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Proposta de projeto de pesquisa, o impacto da terceira revolução

industrial nas música, observado através da Economia Política, visando o


entendimento do impacto tecnológico no mundo do trabalho.

Manoel J de Souza Neto1

Av. Luiz Xavier, 68, sala 1618. Centro, Curitiba, Paraná.

Resumo

Esta pesquisa pretende observar a econômica política e impactos da tecnologia no


mundo do trabalho da música. Uma analise da estrutura que permeia as relações de
produção da música, observando o recorte de tempo da transição da música gravada
e distribuída por meio de objetos físicos nas últimas décadas do século XX e sua
transição para música digital na virada para o século XXI. Essa analise das transições
das fases históricas recentes da produção, comercialização e consumo musical, visam
o entendimento dos impactos sociais do mundo do trabalho de músicos e
compositores, atingidos pelo conflito dos novos donos dos meios de produção e
circulação em uma competição darwinista decorrente de processos de desrupção e
transições tecnológicas. Para tal, será feita através da revisão de literatura uma
síntese das relações entre música, economia e política, seus avanços históricos em
suas fases de produção capitalista, anteriores a revolução industrial, e como
impactaram essas relações entre donos dos meios de produção e trabalhadores
(criadores) após a primeira e segunda fases da revolução industrial, e as mudanças
que ocorrem diante da terceira revolução industrial. O impacto da economia imaterial
no mercado de trabalho da música, é a pergunta que visa identificar essa pesquisa.

Palavras Chave

1 Manoel José de Souza Neto, Pesquisador, escritor e agitador cultural. Cientista


Político (formado pela Uninter). Dir. Museu do Som Independente. Membro da câmara
e colegiado setorial de música e Conselheiro Nacional de Políticas Culturais do
Ministério da Cultura entre 2005-2017. Contato: neto.manoeljdesouza@gmail.com.
Economia. Política. Tecnologia. Trabalho. Música.

Orientações indicadas:

Geraldo Augusto Pinto

Luiz Ernesto Merkle

Introdução do objeto de pesquisa, delimitação do corpus, contexto e


justificativa.

Neste plano de projeto de pesquisa, pretende-se investigar o impacto do


fenômeno tecnológico das forças produtivas da música, interpretadas através
de teóricos marxistas, frankfurtianos e das teorias críticas da sociologia e
filosofia francesas, por sobre o objeto música na economia política em
processos de transformações em suas bases tecnológicas, buscando o
entendimento de suas contradições e impactos causados no mundo do
trabalho da música.

Esta analise da estrutura que permeia as relações de produção da


música, observando o recorte de tempo da transição da música gravada e
distribuída por meio de objetos físicos nas últimas décadas do século XX e sua
transição para música digital na virada para o século XXI, especialmente as
modalidades localizadas P2P (pear to pear), downloads e os serviços de
streaming musical (MARCHI, 2016). Essa analise, será comparativa da sua
subseqüente desestruturação das redes anteriormente estabelecidas em suas
bases de produção, distribuição, circulação e consumo (PRESTES, 2005),
baseados em lançamentos físicos que circulavam como objetos de venda (vinil,
cassetes e CDs), complementados por recebimentos em direitos autorais e
cachês em espetáculos. Após as revoluções nos meios de produção e trabalho,
essas atividades se limitaram, posteriormente a música como serviços de
audição pagas por mensalidades ou serviços gratuitos (streaming), o que
limitaram aparentemente a fases especificas da cadeia produtiva, antes
complexas, na atualidade reduzidas apenas em etapas de pré-produção e
produção através das gravações, e na fase de circulação/difusão através de
serviços e espetáculos, alterando as relações de venda e de direitos autorais.

Essa analise das transições das fases históricas recentes da produção,


comercialização e consumo musical, visam o entendimento dos impactos
sociais do mundo do trabalho, mais notadamente de músicos e compositores,
mas sem deixar de lado elementos participes da cadeia produtiva da economia
da música (PRESTES, 2005), atingidos pelo conflito entre novos donos dos
meios de produção e circulação (players do setores tecnológicos da internet)
em competição darwinista decorrente de processos de desrupção e transições
tecnológicas, que atingiram os velhos donos dos meios de produção
fonográfica, ligados as industria gráfica, de gravações e prensagens, ou fixação
de música em mídias físicas e circulação e venda desses objetos através de
sistemas de distribuição que envolviam setores de transporte de cargas. Essa
industria da música era braço de grandes corporações de setores arcaicos
oriundos da segunda revolução industrial, o que segundo Jeremy Rifkin, autor
do livro A Terceira Revolução Industrial, tinham por base para seu
funcionamento na petroquímica, ou seja, industrias de transformação baseadas
em material orgânico, fósseis, poluentes e emissores de carbono, que entre
outras questões tinham custos marginais de produção altos.
Para tal pesquisa se concretizar viável, será feita através da revisão de
literatura uma síntese das relações entre música, economia e política, seus
avanços históricos em suas fases de produção capitalista, anteriores a
revolução industrial, e de como impactaram essas relações entre donos dos
meios de produção e trabalhadores (criadores) após a primeira e segunda
fases da revolução industrial, e as mudanças que ocorrem diante da terceira
revolução industrial.

Visa também, o entendimento com esta pesquisa, a verificação de obras


como Free Culture de Lawrence Lessig, A cauda Longa de Chris Anderson,
Como a Música Ficou Grátis de Stephen Witt e A Destruição Criadora da
Indústria Fonográfica Brasileira (1999-2009) de Leonardo de Marchi. Pretende-
se ainda se possível a constatação de indicadores existentes que apontam, ter
sido a música, primeiro setor a entrar em definitivo na terceira revolução
industrial desde 1999, quando do advento da plataforma de música online
Napster foi lançado, antecipando a chamada economia apelidada de
Uberização do trabalho, economia imaterial (HUWS, 2011), ou economia do
grátis.

Justificativa

Além da analise inédita das relações entre tecnologia e trabalho, com


economia política da música, essa pesquisa, se justifica, por ser continuidade
em pesquisas anteriores, e que por estarem bem adiantadas, tem plenas
condições de serem efetivadas.

Anteriormente a pesquisa acadêmica desenvolvi uma carreira de


pesquisador independente, escritor e agitador cultural. Como diretor do Museu
do Som Independente (Paraná) lancei uma publicação de referência sobre a
música regional (SOUZA NETO, 2004), e como editor do Observatório da
Cultura (Paraná), colunista do Cultura e Mercado (São Paulo) venho mantendo
as pesquisas do campo da música, observada através da comunicação,
tecnologia, economia, política e sociologia.

Esse projeto de pesquisa visa dar continuidade aos estudos que


desenvolvi ao longo da graduação em Ciência Política, nos cursos, disciplinas
acadêmicas, mas também com estudos independentes que mantive em
espaços de representação setorial, em que pude manter contato continuado
ao longo de uma década de observação participante como membro do
Colegiado Setorial de Música (2005-12) e do Conselho Nacional de Políticas
Culturais/MINC (2010/12). O fenômeno foi tratado em minha monografia de
ciência política, que observou a agenda dos grupos de interesses dos campos
sociais, econômicos e políticos na arena de decisões de políticas públicas da
música no Ministério da Cultura.

O estudo anterior, justamente observava os conflitos políticos entre


grandes players do setor musical nas arenas políticas. Na medida em que os
conflitos se ampliaram, as organizações representativas do setor passaram a
se posicionar publicamente, sobre reformas nas leis de direitos autorais,
comunicação, combate a pirataria, jabá, regulamentação do trabalho de
músico, etc. Agendas políticas conflitantes que permitiram, desde a crise
setorial relatada, a observação de uma série de fenômenos. Em especial
observou-se que desde a instalação da arena política oficial do setor em
ambiente governamental em 2005, revelaram-se as intenções dos atores
políticos, formando documentação do conflito, que compreende atas, planos,
material de imprensa, manifestos, etc. O fenômeno foi tratado em monografia
para obtenção de título em Ciência Política onde pude observar a agenda dos
grupos de interesses na arena de decisões de políticas públicas da música no
MINC. Ao estudar as propostas de grupos de interesses da música brasileira,
classificando as agendas políticas, as proposições, vetos, beneficiados e
prejudicados, identifiquei, em tais documentos, discursos distintos aos da
cobertura da mídia, revelando conflitos que podem dar respostas a antigos
debates relacionados à influência monopolista da indústria cultural, mídia e
fonografia (BAUDRILLARD, 1995, ADORNO, 2011), bem como diversas
reclamações históricas das relações de trabalho dos músicos (REQUIÃO,
2010) e MORELLI (1991), justificando nova pesquisa no campo das relações
entre capital e trabalho.

Embora não tenham sido localizados, em um primeiro levantamento no


banco de teses da Capes, uma pesquisa stricto sensu sobre o fenômeno da
tecnologia e trabalho dos músicos, alguns estudos apontam um caminho, as
análises sobre a economia política da cultura e comunicação de César Bolaño
(2000), as relações entre associações de direitos de autores, Estado e Mídia
por Rita Morelli (1991), as tensões tecnológicas ocorridas com a música digital
e Leonardo de Marchi (2016), e as relações tensa do mercado de trabalho dos
músicos em Luciana Requião (2010).

Além do ineditismo, outro aspecto justifica a proposta é a possibilidade


de continuidade, partindo da observação participante realizadas por uma
década em espaços de representação setorial do Ministério da Cultura, formou-
se uma base de dados única que facilitará a pesquisa. Ampliando tais
investigações, proponho, nesta pesquisa, elaborar questões próprias do campo
da analise da tecnologia ao observar as tensões entre capital e trabalho,
buscando analisar como operam aspectos da da cadeia produtiva, meios de
produção, suas mudanças tecnológicas diante das questões históricas
relatadas e como isso afeta o trabalho da música, observados através da teoria
economia política em Marx, mas também, observadas as teorias ofertadas
sobre a evolução tecnológica, bem como da sociologia do trabalho, questões
que se relacionam diretamente com a linha de pesquisa Tecnologia e trabalho,
do PPGTE da UTFPR.
Soma-se, a essa experiência como cientista político, a prática, o que remete ao
envolvimento com o campo do trabalho da cultura e da música, como produtor
de shows, discos e de programas de rádio, sendo também colaborador de
diversas publicações. Como pesquisador independente, venho mantenho
estudos de comunicação, economia, política, sociologia e história da música
por mais de 20 anos. Experiências que me tornam apto a tarefa que me
proponho neste plano de projeto de pesquisa para mestrado, ou seja, concluir o
projeto nos dois anos do curso.

Fundamentação e revisão de literatura

O objeto da pesquisa foi localizado através da observação de que o


setor musical passa por forte período de conflitos sociais nos últimos anos. A
cobertura midiática do caso trata dos prejuízos das majors, pirataria e música
online, e dos baixos valores pagos aos artistas, em meio a acordos nebulosos
que vêm beneficiando os atravessadores (BYRNE, 2015). Essas questões
remontam conflitos históricos do campo musical no século XX, quando a
música era distribuída em “conserva”, conforme observou Walter Benjamin,
transformando-se o mercado fonográfico em monopólio estadunidense ao
longo das décadas. Porem no começo do século XXI, os custos de distribuição
caíram a quase zero no comparativo de CD para downloads de música
independente, tornando a música grátis (WITT, 2015). Tal queda teria por efeito
causado um abalo na rede estabelecida, de consumo/difusão e de
oferta/procura, porem, não graças a pirataria como afirma Stephen Witt (2015),
mas a uma infinidade de novos produtores/emissores das cenas
independentes, responsáveis pela super produção, como afirma Todd Gitlin
(2003) – isso decorre do excesso de comunicação. Com a ampliação de
tensões sociais, econômicas e políticas decorrentes da micronização da
tecnologia e a desintermediação da difusão (ENZENSBERGUER in
BAUDRILLARD, 1995), a música enquanto mercadoria encontra-se em crise.
Neste trabalho pretende-se identificar as transformações ocorridas na
música na era digital, em especifico o entendimento nas práticas de trabalho,
subsistência, renda, emprego, lucro, enfim, sobrevivência dos trabalhadores na
era da economia imaterial (HUWLS, 2011), ou era do grátis (GITLIN, 2003).

Com base em SOUZA NETO (2015), texto anteriormente publicado na


revista lugar comum 43, apresento adaptação de conceitos resumindo, o
problema localizado, conforme segue a justificativa teórica que embasa esse
projeto.

A música passou por diversas transformações no ambiente social e


econômico: A indústria fonográfica, como uma série de processos da Cadeia
Produtiva da Economia da Música, é formada pelas principais etapas de pré-
produção, produção, distribuição, comercialização e consumo (PRESTES,
2005, p. 30-31), o desenvolvimento histórico se deu através de quatro períodos
da economia política da música, o que segundo Attali (1995, p. 51-52), estariam
divididas em redes: ritual sacrifical, representação, repetição e pós-repetição
(composição). A música, como objeto do capitalismo, foi aprisionada em
dominação material por mega corporações monopolistas ao longo do século
XX, característica da transição das fases econômicas de representação, para
repetição (ATTALI, 1985, p. 87-95), sendo considerada uma indústria de baixa
inovação e, no entanto, de alta intermediação atravessando as relações entre
artistas e o público.

No começo do século XXI ocorreram mudanças globais nas relações de


produção e consumo da música devido a micronização tecnológica,
popularização dos meios de produção, difusão de obras através da internet e
redes de telefonia móvel. Com os custos de distribuição caindo a quase zero
no comparativo do CD para os downloads de produtos marginais, a queda teria
por efeito o abalo a rede estabelecida, de consumo/difusão e de oferta/procura,
isso graças a uma infinidade2 de novos produtores/emissores responsáveis
pela superprodução (MARX; ENGELS, 2001, p. 37), gerando um ambiente
concorrencial, reforçando as teses dos autores clássicos da economia que
tratam da teoria do valor (ROBINSON, 1979, p. 217). Anteriormente, a
distribuição era regulada por monopólio ilegal através do Jabá, propina paga
para difusão nos veículos de comunicação que, ao evidenciar uma ínfima parte
do mercado, esconderia todos os demais produtos gerando uma economia da
escassez (Direito do Comum. In: BELISÁRIO; TARIN, 2012, p. 127). Modo de
produção anterior que, sendo monopolista, obrigava o artista a procurar por
contratos com gravadoras ou não conseguiria nem distribuição, nem difusão.
Mercado da velha indústria que, por outro lado, forçava consumidores ao
pagamento de altos preços nos CDs em um mercado cartelizado. A queda da
rentabilidade na música, alardeada por muitos artistas e pelas majors, se
justificam, mas as teorias e números aplicados são baseados em dados
forjados, pois não seriam tais argumentos referentes à pirataria as razões da
crise3. Na realidade, a queda na taxa de lucro unitário do objeto musical teria
por origem a super concorrência4. O atual mercado simplesmente não fornece
níveis de optimal prices para o lucro das majors, considerando que existem
novos consumidores ouvindo novos artistas independentes e que boa parte dos

2 No mundo as majors produziram em toda a história menos de 1% de músicas do


que a demanda reprimida liberou com a internet.

3 A ABPD somava dados de downloads de música de todos os usuários, contabilizava


junto contrafação, falsificação, pirataria, com a produção legitima e independente
chamando-a de “pirataria” em seus relatórios.

4 Somente o projeto Genome do site Pandora localizou até o começo de 2014 mais de
130 milhões após a internet, comparando com os parcos 3,5 milhões de obras
musicais registradas pela antiga industria fonográfica.
usuários de música que ouvem o parco material das majors é usuário de
serviços gratuitos. Teses5 que, ao serem aplicadas, derrubam argumentos de
que a pirataria teria levado a indústria fonográfica a quase falência, sendo
outras as razões da quebra (ALLEN, 2011), em especial, o excedente de
produção musical que não encontra o consumidor.

Cenas independentes e regionais tiveram novas chances de vida entrando em


renegociação com os médias que por décadas foram hegemônicos nos meios
de emissão e circulação de trocas simbólicas, enquanto majors entraram em
crise, devido à quebra de direitos autorais, pirataria de CDs e downloads ilegais
que, segundo eles, estariam “matando a música”.

Com a popularização dos meios de produção e difusão ocorrida no inicio


do século XXI, os lucros do setor da música migraram para outras formas de
entretenimento, para o mercado de nichos (ANDERSON, 2004), para as
pontas, cenas/artistas independentes (DE MARCHI, 2012) e para as cenas
regionais (LEMOS, 2008; SOUZA NETO, 2004).

Essas transformações geraram uma economia de trocas simbólicas


através de financiamento coletivo (crowdfounding), gravações caseiras
(homestudios), sites de downloads de arquivos digitais usados por artistas para
divulgação em redes sociais onde são endossados e distribuídos por seus
amigos e fãs6, convertendo-se em moeda para coletivos, festivais e gravadoras
indies. Portanto, artistas que conquistaram autonomia relativa das
multinacionais através da autoprodução de espetáculos, vendas de CDs
diretamente nos shows e difusão de música on-line, que tiveram enorme

5 Oberholzer-Gee; Strumpf: afirmam serem necessários mais de 5.000 downloads de


uma música para que se deixe de vender um único CD, contrariando os discursos
proferidos na mídia e as decisões judiciais que criminalizavam usuários de internet
(OBERHOLZER-GEE; STRUMPF, 2009).
avanço com as licenças alternativas CreativeCommons, somados aos arquivos
de mp3 e com o p2p. O que provocou a renegociação das formas de circulação
e de trocas simbólicas, diante do espaço anteriormente monopolizados por
algumas décadas pelos médias (BAUDRILLARD, 1995, p. 173-175). A indústria
fonográfica perdendo a capacidade de ditar produtos, diante da cultura livre
(LESSIG, 2004, p, 28), simplesmente ruiu, abrindo portas para os novos
concorrentes que são os milhões de criadores das multidões interconectadas.
Se anteriormente as transformações da economia da música relatadas por
Attali (1985), marcada pela repetição dos produtos (catálogos), o que Adorno
(2011) tratava por Evergreens e Hits (ADORNO, 2011, p. 104-117),
pertencentes aos poucos donos dos meios de produção difundidos na mídia,
tornavam as majors independentes dos artistas, ditando gostos, revelando um
sistema fechado autopoiético, onde a racionalização da produção transformava
artista em objeto da máquina, e os sistemas das cadeias produtivas da
economia da música sequer citavam o compositor como parte da estrutura
(PRESTES, 2005, p. 154), com a liberação das emissões de trocas simbólicas,
na atualidade, são as pessoas e os artistas (99%) que independem dos
mediadores antigos7. Ao menos, foi assim até a chegada do Streaming.

Todo o alarde feito pelas majors de que a pirataria estaria “matando a


música” foi simplesmente concorrência dos novos donos dos meios de
produção e difusão, cenários marcados pela enorme diversidade musical. O
fenômeno foi causado por excessivo controle de multinacionais sobre os
criadores e emissores de conteúdos em regime de broadcasting (BRANCO,
2014), revertidos os significados no enfrentamento para Do-it-yourself e deste,
com a ruptura do monopólio de trocas simbólicas e com a conquista de meios,

6 O músico Leoni (2009) afirma que “Os fãs são a nova gravadora. No negócio agora
tudo depende da relação entre o artista e seus fãs, especialmente os ‘uber’ fãs,
aqueles que compram todo o merchandising, vão a todos os shows e divulgam suas
bandas favoritas”.

7 Cf. LEONI. Manual de sobrevivência no mundo digital. E-book. Disponível em:


<http://pt.slideshare.net/desenvolveti/ebook-manualdesobrevivencianomundodigital>.
o novo lema lançado pelo Youtube fundindo os anteriores em Broadcast
Yourself (SOUZA, 2012). A nova onda gerou um mercado de redes flexíveis
entre usuários, artistas, gravadoras independentes e majors, devido a conexão
generalizada, ocorridas pelas redes virtuais que promoveu a liberação do polo
de emissão controlada pela mídia de massas, da demanda reprimida vinda da
produção descentralizada de conteúdo para as multidões e, entre elas, onde “a
internet ‘desintermedeia’ as relações; o ser humano pode se comunicar de
forma global” (BRANCO, 2014), gerando a produção do comum, que:

não se refere a noções tradicionais da comunidade


ou do público; baseia-se na comunicação entre
singularidades e se manifesta através dos
processos sociais colaborativos de produção.
(HARDT; NEGRI, 2005, p. 266)

Porém, anteriormente ao efeito da internet, outro fenômeno foi mais


relevante com a micronização tecnológica, gerando o barateamento e
popularização dos meios de produção sendo possível, atualmente, que: donos 8
de i-phones, androids, smartphones, que tenham acesso a sites de downloads,
p2p, youtube9, e tenham contas em redes e novos espaços de sinergia virtuais
(LEMOS, 2003), controlem mais ferramentas de produção e difusão musical do
que a velha indústria fonográfica e do audiovisual detinham no passado.
Qualquer um que disponha de um investimento baixo torna-se para além de
consumidor, como previsto por Enzensberger (1970) em Baudrillard (1995, p.
1987), “produtor/emissor” de conteúdos de audiovisual e música, revertendo os

8 Pesquisa realizada considerou que em 1991 os recursos existentes em um iPhone


custariam por unidade mais de U$3,56 milhões, sendo estimados na atualidade desta
pesquisa em U$3.000 mil, portanto menos de 1.000 vezes menos se existisse algo
similar 23 anos antes (SWANSON, 2014).

9 32% dos vídeos consumidos no youtube seriam feitos pelos músicos “amadores”
(SOUZA, 2012).
modos de produção, retomando o papel do mestre artesão (MARX; ENGELS,
2001, p. 29-39) ou proletariado que expropriado de seu posto com a revolução
industrial, reconquista os meios e sua autonomia, diante das corporações que
se tornaram no século XX atravessadoras das emissões e trocas
(BAUDRILLARD, 1995, p. 174) de fluxos comunicacionais. O autor como
produtor, previsto por Benjamin (1934).

Essa atual realidade da música, porém, formaria uma nova economia precária,
porque “o novo produtor de cultura das periferias faz parte de um precariado
global: são os produtores sem salário nem emprego” (BENTES, 2010).
Segundo Cocco (2012), “O trabalho se tornou imaterial e cognitivo (cultura) e
precisa dos serviços para manter-se tal”. A nova realidade de trabalho
improdutivo devido a livre circulação de objetos condiciona os criadores a uma
competitividade adaptativa Darwinista, constatada no manifesto Freemusic de
Samudralam (1994). Com o Streaming, mesmo nos serviços pagos, artistas
reclamam dos parcos pagamentos.

Com a reorganização dos processos de trabalho, surgem novas


categorias de artistas/produtores (mestres artesões) com autonomia relativa
que detém os meios tecnológicos e cognitivos (COCCO In: BELISÁRIO; TARIN,
2012, p. 20-22), para a realização de seus ofícios, resultando no florescimento
de novas economias criativas baseada em espetáculos, monetização de
conteúdo online e crowdfounding, apropriados por coletivos, cooperativas,
festivais e gravadoras indies. Porem, a incapacidade de adaptação de alguns
artistas vem levando a questionamentos, surgidos de artistas como David
Byrne (2013) e outros músicos se perguntam: música livre de quê? 10 Resta
economia, renda e emprego neste mundo de competitividade adaptativa

10 Uma pergunta que remete ao conceito de “Precariado Produtivo” que seria um


trabalhador precário, sem emprego, mas que produz. O precariado se difere muito
pouco de outros conceitos como explorado, excluído ou escravo.
Darwinista? Outro que não seja em um regime colaborativo? Neste contexto
pretende-se buscar no ambiente da cadeia produtiva da música na era do
Streaming, respostas para o desenvolvimento das atividades musicais, para
todos os atores envolvidos nessas práticas.

Com os novos serviços de Streaming, players como telefonia celular,


sites, agregadores e provedores disputam os frutos dos criadores com os
medias tradicionais, reorganizando o setor. Em meio aos debates, relacionados
a sustentabilidade da cena independente e regional (global) em um ambiente
desregulado, todos procuram pela sobrevivência em uma atividade que teve
substancial queda na taxa de lucro observada, pelo excesso de concorrência.

A crise no ambiente sócio/econômico da música é acabou por revelar o


objeto desta pesquisa. O impacto da economia imaterial, bem como os efeitos
dessas plataformas e modelos de negócios, desenvolvimento sócioeconomico,
e no mercado de trabalho da música, é a pergunta que visa identificar essa
pesquisa.

Objetivo da pesquisa proposta

Esta pesquisa possui como objetivo principal, mapear a Economia


Política da música em seu período de transição tecnológica, ou seja do século
XX para o XXI, a fim de prover um mapa realista das contradições do mercado
de trabalho no qual os músicos estão inseridos.

A pesquisa tem seu foco tanto nas estruturas do mercado internacional


como mercados nacionais regionais da música, pretendendo apontar dados,
estatísticas e políticas públicas que ao gerar indicadores econômicos, podem
permitir análises de oportunidades e riscos, além de apontamentos para
desenvolvimento e sustentabilidade em um mercado no qual os dados e
depoimentos de artistas revelam que existem contradições entre faturamento e
renda.
Mesmo sendo dirigida à economia política da música, observando
questões mais especificas da tecnologia e do trabalho, a pesquisa também
servirá ao desenvolvimento de análises do campo teórico comum a temas
como Indústria Cultural (Escola de Frankfurt), sociologia da cultura, economia
da cultura, comunicação, entre outros temas de estudos, que podem ser
beneficiados com a conclusão destas pesquisa.

Desta maneira, esta análise trará contribuições para outros estudos de


setores culturais, também porque serão efetivados estudos para identificação
de pressupostos da operação comum da estrutura da atual economia criativa e
da economia imaterial. nas redes digitais.

Para mapear as relações da estrutura economica da música e o mundo


do trabalhador da música, bem como setores relacionados, criadores
(artistas/músicos) será inicialmente necessária a análise da cadeia produtiva da
música (Prestes, 2004) e analise do desenvolvimento das transformações
tecnologicas da música. Logo, a pesquisa pretende identificar detalhadamente
os pressupostos de funcionamento da economia política da música, e os
efeitos e contradições para os trabalhadores.

Pretende-se identificar o valor financeiro das atividades musicais, em


tempos de música analógica em oposição a digital, procurando identificar a
percepção do valor dos objetos musicais para o público, o valor da música e
dos catálogos dentro das operações financeiras das empresas e quanto deste
valor é repassado aos criadores, em especial, comparar as transformações
ocorridas com a música em tempos de serviços de streaming.

Essas intenções visam identificar demandas, ralos e gargalos no


mercado de trabalho dos músicos, visando sua valorização, bem como
soluções ao enorme saldo social e economico negativo já identificado.

Metodologia da proposta de pesquisa


Visando a aplicação de teorias consistentes e praticas para o
desenvolvimento dessa pesquisa, serão observados os autores clássicos da
economia, Marx, Adam Smith, e David Ricardo e outros como Robinson,
buscando o entendimento da economia, das fases do desenvolvimento
econômico, evolução das forças produtivas e tecnológicas, bem como do
funcionamento das relações de produção, dos donos dos meios de produção
com relação aos trabalhadores da música. Além da literatura clássica,
pretende-se atualização, buscando em autores como Cogiolla, Polanyi e
Thomas Piketty, o entendimento dessas forças no século XX e no século XXI.

Esse esforço, de entendimento das forças produtivas e do mundo do


trabalho, será complementado por estudos da economia da cultura,
metodologias de estudos próprios das Indústrias Culturais, Economia Cultural,
em especial o conceito de Indústria Cultural, termo utilizado pela primeira vez
pela Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. Somando o mapeamento crítico das
Indústrias Culturais e Criativas presentes neste estudo serão aplicadas as
teorias estruturalistas e teorias críticas francesas (Althusser e Baudrillard), da
Crítica Marxista, da Psicanálise (Lacan) e da Sociologia (Pierre Bourdieu),
visando a identificação dos sujeitos, criadores, e suas formas de trabalho,
dentro de uma superestrutura de trabalho da música global, que implica em sua
reificação, alienação (no sentido atribuído ao trabalho alienado), diante dos
objetos que eles mesmos criam, e são expropriados em nome de corporações,
que antes vendiam seus objetos, e na atualidade na economia imaterial,
distribuem gratuitamente, gerando implicações sociais e econômicas que
precisam ser entendidas e medidas.

Seguindo linhas teóricas, que irão tratar não apenas de dados


quantitativos da economia da música, suas estruturas, operações, resultados,
mas também de descrever as estruturas do mercado global da cultura, através
de autores relacionados aos Estudos Culturais, como Bourdieu, Stuart Hall,
Canclini, Yúdice e Miller para demonstrar os resultados mercado multicultural a
partir da globalização e 'glocalização' (Canclini, 2010 e Mattelart e Neveu,
2006), procurando esta pesquisa identificar as entranhas da estrutura
estudada, tentando entender acima de tudo, o que é essa economia, em
termos materialistas históricos, seu funcionamento, evolução tecnológica, e as
implicações para o trabalhador da música.

Como campo de pesquisa a economia política da música, será


apresentado juntamente aos estudos da área citados, esta será uma pesquisa
sobre a música observada através da economia, com estudos de cadeia
produtiva em (Prestes, 2004,p.21-22;112-113) e economia política em autores
como Smith, Marx, Ricardo e Robinson. Ou seja, reflexões sobre dados da
análise macroeconômica e de economia industrial sobre elementos gerais e
específicos das cadeias produtivas e impactos nos mercados, circulação de
bens, monopólios, e outras informações pertinentes que contribuam com o
dimensionamento do objeto. Serão feitas análises e identificação do capital da
música através de Joan Robinson (1979), que trata de quantidade de capital,
equilíbrio a longo prazo, salário e lucros. Também de pseudofunção da
produção, alinhamento, acumulação, o progresso técnico, produtos marginais
etc.

Para, após este entendimento do funcionamento de como era a industria


da música na segunda revolução industrial, procurar a atualização de conceitos
e contradições decorrentes da terceira revolução industrial, através do
entendimento da filosofia dos preços nestas plataformas, modelo de negócios,
e pagamentos aos trabalhadores, serão utilizados conceitos da economia
clássica como Adam Smith e David Ricardo, mas também conceitos da
economia marxista, buscando tratar da circulação e de seu controle.

Em questões de método de recolhimento e análise de dados, para a


primeira parte da pesquisa, que trata de analisar a ação das forças produtivas,
serão utilizados relatórios e estudos existentes sobre o setor, buscando
dimensionar o objeto, capital produtivo da música. Esta parte da pesquisa será
um estudo comparado dos dados já existentes com cruzamento de dados
publicados em relatórios (ABPD, IFPI, WIPO, CISAC, UNESCO, Oxford,
Berklee, Harvard, além de pesquisas de acadêmicas), demonstrando as fases
do desenvolvimento da produção e economia da música, na segunda revolução
industrial.
A segunda parte da pesquisa utilizará diagramas, fractalidade, sistemas
complexos, identificação da cadeia produtiva e seus elementos (PRESTES,
2005), e suas transformações na era digital, ou terceira revolução industrial.

O terceiro momento do projeto (ver objetivos), que se relaciona com a


analise de impacto da cadeia produtiva da música, será um estudo comparado
identificando as relações empresas e sua relação com os artistas. Somam as
analises ao entendimento das práticas de sobrevivência dos músicos na
atualidade, dentro de suas novas alternativas de trabalho.

Cronograma da pesquisa proposta

Esta pesquisa fará uma descrição da evolução da estrutura econômica e


material da tecnologia da produção e mercado musical e seus efeitos no
mundo do trabalho, para tanto, serão necessários, um mapeamento das
relações entre música, economia e política, a realidade atual destas relações,
contradições e possibilidades.

Serão estudados durante o período de 1 ano os campos teóricos da economia


da cultura; a ação do estado; as relações estruturais de organismos
internacionais; os conceitos, dados, relevância e desenvolvimento internacional
e regional; a cadeia produtiva da música; a economia, dados e indicadores da
música digital; os potenciais de mercados e as contradições da economia
política e mundo do trabalho.

No primeiro ano da pesquisa será voltado também a literatura obrigatória do


curso Tecnologia e Sociedade.

A primeira etapa, de pré-produção e preparação, começará com a escolha e


delimitação do tema, a definição do problema a ser tratado, seguirá para a
definição dos objetivos, seleção bibliográfica e elaboração do projeto. Com a
aprovação do projeto, parte-se para a segunda etapa, de produção e execução.
Esta fase de cruzamento de dados, coleta de informações e traduzindo-as em
gráficos, para em seguida a escrita que será efetuada no segundo ano do
curso de mestrado.

Também nesta fase será realizado o fichamento da bibliografia, a seleção do


referencial teórico e as leituras, bem como a análise dos dados coletados para
a produção do texto.

A última etapa envolverá, finalização da escrita, conclusão de créditos


obrigatórios, e defesa do trabalho.

Resultados esperados da pesquisa proposta

Objetivos específicos em tópicos:

1 - Organizar a base de dados;


2 - Análise da literatura: estrutura produtiva da economia da música. Elaborar um
mapa destas relações;
3 - Elaborar métodos de análise para estabelecer como funciona a Economia da
música na prática, produzir uma tabela com estes dados;
4 - Revisar e elaborar método de aplicação dos conceitos econômicos utilizados
nesta pesquisa;
5 - Análise da cadeia produtiva e do mercado: antes e depois do mercado digital;
6 - Localizar e contatar empresas, usuários e artistas envolvidos no mercado de
Streaming para entrevistas;
7 - Cruzar estes dados com os dados do item 2 e 3;
8 - Analisar aspectos fiscais, financeiros e mercadológicos da música na era digital,
utilizando os conceitos econômicos do item 3. Elaborar um diagrama destes
aspectos;
9 - Aplicar os diagramas de cadeia produtiva para o caso de uma empresa existente
(Spotify,Deezer, Apple Music,Tidal, por exemplo);
10 - Comparar dados sócio economicos dos trabalhadores da música;
11 - Conclusões: Analisar o potencial de desenvolvimento da Economia da música no
mercado de trabalho, análise das contradições da Economia Política e conclusão;
12 – Finalização de escrita, revisão e publicação do trabalho;

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