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STANISLAVSKI, C. A preparação do ator. 5ª Ed.

Rio de Janeiro: Civilização


Brasileira, 1982. Disponível em: < https://bibliotronicaportuguesa.pt/wp-
content/uploads/2015/03/Konstantin_Stanislavsky_A_Preparacao_do_Actor.pdf>.
Acesso em: 26 nov. 2018.
Lição nº 1:
– Jamais congelar uma ideia. O ator deve dominar seus métodos. Não engessar o
personagem no ambiente do ensaio. Passar o texto em diversos lugares diferentes
ajuda a não cristalizar uma ideia.
Lição nº 2:
– O ator deve viver o papel inteiramente. Por isso não lembrar o que foi feito é sinal
de que viveu em cena, não se assistiu. O ator deve se deixar levar pelo
personagem.
– Dirigir-se ao que podemos alcançar e de resto a natureza o fará. Não pretender
mais do que podemos realizar.
– Tomar os processos internos e adaptar a vida espiritual e física do personagem.
– Viver interiormente e dar uma encarnação exterior ao personagem. As bases
orgânicas da natureza impedem de seguirmos o caminho errado.
– Os sentimentos humanos exigem emoções naturais, no próprio instante, em que
nos apresentam encarnados. Atores mecânicos se prendem a clichês.
– Para reproduzir sentimentos é necessário reconhecê-los por experiência própria.
– Não represente "exteriormente" algo que não esteja sentindo "interiormente".
Lição nº 3: Ação.
– Colocar intenções nas ações. Não abra uma porta, por abrir. Abra com a intenção
de descobrir quem te espera, de saber se está frio lá fora, se o carteiro deixou sua
carta.
– Toda ação deve partir do interior, ser real. Acompanhar sub-textos, pensamentos.
Lição nº 4: Imaginação.
– Criar base de imaginação para exercícios. Provoque sensações de frio, calor,
fome, cansaço. A imaginação do ator deve ser elaborada de forma minuciosa, e
erguida sobre uma base de fatos.
– O ator deve estar entregue, e envolvido de corpo e de espírito. Sentir o desafio à
ação, tanto física, quanto intelectual. Cada movimento em cena, cada palavra, é
resultado de nossa imaginação.
Lição nº 5: Concentração da atenção
– É preciso olhar as coisas e realmente vê-las. O ator deve ter um foco de atenção
em cena, pra não desviar a concentração. Se vemos a imagem em nosso "interior"
conseguimos transmiti-la ao nosso "exterior" de forma crível.
– O talento sem o trabalho, é matéria-prima sem acabamento, no seu estado bruto.
– O ator deve ser um eterno observador da vida real. Olhar e ver. Não deixar nada
passar desapercebido.
Lição nº 6: Descontração dos músculos.
– A contração muscular impede o ator de ter liberdade em cena.
Lição nº 7: Unidades e objetivos.
– Crie dentro do texto e de seu personagem, um canal de divisões amplas, que
tenham sido devidamente preenchidas e elaboradas. O verbo sempre será o ativo
no texto. O verbo provoca pensamentos e sentimentos, que levarão a ação.
Lição nº 8: Fé e sentimento da verdade.
– A verdade em cena é tudo aquilo que podemos crer com sinceridade, tanto em
nós mesmos como em nossos colegas. Começar o trabalho por dentro, acreditando
na realidade das sensações.
– É impossível controlar o todo de uma vez, temos que fragmentá-lo e absorver
cada pedacinho. Você cria o corpo num papel e depois cria a alma humana.
– Ações físicas sempre devem vir acompanhadas de atitude. Se você acredita, tem
fé no que faz em cena, a emoção virá naturalmente. Quando realizar uma tragédia,
não pense nas emoções, pense no que tem que fazer, e faça.
– A primeira vez sempre tem um frescor de verdade. Mas, com as técnicas, a
segunda fez fica tão verdadeira quanto a primeira.
Lição nº 9: Parecer e Ser.
– O ator tem que "ser" sempre. Não se contentar com aparência exterior. Tudo deve
ser real na vida imaginária do ator. O ator deve exercitar sempre sua criatividade,
crença, imaginação, memória, voz e corpo. Transformar realidades humanas em
cristais de verdade artística.
Lição nº 10: Memória das emoções.
– Toda produção exterior é formal e fria, quando não tem motivação interior. Por
isso deve-se recorrer à memória da vida. O "inesperado" é alavanca no processo
criador. Pois o ator improvisa.
– Buscar lembranças de um lugar que remeta sensações de angústia,
encantamento, pânico, felicidade.
– Pode-se até entrar em cena sobre o plano exterior, mas durante, recordar
sentimentos "anteriores" e se entregar a eles.