fé, amado e querido, o
jovem Timóteo, que estava sendo empossado como pastor de uma das maiores igrejas
locais de sua época: Éfeso.

O Evangelho em Éfeso tinha alcançado grande número de pessoas e aquela já


não era uma pequena comunidade, mas sim uma igreja cosmopolita, mutiétnica, lutando
internamente com assuntos de unidade e pureza doutrinária, e externamente com um
ambiente pagão e hostil.

Era necessário:

Combater os falsos mestres que se infiltravam na Igreja para combater os


ensinamentos cristãos genuínos (1 Tm 1:3-4 , 18-20 , 4:1-16);

Por não ser mais uma pequena comunidade, mas uma igreja que estava
causando impacto não somente em Éfeso, mas em toda a Ásia menor, era necessário
considerar e orientar os crentes quanto ao lado público de sua fé (1 Tm 2:1-7);

O próprio culto necessitava de ordem (1 Tm 5:17-25);

O trabalho social da igreja (cuidado das viúvas) necessitava de ser


organizado, receber critérios (1 Tm 5:3-36);

Escravos e senhores, ricos e pobres estavam freqüentando a igreja, e era


necessário haver uma orientação em relação a dinheiro e estilo de vida (1 Tm 6:1-19).

Em relação ao envolvimento das mulheres nos trabalhos da igreja (1 Tm 2:9-


15), é preciso notar o seguinte: doutrinariamente o apóstolo Paulo não tinha nada contra

39
a mulher. Gálatas 3:28⇒ “Dessarte não poder haver judeu nem grego; nem escravo,
nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”. Em
Éfeso, era impossível que as mulheres participassem ativamente da vida e da liderança
da igreja, por sua condição cultural (as mulheres eram proibidas, por lei, de receber
educação acadêmica ou religiosa). Hoje, não somente a participação feminina é possível,
como é de suma importância.

Palavras-chave em 1 e 2 Tm são: “coragem”, “fidelidade”, “firmeza” e


“propósito”.

Tito

Esta epístola foi escrita na mesma época de 1 Tm.

Tito era grego de nascimento, e embora seu nome não apareça no livro de
Atos, ficamos sabendo através das epístolas que ele se converteu logo no início do
ministério de Paulo, pois o acompanhou em sua visita a Jerusalém, quando discutia-se a
necessidade ou não dos gentios convertidos manterem a lei mosaica (Gl 2:1-4). Foi
também emissário de Paulo à igreja de Corinto durante a 3ª viagem missionária (2 Co
7:6-7; 8:6-16), tendo desempenhado com grande sucesso a tarefa recebida.

Tito aprendera com Paulo a encarar e resolver problemas sérios da igreja, e se


tornou, por isso, um dos discípulos preferidos do apóstolo da fé para solucionar casos
espinhosos.

Era este o caso da igreja de Creta, uma ilha grega, aonde o evangelho
chegara através de Paulo, mas estava sendo infiltrada por vícios e desvio da cultura
grega, e, para variar, pelos malfadados judaizantes. Paulo, então, envia para ser o líder,
pastor, administrador e orientador (função episcopal) o seu amado e hábil Tito, com a
função de corrigir os erros doutrinários que houvessem, descobrir homens com chamado
ministerial e ordená-los, enviando-os para as cidades ao redor onde havia igrejas
passando por problemas semelhantes.

A palavra-chave, que define o caráter da epístola é correção (pôr as coisas em


ordem). As idéias básicas desta carta são “os valores do mundo X os valores de Deus”;
“o caráter cristão preservado diante de um mundo corrupto”.

40
Filemon

Esta é uma carta pessoal de Paulo, sendo um exemplo fantástico de tato e


delicadeza em relação a uma situação difícil.

A epístola trata do caso de Onésimo, que era um escravo de Filemon, que por
sua vez era colaborador de Paulo (v. 1) e líder de uma igreja (v. 2). Áfia era
provavelmente sua esposa e Arquipo seu filho, também colaborador de Paulo e ministro
do evangelho (Cl 4:17).

Onésimo havia fugido e ao que indica o v. 18, roubou uma soma de dinheiro,
indo para Roma, refúgio de muitos escravos fugitivos. Em Roma, Onésimo se converteu
sob o ministério de Paulo.

Após algum tempo, sabendo da condição de fugitivo de seu discípulo, Paulo


envia Onésimo de volta à casa de Filemon, em companhia de Tíquico, que levava consigo
as epístolas a Filemon e Colossenses.

⇒ Nesta carta, Paulo ilustra o princípio do perdão e da restauração na base


das misericórdias de Cristo, pedindo que Onésimo seja recebido não como servo fugitivo
sujeito a castigos terríveis, mas sim como irmão amado (Fm 16).

Não sabemos ao certo o destino de Onésimo. Mas seu nome aparece em uma
carta escrita por Inácio de Antioquia, um conhecido bispo da igreja primitiva. Este foi
preso e durante sua prisão escreveu para o novo bispo que ocupara seu lugar, de nome
Onésimo. Acredita-se que era o mesmo Onésimo da epístola de Filemom, que uma vez
retornado foi perdoado e usado na obra de Deus como fiel colaborador.

41
As Epistolas Gerais

Hebreus.

É a 1ª de uma série de epístolas: as epístolas aos cristãos hebreus e é um dos


grandes tratados teológicos do N.T.

Sua autoria é desconhecida, mas muitos favorecem o apóstolo Paulo.

Esta epístola tem grande relação com o A.T., em especial o livro de Levítico.
Em Levítico vemos os sacrifícios que deviam ser apresentados dia após dia; comparados
com Jesus, que ofereceu sacrifício único e definitivo (Hb 10:11-12).

É dirigida a um grupo de crentes de origem judaica. Imagine como deve ter


sido difícil para estes, desfazer-se dos rituais judaicos, principalmente se levarmos em
conta que a sua religião anterior era legítima, e vinda de Deus.

A epístola tem o objetivo principal de esclarecer a estes novos crentes à nova


realidade que agora se revelara, oferecendo uma visão esclarecedora de que no V.T.
temos a tipologia, no N.T. temos a revelação do que é real.

Isto não significa que não há mensagem para nós hoje. Nesta epístola
aprendemos sobre o ministério atual de Jesus (ministério sacerdotal, intercessório);
aprendemos a superioridade do Evangelho sobre rituais religiosos; aprendemos que em
Jesus temos sacrifício pleno e definitivo não se podendo melhorá-lo ou superá-lo, seja
acrescentando-lhe, seja misturando-lhe algo.

A palavra-chave em Hb é “superior”.

Jesus também é superior aos anjos (caps. 1 e 2), a Moisés (3), Josué (4), a
Arão (5-7).

Temos aliança superior (8:6), um tabernáculo superior (9-11), sacrifício


superior (9:23); patrimônio superior (10:34), pátria superior (9:23); ressurreição
superior (11:35); herança superior (11:40).

Nos capítulos 1-7, a ênfase está sobre a pessoa de Cristo.


Nos capítulos 8-10:18, sobre a obra intercessória de Cristo.

42
Nos capítulos 10:19 ao final, sobre a fé como resposta à pessoa e a obra de
Cristo.
Este livro é de grande importância porque:

Explica a relação entre a Velha e a Nova Aliança;


Explica como muitos tipos do V.T. acham a sua realização em anti-tipos do
N.T.;

Demonstra a existência de uma unidade entre os 66 livros da Bíblia, como


procedentes de um único autor (E.S.), além de mostrar que toda a Escritura é focalizada
em Jesus;

Contém a galeria dos heróis da fé.

Jesus é mais proeminente em Hebreus do que em qualquer outra epístola;

É chamado “o quinto Evangelho”, porque descreve o ministério atual de Jesus


(os evangelhos focam na vida, morte e ressurreição de Jesus, mas Hebreus enfatiza
Jesus como Sumo Sacerdote);

Nos responde questões quanto à verdadeira religião e nos mostra como obter
acesso a Deus;

Nos mostra nossa posição e privilégios em Cristo, além de conter exortações e


encorajamentos profundos.

Tiago

Escrita pelo mais velho entre os irmãos carnais de Jesus (filho de Maria e José
– veja Mc 6:3). Foi incrédulo até a época da crucificação, mas converteu-se após a
ressurreição (1 Co 15:7), transformando-se em um homem de oração (diz a tradição que
se tornou-se conhecido como “Tiago joelhos de camelo”, devido aos calos que se
desenvolveram pelo hábito de orar ajoelhado), vindo a ser designado líder (bispo) da
igreja de Jerusalém (At 15:13-21).

Esta é a epístola mais antiga do N.T., o que é denotado pela ausência de


fraseologia cristã definida, escassez de doutrina cristã específica; a palavra “sinagoga” é
usada para descrever a igreja, a ausência de referência ao cristianismo gentio etc.

43
Com isto, devemos concluir que Tiago não constitui uma resposta contrária
aos escritos de Paulo (como querem alguns), pois estes ainda não haviam sido redigidos.

Os assuntos tratados na epístola são muitos, mas Tiago jamais teoriza; sua
exortação por toda a epístola é visando o cristianismo prático.

A carta está repleta de referências ou alusões ao A.T. (cita 22 livros do A.T.),


assim como há pelo menos 15 alusões a ensinos de Jesus contidos no sermão da
Montanha.

Tiago não defende as boas obras como um meio de salvação, mas como um
produto desta.

Idéia básica de Tiago: “se a sua fé não afeta a sua conduta, o seu cristianismo
é falso”.

1 Pedro

Carta destinada aos “forasteiros da dispersão” (1:1), ou seja, àqueles irmãos


que, por causa da perseguição, foram dispersos para as regiões da Judéia e Samaria (At
1:8-4), chegando mesmo à Fenícia, Chipre e Antioquia (At 11:19). Estes eram, em sua
grande maioria, cristãos de origem judaica, cuja perseguição era provocada pelo
imperador Nero (ainda não era a grande perseguição que viria a ser promovida mais
tarde por Domiciano).

A epístola foi escrita por Silas (também chamado Silvano), que serviu de
amanuense (secretário) de Pedro, o que explica o seu grego refinado (5:12).

O local onde a carta foi escrita é descrito como “Babilônia” (5:13), nome-
código usado para simbolizar Roma, o estado Romano e seu sistema, com intuito de
evitar problemas maiores com autoridades romanas.

O tema da carta é definido em 5:12 ⇒ “a genuína graça de Deus” na vida do


crente.
Um esboço da carta poderia ser assim descrito:

1) A Graça nos dá segurança quanto à salvação (1:1-10),

44
2) A Graça nos capacita a um comportamento de submissão a autoridade
(1:11; 3:12).

3) A Graça nos fortalece nos sofrimentos (3:13; 4:19).

4) A Graça nos conduz a uma vida de serviço (5:1-7).

5) A Graça nos capacita a ter um comportamento sóbrio diante dos ataques


diabólicos (5:8-14).

2 Pedro

Na primeira epístola, Pedro escreveu para encorajar aos cristãos perseguidos.


Mas agora um perigo terrível ameaçava os crentes: falsa doutrina e falsos mestres (2:1)
(note que na 1ª carta não há citações sobre apostasias).

A primeira carta foi escrita em torno do ano 60, a segunda, cerca de 68 a.D.,
ano em que Pedro foi martirizado. Neste intervalo de tempo surgiram falsos mestres que
causavam confusão e divisão.

O propósito da carta está expresso em 3:1-2 ⇒ relembrar aos cristãos sobre


o pleno conhecimento de Cristo e assim evitar as “imitações” que possam se apresentar.

Enquanto a ênfase da 1ª epístola está na esperança em meio à provação, a da


2ª está no crescimento na verdadeira sabedoria.

Pedro dá um destaque especial à 2ª vinda de Jesus, que vinha sendo


desacreditada pelos falsos mestres.

A carta pode, a grosso modo, ser dividida em 3 partes:

1) cap. 1 trata do verdadeiro conhecimento;


2) cap. 2 denuncia os falsos mestres;
3) cap. 3 a suprema promessa da volta do Senhor.
2 Pe nos mostra que a melhor e mais eficaz maneira de combater o erro é
ensinar o que é certo.
2 Pe é chamada epístola “gêmea” de Judas. Alguns acreditam que Judas
provavelmente usou 2 Pe como referência ou vice-versa.

45
1 João

Escrita pelo apóstolo João, cerca de 90 A.D.; nesta época João era o único
sobrevivente dos 12 apóstolos.

A carta foi motivada pela presença dos “mestres” gnósticos (já vimos sobre o
gnosticismo quando analisamos Gálatas), que se infiltraram nas igrejas. Os gnósticos
ensinavam que o corpo era malígno, e precisava ser tratado duramente, havendo um
antagonismo insolúvel entre a matéria e o espírito. Dessa forma, Jesus como espírito
puro não poderia jamais ter tido um corpo material (seu corpo seria penas virtual, uma
espécie de fantasma), e ainda que fosse real, seria apenas o corpo de Jesus-homem,
mas não do Cristo-Espírito. O Cristo-Espírito entrara em Jesus no seu batismo nas águas,
mas deixou-o pouco antes da crucificação.

João contradiz isto rapidamente, afirmando que foi testemunha ocular,


auditiva, cujas mãos apalparam.

Ele contradiz a idéia de revelações secretas, proclamando desde o início:


“Deus é luz, e não há nele treva alguma” (1-5) (Tudo à respeito do Evangelho é franco e
direto).
O objetivo da carta: saber distinguir a verdade cristã e permanecer nela.

Com este intuito, a epístola se desenvolve em uma série de 7 contrastes:

1) Luz X Trevas (1:5 - 2:2);


2) O Pai X O Mundo (2:12 - 2:17);
3) Cristo X Anti-Cristo (2:18 - 2:28);
4) Boas Obras X Obras Malignas (2:9 - 3:24);
5) Espírito Santo X o Espírito do erro (4:1 – 4:6);
6) Amor X Simulação Religiosa (4:7 – 4:21);
7) O Nascido de Deus X Os Outros (5:1 – 5:2).

2 e 3 João

Estas são epístolas pessoais (embora alguns creiam que a “senhora eleita e
seus filhos” a quem 2 Jo é dirigida trate-se da própria igreja).

46
Durante os 2 primeiros séculos, o Evangelho era levado de lugar em lugar por
evangelistas e mestres intinerantes.

Costumeiramente, os crentes recebiam estes homens em suas casas,


fornecendo-lhes provisão para continuar em viagem quando partiam.

Os mesmos falsos mestres referidos em 1 Jo estavam usando do mesmo


método para disseminar suas heresias.

Em 2 Jo, o apóstolo refere-se aos falsos mestres, ensinado a rejeitá-los. Mas


como reconhecer um falso mestre? João dá o parâmetro no v. 9 ⇒ aquele que ultrapassa
a “doutrina de Cristo”. As bases da doutrina de Cristo estão escritas em Hb 6:1-2.

Em 3 Jo, o escritor encoraja a hospitalidade aos verdadeiros mestres.

A epístola é dirigida a Gaio, um provável líder de uma igreja da Ásia.

A carta se desenvolve descrevendo 3 personalidades: Gaio (um homem


espiritual), Diótrefes (insubmisso carnal) e Demétrio (provável portador da carta-homem
espiritual).

Estas comparações visam mostrar que o motivo genuíno para servirmos a


Deus é simplesmente devoção e não ambição.

Judas

Escrita por um dos irmãos de Jesus (Mt 13:55 e Mc 6:3), irmão de Tiago.

Mais uma vez o motivo que levou a escrever tal carta foi a infiltração dos
falsos mestres (gnósticos) (o objetivo inicial era escrever sobre salvação – v. 3).

As idéias centrais: 1- Batalha pela fé; 2- Ser edificado na fé.

A idéia de Judas é que o combate da fé às falsas doutrinas não é feito com


debates ferozes, paus e pedras, mas pregando a verdade (v. 17).

47
A linguagem da epístola é severa, mas o problema abordado exigia tal
severidade, pois implicava no destino eterno das pessoas; no entanto, Judas nos
relembra que ao lutar pela fé, devemos permanecer no amor de Deus.
Esta epístola costuma ser chamada “epístola gêmea de 2 Pedro”, pois há
várias referências comuns.

Apocalipse.

O autor deste livro é identificado como João (1:4-9 – 22:8). Tradicionalmente


tem sido aceito que este é o apóstolo João, e não há qualquer motivo para que se pense
de maneira diferente, embora o estilo literário seja bastante diferente do Evangelho e
das epístolas de João, o que é perfeitamente normal, dada a natureza do livro, o fato de
esta revelação ter sido dada numa visão, as circunstâncias em que João se encontrava
(prisioneiro em Patmos) são suficientes para explicar tais diferenças de estilo.

O livro nos mostra claramente que foi escrito num período em que os cristãos
estavam sendo ameaçados por Roma, sob pressão para que renunciassem à sua fé,
aceitando o culto ao imperador. Alguns crêem que foi escrito durante a perseguição
promovida por Nero depois do incêndio de Roma em 64 A.D.. No entanto, os estudiosos,
em sua maioria, concordam uma data mais recente, em torno de 90 A.D., durante o
reinado de Domiciano, um imperador perverso que reinou no período de 81-96 A.D.,
tendo promovido uma perseguição das mais terríveis que se tem notícia na história da
cristandade. Esta data mais recente é também sustentada por escritores cristãos antigos
(os chamados “pais da Igreja”), como é o caso de Irineu (130 – 200 A.D.), além de se
enquadrar melhor com o quadro de complacência e deserção das igrejas nos capítulos 2
e 3.
A interpretação do Apocalipse de João tem se tornado assunto polêmico, mas
podemos considerar quatro linhas interpretativas básicas:

1) A linha Preterista ⇒ que afirma que as profecias do livro foram cumpridas


nos primeiros séculos da história da Igreja;

2) A histórica ⇒ que vê o livro como um panorama do desenrolar da história


da Igreja, dos dias de João até o final dos tempos;

3) A futurista ⇒ (também chamada “dispensacionalista”), que entende a maior


parte do livro (capítulos 4 a 22) como profecia ainda a ser cumprida. Esta linha é a mais
recente, historicamente falando (cerca de 100 anos).A linha dispensacionalista assume

48
que os planos divinos são realizados através de dois povos diferentes: o Israel nacional e
a Igreja, existindo portanto dois programas proféticos distintos.

As cartas endereçadas às 7 igrejas são interpretadas como 7 períodos


históricos da Igreja; Ap 4:1 é interpretado como o evento do “arrebatamento” da Igreja
e o evento seguinte seria um período de 7 anos de tribulação e grande tribulação. Deste
ponto em diante, o livro trataria desta grande tribulação e do destino de Israel nas mãos
do Anti-Cristo.

De acordo com esta visão, Cristo voltará para destruir a besta, prender a
Satanás e então iniciar um período de mil anos (o “milênio”) de paz sobre a terra,
através de um regime judaico, onde a lei de Moisés, assim como os sacrifícios de animais
e o templo de Jerusalém seriam restaurados.

4) A linha simbólica ⇒ (espiritual ou idealista), que vê no livro do Apocalipse


uma sucessão de imagens simbólicas que representam grandes verdades e princípios
espirituais, cuja intenção seria guiar e encorajar os cristãos de todos os locais e épocas
históricas da terra.

Estas imagens e símbolos mostram o período de tempo compreendido entre a


primeira e a segunda vinda de Jesus.

Esta série de imagens simbólicas estariam mostrando a vitória do Senhor


Jesus sobre o inimigo e seus aliados. A Igreja, mesmo atribulada, é vista como
compartilhante do triunfo de Jesus, em todas as épocas.

É importante notar que o livro está repleto de símbolos; alguns explicados no


próprio livro (1:20; 17:15), outros não, além de ser pontilhado com palavras tais como
“semelhante” e “como”, que indicam uma comparação e não uma identificação.

Seja qual for à linha que se pretende seguir, é importante entender a chave
da interpretação do Apocalipse: a própria Bíblia (chave esta ignorada por muitos
intérpretes modernos).

49
Conclusão

Não podemos desprezar, e nem deixar outros desprezarem quão


maravilhoso compendio teológico que Deus, por meio dos seus servos deixou para a
humanidade, a Bíblia que começando pelo Antigo Testamento, de forma majestosa se
coaduna com o Novo Testamento.

Maravilhosas são as palavras, os ensinamentos e mais maravilhoso ainda é


como toda esta obra sendo escrita por aproximadamente 40 homens, dos mais diversos
níveis intelectuais, e em diversas épocas, situações e costumes, formam uma unidade,
comprovando a existência de uma só fonte, o Espírito Santo de Deus (2Pe 1.21).

E para surpresa de alguns, muitos de nós brasileiros também fazemos parte


dessa história, ainda que de forma muito longínqua através dos nossos antepassados que
na península Ibérica, chamada de Sefarad, vivia a maior comunidade judaica do globo.
Perseguida por motivos políticos e religiosos, viu surgir d’além mar a esperança para sua
existência, a colonização do Novo Mundo. Milhares e milhares de famílias afluíram para
as Américas e principalmente para o Brasil em busca da liberdade de ser o que eram:
judias. Famílias que trouxeram para a terra do pau-brasil os sobrenomes que hoje são os
mais difundidos por aqui (Silva, Rocha, Ferreira, Fernandes, Costa, etc...). É uma história
que nos pertence, que os nossos antepassados viveram: a história dos cristãos novos, os
judeus ibéricos forçados a se converter ao catolicismo. Perseguições, massacres,
segregação, sangue inocente derramado, medo e luta pela sobrevivência permeiam a
história das peregrinações deste sofrido povo.

E sobretudo, estamos ligados a história desse povo por meio da excelente


providência de Deus para salvação dos gentios por meio do Messias prometido.

“Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo“.
(Jo 1.17)

Gilvan Nascimento

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Bibliografias

• HALE, Broadus David – Introdução ao Estudo do Novo Testamento. Ed. Juerp,


Edição 1983. 332 pág.
• CHAMPLIN, R. N. – O Novo Testamento Interpretado. Ed. Hagnos, 2ª Edição
2001.
• PEARLMAN, Myer – Através da Bíblia Livro por Livro.

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