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Universidade Estadual de Campinas

Faculdade de Engenharia Química


EQ-801 – Laboratório de Engenharia Química III
Roteiro Experimental

Roteiro Experimental – Distribuição do Tempo de Residência em Reatores

1. Objetivos

Estudar o comportamento de escoamentos não ideais, determinar a distribuição do tempo


de residência (DTR) e calcular o tempo médio de residência para os reatores tubular e tanque
agitado de fluxo contínuo, e comparar as distribuições experimentais com as de alguns modelos
de reatores.

2. Fundamentos Teóricos

2.1. Escoamento Não Ideal

Dois tipos de escoamento ideais são conhecidos e empregados em projetos: o tubular


empistonado ("plug flow") e o de mistura perfeita ("backmix flow"). Os métodos de projeto
baseados nestes modelos de escoamento são relativamente simples, e em grande parte dos casos,
o escoamento se aproxima com erro desprezível do comportamento ideal. Por outro lado, os
projetos que levam em conta os desvios da idealidade são mais complexos e ainda não estão
bem desenvolvidos (Froment e Bischoff, 1979). Os desvios podem ser causados pela formação
de canais, pelo reciclo de fluido, pelo aparecimento de regiões estagnantes no recipiente ou por
outros fenômenos não considerados nas hipóteses dos modelos ideais.
Os problemas de escoamento não ideal estão intimamente ligados ao aumento de escala,
pois a questão de se partir ou não para as unidades piloto reside em grande parte em possuir o
controle de todas as variáveis mais importantes envolvidas no processo. Geralmente, o fator não
controlado no aumento de escala é a grandeza da não idealidade do escoamento, e esta,
frequentemente, é muito diferente para unidades pequenas ou grandes. Portanto, o
desconhecimento desde fator pode levar a erros grosseiros no projeto (Levenspiel, 1972).
No projeto do reator com escoamento não ideal é necessário saber o que está
acontecendo dentro do vaso. O ideal é se ter um mapa completo da distribuição de velocidade
para o fluido, o que é muito difícil de ser obtido. Para superar estas dificuldades, existe um
número mínimo de parâmetros que devem ser determinados a fim de que o projeto seja possível.
Em muitos casos, o conhecimento do tempo em que as moléculas individuais permanecem no
recipiente, isto é, qual a distribuição do tempo de residência do fluido que está escoando, é
suficiente para o projeto.

2.2. Distribuição do Tempo de Residência

É evidente que elementos de fluido que percorrem diferentes caminhos no reator podem
gastar tempos diferentes para passarem através do recipiente. A distribuição destes tempos para
a corrente que deixa o recipiente é chamado de distribuição do tempo de residência (DTR) do
fluido.
É conveniente representar a distribuição do tempo de residência de tal maneira que a área
sob a curva seja unitária, isto é:



0 Edt  1
Este procedimento é chamado de normalização da distribuição. Com essa representação,
a fração da corrente de saída com tempo de residência ou idade entre t e t+dt é:

E(t)  dt

e a fração da corrente com tempo de residência ou idade inferior a t1 é:

t1

F(t1 )   Edt
0

enquanto que a fração com tempo de residência ou idade superior a t1 é:

 t1

1  F(t1 )   Edt  1   Edt


t1 0

Tem-se ainda que:

dF
E(t) 
dt

2.3. Técnicas de Estímulo e Resposta

A forma mais simples e direta de se encontrar a distribuição de tempo de residência é


utilizar um traçador físico ou não reativo, empregando a técnica de estímulo e resposta. Vários
tipos de experimentos podem ser usados com estímulos do tipo pulso, degrau, periódico ou
randômico. Entre estes, o pulso e o degrau são os mais fáceis de serem interpretados.

2.3.1. Estímulo Tipo Degrau Negativo


O estímulo tipo degrau negativo, equivalente ao “wash-out”, se caracteriza pelo
deslocamento de um traçador inicialmente presente no reator. Se a concentração inicial de
traçador no reator é C0, o registro da concentração na saída do recipiente medida como C/C0 em
função do tempo corresponde à fração de fluido com tempo de residência superior a t, ou 1-F(t).

2.3.2. Tempo Médio de Residência


O tempo médio de residência é dado por:

 1

t   t  E(t)dt   tdF
0 0

ou em dados discretos:
t   t i E(t i )t i
i

A dispersão da distribuição é medida pela variância, é dada por:


 

S   t  tEdt   t 2Edt  t 2
2

0 0

Na forma discreta:

i t i2E(t i )t i
S 
2
 t2
E(t i )t i
i

Se a densidade do fluido escoando no reator se mantiver constante:

V
t   
v0

em que  é o tempo espacial, V o volume do reator e v0 a vazão volumétrica na entrada do


reator.

3. Materiais e métodos

Esta prática consiste em experiências com dois tipos de reatores: tubular e vaso agitado.
É empregada como traçador uma solução de corante de alimentos. Além disso, usam-se
cronômetro, proveta de 100 ml e espectrofotômetro com cubetas.

3.1. Reator Tanque Agitado de Fluxo Contínuo

Figura 1: Esquema da instalação experimental do reator agitado.

A Figura 1 mostra o esquema da instalação experimental do reator tanque agitado de fluxo


contínuo. O volume do reator será de cerca de 1500 mL. A alimentação emprega o mesmo
sistema do reator tubular e a retirada de amostras é realizada na saída do reator. A agitação é
feita por um agitador mecânico com rotação ajustável e posição da pá regulável através de
deslocamento vertical.

3.2. Reator Tubular

Figura 2: Esquema da instalação do reator tubular.

A Figura 2 mostra o esquema da instalação experimental do reator tubular. O comprimento do


reator é de 1,95 m e seu diâmetro interno é de 5 cm. O volume total interno é de cerca de 2000
mL. A alimentação é constante e contínua por diferença de nível controlado por uma bóia. A
válvula agulha V3 é usada para ajustar a vazão de líquido. A válvula V2 permite a entrada de
traçador no reator a partir de um reservatório em nível mais elevado. A válvula V4 é usada para
eliminar bolhas de ar do tubo.

4. Procedimento Experimental

4.1. Reator tanque agitado de fluxo contínuo

• Preparação:
a) Ajustar a pá do agitador a 1 cm do fundo do vaso aproximadamente e ligar a agitação em
uma velocidade qualquer. (Nota: Será feito outro experimento com outra posição da pá
do agitador. Guarde o valor selecionado na escala de velocidade do agitador para que
ele possa ser repetido na segunda etapa do experimento).
b) Encher o béquer com água e ajustar as vazões de água de entrada.
 Abrir totalmente aa torneira e utilizar a válvula V0 para efetuar o ajuste da vazão.
 Ajustar rotâmetro para 130 mL/min.
 Conferir a rotação utilizando proveta + cronômetro
c) Após o reator ficar completamente cheio (água fluindo pela saída), fechar completamente
a torneira, desligar o agitador e determinar o volume do reator através do volume de
líquido presente no reator (Não mexer na válvula de controle de vazão, V0).
d) Esvaziar o tanque e enchê-lo com traçador (coletar amostra inicial).
• Experiência:
e) Abrir completamente a torneira para a entrada de água e acionar o cronômetro.
f) Retirar amostras nas cubetas nos tempos 0, 10’’, 20’’, 30’’, 40’’, 50’’, 1’00”, 1’10”,
1’30”, 1’50”, 2’10”, 2’40”, 3’10”, 4’00”, 5’00”, 6’00”, 7’00”, 10’00”, 12’30”, 15’00”,
20’00”, 25’00”, 35’00”, 45’00”.
g) Analisar as amostras com auxílio do espectrofotômetro (a 512 nm).
h) Repetir o experimento com a pá de agitação a 1 cm da superfície do líquido. Obs.:
Verifique a vazão no decorrer do experimento.

4.2. Escoamento Tubular

• Preparação (solicitar auxílio do técnico):


a) Encher completamente o reator com água, abrindo a torneira e a válvula V0. A válvula
V2 deve estar fechada e a presilha deve estar fechada em P2. Após o reator ficar cheio,
ajustar a vazão para 100 mL/min através da válvula V3. A válvula V1 deve permanecer
aberta.
b) Fechar V1 e colocar a presilha em P1. Abrir V1 para esvaziar o tubo. Coletar o líquido
com proveta para determinar o volume do reator.
c) Fechar V1 e colocar a presilha em P2 e abrir V2 para permitir o enchimento do tubo com
traçador.
d) Após o enchimento do tubo, fechar a válvula V2.

• Experiência:
e) Com o traçador ocupando todo o tubo, abrir a válvula V1 colocar a presilha P1 e acionar
o cronômetro.
a) Coletar amostras nas cubetas nos tempos 0, 1’, 3’, 5’, 7’, 9’, 11’, 13’, 14’, 15’, 16’, 17’,
17’ 30”, 18’, 18’ 30”, 19’, 19’ 30”, 20’, 20’ 30”, 21’, 21’ 30”, 22’, 22’30”, 23’30”, 24’,
24’30”,25’, 25’30”, 26’, 26’30”, 27’,28’, 29’, 30’,32’, 35’, 38’, 40’.
f) Analisar as amostras com o espectrofotômetro (a 512 nm). Obs.: Verifique a vazão no
decorrer do experimento.

5. Cálculos e Análise dos Resultados

 A partir dos dados obtidos, construir as curvas C/C0, F e E em função do tempo.


 Calcular o tempo médio de residência para cada caso.
 Obter as curvas E e F para os seguintes modelos de reatores: CSTR ideal, CSTR com
canalização e volume morto, PFR ideal, escoamento laminar segregado e N tanques
CSTR em série; comparar com as curvas experimentais.
 Discutir os resultados levando em conta os seguintes pontos:
 grau de desvio da idealidade de cada caso
 apontar as prováveis causas da não idealidade em função das características das
curvas e dos modelos;
 comparar o tempo médio de residência calculado a partir dos dados experimentais
com o tempo espacial calculado a partir do volume do vaso e da vazão de líquido.
Discutir as diferenças;
 discutir os recursos que podem ser empregados para se aproximar do escoamento
ideal em cada caso.
6. Referências Bibliográficas

Fogler, H.S. Elements of Chemical Reaction Engineering, 2nd Ed., Prentice-Hall, New Jersey,
1992.
Froment, G.F.; Bischoff, K.B. Chemical Reactor Analysis and Design, Wiley, New York, 1979.
Levenspiel, O. Engenharia das Reações Químicas, Edgard Bluncher, São Paulo, 1974.
Levenspiel, O., Patterns of Flow in Chemical Process Vessels, Adv Chem. Eng. 4, 95, 1963.
Smith, J. M., Chemical Engineering Kinetics, 3rd Ed., McGraw-Hill, New York, 1981..

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